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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Políticos escamoteiam fatos e ainda querem desmoralizar a imprensa livre, plural e líder pelos fracassos eleitorais deles.

15/10/2018

Os de Gaspar provam que não aprendem nada com as duras lições das urnas no dia 7 de outubro. Acorda, Gaspar!

Os políticos não se emendam. Nem alhures, e muito menos aqui onde no poder de plantão se acham donos da cidade e da verdade que criam para si. Surpreendidos e desnudados nas urnas como foram no domingo dia sete de outubro, mesmo reconhecendo em discursos após os resultados eleitorais de que algo está mudando, não foram ou são capazes de abandonar às velhas práticas. Entre elas, a de desacreditar a imprensa verdadeiramente livre, por isso líder e crível.

Agora, resignados, devido à falta de leitura, repaginação aos novos tempos, mas mesmo assim ignorando os sucessivos avisos de que o mundo está mudando, esses políticos caminham, sem opões, no brete para o abate no dia 28.

A imprensa erra. Eu erro. Todos erramos. Ninguém é infalível e perfeito. Simples assim!

E no meu caso, nunca errei intencionalmente neste espaço. E quando errei na informação por falha na pesquisa ou da fonte, ao me certificar do equívoco, antes mesmo de qualquer exigência legal, a não ser à ética, apressei-me em esclarecer e pedir desculpas – não apenas aos atingidos -, mas principalmente aos leitores e leitoras, razão do meu trabalho e da credibilidade do Cruzeiro do Vale – o mais antigo e o jornal de maior circulação em Gaspar e Ilhota, sem falar no portal, o mais acessado e atualizado.

Outra e antes de prosseguir: há diferenças substanciais entre informação e opinião. A opinião sempre será uma observação de um ângulo pessoal. Necessariamente ela não é a mesma do jornal. Ela é parte da pluralidade do Cruzeiro do Vale para com seus leitores e leitoras, bem como à comunidade que também é feita de divergências e contradições, outra essencialidade da sociedade que busca do melhor para si própria.

A TRANSPARÊNCIA E PLURALIDADE QUE OS POLÍTICOS REJEITAM PARA SUAS VERDADES

O jornal e o portal Cruzeiro do Vale não são entes ideológicos, dogmáticos ou corporativos. E expressar uma opinião sobre a vida política – e não dos políticos – de Gaspar, Ilhota, Santa Catarina e país – nos artigos que reproduzo na área de comentários do portal e cujo autores e origem sempre menciono - é a parte essencial de sobrevivência desta coluna, líder de leitura e acessos – números auditáveis, inclusive. Por outro lado, a informação é a matéria-prima essencial, por enquanto, da redação do jornal e do portal.

Entretanto, o caso que trato aqui, não era uma opinião, mas uma informação que transmiti. Ela estava num contexto do cenário político eleitoral, que revelei apenas depois do pleito. E de agora em diante, provocado, tratarei com abordagem opinativa. Essa informação a reproduzi em duas - quase despretensiosas - notinhas do dia seguinte às eleições. Exatamente quando fazia a primeira análise do desastre que foi para Gaspar as eleições parlamentares.

O líder do MDB na Câmara, um dos partidos mais derrotados aqui em Gaspar onde é poder com o prefeito Kleber Edson Wan Dall e uma bancada de quatro vereadores, Francisco Solano Anhaia, sem citar especificamente esta coluna e o Cruzeiro do Vale, resolveu me desmentir em causa própria, na tribuna da Câmara. “Não sei onde certa imprensa pega e inventa certas informações. Está tudo na placa”.

Primeiro, devo ressaltar, que para o poder de plantão, seja ele de que partido ou matiz ideológica ou de interesses forem, “imprensa boa” – e “isenta” na opinião deles - é aquela que fica de joelhos e mendiga para essa gente; é a que não faz perguntas fora do combinado previamente; é a que se “vende” e perde por isso, para sempre, a credibilidade e pasmem, por migalhas; é a que sabe dos jogos, jogadores e vícios, mas esconde tudo isso por pressão, constrangimento, proximidade e até à falta de alternativa econômica de sobrevivência; é a que enfraquecida pelos poderosos de plantão fica sem alternativas.

Segundo, saliento que já trabalhei com Anhaia. Conheço-o bem e naquilo que me alcança é do bem; de empregado, por sua perseverança, desafio e luta familiar, tornou-se um médio empresário bem-sucedido; e na política o acompanho desde o tempo em que era cabo eleitoral de José Hilário Melato, PP, também companheiro do seu trabalho, bem como a sua aventura e isolamento no PT, onde surfou uma onda de oportunidade. Saliento, contudo, também conheço Gaspar –e seus políticos - muito antes de Anhaia chegar aqui do Rio Grande do Sul. Então posso afirmar que ele já se incorporou aos ranços da cidade, infelizmente.

A FONTE É A DE QUEM ESTÁ LIBERANDO OS RECURSOS. SIMPLES ASSIM!

E qual o motivo da velada discórdia de Anhaia registrada na tribuna da Câmara e que tinha endereço certo? Estas quatro notinhas que estavam na seção Trapiche da coluna da segunda-feira da semana passada.

“É extremamente preocupante o que se fez nestas eleições em Gaspar. O deputado federal reeleito, Rogério Peninha Mendonça, MDB, usou uma lista de verbas de emendas parlamentares que teria mandado para Gaspar.

É do jogo. Mas, perigoso se a Justiça Eleitoral resolver olhar com lupa esse tipo de propaganda enganosa. Algumas ele só as pediu, mas aqui nem chegou ainda. E se não chegar?

A mesma coisa aconteceu, com o reeleito deputado estadual e que já foi secretário de Infraestrutura, Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, MDB, lá do Sul do estado. A verba que ele disponibilizou para o asfaltamento de parte da Rua Pedro Simon, na Margem Esquerda, não chegou aqui. Se perdeu na burocracia.

Duas coisas aconteceram: a primeira é que se escondeu isso e se fez a obra com recursos próprios do município. E para a enganação ser maior, o governo do MDB de Gaspar a colocou no tal projeto “Avança Gaspar” que nem aprovado na Câmara estava. E quando a verba chegar, se chegar? Haverá contabilidade criativa?”

Volto.

Primeiro a fonte é o próprio governo estadual. Está no Diário Oficial do Estado do dia 24.05.2018, na página 5, o extrato deste convênio para quem quiser consultar. Mas, Herculano, este é o início do processo. Você não atualizou o status desse processo? Afinal faz tanto tempo: estamos em outubro.

Segundo. Eu me preocupei com isto, sim! Na sexta-feira, feriado de Nossa Senhora Aparecida, depois de ouvir a gravação da sessão da Câmara de Gaspar, de terça-feira, fui de novo ao portal do governo do estado para conferir se eu tinha olhado alguma coisa enviesada, consequentemente errado na informação. Assim devia explicações e desculpas aos meus leitores e leitoras, bem como ao vereador.

Mas não! Está lá e os leitores, leitoras, eleitores, eleitoras podem conferir neste endereço eletrônico com os próprios olhos na internet: http://sistemas2.sc.gov.br/sef/sctransf/Pesquisa/porMunicipioBeneficiario?cdMunicipio=269&ano=2018&cdBeneficiario=5460

Está claro que o convênio é de R$666.666,67 – um número cabalístico perigoso. Por ele, o governo do estado destinou para a obra, R$500.000,00. É a tal verba parlamentar que o deputado, Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, tinha direito. E com ela, fez dobradinha com Anhaia, morador da Margem Esquerda, novo ardoroso cabo eleitoral. Resumindo: tal dinheiro era para o asfaltamento sobre os paralelepípedos da Rua Pedro Simon, entre a ponte Hercílio Deecke e a Rua Sebastião Hostins. Os outros R$166.666,67, segundo os termos do convênio, são a contrapartida da prefeitura para a obra.

