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A 'ECONOMIA' DE RECURSOS DO GOVERNO KLEBER 'ENGORDA' O CAIXA DA PREFEITURA E PREOCUPA A OPOSIÇÃO. ELA PERDEU O FOCO E NÃO PERCEBEU O QUANTO ISSO ESTÁ DESGASTANDO O PRÓPRIO GOVERNO E FAVORECENDO OS OPOSITORES - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

A 'ECONOMIA' DE RECURSOS DO GOVERNO KLEBER 'ENGORDA' O CAIXA DA PREFEITURA E PREOCUPA A OPOSIÇÃO. ELA PERDEU O FOCO E NÃO PERCEBEU O QUANTO ISSO ESTÁ DESGASTANDO O PRÓPRIO GOVERNO E FAVORECENDO OS OPOSITORES - Por Herculano Domício

07/06/2018

ECONOMIA DESASTROSA I

A majoritária oposição na Câmara de Gaspar constituída pelo PT, PDT, PSD e o recém-chegado e premiado por esses partidos com a presidência da Câmara, Silvio Cleffi, PSC, diz estar preocupada com a “economia” que a administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, está fazendo. Diz a oposição que, olhando os relatos contábeis disponíveis, já se tem no caixa da prefeitura quase R$50 milhões. Exageros à parte. Verdadeiramente? A oposição está atirando chumbinhos para todos os lados, choramingando e dormindo no ponto. Perdeu o foco naquilo que é sua obrigação – e foi eleita -, ou seja, a de fiscalizar e levar às últimas consequências para à correção e punir os responsáveis pelos erros ou irregularidades. Está passando à sua frente leões e ela está enxergando apenas gatinhos.

ECONOMIA DESASTROSA II

Uma gestão pública não economiza, no máximo prioriza ou dá performance ao seu desemprenho, a não ser que o gestor público não saiba a razão dessa tal “economia”, ou não tenha planos para investir à sociedade àquilo que “economizou” e deveria redirecionar para o outro. Se não faz isso, vai, necessariamente, ter prejuízos políticos e de imagem. E gestor público vive essencialmente de imagem. É histórico. Vamos apenas a um número e um fato: O governo Kleber, dirigido pelo então secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, e prefeito de fato, o advogado e ex-presidente do MDB, Carlos Roberto Pereira, anunciou uma economia de mais de R$20 milhões no exercício do ano passado. Essa contabilidade não fechou. E por que? Porque do outro lado da conta ele ficou no prejuízo entre tantas coisas, mas a principal delas, com o desastre da Saúde Pública, exatamente pelas más escolhas – e companhias -  que fez e o economizou em recursos. Tanto que, num gesto de desespero, depois de perder a presidência e a maioria Câmara, Kleber teve que demitir a sua segunda secretária de Saúde em menos de 15 meses e colocar lá, emergencialmente, o doutor Pereira.

ECONOMIA DESASTROSA III

Pior retrato e retrocesso na gestão arrogante e sem rumo não poderia acontecer. Além de tirar o gestor de fato do município da secretaria que ele criou com a sua cara na tal “Reforma Administrativa” que deu polêmica, desgaste e aumentou custo, Kleber teve que anunciar que “devolveria” os tais R$20 milhões economizados para ações emergenciais na Saúde. Mais: outros tantos milhões não serão capazes de reverter a má imagem desses 15 meses desastrosos, onde todos metiam o bico para salvar seus interesses corporativos, incluindo o próprio Silvio Cleffi, PSC, que é médico, funcionário público e cria política, vejam só, do próprio Kleber. É isso que a oposição de Gaspar ainda não percebeu. Melhor fatia deixar atual gestão MDB/PP/PSC “economizar”. Ela não sabe o que é isso. E já provou ser desastrosa co ponto de vista político, comunicação e imagem. A oposição está, em alguns casos, penso, tirando a corda do pescoço de Kleber, e só aparecer para a plateia bem antes da hora.

ECONOMIA DESASTROSA IV

A audiência pública do Quadrimestre da Saúde realizada recentemente pela Comissão de Gestão Pública da Câmara, mostrou isso de forma insofismável e praticamente não houve questionamento da oposição que não estava lá, a não ser presidente da comissão Cícero Giovane Amaro, PSD, e o presidente da Casa, Silvio Cleffi, que chegou atrasado na audiência. Gaspar é a que menos investe em Saúde entre os municípios ao seu redor, mesmo assim, está acima dos 20% mínimos como determina a lei. E nos meses de abril e maio, houve um acréscimo, a cada mês, de um milhão nas despesas dessa área, valor praticamente direcionados para o Hospital, onde a prefeitura “montou” um Centro Ambulatorial só para ela, para desafogar os postinhos nos bairros, fato que por si só mostra o erro de cálculo e planejamento, sempre denunciado aqui e à vista de todos. Enfim, como explicou o próprio secretário de Saúde, Carlos Roberto Pereira na apresentação muito do tal desastre estava na “economia” de pessoas no “orçamento” deixado pelo PT de Pedro Celso Zuchi. Todavia, o que era óbvio destravar, só foi feito quando o doutor Pereira se tornou secretário, os outros dois tiveram que seguir as suas ordens e economia e comer o pão que o diabo amassou.  Com o doutor Pereira contratou-se médicos e agentes comunitários, a Saúde tomou rumo, surpreendeu Silvio, que não se conforma em não estar interferindo no processo. Acorda, Gaspar!

ECONOMIA DESASTROSA V

A percepção para os gasparenses, entretanto, nada mudou. O que mostra o quanto Kleber, Luiz Carlos e o doutor Pereiram erraram na gestão, na prioridade, na economia e no resultado. A imagem dessa área é tão ruim, que até boa notícia como a contratação de mais médicos para o Hospital nesta semana – o sugador de dinheiro bom dos gasparenses e que ninguém sabe dizer quem é o dono dele -, quando anunciada e publicada pelos veículos de comunicação local, mereceu maciça crítica nas redes sociais. O alvo foi o que classificam como mau atendimento dos médicos e enfermeiros. Este fato por si só, revela o tamanho do prejuízo político de Kleber com a tal “economia” e que a oposição teme, como se fosse uma vantagem competitiva. Por enquanto, não é. A outra, é o gasto que se faz pelo ralo com comunicação no governo de Kleber. Gente amadora, apadrinhada, parente, que aceita ser mandada por que não entende nada do assunto, se entende. Inchou-se a área com estagiários. Não é à toa que a comunicação da prefeitura como a Saúde, está na terceira titular, que teve o status: de então uma superintendente passou a ser diretora. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

A majoritária oposição ao governo Kleber, Luiz Carlos e doutor Pereira por enquanto faz circo. Parte dele, reconhece-se, faz estragos ao menos na imagem, mas de fato não muda os rumos tortos da gestão e até do que se estabelece na imnprobidade.

A oposição foi acertadamente contra a Reforma Administrativa que criou R$600 mil de despesas novas com comissionados e cargos de confiança. Mas, se lambuzou meses depois ao propor do nada, um “procurador geral em cargo comissionado”, com mais de R$9 de despesas mensais, para servir praticamente ao presidente Silvio Cleffi, PSC e à mesa diretora. E mais: quer mais polpudos cargos comissionados inchando a Câmara para o povo pagar com seus pesados impostos que que estão faltando a saúde, educação, creches, assistência social, obras.

A oposição foi contra a Reforma Administrativa, mas dois dos seus, Rui Carlos Deschamps, PT, funcionário público aposentado, e Wilson luiz Lemfers, PSD, votaram a favor dela. Coerência no discurso e no resultado, zero. Rui até, mais tarde, ensaiou um espetáculo para diminuir em 25% os vencimentos do prefeito (um dos maiores do estado), vice e secretários. Só discursos. Acaba de ser engavetado.

A oposição acertadamente pediu vários requerimentos, foi até a Justiça atrás de mandado de segurança para vê-los respondidos pelo prefeito; fez um auê na afiliada da Rede Globo que diz não assistir. Ali há coisas explosivas, mas não estão explodindo nada e ninguém. Por que? Estranho. O Observatório Social de Blumenau, por exemplo, feito de voluntários, em horários de folgas e bancando seus próprios custos, por muito menos já enquadrou prefeito, autarquia, Câmara e vereadores de lá.

Há denúncias de engordamento da margem do Ribeirão Gaspar na sua foz no Centro da cidade. E até agora, nada. Espera-se pelo Ministério Público. Enquanto isso, a máquina do errado continua engordando, desnudando...

E para encerrar e mostrar que se o Executivo “economiza”, o Legislativo gasparense e principalmente a majoritária oposição faz um papel no mínimo questionável ao resultado que a sociedade reclama dela.

O secretário de Planejamento Territorial, o engenheiro Alexandre Gevaerd, infringiu ou não um dispositivo constitucional como denunciou Cicero Giovani Amaro, PSD? 

A oposição está esperando o Ministério Público agir naquilo que não pode esperar e a Câmara tem várias prerrogativas para agir em defesa do cidadão e da legislação em vigor que define os atos contra a Moralidade Pública? Acorda, Gaspar!

 

Edição 1854 - Sexta-feira

Comentários

Herculano
10/06/2018 09:07
da série: memória e um jogador como poucos

TEIXEIRINHA, O MAIOR CRAQUE DO FUTEBOL CATARINENSE, MORRE AOS 95 ANOS

Conteúdo do Diário Catarinense, da NSC Florianópolis. Texto de Emerson Gasperin. O ex-jogador Teixeirinha, considerado o maior craque do futebol catarinense, morreu no sábado (9), aos 95 anos, de Alzheimer. Nascido em Tubarão, Nildo Teixeixa de Melo brilhou no Botafogo no final dos anos 1940, formando um ataque de respeito com Heleno de Freitas, Santo Cristo, Otávio e Geninho. Começou a carreira no extinto Brasil, de Blumenau, e atuou também pelo Carlos Renaux, de Brusque. Chegou a vestir as camisas de Avaí, Figueirense e Marcílio Dias, em amistosos contra grandes clubes nacionais.

Depois de deixar o alvinegro carioca, Teixeirinha retornou a Santa Catarina, mas não por muito tempo: em 1949, convencido por Ondino Vieira, seu ex-técnico no Botafogo, voltou ao Rio de Janeiro para defender o Bangu. Lá, fez parte do combinado com o São Paulo que viajou para uma excursão de três meses por 11 países pela Europa, onde brilhou em partidas como a goleada aplicada sobre o Sporting, de Lisboa, em que marcou três gols da vitória por 4 a 1. De 1944 a 1960, marcou seu nome em 21 partidas pela seleção catarinense.

Em 2013, em comemoração aos 90 anos de Teixeirinha, o Diário Catarinense visitou o craque em sua casa, em Balneário Camboriú. Mesmo já afetado pela doença, Teixeirinha não deixou de expressar a paixão pela bola, definida como "minha grande amiga" em um quadro na sala em que guardava recordações de sua bem-sucedida passagem pelos gramados
Herculano
10/06/2018 08:49
LETARGIA DOS BRASILEIROS É O PRINCIPAL OBSTÁCULO A SER ENFRENTADO NESTA ELEIÇÃO, por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do Datafolha, no jornal Folha de S. Paulo

Apesar de eventos como a greve dos caminhoneiros, opinião pública mantém sua tendência de voto

Uma letargia eleitoral toma conta do cenário político. Mas trata-se de um torpor lúcido - apesar de estímulos de grande repercussão social e econômica, a opinião pública mantém suas tendências de intenção de voto.

Ou da anulação dele: como o Datafolha vem alertando há algum tempo, mantém-se recorde, em período equivalente, a taxa dos que pretendem votar em branco ou anular o voto nas próximas eleições.

Nas situações em que Lula (PT) é excluído da disputa, brancos e nulos superam Jair Bolsonaro (PSL), candidato que lidera, em nove pontos percentuais. Mesmo a prisão do petista não alterou o quadro significativamente, ao menos na pesquisa estimulada, na qual o ex-presidente é relacionado como candidato. Lula lidera com folga tanto no primeiro quanto no segundo turno.

O encarceramento diminuiu, no entanto, a lembrança imediata de seu nome na intenção de voto espontânea. Na primeira pergunta feita pelos pesquisadores do Datafolha, sem a apresentação dos candidatos, Lula soma queda de sete pontos percentuais em relação a janeiro, antes de se entregar à polícia.

Mas, nesse período, nenhum outro nome apresenta variação significativa. Nesse caso, a oscilação positiva de dois pontos percentuais de Bolsonaro enquadra-se na margem de erro do estudo.

O único índice que cresceu na espontânea e que reforça a tese da crise de representação é justamente o dos que dizem, logo no início da entrevista, que votarão em branco ou nulo. Hoje, essa é a resposta imediata de aproximadamente um em cada quatro brasileiros (23%). Em junho de 2014, era a de 8%.

Nem a greve dos caminhoneiros, por sua capilaridade, apresentou reflexos eleitorais. A percepção majoritária de que o movimento provocou mais prejuízos do que benefícios à população serviu apenas para intensificar a impopularidade recorde do governo e o desprestígio de algumas instituições.

Arranhões na imagem são detectados não só em campeões de rejeição como o Congresso e a Presidência, como também em entidades relativamente populares como a imprensa e as Forças Armadas. Comparando-se com o levantamento de abril, a desconfiança sobre a primeira cresceu oito pontos percentuais; a fé na segunda caiu cinco.

Com o eleitorado tão arredio, o tempo e os recursos escassos das campanhas demandam planejamento - qualquer erro de comunicação pode ser fatal, até para a mais promissora das candidaturas. O foco nesses eleitores ariscos, que descartam os nomes dos concorrentes e preferem anular o voto principalmente quando Lula é excluído, deveria ser prioridade, especialmente quando se tem entre os candidatos figuras que já foram desconstruídas em eleições anteriores, como o caso de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

É um segmento que confia em Lula para presidente (supera a média tanto no primeiro quanto no segundo turno) mas é menos sensível ao petista como cabo eleitoral (54% não votariam em alguém apoiado por ele).

A reprovação a Michel Temer (MDB) chega a 93% no estrato, talvez por ser um dos conjuntos que mais identifica piora na situação econômica pessoal nos últimos meses.

É um grupo muito mais feminino e um pouco mais velho do que os brasileiros de um modo geral. A maior parte tem nível médio de escolaridade, e a concentração no Nordeste supera a média, apesar de também muito presente nas regiões metropolitanas do Sudeste. A maioria tem renda familiar de até dois salários, e 71% não têm partido de preferência.


Têm alto grau de desconfiança em relação às instituições democráticas e demonstram, mais do que a média, grande pessimismo quanto a crise econômica, desemprego, inflação e sobre as perspectivas do país pós-eleição.

Apresentar propostas consistentes que anulem a desesperança e que flertem com políticas sociais do lulismo é ponto chave para atrai-los.

A tradicional imagem com a camisa da seleção brasileira, torcendo nos jogos da Copa não será a melhor estratégia - o grupo é um dos que mais admite vergonha, e não orgulho, de ser brasileiro.
Herculano
10/06/2018 08:40
SEM NOVIDADES, ELEIÇÃO ACONTECE EM BOLHAS E APROFUNDA DIVISõES, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Candidatos apelam a grupos cada vez mais homogêneos e estimulam guerra política

A nova pesquisa Datafolha sugere que candidatos e eleitores se concentram em bolhas cada vez mais isoladas a caminho da campanha. Presidenciáveis atraem grupos homogêneos em vez de expandir suas plataformas, empurrando a disputa para um cenário de segregação.

A aglomeração do eleitorado em nichos aponta para o risco de divisões regionais e sociais ainda mais intensas do que a polarização entre PT e PSDB que marcou a política nos últimos 24 anos.

Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, tem os votos de 26% dos homens, mas é a opção de apenas 12% das mulheres. No Centro-Sul, o militar atinge 21%, contra 12% no Nordeste. Pontua 25% entre eleitores com curso superior, mas só 11% entre brasileiros com ensino fundamental.

De outro lado, Lula (PT) atrai 38% dos eleitores de baixa renda e só 23% da população mais rica. Bate 49% no Nordeste, mas se limita a 22% no Centro-Sul. O ex-presidente não deve ser candidato, mas os dados revelam o perfil do espólio petista.

Acolhidos em seus times, eleitores de Bolsonaro e Lula são aqueles que mais rejeitam votar em outros candidatos. Também declaram voto nulo em proporções acima da média nas simulações de segundo turno que não incluem seus favoritos.

A ocupação firme dos segmentos preenche o vácuo que candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) buscam para crescer. Eles esperam dispersar essas concentrações quando as engrenagens da campanha começarem a girar.

A pulverização estimula o apelo aos nichos. Com tantos nomes na disputa, 15% podem ser suficientes para se chegar ao segundo turno. Para isso, basta que o candidato fale aos seus. Não precisa se expor ao público amplo dos debates da TV.

As características desta pré-campanha indicam que o país poderá ir às urnas fragmentado. Não será fácil reorganizar o eleitorado e atingir uma maioria no segundo turno. O próximo presidente poderá tomar posse em um país tão conflagrado politicamente quanto em 2014-2015.
Herculano
10/06/2018 08:36
DATAFOLHA EXPõE UMA DEMOCRACIA NO PRECIPÍCIO, por Josias de Souza

Quem for buscar no Datafolha deste domingo pistas sobre o resultado da eleição de outubro desperdiçará um naco do domingo. O quadro é de franca indefinição. Utilizará melhor o seu tempo quem conseguir enxergar a fatalidade que se esconde atrás das estatísticas. A pesquisa expõe uma democracia escorregando da beirada para dentro do precipício. E o pior está por vir. Com o sistema político no buraco, um pedaço expressivo do eleitorado age como se desejasse jogar terra em cima.

O Brasil continua na constrangedora situação de ter o líder na pesquisa fazendo campanha para um cargo que a Lei da Ficha Limpa o impede de disputar. O PT sabe que a foto de Lula, preso há dois meses como um corrupto de segunda instância, será retirada da urna pela Justiça Eleitoral. Mas acaba de confirmar sua pré-candidatura. E o Datafolha informa que 30% do eleitorado ainda se dispõem a votar num ficha-suja. Espanto!

Excluindo-se Lula do jogo, a taxa de eleitores sem candidato (voto em branco, nulo, nenhum ou não sabe) sobe de 21% para 33%. Ou seja: mais de um terço do eleitorado acompanha o lero-lero dos demais candidatos e não consegue enxergar nada além de pus no fim do túnel. Pasmo!

