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Kleber diz que está fazendo certo. Mesmo assim, está errado: no tempo e nos termos com os mesmos significados - Jornal Cruzeiro do Vale

Kleber diz que está fazendo certo. Mesmo assim, está errado: no tempo e nos termos com os mesmos significados

30/12/2018

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi à sua rede social e postou a foto abaixo a esquerda e este texto: “tenho a certeza que você já ouviu aquele ditado popular: quem faz bem feito, faz uma vez só!

Quantas vezes nas eleições, as pessoas me diziam: Kleber quando você for o prefeito, faz obras de qualidade. Não ‘pinta de preto’ só para dizer que fez. Não coloca só aquela ‘natinha de asfalto’ para dizer que asfaltou a rua.

Ouvi a população e fui além. Investimos pesado em engenharia, nestes últimos dois anos. Implantamos na Secretaria de Obras e Serviços [Urbanos], o Departamento de Engenharia (não existia). Reorganizamos o Departamento de Engenharia da Secretaria de Planejamento. Implantamos o Escritório de Gerenciamento de Projetos. Investimentos em Softwares. Determinei que nenhuma obra da Prefeitura, seja executada sem o projeto, como ocorria nos últimos anos. Aqui não tem ‘eu acho’. Aqui tem Projeto! O resultado de tudo isso você pode conferir, nas obras concluídas e nas que estão em execução”.

 


Excelente discurso, aliás um dos poucos até aqui, sem aquele mimimi da vida de repórter de vídeo em que ele se meteu a estrelar na sua rede social, parecendo estar em campanha, substituindo uma assessoria que é manca. O texto e a reclamação, todavia, estão no momento errado.

Primeiro, é hora de fazer, produzir e comemorar resultados para então só depois compará-los, se isto for mesmo apropriado para o embate que terá que enfrentar. E os resultados não chegaram; estão sendo construídos.

Segundo, Kleber precisa apontar quem é que fazia “natinha”. Mesmo não explicitando, corre um sério risco de cutucar a onça com a vara curta; ela é imprevisível e não vai se acoitar por pouca coisa.

Terceiro, onde estava o político Kleber quando isso acontecia? Fez-se “natinha” porque houve a complacência da dita oposição a qual Kleber e os seus pertenciam. E aí vem o tempo errado a que me refirí: a “natinha” que se desmancha agora, e esta deve ser a queixa, vai ter que ser repintada de preto outra vez. E por quem? Por Kleber, porque se não fizer isso, corre um sério de não ser reconhecido pelas boas obras que prometeu executá-las no seu governo. É lá nas “natinhas” que estão os votos caixão da periferia.

Quarto: “natinha” de asfalto? E aí eu pergunto ao prefeito o que é mesmo o “tratamento superficial (anti-pó)”, que ele está contratando via o pregão 133/2018 e que vai custar algo em torno de R$1,6 milhão para as ruas não pavimentadas de Gaspar? Os engenheiros e entendidos dizem que a semelhança é muito grande. Kleber, ao menos, teve o cuidado de trocar o nome “asfalto” para “anti-pó”. Não passará vergonha. Mas o resultado é o mesmo; inclusive na duração.

Ou seja, Kleber deveria conhecer o outro ditado que diz que “a língua é o chicote do dono”.

DISTRIBUINDO CULPAS E CULPADOS

Para resumir e pontuar as diferenças. Esta coluna sempre anotou e condenou a “natinha” dando nome aos bois, sendo desqualificada por isso, como é hoje pelos do poder de plantão quando toca nos seus calos. É do jogo. Enquanto a coluna expunha, Kleber se divertia com os dividendos que o tom crítico daqui – sobre algo precário e politiqueiro -  lhe favorecia, sem qualquer alinhamento político ou de interesse da coluna. Anti-pó, terá o mesmo efeito para a população que teve a “natinha”. Nada mais!

Outra e antes de encerrar. Kleber corre ainda o risco de jogar contra o  seu próprio patrimônio.

Ele está re-asfaltando a Nereu Ramos e a Anfilóquio Nunes Pires, serviço realizado pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira, do seu MDB. Feito há nove anos, não era “natinha”, mas teve vida curta para os padrões mínimos esperados e que Kleber propagandeia que está fazendo. Talvez agora na raspagem, que chamam de fresagem, Kleber e os seus tenham percebido a razão pela qual o material (ou a falta dele) se deteriorou em tão pouco tempo. Dai a foto trucada no ângulo para mostrar a espessura do atual.

Luiz Henrique era a cara catarinense do MDB de Kleber. Mais: como Kleber está executando obras que ele mesmo diz na propaganda podem chegar a R$150 milhões, aumentara-se, naturalmente, os fiscais dessa “montanha” de dinheiro. E Kleber não deveria estar incomodado. Afinal, presume-se que não tenha nada a esconder. Então, quanto mais fiscais atestando que tudo está nos conformes, melhor para ele.

É isso que está acontecendo e ele está incomodado. Antes se controlava os curiosos via a imprensa tradicional. Hoje há as redes sociais e os aplicativos de mensagens, sem qualquer controle e censura, a mesma mídia que os do poder tanto usam e manipulam na tropa de choque que quase lhe deu uma CPI na Câmara, bem como os ignorantes e desinformados. É um território sem dono. E Kleber com o texto que abri a coluna está se explicando. E de forma errada. Está transferindo culpas. Se ele não se proteger, poderá receber os respingos das suas próprias palavras.

ESCOLHENDO O ADVERSÁRIO ERRADO

Kleber erra neste mesmo texto, pela segunda vez, ao nomear para ser seu adversário em 2020 o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, ou donos dos redutos das “natinhas”. Tudo a menos de dois anos da eleição, enquanto o próprio Kleber está correndo contra o tempo e à capacidade executiva da sua equipe para entregar o que prometeu à cidade e aos cidadãos.

A onda contra o petismo é forte neste momento, mas mesmo assim, o nome Zuchi – nas atuais circunstâncias - pode neutralizar essa mancha macabra da política brasileira. Afinal, Zuchi, numa marca histórica, foi três vezes prefeito de Gaspar e sempre conseguiu os seus mandatos contra a coligação MDB/PP onde está Kleber. Além disso, também transita bem na área dos evangélicos pentecostais, um reduto kleberiano que tomou conta do poder em Gaspar e que poder se transferir para o PSL.

Zuchi mesmo com as “natinhas” e até mesmo com a mais importante obra de mobilidade dos seus três mandatos, a Ponte do Vale, não conseguiu, fazer o sucessor, Lovídio Carlos Bertoldi, e reparem no detalhe, exatamente um verdadeiro tocador de obras no Samae e na secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Então, para Kleber  e os seus, todo cuidado é pouco. Estão desprezando experiências e passado.

O risco aumenta, ou diminui, se Jair Messias Bolsonaro e Moisés Carlos da Silva, ambos do PSL, forem bem ou derraparem sobre as expectativas criadas por eles no eleitorado. Kleber já tem um problema claro pela frente: entregar o que prometeu. Faltou-lhe equipe. Agora falta-lhe tempo. E justamente quando isso ameaça acontecer, ele arruma um embate com um suposto adversário que parece não estar morto? Quem mesmo orienta Kleber? Acorda, Gaspar!

O que esperar dos novos governos no Brasil e em Santa Catarina. No que Gaspar e Ilhota serão afetados?

Tudo o que se escrever sobre os governos que tomarão posse no dia Primeiro de Janeiro, estará no plano das hipóteses. Passada a festa, começa a fase mais difícil de um eleito para o Executivo: governar. É a hora em que o discurso eleitoral é rasgado, é substituído e até trabalha contra o eleito. É a hora em que os ideais viram frustações para os governantes e principalmente para os eleitores dos vencedores. É a hora em que a verdade e a realidade se sobrepõem aos desejos e até mesmo às necessidades.

Jair Messias Bolsonaro, PSL, um estatista convicto em toda a sua vida política, virou um liberal. Isso sim, é um problema. Talvez a cadeira máxima e a realidade se imponham sobre à velha prática dele de chupar o estado. Se fez uma equipe de tirar o chapéu na área econômica e na área de segurança que foram os seus dois pontos fortes de atração na campanha, além dos costumes, esqueceu de articular com o principal carrasco de qualquer governo bem-intencionado: o parlamento.

O Congresso colocou de joelhos gente bem e mais articulada – e disposta ao diálogo e ao recuo - como Fernando Henrique Cardoso, PSDB, e Luiz Inácio Lula da Silva, PT, nos tempos em que ainda não se assanhava como o dono do Brasil e dos brasileiros, como o mais honesto de todos.

Corre-se o risco sério de se ter como presidente na Câmara, Rodrigo Maia, DEM, na Câmara e Renan Calheiros,MDB sacana, no Senado. Ambos são à antítese do discurso bolsonarista. E para piorar, a maioria a favor do governo, principalmente para as necessárias Emendas Constitucionais, está ameaçada pela bem articulada velha política do toma-lá-dá-cá, da chantagem permanente contra o Executivo, pelos gastos desenfreados para os privilegiados das castas de sempre, e tudo com os pesados impostos de todos nós.

SANTA CATARINA

Se em Brasília onde Bolsonaro cooptou bons técnicos nas áreas econômica, segurança e justiça, em outras, como a das Relações Exteriores, mostram-se preocupante. E é aí que chegamos a Santa Catarina. As  Relações Exteriores é uma situação incômoda criada por Bolsonaro para o novo governador catarinense, Carlos Moisés da Silva, também do PSL.

A equipe de governo de Moisés, com raras exceções, é fruto de escolhas que fogem ao padrão que possam sustentar qualquer análise sobre a capacidade de entregar resultados e à governabilidade do eleito. Para começar, está de mãos atadas na secretaria da Fazenda ao velho esquema de uma turma de efetivos, que quando esteve no poder, causou problemas. E o mais emblemático deles foi o ex-governador Paulo Afonso Evangelista Vieira, MDB, (1995/99).

Moisés foi eleito para mudar, limpar, inovar. Entretanto, quem ele trouxe para coordenar a transição? Um até então obscuro professor de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Felipe Ferreira. Ao contrário do economista Paulo Guedes, de Bolsonaro, conhecido por seus pensamentos e atuação no mercado, Felipe é um acadêmico, identificado com o atraso, com controles e à centralização. Mais estado, menos liberdade.

Erra, todavia, quem antecipa os desastres. É preciso, sempre escrevo, dar tempo para o experimento mostrar efeitos, o equívoco, à lambança e à correção. Como iniciei este artigo chegou a hora dele próprio confrontar o discurso do candidato com a realidade. E só Moisés pode fazer isso: não os adversários, os críticos e as viúvas. Agora é certo: governar é diferente de comandar onde seu berço de resultados.

Mas, há sinalizadores preocupantes. Um deles, está na própria área de conhecimento do eleito, um coronel bombeiro que foi precocemente para a reserva com alto soldo.

O candidato se apresentou como Comandante Moisés. Na área de segurança o governador de apenas meses, Eduardo Pinho Moreira, MDB, pelos números que mostrou, avançou, muito. Então o eleito vai ser confrontado logo de cara. No novo modelo, todavia, Moisés eliminou um comando “neutro” das forças e serviços de segurança como o praticado em quase todo o mundo. Está fazendo um "rodízio" anual desse desta "gestão colegiada”. Vejam só: Moisés quer governar nessa área, onde sabe - porque paraticou e é oriundo - que deveria ser comandada, ter hierarquia e dever obediência a um plano e metas.

SINAL DE ALERTA

Na área econômica, as nuvens estão carregadas para um estado essencialmente exportador, a começar pelo agronegócio. Somos os maiores exportadores de carnes. Esses alinhamentos ideológicos do presidente Bolsonaro – sua família e fanáticos, incluindo o seu Chanceler - não combinam com geração de oportunidades, inovação, desenvolvimento, empregos e consequentemente tributos. China, comunista, por exemplo, não discrimina nenhum país por ele ser um capitalista ou democrático. Faz negócios. Alimenta seu povo, impede revoltas. Quem arruma inimigos externos são os fracos, como a Venezuela, para justificar o discurso interno e o sacrifício do povo para se sustentar os ideiais dos poderosos de plantão.

Emblemática é a recusa de Moises e sua equipe em falarem com as lideranças empresarias, a que investe, a que arrisca, a que verdadeiramente desenvolve o estado, a que gera empregos, a que dá estabilidade social e principalmente, a que fomenta os pesados impostos para sustentar à máquina burocrática do estado, inclusive de privilegiados da ativa e inativos.

E para completar, pior do que Bolsonaro – que possui espaços para manobrar, o que lhe falta é articulação competente que deixou de um doido como Onix Lorenzoni, DEM -, Moisés está completamente refém da Assembleia Legislativa. Ela está terceirizada nas mãos de um experimentado barganhador, chamado Júlio Garcia, PSD.

A Alesc possui vida própria – e não foge da regra dos parlamentos brasileiros - a tal ponto que encurralou um político experiente da estatura de Pinho Moreira. A última dela: a não devolução das sobras de aproximadamente R$40 milhões, que Pinho queria da Alesc para saldar as contas dos hospitais filantrópicos. A montanha de dinheiro ficou retida lá por birra do presidente Silvio Devereck, PP. É que Pinho Moreira, não assinou as leis que concederiam mais privilégios - incluindo a possibilidade de se aumentar os salários dos deputados -  aos que os parlamenterem possuem hoje e que eles estavam se autoconcedendo. Só isso! Afinal, como se diz quando a sociedade lhes questionam: está tudo dentro da lei.

O VELHO QUER VOLTAR

O que esperar dos novos governos do Brasil e de Santa Catarina? Que eles mudem a cara, o método e os resultados. Porque se eles fracassarem, as velhas raposas, com os seus manhas de roubarem e engolirem ovos; estão na boca da toca para tomarem o território de volta. As raposas preferem os ovos talvez porque são mais frágeis e não se corre o risco do enfrentamento.

E Gaspar e Ilhota neste contexto?

Ilhota passará por dificuldades para regularizar as contas, responder inquéritos e ações na Justiça. O prefeito Érico de Oliveira, MDB, terá antes que salvar a sua pele, para só depois salvar o mandado, a imagem. Terá que arrumar culpados, tornar-se vítima dos adversários, dos promotores, da imprensa livre, dos governos de Santa Catarina e do Brasil para se justificar perante os eleitores. Serão 15 meses do mesmo.

Gaspar, ao contrário, se não acontecer um acidente grave no percurso, não dependerá do sucesso ou dificuldades de Brasília ou Florianópolis. O governo Kleber conseguiu aprovar os empréstimos e passá-los na Câmara, mesmo em minoria, os projetos polêmicos. Sobraram poucos. Fez caixa para fazer obras. Terá que entregá-las. E esta é a dificuldade. Mas, uma cidade não é feita de obras, e sim de creches, escolas em tempo integral, atendimento na saúde, transporte coletivo e a assistência social onde se tomou dinheiro da proteção dos vulneráveis para obras. E nestes itens, Kleber ainda está devendo.

A única coisa que não funciona na área de obras, é a expansão da rede de água no Samae, bem como a implantação da rede e tratamento de esgotos, cujos recursos federais, estão aprovados e disponíveis há pelo menos quatro anos. E tudo se enrola nos projetos.

Resumindo, o governo Kleber não possui nenhuma dependência crucial dos governos Bolsonaro e Moisés para cumprir o que prometeu na campanha à cidade, cidadãos e cidadãs. Acorda, Gaspar!


Trapiche

Havan I. O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, pode estar sendo arrastado para o noticiário nacional com o caso do fechamento da filial gasparense da Havan. O alvo é o dono da rede de lojas Luciano Hang, que vinha provocando a imprensa na sua rede social.

Havan II. De 120 lojas, logo a de Gaspar deu problemas graves no piso da obra que em alguns locais cedeu mais de 30 centímetros. E olha que são de Gaspar, conheciam bem o que se fez lá. Eles não atentaram para o solo, um aterro, cuja parte dele era um bota fora.

Havan III. O foco da pauta é mostrar que Luciano não cuidou bem das suas coisas e tenta dar lições de administração nos outros. Mas... Aí se descobriram outras coisas.

Havan IV. Pelo menos, quatro delas estão chamando a atenção da mídia: o tempo recorde da tramitação da papelada técnica na prefeitura de Gaspar; a coincidência para quem assinou a papelada, o engenheiro Nilberto Wan Dall, irmão de Kleber; a expedição do Alvará pelo secretário de Planejamento Territorial, Alexandre Gevaerd, contrariando os fiscais; e que havendo problemas graves, a prefeitura fechou o olho e não interditou a loja, esperando pela decisão do próprio Luciano e no tempo que ele quis: depois do Natal.

Havan V. Outra coincidência: o fechamento da loja por 45 dias, se dá justamente quando a Anfilóquio Nunes Pires, onde está a Havan, terá o trânsito prejudicado pelo reasfaltamento dela. Estão em dobradinha. E esta leitura óbvia está incomodando tanto o poder de plantão como o próprio empresário.

Havan VI – Luciano um hábil comunicador nas redes sociais, preferiu o silêncio até o último minuto. Só a usou depois que a falta de transparência o colocava no centro dos questionamentos. Os reparos vão custar, segundo ele, de R$3 a 4 milhões, fora o lucro cessante, o dano à imagem, numa obra que custou de R$20 a 25 milhões. Tudo assim, bem variável.

O que faz quem se exibia poder e posses nas redes sociais e aplicativos de mensagens aos amigos, silenciar, a tal ponto de esconder viagens internacionais?

O Diário Oficial dos Municípios dos últimos dias deste ano tem trazido páginas e páginas de notificações de infrações de trânsito aplicadas pela Ditran de Gaspar. A edição extra deste sábado dia 29, não foi diferente.

Vapt-vupt. Adalberto Luiz Demmer, em membro da executiva do PSDB, foi nomeado no dia 11 de dezembro comissionado para ser coordenador de Administração e Finanças da secretaria de Assistência Social. O decreto 8.534 do dia 13 de dezembro assinado pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, dá conta que ele pediu para sair no dia 18 de dezembro (?). O PSDB não faz parte do governo.

Confirmado. A Ouvidoria de Gaspar é um cabideiro de emprego para cabo político e religioso. O que é feito para ouvir e interferir naquilo que está errado no ambiente público, serve para calar, constranger e animar a torcida do empregador nas redes sociais. E tudo com o dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses. Acorda, Gaspar!

Aos leitores e leitoras da coluna, e que fazem dela líder de acessos, desejo sucesso em 2019 e por tudo que ele pode representar de mudanças na gestão pública e no ambiente político. A coluna continuará colocando o dedo na ferida das administrações públicas, pedindo transparência, coerência e resultados coletivos. De pouco adiantará o chororô dos políticos e seus mamadores, pagos com os nosso dinheiro para defendê-los, ao invés de retorna-lo na prestação de serviços aos cidadãos, seus verdadeiros patrões. Acorda, Gaspar!

