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Marcelo Brick tenta permanecer viável num jogo onde o comportamento do eleitorado mudou completamente diante de candidatos sem conteúdos - Jornal Cruzeiro do Vale

Marcelo Brick tenta permanecer viável num jogo onde o comportamento do eleitorado mudou completamente diante de candidatos sem conteúdos

10/01/2019

Armações Ilimitadas I

Marcelo de Souza Brick, PSD, estava marcado para estar no DEM. E antes da eleição de outubro passado. É do DEM de onde ele planeja liderar uma chapa para ser outra vez candidato a prefeito de Gaspar. Conversa e faz promessas. E já está sendo engolido pelos fatos e armações. A ida dele para o DEM foi costurada com o deputado Federal, ex-prefeito de Blumenau e vice-governador derrotado, João Paulo Kleinunbing, ex-PSD e o “novo dono” do DEM catarinense. Marcelo pediu um tempo. Antes queria ser candidato a deputado Federal – recebeu 12.513 votos em Santa Catarina, dos quais 10.009 em Gaspar. Tinha que “ajudar” o outro santo a quem serve: o deputado Jean Jackson Kuhlmann, PSD, de Blumenau, e que não se reelegeu. Foi engolido por representar o velho modo de fazer política.

Armações Ilimitadas II

O jogo de Marcelo é para ter um emprego público. Nunca foi além disso. Não percebeu que os tempos mudaram. Mais: o PSD como o DEM, representam o velho. Além disso, a história de gente nova ser uma suposta renovação, já não cola mais, ainda mais com o exemplo do grupo que administra Gaspar. O jogo de Marcelo é fingir ser cabeça de chapa e com isso reunir o máximo em redor dele; depois “vender” esse ativo, a alguém bem posicionado em 2020 para ser um vice na reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, nas alternativas de Carlos Roberto Pereira, Ciro André Quintino, ou até, de um nome que possa surgir no PSL evangélico, se Carlos Moisés da Silva der certo. No próprio PSD de Gaspar ele acaba de causar um desconforto sem precedentes. Andou passando o pires em diversos ambientes para completar uma suposta dívida de campanha de R$800, alegando estar sem dinheiro e sem emprego. Agora, descobriu-se que está empregado no agoniante gabinete de Kuhlmann. Receberá até o dia 31 de janeiro, R$9.161,08, mensais. E se empregou lá no dia 11 de outubro, ou seja, quatro dias após as eleições.

Armações Ilimitadas III

E como se descobriu isso? É que o presidente do PSD de Gaspar, Paulo Wandalen, era lotado no gabinete de Kuhlmann. Quando em novembro foi atrás de um valor menor como “assessor parlamentar à distância”, viu que não tinha pingado nada na sua conta dele. Soube da troca. Um mal-estar sem tamanho. Marcelo é um jogador e sua fama, por atitudes como esta, começou a trabalhar contra ele próprio. Foi vereador – o mais votado em 2012 com 1.439 votos - e presidente da Câmara de Gaspar num acordo com o minoritário PT; disfarçou e facilitou a vida do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi. Foi candidato a prefeito e dividiu o PSD para o seu amigo partidário Giovânio Borges, também alinhado com Zuchi, ir para o PSB e de lá, ser seu vice. Conseguiu 9.210 contra 13.290 votos do vencedor Kleber. Com a eleição ameaçada do sucessor de Zuchi, Lovídio Carlos Bertoldi e que se antecipava nas pesquisas, o PT e a esquerda do atraso de Gaspar fez de Marcelo em 2016 o seu Plano B; nem disfarçou. Marcelo se coligou com PCdoB que esteve no governo Zuchi.

Armações Ilimitadas IV

Mesmo empregado no gabinete de Kuhlmann, Marcelo pediu ajuda e mapeava o seu futuro em várias canoas como o PSD. Ela afundou com a derrota de Gelson Merísio. A do DEM de Kleinubing, está cada vez mais desconfiada com o jogo duplo. Marcelo já se aproximou do deputado eleito pelo PDT de Blumenau, Ivan Naatz; sondou à possibilidade de uma indicação por meio do gabinete dele. Marcelo que foi registrado como Brick Souza e depois trocou por Souza Brick, numa história familiar, complicada e longa, começou no emprego público em 2005 como encarregado da oficina mecânica da secretaria de Obras de Gaspar e depois, encarregado de compras da mesma secretaria até dezembro de 2008 no governo de Adilson Luiz Schmitt, MDB. De fevereiro de 2009 a 2012 foi assessor de Kuhlmann na Assembleia e de 2013 a 2016 foi vereador pelo PSD em Gaspar. De 2017 até abril de 2018, quando teve que se desincompatibilizar, foi assessor da SC Participações no governo de Raimundo Colombo, PSD. Reza a lenda que nunca apareceu para agradecer a quem lhe indicou. Como se vê, jovem, mas um político profissional e nas armações ilimitadas. Tetas nunca lhe faltaram. Num ambiente político brasileiro em suposta mudanças, esse currículo é um mau presságio. Acorda, Gaspar!

Samae inundado

Este frame é de um vídeo postado pelo ex-presidente do Samae, Lovídio Carlos Bertoldi, PT, na rede social, perguntando quanto dinheiro estava sendo desperdiçado com a água jorrando por mais de quatro horas seguidas na Rua Frei Solano, no Gasparinho, isso depois da autarquia ter sido devidamente avisada, várias vezes. Quando o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, entender que há um sistemático boicote dos funcionários contra o gestor da autarquia, o mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP?.

TRAPICHE

Depois do prédio embargado que avançou sobre a Área de Preservação Permanente das margens do Ribeirão Gasparinho, vem aí o engordamento da foz do Ribeirão Gaspar Grande que se comemorava por não ter dado em nada no MP daqui. Sabe-se agora qual o caminho das pedras.

Se o secretário de Saúde, o advogado Carlos Roberto Pereira, não é o prefeito de fato, qual a razão para ele estar presente na secretaria de Planejamento Territorial tomando parte das decisões?

Ilhota em chamas. Érico da Silva, MDB, antes de Kleber, começou a limpeza política do seu staff de confiança. De uma só vez foram exonerados dez. Ele está com a planilha de resultados eleitorais na mão conferindo quem realmente possui votos para cacifar empregos de confiança e comissionados.

Quem viu, ficou impressionado com o embate de Daco (Gelásio Muller) diretor na secretaria de Obras e Serviços Urbanos com o sobrinho Roni Muller, superintendente da Gestão Compartilhada. Tio e sobrinho.

Bingo. A melhor frase da semana foi do prefeito Kleber, que a tira-colo com o prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, MDB, e que está estacionado na Saúde, afirmou com toda a segurança de que “2019 será o ano de ouro da administração”. Sintético. Perfeito.

Em uma semana de governo, o deputado estadual Jessé Lopes, PSL, de Lages, conseguiu demover duas indicações do governador Carlos Moisés da Silva, PSL. Os deputados federais estão pedindo a cabeça do presidente do partido, Lucas Esmeraldino. E o presidente de Gaspar, Marciano da Silva, não quer não ver ninguém do partido discutindo tudo isso nas redes sociais.

 

Edição 1883

Comentários

Herculano
14/01/2019 06:18
ESTA SEGUNDA-FEIRA É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARE INÉDITA.

ELA ESTÁ LONGA
Herculano
13/01/2019 08:12
PAULO GUEDES FALOU, por Samuel Pessoa,economista, Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV), no jornal Folha de S. Paulo

Ele deixou claro que volta para casa se o Congresso continuar a fazer greve da política

Se o presidente falou pouco no discurso de posse, menos de dez minutos, o pronunciamento do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi longo, de quase 50 minutos.

Disse muito. Fez a ligação entre as seguidas crises brasileiras e o problema fiscal. Reafirmou o diagnóstico correto de que o equilíbrio com juros elevados e câmbio valorizado resulta de o gasto público aumentar sistematicamente além do crescimento da economia.

A reforma mais importante é a da Previdência, que é o maior item do gasto público.

O governo enviará no início de fevereiro uma proposta de reforma constitucional, uma PEC, com a reforma da Previdência.

Segundo Paulo Guedes, a aprovação da reforma da Previdência garantirá dez anos de crescimento. Entendo a ênfase do ministro no tema, mas outras reformas serão necessárias. De qualquer forma, o ministro está coberto de razão com relação à centralidade da reforma.

E se a reforma não for aprovada? Foi aí que Paulo Guedes reservou a maior surpresa. Disse que enviaria uma nova PEC, que desvincularia as receitas da União e, se entendi corretamente, desindexaria o gasto da União.

A ideia é devolver ao Congresso Nacional o poder de discutir o que fazer com o Orçamento. Com a receita e com a despesa. Devolver a política aos políticos.

Guedes explicou que o engessamento de todo o Orçamento em regras constitucionais era compreensível após um regime militar que deu pouca atenção ao gasto social. Mas já se passaram 30 anos. Já é possível os políticos chamarem para si a sua atribuição precípua de alocar os recursos públicos.

Essa ideia faz parte de um caminho que nosso presidencialismo tem tomado desde o inicio dos anos 2000. Trata-se do enfraquecimento da Presidência da República, que se nota em eventos como a aprovação do Orçamento impositivo, que retirou do Poder Executivo a capacidade de executar ou não as emendas dos parlamentares, e em seguidas reduções no poder das medidas provisórias.

Se a Presidência tem ficado mais fraca, a responsabilidade pelo equilíbrio macroeconômico, especialmente pelo equilíbrio fiscal, tem que passar a ser uma atribuição do Congresso Nacional.

Paulo Guedes foi específico: afirmou que os políticos têm muitos privilégios e poucas atribuições, pois não se debruçam sobre o Orçamento. Disse que jogar a decisão para o Congresso era um pedido de ajuda.

Reiterou: "Se a gente aprovar a reforma de Previdência, teremos ainda dez anos de crescimento. Se não aprovarmos, teremos que desindexar e desvincular tudo ou não haverá solução. O bonito é que, se der errado, pode dar certo. Se der errado a aprovação da reforma [da Previdência], é provável que a classe política assuma o comando do Orçamento".

E se não derem certo a desvinculação e a desindexação? Isto é, e se o Congresso Nacional continuar a fazer greve da política e jogar a economia no abismo inflacionário? Guedes deixou claro que volta para casa.

