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BELCHIOR MUNICÍPIO? MAS QUEM GANHA DE VERDADE? OS BELCHIORENSES, OS GASPARENSES OU SÓ OS POLÍTICOS DE GASPAR E DE BELCHIOR NA BUSCA DE PODER E TETAS PAGAS PELOS PESADOS IMPOSTOS DE TODOS? - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

BELCHIOR MUNICÍPIO? MAS QUEM GANHA DE VERDADE? OS BELCHIORENSES, OS GASPARENSES OU SÓ OS POLÍTICOS DE GASPAR E DE BELCHIOR NA BUSCA DE PODER E TETAS PAGAS PELOS PESADOS IMPOSTOS DE TODOS? - Por Herculano Domício

13/06/2018

Gaspar está cada vez “menor” para atender seus feudos de interesses políticos partidários. Faz tempo. Simples menções na Câmara, retratam isso.

Um dia na Câmara e faz tempo, depois de se hospedar com a esposa numa “pousada” no recém-criado Distrito de Belchior e lá conversar com as lideranças, o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, da Margem Esquerda, voltou refeito para a lide política e empresarial: defendeu – sem muita ênfase e até para agradar os seus interlocutores do final daquela semana - a ideia do Belchior se tornar um município e assim ser independente de Gaspar, que a maltrata.

Dois devem aspectos a serem considerados.

O primeiro é que quando o pessoal de lá defende essa ideia, na verdade diz que a prefeitura de Gaspar não consegue atender às demandas públicas. E isso é quase centenário com o Belchior, que se diga – eu conheço essa problemática ao vivo há 40 anos -, até porque a localidade como núcleo organizado de colonização surgiu antes mesmo de Gaspar como ela é hoje. E nem a criação do Distrito por Pedro Celso Zuchi, PT, no findar do seu governo de oito anos onde até quis trocar o nome de lá para Tarcísio Deschamps - numa agressão sem propósito, revertido depois de denunciado aqui -, não foi possível mudar, até o momento, “esse isolamento” físico e administrativo da região. Começa pelo superintendente de lá, o ex-vereador do Figueiras, do outro lado do Rio, Raul Schiller, que não possuía nenhuma identidade com a localidade e atende um loteamento do MDB e a tal eficiência do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB

O segundo é o que importa mesmo.

No fundo, é um movimento de políticos, insaciáveis como sempre, para criar espaços para si no processo de liderança e dar ocupação aos seus com o dinheiro dos pesados impostos de todos. Neste caso, será dos moradores do Belchior.

Os políticos usam o desgosto do povo e armam para ficar bem para si mesmos no poder, no partido, nos nacos de oportunidades...

Será no fundo, mais uma prefeitura com um sem número de empregos e tetas comissionadas com cabos eleitorais no poder de plantão. Será mais uma Câmara para inicialmente dar vazão a oito vereadores – hoje são dois eleitos por lá Rui Carlos Deschamps, PT, ex-superintendente e Franciele Daiane Back, PSDB), uma exceção, pois normalmente é um, apesar potencial para três. E depois vem os agregados, como na Câmara de Gaspar que de quatro, em questão de anos, pulou para quase 30 efetivos e comissionados, e hoje se debate o inchamento dela com salários altíssimos e privilégios desmedidos para novos comissionados. E assim vai.

UM SILÊNCIO DENUNCIADOR

E os políticos de Gaspar silenciam. E por que? Olham esse tipo de movimento como uma oportunidade: primeiro se livrar de um problema que os desgastam, ou seja, o de atender uma demanda reprimida e que não conseguem suprir. Com a “divisão”, sobram mais recursos para a Gaspar de sempre. E num outro instante, com a criação de um novo município – o do Belchior -, sobram mais espaços na Câmara – ao menos uma, senão duas ou três vagas - para os políticos daqui.

Se o belchiorenses vão ganhar de verdade com esse movimento que permeia o sentimento dos que têm tradição centenária ou moram lá, há muitas dúvidas. A história em outros municípios, em sua maioria, revelou que não é assim que chegam as soluções, ainda mais pelas mãos dos políticos insaciáveis, espertos e que vivem do blefe. Até porque, quem vai ganhar de verdade com tudo isso num primeiro instante e usando ou estimulando as queixas dos mal-atendidos no Belchior para os seus discursos na busca de espaços, dinheiro e poder? Os políticos e os que se escondem nos seus interesses.

É um bom debate. Necessário. Vital. Sem ele, não haverá um pacto mínimo da sociedade de Belchior com seus líderes e políticos para eles não avançarem sobre o dinheiro dos pesados impostos dos cidadãos, numa aventura que tem unicamente a constituição de um novo poder, sem a efetiva contrapartida de resultados a curto e médio prazos para a comunidade independente.

No rastro de se criar “autonomia” administrativa para lá ter um feudo e mandar, e pelas experiências já abortadas, será um desastre, o vereador Evandro Carlos Andrietti, MDB, vem sugerindo, mas sem efetiva iniciativa prática, a criação do Distrito do Barracão, numa linha divisória do que ele chama de zona sul do município. Mais tetas! Sem o distrito, ele já faz coisas do arco da velha e que já estão na mira do Ministério Público. Imagina-se com o Distrito. Acorda, Gaspar!

 

Edição 1855 - quarta-feira

Comentários

Herculano
14/06/2018 10:35
AMANHÃ É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA E EXCLUSIVA PARA OS LEITORES E LEITORAS DA EDIÇÃO IMPRESSA DO JORNAL CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ANTIGO E LÍDER DE CIRCULAÇÃO EM GASPAR E ILHOTA. QUER PRÊMIO LEGÍTIMO MELHOR DO QUE ESSE?
Herculano
14/06/2018 10:33
OBA! A CóPULA DO MUNDO É NOSSA! por José Simão, no jornal Folha de S. Paulo

E Ronaldo Ronalducho com a camiseta: Eu não tenho culpa! Votei no Putin

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Hoje! Abertura da Cópula do Mundo! Com a presença do Ronaldo Ronalducho. Com a camiseta: "Eu não tenho culpa! Eu votei no Putin". Rarará!

E o Robbie Williams vai cantar: "Cala Boca, Galvão". Rarará! O hit de todas as Copas!

E atenção, brasileiros! Não pode vaiar o Putin que vai preso! Não estamos no Brasil! Onde pode xingar de ladrão e vaca! Rarará!

Breaking News! "Estudante alemão tem bicicleta furtada dentro da USP". É o 7X2! Roubar bike de alemão é o nosso 7X2! Rarará!

2) Tuiteiro roallegro: "Se o Trump e o Kim Jong-un transarem, nasce o Bolsonaro". Com certeza! Rarará!

3) Papa diz que não deu um terço pro Lula. Então foram dois terços! O Papa entrou na Lava Jato! Vai ter condução coercitiva! Rarará!

4) Temer criou o Sistema Único da Segurança Pública, SUSP! Depois vai criar o CUSPE!

5) "Meirelles confirma candidatura". Diz que votar no Meirelles é síndrome de Estocolmo. Imagine o Meirelles num comício! Empolgando a multidão! Tipo Justin Bieber quando sai na varanda do hotel! Rarará!

6) E mais uma reforma que deu merda: a reforma da casa da filha do Temer!

E atenção! Após a abertura: Rússia x Arábia Saudita! Emocionante! Um clássico! Rarará! Seleção Russa: Putin, Filho da Putin, Smirnoff, Orloff, Roskof, Strogonoff e Molotov No ataque Siroc e Trótski! Rarará!

Seleção da Arábia Saudita: Mohamed e Abulah! Abdulah Mohamed! Mohamed e Abdulah. Verdade! Na seleção árabe tem uns cinco Mohameds e uns quatro Abudlah! Técnico: os 32 filhos do Sadam Hussein! Rarará!

E os russos jogarão uniformizados de cossacos. Cossacos de fora! E o juiz é argentino! Pode gol com a mão! Rarará!

Datafolha! Os 3% que apoiam o Temer: Marun, Moreira e Padilha! Ou então os 3% não entenderam a pergunta!

Vai ter até Globo Repórter sobre os 3%: "Quem são, onde vivem, o que comem, o que NÃO PENSAM?". Rarará!

E o Alckmin parece um celta velho: roda, roda, mas não anda! E o Nervociro tá nervoso com a Marina: "Sai da frente, lambisgoia". Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Herculano
14/06/2018 10:31
da série: para a corrupção continuar nos três poderes e o povo pagando a conta, o desperdício, o desgoverno e os ladrões do dinheiro público com os seus pesados impostos.

