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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Pesquisas, urnas e WhatsApp são os vilões destas eleições?

22/10/2018

Não se trata de que lado você esteja, mas o fundamentalismo está movendo atores e militâncias com suas ‘verdades’

Primeiro ponto: conhecíamos a cega, radical e manipuladora militância petista. Sem comentários adicionais. Agora está nos sendo apresentada a neo-militância bolsonarista. Ela é a face desconhecida de uma mesma moeda recheada de ativismo radical. Já escrevi sobre isso– e lá na greve dos caminhoneiros patrões; eles usaram uma minoria de autônomos sem alternativas e voz para parar e quase quebrar o Brasil. Fui duramente criticado por parte dos meus leitores e leitoras simpáticos ao movimento e os “novos” adicionados de propósito pelas redes sociais naquele instante de crucificação.

Neste momento, tudo está mais claro. Nada como o tempo para ser o senhor da razão e lavar a alma de quem não se alinha com a oportunismo, à onda e à unanimidade, porque ela simplesmente é burra. Eu apenas olho a maré e da qual não tenho absoluto controle.

Segundo ponto: a militância petista não é fácil, mas isso já se sabe há pelo menos duas décadas. Depois do mensalão, petrolão, inflação alta, mais 13 milhões de desempregados formais e outros tantos na informalidade; o estado e as instituições aparelhadas; o empregocídio na máquina estatal; roubalheiras de bilhões dos nossos pesados impostos; além de um monte de gente presa, os dirigentes, candidatos e a militância petistas desprezam à realidade e continuam colocando a culpa nos outros por aquilo que só eles arquitetaram e fizeram.

Esta do whatsapp é a penúltima “fake concept” dessa gente – especializada em criar narrativas - para os seus analfabetos, ignorantes, desinformados, fanáticos e até gente das redações, toda egressa das madrassas da esquerda do atraso, que são majoritariamente as faculdades de jornalismo e humanas no Brasil. Vão aparecer mais narrativas desse tipo. É parte do DNA desse “mundo de vítimas” em busca do poder eterno à custa do sacrifício de muitos. Aguardem!

Terceiro ponto: o PT, seus sócios convenientes das permanentes sacanagens que delapidaram não só materialmente, mas eticamente o Brasil, foram bem definidos na semana passada no editorial “O Desespero”, do jornal conservador O Estado de S. Paulo.

Resume um dos parágrafos: “Mais uma vez, o PT pretende manter o País refém de suas manobras ao lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, assim como já havia feito quando testou os limites legais e a paciência do eleitorado ao sustentar a candidatura de Lula da Silva. É bom lembrar que, até bem pouco tempo atrás, o partido denunciava, inclusive no exterior, que ‘eleição sem Lula é fraude’”.

Antes de prosseguir: os dois lados dessa mesma moeda trabalharam o tempo todo para desacreditar o processo eleitoral, no qual vão um vai ser eleito e legitimado. Incrível!

Quarto ponto: quem inventou a tal fake news foi o PT e a esquerda do atraso. Entretanto, como são vadios e metidos a intelectuais – alguns realmente são intelectuais, reconheça-se -, foram engolidos pela própria peçonha que criaram. A direita onde estão os bolsonaristas, apenas foi mais eficaz no uso das novas mídias de comunicação que tomaram conta do cenário e deixou a antiga e conhecida mídia tradicional nas chinelas. Como o Facebook depois do escândalo americano de Trump estava sob vigilância, o aplicativo de mensagens Whatsapp, foi usado para se furar este bloqueio. E quando se percebeu a vantagem criada, já era tarde demais no estrago feito.

Ao PT restou, então, o berreiro. É o choro daquele passageiro que estava na plataforma, porém por arrogância, viu passar e perdeu o trem, achando-o que o trem ainda estava submisso aos seus ditames, caprichos e uma fictícia importância. Nem mais, nem menos.

Quinto ponto: é estranho que os neo-militantes e defensores de Jair Bolsonaro, PSL, incluindo ele próprio, unam-se para descaracterizar a segurança e à confiabilidade das urnas eletrônicas. Em 22 anos e em 13 eleições, nada de fato e real foi apontado contra elas. Este ano foram mais de 556.628 urnas foram usadas para coletar os votos dos brasileiros.

Em Curitiba, na semana passada, nova auditoria foi realizada sobre urnas nas quais ainda pairavam denúncias de irregularidades. De Santa Catarina, apenas duas de milhares, carregavam esta dúvida. Resultado final sob os olhos de todos e gente bem entendida: nada!

E mesmo agora, com tanto bafafá e prudente vigilância de todos os lados, inclusive internacional, nenhum ilícito – mesmo que tentado – foi sequer apontado e muito menos provado. Só “fake news and coments”.

Eu, por exemplo, até aqui, confio nas urnas eletrônicas. E por isso, enfrento às desconfianças dos meus leitores e leitoras, mesmo sendo eu um reconhecido e assumido analfabeto digital. Mas, votei nas de papel. E testemunhei fraudes, tão comuns e as milhares naqueles tempos. Então qual a razão da volta para um processo comprovadamente vulnerável?

Com tantas dúvidas contra as urnas eletrônicas, exatamente por isso, elas parecem ser, pela prevenção e vigilância, cada vez mais, seguras.

Sexto ponto: é estranho que nesta mesma linha tenha se estabelecido à busca quase doentia para dúvidas, “comercialização” e fraudes nas pesquisas quantitativas de intenções de votos dos eleitores. Já registrei aqui por várias vezes que não acredito nisso. Alguns leitores estão inconformados comigo.

Entretanto, não é possível aceitar que ao mesmo tempo vários institutos, renomados, coloquem no lixo o nome deles, nacional e sucessivamente. Eles não sobrevivem de pesquisas eleitorais. Elas são apenas uma das atuações e exatamente à exposição pública para atrair mais clientes para outros serviços num mercado muito amplo do negócio deles.

Que há problemas, ah isso há! Que é preciso rever a metodologia, diante dos fenômenos das novas mídias, isso está mais do que na cara. É preciso investigar o que está falhando na coleta e processamento dos dados. Uma pesquisa qualitativa faria bem. Sobre esse universo de falhas, a qualitativa é um caminho a seguir. Ou seja, é preciso pesquisar e estudar para o que está se falhando na pesquisa quantitativa amostral.

TUDO IGUAL. MILITANTE SABIDO QUER O SEU INTERLOCUTOR COMO BEÓCIO

Escrito tudo isso, chego à frase inicial do primeiro ponto. Releia. Na semana passada entre tantas provas, destaco uma, de como essa nova militância – a que está patrocinando as “mudanças” - repete perigosamente os modos antigo dos políticos e de ser PT. Isso pode levar ao mesmo e conhecido buraco, e mais rápido. Ainda há tempo para reflexão e correções.

Na terça-feira, recebo de um promotor de Justiça – que não é de Gaspar -, no meu whtsapp, uma pesquisa eleitoral. Ela é de um instituto desconhecido. Em pouco minutos antes e depois dele, tomei conhecimento dessa mesma pesquisa por outras fontes, até de gente que está no exterior, mesmo eu não participando de nenhum grupo whats. Impressionante! São pessoas que me alimentam como fonte ou do relacionamento privado.

O meu interlocutor começa a conversa: “Vai dar Bolsonaro?”. E eu respondo, imediatamente, diante do que já estava óbvio para todos antes daquele dia, olhando-se os resultados das urnas, o movimento cotidiano e as sucessivas pesquisas: “você está de gozação?

E dali em diante, as mensagens foram no sentido de que todas as pesquisas eram inconfiáveis, menos a do instituto que ele propagava. Uma contradição de per si. A charge de Amarildo Lima que ilustra a abertura da coluna de hoje é impecável neste aspecto. Substitui este textão e com precisão.

E eu tentando provar ao meu interlocutor de que confiava nas pesquisas e era, no mínimo contraditório, ele ter um discurso de desconfiança, mas ao mesmo tempo ter na algibeira uma pesquisa de um instituto desconhecido, que só circulava entre a militância no whats e que tinha – para ele - supostamente o selo de qualidade e verdade, exatamente por ser a única a revelar um possível massacre de intenções de votos do candidato dele e até aqui, da maioria dos eleitores.

Não é incrível isso? Todos os institutos de pesquisas para esse meu interlocutor – que não é um analfabeto - são compráveis, corruptos, mal-intencionados, menos o desconhecido dele. É por isso, talvez, que ele tenha esse preconceito sobre pesquisas, porque sabe que alguns deles – todos desconhecidos ou os conhecidos regional e nacionalmente pela sacanagem – podem se render aos interesses e jogos dos contratantes.

Desistia de argumentar, sempre arrumando saídas polidas para a inconveniente troca de mensagens, quando fui surpreendido e ainda me deixou mais perplexo na desconfiança pessoal de que as duas militâncias – a petista e a bolsonaristas – são semelhantes.

Eu - Vocês leigos”.

