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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

O ronco das urnas fará o prefeito Kleber mudar peças no primeiro escalão, nos comissionados e nas funções gratificadas

17/10/2018


O prefeito Kleber e o vice Luiz Carlos terão que reconstruir novos canais de relacionamentos políticos institucionais para Gaspar em Brasília e Florianópolis, depois de falharem nos votos e nas apostas das últimas eleições


Está claro neste movimento, todavia, que ele não entendeu o recado das urnas

Hoje, o Diário Oficial dos Municípios, aquele que se esconde na internet e onde não há hora para ser publicado, tem sido ultimamente o mais acessado pelos funcionários públicos, partidários da coligação que está no poder em Gaspar e até pelos adversários. Curiosidades, apostas e busca de provas para entender o jogo jogado.

Está no ar um misto de vingança, a ratificação da incompetência que contraria o slogan oficial da tal “eficiência” e principalmente, à incompreensão do que aconteceu nas últimas eleições e do que precisa ser efetivamente feito para se mitigar até mesmo ao que se desconhece das consequências expressas pelos eleitores.

É a mais pura prática da velha política numa contradição explicita do que expressou os resultados das urnas e que vai ser amplamente ratificada no dia 28 de outubro e com índices de deixar o queixo caído. Estão todos orando no círculo do poder de plantão.

Internamente, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, já anunciou que vai ajeitar algumas laranjas na sua caminhonete governamental e de relacionamento institucional. Segundo ele, não vai parar para fazer este “bem bolado”.

Com as mudanças, acredita ele e os seus, que poderão chegar minimamente ilesos ao fim da primeira etapa desta viagem. Kleber até já conversou com algumas pessoas que estão em cargos comissionados e as informou das suas intenções. Alguns nomes também já vazaram e outros aparecem nas costumeiras e cotidianas especulações. Kleber ainda está ouvindo outros que fazem pressão para entrar na barca ou então, melhorar a posição que desfrutam no atual time.

Os que pressionam estão com o relatório de votos do Tribunal Regional Eleitoral nas mãos. Estão cheios de argumentos, chantagens, interesses e fantasias. Querem um “melhor lugar ao sol” do governo de Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP e no mundo de mamatas. Para isso, prometem resultados diferentes nas urnas em outubro de 2020. O objetivo é o fortalecimento dos convivas neste banquete. Tudo sustentado pelos pesados impostos dos gasparenses.

E todos, no rearranjo do projeto de poder em curso, naturalmente, vão precisar de mais votos nas urnas para se manterem, minimamente, onde conseguiram chegar no governo de Gaspar, mas estão falhando na manutenção desse status. E com os recentes resultados das urnas, com a imagem do governo que patina, com as mudanças de humor do eleitorado, todavia, tudo está imprevisível. Daí as mudanças.

SÃO OS NÚMEROS

E o que move tudo isso? São os péssimos resultados das urnas no dia sete de outubro. E mais uma vez está havendo pelo poder de plantão uma leitura da maldição que se acometeu sobre os políticos tradicionais de Gaspar. Ao invés de inovar e ousar, o velho método de cooptar gente – com o dinheiro de todos - está sendo prevalente.

Ficou claro que o prefeito Kleber não é uma liderança política. Ele é um produto de um grupo político e de interesses, nada mais. E o grupo falhou feio na percepção, na condução e nos resultados de governo e eleitorais. Fragmentadas, as lideranças locais estabeleceram frágeis pontes de autoproteção em várias esferas. Simples assim! Agora, procuram os culpados para expiar à própria culpa.

Antes de prosseguir, alguns detalhes. Está se configurando, mais uma vez, a maldição do MDB quando no poder em Gaspar e da qual só se viu livre, com o ex-prefeito Osvaldo Schneider. Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, e já falecido, nem conseguiu terminar o mandato e Adilson Luiz Schmitt, o próprio MDB diante da gula tratou de amaldiçoá-lo em pleno mandato; ele nem consegui ficar no partido, não se reelegeu e nem se estabeleceu nunca mais na política local.

Voltando. O MDB de Gaspar perdeu a corrida para ser governador e não entregou o que prometeu a Eduardo Pinho Moreira. Fragmentou-se de tal forma que nem a desculpa do tsunami chamado Jair Bolsonaro e Comandante Moisés, ambos no então nanico PSL, pode ser desculpa. É que até no ambiente evangélico onde Kleber é oriundo de outra onda passada, os votos minguaram. Faltou percepção, estratégia, união e liderança.

Cada liderança – e já escrevi isso em três artigos na semana passada - fez a sua aposta e desunidos, perderam para eles próprios. Kleber e o MDB de Gaspar se comparados com o prefeito de Ilhota, Érico de Oliveira, MDB, que nem originário do MDB é e está todo enrolado com o Ministério Público e a Justiça, fez resultados coletivos bem melhores proporcionalmente, fez o dever de casa e deu lições neste sete de outubro como poucos a Kleber e ao MDB de Gaspar.

MDB ajudou na derrota do próprio presidente estadual do partido, o deputado Mauro Mariani; entregou um terço dos votos que prometeu a Rogério Peninha Mendonça na reeleição para a Câmara e no pacto que fez com o Vampiro, o Luiz Fernando Cardoso, na reeleição dele para a Assembleia, os parcos votos colhidos por aqui, apenas o credenciaram para ser pré-candidato a prefeito de Criciúma – bem longe daqui - e não um canal e representante de Gaspar naquela Casa.

E para complicar, com o MDB fora do governo estadual e pelas pesquisas disponíveis, fora estarão o PSD e PP, e este na parte com o vice Luiz Carlos ao qual o MDB vem lhe reservando o escanteio. Restará, então, um fio a ser reconstruído via a bancada evangélica, a qual deverá estar alinhada ao governo do Comandante Moisés.

NEM TROCA DE SEIS POR MEIA-DÚZIA É

É natural – e necessário até - que em situações pelas quais passam o poder de plantão em Gaspar, os seus estratégicos, diante de tantas ameaças e poucas oportunidades, tomem atitudes reformistas.

Kleber e o MDB de Gaspar ouviram o ronco das urnas, mas não ouviram, não leram, não interpretaram o recado claro dos seus eleitores nas urnas. E o recado foi: chega de má gestão, de dúvidas e duvidosos, de incompetentes e apadrinhados de sempre.