 

Comentários

Olho Grande
03/01/2019 07:29
Senhor Herculano

SAMAE INUNDADO E AGORA ATOLADO

Rola nas redes sociais, fotos de um caminhão atolado há mais de 10 dias em terreno alugado e aterrado irregularmente em frente à sede da autarquia. Por falta de máquinas que não pode ser, é desleixo com coisa pública mesmo.
Enquanto o povo se preocupa com isso, esquece de fiscalizar o que pode acontecer nos gabinete em acertos com terceiros.
E viva o Macaco Veio executivo.
Herculano
03/01/2019 06:42
EM INSTANTES, COLUNA OLHANDO MARÉ INÉDITA, EXCLUSIVA PARA O LEITORES E LEITORES DO PORTAL CRUZEIRO DO VALE
Paulo Henrique Hostert
02/01/2019 17:47
E os dois quilômetros entre a rotatória da Havan até a divisa com Blumenau? O asfalto lá está perfeito né?
Mais uma vez o Bela Vista é deixado de lado...a preguiça e a incompetência são algo inacreditáveis!!
Herculano
02/01/2019 16:45
NO OLHO DO FURACÃO. E ELE MOSTRA A RAZÃO PELA QUAL A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NÃO PASSA. OS PRIVILEGIADOS USAM OS POBRES PARA CRIAR, PERPETUAR PROTEGER AS SUAS MAMATAS IMPOSSÍVEIS PARA A MASSA DE TRABALHADORES QUE SUSTENTA TUDO ISSO E Só CONSEGUE SE APOSENTAR EM MÉDIA AOS 66 ANOS E APENAS COM UM SALÁRIO MÍNIMO. ENTENDERAM OU É PRECISO DESENHAR?

"Quem legisla tem as maiores aposentadorias, quem julga tem as maiores aposentadorias e, o povo, as menores", diz Paulo Guedes defendendo reforma da previdência. Pela segunda vez, muito aplaudido.
Herculano
02/01/2019 16:39
De Natuza Neri, da Globonwes, no twitter

Na posse de Paulo Guedes, ministro da economia. Já nas primeiras frases, ele diz: "não existe superministro", nada se fará sozinho. "Houve mudança de eixo, da centro-esquerda pra centro-direita". "Descontrole sobre ampliação de gastos públicos é mal maior"
Herculano
02/01/2019 16:37
DEBOCHE

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann está inconforma e não larga a rede sociail.

Escreveu está tarde no twitter:

"Para Bolsonaro Fome e Pobreza têm prioridade zero. A palavra pobreza aparece uma única vez na MP e se resume ao Conselho Consultivo do Fundo de Combate a Pobreza. O Consea foi extinto. Pra um país que tem 15 mi de miseráveis e 55 mi de pobres isso é uma agressão, um deboche"

VOLTO PARA DIZER QUAL É O VERDADEIRO DEBOCHE. É O PT LUDIBRIAR ANALFABETOS, IGNORANTES, DESINFORMADOS E PRINCIPALMENTE POBRES, SEU PÚBLICO PREFERIDO

Em 14 anos (oito de Lula e seis de Dilma) de poder o PT não conseguiu diminuir os milhões de pobres e miseráveis? E o que se faz da propaganda enganosa do PT que diz ter feito isso?

Pobreza se combate com economia oferecendo oportunidades, e foi o PT com Dilma Vana Rousseff - que inclusive ludibriou com as contas públicas - que gerou a maior recessão econômica dos últimos tempos, quebrou empresas, colocou na rua 14 milhões de desempregados e fez subir o mais perversos dos impostos contra os pobres, a inflação.

Gleisi não possui autoridade, muito menos discursos, apenas cara de pau para falar que o governo que entrou está esculachando pobres e miseráveis
Herculano
02/01/2019 16:23
da série: alguma novidade? Como os que estão no poder, o PT sempre quer determinar o que os outros devem falar e pensar. Se for diferente, é guerra... mesmo que isso inflija sacrifícios à sociedade

DEPUTADOS PETISTAS RECUSAM DIÁLOGO COM BOLSONARO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto da revista Isto É. Deputados do PT recusam um diálogo com o presidente Jair Bolsonaro após o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ter proposto hoje um "pacto" com a oposição para a aprovação de reformas no Congresso Nacional.

Petistas dizem que o discurso de Bolsonaro na posse, afirmando que o País começou a se libertar do "socialismo" e que a "nossa bandeira jamais será vermelha", além de declarações anteriores atacando a oposição, não dá espaço para um diálogo.

"Quem quer dialogar não faz o que o Bolsonaro fez na posse ontem. A posse foi um ato de hostilidade e de propagação de ódio", disse ao Broadcast/Estadão o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta. "O Bolsonaro tem que aprender primeiro que, quando ele abre a boca, tem consequência. Não adianta mandar o funcionário desfazer o que o chefe fez".

O líder petista condicionou um diálogo a uma mudança de posicionamento do presidente. "Em primeiro lugar, tem que aprender a ter uma postura que até hoje nunca demonstrou a capacidade de ter."

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a proposta de Onyx não apaga os discursos anteriores de Bolsonaro, que inviabilizariam um acordo com a oposição. "Até agora o pacto que eles propuseram é a gente dar o pescoço e eles a corda. É meio difícil. Se for diferente a conversa, não nos negamos a conversar. Por enquanto, o discurso de Bolsonaro não é de entendimento, é de confrontação", declarou o parlamentar
Herculano
02/01/2019 10:22
A REVOLUÇÃO MORAL DE BOLSONARO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente dá ênfase à ideia de que quer purgar país de vícios morais e ideológicos

Jair Bolsonaro refez promessas de campanha ao tomar posse do governo. Se no princípio está o seu fim, seus primeiros discursos presidenciais dizem muito de suas prioridades. Se isto lá é verdade, haveria adiante um projeto de purificação nacional e de recuperação de tradições perdidas ou pervertidas por ideologias.

Tudo isso pode parecer uma aberração inocente no pior sentido da palavra, uma extravagância que se vai desfazer no ar assim que as tarefas de governo absorverem o novo presidente. Talvez o discurso não venha a passar de propaganda.

Pode não ser o caso. Suponha-se que Bolsonaro seja de fato uma diferença, uma novidade tão grande quanto a revolta e o direitismo que o levaram ao poder. Quais seriam as consequências de o presidente gastar tempo e outros recursos políticos de seu governo na tentativa de purgar o país de seus males?

Pois é disso que se trata. Está lá, posto logo de pronto nos discursos do primeiro dia.

Em um país arruinado, que é preciso "restaurar", "reerguer" e "reconstruir", trata-se de combater a "corrupção, o crime, a irresponsabilidade econômica e a submissão ideológica". Neste primeiro dia, disse no parlatório, o Brasil "começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto".

Ao dar valor à família, às "religiões e nossa tradição judaico-cristã", ao "combater a ideologia de gênero", o Brasil voltará a ser "livre das amarras ideológicas". "Ideologia" e variantes aparecem nove vezes nos dois discursos, quase tanto quanto Deus (12 vezes).

A purificação já teria começado na política, com a montagem de um ministério "técnico", livre de "conchavos políticos". A economia será livre, sem o peso do Estado e ideologias, portanto meritocrática.

As políticas de bem-estar social são mencionadas em um parágrafo, tanto espaço quanto levaram os direitos e elogios dos policiais e do armamento. A economia aparece no terço final do discurso do Congresso, levando pouco mais de 10% das palavras presidenciais.

Palavras de conciliação e união nacional ocuparam pouco mais do que uma frase.

Se Bolsonaro vai transformar imagem em ação, como vai proceder? Vai se contentar em satisfazer suas obsessões de modo tópico, com uma ou outra lei para ele mesmo ver, mas sem impacto geral significativo? Ou não?

Bolsonaro vai se ocupar de reformar extensamente os currículos, vigiar diretores e professores de escola, intervir nas universidades e na pesquisa científica? Vai reformar códigos de garantias de direitos civis a fim de "prestigiar" a polícia e o que entende ser a família universal e tradicional brasileira, além de dar cabo do "politicamente correto"?

O que significa acabar com o "socialismo"? Privatização de serviços sociais? Note-se que são "socialistas" todos os governos dos últimos 30 anos, o que inclui Fernando Henrique Cardoso e até José Sarney. Todas as pessoas de algum modo relacionadas a ideias desses governos ("socialistas marxistas ou fabianos", no dizer bolsonarista) serão expurgadas da vida pública?

As perguntas parecem um absurdo por exagero, mas a culpa não é do jornalista. Pode bem ser que todo esse plano purgante seja apenas diversionismo ideológico, por incompetência ou estratégia. Pode ser que o eleitorado além do bolsonarismo puro-sangue comece a cobrar outras satisfações do governo.

Mas convém observar que Bolsonaro mais uma vez foi coerente ao dizer a que veio, na sua posse.
Herculano
02/01/2019 07:35
MEDO DE ATAQUE E DE CHUVAS AFASTOU AS PESSOAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A avaliação de especialistas é que, apesar de haver superado outras posses, a multidão na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça (1º), poderia ter sido muito maior, mas as pessoas se assustaram com as medidas de segurança rigorosas, como prenúncio de tragédia, e a ameaça de fortes chuvas inibiram muitas pessoas e as afastaram da cerimônia. A estimativa é que mais de 300 mil estiveram na Esplanada, mas a Polícia Militar do DF já não faz os cálculos oficiais.

PM COM TRAUMA
A PM-DF não calcula multidões desde a manifestação de 30 de setembro, sob o mote "#QuemMandouMatarBolsonaro?"

DÚVIDA QUE OFENDEU
Na ocasião, parte da imprensa pôs em dúvida os cálculos da PM do DF, que se ofendeu e decidiu não dar chancela oficial às estimativas.

CLIENTELA DESCONFIADA
Para a PM, a imprensa revelou com seus questionamentos não confiar nos cálculos que fazia exatamente para atender a pedido de jornalistas.

A MAIOR DE SEMPRE
Para brasilienses experientes, a multidão de ontem superou as posses anteriores e eventos como a missa campal do Papa João Paulo II.

LULA CUSTA MAIS PRESO QUE CAMPANHA BOLSONARO
A "hospedagem" do petista Lula na Polícia Federal em Curitiba, custou ao contribuinte R$ 2,70 milhões desde a prisão em 7 de abril. A estimativa de custo diário de R$10 mil foi da própria PF. Esse valor é maior que os R$2,45 milhões gastos na campanha presidencial mais barata da História, de Jair Bolsonaro, antítese do ex-presidente presidiário. Os cofres públicos bancam os gastos com Lula, mas a campanha de Bolsonaro foi custeada por pequenas doações.

BOLADA DIÁRIA
A PF estima em R$10 mil diários o custo para manter Lula fora de presídio. O custo médio dos presos no Brasil é de R$2,5 mil por mês.

DÁ TRABALHO
A presença de Lula exige destacamento de agentes extras e sistema de segurança reforçado.

HOSPEDAGEM
Preso em Curitiba, o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro fica em sala individual, com TV e banheiro, incluindo água quente.

ELA VAI MARCAR ÉPOCA
A primeira-dama Michelle ganhou o jogo da posse. Discurso em libras, a reação ao "intérprete" do Hino e a empatia com a multidão mostram seu protagonismo não se limitará ao veto a Magno Malta no ministério.

EMOÇÃO DO VICE
O tom marcial do juramento Hamilton Mourão revelou a emoção e o orgulho do momento histórico, ainda que muita gente tenha avaliado que o vice-presidente, mesmo na reserva, ainda calça coturno.

TENSÃO NO HOSPITAL
Após a posse acabou a tensão no Hospital das Forças Armadas (HFA), um dos mais arrumados de Brasília. Foi ocupado até por blindados. Era o hospital de referência para o caso de feridos durante a cerimônia.

SEGUINDO O DINHEIRO
Forças de segurança identificaram a origem das ameaças a Bolsonaro e familiares e agora investigam a movimentação bancária dos suspeitos, integrantes de facções criminosas que controlam presídios.

FHC SE APEQUENOU
Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor (o primeiro a chegar) não são da turma de Bolsonaro, mas tiveram a grandeza de ir à posse. Para "democratas" da laia de FHC, Democracia só vale quando eles vencem. Como diria o falecido Serjão, FHC se apequenou ainda mais.

É UM MALA
O presidente mala Evo Morales nem sequer corou ao chamar Jair Bolsonaro de "irmão presidente". Deve ser medo que ele cobre dívidas bilionárias da Bolívia, fora a refinaria da Petrobras estatizada à força.

SEGURANÇA FUNCIONOU
Os mais de 6 mil agentes de segurança não registraram um único incidente de violência ou crime entre as centenas de milhares de presentes na Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes.

SEM PERDÃO
O público que assistia pelo telão, na porta do Planalto, a cerimônia de posse de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, vaiou sem dó, quando citados, o deputado Rodrigo Maia e o ministro Dias Toffoli.

PENSANDO BEM...
...ao aparecer sem o macacão marqueteiro, o ministro e astronauta Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) estava irreconhecível na posse.
Herculano
02/01/2019 07:28
RUPTURA

O que muita gente ainda não entendeu, incluindo jornalistas, que o governo de Jair Messias Bolsonaro, PSL, é de ruptura.

E se preparou para isso. Agora, se vai dar certo é outra coisa.

Erradamente, vejo, ouço e leio gente reclamando que ele não vai dar continuidade ao que sempre foi feito...

Ah, e o governo Moisés em Santa Catarina é de ruptura? É, mas ele não se preparou para isso. Então há duas chances grandes: do governo dele (e da ruptura) não dar certo, ou, para dar certo, ser a continuidade ao que não foi expresso majoritariamente nas urnas. Simples assim.
Herculano
02/01/2019 07:23
O RETRATO DA IGREJA CATóLICA NO BRASIL

Michele, a mulher de Bolsonaro, era católica. Hoje é uma fervorosa evangélica Batista.

Bolsonaro é católico, mas não está convicto disso.
Herculano
02/01/2019 07:21
A REVOLUÇÃO MORAL DE BOLSONARO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente dá ênfase à ideia de que quer purgar país de vícios morais e ideológicos

Jair Bolsonaro refez promessas de campanha ao tomar posse do governo. Se no princípio está o seu fim, seus primeiros discursos presidenciais dizem muito de suas prioridades. Se isto lá é verdade, haveria adiante um projeto de purificação nacional e de recuperação de tradições perdidas ou pervertidas por ideologias.

Tudo isso pode parecer uma aberração inocente no pior sentido da palavra, uma extravagância que se vai desfazer no ar assim que as tarefas de governo absorverem o novo presidente. Talvez o discurso não venha a passar de propaganda.

Pode não ser o caso. Suponha-se que Bolsonaro seja de fato uma diferença, uma novidade tão grande quanto a revolta e o direitismo que o levaram ao poder. Quais seriam as consequências de o presidente gastar tempo e outros recursos políticos de seu governo na tentativa de purgar o país de seus males?

Pois é disso que se trata. Está lá, posto logo de pronto nos discursos do primeiro dia.

Em um país arruinado, que é preciso "restaurar", "reerguer" e "reconstruir", trata-se de combater a "corrupção, o crime, a irresponsabilidade econômica e a submissão ideológica". Neste primeiro dia, disse no parlatório, o Brasil "começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto".

Ao dar valor à família, às "religiões e nossa tradição judaico-cristã", ao "combater a ideologia de gênero", o Brasil voltará a ser "livre das amarras ideológicas". "Ideologia" e variantes aparecem nove vezes nos dois discursos, quase tanto quanto Deus (12 vezes).

A purificação já teria começado na política, com a montagem de um ministério "técnico", livre de "conchavos políticos". A economia será livre, sem o peso do Estado e ideologias, portanto meritocrática.

As políticas de bem-estar social são mencionadas em um parágrafo, tanto espaço quanto levaram os direitos e elogios dos policiais e do armamento. A economia aparece no terço final do discurso do Congresso, levando pouco mais de 10% das palavras presidenciais.

Palavras de conciliação e união nacional ocuparam pouco mais do que uma frase.

Se Bolsonaro vai transformar imagem em ação, como vai proceder? Vai se contentar em satisfazer suas obsessões de modo tópico, com uma ou outra lei para ele mesmo ver, mas sem impacto geral significativo? Ou não?

Bolsonaro vai se ocupar de reformar extensamente os currículos, vigiar diretores e professores de escola, intervir nas universidades e na pesquisa científica? Vai reformar códigos de garantias de direitos civis a fim de "prestigiar" a polícia e o que entende ser a família universal e tradicional brasileira, além de dar cabo do "politicamente correto"?

O que significa acabar com o "socialismo"? Privatização de serviços sociais? Note-se que são "socialistas" todos os governos dos últimos 30 anos, o que inclui Fernando Henrique Cardoso e até José Sarney. Todas as pessoas de algum modo relacionadas a ideias desses governos ("socialistas marxistas ou fabianos", no dizer bolsonarista) serão expurgadas da vida pública?

As perguntas parecem um absurdo por exagero, mas a culpa não é do jornalista. Pode bem ser que todo esse plano purgante seja apenas diversionismo ideológico, por incompetência ou estratégia. Pode ser que o eleitorado além do bolsonarismo puro-sangue comece a cobrar outras satisfações do governo.

Mas convém observar que Bolsonaro mais uma vez foi coerente ao dizer a que veio, na sua posse.
Herculano
02/01/2019 07:06
da série: sinais, péssimos sinais e não são de agora. Os que reclamam, deveriam antes estar lá, para ao meno evitar esta má primeira impressão. Querem esconder a realidade?

ASSESSORES DO GOVERNO MOISÉS FICAM FRUSTADOS COM BAIXA PRESENÇA DE PESSOAS NA POSSE, por Moacir Pereira, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

A presença de autoridades e de populares frustrou as expectativas dos assessores do novo governo catarinense. No plenário, reservado aos dirigentes de órgãos públicos, várias cadeiras vazias. No salão vermelho, dezenas de cadeiras também não foram ocupadas Presença majoritária de integrantes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, fardados ou a paisana, dentro e também fora do Palácio Barriga Verde.

AUSÊNCIAS
Veteranos políticos registraram que a posse da Carlos Moisés da Silva foi a que teve a menor presença de deputados estaduais no comparativo com outras solenidades de posse. Apenas 11 dos atuais 40 deputados estaduais e 11 dos novos 22 eleitos em outubro de 2018. Dos três senadores por Santa Catarina, apenas Dário Berger.

ATO ÚNICO

A posse do novo governador quebrou duas tradições. A primeira, com a realização de dois atos, com a posse perante a Assembleia Legislativa e na sequência a transmissão do cargo na sede do Poder Executivo. A costumeira revista às tropas da Polícia Militar do Estado pelo novo governador, que se dava na frente da sede do Executivo, aconteceu no Palácio Barriga Verde. Este procedimento duplo se repetiu na posse de Jair Bolsonaro em Brasília.

TRANSMISSÃO

A TV da Assembleia Legislativa anunciou que a posse do governador Moisés da Silva (PSL) seria transmitida ao vivo por um canal da NET. O sistema não funcionou por razões técnicas. A transmissão da solenidade pela TVAlesc, via Youtube, teve 320 acessos no momento em que o novo governador fazia seu pronunciamento.

