Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Vamos falar sério? Um funcionário público que se cala diante de assédio do chefe estimula o crime de outros e protege o criminoso

18/02/2019

Quem não ouviu falar no tal teste do sofá? Isso não é lenda. É crime. Sórdido. Atenta contra a dignidade. Atinge à liberdade do outro. Subjuga-o. Tortura-o. E não é apenas de um gênero contra o outro, ainda o mais comum. É entre e contra pessoas, um em posição de vantagem e outro em suposta desvantagem. Desumano. Degradante. Simples assim! E atinge todos os setores da sociedade e nas mais imagináveis relações de poder, trabalho, favores e resultados imediatos de todos os tipos. Este mal social, de relacionamento, traços de domínio, status e prisão emocional, e cada vez mais combatido na sociedade ocidental, está nos mais diversos ambientes.

Eles vão desde a atividade religiosa – os escândalos estão aí para desmentir à hipocrisia da pureza que se disfarça no incenso da sacralidade que pervertem os de fé e crença -; a artística onde há uma liberdade presumida para tal; à prostituição que “autoriza” e subjuga perversamente uma suposta invasão íntima; todas as profissões regulares incluindo as ligadas à medicina e muito em voga hoje em dia, bem como a política e poder, para não listar um enorme rol de oportunidades e parar por aqui, onde os donos do poder se acham também os proprietários dos corpos e destinos das pessoas para seus prazeres momentâneos, perigosos jogos de passatempo, ou exibição de “troféus” de suas conquistas por meio da submissão sexual.

Vou generalizar, exatamente devido ao título e à conclusão desse artigo. Nomes? Tenho! Mas, quem deve ser autor da denúncia, asseguro não deva ser eu, mas quem a sofre, percebe e fica estigmatizada emocionalmente e perante os que a cercam, caçoam, duvida ou se apiedam, mas pouco podem fazer para reverter esse quadro de dano. Posso ser, no máximo, o porta-voz do processo instaurado e comentar sobre valores, interferências no ambiente público, bem como os danos às vidas das pessoas.

Ora, se quem sofre a humilhação, o assédio e possui a dor disso e se cala é porque fez uma escolha. Errada, no meu entender. Mas, penso, devo respeitá-la, mesmo no desacordo. E não sou eu quem vai corrigi-la, salvá-la se ele própria não se lança a essa salvação para ela e outros, principalmente. Há tantos caminhos formais, protegidos por leis rigorosas para a denúncia como o Sindicato, ONGs, a Polícia e o Ministério Público antes do caso chegar, ser registrado e debatido aqui neste espaço.

Volto. Por credibilidade, por audiência e até por vingança – o que é deplorável -, chegam-me, várias queixas, denúncias e depoimentos de gente que se diz tocada, cantada, assediada, prometida e chantageada de todas as formas por seus chefes nos ambientes públicos contra gente acuada, assustada, amedrontada e que se diz sem alternativas para reagir aos “invasores” de todos os tipos e argumentos.

O SILÊNCIO DOS INOCENTES?

Os diversos tipos de assédio possuem tipificação, sob vários artigos e leis no ambiente civil, criminal e trabalhista. Dá problema grande, dá exposição, dá cadeia ao autor ou autores como no caso da omissão consentida de seus superiores, até. Entretanto, se é apenas um murmúrio de indefesos, garanto-lhes que tudo ainda será pior. Há clara sinalização de quem deveria conter para proteger o suposto erro. Se for vingança de quem se viu traído, subtraído e contrariado nos jogos de poder, é, na verdade, também conivente, solidário e criminoso. Não há outra interpretação.

O mundo é feito dos destemidos, corajosos, transparentes, medrosos, dissimulados, covardes...

Há relatos de casos em que a negativa do assediado está rendendo demissão, ou pior, a permanente ameaça de demissão, de dilaceração da reputação pública, sob as mais variadas alegações criativas e possíveis, mesmo que o alvo tenha reconhecida capacidade técnica. O assediador, ao contrário, está sendo preservado no ambiente de poder e até, relata-se, promovido, por gente que sabe dos casos e comportamento.

Há notícias de que os assediadores já receberam o perdão adiantado por serem exatamente supostos enviados de Deus. E o assediado, um pecador, por ser apenas, um servo de Deus, uma pessoa bonita, atraente, dinâmica ou ter permitido a intromissão indevida, quando nesta visão messiânica, deveria ter se resguardado.

Como se dão esses casos? Chefes sobre subordinados, os quais foram alçados a cargos comissionados, ou de confiança, ou estão em período probatório quando concursados – ou seja, qualquer incidente é motivo para serem rejeitados e “expulsos” para não serem efetivados, ou gente de empresa terceirizada, e que oferece mão-de-obra genérica. Incrível!

Tudo começa com uma aproximação profissional necessária e termina numa chantagem obrigatória. Uma troca. Que se não atendida, acaba em prejuízo para o mais fraco nessa relação perniciosa.

E qual a alegação para esses casos não irem adiante, não virarem escândalos, não serem esclarecidos, serem provados se punir os envolvidos? Que os assediados perderão suas nomeações, status de confiança, seus empregos terceiros. Há a ameaça para ficarem expostos e marcados para sempre na sociedade, ainda preconceituosa que admite a licença para o “avanço” da abordagem indevida dos poderosos de plantão, dos políticos de todos os matizes e religiosos aos fracos, os mesmos poderosos que encenam a moralidade para os outros, mas que a desprezam para si nos seus atos contra os outros.

CONCLUSÃO

Ora, vamos falar sério? Silêncio, medo, dúvidas, inércia, trocas para se abafar tudo, esquecimento e sofrimento emocional dos supostamente abusados é tudo o que os abusadores precisam para se perpetuarem no crime. É um ciclo vicioso e pernicioso que só beneficia o delinquente, o falso profissional, o chefe infame, o que está perturbado mentalmente, pois no fundo, trata-se exatamente disso quando se lê sobre este assunto nos autos dos processos que se estabelecem na jurisdição e nos relatos psiquiátricos disponíveis no meio acadêmico.

