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ILHOTA EM CHAMAS. REMÉDIOS FORAM COMPRADOS A RODO SEM LICITAÇÃO - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

ILHOTA EM CHAMAS. REMÉDIOS FORAM COMPRADOS A RODO SEM LICITAÇÃO - Por Herculano Domício

05/04/2018

Ilhota está entupindo por inquéritos e processos, bem como dando um trabalho danado ao Ministério Público de Gaspar que cuida da Moralidade. Ele é tocado pela jovem promotora Andreza Borelli. Essa trabalheira foi assim no tempo do ex-prefeito Daniel Christian Bosi, PSD. Está sendo assim, com o atual, Érico de Oliveira, MDB, que se elegeu, exatamente, nesse tipo de erros e escândalos do seu adversário antecessor. Aprendizado zero! Avanço, nenhum! E Érico os repete, talvez porque esteja governando por esporte, como propagou o seu filho Jean Carlos, uma espécie de porta-voz informal do governo ilhotense. Ele na sua rede social faz isso para zombar dos adversários, das autoridades e desta coluna. Se Érico não mudar e urgente – inclusive de orientação -, vai arcar com um alto preço político por esse “esporte” como já experimentam Ademar Feliski, MDB, seu mentor, e o próprio Daniel.

ILHOTA EM CHAMAS - REMÉDIOS DOS POLÍTICOS II

Há inquérito para investigar a demissão de uma professora na prefeitura e contratada posteriormente para ser empregada na loja do prefeito; para obras na trilha do trem, ou seja, fora da competência municipal; para a cobrança da impressão do carnê do IPTU; para funcionário desviado de função contratada e que se tornou espião do prefeito; para as super-diárias com aumento de 194% que o prefeito se autoconcedeu; para uma penca de dúvidas sobre os loteamentos, assunto perturbador e que é nitroglecerina puro. Todavia, o motivo da coluna de hoje é outro. Trata-se do inquérito do MP para apurar supostas irregularidades na compra de R$25.317,54 em medicamentos na Farmácia Glassen, tudo sem o devido empenho e que a Câmara, em maioria pró Érico, deu ares de regularização ao aprovar em março, o Projeto de Lei 04/2018, em frágil sustentação jurídica, reconhecendo uma “confissão de dívidas” proposta pelo município com o credor.

ILHOTA EM CHAMAS - REMÉDIOS DOS POLÍTICOS III

Não vou esticar o comentário. Beira o escárnio ao termo administração. Vou apenas ilustrá-lo com o que seria uma “nota”, que a própria prefeitura usa para demonstrar e reconhecer que é devedora ao seu fornecedor. Vergonha, pura. Coisa de grotão do século 19. O documento, na verdade é um “pedido”, sem valor fiscal, sem data, juridicamente frágil, não traz quem é o fornecedor, quem é o beneficiário e devedor, com duas rubricas não identificadas, discriminação do que teria sido “vendido” e números desconectados ou até, cifrados. Uma lástima! Tudo contra o que orienta ser uma gestão pública, ou algo minimamente organizado, mesmo para os casos de emergência ou excepcionais. E o povo pagando o descontrole, a falta de transparência, à dúvida criada pelos gestores e patrocinadas pelos políticos na prefeitura e na Câmara de Ilhota, a qual deveria ser dura, fiscalizar e impedir tais ações que mais parecem de um “buteco” de quinta. E depois sou eu quem deveria fechar olhos, ouvidos e nariz para se continuar na falha, na farra e no “buteco”.

TRAPICHE

A administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, em Gaspar, rotula-se como “eficiente”. Sempre discordei. E por razões óbvias. Trabalhei em ambientes de alta performance, inovação, eficácia e eficiência. E isso se traduz em resultados no tempo pretendido.

Por isso mesmo, sucessivamente, tenho provado, que este mote marqueteiro é irresponsável, trabalha para a desmoralização do governo, do seu titular e líder, bem como da equipe pela tal eficiência. Penso prudente, urgente e aconselhável mudar esse mote.

Há várias causas dessa desmoralização. Uma delas, à vista de todos, é que a resposta da nova administração diante dos desafios e das crises – que sempre existirão em qualquer ambiente privado ou público - é lenta demais. E não tem nada pior do que a percepção.

E qual a razão disso? Está nas pessoas políticas que Kleber e Luiz Carlos emprega para buscar esses resultados eficientes e diferenciais. Elas não entendem do e o que fazem.

As que entendem como a ex-secretária de Saúde, Dilene Mello Jahn dos Santos, Kleber mandou embora e a Saúde entrou em colapso.

O outro, o engenheiro Alexandre Gevaerd, ligado ao PT, está de mãos atadas pelo medo que tomou conta do prefeito na área de Gevaerd diante das “pressões” do próprio entorno de Kleber. Então as mudanças no trânsito anunciadas para o Natal, passada a Páscoa, nada!

Veja este exemplo da última leva de nomeações de comissionados de Kleber. É sintomático e repetitivo.

O decreto de 8.022 de 28 de março, colocou Antônio Carlos Schmitz, como “Coordenador de Alta Complexidade da secretaria de Assistência Social”. Coisa de doido, se o pastor Carlos Schmitz, não tivesse apenas o ensino fundamental incompleto e exercesse de fato, a função de motorista na secretaria.

Impressionante, como Kleber, o evangélico, se permite a isso. O Pastor foi candidato pelo PSC e obteve 452 votos. Quem toca a secretaria, é o presidente do PSC, Ernesto Hostin, que também não entende nada do assunto, e está lá por fidelidade partidária e afinidade religiosa. Foi assessor parlamentar de Kleber, quando vereador.

Esta é a prova de que essa secretaria não cumpre à sua função na estabilização social, apesar da cidade ter um alto índice de problemas nesta área. Basta ir ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público, ao Judiciário que cuida desse assunto, e até mesmo, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A secretaria de Assistência Social de Gaspar virou – a verdade, já era no governo do PT de Pedro Celso Zuchi - uma extensão do compadrio, da igreja e do partido. Um cargo que deveria ser para alguém técnico, mesmo que por indicação partidária, é dado a um leigo no assunto e que serve de motorista. O que se olhou foi apenas o prêmio por uma remuneração maior ao correligionário e fiel.

Essa é mais uma demonstração que a tal “eficiência” possui outra explicação e que não é o resultado da gestão. Entretanto, penso, é Kleber quem trabalha contra ele, quando nomeia gente sem capacidade para assessorá-lo sem a tal “eficiência”.

Para lembrar e encerrar. O PSC é o partido do médico Silvio Cleffi. Foi Kleber, “irmão” da mesma igreja pentecostal que chocou o político e vereador Silvio. Silvio, eleito, interferiu o quanto pode na Saúde Pública para prometendo estabilidade e maioria na Câmara – não na Saúde que continua um caos.

Silvio se tornou oposição. Traiu Kleber só para ser presidente da Câmara, ganhar status, fazer a oposição liderada pelo PT, um calo do atual governo e assim interferir ainda mais na administração de Kleber. Coisa que o MBD mesmo com bancada majoritária jamais, por competência, conseguiu. Isto sim é alta complexidade. Acorda, Gaspar!

Durou um mês. O jornalista José Maurilio Moreira de Carvalho não é mais assessor de imprensa comissionado da Câmara de Gaspar. Pasmem! Ele não teria feito um “press release” “ao gosto” do presidente Silvio Cleffi, PSC. O texto deveria esconder os adversários.

O assessor efetivo, Vagner Campos Maciel, não tomou conhecimento do pedido desta coluna pela confirmação da demissão. João Paulo de Souza confirmou após uma semana. É assim que as notícias oficiais se escondem em Gaspar. Enrolam, manobram, pressionam e praguejam para o esquecimento.

 

Edição 1845 - sexta-feira

Comentários

Danilo
09/04/2018 09:43
Bom dia Herculano.
Sobre a missa em São Bernardo do Campo para o Lula.
Sou católico, mas não dá para aceitar esse Dom Angelico infiltrado na igreja católica.
Além desse papel irresponsável de apoiar um corrupto, pergunta ao pessoal do Belchior Alto, o que ele fez quando era da Diocese de Blumenau. Conseguiu afastar as pessoas da igreja, conseguiu criar uma ruptura entre os membros da Sociedade Harmonia e Igreja. Pensa numa pessoa gananciosa. Não vou me estender aqui porque o texto seria muito longo, mas talves você já saiba o que esse cidadão fez.
Herculano
09/04/2018 07:05
HOJE É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA. DAQUI A POUCO
Herculano
09/04/2018 07:04
da série: e a mente doentia é o do juiz Sérgio Moro...

PT REAFIRMARÁ CANDIDATURA DE LULA, MAS JÁ VIVE DIVISÃO

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Cátia Seabra e Daniel Carvalho. Ainda sob impacto da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o comando do PT se reúne nesta segunda-feira (9) em Curitiba para dobrar a aposta e reafirmar sua candidatura à Presidência da República. Mais do que a crença nas chances de Lula disputar a Presidência em outubro, essa é uma estratégia de defesa.

O discurso de que Lula é alvo de um golpe para impedir sua volta ao Planalto é o principal argumento para tirá-lo da prisão.

Embora já duvidem da possibilidade de inserir seu nome nas urnas, aliados do ex-presidente evitam falar em plano B neste momento, pois seria reconhecer que ele não será absolvido, nem deixará as instalações da Polícia Federal nos próximos dias.

Líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS) afirma que a reunião será exclusivamente dedicada a mobilização e articulação política em apoio ao ex-presidente.

Segundo ele, deverá ser divulgado uma nota de reafirmação de sua candidatura.

Essa estratégia deverá ser intensificada até quarta-feira (11), quando o plenário do STF deverá julgar um pedido de liminar que visa a evitar prisões de condenados em segunda instância até que a corte decida se um réu pode ser preso antes que esgotados todos os recursos.

Na reunião, os petistas desenharão uma tática para que Lula continue a orientar o partido de dentro da Superintendência da PF.

Só nesta segunda-feira dirigentes partidários saberão quem estará autorizado a visitar Lula. A partir daí, destacarão emissários para ouvi-lo sobre estratégia de alianças e sucessão presidencial. Parlamentares petistas também pretendem se reunir na manhã de terça (10), em Brasília, para definir estratégia de atuação no Congresso.

Diante dos últimos acontecimentos, cresceu a pressão do PT, principalmente via militância, por uma candidatura única no campo das esquerdas.

PC do B e PSOL, no entanto insistem que a união dos partidos é, ao menos por ora, apenas em defesa de Lula e da democracia.

"Neste momento, não nos parece que haja espaço para uma decisão desta natureza", diz Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.

O partido, que lançou a pré-candidatura do coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, tem discutido mais a atuação política diante da prisão de Lula.

Nesta semana, os comandos de PT, PSOL, PC do B, PDT e PC do B voltam a se reunir para tentar fechar um manifesto público em defesa de três eixos fundamentais ?"a favor de eleições livres e da soberania nacional e contra a violência da extrema direita. PDT e PSB têm se negado, porém, a endossar que "eleição sem Lula é fraude".

DIVERGÊNCIAS
Petistas temem ainda o esfacelamento não só na esquerda, mas também dentro do partido. De quinta (5) a sábado (7), o Sindicato dos Metalúrgicos não foi apenas palco de uma resistência contra a prisão de Lula. Houve também um grave racha.

Dirigentes petistas divergiram sobre a permanência de Lula nas instalações do sindicato. Segundo aliados do ex-presidente, integrantes da cúpula partidária e ex-ministros travaram duras discussões antes de decidir se ele se apresentaria à Polícia Federal.

Para perplexidade de ex-ministros, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e o líder do partido no Senado, Lindbergh Farias (RJ), insistiam para que o ex-presidente esperasse pela chegada da polícia. Tinham apoio de Boulos e MST.

Com apoio do PC do B, ex-ministros como José Eduardo Cardozo (Justiça) e o ex-prefeito Fernando Haddad alertavam para o risco de derrotas judiciais e isolamento.

A adesão do ex-ministro Paulo de Tarso Vannuchi (Direitos Humanos), um dos petistas mais próximos de Lula, à necessidade de se entregar foi fundamental.

O medo é que, sem a presença física de Lula, essas divergências ganhem corpo.
Herculano
08/04/2018 21:07
VAPT VUPT

O PT de Gaspar se reuniu nesta noite no Diretório da Rua Itajaí. Foi rápida. Foram chorar as pitangas do líder Luiz Inácio Lula da Silva, injustamente para eles, preso.
Herculano
08/04/2018 21:05
AMANHÃ, SEGUNDA-FEIRA, É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA, ESPECIAL PARA OS LEITORES E LEITORAS PARA O PORTAL CRUZEIRO DO VALE, MAIS ANTIGO, ATUALIZADO E ACESSADO DE GASPAR E ILHOTA
Sidnei Luis Reinert
08/04/2018 16:06
Artigo no Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Antônio José Ribas Paiva

O Estado foi INSTITUÍDO pela Nação para proteger as pessoas, individual e coletivamente, contra os inimigos internos e externos, garantindo o País , a Nacionalidade, a paz social e o desenvolvimento.

Os mecanismos institucionais precisam garantir as finalidades do Estado, sob pena de desagregação do País com a consequente perda de soberania.

O Haiti, primeira república negra do mundo, criada em 1808, quando o Brasil deixava de ser colônia , é recente exemplo de desagregação e perda de soberania, em razão de inadequação institucional.

Sempre que as INSTITUIÇÕES se revelarem impotentes,para garantir os OBJETIVOS NACIONAIS PERMANENTES, devem ser aprimoradas e fortalecidas pelo povo , que detém o PODER INSTITUINTE( originário), para CRIAR, MODIFICAR ou REVOGAR INSTITUIÇÕES.

Para cumprir esse DEVER, a NAÇÃO INSTITUIU suas FORÇAS ARMADAS, armando e treinando cidadãos vocacionados para as carreiras das armas.

Portanto, sempre que necessário, as Forças Armadas devem cumprir o seu MANDATO CONSTITUCIONAL, para defender o povo e o BRASIL.

Desde o início, o regime , denominado pela classe política como "Nova República", demonstrou fragilidades institucionais, que agravaram-se com o tempo e que provocaram a USURPAÇÃO do PODER do ESTADO pelo crime, que controla totalmente a classe política.

A eleição de governantes e representantes inadequados e criminosos e , portanto ILEGÍTIMOS, corrompeu o serviço público, massacrou a população e põe em risco a própria SOBERANIA.

Resta exercer o PODER INSTITUINTE, para salvar o BRASIL e a NAÇÃO BRASILEIRA.

Para tanto, o NÚCLEO MONOLÍTICO DO PODER NACIONAL, que é a fusão indissolúvel do povo com suas FORÇAS ARMADAS, deve INTERVIR INSTITUCIONALMENTE.

BRASIL! ACIMA DE TUDO!

Antônio José Ribas Paiva, Jurista, é Presidente do Nacional Club e General da reserva.
Roberto Sombrio
08/04/2018 13:24
Oi, Herculano.

Lula ontem no palanque do sindicato estava igual bêbado de cancha de bocha. Sempre tem razão.
Roberto Sombrio
08/04/2018 09:58
Oi, Herculano.

O pragmatismo de Lula o levou a terminar seu mandato em 2010 como o mais popular do Brasil e com a economia crescendo 7,5%. Acima de tudo, as contas públicas ainda estavam relativamente em ordem.

Foi isso o que permitiu a confiança de empresários a investir e gerar empregos, fazendo com que o trabalho e o aumento da renda transformassem o Brasil e incluíssem os muitos pobres no mercado consumidor.
E por que isso desmoronou?

Porque durante o governo Lula e Dilma, 13 milhões de beneficiários no Bolsa Família, foram sustentados por um mercado que foi inchado pelo crédito liberado sem controle e que colocou 60% da população na inadimplência. 3,5 milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida, foram feitas a toque de caixa por um governo populista e incompetente e que hoje desmoronam ou apresentam rachaduras e construídas em locais sem qualquer infraestrutura. 2,5 milhões de bolsas no Pro Uni formando pessoas despreparadas que vem de uma educação, onde se empurra o aluno com a barriga para passar de ano, sem conhecimento para um mercado de ponta e competitivo e que acabam no mercado informal ou no BBB da Globo e 15,5 milhões de novas eletrificações no Luz para Todos, sem aumento de novas fontes de geração.
Essa é a prova de que o governo de Lula e Dilma não tiveram competência para preparar o futuro do país. Ainda está tudo por fazer e o sucessor continua fazendo a casa a partir do telhado. A cada ano fica mais difícil de solucionar o futuro. Acham que a reforma da previdência será a solução, só que mais à frente o colapso virá, já que temos 13 milhões de desempregados que não injetam dinheiro no INSS ou no mercado e a cada dia mais pessoas aderem ao trabalho informal.

O que deveria ser feito é quase impossível, pois os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário consomem o que o país produz, com o agravante de que 50% da arrecadação são jogados no lixo pela corrupção, incompetência e irresponsabilidade.
Herculano
08/04/2018 09:29
AL CAPONE, LULA E O PREÇO DOS MENORES PECADOS, por Rolf Kuntz, no jornal O Estado de S. Paulo

Para avaliar os danos causados pelo petista é preciso levar em conta seu projeto de poder

Como Al Capone, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo menor de seus crimes. Alphonse Gabriel Capone, uma das figuras mais sanguinárias e mais célebres da história criminal, foi para a cadeia por sonegação de impostos. Lula foi sentenciado por um caso de corrupção vinculado a um apartamento triplex no Guarujá. Seu segundo processo envolve um sítio em Atibaia. As histórias de ambos, muito diferentes em vários outros aspectos, têm uma curiosa semelhança: a enorme desproporção entre os males causados e os delitos imputados formalmente a seus autores.

Alguns poderão julgar um despropósito a comparação entre o bandido americano e o político brasileiro. Podem ter razão, se estiverem considerando as leis violadas em cada caso. Não há homicídio na história de Lula, nem uso da violência, nem prática rotineira da maior parte dos chamados crimes comuns. Mas as façanhas do líder petista são imensamente maiores que as do chefe mafioso, quando se levam em conta o alcance e os efeitos econômicos e sociais de suas ações. As barbaridades de Al Capone, suficientes para uma porção de filmes sensacionais, sempre tiveram caráter microeconômico, mesmo quando envolveram corrupção de autoridades.

Lula assumiu a Presidência em 2003 com um projeto de poder e um plano de governo subordinado a suas enormes ambições políticas. Foi capaz de perceber, ao contrário de muitos outros petistas, a importância política de promover ajustes e de controlar a inflação. Era preciso desarmar a desconfiança do setor privado.

Não havia, de fato, a herança maldita proclamada por petistas. As dificuldades eram explicáveis principalmente pela reação dos mercados a ameaças do PT. Figuras importantes do partido haviam prometido, entre outras bobagens, uma "renegociação" ?" de fato, um calote ?" da dívida pública.

Aconselhado por Antônio Palocci, futuro ministro da Fazenda, Lula convidou o presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, para dirigir o Banco Central (BC). Seria mais um avalista do governo. Durante o primeiro mandato a promessa de bom comportamento foi em parte cumprida. O BC combateu a inflação com aparente liberdade e a política fiscal foi conduzida com algum cuidado, apesar da expansão da folha de pagamentos. Nos oito anos de Lula, a despesa com pessoal e encargos do Executivo cresceu 135,6%, enquanto a inflação ficou em 56,6%.

Os crimes do mensalão só se tornariam assunto público a partir de 2005, mas sem atrapalhar a reeleição do presidente. Na política econômica nada foi feito para ampliar e consolidar a pauta de reformas nem se implantou uma estratégia efetiva de desenvolvimento.

Completada a primeira etapa, tudo começou a desandar, com o abandono da responsabilidade fiscal, as enormes transferências do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a política dos campeões nacionais, o aumento do protecionismo e a devastação das estatais. Com incompetência e irresponsabilidade incomuns, a presidente Dilma Rousseff completou o desastre, quase quebrando o Tesouro e levando o País à recessão.

