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MDB e PP loteiam Gaspar para candidatos de outras regiões e enfraquecem o próprio poder político que lhes sustentam aqui - Jornal Cruzeiro do Vale

MDB e PP loteiam Gaspar para candidatos de outras regiões e enfraquecem o próprio poder político que lhes sustentam aqui

20/09/2018

Os paraquedistas I

Os cabos eleitorais de todos os tipos e partidos, e até candidatos, estão fulos comigo e com esta coluna do jornal, o de maior circulação em Gaspar e Ilhota, líder de acessos no portal que é o mais antigo, mais atualizado, acessado e acreditado daqui; o que investe em inovações para servir seus leitores e leitoras. E por que? Eu não estou promovendo esses políticos nas suas virtudes que dizem possuir para representar Gaspar. Ao invés de um projeto regional e até suprapartidário a partir de Gaspar, a maioria dos nossos políticos se dividiram para medir forças entre si com seus paraquedistas. Um atraso. Os candidatos vêm de bem longe. Enfraquece-se os daqui e da região. Aliás, essa sina de vingança e divisão dos gasparenses foi inaugurada pelo PT quando Pedro Inácio Bornhausen, PP, o genuíno da terra, quase se elegeu deputado estadual, depois do fenômeno Francisco Mastella, PDC – que tinha domicílio eleitoral aqui.

Os paraquedistas II

O pior dos exemplos começa pelo poder de plantão: o MDB e PP. Ele precisaria, em tese, de canais institucionais fortes de representação no parlamento – Brasília e principalmente Florianópolis - identificados com as causas regionais daqui. Alguns do poder de plantão de Gaspar nem partidos parecem ter, mas apenas à obediência às suas igrejas evangélicas. São fatos e atos que os alimentam no imediatismo do presente, mas os enfraquecem politicamente no futuro. Renovação? Praticamente nula. Um grupo do MDB de Gaspar (o presidente em exercício Walter Morello, Ivete Mafra Hammes e Francisco Hostins Junior) vai repetir à busca de votos para a já deputada Dirce Heidersheidt, de Palhoça, na Grande Florianópolis; Evandro Carlos Andrietti, trabalha pela reeleição de Adda Faraco de Lucca, de Criciúma; Ciro André Quintino vai rebolar com o novato Jerry Comper, de Ibirama, este ano menos do Vale; Francisco Solano Anhaia e o presidente licenciado do partido, Carlos Roberto Pereira, estão trabalhando para a reeleição Luiz Fernando Vampiro, também de Criciúma; já Roni Muller, que cuida das verbas das obras comunitárias, ou seja, possui poder de trocas, vai abrir espaço para o vereador de Joinville, Rodrigo Fachini.

Os paraquedistas III

Vão faltar votos para o poder de plantão e principalmente ao MDB e que necessariamente precisaria se identificar com alguém, ao menos, próximo do médio Vale do Itajaí, onde Gaspar está inserida. Gaspar precisaria um conhecedor que vive os problemas daqui. Pelas escolhas do MDB e PP, Gaspar deveria estar no Sul do Estado, Florianópolis ou Joinville. E desta autofagia, quem ganhar os minguados votos aqui, proporcionalmente em relação a outros municípios onde estão à base desses candidatos, se eleitos, não se acharão representantes de Gaspar até a próxima eleição, quando virão todos com os mesmos ou novos cabos eleitorais, para serem paraquedistas, passarem à lábia e obterem os minguados votos, os quais na somatória geral lhes ajudam. Na aliança do poder de plantão em Gaspar do MDB, o PP, do vice Luiz Carlos Spengler Filho não difere muito. Ele vai com a reeleição de João Amin, de Florianópolis e o presidente do Samae, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, com a reeleição José Milton Schaffer, de Tubarão. Alguma dúvida da estratégia contra a cidade e os cidadãos, além da desculpa de que estamos numa democracia e nela todos somos livres para as escolhas? Como faz falta o voto distrital, mesmo que misto.

Os paraquedistas IV

E o prefeito Kleber, o evangélico? Apesar de ter estado sempre no MDB, tenta esconder a articulação que faz com a família e um grupo fechado pela reeleição Ismael dos Santos, PSD – este identificado com o Vale, mas é do PSD, vejam só, que é oposição ferrenha a Kleber em Gaspar. Para não fugir ao compromisso religioso, Kleber vai a Federal com Jovino Cardoso, PROS, vereador de Blumenau. É que à Câmara Federal, o MDB de Gaspar e com a palavra de Kleber, majoritariamente, fechou com Rogério Peninha Mendonça, de Ibirama, que não apoia o Henrique Meirelles, MDB para a presidência. E assim que o mundo dos políticos conspira contra Gaspar e eles próprios. Há outras duas dezenas de candidatos vampirando votos aqui, por outros partidos e cabos eleitorais, e de regiões bem distantes. Todavia, vou praticamente parar por aqui. O espaço seria insuficiente para nominá-los.

Os paraquedistas V

Em Gaspar, contudo, há pelo menos dois candidatos da terra para esta eleição: Pedro Celso Zuchi, PT, à estadual, com grandes chances pelo esquemão da família Lima, o mesmo que não deixou Pedro Bornhausen se criar, e também Marcelo de Souza Brick, PSD, para Federal, o que fez da política, uma carreira, interrompida com a derrota para a eleição para prefeito em 2016. E os exemplos de divisão e incoerências estão em todos os partidos daqui. Abro um parêntesis para mostra o do PSDB. O partido não está no governo Kleber e o resultado das urnas mostrou que ele deveria ser oposição. O diretório presidido por Andreia Symone Zimmerman Nagel fechou com Sylvio Zimmermann, vereador em Blumenau e cuja família é originária do bairro Coloninha, aqui em Gaspar para deputado estadual. A vereadora Franciele Daiane Back, do PSDB, que está fechada com o governo de Kleber, fez outra escolha para deixar a sua marca nessa divisão de terreno: o vereador de Pomerode, Rafael Pfuetzenreiter, num projeto de retomada de poder de lá, minguado com os escândalos de Gilmar Knaesel, PSDB, e João Alberto Pizzolatti Junior, PP. Menos mal, que não é ninguém do Norte, da Serra, da Grande Florianópolis, Oeste ou do Sul. E Gaspar? Dane-se. É por isso e outras, que não fico papagaiando aqui as virtudes de candidatos que não possuem a mínima identificação com Gaspar e principalmente o Médio Vale, onde Gaspar está inserido com parte da região metropolitana e seus problemas cada vez mais graves e metropolitanos. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Ouvi, e não sei precisar de quem é esta frase: “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”.

As pesquisas não deixam mais muitas dúvidas. Jair Bolsonaro, PSL, e Fernando Haddad, PT, estarão no segundo turno. Dias sombrios virão com a vitória de qualquer um dos dois.

É incompreensível, como o brasileiro pode errar tanto, a tal ponto de votar num poste – outra vez, como fez com Dilma que desempregou 13 milhões de trabalhadores, quebrou a economia, aumentou a inflação a dois dígitos, permitiu uma roubalheira sem fim na Petrobrás – numa campanha dirigida de dentro da cadeia por um réu condenado, em segunda instância e por vários crimes.

O PT é, ao que parece e de fato, uma seita ou uma organização criminosa. De partido político, só a fachada para lhe dar legalidade ao que se aparenta ilegal, afrontando permanentemente as instituições, principalmente a Justiça e às leis. E os eleitores e eleitoras – de um modo geral - são uns fanáticos, analfabetos, ignorantes, desinformados e gostam de se auto-punirem e aos neutros.

Ilhota em chamas I - Já está concluso o inquérito e por ele, a promotora Andreza Borinelli, que na Comarca cuida da Probidade e Moralidade Pública, decidiu que vai ajuizar uma Ação Civil Pública contra o Município, o Ilhotaprev e a Câmara de Ilhota.

Ilhota em chamar II – A ação é para sanar as irregularidades cometidas pelo prefeito Érico de Oliveira, MDB, com amparo da sua maioria na Câmara, no Instituto de Previdência de Ilhota. Esta coluna antecipou o assunto que os do poder de plantão de Ilhota diziam ser “fake news” e perseguição técnico-política do advogado Aurélio Marcos de Souza.

Ilhota em chamas III – Só falta agora, essa turma afirmar que se trata de perseguição da polícia que apurou os fatos e do Ministério Público que enxergou as irregularidades depois do inquérito.

 

Edição:1869

Comentários

Herculano
23/09/2018 20:32
CONGRESSO FECHADO

Da economista Mônica de Bolle, que já declarou apoio a Ciro Gomes, PDT, no twitter.

Em 1993, disse Jair Bolsonaro para o @nytimes:

"A cirurgia política envolveria o fechamento do Congresso por tempo determinado para que o presidente pudesse governar por decreto".

À la Fujimori.
Herculano
23/09/2018 20:29
UM RETRATO

De Eliane Cantanhede, do jornal O Estado de S. Paulo, no twitter

Dois Brasis: direita sólida no Sul e no Centro-Oeste, esquerda reinando no Nordeste.
Herculano
23/09/2018 20:26
O RóTULO

De Felipe Moura Brasil, no twitter:

Campeão olímpico e mundial de vôlei, Gustavo Endres, nascido no RS, cobra opinião do candidato ao governo do estado, Jairo Jorge, do PDT de Ciro Gomes, sobre Ciro ter dito que discurso nazista é forte no Sul. Tiago Splitter, catarinense campeão da NBA, retuitou. Atletas atentos.
Pedro S. Rodrigues
23/09/2018 19:19
Caso realmente se concretize o que o Sr. Léo nos escreveu, só tenho a dizer que é lamentável, pois um empréstimo deste montante de R$ 60 milhões deveria ser tratado com mais seriedade. Como munícipe e contribuinte não sou contra o financiamento, mas é preciso cautela, discussão e verificar minuciosamente a sua efetiva destinação.

Espero que a Câmara solicite mais dados para poder votar, pois a informação que obtive é que o Governo não possui nenhum projeto de engenharia destas obras que pretender realizar. É preciso ficar alerta, o que a prefeitura possui são meros croquis, imagens e idéias, não possuindo nenhum quantitativo e orçamento detalhado das obras elaborados por engenheiros. O minimo que se espera é que a Câmara solicite os devidos projetos básicos de engenharia dessas obras com o orçamento detalhado, desapropriações previstas ou de outra forma autorização formal dos proprietários, e os devidos estudos e comprovações de viabilidade econômica.

Caso contrário ao aprovar estes financiamentos estarão assinando um cheque em branco para que o Governo utilize da forma que deseje, e sem garantia nenhuma aos munícipes que estes recursos serão suficientes para viabilizar e concluir todas as obras mencionadas.

O tramite de forma geral me parece torto, ao planejar alguma obra ou reforma em nossa casa por exemplo, realizamos um estudo, projetos quando se tratam de intervenções maiores e principalmente orçamentos detalhados, para então viabilizar o recurso que será necessário para transformar aquele sonho em realidade, sendo este também um processo comum adotado nas empresas bem administradas. Ninguém em sã consciência realiza um financiamento para depois verificar se este é suficiente para aquilo que havia sido minimamente sonhado e torcer para que a obra não fique inacabada.

Para finalizar vi nas redes sociais que na segunda-feira a Prefeitura irá apresentar este pacote de investimentos no Alvorada, solicito o apoio da imprensa para tirar essa informação a limpo, e mostrar mais uma vez que o Governo ainda não acordou para a realidade, pois nem os projetos de engenharia destas obras possui.
LEO
23/09/2018 16:28
OLHA S?" SEU HERCULANO .NA SEÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES DA PR?"XIMA TERÇA FEIRA.VAI SER VOTADO UM PEDIDO DE SEÇÃO EXTRAORDINÁRIA PARA O DIA 26/09/2018.PARA VOTAÇÃO DO PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO DA CÂMARA DE VEREAD,PARA O MUNICÍPIO PODER PEGAR UM EMPRÉSTIMO DE 60 MILHÕES.O MAIS ENGRAÇADO QUE TEM VEREADOR DA OPOSIÇÃO.QUE N?"S ÚLTIMOS DIAS, JÁ FOI MAIS VEZES FALAR COM O KLEBER E O PREFEITO DE FATO.DO QUE OS VEREADORES QUE APOIAM O GOVERNO.DIA 26/09 NA SEÇÃO EXTRAORDINÁRIA, VAMOS VER
VEREADOR DA OPOSIÇÃO SAINDO EM DEFESA DO GOVERNO MUNICIPAL.VAI DAR PARA RIR.
Herculano
23/09/2018 16:04
NÃO TEM JEITO. É EVIDENTE A DESCRIMINAÇÃO DE CIRO

Ao associar o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, PSL, às práticas nazistas, um vídeo feito neste final de semana e que corre as redes sociais, mostra o candidato Ciro Gomes, PDT, nascido no interior de São Paulo e identificado com o Ceará, no nordeste, afirmando que esta ideia vem e domina o Sul do país. Ai, ai, ai.

O ato de campanha em João Câmara, no Rio Grande do Norte, na noite deste sábado, Ciro que é professor universitário disse literalmente isso aos que o assistiam:que no Sul "é muito forte o discurso nazista". Xenofobia? Mentira? Se não for, mostra o despreparo, ou oportunismo para ludibriar analfabetos, ignorantes e desinformados.

No vale tudo na campanha eleitoral, pela preferência das pesquisas, pode-se então afirmar e por oportunidade de discurso aos analfabetos, ignorantes e desinformados de outras regiões de que os nordestinos são comunistas por darem majoritariamente no jogo democrático, votos aos da esquerda do atraso como o PDT do próprio Ciro, PT e PCdoB de Lula, Haddad e sua vice.
Miguel José Teixeira
23/09/2018 11:04
Senhores,

Definitivamente os tucanos perderam o bonde da história. E ainda arrastam para o brejo, a excelente Senadora Ana Amélia.
Atrelados a nau dos corruPTos, assim como o MDB o PP e outros penduricalhos, agarram-se, por necessidade de sobrevivência, ao projeto de um preposto de presidiário.
Pelo navegar desta nau, a sede do governo federal será, a partir de 2019, em Curitiba. . .

Parece-me que já perdemos a peleja!
Herculano
23/09/2018 07:43
QUEM DERA ISSO FOSSE PARTE DE ALGUM FENôMENO GLOBAL, por Gregório Duvivier, ator, escritor e humorista, para o jornal Folha de S. Paulo

Há indícios de que o nosso fascismo foi produzido no Brasil mesmo

?O fascismo tá na moda no mundo todo, dizem os analistas de tendências, atribuindo o crescimento de Bolsonaro a um fenômeno global. Acho que existe um certo ufanismo nessa análise. Nenhuma moda chega no Brasil assim tão rápido. Esses analistas não perdem a mania de querer participar de algum fenômeno global.

Se tá rolando lá fora, no Brasil deve chegar daqui a uns trinta anos. Tem um delay. Foi assim com as calças skinny e o cavalão da Ralph Lauren. Com o fascismo não teria por que ser diferente.

A abolição da escravatura, por exemplo, chegou com um atraso de décadas, quando lá fora já era "tããão 1863". A independência já chegou por aqui caquética, cansada da viagem e atordoada com o fuso horário. A república só veio atracar por aqui depois que já tinha dado errado no mundo inteiro.

Esse fascismo recém-chegado não deve ser o mesmo do Trump, por uma questão de logística: ele ainda tem que conseguir visto, vacina pra febre amarela, pegar uma baldeação no Panamá, extraviar as malas. Demora.

Tenho indícios que nosso fascismo foi produzido por aqui mesmo. Por uma razão: ninguém no mundo tem nossa capacidade criativa.

Bolsonaro diz que não confia na urna eletrônica mas já foi eleito cinco vezes por ela mas diz que é contra tudo o que tá aí mas já foi filiado a oito partidos diferentes mas é o candidato do novo mas diz que quer estado mínimo mas foi funcionário público a vida toda e capitão do Exército mas o vice é general do mesmo Exército o que faz do candidato um subalterno do próprio vice, enfim, nada faz sentido. Igualzinho o resto do país.

Tudo indica que esse fascismo é nosso, como as jabuticabas, o Gurgel e a esposa do Matthew McConaughey. Viva o nosso fascismo, que faz tanto sentido quanto os outros, só que não paga roaming de dados e dá pra consumir sem pagar IOF.
Herculano
23/09/2018 07:02
STF X LAVA JATO: TOFFOLI TENTA SILENCIAR DALLAGNOL, por Josias de Souza

Em sua primeira entrevista como presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli soou enfático: "O STF sempre deu suporte à Lava Jato, vamos parar com essa lenda urbana, com esse folclore", declarou. O procurador da República Deltan Dallagnol protocolou na Corregedoria Nacional do Ministério Público um documento que contradiz Toffoli. Ele relaciona dezenas de decisões anti-Lava Jato tomadas pela Segunda Turma do Supremo. São deliberações reais, não fantasiosas ou folclóricas.

Coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Dallagnol produziu o documento, suprema ironia, em resposta a um procedimento disciplinar aberto contra ele a pedido de Toffoli. Enumerou 27 decisões da Segunda Turma contra a Lava Jato. Entre elas 16 liberações de presos, quatro rejeições de denúncias e cinco remessas de processos para a Justiça Eleitoral ou outras jurisdições. Listou também decisões monocráticas (individuais) dos ministros, com especial realce para 47 habeas corpus concedimentos por Gilmar Mendes para libertar presos.

Sem alarde, a reclamação disciplinar contra Dallagnol começou a tramitar na corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em 17 de agosto, exatamente um mês antes do encontro de Toffoli com os repórteres, na última segunda-feira (17). A peça com a defesa do procurador foi entregue há dez dias, em 13 de setembro, a mesma data em que Toffoli assumiu o comando do Supremo, no lugar de Cármen Lúcia.

O embate entre o ministro e o procurador foi motivado por uma entrevista do chefe da Lava Jato à rádio CBN, em 15 de agosto. Nela, Dallagnol criticou a decisão da Segunda Turma que transferiu do juiz Sérgio Moro para a Justiça Eleitoral em Brasília processo contra o ex-ministro petista Guido Mantega. O caso foi relatado por Toffoli. Envolve a troca de medidas provisórias por propina de R$ 50 milhões da Odebrecht. Parte da verba suja remunerou João Santana e sua mulher Monica Moura, o casal do marketing das campanhas petistas.

Na entrevista, Dallagnol lamentou o fato e a decisão ter sido tomada por 3 votos a 1. Referindo-se a Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o trio anti-Lava Jato da Segunda Turma, o procurador emendou: "Os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha assim, que manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção".

Dallagnol teve o cuidado de enfatizar: "Não estou dizendo que [os ministros] estão mal-intencionados nem nada". Contudo, ele deixou seu ponto de vista bastante claro: "Estou dizendo que, objetivamente, a mensagem que as decisões mandam é de leniência. E esses três de novo olham e querem mandar para a Justiça Eleitoral como se não tivesse indicativo de crime? Isso para mim é descabido."

Um dia depois da entrevista de Dallagnol, Toffoli reuniu-se com o corregedor do CNMP, Orlando Rochadel Moreira. Solicitou providências contra o procurador. Acusa-o de falta de decoro e de violação do dever funcional de manter uma conduta respeitosa à dignidade da instituição que representa e da Justiça.

Num procedimento inusitado, a ação disciplinar contra o chefe da Lava Jato foi inaugurada a partir da troca de um par de mensagens de WhatsApp. Numa, Toffoli enviou ao corregedor o link com a notícia sobre as declarações de Dallagnol. Noutra o doutor Orlando Rochadel acusou o recebimento da queixa e comprometeu-se a adotar as "providências pertinentes." E Toffoli: "Grato".