Mas fica a dúvida. Se até hoje nosso sistema político funcionou com o Executivo sendo responsabilizado pelo eleitor pela estabilidade macro ?"daí que o interesse pelas reformas é sempre do Executivo, e não do Legislativo?", e o Legislativo, por suas agendas locais, por que agora seria diferente?

Paulo Guedes não oferece resposta a essa pergunta. Sugere que o elevado grau de renovação das Casas legislativas será suficiente para alterar as práticas.

Fica a pergunta para a ciência política: funcionará?
Herculano
13/01/2019 08:05
TIRA, PÕE, DEIXA FICAR, por Carlos Brickmann

O Governo anunciou a redução da alíquota do Imposto de Renda, a criação de um novo imposto que substituiria quase todos os outros, o aumento do IOF, o aproveitamento da reforma da Previdência proposta por Temer, um regime único de aposentadoria para todos, incluindo os militares e os servidores civis, e nada do que foi anunciado era bem assim.

Mas não diga que aquilo que o Governo diz não se escreve: escreve-se, sim, e muito, em twitters, redes sociais, imprensa. Só não vale o escrito.

E daí? Boa pergunta: este colunista acredita que o Governo tem vários núcleos, mas só alguns são importantes. Paulo Guedes, general Augusto Heleno, Sérgio Moro, Tereza Cristina, da Agricultura, talvez Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia. Outros podem até ganhar estatura, mas por enquanto só servem como cortina de fumaça, como Damares ou Onyx. Fazem barulho, mas o que definirá o sucesso ou não de Bolsonaro são a Economia e a Segurança. Enquanto, seguindo Damares, se discute a cor das roupas de meninos e meninas, Paulo Guedes e Moro podem trabalhar mais tranquilos. Augusto Heleno é a voz que Bolsonaro ouve. Tereza Cristina só tem de manter o dinamismo do agronegócio. E Pontes - quem sabe? Se der para encaminhar a solução do problema de água no Nordeste, vira herói.

Com a economia indo bem, até Médici foi aplaudido no Maracanã. Se o combate a PCCs e CVs alcançar êxito, o Governo terá sido um sucesso.

QUEM SABE FALA

O economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, disse à jornalista Sonia Racy, do Estadão, que as trombadas até agora ocorridas no Governo são desimportantes. "O que vale, de fato, é que Paulo Guedes e equipe estão preparando uma reforma da Previdência de impacto".

SEM ABUSOS

Economia é o mais importante, um golpe nas facções criminosas é uma façanha, mas a promoção do filho do vice Hamilton Mourão no Banco do Brasil, com um belo aumento, e a demora nas explicações de Queiroz, que trabalhava com o filho de Bolsonaro, são fonte de problemas. Não importa que o filho de Mourão mereça a promoção (seu currículo é ótimo), nem que parente algum de Bolsonaro tenha algo a ver com Queiroz, como dizem. Se fatos como esses ocorreram em outros governos, que não se repitam hoje.

CURIOSIDADE

No WhatsApp de Sérgio Moro, a foto é de um jacaré devorando outro. Que significa? Nas diversas mitologias, segundo o Dicionário de Símbolos, várias versões. Na chinesa, o jacaré controla o ritmo e a harmonia do mundo e da vida. Em outra, carrega os mistérios da vida e da morte.

GLOBO EM RISCO (FALSO)

Não, não é verdade que o presidente Bolsonaro tenha mandado cobrar uma suposta dívida da Rede Globo. Fala-se em R$ 380 milhões, calculados não se sabe onde - e a Globo, que tem distribuído dividendos de bilhões, certamente não iria quebrar se a dívida fosse essa e se houvesse cobrança.

GLOBO EM RISCO (REAL)

Mas há poucos dias Bolsonaro falou num tema que ameaça não apenas a Globo (embora possa ser a principal vítima), mas todo o setor de TV. O tema é a BV ?" Bonificação de Volume, uma remuneração extra, mas legal, paga conforme o volume de compras de publicidade de cada agência, sem que o cliente seja informado.

A BV estimula a agência a anunciar em quem remunera melhor o volume. Funciona como esse sistema de acumular pontos em compras, só que é para valer: quem põe mais anúncios, sejam quais forem os clientes, ganha mais. O veículo fatura o valor do anúncio em nome do anunciante, que paga a porcentagem combinada à agência. E a agência recebe o por fora, com nota fiscal, tudo certinho. Sem a BV, muda tudo, inclusive a análise de onde colocar os anúncios dos clientes.

O PERIGO

Algumas agências, graças à BV, preferiram oferecer seus serviços de graça. Nada recebem dos clientes, mas a BV lhes dá bom faturamento. Há alguns anos, o Ministério Público quis agir contra a BV: achava que, se o veículo devolvia parte do que lhe foi pago, isso deveria ser entregue ao cliente, não à agência. As agências brigaram e ganharam. Há publicitários contra a BV, que consideram um tipo de suborno, induzindo as agências a anunciar em quem tem BV maior - ou seja, a Globo. Questão explosiva.

A EXPLOSÃO

O deputado federal Alexandre Frota só aguarda a posse para apresentar projeto que proíbe a BV. Ele é Bolsonaro e odeia a Globo desde criancinha.

DILMA E O GENERAL

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, que comanda os serviços de inteligência e informação do Governo, disse que Dilma não acreditava em inteligência. O general está errado: Dilma jamais deixaria de acreditar em algo que nem conhece.
Herculano
13/01/2019 07:39
da série: os trabalhadores que sustentam os aumentos reais e os super-salários das castas de funcionários federais, estaduais e municipais públicos estáveis nos três poderes, não conseguem aumento, quando escapam do desemprego

O AUMENTO SALARIAL DE R$ 3, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Economia está muito abaixo do nível de 2013 e ainda dá sinais de frieza deprimida

O salário médio no Brasil não aumentou no ano passado. Para ser mais preciso, o rendimento médio do trabalho cresceu 0,2% até novembro, em termos reais (descontada a inflação). Em português claro, aumentou R$ 3 em um ano. Não paga ônibus ou cafezinho.

Pouca gente prestou atenção ao desastre, divulgado no dia 28 de dezembro. Desde a recessão, o salário respirou apenas em 2017. A precarização do trabalho continua a aumentar. O número de empregos com CLT ainda é 3,5 milhões menor que em 2014.

O resultado não é de admirar, pois a economia ainda nem saiu do buraco em que afundou de 2014 a 2016; há ociosidade de capital e trabalho por quase toda parte. Mas a estagnação dá outra vez o que pensar sobre essa depressão. Que recuperação será possível? As taxas de juros estão altas? Além de reformas, há algo a fazer?

O salário médio não é nem 1% maior do que era em 2014 (R$ 17 maior). A produção da economia (PIB) no ano passado ainda era 4,3% menor que em 2013 (por cabeça, pelo PIB per capita, a baixa ainda era de 8%).

A taxa de desemprego média de 2018 deve ter ficado em 12,3%, ante os 6,8% de 2014, decerto mínima exagerada, inflacionária. Mas o desemprego baixou apenas meio ponto percentual em relação a 2017 e ainda é maior que o de 2016.

A taxa real de juros "básica" em 2018 foi maior apenas que a de 2013, quando a baixa era "fake", artificial, pois a inflação subia. Ainda assim, o PIB mal dá sinal de vida.

A economia afundou além do que se imaginava e se recuperou bem menos do que se previa. Entre outras muitas areias na engrenagem, tais como superendividamento privado e intervenções cretinas do governo na economia até 2014, é notável o problema do tumulto político. Entre 2015 e 2016, não se tinha certeza de qual governo haveria, assim como no 2018 da eleição, lembrando que o vexame corrupto prejudicou 2017.

Mais importante, o governo está quebrado e não há solução concreta para o problema, por ora. As taxas de juros de longo prazo, decisivas para o investimento, continuaram altas -voltaram ao nível de meados de 2013 apenas agora, em janeiro.

Obviamente, também não é possível estimular a economia via gasto público. O consumo do governo deve ter ficado na mesma ou caído no ano passado.

Pelo manual, pois, não é difícil explicar o estrago, apesar do tamanho surpreendente e ainda mal compreendido da crise. Vai passar?

Suponha-se que não tenha havido destruição extra, duradoura e significativa da capacidade produtiva do país nestes cinco anos de miséria. Suponha-se que venha pelo menos uma reforma da Previdência nível Michel Temer.

Então, a previsão é de crescimento de 2,5% neste 2019, talvez menos, muito pouco ainda. Muita gente dirá que investimentos voltarão apenas quando se puder ver para crer na reforma previdenciária, lá por meados do ano, no mínimo. Outros dirão que uma reforma só não basta.

Pode ser, para o médio ou longo prazo. Mas por que está tão fora de moda a pergunta sobre a adequação do nível da taxa básica de juros, ainda mais em uma economia com tanta sobra de capital e trabalho e inflação abaixo das metas? Por que baixou o tom da conversa sobre investimentos em infraestrutura, que não saem do papel?

É difícil discordar da ideia de que, sem contenção de déficit e dívida públicos, que crescem sem limite em direção ao desastre, não haverá muito o que fazer. É o necessário, mas pode não ser o suficiente.
Herculano
13/01/2019 07:22
GOVERNO ESTIMA BANCADA DE ATÉ 315 NA CÂMARA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

O governo anda entusiasmado com a base de apoio na Câmara dos Deputados. Estimativas do PSL colocam a bancada com mais de 305 deputados e até 315, após a adesão do partido ao esforço de reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente. Na transição, bolsonaristas estimavam a bancada em cerca de 290, mas priorizar as chamadas "bancadas transversais" fez crescer as estimativas do governo. Já no Senado o cenário é menos favorável, e o governo ainda não é maioria.

BANCADAS TRANSVERSAIS
As três principais bancadas: agronegócio, evangélicos e empresários estão majoritariamente na base de apoio a Bolsonaro na Câmara.

SEM TOMA LÁ
O apoio de bancadas transversais não custa ao governo como custaria o apoio dos partidos. Esses estão acostumados ao "toma lá, dá cá".

PARTIDO VS. BANCADA
O PSL, maior partido da base aliada do governo Bolsonaro, tem apenas 52 deputados federais. A bancada do agronegócio tem mais de 200.