O primeiro mandato de Lula, enfim, foi orientado inteiramente para consolidar, sem resistência nos mercados, o projeto de dominação. O aparelho federal foi submetido às ambições de poder do presidente. As condições para pilhagem das estatais foram um desdobramento dessa política. Petistas e aliados tomaram a administração federal como se fossem forças de ocupação. A devastação da Petrobrás e de outras estatais foi parcialmente descrita nos informes da Operação Lava Jato e de outras investigações.

A conversão da Petrobrás em instrumento da política industrial petista forçou a empresa a comprar insumos e equipamentos nacionais, mesmo quando muito mais caros que os importados. Comprometeu sua rentabilidade, reduziu seu potencial de investimento e, além disso, abriu espaço para troca de favores e corrupção.

A política de investimentos, subordinada às ambições, aos critérios políticos e à fantasia de liderança regional de Lula, jamais concretizada, favoreceu projetos como o da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Deveria ter sido um empreendimento brasileiro e venezuelano. Nenhum centavo da Venezuela foi aplicado nas obras. Além disso, os custos, multiplicados por oito, chegaram à casa de US$ 20 bilhões.

Lula ostensivamente mandou na Petrobrás, indicando diretores, influenciando seus planos, orientando seus investimentos e seus objetivos. Não há como disfarçar sua responsabilidade pelos desmandos na gestão da empresa, assim como é impossível desvincular seu nome da política de compadrio do BNDES. Basta examinar a lista de empresas beneficiadas e os nomes mais vistosos nos processos de corrupção.

Nunca se levaram a sério, nessa fase, os princípios constitucionais definidos para a administração pública no artigo 37: "legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência". A exigência de produtividade no serviço público foi sempre desqualificada como preconceito neoliberal.

Na versão mais complacente, os casos de corrupção ocorridos no Brasil durante a fase petista podem ser mais numerosos que os observados em outros países, mas são da mesma natureza. Esse é o grande engano. A corrupção brasileira, nesse período, foi vinculada essencialmente a um estilo de governo e, mais que isso, a uma forma de ocupação do aparelho estatal. Pode-se trocar a palavra ocupação, nesse caso, por apropriação ou mesmo por privatização da máquina.

Esse projeto de poder foi comprometido pelo fracasso da presidente Dilma Rousseff. Nesse caso, ele cometeu um desastroso erro de pessoa, ou, mais propriamente, de poste. Vitorioso o projeto, Lula nunca precisaria de escrituras ou de recibos para realizar sonhos de consumo ou de riqueza. Tudo viria, como veio por um tempo, como produto do poder.
Herculano
08/04/2018 09:26
DOIS BRASIS, por Roberto Pompeu de Toledo, na revista Veja

Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso travam o mais decisivo embate da atual quadra da vida brasileira. No julgamento do habeas-corpus em favor de Lula no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo sem o habitual pugilato verbal entre ambos, ficou explícito, como em poucas vezes, quanto são diferentes os brasis que cada um tem na cabeça. Para Gilmar, vive-se uma era de "neopunitivismo". Daí por que se deva rever a possibilidade de prisão para os condenados em segunda instância. Para Barroso, vigora no país, amparado pela impunidade, um "pacto oligárquico do saque". A possibilidade de prisão em segunda instância proporcionou a base a partir da qual pode avançar a Operação Lava-Jato. Virou lugar- comum dizer que se trava no Brasil uma luta entre o novo que quer nascer e o velho que se recusa a morrer. Barroso ocupa a ribalta como a mais viva encarnação do novo; Gilmar, como a mais acabada encarnação do velho. Não há parlamentar, líder de movimento social ou candidato presidencial que no momento lhes faça sombra em tais papéis.

A intervenção de um e outro no Supremo teria sede mais apropriada no Parlamento, se o Brasil tivesse um Parlamento decente. O juridiquês foi deixado em segundo plano em favor das respectivas visões de mundo. Gilmar, em rompante de político na tribuna, atacou a mídia como "opressiva", até "chantagista". Barroso citou a mídia como um dos fatores que fazem o Brasil avançar. Gilmar defendeu-se das acusações de que julga em favor dos amigos: "Não aceito o discurso de que estou preocupado com este ou aquele". Barroso, alegando que a possibilidade de prisão na segunda instância era uma conquista a ser preservada, perguntou: "Mudar para quê? Pior: mudar para quem?". No Congresso Nacional, o foro por excelência para debater os rumos do país, a disputa entre os dois não seria menos eletrizante do que as históricas estocadas entre Disraeli e Gladstone no Parlamento inglês.

Gilmar Mendes votou a favor do habeas-corpus a Lula, e Barroso contra. Por ironia, votaram ambos ao inverso do que deles se esperaria se o voto se limitasse à questão do habeas-corpus. Gilmar, que na sessão anterior já afirmara não poder ser acusado de simpatia pelo PT, apontou esse partido como o causador do clima de intolerância no país. Barroso elogiou o crescimento econômico e os avanços sociais do governo de Lula e, como pisando em ovos, explicou que não estava julgando o mérito da condenação do ex-presidente, mas tão somente um habeas-corpus capaz de derrubar o princípio da prisão depois da segunda instância.

???

O Brasil de Getúlio Vargas documentado no filme Imagens do Estado Novo, de Eduardo Escorel, atualmente em cartaz, nos transporta a sete décadas atrás que até parecem sete séculos. Era um tempo em que os homens, em vez de celular, traziam no bolso um obrigatório lenço branco. Os fãs do brigadeiro Eduardo Gomes o agitavam em seus comícios como hoje o fariam com um pisca-pisca de celulares. Os banquetes, em compridas mesas, constituíam-se no cenário em que se faziam homenagens (e como se faziam homenagens!) e se anunciavam programas de governo. Só homens, e brancos, os frequentavam. E o pequeno ditador, que tinha o tique de saudar as multidões com um convulsivo aceno curto (sem esticar o braço nem alçá-lo acima da cabeça), aparecia de preferência em companhia de seus condestáveis, os generais Dutra e Góis Monteiro (ambos simpatizantes do nazifascismo), ou cercado de uma massa de oficiais. Aos militares cabia a última palavra. Eram os garantidores do regime e os desempatadores dos conflitos.

Garantidor do regime e desempatador dos conflitos é hoje, como convém a uma democracia, o Supremo Tribunal Federal. A manifestação do comandante do Exército, general Villas Bôas, na véspera do julgamento do habeas-corpus de Lula soou como um ensaio de golpe no relógio da história. Não é nada, não é nada, a ela se juntam o bolsonarismo galopante, manifestações de outros militares e uma intervenção no Rio que nos obriga a aprender de novo o nome de generais. Não que vá haver um golpe; mas, por favor, que salvem o país do ridículo universal de se imaginar que possa haver.

???

Com o voto da ministra Rosa Weber, ganhou o novo que tenta nascer, mas foi apenas o primeiro round. A mesma Rosa Weber explicou que, a seu ver, não estava em jogo a questão de fundo e que, quando estiver, votará contra a prisão em segunda instância. Será então a vez de ganhar Jucá. Ou seja, o estancamento da sangria.
Herculano
08/04/2018 07:46
BOLSONARO NAS TERRAS DO REI LULA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Com ou sem Lula na disputa, é no Nordeste que Jair Bolsonaro marca seu pior desempenho nas paradas de sucesso eleitoral, uns 8%, segundo o Datafolha do fim de janeiro, o mais recente. Na prática, empata com Geraldo Alckmin. Lula leva cerca de 60% dos votos nordestinos.

Em Garanhuns, terra de Lula, que lhe deu 90% dos votos no segundo turno de 2006, o povo nas ruas reage com um franzir de olhos, uma expressão turva de desconhecimento, ao ouvir o nome de Alckmin. Na pesquisa espontânea do Datafolha, o tucano paulista não chega a 1% das menções dos eleitores nordestinos. Bolsonaro é outra história, mesmo pouco votado.

O capitão da extrema direita era citado em quase metade dos discursos da manifestação de repúdio à prisão de Lula, na tarde de sexta-feira (6), aqui em Garanhuns. Um homem cruel, violento. Que não
fala do povo pobre, que desrespeita as mulheres e os seres humanos em geral. Uma desgraça que não
deveria levar o voto nordestino.

Os oradores eram do PT e sindicalistas rurais, gente de prefeituras da região, de movimentos sociais e estudantis. Falavam mal da "mídia", do Supremo, do "governo usurpador" de Michel Temer, instrumentos da elite odienta. Mas Bolsonaro não entrava nesse balaio.

Esses militantes não têm lá muita relevância política. Lula é rei em Garanhuns e entorno, mas o PT jamais elegeu prefeito aqui e não tem vereadores. O prefeito da cidade é do PTB, e seu líder na Câmara é um
vereador do PC do B, que por sua vez negocia apoio a Marília Arraes (PT) na campanha pelo governo estadual.

Entre essa esquerda municipal e entre o povo das ruas, porém, Bolsonaro suscita interesse. Políticos locais dizem que o grupo de apoio do capitão é "mínimo", mas colocou um outdoor de campanha nos arredores da cidade, como tantos que aparecem pelos interiores rurais do Brasil.

Diante das questões deste jornalista sobre Bolsonaro, o povo não raro devolve a pergunta, curioso e desconfiado: "Você acha que ele pode ganhar?". Afora no caso de Lula e, um tanto, de Ciro Gomes (PDT), os demais candidatos causam indiferença, desprezo tranquilo.

Garanhuns é uma cidade comercial. Caetés, seu distrito elevado a município em 1963, onde Lula nasceu, uma terra de pequenos agricultores muito pobres. Nas duas, porém, Previdência Rural e Bolsa Família pesam tanto na renda que o comércio gira com força entre os dias 30 e 10, quando são pagos os benefícios, dizem os locais. Não é surpresa, assim como a ojeriza, se não raiva, quando se fala de reforma da Previdência.

As pessoas perguntam se "esse Bolsonaro", assim como Michel Temer, também quer acabar com o salário mínimo e a Previdência, objetos de respeito tão grande quanto as realizações do governo Lula para o povo das ruas daqui. São assuntos de vida e morte, de vida ou miséria, que causam emoção e indignação, intensas como essas raivas epidérmicas de redes insociáveis, mas encarnadas, profundas, o que é evidente em gestos, tom de voz e expressões da gente comum que discute esses temas.

Bolsonaro não perturba assim os humores, mas parece intrigar essas pessoas que não votam nele, tido como alguém à parte do mundo da política conhecida. Não leva os votos daqui, mas se tornou um assunto.
Herculano
08/04/2018 07:43
BRASILEIRO PAGA 3 MIL ASSESSORES PARA SENADORES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Os 81 senadores têm, atualmente, 3.277 assessores contratados sem concurso ou vínculo com o serviço público e pagos com o dinheiro do contribuinte. São 1.375 comissionados e 299 terceirizados lotados nos gabinetes das excelências em Brasília e 1.603 aspones nos "escritórios de apoio" dos parlamentares nos Estados. O número de boquinhas nos gabinetes equivale a mais da metade dos 6.070 servidores do Senado.

SÃO EMPRESAS
Em média, cada senador tem 41 empregados à disposição. É mais que a maioria das empresas brasileiras. E o contribuinte banca os salários.

CAMPEÃO
O maior "empregador" é o senador João Alberto Souza (MDB-MA), que emprega 82 assessores e quatro terceirizados em seus gabinetes.

TAPA NA CARA
O senador Hélio José (Pros) tem 80 servidores. São 40 no gabinete em Brasília e outros 40 lotados no escritório de apoio... em Brasília.

NóS PAGAMOS
O gasto anual do Senado com o pagamento de salários e benefícios supera R$ 3,3 bilhões. Cada um custa, em média, R$ 550 mil anuais.

LULA DEVE MANTER 'PRIVILÉGIOS' DE EX-PRESIDENTE
O petista Lula desfruta de prerrogativas de ex-presidentes brasileiros, assim como qualquer outro ex-mandatário vivo. Têm direito a equipe de seguranças, assessoria, carros e ajuda de custos com combustível e saúde, por exemplo. Essas benesses oferecidas pelo estado brasileiro devem ser mantidas, já que precisariam ser retiradas ou suspensas pelo juiz sentenciante, Sérgio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba.

PROMESSA É DÍVIDA
O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o assunto. Disse que a área jurídica da Presidência deve ter posicionamento nesta 2ª-feira (9).

R$1 MILHÃO POR ANO
A média de gastos do contribuinte brasileiro com o ex-presidente Lula, entre custos, salários etc., é de mais de R$ 1 milhão por ano.

MANUTENÇÃO MOMENTÂNEA
Mesmo preso, carros, seguranças e custos de Lula devem ser mantidos por enquanto, já que a sentença (ainda) não prevê a retirada.

IGNORAR A LEI É SUA VIDA
O ex-presidente que ignorou a lei e desobedeceu a ordem judicial de se apresentar à cadeia às 17h de sexta, de forma arrogante, é o mesmo que ignorou a lei e chefiou o maior esquema de corrupção da História.

PRAGMATISMO
A internet não perdoa. Na noite desta sexta (6), usuários das redes sociais sugeriram à Polícia Federal que, em vez de levar Lula embora, poderiam simplesmente passar um cadeado na porta do sindicato.

OITO ANOS? É POUCO
Podem pegar cadeia de 8 anos o ex-vereador Manoel Marinho (PT) e o filho Leandro, capangas que espancaram covardemente um homem de 57 anos, operado com traumatismo craniano. São "seguranças" do Instituto Lula e do senador porralouca Lindbergh Farias (PT-RJ).

BANDIDOS À SOLTA
Delinquentes com bandeiras do PT e MST emporcalharam com tinta vermelha a fachada do prédio onde mora a ministra Cármen Lúcia, em BH. Ignorantes, ainda cometeram erros grotescos nas pichações.

O OUTRO MALUF
Lula dominou as atenções, mas preocupa o estado de saúde de Paulo Maluf (PP-SP), internado na tarde de sexta (6) no hospital Sírio- Libanês com quadro de pneumonia, atrofia e câncer de próstata.

ORDEM ERA PARA POLÍCIA
O prazo estipulado pelo juiz Sérgio Moro para Lula se apresentar na cadeia era, na verdade, uma ordem para os policiais. Lula deveria permanecer livre até as 17h. A partir de então, virou assunto de polícia.

FÉ DE OCASIÃO
Aflorou subitamente na sexta (6) a religiosidade do petista Lula, que negociou se entregar à Polícia Federal apenas após uma missa em homenagem ao aniversário de Marisa Letícia, que faria 68 anos.

TRIBUNAIS DE PASSAGEM
Ao votar pela rejeição do habeas corpus do petista Lula, Alexandre de Moares divergiu de Gilmar Mendes e sentenciou: "Não se pode transformar tribunais de primeira instância em tribunais de passagem".

PENSANDO BEM...
...esqueceram dos acréscimos do juiz, no jogo de ontem.
Herculano
08/04/2018 07:39
NA DESPEDIDA, PRAGMATISMO DE LULA ABRE ESPAÇO PARA O ATRASO, por Fernando Canzian, vencedor de quatro prêmios Esso, no jornal Folha de S. Paulo.

O ex-presidente Lula saiu de cena em sua despedida histórica em São Bernardo acompanhado de pessoas de um país ultrapassado pelos fatos. Havia um clima de nostalgia e bolor naquela cena.

Lula vendeu como o novo dois presidenciáveis de perfil socialista (Guilherme Boulos, do Psol; e Manuela D'Ávila, do PCdoB) e foi escoltado por uma senadora que defende a ditadura na Venezuela (Gleisi Hoffmann), a presidente que afundou o Brasil com intervenções e opacidade no trato do dinheiro público (Dilma Rousseff) e o líder de um movimento que vandaliza imóvel de juiz do STF (João Pedro Stedile, do MST).

No palco, Lula talvez ainda fosse o mais moderno e pragmático. No livro-entrevista "A Verdade Vencerá", recém-lançado, diz: "O problema do sistema capitalista é que, se você não ganhar dinheiro, você não sobrevive? Às vezes, as pessoas de esquerda têm um comportamento ideológico, e esse comportamento ideológico não se coaduna com a realidade."

O pragmatismo de Lula o levou a terminar seu mandato em 2010 como o mais popular do Brasil e com a economia crescendo 7,5%. Acima de tudo, as contas públicas ainda estavam relativamente em ordem.

Foi isso o que permitiu a confiança de empresários a investir e gerar empregos, fazendo com que o trabalho e o aumento da renda transformassem o Brasil e incluíssem os muitos pobres no mercado consumidor.

Foi um círculo virtuoso, que levou ao aumento da arrecadação e à proliferação de programas sociais: 13 milhões de beneficiários no Bolsa Família, 3,5 milhões de moradias no Minha Casa, Minha Vida, 2,5 milhões de bolsas no ProUni e 15,5 milhões de novas eletrificações no Luz para Todos, entre outros.

Seu grande quinhão no atraso foi se imiscuir com o comportamento corrupto de partidos conservadores que dominam o presidencialismo de coalizão, como o MDB e o DEM (ex-PFL).

Com mais crescimento e demanda por infraestrutura, o pré-sal da Petrobras e as obras faraônicas de Copa e Olimpíadas, a escala da corrupção se tornou gigantesca, sugando o ex-presidente cada vez mais para dentro do esquema. Que ele manteve, já fora do governo, como embaixador de empreiteiras operando com financiamentos obscuros do BNDES.

O aflitivo é que, na campanha eleitoral que se aproxima, a esquerda que se diz sensibilizada com o social ainda não entendeu que programas como os de Lula custam dinheiro, e que esse dinheiro vem de impostos de empresas que precisam de estabilidade para crescer.

Quem conhece as favelas e a pobreza brasileiras sabe do potencial que existe ali, de geladeiras e fogões para serem vendidos a pessoas que dariam tudo para ter mais oportunidades de subir na vida pelo próprio esforço, via trabalho.

Lula entendeu isso, mas fracassou patrocinando os velhos esquemas, algo difícil de mudar. Os casos de corrupção estão ai: no MDB de Temer, no PSDB de São Paulo e Minas e na miríade de prefeituras do país.

Pode-se dizer que Lula colheu o que plantou em um país onde as pessoas agora conhecem pelo nome juízes do STF e parecem cansadas de viver em um atoleiro atrasado de altos e baixos.

Não é ruim que um símbolo da política popular tenha caído em desgraça por conta disso. Mas será extremamente perverso se o mesmo rigor, daqui para frente, não for estendido aos demais.
Herculano
08/04/2018 07:34
SE LULA NÃO SE RENDESSE, PF INVADIRIA O SINDICATO, por Josias de Souza

A Polícia Federal já havia elaborado um plano de contingência para prender Lula caso ele não se entregasse. O Plano B seria colocado em prática na manhã deste domingo, depois das 6h. Agentes federais invadiriam a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, para executar o mandado de prisão emitido por Sergio Moro. Em contato com dirigentes da PF, o juiz da Lava Jato revelou-se irritado com a pajelança política promovida por Lula em São Bernardo do Campo.

O acordo que evitou a detenção de Lula na marra foi costurado no eixo São Bernardo-Brasília-Curitiba. Ex-ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff, o petista José Eduardo Cardozo teve papel central na negociação. Sua participação injetou ironia no processo, pois Lula e a cúpula do petismo eram críticos ferozes da atuação de Cardozo como ministro. Na época, queriam que ele domasse a Polícia Federal, anestesiando a Lava Jato. A corrosão de Lula ajuda a entender essa inquietação. O petismo sabia o que fizera no verão passado.

O acordo para que Lula se rendesse foi esboçado na sexta-feira, depois que a Polícia Federal recebeu a informação de que o condenado não se apresentaria voluntariamente em Curitiba até as 17 horas, como Moro determinara. Agentes federais estavam acantonados secretamente nas proximidades do sindicato desde a noite de quinta-feira. Mas a PF decidira que só invadiria o bunker de Lula se não houvesse outra alternativa. Ainda assim, com ordem expressa de Moro.