DESELEGÂNCIA

Deputados estaduais consideraram deselegante o discurso de despedida do ex-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB). Não fez qualquer referência aos esforços dos deputados estaduais, que aprovaram em regime de urgência todos os projetos enviados pelo governador, em especial o Prefis, que garantiu o ingresso de R$ 70 milhões nos cofres do governo.

CURTA
Joares Ponticelli (PP), prefeito de Tubarão, terra de Moisés da Silva, não compareceu à posse do novo governador. A prefeita de Maravilha, Rosimar Maldaner (MDB), terra da vice-governadora Daniela Reinehr, também não.

Herculano
02/01/2019 06:54
A PRIMEIRA REFORMA DE GUEDES

Conteúdo de O Antagonista.Paulo Guedes já tem pronta uma MP para barrar fraudes previdenciárias.

O plano, segundo a Folha de S. Paulo, deve permitir uma economia de 50 bilhões de reais em dez anos.

"Trata-se de ajustes simples, mas com grande efeito financeiro, como impor mais rigor na liberação de benefícios da Previdência rural e estabelecer normas para reaver recursos liberados via decisões judiciais que mais tarde são cancelados no julgamento final da causa (...).

Essa revisão normativa não depende de emendas constitucionais, mas é considerada radical."
Herculano
02/01/2019 06:51
Deu no The New York Times

Brazil's flag "would never be red again," Jair Bolsonaro said, alluding to the rival Workers' Party, "even if it takes our blood to keep it green and yellow."
Herculano
02/01/2019 06:43
da série: o impressionante como nós pagadores de pesados impostos sustentamos uma pesada máquina de inúteis, privilegiados, e tudo dentro da lei, e feita pelos nossos representantes eleitos por nós, os deputados (federais, estaduais e distritais), senadores e vereadores. Lendo, e constatando, não tem como enojar...

O LEOPARDO NO BRASIL, por Alexandre Schwartsman, economista, ex-diretor do Banco Central, no jornal Folha de S. Paulo

As forças políticas que prevalecem no país representam o atraso

O país se encontra em momento singular. Pesquisa recente do Datafolha sugere otimismo com o futuro da economia, comum antes da posse presidencial, mas que parece mais profundo no caso atual, e também surpreendente à luz das divisões hoje existentes na sociedade. Faz sentido?

Quem me acompanha deve, há muito, ter notado meu ceticismo. Embora um novo governo possa, de fato, trazer a mudança de vários aspectos do país, creio que há obstáculos consideráveis no caminho, que dificultariam o processo mesmo no caso de uma administração comprometida com a reforma radical do país, o que, desconfio, não se trata do caso no momento.

O governo gasta muito e entrega muito pouco. De acordo com dados do Tesouro Nacional, os três níveis de governo no país gastaram R$ 3,1 trilhões (sem contar os juros) nos 12 meses terminados em junho, pouco menos do que 40% do PIB (Produto Interno Bruto); no fim de 2016, eram R$ 2,9 trilhões, ou 39% do PIB.

Apesar das promessas de uns e da choradeira de outros, é claro que o governo não se emendou. Além disso, ocorrências recentes, como a "flexibilização" da Lei de Responsabilidade Fiscal e o aumento para os ministros do STF, bem como a decisão monocrática do ministro Lewandowski permitindo o aumento do funcionalismo, sugerem que os grupos mais próximos ao poder continuam enxergando o Estado como mecanismo para canalizar para si rendas do restante da sociedade.

O Atlas do Estado Brasileiro, publicado pelo Ipea, revela que o número de funcionários públicos no país cresceu de 6,3 milhões para 11,5 milhões entre 1995 e 2016, aumento de 83%, ante crescimento populacional de 30%.

Seu custo atinge hoje pouco mais de R$ 900 bilhões nos 12 meses até junho, ante R$ 870 bilhões em 2014, ano em que entramos em recessão. Deve ficar muito claro que esse grupo não foi apenas isolado da crise, mas prosperou no período, recebendo hoje o equivalente a 13,4% do PIB, ante 12,3% do PIB em 2014.

À parte os gastos públicos, diferentes formas de patronagem persistem e prosperam no Brasil, da proteção a certos segmentos a privilégios setoriais, dos quais a nefasta tabela de frete é apenas um exemplo recente.

Não chegamos aonde estamos por acaso. A captura do Estado brasileiro por grupos de interesse não aconteceu nos últimos anos; pelo contrário, é fenômeno antigo, a ponto de ter sido objeto de Raymundo Faoro há 60 anos em seu "Os Donos do Poder". Sua extensão, contudo, se ampliou, refletindo uma sociedade que se acostumou a viver dos favores públicos e a lutar, de forma cada vez mais encarniçada, por eles.

Vivemos o "capitalismo de compadres", expressão de instituições econômicas e políticas extrativistas, para utilizarmos as categorias de Acemoglu e Robinson em "Por Que As Nações Fracassam?", cujo efeito sobre o crescimento econômico é destrutivo. Não crescemos pouco por azar, mas porque, de uma forma ou de outra, privilegiamos a caça à renda sobre a geração da renda.

Caso a nova administração tivesse sido eleita com o propósito de atacar esse estado de coisas, estaria mais otimista. Não se trata, porém, do caso.

Em que pese a indicação de uma equipe econômica cuja visão parece ecoar um diagnóstico semelhante ao acima exposto, as forças políticas que prevalecem no país representam o atraso. Em razão disso, sigo cético quanto à possibilidade de reformas profundas no país e, portanto, quanto ao retorno do crescimento sustentado.

Feliz 2019...
Herculano
02/01/2019 06:31
BOLSONARO ASSINA DECRETO QUE FIXA SALÁRIO MÍNIMO EM R$ 998 EM 2019

Conteúdo e texto do portal G1, Brasília. Orçamento formulado pelo governo Temer previa R$ 1.006. Fórmula utilizada considera inflação de 2018, que deve ficar abaixo do esperado, e variação do PIB.

Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e publicado nesta terça-feira (1º) em edição extra do "Diário Oficial da União" fixou o salário mínimo em R$ 998 neste ano. O valor atual é de R$ 954.

Com isso, o valor ficou abaixo da estimativa que constava do orçamento da União, de R$ 1.006. O orçamento foi enviado em agosto do ano passado pelo governo Michel Temer ao Congresso.

O que a equipe econômica do governo Michel Temer dizia é que a inflação de 2018 (um dos fatores que determinam o valor) vai ser menor que o projetado anteriormente - quando foi proposto salário mínimo de R$ 1.006 em 2019.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para o rendimento de cerca de 48 milhões de trabalhadores no Brasil.
Herculano
02/01/2019 06:13
TORCER MUITO, ACREDITAR UM POUCO, por Carlos Brickmann

É tolice querer que o piloto do avião em que todos voamos cometa erros graves. Até domingo, o clima era dominado pelas esperanças de que o voo dê certo. Há boas notícias da economia, que se recupera - lentamente, mas melhora. O desemprego é um pouco menor (e o índice melhora se forem levados em conta os informais). A expectativa da população é boa, segundo a pesquisa Datafolha: 65% acreditam que Bolsonaro fará um bom governo.

Mas há problemas. Michel Temer sancionou o aumentão dos ministros do Supremo, porém não decretou o novo salário mínimo. Nada de especial: de R$ 954 iria para R$ l.006 mensais. Deixou o aumento de despesas para o novo Governo. E nomeou o inacreditável Carlos Marun, amigo de fé de Eduardo Cunha, para o Conselho de Itaipu, com mandato até 2020. Pelas normas das estatais, um conselheiro precisa ter atuado dez anos na área, ou ter quatro em empresa do ramo, de igual porte. Marun - bem, é do MDB. Bolsonaro pode demiti-lo, mas o MDB não aceita bem a perda de cargos.

Há ?"nyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Já responde por caixa 2 no Supremo. Já foi perdoado por Moro por ter pedido desculpas em outro caso de captação de recursos. E descobre-se que, na campanha de Bolsonaro, cobrou da Câmara as passagens aéreas. Ficou bravo: disse que não precisa explicar nada, porque não gastou em sua campanha, mas na do presidente. ?"nyx já é um peso para Bolsonaro. Ao falar, ainda se complica.

CALMA GERAL

Houve preocupação, muitos temiam um atentado, mas correu tudo bem. Bolsonaro desfilou de carro aberto pela Esplanada dos Ministérios, sem qualquer problema. O Gabinete de Segurança Institucional, do general Augusto Heleno, foi ótimo na prevenção de anormalidades. Muita gente, provavelmente o recorde de público de posses presidenciais, e nenhum incidente sério. Houve um caso em que o general falou sem necessidade (nota abaixo), mas inaugurou sua temporada no GSI de maneira impecável.

CALMA, GENERAL

Poucos dias antes do fim do ano, Bolsonaro anunciou que, por decreto, iria facilitar a posse de armas. Nada a explicar: era sua promessa de campanha, e os eleitores o respaldaram. Mas o general Augusto Heleno, hoje chefe do Gabinete de Segurança Institucional, quis ajudar, dizendo que morrem 50 mil pessoas por ano em acidentes de trânsito e nem por isso se proíbe a venda de automóveis. Argumentou mal: os carros têm uma finalidade e as mortes ocorrem por falha ou imperícia. Já as armas só têm uma finalidade. Não podem ser comparadas com carros.

CALMA, GOVERNADOR

O novo governador de São Paulo, João Doria, anunciou ao tomar posse sua primeira providência: não vai morar no Palácio Bandeirantes, sede do Governo paulista. Disse que o Bandeirantes será "o palácio do trabalho" e não de moradia - a seu ver, corta assim privilégios e mordomias para sua família. Só que não é bem assim: o palácio tem um corpo de segurança que garante tanto o ambiente de trabalho como a família do governador.

Agora será preciso montar mais um corpo de segurança, para a casa de Doria. Os serviços de apoio para este grupo, já existentes no palácio - academia de atletismo, intendência, atendimento de emergência - terão de ser duplicados. Em termos de economia, não passa de uma falsa boa ideia. A propósito, Collor teve ideia semelhante, e ficou morando na Casa da Dinda.

BATE-BATE

Doria fez duro discurso contra os adversários - mas adversários de seu próprio partido, o PSDB. Disse que "a partir de agora" São Paulo vai mudar, "vai ter comando". E que no palácio haverá mais trabalho e menos cafezinho para os visitantes. O PSDB governa o Estado desde 1995, com Mário Covas, Geraldo Alckmin (três vezes), Alberto Goldman e José Serra, com pequeno intervalo de Cláudio Lembo, quando Alckmin se afastou para candidatar-se à Presidência. Antes desse período, Franco Montoro (que seria um dos fundadores do PSDB) governou o Estado, eleito pelo PMDB
.
Para apadrinhar Doria, Alckmin brigou com Serra, Goldman, Fernando Henrique, Andrea Matarazzo e outros caciques. Agora, só lhe restam eles.

O RECORDISTA

Michel Temer deixa o Governo batendo uma série de recordes. Apesar da crise, deixou a inflação estabilizada, abaixo da meta; encaminhou a reforma da Previdência; reformou a lei trabalhista; encerrou tecnicamente o período de recessão; e manteve os juros Selic em níveis mais civilizados.

Mas tem recordes para o bem e para o mal. Um presidente nunca havia sofrido, como ele, três denúncias durante o mandato. Não são as únicas: no total, há sete, que incluem de questões envolvendo o Porto de Santos até pedido de propinas em troca de favores. Como Temer está sem mandato, todos os processos deverão ser enviados a juízes de primeira instância.
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Herculano
02/01/2019 06:02
BOLSONARO BUSCA FANTASMA DA ESQUERDA PARA SE ALIMENTAR NO PODER, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente apela para risco da volta do PT e deixa planos concretos em segundo plano

Nos discursos que abriram os quatro anos de governo de Jair Bolsonaro, o inimigo foi protagonista. O novo presidente mostrou que pretende reproduzir durante o mandato a dinâmica de embate com o PT que alimentou sua popularidade durante a eleição.

Empossado, Bolsonaro não se desviou da retórica de campanha porque o fantasma da esquerda é uma de suas principais fontes de poder. É por isso que ele costuma repetir que o fracasso de seu governo abriria caminho para a volta dos petistas.

Essa ameaça deve ser explorada a partir de agora pelo presidente para cristalizar apoio popular a sua gestão. Cada medida anunciada virá acompanhada de um alerta implícito: é isso ou o retorno da esquerda.

O mesmo vale no Congresso. As propostas de Bolsonaro serão embaladas em um falso voto de confiança, em que os parlamentares serão instados a decidir se querem aprovar os planos do presidente ou optar pelos estertores da era petista.

A assombração toma contornos realistas quando Bolsonaro evoca escândalos de corrupção protagonizados pelo PT e a crise provocada pela política econômica de Dilma Rousseff. Ele apela para falsificações grosseiras, porém, quando busca oponentes imaginários.

Do alto do parlatório, o presidente disse que sua posse marca "o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo". Ainda que muitos integrantes dos governos Lula e Dilma tenham simpatia por regimes socialistas, o Brasil não passou perto de qualquer experiência do tipo.

Ao atacar a contaminação ideológica, Bolsonaro apresentou poucas soluções concretas para os problemas do país. Só manteve os pés no chão ao falar de segurança pública, propondo a flexibilização da posse de armas e mudanças na lei para atenuar a responsabilização de policiais.

O foco nesse embate com a esquerda era tão intenso que Bolsonaro deu um escorregão. A versão original de seu segundo discurso falava em diminuir a desigualdade social. No parlatório, ele omitiu o trecho.
Herculano
02/01/2019 05:58
O CENTRO DE GASPAR ESTARÁ INACESSÍVEL PELA PONTE HERCÍLIO DEECKE

Recomeçam hoje a recuperação asfáltica do Centro de Gaspar. O trecho a ser feito vai da ponte Hercílio Deecke até a Rua Mário Vanzuita - Posto do Julinho - e a ponte que liga a Rua Nereu Ramos, cujos inícios dos trabalhos se deu na semana passada.

Hoje quem vem pela BR 470, ou usa as ruas Hercílio Fides Zimmermann, Luiz de Franzoi ou Pedro Simon, não poderão acessar o Centro de Gaspar pela ponte Hercílio Deecke. Terão que fazer isso pela ponte do Vale.

Agora, quem está no Centro de Gaspar e quer ir à Margem Esquerda, poderá fazê-lo pela ponte Hercílio Deecke.
Herculano
02/01/2019 05:46
O CAPITÃO CHEGOU, por Élio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

No palanque de mármore do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro fez o seu último discurso de campanha

Jair Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto pela vontade da maioria dos eleitores e com a esperança de dois terços da população. Discursos de posse podem querer dizer muito, ou nada.

O de Tancredo Neves, que não foi lido, queria dizer muito, os de Jair Bolsonaro, afora as teatralidades, acrescentaram pouco ao que disse na campanha. Ele propôs genericamente um "pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para o Brasil" e reafirmou seu "compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão".

Quem saiu da cerimônia e soube que, pouco depois, Bolsonaro anunciou que "o Brasil começa a se libertar do socialismo e do politicamente correto", ficou sem entender nada. Socialismo por cá nunca houve e o "politicamente correto" pode ser muita coisa ou coisa nenhuma.

Entre o discurso feito no Congresso e o do parlatório parece haver um abismo. No palanque de mármore, Bolsonaro repetiu temas que lhe deram o mandato popular. Fica a dúvida em relação ao "pacto". Ele existe, cheio de remendos, mas chama-se Constituição.

A partir de hoje, discursos de campanha serão inúteis, pois começa o serviço. Ele demanda eficácia e respeito às instituições dentro do pacto existente.

A ideia segundo a qual o Brasil precisa se libertar do "politicamente correto" (uma questão de comportamento) ou do "socialismo" (simples fantasia) é uma construção apocalíptica.

O ministro da Economia deverá tomar as medidas necessárias para liberalizar a economia, o da Educação poderá reorganizar os currículos escolares e administrará os recursos da pasta. Já o ministro da Justiça e de Segurança poderá compatibilizar o discurso da lei e da ordem com as leis e a ordem da vida real.

Até agora, como não poderia deixar de ser, tudo são promessas. O único sinal indiscutível, ainda que simbólico, do compromisso de novo governo com a austeridade, esteve no fato de todos os ministros de Bolsonaro terem assinado os termos de posse com uma caneta Bic. (Já houve tempo em que eram populares as Mont Blanc.)

A retórica apocalíptica do discurso no palanque de mármore contradisse a harmonia prometida na fala ao Congresso, mas só o dia a dia do governo poderá revelar o rumo de governo.

Do outro lado do balcão, partidos de oposição liderados pelo PT boicotaram a cerimônia republicana da posse do presidente. Péssima ideia, justificada com argumentos da pior qualidade.

A partir de hoje a oposição deverá partilhar o futuro da vida nacional. O pior cenário possível será aquele em que o Brasil terá um governo empenhado em libertar o país do "socialismo", e um pedaço da oposição esteja convencida de que ele vem aí, ou deveria vir.

Um choque de visões milenaristas não tem nada a ver com a vida nacional. O mandato recebido por Bolsonaro teve uma essência mais simples. Os brasileiros querem mais segurança, mais ordem e mais liberdade na economia.

Na expressão dessa vontade, repeliram corruptos e apoiaram propostas radicais, até mesmo demagógicas. Daí, não se pode concluir que uma sociedade politicamente radicalizada precisa da construção de conflitos.

Na primeira metade dos anos 60 a radicalização produziu tamanha intolerância política que um pedaço da sociedade não aceitava a hipótese da eleição de Juscelino Kubitschek para a Presidência. Outro pedaço não aceitava que o eleito fosse Carlos Lacerda.

Jamais o país teve dois candidatos mais qualificados e deu no que deu. Ambos foram proscritos pela ditadura.
Herculano
02/01/2019 05:37
DIFERENÇAS SINALIZADORAS

Em Brasília, muita gente na rua, disputa por uma vaga nos locais supervigiados das cerimônias internas e pouca farda nos ambientes cerimoniais.

Em Florianópolis, pouca gente nas ruas, faltou gente nos espaços internos, e muita farda preenchendo os vazios onde a vigilância era pouca.

E olha que Carlos Moisés da Silva foi eleito com 71% dos votos dos catarinenses. Entre outubro e ontem, está claro que parece ter sido apenas um gesto de vingança. E se for mesmo, os catarinenses vão pagar caro por isso.
Herculano
01/01/2019 17:54
PÉ ESQUERDO

Quem inventou essa concorrência brutal na comunicação na posse do governador catarinense, Carlos Moisés da Silva, PSL com a de Jair Messias Bolsonaro, PSL?

Ou foi proposital, para não chamar a atenção?

A maioria preferiu fazer pela manhã, ampliar o espaço nas mídias locais e de lambuja, fazer sala e contatos e abrir caminhos em Brasília na posse de Jair. No Amapá, o governador, Waldez Goes, PDT, teoricamente não alinhado com o presidente eleito, devido ao fuso horário e a distância, tomou posse de madrugada (0h30min)

Moisés não fez nem uma e nem outra. E olha que ele e Santa Catarina precisam.
Herculano
01/01/2019 17:47
GASPARENSE NA POSSE DE BOLSONARO

Pelo menos um gasparense estava no Palácio do Planalto como um dos poucos convidados especiais do presidente Jair Messias Bolsonaro, PSL: Salésio Nuhs, ex-diretor da CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos; presidente da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições e presidente da Forja Taurus, uma das três maiores fábrica de armas leves do mundo.

