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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Para que serve a imprensa de credibilidade, independente amaldiçoada pelo poder de plantão, que não consegue compra-la com propaganda paga?

10/12/2018

Para defender o cidadão e a sociedade contra a falta de transparência dos gestores públicos no uso dos pesados impostos de todos.

Uma simples frase desta coluna na quinta-feira suspendeu o pregão 149/2018 na sexta em Gaspar

O que publiquei na área de comentários do portal do Cruzeiro do Vale – o mais antigo, atualizado e acessado de Gaspar e Ilhota - de quinta-feira, dia seis de dezembro, às 8.46? Apenas: “AMANHÃ É DIA DA IPM FAZER A FESTA”.

Isso mesmo, sem nada cifrado para usar como provas posteriormente ao feito – e podia fazê-lo para complicar ainda mais quem se acha livre e solto para ir além do óbvio. Tudo com letras maiúsculas, intencionalmente, para todos lerem, refletirem e depois não reclamarem de qualquer trucagem.

E na prefeitura de Gaspar, onde sou líder de leitura, também por motivos óbvios, eles leram. Ainda bem! Uma correria. Telefonemas disparados. Reuniões. Queriam descobrir o que na eu verdade “sabia” dobre o assunto que enrolavam, o que eu não sabia e a quem eu estava servindo, como se este modo de agir de outros, fizesse parte da coluna a não ser aos leitores e leitoras. Aqui, informação e análise, principalmente, não são mercadorias comercializáveis como podem ser em outros lugares. É apenas matéria-prima.

E na prefeitura insistiam: afinal qual era minha intenção (?) com a simples frase. Meu Deus!

Pior: colocaram o velho e manjado método. Queriam saber quem teria sido o X9, o alcagueta da prefeitura e dos esquemas de lá, ao invés de, imediatamente, proceder-se – se fosse o caso -, os desmentidos, os esclarecimentos, os ajustes e principalmente se lançar à necessária transparência sobre o que se procederia na licitação. Ela tinha problemas. Conheciam-na plenamente. Tanto que bem recuaram. Triste tudo isso.

UM PASSO A PASSO DAQUILO QUE ERA PERIGOSO

Vamos por partes e esticar, ou esclarecer, a minha singela frase completa de quinta-feira.

Primeiro: do que se tratava? Do pregão 149/2018, lançado no dia 16 de outubro.

Segundo. Qual o objeto do pregão? Ele era – e penso que é - para a “contratação de empresa especializada para fornecimento de sistema informatizado de gestão, incluindo ainda serviços de instalação, migração de dados, treinamento, implantação, manutenção, garantia de atualização legal, atualização tecnológica e suporte técnico para atender necessidade de Gaspar. Hoje esses serviços são suportados pelos sistemas da Sênior, uma empresa líder no setor e de Blumenau. Antes de prosseguir: não discuto à necessidade de se trocar, modernizar, integrar etc e tal, os tais sistemas. É do jogo jogado, do avanço, dos novos produtos no mercado concorrencial. Contudo, como se faz isso no ambiente da gestão pública, há um rito, um procedimento, um cuidado definido pela lei das licitações públicas...

Terceiro. e o valor envolvido? Até R$904.393,52, pois o pregão era na modalidade do menor preço.

Quarto. e quem é a IPM? Uma empresa especializada em tecnologia, cujo foco é o poder público, tanto que seu nome deriva de Informática Pública Municipal. Ela começou em 1996 em Rio do Sul – onde está hoje parte da sua área de desenvolvimento – mas a sua sede administrativa, agora fica em Florianópolis. Ela trabalha praticamente com prefeituras, Câmaras e autarquias públicas. Ou seja, conhece bem esse ambiente sob todos os ângulos e manhas.

Quinto. E o que levantou as suspeitas de que algo não ia bem? É que os técnicos da IPM estavam há muitas semanas coletando dados e estudando formas de integração dos dados do sistema atual para o sistema deles, como se fosse uma mera substituição e não uma possibilidade, dando como certo de que a “concorrência” seria vencida por eles. Isso transpirava nos ambientes internos da prefeitura de Gaspar. Simples assim!

Sexto. Devido à esta atitude ostensiva, mesmo num ambiente essencialmente técnico e difícil de ser decifrado pela maioria das pessoas, gente na prefeitura acostumada com o assunto ficou apreensiva primeiramente com tal certeza de troca de fornecedor de sistemas; pelos problemas que poderiam advir com qualquer migração sem um amplo tempo de testes.

Sétimo. Em outro ambiente, percorrendo-se o próprio edital, exalava-se cheiro de direcionamento, aproveitando-se exatamente das minucias e tecnicidade que envolvem um assunto tão sensível e pouco afeito às análises do pessoal que lida com licitações.

BINGO. O QUE SE ESCONDIA, UMA FRASE DESNUDOU

Veja o que aconteceu. Na quinta-feira, depois do expediente encerrado na prefeitura de Gaspar, a área de licitações, por não saber exatamente o que eu tinha sobre o assunto, resolveu não correr riscos. Tirou da cartola um parecer técnico do Tribunal de Contas e resolveu suspender “sine-die”, ou seja, sem prazo conhecido, o pregão de sexta-feira passada.

Estão passando um pente fino no negócio para não tornar tudo mais nebuloso e complicado do que já estava. Ainda, bem. Mais uma da coluna. E a oposição – agora providencialmente em minoria, comendo mosca.

Veja o que diz o secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, o que era procurador geral do município, o advogado Felipe Juliano Braz, - o que ficou no lugar do então secretário Carlos Roberto Pereira – que está na Saúde -, também advogado, no ofício 234/2018 DCL, de seis de dezembro e que foi parar no site da área só no dia sete, dia do pregão e pouco antes dele ser aberto:

“o edital foi questionado por parte do Tribunal de Contas e diante de tais questionamentos, serão feitas análises para demonstrar se os questionamentos são relevantes, pertinentes e indispensáveis para o cumprimento do objeto do contrato. Caso houver procedimento após análise dos questionamentos para as descrições questionadas, o edital poderá sofrer alterações com a republicação do Edital, devidamente corrigido, reabrindo-se o prazo incialmente previsto...”

Muito bem.

Primeiro ponto: por que esta precaução, simples, não foi tomada antes de quinta-feira para assim dar legitimidade ao certame e até proteger servidores e os gestores públicos de qualquer embaraço na probidade pública? Precisou-se que alguém – e neste caso, esta coluna - tornasse pública o risco que corria essa licitação para eles próprios?

Segundo ponto: se não houvesse a frase solta da coluna no dia anterior, a prefeitura estava disposta a desafiar às recomendações do Tribunal de Contas?

Terceiro ponto: qual a razão, não se sabendo quem será o vencedor, se deixar uma das supostas concorrentes ter acesso a dados para a migração do sistema, dando assim a ela uma antecipada vantagem técnica indevida?

Quarto ponto: entenderam a razão pela qual o portal e o jornal Cruzeiro do Vale – os mais antigos de Gaspar e Ilhota são os de maior audiência, circulação e principalmente de credibilidade e a razão pela qual não dependem de anúncios do governo para sobreviver ou se humilhar? Foi assim no governo de Bernardo Leonardo Spengler, MDB, de Adilson Luiz Schmitt, MDB, PSB e PPS, de Pedro Celso Zuchi, PT, está sendo assim no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Está calejado e cada vez mais, é referência regional não apenas na independência e audiência, mas, devido a isso, no retorno aos seus anunciantes. Não é um papa verbas oficiais. Acorda, Gaspar!