Ficou acertado que a rendição de Lula ocorreria no sábado, depois de uma missa pelo aniversário de sua mulher, Marisa Letícia. Se estivesse viva, ela completaria 68 anos. O aconselhamento de Cardozo foi considerado vital. Havia ao redor de Lula quem sugerisse levar a "resistência" às últimas consequências - gente como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann e o presidenciável do PSOL, Guilherme Boulos.

Coube a Cardozo esclarecer as consequências de uma bravata. Moro poderia, por exemplo, decretar uma prisão preventiva, o que dificultaria o esforço da defesa para abreviar a permanência de Lula em cana. O juiz não hesitaria em endurecer o jogo. Outras vozes sensatas ecoaram as advertências do ex-ministro de Dilma. E Lula autorizou o fechamento do acordo.

O acerto não incluía a conversão da missa num comício. Tampouco previa que Lula discursasse. Muito menos que ele achincalhasse o juiz e os membros da força-tarefa da Lava Jato. O entendimento só não entornou porque o orador teve o cuidado de incluir no discurso uma referência à sua decisão de cumprir o mandado judicial.

Terminado o comício, prepostos de Lula pediram a inclusão de um adendo no acordo. O pajé do PT queria almoçar com a família antes de se entregar. O repasto com os familiares foi autorizado, desde que a rendição ocorresse até as 16h.

Com atraso, Lula saiu do prédio do sindicato pouco antes das 17h. Entrou num carro que estava estacionado no pátio. Seguiria para um terreno vizinho, onde veículos da Polícia Federal o aguardavam. Mas um grupo de militantes postou-se defronte do portão, obstruindo a passagem do automóvel, que deu marcha à ré. Lula desceu. E enfurnou-se novamente no sindicato. Seguiram-se momentos de tensão.

A cúpula da PF e Moro enxergaram na resistência um quê em encenação. Lula recebeu um ultimato. Tinha meia hora para se entregar. Os agentes federais destacados para conduzi-lo preso seriam desmobilizados às 19h. Um ministro de Temer, que acompanhava as tratativas, exasperou-se: "Com 99% da operação concluída, surge essa recaída lusitana", lamentou.

Por um instante, o governo receou que a PF tivesse de acionar o seu Plano B. Uma invasão do sindicato envolvia riscos. Agredidos por militantes, os policiais teriam de reagir. Havia grande preocupação com a integridade física de Lula. Súbito, às 18h40, quando faltavam 20 minutos para expirar o ultimato dado pela PF, Lula saiu novamente do prédio. Cruzou a pé os cerca de 50 metros de militantes que o separavam do terreno onde se entregaria, finalmente, à equipe da Polícia Federal. Houve alívio em Brasília.
Herculano
08/04/2018 07:29
EM MENSAGEM NA INTERNET, GENERAL CITA FRASE DE HISTORIADOR ANTISSEMITA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O general Cristiano Pinto Sampaio, comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, incorporou-se à tropa de tuiteiros que se solidarizaram com o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. Ele escreveu o seguinte:

"Como disse o consagrado historiador Gustavo Barroso: 'Todos nós passamos. O Brasil fica. Todos nós desaparecemos. O Brasil fica. O Brasil é eterno. E o Exército deve ser o guardião vigilante da eternidade do Brasil. Sempre prontos Comandante!!'"

Gustavo Barroso (1888-1957) foi um historiador fluvial, autor de 76 livros. Escreveu uma "História Militar do Brasil" empolgada e medíocre. Foi um grande diretor do Museu Histórico Nacional e consagrou-se como o expoente do antissemitismo no movimento integralista brasileiro.

Não era antissemitismo de salão. Ele escreveu coisas assim: "O Brasil não passa de uma colônia de judeus verozes, que são misteriosamente auxiliados nas suas negociatas e empreitadas por individualidades das altas esferas nacionais". Ele viu num revoltoso do Império uma "inegável fisionomia judaica".

Barroso traduziu os "Protocolos dos Sábios do Sião", uma fraude que narrava a controle do mundo pelos judeus.

Parte de seus textos antissemitas foi escrita depois de 1937, quando os nazistas depredaram lojas de judeus e destruíram sinagogas.

Os integralistas saudavam-se com o grito de "Anauê", tiveram bons apoios nos quartéis e tentaram um golpe, em 1938. Foram repelidos pelo ministro da Guerra, o general Eurico Dutra, que tomou um tiro na orelha.

Não se conhece o grau de familiaridade do general Pinto Sampaio com a obra de Barroso.

MERVAL E LULA
Muita gente não gostou, mas Merval Pereira estava certo quando disse que Lula estava mais perto da cadeia do que do Planalto.

O PRIMEIRO
Tornou-se comum a afirmação de que Lula é o primeiro ex-presidente mandado para a cadeia ao fim de um processo criminal.

A palavra "primeiro" tem um significado histórico maior. Depois do primeiro, poderá haver o segundo, o terceiro, e assim por diante.

O SUPREMO GILMAR
Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar disse que os 88 dias anuais de férias do Judiciário precisam acabar. Terminou seu voto e foi para o aeroporto a tempo de pegar o voo das
cinco para Lisboa.

Gilmar não participou dos debates, que muitas vezes discutiam suas opiniões, porque tinha mais o que fazer, fora do serviço.

O ARQUIVO DE ROSA
A ministra Rosa Weber pode fazer um favor à História do Brasil. Deve preservar todos os rascunhos de seu voto negando o habeas corpus a Lula.

Eles poderão mostrar que sua decisão já estava tomada antes da mobilização de generais pelo Twitter.

O "EXÉRCITO" DO MSTT
O "exército" do MST começou a fechar estradas na sexta-feira. Bloquear rodovias é um truque e um crime.

É truque porque bastam poucas dezenas de militantes para provocar o transtorno. E crime porque se destina a prejudicar a vida de quem nada tem a ver com a história.

Para prender os militantes do "exército" de João Pedro Stédile não serão necessárias proclamações
eletrônicas.

O LEITOR ESCLARECE
O ministro Carlos Marun informa que jamais disse que a procuradora-geral Raquel Dodge poderia "dar uma de maluca" denunciando Michel Temer pelo caso do porto de Santos.

UMA VIAGEM A 1962 E UMA AULA DE DISCIPLINA

Em 1962 o Brasil estava dividido. Um ano antes a indisciplina dos três ministros militares levara o país à beira de uma guerra civil e João Goulart presidia um regime parlamentarista, dedicando-se a desmanchá-lo por meio de um plebiscito que restabeleceria o presidencialismo.

O Congresso remanchava e em setembro o comandante das tropas do Sul, general Jair Dantas Ribeiro, colocou seus quartéis em regime de prontidão e enviou um telegrama ao ministro dizendo que "me encontro sem condições para assumir com êxito e segurança a responsabilidade do cumprimento de tais missões, se o povo se insurgir pela circunstância de o Congresso recusar o plebiscito". No melhor estilo do digo-mas-não-digo, acrescentou: "A presente explanação não é uma ameaça, nem uma imposição, mas apenas uma advertência".

No mesmo dia o comandante da guarnição do Paraná mandou-lhe um telegrama: "Informo V. Excia. reina completa calma território esta Região Militar. Providenciada ordem prontidão". Xeque.

Meses depois Jair Dantas foi nomeado ministro e foi à forra com o general do Paraná, mandando-o para o último canil do Exército, a Diretoria da Reserva.

O general do Paraná chamava-se Ernesto Geisel, não assinava manifesto contra o governo ("indisciplina"), nem a favor ("chefe não pode receber solidariedade de subordinado").

No dia 31 de março de 1964 deu-se o levante contra Goulart. Jair era ministro e estava hospitalizado. No dia seguinte telefonou a Goulart, abandonando-o.

Geisel tornou-se chefe da Casa Militar do novo governo e em 1974 assumiu a Presidência da República. Nunca assinou manifestos e restabeleceu o primado da Presidência da República sobre as Forças Armadas.
Herculano
08/04/2018 07:10
A LUZ E AS LEIS, por Carlos Brickmann

Nenhum cidadão pode alegar que desconhece a lei. Para que a lei esteja ao alcance de todos, consta em livros, na Internet, nos Diários Oficiais. Mas de que adianta conhecer as leis se não é possível entendê-las? O caso Lula foi dramático: com a mesma lei, o Supremo, que reúne juristas de porte e seus assessores, interpretou de maneiras opostas a prisão dos condenados em segunda instância. Houve ministro que mudou de opinião, houve ministro que tinha opinião e votou de acordo com a posição oposta.

A regra tem de ser clara, não é mesmo, Arnaldo? Quem defende e quem acusa podem divergir; mas juiz pode mudar de opinião no meio do jogo?

Está mais do que na hora de dar uma ajustada na Constituição de 1988. Trinta anos depois de promulgada, a maior parte das leis complementares não foi elaborada. O princípio está na Constituição, mas como aplicá-lo? E há coisas que não deram certo, como o foro privilegiado, que atravancam o Supremo e jogam qualquer julgamento para muitos, muitos anos à frente.

E se os magistrados do Excelso Pretório, vênia concessa, inobstante vezo consolidado, tentarem transformar seu jargão em algo inteligível, para que as sessões televisionadas nos ensinem, além da diferença de caimento entre as togas nacionais e as feitas sob medida, em Paris? Algo que não nos obrigue a ouvir intermináveis discursos e correr aos comentaristas para saber se o voto foi contra ou a favor ?" e se a sentença será ou não aplicada.

URGENTE

É preciso, em suma, reavaliar e consolidar o ordenamento jurídico, para que as entrecruzadas teias se desenrolem de maneira mais lógica. Ou isso ou continuaremos sob o império da Lei, mas da lei que não temos como entender; e, em casos como o de Lula, transformando a análise em torcida.

O PESO DOS FATOS

Muita discussão em torno da prisão de Lula, como se fosse o único caso. Não é: Lula enfrenta ainda o processo do sítio que não é dele em Atibaia, a acusação de receber R$ 12,5 milhões em propinas da Odebrecht, o caso de tráfico de influência para favorecer a Odebrecht em Angola (Taiguara, seu sobrinho, é também réu). É acusado de corrupção passiva na venda de Medidas Provisórias; e de tráfico de influência na compra, em que há suspeita de superfaturamento, de 36 caças suecos Grippen.

Caso condenado em todos os casos, as penas somadas estão próximas de cem anos de prisão.

JOGO DE CENA

Não se impressione com a defesa do PT, que pediu "medida cautelar" ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, para que o Governo brasileiro impeça a prisão de Lula até que todos os recursos tenham sido esgotados. A ONU não pode alterar resoluções judiciais de países-membros.

DIA DOS EX

Lula, dia 6, passou a foragido da Justiça; mas não é o único a ter problemas. No mesmo dia 6, a Coreia do Sul prendeu, por corrupção e abuso de poder, a primeira mulher a assumir a Presidência, Park Geun-hye. Ainda no dia 6, Jacob Zuma, que renunciou diante das acusações de corrupção na compra de armas, foi ao tribunal para o início do processo.

A VEZ DOS TUCANOS

Enquanto Lula decidia o que fazer diante do início da pena, a Polícia Federal prendeu em São Paulo um ex-diretor da Dersa, estatal de rodovias, Paulo Vieira de Souza, ou Paulo Preto. Paulo Vieira de Souza é acusado de desviar recursos que teria encaminhado aos tucanos durante os governos de Alckmin, José Serra e Alberto Goldman; é acusado também de abastecer com recursos ilegais o atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. De acordo com executivos da Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutiérrez, e o doleiro Adir Assad, Vieira de Souza cobrava 0,75% de propina em todas as obras no Rodoanel.

Nesse caso, a investigação começou com uma denúncia internacional: o Ministério Público da Suíça informou que ele tinha o equivalente a R$ 113 milhões em contas internacionais.

Segundo a defesa de Vieira de Souza, sua prisão nada tem a ver com a Operação Lava Jato. O PSDB garante que jamais teve qualquer vínculo com o ex-diretor de Engenharia da Dersa nas administrações Alckmin e Serra e apoia integralmente as investigações que estão sendo realizadas.

BRASIL BRASILEIRO

O excelente repórter Paulo Renato, colaborador desta coluna no Mato Grosso do Sul, chama a atenção para uma peculiaridade do Estado: nestas eleições, quem está em primeiro lugar nas pesquisas é quem mandava prender, o juiz Odilon de Oliveira, do PDT. Em segundo, vem quem já foi preso, o ex-governador André Puccinelli, do PMDB; em terceiro, quem é investigado por denúncia de corrupção, em delação da JBS, o atual governador Reinaldo Azambuja.

O caçador lidera a corrida e a caça perde
Herculano
08/04/2018 07:05
da série: o castelo dos políticos espertos, também é de areia

LULA USOU 48 HORAS NO BUNKER PARA EVITAR OCASO IMEDIATO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Lula fez o último cálculo político antes de sua prisão ao entrar na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na quinta-feira (5). Reconhecendo ter perdido uma batalha, o ex-presidente usou as horas que passou amotinado para colher uma vitória final: desviar os holofotes de seus algozes e estimular a militância a continuar ativa após seu encarceramento.

Ao forçar um acordo sobre os termos de sua apresentação à Polícia Federal, Lula levou a disputa com as autoridades para o terreno político, tomou o controle da própria derrota e transformou o episódio em um ato público a seu favor, com transmissão ao vivo pela TV.

O objetivo do petista é enfatizar, a cada passo, que não aceita nenhum aspecto dos processos que correm contra ele. A rejeição da oferta para que ele se entregasse voluntariamente foi a senha para manter candente entre seus apoiadores um discurso contra arbítrios da Justiça.

O caráter político da resistência de Lula foi potencializado e levado ao limite nos últimos dias porque o ex-presidente passou a se considerar sitiado em todas as instâncias do Judiciário. Os petistas perderam esperanças até no Supremo Tribunal Federal, de onde acreditavam que poderia sair a carta que o livraria da prisão.

Esse ceticismo pautou o abandono dos planos de impor um bloqueio físico à entrada de policiais no sindicato. Seus advogados foram enfáticos ao alertar que o embate provocaria a decretação da prisão preventiva do petista, jogando-o em uma espiral que inviabilizaria os parcos recursos judiciais à sua disposição.

A força política do ex-presidente sempre dependeu de sua capacidade de embaralhar imagem pessoal, simbolismo político, oposição de classes e, agora, um ataque permanente à Justiça. A derrota deste sábado era inevitável, mas Lula tentou usar as 48 horas no bunker para instigar um movimento que tentará preservar parte de seu fôlego enquanto ele estiver atrás da porta de uma cela.
Miguel José Teixeira
07/04/2018 22:30
Senhores,

CUritiBA

Anime-se, corja vermelha!
Lula está em CUBA.
Antes porém, uma paradinha em "riti", para cumprir sua pena.
Que peninha. . .
G?"UPI
07/04/2018 20:39

Dia, 7, dia do Jornalista. Hoje e sempre meu reconhecimento aos que passam a informação com imparcialidade, maestria e clareza. Nós exercemos um papel fundamental na democracia.

~~ Alô Câmara dos Deputados: já passou da hora de por para votação a PEC 206/2012, que reconhece o diploma de jornalismo.

Jornalismo não é brincadeira. Chega de aventureiro!

#DiaDoJornalista #Jornalismo #VotaPEC206 #PECDoDiploma #ChegaDeAventureiro

PALAVRAS DE FRANCIELE BACK, SERÁ QUE TEM ENDEREÇO AÍ NO JORNAL? É A ESQUERDA TOMANDO ESPAÇO NAS REDAÇÕES DOS JORNAIS COMEÇOU COM LEONARDO BOFE E AGORA A TUCANA DE ESQUERDA DE PLUMAGEM MENOR
Herculano
07/04/2018 19:28
COMO BLUMENAU JÁ FOI UM BUNKER PETISTA NO BRASIL E HOJE É Só LEMBRANÇAS E A CIDADE AVANÇOU

Blumenau teve prefeito, Décio Neri de Lima, advogado do Sindicato dos metalúrgicos, mas fruto da ação sindical articulada com o maior de todos, o dos texteis que botou as grandes empresas de joelhos e as fez mudar radicalmente no seu modo de relacionar com os empregados e o mercado

Hoje, Décio com a reeleição de deputado federal ameaçada até já mudou o domicilio eleitoral para a sua cidade Natal, Itajaí, onde tentaria lá disputar a prefeitura, mas desistiu. Não tinha clima e votos.

É o presidente do PT catarinense, mas já esteve até com um pé no PDT. Ele próprio admitiu essa possibilidade.

Do tempo em que Décio deixou a prefeitura e não conseguiu fazer o seu sucessor até hoje, a bancada de vereadores minguou em Blumenau; a mulher de Décio, a deputada estadual Ana Paula Lima tentou duas vezes repetir o feito do marido, e nem chegou no segundo turno.

A filha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lurian, já se abrigoiu na cidade no tempo de Décio.

A CNBB, a petista que politiza e move a Igreja Católica, a que leva o PT aos grotões por intermédio das suas pastorais, "criou" uma Diocese em Blumenau até então pertencente a Joinville, e para lá mandou um dos mais vermelhos dos seus, Dom Angélico Sândalo Bernardino.

Era ele, que já "aposentou" e saiu daqui para se exilar em São Paulo, mas continua íntimo da família do ex-presidente, "rezou" a missa de hoje em São Bernardo do Campo e que era para rememorar os 68 anos da finada Marisa Letícia, completados hoje, e sobre quem nada se falou no "comício oficiado com aparência de missa". Zombaram até do sacro.

E para finalizar os laços.

Maristela Cizeski, ex-secretária de Assistência Social de Gaspar, na gestão de Pedro Celso Zuchi, hoje assessor de Décio, era influente na Pastoral da Criança.

E foi com ela, que houve a perseguição a juíza Ana Paula Amaro da Silveira, com a ajuda da Rede Globo, que hoje, os petistas dizem ser fascista e golpista, mas que usam quando precisam. Este caso foi parar na Justiça e a juíza vem ganhando as ações que colocou no primeiro grau.

E quem estava lá no mocó de São Bernardo do Campo, "dando o maior" apoio a Lula? O casal de deputados Décio Neri e Ana Paula Lima.

Como se vê, a decadência não é de hoje naquilo que já foi um bunker importante não apenas para o petismo catarinense, mas nacional. De Blumenau, o PT fez as prefeituras de Itajaí e Brusque e arredores, por exemplo. Sobrou Gaspar que perdeu em 2016. As outras cidades, depois da queda do PT, avançaram. Em Gaspar, o MDB e PP estão reféns das políticas implantadas pelo PT e rateia com Kleber Edson Wan Dall, MDB. Acorda, Gaspar!
Sidnei Luis Reinert
07/04/2018 19:17
Herculano, gostaria de saber se Antônio Dalçóquio sentiu cheiro de caçhaça ao abraçar o Lula, porque Gleise Hofman," AMANTE"e presidente do partido "seita", deu hoje de manhã uma cheiradinha no cangote do MOLUSCO X9 DEDOS, virou para Dilma e disse explicitamente que "É CACHAÇA"! KKKKKKKK... que vergonha seguir um velho bandido e caçhaceiro,é se rebaixar muito mesmo!Decadência é pouco! A que nível chegaram a PTralhada? KKKKKKK caí da cadeira de tanto rir... segue link:

https://www.youtube.com/watch?v=x0turzg1-Ow

Roberto Sombrio
07/04/2018 18:59
Oi, Herculano.

O ex-presidente, o ladrão máximo, o vagabundo MOR disse: "Não adianta tentar acabar com minhas ideias, elas já estão pairando no ar, e não tem como prendê-las. Não adianta parar meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei com a cabeça de vocês", declarou.