A disputa pelo governo-tampão do Tocantins demonstra que há males que vêm para pior. O resultado dessa mistura de zanga com desalento pode ser o desastre. O eleitor tocantinense foi chamado a votar depois da cassação dos mandatos do governador Marcelo Miranda e de sua vice Cláudia Lélis. Somando-se a legião que se absteve de comparecer às urnas com a multidão que anulou o voto ou votou em branco, chegou-se quase à metade do eleitorado (49,33%) do Estado.

Ao lavar as mãos, o eleitor favoreceu a oligarquia partidária que faz sumir o sabonete. Foram para o segundo turno o atual governador interino, Mauro Carlesse, e o senador Vicentinho Alves. O primeiro é filiado ao PHS, partido que acompanhou Eduardo Cunha até a porta da cadeia. O segundo pertence aos quadros do PR, legenda controlada como um cartório pelo ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto. Idealizador da Lei da ficha Limpa, o juiz aposentado Márlon Reis amargou um constrangedor quinto lugar.

No plano nacional, informa o Datafolha, o número 2 ainda é Jair Bolsonaro. Nos cenários sem Lula, ele assume a liderança, com 19% das intenções de voto. Estupefação!

Bolsonaro pode ser definido como uma novidade com cheiro de naftalina. Parlamentar de cinco mandatos, o ex-capitão do Exército é pós-graduado nas mumunhas da política. Como jamais teve acesso à chave do cofre, vangloria-se de não frequentar os inquéritos por corrupção. Mas foi filiado, entre 2005 e 2016, ao PP, que está no topo do ranking de envolvidos na Lava Jato. Cobiça o apoio do PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto. E responde como réu a duas ações no Supremo por apologia ao crime e injúria.

Uma dessas ações refere-se ao caso em que Bolsonaro declarou, da tribuna da Câmara, que não estupraria a colega petista Maria do Rosário por falta de merecimento. Alegou que a deputada é muito feia. Quando fica fora de si, Bolsonaro costuma exibir o que tem por dentro. Num hipotético governo comandado por ele, policiais teriam licença para matar, todo brasileiro portaria uma arma, terras indígenas seriam ficção jurídica, e patrícios homos e trans viveram num inferno.

Acotovelam-se no pelotão inferior Marina 'isolada' Silva (15%), Ciro 'voluntarista' Gomes (entre 10% e 12%) e Geraldo 'Odebrecht' Alckmin (7%). É muita alternativa para pouca empolgação. O eleitorado parece vislumbrar uma obviedade: seja quem for o próximo inquilino do Planalto, sua margem de manobra será muito estreita, pois os partidos se equiparam para reeleger um Congresso majoritamente composto pelo rebotalho.

A Lava Jato iluminou o lado obscuro do sistema político. Entretanto, excetuando-se os apoplogiastas da intervenção militar, todos sabem que não há solução fora da política. E o que fazem os partidos políticos? Esforçam-se para provar que a prioridade da política é impedir o país de fazer política. Para governar, o presidente terá de aderir à realpolitik, eufemismo chique para aliança com corruptos. E o sistema continuará rodando como parafuso espanado.

Se a nova pesquisa do Datafolha sinaliza alguma coisa é o seguinte: o futuro era muito melhor antigamente. Stefan Zweig, autor austríaco mundialmente conhecido, publicou em 1941 o livro "Brasil, País do Futuro." Nele, anotou que o Brasil "quase não deveria ser qualificado de um país, mas antes de um continente, um mundo com espaço para para 300, 400 milhões de habitantes, e uma riqueza imensa sob este solo opulento e intacto, da qual apenas a milésima parte foi aproveitada."

Zweig não está mais entre nós. Suicidou-se. Com os olhos voltados para o futuro, não suportou o presente. A população do "continente" brasileiro ainda não roçou os 400 milhões de habitantes vaticinados por ele. Mas já somos 208 milhões, dos quais mais de 146 milhões dispõem de título eleitoral. A riqueza imensa de que falava o escritor fez do Brasil o país do faturo.

Agora, submetido a uma tempestade de lama, restaria abrir o guarda-chuva. Mas a inconsciência do eleitor e a inconsequência dos candidatos indicam que o voto pode se tornar um apetrecho inútil como um guarda-chuva sem o pano que o recobre. Um país não afunda por cair no precipício. Afunda-se por permanecer lá. E não há nas dobras da pesquisa do Datafolha nenhum sinal de que o Brasil encontrou uma escada.
Herculano
10/06/2018 08:30
Os AVESTRUZES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Vários candidatos à Presidência têm ajudado a alimentar a ilusão de que os recursos à disposição do Estado são ilimitados

A maioria absoluta dos eleitores brasileiros (61%) não votaria em candidatos a presidente que propusessem a privatização da Petrobrás, mostra pesquisa da Ipsos veiculada pelojornal Valor. O porcentual de rejeição chega a 62% quando a pergunta é sobre a privatização do Banco do Brasil. Também é bastante significativo ?" 57% ?" o índice dos que descartam votar em quem defende a reforma da Previdência.

Os resultados não diferem de algumas outras enquetes feitas a propósito dos mesmos temas ?" todas apontaram uma considerável objeção às privatizações e à reforma do sistema previdenciário. Esta última pesquisa explicita esse componente da intenção de voto do entrevistado - e, com isso, aponta a dificuldade que candidatos de centro podem ter para sustentar a bandeira da redução do tamanho do Estado.

No entanto, paradoxalmente, a mesma pesquisa indica que 68% dos entrevistados dizem que pretendem apoiar candidatos que prometerem reduzir os gastos públicos. Trata-se de uma evidente contradição, pois é justamente a manutenção de gigantescas estatais, cuja simples existência distorce as relações de mercado, que contribui substancialmente para estropiar as contas públicas. A contradição fica ainda mais gritante quando se compara esse apoio ao corte de gastos com a rejeição a candidatos que defenderem a reforma da Previdência ?" crucial para amainar a crise fiscal no País. Não se pode querer uma coisa sem levar em conta a outra.

Contudo, ao que parece, essa pesquisa, como todas as demais do mesmo gênero, não apresentou aos entrevistados a questão na forma de trade-off. Afinal, toda decisão tem um custo. Como os recursos são sempre limitados, toda decisão econômica pressupõe alguma perda. Se o tomador da decisão desconhece essa perda, ele não terá condições de fazer sua escolha de modo consciente, seja no orçamento doméstico, seja no Orçamento do País.

Aparentemente, o eleitor entrevistado nessas pesquisas não estava ciente das possíveis consequências de suas escolhas. Por exemplo: é provável que, ao decidir rechaçar candidatos que defendem a reforma da Previdência, o entrevistado não tivesse consciência de que o rombo do sistema previdenciário inviabiliza os investimentos em áreas importantes e compromete as contas públicas, com efeitos nefastos para o País. Nessas condições, o eleitor entrevistado não tinha condições de ponderar de modo mais realista ?" e menos ideológico ?" a sua resposta.

Essa mesma incapacidade de discutir as consequências das decisões econômicas é amplamente disseminada entre os candidatos à Presidência. Ao que parece, ninguém está realmente disposto a assumir o ônus de revelar aos eleitores que os recursos do Estado são finitos e que, por isso, é necessário estabelecer prioridades. É preciso discutir, por exemplo, se o mais importante é gastar bilhões subsidiando combustíveis ou se o Estado deveria usar esse dinheiro para melhorar o ensino básico ?" que ano após ano despeja no País estudantes que mal sabem fazer contas e entender o que leem. É preciso saber se vale a pena bancar um crescente déficit de um sistema previdenciário que hoje sustenta privilegiados e que em pouco tempo se tornará inviável, enquanto, por outro lado, faltam recursos para tornar a saúde pública minimamente decente. Os exemplos de trade-offs são abundantes.

Trata-se de questões que pressupõem um mínimo de respeito pela realidade e pela inteligência do eleitor. Até aqui, porém, vários candidatos à Presidência têm ajudado a alimentar a ilusão de que os recursos à disposição do Estado são ilimitados. Gente bem posicionada nas pesquisas tem até mencionado a possibilidade de revogar o teto dos gastos públicos, uma das maiores contribuições do atual governo à racionalidade econômica. Age como se fosse capaz de, por mero ato de vontade, anular os trade-offs.

Essa cultura do dinheiro público sem fim, infelizmente, vem se consolidando, estimulada por demagogos que incitam os eleitores a agir como avestruzes ?" que enfiam a cabeça na terra para não ter que pesar o impacto econômico de suas escolhas.
Herculano
10/06/2018 08:29
OS CHANTAGISTAS E A FALTA DA POLÍTICA, por Marcos Lisboa, economista, para o jornal Folha de S. Paulo

Cabe a políticos dialogar para respeitar o Estado de direito e não ceder a pressões

Há muito com o que se preocupar nos tempos atuais, sobretudo a rejeição da boa política.

O país enfrenta dificuldades para conciliar interesses divergentes em meio a uma economia que não tem como atender a todos os pedidos. Já há muito se sabe que os benefícios concedidos pelo governo não cabem no Orçamento.

Apesar disso, grupos organizados se mobilizam para pedir novos benefícios ou impedir a revisão dos seus privilégios.

A lista é longa. Servidores públicos fazem greve branca para garantir reajustes salariais apesar da perda de renda do restante da população. O bolo ficou menor depois da recessão, mas as dificuldades são irrelevantes para quem demanda seu butim.

Setores produtivos privilegiados com desonerações se recusam a pagar impostos como o restante da sociedade. Outros, como a agricultura recentemente, conseguem novos benefícios. Dane-se a restrição fiscal.

O petróleo ficou mais caro e os caminhoneiros paralisam o país, chantageando o restante da sociedade para que pague a conta do seu combustível.

Como o governo é fraco, aproveitam para pedir o tabelamento do frete de modo a restringir a concorrência e a aumentar as suas receitas, onerando o transporte de bens. Chantagem pouca é bobagem, e também exigem dispensa de licitação para vender seus serviços ao setor público.

O próximo governo precisará negociar as perdas inevitáveis. Há uma conta imensa a ser paga, talvez R$ 250 bilhões ao ano. Benefícios terão que ser reduzidos e tributos, aumentados.

Pior apenas a alternativa. A recessão recente pode ter sido apenas o prólogo de uma crise ainda mais severa.

Nossa democracia requer ampla maioria para superar os problemas. Não há como reduzir o crescimento dos gastos públicos sem reformar a Constituição ou as suas emendas, o que exige o apoio de 60% do Congresso.

Há mais. A extensão da Constituição tem justificado o ativismo do Judiciário que, com frequência, revê decisões do Congresso ou impõe novos gastos públicos, às vezes desconsiderando o bem-estar da maioria.

Enfrentar nossos desafios requer técnica para avaliar o impacto das propostas. Já tivemos em demasia, principalmente desde 2011, decisões incompetentes, com efeito contrário ao pretendido. Difícil imaginar as consequências de uma nova gestão que não saiba do que está falando.

A técnica, entretanto, apenas delimita possíveis soluções.

Resolver os problemas requer a liderança da política, a quem cabe dialogar com os demais Poderes e negociar conflitos respeitando o Estado de direito, sem transgredir por pressão de chantagistas.
Quem sabe o susto com o descontrole recente, que pode se agravar, ajude a recuperar a boa política.
Herculano
10/06/2018 08:25
O MUNDO MORTO, por J.R.Guzzo, na revista Veja

Precisamos falar um pouco sobre o regime militar no Brasil, porque em nosso país, ao contrário do que em geral acontece no resto do mundo, a história vai ficando mais incerta com o decorrer do tempo. É a velha tirada do ex-ministro Pedro Malan: o Brasil é um país tão difícil que aqui não dá para prever nem o passado. Apareceram na praça, pouco tempo atrás, mais informações sobre o período do "regime militar", ou "ditadura militar", conforme o lado da rua em que o cidadão está - e o tema, que periodicamente sai do túmulo, circula pelos meios de comunicação e volta a ser enterrado, ganha de novo seus quinze minutos de fama. Desta vez, fomos informados de que os generais que mandavam no governo, inclusive um presidente da República, seu sucessor e outros colossos das Forças Armadas, autorizaram a "execução sumária" de "opositores do regime". A informação é de um documento da CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos, e não esclarece se os seus espiões ouviram, de vivo ouvido, a conversa em que os chefes militares decidiram dar essas ordens. Seja como for, as dúvidas não vêm mais ao caso. A "denúncia da CIA" morreu de inanição pouco depois de ter nascido ?" não chegou a impressionar os especialistas nem, menos ainda, a interessar os indiferentes ao assunto.

A curiosidade, nesse último episódio de viagem ao passado, não é a falta de um ponto de chegada. O esquisito é a repetição da tentativa de manter vivos um mundo e uma época que estão mortos - apesar dos resultados cada vez mais frouxos que se obtêm com esses esforços de ressurreição. Pretende-se estabelecer a "verdade" sobre o passado - chegaram a criar até uma "comissão nacional" para essa tarefa. A cada tentativa, naturalmente, não se estabeleceu verdade nenhuma. Como seria possível, se o centro da questão está em fatos que aconteceram há cinquenta anos? As responsabilidades teriam de ter sido apuradas lá atrás. Mas para isso seria indispensável que os militares tivessem perdido seu combate contra os grupos que queriam derrubá-­los ?" só assim poderiam ter sido presos, julgados e condenados. (Ou "executados sumariamente", talvez.) Acontece que os militares não perderam. Saíram do governo porque quiseram e foram em boa ordem para as suas casas, protegidos por uma lei de anistia legalmente aprovada. Não passou pela cabeça de ninguém, na hora, chamar o general Pedro ou o coronel Paulo para responder a inquérito nenhum. Caso encerrado, então. Punições desse tipo ou vêm imediatamente após o encerramento do conflito, ou não vêm nunca mais. Não dá para reabrir o Tribunal de Nuremberg ou os Processos de Tóquio. Não dá para descobrir a verdade sobre a Guerra dos Farrapos. Pode até dar - mas é inútil.

O que acaba acontecendo, na vida real, é que, a cada expedição arqueo­lógica feita para descobrir a "verdade histórica", o passado se torna mais obscuro, e não mais claro. Em vez de se saber mais, fica-se a saber menos. No caso do regime que vigorou de 31 de março de 1964 até 31 de dezembro de 1978, quando foi revogado o Ato Institucional nº 5, a passagem do tempo torna as coisas especialmente mais vagas para o brasileiro comum. O período é descrito pelos fiscais da história nacional como o mais negro de toda a existência do Brasil ?" os tais "anos de chumbo", piores que qualquer desgraça que o país tenha vivido até hoje. Mas, a cada dia que passa, mais ralo vai ficando esse caldo. Hoje, só cidadãos que já estão com 72 anos de idade, ou mais, tinham chegado aos 18 e eram adultos em 1964. Todos os oficiais atualmente na ativa nas Forças Armadas eram crianças na época, ou nem tinham nascido. Dos que sobreviveram, muitos não acham que aqueles foram "anos de chumbo" ?" ou nem sequer se lembram de algum incômodo causado em seu dia a dia pelo "regime". Mais de 60% da população atual do Brasil, ou acima de 125 milhões de pessoas, tem até 40 anos de idade. Nenhuma delas era viva quando o AI-5 foi revogado e as liberdades públicas e privadas foram restabelecidas. Por que essa gente toda iria achar que o governo militar é uma questão fundamental em sua vida? Não é. Não vai ser nunca.

Os chefes militares foram responsáveis por mortes, torturas e prisões ilegais. Claro que foram: o AI-5 não aboliu o Código Penal nem tornou legal o homicídio. Como cometer crimes sem autorização superior? Todos achavam, aliás, que estavam fazendo muito bem - na sua visão, havia simplesmente um inimigo a eliminar. Não vão mudar de ideia. Esperam, ao contrário, que o tempo traga cada vez mais gente para o seu lado.
Herculano
10/06/2018 08:22
ENROLADAS DA LAVA JATO JÁ FATURAM R$143 MILHõES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

As empreiteiras enroladas na Lava Jato embolsaram R$142,9 milhões desde o início de 2018 em contratos com o governo federal, apesar de toda roubalheira que fizeram na Petrobras. A Odebrecht, que teve mais de 70 acordos de delação premiada fechados por executivos para dar detalhes das maracutaias da empresa, continua a mais "prestigiada" e faturou R$ 94,8 milhões; exatos dois terços do total pago até agora.

TROCO DO PÃO
Mesmo com o maior faturamento, a Odebrecht está a anos luz dos R$3 bilhões que recebeu de 2012 a 2014, auge do relacionamento com PT.

JÁ LEVOU MAIS
Em 2016, o valor recebido apenas nos cinco primeiros meses do ano foi cerca de cinco vezes superior ao atual: R$662 milhões.

COADJUVANTES
Faturam menos Queiroz Galvão (R$23,3 milhões), Constran (R$13,3 milhões), Galvão (R$9,7 milhões) e Engevix (R$1,6 milhão).

À MARGEM
Outras empreiteiras não receberam nada até agora. Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Mendes Júnior estão zeradas.

SUCESSOR DE TEMER NOMEARÁ 2 MINISTROS NO STF
Até o final do mandato do presidente Michel Temer não há previsão de abertura de vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para ele indicar. Já o seu sucessor, que será escolhido em outubro, terá pelo menos duas: do decano, Celso de Mello, que se aposentará em novembro de 2020, e do vice-decano Marco Aurélio, que em julho de 2021 vai pendurar a toga porque atingirão a idade-limite de 75 anos.

MAIS DOIS EM 2023
Os ministros que se aposentarão na sequência, mas só daqui a cinco anos, em 2023, são Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

LENTA RENOVAÇÃO
É baixa a média de idade dos ministros do STF. Luiz Fux, por exemplo, só cai na "expulsória" em abril de 2028 e Cármen Lúcia um ano depois.
8
É Só O COMEÇO
Gilmar Mendes sai do STF em 2030, Fachin e Luís Roberto Barroso em 2033, Dias Toffoli em 2042. Alexandre de Moraes só daqui a 25 anos.

CRISE DA MEIA IDADE
Ao completar 56 anos, a Eletrobras passa por uma crise de meia idade. Com filhos (distribuidoras) dando prejuízos bilionários e sem saber o que fazer, a solução é o Brasil se livrar dela, com a privatização.

SEM PRESSA
O projeto de lei que privatiza a Eletrobras "não é prioridade" das lideranças do governo Michel Temer no Congresso, diz a Agência Infra. O projeto tem urgência, mas não tem "urgência, urgentíssima".