Dallagnol enxerga na providência uma tentativa de censurá-lo. Sustenta em sua defesa que não fez senão exercitar a liberdade de expressão."Procuradores e promotores não são meio-cidadãos", escreveu. "Têm direito legítimo a realizar críticas, mesmo ácidas e contundentes, contra decisões judiciais." O procurador avalia que é parte de sua obrigação funcional a "prestação de contas de seu trabalho para a sociedade." Isso inclui "avaliar criticamente o significado de decisões judiciais."

De resto, o procurador teve a preocupação de demonstrar que não disse inverdades na entrevista que aborreceu Toffoli. Daí ter empilhado as decisões prejudiciais à Lava Jato. Fez mais: comparou o refresco servido pela Segunda Turma aos corruptos com o tratamento draconiano dispensado a réus que cometeram crimes mais brandos. Quem atravessa a peça do procurador do primeiro parágrafo ao ponto final emerge da leitura com a impressão de que a "lenda urbana" de que falou Toffoli inclui um conjunto de decisões desconexas que, reunidas num mesmo documento, emitem "uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção".

Dallagnol citou o julgamento em que a Segunda Turma decidiu libertar José Dirceu por 3 votos a 2. Reproduziu trechos dos votos divergentes de Edson Fachin e Celso de Mello para demonstrar que havia sólidas razões para manter o ex-chefão da Casa Civil de Lula atrás das grades. O procurador comparou a decisão que beneficiou Dirceu a outras deliberações da mesma Turma. O resultado do cotejo exala incoerência.

Por exemplo: o ex-prefeito da cidade de Redenção do Gurgueia (PI), Delano Parente, foi acusado dos mesmos crimes atribuídos a Dirceu: corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mas teve o habeas corpus negado pela Segunda Turma. Alegou-se que a prisão tinha sido baseada na prática habitual e reiterada dos crimes. Exatamente o mesmo argumento usado para encarcerar o ex-ministro petista. Delano desviara R$ 17 milhões. Dirceu, R$ 19 milhões, noves fora o mensalão.

Há coisa pior: preso há mais de dois anos, Thiago Maurício Sá Pereira, conhecido como Thiago Poeta, teve um pedido de habeas corpus negado pela Segunda Turma em março. Acusado de traficar drogas, foi preso com 162 gramas de cocaína e 10 gramas de maconha. Sua pena foi menor que a de Dirceu: 17 anos e 6 meses, contra 30 anos. Mas os ministros não tiveram com o "Poeta" a complacência dedicada a Dirceu.

Não é só: réu primário, Alef Gustavo Silva Saraiva foi flagrado com menos de 150 gramas de cocaína e maconha. Depois de passar quase um ano na cadeia, pediu um habeas corpus ao Supremo. Num julgamento ocorrido em dezembro de 2016, a prisão foi mantida por 4 votos. Gilmar Mendes ausentou-se.

Ricardo Lewandowski, adepto da política de celas abertas para réus graúdos, disse o seguinte sobre o caso de Alef: "..Há farta jurisprudência desta Corte, em ambas as Turmas, no sentido de que a gravidade in concreto do delito ante o modus operandi empregado e a quantidade de droga apreendida - no caso, 130 invólucros plásticos e 59 microtubos de cocaína, pesando um total de 87,90 gramas, e 3 invólucros plásticos de maconha, pesando um total de 44,10 gramas (apreendidas juntamente com anotações referentes ao tráfico e certa quantia em dinheiro), permitem concluir pela periculosidade social do paciente e pela consequente presença dos requisitos autorizadores da prisão cautelar elencados no art. 312 do CPP, em especial para garantia da ordem pública."

E Dallagnol: "Diz-se que o tráfico de drogas gera mortes indiretas. Ora, a corrupção também. A grande corrupção e o tráfico matam igualmente. Enquanto o tráfico se associa à violência barulhenta, a corrupção mata pela falta de remédios, por buracos em estradas e pela pobreza. Enquanto o tráfico ocupa territórios, a corrupção ocupa o poder e captura o Estado, disfarçando-se de uma capa de falsa legitimidade para lesar aqueles de quem deveria cuidar. A mudança do cenário, dos morros para gabinetes requintados, não muda a realidade sangrenta da corrupção. Gostaria de poder entender o tratamento diferenciado que recebeu José Dirceu..."

O coordenador da Lava Jato mencionou também os casos de encrencados no petrolão que continuam atrás das grades. Receia que todos acabem ganhando o meio-fio: "Na Lava Jato, os políticos Pedro Correa, André Vargase Luiz Argolo estão presos desde abril de 2015, assim como João Vaccari Neto. Marcelo Odebrecht, desde junho de 2015. Os ex-diretores da Petrobras Renato Duquee Jorge Zelada,desde março e julho de 2015. Todos há mais tempo do que José Dirceu."

As comparações tornam-se mais grotescas quando incluem réus humildes. Dallagnol reproduziu artigo publicado há três meses pelo procurador regional da República José Augusto Vagos em O Globo. O texto trata de exceções abertas no Supremo à regras prevista na súmula 691, que veda a concessão do chamado "habeas corpus canguru" (contra indeferimento de liminar na instância inferior). O tratamento excepcional beneficia os graúdos da corrupção, nunca a arraia-miúda.

Eis um trecho do texto do procurador: "...A Defensoria Pública de São Paulo impetrou no STF o HC 157.704, para obter a liberdade de Valdemiro Firmino, acusado de ter roubado R$ 140,00, em 2013. Alegava a Defensoria razões humanitárias: Valdemiro é cego, HIV positivo e sofria de ataques de convulsão na unidade prisional. O relator, ministro Gilmar Mendes, foi rigoroso. A liminar foi indeferida no último dia 4: 'Na hipótese dos autos, não vislumbro nenhuma dessas situações ensejadoras do afastamento da incidência da Súmula 691 do STF.'"

O texto prossegue: "Nesse dia, a mesma caneta conferiu maior sorte a quatro acusados na Operação Câmbio, Desligo, que desvendou um esquema de lavagem de dinheiro de US$ 1,6 bilhão. Outros 17 acusados em operações da Lava-Jato no Rio de Janeiro mereceram a mesma deferência entre maio e junho deste ano. Ao contrário do Valdemiro, todos esses réus foram beneficiados por liminares que devolveram as suas liberdades sem que fosse preciso esperar o julgamento definitivo dos HCs que impetraram no TRF-2 e no STJ. Alguns desses HCs sequer chegaram a passar por essas instâncias."

Noutra passagem, o procurador escreveu: "Em junho deste ano, o ministro Dias Toffoli negou habeas corpus que objetivava reconhecer insignificância a um morador de rua alcoólatra que furtou uma bermuda de R$ 10,00, que foi devolvida à loja (HC 143921). [...] Um mês antes, o mesmo ministro manteve na prisão um homem acusado de ter furtado sacas de café, cujo valor era de R$ 81,00, as quais foram mais tarde devolvidas. Do mesmo modo, o ministro Lewandowski, há 8 anos, negou habeas corpus para um acusado de furtar objetos que, no conjunto, valiam R$ 202,00."

O conjunto da obra da Segunda Turma deixa a "lenda" mencionada por Toffoli aos jornalistas muito parecida com um conto da carochinha. A dúvida é se o cardápio de decisões da Segundona compõe ou não uma conspiração contra o esforço anticorrupção. As evidências indicam que sim. Falta apenas um crachá. As orelhas, o focinho e os dentes são de lobo. Mas Toffoli deseja que o coordenador da força-tarefa de Curitiba diga em suas entrevistas que se trata de uma inocente vovozinha disfarçada.
Herculano
23/09/2018 06:47
LULA JÁ PERDEU MAIS DE 100 RECURSOS NA JUSTIÇA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Petista que cumpre 12 anos de pena por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula já perdeu mais de 100 recursos na Justiça, dentro dos quatro processos a que responde, incluindo o processo na Justiça Eleitoral que pretendia registrar a candidatura dele a presidente. Até o fim de junho, apenas no processo do tríplex pelo qual está preso, eram quase 80 recursos. Desde julho deste ano foram mais 25 recursos.

0 EM 100
Lula recorreu à primeira instância da Justiça Federal em Curitiba e também ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Perdeu todos.

INSTÂNCIA SUPERIOR NÃO
Os advogados de Lula tentaram recorrer ao Superior Tribunal de Justiça e também ao Supremo Tribunal Federal. Perderam.

ELEITORAL TAMBÉM
Para concorrer, o PT registrou Lula no TSE. Isso gerou um processo. O TSE negou, Lula recorreu e perdeu. Foi ao STF e perdeu novamente.

VOCÊ É QUEM BANCA
A defesa de Lula recebeu mais de R$ 1,5 milhão do fundo partidário para bancar os advogados. A PGR prometeu pedir o dinheiro de volta.

PSOL IMPEDE LEI QUE PõE INTERNET NAS ESCOLAS
Os deputados Glauber Braga (RJ) e Ivan Valente (SP), ambos do PSOL, têm impedido a tramitação em regime de urgência do projeto que institui a Política de Inovação Educação Conectada. Os partidos definiram na Câmara que somente seriam votadas matérias de comum acordo. O PSOL se aproveita e impede aprovação da urgência desse projeto que prevê internet de alta velocidade nas escolas públicas.

O QUE É 'URGÊNCIA'
Aprovada a urgência, o projeto tramitaria em todas as comissões simultaneamente. Sem urgência, é uma comissão de cada vez.

VANGUARDA DO ATRASO
A resistência do PSOL impede por tempo indeterminado a implantação Política de Inovação Educação Conectada.

ADESÃO CRESCE
Segundo o MEC, duas semanas após seu anúncio, metade dos municípios e 70% dos estados aderiram ao Educação Conectada.

BALANÇO DA OPERAÇÃO
A Operação Lava Jato denunciou crimes que envolvem o pagamento de propinas de cerca de R$ 6,4 bilhões. O valor total do ressarcimento pedido pelo Ministério Público é de R$ 38,1 bilhões, dos quais R$ 12,3 bilhões são alvos de recuperação através dos acordos de colaboração.

LIPOASPIRAÇÃO
A PT deve ser lipoaspirado no Senado. Após perder Gleisi Hoffmann, que vai tentar ser deputada, senadores como Jorge Viana (AC) e Lindbergh Farias (RJ) enfrentam dificuldades para se reelegerem.

VIROU PUXADINHO
O comando da campanha do PT admite que não "bate" em Bolsonaro na propaganda porque o PSDB já faz esse serviço para Haddad. Os tucanos, quem diria, viraram linha auxiliar da campanha petista.

MUNDO PT
O Datafolha mostra liderança apertada de Haddad (PT) entre os que ganham até 2 salários (20% a 19% de Bolsonaro), umbandistas (22% a 20%), negros (22% a 21%) e índios (27% a 23%).Registro 06919/2018.

IGUALDADE?
O ranking "Cabeças do Congresso" do Diap mostra que apenas 11% do Legislativo é composto por mulheres. Coincidentemente só 11% das "Cabeças" escolhidas também são parlamentares mulheres.

UM ADMIRADOR
Antes de citar de memória editoriais do jornal O Globo, o candidato Jair Bolsonaro (PSL), propôs em 2003 denominar o comitê de imprensa da Câmara de "Jornalista Roberto Marinho".

FUTURO DOS EMPREGOS
Internet de alta velocidade, inteligência artificial, "big data" e tecnologia de nuvem serão dominantes entre os anos de 2018 e 2022, segundo o relatório "O futuro dos empregos", do Fórum Econômico Mundial.

É O FUNDÃO DO POÇO
Os políticos gastam sem dó nem piedade o "fundão eleitoral" que tiraram dos nossos bolsos. Até agora, já foram distribuídos mais de R$2,3 bilhões na campanha deste ano.

PENSANDO BEM...
...o mundo dá voltas, e o PT volta para os braços do MDB, no segundo turno.
Herculano
23/09/2018 06:40
ALGO QUE NÃO VAI MAL NO BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Apesar da bagunça dentro de casa, finanças externas até que vão bem

O Brasil não parece um país em situação tão assustadora quando visto apenas de fora, do exterior. Para ser mais preciso, a entrada de capitais, a rolagem de dívida externa e indicadores das transações com o resto do mundo não sugerem que o dinheiro esteja dando o fora daqui.

Mesmo o aperto geral nas condições de financiamento de países ditos emergentes, como o Brasil, não causou abalos, com a exceção circunstanciada do dólar. Haveria algo de errado nisso que parece estar dando certo, a relativa ordem e calmaria nas contas externas?

A situação doméstica é ruinosa, sim. A atividade econômica está longe de se recuperar do tombo que começou em 2014, os governos estão quebrados e não há por ora indício de que o presidente a tomar posse em 2019 tenha capacidade política e/ou ideias econômicas razoáveis o bastante para começar a arrumar esta bagunça.

Além do mais, não leva muito tempo, uns poucos meses, para que uma situação externa confortável possa mesmo ficar sufocante, até de modo surpreendente.

Na crise internacional de 2008-2009, quando a vida no Brasil parecia risonha e franca, uma seca abrupta de financiamento externo e a alta do dólar arrebentaram empresas gigantes que faziam jogatina no mercado de câmbio, várias delas sendo salvas por ajudas diretas e indiretas do governo Lula 2.

Os sinais vitais das contas externas, no entanto, no momento são estáveis, com exceção de alguma febre no dólar. A moeda americana ficou uns 25% mais cara desde o início de abril. É uma pressão sobre os índices de preços gerais ou de atacado, que podem fechar o ano perto de 8%, o dobro da inflação do consumidor.

Empresas podem repassar essa alta de custos para o varejo, que, no entanto, não tem aturado muito preço maior, dada a hipotermia econômica. Risco de inflação e outras badernas econômicas fazem com que o povo do mercado financeiro faça negócios com base na ideia de que o Banco Central deva elevar os juros em 1,5 ponto percentual daqui até o início do ano que vem.

Ainda assim, tanto a volatilidade quanto o nível do preço do dólar não chegam perto daqueles do tumulto de 2002 (quando, sim, tínhamos problemas graves no front externo). O fluxo cambial está no azul. Os preços de commodities vão bem.

A taxa de rolagem de dívida externa, a razão entre ingressos de dinheiro e as amortizações, não está em nível exuberante, mas é confortável, ainda mais quando se considera a retranca em que estão jogando as empresas no momento, dada a incerteza eleitoral.

O investimento direto no país diminuiu um pouco, como proporção do PIB, mas cobre com folga o déficit externo.

Os "estrangeiros" (não residentes) deram um tanto o fora da Bolsa (têm cerca de metade do valor das ações), é verdade. Considerados os preços em dólar, a Bovespa está ainda mais baratinha. Vale o dobro do registrado no fundo do poço da virada de 2015 para 2016, mas está 30% abaixo do nível visto na euforia recente, em março, por exemplo. Dissipadas as nuvens mais escuras, se levanta desse tombo.

Em suma, nada no Brasil de hoje é brilhante. Mas há um contraste forte, de uma casa de interior em pandarecos com uma situação externa arrumadinha, que por ora não parece assustar o povo lá fora, ou que tem dinheiro no exterior.

Claro, podemos atear fogo nas portas e janelas em pouco tempo. Mas, sob certo aspecto, não parecemos um caso perdido, nem de longe.
Herculano
23/09/2018 06:37
LULA ORIENTA HADDAD A MANTER DISCURSO E NÃO ASSUMIR COMPROMISSOS COM MERCADO, por Helena Chagas, em Os Divergentes.

Lá de Curitiba, o ex-presidente Lula tem deixado claro a quem o visita que está muito satisfeito com o êxito de sua estratégia de transferência de votos para Fernando Haddad, e acha que a curva continua subindo até dia 7. Mas está mandando um aviso aos navegantes: não é hora de mudar de curso, ou seja, assumir compromissos com o mercado e outros setores do establishment.

O ex-presidente identificou pressões dentro do próprio partido para que Haddad antecipe para o primeiro turno alianças e conversas típicas do segundo, numa forma de consolidar sua dianteira diante de Ciro Gomes e enfraquecer o rival Jair Bolsonaro. Não é esse o conselho de Lula, que está orientando Haddad a manter o discurso à esquerda, sob o argumento de que o povão não gosta de recuos e não vai aceitar nada que se assemelhe a alguma negociata eleitoral com forças como o centrão, por exemplo.

Na visão do ex-presidente, o mercado e adjacências já estão cansados de saber que um novo governo do PT não botará fogo no circo da economia - até porque sua atuação anterior não autoriza que os governos petistas sejam tachados como radiciais. "Qual a garantia que o mercado pode ter? A garantia é o que já fizemos, e nossos governos foram ótimos para eles", diz um interlocutor de Lula, reproduzindo o que ele tem dito.

Essa posição não interdita conversas de Haddad com setores que podem antecipar apoio a ele, e nem mesmo com a ala do PSDB em que, reconhecidamente, tem amigos e que tende a votar nele se o candidato Geraldo Alckmin continuar imobilizado nas pesquisas. As conversas por amigos comuns já estão ocorrendo. Mas tudo com muito cuidado, para que não se dê a impressão de que qualquer compromisso de abrir mão de pontos do programa já anunciado esteja sendo assumido neste momento.

O interlocutor de Lula conta que a cúpula do PT está calejada, cansada de conversas que acabam resultando em mal-entendido. Cita, por exemplo, o ex-presidente Fernando Henrique, que faz grandes elogios a Haddad e acaba por divulgar uma carta em que considera sua candidatura extremista. Nem mesmo os petistas mais moderados engoliram o último movimento de FHC.
Herculano
23/09/2018 06:34
FLA-FLU

Do editor de Livros, Carlos Andreazza, no Twitter:

Vejo gente que jamais aderiria ao bolsonarismo formulando modos de se encaixar. Nada novo. Neste reta final, Bolsonaro se tornará - se reduzirá a - aquilo que o PSDB sempre foi: a alternativa ao lulopetismo. Continuamos no plebiscito. E Lula é o centro mais uma vez.
Herculano
23/09/2018 06:31
A GESTÃO TABAJARA DO POSTO IPIRANGA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Paulo Guedes expõe mal e no lugar errado, recria situações que não ocorreram e se explica em tabajarês

Jair Bolsonaro diz que não entende de economia e que o doutor Paulo Guedes é seu "Posto Ipiranga". Deve-se suspeitar que o sábio multiuso tenha terceirizado a gestão de seu estabelecimento para as "Organizações Tabajara", imortal criação do humorista Bussunda.

Numa só reunião ele fez duas boas. Recusando entrevistas a canais de televisão, Guedes foi a uma reunião na GPS Investimentos, anunciou que pretendia propor a criação de um imposto sobre transações financeiras (leia-se CPMF) e revelou que em 2015 foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para o Ministério da Fazenda. As pérolas foram reveladas pela repórter Mônica Bergamo.

A promessa iria melhor se tivesse sido anunciada publicamente, e não numa conversa fechada, promovida na banca. Trata-se de uma ideia que pode ser discutida como um mecanismo de política tributária, sem significar aumento nem redução de carga de impostos.

Na revelação de que Dilma o convidou é que entra o sistema Tabajara de gestão. Há algumas semanas a repórter Malu Gaspar publicou um perfil de Guedes no qual ele ligou sua metralhadora giratória e lançou uma acusação factualmente errada contra o banqueiro Persio Arida. Ele respondeu, chamando-o de "mitômano".

Numa de suas conversas com Malu Gaspar, Guedes contou que foi chamado para um jantar com Dilma e que ela avisou que demitiria o então ministro Joaquim Levy, passando a perguntar o que ele achava que se devia fazer na economia. Nenhuma referência a convite.

