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Depois de 35 anos, Gaspar pode ficar sem Rodeio Crioulo! - Jornal Cruzeiro do Vale

Depois de 35 anos, Gaspar pode ficar sem Rodeio Crioulo!

09/02/2018

Um imbróglio político e judicial pode deixar a cidade de Gaspar sem Rodeio (CTG) no ano de 2018.

Assim como toda forma de cultura e fanatismo, a tradição gaúcha carrega milhares de pessoas para todos os cantos do sul do Brasil. Para muitos, uma religião e a certeza de que no mês de maio era tempo de atracar acampamento no barro vermelho da nossa cidade.

Todos esperam com a mesma intensidade com que um folião espera encontrar os tambores rufando no Rio de Janeiro em época de carnaval ou um fritz e uma frida aguardam o mês de outubro para um ‘ein prosit’ na Oktoberfest de Blumenau.

Em suma, no ano de 2011 o ex-prefeito Celso Zuchi desapropriou o terreno situado na Rua Hercílio Fides Zimermann, no bairro Margem Esquerda, com uma área de mais de 400mil metros quadrados, com argumento declarado de utilidade pública. O projeto da antiga gestão era de construir um Ginásio Multiuso e uma Praça da Juventude, o que nunca saiu do papel.

De outro lado, os antigos proprietários discutem na justiça os valores da desapropriação, pois entendem que o valor pago foi irrisório. Ainda, alegam que o espaço não fora utilizado para a finalidade a qual foi desapropriada.

Para utilização do terreno, o CTG investiu mais de meio milhão na área desde 2012, principalmente com obras de infraestrutura, contudo, corre o sério risco de ficar sem nada. O Rodeio de 2017 só foi realizado após uma autorização legal do Ministério Público e o pagamento de um aluguel à Prefeitura Municipal. O CTG já foi informado para desocupar o local e, em tese, está sem teto para 2018, depois de 35 edições na cidade.

A atual gestão não quer assumir o compromisso do antigo prefeito e provavelmente lavará as mãos. Infelizmente, as diferenças políticas, irresponsabilidades de gestões anteriores e brigas judiciais estão deixando milhares de apaixonados pelas tradições gauchescas órfãos, principalmente a enorme legião que aqui reside.

No ano de 2017 foram 70 mil pessoas que passaram pela festa, o que a torna a maior festa de Gaspar. A cidade tão carente de eventos e lazer pode ficar ainda mais pacata. São turistas que visitam nossa cidade, fazem compras, vão ao mercado, abastecem os carros e fazem a economia girar. Inclusive, recebeu grandes nomes da música brasileira, como Thaeme & Thiago e Dany & Rafa.

O nosso amado índio gasparense (TUPI), fundado em 1942, é um exemplo da falta de apoio e o que vem amargurando nos últimos anos. Completamente esquecido e abandonado pelo Poder Público, sobrevive impulsionado pela paixão, amor e dinheiro de jogadores que já vestiram a camisa verde e branca. Lembrando do trabalho que é realizado com centenas de crianças e adolescentes da cidade, sem qualquer incentivo Público.

Será que vale a pena correr o risco de sofrer mais uma perda cultural e histórica no município? Ainda que você nunca tenha laçado um boi, galopado em um cavalo ou tomado um chimarrão, estamos diante de um caso que já foi adotado por Gaspar. Está enraizado.

A falta de política de apoio para a cultura está assassinando nossas tradições.

E você, qual sua opinião?

 

Edição 1837

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