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Gaspar foi dividida para o pleito e é derrotada nas eleições de domingo - Jornal Cruzeiro do Vale

Gaspar foi dividida para o pleito e é derrotada nas eleições de domingo

08/10/2018

Da esquerda para a direita: os candidatos Marcelo de Souza Brick, PSD e Pedro Celso Zuchi, PT, com os seus padrinhos derrotados, respectivamente, Décio Neri e Ana Paula Lima, PT, e Jean Jackson Kuhlmann, PSD

Mais uma vez, nem situação, nem oposição podem comemorar. Acorda, Gaspar!

Gaspar tinha um candidato a deputado Federal: Marcelo de Souza Brick, PSD. Testado nas urnas, foi o pior, proporcionalmente, o seu desempenho do que quando candidato a prefeito quando chegou em segundo lugar – na frente, inclusive do PT que tentava emplacar Lovídio Carlos Bertoldi, como sucessor do reeleito Pedro Celso Zuchi.

Brick conseguiu na cidade 10.009 votos, ou seja 29,98% dos 33.385 votos válidos desta eleição para Federal, num colégio de 46.254 eleitores.

É pouco. O teste deveria - nas atuais circunstâncias para deputado Federal - começar aos 50% do eleitorado. Agora, há desculpas. Entre elas de que não trabalhou para se eleger, apenas para “ocupar espaços”. No estado todo, Brick conseguiu 12.511 votos.

Dois fatos estão bem claros para ele e seu grupo: uma eleição não é uma brincadeira e tem consequências. Pode ser uma armadilha no presente e perigosamente, no futuro. E sem trabalho, uma marca dele, não se chega a lugar nenhum, mesmo com muita sorte que sempre a acompanhou. A beleza e charme acabam um dia. E as chances que a vida nos reserva, normalmente, também.

A primeira consequência dessa “falta de empenho” é que Brick ficou sem trabalho. Ele, entretanto, tem mais uma chance, se trabalhar para isso. É que o seu padrinho o deputado Jean Jackson Kuhlmann, PSD, de Blumenau, onde foi derrotado duas vezes seguidas para prefeito, não se reelegeu. E pelo visto, também na dobradinha, pouco o ajudou nos votos de fora de Gaspar.

Agora, ambos, vão se agarrar aos santos empregadores deles e de políticos desocupados que sobraram. Os santos são Gelson Merísio, PSD, e João Pedro Kleinubing, DEM, onde Brick estava com um pé. Mas, Merísio tem um discurso de enxugamento da máquina pública derrubada pelos governos das duplas MDB – Luiz Henrique da Silveira, falecido – e Raimundo Colombo, morto no domingo nas urnas.

Se Merísio continuar com esse discurso, e agora mais necessário diante de um oponente que não precisa dele e carrega intrinsicamente este emblema, ambos terão que fazer uma reciclagem para disputar uma vaga no mercado de trabalho. A conferir.

O RETRATO EMBAÇADO DE ZUCHI E OS PADRINHOS LULA E OS LIMAS

Outro que se saiu mal na foto na Gaspar dividida, que ele próprio sempre a quis assim, para então da divisão, sempre se sair com chances, foi o ex-prefeito de três mandatos, que fez o PT nascer aqui, que não conseguiu fazer o seu sucessor na última eleição, Pedro Celso Zuchi.

Zuchi foi a deputado estadual. Soldado, alistou-se no grande esquemão dos seus padrinhos, o deputado Federal e presidente do diretório estadual do PT, Décio Neri de Lima e sua mulher, a deputada estadual, Ana Paula Lima. Todos fervorosos devotos do santo produtor de votos postes, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, mas atualmente cumprindo pena em Curitiba, por diversos crimes decorrentes da sua má ação em cargos públicos.

E tudo se saiu pior do que planejou e esnobou pelo PT de Gaspar, de Santa Catarina e Zuchi.

Quando foi para a rua, Zuchi não enxergou direito o mau tempo originado exatamente pela atuação dos seus gurus e padrinhos que tanto defendeu, entre eles, a própria ex-senadora Ideli Salvatti, outra referência dele, a tal ponto de um dia no final de setembro de 2010, sair de um computador da prefeitura de Gaspar que dirigia, uma pesquisa falsa às vésperas das eleições para animar a militância e eleitores analfabetos, ignorantes e desinformados.

Para encurtar: Zuchi obteve em Gaspar neste domingo apenas, repito, apenas 9.722 votos, ou seja 29,03% dos votos válidos, de um total que conseguiu no estado 12.137 votos. O grande líder, mostrou-se murcho. E como no caso de Brick, padrinhos e o grande esquemão do PT, pouco lhe ajudaram fora de Gaspar.

Lições? Muitas.

Entretanto, os petistas não são muito afeitos a isso. Escrevi ontem e corrigi hoje na área de comentários, que “a desculpa do amarelo, é que ele dorme com os pés descobertos”. Só para lembrar: a primeira cor que o PT usou para entrar em Gaspar e Blumenau foi o amarelo e não exatamente o vermelho raiz.

Ouvi ontem, depois da apuração, uma gravação do próprio Zuchi analisando o seu entediante e preocupante desempenho eleitoral por aqui. Atordoado disse ele que à falta de votos deveu-se ao que ouviu na campanha dos próprios gasparenses: não votariam nele, porque o querem candidato e prefeito eleito em 2020. Você acredita nisso?

RIA MACACO. O RABO É LONGO, MAS O GALHO É FRÁGIL

Então repito o que escrevi ontem à noite, corrigi hoje, e que muitos já leram.

Essa gente trata todos como analfabetos, ignorantes e desinformados. Impressionante. O mundo mudou. Então está na hora de uma autocritica sob pena de se terminar muito rapidamente os estoques de desculpas esfarrapadas.

Uma eleição – a de deputado - não exclui outra – a de prefeito daqui a dois anos. Ao contrário. É a reafirmação da força política e eleitoral do grupo que o cerca. Sempre foi assim. E apesar das mudanças, assim será.

Era hora de Zuchi, seu grupo e seu eleitorado insatisfeito com a atual gestão – como insinuou - mostrarem força, mesmo com o PT todo manchado. Era só usar, como usou esse mote. E não colou: nem para ele, nem para Brick. Afinal, o PT vende que em Gaspar há uma marca Zuchi de sucesso. Testada, dessa vez não atraiu muita gente.

Entretanto, esses minguados votos que Zuchi recebeu por aqui, podem sinalizar, como sinalizou, que algo não está bem no retrato atual do que Zuchi fez e deixou como legado, imagem e neste momento para os gasparenses. Ao menos, não foram reconhecidos nas urnas no domingo

Esta eleição, foi para Zuchi e o PT uma pesquisa em tempo real: a urna. E ela não é boa. E pode mudar? Pode! Vai depender dele e da continuidade no nível de zombaria do atual governo liderado pelo MDB e PP – Kleber Edson Wan Dall e Luiz Carlos Spengler Filho, respectivamente -, bem como de outras circunstâncias que ainda se definirão no segundo turno para o governo do estado e brasileiro. É cedo demais para traçar os quadros futuros.

Volto ao angu local. Zuchi deveria ter respondido à pergunta do seu interlocutor da seguinte forma:

- O jogo é jogado. Joguei e perdi. Mas, não fui derrotado. Estou vivo. Aprendi a lição. Vou mudar. Dois fatores foram preponderantes para o resultado aquém do que planejamos. O primeiro é que ninguém aguenta mais o PT e fui tragado pela onda do Bolsonaro e da Lava Jato. E para completar, o trabalho do MDB e PP de Gaspar foi bem feito para neutralizar o voto útil dos gasparenses num candidato da cidade, como eu, que já fiz isso no passado quando o PP criou o candidato de Gaspar, que quase se elegeu, Pedro Inácio Bornhausen”.

Então volto finalizo. Gaspar unida teve na sua história um deputado estadual: Francisco Mastella, com domicílio eleitoral aquei e quase um outro, Pedro Bornhausen, nascido aqui. O resto são experiências da divisão, a melhor marca de Gaspar, por enquanto.

TRAPICHE

Ainda vou escrever sobre os perdedores individuais nessa cidade fragmentada por diversos interesses e vaidades. Ilhota, por outro lado, teve mais coerência no desempenho de suas lideranças. Aguardem!

Curiosidade. Francisco Mastella (deputado) e Francisco Hostin (prefeito de Gaspar), quando eleitos pelo PDC, tinham o número 17.

É extremamente preocupante o que se fez nestas eleições em Gaspar. O deputado federal reeleito, Rogério Peninha Mendonça, MDB, usou uma lista de verbas de emendas parlamentares que teria mandado para Gaspar.

É do jogo. Mas, perigoso se a Justiça Eleitoral resolver olhar com lupa esse tipo de propaganda enganosa. Algumas ele só as pediu, mas aqui nem chegou ainda. E sem não chegar?

A mesma coisa aconteceu, com o reeleito deputado estadual e que já foi secretário de Infraestrutura, Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, MDB, lá do Sul do estado. A verba que ele disponibilizou para o asfaltamento de parte da Rua Pedro Simon, na Margem Esquerda, não chegou aqui. Se perdeu na burocracia.

Duas coisas aconteceram: a primeira é que se escondeu isso e se fez a obra com recursos próprios do município. E para a enganação ser maior, o governo do MDB de Gaspar a colocaram no tal projeto “Avança Gaspar” que nem aprovado na Câmara estava. E quando a verba chegar, se chegar? Haverá contabilidade criativa?

Com a derrota de Mauro Mariani, MDB, perdeu a esperteza montada pelo Mariani para ser candidato atropelando fatos e atos; o governo de Gaspar perdeu aquilo que já não tinha: tesão pelo candidato e agora está livre para ir de Comandante Moisés; perdeu o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, que tinha proximidade muito antiga com Mariani, quando o MDB tinha vetado o nome dele na corrida pela Câmara.

Uma constatação e repetição óbvia. As redes sociais e principalmente os aplicativos de mensagens, com suas fake news, deram um banho nesta eleição. E em muitos casos, de desonestidade.

Na mídia tradicional, há séculos, existem várias seções que dividem as notícias, como economia, sociedade, política, cidade, polícia. Agora, é obrigatório se criar, urgentemente, outra para mostrar o que acontece nas trevas da internet. Vai ser sucesso. Vai ser esclarecedora. É necessário.