Sintomático.
Herculano
01/01/2019 09:10
A NORMALIDADE É O NOVO MANTRA DOS GENERAIS DO GOVERNO, por Roberto Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo

O trabalho com o capitão reformado, eleito pelo voto, é visto e tratado como missão pelos militares

Há três dias, na sala de comando da imensa operação de segurança montada em Brasília para garantir as cerimônias da posse do novo presidente, Jair Bolsonaro, e para assegurar a sua proteção pessoal, um dos generais do grupo de sete que vai integrar a administração sorria, satisfeito com o resultado do ensaio pela manhã. "É isso, é assim que vai ser: as coisas do governo vão acontecer com eficiência, objetivos serão atingidos, tudo dentro da normalidade." A defesa da normalidade é um mantra. O trabalho com o capitão reformado, eleito pelo voto, é visto e tratado como missão.

A equipe tem pontos de contato - a estabilização do Haiti, a condição de combatentes de elite, as escolas de formação, a passagem pela Amazônia. E tem um regente, o novo chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Aos 71 anos, graduado na Arma da Cavalaria, Heleno é um oficial intelectualizado, bom analista da agenda política. É também homem da tropa. Em 2005, no Haiti, adotou a política de tolerância zero em relação aos rebeldes, quase todos de facções do crime organizado. Em 6 de julho, montou um ataque empregando 440 soldados e blindados. A ofensiva durou sete horas. Ao fim, haviam sido disparados 22 mil tiros e seis bandidos estavam mortos.

Entre os sete generais do governo há outro veterano de combate, Carlos Alberto dos Santos Cruz, que vai ocupar a Secretaria de Governo. Ex-comandante da força da ONU no Congo - a maior das missões internacionais de paz -, Santos Cruz esteve nas áreas conflitadas várias vezes e entrou em confronto armado. Os dois ex-comandantes terão incumbências marcadas pela negociação e análise. Heleno estará no GSI, dispondo, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também da rede federal de coleta de informações estratégicas, abrangendo 33 organismos em 17 ministérios. Santos Cruz, do outro lado do corredor, vai cuidar do entendimento político. Não estará só. Segundo o próprio Bolsonaro, "todo mundo vai fazer a articulação, vai ajudar". Tudo dentro da nova normalidade.
Herculano
01/01/2019 09:03
PARA 65%, BOLSONARO FARÁ GOVERNO óTIMO OU BOM, MOSTRA DATA FOLHA

Otimismo com novo presidente, que toma posse hoje, é menor do que o registrado quanto a Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Igor Gielow. O brasileiro está otimista em relação ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), que tomará posse como 42º presidente da República nesta terça (1º), mas o índice registrado pelo Datafolha é o menor entre os eleitos para seu primeiro mandato desde 1989.

Segundo o instituto, 65% acham que o governo Bolsonaro, o terceiro militar eleito diretamente na história da República, será ótimo ou bom - percentual maior que seu índice de vitória no segundo turno (55% dos votos válidos). Para 17% dos entrevistados, ele será regular e, para 12%, o capitão reformado fará uma gestão ruim ou péssima. Não souberam opinar 6%.

O levantamento foi feito com 2.077 entrevistados em 130 cidades, em 18 e 19 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em 1990, o primeiro presidente eleito após a redemocratização, Fernando Collor de Mello (PRN), assumiu com uma expectativa positiva de 71% dos entrevistados. Ele acabou sofrendo impeachment sob acusação de corrupção dois anos depois.

Em sua primeira eleição, tiveram índices superiores aos de Bolsonaro Fernando Henrique Cardoso (PSDB, com 70% de otimismo), Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 76%) e Dilma Rousseff (PT, 73%).

Coincidentemente, FHC e Dilma tiveram a sua expectativa positiva bastante rebaixada após venceram a segunda disputa pelo Planalto: 41% e 50% de otimismo, respectivamente, em 1998 e 2014. A pesquisa não foi realizada antes da segunda posse de Lula, em 2007.

Os dois vices que assumiram após o impedimento dos titulares no período, Itamar Franco (então sem partido) em 1992 e Michel Temer (MDB) em 2016, tiveram baixas expectativas do brasileiro.

O primeiro, que acabou com o governo bem avaliado, gerava esperança de uma boa gestão apenas em 18% dos ouvidos. O segundo, com alta reprovação ao fim de seu mandato, inspirava expectativa semelhante em 16%.

Por outro lado, os entrevistados acreditam majoritariamente que o governo Bolsonaro será melhor do que os dos antecessores. O número cai quão mais distante no tempo é o governo comparado.

Acham que ele será melhor do que Temer (76%), Dilma (73%), Lula (58%), FHC (56%) e Itamar (52%).
O índice só volta a subir na comparação com Collor (69%), indicativo da má imagem deixada pelo ex-presidente, apesar de ele ter saído do Planalto há 26 anos.

O otimismo em relação a Bolsonaro cai entre os mais escolarizados e mais ricos. Entre os entrevistados com curso superior e os que ganham mais de dez salários mínimos, 22% acham que ele fará um governo ruim ou péssimo. Previsivelmente, o maior otimismo é registrado entre os eleitores de Bolsonaro - 88% apostam numa gestão ótima ou boa.

Entre aqueles que escolheram Fernando Haddad (PT) no segundo turno, o número cai para 35%, empatando na margem de erro com aqueles que esperam um governo ruim ou péssimo (31%).

Entre grupos que já foram alvo de comentários depreciativos por parte de Bolsonaro, o otimismo é menor do que o registrado no conjunto da população.

Homossexuais têm 47% de expectativa positiva, índice que vai a 59% entre pretos e indígenas. Mulheres são menos otimistas (61%) do que homens (69%).

A fé dos brasileiro no cumprimento das promessas por parte do novo presidente é relativa, em linha com as avaliações registradas por Dilma e Lula.

Acham que Bolsonaro cumprirá a maioria de suas promessas 27%, enquanto 62% creem que ele só o fará de forma parcial. Já 9% dizem que ele não cumprirá nenhuma promessa.

PARA BRASILEIRO, SAÚDE É PRIORIDADE, MAS FOCO SERÁ NA SEGURANÇA

O brasileiro afirma que a saúde deveria ser a prioridade do novo governo que assume a Presidência nesta terça-feira (1º), mas crê que o campo em que Jair Bolsonaro (PSL) se sairá melhor é o da segurança pública.

Saúde e segurança são também os principais problemas do Brasil, na opinião dos entrevistados.

Os dados foram aferidos pelo Datafolha em pesquisa realizada nos dias 18 e 19 de dezembro com 2.077 pessoas, em 130 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo o instituto, 40% dos ouvidos acham que a área que deveria ter prioridade é a saúde. Educação vem bem abaixo, com 18%, empatada tecnicamente com segurança, com 16%.

Temas econômicos receberam poucas menções (7% falam em desemprego, 2% em economia no geral). A corrupção, outro ponto central do discurso moralizante do presidente eleito, só é prioridade para 3%.

Já a segurança, foco da campanha bolsonarista, será a área mais bem-sucedida do novo governo para nada menos que 46% dos ouvidos. Saúde é a segunda colocada no ranking, com 9%, e educação será um sucesso para 7%.

Na comparação com a expectativa antes das primeiras posses de Luiz Inácio Lula da Silva (2003) e Dilma Rousseff (2011), fica clara a diferença em relações aos petistas ?"alvos prioritários de Bolsonaro na campanha eleitoral.

Na segurança, apenas 1% dos brasileiros acreditavam que esse seria o ponto de maior sucesso de Lula. O desemprego liderava com 27%, e um tema de então, o combate à fome e à miséria, vinha com 18% ?"hoje é zero.

Já sob Dilma 18% achavam que a saúde seria a melhor área, seguida de perto por educação (12%). Segurança, apenas 2% dos ouvidos.

No quesito expectativa negativa, há uma pulverização de temas. Educação (14%) e saúde (13%) são as áreas que se destacam como aquelas em que o brasileiro antevê um fracasso de Bolsonaro.

Isso também se reflete na lista dos principais problemas do país. Saúde foi citada espontaneamente por 22% dos entrevistados; segurança, por 18%.

Em seguida aparecem no ranking corrupção (16%), desemprego (13%), educação (10%), economia (4%). Os entrevistados foram instados a se manifestar levando em conta as áreas que são de responsabilidade do governo federal.

Entre faixa mais jovem da população, a corrupção foi o problema mais mencionado (24%). Na parcela mais pobre, o desemprego atinge 19% das menções, no mesmo patamar de segurança (18%) e saúde (23%).

A segurança mantém um número estável de menções em todas as faixas de renda familiar. A preocupação com o desemprego, por outro lado, tende a cair conforme aumenta a renda (8% no grupo que ganha mais de dez salários mínimos). Com a corrupção ocorre processo oposto: 12% das respostas nas faixas mais pobres, 21% nas mais ricas.

No segmento com mais escolaridade, a corrupção lidera a lista (20%). No de menor grau de instrução, a saúde é tida como o maior problema (24%).

Na comparação com a última pesquisa acerca do tema, oscilaram para baixo saúde (23% para 22%), segurança (20% para 18%), desemprego (14% para 13%) e educação (12% para 10%). A corrupção oscilou positivamente (de 14% para 16%).

As preocupações do brasileiro são um retrato do momento político e social do país. Em março de 2011, no início do governo Dilma, apenas 3% dos entrevistados citaram a corrupção como o principal problema do país.

Em 2015 e 2016, em meio a inúmeros escândalos envolvendo o PT, a corrupção alcançou seus maiores índices de menções nesta década. Chegou a 37% em março de 2016, dias após grandes manifestações de rua contra o governo que impulsionaram o processo de impeachment.
Herculano
01/01/2019 08:52
FACÇõES CRIMINOSAS DE PRISõES AMEAÇAM BOLSONARO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Com ajuda da Polícia Federal e especialistas em segurança na internet, o novo governo descobriu que organizações criminosas que controlam presídios estão na origem das ameaças ao presidente Jair Bolsonaro e sua família, daí a preocupação em reforçar a segurança na cerimônia posse, nesta terça-feira (1º). Sobretudo em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, cujos governadores declaram guerra sem trégua ao crime.

NÃO DAVA PARA IGNORAR
As ameaças foram suficientemente graves para serem ignoradas, e as investigações transcorrem em sigilo.
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NEUTRALIZANDO AMEAÇAS
Autoridades policiais fizeram busca inclusive em presídios de São Paulo, Distrito Federal e Goiás, a fim de neutralizar as ameaças.

NÃO É INÉDITO
No anos 1990, a polícia abortou o plano de uma facção criminosa para sequestrar familiares do então presidente Fernando Collor.

ALCKMIN COMO ALVO
Mais recentemente, também foram descobertos planos de facção criminosa para sequestrar e até matar Geraldo Alckmin, em São Paulo.

BOLSA FAMÍLIA: RECORDE É DE TEMER, 'PAI DOS POBRES'
Dois anos e meio na Presidência foram suficientes para Michel Temer mostrar ser possível fazer mais por brasileiros pobres do que o PT sempre alegou fazer. Com a economia em frangalhos, o Bolsa Família pagou R$ 31 bilhões aos beneficiários do programa em 2018. O valor estabelece novo recorde superando, em muito, as maiores marcas dos governos Dilma (R$ 27,8 bilhões) e Lula (R$ 14,3 bilhões).

DISPARIDADE
Os R$31 bilhões foram pagos a 14 milhões de famílias. Parece muito, mas equivale a um mês de salários pagos a servidores da União.

SEM FRUTOS
Temer já havia batido o recorde em 2017, quando o programa distribuiu R$ 29 bilhões, mas o esforço não se reverteu em popularidade.

13º A CAMINHO
A expectativa é de pente-fino nos cadastros, prometido por Jair Bolsonaro, além da extensão do programa, que também vai pagar 13º.

NO LIMITE DA PAPAGAIADA
A posse desfigurou a bela fachada do Planalto, com excesso de grades e torres de metal que só alegram a empresa que as forneceu. E faixas com a inscrição "Posse Presidencial" desnecessárias, enfeiando tudo.

CADA SEGUNDO IMPORTA
Ninguém conte com atrasos, na posse de Bolsonaro. Para os militares, pontualidade é um valor básico, elementar. Nos ensaios para a posse, cada etapa não foi medida no celular ou relógio, mas no cronômetro.

NEM UM MINUTO A MAIS
A Petrobras, que não está nem aí para a governabilidade, não perdeu tempo e aumentou o preço do diesel nas refinarias a partir de hoje, com o fim do subsídio do governo às 23h59 do último dia de 2018.

GERIGONÇA FEITA PARA CAIR
O novo governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), não irá utilizar uma das mordomias mais ambicionadas por governantes: helicóptero. Além de avesso a mordomias, ele acha que essa aeronave foi feita para cair.

QUESTÃO PESSOAL
A escolha de Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira (Firjan) para presidir o conselho do Sesi confirma o caráter pessoal a restrição de Bolsonaro a Magno Malta (PRB). Era o cargo que sobrava para o senador capixaba.

FICA, TEMER
No último dia como presidente, Michel Temer cansou as mãos de tanto assinar posters com sua foto, para políticos e servidores do Planalto. Fez com gosto sem reclamar um minuto sequer. A fila era grande.

FOI UM PRÊMIO
Temer deu ao ex-ministro Carlos Marun (Governo) um belo cargo em Itaipu Binacional por reconhecimento. Se no cargo Geddel Vieira Lima só cuidou da própria vida e Antonio Imbassay não cuidou nem da vida dele, nem dos colegas, Marun serviu ao governo em tempo integral.

JÁ SUPEROU
A estimativa mínima do público que vai participar da posse de Jair Bolsonaro na Praça dos Três Poderes (250 mil) já é maior que o público (200 mil) que acompanhou a primeira posse de Lula, 2003.

PENSANDO BEM...
...a cerimônia deste dia 1º mostrará a diferença entre a escolta militar que homenageia e aquela que prende, como na chegada de Lula a Curitiba.
Herculano
01/01/2019 08:45
A DIVISÃO CONSOLIDADA, por Pablo Ortellado, doutor em filosofia, para o jornal Folha de S. Paulo

Grupos políticos organizados fomentam antagonismo de identidades que corrói o convívio democrático

Começa hoje uma nova era. O levante antissistêmico que explodiu em 2013 e ganhou uma liderança conservadora em 2015 passa a governar o país. Não se trata apenas de uma mudança de governo, mas também de uma reestruturação da esfera pública e da emergência de um novo espírito do tempo.

De 2014 a 2018, o Brasil estruturou uma nova divisão política que se sobrepôs e de certo modo ultrapassou a antiga.

No debate público, questões relativas a políticas sociais e econômicas foram incorporadas e subordinadas, de um lado, pela comoção do combate à corrupção e da defesa da família tradicional e, de outro, pela promoção da justiça social e pela luta contra o machismo e o patriarcado.

Embora originalmente deflagrada pelos conservadores, a divisão é relacional. O conservadorismo triunfante é, antes de tudo, um movimento de negação. Assim, não deveríamos falar de uma ascensão conservadora, mas de uma reação conservadora.

Ela é, por um lado, a negação da corrupção cujo expoente máximo seria o petismo. Por outro, é a rejeição da desestruturação da família tradicional que estaria sendo levada a cabo pelos movimentos feminista e LGBT.

Como movimento relacional, a divisão se alimenta de uma resposta antagônica do campo opositor. Mas essa contrarreação não é apenas a afirmação do que os conservadores negam, com sinais invertidos. Nossa polarização é desencontrada.

A esquerda se entende como defensora da justiça social e vê nos conservadores a defesa da desigualdade e dos privilégios do patriarcado, cinicamente disfarçados de combate à corrupção e defesa da família.

Já os conservadores se veem como aqueles que protegem a família e lutam pela ética na política e veem a esquerda como paladinos da corrupção deslavada e da destruição dos valores tradicionais sob a desavergonhada fachada da defesa da justiça social.

Cada lado vê no outro a negação da própria identidade. E vê na autodefinição do antagonista uma impostura. A divisão se alimenta da crença de que o adversário não tem boa-fé e esconde uma agenda maliciosa sob a identidade de uma causa nobre.

Assim, embora os brasileiros defendam serviços públicos universais, o fim da corrupção e um bom convívio entre os diferentes, o antagonismo das identidades promove uma divisão artificial, de rótulos, a serviço de uma agenda política que é o avesso de tudo isso.

Enquanto não abandonarmos as identidades políticas cujo antagonismo é alimentado por notícias hiperpartidárias e exploradas por grupos políticos organizados, não sairemos dessa armadilha.
Herculano
01/01/2019 08:40
BOLSONARO NÃO TEM ESCOLHA

Jair Bolsonaro não tem escolha.

Diz o editorial do Estadão (e está certo):

"Jair Bolsonaro tomará posse hoje como presidente da República com a missão de promover as reformas das quais o Brasil depende para evitar o colapso das contas nacionais.

Não se trata de uma escolha, tampouco de um projeto deste ou daquele partido, e sim de um imperativo nacional. É isso ou presidir um país ingovernável."
Herculano
01/01/2019 08:14
MELHOR QUE A ENCOMENDA

De Alexandre Garcia, ex-Globo, no twitter

Estou entre os que julgam que Temer fez um grande governo. Pegou o país depauperado, desempregado, desmoralizado, desesperançado. Entrega com crescimento, inflação abaixo da meta, juros estabilizados, otimismo no mercado, mesmo sem reforma da Previdência, esfaqueada por Joesley.

VOLTO

Quem acabou com Temer? O PT que perdeu a boquinha, o poder e a possibilidade de ser a única verdade de moralidade para o mundo. Segundo, o próprio MDB, gigolô eterno do poder e quadrilheiro; terceiro, o próprio Temer a imagem que não podia estar a salvo do seu criador, o MDB.
Herculano
01/01/2019 07:21
da série: quando você ler o artigo abaixo, entenderá melhor este e outros temas como previdência que deixará gente sem dinheiro se não for reformada, privilégios que não é possível aos verdadeiros pagadores deles, o trabalhador e desempregado... inclusive os temas de Santa Catarina, Gaspar e Ilhota

O DESAFIO DE SERGIO MORO, por Felipe Moura Brasil, na Jovem Pan

Sergio Moro, como ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro, terá a oportunidade de mapear o sistema prisional e expor à população:

- os verdadeiros e atualizados números absoluto e relativo de presos no país;

- os números separados de presos provisórios, de pessoas em regime fechado, em semiaberto e em aberto;

- quais facções criminosas comandam quais presídios, como o Estado permite que isto aconteça e o que pode fazer para tomar o controle das respectivas unidades.

