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Cura gay - Jornal Cruzeiro do Vale

Cura gay

22/09/2017

Causou um alvoroço nas redes sociais a notícia de que um juiz do DF concedeu uma liminar permitindo que o Conselho de Psicologia realize terapias sexuais. Como um telefone sem fio, o fato chegou aos internautas como sendo uma autorização para tratar homossexuais – como se a opção sexual fosse uma doença, ou seja, uma ‘cura gay’.

Na verdade, o centro da discussão está na resolução 001/99 do CFP, a qual veda os psicólogos de “exercer qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não consolidados”. Por fim, ainda proíbe a participação dos profissionais da classe de se pronunciarem em meios de comunicação de massa em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

O Magistrado do DF, nos autos nº 1011189-79.2017.4.01.3400-1, concedeu uma liminar que suspende parcialmente a proibição da resolução acima. Ocorre que a mídia divulgou a decisão como sendo um reconhecimento de que a homossexualidade é uma doença que necessita tratamento psicológico, causando revolta para o LGBTS.

Será que uma cirurgia médica para alteração de sexo não é um tratamento? E a terapia hormonal? Ou ainda, as ações do judiciário para mudança de nome dos transgêneros?

De outro lado, será que um homossexual muitas vezes não necessita de um apoio psicológico para enfrentar e assumir as consequências da sua escolha? Principalmente se levarmos em conta o preconceito da nossa sociedade. Se alguém procura os serviços de um profissional da área de psicologia é porque precisa da ajuda que não encontrou em casa ou com os amigos. O que ainda está proibido é o psicólogo apontar que o homossexual esteja certo ou errado por sua vontade.

Por qual motivo, em tese, a resolução do conselho de psicologia inseria limites para o atendimento de um gay?
Se o judiciário começar a impor barreiras e limitar o livre exercício das outras profissões? Se o judiciário impedir o jornalismo de publicar matéria referente à política? Se o médico for proibido de operar usuários de drogas?Se o advogado for proibido de defender réus confessos? Não estaria o judiciário interferindo no livre exercício da profissão e consequentemente contrariando a Constituição Federal?

A discussão não é se gay tem cura ou não, haja vista que a decisão do juiz foi mal interpretada por quem a espalhou... e sim, se o judiciário pode ou não intervir nas classes e órgãos profissionais.

E você, o que pensa sobre isso?

 

Edição 1819
 

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