As mudanças que Kleber e os seus desenham apenas escondem erros, equívocos, defeitos e ampliam o problema. Estão protegendo gente do mesmo grupo que já provou que falhou em diversos campos inclusive o de buscar votos à maneira antiga entregando promessas, vinganças, discursos e até obrinhas. As eleições de 2020 estão logo ali, e começam em março do ano que vem. Apostem!

Eu já escrevi aqui várias vezes e antes das eleições que o governo Kleber precisava ser refundado. Não fazia nenhuma conexão com o que estava em curso e por isso, também foi rejeitado no dia sete de outubro. Foi de forma indireta, um aviso que pode ser perfeitamente consertado, mas não como se alinhava neste momento.

Quando escrevia sobre a refundação do governo Kleber, analisava o vácuo de objetivos, à falta de gente capacitada, que transmite a percepção de mudança e confiança, bem como oferece resultados efetivos para os menos de dois anos da gestão de Kleber.

É um governo sem começo, meio e fim integrados. Basta só olhar onde foi dar a tal Reforma Administrativa, o que aconteceu na secretaria da Saúde, a secretaria de Assistência Social e o caso da Casa Lar, e como perderam a maioria na Câmara antes mesmo de se completar um ano de governo. A lista é longa nesta gangorra do vai-e-vem.

Refundar um governo é uma coisa, maquiar o que já se comprovou ineficaz, é outra. E é nisto que se resume e se fundamenta este meu comentário. A maquiagem contraria o recado das urnas ao próprio governo de Gaspar, pasmem, se apresenta com jovem e da mudança. Ou seja, nem mesmo esse rótulo marqueteiro colou.

Kleber e os seus, incluindo seus vereadores da ainda minoritária bancada de apoio, mas que deverá ser revertida pelos velhos métodos de cooptação, tramam pelo pior. Estão substituindo técnicos, por curiosos, por irmãos evangélicos, por amigos, aparentados, em suma, por quem se acredita ser cabo eleitoral mais eficaz dos que foram nesta eleição. Não se está pensando efetivamente em mudanças e entrega de melhores resultados para a sociedade no uso dos seus impostos.

Será outro erro. Será outra decepção. O melhor cabo eleitoral de um governo é a sua transparência, a sua eficiência e os resultados coletivos que pode entregar em relação às expectativas que criou para ganhar a eleição. Os votos que ganhou no dia sete de outubro negam essa premissa. É consequência natural de que alguma coisa vai mal

Inverter essa verdade, é antecipar a morte política e eleitoral. Não há cabo eleitoral amigo, comprado ou eficaz que dê jeito.

O próprio Kleber e seu grupo reclamam que estão sendo incompreendidos. Ou seja, de que o eleitor e a eleitora são problemas. Hum! Ora, se o plano de governo é uma belezura, o que entregam frustra. E se entrega o que promete como se alega, a comunicação falha e feio. Outra área que trocaram os profissionais por próximos. Então...

O mundo mudou. Os políticos, resistem... Há uma nova onda...

O que a imprensa não relata em Gaspar e só para agradar o poder; para não se incomodar - ou porque não possui provas suficientes -, abundam nas redes sociais e principalmente nos aplicativos de mensagens dos eleitores e eleitoras.

Eles sim, foram os que fizeram o estrago e farão muito mais, pois estão livres da censura, da pressão, dos negócios e até, pelas dificuldades de provas, dos processos cala-boca que os poderosos enfiam na imprensa, nos jornalistas e colunistas para intimidá-los ou constrange-los em atos de vingança.

E o que corre solto neste mundo virtual de Gaspar é algo assustador, menos ao poder de plantão que continua se lambuzando mesmo a despeito dos recentes claros avisos das urnas. Este é o verdadeiro “avança Gaspar”, mas sobre o que não é de direito dos políticos. Mais uma vez, à resistência contra o que é óbvio, vai gerar dissabores e derrotas. Quer um exemplo da distância e no uso político errático e antigo da gestão pública.

Para encerrar e mostrar o quanto é errante e não apenas errática a política de trocas no varejo do governo Kleber com a comunidade. Ele criou o tal Gestão Compartilhada, tocada pelo Roni Muller, Ele desse cargo público e num teste para a vereança se tornou cabo eleitoral de um vereador de Joinville, Rodrigo Fachini, candidato a deputado estadual que não chegou lá. Roni arrumou para ele nesse esquema 220 votos.

Passada as eleições o Gecom continuou a vida dela. Na quarta feira ela foi ao Gaspar Alto Central. Pau puro. E o ausente? O próprio Roni Muller. Não precisava mais garimpar votos ao seu projeto político distanciado de Gaspar. Quem o representou? O Diretor de Assuntos da Juventude, Dênis Estevão. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Se tem uma coisa que não dura Câmara na gestão do presidente Silvio Cleffi, PSC, é o assessor de imprensa. Sintomático.

O Ministério Público Eleitoral da Comarca de Gaspar, com Andreza Borineli, acaba de instaurar procedimento preparatório para possível inquérito contra o candidato a deputado estadual Pedro Celso Zuchi, PT, por suposta captação ilícita de votos nesta campanha. Circulou nas redes de aplicativos, tickets de doação de combustível do candidato a eleitores. Coisa da política antiga.

Perguntar não ofende: o que é feito do PL 22/2018, de autoria do vereador Cicero Giovane Amaro, PSD? Ele retornava o Vale Alimentação em dinheiro para os funcionários públicos de Gaspar, cortado por Kleber. O PL ilegal e inconstitucional foi aprovado por unanimidade pelos vereadores, foi vetado por Kleber e está na Câmara para nova votação do veto, com possibilidade de promulgação pelo presidente Silvio Cleffi, PSC

Centro de Distribuição Domiciliária dos Correios, o que lida com Malotes, localizado à Rua Frei Solano, no centro de Gaspar, está prestes a ser transferido para Blumenau. Juntou a fome com a vontade de comer.

O imóvel pertence à Igreja Evangélica de Confissão Luterana. E os Correios alega para tal que há problemas na regularização daquele imóvel para que ele se estabeleça um contrato aceito pela estatal. Foi possível no passado. Não é mais permitido nas regras atuais. O dono do imóvel vem correndo atrás dessa documentação.