ATÉ ISSO, EXCELÊNCIA?
Os políticos amam se meter em futebol. Projeto do deputado Capitão Augusto (PR-SP) obriga árbitros de futebol a declararem (por escrito) o time do coração, para impedi-los de apitar jogos desses clubes.

PASSO IMPORTANTE
Será apresentado nesta quarta (13), com uma semana de atraso, o parecer do relator do novo Código de Processo Penal, João Campos (PRB-GO). Prevê prisão após as sentenças da segunda instância.

OUTRA BÚSSOLA
As prioridades na Câmara mudaram após a greve dos caminhoneiros. Toda a pressa agora na viabilização dos projetos oriundos das dez medidas provisórias editadas pelo governo para contornar a crise.

CONTRATAR COMO?
Quebrados, os Correios anunciaram que o Programa Jovem Aprendiz terá inscrições encerradas nesta segunda. São 4.983 vagas de trabalho para jovens entre 14 e 22 anos

JACARÉ E COBRA D'ÁGUA
Apoiadores do ex-governador cearense Ciro Gomes tentam articular na Câmara uma improvável aliança entre o PDT do cearense e o DEM de Rodrigo Maia. Um autêntico casamento de jacaré com cobra d'água.

E AS VOTAÇõES?
A Câmara marcou para esta segunda (11) a sessão para homenagear os 28 anos da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural. Votação só na terça. E olhe lá.

É LOGO ALI
Agora, faltam apenas 119 dias para as eleições deste ano.

Herculano
10/06/2018 08:15
COM AUSÊNCIA DE LULA, BOLSONARO E MARINA LIDERAM PESQUISA DATA FOLHA

Com apoiadores de Lula sem alternativa, disputa eleitoral segue indefinida

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Balthazar. Dois meses depois da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seus adversários na disputa pela Presidência da República continuam encontrando dificuldades para conquistar a preferência dos eleitores.

Pesquisa realizada pelo Datafolha na semana passada aponta o líder petista com 30% das intenções de voto e mostra que mais de um terço dos eleitores se dizem sem opção ao analisar cenários em que ele fica fora do páreo.

O instituto entrevistou 2.824 eleitores de 174 municípios na quarta (6) e na quinta (7). A pesquisa é a primeira feita pelo Datafolha após a paralisação dos caminhoneiros, que causou transtornos em todo o país, provocou uma crise no governo e abalou a economia.

Segundo o Datafolha, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que apoiou os caminhoneiros, mantém a liderança da corrida presidencial nos cenários em que Lula está ausente, com 19% das preferências.

A ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece logo depois no levantamento, com até 15% das intenções de voto. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que oscila entre 10 e 11%, e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 7%, estão tecnicamente empatados.

Embora Ciro apareça numericamente à frente nos resultados, a diferença entre os dois pode ser menor por causa da margem de erro do estudo, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), que lançou sua pré-candidatura com apoio do presidente Michel Temer, tem apenas 1% das preferências, de acordo com o instituto.

Os cenários pesquisados pelo Datafolha na semana passada são diferentes dos que foram considerados pelo estudo anterior, feito em abril, e por isso os resultados dos dois levantamentos não são perfeitamente comparáveis.

O PT reafirmou na sexta (8) a disposição de registrar a candidatura de Lula, que cumpre pena em Curitiba pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e deve ser impedido pela Justiça de concorrer.

A estratégia adotada pelo partido adia a definição do nome que poderá substituir o ex-presidente se ele for barrado. Os dois mais cotados para a vaga, o ex-prefeito Fernando Haddad (SP) e o ex-governador Jaques Wagner (BA), aparecem com 1% na pesquisa.

A ausência de Lula fez cair o número de eleitores que o mencionam espontaneamente quando consultados sobre suas preferências, mas seu prestígio poderá ser decisivo para quem receber seu apoio. Nos cenários sem o ex-presidente no páreo, mais de 40% dos seus eleitores dizem não ter em quem votar.

Simulações feitas pelo Datafolha para o segundo turno da eleição reforçam os sinais de que muitos eleitores não encontram alternativa sem Lula.

Em cinco dos nove cenários em que o líder petista não aparece, o número de eleitores sem opção, dispostos a votar em branco ou anular o voto supera o de apoiadores do candidato vencedor. Marina Silva aparece como a que tem melhores chances contra Bolsonaro no segundo turno.
Herculano
10/06/2018 08:03
TEMER DÁ A RÉ, por Carlos Brickmann

O presidente Michel Temer é coerente: está onde sempre esteve (talvez isso só mude no fim do mandato, quando perder o foro privilegiado). Temer, ao assumir, lembra-se? extinguiu o Ministério da Cultura, apenas para em seguida voltar atrás, diante da reação dos prejudicados. Agora, em quatro horas, anunciou a tabela de preços mínimos para o frete e, diante da reação de líderes dos caminhoneiros, que ameaçaram parar de novo, recuou, revogou a tabela e prometeu outra, exatinho como eles exigiam. Os reclamantes nem pediram licença: invadiram o Ministério dos Transportes. E, mais uma vez, viram o presidente obedecer a quem gritasse mais.

Enquanto isso, como se comporta o mercado? Uma carga de 300 kg de São Paulo a Roraima sairia por pouco menos de R$ 1.200. Mas apareceram transportadores se propondo a levá-la por R$ 1.000, ou menos. A questão nem é tanto de preço: é que o caminhoneiro autônomo não pode parar, se quiser pagar as contas.

E quem está ganhando com isso? Caro leitor, é ele mesmo: Joesley. Ou eles, os de sempre: os frigoríficos. O criador não pode segurar os bois no pasto, sob pena de ter prejuízo. Frigoríficos aproveitam a paralisação: oferecem preço menor pelo bois, e os criadores, pressionados, aceitam. Os frigoríficos ganham também na outra ponta, exportando com o dólar alto. Quem pensa nos caminhoneiros de verdade, ou nos criadores?

E Temer, não pensa? Talvez até pense, mas não hesita em dar a ré.

O DINHEIRO QUE FALTA

O Governo diz que o orçamento não comporta novos gastos. Deve ser verdade: o déficit deste ano está por volta de R$ 160 bilhões. Mas será que não dá para mexer nisso? O empresário Zizinho Papa, presidente emérito da Federação do Comércio, que será candidato a deputado federal pelo PSDC paulista, dá números: temos 54 governadores e vices, 81 senadores, 11,136 prefeitos e vices, 1.024 deputados estaduais, 513 deputados federais. Vices e governadores, deputados federais, senadores, prefeitos, todos têm carro oficial. Deputados estaduais, não todos, mas muitos, têm carro oficial. Sem luxo: bons carros, como Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet Cruze e outros do mesmo nível, custam no mínimo R$ 80 mil.

É preciso tudo isso? Não são só os carros: se reduzirmos à metade o número de 69.620 políticos com mandato, qual o problema? E qual a economia?

OS NÚMEROS

A política nos custa (tudo, incluindo o que é mesmo indispensável) R$ 150 mil por minuto, R$ 9 milhões por hora. São quase R$ 78 bilhões por ano. Isso, claro, não inclui as boas aposentadorias, nem o seguro-saúde ilimitado e vitalício. Reduzir esse gasto pela metade e poupar R$ 39 bilhões será mesmo impossível? E deve ser bom fazer política: há 35 partidos com registro no TSE, todos recebendo parcelas do Fundo Partidário, todos com direito a financiamento público de campanha. Há 73 partidos em formação. Qual a diferença entre um e outro? A semelhança, essa nós sabemos.

A GRANDE FESTA

A despesa é alta, mas a festa continua - afinal, quem paga somos nós. A Câmara Municipal de São Paulo acaba de aprovar um bom reajuste (77%) numa gratificação aos funcionários. Coisa pouca, para quem legisla: apenas R$ 5,7 milhões por ano. Mas analisemos as despesas da Câmara: nela, há 254 funcionários recebendo mais do que o teto municipal, de R$ 24,1 mil. Há quem ganhe R$ 59 mil, quase o dobro do teto federal, que é o salário dos ministros do Supremo. E isso antes do aumento da tal gratificação.

Detalhe: dos 254 que ganham acima do teto, 133 estão aposentados. Ali não vigora o INSS: é outra lei, mais boazinha. É proibido regular micharia.

BUSCANDO DINHEIRO

Uma decisão da Justiça Federal, na terça-feira, mostrou, a quem ainda não sabia, onde é que o Governo busca dinheiro para a farra de gastos: foi suspensa a portaria 75 do Ministério do Planejamento que tirava R$ 203 milhões do orçamento do SUS, da segurança alimentar, da assistência técnica à agricultura familiar, de repressão à violência contra a mulher e do setor de transportes, e transferia tudo para a publicidade - aquelas coisas de "Ordem é Progresso", que tanto contribuem para a popularidade de Temer. A decisão foi do juiz Renato Borelli, da 20ª Vara da Justiça Federal.

E CHEGA!

Agora é hora de descansar um pouco da triste realidade brasileira. Este colunista acaba de ler (e recomenda) uma delícia de livro: "A História da Literatura Erótica e Meus Contos Malditos", de Antônio Paixão.

O livro, lançado no dia 5, foi-me recomendado por um apreciador de boa literatura: o advogado Orlando Maluf Haddad - aliás, que tal fazer sua biografia, que inclui o resgate de presos pela ditadura uruguaia, rompendo o cerco da Operação Condor, que unia os ditadores do Cone Sul da América? Uma nova tarefa para o bom escritor Paixão.
Herculano
10/06/2018 07:57
26/6/1968: A ALVORADA DA TREVA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Passeata dos Cem Mil coincide com o atentado ao QG do Exército, em SP

Daqui a duas semanas serão lembrados os 50 anos da Passeata dos Cem Mil, a bonita jornada durante a qual o centro do Rio foi tomado por milhares de pessoas que defendiam as liberdades públicas. No chão, marchava-se ao lado de intelectuais e artistas. Do alto do edifícios choviam papéis picados. Será um momento de doce nostalgia para os septuagenários que viveram aquela tarde.

Numa época em que a democracia brasileira vive a tensão dos radicalismos do século 21, convém que se revisite aquele dia, embebido nos radicalismos da ditadura. A passeata tomou conta da história de 1968, mas ela foi um crepúsculo. A treva amanhecera horas antes, durante a madrugada, quando um caminhão com 50 quilos de dinamite explodiu diante do portão do QG do Exército, matando o soldado Mário Kozel Filho e ferindo cinco outros militares.

O atentado foi obra da Vanguarda Popular Revolucionária e nele estiveram dez terroristas. Dias antes a VPR havia roubado fuzis num hospital militar e o general que comandava a tropa do Exército em São Paulo lançara um desafio infantil: "Atacaram um hospital, que venham atacar meu quartel". Vieram. O motorista do caminhão saltou, o veículo bateu num muro, Kozel foi ver se havia alguém na boleia e a dinamite explodiu.

Oito horas depois, no Rio, a passeata saiu da Cinelândia e percorreu a avenida Rio Branco. No dia seguinte todos os grandes jornais noticiaram com destaque os dois fatos.

Aos poucos, porém, a lembrança do atentado evaporou, abafada pelo romantismo da manifestação do Rio e pelo silêncio que protege o radicalismo esquerdista da época.

Na passeata, enquanto uma parte dos manifestantes dizia que "o povo unido jamais será vencido", outra, menor, proclamava que "o povo armado jamais será vencido". Seis meses depois o presidente Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5, e começou a longa noite da ditadura escancarada.

Passados 50 anos, é mais agradável lembrar a passeata do que o atentado. Nas palavras da militante que estava num carro de apoio, a bomba "não serviu para nada, a não ser para matar o rapazinho".

O atentado serviu para estimular radicalismos, influenciando a vida do país, enquanto a passeata ficou como uma boa lembrança, nada além disso. Nada a ver com os comícios de 1984 pedindo eleições diretas. Elas não vieram, mas o povo unido levou o colégio eleitoral a eleger indiretamente o oposicionista Tancredo Neves.

O atentado e a facilidade com que se assaltavam bancos no final da década de 60 deram aos grupos radicais de esquerda uma enganosa sensação de invulnerabilidade. Quatro meses depois, dois dos terroristas que estiveram no ataque ao QG participaram do assassinato de um capitão americano que vivia em São Paulo.

A ditadura respondeu ao surto radical com torturas e mortes. Dos 13 militantes que participaram dos ataques ao hospital militar e ao QG, 2 foram executados, 7 foram presos e 3 deixaram o país. Só um ficou livre no Brasil, com outro nome.

A VPR e suas congêneres nunca defenderam a ordem democrática. Já os ministros que participaram da reunião do Conselho de Segurança Nacional que baixou o AI-5 exaltaram a democracia em 19 ocasiões. Ao final, fecharam o Congresso e suspenderam o habeas corpus.

CARMEM FECHOU A ROLETA DO STF

Advogados criam sistema que tenta driblar sorteio do Supremo Tribunal Federal

Advogados espertos criaram um sistema de roleta para conseguir habeas corpus no Supremo Tribunal. Quando veem negada sua petição por um ministro, começam tudo de novo, esperando contornar o ministro que os desatendeu. Confiam no sorteio, até que o caso caia nas mãos de um voto amigo.

Em outubro do ano passado um pedido foi para o ministro Luís Roberto Barroso e ele negou o habeas. Com a mesma documentação, pediram de novo em novembro e o caso foi para o ministro Dias Toffoli.

Nova negativa e nova tentativa. Por sorteio, o pedido voltou a Barroso e ele voltou a negar o habeas. Tentaram de novo em fevereiro deste ano. Na mão do ministro Edson Fachin, tiveram a quarta negativa. Em março, insistiram. Na quinta investida, o caso caiu de novo na mesa de Toffoli e ele voltou a negar. Na sexta tentativa, sempre por sorteio, o processo voltou para Barroso. Falta de sorte.

Noutro caso, o habeas corpus foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes. Na segunda tentativa o ministro Fachin também negou-o. Novo sorteio mandou o processo para a ministra Rosa Weber, terceira negativa. A cada pedido os advogados colocavam os ministros que os desatenderam como autoridades coatoras. Desse jeito aumentavam suas chances de levar o processo a um ministro simpático. Num terceiro caso a manobra gerou o circuito Luis Fux-Alexandre de Moraes-Celso de Mello, sempre com negativas.

A presidente Cármen Lúcia fechou a roleta e determinou que o primeiro caso deve ficar com Barroso, o segundo, com Rosa Weber e o terceiro com Fux.

Fez mais, mostrou que o joguinho "configura abuso do direito e defesa" e mandou que as espertezas fossem comunicadas à Ordem dos Advogados do Brasil.

TRUMPISTÃO

Um novaiorquino cosmopolita, que nunca votou em republicanos e tem horror a Donald Trump desde que o conheceu, há cerca de 30 anos, informa:

"Ele poderá ser reeleito em 2020. A economia vai bem e o Partido Democrata está sem rumo. A eleição de novembro deverá manter a maioria republicana no Senado e, com alguma chance, manterá também sua maioria na Câmara.


EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota, mas acha que a Agência Nacional do Petróleo e a Petrobras estão abusando de sua cretinice quando dizem que a política de preços de combustíveis será revista depois de uma consulta pública.

Se essa modalidade de avaliação tivesse valor, Michel Temer deveria ter saído do Planalto depois das primeiras pesquisas do Datafolha e do Ibope. Felizmente, esse jogo acabará em outubro, com a consulta eleitoral.

16 ANOS EM 2

A marquetagem do governo inventou o slogan "O Brasil voltou, 20 anos em 2".

Gente bem humorada suprimiu a vírgula e os çábios arquivaram a peça.

Com o dólar encostando nos R$ 4, Temer pode ser orgulhar de ter voltado 16 anos em 2. Em 2002, nos dias de medo diante da possibilidade de uma vitória de Lula, ele chegou a R$ 3,99.

EXCELSOS VIAJANTES

Os 11 ministros do Pretório Excelso já tinham uma sala exclusiva no aeroporto de Brasília. Agora o Supremo Tribunal Federal tem outra área especial, que custará à Viúva R$ 374 mil anuais, ervanário superior a um ano de salário do presidente da República.

Cada doutor dispõe de um servidor para puxar a cadeira quando senta ou levanta no plenário.
Herculano
09/06/2018 12:41
MAGNO MALTA DIZ QUE NÃO SERÁ VICE DE BOLSONARO

Conteúdo de O Antagonista. O senador Magno Malta disse a Jair Bolsonaro que não será candidato a vice na chapa do presidenciável do PSL, publica o Estadão.

"Sou candidato a senador".

Segundo o jornal, um dos motivos que levaram Malta a não fechar a chapa com Bolsonaro foi o fato de sua mulher, a cantora gospel Lauriete Rodrigues Malta, não querer disputar o Senado em seu lugar neste ano.
Herculano
09/06/2018 12:38
da série: falta de governo (Michel Temer, MDB refém de um Congresso de chantagistas) e falta de perspectiva de se ter um governo depois de outubro com a eleição de Jair Bolsonaro, PSL, ou Ciro Gomes, PDT, sinaliza o desastre que nos espera.

SAÍDA DE CAPITAL R$ 8 bilhões

Conteúdo de O Antagonista.Em maio, a fuga de capital estrangeiro atingiu R$ 8,43 bilhões na B3 (antiga BM&FBovespa), publica o Estadão.

Apenas nos quatro primeiros pregões do mês, saíram mais de R$ 2 bilhões da Bolsa.

"Essa 'fuga' teve início em fevereiro, quando se tornaram mais claros os sinais de que os EUA iriam subir mais os juros que o inicialmente previsto - o que torna os títulos americanos mais atrativos para os investidores, prejudicando principalmente os países emergentes. Mas há no Brasil um ingrediente extra: um cenário eleitoral completamente indefinido, com o mercado cada vez mais temeroso de um segundo turno sem nenhum candidato de centro".
Herculano
09/06/2018 09:36
E ELES NEM ENRUBESCEM...por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Dado que cidadãos bem informados são indispensáveis ao pleno exercício da democracia, todos os eleitores ficam obrigados a fazer a assinatura de um periódico. Se jornalistas apresentássemos um projeto de lei com essa justificativa, seríamos corretamente tachados de corporativistas, aproveitadores e outros adjetivos pouco abonadores.