Desde que comecei a mostrar - em abril de 2014 - a manipulação dos dados prisionais, e a apontar de modo mais incisivo - a partir de junho de 2015 em artigo, e de janeiro de 2017 em artigo e vídeo -, como ela é feita para legitimar a alegação de que existe um suposto encarceramento em massa no Brasil e, assim, justificar a soltura de criminosos, o tema ganhou repercussão no debate público com outros artigos de autoridades que me comunicaram terem se baseado nas minhas análises, como o do promotor Luciano Gomes de Queiroz Coutinho, "Prender ou não prender? Eis a questão", no Estadão, em janeiro de 2017, e o do então ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, "Vício e violência", na Folha de S. Paulo, em março do mesmo ano.

Eu havia mostrado, por exemplo, que o relatório do Infopen (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias), divulgado pelo Ministério da Justiça do governo petista de Dilma Rousseff, sob a gestão de José Eduardo Cardozo, maquiava a posição do Brasil no ranking mundial de população carcerária, fazendo inclusive parecer que os dados absolutos eram relativos por meio de tabelas providencialmente recortadas.

A posição do Brasil - atualmente, a terceira em número absoluto de presos por país - vinha do ranking mundial feito pelo Centro Internacional de Estudos Prisionais (ICPS, na sigla em inglês), mas o Infopen omitia que o Brasil tem uma das maiores populações do mundo e que o próprio ICPS divulgava o ranking de número de presos por 100 mil habitantes, no qual o país está hoje na 28ª posição.

"Assim, não há excesso de presos no Brasil - o país está na proporção média do mundo", escreveu Osmar Terra. "Faltam, na verdade, vagas para que os apenados possam cumprir sua pena com um mínimo de dignidade, para que os barões do tráfico fiquem isolados, sem contato com os demais presos."

"Será tão difícil assim enxergar a importância de se construir mais presídios e aumentar o número de vagas no sistema prisional (...), para que a população tenha mais segurança?", questionou Luciano Gomes. "A 'obviofobia' politicamente correta é um dos grandes males da atualidade."

Em setembro de 2017, no artigo "O mito do encarceramento em massa", publicado no Estadão, o também promotor Bruno Carpes mostrou que o número absoluto de presos ainda estava inflado no relatório do Infopen, afirmando que "o Ministério da Justiça buscou alavancar a posição brasileira no comparativo" entre os países, "tendo desrespeitado os critérios adotados pelo instituto internacional" (ICPS).

"Isto é, não observou que o estudo global corretamente considera como preso somente aquele que se encontra em regime integralmente fechado; e como preso provisório somente aquele que se encontra aguardando julgamento.

Por conseguinte, conforme o relatório do CNMP (...), o Brasil possui 456.108 presos - dentre provisórios e no regime fechado, e não 622.202. Essa brutal diferença influencia diretamente na taxa de encarceramento brasileiro (número de presos a cada 100 mil habitantes).

Assim, adotando-se o justo critério considerado pelos demais países, o Brasil passa a configurar na 60ª posição mundial e na 8ª posição da América do Sul (13 países), com 224 presos a cada 100 mil habitantes", "próximo da taxa europeia, de 192".

Em fevereiro de 2018, o desembargador Edison Brandão, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), exibiu no programa Roda Viva uma folha com o número de presos apenas em regime fechado e afirmou:

"Eu peguei hoje no site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) isso aqui, olha. É oficial. Nós temos no regime fechado no Brasil 309.126 pessoas. [O Brasil tem] Uma população de 208 milhões e (é) o país que matou 64 mil quinhentas e poucas pessoas no ano passado. O país que mais mata no mundo tem isso aqui (de presos em regime fechado), na verdade. Encarceramento em massa onde?"

Seis meses depois, em agosto de 2018, o CNJ, sob a presidência da ministra e então presidente do STF Cármen Lúcia, publicou um relatório chamado "Banco Nacional de Monitoramento de Prisões - BNMP 2.0: Cadastro Nacional de Presos", cujo item 2.4 é intitulado "Presos por tipo de regime". Ali se apresenta um número ainda menor de presos em regime fechado:

"Excetuadas as pessoas presas exclusivamente por processos criminais sem condenação [os presos provisórios] e desconsideradas as internações (medidas de segurança), e analisada a informação atinente a todas as guias de recolhimento provisórias e definitivas cadastradas no BNMP 2.0, chega-se à conclusão que 266.416 pessoas presas se encontram no regime fechado, 86.766 pessoas no regime semiaberto e 6.339 pessoas no regime aberto cumprindo esta pena em casa do albergado."

Semiaberto é o regime que o condenado cumpre não em penitenciária, mas em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar, onde fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno. Aberto é o regime que o condenado cumpre em casa de albergado, situada em centro urbano e sem obstáculos para a fuga. Nem sempre, porém, existem no país colônias ou casas de albergado disponíveis para os condenados que cumprem ou progridem para esses regimes.

Por isso, o próprio relatório do CNJ registra que "os números apresentados para os regimes fechado, semiaberto e aberto não representam o quantitativo de pessoas que efetivamente estão cumprindo penas nesses regimes, pois a desativação de vagas e casas penais, especialmente dos regimes semiaberto e aberto, tem feito com que as pessoas condenadas nesses regimes passem a cumprir a pena em prisão domiciliar e monitoramento eletrônico".

As ressalvas apenas confirmam a carência de vagas e casas penais no sistema como um todo e em nada mudam o dado mais relevante ao propósito deste artigo, pois ainda que haja condenados até mesmo em regime fechado que, por falta de vagas, não se encontram efetivamente presos em qualquer penitenciária, o número indicado de 266.416 é o de condenados em regime fechado que estão presos de fato.

Este número é muito menor que o de 726.712 presos contabilizados em relatório do Infopen de junho de 2016 e que foi repercutido distorcidamente pela imprensa como "o total de pessoas encarceradas no Brasil".

(A propósito: o mesmo relatório apontou praticamente a metade em total de vagas no sistema prisional: 368.049 ?" ou seja: déficit de 358.663 vagas; sendo que 78% dos estabelecimentos penais têm mais presos que o número de vagas, ou 89% da população prisional estão em unidades superlotadas.)

Foi baseado neste número de presos do Infopen, aliás, que Ricardo Lewandowski, em sessão plenária de dezembro de 2018, tentou justificar a soltura de criminosos, inclusive corruptos, pelo decreto de indulto de Natal de Michel Temer de 2017. O ministro apenas arredondou o dado para "720 mil", para facilitar a fala. Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e Celso de Mello seguiram a mesma linha de Lewandowski, antes de Luiz Fux pedir vista e interromper o julgamento quando o placar estava em 6 votos a 2 (Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin).

Raul Jungmann, o ministro de Segurança Pública do governo de Michel Temer, também tentou justificar moralmente o indulto de Natal ao responder a uma pergunta minha na Jovem Pan citando os "726 mil presos que você tem dentro do país". Jungmann criticou o "senso comum brasileiro" de que prender bandido resolve o problema da segurança pública:

"Vocês não se dão conta de que cada vez que você coloca alguém dentro de um presídio (...), para poder sobreviver (...) - já que, sendo uma instituição estatal, o próprio Estado não garante a vida de quem é preso ?" ele tem que jurar fidelidade a uma facção. (...) E quando ele sair um dia, ele é um escravo de uma facção. Então olhar a criminalidade e a violência só da rua até a porta do sistema prisional, é esquecer que o que acontece na rua - a bala perdida, o tráfico, o sequestro - é determinado de dentro do sistema prisional."

Isto é, na prática, a confissão de uma autoridade de Estado de que o Estado não cuida do sistema prisional como deveria e por isso joga os criminosos de volta para o convívio da sociedade - esta mesma que Jungmann trata como se tivesse de aceitar docilmente as teses de que conviver com criminosos livres é a melhor opção para ela e de que estes são menos suscetíveis a se tornarem escravos de uma facção que os criminosos presos.

O ministro ainda reclamou "que hoje 40% dos presos", "292 mil dos 726 mil", "não têm nenhuma condenação", "porque o sistema judiciário não tem velocidade para fazer isso". É mais uma admissão de que o Estado não consegue resolver o problema, embora o CNJ tenha defendido o Judiciário neste ponto, em seu relatório de agosto, atribuindo a responsabilidade para a legislação, ou seja, para o Poder Legislativo:

"Note-se, ainda, que um percentual elevado de presos provisórios não conduz, por si, à conclusão de ineficiência do Poder Judiciário. Do contrário, a observância dos termos e prazos que garantem a higidez do processo penal implicam por vezes na dilação dos prazos para encerramento da instrução. Em outras palavras, pode não haver disfunção alguma na situação em que a prisão preventiva se iniciou há 30, 60 ou 90 dias e em que não houve a prolação de sentença. No sistema jurídico brasileiro não há, salvo em parte dos procedimentos especiais, termo legal que limite a prisão processual a um período fixo. Desse modo, apenas a avaliação individual das circunstâncias de cada caso concreto permite a verificação de eventual excesso de prazo, sendo indevida a generalização corrente de que o percentual, mais ou menos elevado, de presos provisórios aponta para uma ilegalidade de responsabilidade do Poder Judiciário."

Em resumo: enquanto as autoridades do Estado jogam umas para as outras a responsabilidade pelos problemas do sistema penitenciário brasileiro e/ou embarcam juntas no lobby anticarcerário que as exime de tomar qualquer providência individual ou coletiva, institucional ou interinstitucional, a população continua sendo vítima diária dos criminosos soltos e presos, bem como da leniência estatal com eles.

Um dos desafios de Sergio Moro em matéria de segurança pública é trazer a transparência faltante a todas essas questões (e ainda há outras relembradas nos links abaixo), formular propostas e estratégias para solucioná-las, e finalmente deixar para trás uma era de insultos de autoridades à inteligência dos pagadores de impostos do país.
Herculano
01/01/2019 07:00
da série: esta bolha de fatos falsos não apenas permeia o cenário nacional, mas nas aldeias, onde os crentes nada enxergam além do mundo de suas fantasias e cegamente acreditam e servem de fantoches para seus credos

VERDADES E MENTIRAS, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, mestre em filosofia, para o jornal Folha de S. Paulo

A maioria das pessoas não quer a verdade, busca validação para crenças que reafirmem seus interesses

Passei parte do último dia do ano discutindo com pessoas que, depois de assistirem a um vídeo de YouTube, se convenceram de que a facada em Bolsonaro foi uma farsa.

O vídeo é sofrível: uma trilha sonora de tensão intercala fotos supostamente reveladoras e um texto com especulações mirabolantes. Indago: então a Polícia Federal que investiga o caso, vários veículos de imprensa - inclusive aqueles francamente contrários a Bolsonaro - e ainda as equipes médicas de dois hospitais estão todos mentindo? Sim.

Seria um vídeo anônimo no YouTube recheado de especulações sem provas mais confiável do que uma matéria de jornalistas profissionais que buscam apurar os fatos e do que as conclusões de investigadores da polícia?

Quem quer acreditar em algo encontra as justificativas. Quanto mais inteligente e estudado for, mais terá facilidade em construí-las. E é inútil debater diretamente contra essas justificativas, pois assim que se derruba uma aparecem outras. A discussão se torna um exercício infrutífero e a possibilidade de alguma sensatez cada vez mais distante.

A maioria das pessoas (e nós mesmos, grande parte do tempo) não quer a verdade. Busca validação para crenças que reafirmem seus interesses e sua identidade. Confunde assertividade retórica com evidência racional. Sempre foi assim.

A novidade é que agora os canais de informação estão pulverizados, dando voz a todo tipo de opinião (e formadores de opinião) e "fatos alternativos". Isso é uma oportunidade e um risco.

A primeira safra de novas lideranças que chegou ao poder surfou essa onda usando e abusando de seu poder de manipular massas perdidas em meio ao caos da informação. Donald Trump, nos EUA, elevou a mentira a um novo patamar no discurso público.

O jornal Washington Post enumerou todas as mentiras ditas pelo presidente (e não contou opiniões controversas ou dúbias, apenas afirmações frontalmente contrárias aos fatos) ao longo de seu mandato até o fim de dezembro deste ano: 7.645. Ou seja, uma média de mais de dez mentiras por dia, em geral cantando falsas vitórias de seu governo.

Por aqui, seguimos o mesmo caminho. Não existe mais nenhuma desonra na mentira deslavada. O espertalhão eficaz é admirado por sua sagacidade. Os falastrões, os histriônicos e os teóricos da conspiração, os replicadores de fake news, tiveram sucesso eleitoral. As consequências que isso pode ter para as democracias são sérias.

Mais do que refutar uma ou outra notícia falsa, o importante é recuperar a confiança perdida nas instituições, que resguardam o apreço pela verdade contra a sanha de poder dos indivíduos. Da parte da mídia, isso só pode ser feito mostrando para o público que o jornalismo não é um mundo à parte, que as redações são compostas de pessoas de todos os perfis ideológicos.

Da parte das lideranças políticas, é preciso que nomes sérios à direita e à esquerda emerjam como interlocutores dos debates sérios para definir as mudanças no país, enquanto o restante continua seu showzinho infantil e alienante nas redes sociais.

Do ponto de vista econômico, estou cautelosamente otimista para 2019. Do ponto de vista cultural e político, contudo, os desafios são imensos e uma melhora em 2019 dependerá do engajamento de todos os cidadãos comprometidos com o bem comum.

Feliz Ano Novo!
Herculano
31/12/2018 11:45
O PT PERDEU, MAS TENTOU DE TUDO NO JOGO SUJO

De Guilherme Fiuza, da Gazeta do Povo, no twitter:

2018 foi o ano em que tentamos de tudo pra devolver o poder aos petistas, diz leitor. Tentamos manchetes criativas, golpe do whatsapp, chilique da ONU, choro de subcelebridade, embelezamento de poste, maquiagem de presidiário, canetada de juiz ladrão... Mas não deu. 2018 é golpe!
Herculano
31/12/2018 11:39
da série: o emprego com os nossos pesados impostos do fiel pitbull

CARLOS MARUM GANHA "BOQUINHA" DE CONSELHEIRO DE ITAPIPU A 3 DIAS DO FIM DO GOVERNO

Nomeação pode ser barrada pela Lei das Estatais, de Temer

Conteúdo do Diário do Poder. A três dias de acabar o seu governo, o presidente da República, Michel Temer (MDB) nomeou o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), para uma das boquinhas mais ambicionadas pelos políticos, a de conselheiro de Itaipu Binacional. os atos de exoneração do cargo de ministro e de nomeação para o conselho de Itaipu foram publicados no Diário Oficial da União desta segunda-feira (31).

O mandato no conselho de administração de Itaipu terá validade até 16 de maio de 2020. Ele substituirá o advogado Frederico de Oliveira, servidor da Casa Civil.

Marun disse que o posto lhe interessava e que informou ao presidente que ele ficaria vago com o pedido de saída de Oliveira, publicada também nesta segunda-feira.

"Discuti com ele o assunto e disse que esta vaga me interessaria. Ele entendeu que eu possuo os predicados para o exercício da função e me nomeou", disse.

Marun afirmou que, com a nomeação, se afastará da política "por um tempo". Ele informou que renunciou ao mandato de deputado federal e que já pediu seu desligamento de funções que exercia no MDB.

A Lei das Estatais, sancionada por Temer em junho de 2016 para impedir ingerência política em empresas públicas, impede a indicação de ministros de estado a cargos de gestão nessas empresas.

A norma de governança das estatais traz ainda uma série de exigências para as nomeações. Entre elas, a necessidade de no mínimo dez anos de experiência na área de atuação da empresa pública, ou quatro anos em cargo de companhia com porte semelhante, ou quatro anos de experiência como profissional liberal em atividade ligada a essa mesma área.
Herculano
31/12/2018 11:34
O NOSSO PEQUENO MUNDO DE HORRORES

Manchete do portal Cruzeiro do Vale - o mais antigo, o mais acessado e atualizado de Gaspar e Ilhota - neste domingo e nesta segunda

Homem - um idoso - mata a companheira e se suicida. Filho mata o pai. Incêndio destrói um bar e duas casas. Tudo num só bairro, o Santa Terezinha.

Ufa, ainda bem que o ano praticamente já terminou. É preciso pedir mais proteção à Santa que está falhando, aos crentes

A Oração à Santa Terezinha finaliza assim.

"Cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no céu, ao vosso lado, contando as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus. Amém"
Herculano
31/12/2018 11:24
ENTENDIANTE

Não há no jornalismo da era digital, hábito mais entediante, antigo - das velhas redações - e pura ocupação de espaços que deviam estar para novidades e atualidades, do que as tais retrospetivas. Aff

E a rede e seus atores que não vivem do passado, ocupam e refirmam o seu espaço.
Herculano
31/12/2018 07:26
CONTA OUTRA

Na CBN SP há pouco, o milionário, o mais caro, defensor dos famosos e gente bem perigosa, Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, lamentou que o presidente Michel Temer, MDB, não tenha assinado o decreto para o Indulto do Natal.

E por que? segundo ele. Porque os mais prejudicados foram os presos pobres.Ai, ai, ai.

Ou seja, usando os pobres - muito deles obrigados a se filiarem às poderosas facções para se manterem vivos eles próprios e parte da família, agregados... - o benefício vem também para uma minoria de gente endinheirada e poderosa, patrocinada pelos kakais da vida.

É o jogo jogado, mas desta vez não a carta não entrou na jogada esperada (e manjada) de todos os anos. Dai a indignação. Só isso. Quando pobre no Brasil vai deixar de ser muleta dos grandes interesses? Wake up, Brazil!
Herculano
31/12/2018 06:45
BOLSONARO E SEUS FILHOS, por Marco Antonio Villa, historiador, na revista IstoÉ

No Brasil, família não rima com política. Desde o início da República essa convivência não foi saudável. Hermes da Fonseca, sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, foi acusado de falsificar atas do Governo Provisório para favorecer banqueiros do Encilhamento. Era um momento de intensa especulação financeira. O sobrinho do presidente teria alterado decretos sem o conhecimento do tio e dos ministros.

Poucos anos depois - e por razões políticas -, Alberto Salles rompeu com seu irmão, o presidente Campos Salles. O pomo da discórdia foi a adoção da Política dos Governadores por parte do presidente que garantia apoio parlamentar no Congresso em troca da entrega dos estados aos potentados locais.

Meio século depois Getúlio Vargas acabou pagando com a vida pelo envolvimento de um dos seus filhos - Lutero - no atentado da rua Tonelero, a 5 de agosto de 1954. Irritado com as sucessivas denúncias do jornalista Carlos Lacerda na "Tribuna da Imprensa" contra seu pai, segundo algumas versões, Lutero teria solicitado ao chefe da guarda pessoal de Vargas - Gregório Fortunato - que calasse o jornalista.

Quarenta anos depois, Pedro Collor acabou abrindo o caminho para o processo de impeachment de seu irmão. Uma divergência familiar acabou levando à interrupção do mandato presidencial de Fernando Collor em dezembro de 1992.

São apenas alguns exemplos. Mas todos conduziram a uma crise política - exceto o de Alberto Salles que levou ao rompimento da fração positivista do republicanismo histórico com a República dos coronéis, os senhores do baraço e do cutelo no dizer de Euclides da Cunha.