Uma pena que os jornalistas, cientistas políticos e a polícia ainda não se deram conta deste novo submundo, que pretende ter até um ministério no futuro governo para promover as notícias falsas, a se julgar pelo aconteceu nesta eleição e os discursos fundamentalistas de perdedores, mesmo ganhando.

Quer um exemplo simples do que se entranha perigosamente na sociedade feita de manipuladores? A notícia está nas páginas dos portais e jornais deste domingo e segunda-feira. Uma mesária foi presa interior do Paraná. Ela, do seu aplicativo, na sala de votação onde estava lotada, espalhava notícia de que a urna que cuidava, nascera com os votos preenchidos. Insistia.

Quando a polícia e os prepostos da Justiça Eleitoral chegaram lá para verificar esse fato gravíssimo, constataram que nada disso era verdade. Mais: a própria mesária que denunciava esse fato, assinou a ata que provava a abertura zerada da urna eletrônica que ela dizia estar preenchida de votos.

Este é apenas um exemplo. Há milhões. E alimentam as fantasias, a doença e os discursos de espertos, manipuladores de fanáticos, analfabetos, ignorantes, desinformados e os de intencionalmente má-fé. Como gente com essa índole criminosa, pode governar alguma coisa? Wake up, Brazil!

 

Comentários

Herculano
09/10/2018 09:37
PASTOR "EX-GAY", HERDEIROS POLÍTICOS E BOLSONARISTAS EMCABEÇAM LISTA DE CAMPEõES DE VOTOS NA CÂMARA

Conteúdo do Congresso em Foco. Texto de Edson Sardinha. Ao se reeleger com 1.843.735 votos, Eduardo Bolsonaro (PSL) entrou para a história da Câmara. Foi a maior votação já obtida por um deputado, superando o recorde alcançado em 2014 por Celso Russomanno (PRB-SP). Escrivão da Polícia Federal, o filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) carrega três marcas que distinguem muitos dos campeões de voto destas eleições: é de uma família de políticos, atua na área da segurança pública e apoiador do candidato mais bem colocado no primeiro turno da eleição presidencial, o seu pai, Jair Bolsonaro (PSL).

Dos 27 mais votados em cada unidade federativa, ao menos 11 têm histórico familiar na política, seis são policiais ou militares e dois apresentam programas policialescos de TV. Percentualmente, porém, ninguém obteve votação maior do que João Campos (PSB-PE). Aos 23 anos, o filho do ex-governador Eduardo Campos (PSB) recebeu mais de 460 mil votos (10,63% dos votos válidos).

Em agosto de 2014, a vida do "menino de Eduardo" - alcunha com que João se apresentou na campanha eleitoral - mudou radicalmente quando, em plena corrida presidencial, seu pai morreu em um acidente de avião em Santos (SP). Começava a jornada do então estudante até ocupar o lugar que seria da mãe, Renata Campos, no PSB. Ela optou por ficar fora da vida pública, frustrando os planos do partido, de forma que coube a João vocalizar o legado do ex-governador.

João Campos teve estrutura de gente grande na campanha, com mais de R$ 1,5 milhão para gastar e o apoio de políticos de proa da política pernambucana, numa lista que reúne deputados, vereadores e prefeito. Recebeu do correligionário Paulo Câmara, reeleito governador de Pernambuco no primeiro turno, todo o amparo para disputar o pleito. Engenheiro civil, diz que centrará esforços em três frentes durante seu primeiro mandato, além da própria valorização da atividade política: educação, geração de empregos e defesa dos recursos hídricos.

"Ex-gay" e "doido de Salvador"

Pastor e militar, o campeão de votos na Bahia é um deputado estadual que declara ser um "ex-gay curado por Deus". Candidato a prefeito da capital baiana em 2016, Pastor Sargento Isidório (Avante) se apresentou durante aquela campanha como o "doido de Salvador". Não se elegeu. Mas, no último domingo, foi o campeão de votos da nova bancada federal da Bahia ao receber 323.241 votos. Por tabela, elegeu João Isidório, seu filho, deputado estadual.

O pastor é conhecido por carregar a bíblia debaixo do braço, a exemplo do deputado Cabo Daciolo (Patriota), que concorreu à Presidência da República, e por defender a controversa "cura gay", bandeira de integrantes da bancada evangélica.

O PSL, de Jair Bolsonaro, foi o partido que mais fez campeão de votos. Além do novo recordista Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a legenda também teve o candidato mais votado em Goiás, com Delegado Waldir, em Mato Grosso, com Nelson Barbudo (PSL), em Minas Gerais, com Marcelo Alvaro Antônio, e no Rio de Janeiro, com Hélio Fernando Barbosa Lopes, um subtenente do Exército nego que fez campanha usando emprestado o sobrenome Bolsonaro.

Lista completa dos senadores e deputados federais eleitos em 2018

Saiba mais sobre os donos das maiores votações nos estados:

ACRE

Mara Rocha (PSDB) - 40.047 votos (9,42%)
Estreante na política, é empresária e jornalista

ALAGOAS

JHC (PSB) - 178.645 votos (12,25%)
Reeleito, é filho do ex-deputado João Caldas

AMAPÁ

Camilo Capiberibe (PSB) - 24.987 (6,85%)
Ex-governador do Amapá, é filho da deputada Janete Capiberibe (PSB) e do senador João Alberto Capiberibe (PSB)

AMAZONAS

José Ricardo (PT) - 197.266 (11,20%)
Deputado estadual, fará sua estreia no Congresso

BAHIA

Pastor Sargento Isidório (Avante) - 323.241 (4,72%)
Deputado estadual, o militar e religioso fará sua estreia no Congresso. Elegeu neste domingo o filho
João Isidório deputado estadual

CEARÁ

Capitão Wagner (Pros) - 303.593 (6,61%)
Deputado estadual, ganhou notoriedade em 2011, quando liderou uma greve da Polícia Militar

DISTRITO FEDERAL

Flávia Arruda (PR) - 121.340 (8,43%)
Empresária, faz sua estreia na política. É casada com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto
Arruda (PR)

ESPÍRITO SANTO

Amaro Neto (PRB) - 181.813 (9,41%)
É deputado estadual e apresentador do programa Balanço Geral, da Record em Vitória

GOIÁS

Delegado Waldir (PSL) - 274.406 (9,05%)
Pela segunda vez consecutiva foi eleito o deputado mais votado do estado. É delegado da Polícia
Civil e integra a chamada bancada da bala no Congresso

MARANHÃO

Josimar Maranhãozinho (PR) - 195.219 (5,98%)
É empresário e deputado estadual

MATO GROSSO

Nelson Barbudo (PSL) - 126.249 (8,52%)
Produtor rural, foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro em Mato Grosso. Ficou conhecido nas redes sociais com críticas ao governo federal, ao PT e aos sem-terra

MATO GROSSO DO SUL

Rose Modesto (PSDB) - 120.901 (9,75%)
Vice-governadora do estado e professora

MINAS GERAIS

Marcelo Alvaro Antonio (PSL) - 230.008 (2,28%)
Deputado reeleito, é empresário. Em 2014 foi apenas o 49ª da lista de 53 deputados eleitos por Minas
Gerais. Filho do ex-deputado estadual Álvaro Antônio Teixeira Dias

PARÁ

Edmilson Rodrigues (Psol) - 184.042 (4,65%)
Deputado reeleito e professor, já foi prefeito de Belém pelo PT

PARAÍBA

Gervásio Maia (PSB) - 146.860 (7,38%)
É o atual presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba. É da tradicional família política nordestina Agripino Maia

PARANÁ

Sargento Fahur (PSD) - 314.963 (5,49%)
É policial militar aposentado

PERNAMBUCO

João Campos (PSB) - 460.387 (10,63%)
Filho do ex-governador Eduardo Campos (PSB), falecido em um desastre aéreo em 2014, é engenheiro
civil recém-formado. Bisneto de Miguel Arraes, é primo em segundo grau de Marília Arraes (PT), dona da segunda maior votação da bancada pernambucana

PIAUÍ

Rejane Dias (PT) - 138.800 (7,76%)
Reconduzida a um novo mandato, é casada com o governador reeleito do Piauí, Wellington Dias (PT). É formada em Administração

RIO DE JANEIRO

Helio Fernando Barbosa Lopes (PSL) - 345.234 (4,47%)
Subtenente do Exército, usou o sobrenome Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Divulgou vídeo recentemente para se apresentar como prova de que o presidenciável, seu padrinho político, não é racista

RIO GRANDE DO NORTE

Benes Leocadio (PTC) - 125.841 (7,82%)
Ex-prefeito do município de Lajes, é servidor público estadual

RIO GRANDE DO SUL

Marcel Van Hattem (Novo) - 349.855 (5,99%)
Suplente de deputado estadual, é cientista político e tem 32 anos. É considerado uma das principais lideranças da juventude de direita no estado. Trocou o PP pelo Novo em março

ROND?"NIA

Léo Moraes (Podemos) - 69.565 (8,88%)
É deputado estadual e advogado

RORAIMA

Haroldo Cathedral (PSD) - 14.751 (5,45%)
Empresário do ramo da educação, é proprietário da Faculdade Cathedral, da qual tomou emprestado o sobrenome político. Foi cotado para disputar o governo de Roraima pelo grupo político do senador Romero Jucá (MDB)

SANTA CATARINA

Hélio Costa (PRB) - 179.307 (5,05%)
É apresentador do programa de TV Cidade Alerta Santa Catarina, da RIC Record

SÃO PAULO

Eduardo Bolsonaro (PSL) - 1.843.735 (8,74%)
Filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), alcançou a maior votação da história da Câmara, marca que pertencia a Celso Russomanno (PRB-SP), com 1.524.361 votos. É escrivão da Polícia Federal e integrante da bancada da bala no Congresso

SERGIPE

Fábio Mitidieri (PSD) - 102.899 (10,30%)
Reeleito, é administrador e filho do deputado estadual Luiz Mitidieri

TOCANTINS

Tiago Dimas (SD) - 71.842 10,03%
Filho do prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, tem curso superior incompleto
Herculano
09/10/2018 07:18
A VOZ DO POVO NÃO É MAIS DO PT. É DO ADVERSÁRIO

O ex-metalúrgico e sindicalista Lula, chegou à presidência da República usando uma linguagem simples, direta, chula e de enfrentamento própria do sindicalismo "de resultados".

Resumindo: Luiz Inácio Lula da Silva tinha o domínio da comunicação às ideias e ao marketing dos sabidos que o alimentavam por interesses, poder e pura enganação.