Arrisco até afirmar que parte da categoria, aquela que não perdeu a noção do ridículo, se rebelaria contra a proposta. Advogados, contudo, têm se revelado capazes de impingir à sociedade disparates semelhantes sem causar comoção. É preciso tirar o chapéu para eles.

Nesta semana, a CCJ da Câmara aprovou em caráter conclusivo o PL 5.511/16, que torna "obrigatória a participação do advogado na solução consensual de conflitos, tais como a conciliação e a mediação". Se nenhum deputado apresentar recurso, a proposta vai para o Senado.

A justificativa é a de sempre: o advogado é essencial à administração da Justiça. Foi com ela que já nos obrigaram a contratar causídicos mesmo para divórcios consensuais e inventários extrajudiciais e é com ela que a categoria pretende eliminar o "jus postulandi" das partes na Justiça do Trabalho (há vários PLs com esse teor).

Longe de mim sugerir que as pessoas não se utilizem dos serviços de advogados. Sempre vale a pena consultar especialistas. Mas isso deve ser uma opção, não uma determinação. Se as partes querem resolver amigavelmente suas diferenças, obrigá-las a pagar profissionais para tanto não passa de desavergonhada reserva de mercado.

Um dos problemas graves do Brasil é que ele se tornou um país de corporações, em que diferentes categorias estão mais interessadas em sequestrar o poder do Estado para assegurar vantagens legais para si do que em promover um espaço público no qual todos os setores possam prosperar na medida de suas próprias competências. O resultado disso é um país incompetente.
Herculano
09/06/2018 09:30
REFORMA NA CASA DA FILHA VIROU O TRIPLEX DE TEMER, por Josias de Souza

A pergunta de R$ 1 milhão que salta do inquérito sobre portos é a seguinte: admitindo-se que a reforma na casa de Maristela Temer foi custeada com dinheiro limpo, por que os pagamentos não transitaram pela rede bancária? Ou: tendo à disposição a moderna e segura ferramenta da TED, transferência eletrônica de dinheiro disponível na conta, por que a predileção por um meio de pagamento tão primitivo e suspeito como o coronel Lima?

Michel Temer declarou à repórter Roseann Kennedy que não sofre investigações, mas "um esquertejamento político e moral". Considera-se uma vítima de ''violação dos direitos constitucionais." Lamentou: "O tratamento que me dão é indigno. Estou sendo vilipendiado.'' Um dia depois do desabafo, veio à luz o teor do depoimento prestado à Polícia Federal em 29 de maio por Luiz Eduardo Visani, um dos fornecedores da reforma na casa de Maristela, sua filha. O depoente disse:

1. Entre novembro de 2013 e março de 2015, recebeu R$ 950 mil pelos serviços prestados na reforma. As faturas eram liquidadas mensalmente. Tudo em grana viva, no guichê da Argeplan, empresa de João Baptista Lima, o coronel aposentado da PM paulista que a PF aponta como operador de propinas de Temer.

2. Sugeriu que os pagamentos fossem efetuados diretamente em sua conta bancária. Contudo, a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel Lima e responsável pela reforma, respondeu que ele deveria receber em dinheiro, na Argeplan.

3. Avistou a filha de Temer na obra quatro vezes. Mas "nunca conversou" com ela sobre orçamento. Embora tenha apanhado o dinheiro na Argeplan, os recibos e contratos trazem o nome de Maristela Temer.

Pois bem. O depoimento de Luiz Visani deixou mal a filha do presidente. Inquirida 26 dias antes, Maristela dissera que seu pai havia indicado o coronel Lima para auxiliá-la na reforma. Logo ele, a quem os detalotes da JBS afirmam ter repassado, a pedido do presidente, propinas de R$ 1 milhão. Afirmara que Maria Rita Fratezi, a mulher do coronel, tocara a obra sem cobrar um tostão. Nem contrato havia. Sustentara, de resto, que a mulher do coronel pagou faturas em moeda sonante. Mas jurou que devolveu o dinheiro.

Por mal dos pecados, Maristela Temer disse à PF que ''não sabe precisar a forma do ressarcimento." Às vezes pagava em espécie. Outras vezes emitia cheques. Numa soma "superficial", estimou os gastos na obra em R$ 700 mil. Menos do que os R$ 950 mil que Luiz Visani demonstrou ter recebido. Muito menos do que a conta feita pela PF, incluindo outros fornecedores que disseram ter recebido em dinheiro vivo: R$ 1,2 milhão.

No mundo dos negócios honestos, uma reforma orçada no patamar do milhão é documentada por meio de contratos, recibos e anotações no Imposto de Renda. Maristela não dispõe de nada disso. No universo das transações lícitas, os pagamentos são efetuados por transferência bancária. Os mais tradicionalistas utilizam o cheque. Ninguém se arrisca a andar pela rua com dinheiro vivo.

Se preferir, Temer pode continuar fingindo que a reforma milionária na casa da filha não virou um problema. Mas o acúmulo de coisas mal explicadas acaba produzindo outras coisas. O embaraço vira hábito, o hábito se transforma em parâmetro e, de repente, o governante acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações.

O grampo do Jaburu, as duas denúncias criminais, o jantar em que Marcelo Odebrecht foi mordido em R$ 10 milhões, o silêncio ensurdecedor do coronel Lima? Nada precisa ser muito explicado no país ficcional. Mas a obra milionária na continua lá, na galeria dos assuntos pendentes.

A pose de ofendido que Temer faz quando se refere aos inquéritos que o assediam ajuda a explicar o derretimento da sua figuta imperial. O único "esquartejamento" que se observa em cena é o da lógica. A "violação" mais evidente é ao direito do brasileiro a um governo moralmente sustentável. Se algo vem sendo "vilipendiado" com frequência é a inteligência alheia.

Temer ainda não se deu conta. Mas a reforma na casa da filha está para o seu futuro penal assim como o tríplex no Guarujá está para o presente carcerário de Lula. No início, a encrenca parece um asterisco. Com o tempo vai ganhando tromba, orelha, rabo e até crachá de elefante.
Herculano
09/06/2018 09:13
DENTRO DO NEVOEIRO, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A escuridão tomou conta do Brasil pós-greve dos caminhoneiros e já em plena turbulência do câmbio. A democracia depende de que o calendário eleitoral seja cumprido. Mas as condições meteorológicas tornam impossível decifrar como será a travessia dos angustiantes quatro meses que nos separam do pleito presidencial.

Como a Operação Lava Jato abalou profundamente os três principais partidos, o sistema anterior se desorganizou e não há um novo para substituí-lo.

Jair Bolsonaro, o postulante da extrema-direita, parece ter compreendido, ou intuído, que neste quadro difuso quanto menos específico ele for, mais tem a ganhar.

Saiu da paralisação rodoviária identificado com o partido dos militares, ou seja, da ordem. Para ele, está de bom tamanho, por isso foge dos debates, como o da Folha, em que precisaria apresentar um programa organizado.

No polo oposto, Ciro Gomes, que, a bem da verdade, não se recusa a declinar um programa, também tenta aproveitar a onda que busca uma "mão forte".

Chama os emedebistas de ladrões e os ameaça com prisão de modo a obter a simpatia dos eleitores que associam a corrupção à desordem do aumento dos preços da Petrobras. Mas basta observar a sua possível aliança com o PP para perceber o jogo de cena em curso.

Se os candidatos, por assim dizer, outsiders, preferem apostar na opacidade sistemática, no establishment político há um vazio de candidaturas.



O "Manifesto por um polo democrático e reformista", lançado na última terça (5), é a demonstração que Geraldo Alckmin não preencheu, até agora, os requisitos para representar a opção de centro. As declarações antidemocráticas quando dos tiros sobre a caravana de Lula, somadas à escolha de uma agenda excessivamente liberal na economia, isolaram o ex-governador paulista numa distante posição à direita.

Enquanto isso, confinado ao mutismo carcerário, o dono da maior intenção de voto continua a ser o grande ausente do centro para a esquerda.

À falta de opções oferecidas pelo próprio Lula, o espectro que ele representaria começa a se dispersar entre os que se inclinam para Ciro, os que preferem Guilherme Boulos e os que gostariam de começar uma articulação por Fernando Haddad. No círculo estritamente lulista, nomes como Celso Amorim e Gleisi Hoffmann também circulam à velocidade de um por semana.

Entre o anseio mágico por um líder que possa resolver os problemas por cima e o deserto oriundo dos partidos mais organizados, a ausência de direção é completa. Como um transatlântico engolfado por névoa espessa, vamos meio à deriva. Torcendo para que nenhum iceberg nos abalroe antes de 7 de outubro.
Herculano
09/06/2018 09:10
ANS TEM RAPOSA TOMANDO CONTA DO GALINHEIRO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A antiga advertência sobre raposa tomando conta do galinheiro serve à "agência reguladora" ANS. É o que diz o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sobre a aprovação no Senado de Rogério Scarabel Barbosa para diretor da agência. Ele é sócio coordenador da área hospitalar e de saúde do escritório Imaculada Gordino Sociedade de Advogados, que representa 90 empresas junto a órgãos como a ANS.

ESCÁRNIO TOTAL
Para Randolfe, é absurdo colocar o advogado para fiscalizar empresas que "há pouquíssimo tempo lhe renderam vultosos honorários".

RABO PRESO
"Quem ele vai defender? Os usuários desses planos escorchantes ou seus antigos patrões generosos?", destaca o senador da Rede.

VOTAÇÃO MÍNIMA
Apesar de manifestações contrárias, Rogério Barbosa foi aprovado com apenas 39 votos favoráveis, menos da metade dos senadores.

UM PELO OUTRO
Barbosa vai substituir José Carlos Abrahão, que antes de ser diretor da ANS era presidente da federação dos hospitais do Rio de Janeiro.

ATRAVESSADORES REAGEM À VENDA DIRETA DE ETANOL
Beneficiados por brutal concentração de mercado, as distribuidoras de combustíveis têm feito pressão contra a venda direta de etanol aos postos, como recomenda o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), temendo perder boquinha garantida pelo mais vergonhoso cartório do País. Essa pressão tem sido feita pela poderosa Única, entidade que tem forte influência de distribuidores que os produtores do Nordeste, em nota de resposta, preferem chamar de atravessadores.

CONCENTRAÇÃO PREDATóRIA
Em nota, sindicatos e associações de produtores nordestinos acusam os atravessadores de "predatória concentração" na venda de etanol.

ALEGAÇÃO DE PERNAS CURTAS
A Única alega que a venda direta prejudicaria o Renovabio. Lorota. O etanol de cana é limpo, ao contrário dos combustíveis fósseis.

MEDO DA CONCORRÊNCIA
Atravessadores fogem da concorrência como o diabo da cruz: a venda direta reduz o preço do etanol, tornando-o atraente para o consumidor.

HUMOR SOB CENSURA
Na quarta (13), o STF deve decidir se os políticos podem continuar sendo alvo de sátiras. A Lei 9.054/97 proíbe, após as convenções, que emissoras de rádio ou televisão "ridicularizem candidato, partido ou coligação". Mas censura está suspensa por uma liminar desde 2010.

DESEMPREGO A CAMINHO
Um juiz trabalhista suspendeu a venda das distribuidoras de energia federalizadas em ação movida por sindicatos. Se não forem vendidas, serão liquidadas após 31 de julho e não haverá empregos a proteger.

ELE Só QUER APARECER
O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), defensor da venda das distribuidoras de energia do Norte e Nordeste, acha que a AGU vai derrubar a decisão do juiz trabalhista que "só quer aparecer".

AOS TRANCOS E BARRANCOS
O Brasil aprende aos trancos e barrancos que ordem da Justiça é para ser cumprida e não para pretextar achincalhe a magistrados: o ministro Alexandre de Moraes (STF) aplicou novas multas a 46 transportadoras, que somam R$506,5 milhões, a serem pagas em até 15 dias.

SIMULAÇÃO INóCUA
A Câmara dos Deputados resolveu fazer uma simulação de incêndio, com resgate de helicóptero e tudo que tem direito, nesta sexta à tarde, quando o número de pessoas circulando por lá é um terço do normal.

TEVE JOGO, O POVO VAI
E Brasília, hein? Calou a boca dos que acusam o Estádio Mané Garrincha de ser um "elefante branco": o Fla x Flu de quinta-feira registrou o maior público do Brasileirão até agora 60 mil pessoas.

ÉTICA NO ESPORTE
Às vésperas da Copa, ex-jogadores, políticos e juristas se reúnem neste sábado no Estádio do Morumbi para debater a ética no esporte. Discurso mais esperado é o do ex-goleiro chileno Roberto Rojas, que se cortou para simular ter sido atingido por um morteiro.

VAZAMENTO DE DADOS
No Brasil passou sem grande alarde o fato de o Facebook ter tornado públicos posts de 14 milhões de pessoas após mudar "configurações de privacidade" no mês passado. A rede social diz que foi um "vírus".

PENSANDO BEM...
... maior que as apostas para a Copa do Mundo, só a especulação criminosa para lucrar com a variação do dólar no Brasil
Herculano
09/06/2018 08:55
IDÉIAS FORA DO TEMPO, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo

Há quatro décadas, investigando o fermento liberal na obra de Machado de Assis, Roberto Schwarz inventou as "ideias fora do lugar". Dias atrás, na tentativa de refazer o cenário eleitoral, os tucanos inventaram as ideias fora do tempo.

O manifesto "Por um polo democrático e reformista" conclama "liberais, democratas, social-democratas, democrata-cristãos e socialistas democráticos" à união contra "populismos radicais, autoritários e anacrônicos". Seus 17 itens são sementes de um discurso capaz de seduzir a maioria dos eleitores, órfãos de representação política. Mas o tempo passou na janela e a notória Carolina não viu.

As "ideias iniciais para alimentar o debate", como o manifesto classifica suas proposições, traçam fronteiras com Bolsonaro (defesa da liberdade e da democracia) e com Ciro (busca do equilíbrio fiscal). Lá está a plataforma reformista nos campos da economia (Previdência, tributação) e das instituições (reforma do Estado, reforma política). O combate à pobreza é conectado à ampliação da produtividade e à qualificação dos serviços públicos (educação, saúde).

O texto enfatiza o combate à corrupção e à criminalidade, evidenciando que esses temas fundamentais não devem ser entregues à sanha do discurso demagógico. Contudo, no atual estágio da corrida eleitoral, tudo isso soa como operação da campanha de Alckmin.

Inicialmente firmado pelos tucanos FHC, Aloysio Nunes e Marcus Pestana e pelo senador Cristovam Buarque, do PPS, o manifesto apresenta-se como ponto de partida de uma "obra coletiva envolvendo partidos políticos e lideranças da sociedade civil". No universo onírico instalado por essas palavras, a eleição presidencial surge como horizonte distante: o ponto de chegada.

De fato, como o tempo não para, a fragmentação do centro político já se estratificou em diversas candidaturas. Nessas circunstâncias, "unidade" é o eufemismo para um chamado a improváveis renúncias eleitorais em favor do candidato tucano.

Rodrigo Maia e Henrique Meirelles são candidatos especulativos. DEM e MDB não usarão recursos escassos para investidas fadadas ao fracasso. Mas suas decisões sobre coligação dependerão das sondagens de opinião. Por outro lado, Marina e Alvaro Dias são candidatos firmes: eles não miram necessariamente o Planalto, mas a viabilização eleitoral de seus partidos.

A minirreforma política aprovada pelo Congresso ameaça inviabilizar a participação dos pequenos partidos no pleito de 2022. Os dois candidatos não sacrificarão seus projetos partidários no altar etéreo do manifesto da Carolina.

A maioria dos cientistas políticos profetiza que a próxima eleição presidencial terminará reiterando o modelo de todas as anteriores, desde 1994, polarizadas entre PSDB e PT. O argumento é que, apesar de tudo, prevalecerão as máquinas partidárias e uma inércia sistêmica.

A profecia acalenta as esperanças de Alckmin e pode até revelar-se correta, mas origina-se menos da análise objetiva que dos interesses profissionais dos analistas: os partidos tradicionais e seus candidatos, sempre é bom lembrar, formam o núcleo do mercado de trabalho dos cientistas políticos. No fim das contas, é a hipótese alternativa, de uma eleição de crise, mais parecida com a de 1989, que provocou o lançamento do manifesto tucano.

Desde a reeleição de FHC, no longínquo 1998, o PSDB desistiu de formular ideias políticas.

Sob os governos lulopetistas, acuado pelo discurso populista, trancou-se na jaula estreita da denúncia da corrupção. O manifesto seria uma retomada do fio partido e, talvez, a fonte de uma rearticulação do centro político --se produzido no rescaldo das eleições municipais de 2016.

O PSDB preferiu, porém, aguardar que o Planalto caísse no seu colo graças à inércia do sistema político. Agora é tarde: suas belas ideias perderam-se nas dobras do tempo.
Herculano
09/06/2018 08:43
PREFERIMOS A ESBóRNIA

De Ricardo Amorim,no Twitter

Demissão de Pedro Parente é a cara do Brasil que odeia dar certo.
Herculano
08/06/2018 18:55
CELSO DE MELLO LIBERA AÇÃO DE GLEISI PARA JULGAMENTO NO STF

Conteúdo de Veja.O ministro Celso de Mello liberou para julgamento pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação penal contra a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), no âmbito da Operação Lava Jato.

A acusação contra Gleisi no STF tem base nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Eles revelaram que, em 2010, 1 milhão de reais do esquema de propinas da Petrobras foi destinado à campanha eleitoral da petista ao Senado. O ex-deputado Pedro Corrêa (ex-PP) também corrobora, em delação, os depoimentos do doleiro e do ex-diretor da Petrobras.

Se for considerada culpada pelos cinco ministros que compõem a Turma (Celso de Mello, o relator Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli), Gleisi será a segunda pessoa política condenada na Corte em processos da Lava Jato. O primeiro, no último dia 29, foi o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR).

Em manifestação ao Supremo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a condenação da senadora e o pagamento de uma multa de 4 milhões de reais para reparação dos danos. A chefe do Ministério Público Federal (MPF) sustenta que a suposta propina "deturpou" a eleição disputada pela petista.