Se a presença de famílias nos estados marcou - e marca - a história política do Brasil, não é tão comum a repetição desse fenômeno no plano presidencial. E muitos menos com tantos filhos na política como Jair Bolsonaro. Pode ser lembrado o caso da família Sarney, contudo eram somente dois filhos políticos e sem o poder explosivo dos três de Bolsonaro.

Se no período de transição seus filhos não perderam oportunidade para criar situações embaraçosas para o pai, o que poderemos esperar a partir de 1º de janeiro de 2019? Ter três filhos na política não é um bônus. Especialmente quando não tem vida própria. Foram eleitos graças ao prestígio político do pai. Dessa forma, cada fala de um deles é entendida como se fosse do presidente. Quantas vezes Bolsonaro não teve de desmentir os filhos? Isso pode acabar mal.
Herculano
31/12/2018 06:31
UM TÍTULO ERRADO

Deveria ser: Os coronéis do Nordeste, que manipulam pobres, analfabetos e ignorantes... para continuarem alienados, pobres, analfabetos e ignorantes...

GOVERNADORES DO NORDESTE BOICOTAM POSSE DE BOLSONARO

Conteúdo de O Antagonista. Os nove governadores do Nordeste vão boicotar a posse de Jair Bolsonaro.

"Geralmente as cerimônias nos Estados são agendadas pela manhã para não coincidir com a transmissão da faixa presidencial", diz o Estadão. "Não foi o que ocorreu neste ano".
Herculano
31/12/2018 06:27
JÁ SAIU O INDEX SPECTATOR DOS MENORES PIBs DESTE 2019. O BRASIL ESTÁ FORA DA PRIMEIRA RODADA

Slowest GDP growth, 2019.

Venezuela: -5%
South Sudan: -4.5%
Iran: -3.6%
Sudan: -1.9%
Argentina: -1.6%
Puerto Rico: -1.1%
Nicaragua: -1%
Barbados: -0.1%
Turkey: +0.4%
Ecuador: +0.7%
Japan: +0.9%
Italy: +1%
Lesotho: +1.2%
Lebanon: +1.4%
South Africa: +1.4%
UK: +1.5%
Jamaica: +1.5%
Herculano
31/12/2018 06:16
AUSTRÍACOS ADMIRADOS POR BOLSONARISTAS CRITICARAM AUTORITARISMO, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Intelectuais nascidos há mais de cem anos advertiram sobre ameaças à liberdade individual

Parte da turma que assume o governo federal nesta terça admira uma linhagem de acadêmicos nascidos no Império Austro-Húngaro entre o final do século 19 e o início do 20, entre eles Ludwig von Mises (1881-1973), Friedrich Hayek (1899-1992) e Karl Popper (1902-1994).

Em comum, além da defesa intransigente do liberalismo econômico, eles professaram lições importantes contra a tirania, seja a dos poderosos, seja a dos próprios intelectuais.

É uma pena que, rebaixados pelo marxismo dominante, seus principais escritos tenham circulado pouco aqui. Menosprezaram-se alguns rebentos do Iluminismo, como estes:

1. O mecanismo que faz os homens cooperarem no mundo moderno é essencialmente complexo e não pode ser apreendido pelo intelecto mais treinado, a não ser em contornos grosseiros. Por isso o desfecho dos processos históricos e sociais se reveste de crônica indeterminação.

2. Não há doutrina "científica" eficaz aplicável ao juízo político. A passagem dos especialistas, inclusive militares, e dos intelectuais para o governo deveria ser vista com cautela, para que a autoridade adquirida em campos específicos não se transforme em verniz do arbítrio.

3. A escala de valores do indivíduo, que determina suas escolhas, não pode ser substituída pela de outra pessoa, que é diversa. Tampouco um ente coletivo a suprirá. Quando o governo invade o domínio das decisões particulares - e dita padrões de produção, consumo, opinião ou conduta -, incide em autoritarismo.

4. A boa norma é simples, impessoal e instrumental. Pela proliferação descontrolada de regulamentos e burocratismos se estabelecem de antemão vencedores e vencidos no jogo econômico e social. O efeito, para os indivíduos e as organizações tolhidos em sua liberdade de ação, pode ser similar ao do despotismo.

5. Integra o ânimo propagandístico autoritário, escreveu Hayek, despojar as palavras "de qualquer significado preciso, podendo designar tanto uma coisa como o seu oposto".
Herculano
31/12/2018 06:10
LULA PRESO E BOLSONARO ELEITO NA GLóRIA DE DEUSXXX, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

Que ano foi este?! Foi o ano em que finalmente já não colou a surrada desculpa do "eu não sabia" ou de atribuir a "um amigo" as propriedades que acumulou como propina, e o ex-presidente Lula virou presidiário. Foi o ano em que nem mesmo uma facada tirou Jair Bolsonaro da vitória na disputa pela presidência da República. Ano em que a vereadora Marielle foi mais uma mulher assassinada no Brasil. O ano em que o Cabo Daciolo, com Deusxxx no discurso, atingiu a glória. Veja nesta edição a tradicional premiação anual da coluna.

TROFÉU 'ELENÃO'
Ciro Gomes, agora no PDT, conseguiu ser derrotado novamente na disputa pela Presidência da República.

PRÊMIO MARIA ANTONIETA
Vai para o Supremo Tribunal Federal, que só faltou distribuir brioches para os brasileiros inconformados com o aumento-jumbo que os ministros se deram, mesmo sabendo do bilionário efeito-cascata.

ALI BABÁ DE OURO
Lula saiu do armário para entrar no xilindró, onde encontrou à sua espera o troféu de Ali Babá de Ouro, com o qual pode finalmente assumir a chefia dos 40 mensaleiros e os 300 da Lava Jato.

PRÊMIO VIÚVA PORCINA
O troféu vai para os integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tornou o anunciado "fim do auxílio-moradia dos magistrados" naquilo que foi sem nunca ter sido.

TAÇA 'BOLSA FAMÍLIA'
Vai para Joesley & Cia, que, presos e processados por tantas falcatruas, lucraram este ano mais de R$2 bilhões em seus negócios.

SAMAMBAIA DE PLÁSTICO
Marina Silva (Rede) ganha novamente o prêmio máximo desta modalidade, após obter o pior desempenho eleitoral de sempre, arrastando o próprio partido para o caminho do brejo.

FALA MUUUUITO
Tite, técnico da Seleção brasileira, especialista em embromation, ganha o troféu Língua de Trapo, que fracassou na Copa do Mundo e ainda convenceu o comando da CBF a mantê-lo no comando da Seleção.

PRÊMIO óLEO DE PEROBA
Lula arrebatou este prêmio mais uma vez, já no fim do ano, categoria hors concours, ao tentar comparecer ao velório de Sigmaringa Seixas. Logo ele, que, mesmo solto, não foi nem ao enterro de dois irmãos.

AVESTRUZ DE BRONZE
Dividem o prêmio as turmas do #MexeuComUmaMexeuComTodas" e do "#EleNão", que não abrem o bico para condenar o médium tarado e nem mesmo em solidariedade das mulheres que ele abusou.

TROFÉU 'CONTA OUTRA'
Vai para Tiririca, palhaço-deputado para quem pior não ficaria, mas ficou, anunciou o fim da carreira política e desistiu da desistência. A plateia como sempre, receberá narizes vermelhos na premiação.

BESTEIROL DE OURO
Em votação unânime, a Folha arrebata o prêmio com a incrível história de "impulsionamento de mensagens" pró-Bolsonaro nas redes sociais, afinal desmentida enfaticamente ao TSE por Twitter, Facebook etc.

TE VEJO NO SÉCULO 23
O troféu é, com todos os méritos, do ex-governador Sérgio Cabral, aquele que roubou com a mão na cabeça para não perder o juízo, e agora tem 200 anos de cadeia para cumprir.

NA TRAVE 2018
O presidente do MDB e senador Romero Jucá (RR) não foi reeleito para o Senado por menos de quinhentos votos. É o ganhador do prêmio Na Trave 2018.

PRÊMIO CHEIRINHO
Patrocinado pelo Flamengo, o prêmio Cheirinho 2018 vai para o deputado Jean Wyllys (Psol), que por alguns dias esteva reeleito, mas logo depois perdeu a vaga e virou suplente.

TIJOLO DE OURO
O caneco vai para Donald Trump, que "desligou" o governo na luta para construir seu muro na fronteira mexicana. Para receber cobiçado troféu, Trump precisa obter visto no consulado do Brasil em Washington.

PRÊMIO ESCULHAMBAÇÃO
O apego à expressão, que repetia incansavelmente, valeu ao ex-candidato Guilherme Boulos o Troféu Esculhambação 2018, reforçado pelas imitações fajutas de um certo presidiário, seu ídolo.

PENSANDO BEM...
...que 2019 só não seja melhor que 2020.
Herculano
31/12/2018 06:03
da série: viara-se uma página, finalmente. Mas, a que virá corre o mesmo risco, porque o poder é algo absolutamente mentiroso, ou no mínimo fantasioso, pois cria (falsas) esperanças. Um texto esclarecedor


O ANO EM QUE A ESQUERDA QUEBROU, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

A direita, agora, fará sua experiência pessoal do poder gravitacional da mentira

A esquerda tomou um baque neste ano no Brasil. Não digo isso como festa. Digo isso como fato. Requentou um candidato (por falta de opção) que tudo que fez na Prefeitura de São Paulo foi alimentar a pequena Amsterdã que existe dentro dos jovens riquinhos paulistanos com pistas para bikes caras.

Por outro lado, alimentou o culto de um político datado e preso. O PT é um partido velho em sua visão de mundo. As outras opções da esquerda se perderam entre a moçada que ocupa a casa e a terra dos outros, a defesa das "minorias", artistas ávidos por meter a mão no dinheiro público e movimentos estudantis truculentos. Triste fim.

Essa casa em ruínas de velhos loucos sem dentes (com fotos apagadas do Lula entre os dedos trêmulos) assistiu à caravana do populismo ressentido passar vitoriosa. O Brasil asfixiava sob a bota da tara monopolista corrupta do PT. As cadelas hidrófobas saíram do armário mordendo, depois de décadas de cativeiro.

De repente, dos escombros da inteligência de esquerda, brota seu "novo conceito crítico": a elite perdeu o verniz. Risadas? Militante nunca teve verniz. A esquerda mente tanto que esqueceu quando está mentindo. A direita, agora no poder, fará sua experiência "pessoal" do poder gravitacional da mentira.

Por que a esquerda quebrou? Por que ela mente tanto? Antes de tudo, por vaidade. O maior pecado da esquerda é a vaidade do bem. Se a direita peca por rancor, a esquerda peca por orgulho. Vaidade, vaidade, vaidade, vaidade das vaidades. Mas, para além da vaidade (ninguém consegue aderir a alguma militância sem construir um conjunto mínimo de vaidades), a esquerda quebrou porque mente. Mente porque, do contrário, tem de encarar a realidade. A falta de autocrítica do PT ao longo do ano é a prova de que a mentira é uma estratégia profunda. Mais do que meramente política, ela é um vício cognitivo e epistêmico. A esquerda tem de mentir para sobreviver em seus coquetéis, festivais de cinema, mesas acadêmicas e em suas colunas sociais.

Se a direita tem de provar que não é mais escrota, a esquerda tem de provar que nunca foi. E aí, a história é cruel com a esquerda. Só não é mais porque historiadores orgânicos continuam trabalhando descaradamente em favor desse "verniz". Risadas? O problema da mentira cognitiva e epistêmica é que ela acaba deixando você burro.

Como justificar o culto a Cuba sem ficar burro? Como cultuar Fidel sem mentir? Mas olhemos para coisas "maiores". Se em 1964 o Brasil tivesse caído sob o domínio soviético, o país teria se transformado numa ditadura da mesma forma -levando-se em conta o contexto geopolítico de então, claro. Ou talvez num outro Vietnã. Cuba é uma ilhota, o Brasil é um continente.

Os mesmos comunistas que agora aparecem se oferecendo como vítimas (e, no contexto objetivo da época no país, foram mesmo vítimas de violência, tortura e abusos, que nenhum inteligentinho de direita venha negar o óbvio), se tivessem se instalado em Brasília em 1964, teriam matado, torturado, violentado, roubado, como todo comunista fez quando tomou o poder. Quem não reconhece isso é mentiroso. A militância política corre o mesmo risco de irracionalidade que a fé religiosa.

A esquerda optou por oferecer uma autoimagem de pessoas que carregam flores e livros nas mãos enquanto a direita carrega armas e porretes. Assustou-se quando grande parte do país parou de crer nessa imagem falsa. A esquerda, historicamente, carregou poucos livros nas mãos. Carregou apenas os que rezavam na cartilha. A esquerda foi sempre autoritária, mentirosa, violenta. Quem conviveu com ela, sem ser parte dela, sabe disso.

É claro que nem todo mundo nela é assim, assim como nem todo mundo que quer um Estado menor no Brasil acha que gente deve morrer de fome.

A pergunta que se deve fazer é: Por que durante o regime soviético era este quem prendia seus cidadãos dentro da cortina de ferro e não o mundo dos "porcos capitalistas"?

O comunismo, além de destruir a economia por onde passou (veja a Venezuela e Cuba), destruiu a liberdade, o cotidiano, instituiu formas de destruição das famílias, levando os filhos a denunciarem os pais, alimentou os maiores canalhas dentro de seus países, assassinou, prendeu, torturou, chacinou, enfim, matou em números mais do que os nazistas.

A esquerda quebrou porque mente demais. Mente porque seu passado a condena de forma evidente. Mente porque a "hipótese comunista" só funciona regada a queijos e vinhos.
Herculano
31/12/2018 05:51
NÃO SE CASE E VIVA AS CUSTAS DOS PESADOS IMPOSTOS COBRADOS INCLUSIVE DOS DESEMPREGADOS E DA MAIORIA POBRE

O que se defende no Brasil não é direitos adquiridos, mas privilégios adquiridos. Vergonhoso. E com amparo da Justiça que se esbalda neles em causa própria. Criminoso.

Filhas solteiras do STF recebem pensão equivalente ao salário dos ministros do STF... por decisão dos próprios ministros do STF

Só na União, 52 mil filhas solteiras maiores de idade recebem pensões de mais de R$30 mil, custando mais de R$3 bilhões por ano a todos os brasileiros.

Como escreveu Ricardo Amorim, já passou da hora de separarmos privilégio de direito. Direito adquirido é sagrado. Privilégio adquirido tem de acabar. Por acaso, o privilégio dos senhores de engenho de ter escravos era direito adquirido?! Assim, não acabaríamos com a escravidão nunca.
Herculano
31/12/2018 05:40
O DESTINO

"Preste atenção a seus pensamentos. Eles vão se tornar atos.

Preste atenção a seus atos. Eles vão se tornar hábitos.

Preste atenção a seus hábitos. Eles vão moldar seu caráter.

Preste atenção a seu caráter. Ele construirá seu destino."

Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica, conservadora, que acabou com a ditadura dos sindicatos e privilégios das castas no serviço público e por isso foi odiada até a morte por esses segmentos, mas lembrada até hoje pelos ingleses pela retomada do desenvolvimento da Grã-Bretanha, envolvida num retrocesso chamado Brexit, que eles próprios por maioria estreita pediram e estão arrependidos olhando o passado.
Herculano
31/12/2018 05:22
DEPOSITE PARA NóS

De Ancelmo Góis, de O Globo, no twitter

Simpatia de final de ano rolando nas redes: "Dia 31, meia noite, beba açaí com laranja, pule 17 ondas e grite: 'São Queiroz! São Queiroz! Faz um depósito para nós!'",
Herculano
31/12/2018 05:19
da série: em Santa Catarina, inicialmente, o quadro é mais preocupante.

BOLSONARO E O CONGRESSO, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Nenhum presidente governou nas últimas décadas sem a parceria do Legislativo

O decreto para permitir a posse de arma de fogo a pessoas sem ficha criminal é apenas um pedaço da avalanche de medidas a serem anunciadas nos primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro.

A expectativa é que os novos ministros revelem agora na largada ações de impacto nas pastas. Estrelas da Esplanada, Paulo Guedes (Economia) e Sergio Moro (Justiça) devem dividir o protagonismo em janeiro.

Conforme mostrou reportagem da Folha no domingo (30), a equipe de Guedes quer fazer um gesto ao setor produtivo na busca da melhoria do ambiente de negócios no país.

A primeira impressão (sobretudo para um governo novo) é importante e o ministro sabe que não há outro colega com mais responsabilidade do que ele para que Bolsonaro tenha uma perspectiva de sucesso.

Entretanto, para pouca coisa servirá um clima de euforia econômica nas primeiras voltas da corrida se Guedes não revelar até fevereiro qual é de fato a reforma da Previdência à mesa. Não há medida capaz de superar um fiasco na aprovação da mudança na aposentadoria.

Naturalmente aguarda-se com ansiedade o primeiro mês de governo Bolsonaro, mas é a partir de fevereiro, com o início da nova legislatura do Congresso, que a força dele e de seus movimentos será percebida.

Sem uma base parlamentar coesa e alinhada, Guedes e Moro terão dificuldades em levar adiante as principais metas de seus ministérios.

O ex-juiz federal pretende entregar aos deputados e senadores um pacote de medidas legislativas de combate à corrupção. São propostas que dependerão da boa vontade de uma classe política que sempre demonstrou aversão à Lava Jato.

Moro terá condições de negociar com personagens atingidos por ações dele nos tempos de Curitiba? Guedes vai topar ceder na reforma da Previdência para conseguir sua aprovação no primeiro semestre?

Nenhum presidente governou nas últimas décadas sem a parceria do Congresso. E não há chance alguma de ser diferente com Bolsonaro.
Pedro Salvador
30/12/2018 20:40
Gostaria de compartilhar uma publicação oficial do Prefeito Kleber na sua página do facebook, leiam e tentem digerir a informação do chefe do governo municipal.

"Kleber Wan-Dall
Ufaaaa... 2018 está terminando [...]
Já no dia 07 de Janeiro, retomamos as demais obras:
[...]
-Rua Madre Paulina (Glória a Deuxxx, kkk. Não vejo a hora de concluir essa obra)[...]"
Fonte: https://m.facebook.com/KleberWanDallOficial/photos/a.1751279888462295/2245189579071321/?type=3

Ao que parece o prefeito esta perdido e/ou mal assessorado nas suas publicações, ou literalmente perdeu o respeito invocando a Deus de forma inoportuna e ainda rindo da cara do munícipe, pois se a obra não foi concluída é por exclusiva responsabilidade da administração municipal que após dois anos de governo não conseguiu finaliza-lá.

Ao invés de rir, o Prefeito Kleber deveria chorar pela ineficiência de sua gestão!

Pelas atitudes que tenho observado deste governo, realmente somente Deus e um milagre para salva-lo. Queria finalizar dando um recado a equipe de gestão de nosso município, cuidado com as festas de final de ano porque 2019 promete muitas surpresas e explicações.

Ao colunista e leitores deste espaço desejo um próspero ano novo repleto de alegrias, sucessos e saúde!
Herculano
30/12/2018 18:23
VAI OU NÃO TER INDULTO?

