Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

'Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar', cravou o ex-jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.

26/06/2019

Governo de Gaspar quer a unanimidade, rejeita as cobranças contra erros, esclarecimentos das dúvidas e oposição. Isso pode ser perigoso para ele próprio. 

Este “eclético” trio de vereadores – Dionísio Luiz Bertoldi, PT, Cícero Giovane Amaro, PSD, e Silvio Cleffi, PSC – está tirando o sono de Kleber com os pedidos de explicações e denúncias contra o governo de Gaspar

O governo do prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o de fato, secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, presidente do MDB, o advogado Carlos Roberto Pereira, depois de cooptar politicamente o mais ferrenho vereador, até então, dos oposicionistas, Procópio de Souza, PDT, estão incomodados com a atuação de pelo menos de três vereadores, na minoritária bancada de seis oposicionista na Câmara de vereadores: Cícero Giovane Amaro, PSD, e Dionísio Luiz Bertoldi, PT e Silvio Cleffi, PSC.

A prefeitura ao invés de combater os vereadores – e até a ínfima parcela da imprensa que dá voz aos vereadores - com fatos e argumentos, tentam desqualificá-los, culpá-los por erros técnicos e administrativos feitos pelo próprio governo contra os resultados prometidos à população ao mesmo tempo em trama e aplica trama vinganças.

Nas redes sociais onde o governo perde e não consegue colocar sob controle as manifestações dos gasparenses, os defensores do atual governo, espalham que os três vereadores são de esquerda e o que fazem contra o governo é fruto apenas da orientação ideológica e não dos fatos que estão fartamente documentados e já alcançam o Ministério Público e principalmente o Tribunal de Contas. Só analfabetos, ignorantes, desinformados e gente com interesses contrariados poderão acreditar na afirmação dos que estão na prefeitura de que se trata de um complô dos vereadores.

A prefeitura está alimentando a tese absurda de que uma andorinha faz verão, apesar dela ter o controle do clima.

Cícero, evangélico como o prefeito, só é socialista quando defende os direitos-privilégios dos funcionários públicos, pois é um deles. Silvio, evangélico, nem comentários a esse respeito merece: é um corporativista da medicina e como funcionário público vai na mesma linha de Cícero. Quanto a Dionísio, católico, se realmente for petista – é o líder do partido na Câmara -, as dúvidas se dissipam logo: é o único, apesar de empresário, o que pode se rotular como esquerda.

Ora, culpá-los pelos atrasos, principalmente pelos defeitos das obras em Gaspar e seus processos licitatórios, é arrumar um bode expiatório para aquilo que não funciona na administração de Kleber e Roberto Pereira. E o Executivo sabe disso, tanto que acaba de promover mudanças para melhorar a percepção de imagem e resultados, para ao menos tentar salvar a reeleição.

Desqualificar o papel constitucional de fiscalização dos vereadores em nome do povo sobre o Executivo é algo tão manjado quanto perigoso. Qual a razão dessa queixa? Diz o ditado popular de “quem não deve não teme e a transparência deveria ser o melhor discurso de Kleber e seu grupo contra sistemáticos e continuados pedidos de explicações dos vereadores, representantes da sociedade.

Mas, ao contrário, Kleber retarda essas explicações ao ponto de que a Justiça precisa intervir. Faz isso orientado e de caso pensado. Propositadamente quando oferece as informações pedidas, a faz de forma incompleta, confusa para adiar o esclarecimento e se não bastasse essa manobra, mente para a população, incita os seus nas redes socais para retaliar quem o questiona, apontam os vereadores nos discursos e nas explicações que dão aos seus eleitores.

OS QUESTIONAMENTOS DOS VEREADORES NÃO ATRASARAM O ASFALTAMENTO DA FREI SOLANO

Não é verdade, por exemplo, que o prometido asfaltamento da Rua Frei Solano, no Gasparinho e que se enrola desde o início do ano, não foi realizado ainda, levando sofrimento ao povo de lá, é por causa dos vereadores da oposição, mas sim, pela incapacidade da prefeitura em licitar o material e o serviço no cronograma certo. Fez a drenagem e esqueceu do asfalto.

Sobre a obra de drenagem, feita sem projeto – segundo os vereadores, a prefeitura ainda não os apresentou - ou em desacordo com a licitação, já está concluída e nada impede de se colocar asfalto sobre ela.

A discussão judicializada se a drenagem contém problemas administrativos e técnicos, não impede o asfaltamento da rua. Então que culpa possuem os vereadores que questionaram a obra? Nada! Quem deve explicações e tem que buscar provas para se livrar das culpas que lhes são atribuídas é a prefeitura nos órgãos de inquirição e fiscalização.

E sobre o pregão que está sob judice para a compra de novos tubos e serviços para drenagem? Nada a ver com a Frei Solano, que já está enterrada. E se o pregão estivesse correto como afirmam o governo e seus representantes na Câmara, não estaria ele quase três semanas sob judice e análise no Tribunal de Contas do Estado. Estaria liberado, tanto no TCE, como por medida cautelar na Justiça Comum promovida pela prefeitura. Então, aí tem. Não teria sido então apenas um mero engano ou mesmo, sacanagem dos vereadores de oposição, como faz crer e difunde o governo de Kleber contra os vereadores e até a imprensa que divulga esse assunto num ato necessário de transparência

“Estão dizendo por aí que os vereadores embargaram obras”, denunciou o vereador Cícero na tribuna da Câmara. “Eu não sabia que um vereador tinha autoridade de embargar obra alguma”. Dionísio classificou de “mercenários” os que ficam nas redes sociais acusando os vereadores que estão fazendo o papel de fiscalização sobre atual governo. Dentro do próprio PSD, interessado numa composição com Kleber, o vereador é pressionado a mudar de posição. Ele resiste.

Resumindo e concluindo. O melhor detergente do político e do agente público é a luz do sol, ou seja, a transparência. Então qual a dificuldade de Kleber de optar pela transparência? Como diz o título desse artigo, toda unanimidade é burra, ela engana e deixa nu o rei. E quando ele perceber isso, poderá ser tarde. Então, a oposição não é exatamente um problema, mas pode trazer importantes alertas de correção administrativa. É só sentir de onde e como vêm os questionamentos.

As eleições de outubro mostraram o rei nú, mas Kleber e os seus pelas atitudes que repetem, parecem que não aprenderam nada.

Em outubro que vem, serão eles que irão para o escrutínio e não se poderão criar desculpas para os resultados eventualmente adversos que virão das urnas. Será definitivo. Esperar pela Projeto de Emenda Constitucional do deputado Rogério Peninha Mendonça, MDB, e que dará a prorrogação de mandato aos atuais prefeitos e vereadores, parece arriscado. É que votada a sua admissibilidade da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, ela não emplacou.

Resta criar essa unanimidade, inchando a coligação, criando empregos e espaços na administração pública, mas é cara, difícil de se controlar e temerária diante dos movimentos de mudanças dos eleitores que ainda pairam no ar. Domingo haverá mais uma demonstração nacional de que os eleitores pedem novos comportamentos dos políticos. Acorda, Gaspar!

Animais de rua e o exemplo de liderança.

Como a Agapa deu a volta por cima e focou num problema sério de saúde pública ainda relegado pela administração de Kleber

O sucesso da feijoada promovida na comunidade Santa Clara pela Agapa mostrou que a causa contra o abandono de animais é central para a entidade em favor da cidade. Uma ideia certa e necessária que se perdeu!

