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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

23/08/2017

 

COM QUEM O PP DE GASPAR VAI ESTAR EM 2018?


O deputado Federal Esperidião Amim Helou Filho, é o “novo” presidente do PP catarinense, até Silvio Dreveck deixar a presidência da Assembleia, em fevereiro do ano que vem. Um ajeitamento entre comadres em busca de espaços. Tudo para ganhar as manchetes. O PP ( e outros) vai precisar muito disso, um partido que já foi representativo em Santa Catarina, mas que não se renovou. Ele envelheceu aqui com o populismo decadente da família Amim (Ângela), bem como naquilo que próprio PP definhava nacionalmente com o fisiologismo desenfreado. O PP, na verdade, quis o papel para si secundário diante do mais estruturado, esperto e poderoso PMDB, PSDB e por último PT. No período petista, esteve fortemente envolvido no mensalão e lava jato.

Amim não queria assumir o papel galho para as macaquices do PSD, com o já vestido de candidato a governador, Gelson Merísio, deputado ex-presidente da Assembleia. Do outro lado, Silvio assim queria, por afinidades e compromissos parlamentares. Ficou no meio termo: o PP está, a princípio, apoiando o PSD. Jogo. Antes acompanhado do que só. Aliás todos temem a solidão neste jogo da vida política nacional.

Sozinho e com um governo medíocre de Raimundo Colombo, as chances do PSD, sabe o partido, são nulas. Tanto são, que Merísio é capaz de piruetas para analfabetos, ignorantes e desinformados, como a de prometer acabar com o cabideiro de empregos para políticos desocupados e ralo dos pesados impostos dos catarinenses, as Agências Regionais de Desenvolvimento. Colombo também prometeu o mesmo antes de ser candidato até encontrar o apoio de Luiz Henrique da Silveira, PMDB. Ao contrário. Com Colombo, esta excrecência administrativa pública só piorou. Os números são claros quanto a isto.

O PP catarinense que já teve como presidente o deputado João Alberto Pizzolatti Júnior, o réu, o mais envolvido de todos os catarinenses na Lava Jato. Então, Amim já se subordinou – não às falcatruas, é claro -, mas um comando duvidoso, pois sem o conheceu bem. Tanto que, um dia negou a secretaria da Fazenda ao deputado. Nas tifas e grotões ainda há gente antiga e fie ao PP; no serviço público, igualmente. Todavia, muita coisa mudou do tempo em que o hoje PP era o partido dos Amim, e não, uma legenda estruturada. Amim como Silvio ainda representam o velho, inclusive no jogo.

Para encurtar a conversa. Tudo isso é ensaio. Os políticos sabem que estão com a corda no pescoço diante das evidências, da mídia social que retirou a exclusividade da imprensa formal, onde manipulavam. Tanto que inventam de tudo para ficarem não só bem na foto, mas principalmente nas tetas e seus privilégios perpétuos. O debate no Congresso do modelo das eleições do ano que vem mostra bem isso. O distritão para garantir a reeleição e nada mudar, além de meter a mão no bolso dos nossos pesados impostos, os quais faltam para a saúde, segurança, educação, obras...

O PSD em Santa Catarina tem o que se preocupar, o PP também. Se errarem no jogo, podem ficar isolados e perderem a pouca massa que lhes resta. Nem deles, é o noivo desejado, mas podem ajudar.

Há uma tendência de não haver uma disputa de verdade em Santa Catarina, muito menos renovação de nomes, como por exemplo, o empresário e prefeito de Joinville Udo Döhler, para governador pelo PMDB. A tendência é de se criar um chapão, onde as grandes correntes vão lotear o que já está ocupado por elas próprias no Senado, no governo do Estado, na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Tanto que esta teoria da salvação completa estava na convenção do PP, uma segunda-feira à tarde, em Florianópolis. Estavam lá os dirigentes do PSD, PT, PSB, PRB, PR e PSDB.

Mas, supondo que o que se escreve e se diz na imprensa, plantado pelos próprios políticos para jogar e experimentar no público e nos bastidores, for verdadeiro, como ficará o jogo em Gaspar? O PP e o PMDB sempre foram muitos distantes (e continuam), mas 2004 se uniram porque não davam mais conta do recado separados depois de envelhecerem e errarem tanto. Agora, estão errando juntos, outra vez. O PP de José Hilário Melatto e do vice Luiz Carlos Spengler Filho vai apoiar o chapão que o PMDB arma e pretende encabeçar? Vai remar contra? Vai ficar quieto? Vai trair no escurinho como sempre fez? Muitas colunas ainda vão rolar. Acorda, Gaspar!

 

JORNALISMO MANCO DA RBS

A reportagem da nova NSC (sucessora da RBS SC), na edição de ontem do Jornal do Almoço (e no NSC Notícias, à noite), sobre a grave crise na segurança pública catarinense (mas há outros setores no mesmo desastre), mostrou o que sempre escrevi, e que sempre se torceu o nariz: o jornalismo de negócio empreendido pela RBS SC (TV, jornais, portal e até rádios). Ela distanciou a sociedade barriga-verde dos seus problemas. A RBS SC fechou as portas da realidade aos catarinenses. Monopolizou. Comercialmene, sugou o que pode e foi embora. Descaracterizou até cultura (essencialmente construída da diversificação regional), quis impor uma alienígena; deixou marcas danosas que levarão tempo para serem esquecidas.

O que a NSC faz, é apenas ratificar o que sempre escrevi sobre este escândalo que impediu o debate, destruiu identidades e até encurtou a vida de profissionais com opinião e capacidade jornalistica investigativa. E a NSC, por outro lado, não possui muita escolha se quiser sobreviver e se estabelecer na credibilidade como veículo de informação e comunicação dos catarinenses, pois não é de catarinenses e sim de investidores.

As redes sociais desmancham o que os veículos de comunicações formais negociam com os governos e os poderosos de plantão para esconder, mitificar e criminosamente se estabelecer na "ausência", apesar de ser um ente da comunidade.

Quando o estado fraco e acobertado pela imprensa formal, negocia no escurinho com os bandidos para eles baixarem a "bola", é porque o cidadão perdeu o valor para o estado e seus políticos, a não ser o de votar e de pagar os pesados impostos mal usados pelo poder público para poder e incúria.

Sem debate e pluralidade não haverá transparência, comunidades fortes, com suas peculiaridades próprias. E nesse particular, a imprensa, teoricamente, teria papel fundamental (reeditado às 14.09, de 23.08).

TRAPICHE


Vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, mandou ver um requerimento de informações ao prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB. Quer números e informações para descobrir se é verdade o que se fala na cidade de que houve uma frouxidão na fiscalização da Área Azul.

Se o governo do PT de Pedro Celso Zuchi, a quem Roberto serviu, tivesse implantado o sistema de parquímetro, o uso político da Área Azul seria uma dúvida a menos. Mas, a teimosia...

O velho jogo sindical e corporativo. Os fisioterapeutas que trabalham para a prefeitura de Gaspar vão cumprir apenas 30 horas semanais e não as 40 horas para as quais foram contratados por concurso. Mas, seus salários não serão reduzidos na proporcionalidade, como seria em qualquer outro lugar. A lei impede: é a tal irredutibilidade.

É que eles ganharam uma ação na Justiça em primeira instância e a prefeitura nem recorreu. O limite de 30 horas semanais é uma lei nacional.

Primeiro: quem fez o concurso e os contratou, fez errado (e não vai ser cobrado pelo erro, prejuízos aos cofres e seus reflexos). Segundo: quando os candidatos a fisioterapeutas prestaram o concurso, sabiam que teriam que trabalhar 40 horas semanais (e não era permitido), mas ficaram todos quietos para o pulo do gato. Terceiro: o próximo passo é reaver à diferença ao que supostamente trabalharam a mais; o quarto e por último, são as demais categorias requererem a tal isonomia, ou seja, ao invés das 40 horas, trabalharem 30, com salário de 40 e buscarem também à diferença do passado.

Foi assim que aconteceu recentemente com vários funcionários e assessores da Câmara. Culparam o mais longevo dos vereadores, o ex-presidente José Hilário Melato, PP. Todos quietos. Farra.

Samae inundado I. A coisa continua feia para o lado do Samae, presidido pelo vereador José Hilário Melato, PP. Dois servidores da noite quase saíram no tapa na semana passada. Esta semana foi a vez de dois que trabalham no turno geral. Discutiram entre si e com seu chefe Zeca Caça Níquel. Resumo da história. Tudo foi parar na delegacia de Polícia e um dos servidores registrou um Boletim de Ocorrência.

Samae inundado II. Coisa de executivo. Só pode ser motim. Os funcionários estão falando por aí, e provando por fatos e fotos, não há mais ferramentas para trabalhar. Pá-de-juntar e cavar é artigo de luxo; lacre só dois para fazer um conserto no cavalete com taxa zero de erro; a camionete Montana não consegue subir o morro (motor não dá conta); ETA 4, sem lâmpadas, problema nos disjuntores... Ufa!

O deputado Federal e presidente do PMDB de Santa Catarina, Mauro Mariani, é agora cidadão gasparense honorário. Quem o indicou? O seu cabo eleitoral daqui, o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, PMDB. E o que ele fez por Gaspar? Segundo Ciro, trouxe pouco mais de R$1 milhão em emendas.