Volto ao título para encerrar este artigo e que espero uma mudança de comportamento dos assediados, ou o definitivo silêncio de quem me procura para se queixar de si e outros por compaixão, interesses e na busca de soluções de um ambiente contaminado: vamos falar sério? Um funcionário público que se cala diante de assédio do chefe, estimula o crime de outros e protege o criminoso.

Está na hora de terminar com essa sordidez e esta estúpida tortura emocional, que trará consequências graves para a vida de muitos. Está na hora dos assediados saírem do armário! Amém, Jesus!


Um caveira pede ajuda ao tenente Douglas para perseguir um voluntário.

Só em Gaspar que a Defesa Civil se divide e involui contra a cidade e o cidadão

Na área de comentários da coluna de sexta-feira, às 7h02min, relatei algo que não pude publicar na coluna impressa, por ela já estar fechada desde quarta-feira a tarde. Assustador ouvir o que ouvi.

Circula, maciçamente por aplicativo de mensagens, em Gaspar e arredores, inclusive nos comandos dos quarteis de Florianópolis, um áudio atribuído ao superintendente da Defesa Civil de Gaspar, sub-tenente da reserva do Bombeiro Militar, Evandro de Mello do Amaral. Nele, Evandro esculacha um voluntário [que não é identificado na gravação, a não ser como garoto, moleque e outros adjetivos, mas que se trata de Allan Thiago Buzzi].

Pelo tom de Evandro na gravação, o voluntário aparenta não estar alinhado com o novo titular da Defesa Civil ou então, possui outras ideias que não são as mesmas do superintendente. E a diferença se torna mais grave quando se vê o uso indevido do ambiente Militar para constranger, humilhar e assediar o voluntário. Insatisfeito com a reprimenda fora de ordem, Evandro ainda sacou Allan do grupo de Voluntários Operacionais de Defesa Civil, sem seguir os protocolos apropriados para esta atitude, na qual possui autoridade e legitimidade para tal.

Impressionante é linguagem usada por Evandro no áudio bem como as ameaças contidas nele. “Vou falar com o Tenente Douglas a seu respeito”, diz ao final da gravação que o leitor e a leitora da coluna pode escutar na íntegra acima. Certamente, essa não é uma postura de um líder, de um egresso da corporação militar, ainda mais diante de voluntários. Deu a uma questão possivelmente disciplinar, um tom pessoal e de revanche, ou espelho de intimidação aos demais. Simples assim!

Com a palavra, o padrinho do moço, o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, secretário da Saúde, de volta à presidência do MDB gasparense, ex-soldado bombeiro militar, bem como o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que já fez coisa semelhante, mas com, ao menos, melhor polidez, mas que quase lhe custou uma Comissão de Investigação na Câmara para apurar suposto assédio moral contra os servidores, quando Kleber os “convocou” para invadir as redes sociais e aplicativos de mensagens para defende-lo nas suas ideias e projetos e ao mesmo tempo, constranger os seus críticos.

Kleber quando viu que a coisa tomava proporções incontornáveis para o desgaste dele, teve abortar uma das suas viagens surpresas a Brasília, e ir lá na Câmara, dizer que errou, que não tinha a intenção de fazer o que fez - mas que deixou clara na gravação -, e prometer que não faria mais o que fez. Foi perdoado. Já Evandro...

Só para lembrar. Evandro está nesta área pela terceira vez em Gaspar e não mora aqui. No tempo do prefeito Adilson Luiz Schmitt, então no MDB, ele foi demitido. Na gestão de Pedro Celso Zuchi, PT, achou desvantajosa a remuneração, pediu para sair e aí foi substituído na coordenação Marinez Testoni Theiss período em que a Defesa Civil foi apenas uma boquinha partidária. Agora, na reserva do Bombeiro Militar, Evandro – que possui conhecimento técnico da área - aceitou o desafio, mas pelo jeito... Ah, antes que mais uma vez me acusem de exagerado, interesseiro ou mentiroso como desculpa para esconder fatos e mazelas, veja abaixo, o Boletim de Ocorrência do Allan. Acorda, Gaspar!

O Cruzeiro do Vale I

Mais uma vez o poder de plantão, tenta ludibriar os fatos. Rotina! Trata os gasparenses como analfabetos, ignorantes, desinformados e anima a sua tropa de puxa-sacos e dependentes.

Na coluna Olhando a Maré, feita especialmente para edição impressa de sexta-feira do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o de maior circulação e credibilidade em Gaspar e Ilhota, e que não está a serviço do poder de plantão, escrevi estas duas notas na seção Trapiche:

“O sub-tenente da reserva do Corpo de Bombeiros Evandro de Mello do Amaral, Superintendente da Defesa Civil de Gaspar, foi a Florianópolis, ‘prestigiar’ a troca de comando da instituição. Foi junto Ana Janaina Medeiros de Souza, assistente social, nomeada em 16 de outubro do ano passado, 12ª colocada no concurso, para a secretaria de Assistência Social.

Ana Janaína ainda está no período probatório e foi deslocada, sem portaria para tal, para a Defesa Civil. O documento (reprodução) que autoriza o veículo levar Evandro a Florianópolis, Ana Janaína não está listada como passageira. O evento terminou pela manhã e o retorno a Gaspar se deu às 16h”.

Uma observação necessária para compreender a cronologia da tentativa de regularizar o que estava irregular e me colocar como mentiroso: a ida de ambos a Florianópolis se deu no dia sete de fevereiro, uma quinta-feira. Guarde esta data. Lá não tinha nenhuma portaria assinada e publicada regularizando a situação da Moça na Defesa Civil.

Volto. Por problemas da minha logística e da imposição industrial do jornal, disponibilizei para edição eletrônica a referida coluna na quarta-feira, dia 13, no final da tarde. Ela circulou com as duas notas acima na madrugada sexta-feira, dia 15 e a partir das 23h do dia 14, já estava disponível no portal Cruzeiro do Vale.

Enquanto isso, correndo atrás do prejuízo, o que a prefeitura fez publicar na mesma sexta-feira, dia 15, no Diário Oficial dos Municípios, aquele que não tem hora para sair, mas se garante por escrito no próprio portal dele, que estará disponível na internet só após as 15 horas de cada dia, para assim atender as emergências diárias dos municípios? O ato que regularizou, finalmente, a disponibilização de Ana Janaina para a Defesa Civil.