Enquanto isso, os vereadores fizeram um requerimento aos Correios. Eles querem esclarecimento sobre o assunto, pois com a mudança anunciada, os malotes de Gaspar teriam que ser levados e apanhados numa central no bairro Vorstad, em Blumenau.

Por outro lado, apesar do monopólio, a empresa Correios é deficitária, usada politicamente e tem um péssimo serviço. Esta semana, ela própria anunciou o fechamento de 41 agências em 15 estados brasileiros.

Comentários

Alfredo
17/10/2018 13:07
Se vão cortar comissionados, podem começa pelo Sr. JORGE PEREIRA da gestão de contrato.

ele não ajudou na campanha do MDB.

Aliás seu carro estava plotado com candidatos de outros partidos.

Enquanto os outros comissionados eram obrigados a balançar bandeiras do Mauro Mariani ele ficava numa boa na lagoa.
Herculano
17/10/2018 12:42
MERCADO SE ILUDE COM PROMESSA DE PROGRAMA ECONôMICO LIBERAL DE BOLSONARO, por Alexandre SChawartsman, economista e ex-diretor do Banco Central, para o jornal Folha de S. Paulo

Há um conflito entre a tosca visão econômica do candidato e o presumido viés liberal dos assessores

"Suponha que você tenha um galinheiro no fundo da tua casa e viva dele. Você vende todo dia ovos e algumas galinhas. Quando você vende aquilo e privatiza, você não vai ter a garantia no final de semana de comer um ovo cozido. Nós vamos deixar a energia na mão de terceiros? (...) Você vai deixar a nossa energia na mão do chinês?"

Foi com base nesse raciocínio sofisticado que Jair Bolsonaro negou a possibilidade de privatizar a geração de energia elétrica no país. Afinal de contas, "o chinês" pode vir aqui e mandar todas as nossas hidrelétricas para a China, presumivelmente com as respectivas bacias hidrográficas. Ou, sei lá, vender toda a nossa energia elétrica na Ásia, atravessando mares tempestuosos, em vez de atender o consumidor nacional.

O candidato diz que evoluiu de suas posições anteriores, mas a declaração acima ecoa a mesma visão expressa em 1999, quando afirmou que "barbaridade é privatizar a Vale do Rio Doce, é privatizar telecomunicações, é entregar nossas reservas petrolíferas para o capital externo".

De lá para cá a Vale saltou de patamar, tornando-se uma competidora global. No campo das telecomunicações, o progresso foi igualmente notável. Antes das privatizações, telefones eram para poucos, tão escassos que linhas telefônicas faziam parte das declarações de bens e direitos para fins de Imposto de Renda. Hoje, em contraste, qualquer pessoa tem acesso a serviços impensáveis há meros 20 anos.

Não há motivo para crer que seria diferente no caso da energia, independentemente da nacionalidade do eventual comprador. No frigir dos ovos (perdão), quem investir no setor não terá apenas o objetivo de ganhar o máximo de dinheiro possível, motivação que esteve por trás da melhora de desempenho nos setores privatizados (bem como, com imenso sucesso, naqueles que nasceram privados), mas também terá que se submeter às leis e às normas locais.

Há um conflito óbvio entre a tosca visão econômica do candidato e o presumido viés liberal de sua equipe de assessores na área, cuja solução é bem menos fácil do que muitos parecem acreditar. Se o assessor tem carta branca para formular propostas, mas só pode "bater o martelo" depois de falar com o chefe, a noção de que o domador segurará o urso se torna ainda mais complicada do que soava uns meses atrás.

A verdade é que o mercado financeiro se ilude com a promessa de um programa econômico liberal (ou talvez apenas se faça de bobo enquanto for conveniente) contra evidências crescentes sobre a dificuldade política de avançar nessa frente.

Repisando um tema que me é particularmente caro, a discussão nas eleições passou longe das questões de fundo, mais recentemente se concentrando nos esforços de desconstrução dos adversários.

A verdade é que nenhum dos candidatos deixa claro para a população o que pretende fazer do ponto de vista de reformas, como fica aparente no contorcionismo do provável ministro da Casa Civil num governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, sobre a vexatória questão do déficit da Previdência, para não falar do duplo mortal carpado que o PT tenta aplicar para se distanciar do programa proposto no primeiro turno, coordenado, vejam só, pelo próprio Fernando Haddad.

Vai ser difícil dar a real quando a bomba explodir. Parece que ninguém aprendeu com o fiasco formidável de Dilma Rousseff: nem os candidatos e certamente não os eleitores.
Herculano
17/10/2018 12:33
De Bernardo Mello Franco, de O Globo, no twitter

Cid Gomes disse verdades que os petistas teimam em não admitir. O partido deveria reconhecer erros e pedir desculpas. O problema foi o resto. Ao proclamar que Haddad vai "perder feio", ele implodiu a ideia da frente democrática e deu munição a Bolsonaro.
Herculano
17/10/2018 11:31
QUANDO A RELIGIÃO SE MISTURA COM A POLÍTICA PARTIDÁRIA, O DIABO SE APRESENTA COMO SANTO NA GUERRA PELAS MENTES DOS FRAGILIZADOS E O PODER DOS ESPERTOS QUE MANIPULAM ESSE JOGO

1. Quando o PT nasceu, foi embalado pela Igreja Católica via a CNBB na tal Teologia da Libertação. A Igreja montou um aparelho chamado eclesiais de base e fez a interiorização do partido disfarçado de pregação e ajuda assistencial.

2. O tempo passou. A Igreja Católica minguou e as igrejas evangélicas de denominações pentecostais avançaram sobre os fiés convertidos nos flancos deixados exatamente pela própria Igreja Católica.

3. E a política partidária e o poder nelas predominaram, numa comunicação mais atualizada, e na preocupação comunitária mais viva. Sobre o resultado não vou discorrer por absoluta perda de tempo.

4. Agora, o PT, em desespero vai à até à missa da Igreja Católica, com seus candidatos ateus - que publicamente já rotularam as religiões como um ópio do povo - e recebendo o sacramento da eucaristia, uma Igreja muda diante de tanta roubalheira de quem deu apoio institucional

5. Veja a reportagem com a carta de desespero dos petistas aos evangélicos. Uma carta de quem mente reiteradamente, até para ludibriar a fé espiritual dos outros em benefício dos seus planos que já permitiram o desastre econômico, a inflação alta, o desemprego de mais 13 milhões de trabalhadores, o empreguismo sem fim para os seus e o roubo de bilhões dos impostos de todos.