Promotor - E de onde me achas leigo? Eu fiz Administração também e estatística etc... Inclusive pesquisa... [ e me passou a prova, que eu não sabia até então. Eu, entre as minhas graduações, tenho a de Administração de Empresas. Daí ter em teoria o domínio e o conhecimento dos processos, análises e interpretações das pesquisas. Na prática, acompanhei centenas delas no âmbito profissional à gestão de imagem, marcas e produtos e até candidatos políticos].

Eu - Então não tem como expor o que você expôs. Se a dúvida técnica existe por que nenhum Ministério Público Eleitoral impediu ou propôs a eliminação das pesquisas exatamente pelas razões que você me fundamentou? Por favor, vamos encerrar essa discussão pois você conhece o assunto”[tecnicamente].

Promotor – Tá. Hahahaha. Encerrada” [ e continuamos num outro tema da relação profissional dele...].

Volto para encerrar. Ora, se este assunto simples e sério contamina desta forma gente minimamente esclarecida não no âmbito geral, e sim especificamente no técnico, como estarão as cabecinhas cheias de dúvidas de gente que sempre se guiou pelos outros, que não aguenta mais o sufoco criado pelo PT e quer experimentar uma nova saída?

Devo ressaltar que o PT é o PT do jeito que é, não pelos votos dos analfabetos, ignorantes e desinformados. Mas, antes, pela instrumentalização urdida pelas cabeças bem nutridas, espertas e evoluídas da esquerda do atraso – incluindo aí, parte ponderável da Igreja Católica.

São elas que estão por detrás dessa gente deste cedo, em todos os cantos. São os luas-pretas, os manipuladores, uma inteligência com comunicação própria. Nela, não apenas às dúvidas, mas a mentira dita tantas vezes se fanatiza como verdade, constrange, rompe, corrompe e intimida aos sem argumentos ou medrosos. Como se vê nesta campanha, este viés estranho parece que não é mais ou apenas um mau privilégio e uso do PT. Wake up, Brazil!

TRAPICHE

Sobre a coluna de sexta-feira feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o de maior circulação e credibilidade em Gaspar e Ilhota: a repercussão foi grande na leitura do jornal, mas principalmente na internet [aqui no portal e nas redes sociais onde se espalhou].

Entretanto, eu não sabia que algo tão genérico sobre os políticos brasileiros se encaixava em Gaspar e Ilhota. Gente! O que aconteceu? Os mercenários e aproveitadores lotearam os templos políticos do poder e estão mercantilizando para si aquilo que o povo sustenta? Ai, ai, ai.

Nesta terça-feira é dia da cobra fumar mais uma vez na Câmara de Gaspar ou os políticos fingirem que legislam. Vai à votação, o veto técnico e acertado – até porque não lhe restava alternativas - do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, ao Projeto de Lei 22/2018, de autoria do vereador e funcionário público (Samae), Cicero Giovane Amaro, PSD.

Cicero quer a volta do Vale Alimentação em dinheiro, como se parte dos vencimentos dos servidores fosse. É que o prefeito - também de forma técnica acertada - fez valer à premissa de que o Vale é um benefício como prevê a lei, e o transformou em cartão, sem ligação com a pecúnia dos vencimentos dos servidores.

O Projeto que é manifestamente ilegal e inconstitucional, conforme se relatou nas comissões políticas ditas de técnicas e por técnicos da Câmara. Contudo, no plenário – depois de muito vai-e-vem no palanque eleitoral – o PL foi aprovado por unanimidade, repito, por unanimidade, numa sessão cheia de servidores à aplaudir tal feito. E pior, todos os vereadores, na tal Casa das Leis, reconheceram que a matéria é ilegal e inconstitucional. Inclusive o autor.

Assustador mesmo foi ver a base de apoio de Kleber na Câmara aprovar tal matéria e mandá-la para desgaste do prefeito perante os servidores. Incompreensível – ou não? – foi ver a comunicação da prefeitura se silenciar neste e sobre este tema para a sociedade, para onde todos vereadores querem mandar a conta.

É compreensível o silêncio, afinal a comunicação da prefeitura é mais um penduricalho de empregos políticos e familiares. Não é técnico e de resultados. No máximo, faz press releases para encher espaços dos que não perguntam e precisam de notícias oficiais para preencherem seus espaços.

Agora, se derrubado o veto do prefeito, caberá ao presidente da Câmara, que é também funcionário público municipal, o médico Silvio Cleffi, PSC, promulgar o PL que fere o princípio Constitucional. Se fizer média com os funcionários, Silvio ao mesmo tempo estará exposto na possível improbidade administrativa que pode ser questionada pelo Ministério Público. Orientado sobre isso, Silvio já foi.

Promulgada a Lei oriunda do Projeto de Lei legislativo ilegal e inconstitucional do vereador Cícero, o prefeito Kleber, até para se ver livre da eventual acusação de improbo, terá que levar o caso à Justiça. E aí serão anos de discussão. Enquanto isso, uma possível liminar garantirá o possível erro, sob o escudo de um tal direito adquirido. É assim que tudo funciona com o dinheiro dos outros.

E o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar – Sintraspug? Ele está no papel dele de defender os funcionários públicos. Não tenho nada a pontuar. Quem ainda não entendeu o papel deles, são os políticos que continuam a mandar a conta deles para os pesados impostos dos gasparenses. Nem o ronco das urnas parece-lhes estar sendo útil à reflexão.

Contas. O líder do PT na Câmara de Gaspar até terça-feira passada, Dionísio Luiz Bertoldi – Mariluci Deschamps da Rosa retorna amanhã -, resolveu mostrar que não foram os 4.347 votos dados Liliane, a mulher do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, que deixaram Pedro Inácio Bornhausen, PP e na época denominado de PPB, fora da Assembleia na eleição de 2002, onde ele conseguiu 20.227 votos.

Para Dionísio, somados os votos de Liliane, Bornhausen supostamente teria apenas 24.574 votos, longe do último eleito pelo PPB naquele ano e na média do coeficiente eleitoral, com 29.768, Nilson Nelson Machado. No partido, Bornhausen, perderia ainda para Simone Schramm que teve 28.371 votos e Afonso Spaniol com 25.792 votos.

Primeiro, é um exagero dizer que para obter esses números o PT de Gaspar teve que ir ao Tribunal em Florianópolis. Tudo isso está disponível no site. Segundo, o PT de Gaspar está agora querendo negar à essência do PT nacional e que acaba de ser desnudada e sacramentada nas urnas deste outubro.

O PT sempre foi contra tudo e todos, se ele não estiver no comando geral das coisas como um ditador que é, dependente das vontades do seu criador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preferiu sempre arrasar a terra, do que ará-la de forma compartilhada, para assim dividir os frutos dela. Havia um pacto pela cidade de Gaspar em 2002. E o PT queria todos por ele. Como no “plebiscito”, ele não ganhou, chutou o pau da trave, derrubo-a e levou a bola do jogo para casa. Simples assim. Esta é a questão essencial que o PT de Gaspar e o Dionísio querem esconder e dissimular na discussão.

Agora o PT – aproveitando-se da maioria desmemoriada - anda dizendo que aquele “plebiscito” não era verdadeiro. Hum! Então está arrumando números para se justificar naquilo que o PT nunca teve com seus parceiros e com a sociedade de um modo em geral: palavra. Não era verdadeiro, porque ele não levou. Simples assim!

Ou é o PT, ou então ninguém. Foi assim na Constituição Cidadã, foi assim no Plano Real, foi assim em tudo crucial para o aperfeiçoamento da democracia, inclusive nesta campanha eleitoral de outubro. O PT queria por que queria, num desafio sem precedentes à lógica, à ética e à lei, ter um preso condenado em segunda estância como candidato.

O PT mais do que antes, tratou os eleitores brasileiros como mansos. Os parceiros como apêndices de segunda categoria. Sobrou-lhe arrogância e falta de autocrítica. Pergunte ao Ciro Gomes, PDT, quem é o PT com quem Ciro quis fazer um acordo! Ele está voltando do exterior e não será para votar em Fernando Haddad.

O PT vive de argumentos falidos para impedir o questionamento necessário com a verdade ou à realidade. Cria, prefere e dissemina narrativas. E o eleitor e a eleitora – depois de 20 anos - já se encheram desse mimimi e dessa enganação toda. Só o PT parece não perceber.

O PT arma para os outros a cizânia e à dependência, a tomada de patrimônio alheio, a desqualificação, o constrangimento permanente e as migalhas. Para si, o PT prega e quer a “união” para ser poder e com ele comandar uma rede de corrupção e humilhação aos adversários, sugando todos nos pesados impostos e lhes retornando o mínimo.

Resumindo. Bertoldi perdeu a oportunidade de ser um PT diferente de Luiz Inácio Lula da Silva, o preso. Em Gaspar só vingou um projeto de deputado estadual: o de Francisco Mastella, PDC. E por que? Na época o PT daqui praticamente não existia. Chegou pelas mãos dos emedebistas oportunistas que hoje se dizem Bolsonaro desde criancinhas. Acorda, Gaspar!