Atenção: o que está dito lá no site do governo do Estado, o repassador dos recursos e fonte oficial da informação que dei?

Que apenas R$1.337,96 dos R$500.000,00 do governo foram liberados para Gaspar nesse convênio. E por que? Jogada! Também simples assim para entender. É um subterfúgio administrativo e legal, para que com este valor mínimo já liberado pelo governo do Estado, o Convênio possa existir como obrigação. Ou seja, com ele o governo do estado se obriga a desembolsar o que deve até o fim do atual mandato, ou então registra para o próximo exercício em “restos a pagar”. Entenderam?

Terceiro. Quer mais? No dia 13 de junho, e a imprensa registrou no dia seguinte e nada apareceu no site da prefeitura porque era comício, Vampiro esteve apropriadamente à noite no Ferroviário. E lá posou com o tal papelinho nas mãos, deu entrevistas sem perguntas inconvenientes e fez discursos fora de época armado pelos políticos locais com a comunidade da Margem Esquerda.

Tudo foi combinado lá no dia oito de março, antes do deputado Vampiro sair da titularidade da secretaria estadual de Infraestrutura, um ambiente facilitador de trocas na cabala de votos.

Nas informações públicas da prefeitura, está dito que a obra custaria em torno de R$2 milhões e que o estado daria R$500 mil em contrapartida.

Ora se a cobertura de asfalto sobre os paralelepípedos da Pedro Simom começou oficialmente no dia 16 de julho e se tinha dois meses para termina-la. Findou-se com atraso às portas da eleição deste outubro, mesmo sem os R$500 mil prometidos pelo governo do estado. Conclusão? É certo que a prefeitura colocou dinheiro dela naquilo que faltou.

Ou não faltou vereador? Foi isso, que o senhor quis insinuar quando disse na tribuna que não era verdade o que se publicou aqui? Qual foi a conta errada que fiz? Ou seja, quem precisa esclarecer mais sobre as dúvidas desse assunto é a prefeitura e o próprio vereador. As minhas acabo de expressá-las.

O TEMOR DAS INFORMAÇÕES OFICIAIS DESENCONTRADAS

Na verdade, o que todos políticos temem é também o que se revela numa outra pequena nota que publiquei na seção Trapiche da coluna desta sexta-feira e feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale.

A promotora da Comarca, Andreza Borinelli, mandou instaurar inquérito civil para apurar “possível” conduta improba do prefeito de Ilhota, Érico de Oliveira, MDB, durante a campanha eleitoral. Perguntar não ofende: mas, só Ilhota?

Finalizo: se o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, diz “não saber” onde “certa imprensa pega e inventa certas informações”, eu já lhe dei o caminho acima. Definitivamente aqui ele e outros não estão trabalhando com uma “certa imprensa”, como parece o vereador estar acostumado, mas é com a “imprensa” que faz o papel dela antes que os eleitores apliquem à surpreendente falta de votos nas urnas como aconteceu há dois domingos. Sinais, grandes sinais... Impercetíveis aos políticos no poder, infelizmente.

Outra. Pode não haver nada de ilegal e até eu bem acredito nisso. Todavia, os políticos estão usando, superlativizando, manipulando as informações e até verbas, no uso eleitoreiro aos seus interesses como se todos fossem analfabetos, ignorantes e desinformados. E a tal “certa imprensa”, negando-se a ser mais uma marionete dos seus jogos.

À imprensa amiga sobra-lhe o papel de informar – e é problema dela; pode até retransmitir o que está placa oficial do governo do estado e da prefeitura como se aquilo lá fosse tudo o que há sobre esse assunto. À imprensa livre, investigativa e inconformada com as placas, o press releases e as informações oficiais, a obrigação de esclarecer.

Ao colunista lhe é permitido o papel de comentar o que se passa e de ficar mais atento quando advertido pelo vereador. É que a advertência não é gratuita. Ela é resultado de algo contrariado ou que queria ver escondido. Aliás, o vereador possui uma das melhores e qualificada assessoria parlamentar para si na Câmara, mas ao que parece, prestar pouca atenção.

Os políticos de Gaspar dizem entender o que aconteceu no domingo dia sete de outubro, como demonstraram na totalidade dos discursos na Câmara de Gaspar na sessão de terça-feira quando se abordou o tema. Reconhecidamente, é um grande avanço em se tratando de políticos.

Entretanto, na prática, esses mesmos políticos parecem que resistem.

Transferem as suas culpas para a imprensa, os adversários e querem ao mesmo tempo, os observadores do cenário onde dizem ter domínio, todos quietinhos, subjugados... Se calam a imprensa como um ato de poder ou constrangimento, as redes sociais e principalmente os aplicativos de mensagens, estraçalham esses manipuladores políticos. E o escrutínio dos votos completam o serviço em minutos.

Então está na hora de uma penitência verdadeira e completa desses políticos. Há alguma dúvida? Acorda, Gaspar!


O comício noturno de julho com a comunidade no Ferroviário, todos os políticos posavam com o papelinho para a foto dos recursos estaduais para a Pedro Simon e que ainda não chegaram a Gaspar


TRAPICHE

O estilo de ser do prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall e do secretário de Saúde – o prefeito de fato -, o advogado Carlos Roberto Pereira, ambos do MDB, foi registrado na última sessão da Câmara pelo médico e presidente da Casa, Silvio Cleffi, PSC. Ele cria política e era amigo de ambos. Agora na oposição é momentaneamente desafeto político dos dois.

Cleffi defendeu a criação de um tal “Espaço da Saúde da Mulher, na Policlínica”, por lá reunir a possibilidade de integrar várias especialidades. E, por vias tortas, a prefeitura lançou na semana passada algo com o mesmo objetivo e denominado de “Programa Amanhecer”.

O ato aconteceu no auditório da Ditran, num ambiente não identificado com a Saúde, marcado na última hora e no horário de trabalho do médico-vereador, representante de um poder, o Legislativo. Silvio foi à tribuna se queixar.

Silvio mostrou que o “Programa Amanhecer” se parece com o que pregava. O objetivo do Programa, segundo a prefeitura, “é o de desenvolver medidas de prevenção e promoção à saúde, com foco na atenção para a gestante durante o pré-natal, assim como ao recém-nascido”.

Evidências I. A primeira é de que “a vingança é um prato que se come frio”. A vingança tem sido uma marca do poder político de plantão e algumas delas trouxe consequências nas eleições deste outubro. Mas está em curso, algo volumoso.

Evidências II. A segunda é que Silvio não se preparou para ser presidente da Câmara, que ganhou num jogo com a oposição, onde se juntou e fez maioria contra Kleber, o doutor Pereira... A presidência da Câmara exige disponibilidade para a gestão e representação de um poder, além do exercício da vereança. Então...

Evidências III. Outra queixa e revelação de Silvio Cleffi: ele é médico cardiologista voluntário no Hospital de Gaspar. Ulalá!

Evidências IV. É que o poder de plantão explicitou que ele como vereador não pode ser ao mesmo tempo “empregado” no Hospital que está sob intervenção municipal, pois assim a legislação supostamente impede esta dupla “função”.