O MDB, PSDB, DEM, PP..., que representaram sempre a política tradicional, quase sempre foram interlocutores distantes no uso da linguagem das massas. Valeram-se de suas estruturas de poder para substituir essa "distância" na comunicação popular e com ela, falar, convencer e emocionar eleitores.

Agora o PT tem um sabido como candidato, um bem formado na academia, a mesma que alimentava nos bastidores a voz popular de Lula, Fernando Haddad, o poste. Haddad não possui nem a linguagem, nem o cacoete do povo que usou e manipulou fartamente, e constituída na maioria de analfabetos, ignorantes e desinformados.

E quem a tem, mas de outra forma, estampando a condenação à roubalheira instalada pelo PT, seus sócios da direita, do centrão e a esquerda do atraso, é exatamente o adversário do PT de hoje, Jair Bolsonaro, PSL, então tão nanico como o PT em seus primórdios.

Bolsonaro possui a linguagem direta e impositiva - sugerindo solução na marra - tão comum da caserna de ondem é originário. Resumindo: cada um, Lula e não mais o PT, Bolsonaro e seus seguidores, ao seu modelo, consegue se comunicar tão direta e claramente com seu público.

Leia esse post de Bolsonaro, feito ontem na sua conta do twitter, depois que Fernando Haddad foi ao presídio de Curitiba receber instruções de Luiz Inácio Lula da Silva, e veio com discursos recheados de pegadinhas e espertezas. É preciso escrever mais?

"O pau mandado de corrupto me propôs assinar 'carta de compromisso contra mentiras na internet'. O mesmo que está inventando que vou aumentar imposto de renda pra pobre. É um canalha! Desde o início propomos isenção a quem ganha até R$ 5.000. O PT quer roubar até essa proposta".

E colou, um meme da militância do PT postado nas redes sociais e aplicativos de mensagens sobre o tema. Aliás, nesse quesito, a rede de apoiadores de ambos foi fértil e produziu informações falsas a rodo.
Herculano
09/10/2018 06:50
CAMPANHA DE BOLSONARO MUDOU A FORMA E O CONTEÚDO DA ELEIÇÃO, por Marco Aurélio Ruediger, chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP), para o jornal Folha de S. Paulo

Líder no primeiro turno altera o formato de fazer campanha e gerar mobilização

Dois dias após a eleição que mudou o país, e que terá impacto global na sequência de eleições mundiais afetadas pelas redes sociais, a ressaca do maremoto político de 7 de outubro ainda é grande. Falamos em colunas anteriores tanto da polarização como do conteúdo simbólico e sociológico das redes sociais. Falamos, também, de sua gigantesca influência no ambiente político, pela construção de narrativas eficientes em tempo real. Alertamos ainda sobre bots e fake news, e das perturbações potenciais ao processo de escolhas públicas e de votação.

Acompanhando o Twitter, já durante o debate na quinta-feira (4), verificamos que Bolsonaro, que sempre esteve na frente nas redes até então, ampliou ainda mais sua vantagem frente aos demais concorrentes, atingindo médias equivalentes ou acima de 100 mil tuítes por hora. Ele não participou do debate na Globo. No horário, foi veiculada uma entrevista sua para a Record. Essa margem de crescimento se estabeleceu na última semana e durou até a votação no domingo.

Observando o Facebook desde setembro, vemos outro quadro ainda mais revelador. Bolsonaro havia estabelecido uma muralha de engajamento e de atração de perfis em patamar imensamente maior que a soma dos outros candidatos. Esse domínio - que em gráfico aparenta um curioso formato do Pão de Açúcar - teve um pico menor no dia 1º de outubro e outro maior no dia 4, na quinta. Houve um volume total de 13,9 milhões de interações nas publicações de Bolsonaro na rede, com seu ápice durante o debate, quando chegou a atrair 430 mil interações em média por postagem.

Suas inserções nas redes não se resumiram a essas duas plataformas. Tiveram impacto demolidor também nas listas de mobilizadores no WhatsApp, que selaram uma estratégia que prescindiu dos meios tradicionais de TV e da estrutura partidária. Isso muda completamente a forma de fazer campanha, gerar mobilização e engajamento.

Claro, houve a mensagem e sem a correta envelopagem isso não seria possível. Ao construir um discurso moralista com base na questão da corrupção e da segurança pública como metatemas, Bolsonaro produziu sínteses que atingiram os brasileiros, a despeito de seu viés ultraconservador. A partir disso, abriu outras frentes por esse viés, trazendo a questão da Venezuela, da economia e do antipetismo, apresentando-se como o único capaz de higienizar a política e a vida pública.

Mas houve também o senso de timing. Com discurso construído desde 2014, intensificado em 2016, no impeachment, e turbinado em 2018 pelas redes, houve tempo para Bolsonaro consolidar e possibilitar conversões. Milhões delas. Outros, como Ciro Gomes, intensificaram sobremodo sua presença nas redes, mas tardiamente.

Ciro logrou o segundo lugar virtual na busca de última hora de parte do eleitorado por uma terceira via, ainda assim muito distante, atingindo, antes do início da votação, a marca de 547 mil tuítes. Bolsonaro já estava em 1,5 milhão.

Para nossa surpresa, esse potencial impacto foi negligenciado por analistas e pelas campanhas. No caso de alguns analistas, percebe-se que erraram em suas previsões por desconsiderarem o impacto das redes.

Fixaram-se numa abordagem retrô, na qual o tempo de TV e estruturas partidárias tradicionais eram os fatores preponderantes da equação. Essas análises permearam a estratégia de varias campanhas, que buscaram por aí mudar seu destino na esperança que o tempo diferenciado de mídia seria definitivo para reverter o jogo. A esfinge não foi decifrada e os engoliu.
Herculano
09/10/2018 06:43
NO JN, BOLSONARO FOI INTEIRAMENTE BOLSONARO E HADDAD FOI MENOS LULA, por Helena Chagas, em Os Divergentes

Os próximos vinte dias, recheados de entrevistas e debates, prometem. Em poucos minutos do Jornal Nacional desta noite, Jair Bolsonaro acertou um direto no queixo de seu vice, general Hamilton Mourão, afirmando que lhe falta tato e experiência política e considerando infelizes suas declarações sobre autogolpe e uma nova constituição feita por notáveis. Segundo Bolsonaro, embora ele seja capitão e Mourão general, quem vai mandar é ele, se for eleito presidente. Foi uma pequena amostra do que virá ainda pela frente na campanha.

Bolsonaro tentou tranquilizar os que vêem riscos à democracia com sua eleição, assegurando que será um "escravo da nossa Constituição",embora já tenha anunciado proposta de mudança para reduzir a maioridade penal. Propôs ainda que o país, segundo ele "dividido pela esquerda", seja pacificado, "sob as cores da nossa bandeira verde e amarela e do hino nacional", embora tenha pregado a necessidade de um governo com autoridade.

Ao agradecer os votos recebidos no primeiro turno,dirigiu-se diretamente aos evangélicos, aos setores da agricultura, às Forças Armadas, à família brasileira e aos caminhoneiros. Aproveitou para anunciar uma série de negativas: não vai acabar com o bolsa família, não vai aumentar o imposto de renda, não vai recriar a CPMF.

Se, no JN desta segunda, Bolsonaro foi mais Bolsonaro do que nunca, Haddad foi menos Lula do que sempre. O candidato do PT, em nova estratégia, não deu boa noite a Lula e nem citou o ex-presidente. Focou sua fala sobretudo na comparação entre os projetos, identificando o seu com a social democracia, a inclusão, emprego e educação. Alertou para o risco da perda de direitos sociais e trabalhistas. Não teve inibição em dizer que reviu a polêmica proposta de criar condições para uma constituinte, informando que vai propor as reformas por emenda constitucional mesmo.

Defrontado com situação semelhante a de Bolsonaro em relação a Mourão a respeito de uma afirmação de José Dirceu sobre tomar o poder, foi mais diplomático, mas firme: "o ex-ministro não participa da minha campanha, não participará do meu governo e eu discordo da formulação da frase".

O JN fez perguntas incisivas aos candidatos, sobretudo em relação a riscos à democracia, mas não foi nem de longe tão duro quanto nas entrevistas anteriores. Haddad parecia ter levado mais sorte ao ser perguntado por Renata Vasconcelos, enquanto o entrevistador de Bolsonaro foi William Bonner. Mas ambos estavam visivelmente mais comedidos.
Herculano
09/10/2018 06:40
AOS DESINFORMADOS

De Guilherme Fiuza, do Gazeta do Povo, de Curitiba, no twitter

Eis a maior e mais antiga fake news brasileira: o Nordeste foi valorizado pelo PT. Fora a miséria causada pelo assalto do partido aos cofres públicos, os nordestinos foram roubados em sua fé, levados a crer num populista messiânico que está preso por enganar seu povo.
Herculano
09/10/2018 06:38
'MAPA DA DERROTA' COMPROVA OS ERROS DE ALCKMIN, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O PSDB desperdiçou mais da metade da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin, de 31 de agosto a 4 de outubro, contra adversários: 21,9% foram de ataques a Jair Bolsonaro, 465 inserções no total, que apesar disso não parou de crescer, e 4,7% criticaram Haddad, reduzindo-o a "linha auxiliar" do PT. Alckmin gastou somente 1,2% da propaganda para tratar de Desemprego e 3,5% para Saúde, segundo Relatório de Inserções da FW Spot, empresa em "checking de mídia".

BATEU POUCO NO PT
Críticas ao PT de Haddad, rival histórico do PSDB, consumiram apenas 99 dos 2.123 programas de TV exibidos na campanha.

BATEU MUITO NO PSL
Alckmin bateu em Bolsonaro usando 1.277 inserções na TV, mas a estratégia parecia feita à medida para ajudar Haddad a ir ao 2º turno.

CANDIDATO MINIMIZADO
O PSDB fez 623 propagandas atacando Bolsonaro e Haddad (29,3% do total) e apenas 80 (3,8%) levantando a bola do próprio candidato.

IMPORTANTE ERA CRITICAR
Tema fundamental, Economia mereceu só 0,6% da campanha eleitoral de Alckmin na TV. Segurança/criminalidade, raquíticos 5,6% do total.

EMPRESAS DO 'MINHA CASA' FINANCIAM EX-MINISTRO
A campanha do deputado Bruno Araújo (PSDB) ao Senado, em Pernambuco, recebeu doações de mais de R$400 mil de donos da MRV e da Cury Construtora de duas das principais empresas que receberam financiamentos para o "Minha Casa Minha Vida". Como titular do Ministério das Cidades desde o início do governo Temer até novembro de 2017, Araújo comandou o programa que usou R$106 bilhões do FGTS para financiar o programa habitacional federal.

