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O GASPARENSE PAULO NORBERTO KOERICH VOLTARÁ A TRABALHAR EM GASPAR - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

O GASPARENSE PAULO NORBERTO KOERICH VOLTARÁ A TRABALHAR EM GASPAR - Por Herculano Domício

29/05/2018

Está confirmado: Paulo Koerich voltará a Gaspar e por sua opção. O ato está para ser publicado. Por razões particulares que não especificou, o delegado acaba de deixar o Gaeco de Blumenau, criado em dezembro de 2016. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado é uma força tarefa que atua na repressão dos crimes de maior complexidade ou relevância social no Estado. Ele é coordenado pelo Ministério Público Estadual. Em Blumenau o Gaeco está sob a responsabilidade do promotor público Odair Tramontin.

Conhecido pela sua atuação técnica, profissional e firme, experiência não lhe falta. Koerich começou a carreira na Polícia Civil na Comarca de Joinville. Lá atuou na Delegacia de Polícia de Acidentes de Trânsito. Depois Koerich se deslocou para Blumenau onde atuou nas 2ª e 1ª Delegacias de Polícia.

Devido ao destaque do seu trabalho em Blumenau na área policial, em 1999 foi convidado e assumiu a Chefia de Gabinete do então secretário estadual da Segurança e Justiça, nomeado pelo ex-governador Esperidião Amim Helou Filho, PPB. Entretanto, essa tarefa foi precocemente interrompida devido à morte do então secretário, o promotor de Justiça oriundo de Blumenau, Luiz Carlos Schmitd de Carvalho, 46 anos. Ele morreu no dia 11 de junho de 1999 num acidente de helicóptero às 23h30 na região de Tijucas.

Em 2000, Koerich voltou a Blumenau onde trabalhou na Delegacia Regional, 2001 assumiu a Diretoria de Polícia do Litoral e, em seguida, cumulou a Diretoria de Polícia do Interior também. Em 2003 assumiu a DIC (Delegacia de Investigações Criminais) de Blumenau em seguida veio para Gaspar onde permaneceu até início de 2016 quando passou a exercer suas funções no Núcleo da Corregedoria da Polícia Civil com base em Itajaí. Em outubro de 2016 passou a integrar o Gaeco de Blumenau.

Antes de ingressar na carreira policial, Paulo Norbetto Koerich foi chefe de gabinete do ex-prefeito Francisco Hostins, PDC, e interrompeu a atividade de advogado.

QUALQUER SEMELHANÇA, É MERA CONCIDÊNCIA. SERÁ? O BLOQUEIO DOS CAMINHONEIROS É UM ALERTA PARA O GOVERNO DE KLEBER, EM GASPAR, E ÉRICO, EM ILHOTA

O governo do MDB de Kleber Edson Wan Dall prometeu, se eleito, mudanças ao que se tinha com o PT de Pedro Celso Zuchi. Kleber foi eleito. Igualmente aconteceu com Érico de Oliveira, MDB. Michel Temer, MDB, que esfregava às mãos no impeachment de Dilma Vana Rousseff, PT, a que quebrou o país, fez igual promessa.

Dois anos depois, Temer é algo caricato. Perdeu força política e principalmente autoridade ao se defender na Câmara de dois afastamentos tentado pela Justiça (e adversários). Gastou patrimônio político, comprou votos dos seus próprios aliados que o extorquiram para mantê-lo refém permanente de suas chantagens. É um vivo já empalhado.

Primeiro era o PT que queria a sua cabeça. O PT o acusava falsamente, e pegou, de golpista. A Constituição foi seguida, rigorosamente. Temer era o vice escolhido do próprio PT, num mar de lama e acertos entre eles, corrupção a rodo e dúvidas permanentes que continuam sendo elucidadas que envolveram o governo petista, sustentado por partidos da esquerda do atraso, mas principalmente pelos fisiológicos de sempre PP e MDB, envolvidos até o pescoço no petrolão como mostra a Lava Jato.

Agora, a unanimidade contra Temer é quase absoluta. Impressionante. Errou tanto, cedeu tanto, fraquejou tanto que todos se sentiram fortes para desmoralizá-lo. E para enterrá-lo, os caminhoneiros, sem líderes visíveis, aliados do candidato de ultradireita Jair Bolsonaro, PSL, e alinhados com uma suposta intervenção militar contra a Constituição, deixaram Temer e seu governo de cócoras. Os “caminhoneiros” fizeram vários “acordos”, não cumpriram, esticam a corda a cada hora na chantagem, um vexame para um governo em qualquer lugar. E para completar, os caminhoneiros passaram a conta deles para a população em geral, porque a estrutura que come os nossos pesados impostos e comandada pelos políticos que estão empoleirados em cargos públicos do executivo e dos parlamentos, continua intacta.

GASPAR E ILHOTA

Quase dois anos depois, Kleber e Érico de Oliveira, MDB, prefeito de Ilhota não chegam a tanto quanto a Temer, mas ficam advertidos, pois não fogem à regra do gradativo enfraquecimento de ambos. Entretanto, ambos, flertam com os que protestam para não perder o bonde da história e não ficarem mais vulneráveis do que já estão.

Afinal, o MDB nunca governou nada, sempre chantageou o poder parceiro para ocupá-los sem responsabilidade nos seus poleiros pagos pelo cidadão. Tudo para os seus, obtendo vantagens do dinheiro dos pesados impostos de todos. E quando foi governo, foi sinônimo de desastre. Gaspar é um exemplo. É história.

Kleber montou uma equipe fraca, principalmente para quem disse na sua propaganda eleitoral e a mantém como de governo, que seria eficiente. Em 18 meses trocou três secretários de Saúde. O setor ficou um caos. Botou para fora do governo uma técnica reconhecida na área só para atender às pressões políticas da sua base e corporativa dos médicos.

Para remediar, Kleber teve que deslocar para a secretaria da Saúde o seu principal secretário e prefeito de fato, o ex-coordenador de campanha, o ex-presidente do partido (está licenciado), o ex-secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, o advogado Carlos Roberto Pereira.

E para piorar, Kleber perdeu a maioria na Câmara, por absoluta teimosia, falta de percepção e equivocado exercício político dele e de sua equipe.

A presidência do Legislativo foi parar nas mãos da sua cria política, e irmão de templo, o médico Silvio Cleffi, PSC, com os votos do PT, PDT e PSD. Silvio que interferiu como poucos na Saúde, virou seu algoz. Só não foi pior, porque o ego de poder de Silvio, fê-lo meter os pés pelas mãos na tentativa de inchar a Câmara, exatamente para encurralar ainda mais o Executivo e Kleber. Silvio foi pego no contrapé pela imprensa que investiga, investiga e não se sucumbe à manobra dos políticos espertos ou das patrulhas desses políticos no poder de plantão.

A lista é longa, mas pode ser encerrada aqui com dois fatos. O primeiro é que ultrapassam em mais de 1.200, o número de crianças que estão fora da creche na cidade. Eram 600 na campanha eleitoral e se prometia reduzi-la a quase zero. O segundo, é que o último técnico que sobrou no governo Kleber, o engenheiro Alexandre Gevaerd, secretário de Planejamento Territorial, foi pego em emprego duplo proibido pela Constituição.

Depois de reconhecer e até admitir que o demitira, Kleber resolveu bancar essa situação. O assunto vai longe e poderá custar o futuro político do próprio Kleber, que com Gevaerd prometeu uma reformulação no trânsito da cidade para dezembro do ano passado. Seis meses depois, nada saiu do papel, por pressão de interesses pessoais, desmoralizando o próprio secretário que é reconhecido em soluções no sistema viário urbano.