Animais domésticos abandonados e que vivem nas ruas viraram febre e ao mesmo tempo problemas de saúde nos centros urbanos. Depende de que lado que você está e da atitude que se toma diante das circunstâncias.

Em Gaspar, foi criada a Agapa – Associação Gasparense de Proteção a Animais -, feita de voluntários. Louvável. E por aspectos circunstanciais e até naturais, a boa e necessária ideia se tornou um aparelho do PT: nasceu com gente que se identificava com o partido, gente que estava na administração petista e principalmente, porque dependia financeiramente do poder público de plantão na influência exercida por esses voluntários para a sobrevivência da entidade, ao mesmo tempo que os tornava simpáticos na comunidade pela causa da moda que abraçava e difundia nas redes sociais.

O que aconteceu?

Primeiro com a saída do PT do poder em Gaspar, aquilo que se improvisava e era dependente quase que unicamente do poder público foi à falência. Essa causa é cara para o bolso e dispendiosa pelo tempo que exige para se cuidar ou, dar tratamentos e lares para animais domésticos abandonados. Segundo, o novo governo municipal, como a causa dos animais de ruas era do outro, riscou do seu mapa e traçou novas prioridades e nelas como as grandes obras, ainda está tonto, ou enrolado nas dúvidas. Resumindo: o abandono de animais se agravou ainda mais.

Em Gaspar, esse problema é agravado devido a área rural ficar muito próxima dos adensamentos urbanos; por não haver uma cultura para a proteção a animais de rua; além de ser, reconhecidamente, uma cidade dormitório, feita de migrantes e ser passagem para outras no Vale, fato que a torna suscetível a ser um local de descarte de animais (velhos, doentes, ninhadas indesejadas ou problemáticos).

Volto.

Depois de ser o queridinho da administração do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e do prefeito de fato, o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, ex-bombeiro militar, presidente do MDB, coordenador da campanha eleitoral de Kleber e hoje advogado, Carlos Roberto Pereira, MDB, e ser chutado do esquema de poder por se negar a segurar bandeiras de candidatos e partidos pelas esquinas de Gaspar em outubro passado, o cabo militar Rafael de Araújo Freitas, ex-superintendente da Defesa Civil, de volta à caserna, telefona-me para dizer que estava assumindo a Agapa. “Preciso fazer alguma coisa pela comunidade usando as minhas habilidades em algo que entendo estar vulnerável, mas é necessário diminuir esse problema”, justificou-me

Rafael fazia relações públicas. Queria apenas apoio na divulgação das causas da Agapa. Em resposta e olhando para o passado que sugeria aparelhamento político, disse-lhe: “você está arrumando sarna para se coçar”, e lhe desejei sucesso.

A VOLTA POR CIMA

Penso, que até aqui errei no meu prognóstico. Também não foi fácil à volta por cima pelo que me relatou, recentemente. Contas no vermelho, poucos voluntários e principalmente, uma desconfiança muito grande contra ele. Havia dúvidas sobre a intenção e à capacidade dele para a causa. Natural.

Resumindo o curto caminho até aqui de Rafael à frente da entidade no trabalho de reversão do quadro que a encontrou: despolitizou a Agapa (“a causa aqui é outra”); uniu os interesses contraditórios, deu transparência aos atos contas; colocou as clínicas ao seu lado, pôs as contas em dia com rifas e promoções (pedágio, feijoada e que atraiu quase 800 pessoas) e fez muito mais: montou um grupo forte de voluntários para ajudar a Agapa, e não o Rafael, ou um partido, ou um candidato. “Sozinho não se vai longe”, vaticinou-me. “A força está nessa gente”, completou.

Em outra frente, tentou abrir negociações para a participação parceira da prefeitura com as ações da Agapa. A prefeitura, todavia, continua relutante em ser parceira da Agapa. E para que não restasse a menor dúvida de que está decidido a esclarecer este assunto, orientou à uma Ação Civil. Rafael e a Agapa querem que o município de Gaspar constitua políticas próprias e seja parceiro na castração de animais de ruas, programas de adoções, vacinações e tenha uma política clara de controle de zoonoses. “É uma questão de saúde pública”, observa Rafael. Kleber, e seu entorno, é claro, não gostaram nada de que a Agapa tenha ressurgido das cinzas.

Qual a peculiaridade de Rafael neste e outros casos? É um obstinado, um fuçador, um quebrador de barreiras, um envolvedor de pessoas e um legalista, qualidades que o colocaram fora da equipe de Kleber. Fez do poleiro de empregos da Indefesa Civil algo parecido com uma Defesa Civil, tão necessária à população por simplesmente estar o município estar numa área sujeita às catástrofes naturais. Era preventivo, atuante, presente e estruturou um grupo de voluntários, que com a saída dele da Defesa Civil também minguou.

No curto espaço de tempo em que atuou em Gaspar na Defesa Civil, Rafael conseguiu, via a equipe e a sua insistência na inter-relação com outras secretarias e com órgãos estaduais e federais, trazer recursos nacionais para arrumar à barranca do Rio Itajaí Açú, defronte ao Archer, na Anfilóquio Nunes Pires, a ponte de concreto do Morro da Fumaça no Distrito do Belchior e a construção de mais três casa a desabrigados no Loteamento das Casinhas de Plástico.

Agora, seu foco voluntário é outro: os animais abandonados e doentes. Acorda, Gaspar

Este é o grupo de voluntários foi o que fez a feijoada da Agapa no sábado passado na Santa Clara, um sucesso

Animais de rua e o exemplo torno.

Samae de Gaspar virou um canil que cria problema para si e os vizinhos

Os Correios de Gaspar não estão entregando correspondências no Samae e nas residências que ficam após o prédio com motos – só, eventualmente com carros. Houve queixas dos moradores vizinhos do Samae aos Correios – uma empresa que está com os pés na cova depois de ter sido sucateada pelo governo do PT e cuja tendência é a de ser privatizada. E sabe o que ele respondeu? Que deixou de fazer o serviço naquela região devido à agressividade dos cachorros soltos, mas abrigados na sede do Samae.

O Samae até recebeu um ofício dos Correios de Gaspar cobrando uma solução. O Samae, por sua vez, alegou na resposta de que os cachorros são de rua e que não pode ser responsabilizado pelos ataques dos bichanos. Na foto, pode-se ver que o Samae não só abriga os cachorros na sua sede, como lhes oferece colchão, comida e água. Os cachorros são de fato são de rua e foram criminosamente abandonados por seus donos, mas o Samae, por seus funcionários, os adotou. Então possui, sim, responsabilidade por deixá-los, no mínimo, presos, durante o dia, ou então encontrar uma outra solução.

Primeiro. O Samae de Gaspar tocado pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, cria problema onde eles não existem. Segundo perde o foco para os verdadeiros, que é o de abastecer a cidade, minimamente com água, que falta a todo instante por medidas preventivas, conhecimento e principalmente, de manutenção.