NELSON JOBEM É O NOME DO ACORDÃO PARA LIVRAR TODO MUNDO DA CADEIA

Conteúdo de O Antagonista. O Estadão noticia que tucanos vão procurar FHC para convencê-lo a apoiar publicamente o nome de Nelson Jobim, do MDB, para a presidência da República. E que, "se FHC topar, quem está agindo nos bastidores promete sair da sombra e defender publicamente a substituição de Geraldo Alckmin por Jobim".

O Antagonista apurou que apresentar Jobim como "um nome de centro" à Presidência não passa de um golpe para tentar livrar a cara de todos os políticos envolvidos na Lava Jato. Do PT ao PSDB, passando por PP e, claro, MDB.

Jobim não é nome de centro coisíssima nenhuma. É o nome do acordão entre Judiciário, Legislativo e Executivo, para "por no seu devido lugar" os juízes e procuradores que já levaram ou estão para levar corruptos para a cadeia. Ele já trabalha ativamente em Brasília e alhures.

E FHC não precisa ser "procurado". Ele participa ativamente da jogada do "polo democrático e reformista".

Nelson Jobim, que o "polo democrático e reformista" quer emplacar como candidato ao Planalto, foi personagem central no aparelhamento de setores do Judiciário pelo sindicalistas de toga durante o governo Lula ?" o verdadeiro nome da tal "reforma do Judiciário".

Jobim achava que, pelos serviços prestados, seria o poste lulista em 2010. Mas no seu caminho surgiu Dilma Rousseff, com quem ele se desentendeu publicamente.

Perdeu o controle, algo raro, declarou voto em José Serra e deixou o ministério.

Agora ele promete fazer a "segunda reforma do Judiciário" em prol do "polo democrático e reformista", se vier a ser o candidato ao Planalto no lugar de Geraldo Alckmin. A criação de novos TRFs é a parte principal do pacote. Objetivo final, repetindo: livrar os corruptos da cadeia. Mudar para que tudo permaneça como era.

Sempre pelo bem do país, evidentemente, Jobim é capaz de unir Gilmar Mendes aos sindicalistas de toga (aqueles de convicções lavajatistas são bastante moldáveis às circunstâncias)
Herculano
14/06/2018 10:24
ECONOMISTAS LIBERAIS RACHAM PELO TETO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Lara Resende e Giannetti, consultores de Marina, querem rever o teto de gastos federais

Os economistas de Marina Silva (Rede) querem rever o "teto" de gastos de Michel Temer. Trata-se de André Lara Resende e de Eduardo Giannetti da Fonseca, que apenas no país do espelho podem ser chamados de esquerdistas ou coisa que o valha.

Mas apenas no país das maravilhas é possível derrubar o "teto" sem inventar alguma garantia de que déficit e dívida públicos não vão crescer sem limite.

De outro modo, o custo de financiamento do governo explodirá (juros em alta), se não acontecer algo pior.

Como se recorda, emenda constitucional de 2016 congelou o gasto federal em valores de 2017 por pelo menos dez anos. A despesa pode ser corrigida apenas pela inflação. Grosso modo, fica na mesma em termos reais.

Quando e como remover o "teto"? Lara Resende e Giannetti não explicam, na entrevista que concederam ao jornal Valor, publicada nesta quarta-feira (13).

O "teto" está à beira de se tornar inviável em 2020. Uma reforma da Previdência duríssima não teria efeito imediato relevante na despesa, quando muito evitando o estouro do limite já em meados do próximo governo. Isto é, evita a explosão caso também se aprove um monte de remendos fiscais e se massacre um tanto mais o investimento em obras.

Em termos políticos, o "teto" está pela hora da morte --quase apenas economistas liberais o defendem tal como está. É improvável que o próximo presidente aceite o engessamento de seu governo.

De resto, o país quase inteiro quer explodir os gastos, como se viu no apoio ao caminhonaço ou na rejeição sem mais da reforma da Previdência. Não há à vista acordo de redistribuição de perdas. O "conflito distributivo", como diz o jargão, é aberto e suicida.

É possível imaginar, na planilha, um programa de ataque amplo ao problema fiscal: 1) reforma da Previdência dura, que estabilize esse que é o gasto federal mais explosivo e ora incontrolável; 2) aumento de imposto duro, perto da casa de uma CPMF da mais gorda (1,3% do PIB); 3) congelamento do gasto com servidores.

Dadas essas condições e um plano mais flexível de limitação de gasto, de médio prazo, parece mais seguro derrubar o "teto" (recorde-se que uma versão menos draconiana do limite de gastos foi proposta por Nelson Barbosa quando ministro da Fazenda de Dilma Rousseff). Um surto de crescimento devido ao otimismo com as reformas fiscais súbitas poderia conter a dívida pública. Mas isso é muito otimismo.

Outras medidas de racionalização tributária e fiscal, enfaticamente defendidas pelos economistas de Marina, poderiam aumentar a eficiência geral, mas seus efeitos seriam defasados, pequenos demais a princípio.

Giannetti, ao menos, é contra qualquer aumento de imposto, mesmo temporário. Diz também que "o grau de urgência da questão fiscal aumentou" desde 2014, mas considera o congelamento de despesa por ao menos dez anos "uma medida excessiva", "completamente fora de proporção".

Na opinião de Lara Resende, o "teto" "é uma camisa de força muito complicada, certamente inexequível ao longo do tempo".

Sem o "teto", novas e boas regras fiscais não bastam para evitar o aumento de percepção de risco da dívida pública. O "teto" é uma espécie de moratória. O governo federal continua a ter déficit primário monstruoso, 2% do PIB, não nega, mas promete zerá-lo quando puder, com a garantia do "teto". Sem a garantia, o caldo engrossa. Mas há garantias que se esfarelam. O "teto" está soltando pedaços.
Herculano
14/06/2018 10:21
DEPOIMENTOS À JUSTIÇA, MOSTRAM QUE POLÍTICOS SEMPRE CONTRARIAM A HISTóRIA, OS AUTOS, AS PROVAS E A REALIDADE

De Mário Sabino, no Twitter

Luiz Marinho disse a Sergio Moro que o mensalão nunca existiu. Lula também tem os dez dedos das mãos.
Herculano
14/06/2018 10:19
EXÉRCITO FAZ LICITAÇÃO PARA COMPRAR CAVIAR E DUAS TONELADAS DE CAMARÃO

Conteúdo de O Antagonista. O Comando Militar do Leste está fazendo uma licitação estimada em R$ 6,5 milhões para comprar mantimentos que incluem uma lista de "produtos refinados" e bebidas alcoólicas, relata a Folha.

Entre os produtos licitados estão duas toneladas de camarão, 109 potes de caviar e milhares de garrafas de bebidas alcoólicas, incluindo vinhos importados, uísque e espumante.

As quantidades licitadas superam as da concorrência anterior, de 2016, mesmo com as restrições orçamentárias do governo federal.
Herculano
14/06/2018 10:07
RAZõES DA REJEIÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Temer parece ser o desaguadouro de frustrações mais gerais com as práticas políticas.

Michel Temer assumiu a Presidência na esteira do controverso, ainda que legítimo, impeachment de Dilma Rousseff (PT). O emedebista, que iniciou sua gestão sem gozar da confiança dos setores antipetistas do eleitorado, nunca foi um mandatário popular.

Quando contava dois meses no posto, em julho de 2016, pesquisa do Datafolha lhe atribuía aprovação de apenas 14% dos brasileiros, ante 31% que consideravam seu governo ruim ou péssimo.

De lá para cá, os índices pioraram de modo quase contínuo. Em abril de 2017, antes da revelação do diálogo deplorável entre o presidente e o empresário Joesley Batista, a reprovação já chegava aos 61%.

Na sondagem mais recente, feita após o impacto da paralisação dos caminhoneiros, a taxa foi aos 82%, o que torna Temer o presidente mais rejeitado desde a redemocratização do país. Desta vez, o instituto questionou esse contingente sobre seus motivos, permitindo respostas abertas e múltiplas.

Uma maioria de 51% manifesta queixas variadas quanto à administração e ao desempenho da economia, casos de desemprego (13%), preço dos combustíveis (13%), impostos (10%) e inflação (9%).

Um segundo bloco, a reunir cerca de um quinto dos insatisfeitos, aponta de forma mais genérica o que considera deficiências do governo - falta de preparo e poucas realizações, entre outras.

Outro grupo importante, de 15%, cita a corrupção. Razões mais universais, como pouco investimento em saúde, educação e segurança, também aparecem.

É notável, embora não de todo surpreendente, que a política econômica, sem dúvida a principal vitrine da gestão emedebista, encabece a lista de reclamações.