Depois da divulgação de sua conversa na GPS e do desmentido de Dilma, Guedes explicou-se, em tabajarês:

"Ela está perfeitamente habilitada a dizer que não me convidou para ser ministro da Fazenda e eu estou perfeitamente habilitado a me sentir sondado. Ninguém chama alguém para jantar e faz essas [...] perguntas se não está fazendo um convite".

Foi mal o "Posto Ipiranga". Não houve convite algum nem sondagem. As perguntas revelavam curiosidade, talvez interesse. Doutor Guedes está perfeitamente habilitado a dizer apenas que Dilma quis saber suas opiniões, e só.

A cabeça do genial Steve Jobs operava com um campo de distorção da realidade, mas ele criou a Apple. Já os "fatos alternativos", enunciados por uma assessora da Casa Branca, produziram a Presidência de Donald Trump, de onde já saíram mais de 2.000 mentiras.

O MICO-GIRAFA DA EDITORA ABRIL

Conhecem-se o mico-leão e várias espécies de micos. O processo de recuperação judicial da editora Abril soltou o Mico-girafa. Aquela que foi a maior editora de revistas do país suspendeu o pagamento de suas dívidas no dia 15 de agosto. Até aí, é o jogo jogado para qualquer empresa que deve R$ 1,6 bilhão e passa por dificuldades estruturais.

Um mês antes do pedido de recuperação, Giancarlo Civita, o primogênito dos três herdeiros da companhia criada pelo avô, deixou a sua presidência, passando-a a uma consultoria. Ao entrar em recuperação, a Abril deixou no espeto centenas de funcionários demitidos, que tinham a receber suas rescisões contratuais. Coisa de R$ 110 milhões. Algo como a metade disso é devido a 250 jornalistas. Seria novamente o jogo jogado, pois empresas quebram.

O mico vira girafa quando se sabe que uma das costelas da Abril de Victor Civita (o avô), destinada a explorar atividades educacionais, tornou-se uma empresa independente, bem sucedida e bilionária. A família vendeu-a. Segundo a revista Exame, a Forbes americana calculou que os três herdeiros Civita têm um patrimônio estimado em R$ 10 bilhões. Parte desse ervanário veio da venda da costela, que foi parcialmente capitalizada pela editora.

Como diz o velho provérbio do mercado, não se coloca dinheiro bom em cima de dinheiro ruim, mas quem trabalhou na Abril lembra o que ensinava "Seu Victor": "Nosso patrimônio é essa gente que anda nos elevadores". Grande VC, criou a empresa e nunca atrasou pagamento.

LEMBRETE
Alguém precisa avisar ao doutor Fernando Haddad que a eleição do mês que vem vai escolher um presidente da República.

Ele está fazendo campanha para soltar Lula.

TODOS JUNTOS
Como se sabia, Michel Temer deu a Paulo Rebello Filho o cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde. O contrato de Temer acaba no dia 1º de janeiro, mas Rebello terá três anos de mandato. Governo ruim acaba deixando testamento. O doutor era chefe de gabinete do ministro da Saúde. (Ganha uma viagem ao Burundi quem souber seu nome.)

Temer teve aliados nesse mimo. O nome de Rebello foi aprovado por unanimidade na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, em cuja composição há nove petistas. Indo ao plenário, passou em votação secreta por 43 votos contra 2, com duas abstenções. Oito senadores do PT votaram.

BOA NOTÍCIA
Enquanto Temer nomeia diretores de agências reguladoras para mandatos que se estenderão pelo governo de seu sucessor, o procurador Carlos Fernando Santos Lima decidiu aposentar-se no início do próximo ano e abandonou a equipe da Lava Jato na semana passada.

Fez isso para se afastar das informações sigilosas que circulam na Procuradoria em Curitiba.

O doutor tem 54 anos. Ao que se supõe, quando deixar o serviço público advogará para empresas interessadas em trabalhar direito. Nada ver com larápios.

TRIPLO MORTAL
O ministro Gilmar Mendes deu um salto triplo carpado no processo judicial ao soltar Beto Richa.

Já há uma meia dúzia de petições de encarcerados pedindo isonomia. Como ele é o juiz prevento para esses casos, cabe-lhe fazer a festa, ou não.

No recurso contra a libertação de Richa, a procuradora-geral Raquel Dodge disse que o ministro habilitou-se para o título de "revisor direto e universal de todas as prisões temporárias do país".

Se Gilmar colocar a sua decisão para que o plenário a compartilhe, de duas uma: transforma o Supremo em Casa de Libertação ou perde o título. Enquanto não o fizer, continua a ser o "supremo revisor".

AUGUSTO BOLSONARO
A revista inglesa The Economist pegou pesado:

"Bolsonaro pode não conseguir converter seu populismo em uma ditadura ao estilo pinochetista, mesmo que ele queira. Mas a democracia brasileira é muito nova".

Quem já teve que ouvir vários entusiastas de Bolsonaro, todos do andar de cima, desinteressados da pessoa do candidato pode reformular a frase:

Bolsonaro pode não conseguir converter seu populismo em uma ditadura ao estilo pinochetista, mas muitos dos seus eleitores mais afortunados e escolarizados querem coisa parecida.

(Quando o general que chefiava a repressão chilena foi preso e as contas secretas de Pinochet foram expostas, a plutocracia saiu de fininho e o lixo foi mandado para os quartéis.)

REFRIGÉRIO
Esta pode ser a pior sucessão presidencial da história republicana, mas nunca houve um refrigério que possa ser comparado às imitações que o ator Marcelo Adnet faz dos candidatos.
Herculano
23/09/2018 06:20
A ESCOLHA DE SOFIA, por Carlos Brickmann

Meryl Streep, obrigada pelos nazistas a decidir qual de seus dois filhos iria morrer (e, caso ela não o escolhesse, ambos seriam mortos), ganhou o Oscar pelo filme A Escolha de Sofia. Os eleitores brasileiros, obrigados a escolher entre dois candidatos que se destacam pelo radicalismo, também serão premiados: receberão o prêmio que Luzia ganhou atrás da horta.

É difícil para o eleitor anticomunista votar num candidato que, quando Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela, elogiou-o ("uma esperança para a América Latina") e comparou-se a ele. Disse que Chávez não era anticomunista e ele, Bolsonaro, também não era. "Não há nada mais próximo do comunismo do que o meio militar".

É difícil para o eleitor petista que vai ao delírio só de ver o retrato de Lula ser obrigado a votar num laranja confesso, que troca seu nome de família, aquele que seus pais utilizam, para, como o Chefe, usar o sobrenome de Lula (e não é só o sobrenome: faz-se chamar de Luís Fernando Lula Haddad). Usa máscaras de Lula para induzir eleitores a votar em seu nome. E confessa não ter a menor ideia do que fará sem viajar a Curitiba para visitar o Chefe na cadeia. Cafezinho com açúcar ou adoçante? É Lula que sabe.

Jaques Wagner, lulista entre os lulistas, rejeitou o papel subalterno que lhe queriam atribuir, de boneco de ventríloquo. Haddad se rebaixou, feliz.

TUDO ATRASADO

Fernando Henrique, a 16 dias da eleição, propôs aos candidatos de centro que se unam para evitar que o segundo turno seja disputado pelo homem da bala e o laranja de Lula. Boa ideia - mas agora, quando não dá mais tempo? E imaginemos que houvesse tempo: somar Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Meirelles, Amoedo é como juntar moedinhas para enfrentar o volume de dinheiro e joias do vice-presidente da Guiné Equatorial. Uma candidatura se articula ao longo do tempo. O tempo passou e não há um nome sequer do Centro que não seja nanico. Até Alckmin: quatro vezes governador de São Paulo, uma vez, em 2006, candidato à Presidência (tomou uma surra de Lula, após garantir que os tucanos eram contra as privatizações ?" justo eles, que privatizaram com sucesso a Vale e a telefonia), até agora não conseguiu tornar-se conhecido do Nordeste. Perde em São Paulo, sua base eleitoral, reduto dos tucanos, para Jair Bolsonaro.

CIRO, TALVEZ

Ciro Gomes, que se mantém vivo na disputa, poderia ser a solução para o centro. Já foi da Arena Jovem, já foi ministro de Itamar Franco (concluiu a implantação do Plano Real). Mas qual dos outros candidatos o aceitaria?

MEIO TARDE

Fernando Henrique, conversando com Bernardo Mello Franco, de O Globo, concordou que seu apelo tem poucas chances de ser ouvido. "Mas temos de fazer algum esforço. Não sei se algo vai acontecer".
Não, não vai.

FALE O QUE EU QUERO

Paulo Guedes, que deve ser ministro da Economia se Bolsonaro for eleito, conhecido como Posto Ipiranga, já sabe de seus limites: foi só falar na volta da CPMF, o Imposto do Cheque, para tomar uma chamada do candidato. Bolsonaro deixou claro que quer eliminar impostos, não criar novos. Guedes explicou que o novo imposto iria substituir cinco ou seis impostos federais, mas Bolsonaro não gostou. "Não é a CPMF, seria um imposto único", disse Guedes.

Não adiantou: o Brasil já experimentou o Imposto Único, e descobriu que o Imposto Único era apenas mais um.

É DEMAIS

Bolsonaro acompanhou também as declarações de seu vice, general Hamílton Mourão, sobre uma Constituição redigida por pessoas não eleitas e o papel de mães e avós, que sem ter o pai e o avô em casa, não impediriam o recrutamento das crianças pelo tráfico. Mourão foi contido por Bolsonaro: nada de propor temas ainda não discutidos com ele.

DOCE PRÊMIO

A Chocolat du Jour, excelente chocolateria paulistana, acaba de ganhar dois prêmios internacionais (e pelo quarto ano consecutivo): o International Chocolate Awards, medalha de ouro, pelo bombom de paçoca recoberto de chocolate ao leite, e o ICA, medalha de prata, pela Choco Pops, pipoca com chocolate ao leite. Além de fabricar ótimos chocolates, que seriam ótimos na Bélgica ou na Suíça, a Chocolat du Jour foi criada por uma amiga deste colunista, Cláudia Landmann, que estudou chocolateria em Bruxelas.
Herculano
23/09/2018 06:13
MEDO DE REVANCHE FREIA APROXIMAÇÃO DE PARTIDOS COM PT NO 2º TURNO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Haddad planeja 'frente democrática', mas siglas temem vingança por Dilma e Lula

Se quiser o apoio de políticos de centro e de direita no segundo turno, Fernando Haddad precisará escrever uma "Carta ao golpista brasileiro". Os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff desconfiam dos sinais emitidos pelo PT nesta eleição e temem que um governo da sigla seja "revanchista".

Legendas que ficarão pelo caminho no dia 7 de outubro estão em cima do muro. Embora suas bases sejam majoritariamente simpáticas a Jair Bolsonaro, alguns dirigentes rechaçam o discurso radical do candidato do PSL. Os petistas querem atrair essa ala com apelos à criação de uma "frente democrática".

O velho establishment político dá um passo atrás. O receio do grupo é que o PT - ferido pela prisão de Lula e pela queda de Dilma - saia em busca de vingança. Os caciques creem que o partido poderia concentrar o poder, implementar uma agenda inflexível e dinamitar medidas tomadas nos últimos anos.

Em campanha, Haddad lança mensagens ambíguas. "Vamos fazer um acerto de contas sem revanchismo, sem ódio. Queremos que o povo brasileiro mande no Brasil. Eles têm que aprender a respeitar o resultado das urnas. O povo vai se lembrar de tudo o que aconteceu", disse na sexta-feira (21), em Minas Gerais.

Nos bastidores, a disposição é mais apaziguadora. Haddad sabe que precisará de força política para enfrentar a popularidade de Bolsonaro e a aversão ao PT. O candidato já fez acenos de moderação em seu programa de governo e abraçou dirigentes do MDB, mas precisará erguer pontes mais concretas

Ainda que Haddad pareça um petista suave, o discurso raivoso de dirigentes do partido deixa apreensivos os possíveis aliados. Além disso, o centrão aproveita a hesitação de seus quadros para ampliar a fatura de um apoio no segundo turno.

Um eventual acordo só sairia com o aval da cela da PF em Curitiba. Há quase um ano, um Lula visionário abriu caminho para a reconciliação: "Estou perdoando os golpistas que fizeram essa desgraça no país".
Herculano
22/09/2018 17:31
A PLUMAGEM IMPERMEÁVEL

A precisão de J.R.Guzzo, de Veja, no Twitter

Fernando Henrique fez um apelo ao "centro democrático" e obviamente ninguém ligou. Isso não existe. O que existe na vida real é um lado pró Lula e outro contra Lula. Como o PSBD não consegue representar quem não quer o PT, apareceu um outro para fazer isso. Aguentem, agora.
Herculano
22/09/2018 15:28
O PSDB DE SANTA CATARINA CONTRARIA A SUA ESSENCIAL CARATERÍSTICA A DE FICAR EM CIMA DO MURO; E NUM ATO DO SEU PRESIDENTE, EXPULSA DO PARTIDO O PREFEITO DE RIO DO SUL POR INFIDELIDADE. SE A MODA PEGA, VAI FALTAR TUCANO...

Conteúdo do Diário do Alto Vale, de Rio do Sul.

Em nota oficial publicada nesse sábado (22) o PSDB Santa Catarina, por meio do seu presidente, o Deputado Marcos Vieira, comunicou a expulsão do prefeito de Rio do Sul, José Thomé, por infidelidade partidária.

O partido ressalta o apoio à Thomé desde 2015, onde o suporte e apoio das lideranças tucanas estaduais foram decisivas na vitória na eleição municipal de 2016.

Em virtude de o PSDB ter decidido soberanamente, em convenção partidária, que reuniu mais de 3 mil lideranças tucanas, realizada no dia 29 de julho do ano corrente, que seus integrantes, independente da liderança ou cargo que ocupe, mantivessem a unidade e fidelidade partidária sobre os rumos da sigla nas eleições de 2018, o PSDB de Santa Catarina sente-se traído por uma de suas lideranças mais prestigiadas.

E ressalta a diretriz aprovada em convenção recebeu o apoio e o voto de José Thomé. Ontem (21), Thomé esteve em reuniões públicas com o Gelson Merisio, e tem vídeos publicados declarando apoio ao candidato. A chapa do PSDB é de Mauro Mariani e Napoleão Bernardes da coligação "Santa Catarina quer mais".

Diante das declarações públicas do Senhor José Thomé de apoio aos candidatos de outra coligação nas eleições majoritária e proporcionais, não resta alternativa a não ser o da expulsão, ad referendum dos quadros do PSDB. A infidelidade do Senhor José Thomé, que será uma marca perpétua em sua biografia política, não corresponde com os preceitos da Social Democracia e não será tolerada em nenhum nível partidário.
Herculano
22/09/2018 13:04
FILHO DE UMA DICOTOMIA, por Mário Vitor Rodrigues, na revista IstoÉ

Não resta dúvida, o momento está muito longe de sugerir bom senso. Segundo os resultados das últimas pesquisas, o povo quer mesmo é briga. Das duas uma: deseja manter no poder um grupo comprovadamente corrupto e com tendências autoritárias; ou quer acreditar que alguém jamais testado em qualquer cargo executivo será capaz de tirar o país da maior crise de sua história. Sem mencionar, é claro, que este último também flerta abertamente com ideais inconcebíveis em um ambiente democrático.

Contudo, aquela que talvez seja a principal relação possível de ser feita entre as candidaturas de Fernando Haddad e Jair Bolsonaro transcende a capacidade gerencial, os riscos que ambas representam para a nossa democracia e toda sorte de receios responsáveis pelos índices de rejeição que acumulam. Tem a ver com filosofia. Com a maneira de fazer as coisas.

O Partido dos Trabalhadores pode até não vencer esta eleição, mas a disparada de Haddad na segunda colocação das intenções de voto, mesmo após tantos escândalos capitaneados pelo partido e a prisão de figuras históricas, inclusive a do próprio Lula, apenas reafirma o sucesso do modelo petista de fazer política. Tanto é assim que ele foi espelhado por Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

É como se uma parte da nossa sociedade, cansada de ver a ineficiência do PSDB em fazer frente ao petismo, capitulasse. E não apenas desistindo dos tucanos, mas assumindo que a única maneira de derrotar o PT seria copiando as suas táticas. As mesmas táticas, diga-se, durante tanto tempo criticadas.

Hoje, a falta de coerência nos argumentos não é mais uma característica exclusiva do petismo. Muito menos o comportamento irracional da militância. Aliás, a agressividade dos bolsonaristas ferrenhos deve fazer inveja, até mesmo, aos petistas mais radicais.

No aspecto da candidatura propriamente dita, então, Lula e grande elenco jamais enfrentaram um adversário tão parecido. Nacionalista, cooperativista, inábil na arte de construir alianças e sem a menor experiência em um cargo tão importante, Bolsonaro poderia muito bem servir como um poste para o petismo, como foi Dilma Rousseff. Não por acaso, foi pinçado por seus detratores.

A vitória final do bolsonarismo pode até não acontecer, mas, para o desespero de milhões, existe uma grande probabilidade que ele perdure mesmo se for derrotado. É filho de uma dicotomia. Cópia de um padrão perverso.

A falta de coerência nos argumentos não é mais característica exclusiva do petismo, nem o comportamento irracional da militância.
Herculano
22/09/2018 09:35
QUAL O MELHOR PLANO DE GOVERNO? por Rodrigo Zaidan, Professor da New York University Shangai (China) e da Fundação Dom Cabral. É doutor em economia pela UFRJ, para o jornal Folha de S. Paulo.

É reconfortante saber que há opções, mesmo que longe das ideais, contra o caos

É a economia, estúpido! Essa famosa frase foi o mote da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992. No Brasil, não é muito diferente. Basta olhar para o número de desempregados e o tamanho da crise.

Claro que o problema mais grave do país, a violência que ceifa mais de 60 mil vidas por ano, não vai ser resolvido no curto prazo. Mas a virada econômica pode acontecer.

Fui atrás de publicações, planos de governo, histórico e entrevistas das equipes econômicas dos candidatos para fazer um ranking dos três melhores planos de governo entre os que têm chance de ganhar a eleição.

Foi bom ler que em todos os planos (com uma exceção, preciso dizer qual?) os direitos humanos são colocados como fundamentais. Que o Brasil deixe de ser racista, machista e homofóbico o mais rapidamente possível.

Duas equipes econômicas foram desclassificadas de cara.

A do líder das pesquisas, já que Paulo Guedes nada mais é do que um ideólogo conservador, com zero de substância. Seu candidato foi o único a votar contra o Fundo de Combate à Pobreza e seu plano abusa da palavra liberdade, traduzida como: se você é pobre, tem a liberdade de ficar no seu lugar ou ir para a cadeia.

De resto, quase dormi lendo o programa de governo, com 81 páginas de empulhação. Mais do que nunca, #elenao.

A equipe de Lula, quer dizer Haddad, também foi desqualificada. O Brasil precisa de um plano com forte foco no social e combate à desigualdade. Não é esse o caso. Se um terço do que foi proposto sair do papel, também vamos ao abismo e bateremos outro recorde de desemprego.

O plano chega ao absurdo de chamar de sustentabilidade o subsídio a combustíveis fósseis. Também comete o erro de priorizar o ensino médio, quando a primeira infância é mais importante. E está recheado de subsídios aos ricos. Não dormi lendo, fiquei mesmo é com raiva de quem não aprendeu com os erros do passado.

Entre as equipes que sobraram, a melhor é a de Geraldo Alckmin, e o melhor plano, de Marina Silva, que no conjunto ficaria em primeiro lugar.

A equipe de Ciro Gomes tem excelentes nomes, alguns com experiências notáveis na administração pública do Ceará, mas falha ao ter como conselheiros os arquitetos das mais estapafúrdias políticas públicas brasileiras dos últimos 40 anos, como o Plano Bresser, que nos arruinou nos anos 1980, e o novo-desenvolvimentismo de décima categoria que é responsável direto pela nossa crise econômica.