DOIS EXTREMOS
Segundo Joice Hasselman (PSL-SP), a reforma da previdência já tem 320 votos entre os deputados

EX-CHEFE DO FNDE NA ERA PETISTA QUER VOLTAR AO ?"RGÃO
Flagrado em grampo da operação Sinapse da Polícia Federal, o ex-presidente do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - autarquia do Ministério da Educação - José Carlos Wanderley de Freitas deve voltar ao órgão como Coordenador-Geral dos Programas do Livro. A indicação é do novo diretor de Ações Educacionais, Eli Valter Gil Filho, executivo do webAula, empresa parceira do grupo Kroton.

CAIU NO GRAMPO
Freitas foi flagrado em 2013 pela PF alertando o então reitor do IFPR, Irineu Colombo, ex-deputado do PT, da existência da investigação.

MILHõES EM DESVIO
O ex-presidente do FNDE informou a um dos investigados que a PF apurava desvio de R$ 6,6 milhões em repasses do FNDE a Oscips.

AMIGÃO
A webAula é parceira do grupo Kroton, um dos maiores do ramo de educação do país, que pertence a Walfrido Mares Guia, amigão de Lula.

VELHOS SALTEADORES
O voto secreto para eleger a mesa do Senado fez acender a luz de alerta no 3º andar do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro não se mete, mas tem alertado aliados sobre o risco da eleição de velhos salteadores.

MISSÃO (IM)POSSÍVEL
Presidente do Democracia Cristã, José Maria Eymael disse que negou propostas de fusão de vários partidos afetados pela cláusula de barreira. Mesmo sem fundo partidário, garante um DC "atuante e independente".

PARÇAS
O deputado João Campos, relator do novo Código de Processo Penal, elogiou o ministro Sérgio Moro, disse que tem nele um parceiro para as pautas ligadas à segurança pública e, por outro lado, Moro se colocou à disposição para dialogar e ajudar no que for necessário.

FICA A DICA
Com mais um escândalo, desta vez no Rio, com políticos presos que continuam recebendo salários, urge mais atenção dos magistrados que expedem ordens de prisão para suspender o pagamento dos salários.

APENAS ISSO
Leitor brasileiro que mora em Nova York escreveu, sobre a paralisação do governo federal dos Estados Unidos: "no momento que cheguei [de férias no Brasil]... tinha bem menos funcionários [na imigração], só isso".

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO
Ninguém sabe, mas o PT mantém "diário da resistência (sic)" a "vigília Lula livre'' com contagem dos dias de Lula preso. Já são 280 dias por R$2,8 milhões, segundo a PF. Custos o "diário" não contabiliza.

COBRANÇA GERAL
Ao afirmar que presidente, governadores, deputados, vereadores e o Judiciário devem ser cobrados por melhoria na segurança pública, Jair Bolsonaro deu o recado não apenas aos eleitores, mas às autoridades.

MODERNIZAÇÃO NA PRÁTICA
Segundo previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a modernização no agronegócio será percebida na safra 18/19. A colheita deve aumentar 4,2%, mas em uma a área plantada apenas 1,2% maior.

PERGUNTA NA RESISTÊNCIA
O PT lançou em 2016 o Muda PT, que até fez encontro e criou metas como barrar Rodrigo Maia na Câmara. Desde lá, nada. O PT mudou?
Herculano
13/01/2019 07:13
A COLABORAÇÃO ESTÁ VIRANDO JABUTICABA, por Élio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O instituto que começou como uma arma contra malfeitores aos poucos tornou-se uma barafunda que os favorece

Antonio Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma, quindim da banca enquanto mandou, fechou seu terceiro acordo de colaboração, desta vez com o Ministério Público Federal em Brasília. Condenado a 12 anos de prisão, cumpriu menos de dois e está em casa, de tornozeleira. Como de hábito, o que vazou de suas confissões é uma mistura de notícias velhas com aulas de ciência política.

Quando juiz, no calor da campanha eleitoral, Sergio Moro divulgou um dos anexos da colaboração de Palocci à Polícia Federal. Espremendo-a, dela resultou que Lula chamou-o para uma reunião no Palácio da Alvorada e mandou que organizasse uma caixinha com os fornecedores
de sondas para a Petrobras.

Grande revelação, desde que em outros anexos, ainda desconhecidos, ele tenha contado a quem mordeu, quanto arrecadou e como passou o dinheiro adiante. Sem isso, o anexo é o que foi: um instrumento de campanha política.

O instituto da colaboração de malfeitores está contaminado desde 2015, quando um procurador de Curitiba formulou a doutrina da "bosta seca", segundo a qual, havendo colaborações conflitantes, não se aprofunda a investigação.

Aceita-se a palavra do delator e, mais tarde, sentenças baseadas nelas caem nas instâncias superiores. Essa jabuticaba faz a fortuna de uma nova geração de criminalistas.

Ainda neste ano o Supremo Tribunal Federal decidirá se mantém ou revoga o acordo feito por Rodrigo Janot com os donos da JBS. Os irmãos Batista estão na frigideira, mas Janot, a outra ponta de um acordo tão astucioso quanto escalafobético, vai bem, obrigado.

Com a ida do astro-rei Sergio Moro para o Ministério da Justiça, talvez se possa começar a duvidar da eficácia da doutrina da "bosta seca". Estima-se que, de cada dez anexos de colaboração, só a metade resulte em investigações ou sindicâncias.

Para ficar num exemplo que entrará nos anais da diplomacia, o Itamaraty de Lula deu agrément ao doutor Choo Chiau Beng, para a posição de embaixador de Cingapura no Brasil. Ele não pertencia ao serviço público, nunca chefiou a embaixada em Brasília e não deixou de ser o CEO do estaleiro Keppel, que
fornecia sondas à Petrobras.

Essa circunstância foi revelada na colaboração do operador da Keppel no Brasil, Zwi Skornicki, que pagou a propina de 1,2% no contrato de US$ 700 milhões da plataforma P-52.

Quem topou dar o agrément? Choo entregou suas credenciais a Lula e chegou a fazer uma visita protocolar ao presidente do STF, Joaquim Barbosa.

ONIPOTÊNCIA
Os poderosos acreditam em qualquer coisa e assim há quem creia que a embrulhada de Fabrício Queiroz possa ser resolvida por algum craque capaz de matá-la no peito.

Afinal, Sérgio Cabral julgou-se protegido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas Claudio Lopes, que ocupou a procuradoria-geral de 2009 a 2011, passou uns dias na cadeia e Cabral rala sentenças que somam 192 anos.

Na infantaria do Ministério Público do Rio há gente decidida a impedir um novo vexame. Os procuradores não têm pressa, só perguntas.

PARENTE DO GENERAL
Refrescando a memória para a "nova era" do governo Bolsonaro:

Em 1964, o general Ernesto Geisel, chefe do Gabinete Militar de Castello Branco, encontrou-se com um sobrinho. Economista e funcionário do Banco do Brasil, pretendia trabalhar no gabinete do ministro do Planejamento, Roberto Campos. O general abateu-o em voo: "Não vá, porque eu vou dizer ao Roberto que mande você embora".

Já o marechal Castello Branco demitiu o irmão Lauro da Diretoria de Arrecadação do Ministério da Fazenda porque ele aceitou um automóvel de presente.

OS FAIXAS
Nos últimos tempos disseminou-se o uso de faixas no vestuário dos hierarcas nacionais.

Pela norma, só quem tem a grã-cruz de alguma ordem da nobiliarquia republicana pode usar esse adereço, em ocasiões especiais. Como em Pindorama é farta a distribuição de condecorações, paisanos aparecem em solenidades com suas faixas coloridas. O governador Wilson Witzel mandou que se fizesse uma para enfeitá-lo.

Já se foi o tempo em que no Brasil só quem usava faixa eram o presidente da República e as misses de concursos de beleza.

UM JABUTI NO MEC
Alguém pôs um jabuti no edital dos livros didáticos que o Ministério da Educação divulgou no dia 2 de janeiro (governo Bolsonaro). A medida tinha data de 28 de dezembro (governo Temer) e com isso estabeleceu-se um jogo de empurra para fixar a autoria da peça.

As novidades do edital eram de discutível natureza pedagógica, mas escondido na pirotecnia havia um jabuti. Ele revogava a proibição de publicidade nos livros das crianças.

Assim, um garoto poderia estudar matemática num volume que anunciasse, por exemplo, as virtudes de uma operadora de telefonia.

As mudanças relativas à violência contra mulheres envolviam uma questão pedagógica. A colocação dos livros didáticos no mercado publicitário é um pleito antigo de algumas editoras e nesse caso há dinheiro no lance.

Tomara que a sindicância aprofunde a origem jabuti.

LEIAM O TIMES
Depois de pedir aos diplomatas que leiam mais José de Alencar e menos o New York Times, o chanceler Ernesto Araújo informou que o monoglota Alex Carreiro pediu para deixar a presidência da Apex, para a qual havia sido nomeado dias antes:

"O sr. Alex Carreiro pediu-me o encerramento de suas funções como presidente da Apex", escreveu o ministro.

Carreiro não pediu demissão. Teve que ser demitido.

É melhor ler o New York Times. Lá quem mente está frito.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e encantou-se com o capitão quando soube que ele não preencheria cargos técnicos com indicações políticas. Altruísta, o cretino sabia que com isso perdia o acesso a uma boquinha.

Eremildo decidiu ir a Brasília para reivindicar um emprego na Agência de Promoção de Exportações. Alex Carreiro, escolhido por Bolsonaro para presidi-la, não era fluente em inglês, mas dirigiu o Patriotas de Brasília, primeiro partido a oferecer legenda ao capitão.

Ele foi patrocinado por amigos do PSL e viu-se defenestrado por causa de um atrito com uma diretora da agência, ex-secretária-geral do partido (expulsa em setembro passado). Mosca de padaria, ele esteve no Sebrae, na Caixa e na Secretaria de Portos.

Eremildo lembra que durante o mandarinato petista a Apex foi aparelhada com uma ex-secretária de Lula e com a mulher de um "aloprado" da fábrica de dossiês contra o PSDB. A agência foi presidida pelo comissário Alessandro Teixeira. Em 2016, Dilma Rousseff nomeou-o para o Ministério do Turismo e sua mulher (Miss Bumbum 2012) fez um ensaio fotográfico no gabinete do doutor.

OTIMISMO
Coisas boas também acontecem.