O vereador Francisco Solano Anhaia, líder do MDB na Câmara, precisa explicar aos cidadãos e cidadãs se a prefeitura de Gaspar colocou do próprio caixa, ou não, os R$500 mil prometidos pelo governo do estado, no asfaltamento sobre paralelepípedos da Rua Pedro Simon, na Margem Esquerda, ou se não precisou desses recursos. A coluna já provou que esse dinheiro não veio antes da obra terminar, naquilo que Anhaia ensaiou contesta-la.

Vamos adiante. Anhaia está nervoso com os pífios resultados eleitorais do MDB de Gaspar e do governo Kleber na busca de votos para seus representantes, depois deles próprios retalharem a cidade com candidatos paraquedistas de todos os tipos. Foi um erro estratégico sem precedentes na consolidação dos canais de relacionamentos com a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Compreensível o nervosismo do moço. Incompreensível, todavia, o erro.

Na terça-feira da semana passada na Câmara de Gaspar, Anhaia – que já foi vereador petista - não perdoou o PT e o seu líder Dionísio Luiz Bertoldi que andaram pedindo o patrolamento de uma rua já pavimentada e cujo vídeo posto abaixo para encurtar a minha escrita sobre a cobrança e o nervosismo que tomou conta da turma do poder de plantão.

Anhaia repete o vício da avestruz – que enterra a cabeça na terra - dos velhos políticos. Acham que os desastres deles nas urnas são culpa dos outros – alguns até culpam os eleitores, mas este, sinceramente, não é o caso de Anhaia. Se o MDB, Kleber e Anhaia continuarem nesta batida, o pior estará por vir. E 2020 é logo ali.

É hora de parar e refundar o governo Kleber e que até aqui não deu certo naquilo que prometeu em duas campanhas eleitorais. É hora de parar e checar a imagem que está comprometida de todas as formas, inclusive e principalmente nos aspectos éticos. É hora de assumir erros e culpas e reafirmar que está mudando, que entenderam os recados e as lições das urnas. Mas parece que não! A troca que se faz e se desenha no governo é para a imperfeição. É para punir e trocar os cabos eleitorais e não gente técnica, capaz e produtiva. Simples assim!

O que adianta ter cabos eleitorais se não se tem produto e resultados? Foi o que aconteceu no dia sete de outubro. Será assim no domingo que vem. Kleber e o MDB foram frutos de uma promessa de mudança como a se marca neste outubro. E ela não veio até agora. Uma pesquisa que ronda o paço mostra o tamanho do desastre. Ou também estão achando que a pesquisa está errada como argumentou o promotor amigo meu? Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Herculano
23/10/2018 14:50
TUDO VIRA VAPOR. PT SE DESESPERA

De J.R.Guzzo, de Veja, no twitter

O escândalo-gigante das fake news que iriam levar à anulação das eleições teve morte rápida. Também já foi enterrado o seu substituto - a fábula do cabo e do soldado que poderiam fechar o STF. Outros "fatos novos" viraram vapor instantâneo. Está realmente difícil ajudar o homem.
Herculano
23/10/2018 12:15
REGRA SOBRE PRISÃO DEVE OPOR BOLSONARO AO STF, por Josias de Souza

Aliados de Jair Bolsonaro avaliam que, eleito, o presidenciável do PSL terá atritos incontornáveis com o Supremo Tribunal Federal. Estimam que a primeira fricção ocorrerá no início de 2019, quando o presidente da Corte, Dias Toffili, pautar o julgamento das ações sobre a prisão de condenados na segunda instância. O pano de fundo do debate é o encarceramento de Lula.

O líder máximo do PT está na cadeia desde 7 de abril porque o Supremo negou-lhe um habeas corpus por 6 votos a 5. Graças a um decisivo voto da ministra Rosa Weber, prevaleceu a jurisprudência que tornou válida a prisão de condenados em segunda instância. No último domingo, Bolsonaro declarou que, se depender de sua hipotética Presidência, Lula "vai apodrecer na cadeia".

Para modificar a regra sobre prisão, o caminho jurídico não é o pedido individual de liberdade, mas a ação declaratória de constitucionalidade (ADC). Há duas no Supremo, uma do PCdoB e outra da OAB. Relator, o ministro Marco Aurélio Mello pediu, em dezembro do ano passado, que fossem incluídas na pauta. Mas sua colega Cármen Lúcia manteve a gaveta fechada.

Substituto de Cármen Lúcia na presidência do Supremo, Dias Toffoli já avisou que abrirá a gaveta no ano que vem. A defesa de Lula acredita que a polêmica será pacificada, pois o Supremo julgará dessa vez as ações que questionam a prisão em segunda instância em termos abstratos, não no caso concreto do prisioneiro de Curitiba.

Os advogados imaginam que o voto de Rosa Weber será diferente. Alega-se que, ao negar o habeas corpus a Lula, a ministra ressalvou sua posição conceitual contrária à antecipação da prisão. Esclareceu que negou o pedido de Lula em respeito à decisão colegiada do Supremo, que havia alterado sua jurisprudência sobre a matéria em 2016.

Se os advogados estiverem certos, voltará a vigorar a regra que permite aos condenados recorrer em liberdade até os tribunais superiores de Brasília. Nessa hipótese, Lula ganharia o meio-fio. Se estiver na Presidência da República, Bolsonaro, que já sinalizou a intenção de promover Sergio Moro de juiz da Lava Jato a ministro do STF, não ficará em silêncio, preveem seus aliados.

Pesquisa do Datafolha divulgada em 2 de outubro revelou que a maioria dos eleitores (51%) acredita que Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, deve continuar preso. Outros 8% defendem sua transferência para a prisão domiciliar. Quer dizer: elegendo-se, Bolsonaro confrontará o Supremo escorando-se no pedaço da opinião pública que o chama de "mito".
Miguel José Teixeira
23/10/2018 11:46
Senhores:

Na mìdia:

"Lindbergh Farias pede proteção à PF depois de discurso de Bolsonaro"

Caso o preposto do presidiário seja eleito, vem aí

"o bolsa-proteção-à-candidatos-derrotados. . ."

Vade retro, retrocesso!
Miguel José Teixeira
23/10/2018 10:23
Senhores,

Consta que megaempresário Catarinense foi notificado por "otoridades" por suposta pressão nos seus colaboradores para votarem em Bolsonaro.

Será que a poderosa Globo foi notificada por coagir sua competente Equipe Jornalística a superdimensionar o comentário do Bolsonaro Filho, em vídeo feito em julho de 2018?

À época não foi dada a relevância à sua fala, pois a candidatura do Bolsonaro era apenas uma piada e quem está com a faixa nas mãos era o presidiário lula.

Sei não. . .acho que o condenado zédirceu está por trás disso, pois tem a chave dos cofres PeTralhas, recheados de dinheiro público, em paraísos fiscais!!!

Vade retro, retrocesso!

Herculano
23/10/2018 09:05
UMA BAIXA NOS ACERTOS

Pedro Pereira, o popular Geada, candidato a vereador duas vezes em Gaspar (2008 e 2012), sofreu um infarte e está internado.

Ele era parte do acerto do PDT do vereador Roberto Procópio de Souza, de quem Geada foi cabo eleitoral na última eleição, para Procópio se alinhar com o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP.

A nomeação em cargo comissionado de Geada aconteceria após o segundo turno.

E como se vê, as mudanças e renovação de Gaspar prometidas por Kleber sempre acabam nos velhos ou nos mesmos. Acorda, Gaspar!
Herculano
23/10/2018 08:09
O ROTO E O ESFRANGALHADO

De Carlos Andreazza, editor de livros, no twitter

A fala de Eduardo Garoto Bolsonaro é inaceitável-indefensável. Mas o PT não tem autoridade ética para contestá-la. O partido aparelhou-sindicalizou-precarizou as instituições. Pedir voto virtuoso contra a ameaça bolsonarista à democracia (inexistente) é apenas embuste.
Herculano
23/10/2018 08:07
O STF PRECISA SER RESPEITADO E DAR-SE AO RESPEITO

Conteúdo de O Antagonista. A fala idiota de Eduardo Bolsonaro sobre fechar o STF com um soldado e um cabo causa espanto e repulsa.

Mas o que ministros do STF andaram fazendo nos últimos tempos, a favor de criminosos como José Dirceu, em detrimento da lei, é ainda mais espantoso e repulsivo, porque nada tem de idiota.

O STF precisa ser respeitado e dar-se ao respeito.
Herculano
23/10/2018 08:03
PELÉ OU EDSON ARANTES DO NASCIMENTO, FAZ HOJE 78 ANOS
Herculano
23/10/2018 07:45
INFLUENCIADORES DOS NOSSOS VOTOS

de Augusto Nunes, de Veja, no twitter

Com o apoio total de Boulos e o apoio crítico de Ciro, Haddad ficou no mesmo lugar. Com a adesão incondicional de Eymael e o voto crítico de Marina Silva, corre o risco de oscilar para baixo nas próximas pesquisas
Herculano
23/10/2018 07:02
AS PRISõES MENTAIS, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Bolsonaro terá de moderar retórica. E oposição precisa tomar consciência da situação delicada em que o país entra

Lula está preso, meu caro. Repito a frase de Cid Gomes que ecoou na rede, suprimindo a palavra babaca. Não por correção política. A palavra iguala a estupidez à vagina. Apenas para lembrar, com humildade, como certos sentimentos estão arraigados em nossa cultura e emergem de nosso subconsciente.