EM CARTA A EVANGÉLICOS, HADDAD DIZ QUE MEDO E MENTIRA SÃO SEMEADOS CONTRA PT ENTRE CRISTÃOS

Petista cita Salmos e afirma que sua vida é prova para desmentir quem usa meios baixos para fraudar vontade do povo

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Marina Dias, da sucursal de Brasília. Em carta destinada aos evangélicos, Fernando Haddad diz que o medo e a mentira são semeados desde as eleições de 1989 contra candidatos do PT. Segundo ele, que não cita nominalmente seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), as peças veiculadas são "de baixo nível" e "agridem a inteligência das pessoas de boa vontade".

"Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de Igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma", diz o texto.

"As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença", completa.

O documento será distribuído nesta quarta-feira (17) em encontro de Haddad com líderes evangélicos em São Paulo. O ato é uma tentativa de conter o avanço de Bolsonaro no segmento religioso - segundo o Datafolha, o capitão reformado tem o apoio de quase 70% dos evangélicos, eleitorado tradicionalmente petista.

Na carta, Haddad cita Salmos que fazem referência a "calúnias": "?" Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos, dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito." (Salmos 109:1-2) e diz que sua vida cristã, sendo neto de um líder religioso e casado há 30 anos com a mesma mulher, é "a prova" que tem para desmentir as notícias falsas contra ele.

A campanha de Haddad se preocupa por não ter conseguido até agora encontrar um método eficaz para combater as fake news contra o petista.

"Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo", diz o texto.

Confira a íntegra da carta:

Quero me dirigir diretamente ao povo evangélico neste momento tão decisivo da vida de nosso Brasil, cujo futuro será decidido democraticamente nas urnas do próximo dia 28.

Para estar no segundo turno, tive que vencer uma agressiva campanha baseada em mentiras, preconceitos e especulações massivamente espalhadas pelo Whatsapp e outras redes sociais, contra mim e minha família.

"Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos." (Provérbios 6:16-19)

Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de Igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma. As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença.

"?" Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos, dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito." (Salmos 109:1-2). Que provas tenho a oferecer para desmentir quem usa meios tão baixos para enganar, fraudar a vontade popular?

Minha vida, em primeiro lugar: sou cristão, venho de família religiosa desde meu avô, que trouxe sua fé do Líbano quando migrou para o Brasil para construir vida melhor para sua família. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, Ana Estela, minha companheira de jornada que criou comigo dois filhos, nos valores que aprendemos com nossos pais. Sou professor, passaram por minhas mãos milhares de jovens com os quais aprendi e ensinei meus sonhos de um Brasil digno e soberano.

Minha vida pública, em segundo lugar: minha atuação, como Ministro da Educação e como Prefeito de São Paulo, fala por mim. Abri as portas da educação para os mais pobres, das creches ?" nas quais o governo federal passou a investir pesadamente em minha gestão ?" à Universidade. Antes do Pro-Uni, do FIES sem fiador, do ENEM, da criação de vagas em instituições públicas e gratuitas de ensino e das cotas raciais, o ensino superiorera inacessível para jovens negros, trabalhadores e da periferia. Busquei humanizar a metrópole que me foi confiada, buscando inovações para ampliar os direitos, à moradia, à mobilidade urbana, ao meio ambiente sadio, à convivência fraterna.

Sempre contei, no MEC ou na Prefeitura de São Paulo, com a parceria com todas as denominações religiosas. Tratei a todas de forma igualitária. Os governos Lula e Dilma, bem como nossos governos estaduais e municipais, sempre reconheceram dois pilares do Estado democrático: é laico e, como tal, não privilegia nem discrimina ninguém em razão de sua religiosidade. Nenhuma Igreja foi perseguida, o direito de culto sempre foi assegurado, a liberdade de expressão também.

Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo.

"Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins." (Mateus 7:15-17).

Os frutos que quero legar ao Brasil como Presidente são a justiça e a paz. Emprego para milhões de desempregados e desempregadas poderem sustentar com dignidade suas famílias. Salário justo, com direitos que foram eliminados pelo atual governo e que serão trazidos de volta com a anulação da reforma trabalhista, e o direito à aposentadoria, ameaçado pela reforma da Previdência apoiada pelo atual governo e meu adversário. "Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas." (Isaías 1:17)

Quero governar o Brasil com diálogo e democracia, com a participação de todos e todas que se disponham a doar de seu tempo e talentos na construção do bem comum. Um governo que promova a cultura da paz, que impeça a violência, que nunca use da tortura e da guerra civil como bandeiras políticas. Que una novamente a Nação brasileira, para que volte a ser vista com esperança pelos mais pobres e com respeito pela comunidade internacional.

Apresento-me, pois, diante dos irmãos e irmãs das mais variadas denominações cristãs, com a sinceridade e honestidade que sempre presidiram minha vida e meus atos. A Deus, clamo como o salmista: "guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo." (Salmos 25:5). E a vocês, peço justiça, a justa apreciação de meus propósitos e o voto para concretizar essas intenções num governo que traga o Brasil aos caminhos da justiça, da concórdia e da paz.
Miguel José Teixeira
17/10/2018 11:29
Senhores,

Replicando. . .com alterações:

O desespero da corja vermelha é tanto, que:

1) os "golpistas" de ontem, são os convidados de hoje, para integrar uma "frente democrática" e que a lambisgóia das araucárias "achou" que a adesão seria expontânea!. . .

2) escalaram para dialogar com os católicos, nada mais, nada menos, que o próprio "coroinha do belzebú", vulgo gilberto carvalho. . .

3) Da série "pau que nasce torto, morre torto":

"Lula é condenado a pagar multa em processo de chácara no ABC"

+ em:
https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/politica/lula-e-condenado-a-pagar-multa-em-processo-de-chacara-no-abc

Vade retro, retrocesso!
Herculano
17/10/2018 11:04
DNA AFIADO, por Nei Manique, no Idade Mídia

Outro Bispo quase matou um presidente

Quando Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou o candidato Jair Bolsonaro no dia 6 de setembro em Juiz de Fora, a maioria dos eleitores viu a mão da conspiração no ato.