"Além do enriquecimento pessoal, os crimes de corrupção visaram ao enriquecimento ilícito para finalidade eleitoral (motivo), deturpando o sistema representativo e desequilibrando (consequências) a indispensável lisura, paridade e isonomia das concorrentes forças políticas no processo eleitoral do regime democrático. Basta se ver que o valor de RS 1.000.000,00 corresponde a quase 50% do montante de receitas declaradas de Gustavo Fruet, candidato ao Senado no Paraná em 2010. Assim, o desequilíbrio que o valor causou às eleições é concreto", anota.
Herculano
08/06/2018 18:47
NA SEPTICEMIA, GILMAR ESCOLHA O LADO DA BACTÉRIA, por Josias de Souza

Gilmar Mendes soltou mais um. Dessa vez, abriu a cela do empresário Arthur Pinheiro Machado, apontado pela Procuradoria como chefe de uma quadrilha que pilhou fundos de pensão de estatais. De novo, Gilmar fez picadinho de uma decisão de Marcelo Bretas, juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro. É o 21º preso enviado ao meio-fio pelo ministro desde 15 de maio. Pelo seu comportamento, o libertador-geral do Supremo escolheu um lado na guerra contra a corrupção. Não adianta empurrar que para a trincheira da Lava Jato Gilmar não vai.

Os corruptos são encontrados em várias partes do mundo - quase todas no Brasil, revelaram as investigações da maior operação anticorrupção já realizada no país. Hoje, quando a roubalheira domina a conversa numa rodinha, é impossível mudar de assunto. Pode-se, no máximo, mudar de ladrão. Nessas condições, a lógica recomendaria a aplicação rigorosa das leis. Gilmar aplica a legislação com rigor extremado - a favor dos réus na quase unanimidade dos casos.

O Código de Processo Penal permite a prisão preventiva nas ocasiões em que o investigado oferece risco à ordem pública ou ao bom andamento da própria investigação. Uma característica curiosa se observa no Supremo. Os presos dignos da tranca provisória só chegam à mesa de Gilmar Mendes de raro em raro. Ultimamente, quase 100% dos habeas corpus apreciados pelo ministro relatam histórias de presos injustiçados.

Em abril, ao avaliar a situação nacional, Gilmar declarou: "É como se o diabo nos tivesse preparado um coquetel". A essa altura, seria mais reconfortante enxergar os presos libertados por Gilmar como vítimas de uma orquestração diabólica de procuradores, juízes, agentes federais e a "terceira turma" da imprensa para aviltar direitos de investigados presumivelmente inocentes do que ter que admitir que tudo o que está na cara não passa de uma conspiração da lei das probabilidades contra os injustiçados que recorrem aos bons préstimos de Gilmar Mendes.

A chave suprema foi virada 21 vezes em menos de um mês num instante em que a corrupção alastra-se como uma infecção generalizada. É como se, submetido a um diagnóstico de septicemia, Gilmar Mendes decidisse acionar o Código de Processo Penal para evitar a prescrição de remédios amargos contra a bactéria.
Herculano
08/06/2018 18:44
STF JÁ AUTORIZOU R$ 715 MILHõES EM MULTAS POR GREVES DOS CAMINHONEIROS

Conteúdo do Jota, site especializado em temas jurídicos. Texto de Márcio Falcão, de Brasília. As multas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pela greve dos caminhoneiros já somam R$ 715 milhões e atingem 151 empresas. O maior volume de punição foi autorizado nesta sexta-feira (8/6) no total de R$ 506,5 milhões envolvendo 46 empresas em razão do bloqueio de rodovias.

Moraes tem atendido pedidos feitos pela Advocacia-Geral da União (AGU). O ministro tem entendido que as multas são justificadas pelo quadro de desrespeito à decisão judicial. Até agora, foram três decisões. Moraes, que já havia autorizado multas de R$ 141,4 milhões a 96 empresas e depois de R$ 67,2 milhões a outras nove empresas. O prazo para as empresas quitarem os débitos é de 15 dias.

Moraes defendeu cautela em relação ao pedido feito pelo governo para ampliar multas a empresas atingidas em decisões anteriores por reiteração no descumprimento de ordem judicial. "Razoável que se aguarde a citação dos responsáveis, já determinada, oportunidade em que, inclusive à luz do contraditório, será examinado com cognição mais exauriente e eventual aplicação", afirmou.

Na avaliação do magistrado, greve é um direito fundamental previsto na Constituição, mas que não se trata de uma garantia absoluta. "A razoabilidade no exercício da greve, das reuniões e passeatas previstas constitucionalmente, deve, portanto, evitar a ofensa aos demais direitos fundamentais, o desrespeito à consciência moral da comunidade, visando, em contrapartida, a esperança fundamentada de que se possa alcançar um proveito considerável para a convivência social harmoniosa, resultante na prática democrática do direito de reivindicação", ressaltou.

A paralisação não pode, ressalta o magistrado, afetar a vida de terceiros. "Não há dúvidas que os movimentos reivindicatórios de empregadores e trabalhadores, não podem obstar o exercício, por parte do restante da sociedade, dos demais direitos fundamentais, configurando-se, claramente abusivo, o exercício desses direitos que impeçam o livre acesso das demais pessoas aos aeroportos, rodovias e hospitais, por exemplo, em flagrante desrespeito à liberdade constitucional de locomoção (ir e vir), colocando em risco a harmonia, a segurança e a Saúde Pública, como na presente hipótese".
Herculano
08/06/2018 18:34
EMPATE GERAL

Conteúdo de O Antagonista. A XP encomendou uma pesquisa sobre o segundo turno.

O resultado, diz a Veja, foi um empate geral.

Lula empatou com Jair Bolsonaro (40% a 35%).



Jair Bolsonaro empatou com Geraldo Alckmin (34% a 29%).

Marina Silva empatou com Jair Bolsonaro (36% a 35%).

Ciro Gomes empatou com Geraldo Alckmin (32% a 29%).

Jair Bolsonaro empatou com Ciro Gomes (35% a 33%).

Só num cenário a diferença foi maior do que a margem de erro: Geraldo Alckmin contra Fernando Haddad (30% a 20%).
Miguel José Teixeira
08/06/2018 17:41
Senhores,

Sobre a matéria abaixo "BARROSO AUTORIZA CATARINENSE DEPUTADO PRESIDIÁRIO A VOLTAR A EXERCER MANDATO NA CÂMARA"

Vale registro:

Eis aí, mais uma prova cabal,"pracabácobacanal"...

Em 2018, não perca a peleja: NÃO REELEJA!!!

Doravante, utilizarei esta expressão "pracabácobacanal", para alertar que, não devemos reconduzir a um mandato eletivo, alguém que já o tenha atualmente. . .
Herculano
08/06/2018 12:33
FHC VÊ "CONDIÇõES REVOLUCIONÁRIAS" SE DESENVOLVENDO NO BRASIL

Conteúdo de O Antagonista. Fernando Henrique Cardoso escreveu um artigo para o "Washington Post" em que se diz preocupado com as "condições revolucionárias" que estão se desenvolvendo no Brasil.

Para o ex-presidente, nessas condições, "os vingadores estão se preparando para cortar as cabeças dos poderosos e são aplaudidos pela população".

"Se a história serve de guia, o fim do processo tende a ser a chegada de um líder providencial, salvador carismático ou homem forte que vem para pôr fim à desordem na terra", escreve FHC.

Ele pondera, porém, que o "risco de regressão" e a "perspectiva de renovação" coexistem.
Herculano
08/06/2018 12:30
A MULHER-BOMBA DE GILMAR MENDES

Conteúdo de O Antagonista. Joesley Batista usava o IDP, de Gilmar Mendes, como seu quartel-general em Brasília, especialmente para tratar de assuntos jurídicos.

Rodrigo Rangel, na Crusoé, revela que, no ano passado, a PF investigou uma denúncia envolvendo o nome de Dalide Corrêa, a faz-tudo de Gilmar Mendes.

A JBS, numa das reuniões realizadas no IDP, tentou reduzir o valor da multa de seu acordo de leniência de 11 bilhões de reais para 3 bilhões de reais.

Para se aproximar dos juízes que cuidavam do caso, a empresa de Joesley Batista teria oferecido uma bolada de 200 milhões de reais.

A reportagem teve acesso à investigação e conta todos os seus detalhes.
Herculano
08/06/2018 11:29
ESQUEÇAM DONALD TRUMP: O DOLAR DISPAROU EM RAZÃO DO TEMOR DE QUE BOLSONARO DISPUTE O 2º TURNO COM CIRO. DOIS NOMES CONTRA AS REFORMAS!, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

A greve dos caminhoneiros e a confusão do frete são apenas desdobramentos da questão mais geral. A elite política brasileira foi destroçada. Alguns fanáticos hão de dizer: "Bem feito! Eram todos corruptos." Em primeiro lugar, não é verdade. Em segundo lugar, em determinados momentos, existe uma diferença grande entre o crime de que alguém é acusado e aquilo que a pessoa, de fato, praticou. Mais: não se pode confundir abertura de inquérito com denúncia aceita; denúncia aceita com condenação; vazamentos de conversas que não evidenciam crime nenhum com "prova de desmandos". Tudo isso está em curso hoje.

Vou além: observem que a política brasileira se tornou refém dos bandidos que foram convencidos pelo MPF a fazer delação premiada. A crise que abreviou e ameaça apagar as virtudes, que eram grandes, do governo Temer foi deflagrada por um homem que confessou ter cometido, em companhia de sua turma, 245 crimes. Refiro-me a Joesley Batista. Aliás, até agora, o ministro Edson Fachin, do Supremo, ainda não anulou a sua delação. Fiquemos atentos.

A barafunda do frete é só um ponto a mais na trilha da incerteza. A menos que o horário eleitoral sirva como um gatilho a disparar um tantinho de bom senso, o país pode caminhar para um segundo turno entre dois candidatos que representam tudo aquilo que os defensores da economia de mercado não querem ouvir. Temos um estatista de extrema-direita, Jair Bolsonaro, e um estatista de esquerda, que é aquilo em que Ciro Gomes se tornou, ainda que essa roupagem faça parte de um processo de reinvenção de sua própria trajetória. Ciro é ovo, ainda que tardio, chocado na antiga Arena, o partido da ditadura.

Ele se transformou num esquerdista ou, sei lá, um "neonacional-desenvolvimentista" na sua política de confronto pessoal com tucanos de alta plumagem. Eu diria que ele foi para a esquerda mais por ódio a FHC e a José Serra do que por convicção. Mas, inegavelmente, gostou de ficar lá e se tornou um eloquente crítico do suposto financismo que ditaria os rumos da economia brasileira. Aliado do PT, o que não deixa de ser curioso, é também, como se sabe, um adversário feroz do PMDB e da "roubalheira". Ciro chama de ladrão quem lhe dá na telha. Jamais um petista. Não depende dos votos dos peemedebistas par chegar lá. Mas depende do voto dos companheiros, ainda que num eventual segundo turno.

Digam-me: por que os mercados haveriam de se animar? Especular é parte da regra do jogo. Mas só se especula quando existem condições para isso, certo?
Herculano
08/06/2018 11:26
BARROSO AUTORIZA CATARINENSE DEPUTADO PRESIDIÁRIO A VOLTAR A EXERCER MANDATO NA CÂMARA

Conteúdo do Congresso em Foco. Texto de Edson Sardinha. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o deputado presidiário João Rodrigues (PSD-SC) a retomar o mandato. Barroso concedeu liminar a Rodrigues para que ele passe a cumprir sua pena em regime semiaberto. Desde fevereiro o deputado cumpre a punição de cinco anos e três meses de prisão por fraude em licitação, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Mesmo preso, sem comparecer à Câmara, Rodrigues continuou a receber salário e os demais benefícios atrelados ao mandato.

Como faltou às sessões no período, sua remuneração caiu de R$ 33,7 mil para cerca de R$ 9 mil. De volta à Câmara, ele recuperará a integralidade de seus vencimentos.

Barroso acolheu pedido da defesa do catarinense, que alegou que ele deveria cumprir pena no regime semiaberto, e não no fechado. Com isso, o deputado será transferido para outra unidade que permita que ele trabalhe fora durante o dia e se recolha à noite para o cumprimento da pena.

Esta é a segunda vez que a Câmara terá um deputado presidiário. Essa situação ocorreu com Celso Jacob (MDB-RJ), que acumulou o exercício do mandato com a prisão por cinco meses entre 2017 e 2018. O emedebista só perdeu o direito após ser flagrado levando queijo sob a roupa para o presídio.

O crime
João Rodrigues foi condenado por crimes na Lei de Licitações e Lei de Responsabilidade Fiscal quando assumiu a prefeitura de Pinhalzinho (SC), em 1999. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o deputado autorizou a entrega de uma máquina do município na compra de uma retroescavadeira nova, ao valor de R$ 60 mil. Para o MPF, houve irregularidades na troca, que teria beneficiado a empresa que vendeu o equipamento. Segundo consta na denúncia, a máquina entregue por Rodrigues ao custo de R$ 23 mil para abater a compra de uma nova foi vendida logo depois por R$ 35 mil.

Inicialmente, a defesa de João Rodrigues apelou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o processo fosse anulado, alegando incompetência da Justiça Federal para julgar o caso e a inépcia da denúncia. Argumenta ainda que não houve dano aos cofres públicos.

Por ele ser parlamentar (detém foro privilegiado), o STJ remeteu o recurso para o Supremo, onde correm as ações envolvendo congressistas e outras autoridades federais. Em outubro de 2016, o ministro Luiz Fux, do STF, negou o habeas corpus apresentado pelos advogados do deputado. Em março do ano passado, o Supremo havia acolhido pedido da defesa para julgar a apelação e, na última terça-feira (6), rejeitou seu recurso e determinou o cumprimento imediato da pena.

Em abril, a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, negou permissão de trabalho externo ao deputado. "No caso em análise, entendo que o apenado não preenche os requisitos subjetivos para a concessão do benefício pleiteado, pois a proposta de trabalho apresentada não atende as condições legais necessárias ao retorno dele ao convívio social regular, especialmente em razão da natureza da função que exercia antes da prisão, qual seja, Deputado Federal, cujas prerrogativas legais ?" que não podem ser cerceadas ou mitigadas por este Juízo de execução penal ?" lhe garantem independência e autonomia no desempenho de suas atribuições constitucionais", diz trecho do despacho dela, agora derrubado por Barroso.

Atualmente três deputados cumprem pena de prisão. Além de João Rodrigues e Celso Jacob, também está preso Paulo Maluf (PP-SP).
Herculano
08/06/2018 11:20
ESPECULAÇÃO DESTA QUINTA-FEIRA NADA TEVE A VER COM FATORES EXTERNOS. VAMOS DAR O DEVIDO NOME À COISA? "É A POLÍTICA, ESTÚPIDO". E NADA MAIS!!!
Por: Reinaldo Azevedo

O dia de ontem foi como o diabo gosta. Pode ser que amanheça mais calmo hoje depois que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que faz um ótimo trabalho, foi a público para dizer, em síntese, que não há razões para o mercado temer uma corrida contra a moeda brasileira. Vamos ver.

O dólar fechou o dia a R$ 3,92. A Bolsa caiu 2,98%. Aqui e ali, no fim da noite, analistas diziam que o estresse se explicava pelas idas e vindas do governo no caso do frete. É conversa mole. Isso é só uma facilidade: não tendo quem acusar, acuse o Michel Temer, e pronto! Setores do jornalismo embarcaram nessa. O governo consumaria a mais recente trapalhada com a tal tabela do frete do começo para o fim da noite: foi do recuou ao recuo do recuo. Mas a disparada do dólar se deu logo na abertura do mercado.

Como se explica? Alguma razão em particular? Bem, eu poderia ser um tanto cru e dizer: "Sim, há gente influente operando, que pretende ganhar dinheiro". Os mercados são assim: amorais. E não estou sugerindo que façam o contrário. Quando penso num professor de Educação Moral e Cívica, nunca me vem à mente um operador de mercado. Como? Donald Trump decidiu romper o acordo nuclear com o Irã? Ah... Um professor de relações internacionais que estivesse perdido numa corretora logo iniciaria uma catilinária, até justa, contra a política externa do Agente Laranja da globalização. Operador digno do nome, que está no lugar certo, não dá bola para isso: manda que se invista na elevação futura do barril do petróleo. Até as guerras tem seu preço em Bolsa.

Algum evento oriundo de fora para os mercados abrirem nos cascos? Não! Há, sim, uma valorização da moeda americana mundo afora em razão da expectativa de juros nos EUA etc. e tal. Mas não é esse o fator a levar o dólar para perto dos R$ 4. Os motivos são internos. Lembram-se da famosa frase de um assessor de Bill Clinton, dando o caminho das pedras para derrotar o Bush pai? "É a economia, estúpido". No nosso caso, cumpre dizer: "É a política, estupido".
Miguel José Teixeira
08/06/2018 09:53
Senhores,

Senadora X çenadora !!!

Ana Amélia rebate crítica ao país e diz que povo é honesto

Em discurso ontem, Ana Amélia (PP-RS) criticou a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), que usou a tribuna do Senado para classificar o Brasil de "paiseco, república de bananas, e de um Congresso Nacional desmoralizado".
Ana Amélia defendeu que, ao contrário disso, o país "é grande, feito por gente honesta e que trabalha, inclusive dentro do Congresso".
Ela também declarou que não é ré na operação Lava-Jato, da Polícia Federal, e que trabalha com seriedade, economizando a verba pública e sem receber auxílio-moradia.
A senadora afirmou que não se arrepende de ter votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Fonte: Jornal do Senado, ed. 08/06/18
Herculano
08/06/2018 08:14
'SE NÃO SOLTAREM LULA, CAOS SOCIAL VAI AUMENTAR", por Josias de Souza

Às vésperas do julgamento em que o TRF-4 confirmou a condenação de Lula no caso do tríplex no Guaruja, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), dizia: "Para prender o Lula, vai ter de prender muita gente, mais do que isso, vai ter de matar gente." Nesta quinta-feira, dia em que a prisão de Lula fez aniversário de dois meses, Gleisi escalou a tribuna do Senado. Dirigindo-se ao Judiciário, ela declarou: "Se não soltarem o Lula, o caos social vai aumentar. Nós não conseguiremos tirar o país da crise."

Num instante em que o encarceramento de Lula cai na rotina ?"sem cadáveres nem a solidariedade das multidões?", Gleisi se autoproclamou porta-voz dos interesses do povo: "Não falo isso pelo PT. Falo isso pelo povo brasileiro. Nós não temos o direito de deixar esse povo sofrendo. Não temos o direito de olhar a situação como está e não fazer nada. Nós do PT estamos lutando muito, lutando muito para tirar o Lula da cadeia."