MÃOS ABERTAS
Rubens Menin, dono da MRV, generoso, desembolsou oficialmente R$250 mil, enquanto Fabio Cury, da Cury Construtora, R$163 mil.

DISTRIBUIDOR DE DINHEIRO
Rubens Ometto, rei das distribuidoras de combustíveis, sabe-se lá por que, também deixou R$100 mil para a campanha de Bruno Araújo.

SEM EXPLICAÇõES
A assessoria alegou que Menin está no exterior, tampouco Cury foi encontrado. Bruno Araújo e sua assessoria não retornaram às ligações.

ZERO UM EM CAMPANHA
Companheiros de caminhada, principalmente os vinculados à caserna, tratam Jair Bolsonaro por um apelido comum entre militares, e celebrizada no "Tropa de Elite", filme de José Padilha: "Zero Um".

REDE FURADA
O revés de Marina Silva, com 1% dos votos, pode representar o começo do fim do seu partido. A Rede não atingiu a cláusula de desempenho e, já a partir de 2019, perderá tempo de TV.

RENAN SE DEU BEM
O capitão do Exército Renan Contar circulou o Mato Grosso do Sul em uma moto, abraçado à bandeira de Bolsonaro. Acabou como deputado estadual mais votado. Seus 77.802 votos o elegeriam deputado federal.

PSL EM ALTA
O PSL pode ser o destino para deputados que podem perder os partidos, fulminados pela cláusula de barreiras, num eventual governo de Jair Bolsonaro. Partido de presidente sempre atrai muita gente.

DESPREZO PELA ELEIÇÃO
Supera os 10,6 milhões o número de eleitores que votaram branco, nulo ou não votaram no estado de São Paulo, quase 36% de todos os eleitores. João Dória (PSDB), que venceu, teve 32% dos votos.

ESTACIONADO NO RANKING
O Brasil ocupa a 161ª posição no Ranking de Presença Feminina no Poder Executivo, entre 186 países, com apenas uma governadora, Suley Campos (RR). O ranking não vai melhorar: a única mulher que pode virar governadora em 2019 é a potiguar Fátima Bezerra (PT).

SEMPRE NA ABA
O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) foi o último a garantir vaga na Câmara. Teve votação de vereador, 24 mil votos, mas foi salvo pelo voto de legenda. Em 2022 terá de se virar, com o fim das coligações.

LIMPA GERAL
Circula nos corredores da Câmara a lista de partidos que, alvejados pela cláusula de barreiras, podem sumir: Rede, Novo, PTC, PMN, PRP, PV, Avante, PCB, PSTU, PRTB, DC, PCO, PPL, Patriota, Pros e PMB. Ficarão sem tempo de TV e sem os fundos partidário e eleitoral.

PENSANDO BEM...
...a novela brasileira ganhou uma (pequena) extensão
Herculano
09/10/2018 06:28
TERREMOTO NAS URNAS AINDA TERÁ ABALOS SECUNDÁRIOS SOBRE OS PARTIDOS, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Com caciques fracos, votação de projetos pode ter negociação custosa no varejo

O terremoto que derrubou velhos políticos e provocou uma redistribuição de forças no Congresso no domingo ainda deve produzir abalos secundários. O poder de caciques, líderes e partidos ficou abalado. A lógica das futuras campanhas eleitorais e da composição de governos será posta à prova.

A estrutura das siglas, a hierarquia e a disciplina se tornaram acessórios nessa disputa. Jair Bolsonaro (PSL) se lançou à Presidência por uma legenda nanica e conseguiu 49 milhões de votos. Em muitos estados, candidatos esnobaram orientações de dirigentes e fizeram campanha com rivais de seus próprios partidos.

Deputados e senadores alinhados com os ideais de uma sigla sempre foram exceções. Ainda assim, as legendas conseguiam garantir a fidelidade de seus quadros com a distribuição de algumas recompensas, como cargos em governos e na estrutura partidária, além do financiamento de suas eleições.

Desta vez, o dinheiro das legendas valeu menos para as campanhas dos candidatos do que as ondas provocadas por figuras como Bolsonaro e Lula. Alguns deputados eleitos pelo PSL mal devem conhecer os integrantes do comando da sigla.

O próximo governo precisará formar maioria em um Legislativo composto por muitos políticos que estão filiados a suas legendas por mera formalidade. O intrépido Kim Kataguiri, recém-eleito deputado pelo DEM, ignorou sua legenda para se lançar à presidência da Câmara. "Não preciso da autorização de ninguém. Meu partido é o MBL", disse.

Como a influência de líderes sobre as bancadas deve diminuir, a aprovação de projetos dependerá de negociações custosas no varejo, um a um. Na melhor hipótese, parlamentares poderiam cruzar fronteiras partidárias para votar em bloco alguns temas, mas se dispersariam depois.

Por maior que seja o desgaste das siglas, elas dão ao eleitor alguns atalhos para identificar políticos que falam sua língua. Com a degradação dessas estruturas, pode ser difícil encontrar uma mensagem no vozerio.
Herculano
09/10/2018 06:23
ELEITOR CHUTOU O BALDE, FALTA A DRENAGEM DA LAMA, por Josias de Souza

Desde que os políticos brasileiros deflagraram um movimento suprapartidário de blindagem de corruptos e manutenção de privilégios, esperava-se pelo sinal de que o fim estava próximo. Aguardava-se pelo fato que levaria todos a exclamar: "Finalmente!" O dia chegou.

A data de 7 de outubro de 2018 será lembrada nos livros de história como o dia em que o eleitor brasileiro chutou o balde de lama. De olhos fechados para todos os recados emitidos pelas ruas nos últimos cinco anos, a política tradicional do Brasil teve a grandeza da vista curta, a beleza dos interesses mesquinhos, a sabedoria das toupeiras e o apetite dos roedores. Os políticos se apaixonaram incondicionalmente pelo caos. Foram 100% correspondidos pelas urnas desta histórica eleição de 2018.

Quando alguém chuta um balde de lama, o resultado é feio de se ver. Temos um país trincado, prestes a escolher um presidente pela rejeição, não pela preferência. Temos também um Congresso diferente que muitos duvidam que será melhor. Mas temos algo transcende a tudo: o eleitor brasileiro ressuscitou. E ao renascer se deu conta de que a indignação pode ser melhor do que a indiferença. Pode dar errado, como tudo na vida. Mas o voto será um extraordinário corretivo.
Herculano
09/10/2018 06:21
HAVERÁ OPOSIÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Finalistas na disputa presidencial, PSL e PT elegem as maiores bancadas na Câmara

Nos números recém-apurados acerca da renovação do Congresso Nacional, o mais chamativo decerto terá sido a expressiva bancada de 52 deputados eleitos pelo outrora nanico PSL, de Jair Bolsonaro.

A legenda se torna a segunda maior da Câmara, atrás apenas do PT de Fernando Haddad, o outro finalista do segundo turno presidencial, que conquistou 56 cadeiras.

Nem por isso tais números garantem ao futuro mandatário, quem quer que seja, uma base de sustentação confortável no Legislativo. Trata-se, nos dois casos, de pouco mais de 10% dos 513 membros daquela Casa - o que mais proporciona ao derrotado um bom alicerce para organizar a oposição.

A despeito das muitas peculiaridades e surpresas deste pleito, a vida parlamentar do país seguirá marcada por fragmentação partidária, ainda que a aplicação da cláusula de desempenho vá reduzir o número de agremiações.

Se causou espécie a extensa lista de caciques políticos derrotados na tentativa de chegar ao Senado, a sigla de Bolsonaro obteve apenas 4 das 54 vagas (dois terços da Casa) em disputa.

Ali, mesmo debilitados, os tradicionais MDB, com 12 cadeiras, e PSDB, com 8, têm as maiores bancadas e, em tese ao menos, capacidade de articular movimentos de oposição de orientação centrista.

Evidente que o eleito ao Planalto disporá do capital político decorrente da vitória nas urnas e do condão da caneta presidencial. Terá boas chances de compor uma coalizão numerosa, embora não necessariamente coesa e duradoura.

Com a oferta de cargos na máquina pública e verbas orçamentárias, pode-se obter o apoio de partidos de orientações ideológicas diversas ?"ou nenhuma orientação.

Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstraram que tal objetivo está ao alcance até de uma legenda notória pela oposição sistemática e agressiva; a candidatura Bolsonaro sustenta que não se valerá do fisiologismo, o que soa bem menos factível.

Mesmo uma ampla aliança partidária não assegura, contudo, o avanço da agenda vitoriosa na eleição. O que se convencionou chamar de base aliada costuma permitir as tarefas básicas da administração, como a aprovação de leis, despesas e nomeações rotineiras. Medidas polêmicas, em geral, demandam negociação em separado.

Veja-se o exemplo das dificuldades de Michel Temer (MDB), com todo o loteamento do governo e antes da delação da JBS, para levar adiante a emenda constitucional que alterava a Previdência.

A gestão da base de sustentação é tarefa complexa até para mandatários de reconhecida habilidade e liderança no Congresso, descrição que não se aplica a nenhum dos concorrentes do segundo turno.

O modelo presidencialista brasileiro tem a conhecida desvantagem de dificultar reformas, mesmo quando elas se mostram urgentes. Raramente se pode reclamar, por outro ângulo, da ausência de freios aos poderes do Executivo.
Herculano
08/10/2018 22:10
ANTI-PETISMO

De J.R.Guzzo, de Veja, no twitter

A grande força política que existe no Brasil de hoje se chama anti-petismo. Esqueça a "onda conservadora", o avanço do "fascismo". O que há na vida real é uma rejeição tamanho gigante contra Lula e tudo o que cheira à Lula.
Miguel José Teixeira
08/10/2018 21:22
Senhores,

Se o posto ipiranga do Bolsonaro é o Paulo Guedes.

Então o posto ipiranga do haddad é o presidiário lula.

Ou não?