A líder da direita francesa, Marine Le Pen, afirmou que algumas frases de Bolsonaro são inaceitáveis na França. Mas não o foram no Brasil.

Humildade aqui significa reconhecer que mudanças culturais levam tempo para se consumar. Não são como uma ponte destruída pela chuva que se reergue rapidamente. Nem mesmo uma nova capital que pôde ser construída no Planalto. Às vezes, atravessam gerações.

Lula está preso. É natural que o PT não aceite isso. Mas a forma de recusar foi chocar-se diretamente com a Justiça, tentar dobrá-la com manifestações, apoio externo e uma inesgotável guerra de recursos legais.

Compreendo que isso era visto como uma forma de acumulação de forças. Mas, na verdade, também acumulou rejeição.

Quando Haddad foi lançado, cresceu rapidamente exibindo a máscara de Lula. No segundo turno, a máscara envelheceu como o célebre retrato de Dorian Gray.

Mas o período que se abre agora será de tanto trabalho, que talvez não tenhamos mais tempo para nos patrulharmos. São tempos complexos, que demandam mais humildade ainda.

Num debate em São Paulo, depois do primeiro turno, confessei como o processo me surpreendeu. As pesquisas indicavam uma grande vontade de renovação. Quando os partidos se destinaram quase R$ 2 bilhões para a campanha, concluí que a renovação seria mínima.

Apesar de ter feito algumas campanhas no território digital, minha reflexão ainda se dava no quadro analógico. A renovação, cuja qualidade ainda é discutível, aconteceu. Com R$ 53 milhões, Meirelles teve menos votos do que o Cabo Daciolo, um exemplo de como os velhos parâmetros foram para o espaço.

As próprias pesquisas que tanto critiquei no passado porque achava que favoreciam Sérgio Cabral, hoje as vejo com nostalgia. Existe informação na pergunta clássica em quem você vai votar.

Mas, para detectar tendências, é preciso um oceano de dados e capacidade de análise. As pesquisas envelheceram, sem que muitos se dessem conta. Mas não apenas elas envelhecem, num mundo em que a inteligência artificial avança implacavelmente.

E é nesse mundo que teremos de navegar. A situação econômica internacional não é favorável como no passado. Nos artigos em que trato de alguns de seus aspectos, começo sempre com o paradoxo: os Estados Unidos, que lideraram uma ordem multilateral, decidiram abandoná-la. Será preciso mais do que nunca acertar os passos aqui dentro. Isso significa gastar menos, fazer reformas.

Quando estava na Rússia, os primeiros protestos contra a reforma da Previdência foram abafados pelo oba-oba da Copa do Mundo. Soube que agora a popularidade de Putin caiu 20 pontos precisamente por causa dela. Em outras palavras, a vida não é nada fácil para quem precisa reformar o Estado e fazer um ajuste fiscal.

Nesse futuro tão nebuloso que nos espera, a tese do quanto pior melhor é atraente, no entanto, pode ser também um novo erro de avaliação.

Quando ficamos muito concentrados nos problemas internos, perdemos um pouco de vista nossa inserção internacional. A imagem do Brasil lá fora mudou. O próprio Bolsonaro começará seu mandato como um dos presidentes mais rejeitados pela imprensa planetária. Ele terá de moderar sua retórica. E quem faz oposição precisa tomar consciência da situação delicada em que o país entra.

A sobrevivência da democracia não está ameaçada. Mas algumas escoriações podem empurrá-la para o viés autoritário que hoje cresce no mundo.

As fake news, por exemplo, sempre existiram, mas hoje têm um peso maior, pelo alcance e velocidade. Utilizá-las sem escrúpulos e denunciá-las no adversário apenas confirma o pesadelo moderno da decadência da verdade.

É muito difícil chamar à razão a quem se considera o dono dela. Os intelectuais condenam as escolhas populares, mas, às vezes, não percebem a sede de sinceridade que há por baixo delas. Pena.
Herculano
23/10/2018 06:57
SAIU DO STJ O EQUILÍBRIO QUE SE ESPERA DE CORTES SUPERIORES, por Cláudio Humberto na coluna que publicou nesta terça-feira no jornal Folha de S. Paulo

Salvou a imagem de um Judiciário equilibrado o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, no caso da esdrúxula declaração do deputado eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Noronha botou a bola no chão para afastar a reação que pareceu tão excessiva quanto as palavras que a provocaram. Presidente do Tribunal da Cidadania, o ministro Noronha mostrou que nada era o que parecia.

EXAGERO ELEITORAL
"Estão exagerando", ponderou Noronha, destacando que a afirmação, desautorizada pelo candidato Jair Bolsonaro, não foi uma "ameaça".

CASO PARA O DIVÃ
Noronha não viu "risco à democracia" em palavras que, para o próprio Bolsonaro, pertencem mais ao campo da psiquiatria que da política.

ROGA-SE EQUILÍBRIO
Que Haddad (PT) e apoiadores se aproveitem da situação a poucos dias da eleição, até se compreende. Mas das Cortes Superiores se espera ponderação.

PAÍS SOB TENSÃO
O equilibrado decano Celso de Mello subiu nas tamancas e chamou a declaração do jovem deputado de "inconsequente e golpista".

PROMOÇõES: ITAMARATY PASSA A PERNA NOS POLÍTICOS
O Itamaraty "passou a perna" nos políticos e antecipou a promoção de diplomatas prevista para dezembro, fugindo dos pedidos. Com a jogada, a cúpula do Ministério das Relações Exteriores promoveu quem quis. O poderoso secretário-geral Marcos Galvão, por exemplo, promoveu o irmão Luiz Fernando, apenas seis meses após presenteá-lo com a chefia do Departamento de Organismos Internacionais (DOI).

COZINHA NO PODER
Além do ministro Aloysio Nunes e do secretário-geral, também os subsecretários puderam preencher as vagas com seus protegidos.

CONCESSÃO A TEMER
O Itamaraty teve o cuidado de atender apenas o Palácio do Planalto. Figurões do Legislativo e do Judiciário foram, ops, "esquecidos".

PELO SIM, PELO NÃO...
A antecipação das promoções para outubro serviu também para evitar eventual tentativa de influência do candidato Jair Bolsonaro na escolha.

CAMINHO DE VOLTA
O Rede está com o pé na cova, barrado pela cláusula de desempenho, prevista em lei. Isso explica o apoio de Marina a Haddad. Ela está pegando o caminho de volta para o PT, de onde foi escorraçada.

PRIMEIRO, A DITA CUJA
Virtual chefe da Casa Civil em eventual governo Bolsonaro, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) diz que não é hora de discutir a presidência da Câmara. "Antes disso, temos uma eleição para vencer, domingo".

SINAIS DO PODER
Ao reafirmar escolhas técnicas em seu eventual governo, citando que o Itamaraty será chefiado por diplomata, Jair Bolsonaro apenas quis deixar claro que a senadora Ana Amélia (PP-RS) não será chanceler.

DEBATE NÃO É 'ESCADA'
Com 77% nas pesquisas para o governo do DF, Ibaneis Rocha (MDB) desistiu dos debates diários, alegando que Rollemberg (PSB), 23%, se limita a acusações "criminosas", na esperança de que o insulto "pegue" ou ele perca a cabeça. Ibaneis diz que não será "escada" de ninguém.

SEM O EMBATE FINAL
Ao desistir dos debates, Ibaneis tirou de Rollemberg a última esperança de reverter seu favoritismo. Pela primeira vez na história das disputas no DF, quando houve segundo turno, não haverá o embate final.

HOMEM QUE NÃO CALCULAVA
Matemática não é o forte do ex-ministro José Dirceu: ele afirmou que a eleição de Bolsonaro é "improvável", apesar dos 46% de votos no primeiro turno e dos 60% nas pesquisas de segundo turno.

TRABALHO INFANTIL
Como esperado, a sessão do Congresso Nacional que analisaria vetos presidenciais e discutiria projeto de crédito orçamentário foi cancelada. Em vez disso, a agenda tem duas sessões da "Câmara Mirim 2018".

14 BIS, 112 ANOS
A Aeronáutica celebra nesta terça (23) o Dia da Força Aérea Brasileira (FAB). A data marca os 112 anos do primeiro voo do 14 Bis, em 1906, por Alberto Santos Dumont no Campo de Bagatelle, em Paris.