O diabo mora nos detalhes. Então vamos a eles: a portaria, 5.777, é de oito de fevereiro – a ida a Florianópolis foi no dia sete. A portaria só foi publicada só no dia 15, sexta-feira e porque cobrei na coluna o mesmo dia 15, mas ela, percebam só, é retroativa ao dia 1ª de fevereiro, duas sextas-feiras antes da publicação oficial. Ai, ai, ai.

E por que essa retroatividade? Coisa de “çabios” da Procuradoria Geral do Município. Foi para dar aparência de regularidade e legitimidade à viagem a Florianópolis relatada na coluna Olhando a Maré, do jornal Cruzeiro do Vale e ao mesmo tempo me levar ao descrédito eu, a coluna e o jornal. Gente sem crédito, até nas manobras toscas que faz. Meu Deus!

Ou seja, entenderam leitores e leitoras a razão pela qual esse pessoal do poder de plantão em Gaspar está com o jornal Cruzeiro do Vale atravessado? Porque a gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB, a eficiente, a que avança, erra sempre, naquilo que é mínimo, nas coisas essenciais, e está sendo corrigida a toda hora por observações daqui. Deviam era agradecer pela assessoria assertiva de sempre e que pode até livrá-los de coisa pior.

VAMOS TER COTAS, FINALMENTE?

A portaria é também para dar regularidade à outra ação feita pelo titular da Defesa Civil, Evandro de Mello do Amaral, na terça-feira dia 12. Ele, com Ana Janaina (foto), esposa do vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, ex-oposição ferrenha e agora um aliado do atual governo, foi à Furb. Lá foi atrás da contratação de serviços especializados para Gaspar e os gasparenses conhecerem, finalmente, as suas cotas de enchentes.

Excelente iniciativa. O aval foi do secretário de Planejamento Territorial, o engenheiro Alexandre Geveard, aquele que tinha dois empregos públicos não permitido pela lei, mas teve o caso grave abafado, que disse que a revisão do Plano Diretor, obrigada por lei, não se faz em Gaspar, exatamente pela falta das tais cotas.

E por que as tais cotas não foram contratadas até hoje? Simples! Para facilitar o fatiamento do Plano Diretor por Projetos de Lei Complementar na Câmara de Vereadores, com audiências marotas, burlando o procedimento que se exige no Estatuto das Cidades e assim atender interesses de políticos e particular de apoiadores partidários do atual governo.

Percebam o atraso de Gaspar? As cotas das enchentes chegarão aqui com pelo menos 20 anos de atraso, três deles, no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Concluindo: um jornal atento e em defesa do dinheiro do povo, faz com que os gestores públicos corram atrás das coisas malconduzidas, mesmo que simples, para corrigi-las e colocá-las minimamente dentro do que se exige a lei. É por essa razão que o governo Kleber reclama desta coluna e do Cruzeiro do Vale. Prefere o errado, os mansos, os amigos provisórios ou de ocasião, os dependentes e os mendigos de sempre do poder. Não bastou o aviso dado nas urnas de outubro do ano passado. Gente teimosa, vai ficar sem votos em outubro do ano que vem Acorda, Gaspar!


O Cruzeiro do Vale II

Sob o título “Olhando a Maré”, estava na coluna “Chumbo”, da edição impressa de sexta-feira do jornal Cruzeiro do Vale, assinada pelo seu editor e proprietário, Gilberto Schmitt, aquele que já viu – e sofreu na pele - vários prefeitos daqui, lançarem línguas de fogo contra o jornal e o portal, porque o jornalismo de ambos não se dobra às fantasias dos poderosos no poder de plantão, seus negócios e seus interesses que unem poucos e passam longe dos interesses coletivos.

“Tem gente por aí que enche a boca para falar que o Herculano Domício, autor da coluna Olhando a Maré, não tem credibilidade. Dizem que ele deveria parar de escrever para o jornal e que só fala mentira. E mais: espalham para os quatro cantos que não acessam a coluna online e que não leem a página dele no jornal. Mas, números e imagens mostram bem o contrário. Os acessos na coluna estão lá em cima. A leitura do impresso está bombando. E na hora de folga (e de trabalho também) muitos servidores da prefeitura ficam ‘olhando a maré...’. A propaganda é a alma do negócio”, conclui Gilberto.

A pequena nota valeu muito mais do que muitos dos meus textões sobre o assunto, partindo de quem partiu. No Paço, teve gente que ficou inconformada. Agradeço à confiança dos leitores e leitoras, bem como o espaço do Gilberto no Cruzeiro do Vale. O Gilberto, o jornal e o portal mudaram desde Francisco Hostins, PDC, Bernardo Leonardo Spengler, MDB, Andreone Cordeiro, PTB, e eu desde Pedro Celso Zuchi, Adilson Luiz Schmitt. Não seríamos diferentes agora. Só os políticos e os poderosos de plantão é que não perceberam que lhes faltam transparência e respeito não com o jornal, o portal, o seu editor ou esta coluna, mas com as evidências.

Hoje, as fontes são múltiplas e de todas as tendências que procuram a redação. Isso é credibilidade e que não nasceu ontem ou agora. Muito do material que recebemos neste mundo de comunicações instantâneas e facilitadas pelos aplicativos de mensagens, o transformamos em pautas ou comentários.

Outra parte substancial, não aproveitamos diante da limitação de espaços, de pessoas para transformá-las em reportagens ou investigações, pois tudo isso tem um custo e não é bancada com dinheiro público como em outros. Ou seja, o poder de plantão ainda conta com a sorte dessas nossas limitações.

Ninguém está contra o poder de plantão ou se possui partidos amigos, mas se é contra o erro, o desperdício, à dúvida, a falta de transparência e o jogo da enrolação com o dinheiro dos pesados de todos. Se a cidade e os cidadãos forem bem, o jornal e o portal também irão, ao mesmo tempo em que se terá pouca oportunidade para apontar erros, errados e se estabelecer na crítica. Acorda, Gaspar!

O prefeito Kleber vai a sua rede social e como repórter – orientado ou por iniciativa própria – mente naquilo que já provou por fotos e vídeos aos gasparenses

O tempo é o senhor da razão. O jornal Cruzeiro do Vale, a coluna e eu estamos mais uma vez de alma lavada. Esses políticos pensam que todos nós, cidadãos, eleitores deles ou não, somos analfabetos, ignorantes, desinformados e seus manipulados.