Vamos lá. Mauro é pré-candidato a governador naquele jogo do blocão; é também um político ativo – o único que enfrentou, vejam só, o pai dos tais blocões, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Mauro, naturalmente, precisa de palanque por aqui e seu cabo eleitoral acaba de dá-lo. Nada mais. Porque quanto às emendas, que são poucas, é um jogo. Foram elas, que ajudaram a eleger Ciro, por exemplo, e o próprio prefeito Kleber Edson Wan Dall, antes de beneficiar Gaspar.

Estas emendas são, na sua maioria, as impositivas e são feitas para isso mesmo: atender a interesses políticos (quando não os dos empreiteiros e fornecedores) dos deputados Federais nas suas bases e não, exatamente, às necessidades (tanto que a gente vê tanta coisa inacabada, malfeita e até, sem utilidade). É para o varejo.

Para encerrar e não polemizar mais: estas emendas são feitas dos pesados impostos dos gasparenses que vão para Brasília e voltam em forma de migalhas e uso político partidário (porque as emendas impositivas são para todos os parlamentares, independente do partido político). Agora, afinal, Mauro Mariani, é gasparense. Então está mais compromissado e então pode ser mais cobrado pela cidade. Acorda, Gaspar!

Os vereadores de Gaspar encontraram o caminho de Florianópolis; e das diárias também. O vereador Evandro Carlos Andrietti, PMDB, acompanhou o diretor de cemitérios públicos de Gaspar, Osvaldo Moreira, a Florianópolis.

Eles foram conversar na prefeitura da Capital e descobrir lá, como se faz para ter apenados do sistema prisional cuidando, ou zelando, nos cemitérios municipais, uma experiência, segundo eles, bem-sucedida por lá.

Agora, já marcaram outra ida para a Ilha da Magia (e ócio) para continuar o mesmo assunto. Vão falar com a secretária de Justiça e Cidadania, a deputada Ada Lili Faraco De Luca. Perguntar não ofende: para que serve mesmo a Agência Regional de Desenvolvimento de Blumenau? E os deputados estaduais para quem essa gente é cabo eleitoral e que deviam fazer esta interface economizando dinheiro, tempo e promovendo resultado para suas bases?

Aliás, o vereador Evandro precisa ser melhor informado por sua assessoria. Ele registrou que a secretária Ada De Luca foi a primeira deputada eleita de Santa Catarina. Não foi. Conhecedor da história, o vereador Cicero Giovani Amaro, PSD, negro, corrigiu na lata: a primeira deputada eleita de Santa Catarina, foi Antonieta de Barros, negra, e que dá nome ao principal auditório da Assembleia.

Resumo da Sessão Itinerante da Câmara de Vereadores no Distrito do Belchior: ele está mal administrado (ou esquecido pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall). Este é o reflexo direto da indicação política que o alcaide fez para a superintendência de lá e seu assessor de obras para atender à gula do PMDB. Nenhum deles é de lá: Raul Schiller, veio da Figueira e Norberto dos Santos, veio da Lagoa.

O que aconteceu na sessão, segundo um local que a assistiu e acostumado com eleições no Distrito e que era um bairro isolado, é um aviso à vereadora do Distrito Franciele Daiane Back, PSDB. O seu partido jura que não está no governo de Kleber, mas ela, é um voto fiel em tudo o que Kleber quer, garantido a apertada maioria.

Franciele luta por duas grandes obras: a reurbanização da Rua Bonifácio Haendchen e o asfaltamento da parte faltante da Rua Vidal Flavio Dias. Está certa. Mas, vai demorar. Enquanto isso, os pequenos problemas não recebem às soluções.

Assim o acúmulo de pequenos problemas do dia-a-dia, como o que está acontecendo na atual gestão de Schiller e Kleber, torna-se um grande problema, gera desgastes políticos continuados e que não se superam na hora da eleição, mesmo que sejam parcialmente resolvidos. Foi isso que aconteceu com os vereadores que não se reelegeram pelo Belchior nas últimas eleições.

Um retrato perfeito e acabado da Câmara de Gaspar. Foi aprovada por unanimidade, a “Moção de Congratulações e Aplausos” a Edgar Schnaider, proprietário do Haras do Gagá, por ter o melhor Cavalo Castrado Marcha Picada, campeão nacional 2017 da 36° Exposição Nacional do Mangalarga Machador. Autor? Francisco Solano Anhaia, PMDB. Tudo a ver: gagá e castrado.

 

Edição 1815

Comentários

Herculano
23/08/2017 20:10
A (REVIRA)VOLTA DO DEM

Conteúdo da revista Veja. Texto de Nicole Fusco.Eram quase 21 horas de segunda-feira, 13 de setembro de 2010, quando no calor da primeira eleição após oito anos de poder, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu no palanque montado pelo PT na cidade de Joinville (SC) para apresentar ao conservador eleitorado catarinense sua candidata à sucessão, a ex-ministra Dilma Rousseff. Numa rara aparição trajando terno e gravata em comício ?" talvez porque, como presidente da República em viagem extra-agenda, não deu tempo de tirar -, Lula aproveitou para atacar seu mais ferrenho opositor, o partido Democratas (DEM), nomenclatura que o antigo Partido da Frente Liberal (PFL) inventou em 2007 para não ser dizimado quando a esquerda predominou no país. À multidão, Lula direcionou calculadamente sua artilharia ao então governador do estado, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) ?" morto em 2015 ?", que havia apoiado um candidato rival ao PT. "Quando Luiz Henrique foi eleito, pensei que ele iria mudar, mas ele trouxe de volta o DEM, que nós precisamos extirpar da política brasileira", bradou à claque.

Lula não falava à toa: revidava em solo catarinense contra a ruidosa retórica do ex-senador e ex-líder do PFL Jorge Bornhausen, segundo quem o país "estaria livre dessa raça [palavras do pefelista e catarinense contra o PT] pelos próximos trinta anos".

Se, de fato, o DEM quase foi extirpado do cenário político nacional, por exemplo, pelo atraso em defender políticas de distribuição de renda, sete anos depois daquela noite em Joinville, as voltas que a política sempre dá apresentam um quadro completamente reverso à luz de hoje: ainda que sonhe em voltar à Presidência, Lula está enrolado com a Justiça, e o DEM ganhou uma janela de sobrevivência impensada desde que Dilma, eleita e reeleita pelas urnas, foi apeada da cadeira pelo segundo impeachment da história democrática brasileira em 2015. "Diziam que nós não sobreviveríamos na oposição, mas nós sobrevivemos", rebate o deputado sobrevivente Pauderney Avelino (DEM-AM).

Mais: num revés improvável à época daquele comício em Joinville, o deputado Rodrigo Maia (RJ) ascendeu do posto de um líder fraco de uma bancada minguada à presidência da Câmara dos Deputados com a chegada de Michel Temer (PMDB) ao Palácio do Planalto. Como Temer rapidamente apareceria enroscado nos velhos ?" e mesmos ?" novelos de denúncias de corrupção, Maia se tornaria uma espécie de fiador da permanência do peemedebista no cargo, especialmente em julho deste ano, quando uma denúncia da Procuradoria-Geral da República chegou murcha para análise do plenário da Câmara.

Político com pouco carisma, candidato inexpressivo à prefeitura do Rio de Janeiro em 2012 ?" obteve menos de 100.000 votos ?" e apontado como apenas um porta-voz das ideias do pai, o ex-prefeito Cesar Maia, Rodrigo ganhou o estrelato. Passou a cabalar votos para o Executivo em bancadas miúdas, ganhou os holofotes da imprensa, mas, sobretudo, foi encorajado por líderes embaraçados em denúncias a pregar o ressurgimento do seu partido, que já foi a maior força do Congresso Nacional na época em que o pernambucano Marco Maciel era vice de Fernando Henrique Cardoso ?" o PFL já teve 105 cadeiras na Câmara.

No tabuleiro eleitoral, a um ano da campanha de 2018, o DEM esquivou-se da agenda programática três vezes derrotada nas urnas pela economia e pela mudança social que o PT empregou. Mas o partido viu num governo provisório do PMDB a possibilidade de voltar a ser grande. Sonha, aliás, em somar aos atuais 31 deputados federais até vinte parlamentares que poderiam migrar, principalmente, do PSB, cuja bancada rachou na votação da reforma trabalhista ?" dezesseis foram contra, e catorze, a favor.

Voo próprio

O DEM flerta com a ideia de ter o primeiro nome próprio em quase três décadas para concorrer à Presidência da República. "Não temos mais aspiração à vice-presidência", diz o deputado José Carlos Aleluia (BA). O último candidato do partido a pleitear o cargo foi Aureliano Chaves, em 1989. Luís Eduardo Magalhães, filho de Antonio Carlos Magalhães, era a grande aposta da legenda, mas morreu aos 42 anos.

"É possível ter sucesso em uma campanha presidencial, mesmo sem vitória", pondera o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria. "A competição pela Presidência pode aumentar o poder de barganha do DEM no momento em que o partido tenta se reestruturar", diz.

Dez anos depois da refundação do partido, o DEM pretende, para além de mais uma tentativa de mudança arriscada de nome ?" que não é unanimidade dentro do partido ?", recolocar-se no centro da política brasileira. "Com o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) representando a atual extrema direita, Lula e o apoio do PT à ditadura venezuelana, o DEM foi jogado para o centro", diz o líder da bancada na Câmara, Efraim Filho (PB). Em breve, a sigla pretende divulgar um manifesto com o novo programa partidário, que tem como foco o empreendedorismo e a governança municipal.