ILHOTA EM CHAMAS

E Ilhota? Está em chamas. Érico nascido no PP, está discutindo as relações com o MDB que o elegeu. Criou uma estrutura sofisticada e está lhe faltando dinheiro para sustentá-la. Tentou reduzir o orçamento da Educação e sofreu um revés na Câmara onde possui uma maioria folgada, teve também que mudar a titular da secretaria de Saúde a quem acusou de má gestão, num caso de espionagem relatado aqui.

Érico ganhou fácil a prefeitura, pois o seu antecessor Daniel Christian Bosi, PSD, errou tanto que não conseguiu sequer ser candidato à reeleição. Entretanto, no ritmo que está, o governo de Érico vai bater o recorde do antecessor em inquéritos (meio ambiente, improbidade), ações na Justiça movidas pelo Ministério Público, bem como arguições do Tribunal de Contas.

Como se vê, o locaute dos caminhoneiros é um aviso aos políticos locais. Certo ou errado, ele sinaliza que as redes sociais dão voz e permitem influência decisiva sobre os resultados coletivos. E não é uma mera coincidência. O povo está de saco cheio de pagar uma montanha de impostos e não enxergar às contrapartidas prometidas pelos gestores públicos e os políticos.

Ser governante hoje exige estômago forte, inteligência, transparência, metas claras, foco, escolhas, negociação, perseverança, competência política, muita comunicação estratégica, articulação e de realização mínima. Quem viu a passeata de domingo em favor dos caminhoneiros, percebeu também que faltou militantes do PT e gente que carregou Kleber no dia da vitória dele. Sintomático. Outubro está logo ali.

LOBOS EM PELE DE CORDEIRO. OU O OPORTUNISMO É PADASTRO DO RESULTADO COLETIVO

A CDL de Gaspar resolveu ir para à praça ontem à tarde por menos impostos, menos corrupção, mais negócios, por mais saúde (ao menos tinha cartaz lá) etc. Parou por uma hora, diante do quadro que se criou e levou os seus empregados do Centro, junto com outras lideranças

A manifestação teve até discurso do prefeito da cidade, Kleber Edson Wan Dall, MDB. Foi aplaudido!

Agora diminuir a estrutura pública que come os pesados impostos dos trabalhadores, nadica de nada. Então, nada vai mudar ou ser resolvido. Vamos ouvir discursos, sem ou com promessas, aplaudi-los e continuar a pagar os pesados impostos e cada vez mais para cobrir a insaciável máquina pública e as tais “reformas administrativas”.

O staff de comissionados da prefeitura estava evento, na Praça Getúlio Vargas, bem ao lado do jornal. Era hora de trabalho.

Foi até rezado até um "Pai Nosso", puxado pelo Frei Pauli Jack, pároco da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo.

Rezar é bom. Todavia, o que resolve mesmo são as atitudes dos eleitores, eleitoras com os seus políticos eleitos para serem responsáveis na gestão pública. Falta-lhes ação de fato em favor da sociedade pelo que se depreendeu dos discursos, razão do bloqueio das estradas e que nos deixou reféns de uma categoria.

A demagogia, entretanto, faz parte da má política e da razão de ser da maioria dos políticos para enganar os analfabetos, ignorantes e desinformados.

Se isso não for desmascarado, os políticos profissionais estarão aí, para o oportunismo de sempre. E eles ficam nervosos quando alguém ou eu os desmudo aqui. Pressão, por todos os lados. Uma vergonha. Veja esta.

O vereador Ciro André Quintino, MDB, ex-presidente da Câmara de Gaspar, cabo eleitoral do presidente da Assembleia, Aldo Schneider (Ibirama) para estadual e Carlos Chionini (Jaraguá do Sul), MDB, agarrado ao partido, também discursou. Não iria perder a oportunidade, apesar desta situação toda ser criada pelos políticos e só eles, como nossos representantes no parlamento terem a solução. São eles que encurralam presidente, governadores e prefeitos como escrevi e expliquei ontem. Em Gaspar, Kleber está encurralado. Estava quando tinha a maioria na Câmara tanto que errou na Saúde. Está agora, em minoria onde a simples autorização para buscar um empréstimo na Caixa para obras viária virou um cabo de guerra.

A cara de pau de Ciro não o impediu de pronunciar o que a plateia cansada de tanto levar bordoada queria ouvir: o bordão "Fora Temer". E pasmem, foi bem aplaudido quando pronunciou isso. Perceberam por que o Brasil não avança e os eleitores são os verdadeiros culpados pela desgraça que nos atinge?

Michel Temer não era o presidente nacional do MDB de Ciro e seu herói até então? Michel Temer não é o presidente da república onde Kleber e Ciro tanto se orgulhavam e buscavam recursos para gestão do atual governo de Gaspar? E num momento delicado, como judas na Santa Ceia, como a Geni de Chico Buarque, Ciro quer a deposição de Temer, para se garantir como cabo eleitoral dos seus candidatos em outubro deste ano, todos do MDB, como se eles não fossem a mesma coisa? Meu Deus! E Ciro não está sozinho.

Esperto, Ciro esperou Temer se tornar um cadáver. Nega-se, até por piedade, embalsamá-lo. Antes sugou tudo e na Câmara há vários registros recentes louvando o então presidente de plantão. Dos vereadores da atual legislatura ouvi muitos pedirem a cabeça de Temer, menos os do MDB.

Ciro quer separar o MDB dele do de Temer? Vai usar o partido como fazem tantos outros só para seus interesses políticos? Quem faria essa dissociação? A não ser que Ciro esteja fora do MDB como muitos desconfiam pois quer se viabilizar candidato a prefeito com um discurso populista, contudo na fila do MDB tem ao menos Kleber e o super-secretário Carlos Roberto Pereira. Com a palavra o presidente do MDB de Gaspar, Valter Morelo. Acorda, Gaspar!

A PATRULHA, CONVENIENTE, CONSCIENTE E CONTRA AS REGRAS COMUNS DO JOGO DEMOCRÁTICO E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Sempre escrevi aqui: não há diferença alguma entre os radicais da esquerda do atraso e da direita xucra. Eles não possuem limites para suas causas e objetivos, não possuem capacidade dialética, não reconhecem pontos de vista diferentes dos seus e cegamente, constrangem quem reconhecem como não sendo dos seus dominados. Usam e descartam convenientemente.

Ontem, do nada, a minha coluna aqui do portal Cruzeiro do Vale – o mais antigo, atualizado e acessado – no link do Facebook, recebeu incomum inúmeros comentários, sem argumentação, desqualificações de todos os tipos não exatamente contra o que estava escrito, mas na sua contra o escriba, e raramente contra o próprio jornal. Estranhei o volume e à repetição. Pedi a um conhecido que se dedica a crimes cibernéticos uma ajuda.

Em resumo: a coluna tratava de como o bloqueio (greve é legítima e apoio, mas não é o caso) dos caminhoneiros era coisa inventada por patrões (distribuidoras com contratos que repassam a autônomos só para não pagar direitos trabalhistas e previdenciários), que não tinha liderança, que passava a conta deles para todos da população ao invés de “desinchar” o estado que precisa cada vez mais de impostos para sobreviver com os políticos e corrupção. Tratava ela, no fundo, que tudo isso, sem limites, traria prejuízos ao Brasil, incluindo a desconfiança dos investidores, desorganização da frágil economia, com mais inflação e desemprego.

Tudo com argumentos, números e suportada por uma ideia: a minha. Já escrevi sobre isso: a minha opinião não é uma verdade e quem não concorda, não precisa nem ler, mas está livre, também para contestar, pois é pública e está exposta. Entretanto, aos radicais da esquerda e da direita só as ideias deles são verdades prevalentes, como num Fla-Flu. Respeitar a dos outros? Nem pensar. É preciso mais do que isso, desqualificar.

E quem sugeriu inundar o Face com comentários depreciativos à minha opinião? Dois Sidneis: o Hostert que mora em Chapecó e é vendedor da Nimaq que aluga máquinas para as indústrias e que agora pararam diante do bloqueio e o Reinert, professor no Senai, em Blumenau, que bem forma jovens para o mercado do trabalho que com o que aconteceu nestes últimos dias, ficará ainda mais desempregador.