Vejam esta. Contando, poucos acreditariam que o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, se prestaria a este tipo de papel, ainda mais ele, que se apresenta sob o manto da religiosidade. Não é possível Kleber esteja sendo estimulado a dar tiros no próprio pé e não tenha percebido isso. Meus Deus!

No segundo artigo da coluna feita especialmente para o portal no dia 21 de janeiro, uma segunda-feira como hoje e há quase um mês, fiz este título: “Ministério Público do Trabalho ainda não viu os filmes e fotos do repórter Kleber mostrando as obras públicas que fazem em Gaspar?”

E na sequência, iniciei um texto, amparado por uma foto, retirado de um frame do vídeo do próprio repórter Kleber, uma opção de ilustração. Deveria ter posto o vídeo todo. “Outra foto que fala mais que meus textões contestados por gente cega à realidade e embriagada pelos interesses do novo poder de plantão.

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, virou repórter de si mesmo. Excelente, já registrei. Mas, as suas reportagens são arsenais de problemas. Elas mostram as obras sendo executadas por pessoas sem o uso de Equipamentos de Proteção Individual (IPIs), incluindo em alguns casos, o próprio prefeito que invade à área de trabalho dessas obras para obter o melhor ângulo da propaganda. Elas são consideradas de risco e que por isso, exigem o uso desse tipo de equipamento...”.Vão lá e confiram.

Na coluna seguinte, a do dia 24, quarta-feira, abri com este título “Kleber diz na sua rede social que não tem dúvidas que está no caminho certo”. E na foto, onde mostro Kleber perante trabalhadores terceiros sem EPIs, em condições inseguras de trabalho, coloquei esta legenda legenda: ”O prefeito Kleber, sem Equipamento de Proteção Individual, acompanhando a obra com assessor fotógrafo, fiscalizando trabalhadores de empreiteira contratada e operando sem EPIs”.

Escrito isso, e para não virar mais um textão, o que apareceu no dia 13 de fevereiro, três semanas depois das minhas observações e que renderam um bafafá no Paço, nas empresas prestadoras de serviços e problemas no Ministério do Trabalho? Na rede social do Kleber onde ele é o repórter de si mesmo, mas feita por gente que diz entender apareceu do nada, este texto ao seu vídeo que fez para mostrar as obras emergenciais que estão sendo feitas na Rua Anfilóquiio Nunes Pires:

“No meu mandato, prevenção e segurança são prioridades. No vídeo abaixo, mostro para você como estamos executando a obra de contenção da rua Anfilóquio Nunes Pires.Durante o dia de hoje (13) estaremos reforçando a sinalização do local. A obra é custeada com recurso federal proveniente da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil”.

Kleber tomou tento, mas não completamente. Desta vez ele aparece com um capacete, ao menos. Um avanço. Parabéns. Mas, a filmagem não mostra se está com calçados apropriados para entrar naquela obra. E mesmo assim, é possível ver no vídeo, trabalhadores-operadores sem as exigidas luvas.

Ou seja, desde o início do mandato e até ao menos a segunda-feira dia 21 de janeiro deste ano, a prevenção e a segurança no trabalho, não eram as prioridades do governo, como ele próprio demonstrou nos vídeos que exibiu na sua rede social. Eu apenas reportei e observei o erro contra a integridade física dos trabalhadores terceiros contratados, do qual o prefeito é responsável e os pagadores de pesados impostos serão chamados a contribuir com as penalidades pecuniárias.

Kleber e os seus podem me desmentir, como sempre fazem, mas não podem apagar todas as imagens como querem agora, até porque elas estão espalhadas por toda Gaspar, e alhures, e muitas pessoas a testemunharam. Incrível como se deixam levar pela história do Papai Noel.

E para encerrar. O jornal Cruzeiro do Vale, a coluna e eu estamos contentes que o prefeito, a prefeitura e sua turma mudaram de comportamento em favor dos empregados de baixos salários e mais expostos a acidentes. Não precisamos de uma Brumadinho por aqui, para tomar consciência pelo certo e aquilo que pede a legislação específica.

Ah! A sinalização vertical para o desvio, mencionada pelo prefeito no seu vídeo, só foi melhorada depois das muitas reclamações feitas por muitos que se perderam e avançaram na madrugada até sobre os pastos no caminho alternativo pelo Figueira, Águas Negras e Gaspar Grande. Outro avanço.

Sobre as verbas serem custeadas pela Defesa Civil Nacional, não é totalmente verdadeira. Esta emergência – como já escrevi - não estava nos planos, porque não se fez uma análise de solo. Ela é cara e não se sabe se vai dar conta do recado, ainda mais com a chuvarada deste final de semana. E esta obra emergencial, a princípio, deverá ser bancada com os recursos do Orçamento municipal.

Ou seja, numa pequena intervenção do repórter Kleber para louvar o prefeito Kleber, como se nota, há tantas impropriedades, que custa acreditar que ele não saiba exatamente o que está fazendo, dizendo, se contradizendo e se expondo. Acorda, Gaspar!


A população pediu a pavimentação com o poste no meio da rua?

Até naquilo que avança, Gaspar e o governo de Kleber Edson Wan Dall, avança de forma errada. A tal Gecom, Gestão Compartilhada do MDB e PP, o antigo Orçamento Participativo do PT e hoje tocado pelo Roni Muller, foi ao facebook oficial da prefeitura e fez esta postagem atrasada com este texto e estas duas fotos.

“O antes e depois de hoje era uma reivindicação antiga da comunidade e foi atendida ano passado pelo Programa Gestão Compartilhada a pavimentação da ruas Maria Vieira e Angelina no bairro Santa Terezinha ficou do jeito que a população pediu!”

Como assim ficou do jeito que a população pediu? Com o poste no meio da rua calçada para alguém bater nele com o carro, estragar o poste, o carro e com sorte, não morrer? Nem o óbvio, o simples, barato, seguro, são capazes de fazerem a favor da população. Acorda, Gaspar!


Samae inundade.