Evidências V. A advertência, coincidentemente, só veio depois que os dois lados abriram o conflito por poder, ideias e interferências mútuas na área de Saúde. Quando eram do mesmo time nada impedia Silvio ser empregado do ou prestador de serviços no Hospital.

De longe, a fala simples do vereador Evandro Carlos Andrietti, MDB, de Gaspar, foi o melhor discurso penitencial na sessão da Câmara dos derrotados nas eleições de sete e outubro. A melhor “mea culpa”, foi sem dúvida, a de Dionísio Luiz Bertoldi, PT.

Incoerência I. O suplente de vereador Hamilton Graff, PT, e que já provou o amargor da falta de votos nas urnas para a reeleição em Gaspar, disse que na eleição deste ano faltou dinheiro. Bah!

Incoerência II. O suplente está desmemoriado e renegando a história e a própria origem do PT, que sem dinheiro, foi o tsunami que varreu mentes, corações e urnas há 14 anos. Com o tempo se tornou uma máquina de compra de votos, e aí ficou igual aos outros, enfraqueceu e se tornou alvo como os demais.

Incoerência III. Graff deve estar cego. Pois o PSL, igual o PT foi no passado; Bolsonaro, igual foi Lula no passado, sem dinheiro estão lavando a égua. Estão anulando os grandes esquemões que usaram não só o dinheiro roubado dos pesados impostos, mas o que no Orçamento foram para o Fundo Partidário criado pelos políticos em causa própria para a farra e que estão faltando à saúde, educação, segurança e obras, como a duplicação da BR 470.

Incoerência IV. Até o fechamento da coluna eram contabilizados R$3,5 bilhões desviados – tudo dentro da lei aprovada pela Câmara e Senado - dos nossos impostos para as campanhas políticas neste ano.

Incoerência V. Outro vereador do PT de Gaspar, Dionísio Luiz Bertoldi, e que conhece bem esse assunto de campanha eleitoral, pois seu irmão foi candidato derrotado a prefeito, disse que os “perfurades”, aquelas propagandas nos vidros traseiros dos carros, eram “tabeladas” em R$400 aos que aceitavam exibi-las por aqui.

Incoerência VI. Primeiro o preço quem inflou foi o mercado puxado pelo PT, em muitos casos no passado como se prova agora na Lava Jato, com dinheiro roubado. Segundo é do jogo. Terceiro, se há alguma irregularidade, Bertoldi já devia ter sido denunciada no Ministério Público Eleitoral da Comarca. Quarto se não fez, é conivente. Quinto se não há nada ilegal, é choro de mau perdedor. Acorda, Gaspar!

O vereador Rui Carlos Deschamps, PT, passou por um cateterismo. Veio na terça-feira e convocado para dar parecer num Projeto de Lei, iniciou a leitura de um outro, por erro da sua assessoria. Não perdeu o humor enquanto esperava o documento certo para leitura: “a pane no coração, afetou a mente”.

Passou. Foram aprovadas as contas de 2016 do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT. É do último ano do governo do seu terceiro mandato. O referendo foi unânime e sem nenhuma observação, questionamento e discurso.

Os comissionados e os em cargos de confiança da prefeitura de Gaspar não desgrudam os olhos desta coluna e principalmente das edições do Diário Oficial dos Municípios. É angustiante falar com essa gente. O clima de terror está implantado. O resultado virá em outubro de 2020. Mais uma vez, os que estão no poder de plantão não enxergaram o que estão plantando.

 

Comentários

Miguel José Teixeira
15/10/2018 22:08
Senhores,

Para quem já esqueceu do governo dos PeTralhas, durante mais de 13 anos, refestelem-se:

"O julgamento do recurso do ex-ministro Antonio Palocci, condenado no ano passado, em primeira instância, a 12 anos de prisão pelos crimes corrupção passiva e lavagem de dinheiro, entrou na pauta do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) do dia 24 de outubro, quatro dias antes do segundo turno...

+ em:

https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/eleicoes/2018/10/11/palocci-sera-julgado-pelo-trf4-quatro-dias-antes-do-segundo-turno.htm

Vade retro, retrocesso!
Miguel José Teixeira
15/10/2018 19:20
Senhores,

Importante músico inglês, que, com o seu AUTORITARISMO EXACERBADO, segregou uma das maiores bandas de todos os tempos, passou por Brasília, ensinando os brasileiros a não votarem em candidato autoritário e, de quebra, faz "cover" do grupo que esfacelou. . .

Viva a Democracia!
Herculano
15/10/2018 18:54
IBOPE: NO 2º TURNO, BOLSONARO TEM 59% DOS VOTOS VÁLIDOS E HADDAD 41%. SÃO 18 PONTOS À FRENTE

Candidato do PSL abre 18 pontos de vantagem em relação ao rival petista, aponta levantamento

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Daniel Bramatti. A menos de duas semanas para o segundo turno da eleição presidencial, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, tem 59% das intenções de voto, contra 41% do petista Fernando Haddad, segundo pesquisa

O cálculo considera apenas os votos válidos, ou seja, exclui os nulos, brancos e indecisos. Levando em conta o eleitorado total, Bolsonaro lidera por 52% a 37%. Há ainda 9% dispostos a anular ou votar em branco, e 2% que não souberam responder.

Bolsonaro abriu 18 pontos porcentuais de vantagem nos votos válidos desde o primeiro turno, realizado no dia 7, quando ficou à frente do principal adversário por 46% a 29%.

Além de perguntar aos entrevistados quem é seu candidato preferido, o Ibope procurou medir o potencial de voto de cada um dos concorrentes. Após citar o nome de cada um dos candidatos, os entrevistadores perguntaram aos eleitores se votariam em cada um com certeza, se poderiam votar ou se não votariam de jeito nenhum.

Bolsonaro é o que tem mais simpatizantes convictos: 41% votariam nele com certeza, e 35% não votariam de jeito nenhum. Haddad é o que tem a maior rejeição: 47% não o escolheriam em nenhuma hipótese, e 28% manifestam certeza na escolha.

O Ibope ouviu 2.506 eleitores nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo Nº BR-01112/2018. Os contratantes foram o Estado e a TV Globo.
Herculano
15/10/2018 18:31
NA SEGURANÇA, IDEIA DE BOLSONARO ESTIMULA CRIME, por Josias de Souza

Em matéria de propostas para os problemas nacionais, Jair Bolsonaro raramente se mostra um candidato bem-alimentado. Ou está com excesso de alimentação ou morrendo de inanição. Nesta segunda-feira, o capitão declarou a uma rádio de Barretos (SP) que o projeto do seu hipotético governo é fazer o Brasil "ser igual 40, 50 anos atrás". Disse isso no instante em que discorria sobre a insegurança que vigora nas grandes cidades do país. A solução seria o encarceramento. "Cadeia não recupera ninguém", afirmou. "Cadeia é para tirar o elemento da sociedade''.

Se fosse possível enfiar o Brasil numa máquina do tempo, um recuo de 50 anos transportaria o país para 1968. Nessa época, a população brasileira era de 93,1 milhões de pessoas. Não havia telefone celular nem facções criminosas dentro dos presídios. O regime era militar. E o general de plantão, Costa e Silva, editou o AI-5, que autorizava o Estado a recorrer a todas as arbitrariedades que uma ditadura é tentada a adotar.

Hoje, a população mais do que dobrou, ultrapassando a marca de 208 milhões de pessoas. A urbanização desenfreada potencializou o mercado do crime. Cadeia é um outro nome para escritório de criminoso. O regime é democrático. E existe uma Lei de Execuções Penais que prevê a ressocialização de criminosos por meio do trabalho e da educação. .