E qual a razão da ira de leitores assíduos e que tinham em boa conta porque sempre apontei os erros e desastres do PT e da esquerda do atraso? A minha observação de que esse movimento dos caminhoneiros além de penalizar a maioria dos brasileiros, é adotado pelos simpatizantes de Jair Bolsonaro, PSL, direita radical, e pelos que defendem a Intervenção Militar como solução, ou seja, passar por cima da Constituição.

Estranhamente, eles têm a mesma pauta do PT e da esquerda do atraso, derrubar o já moribundo em fim de mandato Michel Temer, MDB, mas com a economia se recuperando. Tudo para colocar no poder gente que acreditam serem seus, mesmo que para isso precisem quebrar ao país ao que fez Dilma Vana Rousseff, o PT, os da esquerda do atraso, e os sócios da grave corrupção que tomou conta do governo petista. Quanto pior, melhor.

E esse pior poderá ser um tiro pela culatra aos que queriam ter vantagens imediatas com o bloqueio das estradas. A economia vai enfraquecer. O brasileiro vai pagar e até outubro, em plena campanha eleitoral, tudo poderá ser esclarecido.

Triste. Todos jovens que não conheceram a ditadura militar. Ela iniciou assim mesmo, com uma “intervenção” do general Humberto de Alencar Castelo Branco (1964/67) com apoio das forças conservadoras para “arrumar” o Brasil. E virou ditadura. E nela não havia espaços para greves, bloqueios, manifestações, inclusive de opinião. E não há hoje, onde ela está instalada, mesmo com redes sociais.

Tudo o que escrevi ontem, que estava na cara, mas se escondia ou se mascarava para espezinhar um governo fantasma dominado por grupos de interesses que estão se aproveitando dele, hoje é desnudado na imprensa, fartamente com provas, fatos, vozes, documentos e vídeos. E por isso, a imprensa é, mais uma vez, culpada. Ela é sempre será um grande problema para os ditadores, interventores, manipuladores, donos de verdades...

Se esses jovens defendem candidatos e soluções autoritárias, eu tenho mais razão para continuar a defender o respeito, o diálogo, soluções compartilhadas e democráticas, sensos que fizeram as nações mais civilizadas avançarem. Eu não estou à serviço das patrulhas. Sou um provocador. Não tenho a verdade. Estou à procura dela, mas na pluralidade, no debate. Essa gente, no seu isolamento, já encontrou a sua verdade. Sozinha vai consertar o Brasil. Antes precisa vê-lo quebrado. Meu Deus! Acorda, Gaspar!

 

Edição 1853 - terça-feira

Comentários

Herculano
31/05/2018 21:00
Ao Sombrio

A sua defesa pela intervenção militar e que leva à ditadura, motivo da sua ira contra os veículos de comunicação como um todo, continua algo sombrio como forma de "melhorar" e criar um país utópico, à sua censura de valores.

Você me escreve:

"Para mim e claro que teu pensamento é outro, a mídia com a força que tem, fica em uma eterna resenha. Não vi nenhum jornalista exigir que os custos da greve fossem tirados das regalias dos políticos".

Respondo: você não está lendo, ouvindo e nem vendo os meios de comunicação. Enxerga o que quer. Rejeita a dialética. Citarei dois, e da Globo: Carlos Alberto Sardemberg e Miriam Leitão. Mas, há dezenas que li nestes últimos dez dias que mostram claramente que quem vai pagar esta conta a favor do diesel mais barato somos todos nós exatamente porque os políticos não vão cortar na carne e nem naquilo que criaram contra nós.


Você me escreve:
"Chego então a conclusão de que é medo de perder o bico. Medo de um governo que dizem não ser governo, medo de um Congresso que lhes pode tirar benefícios. Ou seja, a imprensa tem medo dos próprios empregados que estão políticos, colocados lá com a participação dela".

Respondo: Respeito a conclusão, mas ela deve ser aplicada em casos concretos, que devem haver, mas que você não é capaz de citar um sequer. Coloca todos, num mesmo balaio de dúvidas.

Que bico é esse? Só vale e se aceita se fizer continência como bico? Calar a imprensa, foi a ditadura que fez isso, exatamente para não exercer o poder sem transparência alguma. E você escreve o que sabe fazer bem: desqualificar o que não conhece para preservar a intolerância a quem possui opinião diferente da sua, ou sendo igual, não bateu continência para você.

É certo, que os que estão no poder (Executivo e principalmente no Legislativo, o verdadeiro poder e de ladroagem neste país) quer uma imprensa mansa e calada para corromper mais, roubar mais. Então, como você, a quem interessa desmoralizar, desqualificar, humilhar, constranger meios de comunicação e profissionais que estão neles e não alugam a voz e a pena para suas ideias?
É certo, que há problemas, mas sem a imprensa livre, plural, investigativa e errando (com o judiciário arguindo, pois há lei para isso e abusos), tudo será pior.

Ou você acha, que você teria à disposição para escrever o que escreve gratuitamente um veículo que custa muito dinheiro para mantê-lo como um negócio acreditado, se estivéssemos numa intervenção, numa ditadura? Tudo seria sombrio.
Roberto Sombrio
31/05/2018 20:07
Oi, Herculano.

Para mim e claro que teu pensamento é outro, a mídia com a força que tem, fica em uma eterna resenha. Não vi nenhum jornalista exigir que os custos da greve fossem tirados das regalias dos políticos. Chego então a conclusão de que é medo de perder o bico. Medo de um governo que dizem não ser governo, medo de um Congresso que lhes pode tirar benefícios. Ou seja, a imprensa tem medo dos próprios empregados que estão políticos, colocados lá com a participação dela.
Herculano
31/05/2018 18:57
A COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA ESPECIAL PARA A EDIÇÃO IMPRESSA DESTA SEXTA-FEIRA DO JORNAL CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ANTIGO, PLURAL E DE MAIOR CIRCULAÇÃO EM GASPAR E ILHOTA. VAI ESTAR DISPONÍVEL DAQUI A POUCO AQUI.

DEVIDO AO FERIADO E ÀS EXIGÊNCIAS INDUSTRIAIS PARA A SUA IMPRESSÃO DO JORNAL, ELA FOI ESCRITA NA QUARTA-FEIRA PELA MANHÃ, AINDA NO FERVOR DOS ACONTECIMENTOS QUE AMEAÇAVAM VOLTAR À NORMALIDADE NA GREVE DOS GRANDES EMPRESÁRIOS DE TRANSPORTES COM AJUDA DE INTERVENCIONISTAS PARA RESOLVEREM OS PROBLEMAS DOS NEGóCIOS E PODER DELES E NÃO DOS BRASILEIROS QUE PAGARÃO A CONTA DESSA VIAGEM.

A MÁQUINA ESTATAL COMEDORA DOS PESADOS IMPOSTOS DOS BRASILEIROS CONTINUA INTOCADA, PROTEGIDA PELOS POLÍTICOS PRINCIPALMENTE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, DEPUTADOS ESTADUAIS E VEREADORES, QUE SÃO OS NOSSOS REPRESENTANTES.

