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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Um governo que tenta se refundar com os mesmos vícios e erros que os levou à resultados pífios até aqui

15/11/2018

Refundar ou afundar I

A semana da Proclamação da República termina com duas lições ao governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, em Gaspar: a primeira de que a sua comunicação é amplamente defeituosa e vai continuar assim num ambiente onde cada vez mais ela é decisiva para a interação comunitária, bem como favorecer o reconhecimento público do administrador pelos eleitores; falta o mínimo nela e que os pagadores de pesados impostos cada vez exigem mais: a transparência. A segunda é de que à necessária refundação do governo que tanto escrevo aqui, é apenas uma intenção antes dela ser uma meta diante de tantos abalos e à falta de resultados na expectativa criada e que levou a coligação de Kleber à vitória nas urnas; a refundação ensaiada por amadores, contém os mesmos vícios, erros e personagens que levaram à exposição do governo e aos pífios resultados até aqui. O balanço disso tudo? Aprendizado, zero! Enquanto isso, o tempo se esvai e trabalha contra o atual governo.

Refundar ou afundar II

O gesto de Kleber ao ir à Câmara no dia seis, depois da semana dos Mortos, mostrou as duas faces de uma mesma moeda que o enfraquece: a grandeza dele e a fraqueza da equipe que constituiu e o mal protege; tudo feito para abrigar os amigos, os amigos dos amigos, os múltiplos interesses incluindo os conselheiros familiares, conspiradores de sempre e religiosos da nova ordem política, tanto que para afastar a zica, apareceram no gabinete dele dezenas de pastores das igrejas evangélicas pentecostais de Gaspar, e em oração, pediram proteção. Ajuda, mas não resolve. Até eles, já entenderam onde está metido o seu fiel e correram sob fé em socorro. A grandeza de Kleber foi subir à tribuna da Câmara, orientado, quando tudo poderia se complicar e lá reconhecer publicamente que errou e se excedeu no caso do tal Assédio Moral contra os comissionados, naquela gravação que percorreu os aplicativos de mensagens. A fraqueza, todavia, está em como se chegou àquele ponto de se fazer aquela mensagem daquele modo. Kleber desarmou a bomba fruto da má gestão da comunicação – que não a possui, de verdade -, da estratégia amadora, do assessoramento temerário, mas deixou outras armadas.

Refundar ou afundar III

Novembro vem se mostrando bem melhor do que aquele dezembro do ano passado. Lá, Kleber com sua mulher Leila, o vice, seus secretários e outros vestidos para festa e comemoração, assistiram do plenário da Câmara, sem muito entender, o que essa coluna tinha anunciado que aconteceria: a eleição de Silvio Cleffi, PSC, fiel, cria e aliado de Kleber, como presidente da Câmara, com os votos da oposição. Silvio trocou de lado, exatamente diante da arrogância, da comunicação falha e da falta de diálogo político do governo Kleber, incluindo o prefeito de fato, o advogado Carlos Roberto Pereira – que sem a Câmara saiu de fininho da supersecretaria da Fazenda e Gestão Administrativa criada para ele na desgastante Reforma Administrativa, e foi parar na Saúde, outro caos -  bem como o presidente do Samae, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, que tentarm passar a perna pela omissão no acordo de poder no Legislativo, como se lá também mandassem.

Refundar ou afundar IV

Foi um ano penoso e de ré para Kleber. A propalada “eficiência” da propaganda oficial passou longe do seu governo. Entretanto, a desgastante votação do PLC 003/2018 que passa da prefeitura para o Samae a limpeza das valas da cidade com dinheiro das taxas de água e coleta de lixo - assunto que pode ainda parar na Justiça -, mostrou na terça-feira desta semana que Kleber está tentando retomar a maioria perdida na Câmara. Se isso acontecer e é provável, ao menos poderá governar com mais tranquilidade. E perguntar não ofende: e precisava perder um ano com a minoria da Câmara? Entretanto, se não mudar a forma, a linguagem e a estratégia da comunicação, pouco adiantará essa suposta conquista no âmbito da governabilidade mínima e sustentável diante de uma oposição insistente e eleitores empoderados nas redes sociais e aplicativos de mensagens. É só ver quando o governo posta alguma coisa como surgem imediatamente as cobranças por outras. A lista de erros, vícios e gente que traz a ineficiência à gestão de Kleber é longa. E tende a aumentar. Outubro de 2020 é logo ali e os que estão no poder parecem não perceber que o tempo voa, só o jeito de governar antigo do MDB e PP de Gaspar continua numa boa. O Banco origem dessa comparação afundou. Só a lembrança da propaganda de bons tempos e garantias que não vieram. Acorda, Gaspar!

Registro

O ex-prefeito de Gaspar (1966 a 1970 pela Arena, vindo da UDN e hoje no PP), Evaristo Francisco Spengler e sua Dica (Dilsa), uma ativista comunitária como poucas por aqui, no dia 14 de novembro 1953, quando muitos dos leitores e leitoras da coluna nem tinham nascidos, resolveram se casar. Estão comemorando as Bodas de Platina (65 anos) com filhos, netos e bisnetos.