PAULO
08/10/2018 19:44
HERCULAN; SOBRE O COMENTÁRIO FEITO PELO CELSO ZUCHI,ELE NAO PODE RECLAMAR POIS ACHO QUE FOI MUITO BEM VOTADO,OLHA O PARTIDO QUE ELE REPRESENTA PT. ELE MERECIA MUITO MENOS EU CALCULAVA UNS 4.000,MAIS POLITICAMENTE ELE SE ACHA FORTE EM GASPAR ,ELE ESQUECEU QUE JA PERDEU PRO MARCELO NAS ELEIÇOES PASSADAS,E QUE MESMO NAO SENDO ELE O CANDIDATO, MAIS ERA ELE QUE TRABALHOU E PEDIA VOTO PARA AQUELE CANDIDATO QUE PASSOU PELO SAMAE E PELA SECRETARIA DE OBRA , COM A MAQUINA NA MAO ELE PERDEU PARA O KLEBER EM 2016 E QUASE PERDEU JA EM 2012. ELE ESQUECE ISSO SERÁ... POIS OS VOTOS DELE SAO APENAS ESSE 9000 MIL QUE ELE JA FEZ COM LOVÍDIO NA ELEIÇAO PARA PREFEITO. ELE FOI AVISADO POR MUITAS PESSOAS QUE LOVIDIO IA COLOCAR ELE CONTRA O MILITANTE DO PT E TAMBEM ELE IA PERDER A SIMPATIA DOS GASPARENSES.AGORA O POVO ACORDOU E ELE PODE - SE FOR RÁPIDO - APENAS GANHAR PARA VEREADOR EM GASPAR, SE ELE NAO ACORDAR LOGO AINDA PODE PERDER TAMBEM = ACONTECEU COM SEU CUNHADO ANTONIO DALSSOQUIO.PORQUE A FRASE MAIS USADA HOJE TANTO NA CIDADE COMO NO PAÍS ,É PT NUNCA MAIS . ACORDA GASPAR
Herculano
08/10/2018 17:52
da série: a esperteza dos que nunca tiveram ética malandramente oferecendo regras para os outros como forma de dominar o jogo sem regras que eles próprios criaram.

O PROTOCOLO ÉTICO DE HADDAD

Conteúdo de O Antagonista. Fernando Haddad convidou Jair Bolsonaro a assinar uma "carta de compromisso" estabelecendo um "protocolo ético" para a campanha do segundo turno.

Ele fez isso logo depois de visitar Lula em Curitiba.

Esse deveria ser o primeiro item de qualquer protocolo ético: um candidato a presidente não pode ir à cadeia para receber ordens de um corrupto e lavador de dinheiro.
Miguel José Teixeira
08/10/2018 16:39
Senhores,

1) Vem aí. . .o MSMS: "Movimento dos Sem Mandato no Senado", liderados pelo "lindinho", paraibano radicado no Rio. Aquelezinho que se alguém chutar os testículos do presidiário, quebra-lhe as mãos. . .

2) Bom. . .pelo menos o SFT deveria agradecer a população. Com a retirada desses PaTifes do "pudê" pelo povo, seus processos serão encaminhadas para instâncias inferiores, aliviando assim a carga do Supremo.

3) Ah! E o jagunço das Gerais? Bom, está fadado ao baixo clero da Câmara, onde poderá sofrer da síndrome de "megalonanico".
Herculano
08/10/2018 15:51
UM AVANÇO EM BRASÍLIA. NOVOS FEDERAIS TÊM 90% MENOS PROCESSOS E INVESTIGAÇõES QUE ATUAIS

Levantamento foi feito pelo aplicativo Detector de Ficha de Político, lançado pelo Instituto Reclame Aqui

Conteúdo do jornal Correio Braziliense. Texto de Alan Rios.

O Distrito Federal elegeu, no último domingo (7/10), oito deputados federais para representar a capital no Congresso Nacional. Entre eles, seis não possuem pendências na Justiça e dois são investigados. O cenário já será 90% melhor do que o atual, em que apenas um dos oito representantes não possui processos judiciais, de acordo com um levantamento lançado pelo Instituto Reclame Aqui.

A bancada atual tem sete parlamentares com condenações e/ou ações em andamento, movidas contra Alberto Fraga (DEM), Rogério Rosso (PSD), Ronaldo Fonseca (Sem partido-DF), Rôney Nemer (PP), Augusto Carvalho (SD), Laerte Bessa (PR) e Erika Kokay (PT). A última deputada foi eleita novamente em 2018 e passa a ser uma das duas deputadas federais com pendências judiciais.

Segundo o Instituto, Kokay não tem nenhuma condenação, mas é investigada por supostos desvios de verbas do Sindicato dos Bancários de Brasília, e terá seu inquérito julgado em primeira instância pelo Tribunal de Justiça de DF. A outra parlamentar com nome marcado pelo sistema detector de fichas de político é Celina Leão (PP), que responde a uma ação civil pública por improbidade administrativa e foi eleita deputada federal ontem, com cerca de 31 mil votos.

Tecnologia e eleições
O processo eleitoral em 2018 teve ainda mais auxílio das tecnologias. Além dos aplicativos e sites oficiais do Governo, alguns outros softwares criados por instituições ou cidadãos comuns ajudaram o eleitor na hora do voto. O Detector de Ficha de Político é um desses. No aplicativo, o usuário direciona a câmera do celular para o rosto de um parlamentar e pode acompanhar qualquer tipo de pendência com a Justiça.
Herculano
08/10/2018 15:40
'VERDADE SERÁ ESFREGADA NA CARA DO PT', DIZ FLÁVIO BOLSONARO

Conteúdo de O Antagonista. Eleito senador no Rio, Flávio Bolsonaro disse hoje a O Globo que a ida de seu pai aos debates do segundo turno é considerada fundamental para desconstruir a campanha petista.

"A verdade vai ser esfregada na cara do PT, e nós vamos ter a oportunidade de esclarecer àqueles que ainda estão se deixando enganar por um projeto de poder falacioso, mentiroso e corrupto", declarou o senador eleito.

A participação de Jair Bolsonaro nos debates, porém, ainda depende de liberação da equipe médica.
Miguel José Teixeira
08/10/2018 13:13
Senhores,

É golpe, uai!!! E bota golpe nisso, sô!

Os Mineiros, mineiramente, com apenas um golpe defenestraram dois PaTifes: pimentel e dilmaracutaia.

E dizem que ela saiu cantarolando, Kleiton e Kledir:

"Deu pra ti / Baixo astral / Vou pra Porto Alegre / Tchau / Quando eu ando assim meio down / Vou pra Porto e bah! Tri legal. . ."
Herculano
08/10/2018 12:44
QUEM O PT VAI APOIAR AO GOVERNO DE SANTA CATARINA?

O candidato a governador Gelson Merísio, PSD, e seu vice, João Paulo Kleinubing, DEM, que comeu o pão que o diabo amassou com a família Lima, quando foi prefeito em Blumenau, torcem pela neutralidade do PT.

Se o PT indicar aos filiados voto em Gelson, a provável vitória do Comandante Moisés, estará consagrado antecipadamente.



Herculano
08/10/2018 12:38
MARÉ FINAL AMPLIA MÁQUINA POLÍTICA DE BOLSONARO E REDUZ APELO AO CENTRO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Resultado sugere que Haddad precisará fazer mais concessões que candidato do PSL no 2º turno

A maré final que impulsionou Jair Bolsonaro sugere que ele precisará fazer concessões modestas em sua plataforma para o embate direto com Fernando Haddad (PT). O forte desempenho do candidato do PSL e de políticos que pegaram carona em seu nome deve facilitar a formação de uma aliança para ampliar seu eleitorado no segundo turno.

O resultado deste domingo (7) foi uma boa notícia para Bolsonaro em três dimensões: ele partirá de um patamar de votos próximo dos 50% para o confronto final; terá palanques sólidos em disputas de segundo turno nos principais estados do país; e contará com a adesão de candidatos de diversos partidos, que se elegeram em sua esteira no primeiro turno.

Em posição mais confortável que seu rival, o presidenciável do PSL terá a opção de reforçar suas trincheiras em vez de amenizar o tom seu discurso para conquistar novos votos. Os acenos ao eleitorado de centro podem se resumir a gestos limitados, suficientes para atrair o apoio que falta para empurrá-lo à vitória.


Ao longo do primeiro turno, Bolsonaro preferiu fortalecer um viés conservador, antipolítico e de linha dura na segurança para cristalizar e expandir seu eleitorado.

A estratégia deu certo, e a carta da moderação ficou guardada para um eventual segundo turno. O cenário oferece a ele o privilégio de decidir com que intensidade vai aplicá-la. Essa escolha dependerá mais de uma grandeza política (que ele ainda não demonstrou) do que de uma necessidade eleitoral.

O quadro é bem menos cômodo para Fernando Haddad. Ele deverá atrair com facilidade boa parte dos eleitores de Ciro Gomes (PDT), mas precisará dar um passo largo para fazer frente ao campo de Bolsonaro.

O petista já planejava um movimento significativo em direção ao centro para expandir seu alcance. Pretendia fazer esse gesto já no primeiro turno, mas a dificuldade de crescimento na reta final da campanha obrigou o candidato a reforçar seus tons de vermelho.

No segundo turno, Haddad deve se reapresentar como um candidato moderado, com acenos de reaproximação com o mercado financeiro e ajustes na plataforma econômica elaborada pelo PT.

Para ampliar seu eleitorado, o petista enfrentará principalmente uma dificuldade de articulação política em alguns dos principais estados do país -principalmente São Paulo, Minas Gerais e Rio.

Com poucos candidatos competitivos no Sudeste, o PT ficou fora do segundo turno nesses três estados. Em Minas e no Rio, deve ficar absolutamente isolado, já que os candidatos que continuam na disputa são adversários dos petistas.

No Rio, o candidato de Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC), disparou na reta final e terminou com mais de 40% dos votos. Seu adversário no segundo turno será Eduardo Paes, que já foi aliado do PT, mas se transferiu para o DEM.

O revés do governador petista Fernando Pimentel em Minas também prejudica a vida de Haddad para o segundo turno. O presidenciável do PT ficará sem palanque no estado nas próximas três semanas, enquanto Bolsonaro poderá contar com o apoio de Romeu Zema (Novo) ?"que enfrentará o tucano Antonio Anastasia (PSDB).

Em São Paulo, o presidenciável do PSL terá o já anunciado palanque de João Doria (PSDB), enquanto Haddad precisaria buscar Márcio França (PSB), que chegou ao segundo turno na disputa pelo governo estadual.

Os petistas poderão contar com os governadores reeleitos em primeiro turno no Nordeste, como Rui Costa (PT) na Bahia, Camilo Santana (PT) no Ceará e Renan Filho (MDB) em Alagoas. Esses governadores não terão um palanque eleitoral próprio para emprestar a Haddad, mas poderão usar as máquinas de seus governos.