PENSANDO BEM...
...não basta Marina Silva declarar "apoio crítico" a Haddad: tem que ajoelhar e rezar perante o xerife do presídio, em Curitiba.
Herculano
23/10/2018 06:41
'FAXINA' DE BOLSONARO É MAIS UMA PÁGINA DE CARTILHA AUTORITÁRIA, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Ataque direcionado indica interesse em usar o poder para punir opositores

Perto do poder, Jair Bolsonaro recita com desenvoltura a cartilha de líderes autoritários. Além dos frequentes sinais de desapreço pelas instituições do país, o candidato agora indica que pretende perseguir opositores e penalizar quem contraria seus interesses políticos.

No domingo (21), em discurso exibido nas manifestações a seu favor, o candidato fez um novo ataque ao PT e prometeu uma "faxina", "uma limpeza nunca vista na história".

"Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora, ou para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse.

A aplicação firme das leis está na ordem do dia, mas não se ouviu o mesmo sobre marginais azuis, laranjas, brancos ou verdes. Para Bolsonaro, a autoridade pode ser usada para expulsar ou prender opositores.

Na mesma fala, o presidenciável disse que Fernando Haddad e outros petistas "vão apodrecer na cadeia". E ameaçou: "Vocês, petralhada, verão uma Polícia Civil e Militar com retaguarda jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês".

Bolsonaro tem uma plataforma de combate à corrupção, linha dura na segurança e defesa de valores morais. Eleito, terá legitimidade para fortalecer as instituições em busca desses objetivos, mas parece mais interessado em reprimir alvos políticos.

Quando artistas se manifestaram contra sua candidatura, ele disse que cortaria o financiamento cultural. Afirmou também que governadores que fizerem "oposição radical" terão "tratamento secundário".

Em recado a grupos críticos, também declarou que vai "botar um ponto final em todos os ativismos". Deve ter esquecido que era um ativista quando saía em protesto contra os baixos salários dos militares.

Já que aceitaram entrar no jogo da democracia, Bolsonaro e seu time precisam se habituar ao contraditório. Nessa arena, não entram presidentes dispostos a eliminar seus opositores, nem cabos e soldados despachados para fechar tribunais que tomam decisões contestáveis.
Herculano
23/10/2018 06:35
MARINA SILVA PRECISA DAR "VOTO CRÍTICO" A SI MESMA, por Josias de Souza

A seis dias do término do segundo turno, Marina Silva emergiu para declarar o seu "voto crítico" em Fernando Haddad. Moveu-se por rejeição a Jair Bolsonaro. Ao justificar sua opção, explicou que "pelo menos" o candidato petista "não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres".

Cumprido o protocolo, Marina precisa agora conceder um "voto crítico" a si mesma. Costuma dizer que não deseja "ganhar perdendo". Prefere "perder ganhando" - como em 2014, quando a pancadaria de Dilma Rousseff deixou-a fora do segundo turno, mas com um patrimônio de 22 milhões de votos. E com uma biografia sem pesticidas e alianças esdrúxulas.

Em 2018, Marina perdeu perdendo. Entrou na disputa como uma candidata altamente competitiva, a bordo de um partido sem menções na Lava Jato. Terminou numa constrangedora oitava colocação, com pouco mais de 1 milhão de votos. A Rede, sua legenda, terá de fundir-se a outro partido para não desaparecer.

No texto que redigiu para justificar seu gesto, Marina reconheceu: "Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la."

Apoiando criticamente a si mesma, Marina talvez perceba que não terá futuro político sem ajustar o seu português ao linguajar da rua. De resto, deve se abster de tomar chá de sumiço pelos próximos quatro anos. Sob pena de suas manifestações perderem até mesmo o valor "puramente simbólico."
Herculano
23/10/2018 06:11
QUARTELADA RETóRICA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Filho de Bolsonaro especula sobre fechar o STF; presidenciável defende a democracia, mas insufla a ira militante para se esquivar de crítica e debate

Apenas três meses antes de conquistar um novo mandato na Câmara dos Deputados com a maior votação do país, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se metia a formular hipóteses acerca do fechamento do Supremo Tribunal Federal - foi o que se soube nos últimos dias.

"Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo", confabulava o parlamentar, numa palestra a alunos de um curso preparatório para a disputa de vagas na Polícia Federal, em Cascavel (PR).

Em circunstância tão prosaica, ele respondia a uma questão sobre eventual obstáculo no STF para a posse de seu pai, Jair Bolsonaro, em caso de vitória no primeiro turno da eleição presidencial.

O palestrante duvida que a corte poderia barrar a candidatura vitoriosa se julgasse, no exemplo citado, ter havido doação ilegal de campanha. O clamor das ruas, depreende-se de sua fala, seria fator decisivo. "Se prender um ministro do STF, você acha que vai haver uma manifestação popular?", questiona.

Não tivesse partido do filho do presidenciável que lidera com folga as pesquisas, a quartelada imaginária provavelmente passaria como mera fanfarrice de congressista do baixo clero - e decerto se encontrarão asneiras do mesmo naipe, lamentavelmente, no falatório de outros nomes e siglas.

Vindo de quem veio, o desatino provocou imediata reação de ministros do Supremo, instados a dizer o óbvio sobre as instituições democráticas, o Estado de Direito e a independência entre os Poderes republicanos.

Jair Bolsonaro relatou ter repreendido "o garoto" - de 34 anos - e afirmou ter respeito integral pelo Judiciário. Essa e outras manifestações recentes de sensatez do presidenciável do PSL, entretanto, ainda contrastam com boa parte de sua retórica palanqueira.

Tome-se o discurso exibido em vídeo durante ato no domingo (21), na capital paulista. Na peça, mistura-se a declaração de amor à paz, à liberdade e à democracia com promessas raivosas de prisão de adversários petistas e banimento de "marginais vermelhos".

Não faltaram ainda ameaças a esta Folha, que os bolsonaristas acusam de alinhamento à campanha do oponente. A ninguém deveria enganar esse surrado subterfúgio populista, igual e rotineiramente empregado pelo PT para desqualificar notícias incômodas produzidas pelo jornalismo independente.

Insuflar a ira militante também serve para se evadir do debate programático, indigente neste segundo turno da disputa presidencial. A esta altura, o candidato favorito deveria estar preparando as expectativas do eleitorado para tempos difíceis, que exigirão medidas duras.

A popularidade tende a ser embriagante, mas é volátil por natureza. Os limites ao poder dos mandatários, felizmente, são duradouros
Herculano
22/10/2018 16:02
UMA REALIDADE A SER ENFRENTADA

Associações, ministros, desembargadores e juízes repudiam nesta segunda-feira a fala de julho divulgada no domingo de Eduardo Bolsonaro, PSL.

Estão certos todos.

Não há sociedade civilizada sem Justiça e judiciário estruturado e livre. Esta é a condição basilar da democracia.

Escrito isso, observo que é preciso refletir urgentemente sobre a Justiça e o judiciário brasileiro.

É uma instituição cara,lenta,ideologizada,cheia de privilégios,excessivamente corporativa e cada vez mais longe do povo.

E por isso,perigosamente, ele já não enxerga nela importância. Perigo extremo para a civilidade, aceitação da norma e principalmente para o exercício democracia. Wake up, Brazil!
Herculano
22/10/2018 15:54
A VERDADE VERDADEIRA

De Antônio Tabet, no tewitter

Gente, calma! Não precisa de soldado e cabo pra fechar STF. Basta uma véspera de feriado.
Herculano
22/10/2018 15:49
herculano53@hotmail.com
O CAIXA DOIS COMPUTACIONAL, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, para o jornal Folha de S. Paulo.

Para proteger as democracias vai ser necessário seguir o poder dos robôs

O desfecho deste processo eleitoral está se aproximando. E independentemente do resultado haverá ao menos uma grande ressaca: a percepção de que a opinião dos eleitores foi formada em significativa medida pela disseminação de informação falsa, abusiva e inflamatória.

Essa ressaca é uma tragédia anunciada. Desde 2014 a população brasileira vem sendo alimentada com conteúdos inflamatórios de forma incessante. Como mostrou a importante pesquisa do pesquisador Dan Arnaudo, de Oxford, os robôs e perfis falsos usados pela primeira vez na campanha eleitoral de 2014 jamais foram desligados. Eles continuaram na ativa. Mais do que isso, continuaram crescendo de forma exponencial e incessante.

Do ponto de vista de mídia, esta sera a primeira eleição no pais (e provavelmente no mundo) que terá sido decidida pela aplicação massiva de poder computacional e propaganda automatizada. Traduzindo: além do conteúdo inflamatório, o que faz diferença mesmo e realmente importa é a capacidade de promover sua propagação.

Para ser eficaz e alcançar milhões de pessoas, como vem acontecendo há anos no país, o discurso inflamatório depende de automação. Há milhões de perfis falsos e robôs que respondem ao comando centralizado de grupos de marqueteiros políticos. Esses robôs conseguem replicar mensagens em velocidade e volume avassaladores.