 

 

 

 

 

TRAPICHE

Começaram as mudanças nos partidos políticos. Muita gente pedindo desfiliação. Alguns já têm destino certo, o PSL. Outros vão esperar os governos de Brasília e de Florianópolis se acomodarem.

Votaram contra o PLC 03/2018 que pega as sobras das taxas de água e lixo para abrir valas desentupidas em Gaspar: Silvio Cleffi, PSC; Cícero Giovani Amaro, PSD (funcionário do Samae); Mariluci Deschamps Rosa, Dionísio Luiz Bertoldi e Rui Carlos Deschamps (ex-funcionário e diretor do Samae), todos do PT.

Da dita posição votou com o governo Kleber neste assunto como previu antecipadamente a coluna, o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, até então aliado do PT, bem como Wilson Luiz Lenfers, PSD. Da base do governo não estava presente Ciro André Quintino, MDB, que guardava luto devido ao falecimento da sua genitora Beatriz, aos 86 anos, na segunda-feira.

Perguntar não ofende. As festas de outubro pela região foram um sucesso. Gaspar tem como diretor de Turismo Norberto Mette, que como ex-secretário de Turismo de Blumenau, tocou algumas Oktoberfest. Quando Gaspar que possui uma cervejaria artesanal competitiva vai se inserir nesse contexto? Acorda, Gaspar!

O prefeito de Gaspar Kleber Edson Wan Dall, MDB, ensaia retomar a maioria na Câmara. Com a possível dança das cadeiras nos partidos e os desgastes dos tradicionais, teve gente que para ficar na base de Kleber, já botou preço. Ai, ai, ai

Comentários

Herculano
16/11/2018 15:41
A LUZ DO SOL

De Mário Sabino, ex-editor da veja e agora da revista eletrônica Cruzoé

Jornalistas estão muito espantados com o fato de a direita pensar como direita. Compreensível: havia só uma esquerda que fingia ser de direita. Nada como a luz do sol. Agora tudo está claro.
LUIZ
16/11/2018 12:25
Tem muita gente que, só porque tem um pouco mais do que os outros, se acham acima da Lei, se sentem donos da cidade e por isso podem tudo.
Para eles, todos os direitos, inclusive o de infringir Leis e regras e para os outros todos os deveres e seus os rigores.
Quando cobrados, ficam bravos, esperneiam, falam bobagens, como se fossem os donos da verdade.
Arrogância e prepotência não lhes faltam.
Humildade e respeito, o que é isso mesmo? Essa minoria não tem pois não sabem o que é.
Herculano
16/11/2018 06:40
PCC CONTRA MORO

Conteúdo de O Antagonista. A equipe de Jair Bolsonaro suspeita que o PT possa encomendar ao PCC uma série de rebeliões em presídios para minar Sergio Moro, diz a Veja.

A primeira missão do novo ministro será reprimir o crime organizado nas cadeias.
Herculano
16/11/2018 06:28
NACIONALISMO E PATRIOTISMO, por Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no jornal Folha de S. Paulo.

Fala de Macron mostra diferença entre os dois conceitos, tão em voga

No último domingo, líderes mundiais se reuniram em Paris para celebrar cem anos do final da Primeira Guerra Mundial. O armistício que consagrou a decisão de interromper essa que foi uma das maiores guerras da história foi seguido no ano seguinte pela Conferência de Versalhes que, entre outras consequências, resultou no redesenho do mapa europeu e de alguns impérios coloniais, assim como na criação de condições favoráveis para a Segunda Guerra Mundial.

Ao ouvir o discurso de Macron, anfitrião e mestre de cerimônias do evento, algumas lições deste período sombrio da história pareceram-me ecoar para o tempo presente. O nacionalismo, processo de construção identitária em que se edificam países em união beligerante contra inimigos comuns, geralmente outros povos, apareceu na fala do presidente da França como o oposto de patriotismo e uma traição aos ideais civilizatórios.

Nada mais correto e atual. Definir a identidade dos habitantes de um país como aqueles que não são o outro e que, portanto, não podem conviver ou receber em seu território os estrangeiros tem aparecido cada vez mais em agendas de líderes populistas europeus e no projeto russo de uma Eurásia, num claro desmonte dos princípios iluministas.

Na cola, surgem elementos contemporâneos, a serviço de ideias que já deveriam estar superadas. Guerras sempre foram acompanhadas de desinformação e doutrinação de estudantes para servirem à causa nacional, mas as redes sociais permitiram uma aceleração e escalonamento do processo, hoje apelidado de fake news.

Em nome do ódio travestido de nacionalismo, a verdade é a primeira derrotada. Para impedir que a Ucrânia entrasse na União Europeia, por exemplo, os russos se sentiram no direito de veicular mensagens nas mídias associando manifestações na Maidan (praça, em tradução livre), em 2014, contra a desintegração do país e pela adesão ao projeto europeu, a pressões de um pretenso lobby homossexual.

O alerta de Macron dirigiu-se também a Trump, em dois momentos: quando lembrou que, "ao dizer nossos interesses primeiro, os outros pouco importam" e quando se referiu à importância da união de todos para afastar as ameaças globais como "o espectro do aquecimento global". É bom lembrar que Trump se retirou do Acordo de Paris em 2017.