Kleber faz a primeira grande mudança no sistema viário de Gaspar.

Excelente.

Mas ela ainda ficará comprometida por gargalos físicos e de fiscalização

A primeira grande mudança para os que transitam em Gaspar – os daqui e os de fora – foi implantada neste final de semana e começou a ser testada ontem. Ela engloba desde o trevo da Paroli até Avenida das Comunidades.

Era algo prometido há seis anos pelo ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, e que não teve competência para implantá-la no seu segundo tempo governo. Kleber demorou dois anos para fazê-la depois de anunciar que faria algo parecido no Natal do ano passado.

Esta modificação era essencial, necessária e urgente.

Ao final ela foi desenhada pelo atual secretário de Planejamento Territorial, o engenheiro Alexandre Gevaerd, um especialista neste assunto – responsável por implantações semelhantes e bem-sucedidas nos governos petistas de Blumenau e Brusque. Ele próprio e de forma quase solitária, acompanhou no próprio local modificado, a finalização da sinalização no sábado e domingo. Tecnicamente, dentro das limitações de espaços que há no local afetado pelas mudanças, penso que foi o que de melhor poderia ter sido feito.

Agora é medir o resultado e corrigir detalhes. Feito o registro, quero analisar três outros aspectos que comprometem o resultado esperado.

O primeiro é o da comunicação. Veja o mapa que a prefeitura distribuiu para a imprensa mostrando como ficaria o trânsito na região modificada ou afetada. Alguém entende?

Por que, dias antes, aproveitando o engarrafamento que se formou por conta das obras, com os passantes por lá e cuja maioria usa cotidianamente aquele espaço, a prefeitura não fez e distribuiu um folder com o mapa de circulação e explicando as modificações. Simples. Barato. Matava-se três coelhos com uma só cajadada: antecipava a informação para o povo ir se acostumando; criava expectativas positivas e com isso, diminuía-se à irritação e a incompreensão causada pelas obras. Não se fez esta ação porque é simples, direta e barata? Ai, ai, ai.

O segundo, quem passa por ali e vem de fora – turistas e comerciantes de malhas basicamente e há muitos na nossa região -, usam o GPS e se perdem no novo traçado. E por que? Ninguém na Ditran e no próprio Planejamento se antecipou e remeteu ao Google o novo mapa de circulação para atualizá-lo. Deixa para lá. Quem não consegue fazer funcionar uma agência para um simples, antigo e tosco folder – do tempo de Gutemberg-, não terá como pensar nos aplicativos que nos dirigem nos tempos modernos.

Terceiro: depois de tudo pronto, o prefeito Kleber mais uma vez apareceu lá como um repórter de si próprio para aparecer na sua rede social. E não como autoridade que foi capaz de conduzir um processo de solução a um problema grave e antigo de mobilidade da cidade. Fica exposto e reclama. Quem mesmo cuida da comunicação da prefeitura?

TEMPOS DE ADAPATAÇÃO

Mas, se uma obra bem concebida e bem-feita se estabeleceu, o resultado dela ainda terá que ser avaliado. Ontem mesmo, à tarde de domingo, com a vinda do pessoal do litoral e Brusque, somada aos curiosos locais, houve formação de filas.

E por que? A surpresa do novo traçado. Ele exige atenção e diminuição natural da velocidade pelo local. Então até se acostumar...

Entretanto, a fila antecipou que o problema poderá continuará por outros aspectos: falta de agentes de trânsito para orientar e dar fluidez ao tráfego de Gaspar, bem como os gargalos físicos que continuarão no caminho da boa circulação criada como por exemplo na Rua Duque de Caxias, entre as ruas Doralício Garcia e São Pedro. É preciso eliminar as vagas de estacionamento. E aí, certamente, começará outra briga com os comerciantes locais. É a Gaspar de sempre.

O outro notório e antigo gargalo é nas Linhas Círculo. Não há santo que inspire à Ditran – Diretoria de Trânsito - à uma solução, nem governo que seja capaz de negociar com a empresa uma solução própria ao problema. Por outro lado, ninguém da direção dela parece ter percebido até agora que, em determinados horários, ela causa engarrafamentos e irritação aos gasparenses e passantes da cidade.

UMA GUARDA SEM GUARDAS. SÓ EM GASPAR. NÃO HÁ TRÂNSITO QUE FLUA E SE DISCIPLINE!

Finalmente, o sub-titulo acima é uma frase que resume um problema grave de Gaspar há muito tempo. Ele – como outros - está na cara de todos. Mas, as avestruzes...

Você leitor ou leitora, sabe desde quando não há concurso para agente de trânsito em Gaspar? Desde 2008. Agentes de trânsito multam e isso é um problema para os políticos no poder de plantão. Ainda mais em Gaspar. As histórias são múltiplas e não são de um tempo antigo não. Uma delas, circulou nas redes sociais faz poucos dias.

Gaspar possui mais de 68 mil habitantes e mais 45 mil veículos registrados, além de ser um entroncamento de passagem de veículos de todos os tipos para o Litoral, Brusque, Ilhota e Blumenau.

Você sabe quantas vagas de agentes de trânsito há em Gaspar? Vinte. Por si só seriam insuficiente para as tarefas e responsabilidade da Ditran. Quantos efetivamente, estão no quadro: onze, incluindo o vice-prefeito Luiz Carlos Spengler Filho, o próprio superintendente Luciano Amaro Brandt, além de dois deslocados para “serviços internos”.

Noves fora, a conta final é fácil: então quantos guardas estão disponíveis operacionalmente para cuidar de toda a Gaspar? Sete! Para revezar, folgar, adoecer, tirar férias e até trabalhar. Inacreditável! Essa é a tal eficiência que o atual governo vende na propaganda oficial à população. Um desastre!

Como se vai implantar novidades no trânsito, como se vai dar fluidez, como vai se educar os motoristas e pedestres, como vai se proteger as pessoas nas áreas ou horários de maior risco? Não há trânsito que se ordene, funcione neste quadro ínfimo de agentes e que ainda precisa atender ocorrências, emergências, sinalizar obras e até, bater palmas para os chefes.

Então! Uma parte dos problemas de mobilidade aparentemente pode está resolvida com o trecho que se abriu e esse experimenta desde sábado a partir do trevo de Brusque, Francisco Mastella e Avenida das Comunidades. Faltam, todavia, resolver o gargalo dos que deveriam estar lá orientando e dando fluidez, o gargalo físico da Avenida das Comunidades e da Círculo...

E para encerrar e mostrar o descontrole nesta área tão importante, e sensível duas observações. Tem gente que não trabalha à noite e ganha adicional noturno como registra o portal da transparência; e a tal educação de trânsito nas escolas tão decantada – e acertada – pelo atual superintendente, não se sabe onde foi parar. Ou se sabe: na falta de contingente que estabelece outra prioridade e que vai resultar em mais problemas no futuro. Acorda, Gaspar!


TRAPICHE

Para reflexão. Até quão profundo um homem pode adentrar no deserto? Até o meio dele. A partir de então, estará saindo.

Perguntar não ofende: o que o líder do MDB na Câmara de Gaspar, o ex-petista, Francisco Solano Anhaia, quis dizer na sessão da semana passada? Ele afirmou na discussão para aprovação do novo empréstimo de R$40 milhões, que em Gaspar, ninguém vai permitir o endividamento do município e nem a corrupção de empresas. Ai, ai, ai.

Impagável foi ver e ouvir o vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, até então da ferrenha “responsável” oposição, que pertenceu ao governo do PT, e agora recém-alinhado com o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, defender à aprovação do empréstimo de R$40 milhões e ao mesmo tentando cobrar resultados da gestão de Kleber, que sabe que não estão vindos.