O plano contém absurdos - e tome subsídios para empresas ricas.

De um colunista para um político: caro Ciro, largue os economistas paulistas e fique com os do Ceará.

O plano de Alckmin, por sua vez, fica em cima do muro. Não contém nada de errado, mas faltam detalhes, mesmo para um plano que busca mais inspiração do que qualquer outra coisa.

A equipe de Marina Silva é excelente, com dois dentre os melhores economistas do país, Ricardo Paes de Barros e Marco Bonomo. Marina tem o único plano de governo que tem um programa de educação baseado em evidências, com priorização para a primeira infância. Só isso já bastaria.

Mas também é o único plano que toca em sustentabilidade de forma adequada, combinando crescimento do setor agrícola com respeito ao ambiente.

Além disso, também é ímpar em dar destinação correta aos empréstimos do BNDES, reorientando-os para inovação e desenvolvimento sustentável.

Foi reconfortante ler que temos opções, mesmo que longe das ideais, contra a onda de caos.
Herculano
22/09/2018 08:22
CIRO SOBRE JAIR BOLSONARO: NAZISTA FILHO DA PUTA", por Josias de Souza

De passagem por Goiânia (GO), nesta sexta-feira (21), Ciro Gomes abespinhou-se com um suposto militante do rival Jair Bolsonaro. A confusão ocorreu no instante em que Ciro discursava contra a "cultura do ódio" num ato político. Ao perceber a presença do que lhe pareceu ser um infiltrado, o candidato do PDT mudou o rumo da prosa.

"O que é isso aí? Uma camiseta?", indagou Ciro, referindo-se à peça retirada do invasor - uma camiseta com o desenho de mãos e o número do partido de Bolsonaro, 17. Ciro pediu paciência aos seus partidários. Responsabilizou Bolsonaro pelo incidente.

"Olha o que é a cultura de ódio. Um bobinho, que não tem culpa de nada, acabou de criar uma confusão trazendo uma camisa do adversário aqui dentro. Por quê? Porque por ele, fanático como é, que nem o doido que enfiou a faca nele, acha que política deve resolvida assim. Tenham paciência com ele. Tenham paciência com ele. Ele não é culpado de nada. Ele é só vítima desse nazista filho da puta que nós vamos derrotar."

Antes do entrevero, informa notícia veiculada no site de O Globo, Ciro alfinetou Bolsonaro. Disse que "revolta sem projeto é só ódio". Reconheceu o óbvio: "A população de hoje está revoltada". Considerou a raiva do povo compreensível, "diante desse desmantelo desse desmantelo socioeconômico".

Ciro declarou: "A notícia que vem é de roubalheira, de privilégio, de molecagem, de falta de autoridade para enfrentar o banditismo, de enfrentar com dureza o crime organizado. Mas eu quero dizer a esse povo: revolta sem projeto; revolta sem rumo; revolta sem ideia é só ódio. Revolta sem projeto, é só violência."

Após condenar o ódio, Ciro permitiu que sua língua o traísse mais uma vez, reagindo à provocação com... ódio.
Herculano
22/09/2018 08:18
UM BRASIL CONFUSO

Conteúdo da revista Isto É. Texto de Antonio Carlos Prado. O radicalismo do lulopetismo é visto atualmente como foi o comunismo nos anos que precederam o golpe militar

As elites representativas dos mais diversos setores da sociedade brasileira temem atualmente o retorno do PT ao poder, o que se daria com a vitória nas urnas do candidato Fernando Haddad, praticamente da mesma forma que se temeu, no início da década de 1960, a ascensão e a continuidade de João Goulart no comando da Nação após a renúncia de Jânio Quadros. Existe uma diferença no grau de ostensividade com que tais elites procuram exorcizar o fantasma do lulopetismo se a cotejarmos com o medo do comunismo no passado. O risco para o futuro, no entanto, é o mesmo.

Há pouco mais de meio século, figuras notáveis da sociedade civil bateram diretamente às portas dos quartéis seguindo uma perigosa tradição de nossa frágil república - ela própria nascida de um golpe militar. O desejo era derrubar João Goulart e tal ímpeto levou o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco a proferir uma das mais herméticas e indicativas frases da história do Brasil: "são as vivandeiras alvoroçadas que vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e causar extravagâncias ao poder militar". Castelo Branco queria dizer, se o traduzirmos para a linguagem de fora da caserna, que empresários, banqueiros, políticos, padres e civis em geral (das classes média e alta) desejavam mesmo era rasgar a Constituição e chamar um golpe militar. Foi também nesse momento que organizou-se a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, libelo contra o comunismo, capitaneada pelas mais diversas entidades conservadoras.

Ocorreram quarenta e nove dessas marchas pelo País, levando milhões de brasileiros às ruas - quem estava no rabo das passeatas com certeza seria barrado se tentasse entrar nos clubes frequentados por aqueles que as encabeçavam. As patroas se faziam acompanhar das empregadas domésticas para que elas carregassem as tabuletas a favor dos militares (não pegava bem a dona da "casa grande" sair na foto empunhando coisas). Houve o apoio das Forças Armadas e todos queriam o golpe contra o comunismo, embora Jango chegasse, se tanto, a mentor de uma república sindicalista. O golpe veio, e veio com uma ditadura que perdurou vinte e um anos. Detalhe: o dono frase rebuscada sobre as vivandeiras acabou sendo justamente o primeiro ditador desse período iniciado em 31 de março de 1964.

Hoje, as elites, a classe média e os bem endinheirados não recorrem aos quartéis (até porque os comandos das três Armas são unânimes em garantir a incolumidade das instituições democráticas), mas espalham ao vento e nas esquinas o temor do lulopetistmo. Igualmente, espalham, em decorrência, a sensação de instabilidade e de medo, espalham a passionalidade, espalham os sentimentos de extremismo, exclusão e intolerância. Espalham, erroneamente, que a única saída política e ideológica para evitar a radicalização não fica ao centro, mas sim em outro extremo. Pois bem, encarna o papel de exorcista do lulopetismo o candidato que tem apoio de parte da caserna (entre baixos oficiais) e a simpatia de uma infinidade de seus pares que já estão de pijama (leia-se, na reserva). Ele vem plantando frases, aqui e ali, que deixam explicito o fato de que irá ampliar a representação dos militares no governo federal, caso chegue à Presidência do País. Vamos à sua patente, nome e sobrenome: é capitão e chama-se Jair Bolsonaro.

O candidato não sopra esses ventos para frente, mas vale-se deles para navegar mais à vontade - até criou polêmica sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, num claro recado: se perder o jogo, mela o resultado. Já o seu vice, general Hamilton Mourão, usa e abusa de causar arrepios à democracia. Fiquemos com três de suas explosivas falas: teríamos herdado dos negros a malandragem e dos indígenas, a preguiça; a casa que só tem mãe e avó é berço de gerar desajustados sociais (ele esqueceu que o País tem 11 milhões de lares assim, e sequer um milhão de bandidos); o Brasil carece de uma Constituição escrita tão somente por uma comissão de notáveis ?" vale lembrar que o conceito de "notável" é algo bastante pessoal e subjetivo.

Sem estrambelhamento, sem radicalismo e ressalvando que as Forças Armadas seguirão na função constitucional de preservação das instituições democráticas, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, tem vindo a público e fez subir a tensão ao dizer que, diante dos extremismos do momento (que levaram ao abominável atentado contra Bolsonaro) é bem provável que a "legitimidade do próximo governo seja questionada". A rigor, pela Constituição, os militares (que estão sendo imprescindíveis à manutenção da ordem e da preservação do Estado de Direito desde 1985) não podem falar sobre política. A razão é simples: se o Estado é detentor, com legalidade e legitimidade, do monopólio da força, são eles, os militares, que se encontram instalados no patamar máximo de tal força - até mesmo pelo poder bélico que possuem. É também por isso que, cada vez que um militar fala de política, as suas palavras se tornam agentes multiplicadoras do pensamento que Bolsonaro salva o Brasil do lulopetismo atual, visto com o mesmo medo que se via o comunismo no passado.

Se a sensatez política e o caminho do saneamento da crise econômica fica no centro, como ensina a mais simples teoria sobre a democracia, é importante considerarmos que também o lulopetismo não significa a salvação do Brasil. Ok, comunismo ele não é, mas seu retorno ao Planalto traz consigo o que há de mais execrável em mandatários e em todos aqueles que lidam com a coisa pública: corrupção, patrimonialismo, aparelhamento do Estado, crescente intromissão estatal, anarquia econômica e graves riscos às garantias fundamentais ?" além das tentativas de indultar Lula e fazer do preso o presidente . Se o fantasma do lulopetismo, encarnado por Fernando Haddad, e o fantasma do militarismo, encarnado por Jair Bolsonaro, assombrassem um ao outro, que bom seria porque, nessa hipótese, as posições de centro triunfariam nas urnas.
Vlad
22/09/2018 08:18
Amigos,tive um funcionário que me roubou e agora esta preso. Ai ele me indicou um substituto. Devo admitir o amigo indicado pelo ladrão?
Herculano
22/09/2018 08:13
MEU LUGAR NA FILA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Proteger interesses gerais paga menos dividendos que promover interesses de grupos

Daqui a três meses, no 13 de dezembro, dia do AI-5, em 1968, e do golpe de Jaruzelski na Polônia, em 1981, completo 60. Dizem, para me animar, que terei descontos em peças e shows, vagas reservadas em estacionamentos e filas prioritárias nos aeroportos, supermercados e bancos.

No caso dos bancos, não vale a pena. As empresas que descobriram uma oportunidade nas bondades distribuídas pelo Estado contratam idosos para realizar operações bancárias, tornando mais demorada a fila preferencial. Quanto ao resto, decidi que passo. As políticas de privilégios envenenam a democracia. Não serei um idoso oficial enquanto conservar capacidades físicas normais.

Com exceção de um, meus amigos idosos converteram-se em idosos oficiais. Uma, que corre maratonas em montanhas, tirou carteira de idosa para estacionar bem pertinho da entrada do shopping. A vantagem pessoal tem imenso poder de sedução, principalmente se parece não causar dano a ninguém. Aparências enganam: a meia-entrada, para ficar num único exemplo, é financiada pela elevação universal dos preços dos ingressos. A sociedade em geral paga o desconto garantido por lei a estudantes e idosos, inclusive os abastados.

Pondé registrou, com razão, que um indivíduo "negro", presumido descendente de escravos, "assimilará essa consciência histórica da culpa como ganho imediato objetivo: cotas nas universidades ou concursos públicos". A cota de um implica a negação de vaga a outro, que obteve nota superior e pode até ser mais pobre. Mas não se tem notícia de números significativos de candidatos recusando o direito (ou privilégio?) de inscrição para vagas reservadas a cotistas. A lei vale mais que a ética - se, claro, gera ganhos pessoais palpáveis.

A lei legitima, absolve, aplaca a consciência. Procuradores e juízes, esses anjos vingadores do Brasil que tem raiva, justificam seu auxílio-moradia, uma escandalosa política de transferência regressiva de renda, invocando a legalidade. Luiz Fux sentou-se sobre um processo que questionava o privilégio, agindo como sindicalista. O auxílio-moradia é incomparavelmente pior que a carteira de idoso utilizada por nadadores, surfistas, tenistas, triatletas de 60 anos.

Mas por que se produzem ou se perenizam tantas "leis de meia-entrada"? A resposta encontra-se num calcanhar de Aquiles da democracia representativa: a proteção dos interesses gerais, difusos, paga menos dividendos eleitorais que a promoção de interesses específicos, de grupos.

O nome do jogo é corporativismo. Federações empresariais fazem campanha para candidatos que acenam com tarifas protecionistas ou subsídios do BNDES. Sindicatos de trabalhadores e empresários perfilam ao lado dos políticos que acenam com o retorno da contribuição sindical compulsória. As entidades do funcionalismo público marcham com os oponentes da reforma previdenciária.

As igrejas ajudam a formar as "bancadas de Deus" que asseguram isenções tributárias aos porta-vozes terrenos da palavra divina. As ONGs racialistas evitam lançar a pecha de "racista" sobre os que prometem eternizar as políticas de cotas aprovadas originalmente como medidas temporárias.

O "povo", no idioma da política corporativa, é uma coleção de grupos de interesse. A nação, deduz-se, é um pacto de armistício entre eles. As versões extremas do corporativismo conduzem a sangrentos conflitos étnicos (Biafra, Ruanda), a ditaduras ordenadoras (Salazar, Vargas) ou, nas democracias, simplesmente ao colapso fiscal (Grécia).

O lulismo radicalizou os traços corporativos da tradição política brasileira. A fragmentação partidária atual é uma moldura perfeita para a manutenção dos privilégios de grupo. No aeroporto, à minha direita, uma dúzia de lépidos idosos oficiais somam-se à fila preferencial. Rumamos a uma tragédia grega, qualquer que seja o eleito?
Herculano
22/09/2018 08:06
TETO DE GASTOS NÃO REDUZ ORÇAMENTO DA EDUCAÇÃO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste sábado nos jornais brasileiros

Ao contrário do que afirmam candidatos do PT e seus "puxadinhos" na propaganda, a aprovação da emenda batizada de "PEC do Teto de Gastos" não cortou o Orçamento para Educação, por exemplo. Em 2016, último ano do governo Dilma, o orçamento foi de R$106 bilhões, mas no primeiro ano de Michel Temer, já com o Teto de Gastos em vigor, subiu para R$111 bilhões e, em 2018, para R$112 bilhões.

'PÁTRIA EDUCADORA'?
Dilma definiu em R$101 bilhões o orçamento da Educação em 2014. Passou a R$110 bi em 2015 e o reduziu a R$106 bilhões em 2016.

TETO IMPEDE A FARRA
A "PEC do Teto" na verdade limita o total de gastos do governo, como forma de aos poucos acabar a farra de regalias do setor público.

SEM MORDOMIA, SOBRA
Para aumentar gastos em áreas essenciais como educação e saúde, os governos serão obrigados a reduzir desperdícios e mordomias.

MENTIRAS EM SÉRIE
No DF, propaganda de candidata do PT diz que havia "pleno emprego" no governo Dilma. Ela deixou 14,1 milhões pessoas desempregadas.

ESPANCADOR VIROU DIPLOMATA COM FICHA NA POLÍCIA
Continua o mistério no Itamaraty sobre a nomeação de Renato de Ávila Viana, o diplomata espancador de mulheres. Ele virou funcionário de carreira mesmo tendo ficha na polícia e depois de ser submetido a teste psicotécnico a cargo do Cespe, órgão da Universidade de Brasília (UnB) encarregado dos exames e concursos, com relevante histórico de envolvimento em escândalos com máfias que vendem resultados.

DEMOROU DEMAIS
O Itamaraty só o demitiu após o flagrante de espancamento de quarta (19). Apesar da Lei Maria da Penha, pagou fiança de R$1 mil e foi solto

FOLHA CORRIDA
Em 2002, Renato agrediu uma colega, em 2003 a namorada, em 2006, a filha da ministra de Relações Exteriores do Paraguai, em Assunção.

COVARDIA IMPARÁVEL
Após outros casos, o ex-diplomata agrediu namoradas em 2016 e 2017. Em 2018, agrediu a namorada em março e agora em setembro.

MARINA ENCOLHEU TOTAL
O mais recente levantamento Datafolha mostra que a candidata da Rede, Marina Silva, quase desapareceu: ela tem apenas 1% das intenções de voto na pesquisa espontânea (registro nº 06919/2018).

RESULTADOS DA LAVA JATO
Até o dia 10, a Lava Jato, segundo dados do próprio Ministério Público Federal, instaurou 81 acusações criminais contra 346 pessoas (sem repetir os nomes). Em 45 casos houve condenação.

IMUNIDADE ELEITORAL
Os candidatos, mesmo os enrolados, dormiram sem medo de serem acordados pela PF. A lei 4.737/65 proíbe que sejam presos, exceto em flagrante, nos 15 dias que precedem as eleições.

FAKE NEWS
A mais recente informação falsa é que Gilmar Mendes teria dito que renunciaria ao cargo de ministro do STF no caso de vitória de Jair Bolsonaro. "Eu nunca disse isso", espantou-se o ministro.

VOCÊ QUEM PAGA
O governo não faturava tanto com contribuições, impostos etc no mês de agosto desde 2014: R$109,75 bilhões. A maior para agosto desde os R$120,249 bilhões arrecadados há quatro anos.

REGIõES DECISIVAS
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 43% do eleitorado brasileiro em 2018 vivem na Região Sudeste. Outros 27% no Nordeste. Somados, representam mais de 109 milhões de eleitores.

GERVÁSIO MERECE
O repórter-fotográfico Gervásio Baptista, 95, recebe neste sábado, 10h, a medalha Jornalista Ranulpho Oliveira, homenagem da Associação Bahiana de Imprensa. Será no espaço Sênior, em Vicente Pires (DF).

DEPUTADOS GASTADORES
Segundo a ONG OPS, o deputado federal Edio Lopes (PR-RR) é o maior gastador de verba indenizatória: foram R$2,121 milhões até agora, no mandato, além dos vencimentos. Rocha (PSDB-AC) e Zé Geraldo (PT-PA) gastaram R$2 milhões cada um.

PERGUNTA NA SAPUCAÍ
Tem perigo de dar certo um o país que, a duas semanas das eleições presidenciais, prefere debater o Carnaval de 2019?
Herculano
22/09/2018 07:57
CHAMA O ILAN, por Julianna Sofia, secretária de redação da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo.

Presidenciáveis cortejam atual presidente do BC, que pode ser obrigado a elevar juros

Com o resultado bem sucedido da atual política monetária na ancoragem das expectativas de inflação, o Banco Central de Ilan Goldfajn tornou-se alvo do flerte de campanhas presidenciais que tentam inocular no mercado e no empresariado a ideia de adesão ao pragmatismo e à moderação na seara econômica.

Fernando Haddad (PT) declarou-se ao presidente do BC. Disse gozar de relação pessoal com o economista e há relatos de encontros em que discutiram o sistema bancário. Emissários do ex-prefeito propagam pelo mundo político e econômico menções a Ilan como detentor do perfil ideal para comandar um Banco Central petista "market friendly".


Jamais permaneceria na cadeira por razões muito óbvias: Como explicar aos companheiros do partido manter na linha de frente da equipe econômica de um eventual governo integrante da gestão do presidente-golpista Michel Temer?

Em outras campanhas, o nome do presidente do Banco Central também é laureado e chega a ser apontado como uma possível solução de continuidade para agradar os donos do dinheiro grosso.

Nesta semana, o BC manteve, pela quarta vez consecutiva, a taxa de juros básica em 6,5%. Jogou no ar dúvidas sobre a manutenção deste ciclo de estímulo monetário.

Fatores externos (guerra comercial EUA x China) e internos (incerteza eleitoral e descontinuidade da agenda de reformas) têm provocado a desvalorização do real. Por ora, não há efeitos maiores sobre os preços porque a economia anda de lado, e o setor produtivo trabalha com capacidade ociosa elevada. A projeção para a inflação deste ano se mantém dentro da meta.

No entanto, se preservadas as condições atuais de câmbio e juros, a taxa esperada para 2019 será superada, o que exigirá atuação do BC num horizonte próximo.