Uma relação pacífica entre países, mesmo que em condições não ideais, foi um constructo civilizatório. Abandonar esta empreitada para preservar interesses mesquinhos ou pretender reconstruir, mesmo que em novas bases, impérios perdidos e uma visão idealizada do passado será retroceder nos ainda limitados avanços que tivemos como seres humanos.
Herculano
16/11/2018 06:19
BRASIL SUSTENTA NO EXTERIOR SERVIDORES 'À DISTÂNCIA', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta sexta-feira, de feriadão para alguns, principalmente no serviço público.

É coisa do passado, no País onde reina o oportunismo, a exigência legal e moral de licença sem vencimentos, pelo prazo máximo de dois anos, para qualquer servidor público que faça opção de residir no exterior. Hoje, somente na Defensoria Pública da União (DPU), servidores ganharam a loteria no Canadá, na Suíça e até no longínquo Timor-Leste de "trabalhar à distância", sem prejuízos dos vencimentos.

QUE BELEZA...
Com aval da chefia, o defensor público Felipe Dezorzi Borges vive em Otawa, Canadá, levando R$30 mil por mês para atuar "à distância".

O SOL POR TESTEMUNHA
Antes da temporada na capital canadense, o defensor público vivia no paraíso de Bridgetown, capital da ilha caribenha de Barbados.

MUITOS DIREITOS
A DPU diz que afastamentos são autorizados com base no direito de "acompanhar cônjuge removido no interesse da Administração".

EXISTEM LICENÇAS
O servidor das diversas esferas de governo pode tirar licenças médica, maternidade, paternidade e prêmio. Mas nada de morar no exterior.

GOVERNADOR DE MG E A MULHER TÊM 35 EMPREGADOS
O governador eleito de Minas, Romeu Zema (Novo), não se conforma com as mordomias do atual ocupante do cargo, Fernando Pimentel (PT). A residência do Palácio das Mangabeiras tem 35 empregados para atender a sua excelência o casal petista, sem contar um contingente mínimo de três dezenas de seguranças. "É um absurdo,", afirma Zema, indignado. É claro que ele vai acabar com tudo isso.

ATÉ 'FORÇA AÉREA'
Zema disse também que no Palácio das Mangabeiras há uma espécie de "força aérea", sempre a serviço do governador de Minas.

CORTE RADICAL
O futuro governador definiu que vai reduzir a frota de helicópteros a um ou nenhum. "Talvez seja melhor alugar em caso de necessidade".

FIM DE REGALIAS
Além de eliminar regalias e mordomias, Romeu Zema e secretários só terão salários com o fim do parcelamento imposto aos servidores.

ENORME DESAFIO
O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, terá de mostrar sua habilidade ao pôr em prática suas ideias sem comprar brigas desnecessárias com parceiros importantes como a China. Terá de se cercar dos melhores que estiverem dispostos a ajudar.

JURISPRUDÊNCIA
Causou estranheza a aprovação do aumento de 16,3% dos salários dos ministros do STF de uma só vez, ao contrário do que ocorreu em 2012, quando o aumento foi de 15,8%, mas dividido em três anos.

QUASE O ROMBO FISCAL
Segundo o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), o projeto que autoriza a Petrobras a transferir até 70% dos direitos de exploração de petróleo do pré-sal na área da União a outras petroleiras, pode render "de R$120 a R$130 bilhões" aos cofres públicos.

TENTATIVA E ERRO
O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que "não é a primeira vez que tentam me envolver em episódios de corrupção", após ser novamente acusado de receber repasses da JBS, em 2012.

#VETATEMER
O abaixo-assinado do Novo contra o aumento de 16% de ministros do STF alcançou 2,7 milhões de nomes em cinco dias. O objetivo são 3 milhões de assinaturas, que serão enviadas a Michel Temer.

BANHO-MARIA
Segundo o presidente Michel Temer, sobre o aumento dos ministros do STF, ele está "examinando o assunto com muito cuidado" e só decidirá até o fim do mês. "Temos até dia 28 de novembro para a sanção", diz.

R$ 3,48 POR PESSOA, POR DIA
Segundo o Conselho Federal de Medicina, o Brasil gasta com a saúde R$ 3,48 por dia, por habitante. O cálculo leva em conta os governos federal, estadual e municipal. É o maior valor dos últimos 4 anos.

NOVO PRESIDENTE NO TCU
O ministro José Múcio Monteiro vai tomar posse como presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) no próximo dia 11. Ana Lucia Arraes Alencar assume o cargo de vice-presidente da Corte de Contas.

PENSANDO BEM...
...a impressão é que, se fosse tratada por "minha querida", a juíza Gabriela Hardt tascava-lhe um merecido terço na pena.
Herculano
16/11/2018 06:11
da série: como uma casta no serviço público cria privilégios, toma dinheiro da sociedade e como parasita não é capaz de devolver isso em retorno na mesma proporção

PROBLEMA NÃO É O NÚMERO DE SERVIDORES, MAS SALÁRIOS ALTOS, DIZ TEMER A BOLSONARO

Equipe do governo recomenda a eleito igualar remuneração do funcionalismo à do setor privado

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Cátia Seabra e Flavia Lima

O governo Michel Temer alertou o governo de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para o forte impacto de altos salários sobre a folha de pagamento do funcionalismo federal.