Os cachorros de rua abrigados na sede do Samae e a carta dos Correios pedindo providências

TRAPICHE

Na coluna de segunda-feira lhes informei em “como o governo de Kleber manobra a maioria apertada na Câmara, despreza o Legislativo e teve que correr de votação na Câmara na semana passada” que faltou entendimento, liderança e voto para aprovar o PL 27, que trazia modificações no Código Tributário Municipal. O Executivo, às pressas, retirou-o de pauta para não ser derrotado na matéria e não mais coloca-la em pauta ainda este ano.

Citei a ausência do vereador Francisco Hostins Júnior, MDB, e representante do Sindilojas, em viagem profissional a São Paulo, impediu à maioria dos votos para o governo. Hostins entrou em contato com a coluna e mostrou que houve permanente diálogo sobre a matéria com os representantes dos contabilistas de Gaspar, Mário Celso Demmer, a respeito do assunto.

Ficou acertado entre eles, que a simples retirada do parágrafo terceiro do referido PL já deixaria tecnicamente satisfeitos os contabilistas. Foi isso, que pediu no requerimento oral Roberto Procópio de Souza, PDT. Conclui-se que: faltou combinar com os “russos” e a matéria voltou para o executivo e que deverá reapresenta-la.

Isso mostra que a liderança do governo, feita atualmente por Francisco Solano Anhaia, MDB, no cabo de guerra permanente que faz com a oposição não consegue convencê-la dos acordos obtidos entre as partes. E quando pode, a oposição usa da prerrogativa de obstruir pelo voto.

A conta gotas. Da mesma forma, ontem à noite foi aprovado aa sessão da Câmara a emenda substitutiva número dois do PL 103/2018, bem como o projeto. Ele rolava desde outubro do ano passado, para acrescentar dispositivos no Código Tributário Municipal.

Em resumo: pelo PL fica instituído o Domicílio Tributário Eletrônico Municipal - DTEM, portal que será acessado por intermédio da página do Município de Gaspar na internet. Ou seja, todos os contribuintes gasparenses serão notificados ou intimados por este portal quando o acessarem, ou quando decorridos 20 dias sem acesso com a notificação disponível.

Na justificativa, o Executivo diz que a proposta visa a modernização, desburocratização e facilidade na comunicação entre Município e contribuintes dos tributos municipais, além da economia que será gerada com a implantação desta forma de comunicação. Isso será cada vez mais comum, como as penalizações compulsórias por decurso de prazo.

Como no caso do PL 27/2029, até a elaboração da pauta, que não tinha dado parecer sobre a em emenda do PL 103/2018, era a comissão de Gestão Pública. Tanto um como em outro caso, a revisão é para se adaptar à modernidade digital. Não seria o caso, de revisar integralmente o código à nova realidade e não a conta gotas? Acorda, Gaspar!

Comentários

Herculano
26/06/2019 11:14
JULGAMENTO DE LULA NO STF TURBINA MANIFESTAÇõES PRó-MORO DE DOMINGO

Mobilização, com participação de Vem pra Rua e MBL, também defenderá Previdência e outras pautas

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Joelmir Tavares e Fábio Zanini. Marcados logo após o vazamento das primeiras mensagens do ministro Sergio Moro pelo site The Intercept Brasil, os atos de rua no domingo (30) em defesa do ex-ministro e da Operação Lava Jato ganharam impulso diante da análise do caso do ex-presidente Lula no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira (25).

Para organizadores das manifestações, a proposta do ministro Gilmar Mendes de soltar o petista imediatamente, que acabou derrotada na Segunda Turma da corte, foi mais um indicativo de que o combate à corrupção no país está sob ameaça.

Embora tenha mantido a prisão de Lula nesta terça, o STF voltará a analisar no segundo semestre o questionamento da defesa do ex-presidente ?"que aponta falta de imparcialidade de Moro na Lava Jato.

"Estão querendo matar a gente do coração", diz Adelaide Oliveira, coordenadora nacional do VPR (Vem pra Rua). "O caso do Lula mexe demais com as pessoas, que ficam mais ativas, percebem o que está acontecendo e sentem a necessidade de se manifestar."

Edson Salomão, presidente do Direita SP, também afirma que a sessão no STF terá peso na adesão de manifestantes. "Esse tema esquentou os ânimos, todo mundo ficou em alerta. Acabou agitando o pessoal e mostra que a gente tem de continuar batendo. Não podemos descansar."

Além de Moro e da Lava Jato, outras bandeiras serão agitadas pelas organizações que convocam os atos. Os grupos embutiram motes como a reforma da Previdência e o pacote anticrime na lista de temas a serem defendidos.

Depois do racha nos atos pró-governo de 26 de maio, os movimentos estão alinhados desta vez, embora tenham divergências sobre a prioridade dos temas. Basicamente, o que varia é o espaço que cada um acha que Moro deve ocupar nos discursos e faixas.

Vem pra Rua, MBL (Movimento Brasil Livre) e Nas Ruas ?"que atuaram como indutores das marchas pró-impeachment e têm capacidade de mobilizar gente?" são os principais agitadores agora. Os dois primeiros não participaram do protesto anterior, o que rendeu a eles críticas de parte da direita.

O protagonismo na época acabou ficando com movimentos de rua não tão conhecidos, como Ativistas Independentes, Patriotas Lobos Brasil e Direita SP. Eles estão chamando novamente para as manifestações de domingo, e de novo se vê uma pulverização de pautas.

Embora na última vez o governo tenha sido bem-sucedido na estratégia de dar aos atos o verniz de pró-Previdência, apareceu de tudo um pouco: ataques ao Congresso e ao STF, pressão pela abertura da CPI da Lava Toga, críticas ao centrão e pedidos de intervenção militar foram ouvidos entre os participantes.

O que une todos os movimentos agora é o desagravo a Moro, pressionado desde a divulgação, pelo Intercept, de mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato.

Para os líderes dos grupos, o ex-magistrado continua com a aura de herói ilibada. Eles questionam a forma como o material foi obtido e dizem que nada apagará o trabalho de combate à corrupção feito pela força-tarefa.

O VPR, que não aderiu ao ato em maio porque o considerava uma exaltação a Bolsonaro (e diz não defender políticos, mas apenas projetos), desta vez entrou de cabeça. Até esta terça-feira (25), contabilizava 145 cidades com protestos confirmados e 265 mil pessoas convidadas via redes sociais para as concentrações em todo o Brasil.

O legado de Moro, contudo, é só o terceiro item nos materiais de divulgação do VPR. A sequência nas imagens é "Previdência + anticrime + Lava Jato", acrescida da frase "o Brasil não pode parar".

É uma tentativa, segundo Adelaide, de reduzir o risco de a manifestação se resumir só ao apoio ao ministro. "Estamos com ele, mas nossas outras pautas estão muito claras. É um novo Brasil que a gente está defendendo", afirma.

De acordo com a coordenadora, as reações nas páginas do VPR até agora indicam uma adesão proporcional aos três motes. "Os posts estão tendo engajamentos semelhantes", diz Adelaide, destacando o ineditismo de "uma manifestação propositiva, que não é para derrubar nada, mas para construir algo".

O Nas Ruas, que teve sua principal expoente, Carla Zambelli, eleita deputada federal pelo PSL no ano passado, faz coro com o VPR e anuncia a mobilização, oficialmente, como um ato em defesa da Previdência, do pacote anticrime, da Lava Jato e do ministro Moro (nesta ordem).