Nada provado até aqui, convém resgatar que o atentado a faca tem rastros na história republicana deste país.

No dia 5 de novembro de 1897, o presidente Prudente de Morais participou no Rio da recepção às tropas do Exército que finalizaram a Revolta de Canudos.

O assentamento rebelde no interior baiano causou baixas traumáticas nos dois lados até que a resistência dos seguidores de Antonio Conselheiro sucumbisse de vez.

Dos 12 mil soldados do Exército, lembra o jornalista Laurentino Gomes em seu livro "1889", cinco mil perderam a vida durante o cerco.

Terceiro a assumir o mais alto cargo da nação, Prudente foi o primeiro eleito pelo voto direto e também o primeiro civil na função.

A recepção ocorreu no Arsenal de Guerra, imóvel hoje ocupado pelo Museu Histórico Nacional.

Quando o presidente atravessou o pátio, um soldado avançou contra ele brandindo uma faca.

Sem titubear, o marechal Carlos Machado Bittencourt - ministro da Guerra - interveio, salvou o presidente ao colocar-se à sua frente e foi mortalmente ferido.

Preso, o homicida foi encontrado enforcado em sua cela semanas depois. Seu nome: Marcelino Bispo (de Melo). O inquérito apurou conspiração, desencadeou uma cadeiada e caiu no esquecimento.

Isso até 6 de setembro passado. Se há parentesco, ninguém checou nem descobriu até agora. Que merece um profundo estudo onomástico, em discussão.
Herculano
17/10/2018 11:01
TEMER PERDEU A REPUTAÇÃO E O SENSO DE RIDÍCULO, por Josias de Souza

O brasileiro gosta tanto de piadas que Michel Temer imagina que ninguém mais se incomoda de ser presidido por uma anedota. No mesmo dia em que veio à luz a notícia sobre seu indiciamento no inquérito sobre portos, Temer vangloriou-se num discurso para empresários de ter silenciado o asfalto com o sucesso de sua gestão.

"...Nós não tivemos problemas no país, não tinha movimento de rua", discursou o presidente na Associação Comercial do Paraná, em Curitiba, nesta terça-feira (16). "Claro que em algum lugar qualquer tem cinco, seis, dez ou 40 que se reúnem e dizem 'Fora, Temer'. Mas, isso faz parte da democracia, ouço aquilo e digo: 'Que coisa boa!' Tem gente se manifestando, é verdade. Mas se bem que agora tem o 'Fica, Temer' que está correndo pela rede, não é?".

Horas depois de flertar com o ridículo, Temer foi pendurado novamente nas manchetes na constrangedora posição de acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Como previsto, a Polícia Federal entregou ao Supremo o relatório final do inquérito que apura se o presidente editou um decreto favorecendo empresas do setor de portos em troca de propinas.

Foram indiciados Temer, sua filha Maristela e mais nove pessoas. A Polícia Federal pediu ao ministro Luis Roberto Barroso, relator do caso na Suprema Corte, a prisão de quatro pessoas. Entre elas o coronel da Polícia Militar paulista João Baptista Lima, amigo e operador do presidente da República.

Folheando-se o processo, percebe-se que, na opinião da Polícia Federal, a poltrona de presidente da República é ocupada por um desqualificado. O pior é que os quase 90% de brasileiros que desaprovam o governo Temer concordam com os investigadores.

Antes do grampo do grampo do Jaburu, Temer apresentava-se ao país como paladino da austeridade e chefe de um governo reformista. Depois da divulgação do seu diálogo vadio com Joesley Batista, abriu os cofres do Tesouro para comprar sua permanência no cargo. Às voltas com duas denúncias, está prestes a colecionar a terceira. A Presidência de Temer já não derrete, apodrece.

Num ambiente assim, discursos engraçadinhos como o que Temer pronunciou para empresários em Curitiba revelam que o presidente não perdeu apenas a compostura e a reputação. Perdeu também o senso de ridículo.
Herculano
17/10/2018 10:58
CHOQUE ENTRE CID GOMES E HADDAD EXPRESSA INSTINTOS DE AUTODESTRUIÇÃO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Petistas reclamam de omissão diante de Bolsonaro e aliados cobram autocrítica

Tudo indica que o PT fracassou em convencer parte do mundo político de que esta eleição seria mais do que uma disputa pelo poder. Hesitações do partido e a resistência de potenciais aliados estimulam a dispersão daqueles que veem Jair Bolsonaro como uma ameaça.

Irritado com a sigla, Cid Gomes explodiu em um ato de campanha na segunda-feira (15). Disse que os petistas deveriam "reconhecer que fizeram muita besteira" e sentenciou: "O PT, desse jeito, merece perder".

O ex-governador cearense atribuiu à legenda sua justa dose de responsabilidade e expôs uma insatisfação generalizada com o tratamento dado pela sigla a seus aliados. Cid deixou em segundo plano, porém, algumas consequências coletivas da provável derrota do PT na disputa.

No início de setembro, seu irmão, Ciro Gomes, afirmou que a vitória de Bolsonaro representaria um "suicídio coletivo" para o país. As urnas e as pesquisas mostram que a maioria da população não pensa assim, mas os políticos e partidos que se opõem ao candidato do PSL podem estar seguindo instintos de autodestruição.

Além de Ciro, personagens como Fernando Henrique Cardoso e Joaquim Barbosa já se manifestaram sobre os riscos de um governo Bolsonaro. Identificaram ameaças de retrocesso na defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais, além de um viés autoritário que pode fragilizar a democracia.

Os três foram procurados, mas se recusaram a aderir a uma campanha pública pró-Haddad, ao menos por enquanto. O candidato iniciou uma flexibilização de sua plataforma, mas o aceno foi considerado insuficiente. Ainda persiste a cobrança por uma autocrítica enfática em relação aos governos e, principalmente, aos escândalos de corrupção protagonizados pelo PT.