A atual equipe recomendou a adequação da remuneração do serviço público à praticada pelo setor privado, além de adiar, para 2020, os reajustes programados para 2019.

As medidas buscam conter o crescimento das remunerações dos servidores nos próximos anos. Nas contas do governo, o aumento dos salários do funcionalismo custará só no próximo ano R$ 4,7 bilhões aos cofres públicos.

O Ministério do Planejamento conduz atualmente um estudo com o objetivo de "alinhar as remunerações pagas pelo setor público aos salários pagos pelo setor privado".

Os dados e as propostas constam do documento "Transição de Governo 2018-2019 - Informações Estratégicas" e foram elaboradas pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.

No relatório encaminhado aos colaboradores de Bolsonaro, o governo Temer informou que "os altos níveis de gastos são impulsionados pelos altos salários", e não pelo número excessivo de servidores.

"Isso se verifica principalmente na esfera federal, na qual os salários são significativamente mais altos que aqueles pagos a servidores dos governos subnacionais, ou a trabalhadores em funções semelhantes no setor privado", afirma o texto.

Pelos números apresentados, o Poder Executivo federal dispunha, em julho de 2018, de 1.275.283 servidores, dos quais 634 mil ativos. No geral, os servidores representam 24% dos empregos formais no país.

O relatório destaca, porém, que as altas remunerações no serviço público preocupam muito mais do que o número de servidores.

O gasto com pessoal do Executivo, diz o texto, consumiu R$ 172 bilhões em 2017, sendo R$ 105,9 bilhões com servidores da ativa.

Na avaliação do governo Temer, "o quantitativo de servidores não se apresenta como ponto de alerta crítico, mas é real a necessidade de rever a atual configuração da administração pública federal".

Os números do governo também apontam que 80,3% dos servidores tiveram reajustes abaixo da inflação nos últimos dois anos.

Em compensação, o índice de aumento para algumas categorias, como policiais federais, foi o dobro do acumulado pela inflação, de 2016 para cá.

Hoje, no Executivo, a maior remuneração mensal é de R$ 29,6 mil, fora vantagens, pagas aos cargos de perito e delegado das carreiras da Polícia Federal e Polícia Civil dos ex-territórios.

A menor é de R$ 1.467,49, referentes ao cargo de auxiliar-executivo em metrologia e qualidade da carreira do Inmetro.

Ainda segundo os números de agosto deste ano, a média mensal de vencimentos é de R$ 11,2 mil, para ativos, e R$ 9.000 para inativos.

O documento aponta também que as carreiras, os cargos e as funções do serviço público estão estruturadas em um sistema oneroso e complexo, que dispõe de pouca mobilidade.

Para ilustrar a complexidade do atual sistema de carreiras, o estudo diz que as cerca de 80 carreiras no Poder Executivo existentes na década de 1990 se transformaram em mais de 300.

O texto propõe substituir o atual sistema de carreiras do serviço público por um modelo mais moderno e eficaz, com "metas e resultados, desenvolvimento, avaliação de desempenho, governança e liderança, processo seletivo e certificações".

O estudo alerta ainda para a piora da situação fiscal do país em razão dos salários acima do valor de mercado e de reajustes acima da inflação dos rendimentos do funcionalismo.

A atual equipe propõe, então, como medida de emergência o adiamento dos reajustes já previstos para 2019.

No acordo feito em 2015, no governo de Dilma Rousseff, e aprovado em 2016 pelo Senado, ficou acertado que os reajustes para recompor perdas da inflação (de 2013 a 2015) seriam de 4,5% ao ano, concedidos em 2017, 2018 e 2019.

A equipe de Temer alega que, quando o acordo foi feito por Dilma, a inflação estimada era acima de 5%, o que não refletiria a realidade atual.

Propondo uma economia bilionária, Temer recomenda que Bolsonaro busque, já em janeiro, manter o adiamento de reajuste definido pela medida provisória de 2018.

Como as MPs dependem de aprovação, o adiamento requer negociações com o Congresso Nacional.

Além disso, o documento ressalva ser "importante registrar o risco de judicialização do adiamento por parte das carreiras envolvidas".

No ano passado, o governo Temer fracassou ao tentar congelar os salários do servidores. Em outubro de 2017, foi publicada uma MP postergando para 2019 os reajustes previstos 2018.

A medida perdeu a eficácia por falta de tramitação no Congresso e foi derrubada no STF (Supremo Tribunal Federal).

PREVIDÊNCIA
Além dos salários altos e dos reajustes promovidos acima da inflação, o documento enfatiza a elevação dos riscos à Previdência da categoria nos próximos anos.

Segundo o texto, a elevada média de idade dos servidores em atividade, atualmente de 46 anos, traz alto risco de aumento na quantidade de pedidos de aposentadorias.

A consequência disso é o surgimento de uma demanda adicional para recomposição da força de trabalho para atender à demanda da sociedade.