Na reunião de outubro para decidir o patamar dos juros, o Brasil já terá escolhido o novo presidente. Independentemente de empatia, o eleito pode ser obrigado a chamar o Ilan.
Herculano
22/09/2018 07:53
ALIADOS CRITICAM POR VIAGEM AO NORDESTE, por Josias de Souza

Alckmin participou de carreata na região central de Salvador, reduto petista, ao lado do prefeito ACM Neto (DEM)

As pesquisas indicam que Alckmin dificilmente realizará em 2018 o sonho de chegar ao Planalto. Para complicar, os aliados suspeitam que a agenda de campanha do presidenciável tucano é feita por gente que está empenhada em assegurar a realização dos seus piores pesadelos.

Nesta sexta-feira, há duas semanas da eleição, Alckmin realizou uma incursão por Recife e Salvador. Os críticos sustentam que as viagens do tucano às regiões Nordeste e Norte tornaram-se uma nova modalidade de desperdício de tempo. A hipótese de o tucano colecionar votos na quantidade amazônica que necessita entre nordestinos e nortistas é negligenciável.

Sustenta-se que, na reta final da campanha, Alckmin deveria gastar o solado do seu sapato nas ruas do interior de São Paulo, onde sofre algo muito parecido com uma hemorragia de votos. No Estado que governou quatro vezes, informa o Datafolha, o tucano (16%) seria batido nas urnas por Bolsonaro (27%) se a eleição fosse hoje.

Com seu quintal político em chamas, Alckmin pretendia esticar a agenda de compromissos no Nordeste, visitando outros Estados. Foi desaconselhado. Na semana passada, já perdera tempo na região Norte, onde seu eleitorado cabe, por assim dizer, numa caixa de fósforos. Estivera em Rio Branco (AC). E planejava esticar até Manaus. Desistiu depois que o prefeito da capital amazonense, o tucano Arthur Virgílio, se negou a recebê-lo.

Um correligionário nordestino ensinou ao comitê de Alckmin: "Uma agenda bem feita pode eleger um derrotado. Mas uma agenda mal feita derrota até um eleito." A lição foi momentaneamente compreendido. Neste sábado, Alckmin faz campanha em três municípios paulistas: Sorocaba, Piracicaba e Jundiaí.
Herculano
22/09/2018 07:49
ENTRE A ESPADA E A PAREDE, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no jornal Folha de S. Paulo

É preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica

A 15 dias do primeiro turno das eleições, parece provável que caiba a um dos candidatos do campo popular o comando do polo democrático contra a opção autoritária representada por Jair Bolsonaro (PSL, 28% das intenções de voto) na segunda fase. Caso a probabilidade se confirme, tanto Fernando Haddad (PT, 16%) quanto Ciro Gomes (PDT, 13%) terão que conjugar duas necessidades antagônicas. De um lado, a de agregar todos os que rejeitam a volta da ditadura. De outro, romper com o bloqueio neoliberal quanto à política econômica.

Cabe lembrar que a ascensão do postulante de extrema direita corresponde a dupla determinação. Estimulada inicialmente pelo antipetismo que eletrizou vastos setores da classe média a partir de 2013, a candidatura radical não chegaria ao ponto alcançado caso a economia andasse bem.

No numeroso segmento de renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos, no qual emprego e renda são os problemas principais, Bolsonaro alcança 34% das intenções de voto (Datafolha, 20/9).

É verdade que convertido a um ultraliberalismo de ocasião, o programa de Bolsonaro levaria ao resultado oposto do pretendido por tais eleitores. Não obstante, é um voto que passa longe de plataforma. Trata-se, na verdade, de um protesto contra uma casta (Brasília) que roubaria a sociedade (Brasil), impedindo que haja mais postos de trabalho e melhor remuneração.

Assim, a insatisfação com a economia é o pano de fundo que abarca todo o eleitorado popular. Em consequência, para que os comandantes da opção democrática levem a embarcação a bom termo, isto é, possam governar, será preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica.

Aqui, porém, esbarram em conflitos centrais. O debate posto no Brasil é semelhante ao que acontece mundo afora. Como tem se tornado comum depois de 2008, diante das crises, o neoliberalismo em lugar de recuar, se torna mais radical. Considera ser indispensável aprofundar a austeridade para, supostamente, corrigir problemas causados pela própria austeridade.

Parte dos neoliberais é sinceramente democrática e o seu concurso será relevante para brecar a ascensão dos que flertam com o fascismo à brasileira. A posição da revista The Economist (Folha, 20/9) contra o bolsonarismo, por exemplo, ajuda a conformar o amplo arco que se levanta em favor das liberdades civis.

Simultaneamente, porém, pressionam, por todos os meios e formas, para que os presidenciáveis populares beijem a cruz da "responsabilidade fiscal", com o que ficariam imobilizados.

Haverá alguma fresta entre a espada e a parede?
Herculano
21/09/2018 21:04
HADDAD É LULA, MAS O PLANALTO NÃO É CADEIA, por
Josias de Souza

Especialistas sustentam que a personalidade humana fica pronta até os cinco anos de idade. Um portador de dupla personalidade já está feito na infância, mesmo que ainda não tenha desfrutado da chance de ser um poste do PT numa campanha eleitoral. Haddad, o substituto de Lula, tem experiência nesse tipo de transtorno. Ele fundiu sua personalidade à de Lula para chegar à prefeitura de São Paulo. Agora, tenta a sorte como poste federal.

Lula é Haddad, Haddad é Lula, eis o lema da campanha petista. Se o eleitor comprar a tese de que o novo poste é solução para os problemas nacionais, Lula passará à história como eletricista do século. Se o poste for refugado pelo eleitor, o presidiário de Curitiba renovará sua pose de perseguido. Em qualquer hipótese, o segredo do negócio é esconder o fiasco da administração Dilma, a poste-antecessora.

Haddad entrou na corrida presidencial com atraso. Revelou-se uma espécie de Usain Bolt (100 m em 9s68). A diferença é que ele corre com as pernas de Lula. Nos comícios, imita a voz de Lula. No primeiro debate presidencial de que participou, ecoou Lula em 100% das respostas. Se eleito, Haddad irá para Brasília. Lula talvez continue em Curitiba, pois deve ser condenado por Sergio Moro em mais dois processos. Ficará no ar uma dúvida: a sede do governo será no Planalto ou na cadeia?
Herculano
21/09/2018 21:00
É O LIBERALISMO DE BOLSONARO QUE SEDUZ PARTE DOS RICOS E UNIVERSITÁRIOS? NÃO! É óDIO A POBRE E À DIFERENÇA. EXISTEM OS CANDIDATOS LIBERAIS! por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

O Jair Bolsonaro "liberal", no qual acreditam setores do mercado, é só uma invenção eleitoral oportunista em que o medo de pobre e de preto, compartilhado por setores da classe média e dos ricos, finge acreditar.

"Ah, só classe média e rico vota em Bolsonaro?"

Quem leu isso no que escrevi pode parar por aqui porque é analfabeto funcional e não vai entender o resto. Vá votar no "capitão" e seja feliz em sua vida ágrafa.

A única saída que o Brasil tem para a crise ?" ÚNICA ?" é diminuir os gastos do Estado e a interferência do dito-cujo na economia. Teria de haver uma redução de desembolsos propriamente, com a revisão de determinados programas e da brutal renúncia fiscal sob o pretexto de proteger alguns setores - ou "os empregos", na versão estúpida adotada pelo governo Dilma.

Ocorre que isso não se faz sem uma pactuação política e sem negociar a redução do tamanho do gigante com os setores diretamente beneficiados. É trabalho para candidato a estadista, não para economista em fase de mania. Nesse caso, só remédio resolve; não o poder.

A estratégia de Bolsonaro, em havendo alguma, é o "choque". A turma é tão fascinada pelos movimentos circenses de Donald Trump que tentará reproduzir por aqui o que o malucaço faz por lá. "Ah, mas está dando certo?" Peguem a interferência que tem o Estado americano na vida dos cidadãos e a que tem o Estado brasileiro. O sistema americano até pode abrigar um "clown", se é que ele termina o mandato; o do Brasil, não. Mas isso fica para outra hora.

O fato e que inexiste um "Bolsonaro liberal". Existe é um Paulo Guedes que pode ser identificado com esse pensamento em economia, mas que dá mostras de não entender como funciona a democracia. A sua proposta mais clara sobre impostos, tanto quanto aquilo é claro, foi exposta em encontro privado de investidores, misturando unificação de impostos com volta da CPMF. As tentativas de desmentido soaram patéticas. Quando menos porque os impostos unificados não são universais ?" pagos por todos ?", e a CPMF sim. Aritmética elementar: está sobretaxando o pobre, que já é, relativamente, quem mais paga impostos no Brasil.

Então por que esse encanto com Bolsonaro? Ah, porque, como é mesmo?, é um homem "sem medo de dizer verdades".

E, ora vejam, suas "verdades" nada têm a ver com economia ou política. Bolsonaro faz com que os preconceitos mais primitivos, mais incivilizados e potencialmente mais brutais se manifestem como coisa normal, corriqueira, como parte da vida. Afinal, "tem preto folgado mesmo"; "esses índios são uns preguiçosos"; "Maria do Rosário é mesmo feia" (nego-me a reproduzir o resto do raciocínio até como caricatura); "bandido bom é bandido morto"; "brasileiro gosta é de mamata"; "essas pessoas penduradas no Bolsa Família são umas preguiçosas ou estariam trabalhando?"

Não é o liberalismo de Bolsonaro que seduz porque este, a rigor, não existe. A sua trajetória o prova. É a mobilização da besta do preconceito e do rancor instalada no fundo de algumas consciências.

Para essas almas encantadoras, um Geraldo Alckmin, por exemplo, ou um Henrique Meirelles não bastam. E não! A recusa nada tem a ver com o fato de que seriam "políticos tradicionais" - Meirelles disputou apenas uma eleição e, com efeito, teve papel fundamental duas vezes no equilíbrio das contas; contribuiu para tirar o país do abismo em ambas as circunstâncias?

Se é "liberalismo" que querem esses valentes, as opções estão dadas. Até João Amoêdo, novo, mas inequivocamente liberal, atenderia a esse pressuposto.

O Bolsonaro que atrai essas camadas de que falo é justamente o ILIBERAL, o reacionário, o do discurso fascistoide, o que alimenta a impressionante rede de ódio montada da Internet para xingar, intimidar, desmoralizar, enquadrar, demonizar pessoas que discordam dessa adorável visão de mundo.

A Folha publica nesta sexta um exaustivo levantamento sobre os votos do "capitão". Resumo: antiliberal, corporativista, favorável ao aumento de gastos do Estado.

"Ah, mas o Guedes vai dar um jeito nele!"

O Guedes, neste momento, foi submetido ao silêncio obsequioso. Levou um cala-boca!

Fica mais fácil assumir que o voto em Bolsonaro está ligado ao que essa gente pensa sobre pretos, índios, mulheres, os "brasileiros" (que são sempre os outros), o Bolsa Família...

A reportagem sobre a trajetória do corporativista, estatista e antiliberal Bolsonaro está aqui.

Ah, sim: sem querer chatear ninguém, lembro que os pobres não vão desaparecer por mágica. Nem que se meta a polícia para dar um jeito "nessa gente"...
Herculano
21/09/2018 20:55
CAMPANHA

Em pleno horário de trabalho, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, e o secretário de Saúde, presidente do MDB licenciado, Carlos Roberto Pereira, estavam servindo de cabo eleitoral e publicaram isso nas redes sociais deles. Coragem não lhes falta. Desculpa esfarrapada para os questionamentos na Justiça eleitoral, também. A melhor maneira de punir, é não dar voto para candidato que usa desse expediente.
Herculano
21/09/2018 20:46
IBOPE CONSOLIDA CENÁRIO LOCAL INDEFINIDO E ONDA BOLSONARO, porr Upiara Boschi, do Diário Catarinense, da NSC Florianópolis.

A duas semanas do fim da campanha eleitoral do primeiro turno, o instituto Ibope apresenta números que consolidam o cenário político catarinense. Há uma eleição embolada em imprevisível para o governo, uma disputa focada em experientes protagonistas pelo Senado e uma consolidação do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) como o preferido dos eleitores do Estado. A forma como esses três cenários vão se cruzar devem definir o resultado das urnas no dia 7 de outubro.

?Veja os números do Ibope?
A segunda rodada de pesquisas do Ibope contratada pela NSC Comunicação mostra o efeito da campanha política e dos programas eleitorais. Candidatos pela primeira vez em majoritárias, Mauro Mariani (MDB) e Gelson Merisio (PSD) suplantam numericamente Décio Lima (PT) e ocupam os espaços naturais de seus partidos e coligações na tradição política catarinense. O triplo empate técnico, inclusive nas simulações de segundo turno, dá o tom de uma disputa indefinida.

Pelos números do Ibope, qualquer um dos três pode estar no segundo turno. Os 21% de Mariani mostram que o emedebista já o identifica como o novo líder do partido. Os 18% de Merisio mostram que a campanha ao estilo metralhadora de propostas encontrou eco em uma importante fatia do eleitorado. Os 17% de Décio mostram que o PT conseguiu reter seu padrão histórico eleitoral no Estado. Entre os demais candidatos, a expectativa de que a onda Bolsonaro pudesse impulsionar Comandante Moisés (PSL) ainda não se confirmou.

O Senado traz leituras semelhantes - é como se a tradição política catarinense fosse sendo desenhada de uma rodada de pesquisas para outra. Esperidião Amin (PP) subiu sete pontos e se consolidou na liderança com 30%, enquanto Raimundo Colombo (PSD), também ex-governador, manteve os 27%. O senador Paulo Bauer (PSDB) subiu de 19% para 25%, forçando outro triplo empate na margem de erro - desta vez, com duas vagas em disputa. Lutando contra esse experiente clube, o deputado federal Jorginho Mello (PR) esboçou uma reação, chegando a 13% liderando o bloco intermediário que compartilha com a ex-senadora Ideli Salvatti (PT), com 8%. Os demais ainda não conseguiram se destacar.

Os números que mais chamam atenção, no entanto, são os presidenciais. Eles destoam da tradição histórico-partidária catarinense ao colocar o outsider Bolsonaro disparado na liderança com 40%. Na rodada anterior, eles tinha entre 26% no cenário com Lula (PT) e 28% quando o adversário petista era Fernando Haddad, agora candidato oficial. Essa onda já se sentia nas ruas e nas redes e deve ser o fator a influenciar toda a eleição.

Ao mesmo tempo, Haddad avança e mostra que deve mesmo abocanhar a fatia petista do eleitorado catarinense - o voto de Lula como teto, o de Décio como piso. De uma pesquisa para outra, passou de 3% para 12%. Geraldo Alckmin (PSDB), estacionado com Ciro Gomes (PDT) nos 6%, não parece ter força e nem apoios para recuperar a hegemonia tucanas em eleições presidenciais em Santa Catarina. Lembrando que os candidatos do PSDB, inclusive Alckmin, venceram entre os catarinenses em cinco das sete eleições diretas realizadas desde 1989.
Herculano
21/09/2018 20:31
IBOPE ESTÁ EM CIMA DO MURO E AINDA NÃO DECIFROU A TENDÊNCIA DO ELEITORADO CATARINENSE, OU OS CANDIDATOS A GOVERNADOR SÃO TÃO RUINS, QUE OS ELEITORES AINDA NÃO SABEM QUEM É O MENOS PIOR

A pesquisa do Ibope foi feita para o Diário Catarinense, da NSC Florianópolis. O texto é do jornal. Uma disputa com um terço do eleitorado sem ter um candidato e com empate técnico triplo na liderança entre o deputado federal Mauro Mariani (MDB), o deputado estadual Gelson Mersio (PSD) e o deputado federal Décio Lima (PT). Isso é o que mostra a segunda pesquisa Ibope para o governo de Santa Catarina, encomendada pela NSC Comunicação nas Eleições 2018. O levantamento foi realizado entre 18 e 20 de setembro e tem margem de erro máxima de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Mauro Mariani foi citado por 21% dos entrevistados, seguido por Merisio com 18% e Décio com 17%. O resultado é considerado empate técnico pelo Ibope porque o emedebista pode oscilar entre 24% e 18%, o pessedista entre 21% e 15% e o petista, entre 20% e 14%. O quarto colocado é Comandante Moisés (PSL), com 4%. Na sequência vem Ângelo Castro (PCO), com 2%. Ingrid Assis (PSTU), Portanova (Rede), Jessé Pereira (Patriota) e Camasão (PSOL) aparecem com 1% cada. Brancos e nulos somam 16% e outros 19% estão indecisos.

Em relação à pesquisa anterior, de agosto, apenas Mariani e Merisio tiveram crescimento, com o emedebista passando de 11% para 21% e o pessedista de 6% para 18%. Décio oscilou dentro da margem de erro, de 16% para 17%. Além destes três candidatos, Comandante Moisés e Camasão oscilaram positivamente, enquanto Ingrid e Portanova oscilaram para baixo e Jessé manteve o mesmo índice.

O Ibope também pesquisou três cenários de segundo turno. Num confronto entre Gelson Merisio e Mauro Mariani, o emedebista aparece numericamente à frente, com 31% contra 28% do pessedista. Na simulação com Décio Lima contra Merisio, o pessedista tem 31% contra 28% do petista. No cenário com Décio e Mariani, o emedebista soma 34% das intenções de votos e o petista, 28%. Em todas as simulações, portanto, há empate técnico considerando a margem de erro máxima de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O Ibope apurou também os índices de rejeição dos candidatos. Nesse quesito, Décio está isolado na frente com 22%. Depois, aparecem todos os candidatos empatados dentro da margem de erro: Camasão com 12%; Mariani, Ingrid e Portanova com 11%; Merisio, Jessé e Comandante Moisés com 10%; e Ângelo Castro com 9%. Entre os entrevistados, 10% afirmaram que poderiam votar em todos os candidatos e 40% não souberam ou não quiseram opinar. Nesta questão, era possível citar mais de um candidato, portanto os resultados somam mais de 100%.

Avaliação do governo
Além dos números da corrida eleitoral, o instituto questionou os eleitores de Santa Catarina sobre a avaliação da administração estadual. O governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), que não concorre à reeleição, tem a gestão desaprovada por 46% dos entrevistados, contra 34% que aprovam. A administração do emedebista é considerada regular por 42%, contra 22% de ruim ou péssima e 19% de ótimo ou bom. Do total de entrevistados, 16% não souberam avaliar.

Vagas no Senado
O Ibope pesquisou ainda a preferência dos eleitores para as duas vagas ao Senado que serão preenchidas nesta eleição. Na soma dos dois nomes citados, Esperidião Amin (PP) subiu de 23% para 30% e passou numericamente à frente. Na sequência vêm Raimundo Colombo (PSD), que manteve os 27% dos votos, e Paulo Bauer (PSDB), que subiu de 19% para 25%. Pela margem de erro, Amin e Colombo estão tecnicamente empatados na liderança, e há também empate técnico entre Colombo e Bauer na segunda posição. Jorginho Mello (PR) é o quarto, crescendo de 8% para 13%.

No segundo pelotão, em que só houve oscilações dentro da margem de erro, estão Ideli Salvatti (PT) com 8%; Professor Antônio (PSOL) com 4%; Roberto Salum (PMN) e Lédio Rosa (PT) com 3%; Professor Pedro Cabral (PSOL) e Lucas Esmeraldino (PSL) com 2%; e Andreá Luciano Carvalho (PCO), Ricardo Lautert (PSTU) e Miriam Prochnow (Rede), todos com 1%. Diego Mezzogiorno (Rede) não alcançou 1%. Brancos e nulos somam 32%, considerando as duas vagas, e 48% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

Presidência
A pesquisa Ibope encomendada pela NSC Comunicação também apurou as intenções de voto dos catarinenses para a Presidência da República.