Cai fora meu. Com a minha cabeça não. Não quero ficar burro da noite para o dia.

Lula também afirmou que não vai "parar" porque ele não é mais um "ser humano". "Eu sou uma ideia, eu sou uma ideia misturada com a ideia de vocês. Vocês não vão mais se chamar Chiquinha, Joãozinho, Zezinho, Albertinho.

Ainda bem que ele citou esses quatro e não o meu nome. Sai! não faço parte dessa quadrilha.
Herculano
07/04/2018 18:57
BUZINAÇOS, PANELAÇOS E FOGUETóRIOS TOMAM CONTA DO PAÍS. A ENCENAÇÃO DE ONTEM E HOJE Só SERVIU PARA DESMASCARAR DISCURSOS HIPóCRITAS
Herculano
07/04/2018 18:55
COMO UMA NOVELA, ESTICOU-SE UM ROTEIRO DE SEGUNDOS EM DOIS DIAS PARA PLATEIA DE FANÁTICOS, ADVERSÁRIOS E ATÉ DOENTES, JORNAIS, PORTAIS, RÁDIOS E TEVÊS. LULA SE ENTREGOU, A PÉ, PARA "driblar" COMPANHEIROS E SER PRESO PELA POLÍCIA FEDERAL NUM TERRO BALDIO.
Herculano
07/04/2018 18:52
A MISSA NEGRA CELEBRADA EM SÃO BERNARDO ESCANCAROU A AGONIA DA SEITA, por Augusto Nunes, de Veja.

A missa negra celebrada em São Bernardo do Campo escancarou a agonia da seita, cujo único Deus está condenado a discursar nos próximos anos só para pecadores juramentados reunidos no pátio da cadeia. Disfarçado de homenagem à data de nascimento de Marisa Letícia, a exploração de cadáver juntou no mesmo palanque um Lula quebrado, os medonhos requebros de Dilma, Gleisi Hoffmann e seu sorriso de Miss Simpatia da população carcerária, Celso Amorim de pull over e outras abjeções.

Nenhum dos presentes, incluindo os padres, seria capaz de recitar a segunda parte do credo. Deus deve ser mesmo brasileiro. Só isso pode explicar por que a pequena multidão não foi fulminada por algum dos raios bíblicos que em outros séculos dizimavam concentrações de pecadores irrecuperáveis.
Miguel José Teixeira
07/04/2018 17:23
Senhores:

A expressão "nem", é uma conjunção coordenativa que
serve para ligar palavras e orações negativas.

"Nucanantesnahistóiadessepaís" ela esteve tão explícita no início do artigo 5º da Constituição Federal, como neste embrulho da prisão do condenado lula:

(Nem) Todos são iguais perante a lei. . .
Roberto Sombrio
07/04/2018 14:43
Oi, Herculano.

Esse é o guerreiro do povo brasileiro? Meu não. Meu guerreiro enfrenta a situação de cara lavada.

Lula é o guerreiro do PT, covarde, está enfiado a um dia no Sindicato dos Metalúrgicos debaixo da saia da Dilma. Atitude de sequestrador que fica negociando com a polícia como se entregar. É o vexame do mundo, e só deixa claro que sempre foi um idiota incompetente, coisa de ladrãozinho barato, que na hora da pressão foge feito RATO. Dizem que passou mal depois de discursar por quase uma hora. Qualquer tolo passaria mal falando asneiras sem fundamento.
Diz que é o homem que salvou um país. Quem salva um país dá a vida pelos seus e não se esconde do mundo. É um narcisista desmiolado que só enxerga a ponta do próprio nariz. É o vazio do mundo.
Será lembrado nos livros da história mundial pela covardia de não ter enfrentado a realidade. quer se comparar a Mandela. Qual Mandela? O da África do Sul? Se eu fosse da família do Mandela, o denunciaria por injúria. Os incapazes e incompetentes sempre se comparam a alguém, tentando encobrir seus fracassos, buscando no outro uma carapuça que não lhe serve.
O exemplo que Lula deixa ao Brasil é uma cambada de bate paus que atacam pessoas inocentes nas ruas e picham prédios, quebram o patrimônio público, destroem a imagem de uma nação, tomam o que não lhes pertence, nomeiam o que não fizeram, desmentem as ações negativas criadas e culpam sempre o outros.
Um cara nefasto que virou presidente, apoiado por uma classe e uma parte do povo covarde e malandro.

As Forças Armadas já deviam ter resolvido essa palhaçada. Quanto está custando ao país esse embuste? Até agora 15 anos, 3 meses e 7 dias.
Mardição
07/04/2018 09:04
O martírio do Brasil acabou. Lula que queria sair como mártir, denegriu pra sempre sua história como presidente. Mostrou finalmente ao povo que o endeusa e ao mundo que não tem caráter, comprovando que é bandido, covarde, ignorante, canalha. Ninguém mais o apoia, nem mesmo o STJ e STF.
Vergonha mundial e o PT em desespero tenta tapar o sol com peneira, da qual só sobrou o aro.
Herculano
07/04/2018 08:34
PT PROMETEU EXPULSAR QUEM COMETEU MALFEITO, por Andreza Matais, na coluna Estadão, no jornal O Estado de S. Paulo

O ex-presidente Lula é o 13.º petista a receber ordem de prisão desde o mensalão, o primeiro escândalo a atingir dirigentes da sigla. Todos foram investigados por fatos relacionados ao período em que a legenda ocupou o poder central, de 2003 até 2015. Em 2014, o diretório aprovou resolução determinando que qualquer petista condenado pela Justiça seria expulso. No ano seguinte, Rui Falcão reforçou no programa partidário de rádio e TV. "Qualquer petista que cometer malfeitos e ilegalidades não continuará nos quadros do partido", disse.

Entendeu?
Na sequência de Rui Falcão, à época presidente do PT, aparece o apresentador do programa partidário, que diz: "Você ouviu. Qualquer petista que ao final do processo for julgado culpado será expulso".

Tentativa de resgate.
Em maio de 2015, o PT já havia sido atingido pelo mensalão, mas não ainda pela Lava Jato. A ameaça foi uma resposta ao sentimento antipetista verificado nas eleições de 2014, quando o partido reduziu sua bancada de 88 para 70 deputados federais.

Efeito nulo.
A resolução que estabelece expulsão dos petistas não atingiu ninguém até hoje. Dos 13 petistas que foram alvo de mandado de prisão, quatro saíram por conta própria.

Leite...
Na reclamação apresentada ao Supremo na noite de ontem, a defesa de Lula apontou que o relator natural deveria ser o ministro Marco Aurélio. A esperança durou 2 minutos e 19 segundos, tempo que levou para o sorteio eletrônico distribuir a ação para Edson Fachin.

...derramado.
Após Fachin ser sorteado, um advogado lamentou o "azar" do petista, que tem penado nas mãos de relatores que fizeram carreira no Paraná. Além de Fachin, Felix Fisher (STJ), João Pedro Gebran (TRF-4) e Sérgio Moro. "É a maldição do lei-te-quen-te", brincou com o sotaque paranaense.
Herculano
07/04/2018 08:30
HOJE É DIA DE GASPAR SE ENCONTRAR NO BAILE DO HAVAII, NA BUNGE NATUREZA, EM GASPAR
Herculano
07/04/2018 08:28
EMBARGO DO EMBARGO, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Gostaria de estar à altura do nível dramático desta semana no Brasil. No entanto, aconteceu algo que me deixou frio e calmo. Viajávamos para Serafina Correa (RS) e, na altura de um lugar que se chama Encantado, um carro perdeu a direção, cruzou a estrada e bateu violentamente no nosso. Em meio à fumaça, lembro-me de ter dito apenas: sobrevivemos.

Quando se vê a morte tão de perto e se escapa dela, pelo menos no primeiro momento tudo fica mais simples.

Horas depois conseguimos um novo carro, o outro teve perda total, e voltamos a ouvir os longos votos dos ministros do Supremo sobre o habeas corpus de Lula. Sinceramente, talvez influenciado pela alegria de sobreviver, não via o fim de tudo se o STF derrubasse a prisão em segunda instância.

O velho mecanismo de corrupção seria de novo azeitado e, para nos impressionar, de vez em quando prenderiam um ancião e criariam um vaivém de cadeiras de rodas no presídio. Como somos sentimentais, aceitaríamos que os anciões fossem libertados logo para cumprir prisão domiciliar.

O único problema dessa opção: a Justiça no Brasil deixaria de funcionar em nome do belo princípio de presunção da inocência. As vítimas dos crimes continuariam desemparadas.

Mas a recusa do habeas corpus também não me parece um drama. É apenas a continuidade do bem-sucedido processo da Lava-Jato e da política do STF desde 2015.

Quando Lula foi condenado na segunda instância, não entendia os repórteres que diziam: o destino de Lula é incerto. Destino incerto é o meu e de todos que estão em liberdade. Lula será preso.

Infelizmente, com a calma dos sobreviventes, não consigo entender a agitação da imprensa. Há sempre alguém falando de um recurso, de um embargo do embargo, dando a falsa impressão de que as coisas vão mudar. Uma pessoa que vê a imprensa à distância pode supor que produzir tantas tramas artificiais é algo feito para ajudar Lula. Mas não é o caso. As pessoas precisam de emoção, de criar tramas que mantenham o interesse. Nesse filme, o ator não pode morrer no princípio, pois seria um anticlímax.

Nesse momento em que vejo a vida como um milagre, pouco me importam as pancadas, mas devo dizer que o fato mais previsível do mundo quando alguém é condenado pela Justiça, caso não fuja, é ser preso.

Todo esse miolo dramático, todas essas tramas que se criam entre a definição da Justiça e o momento da prisão são apenas tentativa de alongar o interesse pelo caso. Somos novelistas, criando enredos secundários.

Naturalmente, para o PT e seus aliados, as manobras e as constantes dúvidas mantêm a chama e podem ser de interesse político. Mesmo nesse caso, duvido da eficácia do cálculo. Se estivessem de olho no futuro, talvez escolhessem outra tática.

Toda essa interpretação talvez seja resultado da visão esquisita que tomou conta de mim desde o acidente em Encantado. Nada mais tedioso de quem supõe que conhece todo o enredo e subestima os lances emocionantes das tramas que eletrizam a imprensa.

Espero me curar disso, na próxima semana. Ou então deixar de escrever, pois, realmente, eu me sinto numa outra galáxia. Num lugar onde a lei vale para todos, as pessoas são condenadas e o fato mais banal é sua prisão.

A cidade onde nos acidentamos chama-se Encantado. Ao contrário do que seu nome sugere, foi ali que o Brasil finalmente se desencantou para mim.

Precisaria voltar a viver todas essas emoções, como um ateu que recupera sua fé. E voltar a acreditar em embargos dos embargos e em toda essa conversa.
Herculano
07/04/2018 08:25
ESTREBUCHO DA LEI, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

A reação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) à ordem de prisão do sr. Lula da Silva evidencia uma vez mais quem está do lado da lei - do lado do Estado Democrático de Direito - e quem está do lado da baderna. Até ontem, a Polícia Federal havia confirmado a interdição de 18 trechos de rodovias federais em 11 Estados por bloqueios dos militantes do MST. Segundo um dos coordenadores do movimento, Alexandre Conceição, a ideia é bloquear 50 estradas em 24 Estados. Foi ele quem anunciou recentemente que haveria "porrada, guerra e luta" em defesa do demiurgo de Garanhuns.

João Pedro Stédile, o baderneiro-mor do MST, também saiu a campo para conclamar seus militantes a protestarem contra o que ele chamou de "golpe do Poder Judiciário". Segundo Stédile, "Lula não cometeu nenhum crime, mas eles querem prendê-lo para tirá-lo da campanha eleitoral". Para ele, "o único juiz verdadeiro do Lula deve ser o povo".

A contradição do discurso é evidente. O MST protesta contra o golpe que estaria em curso no País, isto é, afirma que "os interesses do capital internacional, somados aos interesses do capital nacional", estão desrespeitando as leis e as instituições, mas ele mesmo não tem nenhum pudor em proclamar que Lula está acima da lei e das instituições, que só o povo poderia julgá-lo.

O motivo para a imunidade lulista é claro. "Lula é maior que o PT, que a esquerda. Ele é a síntese da classe trabalhadora", disse João Pedro Stédile, para arrematar que "prender Lula é prender o povo".

Esse discurso do MST, que a cada dia comove menos gente, seria apenas ridículo, se o movimento não fosse violento. Não se conformando em anunciar ideias antidemocráticas, esses desordeiros querem impor tais ideias, uma vez mais, com os bloqueios das rodovias e a pregação da baderna e da violência. É uma estranha visão de mundo, na qual a liberdade dos outros é vista como inimiga e opressora. Para dar remédio ao suposto problema, está Stédile, com seu exército, pronto para bloquear, invadir, depredar, como tantas vezes se viu na história do MST.

Como é evidente, a prisão de um condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nada tem a ver com a reforma agrária, que seria, em tese, a razão de existir do MST. Além de confirmar uma vez mais que a finalidade do movimento é política, o estrebucho do MST pelo encontro de Lula com as consequências legais de seus atos manifesta uma manipulação do discurso social. Usa-se a causa da reforma agrária para defender que um político condenado por corrupção não vá para a cadeia.

Ninguém pode alegar ignorância quanto à verdadeira face do MST. Um movimento que se diz progressista e preocupado com as causas sociais emprega todas as suas forças para defender que Lula da Silva tem o direito de receber favores, no caso um apartamento triplex à beira-mar, de uma empreiteira interessada em contratos com o governo federal e suas estatais. Certamente não deve ser fácil convencer a militância a apoiar esse tipo de causa.

O momento pede serenidade, como lembrou a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, no início da semana. O ex-presidente Lula da Silva exerceu, em todas as instâncias judiciais, o seu direito de defesa. Na quarta-feira passada, o STF rejeitou, depois de um longo julgamento, o habeas corpus impetrado pelos advogados do líder petista, assentando que o ex-presidente está sujeito aos efeitos da condenação em segunda instância, como qualquer outro cidadão na mesma situação.

Também não contribuem para a serenidade do País comentários como o do ministro do STF Gilmar Mendes, qualificando de "absurda" a ordem de prisão do juiz Sérgio Moro ao ex-presidente Lula. Voto vencido no julgamento de quarta-feira passada, Gilmar Mendes disse, em Lisboa, referindo-se a colegas de plenário, que "foram péssimas indicações para o Supremo. Pessoas que não eram conhecidas foram indicadas, não tinham formação, não tinham pedigree". Serenidade e respeito à lei convêm a todos.
Herculano
07/04/2018 08:23
OS ALOPARADOS PERDERAM, por Ascânio Seleme, no jornal O Globo

No dia mais importante da história recente do Brasil, os aloprados perderam e o bom senso, o respeito às leis e às instituições prevaleceu. Por alguns momentos desde a emissão da ordem de prisão contra Lula, temeu-se o pior. Os conhecidos revoltados do PT e dos partidos e dos movimentos que circulam o PT como satélites cerraram os punhos e sustentaram que Lula não sairia da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para a cadeia.

O líder do MTST Guilherme Boulos conclamou sua turma a resistir "em trincheira" contra a prisão de Lula. A amigos escreveu, na noite de quinta-feira, que havia um pacto para que Lula não se entregasse, e pediu que a militância ocupasse pelo menos 30 quarteirões em torno do sindicato. Gilberto Carvalho pediu que a militância fizesse uma barreira humana para impedir a entrada da polícia. Desenhava-se uma tragédia.

O aloprado pai, João Pedro Stédile, do MST, chamou seus liderados para ocuparem as praças e as ruas de São Bernardo do Campo. "Vamos nos insurgir", bradou o líder. Não colou. As praças ficaram vazias e só mesmo as ruas ao redor do sindicato se encheram. Não aconteceu o "mar de gente" sonhado por outro ativista do caos, o senador petista Lindbergh Farias. Aparentemente, não houve tempo para Stédile arrumar ônibus e quentinhas e juntar o seu "exército".

O fato é que não houve mobilização popular em favor de Lula. Talvez por isso tenha prevalecido o bom senso. Os discursos da inflamada presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, também não funcionaram. Desde a sentença de Moro, antes mesmo da sua confirmação no TRF-4, Gleisi falava de uma insurreição nacional. Imaginava que as ruas das cidades seriam tomadas por multidões em favor de Lula. Chegou a dizer que, para prender Lula, "vai ter que matar gente".

Ninguém matou, ninguém morreu.

Os advogados recomendaram fortemente a rendição de Lula. Argumentaram que uma desobediência à Justiça atrapalharia muito as próximas etapas do processo. Eles acreditam que, antes do final do ano, e, se derem sorte, bem antes mesmo da eleição de outubro, conseguirão colocar o ex-presidente em prisão domiciliar.

O próprio Lula, pragmático como é, preferiu seguir o bom senso. Apesar de ser incendiário no discurso, porque fala para uma plateia que espera isso dele, Lula sabia que o que estava em jogo ontem era, antes de tudo, a sua pele. Qualquer movimento errado poderia ter impacto negativo em sua vida pessoal. Na sua vida no cárcere, na duração da sua prisão, no seu futuro. Até a perda da cela especial guardada para ele na sede da PF em Curitiba entrou no seu raciocínio.

Também era difícil medir os resultados políticos que resultariam de uma resistência. Seus efeitos poderiam inclusive ser ruins para o PT. Por isso também os aloprados perderam. Enquanto a militância ouvia discursos enfáticos na frente do sindicato, lá dentro Lula e seus advogados negociavam com a Polícia Federal a forma em que se daria sua rendição. Lula será preso a qualquer momento, talvez depois da missa em homenagem a dona Marisa Letícia, que será realizada neste sábado no próprio sindicato. O acordo não ofendeu a Justiça, que foi sábia e deu a Lula a tranquilidade e o tempo que ele precisava para se entregar.
Herculano
07/04/2018 07:36
PLANALTO NÃO SABE SE MANTÉM MORDOMIAS DE LULA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A Presidência da República ainda não sabe o que fazer com as prerrogativas de ex-presidente de Lula, agora que sua prisão foi decretada. As regalias incluem carros oficiais, auxílio-moradia, assessores, segurança pessoal e uso ilimitado de cartão corporativo. A Secretaria de Comunicação informou que a consulta, encaminhada à área jurídica do Planalto, somente será respondida segunda-feira (9).

HOMEM DO MILHÃO
Os privilégios de Lula custam mais de R$ 1 milhão por ano. Ele também tem direito a passagens aéreas e até a assistência à saúde.

MADAME GASTADORA
O maior gasto de um ex-presidente em um só ano, sem surpresa, é o de Dilma Rousseff (PT) em 2017: mais de R$1,4 milhão.

FINGE QUE NÃO EXISTE
A Secretaria-Geral da Presidência, que gerencia as regalias do ex-presidente, não quer comentar o assunto antes de parecer jurídico.

UM EX CARO DEMAIS
O ex-presidente petista, agora apenado por corrupção, gastou mais de R$7 milhões do contribuinte com suas regalias.

CENTRAL SINDICAL LONGE DE LULA: 'JUSTIÇA É PARA TODOS'
Menos de 24h após a ordem de prisão do ex-presidente Lula, parte do movimento sindical, que um dia ele já liderou, bateu em retirada. A CSP Conlutas, Central Sindical e Popular, que está à esquerda da CUT no espectro ideológico, foi a primeira a anunciar que não participaria dos atos contra a prisão. Em nota, a central sustenta que "a justiça deve ser feita para todos", principalmente para quem "esbanja dinheiro público".

AFINADA COM A JUSTIÇA
A central pediu a prisão de corruptos e corruptores e a expropriação de bens para restituição ao erário. Tudo o que o juiz Sérgio Moro tem feito.

METALÚRGICOS O RENEGAM
O Sindicato dos Metalúrgicos, onde Lula entocou, tem mais de 50 mil associados, mas só uma pequena parcela compareceu ao comício.