Bolsonaro trata a prisão como início da solução. Na verdade, é o início do problema. Como se sabe, não há no Brasil nem pena de morte nem prisão perpétua. Ou seja: cedo ou tarde o preso será devolvido às ruas. O diabo é que o sistema prisional ficou tão violento no país que as prisões estão vomitando essa violência para a sociedade.

Como reconhece o capitão, "cadeia não recupera ninguém". A omissão do poder público nos presídios, vitamina as facções criminosas. Abandonados pelo Estado, os presos ficam à mercê do crime organizado. Na prática, o Estado fornece mão-de-obra para as facções. Em troca de supostos favores e de proteção, os condenados são compelidos a cumprir ordens da criminalidade mesmo após deixar as cadeias. É esse o modelo preconizado por Bolsonbaro. Sem AI-5.
Herculano
15/10/2018 18:15
UFA, SE A MODA PEGA

O ministro Alexandre de Moraes criticou demora de um juiz para julgar ação de tráfico em curso há quatro anos. Ele determinou que magistrado de 1º grau julgue em 15 dias denúncia do MP contra envolvidos na operação Paçaguá, que prendeu 55 pessoas no fim de 2014.
Miguel José Teixeira
15/10/2018 13:30
Senhores,

Na mídia:

"Sobre o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, Haddad afirmou que não compactua com ''nenhum regime autoritário de direita e de esquerda'' e que ''a falta de liberdade é o caminho para o inferno''....

Huuummm. . .pelo andar da carruagem, até o dia 28 o haddad pedirá o exílio do zédirceu e a execução do presidiário lula em praça pública. . .

Vade retro, retrocesso!
Herculano
15/10/2018 11:19
EM 2016, PT LAMENTOU NÃO TER AMPLIADO SEU CONTROLE DA SOCIEDADE

Em autocrítica durante o impeachment, partido fala em criar força política, social e cultural para dirigir o país

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fernando Canzian. ?O PT e seu candidato a presidente, Fernando Haddad, têm se recusado a fazer uma autocrítica mais direta dos erros do governo Dilma Rousseff e sobre posicionamentos que não ajudam o partido a conquistar os eleitores de que precisa no centro.

?Mas um movimento interno de revisão foi feito durante o processo de impeachment da ex-presidente em 2016.

Ele foi, no entanto, na direção oposta, do que o partido deixou de fazer e onde errou ao não ter aprofundado teses mais à esquerda e mecanismos que pudessem ampliar o controle da sociedade.

Isso passava pelo aumento da influência do Estado sobre algumas instituições, como Polícia Federal, Ministério Público e Forças Armadas, além de uma maior "democratização" dos meios
de comunicação.

Aprovada pelo Diretório Nacional do PT em 17 de maio de 2016 (um mês após a votação da abertura do processo na Câmara dos Deputados), a chamada Resolução sobre Conjuntura afirma que o partido errou em várias frentes:

1)?ao priorizar "o pacto pluriclassista que permitiu a vitória de Lula em 2002";

2)?ao não "impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público";

3)?ao ter deixado de "modificar os currículos das academias militares e de promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista";

4)?ao não "redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação".

Deixando de tomar essas e outras ações no mesmo sentido, o PT teria aberto o flanco, segundo o documento, para o desfecho de "uma ofensiva planificada" ao redor de uma "conspiração golpista" marcada "pela fraude e a manipulação".

Nesta campanha eleitoral, em que segmentos do mercado cobram do PT uma postura mais atualizada, a resolução de 2016 criticava também a "subordinação aos centros imperialistas" que via no projeto "Ponte para o futuro" do vice-presidente Michel Temer.

Nessa visão, os "golpistas" buscavam atrair "fluxos privados de investimento, locais e internacionais, conforme reza a antiga cartilha neoliberal".

Um bom resumo do documento talvez esteja no trecho em que o PT?afirma que "a hegemonia dos trabalhadores no Estado e na sociedade" não depende apenas de administrações bem-sucedidas.

"Mas da concentração de todos os fatores na construção de uma força política, social e cultural capaz de dirigir e transformar o país."

Para o cientista político Marcus Melo, da Universidade Federal de Pernambuco, o documento do PT?seria uma "peça canônica do iliberalismo". Nela, diz, o partido mostraria sua "dificuldade histórica em abraçar a democracia representativa como único caminho possível".

Já o cientista politico Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, considera a resolução de 2016 uma "pérola" que remete aos anos 1980 no que se refere a "uma conspiração norte-americana" contra os governos latino-americanos.

Na época da produção do documento, o PT era presidido por Rui Falcão, agora deputado federal eleito mais votado do partido em São Paulo.

Procurado, ele não retornou os contatos da reportagem.

1) Apesar de acusar um "golpe parlamentar" que "rasgou a Constituição" com a ajuda de "velhas oligarquias, mídia monopolizada e do grande capital", o impeachment seguiu a Constituição e teve supervisão do STF. Na Câmara, o pedido foi aprovado por 367 votos a 137. No Senado, por 55 a 22.

2) Uma "política externa imperialista" orientava as reformas do governo Temer e o PT era contra elevar os investimentos com capital nacional e estrangeiro em detrimento do consumo. Uma das críticas ao modelo petista foi a dependência do crescimento no consumo, que aumentou o dobro do PIB, e acabou pressionando a inflação.

3) Em 2016, a Lava Jato já investigava havia dois anos contratos da Petrobras firmados nos governos do PT. Ex-diretores da estatal, doleiros, ex-deputados de vários partidos e empreiteiros acabaram presos. Aécio Neves (PSDB), adversário de Dilma em 2014, hoje é réu. O fortalecimento das estruturas de combate à corrupção se acentuou com o PT.

4) As "classes dominantes" reagiram à melhora no "equilíbrio distributivo"; e o aumento do bem-estar por meio de "administrações bem-sucedidas" não foi suficiente para garantir a "hegemonia" dos trabalhadores sobre o Estado. O ideário pregava a "concentração de todos os fatores" em uma "força política, social e cultural capaz de dirigir e transformar o país".

5) Foi um "equívoco político" abandonar reformas e não ter havido a "democratização dos meios de comunicação", já que eles teriam contribuído, com a Lava Jato, na "guerra de desgaste contra dirigentes petistas". Haddad diz agora que é preciso limitar a chamada propriedade cruzada de diferentes mídias em uma única empresa de comunicação.

6) Havia uma "sabotagem conservadora" da Polícia Federal e do Ministério Público contra o partido, que se "descuidou" da necessidade de modificar os currículos das academias militares. O PT já havia criticado alas mais antigas das Forças Armadas que se posicionaram contra a Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes da ditadura.

7) O documento também fala em "redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para meios de comunicação". Durante os governos petistas, vários sites e blogs simpáticos ao Partido dos Trabalhadores receberam verbas ?"houve repasses de R$ 5,1 milhões em 2015, por exemplo, a 13 meios desse tipo listados pela Folha.
Herculano
15/10/2018 11:15
BOLSONARO REAGE A BOULOS: "VAMOS TIPIFICAR COMO TERRORISMO QUALQUER INVASÃO DE PROPRIEDADE PRIVADA"

Conteúdo de O Antagonista. Em sua 'live' de domingo no Facebook, Jair Bolsonaro reagiu ao vídeo de um comício feito por Guilherme Boulos na quarta-feira passada, ao lado de Gleisi Hoffmann, em cima de um carro de som no Masp, em São Paulo, no qual o candidato derrotado do PSOL disse que só deixaria passar o feriadão para voltar a fazer mobilizações pelo país e a militância cantou em coro: "?" Bolsonaro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação".