O presidente, até aqui, falhou em proporcionar a desejada recuperação vigorosa da produção e da renda; compreende-se, ademais, o descontentamento com os preços da gasolina nos últimos meses, resultado da estratégia de repassar ao mercado doméstico a alta das cotações globais do petróleo.

Entretanto outros problemas apontados, como o desemprego e a carga tributária, têm origens anteriores a seu governo. No caso da inflação, houve melhora indiscutível nos últimos dois anos - o que não se pode dizer, por exemplo, da moralidade pública.

Temer parece ser o desaguadouro de frustrações mais gerais com as práticas políticas e o retrocesso no desenvolvimento do país, às quais o impeachment esteve longe de responder. Resta esperar que um mandatário legitimado pelo voto possa dar início à tarefa.
Herculano
14/06/2018 10:05
CUBA HOSTILIZA TEMER, MAS LEVA R$1 BILHÃO ANUAIS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Dois anos após a posse do presidente Michel Temer, Cuba ainda não reconheceu o governo brasileiro. O não-reconhecimento de Cuba é irrelevante, até porque não provocou qualquer consequência jurídica. Mas a ditadura não se faz de rogada, embolsando mais de R$1 bilhão por ano do Brasil, em razão do programa Mais Médicos. Tudo não passa de teatro: Cuba chamou de volta seu embaixador, após a posse de Temer, mas mandou em seu lugar um diplomata mais importante.

GESTO BRASILEIRO
O Brasil também mandou para Havana um diplomata de primeiro nível, Antonio Alves, mas, lá, ele não pode ser chamado de "embaixador".

RECIPROCIDADE
Embaixador de fato em Brasília, Rolando Gómez González representou Cuba em La Paz, posto a que a ditadura atribui importância.

CAPITALISMO SELVAGEM
A ditadura de Cuba explora sem piedade. Cada médico cubano custa R$11 mil mensais ao Brasil, mas só recebe R$3 mil.

BLOCO DOS SUJOS
Como recebeu bilhões dos governos do PT, Cuba considera Temer "ilegítimo", como se uma ditadura pudesse dar lições de legitimidade.

TCU: FARRA DE ISENÇõES GEROU ROMBO NAS CONTAS
A aprovação por unanimidade do relatório do ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), nesta quarta (13), destacou que o fator primordial para os seguidos rombos nas contas públicas foi a concessão de isenções de impostos federais. Segundo o relator, se o governo mantivesse a média de 3,4% do PIB nas renúncias fiscais, as receitas teriam aumento de R$131 bilhões este ano, e não haveria déficit. Mas os governos do PT exageraram e o governo Temer manteve tudo.

INCENTIVOS PARA RICOS
Vital do Rêgo também criticou o direcionamento dos incentivos para a região Sudeste. "O benefício não vai para quem mais precisa", disse.

PELO RALO, 5,4% DO PIB
O TCU constatou que o governo abriu mão de R$354,7 bilhões em impostos só em 2017, 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

SEM TER COMO INVESTIR
Os ministros do TCU também culpam a profusão de renúncias fiscais pela perda de capacidade do governo de fazer investimentos mínimos.

TIJOLO NO TORNOZELO DO PAÍS
O Ministério do Planejamento informa que os gastos com pessoal em 2017 somaram R$172,02 bilhões. Entre janeiro e abril deste ano, foram gastos R$54,07 bilhões em salários e benefícios a 1.276.253 pessoas.

ESPELHO MEU
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou com ressalvas, nesta quarta (13), as contas de 2017 do governo Michel Temer. A decisão confirma a informação antecipada nesta coluna na terça-feira (12).

JOGANDO PARA PLATEIA
Em tempos de Copa, o ministro Sérgio Sá Leitão (Cultura) jogou para a plateia, ao ameaçar se demitir do cargo para protestar contra o corte de verbas. Ele sabe que um pedido de demissão seria aceito prontamente.

OTIMISMO
A ex-secretária de Planejamento Leany Lemos, candidata a senadora em Brasília, acha competitiva a candidatura do governador Rollemberg. Ela cita pesquisa indicando que metade do eleitorado não vota no líder nas pesquisas: a rejeição de Jofran Frejat (PR) chega a 49%.

EMBAIXADOR NA COSTA RICA
Filho de Alberto da Costa e Silva, um dos mais importantes diplomatas do nosso tempo, o elogiado Antonio Francisco Da Costa e Silva Neto será embaixador na Costa Rica, cujo governo já concedeu agrément.

FIM DO MARTÍRIO
O ex-secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa, foi absolvido por unanimidade no Tribunal de Justiça. Era atormentado por um processo criminal pela contratação emergencial de médicos temporários.

CAIXA SEM NOÇÃO
O governo liberou o PIS, mas o cidadão não acessa os dados na Caixa pela internet. É que o site está com os certificados vencidos, por isso nenhum navegador carrega as páginas dos extratos de PIS e FGTS. Resta ao cidadão, que banca esses folgados, pegar fila na agência.

DESCULPA DE AMARELO
O Itamaraty diz que a remoção para o Rio de Janeiro de João Caros Souza-Gomes, diplomata acusado de assédio sexual, "não é prêmio e nem punição" e tem "obrigação" de lotar servidores. No ócio do Rio?

PENSANDO BEM...
... com um jogo de abertura entre Rússia e Arábia Saudita, a Copa do Mundo não começa hoje.
Herculano
14/06/2018 09:56
DECEPÇÃO COM MEIRELLES CRESCE NO MBD E CHEGA A GABINETE DE TEMER, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Insatisfeitos com ex-ministro, aliados do presidente cobram mudança em campanha

Até Michel Temer começa a perder o ânimo com a candidatura de Henrique Meirelles a sua sucessão. Nos últimos dias, o presidente recebeu uma fila de ministros, senadores e deputados do MDB que defendem a retirada do ex-chefe da Fazenda da corrida ao Planalto.

A entrada de Meirelles na disputa era uma empreitada de baixo custo e baixas expectativas. O grupo de Temer acreditava que o ex-ministro serviria apenas como um polo de defesa do governo, em uma eleição marcada pelo descontentamento.

Sem experiência política, porém, Meirelles tem demonstrado pouca habilidade para esse papel. Até agora, apareceu com 1% nas pesquisas, não encaixou um discurso convincente sobre a recuperação da economia e dedicou poucos esforços à tarefa acessória de evitar que Temer se torne um saco de pancadas.

Aliados do presidente consideraram "desastrosa" a entrevista do ex-ministro no programa "Roda Viva" de segunda (11). Confrontado com o fato de que o PIB anda em marcha lenta, Meirelles ativou sua cabeça de banqueiro, elencou uma porção de números e mencionou só de passagem o recado de que conseguiu tirar a economia do buraco.

Questionado sobre as acusações de corrupção contra o presidente e outras figuras do MDB, o ex-ministro suspirava e dava respostas evasivas.

"Muitos políticos, líderes e empresários estão acusados, se defendendo na Justiça. Mas isso é de todos os grandes partidos. Não é característica do MDB", tentou escapar, sem dizer uma palavra em defesa de Temer.

Agora, não apenas dissidentes como Renan Calheiros se opõem a sua candidatura. Personagens com acesso ao gabinete presidencial cobram mudanças na campanha de Meirelles e sugerem que ele saia de campo caso não encontre logo um rumo.

Alguns aliados de Temer acreditam ser mais produtivo liberar o MDB na disputa nacional para privilegiar a eleição de parlamentares. Assim, a sigla ficaria em posição mais vantajosa para negociar espaços no poder em 2019 - sob qualquer presidente.
Herculano
13/06/2018 16:09
O D. SEBASTIÃO DE CURITIBA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

O PT anunciou o lançamento da pré-candidatura presidencial de Lula da Silva, como se fosse a volta de d. Sebastião - o rei português que desapareceu numa batalha em 1578 e cujo retorno era esperado para salvar o reino da crise que se estabeleceu após sua partida, "quer ele venha, quer não". Mas o sebastianismo petista é uma deliberada tapeação. Enquanto o corpo de d. Sebastião nunca reapareceu, todo mundo sabe muito bem onde está Lula: numa cela em Curitiba, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

A anunciada "candidatura" de Lula, portanto, precisa de aspas. A Lei da Ficha Limpa impede que o ex-presidente tenha sua postulação deferida pela Justiça Eleitoral. O PT insiste que seu chefão é preso político, pois nada teria sido provado contra ele, razão pela qual a defesa de Lula acredita que, no momento do registro, sua candidatura terá de ser aceita, ainda que em caráter liminar. O partido não esconde que pretende causar o máximo possível de confusão legal até a eleição para que o nome de Lula esteja na urna eletrônica, com consequências imprevisíveis para o resultado formal do pleito.