Jair Bolsonaro (PSL) aparece liderando com 40% da preferência do eleitorado. Em segundo está Fernando Haddad (PT), com 12%. Esta é a primeira pesquisa Ibope em SC com Haddad oficializado candidato. Na sequência do petista vêm Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), ambos com 6%. Os dois estão tecnicamente empatados com Haddad, considerando o limite da margem de erro.

Completam o cenário Marina Silva (Rede) com 5%, João Amoêdo com 4%, Alvaro Dias (Podemos) com 3%, Henrique Meirelles (MDB) com 2% e Cabo Daciolo (Patriota) com 1%. Guilherme Boulos (PSOL), Vera (PSTU), João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC) não alcançaram 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 9% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

Além dos números da corrida ao Planalto, o instituto questionou os eleitores de Santa Catarina sobre a avaliação da administração federal. O presidente Michel Temer (MDB) tem a gestão desaprovada por 88% dos entrevistados, contra 8% que aprovam. A administração do emedebista é considerada ruim ou péssima por 79% dos eleitores, contra 15% de regular e 4% de ótimo ou bom.
Pedro S. Rodrigues
21/09/2018 19:15
Realmente é assustadora a intervenção ambiental que estão realizadando em um terreno as margens do ribeirão na Av. Das Comunidades em frente a Orsi Academia. Sou leigo nessa parte de legislaçao, mas alguém poderia responder se nao é necessario/lei respeitar 30 metros de recuo nas margens do ribeirão?
Quem passa pelo local se assusta, pois estao movimentando terra junto a calha do ribeirao e removendo a pouca mata ciliar que havia no local.
Tomara que algum órgão de fiscalizaçao como a Câmara, MP ou outro se interesse pelo assunto, pois um cidadão comum é uma formiga perto dos leões que ocupam o Paço Municipal, e infelizmente não tem força, tempo e estômago para agir e impedir os poderosos que tudo se permitem.
LEO
21/09/2018 16:18
É PARECE QUE O GOVERNO VAI FAZER BARBA,CABELO E BIGODE.NA CÂMARA DE VEREADORES. PARA A APROVAÇÃO DO PROJETO DE LEI QUE DA AUTORIZAÇÃO O GOVERNO A PEGAR EMPRÉSTIMO DE 100 MILHÕES.JÁ SE FALA QUE O GOVERNO TENHA 8 VOTOS,DOS 13 VEREADORES.PARA APROVAÇÃO DO PROJETO.NA POLITICA TODOS TEM UM PREÇO.O BRIZOLA VAI SE VIRAR NO TUMULO.E O COLOMBO FAZENDO ESCOLA
Alaíde Andrada
21/09/2018 12:56
É verdade que aquela obra as margens do ribeirão, em plena avenida das comunidades, tem licença ambiental aprovada pela superintêndencia de meio ambiente? Isso não deveria ser licenciado pela Fatma? O executor da obra foi doador na campanha 2018? Já vendeu apartamento pra algum prefeito? E quem assina os projetos?
Herculano
21/09/2018 11:13
da série: tarde demais. O PSDB quando perdeu com Aécio para Dilma, com estreita margem de votos, recebeu um mandato para ser oposição. Fingiu que não entendeu. Não limpou seus quadros quando a lama lhe apresentou, não renovou e ainda dividiu-se em apoiar Michel Temer, ao invés de apoiar fora do governo, pautas que são as do seu programa. Agora agoniza nestas eleições gerais. Em Gaspar é a mesma coisa com a vereadora Franciele Daiane Back, que na contramão do diretório, está no governo de Kleber Edson Wan Dall, sob intenso questionamentos.

ALCKMIN FAZ TECNICAMENTE CORRETO E PARTE PARA A DESCONSTRUÇÃO DE BOLSONARO; ALERTA AINDA PARA O RISCO DE VENEZUELIZAÇÃO DO PAÍS, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, passou a fazer a coisa tecnicamente correta - e não vai, não neste texto, juízo de valor sobre este ou aquele - na disputa eleitoral que, até agora, tem se mostrado bastante difícil para ele. Seu alvo instrumental passou a ser o deputado Jair Bolsonaro (PSL), embora o alvo final seja mesmo o PT. Explico.

Segundo o Datafolha, Bolsonaro é hoje o principal receptáculo do antipetismo. Parte considerável do eleitorado o escolhe porque o vê como o mais duro combatente contra o petismo. A tarefa do tucano é complexa: consiste em dizer que Fernando Haddad já está no segundo turno e que deputado do PSL pode ser o passaporte para a volta dos companheiros em razão das rejeições que desperta.

Só essa pregação, no entanto, tem-se mostrado ineficiente. Ou inútil mesmo. Sem a tentativa de desconstrução da imagem plasmada por seu adversário à direita, nada feito. Nos primeiros dias de campanha, essa já era a escolha, diga-se. Ocorre que Bolsonaro foi vítima da facada justamente no sétimo dia do horário eleitoral, 6 de setembro. Apenas três deles tinham sido dedicados aos presidenciáveis: 1º, 3º e 5º. E aí foi preciso suspender, por razões que dispensam explicação, a artilharia. Afinal, não se sabia qual poderia ser a reação da população diante do ataque político a uma figura que enfrentava uma situação bastante difícil no hospital.

Ocorre que, no período, Jair Bolsonaro cresceu e se consolidou no primeiro lugar das intenções de voto. E, como já se disse aqui, a peça de resistência de sua campanha é o antipetismo ou, mais genericamente, o antiesquerdismo.

Alckmin não disputa o coração do eleitorado propenso a votar em Ciro Gomes ou no PT - nesse caso, a identificação de Lula com Haddad é que acabará determinando o que vai acontecer com o candidato petista. Já o eleitorado dos candidatos do centro para a direita ?" Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e Álvaro Dias (Podemos) - podem, do ponto de vista ideológico, se identificar com a pauta de Alckmin. Há ainda os eleitores indecisos e dispostos a votar em branco ou a anular seu voto.

Ora, se Bolsonaro está no raio de visão desses eleitores, então é só deslocar um pouco o binóculo e se vai achar o próprio Alckmin. Assim, a única coisa que faz sentido ao tucano é a desconstrução da imagem de Bolsonaro: para que não passe a atrair mais votos e para que perca a adesão dos que ainda não estão convictos.

E aí Alckmin apelou para o cenário de caos, lembrando, inclusive, elogios de Bolsonaro a Hugo Chávez quando este chegou ao poder. Afirmou o tucano no horário eleitoral:

"Talvez esse seja um dos momentos mais delicados da nossa democracia. O risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismos que estão colocados nessa eleição". E bateu no "extremismo de um deputado que já mostrou simpatia por ditadores, como Pinochet e Hugo Chávez, que já defendeu o uso da tortura, que acha normal que mulheres ganhem menos que os homens. Uma pessoa intolerante e pouco afeita ao diálogo; que, em quase 30 anos de Congresso, nunca presidiu uma comissão sequer. Nunca foi líder de nenhum dos nove partidos a que foi filiado. Um despreparado, que representa um salto no escuro."

Desconstrução de imagem funciona? Funcionou em 2014. Marina Silva, que assumiu a titularidade da chapa do PSB com a morte de Eduardo Campos, chegou a empatar com Dilma Rousseff em primeiro lugar nas simulações de primeiro turno e a vencer a petista nas de segundo. O PT percebeu o perigo e fez picadinho da candidata, que acabou chegando em terceiro lugar. O rival ideológico da legenda era Aécio Neves, como, no caso de Alckmin, é o PT. Mas foi preciso um ataque a quem competia com o partido no mesmo território.

A investida de Alckmin vai funcionar? Não sei. Mas sei de uma coisa: a única alternativa é também a melhor.
Herculano
21/09/2018 11:05
INTERLOCUTOR DA FAMÍLIA E NÃO DO GOVERNO? É ISSO? UM CURIOSO?

Do editor de livros, Carlos Andreazza, no twitter

Em matéria econômica, o que me preocupa não é Jair Bolsonaro mandar Paulo Guedes sossegar - mas indicar Eduardo Bolsonaro como interlocutor do mercado. A pergunta é: na falta de Guedes, é isso que teríamos?
Herculano
21/09/2018 10:58
GOVERNAR É TÃO OU MAIS DIFÍCIL QUE SE ELEGER, Maílson da Nóbrega, economista, ex-ministro da Fazenda, no governo de José Sarney,MDB, para o jornal Folha de S. Paulo

Desafio é negociar sem sucumbir ao baixo clero

No Brasil, não basta ganhar as eleições presidenciais. O vencedor precisa formar e coordenar uma coalizão. Seu partido elegerá no máximo 70/75 deputados, mas necessitará de no mínimo 308 votos para aprovar emendas constitucionais. A proporção é semelhante no Senado.

A renovação do Congresso será muito pequena. O padrão mental e os costumes de sempre continuarão a ditar a forma como serão feitas as negociações. Grande parte manterá a dependência do voto de corporações e de interesses paroquiais.

Construir a maioria não será suficiente, pois ela se forma em cada votação relevante. O presidente precisa ter, além de liderança e legitimidade, habilidades para articular o apoio a seus projetos essenciais, caso a caso.

No presidencialismo de coalizão, que implica o compartilhamento do poder, o chefe do governo assume o papel de coordenador do jogo político. Compartilhar é distribuir postos ministeriais.

O presidente tem uma cota pessoal, que compreende pelo menos a Fazenda, o Planejamento e a Casa Civil. Os demais ministros são indicados pelos partidos da coalizão. É assim em países onde o vencedor não tem a maioria no Parlamento.

Formar o ministério é obra de engenharia política. É preciso demonstrar perícia e arte para contemplar aliados, regiões do país, mulheres e representantes de segmentos econômicos e sociais.

A promessa de um presidenciável de anunciar o ministério antes de se eleger revela sério desconhecimento do processo. Tampouco faz sentido recusar escolhas por indicações políticas. Ou governar com os melhores. Nem sempre é possível escolher.

Nomear um superministro da Economia pela fusão de ministérios, sem extinguir suas funções, não faz sentido. A ideia de que esse ministro terá carta branca desconhece que é o presidente quem governa e que as decisões básicas são do Congresso. Enfeixar tanto poder nas mãos de uma única pessoa vai criar conflitos e ineficiências.

Há três recursos de poder para exercer a coordenação. Primeiro, nomeações para os cargos de ministro e para posições do segundo escalão. Segundo, liberação de emendas parlamentares. Terceiro, habilidade pessoal. Impossível fugir dessa realidade.

O terceiro é o mais relevante. Pressupõe alta inteligência emocional, equilíbrio, paciência, capacidade de articulação, entender a relação com o Congresso, um bom auxiliar da coordenação política e a arte de lidar com os parlamentares.

É preciso identificar formadores de opinião, quem é mais confiável e os que merecem atenção e prestígio. Há que saber quem convidar para viagens e para recepções palacianas. Um quê de encanto é crucial. Tudo isso requer experiência. Não se faz um líder político eficaz da noite para o dia.

Negociar com base em princípios só será possível (e olhe lá) quando tivermos partidos programáticos, não hoje.

A forma atual de negociar constitui uma das regras do jogo, mas pode ser fatal o uso da corrupção para aliciar apoios.

É necessário saber transmitir mensagens e obter apoio da opinião pública para o programa de reformas, pois isso reforça a capacidade de articulação política. Presidentes impopulares perdem o poder de agenda.

Por último, o baixo clero sabe que a democracia funciona no plenário, isto é, a vontade da maioria prevalece. O baixo clero é maioria e pode vetar reformas. O desafio é negociar sem sucumbir à vontade desse grupo, que costuma andar de braços com o corporativismo e a irresponsabilidade fiscal.

Em resumo, como disse Tom Jobim (1927-1994), "o Brasil não é para principiantes".
Herculano
21/09/2018 10:54
PENSANDO BEM...

Se um candidato lançado na frente de uma penitenciária, patrocinado por um réu e condenado e preso, tem chances de ser presidente derrotando gente que não tem bandido a orientá-lo da cadeia, isto significa que a criminalidade e os que detestam a lei geral que deveria servir para todos é a maioria. Pois ela, essa maioria, acha tudo isso normal...
Herculano
21/09/2018 10:51
UM PAÍS NA MARGEM DE ERRO, por Guilherme Fiuza, na Gazeta do Povo, Curitiba

"Brasileiro confia tanto em pesquisa que nem dá para entender por que ainda tem eleição. Votar pra quê? Chega de intermediários.

Há mais de ano o Brasil sabe que Lula está no segundo turno. Como ele sabe? As pesquisas disseram. E não disseram uma vez, nem duas. Gritaram, reiteraram, vaticinaram sempre que o noticiário policial dava uma trégua ao ex-presidente.

O segundo turno de Lula hoje é o do carcereiro que toma conta dele à noite, mas não tem problema. Ele envia um representante, com procuração e tudo, para tomar conta do que é dele. O triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia, a cobertura de São Bernardo e a fortuna incomensurável para pagar advogados milionários por anos a fio não são de Lula. O que é dele, e ninguém tasca, é o lugar cativo no pódio dos institutos de pesquisa.

A estratégia de trazer o comandante do maior assalto da história para o centro da eleição que deveria ser o seu funeral político não é um incidente. Como já escrito ?" mas não custa repetir ao eleitorado distraído ?" é uma estratégia. E uma estratégia tosca.

O Brasil viu ?" mas para variar não enxergou - a construção dessa lenda surrealista: Lula, o PT e sua quadrilha representam, na sucessão de 2018, "a salvação progressista contra o autoritarismo". Contando ninguém acredita.

Uma imensa maioria de formadores de opinião e personagens influentes da elite branca (aquela mesma do refrão petista) vive de lamber esse herói bandido, fingindo defender o povo ?" esse mesmo povo roubado até as calças pelo meliante idolatrado por eles. Ou melhor: idolatrado de mentira, porque a única idolatria dessa elite afetada e gulosa é por grana, poder e aquele verniz revolucionário que rende até umas almas carentes em mesa de bar.

Então, aí está: a estratégia funcionou e os cafetões da ética imaginária conseguiram - milagre - chegar às portas da eleição defendendo sem um pingo de inibição o PT, exatamente o maior estuprador da ética que a história já conheceu.

Pode ser doloroso, mas é preciso constatar: a possível presença do PT no segundo turno será a canalhice brasileira saindo do armário. Sem meios tons.

Se o Brasil estivesse levando uma vida saudável, estaria agora dando continuidade à exumação da Era PT ?" e tomando as devidas providências para jamais errar de novo tão gravemente. Mas a margem de erro por aqui é um latifúndio ?" o país mora no erro, e eventualmente passa férias fora dele, como um marginal.

Tradução: o insistente culto ao fantasma petista fermentou as assombrações antipetistas ?" e o Brasil deixou de se olhar no espelho para ficar perseguindo morto-vivo com crucifixo na mão.

Fora desse fetiche mórbido, dessa tara masturbatória pelo falso dilema esquerda x direita, a reconstrução do Brasil parou. A saída quase heroica da recessão, com redução dos juros e da inflação, reforma trabalhista e recuperação da Petrobras ?" nada disso existe no planeta eleitoral de 2018.

Quem vai tocar isso adiante? Quem vai segurar o leme da economia com a perícia de Ilan Goldfajn, o presidente do Banco Central que nos salvou do populismo monetário de Dilma e seus aloprados?

A resposta contém o disparate: um desses aloprados (que tinha o leme nas mãos na hora do naufrágio), o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa foi expulso da campanha de Haddad, o gato (ligação clandestina no poste) - banido por outro náufrago ainda mais aloprado que ele, o economista Marcio Pochmann. Ou seja: a possível reencarnação petista no Planalto está nas mãos dessa militância pré-histórica que se fantasia de autoridade acadêmica para perpetrar panfletos que fariam Nicolás Maduro dizer "menos, companheiro".

Adivinhe se esse tema aparece na campanha presidencial?

Adivinhou, seu danado. O Brasil está lá, boiando na margem de erro, lendo pesquisa e brincando de jogar pôquer com o 7 de outubro. Nem sabe quem é o economista do Haddad. Ou melhor: nem sabe quem é o Haddad ?" porque aquele ministro da Educação tricampeão de fraudes no Enem, que não sabia nem aplicar uma prova e mandava escrever "nós pega o peixe", sumiu de cena. Não existe mais também o prefeito escorraçado ainda no primeiro turno por inépcia.

Esse Haddad aí é outro: é o super-homem das pesquisas, que voa por cima de todo mundo com a criptonita do Lula e faz a imprensa companheira lutar por uma foto dele com a camisa aberta e a grife do presidiário explodindo no peitoral.

Vai nessa, Brasil. As pesquisas colecionam erros clamorosos em todas as eleições, mas dessa vez talvez até acertem, porque num país exilado na margem de erro qualquer chute é gol - mesmo no campeonato dos detentos."
Herculano
21/09/2018 10:48
NÃO HÁ QUALQUER DÚVIDA: HADDAD COMO "CENTRO" É ESTELIONATO ELEITORAL, por Rodrigo Constantino, na Gazeta do Povo, Curitiba.

Já escrevi mais de um texto aqui sobre a estratégia da esquerda radical e parte do establishment, apavorado com a possibilidade de vitória do "outsider" Jair Bolsonaro. Ela consiste em pintar o ultra-radical candidato do PT como "moderado pragmático". Fernando Haddad já tem pinta de tucano, o que ajuda na embalagem. O desespero com Bolsonaro faz o resto do serviço: Haddad se transforma num sujeito ponderado e, vejam só, até a favor da austeridade.

O editorial do GLOBO de hoje fala dessa "guinada" ao centro como estratégia, compara com aquilo feito por Lula no primeiro mandato, e termina questionando se o PT aprendeu mesmo a lição ou se mente. Eis um trecho:

Caminharia para a quarta derrota. Lula, então, deu o cavalo de pau no transatlântico e, em meados de 2002, lançou a Carta ao Povo Brasileiro, garantindo cumprir contratos (leia-se, nada de calote nas dívidas interna e externa, uma obsessão da esquerda; e respeito ao mercado). Deu certo.

Haddad já começou o cavalo de pau. Na sabatina da "Folha", UOL e SBT confirmou o afastamento da sua campanha do economista Marcio Pochmann, símbolo do pensamento econômico petista de raiz. Pochmann é arauto, entre outras heresias, da ideia de que não há urgência para a reforma da Previdência. Sabe-se no que este tipo de tese resulta. Haddad foi adiante e admitiu que parte da proposta da reforma previdenciária de Temer "tem coisas úteis". Principalmente a reforma do sistema dos servidores. O resto, disse, iria para "uma mesa de discussões". Estas já foram esgotadas, mas este é outro assunto.

Lula, inicialmente, cumpriu a promessa e, para reforçar o compromisso, permitiu que Palocci, no Ministério da Fazenda, seguisse uma política de ajuste "neoliberal", ajudado, no Banco Central, por ninguém menos que um tucano, Henrique Meirelles, e, mais do que isso, ex-presidente mundial do BankBoston, um dos braços do "capital financeiro monopolista internacional".

Funcionou. A inflação, que disparara devido à alta do dólar causada pelo temor a Lula, retrocedeu, e a economia voltou a crescer. Por isso, também já se especula sobre o nome de um "neoliberal" para a Fazenda de Haddad. Lula sabe em detalhes esta história.

Mas conspira contra PT e Fernando Haddad o desfecho daquela apenas aparente ?" viu-se depois ?" conversão do partido às boas práticas de política econômica. A dúvida é se aprenderam a lição ou poderão cometer outro estelionato eleitoral.

A dúvida só quem tem é o jornal carioca, ou quem deseja muito ser enganado novamente. Qualquer observador isento não questiona uma coisa dessas, pois sabe que o PT está apenas mentindo, como sempre, que é totalmente incapaz de aprender qualquer lição sincera. A única lição que o PT aprende é como evitar perder o poder, ou seja, o partido oficialmente lamenta não ter sido mais radical na implantação do bolivarianismo no Brasil.