Em 2014, petistas consideraram a vitória de Pimentel no primeiro turno em Minas um passo crucial para fortalecer a candidatura de Dilma no estado para o embate final com Aécio Neves (PSDB). O governador eleito passou a mobilizar prefeitos, oferecendo o apoio do governo estadual em troca de engajamento na campanha à reeleição da então presidente. Dilma venceu Aécio no segundo turno entre os mineiros.

O candidato do PSL, por outro lado, ainda terá o Sul do país a seu favor. O governador eleito do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), se alinhou a seu campo durante o primeiro turno. A força de Bolsonaro ainda impulsionou o candidato do PSL em Santa Catarina, Comandante Moisés. Ele chegou ao segundo turno e dará palanque a Bolsonaro para o embate com Haddad.

O presidenciável também pode se beneficiar de candidatos de seu grupo que foram eleitos para o Congresso. O desempenho de políticos do PSL e de nomes que se aproximaram do presidenciável para se eleger forma uma tropa de cabos eleitorais gratuitos para sua campanha no segundo turno.

O bom desempenho de Bolsonaro nas urnas deve facilitar ainda a adesão de caciques de partidos tradicionais a sua candidatura. A perspectiva de poder costuma falar alto nesses momentos. Políticos de siglas como MDB, DEM, PSDB e do chamado "centrão" chegaram a indicar apoio ao candidato do PSL ainda no primeiro turno. Os números deste domingo devem estimular novas alianças.
Herculano
08/10/2018 12:30
UMA GUERRA PERIGOSA

Jamil Chade, correspondente na Europa do jornal O Estado de S. Paulo e residente em Genebra, na Suiça, escreveu isso na sua conta de twitter:
?
Sem ofender, avisei de boa fé uma internauta que ela estava divulgando montagens e que a informação que ela estava postando era fake news. E a resposta que eu recebi apenas reforçou minha percepção de que as próximas semanas no Brasil serão intensas!

"vai digitar regras na sua página seu idiota"
Herculano
08/10/2018 12:23
CONVÉM SABER QUE SEGUNDO TURNO É UMA OUTRA PARTIDA; ELE CARREGA APENAS O SALDO MORAL DE GOLS. BOM SERIA CONFRONTO DE PROPOSTAS, NÉ? por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Bolsonaro e Haddad vão para a disputa final num certame que, de saída, parece bastante desigual. Afinal, um deles ficou a quatro pontos de vencer no primeiro turno. O outro ficou bastante distante.

Obviamente, o petista entra como não-favorito. O PT tem experiência de vencer batalhas de segundo turno. Mas, nas quatro vezes em que venceu, largou na dianteira. Não é o caso desta vez. De todo modo, é outra disputa. O candidato do PSL vai ter de se expor mais. Terá o que antes não tinha: um horário eleitoral. Há os debates. Sua participação ainda é incerta. Haddad, em seu discurso, falou em uma espécie de movimento em favor da democracia, independentemente de óbices ideológicos. Bolsonaro fez acenos explícitos a mulheres, gays e negros, mas para acusar o adversário de querer dividir o Brasil.

Bom seria que, finalmente, houvesse uma confrontação de propostas que tirasse o país ou do retrovisor ou de um proselitismo estridente que produz muito calor e pouca clareza.
João Solto
08/10/2018 10:10
Sei que é do jogo e da democracia, mas realmente é preocupante a divisão do governo de Gaspar.
Hoje o Prefefito Kleber e parte do secretariado apoiam o comandante Moisés e em contrapartida, o Vice Prefeito, o Chefe de Gabinete e a outra parte do secretariado apoiam Merisio.

Então como diria a ex "PresidAnta" Dilma:

Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.
Herculano
08/10/2018 09:50
O QUE SE ESPERA DE BOLSONARO E HADDAD NO SEGUNDO TURNO, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília, do jornal Folha de S. Paulo

Deputado não pode fugir do debate e petista tem de provar que é mais que um poste de Lula

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) chegam ao segundo turno eleitoral escolhidos pela maioria dos votos válidos registrados nas urnas eletrônicas e seguras.

É a democracia, considerada a melhor forma de governo por 69% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Regime mais justo que qualquer modelo autoritário idolatrado por Bolsonaro e boa parte de seus eleitores.

O deputado larga em boa dianteira, impulsionado por uma onda bolsonarista impressionante no Sudeste. Teve mísero tempo de propaganda eleitoral, ficou fora dos debates da TV em setembro e não fez campanha nas ruas após o atentado a faca.

Demonstrou resistência a crises causadas pelos principais auxiliares de sua equipe. Um prometeu recriar um imposto nos moldes da CPMF e outro colocou sob risco o 13º salário.

Nem mesmo revelações graves sobre a relação de Bolsonaro com uma ex-mulher atrapalharam a vida do candidato. Ameaça de morte contra ela, suspeitas de furto de um cofre de banco e de ocultação de patrimônio, além da existência de uma funcionária fantasma da Câmara.

Nada mexeu com um eleitorado que surfou nas fake news e mostrou-se disposto a bancar o prontuário do passado e do presente de Bolsonaro em nome de uma obsessão ideológica por impedir a volta do PT. Um PT que escondeu sua gorda ficha corrida da corrupção debaixo do tapete na aposta de que o lulismo sozinho seria capaz de fazer Fernando Haddad deixar de ser o "Andrade".

O PT foi laçado pela soberba nas duas últimas semanas. Acreditou que apenas o nome de Lula faria o candidato petista deslanchar e inclusive ultrapassar o capitão reformado. Por pouco não tomou uma histórica derrota já no primeiro turno.

Espera-se agora que o candidato do PSL não fuja do debate com o do PT. O país precisa de um encontro que ainda não ocorreu. Pode ser mais uma oportunidade para Haddad enfim provar que é mais que um poste de Lula e fazer autocrítica sincera e inédita sobre os desvios éticos e crimes cometidos pelo seu partido.
Miguel José Teixeira
08/10/2018 09:49
Senhores,

Ufffa!!! Vencemos a peleja!!! E desnorteamos os Institutos de Pesquisas.

Porém, sigamos atentos. A quadrilha já está reunida na cadeia de Curitiba.

Vade retro, retrocesso!!!
Herculano
08/10/2018 09:47
A APREENSÃO DO CARRO DO SECRETÁRIO

Sobre a apreensão do carro do secretário da Saúde, e prefeito de fato, o advogado Carlos Roberto Pereira, na semana passada, pela Polícia Militar, no Bela Vista, e por estar com o licenciamento atrasado, fato só reportado aqui, duas reafirmações.

O secretário realmente ficou inconformado com o ocorrido.

O secretário se queixou ao prefeito, que se queixou à PM.

Então, essa tentativa de mitigar tudo isso, de que foi aceito numa boa, como deveria, não procede.

Ainda bem que a PM, apesar da relação institucional próxima à prefeitura de Gaspar e deve ser assim, não abriu mão da sua atividade e do cumprimento da lei. Ganharam a PM, os gasparenses e Gaspar.

Num tempo antigo, a própria Ditran - Diretoria de Trânsito de Gaspar - foi constrangida pelo prefeito de plantão a voltar atrás numa apreensão que fez contra um caminhão de um empresário amigo do poder.

Ainda bem que com a PM, esse péssimo exemplo não prevaleceu. Acorda, Gaspar!
Odir Barni
08/10/2018 09:46

AS PESQUISAS E PROJEÇÕES FALHARAM

Caro, Herculano;
Você me afirmou que acreditava nas pesquisas da Data Folha e no IBOPE eu já acredito na movimentação dos eleitores; nenhuma nem outra, o povo quis mudanças mais radicais. Sou dos tempos que meu pai telefonava dizendo: não esquece de votar no Renato Vianna ou em outro candidato que estava mais próximo de nós, sempre respeitando a gratidão. Agora vivemos outros tempos, meu filhos e meus netos trocam ideias sobre a escolha; meu neto Guilherme Germano foi de 17 de cima pra baixo, Oberdan Junior, que está se preparando para ser bombeiro militar escolheu os candidatos da área. O meu MDB paga mais uma vez pela divisão interna, em todos os municípios que conheço o partido de Dr. Ulysses está dividido, é normal ter duas ou mais facções cada um escolhe seu candidato e o povo intende fico perplexo com estas atitudes. Aqui em Brusque todos que foram bem votados para vereador querem ser deputados, ficam fazendo o papel de bobo arrumando votos para a sigla, em Gaspar não é diferente. Em Gaspar tem algo pior, cabos eleitorais dos socialistas/comunistas ofendem as pessoas que, ao invés de conquistas votos, afastam com palavras ofensivas. A primeira limpeza está começando pela cozinha e depois vamos chegar na sala onde o pai vai chamar toda a família e rezar por só cartilha sem falso moralismo, respeito às Leis e os direitos do cidadão. Mesmo perdendo em alguns candidatos fiquei feliz com a eleição de Jorginho Mello, ex-gerente do BESC em Gaspar, conversei com ele aqui em Brusque após muito anos e lhe afirmei: vc pode se eleger como a segunda opção, fato que ocorreu com Leonel Pavan e Ideli Salvati; no final de semana alguém me respondeu que o fato poderia se concretizar, não deu outra. Estou convicto que o 17 vai ser o rumo certo. Se não conseguirem colocar nas mãos do eleitor corruptor e marqueteiros o dinheiro sujo das empreiteiras será uma vitória esmagadora.
Herculano
08/10/2018 09:40
FINALMENTE ÀS CLARAS

O prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB, evangélico, foi agora pela manhã às rádios locais e se manifestou o seguinte: que diante dos resultados das eleições, ele vai se posicionar oficialmente a favor de Jair Bolsonaro e do Comandante Moisés, ambos no PSL, respectivamente para a presidência e o governo do estado, no segundo turno.

Perguntar não ofende.

Está Kleber apenas oficializando o que já se tinha nos bastidores? É isso? Ou contrariou a orientação da Igreja que maciçamente já tinha adotado ambos no primeiro turno? Não me diga que ele é um dos minguados votos em Meirelles? Ou que queria verdadeiramente a vitória de Mauro Mariani por tudo o que Mauro não representaria para Gaspar e especialmente o governo de Kleber?

