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O mecanismo - Jornal Cruzeiro do Vale

O mecanismo

05/04/2018

A nova febre entre os maníacos por séries de TV é o brasileiríssimo “O mecanismo”, que tem como diretor geral José Padilha (criador do filme Tropa de Eliete e outros) e desde o dia 23/03/2018 está disponível na NETFLIX.

A série de oito capítulos é livremente inspirada nas investigações da Lava Jato, operação iniciada pela Polícia Federal visando apurar um infinito esquema de lavagem de dinheiro. A ação iniciada há anos resultou em centenas de mandados de busca e apreensão, outra centena de prisões e a recuperação de alguns bilhões de reais aos cofres públicos (valor irrisório perto do real desvio). Ainda, lançou ao estrelato o Juiz Sérgio Moro.

Esquerda ou Direita, político ou empresário, Presidente da República ou não, o certo é que as investigações atingiram a todos, nos mais diferentes níveis sociais e econômicos.

Lava jato à parte, por qual motivo “O Mecanismo”, “Tropa de Elite” ou “Cidade de Deus” fazem tanto sucesso entre nós brasileiros?

O capitão Nascimento (personagem fictício) virou uma lenda, um ídolo, uma inspiração para grande parte da população. Sérgio Moro, como já mencionado, está com agenda cheia de entrevistas e participações na TV, simplesmente por fazer o dever e obrigação de qualquer juiz, o de julgar com celeridade e eficiência.

A esquerda lançou diversas campanhas para boicotar a série, afirmando ser um jogo político patrocinado pela direita, ainda não acordaram para tentar combater a corrupção, desejam dormir com a ideia utópica que alguém levará o café da manhã na porta todos os dias. A mídia de direita usou essa contingência histórica para atacar a esquerda, como se a direita não fosse corrupta.

O povo canarinho é órfão por natureza de grandes heróis, procura desesperadamente por um Salvador da Pátria. Como já dizia Millor Fernandes ““Um país que precisa de um salvador não merece ser salvo”.

Após o fim do regime militar, o primeiro presidente eleito pelo voto direto foi Fernando Collor, jovem e com projetos ambiciosos, renunciou ao mandato ante a pressão nas ruas. Ali o Brasil já demonstrava que não era capaz nem de eleger seus próprios representantes, começamos com pé esquerdo. Então, após uma década, um senhorzinho barbudo, operário, sofredor, que falava a linguagem do povo (ou até pior) era a bola da vez para salvar um país faminto. Não deu certo, sua sucessora seguiu quase o mesmo caminho de Collor, sofreu o impeachment. Para as próximas eleições o brasileiro parece estar mais amadurecido, ventila o nome de Luciano Huck (Ironia).

O brasileiro sofre, perdeu Ayrton Senna, Renato Russo e tantos outros ídolos no auge, de forma precoce. De outro lado, convive com almas cancerígenas que mais parecem eternas, lembra do Collor? Pois, então, hoje é senador em Alagoas.
Não haverá um salvador, Superman, Batman, Capitão América ou Homem de Ferro não vão nos resgatar.

E você, o que pensa sobre isso?

 

Edição 1845

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