Enquanto isso, o PT preparou material de campanha no qual, além de insistir na libertação de Lula, explora a crise atual para dizer que somente com a eleição do ex-presidente "o Brasil vai ser feliz de novo". Há até uma imagem em que alguém recoloca o retrato de Lula na parede, com faixa presidencial e tudo, lembrando a marchinha de 1950 cujo refrão "bota o retrato do velho outra vez" embalou a volta de Getúlio Vargas, o "pai dos pobres", ao poder naquele ano.

No jingle lulopetista, o refrão é "chama que o homem dá jeito", depois de imagens que retratam o desemprego e a greve dos caminhoneiros, embaladas por uma letra que diz: "Meu querido Brasil, o que fizeram com você?". Nos "braços do povo", Lula então se apresenta como o único capaz de enfrentar os "poderosos" e fazer "chegar a primavera".

É evidente que, em campanhas eleitorais, não se deve esperar que partidos deixem de exaltar qualidades de seus candidatos, mas no caso da campanha de Lula o que há é pura e simples fraude.

A crise que os petistas dizem que Lula irá resolver foi causada pelo próprio Lula e por sua desengonçada criatura, Dilma Rousseff. Foram dois anos de uma recessão brutal, resultante de uma série de erros de política econômica causados por uma visão antediluviana do papel do Estado. O primeiro mandato de Lula na Presidência, entre 2003 e 2006, deu a falsa ilusão de que o ex-metalúrgico bravateiro havia aderido aos bons fundamentos da administração e da economia. No entanto, a partir do segundo mandato, decerto premido pela necessidade de se manter no poder em face do escândalo do mensalão, Lula adernou à esquerda populista, mandando às favas o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação. A gastança estatal resultou em crescimento tão exuberante quanto insustentável ?" mas suficiente para eleger o "poste" Dilma em 2010.

Com Dilma dobrando a aposta de Lula, as contas públicas foram destroçadas ?" mas o País demoraria a conhecer o tamanho do desastre graças à contabilidade criativa e às pedaladas. Felizmente, o impeachment de Dilma interrompeu a trajetória rumo ao abismo. Aos poucos, restabeleceu-se um mínimo de racionalidade na administração, e algumas medidas cruciais, como o teto dos gastos, indicavam que o País havia recobrado a sanidade.

Ainda falta muito a fazer, mas o principal obstáculo hoje nem é a dura conjuntura econômica, e sim uma nostalgia populista que embala uma parte considerável dos eleitores, convencida de que é possível "ser feliz de novo" se a Presidência for ocupada por Lula ?" ou, quem sabe, por alguém indicado por ele. E essa atmosfera passadista, que ignora totalmente o que foi a trevosa era lulopetista, é fruto direto da ruína da política em meio a uma campanha de descrédito poucas vezes vista na história nacional. Se esses são os políticos que temos, é o que devem pensar esses eleitores, melhor esperar mesmo pela volta do d. Sebastião de araque
Herculano
13/06/2018 16:07
De Ricardo Noblat, de Veja, no Twitter

Lula já disse preferir propaganda a notícias. Sites amestrados do PT entregam propaganda como se notícia fosse. E pior: quando flagrados em fake news mortal, se negam a pedir desculpas e a rezar o terço como penitência. Por isso não são e jamais serão confiáveis.
Herculano
13/06/2018 16:04
EM DECISÃO INÉDITA, TEMER EFETIVA MILITAR NO COMANDO DO MINISTÉRIO DA DEFESA

Presidente tem dado aos militares o controle de áreas sensíveis de seu governo

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Gustavo Uribe, da sucursal de Brasília. O presidente Michel Temer não seguiu recomendação de assessores e auxiliares e efetivou nesta quarta-feira (13) para o comando do Ministério da Defesa o general do Exército Joaquim Silva e Luna.

Com a decisão, é a primeira vez desde que a pasta foi criada, em 1999, que um militar ocupa o posto. Desde fevereiro, o general desempenhava a função de maneira interina, já que a intenção do presidente era encontrar um civil para o cargo. Com dificuldades de achar um nome, contudo, ele optou por uma solução caseira.

Em fevereiro, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, chegou a afirmar que a pasta é "típica de um civil". Em evento na mesma época, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que colocar um civil à frente da estrutura era, no passado, símbolo de qual poder prevalece no país.

Nos últimos meses, o presidente foi aconselhado a escolher um nome civil que não passasse a ideia de fortalecimento dos militares em seu mandato e que não causasse constrangimento à Marinha e à Aeronáutica por ter optado por alguém do Exército.

Desde o início de seu mandato, Temer tem dado aos militares o controle de áreas sensíveis de seu governo. De forma inédita na redemocratização, eles exercem cargos na Funai, na Abin, na Casa Civil, entre outras áreas.

A afinidade de Temer com as Forças Armadas é antiga. Como vice-presidente, ele foi escalado para coordenar o plano nacional de fronteiras, o que o aproximou dos militares.

Durante o impeachment de Dilma Rousseff, recebeu manifestações reservadas de apoio de generais de alta patente e, desde que assumiu o Palácio do Planalto, faz questão de comparecer a eventos militares.

CRISE
Em um mandato marcado por crises sucessivas, o presidente reconheceu nesta quarta-feira (13) que a sua rotina no cargo é imprevisível, com o risco diário de uma nova turbulência.

Em evento com a presença de agentes de segurança, ele comparou a sua atividade a de um secretário estadual de segurança pública, na qual uma "tranquilidade absoluta" pode se tornar em questão de horas uma "coisa explosiva".

Atualmente, além de ser alvo investigações por supostas irregularidades, ele tem enfrentado ameaça de uma nova paralisação nacional por causa da disputa entre caminhoneiros e empresários na elaboração de uma nova tabela de frete.

"A Presidência é mais ou menos como ser secretário da segurança pública. Às vezes, você chegava às 8h em uma tranquilidade absoluta e, em duas ou três horas, acontecia uma coisa explosiva e aquilo tomava o trabalho até 2h. A Presidência é mais ou menos assim. Hoje vou para lá na maior tranquilidade, mas não se sabe o que vai acontecer. Pode ser que às 12h aconteça um fato extraordinário", disse.

Em dois anos à frente do Palácio do Planalto, o presidente enfrentou duas denúncias, perdeu ministros por acusações de corrupção, teve rebeliões na base aliada e viu sua popularidade desabar. Em conversas reservadas, ele reconhece que não imaginava que seria tão difícil.

Segundo a última pesquisa Datafolha, a taxa de reprovação ao governo chegou a 82%, a mais levada desde a redemocratização do país. Ela apontou ainda que 92% não votariam em um candidato presidencial indicado por ele.
Herculano
13/06/2018 13:41
EXCLUSIVO: GILMAR REVIU DECISÃO APóS PEDIDO DE SOBRINHO DE PRINCIPAL PARCEIRO DO IDP, por Claudio Dantas, de O Antagonista.

Na semana passada, O Antagonista revelou que Sidnei Gonzalez, diretor de projetos da FGV, é vizinho de Gilmar Mendes num edifício em bairro nobre de Lisboa e que já organizou 11 seminários em parceria com o IDP.

O Antagonista descobriu agora que Sidnei tem um sobrinho advogado chamado Thiago Gonzalez Queiroz, que foi recentemente beneficiado por Gilmar num ação que chegou a seu gabinete.

O caso se refere a pedido de indenização movido pela Açopart Participações contra o BNDESPar por irregularidades na privatização da Companhia de Ferro e Aço de Vitória (Cofavi), em 1989.

A empresa alega que, depois de comprar a estatal, descobriu em sua contabilidade um passivo oculto de US$ 35 milhões - valor que, corrigido, alcança hoje a assombrosa cifra de R$ 612 milhões.

A União tentou entrar como parte interessada nos autos, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça do Rio. Recorreu então ao STJ e ao STF. Quando o recurso extraordinário chegou a seu gabinete, Gilmar o remeteu ao TRF-2 por entender que o caso seria de competência da Justiça Federal.

A decisão de Gilmar foi em agosto. No mês seguinte, o escritório de Arnoldo Wald, responsável pelo recurso, contratou o advogado Marcus Vinícius Furtado, ex-presidente da OAB.