Outra de Procópio incorporado a nova bancada: foi ouvir ele chamar o líder do governo de Kleber, o vereador Francisco Hostins Junior, MDB, de “nosso líder de governo”.

Outra da contradição do próprio Procópio. Acertadamente, ele alertou que Gaspar não precisa apenas de obras, mas precisa cuidar para ampliar os investimentos na área social, educação e saúde, demandas naturais que virão decorrentes do crescimento da cidade como causa da melhoria da infraestrutura e atração de novas empresas e empregos. Ou seja, quantidade é bem diferente de qualidade. Crescimento não é desenvolvimento.

Quem votou contra o empréstimo de R$40 milhões? A vereadora e ex-vice-prefeita Mariluci Deschamps Rosa, PT, e Cícero Giovane Amaro, PSD. O relator da matéria foi Wilson Luiz Lenfers, PSD. Ele pediu a aprovação do Projeto.

Quem arrotou grosso, mas de modo falso, foi o experto e experimentado Ciro André Quintino, MDB, que em tese é da base do governo. “É meu último voto de confiança. Quero ver obras, resultados”.

E porque é falso? Porque o próprio Kleber disse a todos que é o último empréstimo que vai pegar neste governo pedindo penico para a Câmara. Então Ciro, não teria, em tese, como votar em novo projeto de empréstimo. Essa gente...

Outra dessa discussão para a plateia. Sempre defendi aqui nos meus escritos que se os empréstimos estivessem dentro das possibilidades de endividamento do município, que fossem concedidos à aprovação.

E por que? Espera-se que a oposição seja capaz e faça o papel dela, o da fiscalização, seja nos projetos, nas obras e no uso do dinheiro. Se tudo acontecer conforme o combinado e o papel do legislativo, dos cidadãos que também são fiscais, da imprensa livre e do Ministério Público, quem vai ganhar é a sociedade com obras, melhorias e recursos bem aplicados em favor da cidade.

Reclama-se à falta de projetos e de prioridades para os empréstimos cujas autorizações foram pedidas pelo governo à Câmara. Pois é: uma cerimônia escondida, pouco divulgada e com foto do ato que até sumiu da página social do prefeito Kleber, apareceu na semana passada e revelado pela coluna: é o “novo projeto” do Anel de Contorno e que foi requentado pela Iguatemi, pelos módicos R$633.056.85. Isso se não tiver nenhum aditivo.

Espera-se que não se gaste babas de recursos com projetos requentados. Que se gaste o dinheiro de verdade, também na execução. E a execução tem sido um problema que a atual administração não tem sido hábil em solucionar. As queixas da própria base de apoio têm sido frequentes nos bastidores.

Poluição no ar de uma tinturaria no Poço Grande levou um morador de lá à tribuna da Câmara. Não sabe mais a quem apelar. Reclamou que foi ao Ministério Público da Comarca e não conseguiu atenção para o problema da comunidade. Hum!

Invadindo a área do Jerry de Oliveira, colunista especializado em esportes do Cruzeiro, a quem peço desculpas antecipadamente. Mas, a minha versão é outra. Pé frio. Foi assim no Futebol Americano. Foi assim na final da Liga Gasparense. O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi prestigiar à final e torcer para o tradicional União (foto a esquerda), da Márgem Esuerda, com os seus políticos aliados, mas quem se sagrou campeão deste ano, foi Baú Baixo, de Ilhota (a direita) e no campo do União. Kleber ainda queria fazer discurso. O protocolo cortou. o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, recebeu as explicações.

Comentários

Pedro Salvador
10/12/2018 19:42
Hoje foi o primeiro dia útil de operação do Binário da Parolli, o que se observou foi as mesmas ou até um aumento nas filas (pois agora estão em faixa dupla) no caótico trânsito do nosso município.

Claro que nem tudo foi reflexo da alteração do trânsito, pois estamos em período de final de ano e tem-se um incremento no volume de veículos nas ruas, somado a isso tem-se a interdição da Rua do Beco que agrava ainda mais a mobilidade do centro.

Contudo observa-se claramente a política errática da equipe e do Prefeito Kleber ao anunciar essa alteração como se fosse a solução para o trânsito e que tudo fluiria melhor e como num passe de mágica os gargalos naquela região seriam eliminados hoje.

Mais um tiro no pé orquestrado pela própria equipe do governo do Prefeito Kleber que planejou durante praticamente dois anos essa alteração, e a fez quando as ruas do bairro Gasparinho estão interditadas e em época de festas.

Não sou técnico nesta área, porém a fila que se formou na saída do bairro sete de setembro e no centro mostra o "nó" que se deu no trânsito. Espero que estas filas de hoje sejam atípicas e que os R$ 1,5 milhões que serão investidos no Binário da Parolli realmente tragam melhorias no trânsito daquela região.
Herculano
10/12/2018 16:30
BOLSONARO E SUA EQUIPE SE ATRAPALHAM DIANTE DAS PRIMEIRAS SUSPEITAS SOBRE O FUTURO GOVERNO, por Adriana Vasconcelos, em Os Divergentes.

A resistência do presidente eleito Jair Bolsonaro e seu entorno em profissionalizar a comunicação do governo de transição, que hoje inicia uma nova fase com a diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está fazendo que os tropeços iniciais em sua relação com a imprensa se transformem em erros estratégicos. E isso já começou a desgastar essa equipe antes mesmo de sua posse.

Goste-se ou não da imprensa, considere-se ou não ela isenta ou partidária, o fato é que a mídia faz parte de uma democracia e, definitivamente, não largará do pé do novo governo. Se não há como escapar dessa cobertura espontânea do Poder, o caminho mais seguro é tentar usar os holofotes a seu favor ou ao menos dispor de algum anteparo. Mas para isso, é importante deixar a condução dessa relação nas mãos de profissionais.

A turma que está chegando ao Poder - por mais que alguns já estivessem acostumados a lidar com o assédio da imprensa, ainda que em circunstâncias diferentes - só agora está sentindo na pele o peso que cada palavra ou atitude mal interpretada poderá ter sobre o governo como um todo.

Na tentativa de manter o discurso da campanha eleitoral, rigoroso com qualquer tipo desvio de conduta, o presidente e seus principais ministros começaram a se perder e bater cabeça diante das primeiras suspeitas que respingam sobre os integrantes do futuro governo.

Ao tentar explicar os depósitos suspeitos de um ex-motorista de seu filho Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na conta da futura primeira-dama do país, o presidente eleito levou a crise para o seu próprio colo. Resultado da falta de uma estratégia de comunicação para lidar com a primeira crise de imagem do novo governo.

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não conseguiu se sair melhor do que Bolsonaro diante da pressão para que comentasse a movimentação financeira suspeita do ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. Pior, acabou usando o batido discurso do PT para se defender de acusações, ao questionar onde estava Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na época do mensalão e do petróleo. E não conseguiu disfarçar a irritação com a pressão ao abandonar uma entrevista coletiva.

Diante desse quadro, o silêncio foi a opção do futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Mas isso não o livrará de questionamentos futuros sobre o tema, ainda mais se tratando de um ex-magistrado que ganhou notoriedade justamente pelo rigor em seus julgamentos e sua cruzada contra a corrupção.

Restou ao presidente eleito, mais uma vez, tentar matar a bola no peito e voltar a jogar. Sem muitas alternativas, repetiu o próprio filho Flávio Bolsonaro e cobrou explicações públicas do ex-motorista da Alerj, para quem admitiu ter emprestado R$ 40 mil e movimentou mais de R$ 1 milhão.