No dia 4 de março a Mangueira entrará na avenida cantando "Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês".
Herculano
13/01/2019 06:58
BOLSONARO DEFENDE LEI ANTITERRORISMO VETADA POR DILMA E TEMIDA POR MOVIMENTOS SOCIAIS

Conteúdo do Congresso em Foco. Texto de Edson Sardinha. O presidente Jair Bolsonaro defendeu neste sábado (12) a aprovação de um projeto de lei em tramitação no Senado que endurece a lei antiterrorismo sancionada com vetos pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. A proposta enfrenta a oposição de partidos de esquerda e de movimentos sociais, que alegam que as mudanças coíbem o direito à livre manifestação.

Bolsonaro retomou ao assunto, que já havia abordado durante a campanha eleitoral, ao comentar a onda de ataques criminosos que apavora o Ceará desde o início do ano. "Ao criminoso não interessa o partido desse ou daquele governador. Hoje ele age no Ceará, amanhã em SP, RS ou GO. Suas ações, como incendiar, explodir... bens públicos ou privados, devem ser tipificados como TERRORISMO. O PLS 272/2016 do Sen Lasier Martins é louvável", escreveu o presidente no Twitter.

A proposta classifica como terrorismo o ato de incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado, além de interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados. A pena estipulada para essas condutas vai de 12 a 30 anos de reclusão.

Leque ampliado

A lei em vigor classifica como terrorismo a prática de atos individuais ou coletivos "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião", com a finalidade de provocar terror social ou generalizado. O projeto de Lasier, relatado pelo senador Magno Malta (PR-ES) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), inclui entre os atos terroristas aqueles praticados por "motivações políticas, ideológicas, sociais" e enquadra quem "coagir autoridade do poder público a adotar determinada conduta."

Pressionada pelo PT e por movimentos sociais e sindicais, Dilma vetou esses itens da lei antiterrorismo aprovada pelo Congresso em 2016 em meio à organização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Naquele ano, a Polícia Federal prendeu um grupo de brasileiros suspeitos de planejar atentado durante a Olimpíada.

MST e MTST

Os opositores alegam que o projeto defendido por Bolsonaro tem a finalidade política de criminalizar organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e entidades que reúnem quilombolas e indígenas, entre outras.

Lasier diz que os movimentos sociais continuarão a ter o direito à livre manifestação. O alvo, segundo ele, é outro. "Que seja admitido como conduta terrorista incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado", defende o autor do projeto.

Na avaliação do senador, ao vetar esses itens quando sancionou a Lei 13.260/16, Dilma tornou a legislação "parcialmente inócua". Entre outros pontos, a ex-presidente vetou o trecho que tratava da "apologia ao terrorismo" porque, segundo ela, não trazia "parâmetros precisos capazes de garantir o exercício do direito à liberdade de expressão".

Censura

Para os críticos da proposta, protestos como os de junho de 2013, que tiveram episódios de depredação de patrimônio público e privado, poderiam ser classificados como terroristas se a mudança proposta por Lasier e Bolsonaro estivesse em vigor.

Os opositores do projeto afirmam, ainda, que até manifestações nas redes sociais poderão ser enquadradas nesse tipo de crime, pois há previsão de punição para quem "recompensa ou louva pessoa, grupo, organização ou associação pela prática de terrorismo."

"É um ato de censura, de combate ao direito de ir e vir e à liberdade de manifestação, conceituado na Constituição", classifica o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor de um relatório paralelo (chamado de voto em separado) que propõe a rejeição do projeto na CCJ. "Em cima desse texto, podem prender militantes de movimentos estudantis, movimentos sindicais, estamos criminalizando o MST", acrescenta o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Genérico

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça em dezembro, o juiz Marcelo Semer, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), considerou a proposta desproporcional na definição das penalidades. No caso do crime de "apologia ao terrorismo", por exemplo, o período previsto para reclusão salta de três meses para quatro anos. O jurista também considera vaga a conceituação das condutas enquadradas.

"É uma coisa muito genérica. Veja, apologia é louvar um terrorista. Eu não sei o que seria 'louvar'. De repente, se [alguém] faz uma manifestação favorável a uma reivindicação, será que está 'louvando' um terrorista? Imagina isso nas redes sociais, com compartilhamentos e curtições [de posts]", criticou. "O que essa alteração pretende fazer não é combater o terrorismo. É criar o terrorista. É tentar criar um problema que a gente não tem. É completamente sem sentido isso", completou.

Facções contrariadas

Balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Ceará informa que 319 pessoas foram presas até as 17h dessa sexta-feira por suspeita ou flagrante em participação nos ataques registrados no estado desde o último dia 2, promovidos por facções criminosas.

Na madrugada, criminosos derrubaram uma torre de transmissão de energia e explodiram uma concessionária de veículos na região metropolitana de Fortaleza. Em seu 11º dia consecutivo, a onda de violência no Ceará já registrou 194 ataques em 43 municípios. Até o momento, segundo o Ministério da Justiça, 35 integrantes de facções criminosas foram transferidos para presídios federais.

As ações começaram depois de o governador reeleito Camilo Santana (PT) criar a Secretaria de Administração Penitenciária e iniciar uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. Foram apreendidos celulares, drogas e armas em celas. O governo anunciou que não dividirá mais os presos conforme a facção criminosa.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, atendeu a pedido do governador e autorizou o envio de 406 agentes da Força Nacional para reforçar a segurança no estado. A violência afastou turistas do estado e compromete a vida da população com o clima de pânico, interrupções no transporte público e fechamento do comércio.
Herculano
13/01/2019 06:45
FORAGIDO, BATTISTI É PRESO NA BOLÍVIA

O italiano foi condenado em seu país pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Camila Mattoso, da sucursal de Brasília.O italiano Cesare Battisti, 64, foi preso na Bolívia. A informação foi confirmada pela Polícia Federal do Brasil na madrugada deste domingo (13).

O terrorista era considerado foragido desde o dia 14 de dezembro. A PF fez mais de 30 diligências para encontrá-lo, sem sucesso.

Ele teve a prisão determinada pelo ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda não há informações sobre os próximos passos de Battisti.

A Itália pede a extradição porque ele foi condenado em seu país pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970.

Battisti foi detido em Santa Cruz de La Sierra, uma das cidades mais importantes da Bolívia, no centro do país.

O presidente Michel Temer assinou decreto de extradição logo em seguida da decisão do Supremo, no dia 14 de dezembro.

A decisão autorizava o ministério da Justiça a iniciar o processo de entrega do terrorista às autoridades italianas, o que não se concretizou porque ele estava foragido.

Depois de não encontrar Battisti em seus endereços registrados, a PF no Brasil reiniciou do zero a busca, sem nenhuma pista do paradeiro.

Para tentar encontrar o italiano, a polícia chegou até a fazer um quadro com diversas imagens de possíveis disfarces.

O STF já havia decidido em 2009 aprovar a repatriação, mas o então presidente Lula (PT), no último dia de seu mandato, em 2010, permitiu a permanência dele no Brasil.

O Supremo deliberou, ao discutir o caso, que os crimes que levaram à condenação do terrorista não foram crimes políticos.

Em outubro de 2017, quando ainda estava vivendo em liberdade no Brasil, Battisti foi preso por evasão de divisas em Corumbá (MS) e o caso voltou à tona.

Ele foi detido na fronteira com a Bolívia ao transportar cerca de R$ 23 mil não declarados à Receita Federal brasileira.
Herculano
12/01/2019 08:24
da série: o PSL de Santa Catarina parece que não percebeu que venceu e é governo aqui em Brasília. Quem os eleitos e dirigentes querem derrotar desta vez? A pujança dos catarinenses?

AS REDES SOCIAIS E AS CRISES CRIADAS NO GOVERNO MOISÉS, por Moacir Pereira, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

Os primeiros 11 dias do governo Moisés da Silva tiveram duas marcas: pressões partidárias para demitir titulares de cargos comissionados nomeados pelo novo governador; e crise política rachando o comando do PSL, o partido do governador, e confronto direto entre as bancadas federal e estadual.

Na esfera administrativa foram três os titulares que perderam os cargos por críticas de parlamentares do PSL: o professor Tiago Savi deixou a presidência da Santur, a professora Rita Maria da Silva foi exonerada da Gerencia Regional de Educação em Lages; e a coronel da reserva Edenice Fraga, exonerada da Coordenadoria da Igualdade Racial da Secretaria do Desenvolvimento Social.

Curioso é que as demissões foram causadas por manifestações de deputados e líderes do PSL nas redes sociais.

E a semana termina com a crise inédita provocada pelo pedido de três dos quatro deputados federais do PSL pela destituição da Executiva Estadual do partido, presidida por Lucas Esmeraldino, o homem forte do esquema do governador Carlos Moisés da Silva.

Um dos subscritores do pedido, deputado federal Daniel Freitas, anunciou em Brasília que o vice-presidente nacional do PSL, Antonio de Rueda, virá ao Estado na próxima semana para tratar do impasse.

O deputado Ricardo Alba, o mais votado em 2018, divulgou "nota de apoio" a Esmeraldino. Foi contestado pelo deputado Felipe Estevão, que alegou não ter sido ouvido e nem assinado a nota.

Ricardo Alba acusou os deputados federais de tentativa de golpe para tomada do poder no partido.

Fato político a revelar os novos tempos. Estas crises não foram produzidas por pronunciamentos na Assembleia Legislativa ou por manifestações na mídia tradicional. Tudo ocorreu e continua repercutindo nas redes sociais.
Herculano
12/01/2019 08:17
ELEIÇÃO DE RODRIGO SÃO FAVAS CONTADAS, por José Antônio Severo, de Os Divergentes

O senador-eleito Izalci Lucas disse a Os Divergentes que a eleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara Federal, são favas contadas, de tão certa. Izalci, um dos poucos parlamentares em Brasília nestes dias de janeiro, que é presidente do Diretório Regional do Distrito Federal do PSDB, considera a candidatura do deputado federal Fabinho Ramalho (MDB/MG), "uma piada". De mudança do edifício jocosamente chamado de Serra Pelada (o Anexo IV, da Câmara), para as Torre Norte do Senado Federal, no outro lado do Eixo Monumental, o agora ex-deputado está acompanhando a movimentação na sua antiga Casa, mas trabalhando para impedir a nova eleição do senador Renan Calheiros para a presidência do Senado. O PSDB vai votar contra o parlamentar alagoano.
Herculano
12/01/2019 08:13
CRIMINOSOS RECRUTAM ADOLESCENTES NO CEARÁ

Conteúdo de O Antagonista. O crime organizado recruta adolescentes para realizar atentados no Ceará.