Em novembro, Furtado passou procuração a Thiago Gonzalez Queiroz, o sobrinho de Sidnei da FGV. Eles entraram com nova petição questionando Gilmar, sob a alegação de que a União havia perdido o prazo processual e que, portanto, não caberia enviar o recurso ao TRF-2.

Em março, Gilmar reconsiderou sua decisão.

Por meio da assessoria, Marcus Vinícius disse que contratou Thiago por sua especialidade em direito empresarial. Thiago não retornou os contatos de O Antagonista.
Herculano
13/06/2018 13:34
NUNCA É FÁCIL JULGAR OS JULGADORES, por Marcelo Coelho, do conselho editorial do jornal Folha de S. Paulo

Livro 'Tanques e Togas' mostra complexas opções do STF após o golpe de 1964

Fico sempre pensando no que eu teria feito se tivesse vivido em épocas mais conturbadas do que a atual. Se fosse alemão em 1933, por exemplo. Teria apoiado o nazismo? Acho que não. Teria participado de algum movimento de resistência? Gostaria de dizer que sim, mas acho que a resposta seria negativa também.

Nem tudo precisa ser tão extremo, naturalmente. Mais aqui para perto, posso dizer com razoável certeza que não teria apoiado o golpe de 1964, e que tampouco aprovaria os que se entregaram à guerrilha.

Mas estas situações são apenas hipotéticas e, além disso, muito vagas. Se o exemplo vai ficando mais concreto, as opções éticas são mais difíceis ?"e é ainda mais difícil julgar as atitudes reais de cada pessoa no ponto exato de uma encruzilhada histórica.

Tome-se o caso do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ribeiro da Costa, na noite de 31 de março de 1964.

É esse o momento em que começa o excelente "Tanques e Togas - O STF e a Ditadura Militar", do jornalista Felipe Recondo (Companhia das Letras).

Como defensor da Constituição, um presidente do Supremo deveria, no mínimo, abster-se de qualquer apoio a um movimento militar que derrubava o presidente da República.

Ribeiro da Costa aliou-se, contudo, àqueles que Tancredo Neves xingava de "canalhas, canalhas!" na sessão do Congresso que declarou vaga a Presidência da República.

Alegou-se que João Goulart abandonara o país (na verdade, ele estava no Rio Grande do Sul) e que, portanto, o presidente da Câmara podia assumir o cargo, abrindo as portas para o regime militar.

Segundo conta o livro, em situação análoga, Ribeiro da Costa se pronunciara em favor da legalidade estrita. Em 1955, assegurou no Supremo que o presidente Café Filho, afastado por motivo de saúde, tinha o direito de reassumir o cargo. Naquela crise, o poder militar tinha as simpatias da esquerda.

Em 1964, os militares acabavam com a "baderna comunista" e Ribeiro da Costa não quis defender a legalidade civil.

Vou lendo, e condenando: "golpista... canalha...". Mas alguns meses e algumas páginas do livro se passam - e minha visão de "mocinho" e "bandido" não se sustenta mais.

O Supremo começa a decidir, com muita habilidade jurídica, contra as prisões arbitrárias do governo militar.

Concede-se um habeas corpus em favor do ex-governador Miguel Arraes, detido pelos generais. A linha-dura resiste a obedecer ao STF; "solta" Arraes, mas prende-o imediatamente em seguida pelo mesmo motivo.

Ribeiro da Costa dá uma tremenda bronca no comandante do Primeiro Exército: "Tenho por intolerável sua interpretação restritiva à soberania do Poder Judiciário. Acate, pois, aquela decisão tal como lhe foi comunicada".

Era ainda o tempo de Castello Branco: uma ditadura meio envergonhada. Não se tinha tocado em nenhum membro do STF - nem mesmo naqueles nomeados por João Goulart. Os problemas, políticos e jurídicos, dessa situação híbrida ganham narrativa claríssima de Recondo.

Vem o AI-2, que não destitui nenhum ministro do STF, mas aumenta o número dos seus membros, de modo a garantir uma maioria de gente alinhada com a "Revolução".

Só que não adianta: mesmo nas ditaduras, o fato é que, depois de empossado, o ministro faz o que quer, e não o que se espera dele. Com o AI-5, em 1968, dá-se enfim o massacre: três ministros do STF são cassados, e outros dois renunciam.

"Ah, mas o certo seria todos renunciarem", penso. Pois bem, houve os que ficaram. E foram fundamentais para salvar das grades (e de mais torturas) algumas vítimas da repressão.

Relativizo, assim, meus heroísmos de poltrona e grandes gestos retrospectivos: ao se fazer o que eu talvez considerasse incorreto, fez-se o certo também...

Eis um dado final, para que se relativizem, ademais, os "certos" e os "errados" no Supremo de hoje. Num momento de coragem contra a ditadura, três ministros do STF deram o "habeas corpus" a estudantes presos por um tribunal militar.

Os estudantes estavam havia cem dias na cadeia. Em sua defesa, argumentou-se que a investigação do caso envolvia 22 réus e 66 testemunhas. Quando terminaria todo esse inquérito? E como manter por tanto tempo esses rapazes em prisão preventiva?

Deu-se um jeito, com argumentações diversas, para acabar com aquele arbítrio ditatorial. Isso foi em 1967. Prisões preventivas longas, hoje em dia, parece que não escandalizam tanta gente - e, no STF, Gilmar Mendes paga o preço de reclamar disso.
Herculano
13/06/2018 13:29
ITAMARATY PREMIA COM óCIO ACUSADO DE ASSÉDIO, por Claudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

O País em que deputado mora na Papuda e presidiário lidera pesquisa para presidente merece mesmo que o corporativismo do Ministério das Relações Exteriores tenha premiado, com a transferência para o Escritório do Rio de Janeiro, à beira-mar, o embaixador João Carlos de Souza-Gomes, acusado de assédio sexual. Nem sequer foi mandado para o "Gaoa", depósito de diplomatas encostados no porão do anexo do Itamaraty ?" que, aliás, tem um histórico de proteger assediadores.

ASSEDIADOR DE ROMA
Souza-Gomes é acusado de assediar servidoras da Representação do Brasil junto à FAO, órgão das Nações Unidas com sede em Roma.

A SERVIÇO DO NADA
Em Brasília, o Escritório do Rio tem reputação de inutilidade: não serve nem para apoiar delegações estrangeiras que chegam no Galeão.

ENCOSTO MUITO CARO
O Itamaraty manda para o Escritório no Rio, salvo raras exceções, diplomatas encostados que não têm a dignidade de aposentar-se.

SEM DAR SATISFAÇÃO
O secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, mesmo indagado por sua assessoria, não se deu ao trabalho de explicar o prêmio ao colega até o fechamento desta edição.

SENADO TEM 81 MEMBROS, MAS PAGAMOS A 91
A Constituição prevê apenas três senadores por Estado, mas a farra do troca-troca de cargos faz com que, na prática, paguemos por 91 senadores. Além dos ministros Aloysio Nunes (Itamaraty) e Blairo Maggi (Agricultura) e do Secretário de Educação da Bahia, Walter Pinheiro (PT), que recebem seus salários pelo Senado, há mais sete parlamentares andando por aí com status de "senador licenciado".

OS LICENCIADOS
Telmário Mota (PTB-RR) pediu licença-saúde e outros seis suplentes fizeram o mesmo antes da volta dos titulares, só para manter o status.

É MOLE
Gilberto Piselo (RO) assumiu o mandato de Acir Gurgacz (PDT) por 6 dias, custou-nos R$77,6 mil, mais R$3,9 mil em passagens aéreas.

SALÁRIOS VAPT-VUPT
Os 30 suplentes que assumiram mandatos receberam dois salários de R$ 33,7 mil a título de "ajuda de custo" de início e fim de mandato.

DECLÍNIO EM 8 ANOS
Completa 8 anos nesta quarta (13) o documento a Lula, assinado por todos os diretores regionais, acusando a deterioração dos serviços dos Correios. Hoje, Lula está preso por corrupção e a estatal quebrada.

HÁ MINISTRO?
O editor Luiz Fernando Emediato (Geração) aguardava voo em Porto Alegre, nesta terça (12), quando alguém disse que ministro da Cultura (Sergio Sá Leitão) estava caindo. Sua reação: "Uai, sô! Havia um?"

MINISTRO BERTINI
Alfredo Bertini é um dos favoritos para ministro da Cultura. Currículo, tem: expert em gestão cultural, foi duas vezes secretário do ministério (Audiovisual e Infraestrutura). E apoio de prefeitos e parlamentares.