Gleisi anunciou que a pré-candidatura presidencial de Lula será lançada nesta sexta-feira. Soou como se estivesse pessimista quanto às chances de o candidato ganhar a liberdade. Mas desconsidera a hipótese de a Justiça Eleitoral barrar o projeto Lula-2018:: "Nós vamos fazer campanha com ele, mesmo preso. E ele vai ganhar. Quero dizer a vocês: ele vai ganhar! [...] Agora, vai ser mais bonito para o Brasil se ele estiver solto, porque ele vai ganhar, mesmo preso."

O evento partidário que formalizará a pré-candidatura de Lula será às 18h, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A escolha do local não foi casual. Optou-se por Minas Gerais porque, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é governado pelo petista Fernando Pimentel. Ironicamente, Minas vive dias caóticos. E o caos mineiro não tem nada a ver com a prisão de Lula.

De dentro dos presídios, criminosos ordenaram a queima de ônibus. Incapaz de conter a banda piromaníaca das cadeias, a gestão de Pimentel ainda teve de lidar nos últimos com uma revolta da turma da farda. Na noite de quarta-feira, policiais em greve invadiram os jardins do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Sob Pimentel, o Estado foi à breca. Uma legião de servidores passou a receber salários a prazo, embora continue prestando serviços à vista. Os policiais perderam a paciência.

Alheia ao que se passa no cenário que o PT escolheu para reafirmar a hipotética candidatura do seu líder supremo, Gleisi tranquilizou os brasileiros: "...Nós reafirmamos e dizemos ao povo brasileiro, que tem sido tão firme com o presidente Lula, pesquisa após pesquisa, colocando Lula em primeiro lugar: podem confiar, nós vamos registrar Lula. Nós vamos fazer campanha do Lula. E o Lula vai trazer de novo a paz social para este país."

Gleisi serviu ao governo de Dilma Rousseff como ministra-chefe da Casa Civil. Conheceu por dentro a administração da presidente que, adepta da economia criativa, foi a precursora do descalabro gerencial que produziu recessão e desemprego. Hoje, a despeito de um crescimento econômico que a imoralidade do governo de Michel Temer tornou débil, mais de 13 milhões de brasileiros permanecem no olho da rua.

Em seu discurso, porém, a presidente do PT excluiu Dilma, a "gerentona'', do rol de realizações do seu criador. Gleisi enalteceu o que acha que Lula fez sem mencionar o que sabe que Dilma desfez: "Vocês já conhecem o que Lula fez, vocês se lembram do governo dele, era um governo em que havia prosperidade no Brasil, em que as pessoas estavam vivendo melhor, vivendo bem, tínhamos paz social. Só Lula pode trazer isso de novo."

Gleisi reitetou que o PT não cultiva planos alternativos. Reproduziu algo que escreveu nas redes sociais em resposta ao noticiário sobre o Plano B do PT: "Olha, gente. Aceita que dói menos. Lula vai ser o candidato." E insinuou que falta miolos aos magistrados brasileiros. "Se o Judiciário tivesse juízo, porque está vendo o problema que nós temos no Brasil hoje -acho que o Judiciário tinha que se sensibilizar com isso, com o caos social da economia, com tudo -, se tivesse juízo, liberaria o Lula imediatamente, para fazer a disputa à Presidência da República, sem precisar constranger a gente , sem precisar fazer com que Lula tenha que batalhar da prisão a sua candidatura. Liberaria."

A oradora se absteve de recordar que Lula poderia ter cultivado seus desejos políticos sem precisar constranger a nação com a corrupção que converteu o PT numa máquina coletora de verbas espúrias. Gleisi, aliás, é ré num inquérito da Lava Jato. Seu processo corre no Supremo. Pode ser julgado antes da eleição.
Herculano
08/06/2018 08:09
PP E DEM AVALIAM FECHAR COM CIRO PARA REDUZIR CHANCES DE FICAREM NA OPOSIÇÃO EM 2019


Conteúdo do jornal da coluna Painel (Marina Lima) do jornal Folha de S. Paulo. PP e DEM vão decidir seus rumos na eleição de olho em um dado pragmático: embora menos intuitiva, a aliança com Ciro Gomes (PDT) poderia ser mais estratégica. Se ele passar ao segundo turno, ótimo. Se for abatido por Geraldo Alckmin (PSDB), sem problema. Pelo perfil, o tucano seria obrigado a recorrer à centro-direita para governar. O pedetista, não. Ele tem a esquerda. Por isso, as siglas avaliam que fechar com Ciro agora pode reduzir as chances de acabarem na oposição em 2019.

O amor e o poder
A decisão, porém, não é simples. O DEM tem muito mais afinidade ideológica com os tucanos e alimenta uma relação com Alckmin há anos. Esses fatores estão na balança, mas a cúpula do partido já admite que avalia a sério a possibilidade de acabar fechando com o pedetista.

Não ajudam
O fato de o PSDB ter exposto sua desconfiança quanto à viabilidade de Alckmin na corrida presidencial deu força à corrente do DEM que prega olhar para Ciro.

Minha turma
Apesar do nome de Benjamin Steinbruch (PP) ser cotado para formar a chapa do pedetista, internamente, aliados apostam que a primeira opção de Ciro é firmar aliança com o PSB ?"e aí esta sigla indicaria o vice.

Noiva disputada
O PT fará neste fim de semana seu gesto mais explícito ao PSB. Lançará resolução informando que o quadro nacional prevalecerá sobre os acordos estaduais e que a prioridade da sigla é atrair os socialistas.

A fórceps
O texto também colocará o PC do B como um dos partidos a serem conquistados para o palanque nacional. O PT lança nesta sexta (8) a candidatura de Lula.

Sujeito oculto
O partido fez na noite desta quinta (7) os arremates finais na carta do ex-presidente que será lida no palanque de lançamento de sua candidatura, em Minas. No texto, Lula volta a dizer que não se conforma com a situação em que está ?"preso.

Sujeito oculto 2
"Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por [Sergio] Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo", escreveu o petista. "Sonho ser o presidente de um país em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios."
Herculano
08/06/2018 08:03
"CAIU A FICHA"

Conteúdo de O Antagonista. "Caiu a ficha!".

Arminio Fraga, entrevistado pelo Valor, disse que o mercado finalmente se deu conta de que tudo pode piorar:

"O cardápio é muito ruim. Se não está quebrado, o governo está vivendo do cheque especial e a dívida cresce em uma bola de neve".

E o futuro político, claro, não traz a menor segurança.
Herculano
08/06/2018 07:59
da série: políticos e funcionários públicos de altos salários, os verdadeiros cupins do Brasil que não avança e faz o povo pagá-los com os pesados impostos não só para os vencimentos, mas desperdícios e corrupção

EMPREGADOS DE ESTATAL FAZEM "VAQUINHA" CONTRA A PRIVATIZAÇÃO. ESTÁ DANDO CERTO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. A liminar que interrompeu o processo de privatização das seis distribuidoras deficitárias da Eletrobras foi o primeiro resultado positivo de uma "vaquinha" iniciada pelos empregados da estatal, e que tem grandes chances de trazer mais dores de cabeça para o governo. As ações da empresa reagiram negativamente à notícia da liminar desde a abertura e fecharam o pregão de terça-feira (5) com queda na casa dos 7%.

A liminar, concedida pela juíza Raquel Maciel, da 49.ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho da 1.ª Região, foi decorrente de um movimento iniciado em janeiro por sindicatos de empregados da estatal e que já arrecadou cerca de R$ 200 mil, o suficiente para tentar barrar a privatização da estatal, afirmou o diretor da Associação dos Empregados da Eletrobras e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Energia Emanuel Mendes.

Segundo a liminar, a Eletrobras terá de apresentar, nos próximos 90 dias, estudos que mostrem o impacto da venda das distribuidoras do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas para os trabalhadores dessas empresas. "Isso faz com que a gente ganhe tempo, e tempo é tudo o que o governo não tem", explicou Mendes.

A Eletrobras informou em um comunicado que está "avaliando as medidas cabíveis" para tentar derrubar a liminar. A empresa tem até 31 de julho para vender as distribuidoras ou serão liquidadas, a não ser que uma assembleia extraordinária prorrogue a data de liquidação.

Com o recolhimento de contribuições espontâneas mensais dos empregados - inicialmente de R$ 120 e atualmente de R$ 40 por mês -, os sindicatos reunidos no Coletivo Nacional dos Eletricitários, que reúne vários sindicatos dos funcionários da holding Eletrobras e das empresas coligadas, pretende espalhar ações pelo país inteiro e dar muito trabalho para o governo prosseguir com a venda.

"Esta liminar foi conseguida por um escritório de advogados contratado pelo sindicato dos empregados das distribuidoras, mas outras (liminares) virão", afirmou o diretor.

O escritório de advocacia Souza Neto & Sena, contratado pelos empregados, entrou com oito ações contra o processo de privatização do Sistema Eletrobras, além de fazer denúncias na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no Tribunal de Contas da União (TCU), que já aprovou a privatização das distribuidoras.

De acordo com Mendes, os próximos passos dos empregados serão em direção aos parlamentares do Congresso Nacional, para evitar que a privatização da holding aconteça. "O governo está encontrando dificuldade no Congresso para aprovar qualquer coisa, mas apesar dos deputados estarem dispersos, o presidente da Eletrobras (Wilson Ferreira Jr.) trabalha dia e noite para abrir caminho para a privatização, temos que ficar atentos", afirmou.

Mercado
Para um analista que acompanha a Eletrobras, a concessão da liminar foi uma notícia "horrorosa" para as ações da companhia, que vinham conseguindo se recuperar nos últimos dias, depois que o TCU aprovou a venda das distribuidoras por entender que é favorável para o governo.

"Sem vender as distribuidoras, a Eletrobras fica menos atraente para a capitalização que o governo quer fazer. Só no primeiro trimestre, as seis distribuidoras tiveram prejuízo de R$ 2 bilhões", diz o analista. "É um poço de perda há muitos anos para a Eletrobras", completou.

O profissional observou que o prazo de 90 dias joga a capitalização da Eletrobras na BMF&Bovespa para o período eleitoral, e a operação ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. "Quem vai querer votar a favor da privatização no meio de uma corrida eleitoral?", questiona.
Herculano
08/06/2018 07:51
TEMER PERDE VALOR NO FIM E MERCADO FAZ APOSTA INCERTA EM 2019, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Mimados por agenda amigável, investidores agem ao ritmo de governo desconhecido

O governo ainda tenta convencer os investidores de que 2018 será um ano decente, mas já é 2019 nas mesas de operações do mercado financeiro. Embora Michel Temer não tenha descido a rampa do Planalto, os bilhões que circulam no país agora se movem ao ritmo de um presidente desconhecido.

O esfarelamento da política tradicional parece reduzir as chances de candidatos que defendam as plataformas de um governo tão impopular quanto o atual. Mimados pela agenda ultra-amigável de Temer, investidores entram em pânico diante da dura realidade da eleição.

Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) fizeram carreira longe dos pilares liberais do mercado. Ainda que eles façam acenos a favor do controle de gastos, é difícil prever se terão vontade e força para aplicar um programa que estabilize as finanças do país.

Após a derrocada de Dilma, o mercado foi feliz sob Temer e seu "time dos sonhos". Investidores brincavam que ergueriam uma estátua para o presidente na avenida Faria Lima. A disparada do dólar e o derretimento da bolsa, porém, mostram que até a respeitada equipe econômica perdeu valor com a limitação de poderes que abateu o governo.

Nos últimos dias, o mercado se alimentou de boatos e turbulências. Circularam informações de que o presidente do Banco Central pediria demissão e de que haveria um aumento extraordinário dos juros. Como de costume, muitos perderam e alguns ganharam com a confusão.

O chefe do BC, Ilan Goldfajn, convocou uma entrevista para acalmar os investidores. Disse que continuava no emprego, que usaria armas para suavizar a escalada do dólar e que o governo mantém seu compromisso com a estabilidade.

O mercado ganhou uma rede de segurança, mas tudo voltará a aparecer apenas no retrovisor em pouco tempo. Investidores ainda vão ganhar e perder dinheiro nos sete meses que restam sob Temer, mas as grandes apostas serão feitas com os nebulosos preços do ano que vem.
Herculano
08/06/2018 07:48
DISTRIBUIDORAS SUGAM R$10 BILHõES DA ELETROBRAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Só para manter funcionando distribuidoras federalizadas de energia, tão deficitárias quanto inchadas e mal administradas, a estatal Eletrobrás é sugada em mais de R$10 bilhões por ano, segundo estimativa do deputado e engenheiro elétrico José Carlos Aleluia (DEM-BA), relator do projeto sobre as regras de privatização da empresa. "O País não suporta mais esse peso nas costas", diz ele.

SITUAÇÃO CALAMITOSA
Aleluia vê calamitosa a situação das distribuidoras de Alagoas (Ceal), Acre (CEA), Piauí (Cepisa), Rondônia (Ceron) e Roraima (Boa Vista).

LATERNINHA APAGANDO
"Todas as distribuidoras são um desastre", atesta Aleluia, para quem a estatal Amazonas Energia se destaca pela ruína absoluta.

ESTATAIS IRRELEVANTES
A Eletrobras e distribuidoras são tão ruins de serviço que já chegaram a representar 90% da energia do Nordeste. Hoje não passa de 20%.

OUTRO SORVEDOURO
A Eletrobras propriamente dita é outro saco sem fundos, ineficiente e irrelevante: para mantê-la, o governo desembolsa R$3 bilhões por ano.

CÂMARA PODE APROVAR 'AVISO PRÉVIO' DE FISCALIZAÇÃO
Deputados tiraram da gaveta um projeto, de 2011, que cria o Código Comercial, para incluir a obrigatoriedade para órgãos fiscalizadores avisarem com dois dias de antecedência, no mínimo, as empresas que serão alvo de fiscalização. A justificativa do grupo de deputados que defende a proposta é que o "aviso prévio" das ações de fiscalização é forma de proteger empresas de perseguições e achaques de fiscais.

AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
O projeto prevê que somente sob autorização judicial poderá ser realizada fiscalização presencial sem "aviso prévio".

FALTA APOIO
Relatório alternativo do deputado Augusto Coutinho (Solidariedade-PE) mantinha fiscalização sem aviso prévio, mas não teve apoio.

NA SURDINA
Após dois adiamentos, a análise do Código Comercial ficou para o dia 19, após a estreia do Brasil na Copa e com o foco longe da Câmara.

E A GENTE PAGANDO
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, liberou o registro de presença, nesta quinta (7), desde as 5h30 da matina. Os deputados puderam assinar o ponto logo cedo e pegar o primeiro voo para casa. Sem o risco de desconto no salário e de acusação de gazetear o serviço.

PROTESTO PATROCINADO
Sob os auspícios do governo do DF, que até afixou barracas no meio da rua, manifestantes profissionais acamparam em área no centro de Brasília. A PM foi proibida de multá-los por estacionamento irregular.

CORREIOS AGONIZAM
Leitor da coluna teve encomenda liberada sem tributação pela Receita em novembro de 2017. Seis meses depois ela não chegou e os dados sumiram do site porque os Correios os tiram do ar depois de 180 dias.

PAULO GUEDES PRESIDENTE
A assessoria de Jair Bolsonaro distribui nas redes sociais um vídeo que resume as propostas do seu assessor Paulo Guedes para o Brasil. Ao final, a conclusão é óbvia: Guedes seria ótimo candidato a presidente.

CAPIXABA NO PODER
O governador capixaba Paulo Hartung, perdeu seu secretario de Educação. Haroldo Corrêa topou assumir a secretaria-executiva do MEC. A escolha, técnica e pessoal, foi do ministro Rossieli Soares.

O INFERNO ESTÁ CHEIO
Projeto do deputado Célio Silveira (PSDB-GO) libera a contratação sem licitação, pelo poder público, de entidades de deficientes físicos. A intenção pode ser boa, mas abre ainda mais brechas às fraudes.

RÉ OUVE CALADA
Após chamar de "golpistas" senadores favoráveis ao impeachment, Gleisi Hoffmann (PT-PR) teve de ouvir a senadora Ana Amélia (PP-RS) dizer que não é ré na Lava Jato e não se arrepende de ter tirado Dilma Rousseff. "Votei, e votaria de novo, nas mesmas circunstâncias", disse.

DEMôNIOS VIOLADORES
O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI dos Maus-Tratos, quer incluir no Código Penal prisão perpétua para estuprador de criança. "Demônio que violenta física, espiritual e moralmente", disse.

PENSANDO BEM...
...se os políticos brasileiros fossem limpar a própria sujeira, como fez o premier holandês com o café, ia faltar lixeira.
Herculano
08/06/2018 07:34
COMO FABRICAR UMA NOVA RECESSÃO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Há pânico na finança, candidatos irresponsáveis, povo bestificado e ausência de governo

O resumo da ópera destes dias de pânico é que aumentou muito o risco de que a economia fique estagnada neste 2018: como em 2017.

Na prática, crescimento de 1%, como no ano passado, é estagnação, aumento quase nulo do PIB per capita.

As ações de empresas que dependem da venda de bens de consumo e serviços mais caros perderam mais sangue do que a média, no massacre quase geral da Bovespa desta quinta-feira (7). É uma espécie de pesquisa da opinião de quem tem dinheiro na Bolsa: o brasileiro vai comprar menos, viajar menos, pegar menos crédito. Então, pau nas ações de empresas que vivem disso.

O indicador da FGV que tenta antecipar o destino do mercado de trabalho recuou pela terceira vez consecutiva em maio. Não se via um trimestre de baixa no Indicador Antecedente de Emprego desde o início de 2015, quando desembestávamos para a recessão.

As taxas de juros na praça, no atacadão de dinheiro do mercado, continuaram a viajar no espaço sideral. Há mumunhas da finança, pânicos e investidor se virando para não perder mais dinheiro, mas o problema de fundo é que há muita gente tentando se livrar de títulos da dívida pública, grosso modo. Em outras palavras, espera-se alta ainda maior dos juros, portanto.

Juros mais altos já vinham deprimindo e devem deprimir parte dos ânimos restantes de quem ainda pensava em pegar algum dinheiro para investir, que não eram muitos, mas resistiam até abril.

Parte considerável deste pânico financeiro se deve ao súbito entendimento de que é a grande a possibilidade de que na eleição de outubro vença um programa de governo maluco ou repulsivo para os donos do dinheiro grosso. Parte menor deriva da tardia percepção de que não há governo, nem Congresso, nem ninguém com a cabeça no lugar no comando.