Lava Jato

Em tempos de Lava Jato, é imprevisível saber quem estará apto a concorrer nas eleições de 2018, já que a operação colocou boa parte da classe política na mesma régua. Nesta semana, a Polícia Federal atribuiu 2 milhões de reais de propina ao presidente do DEM, o senador José Agripino Maia (RN), nas obras da Arena das Dunas, estádio da Copa do Mundo de 2014 - o que ele nega.

O DEM sonha com uma filiação tardia do tucano João Doria, com Rodrigo Maia em voo mais ambicioso ao governo do Rio de Janeiro, e com ACM Neto governando a Bahia e Ronaldo Caiado, o estado de Goiás. Adaptado aos novos tempos que a política impõe ou não, o DEM sonha mesmo em ser do tamanho que foi ontem. As urnas e a Lava Jato dirão.
Herculano
23/08/2017 19:59
OS AGARRADOS À TETAS, DESCOMPROMETIDOS COM RESULTADOS E ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE, ESTÃO ASSUSTADOS. GOVERNO LANÇA PLANO DE PRIVATIZAÇÃO COM 57 EMPREGOS. VEJA A LISTA COMPLETA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Fernando Nakagawa, Idiana Tomazelli e Carla Araújo, da sucursal de Brasília. O governo anunciou nesta quarta-feira, 23, que incluiu 57 empresas em seu plano de concessão para o setor privado. A medida integra a terceira reunião do Programa de Parceria de Investimento (PPI) e, na avaliação do secretário-geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco, prevê melhora da qualidade dos serviços públicos com redução de custos.

Ao destacar resultados bem sucedidos das concessões anteriores, Moreira Franco destacou a importância dessas concessões na retomada da economia com aumento de investimentos. Ele também rechaçou a ideia de que as ações têm apenas objetivo fiscal.

Após a terceira reunião do PPI, o ministro disse que o programa de privatização vai enfrentar a questão do emprego e renda e, ao mesmo tempo, melhorar a infraestrutura do País.

"Evidentemente que do ponto de vista econômico e social deveríamos ter um programa para enfrentar esse desafio", disse, ao comentar que a iniciativa gera melhora da qualidade dos serviços públicos com tarifas monitoradas pelas agências reguladoras.

Eliane Cantanhêde: Menos estado, mais investimentos
Segundo Moreira Franco, nas duas primeiras reuniões do PPI foram aprovados 89 projetos de concessão e prorrogação de concessão. Desses, 49 já foram concessionados ou renovados e até o fim do ano deverão ser realizados outros seis leiloes e seis renovações. "O que significa que, dos 89 projetos, só restarão 28 empreendimentos que estão em andamento e que constam do cronograma apresentado", disse.

Nesse parte do pacote já concedido, o governo obteve o compromisso de investimento de R$ 24 bilhões, além de outros R$ 6 bilhões para a outorga. Os números foram citados pelo ministro como exemplo para mostrar que a ação não tem objetivo fiscal- já que o obtido com outorgas é muito menor que o investimento.

"A razão principal (de investimento) está sendo cumprida e está sendo expressa nos resultados da própria existência do programa", disse, ao rechaçar a ideia de que apenas a questão fiscal importa para o governo.

Congonhas e Casa da Moeda. Considerado pelo governo como o principal ativo no portfólio da Infraero, o ministro dos Transportes, Portos e Aeroportos, Maurício Quintella, afirma que a concessão do terminal é estratégica também para levantar caixa. "Temos a necessidade da melhoria do aeroporto de Congonhas e, ao mesmo tempo, a necessidade do esforço fiscal do governo", disse Quintella.

Segundo Quintella, a Infraero passa por um momento delicado. "A Infraero chegou a um balanço negativo de mais de R$ 3 bilhões", disse, justificando que a empresa não tem condições de fazer novos investimentos. Segundo ele, a expectativa é que a empresa apresente um resultado operacional positivo de R$ 700 milhões.

Já sobre a venda da Casa da Moeda, o ministro Moreira Franco diz que a estatal vem tendo prejuízos sucessivos por conta do consumo menor de moeda. "Usamos cada vez menos moeda e, assim, sua saúde está cada vez mais debilitada".

O ministro afirmou que, assim, a empresa passariam a depender cada vez mais do Tesouro. "A Fazenda entendeu corretamente que fará estudo para a venda da Casa da Moeda".

CONFIRA ABAIXO A LISTA COM OS ATIVOS QUE SERÃO PRIVATIZADOS

Aeroporto de Maceió (AL

Aeroporto de João Pessoa (PB)

Aeroporto de Aracaju (SE)

Aeroporto de Juazeiro do Norte (CE)

Aeroporto de Campina Grande (PB)

Aeroporto de Recife (PE)

Aeroporto de Várzea Grande (MT)

Aeroporto de Rondonópolis (MT)

Aeroporto de Sinop (MT)

Aeroporto de Alta-Floresta (MT)

Aeroporto de Barra do Garças (MT)

Aeroporto de Vitória (ES)

Aeroporto de Macaé (RJ)

Aeroporto de Congonhas (SP)

Alienação da participação acionária da Infraero do Aeroporto de Brasília

Alienação da participação acionária da Infraero do Aeroporto de Confins

Alienação da participação acionária da Infraero do Aeroporto do Galeão

Alienação da participação acionária da Infraero do Aeoroporto de Guarulhos

Rodovia BR-153 (GO/TO)

Rodovia BR-364 (RO/MT)

Terminal de GLP de Miramar no Porto de Belém (PA) MIR 01

Terminal de GLP de Miramar no Porto de Belém (PA) BEL 05

Terminal de GLP de Miramar no Porto de Belém (PA) BEL 06

Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Belém (PA) BEL 02A

Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Belém (PA) BEL 02B

Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Belém (PA) BEL 04

Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Belém (PA) BEL 08

Terminal de Granéis Líquidos no Porto de Belém (PA) BEL 09

Terminal de Granéis Líquidos em Vila do Conde (PA) VDC 12

Terminal de Grãos em Paranaguá PAR07

Terminal de Grãos em Paranaguá PAR08

Terminal de Grãos em Paranaguá PARXX

Terminal de Granéis Líquidos em Vitória (ES)

Renovação antecipada do Terminal de Fertilizantes no Porto de Itaqui (MA)

Autorização de investimentos no Terminal Agrovia do Nordeste no Porto Suape (PE)

Desestatização da CODESA

UHE de Jaguara (MG)

11 Lotes de Instalações de Linhas de Transmissão de Energia

3ª Rodada sob Regime de Partilha de Produção na Área do Pré-Sal

15ª Rodada de Blocos para Exploração e Produção

5ª Rodada de Licitações de campos terrestres maduros

4ª rodada de blocos sob o Regime de Partilha de Produção

Privatização da CASEMG

PrivatizaçãO da CESAMINAS

PPP da Rede de Comunicações Integrada do COMAER

Desestatização da Casa da Moeda

LOTEX
Alerta Gaspar
23/08/2017 17:44
Caro Herculano

Castrei o meu galo, foi eleito o melhor galo de rinha do país. Será que Chico Inhanha vai me conceder uma MOÇÃO honrosa?

Falta é vergonha na cara desses vereadores, o fulano de tal dá um peido recebe uma moção.
Projeto e fiscalização, nada.
Chico o homem que pula de galho em galho, agora é o homem das moções. Gente sejam mais produtivos, Chico você não nos representa, foi eleito PSD, criticava o PT, foi pro PT criticava o PDF e PMDB, agora crítica o PT que pra ele era o melhor partido e elogia o safado do Temer o PMDB.
Sujiro Fuji
23/08/2017 15:08
Lulla e Renan - o bode e o coroné: nascidos um para o outro.
Aguentem petistas pois é o que sobrou pra vocês.
Herculano
23/08/2017 14:02
LOBO E CORDEIRO, AGORA AMIGOS, por Carlos Brickmann

Surpreenda-se (ou não): Lula disse nesta segunda, numa entrevista em Sergipe, que Michel Temer não fez nada de errado para conseguir derrotar na Câmara, logo no início, seu processo de impeachment: "Eu acho que o Temer fez o que qualquer presidente faria, buscar maioria para evitar que ele fosse cassado". Veja o vídeo em https://twitter.com/claudiotognolli

Lula, bom político, sabe que o pau que bate em Chico bate em Francisco e que os problemas de um são os mesmos do outro. Talvez variem em grau, mas bastam para encerrar carreiras políticas e colocar em risco o gozo, em liberdade, das aposentadorias pelas quais tudo fizeram. Lula sabe que, do outro lado, também há bons políticos, que preferem desfrutar as delícias do poder (ou da oposição) a evitar que seus adversários as desfrutem.

Fernando Henrique, por exemplo, já disse que buscar doações para o acervo de ex-presidentes (como a que o Instituto Lula obteve da OAS, mais de R$ 1 milhão) é absolutamente normal. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, lembrou que ex-presidentes são obrigados legalmente a manter o acervo presidencial, mas não há destinação de recursos nem de locais para isso. E Lula disse que Aécio jamais pediu algum cargo em seu Governo ?" com isso, livrou-o da acusação de ter cobrado propinas no período lulista.

Quem é lobo, quem é cordeiro? Tanto faz ?" ora um é um, ora é outro.

TIME ARTICULADO

A direção nacional do PMDB promete punir os políticos do partido que se mostram mais amigos de Lula do que seria conveniente. O governador sergipano Jackson Barreto e seus seguidores seriam os primeiros, pelo calor da recepção a Lula, ora peregrinando pelo Nordeste. Outro alvo podem ser os Renans de Alagoas ?" o senador Renan Calheiros e seu filho Renanzinho, governador. Mas não é bem assim: o PMDB não vai perder governos cheios de bons cargos só para manter a coerência.