Atualmente, 108 mil servidores (17% da força) já têm condições para aposentadoria e permanecem no serviço público atraídos por incentivos, como o abono de permanência. Dados de julho de 2018 apontam ainda que cerca de 39% dos servidores públicos têm mais de 50 anos.

Somente em 2017 foram concedidas 22.458 aposentadorias no serviço público - o maior número desde 1998. Foi uma alta de 42% em relação ao ano anterior.

Em 2016, tinham sido 15.769. De janeiro a julho de 2018, outros 12.360 servidores se aposentaram.
Nas Forças Armadas, são 366.989 militares na ativa e 303.264 servidores da reserva ou seus pensionistas.

No ano passado, os vencimentos do pessoal da ativa somaram R$ 23,3 bilhões. A fatia para reserva e pensões foi quase o dobro: R$ 41,5 bilhões.

Segundo o documento, a despesa média com cada militar da ativa é de R$ 4.770,92 em comparação a uma despesa média de R$ 10.539,22 de um militar da reserva.
Herculano
16/11/2018 06:03
CAMPOS NETO ASSUME BC QUE AVô AJUDOU A CRIAR, por Josias de Souza

Uma pessoa realizadora não prediz o futuro, ajuda a criá-lo. Mas o economista Roberto Campos (1917-2001) daria pulos de satisfação sob a lápide se pudesse ver o que foi feito do neto homônimo. Roberto Campos Neto, 49, presidirá o Banco Central, instituição que o avô ajudou a criar em 1964, quando era ministro do Planejamento do governo do marechal Castelo Branco.

Ex-embaixador, ex-ministro, ex-senador, ex-deputado e, sobretudo, patrono do pensamento econômico liberal, Roberto Campos não poderia supor que um neto que o rodeava de calças curtas presidiria sua criação meio século mais tarde. Tampouco lhe foi dado supor que a coincidência se materializaria num governo presidido por Jair Bolsonaro, um deputado obscuro com quem esbarrou no Congresso sem cogitar um estreitamento de relações.

Eleito em 1982 pelo Mato Grosso, seu Estado, Roberto Campos frequentou o Senado por oito anos. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Elegeu-se no mesmo pleito em que o eleitorado fluminense concedeu ao paulista Bolsonaro seu primeiro mandato federal. Ironia suprema: Campos, o avô, estreou na Câmara junto com Bolsonaro, o insuspeitado futuro presidente da República que conduziria seu neto à chefia do Banco Central.

Intelectual refinado, Campos talvez mantivesse as restrições ao estilo rude do capitão. Ainda assim, aplaudiria a opção de Campos Neto. Menos por Bolsonaro do que por Paulo Guedes. Como ministro do Planejamento de Castelo Branco, ao lado do amigo Octávio Gouvêa de Bulhões, que comandava o Ministério da Fazenda, Campos colocou em pé uma agenda que orna com a filosofia do "Posto Ipiranga" de Bolsonaro.

Num país submetido a uma barafunda financeira, no alvorecer da ditadura militar, a dupla Campos-Bulhões priorizou a arrumação da casa. Junto com a implementação de uma reforma tributária e um controle draconiano das contas públicas, editou-se a lei 4.595, de dezembro de 1964, para estruturar o sistema financeiro nacional. Foi essa lei, subscrita por Campos, que deu à luz o Banco Central que Campos Neto comandará a partir de janeiro.

Sob Campos e Bulhões, a inflação despencou de 81% em 1963 e 91% em 1964 para 34% em 1965. Embora não comandasse a área econômica sozinho, Campos dispunha de superpoderes análogos aos que Bolsonaro ofereceu a Paulo Guedes. A despeito disso, não obteve tudo o que desejou. Não conseguiu fazer, por exemplo, o Banco Central Independente.

Campos idealizara um mandato de sete anos, fixado em lei, para o presidente do BC. Quando o mandato de Castello Branco se aproximava do final, a ditadura selecionou como sucessor Costa e Silva, sob cuja presidência o economista Delfim Netto passaria a dar as cartas.

Nessa época, sopraram-se nos ouvidos de Campos rumores segundo os quais Delfim discordava da ideia de um BC independente, que o impediria de acomodar um subordinado de sua confiança no comando da instituição. Campos contou em suas memórias o seguinte: sob orientação de Castelo Branco, foi à presença de Costa e Silva para vender o seu peixe.

"O Banco Central é o guardião da moeda", disse Roberto Campos. E Costa e Silva: "O gardião da moeda sou eu." Sob Bolsonaro, Paulo Guedes tem a pretensão de ressuscitar a tese do BC independente. A incerteza quanto à capacidade do governo de colocar a ideia em pé contribuiu para que Ilan Goldfajn recusasse o convite para permanecer no comando do BC.