Aos poucos, contudo, o discurso está sendo adaptado para incorporar apoio explícito ao presidente. Texto sobre a manifestação publicado nesta terça na página do grupo no Facebook diz: "Você trabalhou, lutou e votou no Bolsonaro para mudarmos o Brasil. Mas, infelizmente não conseguirá fazer todas estas mudanças sozinho. Ele precisa de nossa ajuda. Dia 30 vamos às ruas dar o apoio que ele precisa".

O slogan usado pelo Nas Ruas para espalhar os convites conclama: "Vamos às ruas ou eles vão parar o Brasil".

No caso do MBL, grupo mencionado em diálogo de Moro que veio à tona com reportagem da Folha no domingo (23), a mensagem predominante nas convocações é o suporte ao ex-juiz. Embora seja favorável à reforma previdenciária, o movimento se manteve fiel ao espírito original do protesto e dará ênfase à defesa da Lava Jato.

No trecho publicado, o então magistrado se referiu em 2016 a integrantes do MBL como tontos. No domingo, depois que o conteúdo se tornou conhecido, o movimento divulgou um áudio em que Moro se desculpava: "Se de fato usei o termo, peço escusas, mas saibam que têm todo o meu respeito e sempre terão".

Com o episódio, o MBL atua para demonstrar que seu apoio à Lava Jato permanece inabalável e propagandeia o ato do próximo domingo como uma manifestação unicamente em defesa da operação anticorrupção, sem mencionar outras causas.

"A gente considera que o 'hackeamento', que a gente não sabe de quem partiu, não ocorreu à toa. Existe uma orquestração mais ampla para deslegitimar a operação", diz Renan Santos, um dos fundadores do MBL.

Para ele, mesmo que haja outras bandeiras nas ruas, a dominante será o apoio à Lava Jato e a ex-juiz. "É a questão mais urgente. E é o que mais está preocupando as pessoas. Não queremos a volta da impunidade", afirma o porta-voz.

Experiente em protestos, ele diz que mobilizações costumam funcionar melhor se tiverem menos pautas, mas não enxerga problema na pulverização. "As pessoas são livres. Se o cara quiser ir lá e defender o Bolsonaro, ele pode ir. Mas nós vamos com um foco: Lava Jato."

Aqui e ali, os sinais da multiplicação de temas são visíveis. O movimento Patriotas Lobos Brasil, por exemplo, fez postagem convidando as pessoas a irem às ruas contra os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que "querem destruir o Brasil".

Em um vídeo, Ana Claudia Graf, integrante dos Ativistas Independentes, adicionou outro ingrediente: quer que as ruas sinalizem a Bolsonaro aval às políticas que facilitam o acesso a armas, para que o cidadão possa "ter o direito à legítima defesa".
Herculano
26/06/2019 11:12
O DESIQUILÍBRIO DA BALANÇA DA JUSTIÇA, por Antônio Carlos Mariz de Oliveira, criminalista, para o jornal O Estado de S.Paulo

Quando o juiz é parcial, o processo se torna uma farsa montada para atender à exigência legal

A advocacia está passando por um período marcado pelo desrespeito à profissão, pelo não reconhecimento de sua imprescindibilidade e pela incompreensão do seu papel. Eu diria estar havendo uma preocupante crise de identidade da profissão em face da sociedade e das próprias instituições do Estado.

Os advogados estão sendo vistos, na área penal, como colaboradores do crime, quase cúmplices ou coautores. Quem assim pensa ignora, ou finge ignorar, que nós não defendemos o crime, mas, sim, somos porta-vozes dos direitos e das garantias constitucionais e legais dos acusados.

Zelamos pelo cumprimento dos princípios que, insertos na Constituição federal, emprestam legitimidade à atuação punitiva do Estado e impedem que este venha a cometer excessos que possam atingir a dignidade da pessoa levada a julgamento.

Esses direitos e garantias são por nós defendidos não só em nome dos acusados, mas, sim, de qualquer cidadão. Não se deve esquecer que o crime é um fenômeno social, razão pela qual ninguém em sã consciência poderá afirmar que jamais cometerá um delito ou se verá acusado injustamente de tê-lo praticado. Na verdade, a realidade do sistema penal está repleta de exemplos de inocentes que se sentam nos bancos dos réus. Ou, ainda, há uma infinidade dos que, embora culpados, se tornam alvo de acusações mais graves do que a sua efetiva responsabilidade.

Em quaisquer dessas situações, todos os cidadãos brasileiros - repita-se - poderão ser protagonistas da cena judiciária. Pois bem, nesta hora, precisarão ser defendidos e o serão por nós, advogados, os únicos habilitados a exercer a defesa técnica perante os tribunais. E saibam: sem defesa, não haverá possibilidade da propositura de ação penal nem da instauração válida do respectivo processo. E o advogado formulará a defesa com base nos fatos e no rol daqueles referidos princípios constitucionais, necessários para que seja realizada a justiça no caso concreto. Dentre esses princípios devem ser realçados o da ampla defesa, o do contraditório, o do devido processo legal, o da igualdade de tratamento entre as partes e o da imparcialidade dos juízes.

Saliente-se, ainda, que os advogados são imprescindíveis não só na esfera penal. Quaisquer conflitos de interesses na área cível, envolvendo direito de família, direito de propriedade, societário, tributário e todos os demais ramos do Direito, só podem ser resolvidos pelo Poder Judiciário, que, sendo inerte, é provocado pelo advogado que exerce a capacidade postulatória, com exclusividade, em nome de terceiro. Portanto, ele só é movimentado quando por nós acionado.

Pois bem, essas breves considerações foram feitas em face de recente revelação de manifestações de um juiz e de um procurador sobre suas atividades. O advogado, essencial a todo e qualquer processo, foi absolutamente esquecido, desprezado, como figura menor da relação processual. Até para simular alguma legitimidade, os diálogos ou mensagens poderiam ter mencionado a outra parte ou o seu advogado. Não, nenhuma consideração, nem para criar um simulacro de legalidade a uma chocante situação de ilegalidade.

Lamentavelmente, para alguns membros do Judiciário o advogado atrapalha. Estes juízes nos consideram desnecessários. Apenas nos toleram porque a Constituição exige a nossa presença para a administração da justiça.

No entanto a advocacia está, mesmo, em crise, conhecida e lamentável crise. Saberemos superá-la, como outras já foram superadas, segundo nos mostra a história da profissão. Mais grave, porém, é a crise de legitimidade que atinge o sistema judiciário e o próprio Estado Democrático de Direito, agora posta à luz do dia.

A revelação das mensagens trocadas entre um magistrado e um procurador federal mostra-nos que de uma só penada a Constituição federal foi rasgada e o sistema de proteção dos cidadãos investigados ou processados foi violentado.

Nós, advogados, e as centenas de homens e mulheres que se transformaram em acusados nos últimos anos já intuíamos e fortemente desconfiávamos de que se instalara na Justiça Penal brasileira uma relação promíscua entre alguns magistrados e alguns membros do Ministério Público. Promiscuidade no sentido da mistura, da confusão, da intromissão e da desordem. Infelizmente, passamos a conviver com autoridades que se arvoram em guardiães da sociedade e combatentes messiânicos do crime. Para desempenharem a sua missão, entendem que os fins justificam os meios e se afastam do ordenamento jurídico e da promessa inicial que fizeram de respeito à Constituição e às leis do País.