SE ELA NÃO FOI DIMINUÍDA, OS IMPOSTOS QUE TIRARAM DO DIESEL, NÃO DA GASOLINA, SERÁ PAGO POR N?"S, INCLUSIVE DESEMPREGADOS OU OPERÁRIOS DE SALÁRIOS MINIMO, EM OUTROS ITENS

RELENDO-A AGORA, VI QUE ELA CONTINUA TÃO ATUAL QUANTO....
Herculano
31/05/2018 16:20
ROBERTO SOMBRIO QUER AGORA ESCOLHER COM QUEM EU DEVO TIRAR FOTOS. É ASSIM QUE AGEM OS DITADORES, OS RADICAIS, OS SEM RAZÃO,OS SEM RESPEITO E EDUCAÇÃO. ELE AVOCANDO O AUTORITARISMO DE PIRRO QUER QUE EU ME COMPORTE, AMESTRADO, INTIMIDADO, MEDRADO, EXATAMENTE AO MODO DO QUE ELE PENSA. FODA-SE A MINHA AUTONOMIA, PERSONALIDADE, PENSAMENTO E ATÉ A MINHA POSSIBILIDADE DE ERRAR E ESTAR ERRADO

Sombrio escreve esculachando-me mesmo admitindo de que eu nunca tenha mudado de lado, o do debate democrático e por um país e pessoas melhores, mesmo que eu não seja essa pessoa melhor que sempre desejei ser. Sombrio continua lendo o que eu nunca escrevi, e se leu, continua não entendendo o que estou escrevendo. Veja:

Roberto escreve-me: "Sei muito bem o que você sempre escreveu aqui, alertando para os erros e mostrando os aproveitadores e enganadores dos ignorantes e desinformados. Depois posa para foto ao lado dos mesmos em uma festa. Não conheço ninguém que tem sua casa assaltada e no dia seguinte tira uma foto ao lado de quem o furtou. A desculpa é a festa."

Respondo: nunca posei com assaltantes, ladrões da minha casa, nem com matadores da minha família. A sua comparação é de um radicalismo atros e desproporcional. Falta-lhe argumentos. O fato de eu discordar, inclusive de você, neste momento, não impede que socialmente eu possa conviver, debater, dialogar, divergir e ser claro nos meus posicionamentos, e principalmente lhe respeitar. E até tirar uma foto com você. Se você pensa e age diferente de mim no campo ideológico, intelectual, não o transforma no meus inimigo, mas talvez, num adversário a quem devo lealdade e respeito.

Pelo seu pensamento toro, antigo e radical, dois times de futebol, por exemplo, não deveriam trocar camisas ao término da partida, disputada, contenda, luta, tendo ou não um vencedor. Como os tiranos, nas arenas e circos, deveriam uns ficar lá expostos mortos, aos trapos, e outros quase mortos, carregados como heróis para morrer longe dos olhos dos que comemoraram na plateia. Terrível!

O que me preocupa, é o que você faz: não me respeitar, na minha possível divergência com o que você considera verdade e certo. O seu radicalismo é cego. A sua causa unilateral. A verdade, é única, como as possuem os ditadores.

Roberto escreve-me:
"O que me irrita nessa imprensa é que estão dia e noite apontando o dedo, mas cobrar solução, só na urna e depois que os eleitos dançam na cabeça do povo a mídia continua apontando o dedo para a população e não para os que estão burlando a Constituição, apesar de terem prometido honestidade"

Respondo: Como já lhe escrevi hoje neste espaço abaixo, o papel da imprensa é o de revelar, esclarecer, não é o de mudar e interferir no processo ao modo dela. Quem está errando ou sendo incompetentes? São os cidadãos Herculano e Sombrio. Eles não conseguem esclarecer (e convencer) uma massa majoritária de analfabetos, ignorantes e desinformados de que o erro fará mal para todos e não apenas para aquela minoria que diz ter uma verdade, com provas e convicções. É parte do jogo. E estamos perdendo de goleada. Só educação, conhecimento amplo debates e muitos sacrifícios, ao longo de décadas farão essas mudança, e devemos ser parte dela, em cada quadrado. A imprensa está na dela. Eu e você, deveríamos estar nos nossos quadrados. Atuando, cada um do seu jeito, crença e oportunidade.

Roberto Sombrio escreve me repetindo: "O povo é ignorante e não soube votar, pensem bem em quem votar na próxima eleição, nós da mídia estamos fazendo nossa parte alertando. Você mesmo diz aqui na sua coluna sobre a mídia de Gaspar que fica calada e o pior é que mesmo a que fala não tem poder para nada e de longe aponta o dedo".

E eu respondo: alguma dúvida? Você sabe apontar quem liderou em Gaspar defendeu e lhe deixou satisfeito pela volta dos Militares ao poder, terminando com a sua (não a minha) liberdade de expressão, o fim da sua possibilidade de votar, escolher e divergir? O que eles fazem quase diariamente na Praça Getúlio Vargas? O que pensam? Acorda, Gaspar!
Herculano
31/05/2018 15:41
ESTA É PARA A DIREITA XUCRA, FEITA NA MAIORIA DE JOVENS E QUE NEM SABE O QUE FOI A DITADURA MILITAR DE 1964, A QUE ACHA QUE INTERVENÇÃO MILITAR A SACIA ROMPENDO A CONSTITUIÇÃO E A LEI, PARA SE ESTABELECER NO AUTORITARISMO INCAPAZ DE SER DEMOCRÁTICO.

FIDEL CASTRO E HUGO CHAVES TAMBÉM PROMETERAM LIBERTAR O SEU POVO DE GOVERNOS CORRUPTOS, SACRIFICARAM O POVO NÃO POR UMA SEMANA COMO FIZERAM OS QUE MANIPULARAM POLITICAMENTE E NOS SEUS INTERESSES ECONôMICOS CORPORATIVOS OS CAMINHONEIROS, MAS POR DÉCADAS DE PESADELOS QUE NUNCA TERMINARAM. E ESTÃO LONGE DO FIM ATÉ PORQUE TERMINARAM COM O JUDICIÁRIO, A IMPRENSA E ATÉ MESMO O PARLAMENTO LIVRES

De Carlos Andreazza, editor de livros, no Twitter

Brincaram de fazer revolução, apostaram na paralisação do país, investiram no caos como conquista eleitoral, foram desmascarados - e agora posam de vítimas. É melhor já ir se acostumando.
Roberto Sombrio
31/05/2018 13:41
Sei muito bem o que você sempre escreveu aqui, alertando para os erros e mostrando os aproveitadores e enganadores dos ignorantes e desinformados. Depois posa para foto ao lado dos mesmos em uma festa. Não conheço ninguém que tem sua casa assaltada e no dia seguinte tira uma foto ao lado de quem o furtou. A desculpa é a festa.
O que me irrita nessa imprensa é que estão dia e noite apontando o dedo, mas cobrar solução, só na urna e depois que os eleitos dançam na cabeça do povo a mídia continua apontando o dedo para a população e não para os que estão burlando a Constituição, apesar de terem prometido honestidade.
O povo é ignorante e não soube votar, pensem bem em quem votar na próxima eleição, nós da mídia estamos fazendo nossa parte alertando.
Você mesmo diz aqui na sua coluna sobre a mídia de Gaspar que fica calada e o pior é que mesmo a que fala não tem poder para nada e de longe aponta o dedo.
Herculano
31/05/2018 12:55
UM TEXTO DE CARLOS TONET.

Eu o admiti na década de 1970 no Jornal de Santa Catarina, ao demitir a hoje a competentíssima advogada trabalhista Albaneza Tonet, pela isenção no noticiário factual, (não o opinativo que não era a área dela) os fiz da "tragédia" um casal que dura até hoje.

Intervencionistas e apoiadores da greve agitaram o centro de Gaspar ontem à noite.

Depredaram a prefeitura e não deixaram a turma abastecer.

Um dos vídeos mostra mais um choque de realidade para os que defendem o intervencionismo cívico patriota militaresco

A PM chega e se posiciona.

Espalha alguns homens com armas de bombas de efeito moral.

Protestadores e empinadores de bicicleta se preparam para ouvir a voz da autoridade fardada.

Uma autoridade que para eles só é vista batendo em vagabundo da CUT, não em gente de bem e patriótica.

Alguns manifestantes gritam:

- Silêncio, escuta um pouquinho.

Todos quietos para ouvir a autoridade militar mão amiga, braço forte.