Para os petistas, esses líderes se omitem diante de um perigo que eles mesmos reconhecem. O partido tinha esperança de obter apoio automático, mas faltaram humildade e cálculo eleitoral. A gravidade só contou a favor de Bolsonaro.
Herculano
17/10/2018 10:48
JOGADA DE LULA É SE DESCOLAR DA DERROTA DE HADDAD, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Quando orientou o candidato do PT a presidente ser "mais Haddad" no segundo turno, após a derrota acachapante no primeiro turno, o ex-presidente e presidiário Lula apenas colocou em prática sua nova jogada: descolar-se de nova derrota para Jair Bolsonaro (PSL). "Lula é esperto, experiente, percebeu logo que Haddad não venceria", diz um ex-ministro lulista de carteirinha eleito para o Congresso no dia 7.

RELUTÂNCIA FOI SINAL
A tentativa de Lula de se descolar de eventual derrota explica sua demora e relutância na definição de Haddad como candidato do PT.

HISTóRICO PERDEDOR
Lula ficou "traumatizado" com a derrota de 2016: Haddad teve menos votos que brancos e nulos, mesmo com o ex-presidente a tiracolo.

CULPA DO EX-PREFEITO
O ex-presidente culpa a derrota humilhante de Haddad em 2016, ao tentar a reeleição, pelo derretimento do seu cartaz em São Paulo.

E O óLEO DE PEROBA?
Lula cumpre pena de 12 anos por lavagem de dinheiro e corrupção, mas põe a culpa pela derrota do PT em Haddad.

BOLSONARO PODE NOMEAR PRIMEIRA MULHER CHANCELER
Cresceu no Itamaraty a expectativa da escolha de uma mulher para chefiar a diplomacia. Desde o Barão de Rio Branco, no início dos anos 1900, jamais houve ministra das Relações Exteriores. Uma das mais cotadas é a senadora Ana Amélia (PP-RS), que, vice de Alckmin, se recusou a gravar vídeo contra Bolsonaro. Mas na carreira diplomática há grandes embaixadoras aptas a fazer História no cargo de chanceler.

VIOTTI É SEMPRE LEMBRADA
A embaixadora Maria Luiza Viotti, hoje cedida à equipe do secretário-geral da ONU Antonio Gutérres, é uma das diplomatas mais admiradas.

A MELHOR DA SUA GERAÇÃO
Maria Nazaré Farani de Azevêdo, chefe da missão do Brasil na ONU, na Suíça, é considerada uma das melhores diplomatas da sua geração.

NÃO FALTAM OPÇõES
Subsecretária Geral de Comunidades Brasileiras, a embaixadora Maria Dulce Silva Barros é um dos quadros mais qualificados do Itamaraty.

SEU NOME É POLÊMICA
A procuradora Bia Kicis (PRP), a "deputada federal do Bolsonaro", 86 mil votos no DF, acha que mulher não precisa de cota para conquistar seu espaço. E abomina a expressão "feminicídio" porque acha que as vítimas dos criminosos são pessoas, homens ou mulheres, sem rótulos.

OPÇÃO PREFERENCIAL
O Barcelona mandou seu porta-voz reclamar do apoio de Ronaldinho Gaúcho a Jair Bolsonaro. O clube que foi dirigido por Josep Bartomeu, réu por fraude e sonegação, deve preferir políticos corruptos.

ELE ESTÁ ADORANDO ISSO
O presidente Michel Temer comentou a hashtag "Fica, Temer", que se espalhou nas redes sociais. "Tinha Fora, Temer", lembrou ele no Paraná. "Se bem que agora tem um "Fica Temer correndo pela rede".

POLÍTICO FORA DO ARMÁRIO
Fábio Félix (Psol) se apresenta como "primeiro deputado gay assumido" na Câmara Legislativa do DF. Ontem ele disse que entrou na política após sair do armário. "Assumir é um ato político", diz ele.

VANGUARDA DO ATRASO
O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, descarta "espaço" para diálogo com partidos da esquerda, já que, para ele é "a mentalidade mais atrasada da face da Terra".

BANCADA FORMADA
Sem passar pela burocracia de criar partido, o RenovaBR elegeu nove deputados e um senador, no dia 7. Eduardo Mufarej, fundador do movimento, jura que não haverá interferência nos mandatos.

DESPESAS MISTERIOSAS
Durante setembro, mês quase nulo de atividade parlamentar, a Câmara fez ressarcimento de despesas de R$2,16 milhões para deputados. Se bem que em setembro de 2014 foram R$9,36 milhões.

SACO SEM FUNDO
A Petrobras fechou parceria com a chinesa CNPC para concluir as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Nos governos do PT foram saqueados R$ 12,5 bilhões do Comperj, segundo o TCU.

PENSANDO BEM...
...dia 28 é a vez do eleitor mostrar quem é o babaca.
Herculano
17/10/2018 10:33
TUDO CHUTE, por J.R. Guzzo, na revista Veja

As últimas pesquisas de "intenção de votos" que estão circulando na praça dizem, em números redondos, que Jair Bolsonaro está com cerca de 60% das preferências do eleitorado, contra 40% de Fernando Haddad. Mas esperem um momento: deve haver alguma coisa errada aí. Até às vésperas da votação do primeiro turno, todas as pesquisas (e a mídia insistia muito nesse ponto: todas as pesquisas) garantiam que Bolsonaro iria perder de qualquer dos outros candidatos no segundo turno. Repetindo: de qualquer candidato. Nove em cada dez análises se fixavam na importância terminal desta informação vinda da ciência estatística. Podia se contar com diversos cenários, mas uma coisa pelo menos estava certa, acima de toda e qualquer dúvida: o candidato da direita iria perder a eleição no segundo turno, seja lá o adversário que sobrasse para a disputa com ele. Até o Meirelles? Aparentemente, não chegaram a medir a coisa nesses detalhes, mas as manchetes diziam que Bolsonaro perderia de todos os candidatos no segundo turno, e como Meirelles (ou o cabo Daciolo, ou o Boulos, ou o Amoedo, ou o Álvaro Dias etc.) eram candidatos, sempre dá para dizer, tecnicamente, que até essas nulidades iriam ganhar dele. Não aconteceu nada de extraordinário de lá para cá. Porque, então, as pesquisas preveem agora exatamente o oposto do que previam cinco minutos atrás?