DECLÍNIO
Nem mesmo o mais pessimista dos apoiadores do PT imaginou que a iminente prisão levaria às ruas um número tão reduzido de lulistas.

CADÊ OS PETISTAS DE CARTEIRINHA?
A página do PT na internet deixou de mostrar o número atualizado de filiados. Antes de o PT omitir os dados, eram de 1,7 milhão, em viés de baixa. Só uma ínfima parte saiu às ruas em defesa de Lula, ontem.

PREVENTIVA NO GATILHO
O comportamento de Lula, após a ordem de prisão, abriu caminho para a decretação da sua prisão preventiva em qualquer dos processos a que responde. Pelo desacato, desafiando a Justiça, e até risco de fuga.

FALTOU DIGNIDADE
A cordialidade do juiz Sérgio Moro, concedendo 24 horas de prazo para Lula se apresentar à cadeia, foi ignorada pelo meliante condenado por corrupção. Oportunista, ele preferiu tirar partido da própria prisão.

CHOQUE APLAUDIDO
Enquanto se dirigiam a São Bernardo, nesta sexta (6), os caminhões de transporte de tropa do temido batalhão de Choque da Polícia Militar foram saudades com gritos de "viva", acenos e buzinaços de apoio.

O QUE É ISSO, COMPANHEIRA?
A Câmara não instalou a Comissão de Legislação Participativa por falta de quórum, quarta (4). "Doente", Luiza Erundina (Psol-SP) apresentou atestado médico e faltou. Mas foi ao "ato" pró-Lula, em São Bernardo, nesta sexta. Parecia muito bem disposta em cima do trio elétrico.

RÁPIDO NO GATILHO
A esperança petista por liminar do ministro Marco Aurélio (STF) para evitar a prisão de Lula durou pouco. Assim que recebeu o pedido, ele o devolveu à presidente Cármen Lúcia para escolher outro ministro.

MECÂNICA DA PRISÃO
A 13ª Vara Federal esclareceu que a partir do descumprimento da ordem de se apresentar às autoridades, Lula não foi considerado "foragido da Justiça", mas seria preso a qualquer momento.

GUERREIROS ANôNIMOS
Neste 7 de abril, o Dia do Jornalista é uma homenagem especial aos bravos trabalhadores agredidos covardemente pelos capangas do PT, CUT e MST enquanto cobriam a iminente prisão de Lula, o corrupto.

PENSANDO BEM...
...o único sangue derramado ontem foi no churrasco no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo.
Herculano
07/04/2018 07:32
O DIA DA PRISÃO DE LULA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo

As duas afirmações seguintes não são idênticas: 1) Pobre do país que envia à prisão o candidato presidencial favorito; 2) Pobre do país cujo candidato presidencial favorito é enviado à prisão. A primeira concentra uma narrativa filopetista na qual a vontade popular é fraudada pelo Estado. A segunda, uma narrativa antipetista, na qual a ordem legal protege a nação do populismo.

Ambas, porém, concordam no qualificativo empregado como lamento: numa versão ou na outra, a prisão de Lula revela a dimensão da crise nacional brasileira.

Já se falou demais sobre a "história de vida" de Lula. Conta-se que, para preservar um simbolismo político valioso, FHC dissuadiu os tucanos de apresentarem um pedido de impeachment após as confissões de Duda Mendonça, em 2005, auge do escândalo do mensalão, quando um Lula alquebrado segurava-se nas cordas. O romance épico do retirante nordestino famélico que conquistou o Planalto seria, segundo o sociólogo tucano, um mito político insubstituível: a coroa de louros de nossa jovem democracia. O que fazer com isso, no dia da prisão de Lula?

O Lula descrito por Lula nunca foi menos que a metáfora de forças sociais irresistíveis. Nas assembleias da Vila Euclides, em 1980, ele disse que corporificava a classe trabalhadora. Nos dias de glória do Palácio, desde 2003, e depois, sob o assédio dos tribunais, passou a dizer que corporifica o próprio povo brasileiro. A derrota de Lula equivaleria, então, à derrota da nação.

Você tem o direito de divergir dessa narrativa arrogante, de evidentes raízes autoritárias. Mas, tirando os cínicos incuráveis, ninguém discordará de que a democracia brasileira perde algo muito relevante: a oportunidade de julgar, nas urnas, o legado dos governos de Lula e Dilma. O lulismo condenado pelos juízes escapa ao tribunal da cidadania. Isso tem consequências.

Na "era Lula", a Petrobras foi colonizada por um cartel de partidos políticos - PT, PMDB, PP - e extorquida pelo cartel de empreiteiras associadas ao lulismo. Sob o comando de Lula, o BNDES transferiu fortunas ao empresariado que orbitava em torno da lâmpada do Estado.

O "pai dos pobres" gabava-se de ser, ao mesmo tempo, o "pai dos ricos". Mas o Lula que ruma para uma cela da PF não é o camarada dos Odebrecht, o brother de Eike Batista, o patrono do metrô de Caracas ou o mecenas do ditador angolano José Eduardo dos Santos, mas apenas o presumido proprietário de um tríplex vagabundo numa praia urbana decadente.

No fim, a obra da Justiça é um tapume que oculta a obra do lulismo - e, nesse passo, evita o escrutínio público dos capítulos decisivos de nossa história recente.

O dia da prisão de Lula deve ser anotado no calendário como o zênite de um fracasso nacional: nossa persistente incapacidade de extrair as lições da falência do lulismo. A nação polarizada entre fanáticos lulistas e fanáticos antilulistas desistiu de examinar os fundamentos da política econômica que provocou a mais profunda depressão de nossa história recente.

O país hipnotizado pela novela vulgar do processo de Lula abdicou de refletir sobre a natureza das políticas sociais voltadas para estimular o consumo privado. A crítica política do lulismo deu lugar à histeria regressiva do bolsonarismo. É como se, a caminho da cadeia, Lula tivesse lançado um feitiço idiotizante, condenando-nos a uma guerra fratricida sobre seu destino pessoal.

O suicídio de Vargas eternizou o varguismo. A prisão de Lula não abole o lulismo, mas o emoldura para a posteridade. Numa ponta, oferece alento à narrativa exterminista de uma direita em rebelião contra o princípio do pluralismo. Na outra, remete às calendas a hora do acerto de contas da esquerda brasileira com o populismo lulista.

Não chore. Não comemore. No dia de sua prisão, Lula ganhou a liberdade de iludir um pouco mais.
Herculano
07/04/2018 07:17
PESQUISAS E PERCEPÇÃO POPULAR SOBRE PRISÃO VÃO DETERMINAR A VELOCIDADE COM QUE O PT VAI DEFINIR SUBSTITUTO DE LULA PARA 2018, por Reinaldo Azevedo na Rede TV

Para alguns colunistas, Lula se encontra hoje com o seu destino e chega ao fim. E seria de um modo um tanto melancólico, já que teria comparecido menos gente do que se esperava ao enterro da última quimera petista em São Bernardo. Isso tudo me parece um exagero. A morte política de Lula vem sendo decretada desde que Sérgio Moro aceitou a primeira denúncia contra ele - esta mesma que encontra seu quase epílogo neste sábado. Depois vieram condenação, a primeira derrota na segunda instância, as denúncias de Antonio Palocci, a segunda derrota? No período, ele se tornou o franco favorito para vencer a eleição se pudesse concorrer.

O PT sabe que terá de articular uma alternativa a Lula: ou constrói um nome ou se alia a Ciro Gomes, hipótese que ainda não está descartada. A velocidade com que vai fazê-lo vai depender do que indicarem as próximas pesquisas. Se o discurso da perseguição política colar de tal sorte que o eleitor passa a se comportar como se estivesse na resistência, insistindo na opção Lula, mesmo estando ele encarcerado, o PT continuará, claro!, com um problemaço na mão, mas também com uma solução: a transferência de votos passa a ser algo bastante tangível.

Embora a prisão e a inelegibilidade não sejam, do ponto de vista técnico, a mesma coisa, assim será vista por amplas maiorias: "Se preso, como vai ser candidato?" Se o nome de Lula murchar de modo significativo, aí a escolha do substituto passa a ser urgente. Se isso acontecer, será interessante ver para onde os votos terão migrado. Será uma péssima notícia para a política e para os demais candidatos, nessa hipótese, um crescimento significativo de brancos e nulos.

O comparecimento modesto, nesta sexta, ao sindicato não quer dizer grande coisa, embora, por óbvio, esse PT que aí está não seja o do passado. As pessoas foram pegas de surpresa, incluindo os petistas, não houve convocação e preparação de manifestação, e parte considerável do eleitorado de Lula está a muitos quilômetros de São Bernardo.

Convém um pouco mais de prudência.
Herculano
07/04/2018 07:15
LULA ESTRAGOU A BIOGRAFIA, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo.

É triste ver Luiz Inácio Lula da Silva prestes a ser preso.

Sua biografia era uma daquelas de contos de fadas. Garoto pobre do Nordeste chega a São Paulo num pau de arara. Devido às dificuldades econômicas da família, estuda pouco, mas torna-se metalúrgico, sindicalista e líder político de esquerda. É perseguido pela ditadura e demonizado pela elite. Perde sucessivos pleitos presidenciais, até que finalmente triunfa. Sob sua gestão, o país cresce como não se via havia décadas e a desigualdade cai. A consagração vem no Brasil e no exterior.

Leitores poderão apontar pequenos exageros e omissões na narrativa, mas ela é essencialmente correta. Conta ao mesmo tempo uma história de autossuperação, que exalta virtudes do indivíduo, e de mobilidade social, que consagra o sistema democrático. O problema é que, em algum momento, Lula fraquejou.

No mínimo, ele se meteu em relacionamentos eticamente inaceitáveis com empreiteiras. Mesmo aceitando a narrativa lulista, é forçoso concluir que construtoras reformaram de graça o sítio que amigos lhe emprestavam para passar os fins de semana e remodelaram, ao gosto da família do petista, um apartamento na praia para o caso de ele desejar comprá-lo.

A Justiça, que é o foro encarregado de decidir se condutas eticamente questionáveis configuram também delitos, analisou o caso do tríplex e concluiu que Lula cometeu os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, pelos quais o condenou a 12 anos. E é difícil falar em complô quando se sabe que a situação de Lula, entre julgamentos e habeas corpus, foi analisada por todas as instâncias, incluindo o STF, onde 7 dos 11 ministros foram nomeados por petistas.

A triste verdade é que o líder que um dia encantou o país e o mundo se perdeu ao longo do caminho. Foi condenado num processo regular e agora precisa cumprir a pena. A biografia sai estragada, mas o país fica um pouco mais republicano.
Herculano
07/04/2018 07:07
COINCIDÊNCIA. EM REGIMES TOTALITÁRIOS CIVIS, QUE TEM APOIO DE MILITARES, COMO É O CASO DA VENEZUELA, SEUS MANDATÁRIOS NÃO RESPEITAM O LEGISLATIVO - AQUI NO CASO DO PT COMPRARAM PARCELA DO CONGRESSO COM O MENSALÃO E O PETROLÃO - NÃO RESPEITAM A POLÍCIA E CRIAM UMA PARA SI - ARMAM OS CIVIS PARA REAGIR QUANDO FOR PRECISO E ORDENAREM, OU TEREM PROVAS PARA PRENDEREM OS QUE SE BANDEAREM PARA O OUTRO LADO, O JUDICIÁRIO Só SERVE AO PODER DE PLANTÃO, A IMPRENSA É PERSEGUIDA E CALADA, E NESTE MOMENTO, ATÉ O CIDADÃO NAS REDES SOCIAIS SOB CENSURA E VIGILÂNCIA.
Herculano
07/04/2018 07:01
SÃO BERNADO, 1978-2018, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, no jornal Folha de S. Paulo

No dia 12 de maio de 1978 começava a greve da Scania-Vabis em São Bernardo do Campo. Era a primeira paralisação operária desde 1968 e o sucesso dos trabalhadores do setor automobilístico mudaria a história do país. A presença de Luiz Inácio Lula da Silva, o líder sindical que emergiu daquele movimento, por 24 horas no Sindicato dos Metalúrgicos depois de decretada a sua prisão na última quinta (5), fecha simbolicamente o longo ciclo iniciado então.

O lulismo não morre com a condenação do ex-torneiro mecânico. Mas terá que se reinventar para sobreviver sem a liberdade daquele em torno do qual o movimento cresceu ao ponto de chegar à Presidência da República. A despeito de quaisquer outras considerações, Lula demonstrou, durante esses 40 anos, a inegável capacidade de aglutinar o campo popular da política brasileira em torno de si.

A Operação Lava Jato, que alcança seu ápice com a ordem de aprisionamento do ex-mandatário, conseguiu o efeito objetivo de afetar o coração da alternativa popular.

O juiz Sergio Moro, mais uma vez mostrando que age olhando para a política, apressou-se a executar a sentença antes que pudesse haver algum recuo superior.

A profunda divisão do STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito, demonstrada na votação do habeas corpus, indicava a instabilidade da decisão anti-Lula tomada quarta (4).

Mas a Lava Jato, independentemente das intenções de cada um de seus membros, é apenas a ponta de um iceberg.

Quando, na véspera da sessão do STF, o comandante Eduardo Villas Bôas divulgou duas postagens no Twitter e em uma delas escreveu que "o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade", ficou claro que a prisão de Lula tinha se tornado, para determinados setores da sociedade, um assunto de "segurança nacional".

As "intervenções pretorianas", conforme as qualificou o ministro Celso de Mello, aproximaram um pouco a situação atual daquela vivida depois de 1964.

Trata-se, mais uma vez, de impedir, no tapetão, que haja verdadeira alternância no poder. Uma disputa sem Lula candidato, e com dificuldade para explicar ao seu eleitorado quem o representa, esvaziará o pleito de outubro. A possível vitória de um candidato de "centro", na realidade do campo da classe média, nessas circunstâncias, terá a sua legitimidade diminuída.

Por outro lado, a evolução dos acontecimentos poderá transformar a condenação de Lula no principal assunto da própria eleição. Dependerá, então, da capacidade dos dirigentes forjados neste ciclo, que permanecem em liberdade, reconstruir o polo que representa os pobres. Sobre o seu sucesso, o futuro dirá.
Herculano
07/04/2018 06:57
TRANCADO EM SEUS RANCORES, LULA PERDEU O FARO, por Josias de Souza

Inconformado com o roteiro que Sergio Moro preparou para o seu ocaso, Lula se autoconcedeu um último privilégio antes de se entregar à Polícia Federal: com desembaraço autocrático, o líder máximo do PT escolheu seu próprio caminho para o inferno. Trancado em seus rancores, Lula perdeu o faro. No intervalo de um dia e meio, produziu três desastres:

1) Bunker sindical: A pretexto de estimular o movimento "Lula livre", o condenado aprisionou-se no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, seu berço político. Foi como se viajasse até o passado num túnel do tempo. A volta às origens denunciou, por assim dizer, o isolamento político de Lula. Fora do prédio, uma multidão de militantes devotos. Nem sinal da classe média que guindou o ex-operário ao Planalto.

Dentro do bunker, além dos áulicos petistas, havia dois presidenciáveis que, mesmo não tendo votos, descartam a ideia de se coligar com o petismo: Manuela D'Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL). Ciro Gomes (PDT), que sonha com uma vaga no segundo turno da disputa presidencial, preferiu não dar as caras. Solidarizou-se à distância. A autoproclamada esquerda já não se reúne nem no cárcere.

Mal acomodado, Lula perdeu o sono na sala da presidência do sindicato. No meio do dia, faltou água na prisão sindical. Foi necessário chamar o caminhão-pipa. Na sala especial que Moro mandou a Polícia Federal preparar para hospedá-lo em Curitiba, Lula terá mais conforto.

2) Afronta ao Judiciário: Sem discutir em profundidade os prós e contras, Lula participou de uma coreografia concebida para sapatear sobre a autoridade de Sergio Moro. Respondeu com grosserias às gentilezas do juiz da Lava Jato, que lhe ofereceu condições especiais para se apresentar à polícia sem constrangimentos.

O diabo é que a sentença que condenou Lula não é mais de Sergio Moro, mas do Judiciário. O TRF-4 confirmou o veredicto, aumentando a pena para 12 anos e 1 mês. O STJ indeferiu um par de habeas corpus solicitados pela defesa de Lula. O STF também mandou um habeas corpus ao arquivo. E há outro sobre a mesa do ministro Edson Fachin.

Se a coleção de derrotas judiciais revela alguma coisa é o seguinte: a agressividade de Lula e seus defensores revelou-se o caminho mais curto para a condenação. Há na fila mais meia dúzia de ações penais contra Lula. Uma segunda condenação já está no forno. E Lula continua aferrado à máxima segundo a qual é errando que se aprende... A errar.

2) Insanidade companheira: Dias depois de se queixar dos ovos, pedras, tiros e bloqueios de rodovias que atazanaram a passagem de sua caravana pelos Estados do Sul, Lula acendeu um pavio que inspirou desatinos em série. Os sem-terra e os sem-juízo bloquearam algo como 50 rodovias no país.

Agredido por um petista na frente do Instituto Lula, um manifestante pró-Lava Jato deu entrada no hospital com traumatismo craniano. Defronte do sindicato de São Bernardo, militantes arremessaram ovos em jornalistas.

Suprema insensatez: Em Belo Horizonte, um grupo criminoso a serviço do "exército" do Stédile tingiu de vermelho parte da fachada do edifício onde a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, tem um apartamento.

Ainda não se ouviu o repúdio do PT às agressões companheiras. Nessa matéria, Lula e seu partido especializaram-se em tocar trombone sob um imenso telhado de vidro. Avaliam que o radicalismo troglodita no patrimônio e no direito de ir e vir dos outros é refresco. Ainda não se deram conta do risco que o PT corre de encolher nas urnas de 2018.
Herculano
07/04/2018 06:50
O CASO LULA É EMBLEMÁTICO E CONCLUSIVO SOBRE A PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA

ELE MOSTRA COMO PODEROSOS E ENDINHEIRADOS, COM ADVOGADOS FAMOSOS E CAROS PORQUE POSSUEM UMA REDE DE RELACIONAMENTO ÍNTIMO DENTRO DO APARELHO POLICIAL E DO PRóPRIO JUDICIÁRIO, CONSEGUEM PROTELAR, INDEFINIDAMENTE O CUMPRIMENTO DA PENA DE UM CONDENADO.

SE FOSSE UM COMUM, POR FALTA DE DINHEIRO E GENTE QUE COMPRA O CAMINHO DAS PEDRAS, ESTARIA NA CADEIA HÁ MUITO TEMPO
Herculano
07/04/2018 06:46
CUMPRA-SE A LEI, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Em meio às previsíveis manifestações de seus partidários mais inconformados, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preferiu não cumprir o prazo que lhe foi concedido pelo juiz Sergio Moro para apresentar-se à sede da Polícia Federal em Curitiba.

Sem constituir desobediência a ordem judicial, sua atitude reflete um cálculo político que corresponde mais, nesta altura, à expectativa da militância petista do que ao efeito que possa ter no conjunto da opinião pública.

Ainda que sejam intensas e díspares as emoções que o fato suscita, a prisão de Lula segue um protocolo republicano que transcende as significações ideológicas e as paixões partidárias de que se tenta revesti-lo, com doses negligenciáveis de provocação.

Não se sustenta, é óbvio, a versão lulista de que tudo se reduz a uma perseguição política contra um líder de origem operária.

Também foram atingidos por decisões judiciais e ordens de prisão, nestes anos de Lava Jato, figuras como Paulo Maluf, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Marcelo Odebrecht, Valdemar Costa Neto ou Geddel Vieira Lima, a quem não se podem atribuir compromissos históricos com a luta sindical ou a defesa dos excluídos.

Nem mesmo existe beneficiário claro, nos meios políticos mais tradicionais, das ondas de combate à corrupção que produziram, nos últimos anos, desalento e revolta no eleitorado nacional.