TEMER CRESCEU
Michel Temer estreou sapatos novos, solado "plataforma", que o deixa 2 centímetros mais alto. Só quem não é baixinho desdenha do súbito crescimento. Mas esqueceu de amarrar o cadarço, quando presidiu ontem a assinatura do Código de Mineração, no Palácio do Planalto.

ERRO DE DATA
O Superior do Tribunal de Justiça (STJ) tornou réu o conselheiro Manoel de Andrade, por haver votado no Tribunal de Contas do DF em "benefício próprio", como dono de licença para táxi. Só que não: foram beneficiadas licenças de 2004 para cá. A dele é datada de 1977.

VAI TER TRABALHO
A Bolívia concedeu agrément ao futuro embaixador do Brasil em La Paz, Octávio Henrique Dias Garcia Côrtes. Diplomata experiente, ele terá de lidar, coitado, com a turma do cocaleiro Evo Morales.

CORREGEDORES REUNIDOS
O ministro Humberto Martins, vice-presidente do STJ e próximo corregedor nacional de Justiça, participa nesta quarta (13), em João Pessoa, do 78º Encontro de Corregedores dos Tribunais de Justiça.

SOB NOVA DIREÇÃO
O juiz federal Fernando Mendes toma posse como presidente nacional da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) nesta quarta, em Brasília. Juiz desde 2002, ele presidiu a Ajufe-SP entre 2015 e 2017.

PENSANDO BEM...
...os elogios de Donald Trump a Kim Jong-un provam que o americano não entendeu nada e que o baixinho invocado apenas se divertia.
Herculano
13/06/2018 13:23
DELATADO, LUPI SUJA A "HEGEMONIA MORAL" DE CIRO, por Josias de Souza

Ciro Gomes, o presidenciável do PDT, adota uma retórica encrespada ao falar sobre corrupção. Chama Michel Temer de "escroque". Eleito, desmontará o MDB, porque o partido "só existe para roubar". Eventuais alianças com PP, DEM e assemelhados, só seriam cogitadas depois de um acerto com PSB e PCdoB, "porque a hegemonia moral e intelectual do rumo estará afirmada." Sempre em riste, a língua de Ciro ganhou um desafio novo. Carlos Lupi, o presidente do PDT, foi delatado como beneficiário de uma mesada de R$ 100 mil mensais fornecida pela quadrilha do ex-governador fluminense Sérgio Cabral.

Carlos Miranda, um dos principais auxiliares de Cabral, operador financeiro da quadrilha que saqueou os cofres do Rio de Janeiro, disse em delação premiada o seguinte:

1) No ano de 2012, o então secretário de governo da gestão de Cabral, Wilson Carlos, ordenou que transferisse para Carlos Lupi R$ 100 mil por mês em verbas clandestinas.

2) O dinheiro era entregue na sede do PDT por emissários de Renato Chebar, um dos doleiros que operavam para a quadrilha de Cabral.

3) Quem recebia a mesada em nome de Lupi era um personagem que o delator chamou de "senhor Loureiro", tesoureiro do PDT.

4) O mensalão de Lupi durou do início de 2012 até março de 2014.

Lupi nega os recebimentos. Sustenta que jamais manteve nenhum tipo de relação com o delator. Mas a Polícia Federal e a Procuradoria já dispõem de matéria-prima para fazer o seu trabalho. O desafio de Ciro é encaixar a sujeira sob investigação na sua fórmula da "hegemonia moral". O candidato decerto sabia dos riscos que corria ao falar de corda em casa de enforcado.

Nomeado por Lula para comandar o Ministério do Trabalho, Lupi deslizou para dentro do primeiro governo de Dilma Rousseff. Foi varrido da Esplanada dos Ministérios pela então "gerentona" em meio a denúncias de corrupção, no final de 2011. Por uma dessas coincidências implacáveis, a alegada mesada do esquema de Cabral começou a entrar no ano seguinte.

No momento, Ciro precisa de uma vacina capaz de imunizar sua campanha. Enquanto procura, talvez devesse fazer um pedido a Lupi. Diria algo assim para o correligionário encrencado: "Não diga nenhuma mentira que não possa provar."
Herculano
13/06/2018 13:21
IGNORÂNCIA, MÁ-FÉ E COVARDIA, por Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do Banco Central

...despesas com juros consomem R$ 1,00 de cada R$ 5,00 gastos pelo governo em seus três níveis. Não é pouco, mas fica muito aquém do número repetido pelos ciros e similares, o que nos leva à seguinte pergunta: trata-se de ignorância ou má-fé?...

É mentira que as despesas da dívida pública representem metade do gasto do governo, muito embora seja repetida à exaustão por candidatos que se dizem entendedores de economia, como Ciro Gomes. O truque empregado por quem quer propagar a lorota consiste em jogar no mesmo balaio o gasto com juros da dívida e o pagamento de amortizações, transações que têm natureza fundamentalmente distinta.

Para entender isto considere o seguinte exemplo (roubado, confesso, de Eduardo Gianetti). Muitos dos leitores (assim como eu) em algum momento de suas vidas alugaram um lugar para morar e pagaram ao proprietário pelo uso do imóvel. Este desembolso comprometeu parcela de sua renda.

Imagino também que, por vários motivos, inquilinos se mudaram e, claro, entregaram ao locatário o imóvel que vinham usando. Nenhum de nós, porém, considerou que devolver o imóvel alugado tenha sido uma despesa que consumiu parte da nossa renda. Nem deveria, porque não faz o menor sentido tomar como gasto o mero retorno de algo não é seu.

O pagamento de amortizações da dívida não é distinto da devolução do imóvel: o governo apenas retorna ao proprietário aquilo que não é seu, ou seja, dinheiro que tomou emprestado no passado para custear o excesso de despesas sobre suas receitas.

A diferença é apenas uma questão de prazo: o imóvel é devolvido ao final do contrato; já a dívida mobiliária federal tem prazo médio ao redor de 48 meses, ou seja, a cada ano cerca de um quarto da dívida precisa ser quitada. Isto é feito pela troca dos papagaios que vencem naquele ano por novos que vencerão dali a alguns anos, processo que é conhecido como rolagem da dívida. Como a dívida federal é da ordem de R$ 3,7 trilhões, o governo precisa rolar pouco mais de R$ 900 bilhões a cada ano.

O gasto primário (isto é, sem juros) do governo federal atingiu R$ 1,34 trilhão nos 12 meses até abril, enquanto o gasto com juros chegou a R$ 380 bilhões no mesmo período. O truque é somar aos gastos de verdade (1,34 + 0,38 = 1,72 trilhão) as amortizações, o que dá um total de R$ 2,6 trilhões. Aí considera-se o pagamento de juros e amortizações (R$ 1,3 trilhão) como "gasto financeiro" e temos uma cascata com aparência de verdade, embora seja, à luz do exemplo acima, tão falsa quanto somar o valor do apartamento devolvido como parte das despesas da família.

Por outro lado, o argumento também ignora os gastos dos demais níveis de governo, isto é, estados e municípios. No conjunto da obra o governo geral gastou no ano passado nada menos do que R$ 3,1 trilhões, algo como 47% do PIB, dos quais o gasto com juros representou pouco menos do um quinto do total.

Posto de outra forma, as despesas com juros consomem R$ 1,00 de cada R$ 5,00 gastos pelo governo em seus três níveis. Não é pouco, mas fica muito aquém do número repetido pelos ciros e similares, o que nos leva à seguinte pergunta: trata-se de ignorância ou má-fé?

Em certo sentido a resposta é irrelevante: ambas as alternativas são muito ruins, mas, se alguém estiver interessado na minha opinião, eu diria ser uma mistura equilibrada das duas.

Isto dito, é notável como nenhum dos economistas ligados ao candidato se manifestou acerca desta óbvia falsidade. Como imagino não ser por ignorância, adicionamos à má-fé outra possibilidade: a covardia, evidente no pavor de contrariar o chefe.
Herculano
13/06/2018 13:19
HÁ COISA QUE, DE TÃO óBVIAS, NEM DEVERIAM SER DITAS, MAS OS TEMPOS PEDEM: ATÉ AGORA, ALCKMIN Só NÃO DESLANCHOU PORQUE EXISTE UM BOLSONARO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Há certas coisas que estão no terreno do truísmo; de tão óbvias, nem precisariam ser mencionadas. Mas os tempos andam, vamos dizer assim, com uma certa paixão pela redundância, pela reiteração, pela explicitação do óbvio. Se é assim, vamos lá. Pergunto e respondo: por que não há um candidato de direita ou, se quiserem, de centro-direita que se mostre, ate agora, competitivo? Se é o caso de fulanizar para esclarecer, esclareçamos: por que Geraldo Alckmin (PSDB) está empacado nos 6%, 7%, e os demais candidatos que se identificam, para ser genérico, com o antiesquerdismo marcam apenas 1% ou menos? A resposta que nem precisaria ser mencionada é esta: porque existe um Jair Bolsonaro no meio do caminho.