Os petistas continuam defendendo abertamente o modelo venezuelano, em seus documentos oficiais não fazem qualquer autocrítica dos erros passados, e seguem desrespeitando a Justiça. A vice na chapa de Haddad é a comunista Manuela D'Ávila, do PCdoB. As pessoas próximas são todas extremistas de esquerda, pregando tudo contra as reformas necessárias para o país.

Não obstante, o jornal carioca tem dúvida se aprenderam a lição ou se vão tentar cometer outro estelionato eleitoral. É como ter dúvida se um serial killer que já matou dezenas vai agora se tornar um bom samaritano ou vai praticar novamente o crime. É muita vontade de ser enganado. É muita cegueira ideológica. É a típica postura tucana, de quem adora apanhar e depois questiona se o agressor, no fundo, não é bonzinho.

Não há qualquer espaço para dúvida aqui. É óbvio que se trata de um estelionato eleitoral, como, aliás, alertei bem antes que aconteceria. Estava na cara que o PT faria isso para tentar seduzir os votos mais ao centro. "Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será facilmente sua presa", alertou Schopenhauer. O PT tenta ocultar os chifres, naturalmente. Mas se olharmos direito, nem conseguem esconde-los. Basta procurar nos lugares certos, nas atas oficiais do partido, nas declarações, e lá estarão os enormes cornos do Belzebu.
Herculano
21/09/2018 07:27
ELEIÇÃO DE IDEIAS AINDA MAIS MALUCAS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Candidatos líderes nas pesquisas deliram nos planos para impostos e gastos

As aparências enganam os que odeiam e os que amam o gasto do governo. Na campanha eleitoral, nesta em particular, as ilusões tornam-se desvairadas.

Além das ideias de grêmio estudantil do jardim da infância de certa esquerda, há disparates novos da direita e mesmo do dito centro. A biodiversidade da maluquice aumenta.

O companheiro de chapa e marcha de Jair Bolsonaro, seu vice, o general Hamilton Mourão, dizia nesta quinta-feira (20) que pretende (ele mesmo?) baixar a carga tributária a 22% do PIB, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Hum.

A carga tributária anda pela casa dos 32,5% do PIB. Além disso, os governos federal, dos estados e dos municípios gastam mais do que arrecadam, outros 2,2% do PIB (não inclui a despesa com juros, de mais de 5% do PIB).

O general quereria reduzir a carga tributária em 11,5 pontos do PIB. Suponha-se que Mourão vá dividir essa conta com estados e municípios. O general já contou sua ideia para governadores e prefeitos? Mas tanto faz o tamanho da redução da carga. Qualquer que seja, não dá para fazer tão cedo, ponto.

Apenas na Previdência, o governo federal gasta 8,6% do PIB (não inclui aposentadorias de servidores).

Com pobres muito idosos ou com incapacidade de trabalhar e Bolsa Família vai 0,8% do PIB. Salários de servidores, uns 2,8% do PIB. Investimento em obras, 0,3% do PIB. Saúde, algo perto de 1,1% do PIB.

Qual é o plano? Quem vai ser esfolado? Como conter o déficit, havendo menos receita?

Claro que essa conversa não faz sentido algum, nem em 2019 ou 2022, nem daqui a uma década ou duas. A carga tributária vai aumentar, pois os governos estão quebrados.

O tutor econômico de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, pretende substituir impostos que arrecadam cerca de metade da receita federal por uma ou duas CPMF monstruosas. Sim, 50%, cerca de R$ 730 bilhões.

Diz que não quer aumentar a carga tributária. Mas, como tal imensa substituição é no mínimo temerária, pode ser até que a arrecadação caia, fora o risco de desorganização econômica com tamanha reviravolta. E aí? Como vai tapar o rombo ainda maior e evitar a turumbamba financeira e fiscal?

Há quem proponha, da esquerda à direita, um novo sistema previdenciário, em geral uma desconversa a fim de evitar o tema impopularíssimo da reforma. Qual a ideia?

Criar o sistema de capitalização. Isto é, cada trabalhador teria uma conta individual, em que aplica sua poupança para a aposentadoria. Parece bacana (embora em si possa também dar bem errado).

O problema é que as aposentadorias de agora são bancadas pelas contribuições de quem está na ativa. Se essas contribuições deixam de pagar os benefícios de quem está aposentado, quem fica com a conta? É uma despesa estimada em R$ 638 bilhões no ano que vem, 44% de tudo o que o governo federal prevê gastar em 2019.

Quando seu candidato vier com essa conversa, pergunte quem vai pagar a conta e se o plano dele prevê achatamento brutal das aposentadorias.

Há desvario por quase toda a parte. Haveria dinheiro para tudo. Haveria como cortar qualquer gasto, sem que se diga quem vai ser esfolado.

Certa esquerda, por exemplo, acredita que o gasto público no Brasil diminuiu depois que acabou o primeiro governo de Dilma Rousseff. Hum. O gasto aumentou, em proporção do PIB. O PIB caiu? É verdade. Mesmo assim, o gasto per capita deste ano é superior ao de 2014.

Chega de delírio e demagogia.
Herculano
21/09/2018 07:24
O QUE SE ESCONDE?

Manchete do jornal O Globo: PSL põe freio em falas de General Mourão [vice] e Paulo Guedes.
Herculano
21/09/2018 07:23
ALCKMIN AGRESSIVO CONTRA BOLSONARO E HADDAD É APOSTA SAIDERA DOS TUCANOS, por Andrei Meireles, em Os Divergentes

No debate promovido pelos bispos católicos na TV Aparecida, Geraldo Alckmin se destacou quando, deixando de lado o figurino de picolé de chuchu, partiu para cima de Fernando Haddad. Puxou a fila de candidatos que tiraram uma casquinha do estreante Haddad em debates presidenciais.

Foi uma aposta diferente. Por sua própria cabeça ou conselho de marqueteiros, Alckmin vinha mirando em Bolsonaro para se credenciar com o melhor adversário do PT no segundo turno presidencial. Centrava os tiros no campo da direita. Os números da última pesquisa Datafolha mostram que essa mira, por via oblíqua, pode estar atingindo o alvo errado.

Quem rejeita Fernando Haddad, a nova cara do PT na disputa pelo Palácio do Planalto, prefere apostar em Jair Bolsonaro para esse embate. Nada menos que 57% dos antipetistas optam pelo capitão nessa batalha. Só 8% atribuem esse papel a Alckmin, menos até do que os 9% em Ciro Gomes, com sua ginástica verbal de atacar Haddad e, ao mesmo tempo, preservar Lula.

A estratégia tucana de bater em Bolsonaro, antes tímida, agora frontal, como no programa eleitoral exibido na noite dessa quinta-feira, na propaganda na tevê, em que o capitão e o PT foram colados ao fracasso do chavismo na Venezuela. A eficácia dessa nova ofensiva será aferida nas próximas pesquisas eleitorais.

O que vinha sendo levado até agora ao ar, no rádio, na tevê e nas redes sociais, praticamente não surtiu efeito. Se Alckmin não conseguiu se firmar como melhor opção ao petismo, tampouco se credenciou como alternativa a Bolsonaro. Quando indagado pelo Datafolha sobre em quem pretende votar, 31% dos eleitores avessos a Bolsonaro dizem que em Haddad, outros 21% em Ciro Gomes. Sobraram 11% para Alckmin, o mesmo número de Marina Silva.

Nessa altura do jogo eleitoral, Alckmin parece carta fora de um baralho em que os favoritos são Bolsonaro, Haddad e Ciro Gomes.

Mas com essa nova e agressiva estratégia, divulgada em um latifúndio de tempo no rádio e na tevê, ele tem uma chance saideira de voltar ao páreo. Ou, então, com ataques a Bolsonaro e Haddad, ajudar a candidatura Ciro Gomes, Plano C do establishment.

A conferir.
Herculano
21/09/2018 07:17
da série: quando alguém perde, ele foi "eleito" para ser oposição, fiscal, constituir-se uma alternativa; o PSDB não entendeu isso quando perdeu para o PT de Dilma. Hoje paga caro. Em Gaspar não é diferente.

PODER, IRRELEVÂNCIA OU ARRUAÇA?, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Vivemos um tempo em que ao derrotado pode restar a irrelevância ou a arruaça

Se Jair Bolsonaro (PSL) ou Geraldo Alckmin (PSDB) vencer a disputa, sei quem vai liderar a oposição: o PT. E já é um lugar de poder. Essa batalha, o partido já ganhou. Agora há a outra. Se o vitorioso for o petista Fernando Haddad ou Ciro Gomes (PDT), quem comandará o campo adversário? A pergunta e a resposta expõem a miséria a que chegou a política brasileira.

Segundo dados da mais recente pesquisa Datafolha, Bolsonaro lidera a corrida no primeiro turno, com 28%. Empatados tecnicamente em segundo lugar estão Haddad, com 16%, e Ciro, com 13%. Alckmin segue com 9%. A disputa de 2014 recomenda cuidado com antevisões a duas semanas da disputa. Mas é razoável supor ao menos que o "capitão reformado" tem grande chance de estar na etapa final. E essa possibilidade basta para a fantasmagoria de que se vai tratar aqui.

Antes, uma pequena pausa. Notem que recorri no parágrafo anterior a uma expressão comum na imprensa. Para não repetir a palavra "Bolsonaro", optei por "capitão reformado". Os especialistas poderiam debater se estamos diante de uma perífrase ou de uma antonomásia (cabe pesquisa aos interessados). Do ponto de vista da política, trata-se apenas de uma disfunção.

Afinal, todos sabemos o que é um petista, um tucano, um peemedebista ou um democrata... Mas que diabos seria um "peesselista"? O PSL, a exemplo do PRN do Fernando Collor de 1989, só tem existência cartorial. À época, empregava-se "caçador de marajás" na segunda referência ao candidato porque não havia como escrever "peerrenista". O resto da história é conhecido. Ou, no caso dos "moços, pobres moços", tem de ser.

Se o "capitão reformado" vencer, já sabemos que o PT vai chefiar a oposição tenha o tamanho que tiver. O que eventualmente lhe faltar no Parlamento será compensado por sua inserção nos sindicatos e nos movimentos sociais.

Não será difícil arrebanhar apoio na sociedade porque o vitorioso, então, terá chegado lá com ou contra a rejeição de parcela considerável da população. Ademais, um fato: foi a Justiça que impediu Lula de voltar à Presidência, não o eleitor. Não se trata de um juízo de valor. Só um fato para quem gosta de fatos.

Como o bolsonarismo de internet está fascinado com a ideia da "guerrilha cultural", ou da "contraguerrilha", os opostos vão se alimentar e se neutralizar num período de instabilidade que promete ser longo. Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga", ficou claro, parece disposto a assombrar a seara acadêmica também na área econômica. Ele não conseguiu ensinar economia a Bolsonaro, mas Bolsonaro conseguiu lhe ensinar bolsonarices.

Pensemos um pouco mais. É claro que nossa perífrase ou antonomásia pode ser derrotada, não? Na simulação de segundo turno, o peesselista (!) aparece empatado com Fernando Haddad ?" ainda "Andrade" em muitos rincões ?", com 41% das intenções de voto, e perderia para Ciro Gomes por 45% a 39%. Cabe a pergunta: numa eventual vitória da esquerda, quem vai chefiar a oposição?

Ainda que os estranhamentos entre ciristas e petistas sejam relevantes no primeiro turno ?"e, às vezes, até divertidos?", é razoável supor, qualquer que seja o vencedor desse campo ideológico, que é grande a possibilidade de haver uma composição entre PT e PDT.

Nota à margem: não estou aqui a decretar, porque 2014 não autoriza, que Alckmin está fora do jogo. Mas, também nesse caso, o PT será a vanguarda do "não". Volto ao cenário de vitória da esquerda.
Bolsonaro não terá, se derrotado, condições políticas, intelectuais e partidárias de comandar a oposição. Ele o faria ancorado em quais pressupostos?

Para a segurança, um 38 na mão de cada brasileiro? Para a educação, uma escola em que moleque não seja estimulado a brincar de boneca? Para a economia... Bem, para a economia, não existirá, creio, nem mesmo o Guedes.

Quantos parlamentares o acompanharão na resistência democrática a um eventual governo de esquerda? A tarefa caberá, mais uma vez, ao PSDB ?" que, nessa hipótese, não terá nem tamanho nem força para um trabalho eficiente.

Nas democracias, quem perde vigia o poder. Vivemos um tempo em que, a depender do resultado, ao grande derrotado restará a irrelevância ou a arruaça. Como foi que chegamos a esse ponto?
Herculano
21/09/2018 07:09
O QUE SE ESCONDE É O PIOR QUE SE PRESENTE

Na seção Trapiche da coluna especial para os leitores e leitoras da internet no portal Cruzeiro do Vale,o mais acessado de Gaspar e Ilhota, escrevi, bem antes de se descobrir parte do que o economista e o candidato Jair Bolsonaro, PSL trama entre quatro paredes contra os mais pobres.

Natural. Como escrevi, isso já aconteceu antes e o nosso aprendizado foi nulo, até aqui. Acontecem sempre quando se escolhe um salvador da pátria. Alguém que nunca administrou nada ou acha que tudo pode, até porque não se compromete com nada. Então vamos repetir a fórmula do sacrifício. Releia.

TRAPICHE
Não sou eleitor de Henrique Meirelles. Conheço-o pessoalmente num ato profissional para um interesse de terceiro e ele nem deve se lembrar de mim por causa disso. Sou avalista da sua capacidade técnica. E este aval vem da sua trajetória vencedora feita de resultados na iniciativa privada e no ambiente público. Mas, Meirelles está no partido errado.

No plano nacional e na maioria das regiões, o MDB não vale nada. É história. O partido sempre desprezou os técnicos. Jogou para ser gigolô e levar vantagens nas entranhas do poder, seja quem for o poder. Na gestão executiva, sempre se mostrou desastroso ?" veja o que foi o governo de José Sarney e agora o de Michel Temer, que se ensaiou, mas teve que recuar diante da lama que o encobria.

Entretanto, Meirelles viu tão claramente o que a maioria dos brasileiros teimam em não enxergar nestas (e outras eleições). E Meirelles não esconde de ninguém a sua advertência para mais um suicídio coletivo a que nós mesmos estamos prestes a cometer com os nossos votos livres.

Estamos indo às urnas este ano com sede de vingança e não é exatamente contra o governo, mas contra as instituições. Se o Legislativo é o maior antro de corrupção e chantagem contra os brasileiros, pouco estamos fazendo para mudar esse quadro. Eles estão sendo reeleitos com os nossos votos para fazer a mesma coisa contra nós, os pagadores dos pesados impostos.

Não vai ser um presidente, seja quem for, que vai resolver os nossos graves problemas nascidos na Câmara Federal, Senado, nas Assembleias e até na Câmara municipais.

Elas estão ali defendendo privilégios de castas bem pagas e que se aposentam cedo com salários milionários. Elas estão com a faca, o queijo na mão para saciar a gula dos próprios parlamentares e seus grupos, e não da população. Cuidado!

Os deputados e senadores que vamos reeleger, tiraram R$1,7 bilhão - afora os R$800 milhões que já tinha do Fundo Partidário ?" da saúde, educação, segurança e obras, como a duplicação da BR 470 para eles fazerem campanha política. Não foi o presidente que tirou essa montanha de dinheiro do povo, foram os deputados e senadores. E para eles próprios. Numa fila, onde os atuais é que mais ganham e os novos ficam a míngua exatamente não nada se renovar. Cuidado!

Voltando à advertência de Meirelles na sua campanha sem sucesso: para ele, "o mundo não se divide entre os que gostam do Lula e os que não gostam. Nem entre os que gostam do Temer e os que não gostam". Para Mereilles na sua propaganda eleitoral ?" paga por ele -, conclui, com uma obviedade sacra: o mundo é dos que querem trabalhar por um Brasil melhor, maior e mais justo.

E isso, não será uma tarefa fácil para ninguém, nem para demagogos, nem salvadores da pátria, nem para um presidente sem apoio no Congresso ou capacidade mínima de diálogo, nem para gente que contrariada, diz que vai resolver tudo na base da porrada.

Um desses, Fernando Collor de Mello, família carreirista na política, de um partido nanico e fora do eixão original da Arena e MDB, prometeu acabar com os marajás do serviço público e a corrupção na administração pública. Seduziu os incautos, foi apoiado pelos empresários e ganhou eleição. O que ele fez depois de empossado, achando-se o imperador, o sabe tudo?

Com a então desconhecida economista Zélia Cardoso de Mello, passou a mão, por decreto salvador e autoritário, na caderneta de poupança. Ela não era investimentos dos ricos, dos empresários (que viviam do over night) e não estava nas mãos de marajás ou dos corruptos que Collor na campanha prometera banir, mas era a economia mínima, acessível e possível dos pobres.

É assim que políticos salvadores da pátria que nascem da noite para o dia com rompantes capacidades que nunca provaram na vida, fazem quando estão no poder. Os primeiros que pegam no laço são os pobres, os que não possuem lobby, poder de defesa ?" inclusive no parlamento - e condições de reação. Então Meirelles já avisou, mas...

E os brasileiros, incluindo os endinheirados e gente escolarizada, fingem não entender. Haverá tempo para o arrependimento, principalmente quando lhes faltar dinheiro para tocar seus negócios, ou quando a polícia ideológica cobrar a mansidão para não "subverter a ordem" do poder inepto, como é hoje na Venezuela. Wake up, Brazil!
Alexandre Campos
21/09/2018 07:09
Seu Herculano

O MP de Gaspar está cego, não enxergou o aterro que fizeram no Ribeirão Gaspar Grande próximo ao Piscinão do Zuchi.
Agora não viu o que a rede Top fez com os entulhos de construção, os quais conforme Lei Federal devem ter o destino em aterro autorizado. No entanto foram jogados na beira da Av das Comunidades na beira do Ribeirão Gasrinho na cabeceira da Ponte.

Mas os piores cegos os vereadores, que ajoelha ao executivo e empresas de terraplanagem. Tudo pode.
Só aqui se estas denúncias.
Acorda Gaspar.
Herculano
21/09/2018 06:56
CPMF quebra mito de Bolsonaro como tela em branco de Paulo Guedes

Conflito obriga mercado a encarar divergências na agenda liberal do candidato

Primeiro, foi Luciano Huck. Depois, Jair Bolsonaro. O economista Paulo Guedes estava em busca de uma tela em branco para a eleição de 2018. Depois de procurar o apresentador da TV Globo, que desistiu de se candidatar, ele despejou suas tintas liberais sobre o deputado que diz não entender "nada de economia".

Por meses, Guedes e Bolsonaro convenceram banqueiros e empresários da conversão do presidenciável às escrituras do mercado financeiro. Pintado com a cor do dinheiro, o candidato absorveu o receituário do economista e repetiu suas ideias radicais para cortar despesas, reduzir o tamanho do Estado e equilibrar as contas públicas.

O conflito provocado pela proposta de recriação de um tributo semelhante à extinta CPMF, cobrada sobre transações financeiras, mostrou aos investidores que Guedes não é o único artista na equipe.

Horas depois que a Folha divulgou o plano do economista, as páginas de Bolsonaro nas redes sociais (controladas por seus filhos) desautorizaram o projeto. Até o vice Hamilton Mourão, que andava se estranhando com a família, reclamou.

Divergências entre candidato e economista foram convenientemente ignoradas por representantes do mercado, que preferiam ganhar dinheiro enquanto pairavam dúvidas sobre a dupla ?"em contraponto à conhecida agenda intervencionista do PT e de nomes da esquerda.