Tampouco é o caso de confundir a derrota judicial do ex-presidente - fundamentada em provas consistentes de corrupção, condenações em duas instâncias e habeas corpus negados nos tribunais superiores - com o julgamento dos valores ideológicos que ele representou com destaque indisputado.

De outro lado, o senso de irrealidade que se configura na atitude dos lulistas encontra paralelo na euforia persecutória, claramente seletiva, de setores que identificam nas bandeiras vermelhas e num fantasmagórico comunismo as únicas origens da indecência nos costumes políticos do país.

A disputa entre liberais e estatistas, entre redistributivismo e competitividade, entre dispêndio e austeridade, se dá - e continuará a dar-se, não importando os candidatos que se apresentem em outubro - num campo distinto do que, agora, ocupa as emoções gerais.

A democracia, o debate, a alternância de poder prosseguem e se aperfeiçoam quando a lei é respeitada e seus infratores, depois de exercerem seu pleno direito de defesa, são punidos.

Afora uma pequena parcela de militantes, tomados pelo inconformismo ou pelo ódio, a sociedade tem maturidade, e se mostra serena, para resolver os seus conflitos e problemas. A corrupção é um deles - e o progresso brasileiro, neste ponto, se confirma mais uma vez.
Herculano
06/04/2018 18:52
LULA, PT, SINDICATOS, A ESQUERDA DO ATRASO DESAFIAM E ZOMBAM DA JUSTIÇA E AINDA DIZEM QUE ELA OS PERSEGUE.

A APRESENTAÇÃO DO EX-PRESIDENTE PARA SER PRESO TINHA PRAZO ATÉ AS 17H. SÃO 19 E ELE AINDA SE PREPARA PARA FAZER UM DISCURSO POLÍTICO PARA OS SEUS EM TRIO ELÉTRICO E RUA ABERTA.
Herculano
06/04/2018 16:23
MAIS UM HABEAS CORPUS NEGADO A LULA


O ministro Felix Fischer, relator da Lava Jato no do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), negou agora há pouco o pedido de medida liminar para o habeas corpus que foi feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), logo pela manhã de hoje.
Miguel José Teixeira
06/04/2018 14:26
Senhores,

Quanto riso! Oh! Quanta alegria!
(Coluna do Ari Cunha, hoje, no Correio Braziliense)

Qualidade e quantidade nunca andaram juntas: ou uma coisa, ou outra. É o caso do amontoado de legendas partidárias que adornam a democracia brasileira. São dezenas de agremiações, registradas na Justiça Eleitoral, que buscam o máximo de benesses do Estado para serem distribuídas entre os seus associados, principalmente para grupos e indivíduos situados na cúpula do partido. Falar em ideologias, programas, estatutos e outros elementos próprios de partidos políticos é desnecessário. Para esses grupos seletos, tudo é negociável e maleável, confeccionado ao sabor de cada circunstância e momento. Tem-se partidos aos borbotões, mas não se tem, um único sequer, que traduza e lute para implementar os reais anseios da sociedade.

A mesada gorda, representada pelos R$ 888 milhões do Fundo Partidário e R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral, criado pela reforma meia-sola aprovada recentemente pelo Congresso, fez aumentar, ainda mais, a corrida pela formação de novas legendas, considerado hoje um grande e lucrativo negócio que dispensa, inclusive, as bisbilhotices da Receita.

É sabido que boa parte desses recursos jamais chegará aos diretórios regionais, ficando concentrada nas mãos de poucos, sobretudo dos dirigentes, que dela farão o uso, de acordo com suas conveniências, visando, obviamente, aumentar o poder de influência da agremiação e, assim, obter mais recursos públicos.

Com um sistema estruturado dessa forma, não surpreende que tenhamos uma democracia do tipo censitária, em que as legendas mais ricas dominam a cena política. Deformidade como essa, que possibilita a concentração de valiosos recursos públicos em entidades privadas, é turbinada ao máximo, quando as legendas se deparam no poder com um sistema caracterizado pelo presidencialismo de coalizão. É aí que os partidos encontram o paraíso, ao negociar o apoio às pretensões do governo.

Dessa forma, o que resulta no toma lá dá cá dos balcões de tratativas políticas é mais recurso para as legendas, transformadas em clubes milionários. Obviamente, as crises se repetem, numa ciranda cíclica e monótona em um sistema que leva, segundo pesquisa do Datafolha, 72% da população a afirmar que não confia nos atuais partidos. A janela partidária, que possibilita o troca-troca de legenda e que, agora se fecha, demonstra, na prática, que mudar de um partido para outro é mais fácil do que mudar de roupa ou, nesse caso, de fantasia.

A frase que foi pronunciada:

"A esperança tem duas filhas lindas:
a indignação e a coragem.
A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las"
Santo Agostinho
Roberto Sombrio
06/04/2018 14:17
Oi, Herculano.

Se o zeca do PP (partido pirralho) escreve em dialeto e pelo que se presume é da 3ª idade, quando chegar a 4ª idade, não saberá nem mesmo limpar o próprio traseiro.
Deve ser por isso que Gaspar está a beira do esgoto. Você vai a Blumenau, Brusque, Itajaí, Timbó, Indaial, Joinville e enfrenta obras em todos os cantos das cidades, enquanto aqui... bem; aqui tem o zeca do PP que escreve "A corda". Tenho uma aqui em casa. Queres para te enforcar ou enforcar o Lula que é teu padrinho burro.
És parente do antigo zé ruela?
PP - Partido Podre
06/04/2018 13:40
Sidnei Reinert, já que o Zeca do PP ri dos quarentões, que tal manda-lo para o MOBRAL?
KKKKK....
Mardição
06/04/2018 13:36
LULA TROCOU A VELHA POSE DE MITO PELA DE MÁRTIR, por Josias de Souza

É que ele não pode ser MITO, já tem um!
Digite 13, delete
06/04/2018 13:31
Oi, Herculano

Segundo O Antagonista sobre o teatro da resistência de LuLLa: "O corrupto e lavador de dinheiro prefere armar um teatro a se portar com um mínimo de dignidade".

E ladrão tem dignidade?
Anônimo disse:
06/04/2018 13:24
PATÉTICO. Eduardo Suplicy

Herculano. Qual petista não é PaTético?
Pantaleão
06/04/2018 13:20
Zeca do PP, A corda ... está amarrada no balde encima do poço.
Sidnei Luis Reinert
06/04/2018 12:17
Zeca do pp,vá cuidar de sua dor de barriga pela prisão de seu mentor e bandido ####lulanacadeia###### ou "A corda" no pescoço dele... Aprende a escrever... sintomático de PTralha!kkkkkk
Herculano
06/04/2018 11:17
DEFESA DE LULA VAI A ONU PARA EVITAR PRISÃO DO EX-PRESIDENTE, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Os advogados de Lula apresentaram um pedido de medida cautelar à ONU (Organização das Nações Unidas) denunciando o que definem como "prisão arbitrária" do petista.

Eles argumentam que ainda não foram esgotados todos os recursos à que a defesa tem direito e que a decretação da prisão é irregular.

Eles esperam que a entidade se manifeste pedindo a suspensão da medida.

?DESPACHO

Nesta quinta (5), o juiz Sergio Moro mandou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apresentar à Polícia Federal em Curitiba até as 17h de sexta (6). A decisão foi tomada após o magistrado receber ofício do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), autorizando a prisão.

Lula foi condenado por Moro no caso do tríplex de Guarujá em julho de 2017. Em janeiro, os juízes do TRF-4 confirmaram a condenação e votaram por aumentar a pena do petista para 12 anos e um mês de prisão.

Em seu despacho, Moro afirmou que está "vedada a utilização de algemas em qualquer hipótese". O juiz informou que foi preparada uma sala reservada para o início do cumprimento da pena do ex-presidente, "em razão da dignidade do cargo ocupado".

'PATOLOGIA PROTELATóRIA'

Em sua decisão, o juiz de Curitiba criticou a possibilidade do uso de recursos judiciais para adiar o cumprimento de pena.

"Hipotéticos embargos de declaração de embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico", afirmou.
Miguel José Teixeira
06/04/2018 11:10
Senhores:

Na mídia:

"Ex-presidente da Coreia do Sul é condenada a 24 anos de prisão por corrupção"

Alguém aí leu notícia de que "alguma suprema autoridade" daquele país tenha dito que a condenação de um ex-presidente afeta a imagem da nação???
Herculano
06/04/2018 10:57
LULA DECIDE NÃO IR PARA CURITIBA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Kotscho e Catia Seabra. Às 8h30 da manhã desta sexta-feira (6), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse à Folha que sua decisão era não ir a Curitiba para se entregar à Polícia Federal, como determinou o juiz Sergio Moro.

Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), em companhia dos filhos, amigos e dirigentes do partido, e lá pretende ficar durante o dia, em reunião. A dúvida agora é entre se apresentar em São Paulo ou não se apresentar.

Em rápida conversa telefônica, o petista disse que estava tranquilo, bem disposto, e que já tinha feito seus exercícios matinais como faz todos os dias.

Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, uma viagem do ex-presidente a Curitiba teria dificuldades de logística e de segurança, especialmente depois da decisão de Moro de bloquear as contas do petista.

O ex-presidente aguarda também o resultado de um novo pedido de habeas corpus feito pela defesa, dessa vez ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O argumento central é que o TRF-4 antecipou a execução da pena ao determiná-la antes da publicação do acórdão do julgamento dos embargos de declaração apresentados pelos advogados.

Ainda seria possível apresentar novos embargos e por isso, segundo a defesa, a prisão de Lula não poderia ocorrer tão rápido.

Segundo a ordem de Moro, decretada na tarde de quinta (5), o petista deve se apresentar à sede da Polícia Federal em Curitiba até as 17h desta sexta (6).

A decisão foi tomada após o magistrado receber ofício do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), pouco antes, autorizando o início do cumprimento da pena de Lula, de 12 anos e 1 mês, com início em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex de Guarujá (SP).

A ordem de prisão expedida por Moro foi a mais rápida entre condenados da Lava Jato que estavam soltos. O ex-presidente será preso nove meses após sentença, enquanto os outros casos duraram de 18 a 30 meses.
Tadeu
06/04/2018 10:56
Bom dia Herculano. ILHOTA EM CHAMAS
Acho que o ex-prefeito Ademar Feliski não pode ser mentor do Dida, pois é só acompanhar no facebook do Dida. Parece que antes dele nunca teve um prefeito que soubesse usar o dinheiro público com responsabilidade, só a partir de seu mandato é que estão sendo gastos bem o dinheiro. Então pelo o que ele escreve, o ex-prefeito Ademar também não usou bem o dinheiro público...É pracaba...rsrsrs
Herculano
06/04/2018 10:50
Ao que se diz ser o Zeca do PP

1. Ninguém vai me convidar, porque sabe que nunca aceitaria participar da armação de circos.

2. Eu não tenho nenhuma solução. Basta ler o que escrevi hoje. Não trouxe nenhuma solução, pois esta não é a minha função pois não estou num ambiente de soluções. Apenas expus falhas e erros. E isso incomoda a quem precisa mostrar resultados, inclusive para as urnas.

3. Quanto aos demais citados, não tenho procuração. Todos não foram expostos à competência administrativa pública. Já na privada, são reconhecidos...
Herculano
06/04/2018 10:41
DOIS COMENTÁRIOS DO DITADOR VENEZUELANO NICOLÁS MADURO, NO TWITTER. SINTOMÁTICO.

Todos somos Lula. No podrán con las esperanzas y convicciones de los rebeldes. Nada detendrá la marcha por la justicia y dignidad de Brasil. Hablando con la verdad y el corazón somos invencibles. Estamos contigo. #LulaValeALuta

Hace 224 años nació en Recife, Brasil, José Ignacio Ribeiro de Abreu e Lima. Considerado uno de los grandes héroes de la independencia bolivariana, luchó junto al Libertador Simón Bolívar en busca de la liberación de Venezuela del yugo español.

Abreu e Lima, é o nome da refinaria pernambucana da Petrobrás, que o falecido ditador Hugo Chaves, prometeu ser sócio, enganou, não foi, e de onde se roubaram bilhões no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro da Lava Jato, sem concluí-la.
Miguel José Teixeira
06/04/2018 09:06
Senhores,

Da série "perguntar não ofende":

1) Porque será que o condenado lula, vestiu aquela mortalha, após saber de sua prisão???

Algum "açeçô" precisa avisá-lo que presidiários não usam mortalhas. . .

2) O que será que o reeducando com tornozeleira eletrônica, o vulgo zédirceu, quiz dizer com "a prisão do lula não nos deterá"?

Alguém precisa analisar, pois a roubalheira PeTralha pode não ter sido estancada. . .
Zeca do Pp
06/04/2018 08:46
Sr. Jornalista,

Para o governo de Kleber ser melhor do já o é, somente se o prefeito chamar para compor a administração os senhores: Herculano Domicio (esquece, nenhum prefeito fará isso), Roberto Sombrio, Luciano da Cunha, Sidney Reine, Andréia Nagel e mais alguns colaram ores seus.
Aí sim o governo de Gaspar será um ícone nacional.
Faz favor.... tem gente que, quando chega na 4a idade teoricamente tem solução pra tudo.
A corda...
Herculano
06/04/2018 08:21
O GOLPE

Raul Castro, irmão sucessor do ditador de esquerda Fidel Castro, de Cuba, diz que "está havendo um golpe no Brasil", referindo-se à determinação judicial, depois de longo processo no devido processo legal e amplo contraditório, para prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT.

Três observações, entre muitas dezenas que poderia se fazer.

Afinal de golpe, Raul entende. Nem eleições há. Há homologações pelo voto de candidatos ao número de vagas, num único partido, o do governo. Antes, nem isso havia.

Sobre Justiça, a de Cuba é um exemplo para a democracia mundial.

E sobre a liberdade de imprensa? Nem de longe parece existir.

Então...É desses autoritários que o PT tem apoio irrestrito e sustentou com os nossos pesados impostos, enquanto morriam gente na fila do SUS por aqui.
Herculano
06/04/2018 08:14
NÃO É OBRIGATóRIO ESPERAR OS EMBARGOS

Conteúdo de O Antagonista.Davi Tangerino, professor da FGV, explicou para O Globo que "não é obrigatório esperar que os embargos sejam apresentados para se executar sentenças".

E mais:

"O acórdão já pode ser executado antes da apresentação dos primeiros embargos".
Gilberto
06/04/2018 08:02
Administração rotula-se como "eficiente".

É piada, só se for eficiente em atrapalhar. É tanto comissionado na prefeitura, que um quer mandar mais que outro e ninguém se entende, uma simples renovação de contrato com uma empreiteira se torna a coisa mais dificil do mundo.
Herculano
06/04/2018 07:41
da série: e teria que ser diferente para quem é feito por espertos e que manipulam uma maioria de analfabetos, ignorantes e desinformados para serem eternamente poder e de lá saquear os pesados impostos do povo?

PARA O PT, FOTO DE LULA PRESO CERCADO POR MILITANTES É "IMPRESCINDÍVEL", conteúdo da coluna Painel (Daniela Lima), do jornal Folha de S. Paulo.

Para a História
Petistas passaram a madrugada desta quinta (5) em expiação, culpando-se por não terem mobilizado multidão grande o suficiente para impressionar o STF. Menos de 18 horas após a derrota na corte, veio a ordem de prisão de Sergio Moro. Pega no contrapé, a sigla acionou plano de emergência. Quer que Lula seja levado cercado por apoiadores. Um integrante do partido explica: se antes a foto do encarceramento era importante para a Lava Jato, agora ela é imprescindível para o PT.

No limite
O PT quer garantir que a militância escolte Lula ainda que ele decida se entregar. Apoiadores estarão a postos até em Curitiba, aguardando o petista desembarcar rumo à PF. Interlocutores negociavam uma autorização para que dirigentes da legenda pudessem segui-lo até o Paraná.

A seco
Aliados estavam reunidos no instituto que leva o nome do ex-presidente em São Paulo para discutir mobilizações na próxima semana quando um petista entrou na sala com a notícia da determinação da prisão. Houve choro.

Deu ruim
A ex-presidente Dilma Rousseff, que estava com Lula desde a véspera do julgamento do Supremo, manifestou expectativa a pessoas próximas sobre o voto de Rosa Weber, ministra indicada por ela para a corte e com quem mantinha boa relação pessoal.
Herculano
06/04/2018 07:34
LAVA JATO MANDA PRENDER PAULO PRETO, DO PSDB DE SÃO PAULO

Conteúdo do portal G1. Texto de Bruno Tavares, da TV Globo São Paulo. A Polícia Federal cumpre no início da manhã desta sexta-feira (6) mandado de prisão preventiva contra Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, a empresa paulista de infraestrutura rodoviária, a Dersa. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, ele comandou o desvio de dinheiro como o destinado ao reassentamento de desalojados por obras do trecho Sul do Rodoanel, na Grande São Paulo, durante o governo do PSDB.

A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de Paulo Vieira de Souza e autorizou busca e apreensão em sua residência. Os mandados foram cumpridos nesta manhã pela Polícia Federal. O advogado Daniel Bialski, que defende o ex-diretor, disse que desconhece o motivo da prisão.

O Ministério Público Federal denunciou Paulo Vieira de Souza e outros quatro suspeitos pelos crimes de formação de quadrilha, inserção de dados falsos em sistema público e peculato, que é a apropriação de recursos públicos. Não há pedido de prisão.

Eles teriam desviado recursos, em espécie e em imóveis, entre os anos de 2009 e 2011, no total de R$ 7,7 milhões (valores da época) destinados ao reassentamento de pessoas desalojadas pela Dersa para a realização das obras do trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal Tietê, na região metropolitana de São Paulo.

A denúncia foi feita após uma investigação iniciada no Ministério Público Estadual de São Paulo pelos desvios de apartamentos e de pagamentos de indenizações. Durante as investigações, a Promotoria da Suíça informou que Souza mantinha o equivalente a R$ 113 milhões em contas fora do Brasil.

Paulo Vieira de Souza foi diretor da estatal que administra as rodovias em São Paulo entre 2005 e 2010. Os procuradores pediram a quebra do sigilo bancário dele. Além de autorizar a suspensão do sigilo, a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, determinou o bloqueio dos eventuais saldos que existam nas contas dele no exterior.

Os documentos suíços revelaram que o dinheiro estava em quatro contas bancárias, abertas em 2007, por uma offshore sediada no Panamá, cujo beneficiário é Paulo Vieira de Souza e que, em fevereiro de 2017, o dinheiro foi transferido da Suíça para um banco nas Bahamas.

A juíza diz que há fortes indícios dos crimes de peculato e falsidade ideológica, bem como o enriquecimento injustificado.

Na ocasião da denúncia do MPF, no dia 22 de março, a Dersa disse em nota que "em 2011 organizou seu Departamento de Auditoria Interna, instituiu um Código de Conduta Ética, cuja adesão é obrigatória para todos os funcionários e contratados, e também abriu canais para o recebimento de denúncias que garantem o completo anonimato da fonte".

Já o PSDB declarou que não tem qualquer relação com o réu ou com os fatos narrados.
Herculano
06/04/2018 07:29
JOGO DO "NóS CONTRA ELES" NÃO PODE OFUSCAR DEBATE SOBRE GRANDES PROBLEMAS NACIONAIS, por Pedro Luiz Passos, empresário e conselheiro da Natura, no jornal Folha de S. Paulo

Como se não lhe dissessem respeito a confusão na política e os choques entre os poderes, a população assiste perplexa, a seis meses das eleições, a uma instabilidade que só tem acrescentado incertezas à recuperação ainda frágil da economia e do emprego, além de tumultuar a discussão em alto nível dos muitos e graves problemas a espera de solução.