O presidente eleito deve estar ciente que o assunto está longe de ser esquecido ou resolvido. E ainda deverá dar muita dor de cabeça para o futuro governo. Ainda mais sem uma rede de proteção de uma equipe de comunicação especializada.
Miguel José Teixeira
10/12/2018 13:34
Senhores,

O 4º Poder:

Herculano,

Parabéns por colocares água no chopp da IPMfest!!!

Saúde!

Herculano
10/12/2018 13:25
da série: só deram recado porque sabem que pegaram o jabuti em plena caminhada ao topo da árvore. Políticos sabem como funciona a sacanagem entre eles com o dinheiro de todos. E os bandidos não toleram que alguns se finjam de freiras neste baile de putas.

O RECADO DOS JAGUNÇOS A FLÁVIO BOLSONARO

Conteúdo de o Antagonista. De acordo com o Estadão, aliados de Renan Calheiros mandaram recado a Flávio Bolsonaro: poderão levá-lo ao Conselho de Ética por causa do ex-motorista do filho do presidente eleito.

A jagunçada não perde tempo.
Herculano
10/12/2018 13:22
da série: os bolsonaristas não entenderam que agora eles viraram vidraça e que a sociedade está mais atenta do que esteve com o petismo que enganou e roubou esta mesma sociedade. Os bolsonaristas não possuem a verdade, e nem a prioridade para o auto-perdão ao que disseram que não faziam e iriam corrigir. Quanto mais demora para esclarecer ou assumir a culpa do erro, mas se amplia o desgaste. Esses políticos...

CASO COAF EXIGE REAÇÃO URGENTE DE MORO, por Josias de Souza.

Até onde a vista alcança, não há no episódio sobre a movimentação bancária suspeita do primeiro-filho Eduardo Bolsonaro nenhum bom exemplo. Mas o caso Coaf é um bom aviso. O brasileiro foi avisado do seguinte: enquanto as coisas não estiveram acomodadas em pratos asseados, o compromisso de Jair Bolsonaro de inaugurar uma gestão implacável com os mal feitos vale apenas até certo ponto. O ponto de interrogação.

Prestes a assumir um Ministério da Justiça turbinado, com o premonitório reformo do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que farejou o vaivém "atípico" de R$1,2 milhão, Sérgio Moro está, por assim dizer, obrigado a dizer meia dúzia de palavras sobre o episódio. A presença da futura primeira-dama Michelle Bolsonaro no epicentro da crise indica que o pior excesso que o ex-juiz da Lava Jato pode cometer é o da moderação. Seu silêncio é simplesmente inaceitável.

O próprio Moro fixou as balizas para o comportamento que se espera dele. Fez isso ao declarar coisas assim:"Eu não assumiria um papel de ministro da Justiça com risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico." Ou assim: "Eu defendo que, em caso de corrupção, se analisem as provas e se faça um juízo de consistência, porque também existem acusações infundadas, pessoas têm direito de defesa. Mas é possível analisar desde logo a robustez das provas e emitir um juízo de valor. Não é preciso esperar as cortes de Justiça proferirem o julgamento."

Pois bem. Moro foi guindado à Esplanada graças ao "histórico" de magistrado implacável que ajudou a arrancar do Brasil a logomarca de país da impunidade. Não há como colar nos indícios colecionados pelo Coaf a pecha de "acusações infundadas". E as primeiras manifestações dos Bolsonaro - pai e filho - constitui no início do sacrossanto "direito de defesa". tomados pelas palavras, o senador eleito Flávio Bolsonaro e o futuro presidente Jair Bolsonaro parecem não ter enxergado nada de anormal na atipicidade que transformou a conta ex-motorista Fabrício Queiroz em matéria-prima para o Ministério Público Federal.

O diabo é que, diante das tentativas de explicações e dos dados que se encontram pendurados nas manchetes, nada tornou-se uma palavra que ultrapassa tudo. De modo que Moro haverá de concluir que "que não é preciso esperar as cortes de Justiça proferirem o julgamento" para emitir um primeiro "juízo de valor". O mínimo que o ex-magistrado precisa declarar para não "comprometer a biografia" que construiu, é que há sobre o palco um déficit de transparência.

Em política, todo mal começa com as explicações. O que um político faz para explicar uma má notícia é o que deixou de fazer por convicção ou precaução. Mas há males que vêm para pior. Isso ocorre quando as explicações são insatisfatórias. A encrenca que veio à luz com o relatório tóxico do Coaf, produzido no contexto de uma investigação sobre a corrupção na Assembléia Legislativa do Rio, exige a transparência de um cristal.E o que se tem, por ora, é a transparência de um copo de requeijão.

Ou Moro informa ao país que enxergou o óbvio ou passará a frequentar a cena como uma espécie de sub-general Mourão, pois o vice-presidente eleito Hamilton Mourão já declarou: "O ex-motorista, que conheço como Queiroz, precisa dizer de onde saiu este dinheiro. O Coaf rastreia tudo. Algo tem, aí precisa explicar a transação, tem que dizer." Sobre os R$24 mil que foram parar na conta de Michelle Bolsonaro, Mourão afirmou que o marido-presidente "colocou a justificativa dele. "Ele já disse que foi um empréstimo". O general acrescentou: "O Queiroz precisa explicar agora".

Conforme já foi comentado aqui, a alegação de Jair Bolsonaro de que a cifra repassada à sua mulher é parte do pagamento de empréstimos de R$40 mil que fez ao ex-motorista do filho tem a solidez de um pote de gelatina. Flávio Bolsonaro, por sua vez disse ter ouvido do ex-assessor uma "história bastante plausível" sobre o montante de R$1,2 milhão movimentado atipicamente. Mas perdeu a oportunidade de definir "plausível" no instante em que afirmou: "Eu não posso dar detalhes aqui, porque é o que ele vai falar para o Ministério Público."

Neste domingo, Jair Bolsonaro ecoou o filho. Numa entrevista em que minimizou o fato de pelo menos oito assessores de Flávio terem realizado depósitos na conta de Fabrício Queiroz, o presidente eleito declarou que é o ex-motorista que "tem que explicar" o que parece inexplicável. O problema é que, desde que os dados do Coaf vieram à luz numa notícia do Estadão, já se passaram 120 horas (pode me chamar de cinco dias). E Fabrício personagem que os Bolsonaro chamam de "amigo", ainda não convocou os holofotes para compartilhar com os brasileiros sua "história bastante plausível".

Diante do sumiço do "amigo", a família Bolsonaro, sempre tão loquaz, revela-se intelectualmente lenta no provimento de explicações, moralmente ligeira nas conclusões sobre a normalidade dos indícios e politicamente devagar na avaliação do estrago que o caso produz. Qualquer dessas velocidades é um insulto à inteligência alheia.