E eis que o oficial da PM se sai com essa pérola, que cala fundo no orgulho cívico e fere o brio patriótico:

- A brincadeira por hoje deu.

O povo cívico reage:

- Isso não é brincadeira.

Tarde demais: PMs já estão empurrando os protestadores e empinadores de bicicleta.
- Sai, sai, acabou, acabou.

E dá-lhe bomba e cacetete na lomba.

Um consolo para os protestadores: na época da ditadura militar que vocês defendem, ia ser pior.

Ia ter gente sendo detida sem registro e com o risco de a família uma semana depois ser informada de que tal pessoa nunca esteve na delegacia e nem foi detida...

Vocês iam ter na sua família mais um dos tais "desaparecidos"...
Pedro Malazarte
31/05/2018 12:51
Boa tarde Sr. Herculano;

Acho que o continental que o Sombrio fumou é forte, coisa cultivada/adubada em terreno aberto no meio do mato. Só pode.
Não fique bravo Roberto, é só uma brincadeira.

Herculano
31/05/2018 10:47
O GOLPE DE DIREITA E O GOLPE DE ESQUERDA

Conteúdo de O Antagonista. Direita e esquerda pregam o golpe militar.

Diz Merval Pereira:

"À direita, na pressuposição de que os militares são a salvação nacional (...).

À esquerda, querem tumulto político, até mesmo com a intervenção militar, na crença nada ingênua de que uma crise política que levasse à renúncia de Temer poderia antecipar a eleição presidencial e, quebrada a institucionalidade, até mesmo a libertação de Lula para candidatar-se.

Mas o fato de os militares responsáveis pela condução das Forças Armadas virem a público rejeitar esses assédios demonstra que, apesar da desmoralização dos políticos e do próprio governo do presidente Temer, prevalece a ideia de que mais democracia é a solução para as crises, e não menos."

A DIREITA XUCRA E RADICAL JÁ TEM UM CADÁVER. MORTE DE CAMINHONEIRO É EXEMPLO TRÁGICO DE VIOLÊNCIA, DIZ JUGMANN

Raul Jungmann afirmou ontem à noite que a morte de um caminhoneiro em Rondônia, atingido por uma pedra, é um "exemplo trágico da violência" e um ato desumano.

"Isso é desnaturar um movimento que começou com reivindicações justas e em sua integralidade atendidas pelo governo", declarou o ministro da Segurança Pública.

Segundo Jungmann, a PF prendeu o principal suspeito do crime e o líder do grupo ao qual ele pertencia. Ele não deu detalhes sobre a identificação dos detidos.
Herculano
31/05/2018 09:25
A DESMORALIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DA LEI. O JUDICIÁRIO NÃO PERCEBEU QUE FOI CONTRA ESSE TIPO DE AUTORITARISMO MONOCRÁTICO, REPETIDO E ÀS VEZES ATÉ COLEGIADO POR MOTIVAÇõES IDEOLóGICAS, QUE PARTE DO PAÍS PAROU.

DEPOIS DE 12 HORAS DE PRISÃO, GILMAR SOLTA PAULO PRETO OUTRA VEZ

Conteúdo de O Antagonista. Gilmar Mendes também já soltou de novo Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor do Dersa em governos do PSDB que teve sua prisão preventiva decretada novamente hoje.

A decisão judicial que mandou prendê-lo afirmava que sua volta à cadeia era necessária para "assegurar a instrução criminal" do processo em que ele é acusado pelo desvio de R$ 7,7 milhões entre 2009 e 2011, relata Fausto Macedo.

A defesa de Paulo Preto alegou que o novo decreto ignorava as limitações legais da prisão preventiva e afrontava a decisão de Gilmar.

Disse, ainda, que não ficaram provadas as supostas ameaças do ex-diretor do Dersa a testemunhas, relatadas na decisão que mandou prendê-lo pela segunda vez.

O ministro do STF também mandou soltar Tatiana Souza Cremonini, filha de Paulo Preto, que pedira à Justiça autorização para viajar às ilhas Maldivas, paraíso fiscal no Índico.
Herculano
31/05/2018 09:19
NO BURACO, PODER POLÍTICO RECEBE TERRA POR CIMA, por
Josias de Souza

Com a paralisação dos caminhoneiros em declínio, o país começa a voltar à normalidade. E o normal no Brasil, como se sabe, é a anomalia da corrupção. A Polícia Federal voltou às ruas para estourar um balcão de venda de registros de sindicatos que funciona no Ministério do Trabalho. Coisa comandada pelo PTB do ex-presidiário do mensalão Roberto Jefferson. Que rapidamente declarou não ter nada a ver com o ocorrido.

Uma pesquisa do Datafolha revelou que 87% dos brasileiros apoiam a paralisação dos caminhoneiros. Para 56% das pessoas, os caminhões deveriam inclusive continuar parados. Esses dados são reveladores de uma sociedade de saco cheio, capaz de se autoimolar com uma crise de desabastecimento só para sinalizar sua extrema insatisfação com o governo em particular e com os políticos em geral.

Entre os encrencados da nova investida policial está o número 2 da pasta do Trabalho:Leonardo Arantes. É sobrinho do deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara. Só não foi preso porque está, veja você, em missão oficial na Inglaterra. A investigação vai longe. Só há uma certeza: Michel Temer manterá o Ministério do Trabalho o domínio do PTB. É por isso que quase 9 em cada dez brasileiros adoraram ver caminhões atravessados nas estradas. O poder político já sabia que estava no buraco. Descobre agora que o brasileiro quer jogar terra em cima.
Herculano
31/05/2018 09:15
ONDE SE MORRE PELA DEMOCRACIA, por Clóvis Rossi, no jornal Folha de S. Paulo

A sociedade civil põe contra as cordas o regime autoritário da Nicarágua

Atenção, viúvas e viúvos da ditadura militar, mirem-se no exemplo dos jovens da Nicarágua: eles estão há quase dois meses morrendo pela democracia - evidência definitiva de que ditaduras não são, jamais, a solução para qualquer problema.

O caso da Nicarágua é exemplar por vários motivos. Comecemos por rememorar quem são os jovens na linha de frente da luta, conforme os descreve para El País Sérgio Ramírez, brilhante escritor, Prêmio Cervantes:

"São os netos de uma revolução longínqua ou ausente em sua memória [a revolução sandinista, dos anos 70/80], mas que a levam de todo modo em seus genes, porque aquela se fez também por razões morais, ante o cansaço com uma ditadura familiar que se acreditava dona do país e que, quando se viu ameaçada, não vacilou em recorrer à repressão mais cruel. E ao extermínio".

Ramírez participou da revolução contra a ditadura familiar (a dos Somoza), chegou a ser vice-presidente do governo que se instalou após a queda da dinastia, mas rompeu quando Daniel Ortega, o atual presidente, se converteu em um novo Somoza. Traiu, portanto, uma revolução libertária pela qual deram a vida os pais ou avôs dos jovens que morrem hoje (já são 92 os mortos nos protestos dos últimos 40 dias).

A traição é ainda mais chocante quando se constata que iniciativas da esquerda contra ditaduras de direita ressurgem agora contra autocracias ditas de esquerda, como a de Ortega, mas que não passam de usurpação do poder para desfrute de uma camarilha.

Nesta quarta-feira (30), Dia das Mães na Nicarágua, as Mães de Abril promoveram uma marcha para prestar homenagem a todas as mulheres que perderam seus filhos nos protestos iniciados no dia 18 de abril (daí o nome do grupo). Têm o apoio da igreja, das empresas privadas, da sociedade civil e dos estudantes.

Resume para a Folha o escritor Sérgio Ramírez: será a "mãe de todas as marchas".

Para quem, como eu, cobriu América Latina durante os anos de chumbo, é inevitável ouvir o eco das chamadas Mães da Praça de Maio, que lutaram incansavelmente para que seus filhos, sequestrados pela ditadura argentina do período 76/83, voltassem com vida.