E, a propósito, que coerência? Temer foi vice de Dilma. Romero Jucá, Renan e Padilha, até mesmo Gabriel Chalita, todos trabalharam juntinhos com o PT até que ficar com Dilma se mostrou inviável. O governador paranaense Roberto Requião é ainda tão pró-PT que até apoia Nicolás Maduro. Os dirigentes nacionais do PMDB fazem cara de bravos. Bem conversados são muito mais suaves.

JOGO PROFISSIONAL

Mas essa história de brigar no palco e acertar-se nos bastidores não é para todos: só para os profissionais. A senadora Kátia Abreu, por exemplo, que se transformou de líder ruralista em amiga de infância de Dilma, pode ser punida. Ela poderia até parecer muito amiga, mas só de mentirinha.

O MUNDO GIRA

No mundo real, a Lava Jato fez estragos de verdade: mesmo que grandes alvos escapem da prisão, imagens e popularidade foram prejudicadas. Um exemplo: em Miguel Leão, município de 1.474 eleitores no interior do Piauí, o prefeito foi cassado pelo TRE por abuso de poder político e houve eleições para substituí-lo. O Piauí é governado por um petista, Wellington Dias (que, segundo Lula, é um gênio da política). Em 2006, Lula teve 87% dos votos em Miguel Leão. O candidato de Wellington Dias e de Lula foi Jaílson de Souza, do PT. Lula gravou vídeo de 30 segundos, enviado aos celulares dos eleitores, dizendo: "O Jaílson é do PT, e você sabe que o PT sabe governar o Brasil, sabe governar Miguel Leão. Por isso, no domingo não esqueça, vote em Jaílson". Mas quem ganhou, com 51,48% dos votos, e tomou posse nesta segunda, foi Roberto César, Robertinho, do PR.

"O eleitor", disse Robertinho, "sabe que Lula não é o santo que imaginava".

A SEMANA LAVA JATO

Suas Excelências trabalham contra, mas a popularidade da Lava Jato se mantém em alta. Nesta semana, saem dois livros sobre caça a corruptos. O do procurador Rodrigo Chemim, do Ministério Público, Mãos Limpas e Lava Jato: a corrupção se olha no espelho (Citadel Editora), compara a Lava Jato à italiana Mãos Limpas e sugere mudanças para que nossa investigação vá ainda mais longe. Já à venda, R$ 40,00. E o do jornalista Carlos Graieb, PF ?" a lei é para todos, Editora Record. Primeira edição, 10 mil exemplares, já vendida. Também estreia um filme com o mesmo nome.

FOFOCA DA QUENTE

Nota do ótimo portal jurídico Espaço Vital (www.espacovital.com.br):

"Adultério arranhado - A rádio-corredor da OAB do Paraná aqueceu o frio curitibano, ontem (dia 21), com pitadas calientes sobre uma das muitas delações premiadas ainda mantidas em sigilo oficial pelos procuradores da Lava Jato. Trata-se do caso de um operador de propinas que confirmou seu romance com uma parlamentar federal que é... casada.

"As viagens ao exterior eram bancadas com recursos públicos, ou do propinoduto. O oblíquo casal temporário teve também brigas e arranhões causados por recíproco ciúme doentio."
Digite 13, delete
23/08/2017 13:52
Olá, Herculano

Do Blog do Políbio:
O Juíz Sérgio Moro mandou soltar Cândido Vacarezza, além de considerar as provas frágeis ele está na luta contra um câncer.

Já notasse que quem se mete com petista morre?
Pelo jeito o Céu está fazendo a limpa no nosso inferno que são os petistas.
Paty Farias
23/08/2017 13:46
Herculano, se o cara é amigo pessoal do indignado há mais de 20 anos, é um BOM motivo para mão comentar.
É o mesmo que alguém falar mal do meu pai, e adivinha se eu não vou defende-lo.
Sidnei Luis Reinert
23/08/2017 13:45
"País Canalha é o que não paga precatórios"

Artigo no Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

As redes sociais fervem. Insultos (merecidos) a polititicos, urubus e outros bichos.

Não podemos ser desmancha-prazeres. Afinal, alguns tem até febre de ansiedade para ver o molusco preso. Em termos práticos, tanto faz; ele é mixo de quinto escalão.

Preocupemo-nos com o efecagácê. Este sim o arquidiabo; feitor, com poderes discricionários, da Chatham House (antes denominada The Royal Institute of International Affairs), para escravizar o Brasil.

"Loucos" e raros sãos pensantes (inteligentes pra cachorro) já chegaram a um consenso:

O pirão desandou de vez e não tem mais remédio "docinho".

Fel é suco de maracujá perto do necessário.

Terminado o desgoverno do Trem Fantasma (um susto após outro) teremos uma noite estrelada. Funesta só pra porcada. Os que não pirarem pra Timbuktu levarão na rima.

Haja cossaco ! Milhares de "aceçores" em cargos de Cãofiança irão para a carrocinha.

Um sábio florentino, há mais de quinhentos anos escreveu (mais ou menos com essas palavras): Toda mudança que beneficie o povo, é por ele recebida com desconfiança e medo de apoiá-la. Teme uma reversão, com a volta do tirano do ontem e suas represálias. O júbilo só explode quando houver a clara percepção de que o benefício é irreversível.

Se a queridíssima dona Onça, decidir acabar com o forró do Bocó, que o faça de forma cabal, nunca antes vista neste país desde os tempos de Cabral (o Descobridor, não o engaiolado).

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.
Sidnei Luis Reinert
23/08/2017 13:41
Temer eletriza bandidos no mercado


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Nossos parlamentares (que vivem em outro planeta e noutra dimensão) correm contra o tempo para aprovar a famigerada "reforma" política com "Distritão" e aquele escroto fundo bilionário para financiar campanhas eleitorais. Como estas e outras terríveis alterações fazem parte de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), tudo precisa do apoio de 308 dos 513 deputados. Os deputados correm contra o tempo para aprovar as alterações, pois para valer para as eleições de 2018, elas precisam passar pela Câmara e pelo Senado até a primeira semana de outubro.
Enquanto tenta desviar sobre a crise da politicagem, com um plano de desestatização de araque e sem o necessário debate, Michel Temer e aliados próximos ficam ainda mais apavorados com a Lava Jato. A delação do doleiro Lúcio Funaro pode turbinar um novo pedido de processo criminal contra o Presidente que será pedido pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, antes de passar o arco e a flecha para Raquel Dodge. Pior que Funaro, a turma do Planalto se apavora, de verdade, é com a deduragem premiada de Eduardo Cunha ?" cuja negociação segue em ritmo de "ânus adocicado".
Como tudo segue lentamente, a bandidagem no poder toma medidas imediatas para ganhar dinheiro. Os deuses do mercado só se fazem uma pergunta: Quem do governo ou ligado a ele estava comprado em ELET3 (a agora valiosas ações ordinárias, com direito a voto, da Eletrobrás)? Imagina quanta grana desviada do setor público no Brasil foi esquentada, lavada ou branqueada nestas operações que dificilmente serão investigadas pela Comissão de Valores Mobiliários ou pelos "mecanismos de fiscalização" da B3 ?" a bolsa de valores monopolista neste Brasil Capimunista?
Hiper-engraçada é notícia de que "o Palhasso do Planalto comemorou o fato de a notícia da venda da Eletrobrás não ter vazado ?" o que foi considerado muito positivo por ser uma forma de prestigiar o mercado". A Velhinha de Taubaté, que andava com o intestino preso, mas pediu para Gilmar soltar, se borrou de tanto rir com tamanha piada. Ao ouvir a notícia de que a "conta de luz vai baixar" com o fatiamento da estatal energética, a crédula senhora quase bateu as botas de tanto dar gargalhada...
Em um clima hilário como o nosso, mais recomendável é não oferecer suco de tomate para o ministro Gilmar... Com certeza, ele poderá soltar algum supremo impropério...
Tony Silva
23/08/2017 13:11
Caro Herculano!

Gostaria de comentar sobre o que o Sr. Roberto Sombrio escreveu (21/08) sobre os políticos e, especialmente sobre o ex-vereador Amadeu Mitterstein. Concordo que os políticos estão - já algum tempo - sob severa suspeição. Entretanto, ainda existem pessoas bem intencionadas, e não podemos colocá-las em vala comum. Costuma-se ouvir que "todo político é ladrão e vagabundo", isso não é verdade.Sugiro aos eleitores que nas próximas eleições (2018) verifiquem o histórico dos candidatos. À respeito do ex-vereador Amadeu, talvez eu seja suspeito para falar, pois sou seu amigo a mais de 20 anos e o conheço muito bem.Jamais se omitiu das grandes questões. Eu, particularmente, já discordei dele em alguns assuntos, porém, jamais percebi no Sr. Amadeu, qualquer conduta de má fé ou negligência. Gostaria que existissem na política de Gaspar mais "Amadeus".

Forte abraço a todos!
Tony Silva
Erva Daninha
23/08/2017 13:02
Oi, Herculano

"Perguntar não ofende: para que serve mesmo a Agência Regional de Desenvolvimento de Blumenau?"