Boulos afirmou que "o MTST ocupa terreno improdutivo, e a casa do Bolsonaro não me parece uma coisa muito produtiva".

"Você deve ter visto um vídeo de ontem, ou anteontem, do Boulos insuflando uma massa enorme para invadir, ocupar a minha residência. O que você faria se o Boulos e 2 mil pessoas ameaçassem invadir a sua residência? Se eu for o presidente e se o Parlamento assim entender, nós vamos tipificar como terrorismo qualquer invasão de propriedade privada", disse Bolsonaro.

Em rede social, Boulos alegou que fez apenas uma ironia.
Herculano
15/10/2018 11:10
MINISTRO DO ERRO

de Guilherme Fiuza, no twitter

No Dia do Professor celebramos Fernando Haddad, que ensinou os brasileiros a escrever "nóis pega o peixe" (e a grana), fraudou o Enem três vezes e trocou a sala de aula pela cadeia para aprender com o mestre da ignorância. Parabéns!
Herculano
15/10/2018 10:53
UMA PROPOSTA BOA, MAS FORA DO CONTEXTO E PERIGOSA PARA BOLSONARO SE ELA SE CONCRETIZAR. LULA ESCORREGA E SE COMUNICA COMO POUCOS

Do presidenciável Jair Bolsonaro, PSL, sobre ir ou não a debates neste segundo turno

"Querem que eu compareça a um debate de qualquer maneira, mas eu dependo de uma avaliação médica. Agora, eu vou debater com ele, Haddad? Por que não tiram o Lula da cadeia para debater comigo? Se bem que eu não iria debater com Lula de jeito nenhum"
Herculano
15/10/2018 10:46
MORALIDADE EM EXCESSO ESCONDE A FRAGILIDADE DO GESTOR

De Gérson Camarotti, no twitter

Há um debate excessivo de temas morais na campanha de 2018. O que a gente perde com isso? Deixamos de debater questões realmente necessárias. Ninguém está discutindo a grave situação fiscal do país
Herculano
15/10/2018 10:44
HÁ UM CERTO CANSAÇO EM MEIO AO FESTIVAL DE BAIXARIAS; OS LIMITES DESAPARECERAM, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Faltam ainda duas semanas para a eleição. A julgar pela voltagem ideológica das redes sociais, parece uma eternidade. Fora os muitos entusiasmados profissionais de um lado e de outro, há uma espécie de enfaro no ar. As pessoas estão um tanto cansadas; já não aguentam o festival de acusações e de imprecisões que toma conta das campanhas. Sim, a bem da verdade, é preciso que se diga: os defensores de Jair Bolsonaro (PSL), não importa se sob o comando ou não da turma que obedece a seu mando, são muito mais ágeis e caudalosos ao espalhar "fake news". Também as há, por óbvio, oriundas dos partidários de Fernando Haddad (PT) contra o adversário. Mas faça você mesmo o teste. Tire agora o seu celular do bolso e entre no WhatsApp, vá à sua página no Facebook ou a seu perfil no Twitter e veja que lado - já que os lados estão aí - disparou mais petardos contra o adversário. Aproveite e também proceda a uma avaliação qualitativa sobre as acusações. Uma das mais barulhentas, retirada depois, mas deixando rastros, assegurava que, se eleito, Haddad pretenderia legalizar a pedofilia - nada menos. Deveria haver um limite para a desqualificação do outro. Como se vê, não há.


É claro que o PT paga o preço de uma estratégia, e eu já tratei do assunto aqui, que teve a sua eficácia, mas que deixou sequelas. O partido misturou dois domínios que deveriam ter permanecido separados: o da eleição e o do processo contra o ex-presidente Lula. Foi uma escolha, que fique claro!, do próprio Lula. Preso na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, o líder petista está distante da temperatura das ruas e certamente não recebeu o briefing adequado do que ia pelos bares e breus das tocas, como diria o esquerdista Chico Buarque. Jair Bolsonaro há muito já havia capturado os corações curtidos no antipetismo. Boa parte desses capturados repudia o PT por bons motivos. Ou que fale, então, o desastre a que Dilma Rousseff, uma das escolhidas de Lula - para estupefação, à época, de muitas lideranças do partido - conduziu o país. Mais: a mesma Lava Jato que encarcerou Lula havia devastado não apenas a reputação do PT, que, convenham, resistiu com poucas escoriações na comparação com outras legendas. A política como um todo foi reduzida a quase cinzas. E o "capitão" vinha se oferecendo havia pelo menos dois anos como o porta-voz dessa indignação.

Fosse a política apenas um conta de chegada até a disputa seguinte, Lula teria escolhido o caminho mais razoável, que lhe foi oferecido por Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e senador eleito pelo Estado. Se o objetivo fosse "vencer a direita ou a extrema-direita", então o partido poderia ter-se aliado a Ciro Gomes (PSB), e as chances de sucesso seriam certamente maiores. A pauta de Ciro não era tão distante da pauta petista; ele não teria de responder pelo enorme passivo que o partido sabia ter; não se teria a crítica fácil de que o candidato estava sendo manipulado ou conduzido por um presidiário, e o combate a Bolsonaro certamente teria sido antecipado ?" afinal, os petistas demoraram a perceber o tamanho do risco. Não foi só o PSDB que apostou que o seu candidato poderia fazer frente a Bolsonaro. Também os petistas apostaram nessa possibilidade. Mas isso não aconteceu. E a facada tornou tudo mais difícil.

Se o PT sabe que está morto como projeto hegemônico - e está -, não podia abrir mão de manter a hegemonia da esquerda - ou, ainda melhor, das esquerdas. Ciro sempre foi leal ao partido nas alianças políticas, desde a vitória de Lula, em 2002, mas tinha vida própria e não era um deles. Entre vencer a direita ou a extrema-direita, mas sendo eventualmente reduzido ao papel de coadjuvante, e correr o risco de perder, mas seguindo protagonista na vida pública, ainda que liderando a oposição, Lula escolheu o segundo caminho. Assim, os que se sentem constrangidos, estarrecidos ou amuados que seja Bolsonaro a liderar um dos polos da opinião têm de lembrar que assim as coisas são porque o PT fez uma escolha. E, por óbvio, há uma legião de não-esquerdistas - liberais, sociais-democratas, democratas ou simplesmente amantes da civilidade política - que não se sentem contemplados pelo bolsonarismo e que lamentam que o PT tenha pensado primeiro em seu próprio protagonismo. Ou por outra: essa espécie de frente ou movimento antifascista com que o partido acena no segundo turno - embora evite tal nome, no que faz bem porque é conversa de iniciados - deveria ter sido efetivada no primeiro turno.


Lula era a fortaleza do PT - e a aposta se mostrou correta. Mas também era, e seus índices de rejeição já o indicavam - a sua fraqueza. Quando o TSE declarou a sua inelegibilidade, ainda vencia todas as simulações de segundo turno, mas quase metade do eleitorado dizia não votar em alguém que ele indicasse. Outra quase metade afirmava que o faria ou poderia fazê-lo. A transferência de votos se deu de modo, vamos convir, espetacular. Em três semanas, Fernando Haddad saiu do quase nada para disputar o segundo turno e obteria, ainda que derrotado por Bolsonaro segundo as simulações feitas até agora, mais de 40% dos votos válidos. Se, no entanto, o viés não mudar, esses votos não serão suficientes para vencer o candidato do PSL. A vitória inicialmente buscada, qualquer que fosse o adversário, está assegurada. A questão agora é o que vai acontecer com o país.