A ofensa será maior se Sérgio Moro imaginar que pode assistir a tudo com o distanciamento de um scholar entretido com o paradoxo de um presidente que se enrola antes da posse depois de se eleger enrolado na bandeira da moralidade. A conjuntura exige do ex-juiz da Lava Jato uma reação urgente. Nem que seja uma cara de nojo.
Alguém me disse
10/12/2018 12:33
Esses vereadores de Gaspar são uma piada mesmo, estão aprovando mais de 150 milhões de empréstimo com taxa de aproximadamente 10% ao ano, com carência de dois anos para começar a pagar em 96 meses,quando começar a pagar a dívida vai passar dos 180 milhões, sendo a arrecadação do município previsto pro ano que vem é de 290milhoes bruto, sendo de 7 a 8% destinados a investimentos,cerca de 23 milhões por ano,em 2021 quando o empréstimo for começar a ser pago,o que o município arrecadar para investimento não vai pagar o empréstimo, então digo quem ganhou ganhou,quem não ganhou não ganha mais,pois os dois próximos mandatos estão comprometidos, parabéns vereadores, principalmente ao Wilson Lenfers, a Roberto Procópio dois vendidos,e nunca mais eleitos
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Herculano
10/12/2018 11:36
O DINHEIRO DO EX-ASSESSOR E OS GRITOS DAS TORCIDAS, por Felipe Moura Brasil, da Jovem Pan

Prevalece no debate público brasileiro a preocupação de cada debatedor em ser o maior opositor ou defensor de um político, juiz, grupo ou corrente ideológica, e não a análise dos fatos disponíveis até cada momento e dos limites do que se pode concluir a partir deles, enquanto fatos novos ou ocultos não vêm à tona.

Que a militância dos partidos atue assim, dentro dos limites da lei, é do jogo. Mas a transformação da atividade jornalística e intelectual em megafone de interesses partidários, quando não de ranços e recalques pessoais, resultou nessa 'futebolização' do debate, onde se faz vista grossa para imoralidades ou ilegalidades cometidas por gente do seu "lado", enquanto se acusa gente do outro de barbaridades sem indícios suficientes.

Nunca houve fatos disponíveis que permitissem a conclusão de que Jair Bolsonaro é um nazista (que dirá Hitler, que comandou o extermínio de milhões de judeus), como setores da imprensa e demais militantes pintavam o deputado; nem indícios suficientes para a conclusão de que havia cometido qualquer crime de corrupção, mesmo após toda a devassa feita na vida do líder constante das pesquisas que acabou eleito presidente.

Tampouco faltou, decerto, motivos para notar que Bolsonaro, como escrevi em 9 de agosto, não é a encarnação perfeita do conservadorismo, e que também, como ele próprio havia dito, não é santo.

Para as arquibancadas estremecerem, no entanto, bastou vir à tona um fato oculto e até o momento mal explicado sobre a identificação pelo Coaf de movimentação bancária - não exatamente dinheiro em conta - de 1 milhão e 200 mil reais de um ex-assessor de seu filho Flávio, o PM Fabrício Queiroz, que assinou um cheque de 24 mil reais para a futura primeira-dama Michelle, agora atribuído pelo presidente eleito, sem maiores detalhes, ao pagamento de uma "dívida pessoal" de Queiroz com ele - Bolsonaro -, que contou ainda ter feito o depósito na conta da esposa por "questão de mobilidade", já que tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

De um lado, no debate público, já começou a sessão "eu avisei", na qual todas as análises erradas sobre o resultado da eleição e as rotulações descabidas feitas durante a corrida eleitoral supostamente se justificam a posteriori em razão do fato oculto revelado e ainda não esclarecido que nenhuma delas tinha levado em consideração.

De outro lado, com variações de grau, mas certamente em menor escala que a dos petistas quando alvos de investigação, já se recrimina na internet qualquer jornalista que, sem cravar conclusões antes da hora, divulga e apura as informações relativas ao caso, cobrando explicações de Jair, Michelle e Flávio, de quem, aliás, oito assessores fizeram depósitos na conta de Queiroz.

Neste domingo, Jair Bolsonaro disse que o ex-assessor do filho "tem que explicar" e, referindo-se a qualquer irregularidade, que "pode ser, pode não ser". O presidente eleito ressaltou que as movimentações mais altas aconteceram com a mulher e as duas filhas de Queiroz, e sugeriu que os valores transferidos pelos demais assessores foram baixos:

"Um ao longo de um ano transferiu 800 reais, o outro transferiu 1.500 reais, poxa."

Já Flávio Bolsonaro disse que falou com Queiroz e ouviu uma explicação plausível, mas que o ex-assessor terá de convencer não ele, mas o Ministério Público quando for chamado a depor.

Enquanto Queiroz não traz à tona sua explicação, as especulações sobre o caso obscuro ecoam aos quatro ventos. Na hipótese mais comprometedora para Jair Bolsonaro, ele teria comandado e se beneficiado para despesas pessoais de um esquema ilícito de coleta de taxas dos salários dos empregados em gabinetes de membros da família. As variações dessa hipótese, descendo em escala de comprometimento, seriam Flávio comandar o esquema sem conhecimento do pai, ou Queiroz comandá-lo sem conhecimento de Flávio nem de Jair.

Até o momento, apesar da margem para desconfianças, não é possível cravar qualquer conclusão. A não ser as de sempre: que todo culpado de ilicitude deve ser punido, seja quem for; e que a revelação de fatos ocultos não consagra a histeria, nem redime erros passados.
Herculano
10/12/2018 11:31
da série: e já escrevi sobre isso. Trata-se de uma prática malandra e desonesta dos políticos no proposital empreguismo de sua estrutura pagas com os pesados impostos de todos.Isso é amplamente disseminado e conhecido no meio - Senado, Câmara Federal, Assembleias e Câmara de Vereadores. Mais uma vez, a guilda corporativa tenta se proteger para continuar enganando, roubando...

CUBANOS DE BOLSONARO? APOSTA DE ELEITO E FILHOS É QUE IMPRENSA E OPINIÃO PÚBLICA VÃO ESQUECER CASO DO MOTORISTA DE R$ 1,2 MILHÃO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

A aposta dos Bolsonaros - do pai, Jair, e dos filhos, Flávio em particular -, é que o assunto da movimentação financeira de Fabrício Queiroz, ex-motorista e segurança do senador eleito da família, acabe morrendo, caindo no esquecimento da população e da imprensa. Queiroz movimentou, como se sabe, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 mais de R$ 1,2 milhão. Neste domingo, o presidente eleito voltou a se referir ao assunto e afirmou que é o ex-assessor de seu filho quem tem de das explicações. Indagado se via a coisa toda com naturalidade, afirmou o presidente eleito: "Ele tem que explicar, pode ser, pode não ser". Mas tentou minimizar a coisa, sugerindo tratar-se de pequenos valores transacionados entre pessoas próximas e familiares: "Um ao longo de um ano transferiu 800 reais. O outro transferiu 1.500 reais, poxa."

Bem, as explicações, até agora, são muito fracas, e a família Bolsonaro precisa eliminar a desconfiança de que vigora entre os funcionários da turma uma espécie de regime castrista, à moda médicos cubanos, né? Vale dizer: o salário cheio é um, mas o que vai para o bolso de quem trabalha é muito menos em razão, naquele caso, do confisco aplicado pelo regime comunista, e, neste caso, do eventual confisco aplicado pelo regime bolsonarista - que seria, então, uma espécie de comunismo oligárquico e famiilista. Um cheque de R$ 24 mil foi para a conta de Michelle, mulher do presidente eleito. Ele disse que é pagamento de dívida. Nada declarou em seu Imposto de Renda.

Tanto o presidente eleito, Jair Bolsonaro, como seus filhos estão fazendo um esforço danado para que o imbróglio envolvendo Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio, não se pareça com aquilo que se parece: a suspeita óbvia é a de que Queiroz fosse um arrecadador, para a família Bolsonaro, de salário dos funcionários do agora senador eleito. E, por óbvio, sobra o questionamento se a prática não seria uma constante nos respectivos gabinetes dos quatro políticos: além de Jair e Flávio, também Eduardo e Carlos. Uma coisa e certa: a prática do motorista, amigo pessoal do presidente eleito, pode ser considerada tudo; corriqueira não é. Até porque a família inteira do ex-assessor, mulher e duas filhas, está enredada no caso.