O exemplo recentemente vindo a público bem ilustra essa situação, que contém aberrante ilegalidade.

Antes de explicar o assombroso atentado às normas e aos princípios penais, presto um esclarecimento. A atividade jurisdicional é exercida por juiz, advogado e membro do Ministério Público. Constituem uma pirâmide, na qual o juiz ocupa o ápice e os outros personagens estão na sua base, rigorosamente no mesmo nível. O juiz deve manter equidistância das partes, bem como tratá-las de forma igualitária. Dessa forma estará mantendo o requisito essencial para o correto desempenho de suas funções: a sua imparcialidade.

Agora esclareço a anomalia acima referida. Quando as normas que regem o relacionamento dos componentes da pirâmide são quebradas, instalam-se a confusão, a intromissão indevida, a desordem, enfim, a promiscuidade que conspurca a imparcialidade do juiz.

Ao aconselhar, sugerir estratégias e medidas a serem adotadas, o magistrado demonstra tendência favorável a uma das partes. Dá sinais de já estar com a sua convicção formada. Em tal hipótese, as provas e os debates processuais serão inúteis. O processo se transforma numa farsa montada para atender às exigências legais, nada mais.
Herculano
26/06/2019 11:08
LOBBIES À SOLTA, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Reforma da Previdência é alvo de pleitos por quem busca regalias

Qual a sua Constituição favorita, leitor? Eu me divido entre a de 1891, a única verdadeiramente laica, e a de 1934. Meu flerte com a Carta varguista, confesso, não tem a mais nobre das motivações. É que ela trazia, entre os direitos e garantias individuais (art. 113), um dispositivo que concedia imunidade tributária para jornalistas.

Sim, é isso mesmo que você leu. O lobby dos jornalistas conseguiu inscrever na Constituição que representantes da classe não precisariam pagar impostos diretos. O mecanismo desaparece na Carta de 1937, mas volta na de 1946. A festa só acabou de verdade em 1964, quando o governo militar fez aprovar uma emenda constitucional que reintroduziu o IR para escribas.

Tudo isso foi para dizer que um bom lobby é essencial para quem pretende andar de carona ("free ride") à custa da sociedade. Categorias poderosas, como os advogados, insuperáveis nessa matéria, conseguem meter na legislação dispositivos que obrigam o cidadão a utilizar seus serviços mesmo que não desejem. Quem acaba pagando o preço são os grupos mais pobres, menos organizados e que não conseguem inspirar compaixão pública.

Faço essas reflexões porque vivemos um momento em que os lobbies estão a toda, tentando cavar uma regaliazinha na reforma da Previdência, que entra em fase final na Câmara. Não digo que todos os pleitos são injustos. Muitos deles parecem razoáveis, se considerarmos as dificuldades enfrentadas por diversos segmentos sociais.

O problema é que não podemos raciocinar aqui pela lógica das partes. Precisamos pensar antes no todo. A reforma da Previdência extrai sua justificativa moral do fato de propor regras universais, que idealmente igualariam todos os cidadãos, do mais humilde celetista ao mais abonado servidor público. Cada diferenciação que os parlamentares introduzirem, mesmo que isoladamente justa, torna a reforma menos defensável.
Herculano
26/06/2019 11:05
TOGA VAI, TOGA VEM, por Carlos Brickmann

Um pedido de habeas corpus que, se aprovado, libertaria Lula, já estava sendo julgado pelos cinco ministros da Segunda Turma do Supremo. Com a votação em 2? - 0 negando o pedido, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo e tudo foi paralisado. Gilmar, depois de cerca de seis meses, devolveu o processo e a continuação do julgamento foi marcada para ontem, terça. Mas, na segunda, Gilmar Mendes, alegando que não havia tempo para estudar o pedido dos advogados do ex-presidente, sugeriu que o julgamento fosse para o segundo semestre. Na terça, levando em conta que, com o julgamento no segundo semestre, Lula ficaria mais tempo preso, o próprio Gilmar sugeriu que ele aguardasse a decisão em liberdade.

Toga vai, toga vem, de repente o tempo se tornou suficiente para estudar os pedidos dos advogados de defesa. E o Supremo passou a discutir dois habeas corpus, não apenas um: no primeiro, a defesa de Lula critica o relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça, ministro Félix Fischer; no segundo, pede a suspeição do então juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça. O advogado Cristiano Zanin disse que, no processo em que Lula foi condenado, "houve manifestas violações aos direitos fundamentais", que levaram "à condenação injusta e ilegal". Frase: "Não daria tempo de revelar todas as violações". Os ministros decidiram não decidir: o julgamento ficou para agosto, depois do recesso judiciário. Com Lula preso.

LEI VEM, LEI VAI

Lula foi condenado em primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro, a 12 anos e um mês de prisão. Um recurso foi rejeitado pelo ministro Félix Fischer, do STJ. Houve recurso e a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação, reduzindo a pena a oito anos e dez meses. No STF, dois ministros dos cinco que integram a Segunda Turma haviam negado o habeas corpus, mas teriam o direito de mudar o voto. Até agosto!

LOS HERMANOS

O respeitado jornalista José Casado conta, em O Globo, como se decidiu doar a Cuba algo como 10% do seu PIB: US$ 4,9 bilhões. Lula reuniu seis ministros em Brasília às vésperas do Carnaval de 2010 e liberou a verba. Por que? Não há qualquer registro a respeito disso. Mas havia, claro, uma empreiteira brasileira interessada em fazer obras no Exterior com dinheiro brasileiro. A fonte de Casado são técnicos do Tribunal de Contas da União que examinaram a papelada do caso, apontado como "decisão de Estado".

LAVA JATO APANHA E CRESCE

O Instituto Paraná Pesquisas, a pedido do site Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), estudou o efeito dos ataques do Intercept à Lava Jato. Primeira conclusão: 87,6% dos cidadãos souberam da troca de mensagens atribuídas a Moro e a procuradores da Operação Lava Jato. Mas, para 56,1% dos entrevistados, isso não coloca em dúvida os resultados da Lava Jato. E 38,1% têm dúvidas sobre a Lava Jato - ou seja, menos que os 44,8% dos votos do PT nas eleições presidenciais. O maior apoio à Lava Jato vem de cidadãos com curso superior completo: 72,2%.

A REFORMA ANDA....

O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, reafirma: a reforma da Previdência deve ser submetida ao plenário na primeira ou segunda semana de julho. E haverá tempo suficiente para que o Senado a aprove e permita que comece a funcionar no início de 2020. Espera-se que, com a reforma, mesmo atenuada, o Tesouro economizará uns R$ 100 bilhões por ano.

...AS ARMAS PARAM

Outra informação de Rodrigo Maia: a Previdência passa, mas as medidas do presidente Bolsonaro que facilitaram a posse e o porte de armas devem ser derrubadas. Só falta o voto da Câmara: o Senado já votou contra. Maia diz que parte das medidas rejeitadas pelo Congresso é inconstitucional, e as que forem constitucionais devem ser reapresentadas como projetos de lei.

A FAVOR, MAS CONTRA

Muitos parlamentares que votaram pela derrubada das medidas que facilitam posse e porte de armas são favoráveis a elas, mas acham que o caminho usado pelo presidente não é o melhor. Querem o envio de projetos que seriam examinados e votados pelo plenário. Ou seja, querem opinar e influir, não votar medidas em bloco, sem poder discuti-las uma a uma.

