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O jogo do pré-sal: juízo e correlação de forças - Jornal Cruzeiro do Vale

O jogo do pré-sal: juízo e correlação de forças

17/07/2015 10:04

Uma das razões para a voracidade do apetite imperialista sobre a riqueza contida do pré-sal, é o fato de que já se descobriu muito petróleo, mesmo tendo sido mensurada apenas uma pequena parte da área total. A área correspondente ao pré-sal vai do litoral de Santa Catarina até o Espírito Santo. Mais de 100 mil km2 de blocos não foram nem licitados. Mesmo tendo sido uma pequena parte explorada o pré-sal já garantiu ao Brasil uma reserva total de 84 bilhões de barris (sendo que 70 bilhões estão no pré-sal), equivalente, por exemplo, a 2,4 vezes as reservas com que contam atualmente os EUA.

As multinacionais do petróleo e os especialistas estão cientes (e todas as indicações geológicas apontam) que o pré-sal possui muito mais que os 70 bilhões de barris já descobertos na pequena área já explorada. Essa é uma questão central no debate atual sobre marco regulatório da indústria do petróleo no Brasil. As reservas do pré-sal já recolocaram o Brasil numa outra inserção internacional, na qual o país passou a ter reservas estratégicas semelhantes, por exemplo, à Rússia, sendo que o grosso das descobertas no pré-sal ainda está por vir.

 Além disso, as grandes reservas brasileiras não se limitam ao pré-sal. No início de junho a Petrobras anunciou descoberta de óleo em grande quantidade na bacia de Sergipe-Alagoas, em local conhecido como Poço Verde 4, e que está a 5.350 metros de profundidade. Estimativas iniciais dão conta de que apenas um dos blocos já perfurados pode chegar a mais de 3 bilhões de barris, sendo que a bacia pode chegar a Pernambuco. Essa reserva deve ser classificada como super gigante, ou seja, conter reservas na casa dos bilhões de barris, e com potencial de transformar o desenvolvimento econômico e social daqueles estados.

Por isso se pode considerar como bastante confiáveis as estimativas dos especialistas do setor de que apenas o pré-sal pode conter até 300 bilhões de barris de petróleo. Se considerarmos que a previsão é de que, até o final da década, o barril do petróleo retorne ao preço médio superior a 100 dólares, estamos tratando de recursos que ultrapassam os 30 trilhões de dólares, superior a 10 vezes o Produto Interno Bruto do Brasil. Se tivermos juízo e correlação de forças suficientes para reter a maior parte destes recursos e investi-lo em desenvolvimento econômico e social, dobramos a renda per capita da população (pelo menos) e mudamos definitivamente o país.
José Álvaro de Lima Cardoso | Economista e supervisor técnico do Dieese em SC

Edição: 1705

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