Jair Bolsonaro, o pré-candidato, como se sabe, é mesmo um partido. O PSL lhe deu legenda. Qualquer outro poderia tê-lo feito desde que o homem pudesse exercitar o "Bolsonaleto", que é a ideoleto de? Bolsonaro. O que é um "idioleto"? É um sistema linguístico pessoal, de um só indivíduo. Se o capitão da reserva fosse um jagunço dotado de algum lirismo, poderia ser uma personagem de Guimarães Rosa. Mas o lirismo passou longe dali. A maior parte das coisas que diz não faz sentido porque não guarda conexão mínima com a realidade dos fatos. E, quando faz, o que se nota é a falência da convicção. Sempre que Bolçonaro tenta parecer tolerante, a gente constata o exercício do mau ator. Isso quer dizer que sua brutalidade é, sim, sincera. Sua tosquedade é genuína.

Jair Bolsonaro (PSL) chamou para si os votos de um eleitorado que, antes, escolhia um candidato de centro ou de centro-direita. Ocorre que votava a contragosto. Queria alguém que falasse mais claro; com "coragem" - como exaltam seus adoradores - de defender que os brasileiros se armem. Isso no país que tem, por ano, mais de 45 mil homicídios por meio de armas de fogo. Queria alguém, como escreverei?, sincero, que tivesse a ousadia de defender a tortura. Queria alguém que não dourasse a pílula, com topete para defender esterilização de pobres para diminuir a violência. Bolsonaro pode fazer tudo isso e muito mais. No seu universo mental, o estupro tem de ser repensado à luz da estuprada. Faz-se necessário examinar antes se a mulher merece ou não esse tratamento; se é bonita ou feia; se é chata ou não. Pois é. Há brasileiros que pensam isso e que gostariam de ver esses, como chamarei?, "ideais" transformados em política pública. Acredito, no entanto, que os que pensam realmente assim são menos do que os 17% que Bolsonaro já alcançou.

Bem, se o tucano Geraldo Alckmin quer ser o candidato a polarizar com um esquerdista, que estará no segundo turno, é preciso fazer o óbvio: conquistar parte considerável dos votos dos outros pré-candidatos de centro-direita e, sim, avançar sobre Bolsonaro: menos para tentar lhe tirar votos, mas também, do que para impedir que cresça como alternativa a um nome de esquerda. "Mas polarizar com Bolsonaro, Reinaldo? Um cara tão primitivo?" Pois é. É o que se tem para o momento.

O ex-governador de São Paulo deu passos nesse sentido nesta terça. Afirmou o candidato do PSDB a jornalistas: "Nós não vamos botar o hospital para funcionar à bala. Não vamos melhorar a qualidade da educação brasileira à bala. Não vamos fazer a duplicação da BR-282 e ferrovias à bala". E não vamos. É Alckmin, o nome da centro-direita com mais intenções de voto, quem tem de convencer o eleitorado não-esquerdista ?" onde há uma imensa massa ainda sem candidato ?" que é ele próprio a alternativa à volta do PT ao poder, em aliança ou não com Ciro Gomes.

É Alckmin quem tem de deixar claro que Bolsonaro é o adversário que qualquer esquerdista gostaria de ter.

Sim, o presidenciável Geraldo Alckmin terá de buscar a polarização no terreno não-esquerdista com Jair Bolsonaro, do PSL, mas é evidente que tem de se mostrar como a alternativa viável do centro. Uma das dificuldades de sua pré-candidatura, hoje, é a multiplicação de nomes que transitam na sua mesma faixa ideológica, que granjeiam coisa de 1% ou quase de votos: Rodrigo Maia (DEM), Flávio Rocha (PRB), Henrique Meirelles (MDB). A aritmética elementar indica que a simples união desses nomes àquele que, afinal, lidera esse bloco ideológico pode dar um ânimo novo na fase de pré-campanha. Sem contar que tal soma agregaria recurso e tempo de televisão. As conversas com esse fim, por enquanto, estão emperradas. Como Alckmin não deslanchou, os demais nomes encarecem a própria renúncia e o apoio ao tucano. Enquanto isso não acontece, fica mais difícil para Alckmin se mexer nas pesquisas, criando uma espécie de círculo vicioso. É por isso que estão certos aqueles que dizem que o seu papel de articulador e de líder de um consenso das forças de centro-direita já seria parte da campanha eleitoral. Tem lhe faltado esse protagonismo.

Parece-me pouco provável que o tucano Geraldo Alckmin consiga somar o senador Álvaro Dias (Podemos) a seu ambicionado consenso de centro-direita. Com seus 4%, Dias pretende, tudo indica, apresentar-se como uma espécie de reserva moral da disputa. Está num processo de construção do seu partido e não tem por que abrir mão da sua postulação. No segundo turno, a conversa é outra. Parece-me que o senador foi longe demais nas críticas aos "partidos tradicionais", incluindo o próprio PSDB, para que possa fazer um recuo. É visível que, até por ser do Paraná, tenta colar a sua imagem à Lava Jato e à chamada República de Curitiba.

Não deixa de ser curioso, não é mesmo?, o que se deu no Brasil quando analisamos os efeitos produzidos pela Lava Jato. A investigação começou na Petrobras e atingiu em cheio o PT, levando à prisão de seu líder máximo e, antes, à deposição de Dilma Rousseff. Quando se olha a coisa a partir do resultado, o que se tem é uma incrível fragmentação do campo liberal-conservador. Vale dizer: o estrago de longo prazo, para valer, se deu mais no terreno da centro-direita do que da esquerda, que, tudo comado e subtraído, continua a ser favorita na disputa.

Será assim porque a esquerda rouba menos, e a direita, mais? Os números do petrolão dizem que não. É que a esquerda soube se defender, e os outros tentaram dar piscadelas para seus algozes. Nunca funciona.
Herculano
13/06/2018 13:10
ALCKMIN ENTRA EM FASE DE SOBREVIVÊNCIA ATÉ ESTREIA NA TELEVISÃO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Tucano joga parado e mira horário eleitoral para reduzir desgaste do PSDB.

A candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) entrou na fase da sobrevivência. Sem capacidade de perfurar a apatia do eleitorado, os tucanos admitem que a prioridade do ex-governador, agora, é escapar do fogo amigo e de tiros dos rivais até o início do horário eleitoral.

A velha propaganda na TV é a boia de salvação que os tucanos enxergam, à distância. Estagnados na faixa de 7% nas pesquisas, Alckmin e seus aliados aceitam que será difícil decolar na campanha antes de levar ao ar suas primeiras peças de publicidade, em 31 de agosto.

Até lá, a principal estratégia será resistir. Embora alfinete Jair Bolsonaro (PSL) e o PT para se mostrar vivo, o ex-governador deve privilegiar a técnica que domina: jogar parado. Aliados defendem que ele se preserve para atenuar sua condição de alvo e atravessar os próximos meses.

A tática é mais uma imposição das circunstâncias do que uma escolha requintada. O tucanato acredita que Alckmin está excessivamente exposto ao desgaste sofrido pelo PSDB nos últimos anos. Sem a tribuna livre da propaganda eleitoral, não tem força para tentar se dissociar de Aécio Neves, do operador Paulo Vieira de Souza e das acusações de caixa dois que envolvem seu cunhado.

No segundo pelotão das pesquisas, o ex-governador tenta convencer seus companheiros de PSDB e dirigentes de outros partidos de que sobreviverá e terá tempo para se tornar um polo competitivo da disputa.

O objetivo é persuadir DEM, PP e PR de que uma aliança robusta garantiria tempo suficiente no horário eleitoral para atravessar a polarização entre Bolsonaro, à direita, e Ciro Gomes (PDT) e o PT, à esquerda.

Por ora, o tucano joga pelo empate. Quer seguir na disputa como a Itália de Paolo Rossi, que avançou na Copa de 1982 sem vencer nenhuma partida da primeira fase. Depois, eliminou o Brasil e foi campeã.