Vai que o Evandro Andrietti nunca saiu do Barracão ...
Anônimo disse:
23/08/2017 12:58
Oi, Herculano,

Deixa o Ciro André Quintino brincar de "pinto no lixo" como presidente da Câmara.
Os gasparenses que o elegeram tem que se ferrá pra aprender a votá.
Mariazinha Beata
23/08/2017 12:52
Seu Herculano;

Miguel José Teixeira tem postado em seus comentários uma série "NÃO REELEJA", que vem a calhar com a família Amin e o seu opróbio PP, no texto acima.

Bye, bye!
Violeiro de Codó
23/08/2017 12:41
Sr. Herculano;

SAMAE INUNDADO I e II:
Mas não era o José Hilário Melado que ia administrar O SAMAE como se fosse empresa para mostrar todo o seu know how - norrau?

E quanto anhaia gagá e o cavalo castrado não seria o cavalo gagá e o anhaia castrado?
Ah, deixa pra lá, é tudo a mesma coisa (o coitadinho nasceu petista e vai morrer cabeça de coelho).
Herculano
23/08/2017 11:15
A JUSTIÇA EXPOSTA. GILMAR SOLTA MAIS 3 INVESTIGADOS DA PONTO FINAL NO RIO DE JANEIRO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto Breno Pires e Rafael Moraes Moura, da sucursal de Brasília. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a soltura de mais três investigados da Operação Ponto Final - desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro -, entre eles Rogério Onofre de Oliveira, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), com base na decisão em que já havia ordenado a libertação do megaempresário Jacob Barata Filho, conhecido como "Rei do ?"nibus". O ex-presidente do Detro-RJ teria recebido pelo menos R$ 44 milhões no esquema de corrupção no setor de transporte do Rio, de acordo com as investigações.

Além de Onofre, Gilmar Mendes decidiu soltar a mulher do investigado, Dayse Deborah Alexandra Neves, e o policial aposentado David Augusto da Câmara Sampaio, acusado de fazer parte do esquema do governador Sérgio Cabral.

Os três foram presos no âmbito da Operação Ponto Final, que desbaratou a máfia atuante no setor de transportes no Rio, responsável pelo pagamento de mais de R$ 260 milhões de propina a políticos e agentes públicos.

A mulher de Onofre foi presa dias depois, pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. "A investigada teve a ousadia de, apenas três dias após a prisão de seu marido e de decretada a indisponibilidade de seus bens, tentar reaver substancioso montante de dólares em fundo no exterior", afirmam os procuradores da República que atuam na força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio.

O ministro substituiu a prisão preventiva dos três por medidas alternativas à prisão, entre elas, o recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semana, a proibição de manter contato com os demais investigados, a entrega do passaporte e a proibição de deixar o país, além do "comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz de origem, para informar e justificar atividades".

Com as três solturas, chega a nove o número de libertados pelo ministro Gilmar Mendes na Operação Ponto Final. Na semana passada, Gilmar Mendes já havia determinado a soltura de Jacob Barata Filho, do ex-presidente da Fetranspor Lélis Teixeira, em um primeiro momento, e depois havia estendido o benefício a Cláudio Sá Garcia de Freitas, Marcelo Traça Gonçalves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro, que também estavam presos preventivamente.
Herculano
23/08/2017 11:12
GANHEI MINHA APOSTA FEITA EM PRIVATIZE JÁ: OS PAÍSES QUE MAIS SE LIBERALIZARAM FORAM OS QUE MAIS AVANÇARAM NO IDH, por Rodrigo Constantino, no Instituto Liberal

"Se colocarmos o governo federal para cuidar do deserto do Saara, faltará areia em cinco anos." - Milton Friedman, frase usada na epígrafe de Privatize Já.

Depois de mensalão e petrolão, de JBS e BNDES, só mesmo muita cegueira ideológica para justificar alguém ser contra as privatizações. Basta o anúncio da intenção de vender parte da Eletrobras, por exemplo, para a empresa ganhar quase R$ 10 bilhões de valor de mercado em um só dia! O Ibovespa passou de 70 mil pontos hoje por conta da forcinha das ações da Eletrobras.

Como alguém ainda tem coragem de se colocar contrário às privatizações? Como a boa teoria liberal sempre explicou o óbvio, corroborado pela prática, terminei meu livro Privatize Já, de 2012, com uma aposta.

Pois bem, lá fui eu fazer os cálculos, mesmo sem o ano ter terminado. Já dá para ter uma boa ideia do resultado. Antes, porém, um caveat: todo indicador é imperfeito, ainda mais um como o IDH, que tem muito fator subjetivo. Além disso, esses índices levam tempo até se ajustar à realidade dos países. Há um lag, uma defasagem. Logo, claro que não podemos tratar isso como ciência exata.

Dito isso, o resultado mostra como eu estava certo. Eis os países que mais regrediram na liberdade econômica, medida pelo Heritage Foundation:

Barbados
Venezuela
Moçambique
Líbano
Mongolia
Espanha
Egito
Brasil
Madagascar
El Salvador

Sim, nosso ilustre Brasil está na lista, tendo caído cinco pontos inteiros no índice de liberdade econômica. Valeu, PT! Obrigado, Lula e Dilma! Nesses últimos anos ficamos bem menos livres, e isso explica em parte a desgraça econômica que estamos vivendo hoje. Em contrapartida, eis os países que mais avançaram na liberdade econômica:

Georgia
Russia
Guiana
Malásia
Emirados Árabes
Filipinas
Latavia
Belarus
República do Congo
Zimbábue

Lembrando que não estamos falando de patamar absoluto, e sim da mudança relativa de 2012 a 2017. Quando analisamos as variações no IDH desses países, de 2012 a 2015 (último dado disponível), eis o que temos: os países que se tornaram mais livres no período ganharam 0,0128 ponto na média no IDH, enquanto os países que se tornaram menos livres ganharam na média apenas 0,00734 ponto. Quando avaliamos pela mediana, a diferença é de 0,0125 ponto para 0,0075 ponto.

Ou seja, os países que melhoraram na liberdade econômica tiveram um avanço dois terços acima do avanço dos que pioraram na liberdade econômica, em apenas três anos! Se usarmos a média simples, o salto é ainda maior: 74%!

Outra forma de analisar é comparar o avanço percentual de cada país, já que por ponto pode ser injusto. Se um país que tem índice baixo ganha 0,2 ponto no índice, isso não é o mesmo que um país com índice alto avançar os mesmos 0,2 ponto.

Quando ajustamos dessa forma, eis o que temos: os países que mais perderam liberdade econômica conquistaram apenas 1,16% de incremento no IDH, na média, contra 2,16% de ganho dos que ampliaram a liberdade. Em outras palavras, os países que liberalizaram mais cresceram quase o dobro no IDH daqueles que estatizaram mais, em apenas três anos.

Uma última análise, que não estava na aposta, mas serve para ilustrar a discrepância dos ganhos entre os dois grupos de países, é comparar o crescimento estimado de 2016 para suas economias, com base no World Factbook da CIA. Os países que mais estatizaram no período devem ter um crescimento de apenas 0,55% na média, contra 2,19% de crescimento médio dos que mais liberalizaram. A Venezuela, que virou socialista de vez nesse período, deve ter um recuo superior a 10% em sua economia em 2016!

Parece inegável que aumentar a liberdade econômica produz saltos qualitativos na vida da população em pouco tempo. O exemplo mais gritante é a Venezuela, que despencou em liberdade econômica, fechando-se de vez ao mundo e ao setor privado, caindo mais de 11 pontos no índice de liberdade econômica. Seu IDH de 2015 claramente não pega ainda a desgraça total em que o país mergulhou agora.

Um amigo meu, empresário liberal gaúcho, defende a ideia de que o Brasil merecia um instituto cujo único objetivo fosse fazer o país avançar no índice de liberdade econômica, de forma obsessiva. Uma só meta a seguir. Faz sentido: para tanto, seria preciso privatizar mais, abrir os mercados, reduzir o protecionismo, retirar obstáculos à entrada de novos bancos e empresas estrangeiras, diminuir a burocracia etc. Enfim, abraçar o liberalismo.

E sabemos que o resultado seria incrível. A boa teoria diz isso, toda a experiência comprova. É o livre mercado que produz riqueza, não o governo. É a livre concorrência que gera prosperidade, não os bancos públicos de fomento. É a competição com base no lucro que traz o progresso, não os recursos naturais.

Infelizmente, não estou tão otimista com o lado perdedor da aposta cumprir sua parte. Sabemos que os fatos não importam tanto para quem só vive de ideologia ou por interesses imediatistas. Privatizar é o caminho, isso está claro. Mas a esquerda vai continuar pregando o atraso, seja por fé ideológica, seja para preservar a sua teta estatal, a sua mamata.

Teremos que avançar apesar da esquerda, como sempre?
Herculano
23/08/2017 11:07
"ESTAMOS FAZENDO UM DÉFICIT ASSUSTADOR", DIZ TEMER

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Carla Araújo, da sucursal de Brasília.O presidente Michel Temer disse na noite desta terça-feira, 22, que o déficit público é assustador e que a situação das contas brasileiras não será resolvida num passe de mágica. "Não tínhamos a ilusão de que você resolve os problemas do País num passe de mágica", disse, durante cerimônia de abertura do Congresso Aço Brasil.

"A previsão que fizemos é que vai levar tempo para zerar o déficit público. Quando falamos em R$ 159 bilhões, estamos fazendo um déficit assustador. Não se resolve de um dia para o outro, vai se resolvendo ao longo do tempo", completou, ressaltando que a PEC do teto dos gastos é uma das medidas que vai ajudar a resolver o déficit. "Queira Deus que possamos fazê-lo em cinco anos, seis anos, sete anos. Não vamos ter a ilusão de que em pouquíssimo tempo, em dois, três anos vamos resolver esse assunto."