A barafunda que caracteriza a atual conjuntura gera um sentimento de frustração, reforçado pela percepção de que a Lava Jato se encontra sob recorrentes ataques, o que coloca um imenso ponto de interrogação diante das tentativas de esvaziamento do combate à corrupção.

Esse estado de coisas tem sérias consequências. De um lado acentua o desinteresse da maior parte da sociedade pela discussão dos problemas do país.

Por outro lado, estimula uma parcela menos numerosa (porém mais ativa) a seguir no rumo da radicalização e da polarização que se estabeleceu no ambiente político e nas relações sociais de 2014 para cá.

Tal cenário elevará a temperatura da campanha eleitoral e é provável que se apodere do espaço que deveria ser ocupado pelos debates sobre grandes problemas nacionais.

Pouco se discute com a profundidade necessária a premência de reformar o Estado e alinhá-lo aos anseios da sociedade, abrindo caminho para equacionar outras de nossas mazelas, como o desarranjo das contas públicas, o descontrole nos gastos da Previdência e o nó górdio em que se transformou o sistema tributário.

O embate eleitoral deveria evoluir em torno de propostas para encaminhar tais matérias e não se perder no jogo "nós contra eles". Com preocupação, observamos que a qualidade do debate não vem respeitando as necessidades de informação dos eleitores. Eis aí um bom caldo de cultura para a proliferação do oportunismo radical de todos os espectros.

Isso acentua a instabilidade do quadro político ?"e a economia não ficará incólume, com riscos de embaçar o relativo otimismo que se formou nos últimos tempos. A inflação cedeu, permitindo que os juros básicos ingressassem num patamar inédito. Setores como indústria, varejo e, num ritmo mais contido, os serviços passaram a registrar taxas positivas de expansão até então restritas ao agronegócio. Não por acaso o consumo e o investimento recuperaram parte do vigor que exibiam antes da crise.

Trata-se de uma retomada ainda em fase de construção e, por isso, pode sofrer abalos caso persista a falta de confiança no encaminhamento de pontos estratégicos para o futuro do país. Mais: a perspectiva de crescimento econômico fica prejudicada, já que dois de seus alicerces, o investimento das empresas e o consumo das famílias, dependem em larga escala da previsibilidade e da estabilidade a médio e longo prazos.

Vamos chegar a 2019 sem o necessário esclarecimento da população a respeito de matérias fundamentais que é preciso enfrentar. Infelizmente, parece continuar em cartaz o mesmo filme assistido em 2014, com discursos acalorados, falsas promessas e truques de marketing vazios. O roteiro é nosso velho conhecido com mais uma desagradável surpresa no final.
Herculano
06/04/2018 07:22
BOMBEIRO

Radical sob todos os aspectos, o ex- presidente da UNE no tempo do "Fora Collor" sempre dirigida pelo PCdoB, o senador pelo falido Rio de Janeiro,Lindbergh Farias, PT, está instruindo Lula, segundo ele mesmo revelou, para não se entregar e sim resistir, fazendo com que a Polícia invada o Sindicato onde está, para de lá retirá-lo a força, gerar uma imagem de truculência, e assim gerar a comoção e piedade de uns e à incitação de outros

No twitter ele escreveu ontem à noite:

"A presepada ilegal armada por Moro em tempo recorde tem um único objetivo: garantir a matéria de capa da Veja e Isto É. Moro, além de um criminoso, é uma figura ridícula".

Lei e Justiça, mesmo que falha, para essa gente (a nova elite poderosa, endinheirada e ideológica, mas marginal) só existe para os outros, os pobres, os pretos, putas e principalmente para os adversários ou inimigos.

Vivem desafiando as regras e as instituições que as usam para enquadrar os outros.

E isso não é em Brasília ou São Paulo, como desse caso específico. É por aqui também. Wake up, Brazil! Acorda, Gaspar!
Herculano
06/04/2018 07:10
MST PROMETE BLOQUEAR 85 ESTRADAS

Conteúdo de O Antagonista. O MST promete queimar pneus nesta sexta-feira.

"O principal foco será o fechamento de rodovias", diz O Globo. "De acordo com um líder do movimento, o objetivo é impedir a circulação em 85 estradas".

O único aspecto deletério da prisão de Lula é esse: piora o congestionamento.

LULISTAS ATACAM A IMPRENSA

Os lulistas continuam a agredir a imprensa.

Às 5 da madrugada, segundo a Folha de S. Paulo, "apoiadores de Lula se voltaram contra a imprensa presente no local.

Fotógrafos e repórteres foram ameaçados na rua e, quando foram conduzidos para dentro do sindicado, houve tentativa de invasão.
Herculano
06/04/2018 06:54
LULA TROCOU A VELHA POSE DE MITO PELA DE MÁRTIR, por Josias de Souza

Na véspera de sua prisão, Lula adotou uma pose diferente. Trocou a estampa de mito pela de mártir. A inauguração desse figurino remodelado ocorreu na noite desta quinta-feira, horas depois da decretação da prisão de Lula.

O condenado percorreu cerca de 15 metros de devotos chorosos. Acalmou-os. Distribuiu beijos e afagos. A nova pose veio à luz defronte do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, berço político de Lula. E foi exposta na incubadora do Facebook.

A caminho de se tornar mais um político preso, Lula se autoproclama um "preso político". Nas próximas horas, trocará todos os seus títulos - retirante, operário, sindicalista, líder partidário, presidente da República e levantador de postes?" por uma única designação: vítima.

Ninguém disse ainda, talvez por pena. Mas o comportamento de Lula revela o modo de fazer política de um líder politicamente esgotado. Se a hospedagem compulsória no cárcere especial da Polícia Federal de Curitiba revela alguma é o seguinte: esse tipo de marquetagem exauriu-se.

Lula terá de se reinventar. Talvez não fique trancafiado por muito tempo. Logo, logo o enviarão para o conforto da prisão domiciliar. Mas enquanto estiver na câmara de descompressão de Curitiba, é possível que Lula receba a visita de um desconhecido: o ocaso.

No isolamento do xilindró especial, o ocaso dirá a Lula: "Atenção, você já não está no pedestal. Aqui embaixo, você acha que é uma coisa. Mas seu prontuário informa que você já virou outra coisa."
Herculano
06/04/2018 06:51
AS EMOÇÕES DO DRAMA POLÍTICO DE LULA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

LULA ESTAVA para ser preso em março de 2016, dias antes de ser nomeado ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff. Não foi preso, não foi ministro e, um tantinho por causa da convulsão daqueles dias, Dilma não seria mais presidente. A emoção do tumulto, que chegou às ruas, foi o impulso final da campanha do impeachment.

Lula pode estar na cadeia no fim da tarde desta sexta-feira (6). E daí? Dar palpites sobre o futuro próximo da política e das eleições torna-se agora especulação ainda mais arriscada, pois o impacto da notícia turva a clareza da análise e, enfim, é incerto o efeito do encarceramento do ex-presidente nas emoções do povo.

A prisão de Lula agora parecia mais previsível, embora restasse alguma chance remota de reviravolta ou de jeitinhos no processo. Sergio Moro, muito à sua maneira, outra vez promoveu uma peripécia dramática.

Como se recorda, Lula foi nomeado ministro de Dilma no início da tarde da quarta-feira, 16 de março de 2016 ?"momentos antes, uma conversa dos dois fora grampeada. A oposição dizia que iria à Justiça contra a nomeação, tida como um mero pretexto, "desvio de finalidade", para salvar Lula da prisão.

No fim da tarde, Moro divulgou o grampo da conversa entre os dois agora ex-presidentes. Logo em seguida, no começo da noite, haveria multidões nas ruas de várias cidades, todas pedindo a cabeça de Dilma e Lula em meio a buzinaços, fogos e panelaços.

Na avenida Paulista, em São Paulo, as luzes que cobriam a fachada do prédio da Fiesp de listras verdes e amarelas eram atravessadas por uma faixa preta diagonal: "Renúncia Já".

Perto dali, no Museu de Arte de São Paulo, o Masp, era inflado um boneco gigante da caricatura de Lula presidiário, o Pixuleco. A PM disse então que a manifestação juntara 5.000 pessoas. Seriam 70 mil, segundo os líderes das manifestações, cabeças dos mesmos grupos que nesta semana pediam nas ruas a prisão de Lula.

Dias depois, a atitude de Moro seria considerada ilegal por Teori Zavascki, ministro do Supremo responsável pela Lava Jato, morto em acidente de avião em janeiro do ano passado. O grampo seria retirado do processo, mas o mecanismo político-legal-ilegal já provocara a explosão emocional de revolta. No dia 17 de abril, a Câmara abriria o processo de impeachment.

Haveria manifestações de apoio a Dilma, decerto. Mas o apoio aos líderes do PT foi minguante. A ex-presidente acabou caindo sem muito estardalhaço nas ruas. As reações contra os processos de Lula foram ainda menores, quase restritas à militância mais organizada e fiel, cada vez menor. Pelo menos até as 21h desta quinta-feira (5), quando são escritas estas linhas, mal se notava comoção popular diante do risco da prisão do ex-presidente mais popular da história do país, nem mesmo depois da ordem de Sergio Moro.

Parece um sintoma, mais um entre tantos, da progressiva desconexão do PT com movimentos populares organizados, apesar do prestígio restante de Lula, que lhe dá um terço dos votos da eleição para presidente, muitos deles de cidadãos muito pobres de rincões do país.

As emoções vão mudar? Depois do impacto inicial, as indignações restantes vão arrefecer até a quase indiferença?
Herculano
06/04/2018 06:48
JUSTIÇA DECRETA FIM DA IMPUNIDADE: LULA NA CADEIA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

Foram necessários 566 dias de dedicação total e de muita paciência, na Justiça brasileira, para que finalmente coubesse ao juiz Sérgio Moro o papel histórico de fincar mais um prego no caixão da impunidade de políticos que se locupletam do poder público. Em obediência ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Moro determinou que Lula, condenado a 12 anos e 1 mês, inicie o cumprimento da sua pena.

Só VENDO PARA CRER
A prisão do político populista mais poderoso e mais corrupto da História do Brasil é um marco, mas é preciso ver Lula preso para acreditar.

INFLUÊNCIA ATÉ NO STF
Os tentáculos da influência de Lula invadiram o Supremo Tribunal Federal (STF), que, por muito pouco, quase lhe garantiu impunidade.

VIVA A JUSTIÇA DO BRASIL
Moro, juízes do TRF-4 e do STF e STJ sofreram ao longo do caso Lula as ameaças mais covardes, inclusive às suas família. E resistiram.

TORTURA, NÃO
O chato de galocha Eduardo Suplicy se ofereceu para fazer companhia a Lula na cadeia, e cantar para o ex-presidente todo o seu repertório.

LULA ENCONTRARÁ VELHOS AMIGOS NA PENITENCIÁRIA
Ao ser transferido da cela da Polícia Federal para a penitenciária de Curitiba, o presidiário Lula não se sentirá sozinho. Reencontrará velhos amigos e até cúmplices de malfeitorias, como o ex-ministro Antonio Palocci. Também estão em Curitiba, o ex-tesoureiro do PT e seu compadre João Vaccari Neto e até Aldemário Pinheiro, vulgo "Léo", aquele presidente da empreiteira OAS que o presenteou com o tríplex.

PRIMEIRA PARADA
O ex-senador Gim Argello e o ex-deputado André Vargas (ex-PT) também continuam com endereço fixo em Curitiba.

PEIXE GRANDE
O empresário e rico herdeiro Marcelo Odebrecht deixou sua marca no presídio. Encarregava-se do serviço de varrer as instalações.

JÁ ESTIVERAM LÁ
O doleiro Alberto Youssef, e os ex-executivos da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada também ficaram por lá.

TRATAMENTO CERIMONIOSO
Ao contrário dos demais corruptos presos em Curitiba, Lula terá cela especial com banheiro exclusivo e água quente. Com tanta deferência, vai demorar a exercer o direito de pedir transferência para Tremembé (SP), o presídio das celebridades bandidas, próximo ao seu domicílio.

AS COISAS MUDARAM
Lula encontrou Sérgio Moro pela primeira vez em 10 de maio de 2017, para ser interrogado. Arrogante, colocou 20 mil mortadelas tentando intimidar o juiz. Agora ele volta à cidade para cumprir pena de prisão.

LUGAR NA HISTóRIA
Sérgio Moro iniciou em 19 de setembro de 2016 o caso do tríplex do Guarujá. Um ano e meio depois, e com centenas de páginas de provas e documentos, Lula vira o primeiro ex-presidente preso por ladroagem.

CRIME EM BRASÍLIA
Delinquentes a serviço da CUT atacaram o carro de reportagem do jornal Correio Braziliense, de Brasília no início da noite desta quinta (5) histórica. Fascistas, atacam trabalhadores que noticiam seus malfeitos.

REPUBLICANA DE BANANA
Com os bens bloqueados, Gleisi Hoffmann (PT-PR) insultou a Justiça afirmando que o Brasil virou "republiqueta de bananas". Ela deve achar que a impunidade para ladrões e propineiros dignifica um país.

ISTO NÃO VAI DAR CERTO
Ao tentar elogiar, o ministro Dias Toffoli avigorou as críticas às audiências de custódia, que desde a sua criação liberou em 24 horas 116 mil presos em flagrante (45% do total) a voltar ao crime.

PICARETAGEM IMPARÁVEL
É imparável a picaretagem de empresas de telemarketing que simulam ligações, desligando quando atendidas, para enganar quem as contrata e atormentar infelizes cujos números de celular eles capturam. Enquanto isso, a "agência reguladora" Anatel se omite, como sempre.

NA ONDA DO NETFLIX
Estudo FGV/DAPP mostra que Marina Silva, pela primeira vez em meses, registrou leve aumento no volume de interações no Facebook. Mas só porque ela comentou a série "O Mecanismo", do Netflix.

PENSANDO BEM...
...a realidade é muito mais emocionante que a série "O Mecanismo", do Netflix.
Herculano
06/04/2018 06:46
É EVIDENTE QUE LULA ESTÁ SENDO VÍTIMA DE UM PROCESSO DE EXCEÇÃO E DE PROCEDIMENTOS QUE AGRIDEM O DIREITO DE DEFESA, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo.

Não há mais meio-tom, meias palavras, ambiguidades. Lula, ex-presidente da República, está sendo vítima de um processo de exceção. Interpretações exóticas dos códigos legais estão se infiltrando em franjas dos tribunais e do Ministério Público Federal para fazer do que chamo "Partido da Polícia" uma espécie de ente de razão que tutela a democracia brasileira. Tanques não devem se comportar como togas. Togas não devem se comportar como tanques.

A autorização dada pelo TRF-4 para prender Lula, com a imediata determinação expedida pelo juiz Sérgio Moro, pegou a todos de surpresa porque não houve o trânsito em julgado do processo nem na segunda instância. Isso é conversa mole do Reinaldo Azevedo? Não! Reproduzo trecho da entrevista que o desembargador Carlos Thompson Flores, presidente do TRF-4, concedeu às 11h desta quinta à rádio BandNews FM, onde ancoro "O É da Coisa":

"Se forem interpostos novos embargos de declaração, uma vez eles sendo julgados, a partir deste momento, o relator pode comunicar ao juiz Sérgio Moro o cumprimento da decisão (...) Não há um prazo. Os embargos anteriores foram julgados mais ou menos em 30 dias (...) Agora, anuncia-se que poderá haver nos embargos, então, eu acho que, o mais tardar em 30 dias, isso deve estar sendo julgado".

A fala é clara. Thompson Flores é presidente do tribunal que confirmou a condenação de Lula e ainda lhe majorou a pena. O entendimento pacífico a respeito é o de que se aguarda ao menos o trânsito em julgado na segunda instância. Seis horas depois, a autorização foi expedida pela Oitava Turma do TRF-4, antes, portanto, de a defesa ter entrado com o recurso cabível, cujo prazo se esgota no dia 10. Se a Constituição não existe, como decidiu o STF na quarta, então tudo é permitido.

Quando na cadeia, Lula será um prisioneiro de Cármen Lúcia. E não me refiro a seu voto de desempate. Foi ela quem se negou a pautar, o que não encontra explicação técnica, as Ações Declaratórias de Constitucionalidade, cujo relator é Marco Aurélio. Elas dizem respeito ao Artigo 283 do Código de Processo Penal ?" que reproduz, num trecho, ipsis litteris, o Inciso LVII do Artigo 5º da Constituição: "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Seis dos 11 ministros do STF acatam a constitucionalidade do 283 do CPP. A irresponsabilidade a que se assiste é espantosa.

O desatino já se revelou num truque mixuruca em que se ancorou a retórica de pelo menos cinco dos seis ministros que votaram contra o habeas corpus. Rosa Weber tinha algo mais espetacular: o triplo twist carpado hermenêutico, que entrará para a história da ginástica pedestre do direito constitucional. E qual foi a patranha argumentativa de Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia? Tomar como sinônimas as expressões "presunção de inocência" e "trânsito em julgado". Ainda que sejam íntimas, ainda que aquela seja a ideia de que esta é a matéria, ambas não se confundem desde os tempos da caverna ?" no caso, a de Platão.

A "presunção da inocência" trata, na verdade, da culpa. E nos diz que a ninguém se pode impor uma pena fora do devido processo legal e sem a apresentação das provas, ônus que cabe ao acusador. Na indigesta leitura de nossos sábios, como a segunda instância esgota as chamadas matérias de fato, não havendo mais espaço para a revisão de provas, então se esgota também a presunção de inocência; vale dizer: não se cuidaria mais de falar da não-culpabilidade. Pois é... Inexiste no Artigo 283 do Código de Processo Penal e no Inciso LVII do Artigo 5º da Constituição a expressão "presunção de inocência". Enquanto Barroso não nos impuser o seu idioleto, "ninguém" quer dizer "ninguém", "culpado" quer dizer "culpado", e "trânsito em julgado" quer dizer "exaurimento de recurso". Fim de conversa.

Mas o "Partido da Polícia" está convicto de que não precisa se subordinar a nada e a ninguém. Nem à lei.
Roberto Sombrio
05/04/2018 23:32
Oi, Herculano.

Evo Morales pode não entender de Democracia, mas entende muito de "DEMO" cracia.

O Senador Suplicy disse que vai acompanhar Lula em todo o tempo até a cela em Curitiba. Depois ficam revoltados quando o povo os chama de malandros. O Brasil nada, trabalhar nada, mas comer o nosso dinheiro acompanhando um bandido, aí sim. E São Paulo ainda vota nesse cara.
Herculano
05/04/2018 21:05
DEPOIS DE TOMAR UMA REFINARIA DA PETROBRÁS E AUMENTAR O GAZ NATURAL DE FORMA EXORBITANTE NO TEMPO DE LULA, O PRESIDENTE DA BOLÍVIA, EVO MORALES, FOI O PRIMEIRO A SE MANIFESTAR CONTRA A PRISÃO DO EX-PRESIDENTE BRASILEIRO.

Na conta do twitter ele escreveu:

Evo Morales Ayma
?
Conta verificada

@evoespueblo
Seguir Seguir @evoespueblo

Repudiamos decisión indignante de la justicia de Brasil, amenazada por oligarquías corruptas, negó el derecho constitucional del Hno. Lula da Silva a defenderse en libertad. Esa sentencia ilegítima es un golpe institucional contra la democracia del pueblo de Brasil #LulaValeALuta

Volto. De democracia, Evo entende e nos dá aula.
Herculano
05/04/2018 20:57
PATÉTICO.

Do ex-senador e hoje vereador de São Paulo, Eduardo Suplicy, no twitter.

"Ao cumprimentar o Presidente Lula agora a noite, no Sindicato dos Metalúrgicos, em SBC, transmiti a ele que quando ele for preso, disponho-me a acompanhá-lo e ficar com ele, até que ele tenha de fato direito de defesa, o que não lhe foi permitido perante o juiz Moro e no TRF-4".
Herculano
05/04/2018 20:54
O MST, NO PALÁCIO DO PLANALTO, PROMETEEU PEGAR EM ARMAS E COLOCAR O SEU "EXÉRCITO" NAS RUAS SE DILMA VANA ROUSSEFF, PT FOSSE IMPICHADA. E FOI. NADA ACONTECEU.