Para isso acontecer precisam de software, hardware, conexão e pessoas operando todo o aparato, ou seja, de poder computacional. Quem pagou por todo esse poder computacional massivo? Como ele aparece nas despesas de campanha? Se ele não foi pago diretamente pela campanha, foi pago por quem? E se foi pago por alguém, pessoas ou entidades, isso ao deveria ser declarado como doação eleitoral? Surge assim o caixa dois computacional. Ele é mais difícil de ser rastreado do que o caixa dois tradicional, mas seu efeito é tão ou mais nocivo, já que ataca o âmago da própria democracia.

Nenhuma mensagem política sozinha, por mais bem escrita que seja, tem condições de fazer frente a uma mensagem amparada por um aparato computacional. A disparidade de armas é muito grande. Sobre isso, a lei eleitoral existe exatamente para garantir a isonomia entre os candidatos (o que se chama em inglês de level the playing field). Por isso o horário eleitoral é gratuito e distribuído entre os candidatos de acordo com a representatividade do seu partido. Já o poder computacional é assimétrico. Um candidato pode ter muito e outro não ter nada, e isso não é visível nem transparente, ainda que seja determinante.

Ao ser empregado na eleição brasileira o poder computacional desequilibrou completamente esse balanço de forças por debaixo dos panos. Os recursos computacionais empregados foram tão amplos que obliteraram imprensa, rádio e televisão somados. Desde a primeira guerra mundial se sabe: voto se conquista pela mídia. E a mídia do presente é a internet.

A questão é que fazer circular informações para milhões de pessoas de forma sistemática custa muito dinheiro, seja na televisão seja na internet. Quem pagou? Estamos completamente desinformados sobre a principal engrenagem que movimentou as eleições de 2018.

Quando se combate a corrupção geralmente se utiliza o mantra "Follow the money" (siga o dinheiro). Para proteger as democracias vai ser necessário o "follow the computational power" (siga o poder computacional).

Reader

Já era - achar que conteúdos na internet viralizam "espontaneamente"

Já é - uso desgovernado de poder computacional para espalhar conteúdo inflamatório

Já vem - apurar responsabilidades pelo uso de caixa dois computacional
Miguel José Teixeira
22/10/2018 13:29
Senhores,

Esta tal de Wadih Damous, para quem não lembra, é aquele estertalhãozinho que protocolou o pedido de liberdade ao lula, no apagar das luzes e que chegou nas mãos de um plantonista ideológico. Correu para Curitiba para dar as boas novas ao presidiário lula. Deu no que deu!

Nestas eleições, foi atropelado pelos Cariocas.

Amarga uma suplência da suplência da suplência. . .
Camaleonca
22/10/2018 13:26
Herculano, voce ja analisou e comentou todos os partidos e politicos de Gaspar e regiao. Estamos esperando a sua analise dos resultados do seu partido, o PSDB. E principalmente da ex-vereadora e seu marido - sua candidata - em seu reduto eleitoral e na cidade. Pra quem eles trabalharam sera? PSDB, DEM, PMDB, PT....?
Miguel José Teixeira
22/10/2018 11:48
Senhores,

Chegamos na reta final, com duas opções: uma conhecida e outra desconhecida.

A conhecida, cujo representante foi um fracasso frente à Prefeitura de São Paulo, tem seu líder na prisão.
Seu hábito, é aparelhar, saquear e estuprar tudo em que botam as mãos!

Já a desconhecida. . .bom. . . recomendo o filme "A Guerra do Fogo" (La Guerre du Feu).

Se há tantos novos erros á serem cometidos, porque repetirmos os mesmos erros?
Herculano
22/10/2018 11:47
QUANDO O PT PEDIU O FECHAMENTO DO STF NOS MOLDES PARA O QUAL ELE ESTÁ FUNCIONANDO HOJE, NÃO HOUVE ESCÂNDALO E DO PRóPRIO JUDICIÁRIO

"Temos que redesenhar o Poder Judiciário e o papel do Supremo. Tem que fechar o Supremo. Temos que criar uma Corte de guarda exclusiva da Constituição, com seus membros detentores de mandato". (Wadih Damous, deputado do PT-RJ, advogado de Lula, em abril último)
Herculano
22/10/2018 11:43
A QUE PONTO CHEGOU A JUSTIÇA NO BRASIL

Lendo tudo que se desencadeou - na imprensa e principalmente nas redes sociais - a partir de ontem quando se postou o vídeo de Eduardo Bolsonaro, PSL, contra a legitimidade do Supremo Tribunal Federal algumas coisas ficam claras:

1. A Justiça perdeu a credibilidade perante a sociedade. Triste sob todos os aspectos. É o fim dos tempos.

2. O STF, que deveria ser intocável e referência, tem seus membros chamados de vagabundos por qualquer um nos discursos públicos e na internet.

3. Conclusão: alguma coisa está errada, muito errada com a Justiça e o Tribunal, e urgentemente deve ser corrigida. Não há sociedade civilizada sem Justiça, muito menos democracia.
Herculano
22/10/2018 11:36
ONDE ESTAVAM A OAB E LAMACHIA?

Conteúdo de O Antagonista. Depois da fala idiota de Eduardo Bolsonaro de que bastam "um soldado e um cabo" para fechar o Supremo Tribunal Federal, a OAB se manifestou.

"O mais importante tribunal do país tem usado a Constituição como guia para enfrentar os difíceis problemas que lhe são colocados, da forma como deve ser. É obrigação do Estado defender o STF", diz o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Claudio Lamachia.

Onde estava Lamachia quando o deputado federal petista Wadih Damous, ex-presidente da OAB-RJ, disse que "tem que fechar o Supremo"?
Herculano
22/10/2018 11:12
FALTA AOS BOLSONAROS NOÇÃO DE INSTITUCIONALIDADE, por
Josias de Souza

Não passa semana sem que Jair Bolsonaro, seus filhos ou seus auxiliares pendurem nas manchetes um cacho de declarações polêmicas. O grupo dá frases tóxicas como a bananeira dá bananas. A penúltima esquisitice veio na forma de um comentário do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O filho do presidenciável favorito declarou que "para fechar o STF basta um cabo e um soldado". Disse também que se o STF impugnar a candidatura do seu pai "terá que pagar para ver o que acontece." Indagou: "Será que eles vão ter essa força mesmo?" Ai, ai, ai.

Feita em 9 de julho, a gravação é anterior ao primeiro turno da eleição. Eduardo Bolsonaro dava palestra na cidade paranaense de Cascavel, num curso preparatório para concurso da Polícia Federal. Um dos alunos perguntou se o Exército poderia agir caso o STF impugnasse eventual vitória de Jair Bolsonaro. Um expositor com dois neurônios diria que é impensável uma intervenção do Supremo num processo eleitoral submetido às normas constitucionais. Sobretudo considerando-se que as questões eleitorais estão afetas ao TSE, não ao STF.

O filho do capitão, entretanto, achou sensato injetar no impensável uma dose de inimaginável. Declarou o seguinte: "Aí já está encaminhando para um estado de exceção. O STF vai ter que pagar para ver. E aí, quando ele pagar para ver, vai ser ele contra nós. Você tá indo para um pensamento que muitas pessoas falam, e muito pouco pode ser dito. Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa - recebeu uma doação ilegal de cem reais do José da Silva e, então, impugna a candidatura dele. Eu não acho isso improvável, não..."

Após informar que considera "provável" o impensável, Eduardo Bolsonaro engatou uma segunda e prosseguiu: "Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não. O que é o STF? Tira o poder da caneta de um ministro do STF. Se prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF, milhões na rua? 'Solta o Gilmar, solta o Gilmar'. Com todo respeito que tenho ao excelentíssimo ministro Gilmar Mendes, que deve gozar de imensa credibilidade junto aos senhores."

O presidente da República representa um símbolo para a nação. Toca-se o hino nacional onde ele se apresenta, hasteia-se a bandeira. Cada ação sua é exposta ao público nas manchetes. Sua vida e a de sua família estão expostas a permanente escrutínio. Dele se espera que evite procedimentos e declarações vulgares. O mesmo vale para os filhos, um deputado e um senador. Na bica de virar chefe de Estado, Jair Bolsonaro ainda não deu demonstrações de que compreende a dimensão do cargo se dispõe a ocupar. Os filhos tampouco servem como referência dos valores que o presidenciável diz representar.

Falta aos Bolsonaro uma noção qualquer de institucionalidade. Ainda assim, recebem votos. Muitos votos. Depois de examinar o comportamento de políticos como eles, que, por serem representantes de parcela expressiva da população, representam o melhor da sociedade, uma dúvida se impõe: a oferta de candidatos é escassa ou o eleitor brasileiro parou de evoluir?

A despeito da existência de um vídeo que não deixa dúvidas quanto ao despautério dos comentários, até Jair Bolsonaro duvidou: "Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra." Mas o filho Eduardo viu-se compelido a confirmar o inegável: "Acredito que o vídeo não é motivo para alarde, até porque eu mesmo o publiquei em minhas redes sociais há quase quatro meses. Trata-se de mais uma forçação de barra para atingir Jair Bolsonaro..."