Essa gente é esperta demais. E a esperteza quando é assim, come o dono, dizia Tancredo Neves.Acorda, Gaspar!
Herculano
08/10/2018 09:30
UM XADREZ DIFÍCIL DE DEIXÁ-LO MINIMAMENTE UNIDO CONTRA OU A FAVOR DE ALBUMA COISA

A nova Câmara, mais fragmentada do que nunca, com 30 partidos:

PT 56
PSL 52
PP 37
MDB 34
PSD 34
PR 33
PSB 32
PRB 30
PSDB 29
DEM 29
PDT 28
Herculano
08/10/2018 09:27
PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR, por Diogo Rigenberg, promotor que atua no Tribunal de Contas de Santa Catarina, na sua conta do twitter

O Senado renovado redescobrirá suas funções primordiais, entre elas a de fazer o controle político do STF?Os reiterados pedidos de impeachment que pesam contra alguns ministros daquela Corte, que se fizeram muito conhecidos, serão enfim apreciados?
Herculano
08/10/2018 09:20
BOMBA DA LAVA JATO EXPLODE NAS URNAS E VARRE QUASE TUDO PELO CAMINHO, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Favorecidos pelos efeitos da operação, candidatos excêntricos atropelam nomes tradicionais

Enganou-se quem achava que a Lava Jato já havia produzido todo seu efeito eleitoral no pleito de 2016 e que marchava lentamente para a esterilização. A bomba de nêutrons da operação sobre a vida partidária explodiria apenas neste domingo, 7 de outubro de 2018.

Varreu quase tudo o que encontrou pelo caminho, em especial nas regiões mais desenvolvidas do Brasil.
Candidatos das legendas mais estabelecidas, em torno das quais organizou-se o jogo do poder ao longo dos últimos 30 anos, foram atropelados por postulantes excêntricos.

O PSDB foi arruinado. O PT, bastante avariado nas localidades mais prósperas, ganhou o direito de disputar uma batalha de vida ou morte pelo Palácio do Planalto, em condições duríssimas, no próximo dia 28.

No Congresso, um bloco de novos entrantes, arrastados pela voragem conservadora de Jair Bolsonaro, insinua-se como um dos maiores da legislatura que se inicia em fevereiro. É copiosa a lista de velhas lideranças partidárias que perderam o assento.

Um eleitorado mais numeroso e, sobretudo, diferente daquele que debutava nas eleições diretas presidenciais há quase três décadas foi o responsável por essa mudança de era na política partidária brasileira.

Para cada 100 eleitores com ensino médio ou superior, há menos de 50 com escolarização inferior ?"essa relação era de 100 para 170 em 1994. Hoje o contingente dos mais escolarizados supera o dos com menor formação por 50 milhões de eleitores.

Passou o tempo em que os anseios do eleitor mediano se restringiam a necessidades básicas da subsistência. A decência na vida pública, a opressão dos burocratismos cotidianos, a ineficiência dos serviços do governo e a insegurança nas cidades foram incorporadas ao acervo de preocupações que definem o voto.

O cinismo, o mais do mesmo e a falta de autocrítica e de renovação nos partidos outrora hegemônicos saem castigados destas eleições. O que foi posto no lugar, entretanto, não é necessariamente melhor.
Herculano
08/10/2018 09:12
ELEITOR BRASILEIRO TOCOU FOGO NO CIRCO DA POLÍTICA, por Josias de Souza

Dizer que o 7 de outubro de 2018 foi o mais eloquente recado enviado pelas urnas à oligarquia política desde a redemocratização do Brasil é pouco. Houve algo bem mais grave: o eleitor tocou fogo no circo. Foi como se quisesse deixar claro que não tem vocação para palhaço. As urnas carbonizaram parte do elenco que reagia à Lava Jato com malabarismo verbal, trapezismo ideológico e ilusionismo.

A velha política está em chamas. Tomado pelas proporções, o incêndio lembra aquele que consumiu o acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Salvaram-se múmias como Renan Calheiros, Jader Barbalho, Ciro Nogueira e Eduardo Braga. Mas viraram carvão as pretensões eleitorais de peças como Dilma Rousseff, da sessão de paleontologia. Reduziram-se a cinzas mandatos do porte dos de Romero Jucá, Eunício Oliveira e Edson Lobão, da ala dos invertebrados.

Desde 2014, quando a operação foi deflagrada, os oligarcas partidários cultivavam a fantasia de que seria possível "estancar a sangria". Gente poderosa preparava para depois da abertura das urnas uma investida congressual para transformar propinas em caixa dois. O eleitor arrancou o nariz vermelho, jogou longe o colarinho folgado, livrou-se dos sapatos grandes e riscou o fósforo.

Sobraram chamas para investigados, denunciados e até para críticos do juiz Sergio Moro e dos procuradores da força-tarefa de Curitiba. Vai abaixo uma primeira lista das vítimas das labaredas. Inclui gente barrada no Senado, na Câmara e em governos estaduais:

Eunício Oliveira (MDB-CE); Romero Jucá (MDB-RR); Beto Richa (PSDB-PR); Marconi Perillo (PSDB-GO); Roberto Requião (MDB-PR); Lindbergh Farias (PT-RJ); Jorge Viana (PT-AC), Delcidio do Amaral (PTC-MS); Marco Antonio Cabral (MDB-RJ), filho do presidiário Sergio Cabral; Daniele Cunha (MDB-RJ), filha do presidiário Eduardo Cunha; Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do ex-presidiário Roberto Jefferson; Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), irmão do presidiário Geddel Vieira Lima; Leonardo Picciani (MDB-RJ), filho do preso domiciliar Jorge Picciani; Dilma Rousseff (PT-MG); Fernando Pimentel (PT-MG); Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM); Roseana Sarney (MDB-MA); Sarney Filho (MDB-MA); Edison Lobão (MDB-MA); Paulo Skaf (SP), Benedito de Lira (PP-AL); André Moura (PSC-SE); Valdir Raupp (MDB-RO); Cassio Cunha Lima (PSDB-PB); Garibaldi Alves Filho (MDB-RN); e Wadih Damous (PT-RJ).

Será necessário esperar pelo resultado do rescaldo para saber o que sobrou e o que o eleitor colocou no lugar. Sintomaticamente, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba, soltou fogos nas redes sociais ao tomar conhecimento das totalizações de votos da Justiça Eleitoral.

"Parabéns aos novos senadores e deputados!", escreveu Deltan. "Houve avanços significativos contra a corrupção: pelo menos uma dezena de envolvidos graúdos na Lava Jato perderam o foro privilegiado. Cerca de uma dezena de senadores do movimento Unidos Contra a Corrupção se elegeram. Além disso, movimentos de renovação apartidários elegeram vários candidatos - o RenovaBR, por exemplo, elegeu 16 candidatos."

Deltan realçou um detalhe monetário: o eleitor puniu os candidatos brindados com fatias mais generosas do fundão de financiamento eleitoral público. Nas palavras do procurador, a "sociedade remou contra a correnteza, pois milhões do novo fundo eleitoral bilionário foram direcionados para campanhas da velha política."

Na avaliação do chefe da Lava Jato, o fogo ateado pelo eleitor no circo pode não resolver o problema. Mas reacendeu a percepção coletiva sobre a importância da boa política: "(...) Podemos não ter o Congresso dos sonhos, mas não se trata agora de ter o congresso dos sonhos e sim de ajudar a construir o melhor país possível com os eleitos. O único caminho para um país melhor é o da política, da luta contra a corrupção e da democracia."

Quando o desalento foi às ruas, a partir de junho de 2013, as broncas do brasileiro englobaram causas variadas ?"do horror à ruína de Dilma ao clamor pela volta da ditadura. Naquela ocasião, os queremistas da intervenção militar eram uma minoria na multidão. Em 2014, sobreveio a Lava Jato. Dilma reelegeu-se por pequena margem de votos.

A partir de 2015, o asfalto passou a roncar pelo impeachment. As manifestações eram menores que as de 2013. Até por essa razão, ficou mais fácil notar a presença de personagens até então vistos como folclóricos. Jair Bolsonaro deixou-se fotografar com uma camiseta na qual se lia: "Direita já". Na foto, ele era carregado por admiradores.

Nessa mesma época, Lula, o PT e seus satélites engrossaram a pregação segundo a qual a Lava Jato criminalizou a política. Depois do grampo do Jaburu, Michel Temer e o seu MDB aderiram ao coro. Pilhado achacando Joesley Batista, Aécio Neves ecoou o mesmo lero-lero. Ao tocar fogo no circo, o eleitor sinalizou que pensa de outra maneira: quem criminalizou a política foram os criminosos. Culpar os investigadores é como responsabilizar a radiografia pela doença.

Graças ao excesso de malabarismo, o "Direita Já" da camiseta de Bolsonaro deixou de ser uma reivindicação. Ganhou ares de constatação. Nas próximas semanas, os críticos da Lava Jato dirão que a operação tirou a ultradireita do armário. Chamarão Bolsonaro de neo-Trump. Recordarão que, na Itália, a Operação Mãos Limpas levou ao poder Silvio Berlusconi. E esquecerão de lembrar - ou lembrarão de esquecer - que Lula tornou-se o principal cabo eleitoral de Bolsonaro ao criar, na cadeia, a figura do presidenciável-laranja. O fogo arderá no circo por muito tempo.
Herculano
08/10/2018 09:07
OS DESAFIOS DAS MUDANÇAS, por Luis Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

A mentira motivacional indiscriminada como paradigma é patogênica

O tema de que o mundo está mudando encanta o setor corporativo da sociedade, assim como outros setores, como a educação. A ideia de que essas mudanças são um desafio e todos devem se preparar para elas é um clichê para quem conhece um pouco o mundo corporativo no seu viés de comunicação e marketing. O tema é pungente e merece atenção.

Mas suspeito que o que significa aqui "mudança" mereça uma atenção mais detalhada. Normalmente, "mudança" é usada para impressoras 3D, entrada de algoritmos no mercado de trabalho e, portanto, mais tempo livre para lazer, família e afins. E tudo isso adquire um tom meio cor-de-rosa, lindo e otimista.

Como nos ensinou o grande filósofo Hegel (1770-1831), o pensamento mais atento deve sempre cuidar para não se esquecer do negativo no mundo. Em síntese, a tarefa do filósofo é olhar ali onde o mundo está dando errado. Claro que esse "negativo" se refere ao momento negativo da dialética, mas deixemos isso para outro dia.

Proponho cinco tópicos sobre mudança seguindo a diretriz hegeliana negativa.