Não há nem ao menos alguém que faça pressão para que o tumulto não seja ainda maior. A sociedade, "empresariado", "x", assiste à derrocada bestificada, quando não colabora com a ruína, como tantas associações empresariais fizeram no caminhonaço, com oportunismo amador, jeca e burro.

Parlamentares federais e estaduais procuram saquear o resto que sobra e aprovam trens da alegria.
Quanto à eleição, pelo menos até agosto é improvável que um candidato dito de centro, reformista liberal, ganhe vida nas pesquisas. Quanto mais os favoritos de agora digam disparates ou apenas façam planos de governo que causem ojeriza aos donos do dinheiro, maior a propensão à persistência do tumulto.

O que é o disparate essencial? Dizer que a crise fiscal feia que virá em 2019, a falta de dinheiro crítica do governo, não é uma urgência nacional e que será tratada por meio de paliativos ou coisa pior. Quanto mais tempo um candidato favorito viajar na maionese com salmonela, dizendo irresponsabilidades sobre déficit e dívida públicos, mais o ambiente vai se deteriorar.

Caso vença a eleição com essa conversa, esse presidente terá condições reduzidas de governar. Dívida e juros estarão mais altos e a receita do governo será menor, pois o tumulto prejudicará ainda mais a nanoscópica recuperação econômica, se é que ainda haverá alguma.

O que se pode fazer? Um inviável acordo nacional partidário para ajustar as contas públicas e redistribuir perdas, antes de 2019. É puro delírio, sim.

Estamos entrando em um cenário 2002, eleição de Lula, mas com menos opções políticas e econômicas de sair do buraco.
Herculano
08/06/2018 07:29
GOVERNO VIRA UM IOIô NA MÃO DOS CAMINHONEIROS, por Josias de Souza

Marcada por idas e vindas, a negociação com os caminhoneiros acelerou a corrosão do governo, potencializando a falência da autoridade presidencial. Michel Temer virou, por assim dizer, um ioiô. É cada vez mais curto o prazo de validade das decisões chanceladas pelo presidente. A penúltima - uma nova tabela de preços para os fretes - foi revogada menos de quatro horas depois de sua divulgação. Deve-se a meia-volta à ameaça de nova paralisação dos caminhoneiros autônomos.

Um vídeo exibe uma cena constrangedora. Nela, o ministro Valter Casimiro (Transportes) aparece cercado de representantes da nação caminhoneira. Estavam indóceis. Exigiam a revogação da nova tabela, pois ela reduzia em 20%, em média, os preços fixados na planilha anterior. Pressionado, o ministro autorizou a filmagem de sua rendição, que foi espalhada pelos caminhoneiros nas redes sociais como prova de força.

Antes de ceder a gravação, o ministro dos Transportes telefonara para o colega Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil. Obteve o aval do Planalto para levar adiante o recuo. Marcou para esta sexta-feira um encontro com os caminhoneiros e representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

A tabela do frete foi uma das exigências para suspender a paralisação que infernizou o país por dez dias. De repente, a turma do agronegócio, que apoiara os caminhoneiros na briga por um desconto no preço do diesel, com congelamento por 60 dias, enxergou no tabelamento do frete uma afronta ao livre mercado. Diante da chiadeira da bancada parlamentar ruralista, o governo editou nova tabela, com o desconto médio de 20%. Os caminhoneiros estrilaram. E o governo recuou, restabelecendo a planilha anterior.

A crise leva à vitrine um velho paradoxo das chamadas forças produtivas do país. No gogó, todos defendem o livre mercado. Na prática, exigem proteção estatal e subvenção do Tesouro, empurrando para dentro do bolso do contribuinte a conta da ineficiência e das sazonalidades. Num país com as dimensões do Brasil, impor uma mesma tabela para o frete do Oiapoque ao Chuí é uma sandice irrealizável. E não é a única. O governo ainda não entregou na bomba o desconto integral de R$ 0,46 no litro do diesel. Não entregou nem deve entregar.

No fim das contas, apenas duas coisas ficaram em pé na negociação: os R$ 13,5 bilhões em verbas do contribuinte que o governo jogou na fogueira da subvenção ao diesel e a manutenção da desoneração da folha salarial das empresas transportadoras - um contrabando que o baronato do transporte incluiu na pauta de reivindicação dos caminhoneiros. Quando o governo é fraco, o contribuinte perde 100% das batalhas. Quem tem o grito mais alto não perde por esperar... Ganha
Herculano
08/06/2018 07:25
da série: além de uma massa expressiva de eleitores analfabetos, ignorantes e desinformados, temos agora uma massa de fanáticos sem causa e irresponsáveis.

BOLSONARO É O NOME DA LAVA JATO, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

O deputado federal é o preferido da Lava Jato; ele faria ruir o "mecanismo"

Amplos setores do MPF e da PF têm seu candidato à Presidência: Jair Bolsonaro. Isso não é uma opinião. É um fato. Falemos um pouco do meio ambiente que gera essa aberração, essa teratologia moral.

Não foi sem estoica melancolia que li o manifesto assinado, de saída, por Cristovam Buarque, Fernando Henrique Cardoso, Marcos Pestana e Aloysio Nunes Ferreira, que faz a defesa de um "projeto nacional" que "a um só tempo, dê conta de inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento social e econômico (...) e afaste um horizonte nebuloso de confrontação entre populismos radicais, autoritários e anacrônicos."

O texto é bom. É desejável que "democratas e reformistas" tentem conjurar os reacionarismos opostos e combinados da esquerda e da extrema direita, que impõem desde já a sua agenda: o acordo celebrado pelo governo com os ditos caminhoneiros é uma ode ao atraso, ao corporativismo e ao cartorialismo. Como foi possível?

O presidente ficou sozinho. Como num conto de Lygia Fagundes Telles, "vivos e mortos desertaram todos". Os líderes do Congresso, os governadores e os presidenciáveis sumiram. Boa parte da imprensa assistiu a práticas terroristas como quem diz: "Hoje é sexta-feira, dia 8 de junho. Faz frio..." PT, seus cronistas, Ciro e afins aproveitaram a deixa: "Vejam no que dá o golpismo..." O raciocínio é asnal.

Melancólico, no que respeita ao manifesto, é o vazio a que o texto foi relegado. Seria a nossa versão do "compromisso histórico", o acordo celebrado na Itália, originalmente, entre comunistas e democratas-cristãos. Com idas e vindas, troca de atores e mudança de siglas partidárias, vigorou do fim da década de 1970 até a razia que a Operação Mãos Limpas provocou no establishment político do país.

Não é raro que democracias celebrem acordos de forças distintas, mesmo antagônicas, em nome da governabilidade. Ou os políticos o fazem - além da Itália, vimos isso acontecer em Portugal, na Espanha e na Alemanha -, ou o próprio eleitor obriga a coabitação, como já se deu na França.

Fiquemos por estas plagas. Os populismos que nos ameaçam são a consequência do processo de destruição da política a que passaram a se dedicar o MPF, a PF e setores do Judiciário. O PT viu sua grande estrela, entre outras menores, ir para a cadeia, mas sobreviveu e venceria a eleição se Lula fosse o candidato.

A grande vítima do surto de moralismo burro, que nada tem a ver com o combate à safadeza, é o "centro". A razão é simples: é ele o protagonista, por excelência, da política. E a metafísica influente diz que a política é a mãe da corrupção.

Observem que os alvos da operação são as principais lideranças que governaram o país desde a redemocratização. Atenção! Nesse grupo, incluo o próprio Lula porque, ideologicamente, ele é bem mais amplo do que o PT. E que fique claro: falo do Lula governante, não daquele que era admirado pelo amostrado Marcelo Bretas...

Retomo, para arremate, o fio que deu origem à tessitura. Gente que conhece o MPF por dentro e pelo avesso assegura que os Torquemadas torcem é por Bolsonaro. Li trocas de mensagens de grupos do WhatsApp que são do balacobaco. E assim é não porque os senhores procuradores comunguem de sua visão de mundo - a maioria o despreza -, mas porque veem nele a chance de fazer ruir o "mecanismo", que estaria "podre".

Os extremistas do MPF, do Judiciário e da PF, onde o candidato é especialmente popular, concluíram que o "Rústico da Garrucha & dos Bons Costumes" lhes abre uma janela de oportunidades para impor a sua agenda. Querem ser, e isto é para valer, o "Poder Legislativo" de um regime que fosse liderado pelo bronco.

Não creio que logrem seu intento e, tudo o mais constante, estão cavando seu próprio fim como força interventora na política. Isso, em si, será bom. A questão é quem vai liderar o desmanche. Centro pra quê? Por enquanto, meus caros, o processo segue sem centro, sem eixo, sem eira nem beira. A instabilidade será longa.
Herculano
08/06/2018 07:17
TRANQUILOS?

Ao que diz se chamar Gilmour

Ora, se é como você escreve que "Kleber e Dr.Pereira, falam em alto e bom ton, que estão tranquilos, pois tem a simpatia do Ministério Público", há mais razões para aquilo que escrevi: a oposição não está fazendo o que deve ser feito e é papel dela fazer, e possui instrumentos próprios para isso. Ela espetaculariza o que é problema, aquilo que atinge a gestão e a sociedade paga e espera que o MP a substitua no papel de fiscalização do Legislativo. Acorda, Gaspar!
Gilmour Walters
07/06/2018 21:06
Prezado Herculano

O senhor como poucos,tem a capacidade de observar e mostrar os bastidores e negociatas dos poderes de Gaspar.
A oposição é burra, preguiçosa e medrosa.

Kleber e Dr.Pereira, falam em alto e bom ton, que estão tranquilos, pois tem a simpatia do Ministério Público.
Herculano
07/06/2018 17:00
TRIBUTAÇÃO DOS COMBUSTÍVEIS, A MARCHA DA INSENSATEZ, por Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, no jornal O Etsado de S. Paulo

Problema na tributação dos combustíveis decorre de série de opções equivocadas

Exploro, neste artigo, uma das razões alegadas para a "greve" dos caminhoneiros: a tributação dos combustíveis. A questão remonta à Constituição de 1988. Antes dela, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, minerais e serviços de transporte e comunicações eram tributados exclusivamente pela União.

Para ampliar a abrangência do então vigente ICM, os constituintes decidiram incluir aquelas bases no campo de incidência do imposto, que passou a denominar-se ICMS.

O fundamento da mudança seria a redução da cumulatividade do sistema tributário, conquanto o conceito seja inaplicável a tributos que não integram um mesmo ciclo impositivo.

Ainda na Constituição de 1988, proclamou-se ampla liberdade na fixação de alíquotas do ICM, em contraste com a alíquota uniforme do ICM, conforme estabelecia a Constituição. Curiosamente, a uniformidade de alíquota converteu-se em objeto de atuais propostas reformistas.

Como é relativamente mais fácil cobrar tributo de energia elétrica, combustíveis e telecomunicações, os Estados optaram por fixar alíquotas completamente desproporcionais nessas bases, chegando a ultrapassar 30%, o que constitui um insólito recorde mundial.

Dados de 2017 mostram que a arrecadação nacional do ICMS, relativa àquelas bases, representa 48% do total (petróleo e combustíveis, 23%).

Esses porcentuais traduzem uma enorme e perigosa dependência, que inibe, no curto prazo, qualquer possibilidade de revisão da política tributária do ICMS.

No âmbito federal, os combustíveis restaram tributados pelo PIS/Cofins.

Desde 1978, os preços tabelados de combustíveis incluíam uma parcela denominada Frete de Uniformização de Preços (FUP), que objetivava equalizar os preços dos produtos, tendo em vista a diversidade de distâncias entre refinarias e postos de abastecimento.

Na década de 1990, houve uma grande desregulamentação do mercado, principalmente por força da eliminação do monopólio da Petrobrás nas atividades de comercialização e importação de combustíveis, daí decorrendo melhoria de competitividade, a despeito de aumento da sonegação e da adulteração de produtos.

Nesse contexto, foi extinta a FUP, sendo criada, entretanto, uma conta financiada por item integrante dos preços, denominado Parcela de Preço Específica (PPE), que bancava a diferença entre os preços de petróleo importado, em regime de monopólio pela Petrobrás, e o produzido no País.

A eliminação, em 2002, do monopólio da Petrobrás na importação implicava extinção da PPE, com perda de arrecadação, e desequilíbrio de tratamento tributário entre o combustível importado e o produzido domesticamente, pois este seria tributado pelo PIS/Cofins e aquele não.

A solução encontrada consistiu em estabelecer previsão constitucional (Emenda 33/2001) para instituição de uma contribuição de intervenção econômica (Cide) no setor.

As alíquotas da Cide poderiam ser diferenciadas por produto, o que permitiria conferir tratamento menos gravoso ao etanol, e alteráveis por decreto, do que resultaria imediato ajustamento ao instável mercado internacional de petróleo.

O produto da arrecadação seria destinado, inclusive, à concessão de subsídios a preços e ao transporte de combustíveis, de caráter compensatório às flutuações nos preços de combustíveis ao consumidor final.

O sucesso da Cide no combate à sonegação e estímulo ao etanol não teve correspondência na destinação dos recursos. Procedeu-se, igualmente, à alteração constitucional no ICMS incidente sobre combustíveis, prevendo alíquota uniforme e com a mesma flexibilidade da Cide. Essas regras, entretanto, jamais vieram a ser implementadas.

A Emenda Constitucional 42/2003, ao alterar o artigo 150, fulminou a flexibilidade da Cide. Já a Emenda 44/2004 estabeleceu a partilha da Cide com os Estados e municípios, comprometendo sua finalidade regulatória.

Portanto, os problemas na tributação dos combustíveis não têm explicação genérica, mas muito específica. Decorrem de opções erradas feitas na marcha da insensatez.
Herculano
07/06/2018 16:59
De Guilherme Fiuza, no Twitter

O governador Fernando Pimentel(PT) afirmou que os ataques em MG são do crime organizado. Só não esclareceu de qual facção - a dele ou a da concorrência
Herculano
07/06/2018 16:55
da série: para a reflexão. Não é possível que as pesquisas mostrem ele na liderança do processo eleitoral, se quando avaliza uma candidatura, ela afunda, em questão de minutos. Alguma coisa não bate.

LULA GARANTIU O FISCO DE KÁTIA ABREU, por Augusto Nunes, de Veja.

A melhor amiga de Dilma liderava as pesquisas até receber o apoio ostensivo do ex-presidente presidiário

Em 7 de maio, a menos de um mês da eleição suplementar , uma pesquisa do Ibope colocou a senadora Kátia Abreu a um passo do governo do Tocantins. Com 22% das intenções de voto, a candidata do PDT parecia ter consolidado uma folgada vantagem sobre os concorrentes. Foi então que entraram em cena Lula e Gleisi Hoffman. Num vídeo divulgado logo depois da pesquisa, a presidente do PT recitou o palavrório abaixo reproduzido sem correções nem retoques:

É com muito prazer que eu quero deixar aqui com vocês uma mensagem do presidente Lula. Isso mesmo. O presidente Lula me pediu para levar uma mensagem ao povo de Tocantins, e à nossa candidata à governadora pelo PDT, Kátia Abreu. O que disse o presidente Lula: "Companheira Gleisi, presidenta do PT, companheiros da direção nacional do PT, companheiros da direção do PT de Tocantins, todos os filiados e filiadas ao PT no Estado. Quero comunicar a todos que resolvi tomar a decisão de apoiar a Kátia Abreu para governadora de Tocantins, por dever de gratidão e lealdade que a Kátia dedicou à companheira Dilma durante todo o episódio do golpe contra a democracia brasileira. O Brasil está tão carente de pessoas de caráter e lealdade política que, quando ouvia os discursos da Kátia, ficava orgulhoso de ver uma mulher com quem não tinha nenhuma afinidade política-ideológica causando inveja a muitos de esquerda que tinham vergonha de defender a Dilma". E aí continua a carta falando do apoio a você, Kátia. Eu tô entregando essa carta ao companheiro Donizete do Tocantins para lhe entregar em mãos. Saiba que o apoio do PT, da direção nacional, do presidente Lula, da presidenta Dilma, é a você. Nós sabemos que, se você for eleita governadora de Tocantins, esse Estado estará em boas mãos. Em mãos de quem tem dignidade, de quem não tem medo, de quem tem caráter. É disso que nós precisamos no Brasil. Seja forte. Sucesso e felicidades. Seja governadora do Tocantins.

Deu no que deu: na eleição de verdade, realizada neste 3 de junho, a melhor amiga de Dilma amargou um bisonho quarto lugar, com apenas 15% dos votos. O fiasco reafirmou que um aliado como Lula é mais perigoso que qualquer inimigo.
Herculano
07/06/2018 16:51
A FALSA NARRATIVA DOS "PANELEIROS ARREPENDIDOS": ALGUÉM SE ARREPENDE DE TER TIRADO DILMA DO PODER? por Jorge Scar, no Jornal Livre

Juliana Dal Piva, jornalista da Época e também da Agência Lupa, publicou um artigo no qual traz a falsa narrativa dos "paneleiros arrependidos". Segundo ela, aqueles que bateram panelas e pediram o impeachment de Dilma agora estão desolados pela escolha que fizeram. Em em seu texto, afirmou exatamente o seguinte:

Surgem agora, em meio aos problemas de abastecimento provocados pela paralisação dos caminhoneiros, os primeiros "paneleiros" arrependidos de terem protestado pela queda de Dilma e colaborado para a ascensão de Temer.

Logo em seguida ela cita o caso de um suposto servidor público que se enquadra perfeitamente em sua narrativa. Aliás, neste trecho, há uma mistura de poesia com o exagero comum em uma mentira muito desconectada da realidade. Vale a pena conferir o que ela nos diz:

O servidor público Mário Rodrigues Magalhães, de 33 anos, mirava o nada durante o início da tarde da terça-feira 29 de maio. Sentado em um dos bancos do Largo da Carioca, entre a praça do metrô e o caminho que leva ao edifício do BNDES, no centro do Rio de Janeiro, vestia camisa social listrada, calça social e sapatos de couro, ambos pretos. Com os braços cruzados, ele se disse angustiado desde o fim da semana. "Esse clima de pânico geral, não tem como não se abalar."

Não parece provável que Mário estivesse mesmo "mirando o nada", desolado na praça, e tenha simplesmente dito isso. Conforme mostrou minha recente entrevista ao jornalista Diego Toledo, do UOL, é mais do que corriqueiro que os entrevistadores editem suas matérias mostrando apenas a parte que lhes interessa. Não seria diferente neste caso, é óbvio.