Diz o UOL:

"Por meio de pagamentos de até R$ 1.000 ou forçados mediante ameaças, adolescentes da Grande Fortaleza estão sendo recrutados por facções criminosas para realizar os atentados que já duram 11 dias no Ceará.

Até a manhã da última sexta-feira, 110 das 309 pessoas identificadas em ataques eram menores de 18 anos, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social."
Herculano
12/01/2019 08:10
VILLAS BôAS VAI FICAR NO GOVERNO, LIGADO AO GSI, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O general Eduardo Villas Bôas, que transmitiu o comando do Exercito Brasileiro nesta sexta-feira (11), aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para permanecer num cargo da nova administração, como esta coluna adiantou com exclusividade ontem. O general, que assumiu o Exército em 2015, vai integrar um gabinete ligado ao GSI do general Augusto Heleno, que servirá como uma espécie de "Estado Maior", um conselho da República de conselheiros do presidente da República.

GABINETE DE CONSELHEIROS
Apesar de ainda não existir oficialmente, o gabinete de conselheiros é uma ideia que circula entre membros do governo desde a campanha.

INTEGRANTES
Militares além de Heleno e Villas Bôas devem integrar o conselho; o ministro general Santos Cruz e o vice-presidente Hamilton Mourão.

CONVITE PESSOAL
Interlocutores confirmam que o convite foi feito pelo próprio presidente da República, Jair Bolsonaro. E o grupo será seletíssimo.

RECUPERAÇÃO DA IMAGEM
O general gostaria de posição onde possa ajudar a redimir a imagem dos militares, "muito prejudicada pelo PT", dizem fontes próximas.

'CHICAGO BOYS' PODEM USAR MODELO DE IR DOS EUA
Uma das possíveis mudanças em estudo pela equipe econômica do governo Bolsonaro é criar mais faixas de contribuição no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), como acontece nos Estados Unidos. Hoje, o IRPF tem quatro faixas no Brasil, variando de 7,5% a 27,5% para quem ganha mais de R$ 55,9 mil por ano. Nos EUA, quem ganha esse valor paga só 12%. E ainda há outras cinco faixas, até 37%, para quem ganha mais de US$ 500 mil por ano, cerca de R$ 1,9 milhão.

RICOS PAGAM MAIS
Os EUA têm três alíquotas acima da máxima brasileira: 32% para quem ganha até R$ 740 mil; 35% para até R$ 1,9 milhão e 37% acima disso.

NÃO AGRADOU
O ministro Paulo Guedes (Economia) não desistiu da simplificação com apenas três faixas e isenção maior, mas a ideia tem sido criticada.

O FEITO
O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) também falou em redução de impostos e afirmou que "o feito" seria baixar a carga tributária para 25%.

MODISMO RELÂMPAGO
Uma semana depois parece ter passado a indignação entre jornalistas e analistas com a frase da ministra Damares sobre vestes de meninos e meninas. As jornalistas, principalmente na TV, já pararam de vestir azul.

O TEMPO NÃO PERDOA
Impressionou até o petista mais fanático a cabeleira grisalha de José Eduardo Cardozo, em visita a Lula. Dois anos após o impeachment, a profusão de cabelos brancos parece a do megalonanico Celso Amorim.

BATALHA
É batalha aberta na autarquia do Ministério da Educação: o presidente do FNDE, Carlos Decotelli, descobriu através do Diário Oficial que 10 dos seus funcionários foram demitidos entre quinta e sexta-feira (11).

NADA BEM
Entre técnicos e assessores de administrações passadas, foram exonerados do FNDE servidores de carreira levados pelo presidente atual do órgão para "liderar" o trabalho. O PT ainda é forte no FNDE.

VIAGEM AO 4º MUNDO
Quem achar um civil no gabinete do vice-presidente, general Hamilton Mourão, ganha uma viagem para o Haiti. Somente nesta sexta-feira (11) o Diário Oficial publicou a nomeação de 27 militares.

DE UM LADO AO OUTRO
O PSL de Jair Bolsonaro representa quase um quarto de todos os votos que Rodrigo Maia teria atualmente para presidente da Câmara. Mas em 2017, quando se elegeu, Maia tinha apoio de quase metade do PT.

CONDENAÇÃO EM 2ª INSTÂNCIA
O plano do ministro Sérgio Moro (Justiça) é a equipe do governo avaliar todo o texto do novo Código de Processo Penal em dois meses. Um dos pontos que deverá constar no novo CPP é a previsão em lei da realização de prisão após condenação em segunda instância na Justiça.

A MAIS CHEIROSA
A deputada Joice Hasselman (PSL-SP), a federal mais votada do Brasil, ainda não pode ser avaliada pela atuação parlamentar. Mas no Planalto é notada pela qualidade do perfume e das roupas que usa.

PENSANDO BEM...
...o governo já mudou, já a política...
Herculano
12/01/2019 08:02
OS GALINHAS-VERDES, por Álvaro Costa e Silva, no jornal Folha de S. Paulo

Falta um repórter como Joel Silveira para retratar os novos integralistas

Agosto de 1937. Joel Silveira morava em frente à sede nacional da Ação Integralista Brasileira, em cujo balcão do terceiro andar postava-se Plínio Salgado, camisa verde, braçadeira com o sigma, braço erguido e mão direita espalmada para cima, esgoelando-se em infindáveis discursos. "Anauê! Anauê!", vibrava o povo lá embaixo.

No esplêndido livro de memórias "Na Fogueira", Joel não só retrata o líder integralista como dá testemunho dos acontecimentos políticos de então, que não poderiam ser mais imprevisíveis. Os camisas-verdes e os comunistas se enfrentavam nas ruas a socos e pedradas, e a Polícia Especial de Filinto Müller se aproveitava para baixar o sarrafo em todo mundo, até em quem nada tinha a ver com a história. Valendo-se da confusão, Getúlio deu o golpe que instalou o Estado Novo.

Logo a censura mostrou suas garras. O Departamento de Imprensa e Propaganda passou a dispor do controle de importação do papel linha d'água, utilizado por jornais e revistas. Péssima notícia para o repórter Joel, que se defendia com biscates, pulando de uma Redação a outra e vivendo em pensões. Por sorte, numa delas ele encontrou uma quarentona de seios fartos, que se compadeceu do jovem sergipano em necessidade (na época, pesava só 52 quilos e usava bigodinho).

Na revista Dom Casmurro, conheceu Graciliano Ramos (de quem se tornou amigo), Jorge Amado, Oswald de Andrade, José Lins do Rego, Marques Rebelo, Murilo Mendes, Aníbal Machado, Álvaro Moreyra. E havia o bar 49, na Lapa, onde o chope, geladíssimo, custava 400 réis!

Tempos interessantes aqueles vividos por Joel Silveira. Os nossos também estão prometendo. Até o movimento integralista está de volta, como mostrou reportagem de Marco Rodrigo Almeida na Folha. Seus líderes não usam mais uniformes. Ao menos em público. Melhor assim: serem chamados de galinhas-verdes era uma crueldade.
Herculano
12/01/2019 07:45
REGISTRO

Hoje é aniversário do proprietário do jornal e portal Cruzeiro do Vale, Gilberto Schmitt. Será comemorado entre os familiares na praia de Gravatá (Sapo).
Herculano
12/01/2019 07:42
da série: um governo que ainda não usou a sua força de votos para demonstrar capacidade de articulação e segurança no Legislativo, onde verdadeiramente o governo se estabelece. O PSL parece ser adversário do governo em Brasília e pior, em Santa Catarina também. Nanico, inexistente, elegeu e guindou gente à berlinda que não sabe qual a razão e o papel dela num governo ainda mais o que se propõe à mudanças, que vai enfrentar um mundo organizado que não quer mudanças. Governabilidade e sustentabilidade passam longe dessa gente sem noção.

ONYX DEVERIA ESTAR CONTANDO VOTOS NO CONGRESSO, por Claudio Dantas, de O Antagonista. Em vez de se preocupar em tornar a reforma da Previdência mais "aprovável" pelo Congresso, o ministro Onyx Lorenzoni ajudaria muito mais Jair Bolsonaro (e o país) se liderasse os processos eleitorais na Câmara e no Senado - fundamentais para a aprovação de qualquer coisa.

Embora o Congresso esteja em recesso, a política continua sendo feita em Brasília.

Bolsonaro saiu das urnas com votação recorde, mas não consegue projetar essa força no processo legislativo. O PSL está rachado e será engolido por Rodrigo Maia e Renan Calheiros, que já afiam suas garras.

A reforma da Previdência precisa ser contundente para sanar as contas públicas, e não um texto palatável a caciques políticos interessados apenas em manter seus privilégios.

Deixe a economia para os economistas, ministro.
Herculano
12/01/2019 07:23
COM MAIS CARINHO, por Julianna Sofia, secretária de redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Despetização de comissionados lembra a moenda de Collor na caça aos marajás

Passados quase 30 anos, o Estado brasileiro ainda desconhece a verdadeira dimensão das demissões de funcionários públicos promovidas em massa pelo governo Collor (1990-1992).

A caçada aos marajás e o enxugamento da máquina administrativa levaram à defenestração de mais de 100 mil servidores sem estabilidade e celetistas contratados pela União. A revolução liberal extinguiu 24 empresas estatais, e os ministérios foram reduzidos de 23 para 12.

Em 1994, Itamar Franco assinou uma lei para anistiar parte dos desligados, mesmo sob a ameaça demissionária de seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Foram readmitidos 48 mil pela nova norma, que protegia os despedidos ilegalmente - quem sofrera perseguição política ou tinha mandato sindical, por exemplo.

Ao chegar ao Palácio do Planalto, FHC revogou os processos de anistia e revisou todos os casos. Moral da história: apenas 10% dos demitidos voltaram à folha de pagamento do governo, e centenas ainda brigam judicialmente pelo posto perdido.