Ora, nada menos de nove assessores de Flávio Bolsonaro depositaram dinheiro na conta de Queiroz, somando, em um ano, R$ 184 mil. Desse total, pouco mais de R$ 84 mil saíram da conta de Nathalia, uma de suas filhas, que estava lotada no gabinete de Flávio e depois foi transferida para o de Jair. No mesmo dia, 12 de junho de 2016, Evelyn, a irmã, foi nomeada. Nos seis dias seguintes, os saques em dinheiro da conta de Queiroz, o pai das duas, chegaram a R$ 58 mil. Além das filhas e da mulher - Márcia Oliveira Aguiar - repassaram dinheiro ao motorista os seguintes funcionários: Agostinho Moraes da Silva, Jorge Luís de Souza, Luiza Souza Paes, Raimunda Veras Magalhães, Wellington Rômulo da Silva e Marcia Cristina Nascimento dos Santos.


No sábado, Jair Bolsonaro tentou ver a coisa toda com naturalidade. Disse:
"Se você pegar teu ciclo de amizade na imprensa, num quartel, num hospital, é normal entre aqueles funcionários um ajudar o outro, é normal acontecer isso daí. E não foi diferente na Câmara, na Assembleia Legislativa. A gente se socorre de gente que está ao lado e não de terceiros. Natural".

Bem, não sei como é num quartel ou num hospital. Na imprensa, não é comum acontecer, não. Até porque, né?, se jornalista pretende ser bem-sucedido tomando empréstimo de amigo, o negócio é pescar em águas de outra categoria: a chance de pedir a um colega ainda mais duro do que ele próprio é razoável. Não! Bolsonaro fale, então, pelo quartel... Na imprensa, não é assim, não. E, quero crer, motoristas não atuam como bancos informais em nenhuma categoria.

O tom dos Bolsonaros em relação ao assunto, no entanto, está muito menos estridente e mais cuidadoso do que o empregado na sexta por Onyx Lorenzoni, que resolveu ter um chilique quando indagado a respeito, misturando, note-se, a investigação prévia de que ele próprio é alvo - acusado por delatores da JBS de recebimento de dinheiro por meio de caixa dois - com as suspeitas que recaem sobre a família do presidente eleito. Como havia sido ameaçado por Bolsonaro com a BIC da demissão, parece que Onyx lembrou ao chefe que todos, agora, estão no mesmo barco.

A questão, por enquanto, é mais política do que jurídica ou policial. Não é proibido transferir dinheiro para a conta de terceiros, não importa se a pessoa é motorista, presidente, assessor parlamentar ou camelô das insatisfações alheias. Só que esses recursos não podem ser oriundos de atividades ilícitas ou obtidos de forma fraudulenta. A eventual transferência de uma parcela do salário de funcionários de um deputado federal, estadual ou vereador para o titular do mandato constitui crime. Por enquanto, está caracterizado o que pode ser chamado de "acontecimento estranho", acompanhado de "notáveis coincidências". O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não acusa ninguém de nada porque não é a sua função. A bola, agora, estará com o Ministério Público Federal.

Caso o órgão determine a abertura de um inquérito policial, certamente aqueles nove funcionários, incluindo os três membros da família de Fabrício Queiroz, serão chamados a prestar depoimento.

Uma nota: em processo de 2008, Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro, o acusou de ocultação de patrimônio em sua declaração oficial de 2006, quando foi candidato a deputado federal (e venceu). À Justiça Eleitoral, declarou bens no valor de R$ 433.943, mas Ana anexou uma relação de bens e de imposto de renda que somava um patrimônio real de R$ 4 milhões em valores da época. Ana também alegou no processo que a renda do deputado superava, então, os R$ 100 mil mensais, apesar de a soma de suas rendas conhecidas como deputado e militar da reserva ser de R$ 35.300.

Não ficou clara a origem do resto do dinheiro. Ela acusou ainda o ex-marido - os dois fizeram as pazes depois - de ter furtado US$ 30 mil e mais R$ 800 mil (R$ 600 mil em joias e R$ 200 mil em dinheiro vivo) de um cofre em uma agência do Banco do Brasil, caso registrado em boletim de ocorrência no mesmo dia do furto (26 de outubro de 2007). Alberto Carraz, gerente do BB e amigo de Bolsonaro até hoje, confirma apenas que o conteúdo sumiu. Levantamento feito pela Folha no ano passado evidencia que os bens que estão em nome de Bolsonaro e de seus filhos chegam, em valores de mercado, a R$ 13 milhões.
Herculano
10/12/2018 11:15
30 ANOS À LUZ DO SOL, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

É profundo o contraste entre o Brasil do AI-5, decretado há 50 anos, e o de hoje, em que as liberdades são plenas e a força se submete ao direito

Nesta semana completam-se 50 anos da decretação do quinto ato institucional da ditadura militar brasileira, que inaugurou a fase mais violenta do regime. Relembrar aquele mergulho repressivo revela um quadro de profundo contraste com a situação atual.

Há três décadas os brasileiros são regidos por uma Constituição democrática. As liberdades são plenas, partidos se alternam no poder, a força se submete ao direito, as chagas da ignorância, da pobreza e da desigualdade são combatidas, embora com resultados ainda insatisfatórios.

Ninguém desafia abertamente a ordem constitucional. Ideias tresloucadas de constituintes exclusivas, de intimidação do Judiciário e de cerceamento da imprensa não prosperam. Não há alternativa de fato à democracia, como houve de 1946 a 1964 no Brasil. Na Venezuela, na Turquia e na Hungria, o caminho alternativo nunca foi fechado. Aqui foi.

Populistas de esquerda e de direita eleitos têm de governar conforme as regras. Devem satisfação a diversas instâncias autônomas e respeito às decisões dos outros Poderes. Quem caminha pelas margens flerta com a ingovernabilidade, a impopularidade e a cadeia.

Pela primeira vez um adepto declarado do regime de 1964, propagandista de torturador, vence a eleição presidencial. Não se ocupa com fechar o Congresso, calar a imprensa ou ameaçar juízes. Encara aos tropeços a dura tarefa de formar governo numa democracia multipartidária e a embaraçosa necessidade de explicar movimentações financeiras atípicas de sua mulher.

O juiz da Lava Jato, agora ministro, experimenta as intempéries da política. Solidariza-se com um colega cuja situação penal está longe de tranquila. Prepara um programa de vigilância de ministros e autoridades que, levado à frente, tem tudo para produzir colisões e testar a sua propalada retidão de princípios.
A vida era bem mais fácil para os governantes e bem mais difícil para a sociedade em 1968.
Herculano
10/12/2018 11:08
GENERAIS LIBERAIS? por Bolivar Lamounier, sociólogo, na revista Isto É.

Entre as diversas imagens do Brasil cultivadas pelos intelectuais - quero dizer, ensaístas, sociólogos, historiadores e escritores em geral -, uma sempre se destacou por larga margem. O termo-chave que a designava era "patrimonialismo", consagrada pelo mestre Raymundo Faoro. Outros conceitos foram criados, mas o essencial não diversificava muito. O que se queria dizer é que uma pequena elite controlava a máquina do Estado e tudo o que ela representa em termos de poder e mantinha incólume a pirâmide distribuindo parte do butim aos "amigos do rei".