TAMBÉM SE DISSE QUE O BRASIL PEGARIA FOGO SE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA FOSSE JULGADO E CONDENADO. FOI EM DUAS INSTÂNCIAS. E NADA ACONTECEU.

MANCHETE DESTA QUINTA-FEIRA À NOITE: MOVIMENTOS SOCIAIS NÃO VÃO ASSISTIR À PRISÃO DE LULA PASSIVAMENTE, DIZ BOULOS. ENTÃO, MAIS UMA VEZ, DEVE-SE TESTAR

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Isadora Peron, da sucursal de Brasília. Pré-candidato à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos disse nesta quinta-feira, 5, que os movimentos sociais não vão assistir "passivamente" à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele está convocando a militância para se reunir em São Bernardo do Campo, cidade do petista.

"A orientação é para que toda militância vá a São Bernardo. Não vamos assistir passivamente, haverá resistência democrática", disse.

A trajetória de Lula
Boulos interrompeu uma caravana pelo Nordeste e voltou a São Paulo nesta quinta-feira, depois de o Supremo Tribunal Federal negar habeas corpus de Lula. Ele não quis comentar a possibilidade de o ex-presidente não se entregar à Polícia Federal, como tem sido aventada por alguns petistas
Herculano
05/04/2018 20:41
PRISÃO DE LULA ELEVA A FAXINA A UM NOVO PATAMAR, por Josias de Souza

Autorizado por tribunais da segunda, da terceira e da quarta instância do Judiciário - TRF-4, STJ e STF - Sergio decretou a prisão de Lula. Histórico, o despacho do juiz da Lava Jato eleva o combate contra a cheptocracia brasileira a um novo patamar. Vencido esse estágio, o problema passa a ser providenciar companhia para compartilhar com Lula o banho de Sol na carceragem da Polícia Federal de Curitiba.

Aos trancos, a Lava Jato avança. Até ontem, os principais figurões da oligarquia política cultivavam o sonho de que o Supremo Tribunal Federal atrasaria o relógico da história para modificar a regra que permitiu a prisão de condenados em segunda instância. Graças à coerência da ministra Rosa Weber e à sensatez de outros cinco colegas, o Supremo se deu conta de que precisava cuidar dos minutos, porque as horas passam.

Para desassossego de gente como Michel Temer, Aécio Neves e um enorme etcétera, o Supremo negou habeas corpus a Lula e manteve hígida sua própria jurisprudência sobre prisões. Não foi pouca coisa.

Há quatro anos, quando começou a Lava Jato, imaginou-se que a Lava Jato jamais chegaria a um ex-presidnete do porte de Lula. Chegou. Não reuniria provas. Reuniu. Não condenaria. Condenou. A condenação cairia nos tribunais superiores. Não caiu. Lula jamais seria preso. Será.

Está entendido que, por ora, ninguém está a salvo do braço punitivo do Estado. Bom, muito bom, extraordinário. Que venham os próximos.
Herculano
05/04/2018 20:37
LULA PREPARA SEU "TEATRO DA RESISTÊNCIA"

Conteúdo de O Antagonista. A repórter Catia Seabra, da Folha, diz que Lula deve passar a noite em vigília no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os sindicalistas se mobilizam para que ele não se entregue.

A ideia é obter imagens da PF entrando no sindicato, "berço político" do condenado, para tirá-lo à força de lá.

O corrupto e lavador de dinheiro prefere armar um teatro a se portar com um mínimo de dignidade.
Herculano
05/04/2018 19:04
CINCO MINISTROS TENTARAM RESSUSCITAR O PAÍS DE PIMENTA NEVES, por Augusto Nunes, de Veja.

Em agosto de 2000, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, então com 63 anos, assassinou a ex-namorada Sandra Gomide, 32. O carrasco vocacional julgou-a pelo crime de romper a relação amorosa, culpou-a pela ruptura do namoro, decidiu que aquilo não merecia menos que a pena de morte e executou a sentença com um tiro nas costas e outro no ouvido.

No depoimento prestado depois do sumiço de quatro dias, Pimenta Neves assumiu a autoria do assassinato. Ficou seis meses na cadeia e foi autorizado a responder ao processo em liberdade. Em dezembro de 2006, foi condenado a 19 anos de prisão. Mas o assassino confesso continuou em liberdade.

Em setembro de 2008, o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena para 15 anos de cadeia. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o último recurso apresentado pelos advogados de Pimenta Neves, e a sentença condenatória enfim transitou em julgado. Para os ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, só então Pimenta Neves tornou-se culpado.

Durou pouco a hospedagem no presídio de Tremembé. Em setembro de 2013, foi beneficiado pelo regime semiaberto e, em janeiro de 2016, definitivamente libertado. O que tinha a dizer sobre a mulher que matara 16 anos antes? "Ela me traiu", repetiu a voz do rancor.

Nesta quarta-feira, Pimenta Neves certamente aplaudiu os votos dos ministros que aceitaram o pedido de habeas corpus formulado por Lula.
Herculano
05/04/2018 19:03
AS ANÁLISES SOBRE A REPERCUSSÃO DA DETERMINAÇÃO DE PRISÃO DO EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, PT, PELO JUIZ FEDERAL SÉRGIO MORO, SERÃO POSTADAS AMANHÃ, SEXTA-FEIRA. A NOTÍCIA ESTÁ NA COLUNA ANTERIOR E QUE "FICOU NO AR" ATÉ AS 21H30MIM
Herculano
05/04/2018 16:40
AUTORES DE AÇÃO CONTRA PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA PEDEM LIMINAR NO SUPREMO, por Josias de Souza

Os autores da ação direta de constitucionalidade número 43, que questiona a prisão na segunda instância, entraram nesta quinta-feira com um pedido de liminar. Alegam que o resultado da sessão que negou por 6 votos a 5 o pedido de Lula para não ser preso projetou uma maioria favorável à possibilidade de os condenados recorrerem em liberdade a instâncias superiores do Judiciário. Realçaram a hipótese de prevalecer no plenário da Suprema Corte a proposta intermediária, que prevê o início da execução das penas não na segunda, mas na terceira instância, ou seja, no Superior Tribunal de Justiça.

Assinam a petição os advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, Cláudio Pereira de Souza Neto e Ademar Borges de Sousa Filho. Eles repisaram a tese segundo a qual a polêmica teria sido pacificada se o Supremo tivesse julgado as ações que questionam a prisão em segunda instância em termos abstratos antes de deliberar sobre o caso concreto de Lula. Sustentaram que a Corte poderia atribuir às ações genéricas o "efeito erga omnes", termo jurídico em latim que significa que uma determinada decisão judicial terá efeito vinculante, ou seja, valerá para todos.

Deve-se a insistência dos advogados à posição da ministra Rosa Weber, que foi decisiva na composição da maioria precária que se formou no Supremo contra a concessão do habeas corpus a Lula. Ao votar, Rosa ressalvou sua posição conceitual contrária à prisão na segunda instância. Esclareceu que negou o pedido de Lula em respeito à decisão colegiada do Supremo, que alterou sua jurisprudência sobre a matéria em 2016.

Relator das ações que questionam no Supremo a constitucionalidade da prisão em segundo grau, Marco Aurélio liberou-as para julgamento em dezembro do ano passado. Mas Cármen Lúcia, presidente do Supremo e dona da pauta de julgamentos, absteve-se de levar a polêmica ao plenário.

Na sessão encerrada na madrugada desta quinta-feira, Marco Aurélio lamentou a decisão. Chegou mesmo a trocar farpas com Cármen Lúcia. Segundo Marco Aurélio, a maioria contra a antecipação do encarceramento ficou clara a partir da ressalva feita por Rosa Weber e da mudança de posição de Gilmar Mendes, que aprovara a prisão em segundo grau em 2016 e evoluiu para a tese de que a pena deve ser executada apenas na terceira instância (STJ).

O novo pedido de liminar deve ser apreciado justamente por Marco Aurélio. Os advogados que assinam a petição sustentam que, "diante da manifestação de entendimento declarada ontem pelos ministros, a concessão de uma liminar neste momento certamente impedirá a injusta prisão de inúmeras pessoas." Embora não mencionem, entre os beneficiários de uma eventual decisão individual do relator estaria Lula
Herculano
05/04/2018 16:32
CADA VEZ MAIS FROUXO. E OS DEPUTADOS E SENADORES DIZEM QUE FAZEM ISSO NO NOSSO NOME. OS NOSSOS VOTOS PARA O MANDATO, ELES GANHARAM NÃO FORAM CAPAZES DE NOS DIZER QUE SE BLINDARIAM NA ROUBALHEIRA.

CONGRESSO APROVA LEI QUE AFROUXA CONTROLE SOBRE AGENTES PÚBLICOS

Conteúdo de O Antagonista. Enquanto o STF julgava ontem o HC de Lula, o Congresso aprovou o PL 7448 que estabelece uma série de regras maliciosas para restringir a atuação do Judiciário e dos órgãos de controle na aplicação do direito público.

São questões técnicas, mas de grande repercussão.

Alguns dos artigos propostos incentivam interpretações casuísticas, outros são claramente inconstitucionais, como o artigo 25.

O texto subtrai do Poder Legislativo e dos tribunais de conta, a competência para verificar a regularidade de atos, contratos, ajustes, processos e normas da
Administração Pública.

Já o artigo 26 impede a responsabilização por culpa (negligência, imprudência ou imperícia) do agente público.
Herculano
05/04/2018 16:27
MAIS UM REI NU, por J.R. Guzzo, na revista Veja

Esse tumulto em torno de Lula só existe porque a suprema corte de Justiça do Brasil decidiu governar o país como uma junta de ditadura

Vamos pensar um pouco, com calma, para ver se dá para entender melhor o que está acontecendo na frente de todo o mundo. O ex-presidente Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a pouco mais de doze anos de cadeia - crimes mais graves do que fazer um apontamento de jogo do bicho, por exemplo, e que por isso têm de ser punidos com pena de prisão fechada, segundo o que está escrito na lei. Lula foi condenado a nove anos e meio, num primeiro julgamento, pelo juiz Sergio Moro, da 13ª. Vara Criminal Federal de Curitiba, em 12 de julho do ano passado ?"? após quase dez meses de depoimentos, perícias, exame de provas e contra-provas, exigências sucessivas dos advogados e mais todos os etcs., de uma ação penal iniciada contra ele em setembro de 2016. Foi uma sentença de 218 páginas, fundamentada em cerca de 1.000 itens, na qual foram ouvidas 99 testemunhas, das quais 73 apresentadas pela defesa. Até aqui, tudo dentro da lei e das garantias devidas ao réu, certo? Certo.

Lula apelou da sentença, então, para o estágio superior seguinte, o TRF-4 de Porto Alegre. Ali foi julgado em 24 de janeiro deste ano por três desembargadores, condenado de novo, por 3 a 0, e sua pena foi aumentada para doze anos no xadrez. Recorreu em seguida para o degrau acima, o STJ de Brasília, onde sua reclamação foi julgada por cinco ministros; perdeu outra vez, agora por 5 a 0. Voltou, enfim, ao mesmo TRF-4 que já tinha lhe socado 12 anos no lombo, e perdeu mais uma ?"? foram outros 3 a 0. Resumo da peça: o ex-presidente está se defendendo desde setembro de 2016 e não teve, até agora, um único voto a seu favor. Foi zero, zero e zero, mais a sentença inicial de Moro. O que seria preciso, ainda, para se chegar à conclusão que Lula é um criminoso condenado pela Justiça e teria de ir para a cadeia? Mais nada. Não para a cabeça de uma pessoa normal.

Eis aí porque a situação que se vive no momento é perfeitamente incompreensível, mesmo pensando com toda a calma. É um jogo que está pelo menos em 9 a 0, já passou dos acréscimos e só não acaba porque Lula não quer que acabe. O Supremo Tribunal Federal e os políticos, em peso, ficam agachados diante do homem, tratando de servi-lo - ou com medo de suas ameaças. Qual é o problema dessa gente? O direito de defesa para o réu foi assegurado plenamente desde o primeiro minuto do processo; pouquíssimos brasileiros, salvo amigos seus como um desses Odebrecht ou Joesley, que têm bilhões para gastar com advogados, jatinhos, peritos, computadores, pesquisas, caravanas de "apoio" e por aí afora, conseguiriam ter uma defesa tão completa e tão cara quando Lula teve até agora.

Dizer que é preciso respeitar a "presunção de inocência" até "prova em contrário", como repetem seus despachantes no STF, é simplesmente uma piada ?"? ou, mais exatamente, uma tentativa alucinada de fazer você de palhaço. É óbvio que todo acusado é inocente até prova em contrário - mas só até prova em contrário. Uma vez feita a prova, o réu deixa de ser inocente; passa a ser culpado. Na Justiça de qualquer país civilizado do mundo, a sentença, a certa altura, é a prova. Afinal, alguma autoridade, à uma hora qualquer, tem de dizer se as provas apresentadas até então valem ou não valem; do contrário, nenhum processo acabaria nunca, em lugar nenhum do planeta. No caso de Lula, a prova foi feita quando o que se chama "segunda instância", ou o TFR-4 de Porto Alegre, decidiu que a sua condenação estava fundamentada por fatos. Fim de jogo. Ele ainda pode continuar apelando, mas teria de fazer isso na prisão. É assim nos Estados Unidos, em toda a Europa, no Japão: uma vez condenado em segunda instância, o sujeito vai para a cadeia. Faz todo o sentido. No Brasil, menos de 1% de todas as sentenças confirmadas em segunda instância são modificadas, depois, em algum tribunal superior.

Esse tumulto em torno de Lula só existe porque a suprema corte de Justiça do Brasil decidiu governar o país como uma junta de ditadura; manobra para ele ser declarado, na prática, impune por qualquer crime passado, presente ou futuro. Querem fazer em favor de Lula o mesmo que o regime militar fez em favor do delegado Sergio Fleury, do DOPS de São Paulo, em 1973: condenado como torturador, ganhou o direito de apelar em liberdade pela "Lei Fleury". Os donos do STF conseguem, a cada dia, ficar mais parecidos com a "corte suprema" da Venezuela, que torna legal tudo o que os gangsteres do governo mandam que seja legalizado. São, em seu conjunto, mais um rei nu neste país.
Herculano
05/04/2018 16:22
POLÍCIA FEDERAL JÁ SE PREPARA PARA PRISÃO E LULA PODE TER CELA EXCLUSIVA EM CURITIBA

Conteúdo do Infomoney. Ainda existem muitas dúvidas sobre quando ocorrerá a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (e se ele realmente será preso), mas após o STF (Supremo Tribunal Federal) negar o habeas corpus ao petista, já começa a preparação para quando o juiz Sérgio Moro autorizar o cumprimento da pena.

Segundo o jornal O Globo, a Polícia Federal de Curitiba intensificou os preparativos para receber Lula na cidade. Entre as informações que já se sabe, é que, inicialmente, o ex-presidente não deve ficar na custódia da PF, onde hoje está, por exemplo, o ex-ministro Antonio Palocci e sócio da OAS, Léo Pinheiro.

A publicação diz que a polícia está adaptando uma cela para recebê-lo. O Globo diz ainda que ex-presidente terá um horário reservado para o banho de sol, com cerca de duas horas diárias, além de não receber visitas de familiares em conjunto com outros detentos, pelo menos por alguns meses.

Pelas informações Moro teria pedido que o petista ficasse na Superintendência, onde estão os alvos da Lava Jato negociando delação premiada. Ele já praticamente descartou a ida de Lula para o CMP (Complexo-Médico Penal) - onde estão João Vaccari e Eduardo Cunha -, local que não seria seguro para ele.

Já a Folha de S. Paulo informa que a inteligência do Depen apura as condições internas dos presídios, incluindo risco de animosidade de presos e carcereiros contra o ex-presidente, já que é comum agentes penitenciários serem hostis com petistas.

Por outro lado, o jornal diz ter apurado que a melhor opção é exatamente o Complexo-Médico Penal, já que outros presídios têm grande presença de presos de facções criminosas, o que seria perigoso. O lado negativo na escolha do CMP, segundo a publicação,seria o fato de haver um grande descampado na região, o que pode servir de base para acampamentos de movimentos sociais.
Herculano
05/04/2018 16:04
SUPREMA PERPLEXIDADE, por William Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

Torna-se claro também que a desmoralização das instituições chegou ao STF

Vamos em primeiro lugar ao que não resta dúvidas. Qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal sobre prisões após 2.ª instância causaria imenso descontentamento. A causa é simples: o STF deixou há tempos de ser um colegiado e se transformou num aglomerado de 11 ministros que já nem se dão ao trabalho de disfarçar que algumas de suas principais decisões obedecem a critérios políticos. Inclusive de última hora, subordinados ao "clamor popular" ou "sentimento da sociedade".

Tornou-se claro também que a desmoralização de instituições políticas chegou ao Supremo - hoje percebido como causa de notável insegurança jurídica. A politização da Justiça e o ativismo (ou o "neopunitivismo", como preferem alguns) de integrantes de algumas instâncias judiciais, além do Ministério Público, já são até conceitos acadêmicos examinados em eventos e seminários.

Vamos então ao que se tornou a grande dúvida. Se a política tomou conta do STF, cujas decisões impactam violentamente a política, como entender a formação de maiorias entre os 11 ministros? Apenas para comparação, não é difícil antecipar como votarão integrantes da mais alta corte americana, por exemplo, em função de biografia política e obra acadêmica de cada um deles. No Supremo brasileiro já não mais existem essas "certezas".

Precisamos entender como os ministros captam, percebem, interpretam o que um deles chamou de "sentimento da sociedade". E aí a confusão é tão grande e a desorientação tão completa como as que se registram no debate político brasileiro. Na hipótese mais benigna, eles entendem a política brasileira hoje como um choque de forças alinhadas a princípios como a estrita separação dos poderes (e respeito total à letra da Constituição) em oposição a doutrinas como a evolução do direito em função de demandas sociais (portanto políticas) e à necessidade de "flexibilizar" garantias, ou de reinterpretá-las, para favorecer a regeneração da política (via combate à corrupção).

Na hipótese mais realista, o choque de princípios foi ofuscado há muito por rivalidades e antipatias pessoais, lealdades políticas, prestação de favores e aquilo que alguns especialistas apontam como pura e simples incapacidade técnica de alguns integrantes da mais alta Corte. Usando linguagem dos economistas, as artimanhas para pautar ou não pautar votações ignoram a lei das consequências não intencionais (obtém-se até o contrário do que se pretende). E pioram uma atmosfera ainda mais exacerbada, à qual os ministros julgam que tem de responder sem parecer que estão respondendo.

O resultado, quando se observa as voláteis maiorias no STF, é a sensação de orfandade provocada pela falta de lideranças articuladas e que comandem respeito ?" o mesmo preocupante fenômeno que se registra "lá fora". A bagunça política atual, com autoritários dizendo que imporão liberalismo a pontapés, e não autoritários dispostos a aceitar o arbítrio e o desrespeito a princípios consagrados contanto que alguém vá para a cadeia, tornou o STF um curioso espelho do que vai se espalhando depressa como atitudes frente às decisões políticas e eleitorais diante de todos nós.

Atitudes, em outras palavras, relativas a um "sentimento". Que, no momento, se manifesta nas pesquisas qualitativas atentamente estudadas por marqueteiros em insatisfação (sobretudo entre os jovens), impotência frente à situação, insegurança, descrédito nas principais instituições, baixa autoestima e ainda grande dificuldade em descrever o perfil ideal do próximo presidente, contanto que ele seja ficha limpa. Não serve de consolo nem para justificar qualquer decisão do Supremo, mas os ministros parecem tão perplexos como todos nós.

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