O ideal, nesta eleição como em qualquer outra, é que houvesse debate de propostas entre os candidatos. A simples menção ao tema, no entanto, já é considerada pelo eleitorado de Jair Bolsonaro como escolha de um lado. Afinal, debater para quê? A resposta óbvia não serve: para que saibamos quais são as propostas de cada um. Parece óbvio que, garantidas as condições de salubridade e com a devida retaguarda para uma eventual intercorrência, o candidato do PSL está em condição adequada, física e intelectualmente, para enfrentar um embate de ideias com o seu adversário. Escolheu, por enquanto, o que considera mais seguro: pregar apenas a convertidos, sem enfrentar o contraditório.
Herculano
15/10/2018 10:35
ELE NÃO PODE TUDO, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

A ilusão de que o presidente eleito tem grande autonomia para mudar o que quiser vai se dissipar conforme a ansiedade eleitoral dê lugar à sobriedade dos dias comuns

Preconceitos baseados em apreensões superficiais da democracia brasileira se espalham como fogo na serragem. Supõe-se que o presidente da República eleito no próximo dia 28 será um todo-poderoso capaz de mudar o curso das políticas públicas, das instituições e do comportamento social num estalar de dedos.

Daí brota o pânico do rival. A ameaça de um lado seria o "fascismo". Do outro, o "comunismo". As duas campanhas atiçam o surto de medo, pois lucram com ele.

Mas o fato, que ficará claro conforme o novo governo se desenvolva e a sóbria modorra do cotidiano prevaleça sobre a ansiedade, é que o presidente da República está mais limitado do que nunca sob esta Constituição.

A mandatária que atingiu picos de popularidade foi cassada por esta legislatura. Com Temer neutralizado, o Congresso aprendeu a partilhar o Poder Executivo, num tipo de semipresidencialismo cujo enraizamento não está descartado.

Superprerrogativas do Planalto, como a edição irrestrita de medidas provisórias, a execução arbitrária do Orçamento e as nomeações sem critérios para estatais, deixaram de existir. A governança da Petrobras foi reformada de modo a dificultar bastante a volta ao desmantelo que originou o petrolão.

Agreguem-se as reiteradas demonstrações de autonomia do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União. Em outros corpos regulares nacionais, caso do Itamaraty, das Forças Armadas e da Receita Federal, cristaliza-se uma longa tradição de procedimentos estáveis e visões de mundo relativamente homogêneas.

A lista de constrangimentos ao poder presidencial ainda abrange a opinião pública pujante, a imprensa livre e fiscalizadora e fatores circunstanciais, como a crise fiscal que drena a tinta de sua caneta.

Ele não pode tudo. Pode cada vez menos. Daí virá a fonte provável de desgaste do próximo presidente perante seus eleitores.
Herculano
15/10/2018 10:34
CAMPEõES DE VOTO MOSTRAM INUTILIDADE DO 'FUNDÃO', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiros

Além de desmoralizarem as pesquisas de intenção de votos, grandes derrotadas do dia 7, as campanhas vitoriosas no primeiro turno, como a de Jair Bolsonaro (PSL) ou de Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais e ainda de Wilson Witzel (PSC), no Rio de Janeiro, têm em comum o reduzidíssimo tempo de propaganda no horário gratuito no rádio e na TV. Eles tampouco usaram dinheiro do indecoroso Fundo Eleitoral.

BAIXO CUSTO, MUITOS VOTOS
Os campeões de votos não se valeram de produções milionárias para rádio e na TV. Preferiram produções até primárias, nas redes sociais.

ISSO PRECISA ACABAR
Eleito senador com 9,3 milhões de votos, Major Olímpio (PSL-SP) vai propor a extinção Fundo Eleitoral, que chama de "fundo da vergonha".

FUNDO ELEITORAL PARA QUÊ?
Para obter mais de 2 milhões de votos, a deputada Janaína Paschoal (PSL) gastou menos de R$60 mil e se valeu das redes sociais.

CAMPANHA BARATA
O deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP), 458 mil votos, só precisou de redes sociais. Dispensou até os R$500 mil oferecidos pelo partido.

NOVATOS NA POLÍTICA TERÃO ATUAÇÃO INDEPENDENTE
Para o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, especialista em tendências de comportamento político, os novatos eleitos este ano "estarão sempre a um passo de virar oposição" porque não dependem de nada. Não precisaram do Fundo Eleitoral para se eleger, o que lhes dá independência das cúpulas partidárias, tampouco da liberação de emendas parlamentares, moeda de troca usada pelos governantes.

BANCADA DAS REDES
Os novatos sabem, sobretudo os mais jovens, que não precisam de muito para sobreviver politicamente. Só precisam das redes sociais.

FICOU TUDO DIFERENTE
Murilo Hidalgo lembra que os parlamentares mais votados em 2018 não dependem de prefeitos ou de vereadores: "Eles têm redes sociais".

MAIS INDEPENDENTES
Os eleitos, sem dívidas de campanha, não precisam se submeter a nada. "Serão muito mais independentes", observa Hidalgo.

REVOLUÇÃO PELO VOTO
Repetindo a ladainha da "onda conservadora" ou "disputa esquerda vs. direita", os "analistas" de política nem sequer perceberam que o povo brasileiro inventou uma "revolução pelo voto", começando por mandar para casa (e para o juiz Sérgio Moro) um bando de políticos ladrões.

NASCIDO EM 2013
O comportamento dos brasileiros nas urnas de 2018 nasceu em 2013, quando milhões de pessoas inconformadas e indignadas, sem líderes e nem bandeiras, gritaram sua revolta contra os políticos.

LÍDERES DELES MESMOS
Os que foram às ruas votam em Bolsonaro porque ele estava no lugar certo, na hora certa. Nem são encantados com o candidato. São brasileiros que resolveram assumir o próprio destino contra a ladroagem, a incompetência, a hipocrisia, o atraso, a impunidade.

FALTA DE HÁBITO
Deputados federais podem até estranhar, mas a volta ao trabalho está prevista para esta semana. Há até sessões marcadas para esta terça-feira (16), mas, em fim de mandato, podem não dar quórum.

VALEU A TENTATIVA
Presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) até tentou trabalhar na quarta (10). Pôs em votação projeto de venda de distribuidoras da Eletrobras, mas ninguém apareceu e a votação foi adiada.

COMPETIÇÃO É TUDO
Responsável pelo programa de energia de Bolsonaro, o engenheiro Luciano de Castro afirma que vai baratear a energia com competição. "Vamos trilhar o único caminho que funciona realmente", disse.

PRIVILÉGIO INÚTIL
Acusado pelos correligionários de privilegiar a própria candidatura, na distribuição de recursos do Fundo Eleitoral, Tadeu Fillippeli, presidente do MDB-DF, foi um dos maiores derrotados na eleição de Brasília.

DIETA DAS URNAS
Secretárias de ministérios e do Planalto comemoram discretamente a derrota do deputado Professor Victorio Galli (PSL-MS) nas urnas. Era o "terror" delas, por esvaziar as cestinhas de balas nas salas de espera.
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PENSANDO BEM...
...já, já petistas vão pedir um debate entre o Fernando Haddad do primeiro turno e o outro candidato: Haddad do segundo turno.
Herculano
15/10/2018 10:33
A ONDA DA RENOVAÇÃO, por Denis Lerrer Rosenfield, no jornal O Estado de S. Paulo

Vote no Brasil ou compre sua passagem para a Venezuela ou para Cuba. Só de ida!