A drenagem de Gaspar, feita por quem se diz especialista no assunto: em três fotos

Mais um exemplo de desperdício, e ainda tem gente que está cega ou ainda de ressaca, que nas redes sociais defende essas barbaridades. Por isso, vou renunciar os meus textões onde tento explicar tudo, para as fotos que esclarecem mais aos que possuem boa visão.

A primeira foto mostra como um canal não poderá suportar dois outros de mesmo calibre. Quem fez essa conta. Não precisava ser engenheiro. E se foi, precisa voltar para os bancos do primário para fazer conta de somar.

A segunda foto mostra como a frágil caixa de passagem se desmanchou com a água mais forte. Estava na cara. Quem vistoriou essa obra? Se foi um engenheiro é melhor ele entregar o Crea que possui para assinar as ARTs. Um mestre de obra minimamente experiente faria melhor.

A terceira foto é de uma caixa de passagem e inspeção decente, para suportar a pressão da água. E tem gente na rede social, puxa-saco do poder de plantão, que paga a conta desse desatino, defendendo este tipo de dinheiro pelo ralo e constrangendo quem fiscaliza e denuncia. Coisa de bêbado ou irresponsável. Onde está o Crea nestas horas, até para conferir se o projeto que está sendo executado é o que foi aprovado para o recebimento de recursos? Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Cauã Santana
18/02/2019 13:57
Boa tarde,

Está caixa de inspeção da terceira foto, diga-se de passagem, coisa de gente séria, com certeza não o o governo Kleber, que a construiu. Estou certo Sr. Herculano? Já as outras duas das fotos acima, fica claro que foram confeccionadas no programa "avança Gaspar".
Herculano
18/02/2019 11:56
da série: ainda bem que não escolheram o Avança Brasil, para não plagiar Gaspar, pois o resultado já saberíamos. Há uma esperança.

"NOVA PREVIDÊNCIA: JUSTO PARA TODOS. MELHOR PARA O BRASIL"

Conteúdo de O Antagonista. A campanha publicitária sobre a reforma já tem um lema, segundo a Veja:

"Nova Previdência: Justo para todos. Melhor para o Brasil."
Herculano
18/02/2019 11:28
ÁUDIO BLOQUEADO

Os leitores e leitoras do paço municipal de Gaspar, reclamam, que estão com dificuldades de acessarem o áudio da coluna. Natural. Em determinados ambientes de trabalho, há esse tipo de bloqueio seletivo (para a coluna, o portal ou para determinadas áreas selecionadas da própria prefeitura) ou total, o que é mais raro, hoje em dia.
Herculano
18/02/2019 11:19
UM ESCLARECIMENTO

Da deputada paulista Carla Zambelli, PSL, no twitter:

Você vai assistir ao filme do Marighella?

Não interessa: você pagou pelo ingresso do mesmo jeito.

Em 2013, ainda no governo Dilma, o filme exaltando o assassino foi autorizado a captar R$ 10.285.835,35 de dinheiro que iria para os cofres públicos.
Herculano
18/02/2019 11:16
COMO? UMA NOVA UDN COM CLÃ BOLSONARO À FRENTE EM MEIO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA? QUE SEJA MORO A VIVANDEIRA DA FICHA Nº 1!!!, por Reinaldo Azevedo

Se vocês querem uma medida da sanidade da tropa que chegou ao poder, basta a informação de que o clã Bolsonaro, os nossos Kennedys, está empenhado na criação de um novo partido: a UDN. Aqui e ali, com a boa-vontade dos ignorantes, alguns falam em recriação da União Democrática Nacional, que não deixa de ser o retratado na miséria política e intelectual em curso: aqueles que representariam a nova política no Brasil, o neoconservadorismo, pretendem resgatar a marca da velha direita nativa, que só existiu com a configuração que tinha porque havia um Getúlio Vargas. Em seus 20 anos de história, entre 1945 e 1965, a UDN deixou, com efeito, um grande legado para o Brasil: a crise que resultou no suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e, dez anos depois, no golpe militar.

Quem expressou com mais precisão a metafísica influente na UDN foi o então chefe do Estado Maior do Exército do governo João Goulart, um certo marechal Castelo Branco, primeiro presidente do golpe desfechado em 1964. Referindo-se às lideranças udenistas que iam buscar nos quarteis o que não conseguiam no voto, afirmou: "Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao Poder Militar". Sem o rococó rocambolesco, criticava os vagabundos que iam bater às portas dos quarteis pedindo intervenção militar. Castelo e os outros cederam aos vagabundos. E o resto é história.

Os militares estão de volta à cena política, ainda que a ela tenham retornado por intermédio do voto. Quem liderou a jornada foi um capitão reformado que se tornou deputado e passou quase 30 anos na Câmara apegado a miudezas do corporativismo e a cultivar o saudosismo de uma ditadura que ele próprio não viveu senão perifericamente. Foi um mau militar. Mas se tornou o beneficiário do ódio à política a que nos conduziu a Lava Jato. E chegamos onde chegamos. O velho espírito golpista do udenismo, desta feita, passou a usar a toga de juízes e procuradores. A grande vivandeira destes dias, vamos convir, atende pelo nome de Sérgio Moro, o ministro da Justiça que propôs o AI-5 para "os pobres de tão pretos e os prestos de tão pobres": refiro-me à licença para matar que o doutor quer ver abrigada pelo Código Penal. Setores da própria imprensa antes empenhados na defesa dos direitos fundamentais e dos valores democráticos fazem um silêncio reverente diante do delírio reacionário porque, afinal, ele se fez o paladino de uma luta contra a corrupção que jogou no lixo a própria institucionalidade.

Ah, não! Os militares, se querem saber, não têm nada com o desastre político em curso. Têm-se comportando muito bem. Dada a desordem política a que fomos conduzidos e da qual Bolsonaro se fez beneficiário, devem ser vistos antes como garantia de alguma racionalidade. Se querem saber como poderíamos estar sem eles, olhem para a face civil do governo e para as figuras momescas que falam em seu nome no Congresso. Observem que escrevi um texto que já passam de três mil toques e ainda não toquei na crise que envolve Gustavo Bebianno, aquele que será posto hoje na rua com todas as desonras.