O "patronato político" (outro termo de Raymundo Faoro) descrito no parágrafo anterior pode ser designado como o ápice da pirâmide, ou como o primeiro círculo concêntrico na estrutura do poder. Abaixo dele, ou como um segundo círculo, vicejava uma camada relativamente ampla que se autodenomina (va) "classe política". A maioria dela era um bando de farsantes, que nada representavam senão a si mesmos e carecia totalmente de ideias ou objetivos sobre o país, mas havia uma parcela minoritária que acreditava piamente na possibilidade de ascender ao primeiro círculo, especialmente se a democracia não atrapalhasse e que, em lá chegando, reformaria radicalmente a sociedade, modernizando-a, tornando-a menos iníqua.

Longe de mim afirmar que a ascensão do "bolsonarismo" significa ipso facto uma virada antidemocrática, o que seria no mínimo uma leviandade, uma vez que ele nem tomou posse. Afirmo, porém, que a disputa eleitoral de outubro foi muito parecida com a imagem há décadas cultivada pelo segundo círculo. Não há dúvida de que ele assumiu ares de modernizador em contraposição à política "tradicional". E, de fato, as elites políticas derrotadas, à direita e à esquerda, não parecem conscientes de que uma mudança estrutural importante esteja batendo às portas. As novas lideranças não enunciaram propósitos ditatoriais, mas recorreram a quadros militares numa extensão talvez nunca vista sob constituições democráticas em nosso País. Não ostentam o nacionalismo nem o intervencionismo ingênuo dos anos cinquenta, mas seria um patente exagero afirmar que tenham assumido uma postura liberal realista e convincente. Fiquemos, pois, por enquanto, com a convicção de que Deus às vezes escreve certo através de aparências tortas.
Herculano
10/12/2018 11:02
da série: há sérias e fundadas dúvidas. A atriz está interpretando mais um papel?

O DESABAFO DE FERNANDA MONTENEGRO

Conteúdo de O Antagonista. Ontem, durante a entrega dos prêmios Domingão - Os Melhores do Ano, Fernanda Montenegro desabafou:

"Não é possível fazerem de nós, gente de palco, atores de TV e cinema, responsáveis pela derrocada econômica do Brasil. Estende-se, de uma forma ultrajante, uma visão negativa, torpe e agressiva em cima de nós. Não somos responsáveis pela corrupção deste país através da Lei Rouanet."

Para evitar esse problema, é mesmo melhor acabar com a Lei Rouanet.
Herculano
10/12/2018 10:58
SEMPRE NOS MAIS FRACOS E NOS TRABALHADORES DE VERDADE, QUE GERAM E PAGAM IMPOSTOS PARA SUSTENTAR O SERVIÇO PÚBLICO

Na semana passada, o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, PSL, disse de forma clara que é preciso escolher em ter direitos demais e empregos de menos, ou ter direitos de menos e possivelmente mais empregos. E botou na espinha dos empresários, investidores e empreendedores como se estivesse fazendo isso em nome deles

Falso. A prioridade não é essa. Estão lançando uma cortina de fumaça para manter os privilégios de castas.

Escrevi na conta da coluna no twitter.

"O 1° passo ñ é cortar os direitos dos trabalhadores privados q são demissiveis a qualquer momento.Eles deram a Vitória esmagadora a vcs Bolsonaros.E sim tirar os privilégios das castas estaveis d servidores,todos bem pagos pelos nossos altos impostos eq vcs deputad tanto defendem"

Você leitor e leitora que não é servidor público, estável, com aposentadoria integral milionária garantida, acha que os trabalhadores comuns têm que pagar mais uma vez a conta dos privilegiados pendurados em tetas e empregos públicos onde são efetivamente necessários e produtivos?

Esta ideia é dos Bolsonaros, da direita xucra ou dos petistas, socialistas e da esquerda do atraso que acha que o estado faz crescer dinheiro para sustentar todas as mamatas dos que estão empregados nele? Não foi isso que se combateu na campanha? Wake up, Brazil!
Herculano
10/12/2018 10:46
ONYX CONDUZIU DEPOIMENTO DO COAF EM CPI SOBRE MENSALÃO, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Futuro ministro questionou papel do órgão no esquema investigado no governo Lula

"A pergunta é: onde é que estava o Coaf no mensalão?", questionou Onyx Lorenzoni antes de abandonar entrevista na sexta (7) ao se irritar com a insistência dos repórteres para que comentasse as suspeitas sobre a movimentação financeira do motorista de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Falta memória ao futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. As notas taquigráficas do Congresso podem ajudá-lo a recuperá-la. Às 10h21 do dia 10 de janeiro de 2006, uma terça-feira, foi aberta uma sessão da CPI dos Correios para ouvir o então presidente do Coaf, Antônio Gustavo Rodrigues.
Criada no ano anterior, a comissão parlamentar investigou o esquema do mensalão do governo Lula.

O deputado Onyx era o sub-relator de Normas de Combate à Corrupção e conduziu o depoimento do presidente do Coaf naquele dia, na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado. Foi o primeiro a indagá-lo sobre a atuação do órgão de controle financeiro do governo federal.

Onyx, aliás, agradeceu Rodrigues, em nome da CPI, pela presença. Depois de uma longa fala, o deputado perguntou sobre normas do Banco Central, eventuais falhas de fiscalização financeira e o alcance do Coaf.

?Rodrigues detalhou o modelo de trabalho do órgão e seus limites de ação, sobretudo em relação a investigações em torno de uma transação considerada atípica. "Se você não tem outros elementos que circunstanciem aquela movimentação, diria que é praticamente impossível você chegar a identificar tudo", disse.

No depoimento de quase seis horas, ele contou aos parlamentares que desde 2003 o Coaf recebia informações de volume grande de saques em espécie por parte da SMPB, empresa de Marcos Valério, o operador que abasteceu o mensalão pago a políticos da base do governo petista.

Ofícios do Coaf entregues à CPI mencionam essas e outras retiradas. Foram informações essenciais para a investigação. Onyx pode ler mais sobre elas na página 764 do volume 2 do relatório final da comissão.
Herculano
10/12/2018 10:40
da série: quando a gente pensa que já viu tudo de aberrações e privilégios no serviço público custeado com os nossos pesados impostos e nada fora da lei...

VENDA DE FÉRIAS NO JUDICIÁRIO CUSTA R$2 BILHõES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiros.

Somente em despesas com a venda de férias de servidores do Poder Judiciário, o Brasil gasta mais de R$2 bilhões por ano, segundo revelou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que chegou a esse valor fazendo estudos para produzir o seu substitutivo, como relator da comissão especial sobre regulamentação do teto salarial. Bueno defende a moralização das benesses autoconcedidas por várias categorias.

ABSURDO DOBRADO
O custo da venda de férias, sobretudo a magistrados, corresponde ao dobro das despesas com "auxílio-residência", prestes a ser suspenso.

ENCALACROU
O projeto de Bueno está pronto desde julho, mas Benito Gama (PTB-BA), presidente da comissão, tem adiado a votação.

ARSENAL DE TRUQUES
Para Bueno, no serviço público são inúmeros os truques que permitem ganhar um dinheiro extra, para além de penduricalhos nos salários.

VOTAÇÃO URGENTE
O deputado-relator lembra que o projeto moralizando o teto salarial no serviço público precisa ser votado logo. Ou tudo começará do zero.

APEX AFASTA AUDITOR APURAVA CONTAS DO MARKETING
O chefe de auditoria interna da Apex Brasil foi afastado após dar início a investigação na área de marketing. Fábio Valgas, servidor da Controladoria-Geral da União e ex-chefe das controladorias do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas, teve de suspender seu trabalho após começar a devassa nas prestações de contas de eventos e contratos de promoção de exportações da Apex, conhecido reduto petista. A agência ignorou os nossos pedidos de esclarecimentos.