A onda da renovação atingiu profundamente a vida política brasileira. Os sismógrafos, a saber, os institutos de pesquisa, não conseguiram captar a intensidade das mudanças em curso, seja por instrumentos inadequados ou por viés ideológico. É como se houvesse uma torcida a orientar as análises e enquetes, cegando ou obscurecendo a irrupção que estava por vir. Quando não é a verdade o objetivo, a tendência consiste em ficar na superfície das coisas, numa espécie de acomodação ao politicamente correto, à esquerda tida por "boa" opção. Se assim foi até agora, por que não continuar?

Para tais posições, seria quase impensável sair da alternativa esquerda/centro-esquerda, PT e PSDB, como se esta falsa polarização fosse de natureza a satisfazer o pensamento (ou sua ausência), num jogral que terminou por produzir fastio à sociedade. Pela primeira vez desde o referendo sobre o Estatuto do Desarmamento - et pour cause -, os cidadãos foram chamados a outra opção, a de uma escolha que pudesse abandonar a falsa polarização existente, em proveito de outra posição, a de uma alternativa clara de direita.

A sociedade brasileira decidiu dizer não. Não a ser governada por PT, Lula e assemelhados. O antipetismo é uma resposta aos desmandos do partido. Não a ser governada da prisão, num modelo oriundo do PCC. Não à corrupção. Não a uma classe política que buscou seus próprios privilégios em lugar de trabalhar para o bem comum. Não à criminalidade e à insegurança que tomaram conta das cidades e do campo. Não aos tucanos que se resignaram ao muro e a um "diálogo" com os petistas, cessando de ser uma alternativa eleitoral.

O voto pró-Bolsonaro encontra forte enraizamento na sociedade brasileira. Ele encarnou o não em suas distintas significações, vindo a representar um forte anseio social pela mudança. A esta altura, querer desconstruir a sua imagem é um empreendimento hercúleo, pois significaria poder oferecer uma alternativa palatável ao "não", algo que os petistas não podem apresentar, precisamente por serem o símbolo daquilo que não é querido nem almejado pelos cidadãos.

A narrativa petista no primeiro turno, totalmente orientada por Lula na condição de presidiário, consistiu num discurso voltado para o gueto. Visou aos seus, como se estivesse a congregar tropas, embora pudesse apresentar-se enquanto opção coletiva. É dificilmente concebível - salvo na anomia brasileira e petista em particular - que um candidato a presidente da República vá todas as semanas ao cárcere buscar orientação, como se fosse um menor de idade que não sabe caminhar sozinho. Imaginem na Presidência!

Pior, trata-se de uma pessoa condenada por corrupção e lavagem de dinheiro, tendo já passado por todas as instâncias do Judiciário brasileiro, exercendo, até abusivamente, seu direito de defesa com recursos semelhantes, recorrentes e sistemáticos, procurando ditar os rumos do País. Impensável, fossem a democracia e as instituições republicanas respeitadas.

Ora, são essas mesmas pessoas, totalmente desorientadas pelos resultados das urnas, que procuram agora posar como "democratas", numa suposta frente contra o "fascismo". Não faltam colaboradores de plantão no campo dos tucanos, presos a um ideal há muito ultrapassado de aliança com seus "irmãos" social-democratas. O tempo passou. O sonho do passado esfacelou-se no pesadelo do exercício de poder de um partido que erigiu a corrupção, a apropriação das empresas públicas e a destruição da economia e dos benefícios sociais em projeto de governo. É essa a aliança "social-democrata" perseguida?

Credenciais democráticas o PT não tem. Lula considerava - e o PT continua a considerar - a Venezuela "socialista" uma democracia. O ex-presidente rasgava-se em elogios ao já ditador Chávez. Agora sustentam Maduro, com seus assassinatos sistemáticos, a asfixia das oposições e destruição das instituições. Era o modelo que tencionavam instalar no Brasil. Já antes sustentaram a ditadura dos irmãos Castro, financiada com polpudos créditos do nosso BNDES. A ditadura de Ortega na Nicarágua é outra excrescência dos petistas, que apostam nesse tipo de "democracia".

Se houve uma invenção histórica realizada pelo "socialismo do século 21" foi a de substituir a tomada violenta do poder, no modelo leninista ou castrista, pela apropriação perversa dos mecanismos democráticos. Ou seja, o processo eleitoral é utilizado para subverter a própria democracia. Foi a estratégia de Chávez na Venezuela, recorrendo a eleições e referendos para sufocar a própria democracia, destruindo suas instituições ?" a exemplo da eliminação da independência do Poder Judiciário e da asfixia completa do Legislativo, culminando com sua substituição por uma Assembleia Constituinte fajuta.

Na verdade, apropriaram-se do apelo da democracia na opinião pública para amordaçá-la. Dizem, então, respeitar a democracia com o intuito de aniquilá-la. O programa petista de governo, esse que está sendo oferecido aos cidadãos, abunda em expressões do tipo "conselhos populares", novas instâncias "democráticas", "movimentos sociais", "democracia participativa" e "Assembleia Constituinte", entre outras. São nada mais que palavras para enganar incautos, tendo como meta sufocar a democracia representativa, considerada "liberal", "burguesa" na acepção marxista.

O recente palavreado socialdemocrata nada mais é que um engodo. Se fosse verdade, teriam adotado essa orientação em seus longos 13 anos de governo. Em vez de recorrerem aos pais da social-democracia, como o teórico Eduard Bernstein no início do século 20 e o ex-primeiro-ministro alemão Willy Brandt no pós-Guerra, retomaram a "luta de classes" em sua forma canhestra do "nós contra eles".

Faça a sua escolha. Vote no Brasil ou compre sua passagem para a Venezuela (tendo Cuba como opção). Com direito só de ida!
Herculano
15/10/2018 10:32
IMPREVIDENTES, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Bolsonaro e Haddad até agora não expuseram planos consistentes para a reforma da Previdência

Já é grave o bastante que, em pleno segundo turno das eleições presidenciais, nenhum dos candidatos finalistas tenha explicado claramente seus planos para reformar a Previdência Social. Pior, nem mesmo demonstram dispor de um diagnóstico adequado do problema.

Sem mudanças capazes de controlar a escalada de despesas com aposentadorias, não será possível sustentar o teto de gastos nem haverá espaço para desenvolver outras políticas públicas focalizadas na redução das desigualdades.

Infelizmente, não se notam ideias coerentes a respeito de como lidar com o tema nas manifestações dos candidatos ou de seus assessores.

Do lado de Jair Bolsonaro (PSL), parece reinar uma grande confusão. O presidenciável se limita a dizer que o problema está nos privilégios e defende uma reforma fatiada, a ser realizada "vagarosamente".

Membros importantes de sua equipe tampouco emitem sinais consistentes. Em 2017, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), tido como provável ministro da Casa Civil num governo do capitão reformado, chamou de terrorismo demográfico os alertas para o rápido envelhecimento da população.

Ora, não pode haver controvérsia quanto à anomalia do caso brasileiro. O país gasta cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) com aposentadorias e pensões, montante equivalente ao de sociedades com participação de idosos na população muito maior.

Nos últimos dias, Lorenzoni descartou a possibilidade de que o novo governo venha a aproveitar, mesmo em parte, a correta reforma proposta pelo governo Michel Temer (MDB), em tramitação na Câmara dos Deputados.