Bolsonaro não vai demiti-lo por causa dos laranjas a que o PSL recorreu na campanha eleitoral. O que move o pai do senador Flávio Bolsonaro ?" o rapaz que gosta de condecorar milicianos - e amigo de Fabrício Queiroz não é um aguçado senso de moralidade. É que um outro filho resolveu botar as garras de fora e expulsar do governo um antigo desafeto. A nação vive hoje embalada por esses altos propósitos. Como o tal PSL não tardará a ser um ajuntamento de folhas corridas sem biografia, então os Bolsonaros, com a reforma da Previdência em curso, decidem se meter na criação de um novo partido cuja maior virtude é ecoar a vocação golpista. Moro, o jurista do excesso escusável contra os pobres de tão pretos e pretos de tão pobres, deveria assinar a ficha nº 1.
Herculano
18/02/2019 10:50
O QUE REALMENTE IMPORTA

Conteúdo de O Antagonista. A Folha de S. Paulo diz que Jair Bolsonaro tenta abafar a crise provocada pela demissão de Gustavo Bebianno apresentando ao Congresso Nacional o pacote anticrime e Sergio Moro e a reforma previdenciária de Paulo Guedes.

Ainda bem.

É o que ele deveria estar fazendo desde o primeiro dia do governo, em vez de se desgastar com as disputas de seus filhos - que não têm a menor importância - por um naco de poder.
Herculano
18/02/2019 10:35
Só EM GASPAR

A advogada Ana Caroline Deschamps foi assessora parlamentar do vereador Francisco Solano Anhaia, MDB. Este final de semana os dois se bicaram. Ana postou um comentário na sua rede social mostrando o quanto o vereador estava sendo falso nas suas postagens: felicitando por algo que foi contra, e que ela testemunhou quando assessora. Anhaia, a bloqueou. Ai, ai, ai
Herculano
18/02/2019 10:18
A TENDÊNCIA AUTODESTRUTIVA DO GOVERNO

Conteúdo de O Antagonista.Fernando Gabeira disse que o governo tem de se libertar de sua tendência autodestrutiva:

"O que me parece fato neste momento é a intensidade emocional deste governo, as rivalidades, as tramas, os ciúmes. A experiência mostra que existe um antídoto para as veleidades pessoais: é a existência de um projeto comum, algo que nos transcenda.

A retirada do Brasil desta crise, as necessárias reformas, tudo isso deveria falar mais alto. Mas não fala. A própria insegurança estrutural pela ausência de uma cultura de precaução só aparece nas primeiras semanas pós-desastre.

Quando este governo se instalou, dispus-me a ficar atento e, se necessário, fazer uma crítica construtiva. Mas esse projeto se esvaziou um pouco. Daí minha apreensão. Será preciso, em primeiro lugar, libertá-lo dessa tendência autodestrutiva."
Herculano
18/02/2019 10:02
da série: um maluco com seus filhos arruaceiros

O PODER POR TRÁS DO TRONO, por Ruy Castro, escritor e biógrafo, no jornal Folha de S. Paulo

Um vereador que pensa que é Richelieu ou Bismarck

Muitos governantes têm à sua sombra um homem frio, discreto e leal que, por sua capacidade de observação e análise, os orienta sobre o que pensar, dizer ou fazer. É o poder por trás do trono. O cardeal Richelieu (1585-1642) foi esse homem para o rei Luís 13 na França do século 17. O chanceler Otto von Bismarck (1815-1898), para o imperador Guilherme 1º na Alemanha do século 19. E o folclórico Rasputin (1869-1916), para o czar Nicolau 2º na Rússia ?"nem sempre o trono se dá bem.

No Brasil, José Bonifácio (1763-1838) foi uma das forças por trás do príncipe d. Pedro no Fico e na Independência. O poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) soprou a Juscelino Kubitschek, entre outras, o "50 anos em 5". Mas ninguém bate o advogado Jorge Serpa (1923-2019): pegava o telefone e falava diretamente com JK, Jango, Tancredo, Collor, Itamar, Sarney e FHC. Era um homem de grande influência. Mas apenas dez amigos o levaram ao túmulo outro dia.

Hoje, no Brasil, temos um candidato a esse posto. É o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), atualmente em seu quinto mandato na Câmara Municipal do Rio ?"cidade que ele abandonou, e logo agora, em que ela passa por uma crise atrás da outra.

Para que serve um vereador? Para legislar, fiscalizar e morder os calcanhares do prefeito ou, ao contrário, lhe fazer festinhas. Não lhe compete tapar buracos, mas pode obrigar o alcaide a tomar providências. Suas ocupações compreendem desde o Orçamento anual até a ocupação irregular das encostas e o esgoto entupido. Sua jurisdição é municipal. Só deveria ir a Brasília a passeio, e olhe lá.

Mas Carlos Bolsonaro, filho do presidente, não sai do Planalto e não larga o pai por um instante. Tuíta desaforos, demite ministros, desmoraliza generais. Deve julgar-se um Richelieu, um Bismarck mirim. Mas, pelo ritmo da tragédia, está fazendo lembrar Brutus, que César via como um filho.
Herculano
18/02/2019 10:01
MORO É POP TAMBÉM EM SEU PRóPRIO MINISTÉRIO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O mais popular ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro venceria fácil qualquer concurso de Mister Simpatia no próprio Ministério da Justiça, que chefia há menos de cinquenta dias. Habituados a ministros que mal os cumprimentava, os servidores agora têm um chefe que não se isola. Ao contrário, circula no prédio, procura visitar cada setor, apresenta-se, ouve e avisa que seu gabinete está aberto a todos.

SEM AFETAÇÃO
Moro convive bem com a popularidade entre os colegas de trabalho. Amável e paciente, sempre topa fazer selfies, dar autógrafos etc.

BANDEJÃO DA HORA
Ele poderia almoçar no gabinete, como os antecessores, mas prefere o bandejão, que assim virou o restaurante mais concorrido da Esplanada.

O SEM-JATINHO
Como só usa voo de carreira, Moro criou um problema: assessores têm larga experiência em requisitar jatinho da FAB e não passagens.

SEM PRIVILÉGIOS
A assessoria tenta uma rotina que permita a Moro embarcar antes ou depois dos demais passageiros, para não os incomodar.