Há sempre o risco de terminar como o Chile de 1998, que chegou ao mata-mata após três empates. Sem empolgar, levou 4 a 1 da seleção brasileira nas oitavas e foi eliminado.
Herculano
13/06/2018 13:07
A COPA QUE ERA NOSSA, por Carlos Brickmann

Meninos, eu vi: na Copa de 62, quando nem se imaginava a transmissão direta pela TV, a Rádio Bandeirantes montou um imenso painel no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, com botões no lugar de jogadores. Pedro Luís e Edson Leite irradiavam e os botões se moviam simulando a partida. Um mar de gente, centenas de milhares de pessoas, acompanhava o painel. O Brasil foi bicampeão; e bicampeões foram os que acompanharam a Copa.

Hoje, diz o Datafolha, a maioria da população, 53%, não tem interesse pela Copa. Já surgiu a tese de que a camisa da Seleção, sendo amarela como o pato da FIESP usado nos protestos contra Dilma, perdeu prestígio. Besteira: a camisa é canarinho, amarelo-canário, e foi festejada na Copa de 1970, apesar de tentarem (sem êxito) identificá-la com a ditadura militar.

Ao contrário do que acreditam coxinhas e petralhas, o mundo não gira em torno de suas fixações. Nem tudo é política. No caso da Seleção e da Copa, há outro fator: em 58, em 62, em 70, cada torcedor conhecia cada jogador. Os convocados jogavam em seu time, ou contra ele; torcia-se pelo craque do time (e, portanto, pela Seleção). Hoje, poucos craques estão no Brasil, ou aqui se consagraram: saíram meninos e cresceram muito longe da torcida. Normalmente, têm ligação com o Brasil, mas é mais distante.

Gilmar, Nilton Santos, Didi, Vavá, Pelé, esses o torcedor conhecia e sabia onde jogavam. Responda rápido: aqui, onde jogava Roberto Firmino?

SINAL DE ALERTA

Seguidores de Jair Bolsonaro voltaram a atacar João Doria. Adversários de Bolsonaro também colocaram Doria na alça de mira. Mau sinal para o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin: indica que os concorrentes voltam a considerar provável que, diante da imobilidade de Alckmin nas pesquisas, o partido resolva trocá-lo por Doria.

Doria nega que queira ser candidato, mas essas coisas são meio complexas: se o partido lhe fizer um apelo, por que não fazer o sacrifício de atender aos pedidos e disputar a Presidência?

A TÁTICA DE ALCKMIN

Alckmin tem dito a amigos que sua tática é ficar tranquilo, sem fazer marola. Acredita que Bolsonaro já esteja batendo no teto, incapaz de chegar mais alto; acredita que o candidato do PT tenha mais chances de alcançar o segundo turno; acredita que os partidos tradicionalmente alinhados ao PSDB, que agora tentam criar um candidato de centro, acabem concluindo que este candidato já existe e é ele, Alckmin.

No segundo turno, ganharia os votos de todo o eleitorado antipetista e chegaria à Presidência. Pode ser; mas a manutenção de baixos índices nas pesquisas estimula outros partidos a tentar viabilizar novos candidatos (mesmo que sejam do próprio PSDB, como Doria). E se, de repente, Ciro Gomes atrai alguma legenda de centro?

RIR, RIR, RIR

Henrique Meirelles conta com três fatores para se transformar em nome forte: apoio da máquina do Governo, bons resultados na economia e cacife para pagar a maior parte da campanha (ou até mesmo a campanha toda). Só que o mundo não é bem assim: Michel Temer, com 3% de aprovação, sob ameaça de novo pedido de processo, não controla mais nem seus aliados próximos ainda soltos, quanto mais a máquina do Governo. Os resultados da economia são bons, especialmente considerando-se que foram obtidos em curto prazo e sob permanente crise política, mas uma ampla maioria de eleitores acha que a economia vai mal.

Até agora, Meirelles, com apelo popular nulo, não conseguiu passar ao eleitor que sua área vai melhor do que se poderia esperar. E pagar a campanha, OK. Mas fará isso mesmo sem chances de crescer? Agora, o dado humorístico: sugeriram a Meirelles que se posicione mais à esquerda. Será engraçado se ele aceitar.

A VIDA COMO ELA NÃO É

Sim, os ministros do Supremo Tribunal Federal têm à disposição um servidor que ajeita as cadeiras sempre que algum deles se senta ou levanta (naturalmente, um funcionário por ministro). Não, este detalhe não é o top da mordomia: bom mesmo é desfrutar de uma área exclusiva de embarque no Aeroporto de Brasília, pela qual o Supremo paga R$ 374,6 mil por ano.

Questão de segurança: os ministros não precisam se misturar à plebe rude para embarcar. Seu espaço fica a uns 2 km do embarque dos passageiros comuns. No momento do embarque, o ministro é levado de van até o avião e sobe por uma escada exclusiva para uma porta lateral do finger, onde finalmente (que fazer?) se mistura com os cidadãos sem toga.

Mas ainda estão sujeitos a agressões verbais de gente mal-educada, que expressa em voz alta suas restrições ao trabalho de um ou outro ministro.

BOLA DE CRISTAL

Frase do ex-presidente americano Ronald Reagan: "A política é supostamente a segunda profissão mais antiga. Vim a perceber que tem uma semelhança muito grande com a primeira".
Herculano
13/06/2018 13:01
ACALMAR O PAÍS ATÉ 2019, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Falta liderança política e social para levar um país transtornado até o próximo governo

A disputa do governo do Brasil em 2019 está na fase do vale-tudo. É o caso tanto dos candidatos para valer como daqueles que já caem pelas tabelas, para a segunda divisão dos coadjuvantes, representantes para inglês ver de grupos que procuram como se ajeitar em um barco vitorioso. "Business as usual", parece. Não é bem assim.

Gente do MDB diz, nas internas, que Henrique Meirelles será rifado, oficialmente ou na prática. O DEM-PP, na proa do centrão, procura fazer qualquer acordo. Jair Bolsonaro (PSL) pode pegar um pedaço de carne que cair desta mesa dos partidos maiores ou menos nanicos, o que lhe daria tempo de TV.

Isso é política politiqueira. Nosso buraco é mais para baixo. Candidatos para valer, PDT, PSDB, o PT e os coadjuvantes maiores aparecem com discursos e atitudes inconsequentes, dada a gravidade da crise, o risco de ingovernabilidade, na próxima Presidência inclusive.

Seria conveniente, por ora um devaneio irrealista, que o próximo presidente contasse com apoio no Congresso para arrumar a casa mesmo antes de tomar posse, ainda neste ano.

Seria prudente que lideranças assumissem a responsabilidade de levar o país em ordem até o fim do ano, mas faltam grandeza ou mesmo esperteza qualificada na praça: não há quem se dê conta dos riscos, de modo consequente. A atitude preponderante é saquear o que se pode até o fim deste governo ou de apoiar mais tumulto.

A disputa eleitoral pode causar instabilidade financeira grave; o que vemos desde maio é uma preliminar. Improvável que ocorram revoltas tão grandes quanto a do caminhonaço, mas o país está descontrolado e desconjuntado. Há possibilidade menor de tumulto político-judicial; processos contra Michel Temer tendem a ser empurrados com a barriga, mas tudo é problema neste ambiente ruim.

Trata-se de riscos, não de previsão de tumulto, mas há pouca cobertura de seguro, pois: 1) as lideranças são mesquinhas, mefíticas, incapazes ou irresponsáveis, vide a resposta de governo, Congresso, líderes partidários e da sociedade civil ao caminhonaço; 2) não há disposição para acordos ou armistícios, o clima é de vale-tudo, dane-se o que sobrar do país.

Ainda vai levar mais de mês antes que possa aparecer alguma luz. Até as vésperas das convenções, há apenas interesse bruto e cego de acumular meios de ficar no pelotão de frente das pesquisas e máquinas de apoio, com exceção de Marina Silva (Rede), que não sabemos bem o que está fazendo.

A disputa está muito aberta e, portanto, deve ser agressiva, em um ambiente de degradação partidária e sociedade desorientada.

Um petista pode ganhar de 10 a 30 pontos com um dedaço de Lula, a julgar pelo que dizem as pesquisas, o que poderia colocar pelo menos por um tempo o capitão da extrema direita e o PT na liderança, um fator de tumulto financeiro, tanto faz nossa opinião sobre a finança.

Há outros votos em disputa. Os nanicos, que muitos podem ficar pelo caminho, têm mais de 12 pontos no último Datafolha. Nulos, brancos e indecisos são um terço dos votos. Há pois muito pano para uma manga torta.

O assunto aqui não é o chute de possibilidades eleitorais, mas o risco de que a disputa política desembestada deixe o país em pandarecos, daqui em diante. Por ora, não há quase ninguém disposto a colocar ordem razoável na casa, afora defensores de trincheiras na área econômica, goste-se ou não do que eles pensam.

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