??"Despetizar" cargos comissionados no governo Bolsonaro soa tão arbitrário - só que mais ideologizado e menos disseminado - quanto a moenda instalada por Collor. A caça às bruxas de vermelho na Casa Civil de Onyx Lorenzoni exonerou, por ora, 320 pessoas e emitiu sinal verde para outras instâncias reproduzirem o procedimento. Em órgãos como Apex e ABDI, técnicos dispensados prometem buscar a Justiça.

"Você tem no serviço público funcionários que são realmente funcionários de Estado. O cara passou o governo A, B, C, D e fez ali o trabalhinho dele bonitinho. Não pode pegar esse cara porque estava no governo anterior. O cara é bandido por causa disso?", disse o vice-presidente Hamilton Mourão, sugerindo que o processo pudesse ter sido feito "com mais carinho".

O vice vocalizaria a razão nesse tema, não fosse o bla-bla-blá para justificar a promoção questionável do próprio rebento no Banco do Brasil.
Pedro do Bela Vista
11/01/2019 18:35
Pois é dr. Herculano. O prefeito Kleber está sendo defendido por bêbados. Quando a noite chega, ele se encoraja e inconformado, vai para a rede social ler, reler e se embriagar com os seus escritos. Como nada pode ser desmentido, mais tonto fica...
Herculano
11/01/2019 14:32
'PEÇO DESCULPAS POR NÃO INDICAR INIMIGOS PARA O GOVERNO', IRONIZA BOLSONARO

O presidente ironiza no Twitter o fato de a imprensa destacar a amizade entre ele e Victor Nagem, nomeado gerente executivo da Petrobras

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto do Correio Brazilense. O presidente Jair Bolsonaro voltou ao Twitter nesta sexta-feira, 11, para ironizar a cobertura da imprensa em relação à nomeação de Victor Nagem para a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras.

"Peço desculpas à grande parte da imprensa por não estar indicando inimigos para postos em meu governo!", escreveu o presidente, que anunciou na quinta-feira, 10, Nagem para o cargo.

Um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, também fez ironia, afirmando que o novo comandante do Exército é amigo de Bolsonaro desde a década de 1970

"Amigo particular"
Em 2016, Bolsonaro gravou um vídeo em que pede votos para Nagem, então candidato a vereador em Curitiba, e o classificou como "amigo particular": "É um homem, um cidadão que conheço há quase 30 anos. Um homem de respeito, que vai estar à disposição de vocês na Câmara lutando pelos valores familiares. E quem sabe no futuro tendo mais uma opção para nos acompanhar até Brasília", afirmou o atual presidente na ocasião.
Herculano
11/01/2019 14:24
SINTOMAS DE UM APAGÃO GERENCIAL, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Nomeações de apadrinhados inexperientes e golpes de marketing enferrujam governo

O governo levou dez dias para perceber que o protegido político nomeado para o comando da Agência de Promoção de Exportações não tinha qualificação para a vaga. A indicação de Alex Carreiro e sua demissão atrapalhada são sintomas de um apagão gerencial.

Jair Bolsonaro e seus ministros fizeram estardalhaço para remover funcionários que consideravam incapazes de seguir o programa do novo presidente. Em vez de recorrer ao golpe de marketing da "despetização", o governo deveria ter dedicado mais tempo a uma análise cuidadosa de suas próprias nomeações.

Ninguém deve ter lido o currículo de Carreiro antes de dar a ele a presidência da Apex. A maior qualificação do publicitário era a devoção a Bolsonaro nas redes sociais e o contato com alguns figurões de sua equipe durante a campanha.

Em poucos dias no comando da agência, ele foi fritado por colegas. Na quarta (9), o chanceler Ernesto Araújo declarou no Twitter que Carreiro havia pedido demissão. O problema é que o publicitário apareceu para dar expediente no dia seguinte.

Araújo confundiu a rede social com o Diário Oficial. Carreiro se amarrou à cadeira, disse que não havia pedido para deixar o cargo e afirmou que só sairia demitido pelo próprio Bolsonaro. O presidente deixou o chanceler na chuva por 24 horas até confirmar a troca na agência.

O improviso e o blá-blá-blá da politicagem enferrujam as engrenagens do novo governo. Nomeações de apadrinhados inexperientes e bravatas administrativas atrasam e paralisam até atividades burocráticas.

A Casa Civil chegou a ficar travada com o expurgo tolo promovido pelo ministro Onyx Lorenzoni. A situação é inusitada: servidores que pediram exoneração não conseguem ser demitidos porque não há funcionários administrativos para cuidar disso.

Assim que assumiu o poder, Bolsonaro anunciou uma revisão geral dos atos assinados nos últimos meses do governo Temer. Talvez seja mais importante fazer um pente-fino nas decisões dos últimos dez dias.
Herculano
11/01/2019 14:16
da série: acredite se quiser

"A MOSCA AZUL NUNCA ME PICOU", DIZ RODRIGO MAIA

Conteúdo de O Antagonista. Claudio Dantas entrevistou Rodrigo Maia, presidente da Câmara que tenta um novo mandato.

Ele disse que sua candidatura não é por "sobrevivência nem vaidade", mas "fruto de uma construção coletiva".

Na conversa, Maia negou mais uma vez ser o "Botafogo" das planilhas da Odebrecht e garante que está disposto a votar as reformas que serão propostas pelo governo Bolsonaro.

"A agenda da segurança publica está em primeiro lugar. A agenda econômica, a agenda do desemprego, acredito que empata com a agenda anticorrupção, porque uma associada a outra. Estamos prontos para o diálogo, para votar as matérias."

Maia falou da aliança com o PSL e das negociações com o PT. Também fez um balanço de sua gestão, com destaque para a votação das denúncias contra Michel Temer.

O deputado garante que nunca pensou em virar presidente da República por via indireta.

"Essa mosca azul nunca me picou. Se algum dia o eleitor entender que eu possa ser presidente através da urnas, eu serei. Mas não haverá hipótese de eu deferir impeachment que não tenha embasamento muito claro, muito objetivo."
Herculano
11/01/2019 10:43
ERREI

Na foto-legenda sobre o desperdício de água no Samae de Gaspar eu escrevi que "Este frame é de um vídeo postado pelo ex-presidente do Samae, Lovídio Carlos Bertoldi, PT, na rede social, perguntando quanto dinheiro estava sendo desperdiçado com a água jorrando por mais de quatro horas seguidas..."

Errei.

O vídeo, na verdade, foi postado na rede do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, irmão do ex-presidente do Samae, ex-secretário de Obras, e candidato derrotado a prefeito, Lovídio Carlos Bertoldi.

Aos leitores e leitoras, o meu pedido de desculpas com a correção.
Herculano
11/01/2019 07:33
da série: o iluminismo e o ciclo do século 21

CIÊNCIA, PENSAMENTO MÁGICO E TEORIAS CONSPIRATóRIAS, por Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, para o jornal Folha de S. Paulo

Causa espanto a existência de um movimento que questiona o fato de a Terra ser redonda

Recebi em minha sala, nesta semana, duas jovens que vieram conversar sobre os vínculos entre educação e meio ambiente.

Falava-lhes da importância de uma abordagem científica na busca de melhores estratégias de ensino, quando me contaram sobre um estranho movimento que questiona o fato de a Terra ser redonda - o terraplanismo -, que, segundo elas, teria ganhado adeptos até na Faculdade de Engenharia da UFMG.

Não pude conter meu espanto e entendi então a assertiva do ministro da Ciência e Tecnologia, que eu havia lido pouco antes, de que nosso planeta não apenas é redondo como orbita o Sol. Achara estranho Marcos Pontes ter que reafirmar algo tão básico e, sem entender o contexto, pensei que se dirigira a crianças.

Infelizmente, era verdade o que me haviam dito e parece que, para parte da população, os avanços da ciência e do Iluminismo não ocorreram.

Utilizam equipamentos modernos, viajam em meios de transporte desenvolvidos com base no conhecimento que adquirimos ao pesquisar, ao longo de gerações, como funciona o Universo que nos abriga, mas gostariam de voltar à Idade Média e aceitar, sem crítica, verdades não testadas.

Evidentemente, como mostra o físico Thomas Kuhn, em sua obra "A Estrutura das Revoluções Científicas", o conhecimento evolui e paradigmas aceitos podem ser substituídos por outros, quando investigações evidenciam seus limites e novas descobertas desautorizam conclusões precipitadas. Mas certamente esse não é o caso em pauta.

Para entender este mundo, em que olhares saudosos são lançados a um passado imaginado e a ciência, em seu estágio atual, aparece eivada de teorias conspiratórias, vale a leitura do livro "Educated: a Memoir", de Tara Westover (traduzido para o português sob o título infeliz de "A Menina da Montanha").

Nele, a autora se apresenta como fruto de uma família altamente disfuncional que não acreditava em instituições como escola, hospitais, médicos, vacinas, normas de segurança e até registros de nascimento. Tudo por conta de um pretenso complô que incluiria até Satã.

Para enfrentar isso, a família se tratava apenas com ervas, mesmo em casos dramáticos, e negava o direito à educação aos mais jovens. Quando a medicina caseira funcionava, mesmo que parcialmente, isso era mostrado como prova irrefutável de um milagre a confirmar teses conspiratórias.

Felizmente, Tara pôde, por seu esforço e, com o tardio acesso à educação, superar o destino que lhe fora reservado. Muitos a ajudaram no percurso.

Mas o que salvará países que preferem o pensamento mágico aos avanços da ciência e do processo civilizatório?
Herculano
11/01/2019 07:28
OS PLANOS DE GUEDES

Conteúdo de O Antagonista. O texto final da reforma da Previdência deve ser definido até o próximo dia 21, quando Jair Bolsonaro embarca com Paulo Guedes para Davos, diz a Crusoé.

O presidente vai discursar no evento, mas é em torno dos encontros de Guedes com os grandes players da economia mundial que se concentram as principais expectativas do mercado. Em tese, será uma oportunidade ímpar de atrair investimentos. Estarão na viagem também o general Augusto Heleno e Sergio Moro, hoje o principal aliado do ministro da Economia na Esplanada.