Gritavam "Levaram de nós vivos/Vivos os queremos".

Agora, leio em Confidencial, precioso sítio de notícias nicaraguense, a frase "quero meu filho de volta e vivo", dita por María Elsa Aburto, em alusão a seu filho Kennett Romero Aburto, desaparecido desde o dia 26 de maio, quando foi levado por uma das milícias pró-governo.

Ditadura é assim, nasça de uma revolta popular contra outra ditadura ou a bordo dos tanques para depor um governo constitucional.

No caso da Nicarágua, nem chega a ser uma ditadura plena. Há ainda espaços para a respiração da sociedade civil, tanto que é esta que comanda a revolta que sitiou o regime.

Ortega foi obrigado a aceitar um diálogo, intermediado pela igreja, no qual se discutem alguns temas pontuais (dentre os quais a violência oficial contra os manifestantes), mas se negocia também o retorno a regras de jogo democráticas, o que implica a saída do presidente.

Felipe Celia e Alberto Matamoros, ambos do Atlantic Council, tuitaram, nesta quarta, que "a Nicarágua está em um ponto de inflexão que representa sua melhor chance de finalmente retornar a uma democracia plena".

Tomara, até porque a alternativa é "uma catástrofe humanitária de vastas proporções que afetará toda a região", teme o monsenhor Abelardo Mata, bispo de Estelí.
Herculano
31/05/2018 09:11
Ao Roberto Sombrio

1. Acho que você não está lendo o que sempre escrevi aqui. E se leu, ainda não entendeu. E se não entendeu, não vai entender mais.

2. Jornalista (e qualquer outro) bom para os radicais, são aqueles que estão a serviço de sua causa, seus pensamentos. Os petistas e da esquerda do atraso são iguaisinhos contra os que não replicam exatamente as suas ideias. Então é coisa manjada.

3. Nem eu, nem você, que também usa as teclas e este espaço para se expressar e nunca o censurei por ter opiniões diferentes e até me desqualificar como faz agora, precisamos sair daqui e ir à Brasília. Primeiro é só fazer as escolhas certas, e segundo, com as nossas teclas, que são as nossas armas, para os nossos pensamentos, esclarecer, denunciar e até influir, usá-las adequadamente.

4. O resto é constranger, desqualificar e agir como brucutu que não admite a opinião diferente, mesmo que no fundo ajude a sua causa, que é de um país melhor para todos.O artigo abaixo, esclarece melhor ainda.Um bom dia.
Herculano
31/05/2018 08:59
da série: Aos jovens que nunca experimentaram isso, não leram a história do Brasil e sem saber o que isso é danoso à vida da sociedade, mas pedem intervenção militar como solução, ou fazem dessa bandeira a campanha eleitoral do candidato Jair Bolsonaro como se o autoritarismo fosse a mágica de tudo, este é um artigo para ler e refletir

QUASE UM SÉCULO PEDINDO AUTORITARISMO E INSISTINDO NOS MESMOS ERROS, por Pedro Henrique Alves, no Instituto Liberal

Rui Barbosa foi um dos maiores pensadores liberais que o Brasil já teve. Em uma conferência no Teatro Lírico (Rio de Janeiro) em 20 de março de 1919, afirmou:

Tirai daí as forças armadas, a que a sua condição de consagrada ás armas veda, por incompatibilidade substancial, a ingerência coletiva na política militante; e as demais são as que, sobre todas, havia de tocar especialmente a política da Nação. No Brasil, porém, sempre se entendeu o contrário; e daí a desgraça do Brasil". (BARBOSA, Rui. A Questão Social e Política no Brasil. In. LACERDA, Virgínia. Rui Barbosa - Escritos e Discursos Seletos, 1960, p. 399)

Já se passou quase um século e ainda estamos tentando os mesmos caminhos que há tanto nos mostram os corredores para tirania; o exato mesmo caminho que há gerações nos consagra ao opróbrio político, aos porões torturantes das nações pretensamente democráticas, ao "prézinho" das potências mundiais. O eterno "país do futuro", todavia, de um futuro que nunca chega, pois estamos há quase 100 anos repetindo os mesmos caminhos.

Ainda estamos, após incontáveis fracassos institucionais e burrices republicanas, praticando a famigerada política autoritária, clamando por militares no governo mesmo sabendo que há quase 100 anos isso repetitivamente vem dando errado. Continuamos insistindo que o erro se transformará em acerto para o país; crendo na fé cega que proclama do alto cume da ignorância que precisamos do remédio político que ontem mesmo se mostrou veneno. Dessa vez o erro há de se converter em acerto; acredita o povo que há quase 100 anos erra o modo de ser república.

E não se trata de desprezo aos militares, mas apenas de reconhecer que seu papel não está na gerencia política - a não ser em casos extremos onde simplesmente não há condições de ser diferente. Creio que os militares são de singular importância para a própria democracia, como já expressei num texto aqui no Instituto Liberal; mas, com certeza, entre suas centenas de funções não se encontra a liderança política de uma nação republicana e democrática.

Não escrevi tantas vezes "100 anos" por mera pobreza de vocabulário, mas para termos em mente exatamente o tempo em que, na república, esquizofrenicamente insistimos em errar. 100 anos. O que nos faz crer que, se amanhã o governo for batucado por tiros de canhões e tomado por militares de alta patente, após experiências do erro do autoritarismo, dessa vez há de ser boa a experiência que há 100 anos falha? O povo brasileiro há um século padece por sua ansiedade em resolver problemas políticos através da via simples, porém, errada; ou mais, o povo padece por sua constante sede em tentar acertar através do erro historicamente comprovado!

Perdoem-me, caros seguidores e leitores, a simplicidade do texto, mas a mim simplesmente pareceu que, dessa vez, em nosso vasto vocabulário linguístico, as palavras mais adornadas se tornariam nulas e ausentes do espírito de repetição tola que procurava manter na medula textual de minha crítica. Para arguições pacóvias como o de pedir um governo militar não é preciso um Panteão de argumentos, ou uma Basílica de São Pedro de construções retóricas a fim de contrapor a latente burrice do pedido combatido.
Roberto Sombrio
31/05/2018 08:51
Oi, Herculano.

Sou brucutu, ignorante analfabeto e sei que vou pagar a conta dessa greve, no entanto enquanto o Brasil estava parado alguém saiu de trás do teclado para ir a Brasília exigir que os malditos políticos retirassem aquelas porcarias de regalias que recebem além dos exorbitantes salários? Por mais que enviei mensagens nas redes sociais não tinham tempo para isso.
Então não chora e paga, já que vocês jornalistas remoem mas nunca estão do lado dos brucutus, analfabetos e desinformados. Nunca fizeram um movimento para que juntos com o povo derrubassem essa vergonha de auxílio terno, auxílio moradia, verba de não sei quantas bostas, ajuda de custo em viagens e deslocamentos, cartão corporativo e toda sorte de porcarias.
Então não esqueça. Chora e paga.
Para mim a imprensa é tão corrupta quanto os políticos porque fala, fala, fala, fala, fala, fala mostra o que acontece, o que vai acontecer e dá de ombros para tudo e se bobear, ela é a boa e o povo sempre o analfabeto e desinformado.
Estou de saco cheio dessa baboseira, dessa imprensa aproveitadora, que come milhões nas costas desses analfabetos e desinformados para lucrar com suas manchetes sensacionalistas.
Falam em DEMOCRACIA. Qual. Essa CONSTITUIÇÂO lixo que só ajuda a quem quer se aproveitar do povo? Claro! Para a imprensa cai como uma luva, porque essa bandalheira que está aí na CARTA MAGNA, serve bem para continuar no alto do pedestal apontando os erros dos outros.
Herculano
31/05/2018 08:51
STF PODERIA DAR EXEMPLO NA CRISE E LIDERAR FIM DO AUXILIO-MORADIA, por Bruno Bohossian, no jornal Folha de S. Paulo

Efervescência social tragou Judiciário para a insatisfação geral com a política

A turma das estradas e seus aliados surgiram como cobradores raivosos. Os inquilinos de Brasília escaparam das revoltas de 2013 com uma dívida que jamais foi paga. Os juros do calote se acumularam sobre o Planalto e o Congresso, mas transbordaram também para o terceiro lado da praça dos Três Poderes.