Dois dias antes do episódio da CPMF, o petista Fernando Haddad havia repreendido um economista de seu próprio partido, que afirmava que a reforma da Previdência não era urgente. O objetivo era acalmar investidores que se assustavam com o crescimento de sua candidatura.

Assim como Bolsonaro, Haddad também não é uma tela em branco. Ele mesmo tenta balancear as cores do PT com outras tonalidades.

Por enquanto, os donos do dinheiro desconfiam e veem só manchas vermelhas. Continuam andando pela galeria, mas agora conhecem o risco de comprar uma obra de Guedes e levar apenas um Bolsonaro.
Herculano
21/09/2018 06:50
'CASAMENTO HÉTERO' DE BOLSONARO REVELA-SE FRÁGIL, por Josias de Souzaq

Jair Bolsonaro mantém com o economista Paulo Guedes um relacionamento que ele próprio chamou de "casamento hétero". Coisa feita para durar até que a morte os separe. Pois bem. Falando para uma plateia restrita de investidores, o guru econômico do capitão expôs ideias tributárias sonegadas ao eleitor. Mencionou a hipótese de criação de um tributo nos moldes da velha CPMF. A harmonia trincou, porque a coisa vazou.

Certos casamentos são mesmo muito esquisitos. Casam-se pessoas que nem se conhecem: o economista ultraliberal e o capitão nacionalista, neófito nas artimanhas econômicas. Para usar uma terminologia infantil, própria do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, não é como a mamãe, que se casou com papai e a vovó que se casou com o vovô.

"Chega de impostos é o nosso lema", escreveu Bolsonaro no Twitter, para desautorizar Paulo Guedes. O economista explicou que, na verdade, não se referia à velha taxação do cheque, mas a um imposto único, que substituiria outros tributos. Seja o que for, ficou entendendido que Bolsonaro não estava brincando quando disse que jamais discutiria com o seu futuro ministro da Fazenda. Na verdade, eles nem se falam.
Herculano
21/09/2018 06:48
da série: na falta de transparência e com o autoritarismo, tudo é possível contra os mais fracos

O SUPERIMPOSTO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Plano da equipe de Bolsonaro para a criação de um tributo semelhante à CPMF subestima riscos e obstáculos

De maneira discreta, o encarregado do programa econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) formula ?"ou formulava?" uma revolução no sistema de impostos do Brasil. Paulo Guedes, apresentado pelo candidato como seu mentor, vinha compartilhando tais ideias com empresários e executivos, em reuniões reservadas.

Não havia alarde até que seus planos fossem revelados por esta Folha - o que surpreendeu, pelo visto, o próprio Bolsonaro.

Este, ainda hospitalizado em razão do ataque a faca sofrido em 6 de setembro, tratou de negar que pretenda recriar a CPMF, a contribuição social sobre movimentação financeira cobrada até 2007.

A negativa não dá conta das ambições externadas por Guedes.

Embora haja detalhes a serem esclarecidos, sabe-se que o projeto é substituir vários tributos, incluindo a contribuição previdenciária patronal, por apenas um, incidente sobre os débitos em conta corrente (como a CPMF) ?"ou por dois da mesma natureza, mas com diferentes destinações da receita.

Haveria ainda o intento, mais obscuro, de introduzir uma alíquota única para o Imposto de Renda. Por si só, tal mecanismo tornaria o IR mais iníquo, ao reduzir a diferenciação por faixas de ganhos.

Já o superimposto do cheque em estudo precisaria de alíquota muito superior à de 0,38% vigente no passado, dado o objetivo de responder por uma parcela substantiva da receita da União.

A mera proposta de recriação da CPMF já seria controversa o bastante, dado o exotismo do tributo e os efeitos colaterais que provocaria na atividade econômica. Fazê-lo em escala tão ampla implica riscos ainda mais graves.

Qualquer reforma tributária afeta, de modo não inteiramente previsível, o comportamento de empresas e consumidores, os preços, a rentabilidade dos negócios. São comuns ainda episódios de subestimação ou superestimação de receitas, para nem falar de obstáculos políticos e jurídicos.

A taxação das transações financeiras se mostrou fácil e eficiente do ponto de vista da arrecadação, embora tornasse o sistema de impostos menos progressivo e mais hostil à atividade produtiva. Não há precedente internacional, porém, de uma cobrança nas dimensões imaginadas por Paulo Guedes.

O episódio reforça, ademais, os sinais de desorganização na candidatura de Bolsonaro, que não parece ter um centro de autoridade estável e coerente ?"o que não inspira confiança em um postulante ao mais alto posto executivo do país.

Se o candidato não sabia de proposta tão polêmica, cabe duvidar da consistência de sua plataforma; se sabia, não a expôs ao eleitorado. Em qualquer hipótese, demonstram-se improviso, despreparo e deficiência na prestação de contas.
Herculano
21/09/2018 06:45
PLANALTO JÁ PREPARA GABINETE DE TRANSIÇÃO NO CCBB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O Palácio do Planalto já começou as obras de adaptação do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, para instalação do gabinete de transição do futuro governo. A ordem do presidente Michel Temer é tudo estar pronto tão logo seja anunciado o novo presidente, e designou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, para cuidar disso. O ministro tem acompanhado as obras.

TERCEIRA VEZ
O CCBB será usado novamente por equipes de transição do futuro governo. Antes, Lula e Dilma, do PT, ocuparam as instalações.

ESPAÇO AMPLO
A sede do gabinete de transição do futuro presidente terá um total de 2.500 metros quadrados lineares e climatizados.

TRABALHO DOBRADO
O Planalto mobiliza cerca de 60 pessoas nas obras de adaptação e ambientação do gabinete de transição no CCBB.

CCBB FUNCIONA
Nem as obras ou o trabalho da equipe de transição não vão alterar a rotina do CCBB, cujas atividades culturais atraem muita gente.

ELES USAM JATINHOS E O POVO PAGA: R$14,2 MILHÕES
Com o veto às doações de empresas, os candidatos não perderam o hábito milionário adquirido nos tempos das vacas obesas de mensalão e petrolão. Até agora, na eleição de 2018, já gastaram mais de R$14,2 milhões com o aluguel de jatinhos em 60 empresas de táxi-aéreo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Em vez de empreiteiras, agora o dinheiro saiu do bolso do contribuinte, por meio do Fundão Eleitoral.

MARQUETEIROS
Os gastos dos candidatos apenas com jatinhos parecem pouco em relação aos R$270 milhões gastos com "publicidade" e "impressos".

PETROBRAS FATURA ALTO
Além de alugar aviões com dinheiro público, os candidatos gastaram R$24,1 milhões em combustíveis e lubrificantes.

MILITÂNCIA NA INTERNET
Em tempos de redes sociais e perfis fake para "impulsionar conteúdo", o Facebook e o Google já receberam R$6 milhões com essa eleição.

VERGONHA, ITAMARATY
Não basta haver demitido Renato de Ávila Viana com indesculpável atraso. O Ministério das Relações deveria explicar como um sujeito com o perfil de espancador de mulheres, que colecionava vítimas, foi aprovado no exame psicotécnico e admitido na carreira diplomática.

FROUXIDÃO
Tucano tem bico longo, mas bicada fraca, talvez por isso Geraldo Alckmin escalou a vice Ana Amélia, mulher topetuda, para atacar Jair Bolsonaro. Além do mais, tucano nunca foi bicho de coragem mesmo.

TREM A CAMINHO
O Tribunal de Contas da União aprovou, por unanimidade, relatório do ministro Bruno Dantas com 14 alterações para concessão da Ferrovia Norte-Sul, entre Tocantins e São Paulo, incluindo recálculo de valores.

VAI QUE É TUA, RODRIGO
Candidato ao Senado, o ficha limpa Rodrigo Cunha (PSDB-AL) tem a torcida ilustre em Brasília do presidente da OAB Juliano Costa Couto, filho de Ronaldo Costa Couto, ex-ministro de Tancredo/Sarney.

ELEITOR A CAMINHO
Mesmo em campanha, o candidato do MDB ao governo do DF, Ibaneis Rocha está o tempo todo atento à sua casa. A mulher está grávida de um menino. Vai nascer em dezembro e o nome está escolhido: Mateus.

PALAVRA DA CIA
Famosa agência de inteligência norte-americana, a CIA mantém um livro de fatos na internet sobre todos os países no mundo. Segundo a agência, em 2016 houve impeachment no Brasil. Nada de golpe.

MAIS SIMPLES, POR FAVOR
Presidenciáveis tentam caracterizar o regime Simples de tributos como se fosse renúncia fiscal. Errado. São impostos simplificados e pagos. Só o Simples assegurou R$73 bilhões em impostos em 2016.

2038 E OLHE LÁ
A consultoria internacional Inter.B estima que o Brasil precisará investir no mínimo 4,15% do PIB, por duas décadas (e cinco presidentes) para recuperar o atraso nacional na área de infraestrutura.

PENSANDO BEM...
...nem mesmo a redução do número de indecisos diminui a certeza de que teremos tempos incertos em 2019.
Herculano
20/09/2018 22:04
CIRO VAI BATER EM HADDAD, por Helena Chagas em Os Divergentes

O Datafolha de hoje confirma as mesmas tendências de levantamentos anteriores, traduzidas pelo crescimento acelerado de Fernando Haddad (16%), pela dianteira de Jair Bolsonaro, em curva ainda ascendente (28%), e pela estabilização de Ciro Gomes na faixa dos 13%. Não cresceu, mas também não caiu - o que ainda o anima a lutar pela segunda vaga no segundo turno. A estratégia de Ciro nos próximos dias é bater em Fernando Haddad e investir nos votos de centro.

As pesquisas mostram que Haddad vem herdando aceleradamente os votos de Lula, o que explica o esvaziamento concomitante de Marina Silva, que, sem a indicação de um substituto do PT, era a principal destinatária do apoio ao ex-presidente. Com o lançamento de Haddad, essa situação mudou claramente, e o petista ainda tem teto para crescer.

O que Ciro quer evitar é que Haddad cresça junto ao eleitorado de centro, que considera responsável pelo seu próprio crescimento nas últimas semanas. Mostrando-se viável no terceiro lugar, onde até dias atrás empatava com Haddad, Ciro acabou tirando votos de Geraldo Alckmin e do trio João Amoedo-Henrique Meirelles-Álvaro Dias, que oscilou para baixo esta semana. Haddad cresceu mais, mas ele não perdeu.

Realisticamente, o candidato do PDT tem poucas chances de mudar o quadro e ir parar mo segundo turno daqui a duas semanas. A curiosidade é que, nessa tentativa, está tendo o apoio e a torcida do chamado establishment ?" que, como já escrevemos aqui, morre de medo do PT e de Bolsonaro. Ciro Gomes, quem diria, acabou no Irajá como o candidato do centro que até ontem o desprezava.
Anísio Dickmann
20/09/2018 20:56
Sr. Herculano,

Boa noite

Gaspar está largado as traças, MP parece dormindo, vereadores inertes. Veja que uma rede de supermercado, adquire uma área nobre, derruba patrimônio histórico, mas o mais grave é que aos olhos do Poder Público, não dá o destino correto dos entulhos de construção, que por lei, não pode ser depositado em qualquer lugar. Sim a o top, enterrou tudo à beira do Ribeirão, na cabeceira da ponte no centro da cidade.
Não há o que espantar, pois a Havan construiu uma rótula que joga trânsito pra dentro de sua loja. Não pode também em virtude lei, a iniciativa privada construir obra pública sem autorização da Câmara Municipal. O MP continua cego, pois não enxergou o absurdo que o prefeito fez em terras particulares e acioramento no Ribeirão Gaspar Grande, próximo piscinão do Zuchi.
Tá uma vergonha.
Herculano
20/09/2018 20:42
EM CARTA, FHC PEDE UNIÃO CONTRA CANDIDATOS RADICAIS PARA EVITAR AGRAVAMENTO DA CRISE

Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais, diz ex-presidente

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta quinta-feira (20) uma carta aos brasileiros na qual pede aos candidatos que não apostam em soluções extremas que se reúnam e decidam apoiar quem "melhores condições de êxito eleitoral tiver", caso contrário a "crise tenderá certamente a se agravar".

Segundo FHC, ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, "com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague", ou o "remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política".

LEIA A ÍNTEGRA
Carta aos eleitores e eleitoras

Em poucas semanas escolheremos os candidatos que passarão ao segundo turno. Em minha já longa vida recordo-me de poucos momentos tão decisivos para o futuro do Brasil em que as soluções dos grandes desafios dependeram do povo. Que hoje dependam, é mérito do próprio povo e de dirigentes políticos que lutaram contra o autoritarismo nas ruas e no Congresso e criaram as condições para a promulgação, há trinta anos, da Constituição que nos rege.

Em plena vigência do estado de direito nosso primeiro compromisso há de ser com a continuidade da democracia. Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.

A democracia para mim é um valor pétreo. Mas ela não opera no vazio. Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais. Fui ministro de um governo fruto de outro impeachment, processo sempre traumático. Na época, a inflação beirava 1000 por cento ao ano. O presidente Itamar Franco percebeu que a coesão política era essencial para enfrentar os problemas. Formou um ministério com políticos de vários partidos, incluída a oposição ao seu governo, tal era sua angústia com o possível despedaçamento do país. Com meu apoio e de muitas outras pessoas, lançou-se a estabilizar a economia. Criara as bases políticas para tanto.

Agora, a fragmentação social e política é maior ainda. Tanto porque as economias contemporâneas criam novas ocupações, mas destroem muitas outras, gerando angústia e medo do futuro, como porque as conexões entre as pessoas se multiplicaram. Ao lado das mídias tradicionais, as "mídias sociais" permitem a cada pessoa participar diretamente da rede de informações (verdadeiras e falsas) que formam a opinião pública. Sem mídia livre não há democracia.

Mudanças bruscas de escolhas eleitorais são possíveis, para o bem ou para o mal, a depender da ação de cada um de nós.

Nas escolhas que faremos o pano de fundo é sombrio. Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de treze milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática.

Como o novo governo terá gastos obrigatórios (principalmente salários do funcionalismo e benefícios da previdência) que já consomem cerca de 80% das receitas da União, além de uma conta de juros estimada em R$ 380 bilhões em 2019, o quadro fiscal da União tende a se agravar. O agravamento colocará em perigo o controle da inflação e forçará a elevação da taxa de juros. Sem a reversão desse círculo vicioso o país, mais cedo que tarde, mergulhará em uma crise econômica ainda mais profunda.

Diante de tão dramática situação, os candidatos à Presidência deveriam se recordar do que prometeu Churchill aos ingleses na guerra: sangue, suor e lágrimas. Poucos têm coragem e condição política para isso. No geral, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas. São medidas que exigem explicação ao povo e tempo para que seus benefícios sejam sentidos. A primeira dessas medidas é uma lei da Previdência que elimine privilégios e assegure o equilíbrio do sistema em face do envelhecimento da população brasileira. A fixação de idades mínimas para a aposentadoria é inadiável. Ou os homens públicos em geral e os candidatos em particular dizem a verdade e mostram a insensatez das promessas enganadoras ou, ganhe quem ganhar, o pião continuará a girar sem sair do lugar, sobre um terreno que está afundando.

Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política.

Os partidos têm responsabilidade nessa crise. Nos últimos anos, lançaram-se com voracidade crescente ao butim do Estado, enredando-se na corrupção, não apenas individual, mas institucional: nomeando agentes políticos para, em conivência com chefes de empresas, privadas e públicas, desviarem recursos para os cofres partidários e suas campanhas. É um fato a desmoralização do sistema político inteiro, mesmo que nem todos hajam participado da sanha devastadora de recursos públicos. A proliferação dos partidos (mais de 20 na Câmara Federal e muitos outros na fila para serem registrados) acelerou o "dá-cá, toma-lá" e levou de roldão o sistema eleitoral-partidário que montamos na Constituição de 1988. Ou se restabelece a confiança nos partidos e na política ou nada de duradouro será feito.

É neste quadro preocupante que se vê a radicalização dos sentimentos políticos. A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos.

Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico. É preciso revalorizar a virtude da tolerância à política, requisito para que a democracia funcione. Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis. As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado.

Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar. Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem "eles" contra "nós".

Não é de estagnação econômica, regressão política e social que o Brasil precisa. Somos todos responsáveis para evitar esse descaminho. É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo.
Herculano
20/09/2018 20:33
De Vinicius Torres Freire, no Twitter

Bolsonaro enquadrou Guedes, o tutor econômico, e Mourão, o tutor militar.

Guedes apareceu com ideias birutas de criar duas CPMFs para substituir impostos federais. Bolsonaro não tem ideia do que se trata. Mas pegou mal e ele deu um cala-boca no Guedes. Isso lembra Collor.
Herculano
20/09/2018 20:30
PSDB JÁ DISCUTE OS EFEITOS DO FIASCO DE ALCKMIN, por Josias de Souza

Caciques do PSDB já debatem internamente os efeitos políticos de um eventual insucesso de Geraldo Alckmin na corrida presidencial de 2018. Em respeito ao candidato, os tucanos se esforçam para ocultar o desânimo. No debate interno, porém, o grosso do partido já jogou a toalha, admitiram três integrantes da cúpula do tucanato em conversas com a coluna. Na expressão de um deles, a sexta derrota nacional deve "estilhaçar" a legenda.

O primeiro efeito prático do provável fracasso de Alckmin será uma divisão quanto ao posicionamento do partido no segundo turno. Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso sinalizou que, numa eventual disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, não hesitaria em apoiar o petista. Mas essa posição não é consensual. Longe disso.

Lideranças como o senador cearense Tasso Jereissati também declaram, em privado, que jamais apoiariam Bolsonaro. Contudo, ainda não amadureceram a ideia de optar pelo apoio ao adversário do capitão, sobretudo se for confirmada a passagem de Haddad para o segundo turno. Como de hábito, um pedaço do PSDB flerta novamente com o muro.

Os tucanos receiam sair da campanha de 2018 mais irrelevantes do que entraram. Prevêem um encolhimento do partido. "Podemos sair dessa eleição com um tamanho minúsculo", disse um grão-tucano a coluna. "A essa altura, não é absurda a hipótese de o Alckmin fazer menos de 10% dos votos. Será um resultado vexatório."

Afora o risco de encolhimento das bancadas do partido nos legislativos estaduais e no Congresso, os tucanos estão assustados com o desempenho pífio de Alckmin em São Paulo, berço do PSDB, Estado que o partido governo como força hegemônica há duas décadas.

"Perder para o Bolsonaro num Estado que o próprio Alckmin governou quatro vezes é quase uma humilhação", declarou um dos tucanos que toparam conversar reservadamente. Na sucessão de 2014, graças sobretudo ao prestígio político atribuído a Alckmin, Aécio Neves prevaleceu sobre Dilma Rousseff em São Paulo com cerca de 7 milhões de votos.

Em apenas quatro anos, o tucanato desceu da antessala do poder para o purgatório. Aécio sofreu uma derrota com fragrância de vitória. Amealhou 51 milhões de votos. Parecia fadado a eleger-se presidente na sucessão seguinte. Virou um colecionador de processos criminais.

Ao poupar Aécio de aborrecimentos partidários, o PSDB transformou o derretimento mortal do seu filiado num processo de desmoralização do partido. A corrosão de Aécio, o prontuário de José Serra, as investigações contra o próprio Alckmin e a radioatividade de Michel Temer empurraram o PSDB para a vala comum da rejeição pública.

Na frigideira, parte do tucanato flerta até com a ideia de fundar uma nova legenda. No momento, é difícil distinguir o partido fundado em 1988 por Franco Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso de qualquer outra agremiação gelatinosa do espectro partidário.

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