Moro e Guedes conversam quase todo dia, e já têm uma agenda em comum rascunhada. Para além da concordância em torno da tal refundação das bases do relacionamento do governo com a classe política em geral, os dois têm tratado de algumas medidas consideradas essenciais para a implantação de seus planos.
Herculano
11/01/2019 07:22
PERGUNTAR NÃO OFENDE

QUAL MESMO É A DIFERENÇA EM SUBSTITUIR UM PETISTA POR UM FANÁTICO LEIGO EM CARGO COMISSIONADO E QUE SERIA DE CONHECIMENTO TÉCNICO?
Herculano
11/01/2019 07:03
INDICAÇõES CONFIRMAM INFLUÊNCIA DO PT NO FNDE, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

As recentes indicações dos diretores Eli Valter Gil Filho e João Antônio Lopes de Oliveira para controlar orçamento de cerca de R$ 60 bilhões, confirmam grande influência ainda exercida pelo PT no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Em posições estratégicas, os novos diretores terão poder decisivo na escolha dos conteúdos dos livros didáticos, fundamentalmente definidos de acordo com a ideologia, além de bater o martelo sobre quais empresas receberão para editá-los.

FINANCIAMENTO DIRETO
Chefe de Ações Educacionais, Eli Valter deve manter os R$ 4,2 bilhões de alimentação para ações de "agricultura familiar". O MST agradece.

NADANDO EM DINHEIRO
No total, Valter terá à disposição cerca de R$ 13 bilhões para ações de inclusão digital (sua "especialidade"), livros, bibliotecas, transporte, etc.

TUDO EM CASA
Valter é diretor do webAula S/A, parceira do grupo Kroton de Walfrido Mares Guia, amicíssimo de Lula e dono de jatinhos que o petista usava.

MESMA MOEDA
Nos governos PT, João Lopes, funcionário de carreira do FNDE, ganhou promoção a coordenador-geral. Como se fosse filho de general...

GENERAL VILLAS BôAS É CONVIDADO A FICAR NO GOVERNO
O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro a permanecer em um cargo no novo governo. Apesar de transmitir nesta sexta-feira (11) o cargo de comando ao general Leal Pujol, Villas Bôas "aceita o desafio", mas disse a interlocutores que ainda precisa discutir qual seria a sua posição. Idealmente seria um projeto que possa "redimir a imagem dos militares" perante a opinião pública que, para a caserna, foi dilapidada na era PT.

COMPETENTE
Villas Bôas foi promovido a general em 2011 e foi nomeado comandante do Exército em 2015, no governo Dilma. É conhecido pela competência.

RARA EXCEÇÃO
O general é dos poucos integrantes do alto escalão do governo petista que deve permanecer em posição de prestígio no governo Bolsonaro.

BATALHA
O general Villas Bôas foi diagnosticado com uma doença neuromotora degenerativa, que causa dificuldades de movimento.

APEX EM BOAS MÃOS
Em 2016, o embaixador Mário Vilalva, futuro presidente da Apex, fez um grande esforço para minimizar a grosseria da então presidente Dilma. Como embaixador, ele foi o "representante obrigado" oficial à posse de Marcelo Rebelo de Sousa, amigo pessoal e presidente de Portugal.

FILHO E PADRINHO
O presidente da Apex, Alex Carreiro, que foi demitido indiretamente, mas ainda está no cargo, é indicação do filho do presidente Jair Bolsonaro, Eduardo, de quem se aproximou quando atuava no PSL.

CCJ DEFINIDA
A deputada Bia Kicis (PSL-DF) deve mesmo presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na nova legislatura. O cargo foi negociado no acordo da base de Bolsonaro para eleger Rodrigo Maia.

ASSALTO DESCARTADO
Deputada federal mais votada do Mato Grosso do Sul, Rose Modesto (PSDB) abriu mão de um assalto chamado "auxílio mudança", no valor de R$33,7 mil. "Não é justo que eu receba", diz Rose, que é professora.

TRABALHO DENSO
O ministro Sérgio Moro (Justiça) elogiou o trabalho desenvolvido pela comissão especial do novo Código de Processo Penal, ontem. Disse que o CPP é um "trabalho denso", e que, diante disso, deve apresentar em 60 dias as sugestões da nova administração para o novo código.

ADESõES ESTRATÉGICAS
Deputados do PSL comemoram a mais nova previsão de filiações (entre 10 e 15) antes do início da nova Legislatura. Com 15 deputados a mais, o partido de Bolsonaro será a maior bancada da Câmara em 2019.

FARSA NACIONAL
Policiais federais chamam de "farsa nacional" a Força Nacional de Segurança (FNS), que custa uma fortuna só para o governo federal fingir que está engajado na luta contra o crime, nos Estados.

APOIO MALDITO
Para "não se queimar", como disse deputado do PT à época, a bancada petista em 2017 apoiou André Figueiredo, candidato derrotado do PDT a presidente da Câmara, e não Rodrigo Maia. A estratégia não deu certo.

PENSANDO BEM...
...a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi "prestigiar" a posse de Nicolás Maduro, na Venezuela. Prestígio mesmo é se ficasse por lá.
Herculano
11/01/2019 06:56
VAIVÉM NO GOVERNO TRANSMITE SENSAÇÃO DE DESENTROSAMENTO E DESPREPARO, por Marcos Augusto Gonçalves, no jornal Folha de S. Paulo

Histórico de anúncios estapafúrdios e revisões já se tornou folclórico e tema para humoristas

O governo de Jair Bolsonaro tem repetido um padrão de idas e vindas que transmite a sensação de desentrosamento e despreparo de boa parte da equipe - e reflete a falta de convicção ou de conhecimento do próprio presidente acerca de temas variados.

Os mais recentes lances desse vaivém foram o recuo da ordem de paralisação da reforma agrária e o passo atrás na nova versão do obscuro edital para a aquisição de livros escolares, que abolia até mesmo a necessidade de o conteúdo se basear em fontes bibliográficas.

O histórico de anúncios estapafúrdios e revisões, que mais parecem pegadinhas, já se tornou folclórico e tema para chargistas e humoristas. No afã de demonstrar que promessas de campanha serão entregues, o presidente e seus assessores não perdem tempo para refletir. Convencidos de suas mistificações ideológicas, agem. E, quando confrontados com a evidência do disparate, dão meia-volta.

Antes mesmo da posse, lembre-se, a anunciada fusão entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente saiu rapidamente de cena, contestada pelos próprios representantes do agronegócio a quem o Mito pretendia agradar.

Em outras reviravoltas o que se evidencia mesmo é a bagunça mais básica, como se viu no anúncio presidencial de que haveria aumento de tributo sobre operações financeiras e revisão dos critérios do Imposto de Renda - declarações que provocaram corre-corre da equipe econômica e do ministro da Casa Civil para dizer que o homem havia se equivocado.

Embora formalmente mantida, a contestada decisão de mudar a embaixada brasileira para Jerusalém também corre o risco de ser abandonada e cair no esquecimento.

Alguém poderá argumentar que os recuos revelam a disposição do presidente de não insistir em erros. Pode ser, mas é difícil apagar a impressão de que o piloto está pronto para cometer grandes barbeiragens -inclusive em manobras das quais não irá recuar.
Herculano
11/01/2019 06:50
da série: O PSL - um partido que não existia até a entrada de Jair Bolsonaro nele - está sendo o pior fator de instabilidade para o governo incerto Carlos Moisés da Silva, PSL. Esta chocando ovo podre. E não prejudicará apenas os planos do partido, do governo, dos militares, religiosos, mas afetará diretamente todos os catarinenses

TIROTEIO NO PSL DE SC, por Moacir Pereira no jornal Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

O requerimento de três dos quatro deputados federais do PSL pedindo a destituição da executiva estadual, presidida por Lucas Esmeraldino, foi protocolado na sede do diretório nacional, em Brasília. O presidente Luciano Bivar está viajando, mas o vice, Antônio de Rueda, viajará a Florianópolis na próxima semana para tratar da crítica situação do partido, segundo informou o deputado federal Daniel Freitas.

O grupo de contesta o atual comando acusa Esmeraldino de atuar de forma autoritária em função de seus interesses pessoais e seus projetos políticos. Negou cumprimento à promessas de ouvir os principais líderes na definição da nova executiva estadual em dezembro, mas ignorou as bases e decidiu tudo sozinho.

AMARGOU A RELAÇÃO

Deputados federais do PSL pedem a destituição da Executiva em SC

Já o deputado estadual Ricardo Alba, o mais votado nas eleições de outubro, divulgou "nota de apoio" a Lucas Esmeraldino, classificando de "tentativa de golpe" o documento dos federais pedindo a cabeça do presidente. "Eles querem é o poder estadual", assinalou. A nota foi assinada pelos seis deputados estaduais. O deputado Felipe Estevão, contudo, disse que não foi consultado com a solidariedade a Esmeraldino e que a nota não tem sua assinatura.

Ainda em Brasilia, o líder da bancada do PSL na Câmara Federal, deputado delegado Waldir, manifestou "apoio integral" a seus colegas que exigem a destituição da executiva.

Nas redes sociais o tiroteio é grande. De um lado, os que condenam as ações de Lucas Esmeraldino, citando até manobras políticas com a participação de seu irmão, o empresário Cristiano Esmeraldino. De outro, os que condenam os deputados federais, solidários com o presidente.

Lucas Esmeraldino não se manifestou sobre a crise em seu partido. A assessoria informou que escolherá a melhor hora para se pronunciar.
Herculano
11/01/2019 06:15
da série: uma descoberta óbvia e tardia. Isto vale não apenas para o novo governo Federal, como principalmente para o estadual, e os do modelo antigo que relegaram esta tarefa para curiosos, parentes e protegidos partidariamente. Gaspar é um deles, e sofre quando não compra o veículo. Ilhota, até deu função nova ao assessor de imprensa: espião do prefeito nas secretarias de governo e se deu mal

USO DE REDES POR BOLSONARO NÃO BASTA NO GOVERNO, DIZEM ASSESSORES

Para ex-secretários de Comunicação e porta-vozes, métodos da eleição têm de ser mudados

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fábio Zanini. Jair Bolsonaro saiu das urnas com o status de ter revolucionado a comunicação política. Presidente, só tem tido dores de cabeça na área.

O que aconteceu? Na avaliação de ex-assessores presidenciais, é simples: adaptando a máxima futebolística de que treino é treino e jogo é jogo, campanha é campanha, governo é governo. A comunicação de um momento não serve para o outro.

A Folha ouviu seis ex-porta-vozes e secretários de Comunicação, dos governos José Sarney (1985-90), Fernando Collor (1990-92), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Lula (2003-10), Dilma Rousseff (2011-16) e Michel Temer (2016-18).