A última notícia deste domingo, até este post, é que o presidente Michel Temer, MDB, mesmo sob pressão dos que defendem cadeias sem portas ou de técnicos com justificadas defesas para tal, é de que não vai haver edição do decreto de Indulto de Natal - que já se foi - este ano - que está chegando ao fim, assim como o mandato do próprio Temer.

O presidente faz bem. Afinal, o Supremo Tribunal Federal, aquele das barbaridades, que enxovalhou o termo Justiça e a imagem do Judiciário faltou decidir qual é mesmo o limite de um presidente nos decretos sobre indulto.

Se há um culpado nisso tudo, é o STF e seus ministros fanfarrões. Faltou a parte deles: o balizamento que chamaram para eles nesta questão depois de barrarem a farra do Indulto de 2017.

Temer está magoado? Pode ser! Entretanto, não pode passar um recibo como quer o STF de um boneco que sobrevive apenas por pressões de grupos de interesses ou boicote de instituições, como o STF.

Por outro lado, a não edição do Indulto neste ano, faz o sistema carcerário - indigno - ferver - inclusive de raiva - e joga a bomba no novo governo, que nomeou a segurança - e por isso foi eleito - como prioridade e endurecimento contra a bandidagem de todas as faces.

Ou seja: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Os durões Jair Messias Bolsonário e o seu ministro Sérgio Moro, terão eles que amolecer, naquilo que dizem que não fariam concessões para abrandar à fervura das prisões e até arrumar vagas no sistema para manchetear exemplos das novas capturas.

Se não resolverem editar decretos de indultos fora de época, como se fosse do Natal passado, correm riscos de rebeliões montadas de fora dos presídios, exatamente para testar a "elasticidade" entre o discurso, a promessa e à prática do novo governo neste assunto de encarceramento. E será a primeira bandeira das entidades que defendem os Direitos Humanos.

Será um bom teste. A conferir.
Herculano
30/12/2018 17:58
da série: um retrato imoral e que persiste nas castas e guildas de privilegiados do serviço público, que resistem as reformas, principalmente da Previdência.

A ESQUERDA ACABOU. SAIBA POR QUÊ. MATARAM A GALINHA DOS OVOS DE OURO, por Stephen Charles Kanitz, economista e conferencista brasileiro, no seu blog

A esquerda sempre precisou de dinheiro, de muito dinheiro para se sustentar.

A direita por sua vez, não.

Isso porque a direita é composta de adolescentes que estudaram quando estudantes, trabalharam quando jovens, pouparam quando adultos, e portanto se sustentar não é um grande problema.

A direita progride, enquanto a esquerda protesta nas Ongs e nos cafés filosóficos.

A esquerda sempre viveu do dinheiro dos outros.

Karl Marx é o seu maior exemplo, sempre viveu às custas de amigos, heranças e do companheiro Friedrich Engels.

Não conheço um esquerdista que não viva às custas do Estado, inclusive os empresários esquerdistas que votam no PT e PSDB e vivem às custas do BNDES.

Nos tempos áureos a esquerda tomou para si até países inteiros.

China, União Soviética, Cuba, por exemplo, onde a esquerda se locupletou anos a fio com Dachas e Caviar.

Essa esquerda gananciosa foi lentamente sugando a totalidade do Capital Inicial usurpado da sua direita, até virar pó.

Foi essa a verdadeira razão do fim do muro de Berlim.

A esquerda faliu os Governos que eles apoderaram.

No Brasil, a esquerda também aparelhou e tomou Estados e Municípios, e também conseguiu quebrá-los.

Socialistas Fabianos como Delfim Netto, FHC, Maria da Conceição Tavares ainda vivem às custas do Estado com duas ou mais aposentadorias totalmente imorais.

Só que o dinheiro grátis acabou.

Sem dinheiro, a esquerda brasileira começou a roubar, roubar e roubar com uma volúpia jamais vista numa democracia.

Mas graças à Sergio Moro, até esse canal se fechou para a esquerda brasileira.

Sem a Petrobras, as Estatais, o BNDES, o Ministério da Previdência, o Ministério da Educação, a esquerda brasileira não tem mais quem a sustente.

O problema da esquerda hoje é outro e muito mais sério.

Como esquerdistas irão se sustentar daqui para a frente?

Como artistas plásticos, professores de Filosofia e Estudos de Gênero da FFLCH, apadrinhados políticos, vão se sustentar sem saberem como produzir bens e produtos que a população queira comprar?

Que triste fim para todos vocês que se orgulhavam de pertencer à esquerda brasileira.
Herculano
30/12/2018 12:44
da série: quando o autor (Lewandowski) é comido pelas suas próprias teses

CARVALHOSA REBATE TESE DE DESACATO A LEWANDOWSKI

Conteúdo de O Antagonista. O portal Terra publicou na noite de sexta-feira a notícia de que a "PF vê indícios de desacato de advogado a Lewandowski em voo".

Em primeiro lugar, registre-se, o avião ainda estava em solo, com a porta aberta e os passageiros usando celulares, quando Cristiano Caiado de Acioli disse ao ministro que o STF é uma vergonha. Na oferta à PGR de notícia-crime em face de Ricardo Lewandowski, aliás, o jurista Modesto Carvalhosa destaca que "nenhuma palavra" Acioli trocou com o ministro durante o voo em si.

Na matéria do portal, lê-se que "o delegado Rodrigo da Silva Bittencourt, corregedor regional da PF, concordou com a avaliação da chefe do Núcleo de Correições", delegada Juliana Rossi Sancovich, "e entendeu que há indícios da ocorrência do crime de desacato por considerar que Caiado tentou com sua conduta desrespeitar, desprestigiar o Supremo, na pessoa do ministro Ricardo Lewandowski".

Na manifestação de Carvalhosa, o jurista rebate esta e outras teses, argumentando que "não se pode cogitar de qualquer infração penal ante a assertiva de que "o STF é uma vergonha".

"Não se pode conjecturar ofensa à honra subjetiva/autoestima, uma vez ser inerente à pessoa física, estando afastada a hipótese de injúria (art. 140 do Código Penal). Tampouco há que falar em difamação, por se tratar de fato indeterminado (CP, art. 139). Não há dolo de ofender uma vez presente a intenção de crítica (animus criticandi). Os mesmos motivos afastam hipótese de desacato (CP, art. 331). Logo, a conduta da vítima [Acioli] revela-se manifestamente atípica e não se poderia restringir-lhe a liberdade tal como ocorrido."
Herculano
30/12/2018 11:38
UMA EXPLICAÇÃO PARA ENTENDER MELHOR O QUE SIGNIFICA UMA DISPUTA LIMPA. ALGUÉM GANHA. ALGUÉM PERDE

De Pedro Durá, no twitter

Já viu escola de samba abandonar o desfile das campeãs porque ficou em segundo lugar? Seleção dar WO em disputa pelo terceiro lugar? Miss abandonar o palco porque perdeu a coroa? Cineasta boicotar red carpet por não levar o Oscar? Então. É mais ou menos isso que PT e PSOL fazem.
Herculano
30/12/2018 11:33
QUEM BOICOTA O BRASIL?

Isto é história. O PT boicotou a eleição de Tancredo Neves, o consenso da oposição e pasmem, onde estava o PT.

O PT boicotou a Constituição Cidadã de 1988 e que agora finge ser a sua guia.

O PT boicotou o Plano Real porque era, segundo argumentava nos palanques, coisa da elite para acabar com os pobres, literalmente, isto sim, roubados pelo pior imposto de todos, a altíssima inflação que rondava as dezenas por mês.

O PT boicotou a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois é a favor de se jogar no lixo os pesados impostos de todos, que não retornam aos pagadores e aos mais pobres, mas aos ladrões da máquina pública e aos das castas de privilegiados onde estão incrustados os petistas mamadores de tetas.

Agora o PT diz que vai boicotar a posse de um presidente legitimamente eleito em eleições livres, limpas, amparadas integralmente pela Constituição em vigor.

Ou seja, o PT está boicotando não um governo, mas a democracia que diz falsamente, sempre, um defensor. O PT perdeu as eleições, e numa democracia não há espaço para boicote algum, que é crime, mas para oposição. Nem isso, o PT sabe exercer porque bandido, manipulador de analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos.

Alguém ainda tem dúvidas de quem está há muito tempo boicotando o Brasil? Wake up, Brazil!
José Antonio
30/12/2018 10:40
Herculano!

PC Farias vendia carros,
Queiroz vendia carros,
Dona MARISA vendia AVON.
O P D T vendia cartas de sindicatos, esses esquerdopatas acham que o povo é burro, é?
Herculano
30/12/2018 09:33
O óBVIO QUE OS POLÍTICOS E GESTORES PÚBLICOS NÃO ENXERGAM, INCLUSIVE EM GASPAR

De Guarabyra, no twitter

Percebo que está ficando cada vez mais comum pensar que renovação significa apenas substituir pessoas, e não transformar, modificar para melhor os mais diversos aspectos das questões, independente de ser ação promovida por novos ou antigos personagens. Só uma reflexão.
Herculano
30/12/2018 09:30
BOLSONARO, OTIMISMOS E REVOLTAS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Eleitorado tem muita esperança em um projeto de governo que pode ser chocante

A maioria dos brasileiros costuma ficar otimista depois de eleições para presidente. Não tem sido diferente no caso de Jair Bolsonaro.

No Datafolha, 65% dos eleitores acreditam que a economia vai melhorar. Na CNI/Ibope, 75% acham que o presidente eleito "está no caminho certo". A animação vai bem além dos adeptos de Bolsonaro, que não chegou a ter 50% dos votos de quem foi às urnas no segundo turno.

Mesmo na eleição de Dilma 2, a confiança em dias melhores deu um salto, embora o país já vivesse em recessão e no tumulto da Lava Jato. A ex-presidente caiu em descrédito terminal apenas depois do estelionato eleitoral.

Além de otimista, o povo tem mais paciência. No primeiro ano de Lula 1 (2003), o país ficaria na prática mais pobre. Mesmo assim, o prestígio luliano era alto (chegou a 45% de "ótimo/bom"). Degringolou com o mensalão, em 2005 (caiu a 28% de "ótimo/bom"). No biênio 2004-2005, a economia cresceria mais de 8%.

O que pode haver de diferente no caso de Bolsonaro?

Antes de mais nada, note-se que o eleitorado é dado a arriscar reviravoltas políticas. Foi assim com Fernando Collor (1989), Lula (2002) e, agora, com Bolsonaro. Cada um a seu modo, fizeram carreira eleitoral como gente de fora do establishment. No sentido mais trivial da palavra, o povo não é conservador.

Collor foi um naufrágio quase instantâneo, não conta. Lula integrou-se ao sistema por bons e horríficos motivos, tanto que o petismo e seus agregados ficaram no poder por 13 anos. Bolsonaro não apenas sobe ao Planalto carregado por onda rara e profunda de revolta popular como também promete uma quase revolução.

O povo estaria bem informado do sentido das revoluções embutidas no projeto Bolsonaro, como na economia? Teria expectativas demais em relação às promessas mais alardeadas, no caso de segurança, corrupção e costumes?

Bolsonaro delegou a seus economistas a liberdade de planejar mudança profunda em relações socioeconômicas: 1) nas aposentadorias e, pois, nos incentivos de poupar mais (consumir menos); 2) nas relações trabalhistas, que seriam mais liberais; 3) na redistribuição da carga de impostos (muita gente pagaria mais); 4) ao sujeitar empresas a mais competição externa; 5) na vida dos servidores públicos.

Os brasileiros sabem desses planos? Como vão encará-los, quando e se forem implementados?

Bolsonaro é um presidente desconectado de várias elites: das intelectuais e das políticas, com quem não fez acordo quase algum, até agora. Tem mais conexão com parte da finança, parte bem pequena do empresariado e com os revoltados online.

Por alguns anos, não terá como oferecer serviços públicos melhores, que de resto pouco dependem dele. Educação, saúde e segurança estão a cargo de estados e cidades, mais falidos do que o governo federal.

O risco evidente é de muitas dessintonias entre planos até agora pouco conhecidos pelo povo comum e grandes expectativas baseadas em fé vaga ou fanática na "quebra do sistema". No tumulto da eleição, Bolsonaro foi mais uma ideia nebulosa do que um programa.

Pode até ser que a animação se dissipe com um suspiro, sem explosões. Talvez a maioria do povo fique satisfeita com alguma melhora na economia, temperada por diversionismos moralistas e conservadores.

Não foi assim que o jogo foi armado, para um empate morno, mas para uma goleada apoteótica, com invasão de campo e romaria em volta do gramado.
Herculano
30/12/2018 09:30
'BLOCÃO' GOVERNISTA PODE TER DUZENTOS DEPUTADOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Com a adesão de importantes partidos à candidatura de Rodrigo Maia à presidência da Câmara dos Deputados, o novo governo Bolsonaro decidiu costurar um "blocão governista", constituído de MDB, PP, PRB e PSL. A formalização do bloco ocorrerá após o início da legislatura, mas a tendência é o grupo vir a ser liderado pelo PSL, partido do presidente eleito. Os quatro partidos somam 153 deputados federais, por enquanto. Mas a expectativa é que esse número passe dos 200.

ADESÃO SERÁ GRANDE
É esperada a transferência de deputados sobretudo para o PSL, em razão da cláusula de barreira que inviabilizou partidos menores.

OPOSIÇÃO DIMINUÍDA
A oposição (PT, PDT, Psol, PV, PCdoB, Rede e PPL) terá bancada de apenas 110 deputados na Câmara, em 2019. Só dá para fazer barulho.

CONVERSA É POSSÍVEL
Apesar de PSD e PR já terem fechado apoio ao atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), há ainda tratativas com os dois partidos.

CORREU FROUXO
Deputados federais reeleitos reclamam da "falta de ação" de líderes do novo governo que "estão sendo driblados" por outros, mais experientes.

SAÚDE FAZ COMPRA DE R$49 MILõÕES SEM LICITAÇÃO
Confirmado pelo futuro ministro da Saúde, Luiz Mandetta, o secretário especial de Saúde Indígena, Marco Antonio Toccolini, foi responsável por ratificar a compra de 800 aparelhos portáteis de ultrassom por R$49,2 milhões, sem licitação. O custo de R$61,5 mil por unidade é dobro do preço de equipamentos similares ou até tecnologicamente mais avançados, com transmissão de imagens para celular e tablet.

PROGRAMA DE ÍNDIO
A compra não tem justificativa no Diário Oficial, mas o extrato mostra que os ultrassons são para a "recuperação da saúde indígena".

FALTA OPERADOR
Além do preço alto, não se sabe quem vai operar os equipamentos nas áreas remotas, onde estão os índios cuja saúde se pretende recuperar.

SEM COMPETIÇÃO
Segundo o Ministério da Saúde, foram adquiridos 600 ultrassons por R$36,9 milhões, sem licitação, por "inviabilidade de competição".

DEMOROU DEMAIS
O ministro-coordenador da transição e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, admitiu a interlocutores que o governo eleito demorou a se movimentar em negociações sobre o comando do Congresso em 2019.

PROMOÇÃO BOLSONARO
Um posto de combustíveis da Asa Norte, em Brasília, estreou uma campanha curiosa: a "Promoção de Boas Vindas ao Presidente Bolsonaro". Oferece gasolina com desconto, a R$3,899 o litro.

MAIA SEGUE À FRENTE
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) garantiu que seu partido não vai apoiar Rodrigo Maia (DEM), mas o atual presidente da Câmara segue favorito. Tem o apoio do PDT, PT e PCdoB, além de PSDB, PSB, PR e PSD.

COMPROMETIDO
Presidente do PSD, Gilberto Kassab foi procurado pelo deputado João Campos (PRB-GO), que queria ajuda para se eleger presidente da Câmara. Mas Kassab disse ter fechado acordo com Rodrigo Maia.

PSL SEM MARTELO
A deputada federal eleita Bia Kicis (PSL-DF) revelou a interlocutores próximos que seu partido "ainda não bateu o martelo" sobre quem vai apoiar para presidente da Câmara dos Deputados.

POLÍTICA É POLÍTICA
Apesar de insistir publicamente que "não vai interferir" nas eleições pelo comando da Câmara dos Deputados e do Senado, o novo governo se articula para não perder espaço no Congresso na nova Legislatura.

NÃO SE VIABILIZOU
Candidatura do deputado João Campos (GO) a presidente da Câmara segue com apoio oficial, mas o alto escalão do PRB considera que ele "não conseguiu viabilizar" a própria candidatura junto a outros partidos.

META ATINGIDA
De março a dezembro, a taxa de desemprego caiu 8 vezes seguidas. O ano vai se encerrar com uma taxa de desemprego (11,6%) menor que em janeiro (12,2%). Era uma das principais metas de Michel Temer.

PERGUNTA AOS ESPECIALISTAS
É bom ou mau sinal a briga por espaço na posse presidencial?
Herculano
30/12/2018 09:29
PARTIDOS POLÍTICOS DEVEM ACABAR?, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Para filósofa francesa, legendas são máquinas de produzir paixões coletivas

"Pela supressão dos partidos políticos." Não, essa ideia não é de Jair Bolsonaro nem de nenhum dos líderes associados à direita autoritária que ganharam eleições mundo afora. Ela é da filósofa francesa Simone Weil (1909-43), uma autora que pode ser descrita como da esquerda democrática e é defendida com paixão em um pequeno texto publicado no Brasil pela editora Âyiné.

A argumentação de Weil segue uma lógica cristalina. Para a democracia materializar-se, diz a autora, é preciso que o eleitorado faça escolhas sobre questões da vida pública (não sobre pessoas) e que esteja livre do que ela chama de "paixões coletivas", que, numa linguagem mais contemporânea, poderíamos traduzir como "vieses cognitivos".

Weil reconhece que o mundo real jamais produziu uma democracia plena e que não é fácil encontrar caminhos para chegar a uma. Afirma, contudo, que qualquer solução passa pela supressão dos partidos, já que eles são máquinas de produzir paixões coletivas, pressionam seus membros para seguir as deliberações da sigla (não para encontrar a verdade) e têm como finalidade sua própria sobrevivência e crescimento (não a busca do bem comum).

As objeções de Weil são respeitáveis, mas algo em seu texto, além, é claro, da conclusão de que os partidos devem ser eliminados, me incomoda. Acho que são as referências a conceitos como verdade e bem, que combinam mais com filosofias como a de Platão do que com escritos sobre política.

Eu receio que Weil, ainda que de forma não dogmática, contrabandeie ideias quase religiosas sobre o bem e a virtude para a esfera da política, o que tende a não funcionar. De qualquer modo, ela acerta em algo quando nos recrimina por confiar muito nos partidos, que, afinal, são estruturas que visam mais a introduzir vieses nas cabeças de seus membros do que a eliminá-los, como seria desejável.
Herculano
30/12/2018 09:28
Da série: os cupins dos nossos pesados impostos continuam eleitos e a zombar de todos nós; querem privilégios diante da crise, desemprego em massa e da realidade onde 90% da população, seus eleitores, ganham bem menos do que eles.