Os institutos de pesquisa fariam uma especial gentileza ao público se explicassem, em umas poucas palavras compreensíveis, por que seus números devem ser levados a sério no segundo turno, se mostram agora o contrário do que mostravam no primeiro. Não conseguindo fazer isso, talvez ficasse mais simples dizer o seguinte às pessoas: "Esqueçam o que a gente deu no primeiro turno. Era tudo chute". Chute ou torcida, tanto faz, porque uma coisa é tão ruim quanto a outra e, no fim das contas, nenhuma das duas será cobrada. Como sempre acontece, se Bolsonaro ganhar mesmo as eleições, os autores das pesquisas dirão que ficou provado o quanto eles acertaram - pois o resultado que costuma sobrar na memória é o último. Daqui a pouco, contando com esquecimento geral por parte do público, estarão propondo novas profecias para quem estiver interessado. E em 2022, ou já em 2021, prepare-se para ler que Lula está na frente de todo mundo com 50%, que Marina está subindo e Ciro Gomes começa a crescer. Bolsonaro, se for eleito agora e se candidatar à reeleição, estará com 0%. Na reta final os números serão ajustados de novo ("ocorreram mudanças no processo decisório") e tudo continuará como sempre foi.

As pesquisas eleitorais de 2018 deixaram claro, mais que em qualquer eleição anterior, o quanto elas estão sendo incapazes de medir aquilo que está realmente na cabeça do eleitor. Foi um desastre. Dilma Rousseff foi garantida como a senadora mais votada do Brasil e ficou num quarto lugar em Minas Gerais. O senador de São Paulo Eduardo Suplicy, outro "eleito" pelas pesquisas, foi exterminado após 27 anos de Senado. Houve erros grotescos nas pesquisas para governador de Minas e Rio de Janeiro ?" os que acabaram colocados em primeiro lugar tinham 1% dos votos, ou nada muito diferente disso, até poucos dias antes da eleição. Geraldo Alckmin ficou com menos de 5% dos votos. Marina Silva ficou com 1%. No Nordeste, que foi citado durante seis meses seguidos como o grande celeiro de onde Lula poderia operar a sua "volta", o PT teve 10 milhões de votos a menos que em 2014. Das sete capitais da região, perdeu em cinco. Erros deste tamanho, por mais que os institutos neguem, são sintoma de alguma coisa profundamente errada no sistema todo. Como escrito acima, tudo isso tende a cair rapidamente no esquecimento, sobretudo porque não há paciência para ficar discutindo um assunto que não interessa mais até a próxima eleição. Mas o problema não vai sumir só porque não se falará mais nele.

As pesquisas, com certeza, não conseguiram captar as correntes que se movimentam no oceano da internet e do mundo digital como um todo. Não entenderam nada sobre o peso que as redes sociais tiveram no processo eleitoral. Seus questionários podem não estar fazendo as perguntas certas, na maneira certa, na hora e no lugar certos. Na disputa nacional, o papel da propaganda obrigatória na televisão, tido como algo sagrado, mostrou que está valendo zero ?" e as pesquisas não estavam preparadas para isso, nem para o efeito nulo dos "debates" entre candidatos na TV, das opiniões dos comentaristas políticos e da orientação geral da mídia. Está surgindo um mundo novo por aí. Não será fácil para ninguém começar a entender como ele vai funcionar. Uma boa razão, portanto, para começar já o esforço.
Herculano
17/10/2018 10:30
MORRER OU MORRER, por Carlos Brickmann

Numa pequena cidade americana, o xerife, o herói que prendeu os principais bandidos da região, está se casando e, em seguida, viajará em lua de mel. Soube-se então que o pior dos bandidos foi solto e chegará em pouco mais de uma hora, com mais três de seu bando, para matar o xerife. Imediatamente, o herói da cidade é abandonado: ninguém está disposto a ajudá-lo no duelo mortal. No máximo, seus melhores amigos e aliados lhe sugerem que fuja. Ele não foge ?" e até sua noiva o abandona naquela hora.

É um dos maiores filmes da história do cinema: Matar ou Morrer, com Gary Cooper e Grace Kelly, direção de Fred Zinneman. À medida que o tempo passa, Cooper vai ficando mais só, diante dos quatro bandidos. Ele os enfrenta; e, claro (é o mocinho), vence. Quando o último bandido é morto, a cidade volta a festejar seu herói. Então é ele que decide ir embora.

O que o filme mostra com mais clareza é que, na hora da festa, todos se juntam. Na hora da tristeza, é cada um por si. Tivesse o bandido sido vitorioso, a vida na cidade continuaria igual, sob nova direção.

Cid Gomes disse aos petistas que Haddad, seu aliado, vai perder feio. Ciro Gomes foi passear na Europa. A senadora Ana Amélia, vice de Alckmin, optou por Bolsonaro. Euclides Scalco, respeitado fundador do PSDB, disse que o importante é derrotar o PT. Não dá para dizer quem vai ganhar a eleição. O que se sabe é que quem está ficando sozinho é Haddad.

VALE A PENA VER DE NOVO
O filme ganhou quatro Oscars, lançou Grace Kelly como atriz, sua trilha sonora é excelente. Pode ser visto no Google, na íntegra, e vale a pena. É cultura popular na veia: se os ratos vão embora, o navio está afundando.

XGUCGUZÃO
Haddad, quem diria, tem suas semelhanças com Alckmin. Ambos levam jeitão de tucano. Alckmin nunca soube como deveria ser chamado, Geraldo ou Alckmin; Haddad não sabe se ainda é Lula ou se Lula não é mais, se é vermelho ou verde-amarelo, se é católico de ir à missa ou se isso é o ópio do povo. Em comum, ambos têm aquele charme eleitoral de dar inveja ao Chama o Meirelles.
Haddad, aliás, extrapola: para quem acha picante demais o Picolé de Chuchu original, ele é o Picolé de Chuchu light.

MUY AMIGO
Quando pediu o apoio de Ciro Gomes (e de seu irmão, Cid), o PT não se lembrou de um pequeno detalhe: na ausência de Lula, preso e inelegível, Ciro propôs uma chapa única dos partidos que apoiaram Dilma, tendo-o como candidato à Presidência e Fernando Haddad (ou Jaques Wagner) na vice. Lula vetou a ideia, por dois motivos: primeiro, porque queria fazer o papel de perseguido político, tentando sem êxito, diante da pressão da burguesia e duzianqui, sair como presidente; segundo, porque dar a Ciro a cabeça de chapa equivaleria a colocá-lo no comando geral da esquerda.