De qualquer forma a narrativa não se sustenta nos fatos.

Há, sim, um número significativo de pessoas que não querem Temer no poder. É fato, também, que seu governo é impopular e que a crise institucional iniciada no governo Dilma não parece estar perto do fim. E não está. Só que nenhum destes fatos serve para mostrar que haja, de algum modo, o dito arrependimento. Quem realmente disse, até agora, se arrepender de ter tirado Dilma do poder e querer colocá-la de volta? Só o Mário, que afirma categoricamente na matéria, isso segundo Dal Piva.

Será que este é o sentimento comum?

Vamos presumir que a índole da jornalista e de seu entrevistado seja algo inquestionável, e assim assumiremos aqui que o que foi publicado é verdadeiro e que é assim mesmo que Mário se sente. Presumido isso, como exatamente eu poderia saber se esta sensação é a mesma para todo o resto? Será que todos aqueles que bateram panelas contra a Dilma concordam com Mário? Será que eles também acham que tirar Dilma foi um erro e que ela deveria ter ficado?

Improvável.

A realidade é que apesar da atual insatisfação com o governo, as pessoas também não estavam satisfeitas com Dilma. Se não fosse este o caso talvez ela até tivesse ficado no poder. Além disso, é verdade também e todos sabem que Temer e Dilma são peças de um mesmo problema. Não é mero acaso que ele tenha sido vice dela, também não é acaso que ambos tenham sido eleitos exatamente pelas mesmas pessoas. Quem votou em Dilma votou também em Temer. Quem apoiou o projeto de poder petista apoiou, ainda que indiretamente, o projeto de poder do PMDB.

Se há hoje quem esteja insatisfeito com o atual governo, é duvidoso pensar que estas mesmas pessoas acreditem no retorno de Dilma ou em sua permanência como solução. Na realidade isso chega até a ser inacreditável.

Porém, verdade seja dita, Dal Piva não foi a primeira e nem será a última a forçar a barra com esse discurso. A narrativa mentirosa dos "paneleiros arrependidos" já vem sendo difundida há meses e continuará sendo difundida ainda por um bom tempo. A jornalista da Época, que também é da Agência Lupa e "investiga" notícias dos sites alheios, certamente deixou o seu viés ideológico tomar conta. Eu não a culpo, isso faz parte da essência humana. Seria apenas mais conveniente que ela nos esclarecesse exatamente que viés é esse.
Herculano
07/06/2018 16:47
da série: os santos do pau oco, usam o nome de cristão no partido para enganar os analfabetos, ignorantes, desinformados e fiéis pagadores de pesados dízimos que servem aos interesses expúrios

EX-PRESIDENTE DO PSC É ACUSADO DE PAGAR PROSTITUTAS COM FUNDO PARTIDÁRIO

O Globo conta que Vitor Nósseis, fundador e ex-presidente do Partido Social Cristão, é alvo de um inquérito no MP-MG que apura o uso de recursos da Fundação Instituto Pedro Aleixo para pagar prostitutas.

A fundação é vinculada ao PSC e financiada pelo fundo partidário.

Em 2017, o próprio partido entregou ao MP e à PF uma gravação em que, segundo a sigla, Nósseis afirma ter usado recursos da entidade para "comer putas".

"Eu tô vendo uma fofoca. Diz que eu dei dinheiro, né? Eu dei dinheiro da fundação para comer as putas... conversa dela. Falei assim: Dei mesmo e comi. Qual o problema? E agora? Vai fazer o que comigo? Dei, mas elas se formaram. Recuperei elas todas pra vida", ouve-se na gravação.

Segundo o PSC, Nósseis foi expulso no fim de 2017, e desde o ano passado a fundação não tem mais ligações com a legenda.

Em nota ao jornal carioca, o ex-presidente do PSC afirmou que a gravação é "clandestina e apócrifa" e foi manipulada a pedido do Pastor Everaldo, atual presidente da sigla, em razão de denúncias que Nósseis apresentou contra ele a partir de 2015.
Herculano
07/06/2018 16:43
DUPLA FALTA, por Dagoberto Lima Godoy.

No esporte do tênis, comete dupla falta o jogador que desperdiça duas vezes seguidas a vantagem do saque. No jogo da vida, a Assembleia gaúcha cometeu dupla falta ao não permitir a realização, junto com as próximas eleições, do plebiscito sobre a privatização de estatais.

Primeiro, recusou-se a ouvir a manifestação soberana da vontade popular, a única fonte legítima do poder democrático. Essa atitude reacionária compromete seriamente a legitimidade daquela que chama a si própria de "A Casa do Povo" e põe em cheque os mandatos dos deputados que se negam a ouvir os eleitores. Ah! Se tivéssemos aqui a figura do "recall", do direito americano, que garante a possibilidade da revogação de mandatos eletivos por votação popular!

Em segundo lugar, reafirmou a visão equivocada quanto à função do Estado nas democracias modernas, da economia movida por empreendedorismo, capacidade de inovação e competitividade em escala global. A Assembleia reincide no atavismo positivista do século XIX, preferindo garantir votos de corporações dependentes de estatais de duvidosa competência, em lugar de apoiar os esforços de um governador corajoso para recuperar as combalidas finanças de um estado que só consome e nada investe para retomar o desenvolvimento.

Menos mal que não nos cassaram também o direito de votar em representantes mais esclarecidos e dispostos a ouvir e a respeitar, sempre, a vontade de seus eleitores.
Herculano
07/06/2018 16:43
PROMOTOR GOIANO AFIRMA QUE GILMAR MENDES "É O MAIOR LAXANTE DO BRASIL"

Conteúdo da Revista Época, coluna Expresso. Texto Murilo Ramos. Fernando Krebs, promotor do Ministério Público em Goiás, afirmou em entrevista à rádio Brasil Central na manhã desta quinta-feira (7) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes é o "maior laxante do Brasil" por "soltar todo mundo, sobretudo os criminosos de colarinho branco". Krebs - que atuou em investigações contra o ex-governador Marconi Perillo e o bicheiro Carlinhos Cachoeira ?" disse que Mendes solta criminosos contra a lei. "Ele (Mendes) cria a sua própria lei. Aliás, eu não sei como o Gilmar é ministro do Supremo. Será que não tem ninguém com peito no Brasil para investigar um ministro do Supremo?" Krebs também direcionou críticas à chefe do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, por não investigar Mendes. "Será por que é amiga dele? E daí não pede o impedimento dele?".

EXPRESSO procurou o ministro para comentar as declarações de Krebs, mas a assessoria de Mendes disse que ele não se manifestaria antes de tomar conhecimento do caso
Herculano
07/06/2018 16:42
da série: das poucas vezes que escrevi aqui,sempre afirmei que Raimundo Colombo, PSDB, foi um dos piores governadores de Santa Catarina. Manso, enganava todos. E a imprensa de ne´gocios, liderada pela RBS Sc, foi parceira desse desastre. Este artigo lava a minha alma, mais uma vez.

POLÍTICA VENCE MANUAL E CONTAS DE COLOMBO SÃO APROVADAS, por Upiara Boschi, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis.

Como quase sempre acontece, a política venceu o manual mais uma vez no Tribunal de Contas do Estado. Por quatro votos a um, os conselheiros aprovaram o balanço de 2017 do governo estadual, o último sob comando do ex-governador Raimundo Colombo (PSD). É um alívio para o pessedista, que terminou o ano com sua equipe debruçada sobre calculadoras para fechar as contas dentro dos parâmetros constitucionais e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Não foi uma vitória fácil. O Ministério Público de Contas pediu a rejeição do balanço em um relatório que talvez seja o mais contundente desde que Paulo Afonso Vieira (MDB) teve seus números desaprovados no final dos anos 1990 - a última vez que isso aconteceu, uma das raras na história do TCE. O procurador-geral Aderson Flores apontou 10 falhas graves nas contas anuais do Estado, além das costumeiras ressalvas e recomendações.

As principais seriam não atingir os percentuais mínimos constitucionais nas áreas de educação e saúde. Nas calculadoras do MPC, no último ano de Colombo foram gastos 22,7% da arrecadação com educação, em vez dos 25% exigidos; a saúde recebeu 12,73%, abaixo dos 13% exigidos pela Constituição Estadual. Nas restrições do procurador também constavam um déficit orçamentário de R$ 221,3 milhões e o recorrente questionamento à falta de transparência nos incentivos fiscais.

A posição do MPC era esperada. O empoderamento dos procuradores concursados nos últimos anos já apontava nessa direção - em consonância com os técnicos do TCE, que sempre tiveram severas críticas à condução financeira da gestão Colombo. Do outro lado, a frase recorrente era de que se Santa Catarina seguisse o manual de instruções do controle de contas, o Estado quebraria. Ano passado, Colombo já sofrera para fazer passar o balanço de 2016 entre os conselheiros - 3 votos a 2, com oposição de Herneus de Nadal e Luiz Roberto Herbst.

Ontem, Herbst não estava presente. A substituta Sabrina Ioken votou alinhada aos concursados, como ela. Os demais seguiram o parecer de Wilson Wandall - com 22 ressalvas, 22 recomendações e quatro determinações. O relator aceitou as justificativas da gestão anterior - o ex-secretário Nelson Serpa (PSD) fez a defesa - de que a crise afetou a arrecadação, de que os 25% da educação são alcançados quando entra na conta o gasto com inativos do setor, que gastos de 2017 em saúde empenhados este ano ultrapassar os 13%. Relator das contas do ano que vem, já com números do governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), foi mais compreensivo este ano e votou a favor.

Colombo comemorou a vitória nas redes sociais. Diz que houve "compreensão do esforço do governo na superação da crise", que o TCE "faz justiça e valoriza todo o trabalho de uma equipe", que Santa Catarina foi o último Estado a entrar na crise e o primeiro a sair dela. Está pronto para acelerar a campanha ao Senado.
Herculano
07/06/2018 16:41
E NóS PAGAMOS ESSA CONTA DESSE PRIVILÉGIO COM OS NOSSOS PESADOS IMPOSTOS. EMBARQUE ESPECIAL PARA O STF

Conteúdo BR18. Os ministros do Supremo Tribunal Federal terão acesso especial e sala de embarque reservada no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, informa O Globo. O custo anual do espaço é de R$ 374,6 mil.

A corte afirma que a nova área, diferente da sala que o STF tinha anteriormente no terminal de passageiros, foi criada para reforçar a segurança dos ministros. Agora, eles poderão aguardar o embarque em um espaço reservado e serão levados de van até o avião. Antes, os ministros embarcavam junto com os passageiros no portão determinado pela companhia aérea.
Herculano
07/06/2018 16:40
GENTE QUE QUEBRA O BRASIL

1. Empresas de transportes, que agora não querem pagar as multas pelo lock out que promoveram. Usaram os caminhoneiros autônomos de bucha de canhão pelo diesel mais barato para eles. Entretanto, na outra ponta, todos os brasileiros pagando a conta com a gasolina e gás mais caros, preços dos alimentos mais caros, preços dos fretes mais caros, mais inflação, mais desemprego, menos PIB, desabastecimento, menos renda, menos riqueza.

Bonito isso. Voltamos há 30 anos. Voltamos a ditadura e o governo de José Sarney, filhote da Arena e que se hospedou por oportunidade no MDB

2. Os intervencionistas que estiveram por detrás dessa irresponsabilidade que desorganizou a economia. Isso mostra como será foi e será o Brasil da Ditaduda Militar: alguns poderosos levam vantagens enquanto a maioria, calada bela baioneta, paga a conta. Pior mesmo, é ver uma massa de jovens, que nunca sentiu na pele esses tempos da escuridão, defendendo tal asnice.

3. E os apoiadores do presidenciável radical de direita, nacionalista e sem propostas para a economia, Jair Bolsonaro, PSL. Eles se aproveitaram da suposta greve de caminhoneiros, para mostrar a cara e força. Fizeram e surfaram nessa onda de irresponsabilidade nacionalista.

Sem planos, a não ser o de distribuir armas para quem nunca atirou, com ataques chulos e fugindo dos debates, o candidato pretende transformar o país numa terra de bangue-bangue, protegendo o mercado nacional, eliminando a competitividade, inovação e a concorrência, para inserir o país e disputar o campeonato do atraso mundial.

Dólar nas alturas o que torna os combustíveis ainda mais caros ou um rombo que será pago pelos impostos de todos, investidores se retirando do Brasil e bolsa caindo como pouco se viu diante de um governo fraco, encurralado e que os candidatos que estão ai com chances de vencer essa eleição, todos dispostos a quebrar ainda mais o país como Bolsonaro, Ciro Gomes e até um réu condenado e preso, Luiz Inácio Lula da Silva. Wake up, Brazil.
Herculano
07/06/2018 16:40
"QUANDO ATINGIR DOIS DÍGITOS, ELE LIGA PARA MIM", DIZ BOLSONARO SOBRE DESAFIO DE ALCKMIN

Conteúdo do O Antagonista. Jair Bolsonaro ironizou o desafio feito por Geraldo Alckmin nas redes sociais, na quarta-feira, para debaterem sobre Segurança Pública.

O deputado, que cumpre agenda em Aracaju nesta quinta, disse ao Estadão:

"Ele está perdendo para mim até em São Paulo. Não tenho tempo para ficar discutindo essas coisas com ele. Não tenho tempo para perder com Alckmin. Quando ele tiver na minha frente em São Paulo, ou atingir dois dígitos, ele liga para mim."
Herculano
07/06/2018 15:12
RISCO DE EXCLUSÃO DO "CENTRO" DO 2º TURNO É REAL, por Josias de Souza

De todos os fenômenos da temporada pré-eleitoral o mais inusitado é o desespero do chamado "centro político". A provável ausência da foto de Lula nas urnas de outubro estimulou nos partidos desse campo a ilusão do poder. Surgiram pelo menos sete candidatos: Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Alvaro Dias, Rodrigo Maia, Flávio Rocha, João Amoêdo e Paulo Rabello de Castro. Quem tem sete candidatos não tem nenhum. Todos frequentam as pesquisas na casa de um dígito -ou nem isso.

A penúltima tentativa de unificar o centro foi o lançamento de um manifesto que escancarou a desunião. Os críticos do PSDB enxergaram a iniciativa como uma tentativa de levar água para o moinho seco de Geraldo Alckmin. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chamou o debate sobre a unificação do centro de "conversa de bêbado".

Geraldo Alckmin, o nome mais bem-posto no pelotão dos retardatários, tornou-se um candidato sem nexo. Ele diz que Jair Bolsonaro, líder nas pesquisas sem Lula, vai murchar. Ao mesmo tempo, desafia Bolsonaro nas redes sociais para debater sobre segurança pública. Faz isso porque perde terreno para ex-capitão do Exército justamente em São Paulo, o Estado que governou quatro vezes. O desespero do chamado "centro" se deve ao medo de ficar fora do segundo turno da disputa presidencial. Esse risco tornou-se real.
Herculano
07/06/2018 15:09
LINHA DO TEMPO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

Já sabemos muito sobre o que vem por aí. É de tirar o sono

Mesmo com tamanha imprevisibilidade sobre as eleições de outubro já sabemos algo sobre o que vem por aí, e não é pouco. Vamos do mais próximo ao mais distante na linha do tempo.

Uma candidatura única do centro é dúvida ainda para o clássico, mas a aproximação do deadline de julho apressa conversas sem que ainda se tenham nomes claros fora o do ex-governador Geraldo Alckmin, com dificuldades mesmo dentro do partido que preside. Perduram os vaticínios de que a candidatura de Jair Bolsonaro vai se derreter sozinha, mas a candidatura perdura. Falta pouco para o PT cometer um inédito suicídio político, se insistir em que só Lula é o candidato do partido, mas a beira do abismo costuma infundir medo nas pessoas.

Adoro e joguei futebol, mas nunca vi tanto desinteresse por uma Copa como o que registro agora, o que sugere que essa eleição seja inédita por mais um fator (além da curta duração, regras restritas de financiamento, curto tempo de televisão, forte presença de plataformas digitais, máquina do governo encurralada, grau de indignação popular, destruição do sistema político e falta de lideranças genuínas - tudo isso me parece sem comparação com outros pleitos).

Já sabemos também que as dificuldades das candidaturas de "novos" indicam uma predominância do "velho" sistema político eleitoral num choque de proporções enormes com o que parece ser o sentimento popular de rejeição "ao que está aí", começando pelos figurões das classes políticas. Em outras palavras, já podemos antecipar uma renovação menor do que se deseja nas Casas do Congresso, e eleitos bastante distantes do eleitor.

Prosseguindo na linha do tempo, já parece garantido a esta altura que o próximo presidente, ou a próxima presidente, formará um governo de minoria num sistema político no qual o chefe do Executivo é paradoxalmente muito poderoso - e não governa sem o Congresso. Esse homem (mulher) com uma caneta que aponta diretamente mais de 30 mil cargos terá de costurar uma maioria precária diante de uma crise fiscal que já paralisou a máquina (incapaz de se custear) e reduziu a quase nada a capacidade de investimentos, tudo agravado pela voracidade de grupos corporativos e a necessidade de adotar medidas impopulares.

É difícil imaginar que uma parcela imensa da sociedade que nem sequer capta exatamente o significado de "dinheiro público" (boa parte das pessoas acha que o dinheiro é do governo) seja acometida de súbita consciência do que é cidadania (direitos e deveres). É igualmente difícil imaginar que a corrupção, enxergada hoje pela maioria dos brasileiros como o principal problema do País (bastaria limpar os corruptos que tudo "funcionaria", um perigoso engano), deixe sua posição de destaque nas prioridades do eleitor. Talvez seja substituída pela questão da segurança pública - o medo continuará sendo uma característica importante a influenciar o comportamento das pessoas.

Por último na linha do tempo que traço daqui até os primeiros 100 dias do novo governo, já podemos antecipar a continuidade do regime de insegurança jurídica que parte do próprio STF. O exemplo mais recente é a postura de um dos ministros, que se julga apto a reverter anos de discussão sobre um item isolado da reforma trabalhista, a abolição do esdrúxulo imposto sindical, por ter outra opinião a respeito do que as duas Casas do Legislativo. Como o imponderável é sempre característica do terreno da política, especialmente numa crise, aposto às cegas que a politização da Justiça nos trará mais sobressaltos, além do vigoroso prosseguimento da Lava Jato.

Ficarei grato, dormirei melhor e feliz, se os fatos me desmentirem.

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