MENOS TRUCULÊNCIA

Um dirigente de uma estatal foi fotografado em seu carro aos abraços com uma bonita funcionária. Aparentemente, tudo bem: a menos que os informes recebidos por esta coluna estejam errados, ambos são desimpedidos. Estão, porém, a pique de cometer um erro: demitir o funcionário que os fotografou. Está bem, ambos se sentiram espionados, mas demitir alguém por isso é uma daquelas coisas que costumam gerar confusão. E ele, com bons motivos, vem sendo elogiado pelo seu desempenho na direção da empresa.
Herculano
26/06/2019 10:56
NOVO MERCADO DE GÁS PODE MEXER COM SEU BOTIJÃO E SEU CHUVEIRO QUENTE, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

É boa ideia abrir mercado de gás, mas governo faz carnaval antes da hora

Depois de uma década de quase paralisia, o investimento na exploração de petróleo e gás pode ajudar o país a enfim crescer, além de aumentar a receita dos governos. Caso o pré-sal vingue, haverá muito gás para entrar pelos canos.

O gás natural é o combustível fóssil mais limpo. Ainda é um mercado ridiculamente pequeno no Brasil. Pode chegar pelos canos a fogões e chuveiros; alimentar veículos, termelétricas, indústrias. Com boas leis e sorte, pode ser energia barata e um grande negócio, sobre o que o governo tem feito um carnaval antecipado e exagerado.

O assunto está em discussão pelo menos desde 2009. Rolos: 1) Quem pode ser dono dos canos de gás; 2) O que e quanto pode se pedir para deixar passar o gás; 3) Se haverá dinheiro para novos canos necessários.

O governo quer abrir esse negócio, o que chama de "Novo Mercado de Gás", e acaba de criar diretrizes para o setor. Não pode baixar decretos, não quer se enrolar com emenda constitucional a fim de mudar certas regras e não pode atropelar direitos da Petrobras. Quer incentivar mudanças.

A Petrobras era até faz pouco a dona das empresas dos grandes gasodutos. Vendeu boa parte delas, mas ainda tem direitos sobre o uso das grandes "rodovias" de gás, é sócia da maioria das distribuidoras estaduais (que têm as "estradas menores", que chegam até o consumidor final) e fornece o combustível.

Para começar, o plano é que a petroleira abra a sua rodovia, de modo a dar a outros produtores a segurança de que vão ter como escoar seu produto a bom preço e como quiserem. O governo pressiona a Petrobras a vender o resto do que tem no transporte de gás e conta com o Cade para abrir esse mercado, na prática.

Outro problema, o governo quer acabar com o controle de empresas estaduais na distribuição. Estuda dar dinheiro do Fundo Social do Pré-Sal a estados que acabarem com o monopólio, mas não explicou bem o que quer dizer com isso.

Além do interesse dos estados, o caso é enrolado porque a criação de várias empresas de distribuição em tese não faz sentido econômico (tal como no caso de construir várias grandes rodovias para competir pelo pedágio de quem vai de São Paulo ao Rio). Só que não é bem assim.

Em Sergipe, a Celse, empresa privada, está acabando de construir uma enorme termelétrica a gás, projeto de R$ 6 bilhões. Vai fazer seu próprio gasoduto para levar o gás de uma espécie de navio-tanque para a sua usina. A Sergás, companhia estadual de gás, quer cobrar tarifa, porque é dona do pedaço. Deu rolo, disputa legal.

Mesmo governos liberais, como o gaúcho, querem manter o monopólio da administração dos canos em uma empresa distribuidora estadual (mas liberando o direito de passagem, comércio etc.). O Rio está acabando com seu monopólio; as distribuidoras dizem que isso vai acabar na Justiça, bidu.

Outro potencial problema: o gás precisa ser escoado das plataformas de exploração (no mar) e depois transportado pelos grandes gasodutos em terra. Fazer esses canos custa muito caro.

Vai haver interesse do capital privado de expandir os gasodutos? Pode ser que, no curto prazo, o investimento seja tão alto que não dê lucro. Mas, no longo prazo, o retorno para o país pode ser grande (caso em que governos acabam investindo ou subsidiando o investimento, por algum tempo). Há no Congresso projetos que destinam dinheiro do Fundo Social do Pré-Sal para subsidiar o Brasduto ou o Dutogás.
Herculano
26/06/2019 10:53
NA JUSTIÇA, LULA É MAIS IGUAL QUE OS OUTROS RÉUS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Além de incontáveis acusações de corrupção e crimes afins, como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o ex-presidente e presidiário Lula impressiona pela incrível capacidade de "furar a fila" das cortes de Justiça no País. Ele sempre consegue prioridade de julgamento de suas manobras sobre os 2.206 processos de natureza penal que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo.

OS MAIS IGUAIS

O caso Lula ilustra a ironia de George Orwell, no livro Revolução dos Bichos: "Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros."

CHICANA IMPARÁVEL

Até agora, estimam-se cerca de 120 manobras de várias espécies para tentar anular a sentença que condenou Lula por corrupção e lavagem.

FURANDO A FILA

Quando apresenta qualquer recurso, a defesa do petista sempre consegue pautar o julgamento sem demora, em qualquer instância.

ELE É MESMO 'O CARA'

No julgamento desta terça (25), Lula entrou e saiu de pauta em poucas horas e ainda teve ministro manobrando para tentar soltar o presidiário.

AMEAÇA A LÍDER DO GOVERNO INCLUI CABEÇA DE PORCO

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) está sob proteção policial por onde anda, inclusive em outros estados, em razão da sua ligação ao presidente Jair Bolsonaro, como líder do governo no Congresso. Além de mensagens ameaçadoras, enviaram uma cabeça de porco à sua casa, logo após a eleição. A Polícia Civil paulista investiga o caso. Joice não sente medo, mas quer saber quem está por trás da covardia.

FILHOS SOB PROTEÇÃO

Joice morava havia dois meses na casa para onde mandaram a cabeça de porco. Ela mudou de endereço e levou a filha para local seguro.

ELA NÃO DÁ MOLE

"Eu não me apavoro com absolutamente nada", explica a deputada Joice Hasselmann. Mas ela não pretende dar mole para bandido.

TIGRÃO DE INTERNET

Joice agora quer saber se a ameaça é coisa de bandido ou de "tigrão de internet, que dá uma de machão quando está por trás do teclado".

TUDO COMO ANTES

Informado do inalterado aparelhamento petista no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, Bolsonaro passou o rodo, depois até trocou o ministro. Pois tudo continua na mesma.

PROIBIDO FAZER PIADA

Vai suscitar curiosidade a relação do presidente Jair Bolsonaro com o governo argentino, no caso de o esquerdista Alberto Fernandez (com Cristina Kirchner de vice) vencer a briga: ele tem um filho drag-queen.

LULISTAS CONTRA MORO

Dos mais de 2.000 juízes federais associados à Ajufe, trinta são ligados ao PT. São "os juízes de Lula", adeptos do sindicalismo togado que vergonhosamente pediram o afastamento de Sérgio Moro da entidade.

'ELEIÇÃO' Só NO 3º TURNO

O TSE realiza terça (2) audiência pública para a compra de até 180.000 mil novas urnas eletrônicas destinadas à eleição de 2020. Para depois mostrar que eleição válida é só aquela do 3º turno, na Justiça Eleitoral.