A efervescência social dos últimos anos estilhaçou uma blindagem assegurada ao Judiciário por natureza. Dotados de salvaguardas para garantir a liberdade de suas funções, os magistrados se viram expostos a pressões incomuns e constantes.

O Supremo Tribunal Federal, em particular, passou a ser alvo de manifestações frequentes. Acusados de lentidão, de desperdício e de leniência com corruptos, os ministros da corte caíram na insatisfação geral da população com a política.

A primeira reação da presidente do STF à crise provocada pela paralisação dos caminhoneiros ainda parece desconsiderar o débito que a sociedade vem cobrar das instituições - incluindo o próprio tribunal.

No início, não havia razão objetiva para que Cármen Lúcia interferisse nas tentativas de debelar o movimento. Nesta quarta (30), depois que os protestos ganharam conotações políticas, a ministra fez um discurso oportuno a favor da democracia.

"Regimes sem direitos são passados de que não se pode esquecer, nem de que se queira lembrar", afirmou a presidente do Supremo. "A democracia é a única via legítima."

A fala de Cármen, no entanto, deixou escapar uma apatia que, cedo ou tarde, o Judiciário precisará enfrentar. "Não fazemos milagre, fazemos direito", declarou.

Tragado ao ambiente político pelo comportamento de seus ministros e pela superexposição na TV Justiça, o STF deveria servir de exemplo nessa onda de descrédito institucional.

O Supremo preservou parte de sua credibilidade durante a derrocada de seus colegas de praça. Se a população clama por serviços públicos mais eficientes e menos custosos, liderar o fim do auxílio-moradia seria um bom começo.
Herculano
31/05/2018 08:47
CRôNICA DE UMA CRISE ANUNCIADA, por Carlos Brickmann

A crise causada no país pela paralisação dos caminhoneiros foi obra de três presidentes: Lula, Dilma e Temer. Começou em 2008: para dar um impulso à economia, e aproveitando que as fábricas de caminhões tinham capacidade ociosa, o Governo Lula ofereceu juros baixíssimos aos compradores. As fábricas venderam e a frota cresceu 40% de lá para cá. Mas a economia só subiu 11% (os dados são do professor Samuel Pessoa, do Insper). Há caminhões sobrando - o que derrubou o valor dos fretes.

O Governo Dilma, para mascarar a inflação, manteve artificialmente baixo o preço dos combustíveis. A Petrobras acumulou prejuízos, que lhe custam altos juros (e ainda houve o Petrolão, que ordenhou a empresa).

O Governo Temer entregou a um executivo de primeira linha, Pedro Parente, a tarefa de recuperar a Petrobras, cobrindo os prejuízos passados e dando lucro. Parente cumpriu a tarefa: o diesel e a gasolina passaram a ter preços fixados dia a dia, com base na cotação do petróleo (em alta). O diesel aumentou de três em três dias, de 3 de julho de 2017 para cá. O preço subiu até 30%, contra inflação de uns 2%. Os transportadores foram sufocados: diesel mais caro, fretes mais baratos. O Governo não se preocupou com o problema: não houve qualquer movimento para permitir que o setor continuasse viável. Quebrados, os caminhoneiros venderam seus veículos para as grandes empresas ?" capazes de paralisar o país.

DE BOAS INTENÇõES...

Todas as medidas, diga-se, foram tomadas com a melhor intenção. Dar um impulso à economia, segurar a inflação, recuperar a Petrobras. Só que o mundo é mais complexo do que imaginam os planejadores voluntaristas.

... HÁ UM LUGAR CHEIO

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, mostra o caminho que poderia ter sido seguido para que a recuperação da empresa fosse mais indolor: "Culpar a Petrobras pelos preços considerados altos nas bombas é ignorar a existência dos outros atores, responsáveis por dois terços do preço da gasolina e metade do preço do diesel".

Baixar impostos, só sob pressão.

ALô, ALô

Talvez este colunista tenha se distraído e passado por cima da notícia. Mas não se lembra de ter lido a lista das reivindicações dos caminhoneiros. Nem de ter lido a nota oficial do Governo anunciando quais reivindicações foram atendidas. Como diria o gato de Alice no País das Maravilhas, se você não sabe aonde vai, não importa o caminho que vai tomar.

AS HORDAS

Que não temos Governo, já sabíamos: um presidente assessorado por Moreira Franco, Eunício, pelo inacreditável Carlos Marun (até Geddel é melhor!) não pode saber o que fazer. O problema é que os caminhoneiros também não têm líderes: o grupo que negocia com o Governo concorda em suspender a paralisação, mas a paralisação continua. Situação complicada: se os dois lados não têm líderes, quem é que pode chegar a um acordo?

O ÂNIMO DO PRESIDENTE

Josias de Souza (https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/), repórter respeitado, diz que um auxiliar de Temer, em conversa telefônica com um congressista, disse na noite de segunda que o presidente tem dado sinais de desânimo. Acredita que o motivo é a paralisação dos caminhoneiros e seu efeito sobre o desempenho da economia neste ano. O principal troféu de Temer é a recuperação da economia. Já não era lá essas coisas, mas com os atuais problemas a previsão de crescimento deve ser revista para baixo.

Temer tem outro problema sério: quando deixar a Presidência, estará sujeito aos juízes de primeira instância. E tem inquéritos a esperá-lo.

BOLSONARO ACORDOU

Bolsonaro rejeita uma intervenção militar. Claro: se houver intervenção, o país será governado por um general, não por um capitão deputado.

CAPITAL: JERUSALÉM

Pesquisa realizada pela Toluna, multinacional de pesquisas especializada em entender os desejos dos consumidores e as eventuais mudanças em suas expectativas, revela que a maioria simples da população brasileira acredita que Jerusalém deve ser a capital de Israel. No total da pesquisa, 27% dos entrevistados. E 7% acreditam que deva ser a capital de um Estado palestino.

Durante os últimos 50 anos, Jerusalém foi escolhida por Israel como sede do Governo, mas as embaixadas se fixaram na antiga capital, Tel Aviv. Em maio último, os Estados Unidos transferiram sua embaixada para Jerusalém como parte da comemoração dos 70 anos de independência de Israel. A embaixada brasileira continua em Tel Aviv.

Jerusalém como capital de Israel é a posição favorita da população do Brasil; em segundo lugar, quase empatada, está Jerusalém como capital de Israel e da Palestina.
Herculano
31/05/2018 08:40
CRIME COMPENSA QUANDO O FORO É PRIVILEGIADO, Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Denunciado em outubro de 2015, no âmbito da Lava Jato, por receber R$33,7 milhões em propina, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) foi condenado a devolver apenas R$5 milhões à Petrobras. O valor, além de irrisório perto do montante surrupiado, é menor que o rendimento da poupança entre a denúncia e a condenação. Noves fora, Meurer fica com a propina, usa o rendimento para fazer a devolução e ainda sobra.

EM NÚMEROS
A propina de R$33,7 milhões aplicada na poupança, investimento aliás desaconselhado por economistas, renderia R$6,6 milhões ao deputado.

A PROPINA
O deputado recebeu 99 pagamentos mensais, desde 2006, no valor de R$300 mil, além de R$4 milhões em espécie na campanha de 2014.