Lula sabotou Ciro ao máximo. Desistiu até de seu candidato ao Governo de Pernambuco para apoiar o socialista Paulo Câmara, para evitar o apoio do PSB a Ciro. No fim de tudo, pediu o apoio dos Gomes a Haddad. Conseguiu.

Mas Ciro viajou e Cid é que vai aos comícios do PT. Horror!

O ALIADO
Algumas frases de Cid aos petistas: "Fizeram muita besteira, porque aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos do país. E o Brasil não aceita ter dono..." Diante dos petistas que cantavam "olê, olá, Lula, Lula": "Lula o que? O Lula está preso, babacas! O Lula está preso e vai fazer o que? Deixa de ser babaca, rapaz, tu já perdeu a eleição".

Bolsonaro tem um vice que adora falar, seja o que for, seja sobre o que for, mas que repercussão isso tem diante dos aliados de seu adversário?

PAGA E NÃO BUFA
Neste momento, faltando menos de 15 dias para o segundo turno, as campanhas custaram R$ 3,3 bilhões (dinheiro público, ou melhor, nosso). Os candidatos puseram algum dinheiro deles, mas nada excessivo: no total, uns R$ 700 milhões. MDB, PT e PSDB foram os maiores beneficiários de dinheiro público: R$ 616,5 milhões, no total. E tomaram uma surra de criar bicho. Quem gastou mais dinheiro privado foi o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: R$ 54 milhões. E tomou uma surra de criar bicho.

E, POR FALAR EM BICHO
O macaco Kaio, filho de pais recolhidos por sofrer acidente, vivia há seis anos numa família humana. O Governo decidiu que, sendo silvestre, deveria ser tirado da família e enjaulado em Florianópolis. Está lá há um ano: não pode receber visitas de pessoas (porque seria violar a lei) nem de macacos (que o matariam por não ser do bando). Kaio nunca será de outro bando, só o de sua família humana. Portanto, a menos que a Justiça se manifeste, ficará enjaulado até a morte.

Maltratar os animais não é o espírito da lei - então, por que não devolvê-lo à sua família humana?
Herculano
17/10/2018 10:19
BOLSONARO NÃO É TRUMP, A ALMA DE SUA RETóRICA ESTÁ NAS FILIPINAS, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Presidente filipino celebrizou-se pela política de combate à criminalidade

Comparar Jair Bolsonaro a Donald Trump pode ser até chique, mas é o mesmo que viver na Barra da Tijuca pensando que se está em Miami. A alma da retórica do capitão está bem mais longe, nas Filipinas. Seu presidente chama-se Rodrigo Duterte, prometeu reformas econômicas e celebrizou-se pela política de combate à criminalidade, sobretudo ao tráfico de drogas.

Visitando o quartel do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio, Bolsonaro disse à tropa que "podem ter certeza, chegando (à Presidência), teremos um dos nossos lá em Brasília". Em seguida, deu o grito de guerra da corporação: "Caveira!"


Comparado com Duterte, Bolsonaro é uma freira, pois o presidente filipino vai além: "Hitler matou 3 milhões de judeus. Temos 3 milhões de viciados, eu gostaria de matá-los". Está cumprindo. Em dois anos de governo morreram 4.500 pessoas segundo as estatísticas oficiais e 12 mil, segundo organizações da sociedade civil.

Como Bolsonaro e Donald Trump, Duterte manipula sua incontinência verbal. Põe na roda a mãe de quem o desagrada, do papa ao ex-presidente Barack Obama. Quando uma missionária australiana foi morta e estuprada, ele disse que lastimava o crime porque ela "era tão bonita, foi um desperdício". Em alguns casos desculpou-se.

Aos 75 anos, tem o cabelo curto e negro de tintura, gosta de andar de motocicleta, teve um divórcio agreste, propala sua virilidade e as virtudes da pílula azul. Ele diz que "meu único pecado são os assassinatos extrajudiciais".

O nome desse jogo é "Esquadrão da Morte", coisa conhecida nas Filipinas e no Brasil. O de cá brilhou
durante o governo de Juscelino Kubitschek, glamourizado pela imprensa com o nome de "Homens de Ouro". Chefiava a polícia do Rio de Janeiro o general Amaury Kruel. Anos depois seus colegas de tropa disseminavam histórias comprometedoras sobre sua honorabilidade.

Mais tarde surgiu a "Scuderie Le Cocq", cujo símbolo era uma caveira. Seu presidente era o detetive Euclides Nascimento. Em 1971, ele comandava também uma quadrilha de contrabandistas à qual anexou-se o capitão Ailton Guimarães Jorge, com subalternos que estiveram lotados no DOI do 1º Exército. Em São Paulo, a estrela do "Esquadrão" era o delegado Sérgio Fleury, o matador de Carlos Marighella. As patrulhas de Fleury, como as de Duterte, penduravam cartazes em traficantes mortos. Faltava dizer que eram bandidos de quadrilhas rivais.

Se "execuções extrajudiciais" fossem remédio, o Brasil seria uma Dinamarca. Em 1970, uma pesquisa realizada no Rio e em São Paulo mostrou que 46% dos entrevistados estavam a favor do "Esquadrão".

Há uns 20 anos, quando surgiram as primeiras milícias nas cidades brasileiras houve quem achasse que elas eram remédio contra o crime. Passou o tempo e os problemas agora são dois: o crime e as milícias. A ideia do combate aos bandidos partindo da suposição de que "direitos humanos" não devem ser confundidos com "direitos dos manos" (palavras de Jair Bolsonaro) pode estatizar algumas "boas" milícias.

Em dezembro de 1993, quando a polícia colombiana botou para quebrar no combate aos bandidos e conseguiu matar o traficante Pablo Escobar, símbolo do narcotráfico latino-americano, os louros da vitória foram para o presidente César Gaviria. Conhecendo a questão da violência e do tráfico, no ano passado ele escreveu um artigo intitulado "O presidente Duterte está repetindo meus erros".

O filipino respondeu: "Isso só seria possível seu eu fosse um idiota, como você". A popularidade de Duterte está em 75%. Vive-se melhor na Colômbia.

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