A equipe de Bolsonaro também continua a insistir na criação de um regime de capitalização, no qual os novos entrantes no mercado de trabalho poupariam para sua própria aposentadoria.

Embora elegante do ponto de vista conceitual, tal opção traria custos que, segundo projeções, podem chegar a R$ 500 bilhões (4,1% do PIB) até 2050, na medida em que haveria menos contribuintes para bancar quem está no sistema atual.

Quanto a Fernando Haddad, a visão petista se mostra igualmente temerária. Bastaria combater privilégios dos que ganham mais, segundo dá a entender o candidato ?"e os ajustes do regime geral, incluindo a definição de uma idade mínima para aposentadoria, poderiam ficar para depois.

Em suma, a sociedade ainda não sabe como o novo mandatário pretende lidar com um desafio inescapável que, possivelmente, definirá o sucesso de seu governo. Prefere-se a retórica da procrastinação, que nos trouxe à ruína atual.
Herculano
15/10/2018 10:16
da série: é só insinuar mexer nos interesses poderosos corporativos como a aposentadoria de funcionários públicos de uma casta privilegiada, juízes e promotores que a ameaça reaparece

TEMER VICE A SÍNDROME DA 3ª DENÚNCIA CRIMINAL,por Josias de Souza

Faltam 76 dias para Michel Temer iniciar sua viagem do Planalto à planície. Descerá ao verbete da enciclopédia como o primeiro presidente da história a ser denunciado criminalmente em pleno exercício do cargo. Já coleciona duas denúncias. E vive cada dia do seu ocaso às voltas com a síndrome da terceira denúncia. Receia-se no Planalto que a nova acusação da Procuradoria-Geral da República será formalizada após o segundo turno da eleição presidencial.

Termina nesta segunda-feira (15) o prazo para que a Polícia Federal apresente ao ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo, as conclusões do inquérito sobre a suspeita de que Temer recebeu propina para editar um decreto favorecendo empresas portuárias. A expectativa é a de que os investigadores incriminarão Temer. Nessa hipótese, o processo será enviado à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a quem caberá arquivar o caso ou formular uma denúncia à Suprema Corte.

Confirmando-se a opção da Procuradoria pela nova denúncia, o Supremo só poderá enviar Temer ao banco dos réus, afastando-o do cargo, se a Câmara autorizar. Auxiliares do presidente avaliam que não haverá tempo. Acham que tampouco haverá interesse em reunir os 342 votos necessários. Isso porque Temer está tão desgastado que, na prática, virou um caso raro de ex-presidente no exercício da Presidência.

Se tudo correr como o Planalto imagina, Temer deixará o Planalto carregando três denúncias sobre os ombros - a terceira, que está por vir, e as outras duas que a Câmara já congelou. Despido de todas as prerrogativas do cargo de presidente, Temer estará disponível para ser processado na primeira instância do Judiciário. No limite, pode até receber a visita matutina dos rapazes da Polícia Federal.
Herculano
15/10/2018 10:12
AS FILóSOFAS DO INTERIOR, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Se sua mulher mandar você pular do telhado, reze pra ele não ser muito alto

Conversando com umas amigas de uma importante cidade do interior paulista nos últimos dias, ouvi uma máxima que, segundo elas era repetida pelos pais. Essa máxima é a seguinte: "Se sua mulher pedir pra você pular do telhado, reze para que ele não seja alto". O que quer dizer essa máxima filosófica?

Primeiro, o óbvio, mas que, às vezes, parece não muito óbvio. A máxima exemplifica uma sabedoria muito antiga: nos casamentos que funcionam, as mulheres mandam no cotidiano, e esse cotidiano vai ao encontro do velho adagio "a mão que balança o berço é a mão que manda no mundo". Ao contrário do que berra a turma contra o "patriarcalismo", as mulheres bem casadas mandam.

Casamentos que duram são matriarcais em grande medida porque as mulheres mandam em casa e no cotidiano. E, contra os que rezam na cartilha do "Segundo Sexo", livro da filósofa Simone de Beauvoir (1908-1986), as mulheres são também o primeiro sexo.

Quando os homens não aceitam mais serem mandados pelas mulheres, vão embora em busca de "novas senhoras". O homem sempre quer uma mulher que mande nele, sem ela, ele se sente perdido, mal amado, mal cuidado e, portanto, ele devolve na mesma moeda.

É claro que existem homens ruins que batem em mulheres e as violentam (e que devem ser punidos). Mas a maioria dos homens não faz isso, e essa imensa maioria cansou de se ver representada, da política à arte, das ciências sociais às escolas das crianças, como os vilões do mundo.

Trabalhando de sol a sol, esses homens se encheram de ver suas vidas narradas de forma falsa e enviesada. E, para a tristeza de muitas odiadoras de homens, as mulheres que amam os homens bons e cuidadores resolveram se juntar no grito contra a mentira travestida de "verdade sociológica".

Críticas americanas do feminismo já haviam apontado o risco de que muitas das críticas da família tradicional são mulheres que nunca conseguiram achar um homem em que mandar no dia a dia.

Essa incapacidade de encontrar um homem que as amassem o bastante para "obedecer" a elas teria levado essas mulheres sem homens para mandar no ódio ao casamento tradicional. Em suma, grande parte do feminismo raivoso (porque existe sim um feminismo consistente contra abusos, menores salários e espancamentos) deita raízes na incompetência de muitas mulheres em achar um homem em que elas mandem, com carinho, humor, doçura e perenidade.

A ideia por detrás da máxima das minhas amigas filósofas do interior é que, se sua esposa mandar você pular do telhado, você deve apenas obedecer e rezar para que o telhado não seja tão alto, porque, se você não obedecê-la e não pular, a reação dela será muito pior do que a queda do telhado em si.

Qual homem bem casado quer entrar em conflito com a mulher? Não apenas o resultado será que ela "fechará as pernas pra ele", como o dia a dia virará um combate contínuo ao redor de coisas pequenas. E, por consequência, ele não conseguirá trabalhar em paz.

A máxima soa ingênua, mas é a pura verdade, se não quisermos mentir pura e simplesmente. E a mentira, com o tempo, enche o saco de quem é capaz de enxergar a realidade para além do mimimi que caracteriza muito do debate ao redor do tema homem e mulher no mundo "especializado", cheio de mulheres que não conseguem ter homens felizes em obedecê-las.

O que uma conversa singela como essa nos ensina acerca do Brasil que emerge das eleições que estamos atravessando? O que é essa "guinada conservadora" que parece varrer o país?

Muita gente no Brasil está cansada, por exemplo, de ser levada a pensar que debates ao redor do fenômeno "trans" sejam a pauta mais importante em termos de direitos humanos.

Antes de tudo, a gente comum (que normalmente é casada e a mulher manda em casa, a fim de que a janta seja servida todos os dias) cansou de sentir que sua percepção de mundo é absurda, errada, reacionária, monstruosa, idiota ou cheia de ódio.

Pelo contrário, muitas dessas pessoas querem apenas que seus filhos voltem vivos da escola e não que gastemos tempo e dinheiro com criminosos ou tristes vítimas de um passado ligado à ditadura. Tudo isso é muito distante delas.

Os boletos que pagam todo dia parecem mais fundamentais do que muitas das discussões que os inteligentinhos levam a cabo na mídia, nas escolas, nas universidades ou na "arte".

As redes sociais "libertaram" a ira do Brasil profundo que paga boletos diariamente e que conhece homens que pulam felizes dos telhados há séculos.

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