VAI CAUSAR

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) será o relator da medida provisória 882/2019, que trata de infraestrutura, PPI etc. Ele preside a Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi).

LUZ PARA ALGUNS

A Câmara dos Deputados já gastou somente este ano R$90,85 milhões em contas de luz. Gastam sem piedade. O consumo cobrado pela estatal CEB inclui o prédio principal e quatro anexos.

CRENÇA NA REFORMA

Enquete do site Diário do Poder indagou a 730 leitores sobre se acreditam na aprovação da reforma da Previdência na Câmara. Foi lavada: 94% acreditam que a PEC será aprovada pelos deputados.

DEPENDE DE ACORDO

O Senado deve começar a votar nesta quarta (26), na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto das "Dez Medidas contra a Corrupção". Se houver acordo, logo em seguida vai para o plenário.

PERGUNTAR NÃO É PERJÚRIO

Ministro manobra para tentar soltar Lula a fim de deixar de ser xingado nas ruas ou para mudar de xingadores?
Herculano
26/06/2019 10:33
LIBRA É OFENSIVA TECNOLóGICA CONTRA BANCO, por Hélio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, para o jornal Folha de S. Paulo.

Próxima geração possivelmente não terá contas em banco como hoje concebemos

Um consórcio sem fins lucrativos baseado na Suíça acaba de anunciar uma iniciativa revolucionária. Administrará a partir de 2020 a libra, a primeira moeda mundial desde o padrão-ouro do século 19.

O consórcio, em crescimento, é hoje formado por 28 empresas, tais como Facebook, Uber, Mercado Pago, Farfetch, eBay e Visa, entre outras, que possuem mais de 2,5 bilhões de usuários no mundo.

Uma transferência de dinheiro se tornará simples e imediata como o envio de uma foto por WhatsApp, inclusive para contraparte sem conta em banco. A libra servirá para compras do dia a dia, bem como para transferência instantânea a qualquer pessoa ou negócio, onde estiver. Sua lógica é a de um "token", similar às pulseiras mágicas da Disney, nas quais se depositam dólares para gastos no parque.

O dinheiro é o que o dinheiro compra. Por essa característica subjetiva, tem se tornado cada vez mais abstrato e virtual com os séculos. Evoluiu de moedas físicas de ouro e prata a papel-moeda lastreado em ouro a papel-moeda "fiat" (emitido pelo governo e sem lastro) a dígitos eletrônicos em um terminal de caixa eletrônico, TEDs e cartões de débito.

Desde os anos 1980, há mais dinheiro eletrônico no mundo do que papel-moeda. O dinheiro por WhatsApp é tão somente um passo adicional nesse lento e gradual aprofundamento da abstração monetária.

A libra é uma stablecoin, moeda digital lastreada em ativos de curto prazo emitidos por governos ou bancos de primeira linha, denominados em dólar, euros ou libras esterlinas. Funciona como um currency board, tal qual o de Hong Kong, e terá estabilidade compatível com as moedas mais fortes.

Ao contrário do que se diz, a libra não terá independência monetária, pois importará passivamente a política monetária dos países cujas moedas compõem seu lastro.

A libra é a primeira grave ofensiva tecnológica contra os bancos tradicionais e os cartões de crédito no Ocidente. Deverá provocar uma dramática redução dos custos de remessas internacionais, que perfazem mais de US$ 600 bilhões por ano, e será um competidor de custo quase zero das TEDs e das maquininhas de pontos de venda. Adicionalmente, viabilizará microtransações e ajudará a promover a inclusão financeira de mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso a bancos.

Até agora, a China lidera em pagamentos eletrônicos na Ásia via WeChat e Alipay e está na batalha pelos desbancarizados em outros continentes. Amazon e Google não devem ficar de fora por muito tempo.

A despeito de o consórcio Libra garantir que haverá uma integração segura com o atual sistema bancário, transparência das transações e respeito às leis e às regras de combate a lavagem de dinheiro, reguladores e alarmistas têm se levantado em protestos, desinformação e até pedidos de suspensão dessa suposta ameaça à "soberania monetária".

É surpreendente que haja tão pouca oposição ao exercício do monopólio estatal sobre nosso dinheiro, apesar dos abusos. A história milenar da moeda estatal é um relato deprimente sobre a diluição do metal, da inflação e do abuso da prerrogativa de gestor exclusivo, em benefício do governo e do banco central.

Sob o dúbio pretexto da imperiosa necessidade do monopólio, inovações importantes têm sido sistematicamente proibidas ou obstaculizadas.

O establishment financeiro-governamental buscará regular a libra por todos os lados. Mas é inevitável uma eventual disrupção dos bancos. A próxima geração possivelmente não terá contas em banco como hoje concebemos e quem sabe usará uma moeda voluntária, sem fronteiras e independente de governos.
Herculano
26/06/2019 10:27
A CULPA É DA IMPRENSA, por Gustavo Nogy, no site Gazeta do Povo, Curitiba PR

Lula é eleito uma vez, duas vezes. Rifa a democracia, loteia o Congresso, vende o Brasil às empreiteiras. A culpa é dele? Não, é da imprensa. Que não denunciou. Que denunciou demais. Que ajudou o governo. Que atrapalhou o governo. O jornalista gringo noticia os hábitos etílicos do então presidente: fora com o jornalista, não com o presidente. Antes um presidente ébrio que um jornalista sóbrio. Em seguida, como um desastrado Geppetto, Lula dá vida a Dilma. Dilma é eleita, reeleita (ê Brasil) e termina o desastre começado pelo criador. A culpa é da imprensa. Aécio Neves perdeu? Perdeu por causa da imprensa. Lula livre, Lula preso? Tudo depende da imprensa, sensacionalista aqui, cúmplice ali.

Aliás, é da imprensa a responsabilidade pela ascensão dos militares, em 64, e também dela é a responsabilidade pela ascensão do comunismo. Na dúvida, na dor de cabeça, na dor de barriga, na dor de burrice, a culpa é da Globo. Ou da Folha. Ou da Veja. Ou, agora, da Gazeta do Povo, que contrata gentinha como eu para escrever e opinar.

O mundo gira, o Brasil gira em falso, Jair Bolsonaro é eleito. Tropeça nas próprias palavras, fala o que não pode, informa o que não sabe, ninguém logra acompanhar os rumos da prosa de seu governo e, por óbvio, elementar, meu caro Watson, a culpa só pode ser da imprensa. Que não entende nada ou quer entender mais do que deve. Ele antecipa demissões, suspende demissões, confirma demissões: culpa de vocês sabem quem.

Jean Wyllys, enquanto faz política online do exílio europeu, cheio daquela consciência moral que só ele acredita ter, acusa a jornalista Miriam Leitão de ser uma das responsáveis pela vitória do Bolsonaro. A culpa é dela, porque não criticou o bastante. Dela e de seus colegas. O eleitor que votou porque quis não teve nada com isso. Quem votou no próprio Jean Wyllys também não teve nada com isso. A culpa é da Globo. Do BBB.