Além de citar o teto dos gastos, Temer destacou a reforma trabalhista e a do ensino médio e disse que, com o apoio do Congresso, o governo possui uma "ampla agenda de reformas". "Não abandonaremos a reforma da Previdência", afirmou, destacando que o "Congresso está entusiasmado na tarefa de aprovar" a reforma. O presidente citou ainda a reforma tributária e disse que é preciso acabar com ciclo que dificulta e embaraça o sistema tributário.

Temer ressaltou ainda que seu governo conseguiu manter políticas sociais que "estavam ameaçadas pelas ruínas das contas". Pedindo licença para ser mais informal, o presidente disse que muitas vezes é aconselhado por algumas pessoas a não mexer em assuntos delicados que provocam um "enxame de abelhas". "E eu digo que temos que fazer, pois queremos ter o reconhecimento de que fizemos as reformas", afirmou.
Miguel José Teixeira
23/08/2017 11:06
Senhores,

Esta matéria é para a série "NÃO REELEJA":

". . . as reformas políticas que se anunciam, pelas fantasias que contêm, principalmente pelos modelos de escolha de candidatos e de partidos e pelos meios de financiamento das campanhas, estão empurrando, perigosamente, os atuais políticos numa rota de colisão contra a população."

Diferentemente de qualquer outra legislatura do passado, as atuais bancadas federais na Câmara e no Senado puderam, de maneira inédita, experimentar na própria pele o bafo quente das megamanifestações de rua. Os movimentos populares, diga-se de passagem, espontâneos, apartidários e até hostis aos políticos e ao modo de se fazer política. Pela magnitude e pelos recados que, de modo claro, passaram às autoridades, o que a população anseia para a administração do Estado, diverge, frontalmente daquilo que insiste em impor agora, de modo afoito, as Câmaras Alta e Baixa. A dissintonia entre eleitos e eleitores é de tal forma tamanha, que há quem considere, inclusive, que a classe política, por cegueira e medo do que está por vir com as investigações que correm na Justiça, busca, com as mudanças, um espaço para a salvação de centenas de cabeças é cada vez mais estreito e iminente.

Nesse caso, as reformas políticas que se anunciam, pelas fantasias que contêm, principalmente pelos modelos de escolha de candidatos e de partidos e pelos meios de financiamento das campanhas, estão empurrando, perigosamente, os atuais políticos numa rota de colisão contra a população. Pela importância das reformas para o futuro do país, torna-se óbvio, até mesmo para o cidadão comum, que as mudanças necessitam de tempo para reflexão, responsabilidade na proposição, sentimento de nacionalidade e, sobretudo, consciência tranquila e limpa para se qualificar como reformador. Tudo, absolutamente, que não se encontra nessa turma nervosa que comanda a atual reforma política.

A essa altura dos acontecimentos, o público em geral percebeu que o que está sendo gestado no Legislativo é uma saída de emergência para os encalacrados com desvios éticos de toda ordem. Dadas a falta de preocupação com o país, marca da maioria das figuras que compõem a atual legislatura, e a implicação de muitos deles em casos de desvios de dinheiro público e outros crimes, fica patente, à maioria da sociedade, que qualquer reforma que venha ser a escrita por essas mesmas mãos não resultará em benefício algum para os brasileiros e para o Brasil. Os frutos dessa árvore são conhecidos por todos e foram rechaçados nas grandes manifestações de rua. Só não viu quem não quis.

Fonte: Correio Braziliense, ed. Hoje, Coluna do Ari Cunha
Herculano
23/08/2017 10:57
MAIS LUZ NA VENDA DA PETROBRÁS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

PRIVATIZAR A Eletrobras está muito bem. Em tese.

A propriedade estatal de usinas e distribuidoras de eletricidade não tem resultado em benefícios para o público faz mais de três décadas. Não raro, resulta em prejuízos. Vide os exemplos de avacalhação dessas e de outras estatais desde os anos 1980.

Privatização também pode dar em besteira, em apropriação de bens públicos e rendas, entre outros muitos problemas. A princípio, então, restam apenas muitas perguntas a respeito de como ficarão a venda da estatal, as leis do setor e os planos de expansão da oferta de energia elétrica.

Para começar, assunto de grande interesse de nacional-estatistas, quanto rende a Eletrobras? Neste século, menos de R$ 1 bilhão por ano em dividendos para a União. Se vendida por R$ 20 bilhões, como se diz por aí, um chute fraco, e o dinheiro abater dívida pública, já vale a operação financeira. Nem é preciso mencionar o dinheiro público gasto em cobertura de prejuízos.

De que serve a Eletrobras? A estatal prestou bons serviços entre sua instalação, em 1962, até o início dos anos 1980, quando as estatais se tornaram instrumento inepto de política econômica (controle de preços, subsídios etc.), besteira repetida nos anos Dilma Rousseff. Mas entre 1996 e 2004, em especial, a empresa perdeu suas funções originais e antigas. Isto é, o papel de coordenar o planejamento, a operação e o financiamento da expansão do setor elétrico.

Uma meia dúzia de instituições, criadas nos anos FHC e Lula, ficou com essas tarefas. Assim, a holding se transformou em quase uma cabeça oca e gorda, por dispendiosa, de um grupo de subsidiárias. A escassez de recursos do setor público matou seu papel de investir no setor.

O investimento continua um problema, porém. Uma Eletrobras sem meios e o BNDES serviram de escada para investimentos privados em grandes hidrelétricas da última década. O setor privado não dava conta, por esperteza ou precisão, de bancar os investimentos.

Por falar nisso, o dinheiro que investidores privados vão gastar na compra das estatais vai faltar para o investimento em expansão da capacidade? Parece uma pergunta colegial, mas nos anos 1990 ocorreu um problema assim.

Eventuais ganhos de eficiência serão repassados ao público? A regulação e o planejamento vão funcionar? Serão repensados ou a venda das imensas estatais elétricas será feita à matroca, no desespero, um quebra-galho para a dívida pública e problemas mais imediatos de governo? Note-se que o setor elétrico padeceu de grossa e letal incompetência nos anos 1999-2001 (FHC) e 2012-2014 (Dilma Rousseff).

A Eletrobras ainda tem papel relevante em programas do gênero Luz para Todos e de energia alternativa, além de fazer alguma pesquisa. Isso tudo pode ser tocado pelo governo e bancado pelo Orçamento. Vai haver governo e Orçamento para tanto?

Como vão vender a Eletrobras? Dizem que na Bolsa, com a "pulverização" do capital. Hum. O negócio apenas faz sentido se um comprador tiver ações bastantes a fim de controlar o negócio, óbvio.

Por outro lado, qual o risco de entregar as empresas todas da holding a um só controlador? Não dá para fatiar, à moda das teles?
Herculano
23/08/2017 10:54
O PSDB E A CONVERSA MOLE DE QUE PODE SAIR DA BASE E APOIAR AS REFORMAS. OU: A ACOMODAÇÃO, por Reinaldo Azevedo

O que vai acontecer com o PSDB? As coisas tendem a uma acomodação na precariedade, ao equilíbrio instável. De saída, é preciso que se diga: erra quem sustenta que a crise em curso se deve ao esforço do senador Aécio Neves (MG) de voltar ao comando. Isso é apenas uma mentira. Mas é verdade que a fratura exposta provocada pelo programa no horário político evidenciou que o mineiro ainda exerce influência considerável no partido. Ah, sim, também é preciso desmontar uma farsa retórica à qual se entregam alguns tucanos ditos "cabeças negras". Há o risco de que até eles próprios acreditem na lorota que contam.

Vamos ver.

O senador Tasso Jereissati (CE) assumiu interinamente o comando do partido para manter a unidade possível. Não é que ele foi tentar justamente a impossível? Lançou-se de arma em punho contra o governo e praticamente "decretou" que o partido deveria deixar a base. Bem, na votação da Câmara, que negou a autorização ao STF para processar Michel Temer, o Tasso interino foi derrotado: 21 votos a favor, 22 contra e quatro ausências - a rigor, perdeu por 21 a 26.

Mas o homem, como a raposinha de "O Pequeno Príncipe - e jamais como uma raposa de "O Príncipe" - não se deu por vencido. Resolveu levar ao ar um programa que ataca de frente nada menos do que quatro ministros de Estado: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Antonio Imbassahy (Relações Institucionais) e Luislinda Valois (Direitos Humanos). No cargo, eles seriam expressões do "erro" do PSDB. A menos que acatem a pecha de fisiológicos e mixurucas.

Bem, o pau comeu na casa de sinhá, certo? E há, sim, embora não deva ser magnificado, o risco de o partido sofrer perdas significativas. Convenham, no entanto, que a interinidade de Tasso vai apenas até dezembro. Falta pouco. Provocar uma ruptura agora pra quê? Se for o caso, até esta pode esperar um pouco.

É bom lembrar: Aloysio, Imbassahy e Araújo, que reagiram com indignação ao programa, não são porta-vozes de Aécio na empreitada de recuperar a presidência do partido. Os deputados que hoje ameaçam deixar a legenda se Tasso permanecer no comando também não são peões desse suposto jogo. Ocorre que o presidente interino deu duas alternativas aos tucanos: concordar com ele ou levar a marca de fisiológico.