PRESIDENTES EDITAM 4,2 MPS POR MÊS DESDE 2001
Desde que Medidas Provisórias (MP) foram remodeladas e passaram a ter força de lei e aplicação imediata, em 2001, os ex-presidentes Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e o presidente Jair Bolsonaro criaram 872 que, eram (supostamente) relevantes e urgentes o suficiente para serem justificadas. Na prática, é como se todo mês, o presidente da República criasse mais de quatro leis, que vigoram por 120 dias sem necessidade de aprovação do Congresso.

CAMPEÃO
FHC foi quem mais "legislou" a partir do Planalto: 102 MPs, média de 6,8 por mês. Em números absolutos (419 MPs) Lula é o recordista.

MENOS E MAIS
O presidente Michel Temer (MDB) criou 144 medidas provisórias em dois anos e 8 meses. Em média são 4,5 por mês; mais que Lula (4,4).

DISTANTES SEMELHANTES
Entre a posse em 2011 e o impeachment, Dilma editou 204 MPs; cerca de 3,2 por mês. No primeiro mês de governo, Bolsonaro editou três.

NOVA DINÂMICA
Na quinta-feira (14), o PT tentou salvar projeto do governo Lula, datado de 2010, de "cooperação educacional" entre o Brasil e a pequena ilha caribenha de São Cristóvão e Névis. Érika Kokay (PT-DF) fez pedido para retirar da pauta. O requerimento da petista perdeu por 5 a 268.

BOA NOTÍCIA DO MP
Em meio à apreensão após a transferência dos bandidões dos presídios para penitenciárias federais, o Ministério Público paulista tomou a decisão de criar a promotoria de Segurança Pública.

REFORMAR É PRECISO
Estudo CVA Solutions revela que 63% dos brasileiros apoiam a reforma da Previdência. A avaliação, acima dos 54% que consideram o governo bom ou ótimo, mostra que a necessidade da reforma foi compreendida.

335 VOTOS
Para ser aprovada a Proposta de Emenda à Constituição que reforma o a Previdência no Brasil, o governo Bolsonaro precisa de 308 votos dos 513 deputados na Câmara; três quintos. Já se contabiliza 335.

OLHO NELES
Com cheiro de briga por holofotes, comissão da Câmara que investiga a tragédia de Brumadinho ouve nesta terça (19) os representantes do Ministério de Minas e Energia, Tribunal de Contas da União e Ibama.

O QUE É BOM SE COPIA
O decreto de indulto assinado pelo presidente Bolsonaro, de caráter humanitário, beneficiando presos com doenças graves, é bem parecido com a proposta do Conselho Nacional Penitenciário, relatada pelo juiz Márcio Schiefler, ex-braço direito do saudoso ministro Teori Zavascki.

NÃO POUPAR É PREJUÍZO
O Previdenciômetro da Confederação Nacional da Indústria contabiliza mais de R$ 6,7 bilhões que teriam sido poupados se a reforma da previdência houvesse sido aprovada em 2017. São bilhões de prejuízo.

CPI PROVEITOSA
A CPI de Brumadinho, como todas as comissões de inquérito no Congresso, tem os mesmos poderes de investigação de autoridades judiciais. A CPI pode convocar ministros, ouvir suspeitos e testemunhas, e até quebrar o sigilo fiscal e de dados da Vale.

PENSANDO BEM...
...fevereiro já está acabando, mas o Congresso só tem a primeira semana completa de trabalho a partir de hoje.
Herculano
18/02/2019 10:00
da série: um maluco com filhos arruaceiros no governo

FILHO ALUCINADO FORTALECE GENERAIS, MORO E GUEDES, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro não têm nada a oferecer agora à estabilidade do governo

A democracia, descobriram os gregos há 2.500 anos, precisa enfraquecer os laços tribais e familiares para frutificar. Ainda assim, dinastias persistem na política.

O primeiro-ministro galã do Canadá, Justin Trudeau, é filho do ex-premiê Pierre. Logo ao sul, os clãs Kennedy e Bush mostram que não há monopólio partidário na coisa.

Nas nações emergentes, despontam os Nehru-Gandhi, na Índia, e os Park, na Coreia do Sul. No Brasil, o fenômeno parece mais regional, apesar de uma rede de parentescos e casamentos conectar Getúlio Vargas, João Goulart, Tancredo e Aécio Neves.

A eleição para deputado federal do jovem João Campos, em Pernambuco, renovou o impulso de uma oligarquia de 300 anos, que batiza o famoso Souza Leão, bolo típico. Há quem tenha começado mais tarde, como os Calheiros em Alagoas.

Os Bolsonaros destoam desses padrões não apenas pela origem italiana do nome. Plantavam a semente de uma dinastia regional e periférica, excêntrica mesmo no contexto do Rio, quando de repente o patriarca foi alçado ao Planalto.

Os efeitos secundários desse salto quântico, que queimou as etapas usuais do acúmulo de capital político, começam a surgir.

É natural e inevitável que os três filhos do presidente procurem influenciar a tomada de decisões palacianas. Nessa movimentação, chocam-se com outras forças e grupos igualmente bem posicionados, imbuídos do mesmo objetivo.

Mas os filhos, convertidos à paranoia de que uma trama pretoriana ameaça o cargo e a vida de Jair, não carecem apenas de expertise e sangue frio para atuar com eficiência nesse certame. Eles nada têm a oferecer agora à estabilidade da gestão.

Quanto mais os filhos intervierem, mais o governo do pai dependerá dos generais, de Sergio Moro e de Paulo Guedes, nessa ordem. Os meninos alucinados acabam por fortalecer alguns daqueles que têm por adversários.
Herculano
18/02/2019 09:59
da série: o ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, aproveitando que está sem mandato e não pode ser punido por infidelidade, criou um fato político ao sair do PSDB. Essa é a primeira leitura. A segunda, está nos recados que mandou com a sua atitude ao partido incapaz de se depurar, renovar e trocar suas lideranças, que o levaram ao ostracismo na eleição de outubro do ano passado. A terceira é que ele está livre para ser protagonista, num novo ambiente político, talvez com as viúvas que criou com a sua atitude e outras desamparadas por ai. foi assim, que nasceu, por exemplo o PSDB.