Sérgio Moro, quando juiz, divulga áudios entre Dilma e Lula: a culpa é da imprensa, que gosta de espetáculo. Mais tarde, alguém divulgará animadas conversas entre juiz e promotor, e eles não gostam nadinha. A audiência pede o quê? Pede, manda, exige que deportemos o jornalista que fez isso, porque o erro é só de quem publicou a conversa, não de quem conversou.

E a reforma da Previdência, por que demora tanto para ser aprovada? Demora porque a imprensa atrapalha, ora essa, por que mais seria? A imprensa reverbera as colisões entre Executivo, Legislativo e Judiciário, dá atenção às vaidades de Bolsonaro, Alcolumbre e Maia, questiona a futurologia de Guedes, e isso não pode acontecer numa democracia. Numa democracia, senhoras e senhores, a inocência do povo tem de ser preservada como a pureza da virgem.

O jornalista de carreira, matusalém de redação, ganhando a vida desde que Johannes Gutenberg adaptou a prensa, quando quer criticar os desafetos ideológicos, contra ou a favor do governo, faz o quê? Acusa os desafetos de se submeter à mesma imprensa para a qual, na qual, sempre trabalhou. Ele é o superego num mundo de ids e de egos. Quando a chapa esquenta, fica branca.

Também o criador e propagador de fake news responsabiliza a imprensa pelas fake news criadas e propagadas por ele. A imprensa alternativa culpa a imprensa mainstream. O empresário com jeito de vilão do James Bond pede a demissão da jornalista. O leitor e eleitor pede a cabeça do colunista. O defensor do Lula e o defensor do Bolsonaro, o âncora demitido e o menino recém contratado ?" todos, todos sabem que o único, o maior, o verdadeiro problema do país é a imprensa. Vamos acabar com a imprensa antes que seja tarde, de uma vez por todas.

O resto?

Com o resto está tudo certo.
Herculano
26/06/2019 10:13
O AUTóDROMO DA DECADÊNCIA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Wilson Witzel (Harvard Fake '15) quer um autódromo para o Rio, mas a cidade precisa de outras coisas

Poucas questões refletem a decadência das administrações públicas nacionais como a crueldade embutida no projeto de construção de um autódromo no Rio de Janeiro. A ela associou-se o presidente Jair Bolsonaro. Ganha um fim de semana em Caracas quem for capaz de dizer que o Rio, falido, violento, com escolas e hospitais em pandarecos, precisa disso.

Criou-se até mesmo uma hipotética disputa com São Paulo, como se as corridas de automóveis tivessem grande utilidade. Começando pela história do autódromo de Interlagos, é bom lembrar que o nome da região foi associado a um ambicioso projeto imobiliário dos anos 20 do século passado. O empreendimento ruiu e a conta foi para a Viúva. O que deveria ser um bairro ajardinado virou um autódromo murado. Encravado numa região populosa, ele é um pouco menor que o aterro do Flamengo.

Enquanto o Rio deve a Carlos Lacerda e a Lota de Macedo Soares a transformação de pistas para automóveis numa joia da cidade, São Paulo ganhou uma cicatriz da privataria. A ideia de transformar Interlagos num parque renasce a cada dez anos, mas acaba travada pelos interesse sombrios que se movem em torno da corrida. Se o Grande Prêmio de Fórmula 1 for para o Rio, ou para Pyongyang, a cidade de São Paulo ganhará um jardim público facilmente financiável. São Paulo também não precisa da Fórmula 1. A Parada Gay, a Marcha para Jesus e a Virada Cultural atraem muito mais visitantes, com maior participação popular e valor cultural.

Fica então uma pergunta: o Rio precisa do autódromo? Se precisasse, não teriam demolido o que existiu até 2012. Argumentando-se que voltou a precisar para receber a corrida de automóveis, cria-se um caso clássico de rabo abanando o cachorro.

A cidade teve os jogos da Copa, com a roubalheira da reforma e privatização do Maracanã. Logo depois, veio a fantasia da Olimpíada. A vila dos atletas está encalhada. As arenas e o parque aquático têm menos visitantes e atividades que as ruínas romanas das Termas do imperador Caracala.

O Rio fez sua Olimpíada na Barra da Tijuca e para lá estendeu uma linha de metrô. Quatro anos antes, Londres fizera a sua. Exagerando, as grandes obras dos ingleses foram para as cercanias de um bairro parecido com as terras da Baixada Fluminense (sem tiros) e para lá levou-se o metrô. Criou-se uma nova região, bonita e vibrante. Seu shopping center tem mais movimento que qualquer similar do Rio ou de São Paulo. A Olimpíada de Londres legou progresso, a do Rio sacralizou o atraso. Não é à toa que dois governadores estão na cadeia, onde passou uns dias o presidente do comitê dos Jogos. Já o prefeito maravilha perdeu a eleição do ano passado. Foi derrotado pelo juiz Wilson Witzel (Harvard Fake '15). Afora sair por aí dizendo que quer matar gente, sua ideia mais pomposa veio a ser a da construção do autódromo. Evidentemente, o custo seria coberto pela iniciativa privada. Conta outra.

A ideia de dar pão e circo ao povo foi coisa dos imperadores romanos à época em que a cidade controlava o mundo. Roma teve césares doidos, mas nenhum deles acreditou nisso quando o tesouro não tinha como pagar suas contas.
Herculano
26/06/2019 10:08
É preciso explicar o que está na cara de todos? Acorda, Gaspar!
Roberta
26/06/2019 09:38
A estratégia de atacar vereadores, e parte da imprensa (que não se vende a eles), é sinal da nova orientação de Roberto Pereira para a comunicação de KW.

Uma empresa de estratégia de mídias sociais (vinculado a um assessor de deputado mdbista) já trabalha na prefeitura (mais especificamente no perfil do prefeito). Além de apagar e ocultar todo comentário negativo (é só conferir que agora só ficam os comentários que parabenizam o prefake) nas postagens, o investimento em impulsionamento é pesado.

Nota-se o aumento no número de curtidas devido a esse investimento $$$. E essa mudança não é atoa. Sabendo que não se pode impulsionar publicações em época eleitoral, o mdb do prefeito de fato vai gastar alguns milhares de reais nesse impulsionamento agora para tentar reverter a baixa popularidade de kw até o próximo ano.

Alem do impulsionamento, há por trás da nova estratégia, outro grupo especializado em fakes e contas de ataque (que pertencem a pessoas reais mas que são utilizadas politicamente, fácil encontrar inclusive pessoas de outros municípios parabenizando a melhora na vida da população gasparense sem nunca ter morado aqui).

As mudanças recentes na equipe de comunicação seguem essa linha, focando no ataque à oposição e defesa de kw. Nessa linha, até os secretários foram proibidos de dar entrevista. Notícia positiva somente o prefake está autorizado a falar.

A nova superintendente de comunicação também faz parte dos planos eleitorais (que já está a pleno vapor). Ela é filha de Normelio Weber, proprietário da empresa de pesquisas que presta serviço para o MDB de Gaspar e que já foi preso por envolvimento em desvio no porto de Itajaí quando era secretário daquele município. Amanda é a testa de ferro do pai (por isso atuou em tantas prefeituras sempre pela indicação de seu pai) e veio com a missão de fazer que seus antecessores não fizeram, atender os desejos de Roberto Pereira, que não é conhecido pela ética em suas ações políticas.

O jogo começou para valer e eles sentiram que se a eleição fosse hj, o prefake não se reelegeria . 2020 é agora.

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.