Todos elogiam o caráter inovador do uso de redes sociais por Bolsonaro, mas acreditam que, para governar, é preciso mais do que uma overdose de tuítes.

"Na campanha, o candidato joga sozinho, é bola no centroavante. Governo se faz em equipe", diz Thomas Traumann, ex-secretário de Comunicação de Dilma.

Bolsonaro passou a campanha sem assessor de imprensa, o que tem repetido no Palácio. Também dispensou porta-voz, embora diga que nomeará alguém para a área.

A descoordenação ficou patente no quarto dia de governo, quando o presidente anunciou aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e mudanças no Imposto de Renda. Acabou sendo contraditado por subordinados.

"Um bom porta-voz não teria deixado isso durar 15 minutos. Teria ligado para repórteres unificando o discurso. Mas a nuvem sobre o que o governo pretendia fazer durou horas", diz Traumann.

O ambiente em que Bolsonaro deu as declarações é o chamado "quebra-queixo", uma entrevista improvisada e algo caótica, geralmente após um evento aberto.

Ricardo Kotscho, secretário de Imprensa de Lula, tinha horror a esses momentos. "Quebra-queixo é um perigo. Às vezes o presidente nem ouve a pergunta direito. Eu tomava o maior cuidado com o Lula", lembra.

Na era do petista, as redes sociais ainda estavam longe da relevância de hoje, mas ele também tinha um estilo de comunicação direta, por meio de discursos longos, numerosos e imprevisíveis.

"Lula discursava duas ou três vezes por dia. Ele improvisava muito. Depois, cabia a mim explicar, interpretar e conversar com a imprensa", diz Kotscho.

Nisso, ele tinha uma vantagem: amigo próximo de Lula, sabia exatamente o que o chefe queria dizer e tinha liberdade total com ele. "Eu podia falar para o Lula coisas que outros ministros não podiam".

Claudio Humberto, que assessorou Collor, é do time dos entusiastas da comunicação do presidente na campanha. "Bolsonaro é intuitivo na comunicação. Esse 'zero-dois' filho dele é um gênio", diz, em referência a Carlos, que cuidou das redes sociais do pai.

Secretário de Comunicação de um presidente que se notabilizou pelos conflitos com a imprensa, ele vê paralelos com o atual cenário.

"O ressentimento de Bolsonaro com a imprensa é semelhante ao que tinha o Collor, pelo comportamento de parte dela durante a campanha. O Collor chegou a ser saudado por repórteres cantando Lula-lá [jingle do petista]", diz Cláudio Humberto.

Bolsonaro, segundo ele, tem um comportamento paradoxal quanto ao jornalismo. "Para alguém que pretende ignorar a mídia, ele se importa demais com o que ela diz".

Se Collor era magoado com jornalistas, Sarney era o oposto, lembra seu secretário de Imprensa, Fernando César Mesquita. "O presidente Sarney era paciente. Engolia sapo, barata, escorpião..."

No primeiro governo pós-ditadura, havia uma demanda reprimida por informação, e Mesquita comandava uma estrutura condizente com esse interesse crescente.

Ele mesmo era porta-voz para assuntos nacionais e tinha dois auxiliares: um apenas para temas econômicos e outro para questões internacionais. Dava dois briefings para a imprensa por dia, um de manhã, outro à tarde.

Preservava ao máximo o presidente e baixou uma ordem: ministro só falava sobre sua área específica. "Alguns no governo me chamavam de diabinho do Planalto", diz.

Para ele, o problema de Bolsonaro é falar demais. "Mídia social é importante, mas ele tem de saber a hora de usar."

Ter um porta-voz, segundo Mesquita, é importante, até para absorver parte do desgaste do governo. "Quando o porta-voz fala uma besteira, o presidente pode ir lá falar que ele é um idiota", diz.

Durante seus oito anos no Planalto, FHC recorreu a diplomatas para serem seus porta-vozes.
Um deles, o embaixador Georges Lamazière, é um entusiasta do modelo tradicional de comunicação presidencial.

"A monotonia dos briefings diários e dos comunicados de imprensa permite ao governo transmitir melhor o que acha importante do que vários quebra-queixos simultâneos de múltiplas autoridades. O tédio é preferível à confusão", diz.

Para ele, não se deve superestimar, no entanto, o poder de um porta-voz no bom funcionamento de um governo.

"A mera criação do cargo de porta-voz e a nomeação de alguém com boas qualidades para exercê-lo não evita a cacofonia, se num governo ministros pensam diferente e falam sem coordenação prévia, sem sintonia", diz.

Recém-saído do cargo, Márcio Freitas, ex-secretário de Imprensa de Temer, ocupou a cadeira num período em que houve um salto no uso de redes sociais e a proliferação de fake news.

Para ele, o uso das redes por Bolsonaro convida a uma aposta no conflito como estratégia para manter a base política coesa. "A comunicação direta exige permanentemente a criação de fatos e de conflitos. É preciso manter ordem unida", afirma.

A estratégia pode dar certo, na visão de Freitas, mas embute um risco, como o passado recente mostrou.
"Isso pode funcionar, ele [Bolsonaro] pode até ser reeleito. Mas será sempre na base do conflito. O PT fez isso e depois pagou um preço".

Uma estratégia de comunicação completa, diz o ex-assessor de Temer, conjuga o novo e o tradicional.
"Comunicação direta é mais rápida, você não privilegia nenhum veículo, ganha em agilidade. Mas a mídia tradicional está estabelecida. Não é o caso de romper com o modelo anterior, eles podem coexistir", afirma.

DEZ CONSELHOS DE EX-ASSESSORES DE COMUNICAÇÃO
1 - Campanha é campanha, governo é governo (e vice-versa); a comunicação de um momento não serve para o outro

2 - Cuidado com as entrevistas improvisadas, os chamados "quebra-queixos"; cercado por repórteres, é quando o presidente está mais propenso a cometer deslizes

3 - Recuos e bateção de cabeça são normais num governo; o que não pode ocorrer é a confusão prosperar por horas e se transformar numa crise

4 - A proximidade do assessor de comunicação com o presidente é fundamental; é preciso ter liberdade para entrar na sala dele sem ser anunciado

5 - Também é essencial conhecer a cabeça do presidente e saber de a A a Z o que ele pensa sobre tudo

6 - Redes sociais são indispensáveis, mas não se pode cair no erro de ignorar a mídia tradicional, que segue influenciando a agenda política

7 - Presidentes são seres indomáveis, que fazem o que querem, saem do script e ignoram discursos preparados; é preciso estar pronto para mudar todo o planejamento e o discurso oficial de uma hora para a outra

8 - Ministro só deve falar sobre sua área de atuação; invadir a competência alheia gera ciumeira e ruído

9 - Porta-voz não serve apenas para portar a voz, mas também para antecipar problemas e uniformizar o discurso do governo; e para apanhar em nome do presidente e servir de bode expiatório, caso seja necessário

10 - Não deixe o presidente agir com o fígado contra a imprensa; romper relações com algum órgão ou jornalista, só em último caso
Herculano
11/01/2019 06:01
ILHOTA EM CHAMAS. PREFEITO NÃO RESISTE ÀS PRESSõES E UM DIA VOLTA EM SETE DAS DEZ DEMISSõES QUE FEZ

Na coluna de quarta-feira, eu publiquei esta três notas no Trapiche:

Ilhota em chamas I. O prefeito Érico de Oliveira, MDB, começou a fazer a limpa no pessoal do partido na prefeitura de Ilhota e oriundo de Luiz Alves. É que lá o deputado Federal Rogério Peninha Mendonça, MDB, eleito na rabeira do MDB com 76.925 votos e candidato de Érico, foi apenas o 11º mais votado, com 181 votos. Em Ilhota ele "lavou" a égua.

Ilhota em chamas II. Só para comparar: o mais votado em Luiz Alves e que não se elegeu, foi César Souza Júnior, PSD, com 1035 votos. No próprio MDB Carlos Chiodini, eleito, Celso Maldaner, eleito e Ericson Henrique Luef, não eleitos, receberam mais votos do que Peninha, respectivamente, 692, 198 e 192 votos.

Ilhota em chamas III. Foram para a marca do penalti em portarias sequenciadas de um a dez de 2019, Diogo Wagner, secretário de transportes; Silvana Simon, chefe de divisão; Ariane Silva, chefe de divisão; Yasmin Laís Merlini, diretora de divisão; Clóvis Hostins, coordenador de contabilidade de recrutamento amplo; Kamila Azevedo, chefe de divisão; Sidney Agostinho, diretor de departamento. Luciana Aparecida Gonçalves da Silva, diretor de departamento; Jéssica Taina Batista, chefe de divisão e Rosimar Terezinha Rodrigues, chefe de divisão.

Volto com a nova notícia.

Ilhota em chamas V. Surpreendentemente, o prefeito Érico, no dia seguinte mandou publicar no Diário Oficial dos Municípios a revogação de sete, dessas dez portarias, incluindo a do secretário de Transportes. Foram revogadas as portarias 01,02,03,06,07, 09 e 10 deste ano.

Ilhota em chamas VI. Em outras, três, não só manteve os funcionários como os nomeou para funções assemelhadas. Luciana Aparecida Gonçalves da Silva é agora comissionada como chefe de divisão; Clóvis Hostins, Diretor de Departamento e Yasmim Laís Merlin, chefe de divisão.

Ilhota em chamas VII. A pressão dos grupos de ocupação do MDB na prefeitura foi determinante. Feito o balanço, estava claro que os demitidos podiam causar mais prejuízos para vida política e administrativa do poder de plantão fora do governo.
Miguel José Teixeira
10/01/2019 21:30
Meu Nobre Herculano,

Pelo que que já li em suas Colunas, percebo que você iniciou 2019 mais arrojado ainda.

Já replicasses a frase do ano:

"As universidades são ótimas prisões pra que os intelectuais não venham cá pra fora fazer merda"
(De João Pereira Coutinho, escritor e sociólogo português).

Imaginem, Senhores, o que essas universidadezinhas públicas, portanto, mantidas com o suor nosso de cada dia, que deram o título de "doutor honoris causa" ao custodiado lula da silva, produzem???

Seguramente, produzem "vermelhóides esquerdopatas", que geram parasitas esquerdopatas elevados à enézima potência. . .

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