Uma ruptura formal dessa magnitude requer alguém no comando. O único que poderia fazê-lo, convenham, é Aécio. A lógica indica que isso, agora, não faz sentido. De resto, note-se à margem: essa é apenas umas das dissensões no tucanato. Há outras. O governador Geraldo Alckmin (SP), por exemplo, afirmou nesta terça que Tasso tem de ficar até dezembro. Certamente João Dória irá no mesmo sentido. E, acho, as concordâncias para por aí.

Assim, parece-me, as coisas caminham mais para a acomodação no curto prazo do que para o racha. Até porque ele não interessaria a ninguém. Naquele estilo altivo de sempre, Tasso andou disparando uns "cospe aqui se for macho", dizendo que pagava para ver, mas é claro que é só retórica. Ele até poderia vencer um embate, mas depois cumpre que ele pergunte ao general Pirro se certas batalhas valem a pena.

Lorota
Finalmente, cumpre desmontar uma falácia. Essa história de que o eventual desembarque do PSDB da base não altera o seu compromisso com as reformas é conversa para embalar tolos. Altera! Ainda que os tucanos digam "sim" a todas as mudanças, é preciso ver o que dirão os outros em razão dessas tucanices:

a: com a eventual saída do PSDB, aumentaria o peso relativo do Centrão no governo; muitos deputados desse grupo preferem que o presidente Temer deixe essa história de Reforma da Previdência pra lá;
b: para aprovar algumas propostas, o Planalto precisa exibir força, musculatura; desconfie do vigor mudancista de um partido que defende uma tese que enfraquece o governo reformista.

Alguns ditos "cabeças negras" do tucanato - e a de Tasso já está bem branca, o que poderia ser sinal de prudência - não enganam nem a tintura de cabelo que usam. Querem cair fora do governo porque sabem que isso dificultaria as reformas, e eles não teriam de levar adiante esse "peso" eleitoral.

Sim, o fingimento, em larga medida, é parte da política. Como não sou nem serei político, não preciso fingir. E, se necessário, desconstruo a representação burlesca.
Herculano
23/08/2017 08:53
AGÊNCIA LUPA: EM CARAVANA, LULA EXAGERA E ERRA EM DADOS

* conteúdo publicado no jornal Folha de S. Paulo

"[Quando resolvi ser candidato a presidente] O Nordeste tinha menos universidades [do que as outras regiões do país]" - em discurso em Itabaiana (SE) em 21/8

FALSO No discurso, Lula disse que tinha o "compromisso de fazer com que o NE fosse menos desigual em relação ao resto do país". Desde 1995, o Inep, do Ministério da Educação, faz a Sinopse Estatística do Ensino Superior. Na série histórica, o Norte ?"não o Nordeste?" aparece como a região com menos instituições de ensino superior. Em 2003, quando Lula tomou posse, o Norte tinha 101 entidades. O Centro-Oeste, 210. O Nordeste, 304. Sul e Sudeste tinham, respectivamente, 306 e 938. Em 2010, quando deixou a Presidência, o ranking era: Norte (146), Centro Oeste (244), Sul (386), Nordeste (433) e Sudeste (1.169). Isso mostra que todas as regiões ganharam instituições de ensino superior no governo do petista. O Instituto Lula diz que o NE ganhou universidades e que o ex-presidente fazia "comparação com as regiões mais ricas do país, não com o Norte".

"A primeira universidade do Brasil só veio em 1930" - no Twitter, em 21/8

FALSO A primeira instituição de ensino superior do Brasil foi a Escola de Cirurgia da Bahia, criada em 1808. Depois, vieram a Faculdade de Direito de Olinda e a Faculdade de Direito de São Paulo, fundadas em 1827. Há uma polêmica sobre qual seria a primeira universidade. De acordo com a FGV, a Universidade do Brasil, que virou UFRJ e costuma ser tratada como a primeira do país, foi criada em 5 de julho de 1937. Ela deu continuidade a já existente Universidade do Rio de Janeiro, constituída na década de 1920. O Instituto Lula diz que a conta do ex-presidente no Twitter se equivocou ao transcrever a fala dele.

"[Quando resolvi ser candidato a presidente] O Nordeste tinha mais analfabeto [do que as outras regiões do país]" ?" em discurso em Itabaiana (SE), em 21/8

VERDADEIRO, MAS Segundo o IBGE, em 2002, quando Lula foi candidato à Presidência, o NE era a região com maior índice de analfabetismo, com 8 milhões de pessoas com mais de 15 anos nessa condição (17,7% da população). Mas, em 2011, depois do governo do petista, a região continuava sendo a de maior número de analfabetos: 6,8 milhões (13,49% da população). O Instituto Lula ressalta que caiu o analfabetismo no Nordeste.

"Agora eles estão tirando o subsídio do programa Minha Casa Minha Vida" ?" à radio Fan FM, de Sergipe, em 21/8

EXAGERADO Em 2015, o Minha Casa Minha Vida teve um orçamento executado de R$ 16,5 bilhões. No ano passado, de R$ 6,9 bilhões. Mas os cortes no programa começaram no governo Dilma Rousseff. De maio de 2015 a abril de 2016, quando houve o impeachment, o governo federal contratou 17.308 unidades por R$ 565 milhões na chamada Faixa 1, que atende aos grupos de baixa renda (até R$ 1.800 por mês). De maio de 2016 a junho de 2017, já na gestão Michel Temer, foram contratadas duas vezes mais unidades e gastos 62,4% maiores. O Instituto Lula reforça que o governo Temer "eliminou os subsídios às faixas de baixa renda no Minha Casa Minha Vida"

"Eles acham que Bolsa Família é só no NE. Em SP, 1,4 milhão de famílias recebem" ?" no Twitter, em 21/8

VERDADEIRO, MAS Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, em agosto, 1,4 milhão de famílias receberão o Bolsa Família no Estado de SP. Com valor médio de R$ 159 por benefício, o investido será de R$ 235,6 milhões. No Sudeste, são 3,4 milhões de beneficiários. Com média de R$ 165,10 por família, a região recebe R$ 568,6 milhões do programa. No Nordeste, todos os números são maiores. A região recebe mais da metade das 13,5 milhões de bolsas concedidas pelo programa. Um total de 6,8 milhões de famílias é beneficiado pelas bolsas. Com um benefício médio de R$ 185,76 por família, o Nordeste responde por R$ 1,3 bilhão injetado todos os meses no programa.

"E quando a Dilma percebeu que estava saindo mais dinheiro que entrando, que ela fez? Preparou uma reforma e mandou para o Congresso, e o Eduardo Cunha não deixou votar" ?" à rádio Metrópole, em Salvador

EXAGERADO O primeiro ano do segundo mandato de Dilma foi marcado pelo ajuste fiscal. O governo propôs aumento de impostos e mudanças em benefícios sociais. A Câmara, chefiada por Cunha, aprovou duas ações: as que modificaram a concessão da pensão por morte e o acesso ao seguro-desemprego. Não passou a recriação da CPMF. A proposta não saiu da Comissão de Constituição e Justiça. À época, Cunha chegou a dizer que eram ineficientes. O Instituto Lula reconhece que não foi aprovado todo o pacote.
Herculano
23/08/2017 08:50
PT E PMDB QUEREM MANTER CAIXA PRETA DO BNDES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Senado adiou ontem, mais uma vez, a votação de urgência à quebra de sigilos BNDES. A ideia é dar transparência ao banco, que chegou a captar recursos no mercado com juros de mais de 15% para emprestar a menos de 5% às empresas amigas do PT e PMDB, como a JBS/J&F e Odebrecht. O prejuízo no BNDES sequer foi calculado. A bancada petista quer porque quer manter inexpugnável a caixa preta do BNDES.

DÉCADAS DE DÍVIDA
A diferença na taxa de juros do BNDES resultou em dívida bilionária que será paga pelo contribuinte, no mínimo, até o ano de 2040.

ADIAMENTO HÁ UM ANO
Estava marcada para esta terça (22) a votação da quebra do sigilo do BNDES. Foi adiada de novo. Os políticos devem ter muito a esconder.

ESTRANHA DEFESA
O senador petista Lindbergh Farias (RJ) é contra a quebra do sigilo do BNDES, alegando "informações estratégicas". Para o PT, certamente.

NINGUÉM QUER
O projeto do senador Lasier Martins (PSD-RS), que quebra o sigilo do BNDES (e também BB e Caixa) está parado desde dezembro de 2016.

SEM DILMA NÃO SERIA POSSÍVEL PRIVATIZAR ELETROBRAS
Não fosse a incompetência de Dilma Rousseff (PT), que destroçou o setor elétrico, Michel Temer não conseguiria privatizar a Eletrobras, segundo Elena Landau, uma das mais admiradas e experientes economistas brasileiras na área de privatizações. Mas ela adverte que há uma "guerra de comunicação" pela frente, na qual o governo não poderá usar meias palavras para enfrentar a resistência dos setores atrasados e as corporações, que querem manter regalias e privilégios.

CLAREZA E OBJETIVIDADE
Elena Laudau recomenda ao governo clareza para mostrar que a privatização da Eletrobras será altamente benéfica ao povo brasileiro.

VIOLÊNCIA QUE FRAGILIZOU
Os 13 anos de violência política na Eletrobras, cujo conselho de administração ela integrou, neutralizaram capacidade de investimento.

SOMENTE ELOGIOS
Uma das líderes da arrojada privatização da telefonia, no governo FHC, Elena Landau elogia a venda da Eletrobras por oferta pública de ações.