REGISTROS SECRETOS?
Servidores denunciam que o auditor Fábio Valgas foi afastado após "mexer nos registros" da gerência de marketing.

ESTRANHA AUTONOMIA
A gerência de marketing é poderosa, decide tudo sobre patrocínios. A diretoria só é consultada sobre gastos acima de R$5 milhões. Humm...

VESPEIRO
A área de marketing da Apex Brasil, essa caixa preta, tem sido criticada por controvertidos patrocínios ligados a seu ex-presidente Davi Barioni.

IMPEACHMENT EM MARCHA
O jurista Modesto Carvalhosa, que lidera o pedido de impeachment do ministro Ricardo Lewandowski, não espera muito do Senado atual. "Esperamos que venha a ser eleito um presidente decente, no Senado, que respeite o regimento interno e submeta requerimento ao plenário".

FOGUEIRA DAS VAIDADES
Figuras experientes em transição estão impressionadas com a guerra de vaidades entre os do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Em nada lembram a figura do presidente eleito, que cultua a simplicidade.

LOBBY DO ATRASO
Lobistas de empresas de telefonia estão indóceis, tentando "reunião urgente" para tentar demover o governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), de dotar Brasília de internet livre e gratuita.

ELE DE NOVO
Secretário de Mobilidade do DF, Fábio Damasceno assume a mesma pasta na gestão de Renato Casagrande (PSB-ES), em 2019. Ele foi condenado pelo Tribunal de Contas quando ocupou esse cargo no passado: ressarciu R$ 220 mil ao erário, e pagou multa de R$ 10 mil.


Musa do impeachment de Dilma e deputada de 2 milhões de votos, Janaina Paschoal (PSL-SP) aderiu à campanha #RenanNão, contra o retorno de Renan Calheiros (MDB-AL) à presidência do Senado.

VOZES DAS CATACUMBAS
É da Força Sindical, do deputado Paulinho da Força (SD-SP), o protesto de centrais em São Paulo, nesta terça (11), contra a extinção do anacrônico Ministério do Trabalho.

TCU É DE PERNAMBUCO, VISSE?
Esta terça é dia de festa pernambucana no Tribunal de Contas da União (TCU), com a posso do ministro José Múcio em sua presidência e a ministra Ana Arraes na vice. O presidente Michel Temer deve ir.

23 MILHõES NAS REDES
Somando as principais redes sociais, o presidente eleito Jair Bolsonaro tem mais de 23 milhões de seguidores; 10 milhões no Facebook, 8 milhões no Instagram; 2,7 milhões no Twitter, 2,3 milhões no YouTube.

PENSANDO BEM...
...o presidente Bolsonaro precisar se acautelar para que não falte tinta à sua caneta Bic.
Herculano
10/12/2018 10:30
NEM O SATANÁS ESTÁ A SALVO, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Eva era uma gostosa, pois, fosse ela feia, Adão teria dado ouvidos a Deus, certo?

Nem o Satanás está a salvo. Coitado. Entidade espiritual que carregava uma certa dignidade e consistência ao longo dos séculos de existência, ele orbitava ao redor do que, grosso modo, se chamava de mal. Sei que já o mal não existe e que essa diferença entre bem e mal não passa de uma invenção do cristianismo, do patriarcalismo e uma imposição dessa sociedade que nos quer apartados dos nossos desejos.

Mas qual era essa dignidade que o coitado do Satanás perdeu e do que nem mesmo o pobre coitado está a salvo? E quem é esse Demônio suave que surge em comunidades satanistas agora?

Antes de tudo, vamos esclarecer que estamos diante de um personagem. Assim creio. Construído ao longo da história ocidental a partir de restos daqui e dali, o Satanás acabou por se constituir na figura que povoa a imaginação de muitos, chegando mesmo a quase merecer um Oscar. E se essa construção nos remete às mentalidades que a construíram, esse novo Satanás, que percebe-se brotar no discurso do satanismo light que encanta adolescentes hoje em dia, também ilumina quais seriam alguns dos traços dessa mentalidade que cultua um Demônio suave.

Claro que não vou perder tempo e espaço aqui fazendo diferenças sutis e obsessivas entre Satanás, Demônio e Diabo. Trato os termos aqui como sinônimos.

Vamos à primeira questão acima citada. Sua dignidade consistia em seu gozo em nos torturar. Essa tortura era, basicamente, excitar nossos desejos levando-nos a transgredir a norma divina. Já no relato do Gênesis, o personagem aparece tentando Eva, provavelmente, uma gostosa (única hipótese possível sobre Eva, pois, fosse ela feia, Adão teria dado ouvidos a Deus). A partir daí, ele enlouquece homens e mulheres, os deixando furiosos em busca da realização de seus desejos mais obscuros e violentos. Nosso personagem era conhecido por nos visitar nos sonhos, fazendo sexo conosco ou nos afogando em projetos de poder, vaidade e violência.

Sua crueldade era tal que sua representação era quase sempre a de um deformado, deformando corpos e almas para a eternidade, sendo o inferno seu lar. O medo do inferno formou inúmeras grandes almas ao longo da história. Alguns de nós chega mesmo a acreditar que talvez Deus não exista, mas o Satanás sim, devido à simetria moral entre o dito personagem e o estado do mundo em que vivemos.

No cinema, então, nosso personagem fez história. Da adolescente Linda Blair do "Exorcista" até inúmeros filmes mais ou menos bons (passando pelo grandioso "A Bruxa"), o cinema deve uma parte de sua bilheteria milionária ao fiel Satanás. Às vezes belo e irresistível, no corpo de um homem ou de uma mulher, às vezes monstruoso e asqueroso, o fiel Satanás fez a noite de muita gente ter mais ação e imaginação do que os personagens mais bonzinhos do cinema.

Portanto, sua dignidade e consistência eram sua capacidade de nos colocar além dos limites morais, processo esse delicioso em si mesmo. Ninguém jamais temeria o senhor do pecado, não fosse o pecado, em grande parte, uma delícia.

Vamos à segunda questão. Do que nem mesmo o pobre Satanás está a salvo? Resposta direta: da banalidade do narcisismo de bolso que alimenta nossa revolução moral moderna, conhecida como egoísmo libertário.

O pobre do Satanás virou a justificativa banal para você ser você mesmo. Alguém conhece ideia mais descabida do que precisar da autorização de uma entidade, outrora responsável pelos maiores terrores da alma e pela destruição do paraíso divino, para você viver suas pequenas taras que cabem no Instagram? O pobre do Diabo virou uma espécie de coach de bolso para você justificar seu mau-caratismo e falta de educação.

Portanto, nem o Satanás está a salvo da infantilização geral do mundo. E aqui chegamos à nossa terceira questão. O Demônio suave dos satanistas do bem que povoam as redes é um demônio que não dá medo a ninguém, pelo menos a ninguém que já viu um adolescente revoltado em seu quarto seguro. Pensar em você mesmo, antes de qualquer outra pessoa, sem culpa, é ser o que qualquer demonólogo decente sabe ser a versão mais infantil do Satanás. Eis a suavidade satânica da era em que vivemos.

O Satanás real, aquele que valia a pena respeitar, era o ser que estabelecia o dilaceramento moral essencial da vida ética. Mesmo acreditando nas virtudes, você não resistia aos vícios. E não à figurinha teenager que confunde o Demônio com uma tattoo supercool.

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