"É PRECISO DAR AO PARLAMENTAR UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA"

Conteúdo de O Antagonista. Em entrevista ao Estadão, o deputado Fábio Ramalho - que se movimenta para a presidência da Câmara - defendeu o reajuste automático para seus pares no início do ano que vem:

"Há colegas que não dependem do salário, mas outros dependem e passam necessidades que a gente não sabe. É preciso dar ao parlamentar uma melhor qualidade de vida. Não é aumento de salário: é reajuste dentro da lei", argumentou Fabinho.

"É melhor o parlamentar ser bem remunerado porque você pode cobrar dele a lisura, mas eu também defendo a reforma da Previdência, que conserta tudo isso."
Herculano
30/12/2018 09:28
AS PREVISõES DO PAI GORDO, por Carlos Brickmann

Um novo Governo assume depois de amanhã. O Pai Gordo, famoso por ler o futuro no fundo de um prato de macarronada, prevê suas promessas:

1 - Repensar e reduzir o gasto público e reduzir o peso dos impostos;
2 - Realizar imediatamente as reformas necessárias, aproveitando o momento político da grande vitória eleitoral;
3 - Cortar na própria carne e reduzir o tamanho do Estado, que vai custar menos e atender melhor à população;
4 - Eliminar as indicações políticas. Agora é meritocracia: só os mais competentes serão nomeados, sempre por concurso;
5 - Chega de mordomias: cada membro do Governo viverá com seu salário, modestamente, sem auxílios, sem carros oficiais, sem penduricalhos.
6 - Todas as acusações contra gente do Governo serão rigorosamente investigadas, sem favorecimentos, antes que sejam atribuídas aos vermelhos petistas que deveriam arrepender-se de seus maus feitos e ir morar em Cuba.
7 - Caso as acusações, mesmo investigadíssimas, se provem verdadeiras, serão imediatamente comparadas com escândalos iguais ou até maiores praticados por governos anteriores, tornando-se, portanto, injustas quaisquer punições - pois, afinal, se todos já fizeram, é sinal de que todos fazem.
8 ?" Sérgio Moro não perdoará malfeitos nem de colegas de Governo, a menos que, como ?"nix Lorenzoni, sejam rápidos para pedir-lhe desculpas.

SUGESTÃO
Arquive esta coluna. Daqui a quatro anos, mantenha-se atualizado lendo tudo de novo.

ASSIM SERÁ
A posse de Bolsonaro ocorrerá em 1º de janeiro, Dia da Confraternização Universal. O PT já avisou que não tem confraternização: não vai à posse, porque a seu ver Bolsonaro ganhou graças ao górpi e "à injusta prisão de Lula, condenado sem provas". O PT detesta Bolsonaro e o bolsonarismo, mas encara do mesmo jeito que o adversário as acusações contra petistas: a culpa é do acusador, sempre fascista, racista, inimigo do empoderamento feminino e lacaio duzianqui. Pelo jeito, chamar de "neoliberal" caiu de moda

Suplicy vai preparar a candidatura a senador, em 2020. Se não der, talvez tente algum prédio simpático que esteja sem síndico.

Lula pedirá o centésimo oitavo habeas corpus, que será negado. O PT dirá que isso é prova de que Lula é um preso político e Gleise insistirá: é górpi.

O vice Hamilton Mourão assume quando Bolsonaro fizer a cirurgia que falta. E, embora vá negá-lo, se transforma de fato no líder da oposição. Ele fala o que pensa. Quer até que o tal Queiroz explique o dinheiro. Mas como irão chamar o general de petralha vermelho e exigir que vá para Cuba?

CORTA MAS DEIXA
Bolsonaro distribuiu aos futuros ministros um manual de conduta nos primeiros cem dias, que inclui a revisão dos últimos atos do presidente Temer, previsão de corte de despesas, etc. Mas não toca em despesas que poderiam ser reduzidas: a da profusão de carros oficiais, ou a dos cartões corporativos, ou a dos imóveis funcionais.

Continua grande o número de auxiliares. O vice Hamilton Mourão, por exemplo, poderia preencher 140 cargos e reduziu bem esse número. Mas fica com 65 - isso para ajudá-lo a esperar as ocasiões em que tiver de substituir o presidente.

HÁ MALES...
Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho de Bolsonaro, que movimentou R$ 1,2 milhão aparentemente sem condições para isso, não é ligado ao presidente eleito, não é considerado investigado, mas testemunha, e não há nenhuma conexão visível entre esse dinheiro e Flávio Bolsonaro. Mas depositou R$ 24 mil na conta da esposa de Bolsonaro, como parte da devolução de uma quantia que o presidente eleito disse ter-lhe emprestado (o que ele confirmou), explicou o caso a Flávio Bolsonaro, que achou as explicações "plausíveis", faltou a dois depoimentos no Ministério Público por motivos de saúde, mas deu entrevista ao SBT. Na entrevista, explicou só parte da história: disse que ganha dinheiro com comércio de carros usados.

...QUE VÊM PARA BEM
Por que seu saldo cresce logo após a data de pagamento dos funcionários de Flávio Bolsonaro no Legislativo? Essa pergunta Queiroz deve demorar a responder: apresentou atestados que, segundo ele, comprovam câncer no intestino, que deve ser operado rapidamente. Só após a operação será ouvido.

CADÊ BATISTTI?
Césare Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios e com ordem de extradição do Brasil, continua foragido. Há quem suspeite que continue no país, escondido na casa de alguém que o apoie, talvez importante, para reduzir as chances de uma batida policial. Mas também já pode ter saído do país. Teve tempo suficiente para planejar a fuga e buscar um governo amigo.
Herculano
30/12/2018 09:27
POR UM ANO BASEADO EM FATOS REAIS, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Encerramos um 2018 encharcado de invencionices e informações distorcidas

A mentira sempre foi um combustível barato para eleições e máquinas de propaganda política. O ano que termina agora ficou encharcado de invencionices e informações distorcidas. É bom elencar alguns fatos para que possamos permanecer no mundo real em 2019.

1) Embora muitos produtores façam sua parte pela preservação ambiental, o agronegócio, mineradoras e madeireiras têm responsabilidade especial sobre o desmatamento. Tratar isso como lenda, como fazem alguns ruralistas, é autorizar a emissão de carteirinhas de devastação.

2) O impacto da ação humana sobre as mudanças climáticas, aliás, já foi objeto de pesquisas científicas com critérios rigorosos. Integrantes do próximo governo preferem considerar a questão uma fantasia ideológica da esquerda. Pode-se discordar das políticas implantadas para enfrentar o problema, mas negá-lo não levará a lugar algum.

3) Impor rédeas à atuação de professores não vai melhorar a educação. Há várias razões pelas quais nossos alunos mal sabem fazer contas. Nenhum deles gastou seu tempo em rodas de leitura de Marx.

4) O novo governo pode alcançar bons acordos ao buscar novos caminhos para sua agenda comercial. Se decidir bater de frente com a China em um teatro de alinhamento com os EUA, o Brasil pode perder muito.

5) Não é "matando idosos" que se resolverá o buraco nas contas da Previdência. Governantes e parlamentares precisam, de uma vez, ter coragem para enfrentar grupos privilegiados e tornar o sistema mais justo para evitar que o país quebre.

6) A revisão do financiamento do Sistema S não fará mal se mantiver os serviços prestados aos trabalhadores, acabando com seu uso político e com a perpetuação de dirigentes.

7) Reescrever o passado à força não muda a realidade. Dias depois da eleição, Jair Bolsonaro disse que a população estava começando a entender que "não houve ditadura" no Brasil entre 1964 e 1985.

Vamos torcer para que 2019 seja um ano baseado em fatos reais.
Herculano
30/12/2018 09:26
A DEMOCRACIA É QUE SOBREVIVEU

De Augusto Franco, no twitter:

"O fato de o Brasil continuar tendo um regime democrático após uma década de governos petistas não significa que o PT seja democrático e sim que a nossa democracia sobreviveu apesar do PT".
Herculano
30/12/2018 09:26
DEMOCRATA Só QUANDO ACESSA O COFRE

De José Nêumanne Filho no twitter:

Boicote do PT à posse de Bolsonaro é atestado da falsidade da democracia de fancaria de partido que só exige respeito à decisão do eleitor quando ganha eleição, chega ao poder e com isso tem acesso a cofres da viúva para roubá-los todos.
Herculano
30/12/2018 09:25
ECONOMIA DE PAPEL, A NATUREZA AGRADECE

Escreve Cristiana Lobo, da Globo News:

O Diário Oficial da União do dia 2 de janeiro virá com milhares de páginas. Falam em cinco mil. Para publicar todas as demissões, nomeações e atos de reestruturação administrativa do governo.

Entre os tantos atos do presidente da República a serem publicados no Diário oficial estarão também os que tratam da reestruturação da vice-presidência. Quando Temer assumiu a PR, a estrutura da vice foi extinta. Será recriada para o general Hamilton Mourão.

Só para lembrar: o Diário Oficial da União é digital há algum tempo. Então, ninguém vai carregar um livrão de cinco mil páginas com os primeiros atos do presidente Bolsonaro.
Herculano
30/12/2018 09:24
DE PIO.CORREA@EDU PARA BOLSONARO@GOV, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Orgulho-me de estar à sua direita, mas como servi à diplomacia digo-lhe que o senhor, estando certo, faz errado

Excelentíssimo presidente,

Eu deixei a diplomacia em 1969, depois de 32 anos de serviços. O senhor era um garoto. Fui secretário-geral do Itamaraty e era chamado de "Abominável Homem das Nove". Orgulho-me ao dizer que estou à sua direita. Se o senhor duvida, repito-lhe o que disse a um colega assombrado com meu discurso ao assumir o cargo:

- Não gosto de diplomatas pederastas, não gosto de diplomatas vagabundos, não gosto de diplomatas bêbados.

Talvez vosmicê tenha simpatia pela memória do presidente John Kennedy. Era um bestalhão e sua morte deixou-me indiferente. Vivi no Rio de Janeiro antes que Copacabana fosse invadida pela horda pululante e chinfrim de suburbanos transmigrados e pela lepra das favelas.

Deixei um livro de memórias e se um diplomata fosse flagrado lendo-o durante a desgraçada ruína dos petistas, estaria frito. ("O Mundo em que Vivi", 1.098 páginas, pesando um quilo.) Minha lembrança foi banida da Casa a que servi, lutando contra o comunismo e os cabeludos esquerdosos.

Esse currículo é minha credencial para dizer-lhe que o senhor está fazendo o certo, da maneira errada. Nunca alimentei encrencas públicas com países com quem temos fronteiras secas. (Nossos limites com a Venezuela estendem-se por 2.200 km de mata.) Vá lá que seu governo queira brigar com Cuba, nosso saudoso marechal Castello Branco rompeu relações diplomáticas com o castrismo, mas não tinha créditos a receber.

Os problemas da vida internacional não admitem improvisações fáceis (desconvidar convidados) nem atitudes emocionais (acicatar a China). Exigem definições fundadas no conhecimento perfeito dos fatos e em sua segura interpretação à luz do interesse nacional. E digo mais, exigem estilo.

Fui embaixador no Uruguai ao tempo em que lá vivia asilado o senhor João Goulart. Visitei sua filha quando ela foi atropelada e só me referia a ele em conversas com as autoridades locais como "el señor presidente". Vivi as delicadas negociações com a Argentina e o Paraguai que resolveram uma questão de limites e permitiram a construção da hidrelétrica de Itaipu. Jamais acompanhei a retórica antibrasileira dos nossos vizinhos. Podia-se detestar o Pio Correa, mas eu não podia estimular preconceitos contra nossa Pátria.

Mesmo quando deixei a carreira, tornando-me presidente da Siemens, empenhei minha palavra de honra em várias ocasiões e patrocinei uma visita de 50 jornalistas europeus ao Brasil, repelindo as denúncias de torturas sistemáticas a presos políticos. Ainda durante o governo do general Medici dei-me conta de que havia sido ludibriado. Mais tarde, muito esquerdistas proclamaram-se campeões da verdade. Ao meu estilo, em 1971, escrevi o seguinte ao chefe do Estado-Maior do Exército, general Alfredo Malan:

"Menti, sem saber, a quantos me ouviam. Estou hoje convencido, por boas e suficientes razões, de que a tortura, as torturas mais cruéis, são desgraçadamente aplicadas em nosso país de forma rotineira e sistemática a prisioneiros políticos. Iludido estava eu e iludido estará você, como iludido está o honrado e digno presidente da República que, como eu, afirmou publicamente o contrário."

Nunca divulguei essa carta porque, como na minha atividade diplomática, sempre segui o ensinamento do Barão do Rio Branco, tão violentado pela chusma esquerdista:

"Nada mais ridículo e inconveniente do que andar um diplomata a apregoar vitórias".

De seu fiel admirador,

Pio Correa

A 1ª LEI DE DELFIM

Nesta semana começa o governo de Jair Bolsonaro e não custa repetir a primeira lei do professor Delfim Netto:

"Na quarta-feira o presidente terá que abrir a quitanda às 9h da manhã com berinjelas para vender a preço razoável e troco na caixa para atender a freguesia.

Pelos próximos quatro anos a rotina essencial será a mesma: abrir a quitanda, com berinjelas e troco.

Todos os desastres da economia brasileira deram-se quando deixou-se de prestar atenção na economia da loja."

RISCOS SABIDOS

Em sua "Agenda de Governo", Bolsonaro mostrou que reunirá seu ministério às terças-feiras e fará "reuniões de alinhamento" semanais com grupos de ministros.

A nova administração entrará em campo sabendo dos "principais riscos" embutidos em suas iniciativas.
Assim, o principal risco do "Plano de Governo" é o de que ele saia do forno "sem conhecimento adequado de todos aspectos que podem influenciar o planejamento."

Já o risco da governança é "não ter um modelo adequado aos objetivos da organização e alinhado às linhas gerais das políticas governamentais".

MADAME NATASHA

Madame Natasha, como Eremildo, votou em Bolsonaro, mas digitou 13. Ela leu que vão chamar as reuniões do ministério de "Conselho de Governo" e que os encontros ocorrerão na "Sala Suprema" do Palácio do Planalto. Além disso, listam uma categoria de servidores denominados como "dirigentes máximos".

A boa senhora acha que a burocracia republicana iria melhor se restabelecesse os títulos de nobreza do Império. As reuniões aconteceriam na Sala do Trono, com marqueses, viscondes e barões.

INDULTO

Por trás do vaivém da concessão do indulto de fim de ano por Temer, esteve a decisão de deixar um legado para Bolsonaro.

Concedido, o indulto preservaria o delicado equilíbrio existente nos presídios do país. Negado, colocaria gasolina nos corredores controlados por facções criminosas que esperam faíscas capazes de estimular rebeliões.

Nas últimas semanas Bolsonaro e seu ministro Sergio Moro repetiram formulações genéricas que fazem sentido para quem está solto e são promessas de marcianos para quem está preso.

Por exemplo: negar a progressão da pena para quem pertence a uma facção dentro de um presídio. Tudo bem, desde que se faça de conta que em alguns lugares é possível viver numa cela sem aderir à facção. Quem vai distinguir o preso primário que aderiu para proteger sua vida e a de sua família do bandido que chefia o grupo?

?MUSEUS

Passando pelo Rio, o arqueólogo egípcio Zawi Hawass voltou a reivindicar a volta do busto da rainha Nefertiti ao seu país. É uma rica discussão, mas não tem mocinho nem bandido.

A deslumbrante Nefertiti está exposta em Berlim, para onde foi levada em 1912. A peça foi liberada pelos egípcios e sobreviveu à Segunda Guerra. Já o museu do Cairo foi saqueado em 2011 e sumiram pelo menos 17 peças.

No Brasil dos anos 30 o antropólogo francês Claude Levi Strauss reuniu um acervo de milhares de peças indígenas. A lei mandava que ele só levasse a metade. O lote francês (1.200 objetos) está devidamente catalogado no museu do Quai Brandy, em Paris.

O lote brasileiro foi dividido pela burocracia e depois agrupado na Universidade de São Paulo. Só uma parte foi catalogada e muitas peças estragaram-se.
Herculano
30/12/2018 09:23
CARTA DE EX-MINISTRA A GUEDES SERVE PARA MOISÉS, por Upiara Boschi, no jornal Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

Quem tem melhores conselhos a dar: quem teve sucesso ou quem fracassou? No início de dezembro, a revista Época convidou ex-ministros da Fazenda (ou Economia) para escreverem cartas ao futuro superministro Paulo Guedes - o escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para tocar a pasta. Dez deles aceitaram o desafio, representando todos os governos de João Figueiredo a Michel Temer.

A seus estilos, mais ou menos empoderados pelos presidentes que os nomearam, eles tocaram aquela que talvez seja a área responsável direta por sucesso e fracasso das administrações que passaram pelo Planalto. A lista traz nomes variados, dos longevos Pedro Malan (governo Fernando Henrique, também presente) e Guido Mantega (Lula e Dilma) a breves como Ciro Gomes (Itamar Franco).

Entre contextualizações dos dramas econômicos da cada época, autoelogios, apoios e críticas aos modelos que Guedes antecipa querer implantar, uma carta chama atenção pelo tom humilde e reflexivo. É da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, titular da Economia no início do governo Fernando Collor - com poderes semelhantes ao que agora terá o novo ministro. Sua missão era combater uma inflação que em 1989 chegou, em números acumulados, a inacreditáveis 1782,9% ao longo dos 12 meses. Ela fracassou, deixando a pasta menos de um ano e meio após assumir, em maio de 1991.

Zélia não diz a Guedes o que fazer com a economia. As sugestões são antes de tudo uma cartilha de comportamento, relacionamentos e priorizações que podem servir para todos os que assumirão posições de destaque neste 2019 - incluo aí o governador eleito Carlos Moisés da Silva (PSL), cujos 71% dos votos e a condição de outsider na política trazem justas expectativas e enormes desafios.

A primeira dica de Zélia é escolher as batalhas, não abrir muitas frentes ao mesmo tempo ("minha experiência mostrou que é muito difícil, senão impossível, lidar com resistências por todos os lados"). Ela sugere envolver os políticos aliados nas decisões e ter paciência. "Além disso, se você encontrar aliados na imprensa e entre os políticos que entendam e possam explicar as medidas que são necessárias, sua tarefa ficará menos difícil", completa.

Zélia também recomenda cuidado com a pressão por resultados imediatos. "Mais uma vez você vai necessitar de aliados que possam explicar que não existe milagre e que possam responder aos ataques que certamente virão, provavelmente mais cedo do que seria razoável esperar".

Por fim, ela fala para Guedes - e vale para muitos - não abrir mão de escolher pessoas de absoluta confiança. Isso garante não apenas que a política traçada seja seguida, mas também controle sobre o que acontece no governo. Zélia brinca: "sinceramente, os funcionários podem estar jogando futebol de salão no andar de baixo e você não tem como saber. Sua única opção é ter pessoas de confiança, que por sua vez serão cercadas por outras pessoas de confiança que garantam que sua política será seguida."

De salão ou não, o jogo vai começar. Que venha 2019.

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