VERGONHA E INDIGNAÇÃO
Carreata em Maceió, nesta quarta (23), sob o lema "Lula na cadeia", protesta contra a concessão de cidadania e título "doutor honoris causa" a um condenado à prisão por ladroagem: o ex-presidente Lula.

OLHA O NÍVEL
O "título" para Lula é obra de um dirigente de faculdade pública do interior, em Alagoas, que chama mais atenção pelo boné do MST que usa em ocasiões solenes, do que por sua eventual qualificação.

AUTORIZAÇÃO PRÉVIA
Nos Estados Unidos, o contribuinte pode marcar um quadradinho, no formulário de Imposto de Renda, autorizando o governo a direcionar 1 dólar para o Fundo Eleitoral, que é público. Nos EUA há anos, um leitor conta que jamais conheceu um americano que tenha autorizado isso.

SÍNDROME DE ESTOCOLMO?
É curioso e até suspeito o incômodo que demonstram certos setores da sociedade carioca (sobretudo os mais vitimados pela criminalidade), com a megaoperação das Forças Armadas contra o tráfico, no Rio.

REFORMA PARA A PLATEIA
A relatora da reforma politica dos tucanos, deputada Shéridan (RR), reduziu mais os critérios da "cláusula de desempenho". A ideia agora facilitar para partidos alcançarem o mínimo prometido.

JOVENS IMPETUOSOS
Levantamento do instituto Paraná Pesquisa mostrou que apenas 29,4% dos brasileiros defendem o envio de tropas à Venezuela. Entre jovens de 16 a 24 anos o índice pula para 40,7%.

PASSAGEM É 'FICHINHA'
Se espantam os gastos com passagens aéreas na Câmara, no primeiro semestre de 2016 os deputados federais receberam cerca de R$100 milhões em reembolsos para "divulgação do exercício do mandato".

TERRORISTA COVARDE
O facínora Abdelbaki Es Satty, "imã" que foi o mandante dos atentados terroristas em Barcelona e arredores, disse aos otários que influenciou que após a matança iria se "imolar". Papo furado. É um covardão.

PERGUNTA NA ESTREBARIA
A "fábrica de fertilizantes", na qual a J&F/JBS promete investir, é para aproveitar a matéria-prima que usou para sujar o Brasil?
Herculano
23/08/2017 08:47
TEMER FEZ COM OS TUCANOS O QUE ELES NÃO TIVERAM CORAGEM DE FAZER COM ELE, por Élio Gaspari, para os jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati jamais poderiam ter imaginado que apoiando a deposição de Dilma Rousseff, substituindo-a por Michel Temer, levariam o partido para sua pior crise, correndo o risco da implosão. O vice-presidente da chapa de Dilma está esfarelando o tucanato com a ajuda de Aécio Neves, o candidato do PSDB derrotado em 2014.

Com todos os seus defeitos, o PSDB não é um partido qualquer. Ele foi criado por Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, Franco Montoro e José Richa. Noves fora a qualidade biográfica desse grupo, eles abandonaram o PMDB, porque prevalecera a caciquia do governador paulista, Orestes Quércia.

Quércia foi o primeiro politico bilionário produzido pela redemocratização. Ao morrer, em 2010, deixou um patrimônio de cerca de R$ 1 bilhão. Montoro, Fernando Henrique e Covas fugiram desse modelo e fundaram o PSDB em 1988. Dois anos depois, o poderoso Quércia e seu PMDB elegeram seu sucessor e Aloysio Nunes Ferreira tornou-se vice-governador. O tucanato só recuperou o governo de São Paulo em 1995, com Mario Covas, e está lá até hoje, com o apoio do PMDB, é claro.

Michel Temer navegou no PMDB, sem ser admitido no círculo elitista do tucanato de São Paulo. O vice Nunes Ferreira migrou para o PSDB em 1997 e chegou a ocupar o Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Hoje é o ministro das Relações Exteriores de Temer e feroz defensor da permanência do tucanato no governo. (Antonio Imbassahy, atual ministro da Secretaria de Governo, também quer que os tucanos fiquem no Planalto, mas sua relação com o PSDB começou em 2005. Antes disso, era um quadro promissor dos governos de Antonio Carlos Magalhães na Bahia.)

Brigas de tucanos não chegam a ser novidade, mas poucos estranhamentos podem ser comparados ao que envolveu Tasso e Aloysio no Alvorada, em dezembro de 2001. Uma testemunha temeu pelo pior. Os dois reaproximaram-se, mas nem tanto.

O que parece ser uma briga de Aécio Neves com Tasso Jereissati pelo controle do PSDB é uma revanche do PMDB. A revanche de um partido no qual o quercismo foi uma doença infantil que se fortaleceu na maturidade e chegou ao poder com a deposição de Dilma Rousseff.

Pode-se acusar o PSDB de tudo, mas ele tem uma corrente ideológica. É ambígua, convive com o que condena, mas preserva uma ambição ideológica. Quem duvidar dessa característica pode ler quaisquer páginas dos três volumes dos "Diário da Presidência", de FHC.

Enquanto os tucanos mandaram em Brasília, sempre houve quem defendesse um endurecimento do jogo com o PMDB. Tratava-se de contrariar seus pleitos, elevando a tensão, na certeza de que o partido de Temer seria capaz de tudo, menos de romper com o governo. A ideia nunca foi em frente. Numa trapaça da História, Temer está na Presidência e fez com os tucanos o que eles não tiveram coragem de fazer com ele.

Elevou a tensão e obrigou o PSDB e seus valorosos intelectuais a decidir se são valentes a ponto de apoiar programas e abandonar cargos.

Para Tasso Jereissati, isso não é ameaça, é conforto. Para Temer, a briga com Aécio Neves é um presente dos deuses. O PSDB, dividido, poderá encolher, dando ao PMDB o direito de sonhar com o seu espólio. Não foi uma vingança planejada, era apenas inevitável.
Herculano
23/08/2017 08:44
DILMA VIROU GAROTA-PROPAGANDA DA PRIVATIZAÇÃO, por Josias de Souza

Dilma Rousseff fez uma involuntária defesa da privatização da Eletrobras. Ela foi às redes sociais para dizer que a venda da estatal deixará o país "sujeito a apagões". Declarou que "o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica." No era petista, Dilma foi xerife do setor elétrico. Nessa época, a Eletrobras frequentou o noticiário como caso de polícia e de incompetência gerencial. Assim, quanto mais Dilma se manifestar contra, maior tende a ser o apoio à privatização da Eletrobras.

Como ministra de Minas e Energia de Lula, Dilma transformou a Eletrobras num parque de diversões do PMDB do Senado. A Lava Jato mostrou que o partido de sarneys, renans, lobões e barbalhos saqueou a estatal. Como presidente da República, Dilma manteve a fuzarca. Em obras como a Hidrelétrica de Belo Monte, o PMDB dividiu as propinas com o PT.

Além da roubalheira detectada pela Lava Jato, a Eletrobras foi vítima do populismo de Dilma. Antes da eleição de 2014, madame promoveu uma redução artificial das contas de luz. Relegeu-se. Mas produziu um tarifaço pós-eleitoral e enfiou dentro do balanço da Eletrobras um prejuízo de algo como R$ 30 bilhões. Com esse histórico, as críticas de Dilma fazem dela uma espécie de garota-propaganda da privatização da Eletrobras.
Herculano
23/08/2017 08:43
PRIVATIZAÇÃO BEM-VINDA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Embora a avidez por recursos não seja a melhor conselheira em um processo de privatização, o governo dá sem sombra de dúvida um passo correto ao anunciar o intento de se desfazer da Eletrobras.

À notícia seguiu-se uma alta vertiginosa, de quase 50%, de ações da estatal negociadas em Bolsa. Os benefícios em potencial para o país, todavia, devem ir além dos antecipados pela euforia especulativa.

Em um único dia, o valor de mercado da empresa saltou para algo próximo de R$ 29 bilhões, semelhante ao que se pretende arrecadar com a desestatização. Há pela frente um complexo processo de definição das regras de venda, que precisa contemplar interesses de contribuintes e consumidores.

Sob o controle do governo, que conta com 63% do capital, a Eletrobras atua em geração, transmissão e distribuição. A empresa detém 32% da capacidade de geração de energia do país e mais de 70 mil quilômetros de linhas de transmissão. Opera também seis distribuidoras nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Toda essa base de ativos chegou a valer meros R$ 8 bilhões no pior momento da gestão de Dilma Rousseff (PT), a maior responsável pela ruína da companhia.

Na longa lista de desmandos administrativos estão perdas ocasionadas por planejamento deficiente nas usinas hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau; estouros no orçamento da usina nuclear Angra 3; a tentativa desatinada de baixar à força as tarifas de energia em 2012.

A ineficiência da Eletrobras se mostra ainda em comparações com o desempenho de empresas privadas, que precisam investir menos para gerar resultados similares.

Nem poderia ser diferente, dado o histórico de nomeações políticas para os postos de comando e o inchaço da folha de pessoal, que só recentemente começou a ser atenuado por meio de planos de demissão voluntária.

Se tudo isso recomenda a privatização, convém que sejam moderadas as expectativas de um desfecho célere para o processo.

Primeiro, porque infelizmente caminham a passos lentos os demais projetos de concessões e alienações em infraestrutura ?"particularmente rodovias e ferrovias.

Segundo, porque o modelo para a venda de uma empresa de tal calibre depende de um debate que ainda não parece amadurecido.

Dado o papel central da Eletrobras na organização do setor, será preciso ponderar temas como custo para o consumidor, concorrência e segurança energética.

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