Quer dizer: por um sortilégio do acaso, até o insucesso Bob Fields, como o avô foi apelidado, conspirou para que o neto fosse guindado ao comando da instituição que seu antepassado ajudou a criar. O barulhinho que se ouve ao fundo é o eco da euforia de Roberto Campos dentro do túmulo.
Herculano
16/11/2018 05:56
BOLSONARO ACERTA QUANDO RECUA E ERRA QUANDO AVANÇA, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

O problema não está em mudar de ideia. Preocupante é não ter ideia do que fazer

Sou fã dos recuos de Jair Bolsonaro. Até agora, eu os defendi a todos, sem exceção, antes mesmo que o presidente eleito voltasse atrás. Fusão da Agricultura com o Meio Ambiente? Bobagem. Insistir numa reforma da Previdência ainda neste ano? Bobagem. Extinguir o Ministério do Trabalho agora? Bobagem.

Transferir as universidades para o Ministério da Ciência e Tecnologia? Bobagem. O problema não está em mudar de ideia. Preocupante é não ter ideia do que fazer.

Os tais mercados, por enquanto, se divertem fazendo de conta que política não existe. E que as regras podem ser livremente governadas pela vontade. Em reunião do futuro presidente com governadores eleitos, anunciou-se a intenção de Paulo Guedes de dividir com os estados e municípios parte dos recursos do leilão do pré-sal, que poderia render de R$ 100 bilhões a R$ 130 bilhões.

É a velha engenhoca da "política de governadores", ineficaz com a Constituição que temos. Sem ajustes severos nos estados, a grana do petróleo pode fechar um rombo aqui, outro ali, e tudo seguirá na mesma. Vai ser preciso renegociar, de novo, as dívidas. No Congresso.

Junto com a crise nos estados, bate à porta a reforma da Previdência - esta, sim, considerada a mãe do sucesso ou insucesso, junto aos mercados, da gestão Bolsonaro. O problema, e o presidente eleito já o percebeu, é que o endosso dessa crítica especializada, sem efeito nas urnas, não coincide com apoio popular. E ainda está para ser inventada mudança nessa área que seja popular.

Uma pergunta: Bolsonaro correria o risco de ver esmorecer o entusiasmo com o "mito" para fazer a coisa certa? Há um "gap", ou "delay" de entendimento, entre as potenciais medidas liberalizantes de Guedes e seus efeitos positivos para a população.Esse descompasso costuma resultar em mau humor dos pobres e remediados.

Bolsonaro tem Donald Trump como seu mito privado, não Margaret Thatcher. Apontem aí que reforma drástica o presidente dos EUA teve de fazer. Exceção à do discurso, nenhuma! Deu-se até a licença para liberar as forças do ódio, que alguns celerados chamam de "defesa do Ocidente". Com um pouco menos de impostos. A economia que herdou lhe permitiu as momices do populismo de direita. Não é o caso de Bolsonaro, um populista de direita sem dinheiro.

Não existe economia virtuosa, por mais talentosa que seja a equipe que cuida do assunto, com uma administração que pode entrar em colapso. A ligeireza com que se trata a gestão também se verifica no discurso, com repercussões negativas, antes mesmo da posse, na China, no Mercosul e em países árabes, o que já alarmou o agronegócio e um pedaço considerável da indústria.

O mais recente efeito da falta de modos pode resultar numa debandada dos médicos cubanos. Nem eu nem Bolsonaro gostamos do castrismo. Mas é preciso pôr na conta nossos barrigudinhos. Os problemas do "Mais Médicos", e eles existem, não têm como ser corrigidos com menos médicos para os pobres. Entenderam o ponto? Por enquanto, o que se tem é uma loquacidade contraproducente.

Caso exemplar desses dias é a resposta que o presidente eleito deu ao que considera um Itamaraty ineficiente. Prometeu para a pasta um chanceler que daria prioridade aos negócios, não à ideologia. O escolhido é Ernesto Araújo.

O futuro ministro diz de si mesmo: "Quero ajudar o Brasil e o mundo (sic) a se libertarem da ideologia globalista (...). A globalização econômica passou a ser pilotada pelo marxismo cultural (...). A fé em cristo significa hoje lutar contra o globalismo".

No ensaio "Trump e o Ocidente", em que trata o presidente americano como salvador e a ONU como expressão de uma era que tem de chegar ao fim, Ernesto escreve: "O presidente Trump propõe uma visão do Ocidente não baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais." Vamos vituperar contra o Unicef e celebrar a caça ao urso na Virgínia.

Um dos momentos marcantes desse resgate, segundo o futuro ministro, que acredita na existência de um "Deus de Trump", é um discurso que o presidente americano fez numa Polônia cujo establishment se identifica com a extrema direita nacionalista. Parece-me que o samba do Ernesto dá prioridade à ideologia, não aos negócios. Clóvis Rossi foi ao ponto: é o Cabo Daciolo com alguns livros a mais.

Se Bolsonaro mudar de ideia, aplaudo outra vez. Ele acerta quando recua e erra quando avança.
Miguel José Teixeira
15/11/2018 23:15
Senhores,

Na mídia:

"Com fim de parceria, médicos cubanos começam a deixar o Brasil no dia 25"

Uffa!!!

É bom que as Autoridades certifiquem-se que os espiões CUbanos infiltrados também estejam vazando.

Denúncias de doutrinação vermelha em bolsões de carentes são inúmeras.