Na campanha presidencial de 2018, se os resíduos psíquicos fossem concretos, não haveria rede de esgoto que bastasse.
Herculano
22/10/2018 11:03
SABE-SE QUEM FOI BOLSONARO ATÉ HOJE E SOBRAM DÚVIDAS SOBRE GOVERNO, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Algumas razões que devem levar o capitão reformado à chefia da República já são nítidas

Nada indica, por ora, uma reação de Fernando Haddad (PT) capaz de impedir a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), hoje líder folgado nas pesquisas, no domingo (28).

Confirmada a previsão, Bolsonaro pode chegar ao Planalto em 1º de janeiro de 2019 apoiado por uma significativa maioria do eleitorado. Um respaldo que qualquer líder político gostaria de ter para assumir o poder.

Daqui a uns anos, provavelmente passado o calor de uma eleição peculiar e estranha, o fenômeno "bolsonarista" de 2018 será melhor depurado. Fato é que algumas razões que devem levar o capitão reformado à chefia da República já são nítidas.

O antipetismo (ou antilulismo) tem sido essencial para esse massacre anunciado nas urnas. Sob a batuta de Lula, o PT fortaleceu o ambiente de confronto político e de busca pelo descrédito da imprensa e do processo eleitoral (sob o lema "eleição sem Lula é fraude"). Atropelou possibilidades de movimentos que poderiam levar a esquerda, não necessariamente o PT, ao poder.

As descobertas da Lava Jato nos últimos quatro anos, mesmo com seus abusos investigativos e delações irresponsáveis (muitas delas infladas por nós, jornalistas), desnortearam a centro-direita. O recado mais visível desse efeito é a humilhação imposta a Geraldo Alckmin nas urnas.

Uma esquerda rachada e sem rumo e uma centro-direita desprezada pelo eleitorado contribuíram para que um deputado com carreira política pífia e irrelevante na Câmara surgisse como alternativa de poder.

O que Bolsonaro disse até aqui não o ameaçou nas pesquisas (ao que parece, só o ajudou). Defesa do método da tortura, elogios ao regime militar, compromisso frágil com a democracia, e declarações que simpatizam com homofobia, racismo e perseguição ao ativismo social. São certezas que não atrapalharam o candidato do PSL, o maior beneficiado pela nefasta onda de fake news.

Sabe-se quem foi Bolsonaro até hoje - um parlamentar limitado e inexpressivo. Sobram dúvidas sobre seu (cada vez mais provável) governo.
Herculano
22/10/2018 10:58
QUEM JÁ CELEBROU VITóRIA PODE FICAR SEM MANDATO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Os resultados das eleições para a Câmara e Assembleias Legislativas, já divulgados, sofrerão mudanças importantes. Eles consideram o cálculo da minirreforma eleitoral de 2015, que distribui vagas a todos os partidos que não atingiram o quociente partidário, mas o resultado oficial, ainda não divulgado pelos Tribunais Regionais Eleitorais, deve fazer a divisão apenas entre os que atingiram o quociente partidário.

INCONSTITUCIONAL
O trecho da minirreforma que liberava as vagas aos partidos que não atingiram o mínimo de votos foi considerado inconstitucional pelo STF.

MUDANÇA NAS BANCADAS
Só no DF, há cinco distritais e três federais sob risco. "O caso deve ser resolvido até o fim da semana que vem", diz o advogado Paulo Goyaz.

REPERCUSSÃO GERAL
Para Goyaz, que move ação no TRE-DF, a situação se reproduz em vários Estados e "um TRE não pode descumprir decisão do Supremo".

OUTROS QUINHENTOS
Os resultados divulgados na imprensa também não levam em conta as candidaturas sub judice. "Isso pode mudar muitas vagas", diz Goyaz.

ERRO DE PERÍCIA RENDE BILHõES DA UNIÃO À COPERSUCAR
O consultor técnico Celso Roberto Dias Mendes, autor do sistema para cálculos indenizatórios das ações do extinto Instituto o Açúcar e do Álcool (IAA), explicou que foi superestimada a reparação da União à Copersucar, determinada pela Justiça Federal, porque a perícia deixou de aplicar nos cálculos os congelamentos dos planos econômicos a partir de 1986. As indenizações praticamente dobraram para R$10,6 bilhões. Pior: com a concordância da Advocacia Geral da União (AGU).

MEGA-ERRO
O consultor Celso Mendes verificou que foram desvirtuados os valores apurados pela Fundação Getúlio Vargas, em benefício da Copersucar.

SIGA O DINHEIRO
Os erros grosseiros nesses cálculos, acolhidos pelo perito oficial, foram produzidos por um assistente técnico contratado pelas usinas paulistas.

PREJUÍZO HISTóRICO
Se os cálculos não forem revistos, diz o consultor Celso Mendes, o erro vai virar parâmetro para indenizações devidas a centenas de usinas.

HIPOCRISIA TEM LIMITE
É até engraçado observar as expressões de petistas indignados com a suposta "campanha difamatória" contra Haddad. Como se não fossem alguns dos ladrões mais conhecidos da política brasileira.

POLÍTICA PERVERSA
Os aumentos diários criminosos da Petrobras atingem também o asfalto. Resultado: o governo vai tirar meio bilhão (R$528 milhões) dos impostos para repor os custos das obras em rodovias.

CORRENDO ATRÁS
Mais uma vez, a Caixa teve de correr atrás do prejuízo e anunciou taxa zero para investir no Tesouro Direto. Em vez de liderar a iniciativa, aderiu à prática para não perder (mais) clientes para a concorrência.

O PT ENCOLHEU
De volta à política, a deputada distrital Arlete Sampaio (DF) reconhece que o PT, seu partido, teve o pior desempenho eleitoral de sempre. No Distrito Federal, seu candidato a governador teve só 4% dos votos.

SAIU BARATO
O primeiro político condenado na Lava Jato, André Vargas (ex-PT-PR), ex-vice-presidente da Câmara, foi solto após três anos e meio. Saiu barato: só pagou duas das 72 parcelas da multa de R$1,1 milhão.

PARECIDOS, MAS DIFERENTES
Os dois senadores eleitos pelo Distrito Federal, Leila do Vôlei (PSB) e Izalci (PSDB), prometem "encarar" as reformas mais importantes como a política e tributária. Mas só Leila prioriza a reforma da previdência.

NOVO MODELO
O leilão de conclusão das obras da usina nuclear Angra 3 adotará um modelo diferente. A ideia é escolher a empresa que pedir a menor participação acionária, limitada a 49%, para terminar o serviço.

PRIMEIRO AVIÃO
O Comando da Aeronáutica celebra nesta terça (23) o Dia do Aviador, em comemoração dos 112 anos do voo de Alberto Santos Dumont a bordo do 14 Bis. A cerimônia será na base aérea de Brasília às 10h30.

PENSANDO BEM...
...com tantas mentiras espalhando desinformação, em breve o Brasil vai precisar de uma fake enciclopédia.
Herculano
22/10/2018 10:50
NA POLÍTICA, JOGO DURO AJUDA A CONTROLAR O PODER, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Petistas, no Brasil, e democratas, nos EUA, tendem a constranger presidentes eleitos, na Justiça e no Congresso

Separadas por apenas dez dias, duas das maiores democracias do planeta, o Brasil e os Estados Unidos, farão escolhas nas urnas que legarão questões espinhosas para quem aderiu a um ideário da moda. Políticos não deveriam chegar aos extremos do que as regras permitem na luta pelo poder, reza essa doutrina, sob pena de colocarem o próprio regime liberal em risco.

Deslegitimar a vitória do adversário, questionando-a na Justiça por exemplo, não seria uma prática abonada. Buscar o impeachment de um presidente eleito pela população tampouco seria recomendável.

Essas táticas, embora dentro da lei, ajudariam a corroer o pacto de convivência entre forças antagônicas e a transformar a disputa num vale-tudo para esmagar o rival.

Mais um código de boas condutas do que teoria política, esse arrazoado frutificou bastante enquanto os acusados de praticar o jogo duro eram figuras como Donald Trump e Steve Bannon, nos Estados Unidos, e Aécio Neves e Michel Temer, no Brasil.

As cartas se embaralham. A julgar pelas probabilidades, os democratas tomarão dos republicanos a maioria na Câmara federal e poderão abrir o impeachment de Trump. O PT tende a questionar na Justiça a legitimidade da provável vitória de Jair Bolsonaro com base no escândalo do WhatsApp, revelado pela Folha.

Que dirão os estetas dos bons modos na nova configuração? Que os democratas deveriam recusar-se a constranger Trump? Que os petistas precisam baixar a cabeça e aceitar bovinamente a vitória de Bolsonaro?

Duvido, como duvido que reconheçam o erro fundamental de seu raciocínio. Ele habita o campo normativo, daquilo que gostaríamos que fosse, e não o campo positivo, daquilo que, às vezes infelizmente, é.