O primeiro seria a necessidade de abandonarmos o paradigma motivacional na comunicação corporativa (na educação também, mas deixemos isso para outro momento).

A necessidade de motivar as pessoas o tempo todo nasce da própria estrutura produtiva burguesa: acreditar na mudança significaria melhor produtividade, mais otimismo, menos tristeza, mais riqueza.

O capitalismo precisa de pessoas felizes e que creem nos avanços. O problema é que apenas os doentes conseguem ser felizes "o tempo todo".

O problema é que o paradigma motivacional implica debilidade cognitiva, intelectual e afetiva, quando usado em demasia, como é o caso em questão.

Seres humanos podem não saber o tempo todo o que é fake news ou verdade, mas, quando mentimos demais para eles, eles chegam a um momento em que são obrigados ou a entrar em crise (justamente o que o paradigma motivacional teme e reprime com todas as forças) ou a aceitarem que optaram pelo retardo mental (o que em si, nalgum momento posterior, poderá gerar alguma forma de crise).

Os seguintes tópicos devem ser vistos à luz deste primeiro como fundamento.

Um segundo tópico é a imposição da felicidade o tempo todo, o que, por sua vez, implica um aumento de medicamentação. A mentira indiscriminada como paradigma é, seguramente, patogênica. A solução é se dopar em alguma medida.

O contrário aqui não é a "felicidade da verdade", mas o vínculo delicado entre verdade e saúde mental, de alguma forma. Seja nos jovens e no seu aumento de uso de ansiolíticos, seja nos mais velhos e na sua depressão. A destruição da libido parece ser uma escolha política para garantir um mundo mais seguro e correto.

Aliás, um terceiro tópico de mudança que nos desafia é a crescente diminuição da atividade sexual entre os mais jovens. A escolha pelo combate à ansiedade implica uma diminuição da própria libido, uma vez que ansiedade e libido são irmãs. Trocando em miúdos: se você não quiser ser brocha, terá que ser um pouco infeliz.

Um quarto tópico, decorrente dos anteriores, é o caráter redentor do uso de um pouco de verdade na comunicação com as pessoas. Dizem a elas, por exemplo, que os algoritmos as conhecem melhor do que elas mesmas e que, como gosta de falar o historiador israelense Yuval Harari, de forma um pouco dramática, logo seremos hackeados por esses mesmos algoritmos, que nos dirão o que queremos e o que pensamos, por meio das mídias sociais crescentes.

Esse discurso pode ser mais importante do que ficar repetindo milhares de vezes que as mídias sociais têm um caráter democrático e revolucionário e que o avanço da inteligência artificial criará um mundo de renda mínima para as pessoas ou que elas criarão obras como as de Shakespeare a cada manhã.

Sem trabalho não há dignidade, e adultos que se acostumam a viver "de graça" sempre têm problema de caráter. O hackeamento a que se refere Harari nasceria do uso de algoritmos mapeando nossos perfis de consumo e de postagens.

Um quinto tópico é o crescimento inexorável da solidão no mundo. O tédio será um dos afetos essenciais num "mundo Netflix + iFood" como paradigma cotidiano. As pessoas viverão mais e terão menos família a sua volta. As pessoas estarão ocupadas sendo felizes e não cuidando de idosos. Empresas oferecerão serviços nos lugar dos "afetos antigos". E a solidão será um problema de saúde pública, fruto da ampliação da saúde em larga escala.
Herculano
08/10/2018 09:03
INSTITUTOS DE PESQUISA DERAM VEXAME. OUTRA VEZ, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Os institutos de pesquisa erraram feio mais uma vez, e não vão se explicar, como sempre. O Datafolha cravou que Eduardo Suplicy (PT) estava eleito senador, em São Paulo. Perdeu. No Rio, o Ibope divulgou pesquisa na véspera da eleição indicando 4º lugar e 12% para Wilson Witzel (PSL) na disputa para governador. Foi o mais votado, com 42%. Todas as pesquisas, é claro, "com 95% de confiança" blábláblá.

VOTOS SUBESTIMADOS
No Jornal Nacional de sábado, a 12 horas de iniciar a votação, Ibope e Datafolha cravaram 40% para Jair Bolsonaro. Deu 47%.

CADÊ PIMENTEL?
Em Minas, o Ibope de sábado (6) deu Anastasia com 42% para o governo. Contados os votos, Zema (Novo), em 3º no Ibope, teve 43%.

CADÊ A 'SENADORA'?
Ibope e Datafolha e outros institutos apontaram Dilma eleita senadora em Minas, "mais votada" etc. Só o eleitor não acreditou na lorota.

PRESIDENTE ESTADUAL
As pesquisas da véspera da eleição apontaram 7% (Ibope) e 8% Datafolha para Alckmin. O tucano, um político estadual, teve metade.

PSDB DE ALCKMIN É O MAIOR DERROTADO DE 2018
Estão no PSDB alguns dos maiores perdedores nas eleições deste ano. A começar por Geraldo Alckmin, que bateu o pé e usou a força de presidente do partido para impor sua candidatura, apesar de todas as pesquisas indicarem que João Dória era o tucano mais competitivo. Alckmin foi para a segunda campanha presidencial apesar da "proeza" de ter sido menos votado no segundo que no primeiro turno, em 2006.

DE VOLTA
Alckmin teve votação risível, para quem governou São Paulo. Ganhou o direito de voltar a Pindamonhangaba para refletir sobre seus erros.

SURPRESAS NO MDB
Grandes derrotas de senadores marcaram o MDB: Edison Lobão (MA), Eunício Oliveira (CE) e Roberto Requião (PR).

PETISTAS FORA
O PT também colecionou derrotas na disputa para o Senado: além de Suplicy (SP), ficaram de fora Jorge Viana (AC) e Lindbergh Farias (RJ).

MINAS SALVA O TSE
Derrotando Dilma nas ruas, o eleitor mineiro reparou a constrangedora decisão da Justiça Eleitoral de não barrar a candidatura de uma ficha suja, condenada em decisão colegiada no Senado e no TCU.

EXPLICA AÍ, IBOPE
O maior vexame dos institutos de pesquisa tem nome, chama-se Wilson Witzel (PSC). Mais votado do primeiro turno no Rio de Janeiro, ele nem sequer era citado nas notícias sobre pesquisas eleitorais.

GESTO ESQUECIDO
Quando votou no Rio, Jair Bolsonaro não repetiu a simulação de uma arma com as mãos. O gesto foi interpretado como uma mudança importante de atitude de quem deseja ser o presidente do Brasil.

PÁ DE CAL
O segundo turno entre Ibaneis Rocha (MDB), com 42% dos votos, contra Rodrigo Rollemberg (PSB), 13,9%, é a derrota da velha guarda do Distrito Federal, dos seguidores de Roriz, Arruda et caterva.

MÁS NOTÍCIAS
A pior notícia para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) não é passar vexame nas urnas e perder a reeleição. É, sem mandato, correr o risco de cair nas mãos do juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

GOVERNO FAZ DIFERENÇA
Alagoas inverteu a velha lógica de pai político eleger o filho. Com o prestígio do seu governo com ampla aprovação, Renan Filho (MDB) garantiu novo mandato ao pai senador. Já Rodrigo Cunha (PSDB-AL) não precisou de parentesco poderoso para ser o senador mais votado.

SENADORA LEILA
Leila Barros, a Leila do Vôlei (PSB), foi eleita senadora com 17%, a mais votada. Os institutos de pesquisa Ibope e Datafolha previam para ela com cerca de 30%. Izalci Lucas (PSDB) ficou com a segunda vaga.

BOMBA VIROU TRAQUE
Partido que chegou a pretender seriamente o governo do Paraná, o PT registra uma das piores votações de sempre. Dr. Rosinha, o candidato que se revelou uma bomba, ficou apenas em quarto. Um traque.

E A MARINA, HEIN?
Acabou no Irajá: teve menos votos que Daciolo Louva Deuxx.
Herculano
08/10/2018 08:56
BRASIL À DIREITA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Com espantoso impulso na reta final, Bolsonaro chega ao segundo turno em ampla vantagem.

Na eleição presidencial tida como a mais imprevisível desde 1989, passaram ao segundo turno as duas forças políticas que se destacavam nas pesquisas desde o ano passado.

A surpresa, só devidamente dimensionada depois do fechamento das urnas, foi a impressionante onda que se formou nos momentos finais em favor de Jair Bolsonaro (PSL) e de seus aliados nos pleitos estaduais e legislativos.

Por pouco o capitão reformado, que passou a maior parte da campanha recolhido, vítima de um abominável ataque a faca, não saiu vencedor já neste domingo (7). Os votos do Nordeste, onde ainda se impõe a força do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levaram Fernando Haddad à rodada final.

Bolsonaristas de origem ou de ocasião surpreenderam nos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, o correligionário Major Olímpio apareceu à frente na disputa pelo Senado. Finalista e em tese favorito na corrida ao Bandeirantes, o tucano João Doria já declarou apoio ao capitão.

Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) passou ao segundo turno na primeira colocação, dias depois de declarar apoio ao capitão; no Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) disparou à frente do ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM), com quem fará o confronto definitivo.

Se as eleições municipais de 2016 já mostravam uma guinada conservadora do eleitorado, agora caminhou-se mais à direita - e com rejeição a líderes mais tradicionais.

Com uma pregação tosca, de tons frequentemente autoritários, e um programa ultraliberal encampado na última hora, Bolsonaro conquistou ampla vantagem nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, tomando redutos que haviam escolhido o PSDB há quatro anos.

O PT, embora tenha chegado ao segundo turno da eleição presidencial pela quinta vez consecutiva, sofreu derrotas cruciais - que agora põem em xeque o sucesso da estratégia nacional arquitetada desde a prisão de Lula.

Subestimou-se, de maneira geral, a intensidade da rejeição ao partido, em particular nos grandes centros urbanos e entre os eleitores de renda alta e média. Dilma Rousseff (MG) e Eduardo Suplicy (SP) perderam vagas dadas como certas no Senado; Fernando Pimentel deixará o governo mineiro.

Haddad se amparou exclusivamente no prestígio do líder único e imutável da legenda ?"que não fez a autocrítica pela corrupção em seus governos nem soube oxigenar seu pensamento econômico.

Falta muito ao PT, neste momento, para liderar uma esquerda com agenda factível, assim como Bolsonaro ainda não mostrou preparo e consistência para conduzir a direita emergente. Um segundo turno radicalizado não será a melhor chance para que ambos demonstrem sua capacidade de governar.

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