Nas recentes eleições isto ficou muito claro.
Herculano
15/11/2018 20:34
PATIFE OU IDIOTA

De Felipe Mora Brasil no twitter:

"Se você diz defender democracia, mas defende que uma ditadura use familiares como reféns para impedir que profissionais atuantes no exterior fujam e deixem de financiá-la com a maior parte do salário pago por outro governo pelo trabalho deles, você é um patife ou tremendo idiota."
Herculano
15/11/2018 19:46
AFINAL, QUEM GOVERNARÁ (OU MANDARÁ) NO BRASIL NO ANO QUE VEM? DEEM AO MENOS A CHANCE DO ELEITO COM ESTA PROPOSTA CLARA DE ERRAR NAS SUAS ESCOLHAS

Sobre o desmonte dos cubanos no "Mais Médicos"

1: é uma perda e atingirá, num primeiro instante, os mais vulneráveis. Deveria ter sido gradual. Mas...

2:o governo de Cuba levou daqui mais de R$7 bilhões vendendo seus médicos;ficou com dois terços disso para sustentar a combalida economia comunista da ilha.

3: O governo da ditadura cubana foi estimulado pela esquerda do atraso do Brasil e da América Latina, a aplicar uma lição e um golpe antecipado ao presidente eleito Jair Bolsonaro, PSL,

4: tudo para causar repercussão, acuá-lo e desmoraliza-lo e até fazer voltar atrás pela comoção. E como a maior parte da imprensa brasileira é da esquerda do atraso...

5:Bolsonaro não é a encarnação das mudanças pregadas e prometidas? Então ele mudou!O PT quer continuar a dar as cartas no governo dos outros quando os petistas foram rejeitados nas urnas e cujo líder e ex-presidente amigo dos cubanos é presidiário e o pior exemplo para todos?

6:se no Brasil uma Organização Social - ou Cooperativa de profissionais especializados e muito comum para esses casos - cobrasse do governo mais de R$11 mil para o trabalho de cada profissional médico e só lhe destinasse menos de R$ 4 mil por mês, o que aconteceria se o caso chegasse à Justiça do Trabalho.

7: tenham piedade dos analfabetos, ingorantes e desinformados sempre completamente manipulados pelo PT e a esquerda do atraso. Wake up, Brazil!
Herculano
15/11/2018 19:22
NUNCA FOI TÃO FÁCIL...

De José Neumânne Pinto, no twitter:

Inédito.Lula falou a verdade: Véspera do 129.º aniversário da República foi também dia histórico, pois Lula disse à juíza Gabriela Hardt pela primeira vez em toda sua vida uma verdade: "Nunca foi tão fácil ser ladrão no Brasil"
Herculano
15/11/2018 19:20
DE MENTIRAS GLEISI E O SEU PT ENTENDEM E ENSINAM COMO RITUAL DE SOBREVIVÊNCIA

De Gleisi Hoffmann, senadora e presidente nacional do PT, no twitter:

Jair Bolsonaro tem de parar de mentir, a campanha acabou. O PT nunca ameaçou de deportar médicos cubanos. Quem faz ameaças é Bolsonaro. Cumprimos o acordado com a OPAS e com Cuba. Quando termina o tempo de contrato aqui o médico volta para o convívio de sua família em seu país
Herculano
15/11/2018 19:08
CRISE COM MAIS MÉDICOS É MAIS GRAVE ATÉ AGORA, por Helena Chagas, de Os Divergentes

Pelo jeito, será a duras penas que o presidente eleito Jair Bolsonaro aprenderá a diferença entre o discurso fácil de campanha e a responsabilidade pelos atos de governo. Depois da confusão sobre a transferência da embaixada brasileira em Israel, que colocou em risco nosso pujante comércio com os países árabes, e outros vaivéns, o episódio que levará à retirada de quase nove mil médicos cubanos do país é, sem dúvida, a mais grave consequência de sua incontinência verbal.

Grave porque, acima e além de qualquer ideologia ou troca de desaforos internacionais, está a retirada do atendimento médico a milhões de brasileiros que vivem nas periferias das grandes cidades e nos grotões do interior.

Os médicos cubanos não vieram parar aqui por acaso, nem por uma irresistível afinidade ideológica com o governo do PT. Aqui chegaram para preencher vagas nas unidades básicas de saúde que os médicos brasileiros não quiseram ocupar. É bom lembrar: o primeiro ato do programa Mais Médicos foi oferecer esses empregos a médicos brasileiros. Poucos se interessaram, e déficit na relação medico-pacientes no Brasil continuou enorme até a chegada dos cubanos. Ainda é grande, mas se você fizer uma pesquisa junto aos pacientes da periferia verá que eles preferem ter os médicos cubanos do que médico algum.

A decisão de Cuba, provocada pelas palavras do novo presidente brasileiro e pelas exigências anunciadas pelo novo governo, deve representar, de quebra, o fim do Mais Médicos. Os brasileiros não vão preencher essas vagas. Outros estrangeiros serão desencorajados pela necessidade de fazer o Revalida, principal obstáculo ao exercício da medicina aqui por médicos formados no exterior.

Só para lembrar: o STF julgou legal o programa Mais Médicos quando as corporações médicas brasileiras contra ele recorreram, autorizando a dispensa da validação do diploma no acordo fechado com Cuba em julgo de 2013, intermediado pela Opas.