Que os democratas e o PT usem até o limite da lei suas prerrogativas na disputa pelo poder não é só o esperado num ambiente de alta competição partidária. Isso ajuda a controlar a volúpia de atores musculosos que nunca deveriam jogar soltos.
Herculano
22/10/2018 10:44
ALTA ANSIEDADE, por J.R Guzzo, na revista Veja

Vivemos momentos de "nervosia", palavra antiga, mas muito precisa, para descrever essa atmosfera de irritabilidade, impaciência e hostilidade nas eleições


Muita coisa pode ser dita sobre as eleições presidenciais que chegam daqui a pouco ao seu turno decisivo, mas um dos pouquíssimos pontos em que todos estariam de acordo, talvez o único, é que nunca se viu na história deste país uma disputa política que deixasse tanta gente à beira de um ataque de nervos. Um ou outro dinossauro que estava vivo nas eleições de Getúlio Vargas em 1950, Juscelino Kubstichek em 1955 ou de Jânio Quadros em 1960, certamente dirá: "Não, não me lembro de ninguém, na época, que tenha tido algum surto de neurastenia tão desesperado por causa de eleição como esses que a gente vê hoje todo o santo dia". Depois disso houve sete eleições seguidas para presidente ?"? a que elegeu Fernando Collor, as duas de Fernando Henrique, mais as duas de Lula e, enfim, as duas de Dilma Rousseff. Saiu muita faísca, é claro, houve muito bate-boca e xingatório, e muita mãe acabou sendo posta no meio, mas em geral foi mais gritaria de torcida do que briga com fuzil AK-47 no alto do morro. Nem Dilma foi capaz de gerar a ira radioativa que explode agora do Oiapoque ao Chuí por causa de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad - e olhem que Dilma não é fácil, em matéria de despertar os instintos mais primitivos do eleitorado, como poderia dizer o ex-deputado Roberto Jefferson. E antes disso, em momentos remotos da nossa história política - será que não teria havido alguma campanha tão enfurecida quanto a atual? Antes disso, para falar a verdade, não havia eleições que pudessem ser realmente chamadas de eleições; o New York Times ou o Le Monde de hoje jamais aceitariam, por exemplo, as eleições de um Campos Salles ou um Washington Luís. Mais atrás no tempo, então, já se começa a falar no Regente Feijó ou em José Bonifácio - e aí é que ninguém sabe mesmo de absolutamente nada.

O fato é que estamos vivendo momentos sem precedentes de "nervosia" - palavra de uso antigo, mas muito precisa, para descrever essa atmosfera de irritabilidade, impaciência e hostilidade geral que se levanta hoje em dia a cada vez que o cidadão diz que vai votar em Bolsonaro ou Haddad. Em geral, as brigas de campanha costumam se limitar aos próprios candidatos. Hoje, emigraram com mala e cuia para o meio de uma boa parte dos eleitores. É entre eles, e não nos palanques ou "debates" na televisão, que está havendo agora derramamento de sangue - inclusive de sangue mesmo. Não é preciso, para acender a banana de dinamite, gritar "Mito!" no meio de um ajuntamento petista, ou de vir com um "Lula Livre!" na comissão de frente de um bloco bolsonarista. O desastre, nesta campanha de 2018, pode acontecer no aconchego do seu próprio lar. Você diz que vai votar num ou no outro, e dali a pouco está formado um barraco rancoroso em sua casa, com a súbita troca de ofensas, palavras malvadas e ressurreição de velhos ressentimentos, no que deveria ser um churrascão inofensivo de domingo. Amigos se desentendem feio com velhos amigos. Há brigas de pais com filhos, de irmãos com irmãos, de mulher com marido. Familiares rompem relações, colegas de trabalho viram as costas uns para os outros e se fecham em suas próprias trincheiras. Falar de política, em suma, virou um perigo.

Os rompantes mais curiosos de neurose se multiplicam por todos os lados. Uma senhora foi notada no facebook fazendo um anúncio aflito: "Hoje, eu tive de dar um block na minha tia de 78 anos!". Uma jornalista-celebridade de São Paulo denunciou em seu jornal, com a gravidade reservada às notícias de grande impacto, que tinham sido feitas pichações racistas no banheiro de um colégio chique - isso mesmo, rabiscaram a parece do toalete da moçada. Quem jamais ouviu falar de uma coisa dessas? A dona de um restaurante paulistano teve a ideia de exibir na internet uma foto, tirada junto com a sua equipe, mostrando o dedo do meio para os bolsonaristas. Amizades intensas formadas nas redes sociais explodem antes que as pessoas tenham tido tempo de se conhecer. Lulistas são chamados de esquerdopatas. Quem vota em Bolsonaro é fascista - embora 80% dos que fazem essa acusação não tenham a menor ideia do que estão falando. Não optar nem por um nem por outro, então - não seria uma defesa? Esqueça. Nesse caso você será acusado de "isentão", e muita gente fica irritadíssima quando é chamada de "isentão". O ambiente deveria estar bem mais calmo, pois até a véspera da eleição todas as "pesquisas" garantiam a mesma coisa: Bolsonaro perderia para qualquer outro candidato no segundo turno. Mas está dando o contrário. Aí vira nervosia pura.
Herculano
22/10/2018 10:35
ESQUERDA FETICHE, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

We dont need no education (não precisamos de educação) é coisa de teenager bobo

Sempre desconfiei de artistas com pautas políticas. Continuo desconfiando: artista falando de política é puro marketing. Recentemente, tivemos um exemplo no show do Roger Waters e sua "inserção" no debate político brasileiro. Sua crítica é puro fetiche gourmet.

Artistas assim (existem vários exemplos nacionais e internacionais, mas não vou citá-los, você os conhece bem) ganham rios de dinheiro sendo "progressistas". Trata-se de uma espécie de gourmetização da crítica política, propício a shows de rock and roll.

O mundo da arte, do audiovisual e da cultura é um dos mais violentos e antiéticos da face da Terra. Quem discordar, mente ou desconhece o assunto.

A informalidade e o "capitalismo selvagem" que regem esse campo de negócios é reconhecidamente agressivo. Jovens, e pessoas em geral, são frequentemente explorados em larga escala quando tentam entrar nesse mercado de trabalho. Além de serem mal pagos.

Seja música, seja cinema, seja teatro ou afins, muito do que os artistas criticam no mundo do "capital" à sua volta é prática comum nesses mesmos campos de negócios. Entre a vaidade e a vocação ao abuso, os artistas (não todos, é claro) são menos confiáveis do que a "velha política".

Outro fator importante é o desconhecimento em mínima profundidade dos temas menos clichês da política contemporânea - que é uma selva densa de problemas sem soluções.

As críticas levadas a cabo por esses artistas são mais marketing profissional e pessoal deles do que propriamente conhecimento instalado sobre esses temas.

O que Waters sabe da realidade brasileira (ou mesmo de outro tópico constantemente tratado por ele, a saber, o conflito israelo-palestino) que não seja fruto da sua própria e distante bolha ideológica ou dos jargões "progressistas"? O que ele sabe que não seja fruto da construção de uma imagem de consumo associado a este mesmo vago conceito de "progressista"?

Há um pacote ideológico que alimenta o marketing de artistas há muito tempo, começando pelo "Che suave".

O conceito de cognição política, crescente no tratamento do comportamento dos eleitores e agentes políticos em geral, cai bem aqui.

Antes de tudo, um profissional que se dedica (mesmo que, competentemente, do ponto de vista artístico) a música, dificilmente conseguirá reunir tempo e ferramentas específicas para construir um mínimo repertório para realizar uma cognição política minimamente consistente.

Projetar imagens de crianças da África em shows de rock and roll é o que há de mais banal em marketing da própria banda. Aquilo que, de certa forma, era "raiz" em artistas como John Lennon, hoje não passa de estilo "nutella" em bancas milionárias.

Voltando a cognição política, conceito que demonstra a quase incapacidade de profissionais dedicados a política em, de fato, compreender de forma minimamente consistente o mundo político contemporâneo para além do mimimi ideológico, quase nos leva ao impasse cético nas análises de temas políticos, principalmente depois que as mídias sociais trouxeram a superfície a fala de milhares de pessoas que antes eram mudas, e não passavam de objeto de fantasia idealizada por parte desses mesmos profissionais da análise política.

Parte do transtorno e da desorientação que vivemos hoje quando pensamos na democracia não advém da redução da participação popular nas opiniões políticas, mas da saturação aguda dessa mesma participação.

Estamos afogados na "soberania popular" tagarela nos últimos anos. E isso não vai mudar porque as ferramentas de comunicação tendem a dispersar cada vez mais essa tagarelice (que Alexis de Tocqueville, em 1835, já apontava no seu "Democracia na América").

E venhamos e convenhamos, a música de Waters é grandiosa, mas dizer que "we don't need no education..." (nós não precisamos de educação) é, como já apontou o psiquiatra inglês Theodore Dalrymple, coisa de adolescente bobo.

Resistir ao fascismo sempre foi, de fato, urgente. Mas, é bom lembrar que o fascismo sempre gostou de grandes surtos coletivos regados a palavras de ordem e multidões.

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