CONJECTURAS SOBRE A SAÍDA DE NAPOLEÃO DO PSDB, por Alexandre Gonçalves, no Informe Blumenau

Conversei com Napoleão Bernardes nesta noite de domingo, 17, quando anunciou sua desfiliação no PSDB depois de 21 anos. Ele não falou nada além do que estava na carta que publicou para a militância e para todos.

Portanto, o que escrevo abaixo, é tudo fruto do meu acompanhamento e de conversas com três tucanos.

Entre os muitos políticos que conheci ao longo da minha carreira, Napoleão sempre esteve entre os mais idealistas e fiéis, uma fidelidade que começou quando ele tinha 16 anos e filiou-se ao PSDB por escolha própria, de quem sonhava em transformar o mundo pela política.

Depois de bater na trave duas vezes como vereador, elegeu-se em 2008 e aí começava uma trajetória de vitórias, sempre acompanhada de sonhos de voos mais altos. Virou prefeito de Blumenau e reelegeu-se com ótima votação.

Tornou-se a figura mais reluzente dos tucanos de Santa Catarina e um dos políticos mais promissores do estado.

No começo de 2018, tomou uma decisão arriscada, mas embalada pelos anseios de boa parte das lideranças de Blumenau e do PSDB. Com apenas um ano e quatro meses, deixou a Prefeitura sonhando em ser candidato ao Senado.

Lá pelas tantas, os caciques do PSDB o convenceram a embarcar na candidatura a vice-governador na chapa de Mauro Mariani (MDB), que de favorita, ficou de fora do segundo turno.

Napoleão foi o que mais perdeu entre todos os derrotados em 2018.

Sem mandato, mas ainda com um patrimônio político importante e muita vitalidade, era de esperar que seu partido o colocasse em um lugar de destaque, como a presidência estadual da sigla, cujas eleições ocorrem no começo de maio.

Talvez sonhasse com uma unanimidade interna que não veio. Mesmo com todo o respaldo de boa parte dos filiados, não recebeu o apoio de caciques importantes da sigla para comandar o partido.

O ex-prefeito de Blumenau, apesar da derrota, ainda tem um capital político grande. Ao sair do PSDB, passa a ser uma liderança cobiçada por praticamente todas outros partidos.

Napoleão diz não ter pressa e promete focar nas questões pessoais daqui para frente. Como só pode concorrer em 2022 - a não ser que queira ser candidato a vereador em 2020 -, tem tempo para decidir seu futuro partidário.

E analisar e entender o cenário surgido com a última eleição.

Nesta conjectura despretensiosa, fico pensando o que mais pesou na decisão dele de sair do PSDB.

Uma visão estratégica de futuro? Ou uma mágoa grande?

Confesso que será difícil ver Napoleão em outro partido, mas preciso ir me acostumando.
Herculano
18/02/2019 09:57
da série: um maluco com filhos arruaceiros no governo

SE BOLSONARO DESISTIR DE GUEDES, MORO E DOS GENERAIS, NÃO CHEGA AO CARNAVAL, por Celso Rocha Barros, sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Se o governo começar de fato, o que vai sobrar para eles? Nenhum olavista sabe nada de útil

A briga entre Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno foi uma disputa entre a facção do bolsonarismo que depende do clima de campanha permanente e a facção que quer começar a funcionar como um governo normal, no bom e no mau sentido.

O bolsonarismo das redes, a turma do Olavo, os filhos do Jair dependem desse clima de mobilização constante. Se o governo começar de fato, o que vai sobrar para eles? Nenhum olavista sabe nada de útil, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista político, que ajude alguém a governar.

O olavismo só engana otário, e na turma que Bolsonaro precisa convencer agora - os parlamentares, o mercado?" não tem otário.

Por outro lado, a turma que apoiou Bebianno foi a que defende uma certa institucionalização do bolsonarismo. Estão nesse grupo Rodrigo Maia, recém-eleito presidente da Câmara, o vice-presidente Hamilton Mourão, a deputada Janaina Paschoal e toda a turma que está preocupada com a aprovação da reforma da Previdência.

Os olavistas, ao que parece, venceram a briga. A previsão é que Bebianno será demitido hoje. Perderam Maia, Guedes, Paschoal e Mourão.

O problema é o seguinte: Bebianno estava articulando com o Congresso pelas reformas. O governo já havia desistido sem maiores resistências do discurso "nova política". Muita gente estava de olho na distribuição das direções do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) nos estados. O segundo escalão dos ministérios estava sendo distribuído aos aliados como sempre foi, para que os aliados fizessem o que sempre fizeram.

Se as denúncias contra Bebianno forem referentes a essas negociações, ou se os aliados acharem que toda negociação será exposta pelo Twitter, a articulação política do governo Bolsonaro morre.

É como escrevi aqui depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado: com rede social você derruba o Renan, mas não aprova reforma.

Nesse quadro, como interpretar a decisão de Bolsonaro em favor do filho?

Em primeiro lugar, é possível que Carlos tenha denúncias graves contra Bebianno, graves demais para serem abafadas por muito tempo. Nesse caso, é preciso que o presidente da República as divulgue, mesmo que isso traga mais dificuldades para seu governo.

Em segundo lugar, como notou o jornalista Alon Feuerwerker, não é fácil para um governo se desvencilhar de sua facção mais leal, a que cai se ele cair. Bolsonaro não é indispensável para Guedes, para Moro, para os generais. Mas é indispensável para os doidões do Twitter. Os olavistas teriam o mesmo espaço em qualquer outro governo? Não.

Se for esse o caso, entretanto, Bolsonaro precisa se perguntar se vale a pena estar cercado de gente leal em um governo fraco. Porque se ele desistir de Guedes, Moro e, especialmente, dos generais, não chega o Carnaval.

Restam as ameaças de Bebianno. O quase-ex-ministro vem dando todos os sinais de que cairá atirando. Se suas revelações forem referentes às finanças da chapa Bolsonaro/Mourão, pode ser instaurado um processo de cassação de chapa.

Há, enfim, um cenário de inferno para Bolsonaro em que Carlos derruba a reforma e Bebianno derruba o governo.

É difícil imaginar quatro anos de um governo como o da semana passada. Ou não será como na semana passada, ou não durará quatro anos.

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.