Destruir é fácil. Faz-se num instante. Difícil será construir uma solução para milhões de pacientes. E não falamos sequer do problema diplomático que se avizinha, com o convite de Jair Bolsonaro aos médicos cubanos que não querem deixar o país. Poucas vezes viu-se oferecimento tão claro e desabrido de refúgio ou asilo internacional nesse tipo de circunstâncias.
Herculano
15/11/2018 19:04
REVOLUCIONÁRIOS PRUDENTEMENTE CALADOS

De Guilherme Fiuza, no twitter:

"Que horas os revolucionários de auditório vão repudiar, com toda sua indignação progressista, à afronta e à tentativa de intimidação por parte de um criminoso condenado contra uma mulher representante da lei?"
Herculano
15/11/2018 19:00
NOVA ABOLIÇÃO?

De J.R.Guzzo, da revista Veja, no twitter

"Bolsonaro quer acabar com a maior operação de trabalho escravo já montada no Brasil depois da Abolição: a exploração de médicos cubanos proibidos de trazer suas famílias para cá e cujos salários são pagos diretamente a Cuba. Está sendo acusado de "ameaçar" a saúde pública, claro".
Herculano
15/11/2018 18:58
ANTES DA ELEIÇÃO, BOLSONARO FALOU EM MANDAR CUBANOS EMBORA COM "CANETADA"

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Artur Rodrigues. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) havia prometido em vídeos antes de ser eleito dar uma "canetada" e usar a revalidação de diploma de médicos para "mandar todos esses cubanos de volta para lá".

As afirmações se opõem ao discurso de Bolsonaro depois do fim da parceria anunciada pelo governo de Cuba.

O presidente eleito acusou na quarta-feira (14) a "ditadura cubana" de "grande irresponsabilidade" por desconsiderar impactos negativos na vida e saúde dos brasileiros.

Indicou que estaria disposto a manter a participação dos profissionais no Mais Médicos, mas que "infelizmente" Cuba não aceitou as condições impostas.

Bolsonaro disse que condicionou a permanência dos médicos à aplicação de teste de capacidade, à entrega de salário integral aos profissionais e à liberdade que eles deveriam ter para trazer suas famílias ao Brasil.

Em vídeo gravado antes de ser eleito, dirigido a estudantes de medicina, Bolsonaro já previa a saída dos médicos. "Ao pavilhão med PUC Camp, Jair Bolsonaro, tamo junto. Em 2019, ao lado de vocês, dar uma canetada mandando 14 mil médicos [faz sinal de aspas com os dedos] lá para Cuba. Quem sabe ocupando Guantanamo que está sendo desativada para atender os petistas que vão para lá, tá ok?".

A gravação foi publicada no dia 17 de outubro pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT).

Bolsonaro diz em vídeo para estudantes de Medicina da PUC-Campinas que vai dar uma "canetada" para enviar 14 mil médicos para Cuba. Ele pretende acabar com o Mais Médicos, que garantiu benefícios a 60 milhões de pessoas no Brasil que nunca ou quase nunca viram um médico na vida?

Os vídeos, feitos em diversas ocasiões ao longo dos últimos anos, são dirigidos aos médicos brasileiros. Em outro, ele afirma que usará a revalidação dos diplomas para mandar os médicos embora. "Podem ter certeza, a gente vai mandar todos esses cubanos de volta para lá. Sabe como? Revalida light", diz.

Num terceiro vídeo, ele afirma: "A classe médica será valorizada e os cubanos vocês sabem para onde irão, tá ok?".

No Twitter, após o anúncio cubano, Bolsonaro falou sobre o assunto: "Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou".

"Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos", acrescentou, mais tarde.

Diferentemente do que acontece com os médicos brasileiros e de outras nacionalidades, os cubanos do Mais Médicos recebem apenas parte do valor da bolsa paga pelo governo do Brasil. Isso porque, no caso de Cuba, o acordo que permite a vinda dos profissionais é firmado com a Opas (Organização Panamericana de Saúde), e não individualmente com cada médico.

Pelo contrato, o governo brasileiro paga à Opas o valor integral do salário, que, por sua vez, repassa a quantia ao governo cubano. Havana paga uma parte aos médicos (cerca de um quarto), e retém o restante.


"Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou".

"Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos".

Um dos programas mais conhecidos na saúde, o Mais Médicos foi criado em 2013, na gestão da então presidente Dilma Rousseff (PT), para ampliar o número desses profissionais no interior do país.

Ainda no lançamento, o programa gerou atrito com entidades médicas devido à dispensa de revalidação de diploma para médicos estrangeiros, contratados como "intercambistas".

No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a ausência de revalidação de diploma era constitucional.

Atualmente, o programa soma 18.240 vagas, sendo que cerca de 2.000 estão abertas, sem médicos. Do total de vagas preenchidas, 8.332 são ocupadas por médicos cubanos, que vem ao Brasil por meio de uma cooperação com a Opas. Além destas, o país tinha 4.525 vagas ocupadas por brasileiros formados no Brasil, 2.824 brasileiros formados no exterior e 451 intercambistas (médicos de outras nacionalidades).

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