PARECE FILA DE POSTO
Meurer é o primeiro político condenado no STF no âmbito da Lava Jato, mas há outros nove réus e mais 20 denúncias aguardando julgamento.

SEGUNDA TURMA
A condenação de Meurer por unanimidade na Segunda Turma do STF, a mais "boazinha", é má notícia para parte dos acusados na Lava Jato.

NÃO HAVERIA GREVE SE A GANÂNCIA FOSSE MENOR
Os custos para acabar a greve dos caminhoneiros, estimados em R$10 bilhões, correspondem a apenas 30% do lucro previsto pela Petrobras para 2018, de cerca de R$30 bilhões. Se a ganância da estatal fosse um terço menor, não haveria greve: seu lucro somou R$7 bilhões em três meses (janeiro a março), garantido pelos aumentos quase diários dos combustíveis que fizeram os caminhoneiros parar o País.

ACIONISTA ESQUECIDO
O lucro bilionário da Petrobras serve para pagar dividendos a acionistas. Mas o maior acionista fica de fora: o povo brasileiro.

ASSIM É MOLE
O lucro da Petrobras não decorre de eficiência, mas da dolarização criminosa dos combustíveis. A estatal é campeã de ineficiência.

PREJUÍZO DUVIDOSO
Em 2017, o lucro operacional da Petrobrás foi de mais de R$ 5 bilhões, mas a estatal registrou como "prejuízo" o acordo bilionário nos EUA.

CPI DO PARENTE
Segundo autora do pedido de CPI para investigar preços da Petrobras, senadora Vanessa Grazziotin (PC-doB-AM), no governo Temer foram realizadas 229 variações de preços do diesel, álcool e gasolina.

POLÍTICA DE CONVENIÊNCIA
As cinco reduções de preço em oito dias de greve de caminhoneiros, enquanto dólar e o barril subiam, apenas mostra que a dolarização dos combustíveis nada tem de "técnica". A Petrobras aumenta ou diminui preços de acordo com os seus interesses. Financeiros ou políticos.

REFORMAR É PRECISO
Ecoou na Câmara a necessidade pela reforma tributária, escancarada pela greve de caminhoneiros. O presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que priorizará o projeto, em tramitação há mais de uma década.

CONTRA BOLSONARO
"Intervenção militar" é coisa de quem conspira contra a única chance de Jair Bolsonaro chegar a presidente: o voto direto. Em situação de golpe, o poder jamais seria entregue ao capitão reformado do Exército.

OBITUÁRIO
O jornalista alagoano e constituinte Audálio Dantas faleceu ontem em São Paulo. Tinha câncer. Presidiu o sindicato paulista dos jornalistas e foi o primeiro presidente da federação da classe eleito pelo voto direto.

VENEZUELA É AQUI
Após a bagunça generalizada no País, com paralisações que objetivam impor prejuízos bilionários aos brasileiros, já deve ter haitianos e venezuelanos pensando em pegar o caminho de volta para casa.

BB: SE COLAR, COLOU
O Banco do Brasil está cobrando 0,5% sobre faturas com vencimento em junho do cartão Visa Infinite, alegando "encargos financeiros do rotativo", até de quem quitou a todo o débito. Aos que reclamam, a atendente diz que houve "erro no sistema". Mas só a quem reclama.

O AFANO ESTÁ NO AR
Alguns bancos se comportam como Donga, quando se defendia da apropriação autoral do primeiro samba gravado: "O samba tá no ar, quem pegar é dele". Agora, no Brasil, é assim: o roubo está no ar.

PENSANDO BEM?
...já que subjugou sua política econômica à Petrobras, o governo Temer bem que poderia dolarizar também os salários.
Herculano
31/05/2018 08:28
O PIOR DO BRASIL É O BRASILEIRO, por Mariliz Pereira Jorge, no jornal Folha de S. Paulo

O mesmo povo que se mobiliza quando há tragédias pode virar uma corja repugnante

Ficou famoso o episódio em que uma moradora do Rio se recusou a ajudar um gringo, mesmo sabendo falar inglês. "You're in Rio for the Olympic Games and doesn't speak Portuguese? Segue em frente e vira à direita que tu chega no metrô! Gringo tá no Rio e eu tenho que falar inglês?" Se isso aconteceu em 2016, época festiva dos Jogos, imagine agora com a realidade baixo astral em que vivemos.

A faceta que revela um cidadão sem empatia e mal-educado tem pipocado em imagens na TV, em grupos do WhatsApp e nas redes sociais nesses dias de paralisação. O brasileiro apoia o movimento (87%, segundo o Datafolha), mas não quer ficar sem gasolina, sem carne, sem legumes, sem que a empregada chegue ao emprego, nem abrir mão de viajar no feriado. Queremos um Brasil diferente, mas se virem, não ousem me deixar sem mamão formosa.

Testemunhamos gente em guerra, empunhando galões de combustíveis que, ao encontrarem as bombas secas, acabaram na cabeça dos que estavam ali também atrás de gasolina. Carros com ¾ de tanque em filas longas, durante horas, apenas para "completar". Gente que em frente a uma prateleira com duas bandejas de tomates a dez contos o quilo, tratou de catar ambas, mesmo sob protesto de terceiros. Deixa eu garantir o meu, os outros que se danem.



É incrível que o mesmo povo que se mobiliza em doações quando acontecem tragédias naturais se transforme numa corja repugnante e mesquinha quando o seu rabo apenas parece estar na reta. Haverá prejuízos bilionários em vários setores, mas a barulheira é para garantir tanque cheio e prateleiras abastecidas. Apenas.

O brasileiro quer um país diferente desde que não envolva sacrifícios pessoais. Quer mais Estado e menos impostos. Não é genial? Quer que as coisas mudem, que a corrupção acabe, mas sem mudar o próprio comportamento. A gente se acha malandro tirando onda de gringo otário.

Quem são mesmo os otários?
Herculano
30/05/2018 19:40
da série: aos gurus, brutucus,analfabetos,ignorantes e desinformados que não entenderam que são todos nós que estamos pagando esta conta onde só as grandes empresas de transportes tiveram vantagens

QUEM VAI PAGAR A CONTA DA ISENÇÃO DE PEDÁGIO?, por Diogo Mainardi, de O Antagonista e Cruzoé

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) estima em R$ 600 milhões ao ano a redução de receita das concessionárias somente em São Paulo, em decorrência da isenção de tarifa de pedágio sobre o eixo suspenso dos caminhões, registra o Estadão.

O usual em situações assim, de acordo com o jornal, é que a concessionária solicite ao poder concedente ?" nesse caso, os governos dos estados ?" um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, que pode assumir a forma de um aumento na tarifa de pedágio, ou alongamento no prazo da concessão, ou um aporte de recursos do poder concedente.

"Nas rodovias federais, o fim da cobrança sobre o eixo suspenso foi uma das causas de desequilíbrio financeiro das concessionárias. Em 2015, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o reajuste do pedágio delas para compensar a perda de receita. Agora, no caso das rodovias paulistas, o governador Márcio França pretende cobrar a conta da União."

Ou seja: de todos nós, brasileiros?
Herculano
30/05/2018 15:31
A ESQUERDA DO ATRASO E A DIREITA XUCRA SÃO IGUAIZINHAS. UMA PRECISA DA OUTRA.

Veja esta. Para não trabalhar, ampliar o feriadão, o Sindicato dos funcionários da prefeitura de Florianópolis não quer que os servidores trabalhem.

A prefeitura de Florianópolis - que está em uma permanente disputa com o sindicato e há muito tempo - foi ao Ministério Público contra o Sintraturb. Prefeitura alega que há combustível para escala normal. Não precisa escala reduzida, como quer e aplica agora o sindicato, contra a população.
Herculano
30/05/2018 15:23
SENADOR DALÍRIO BEBER É ALVO DA OPERAÇÃO ESPÚRIO DA PF EM SC, por Moacir Pereira

Operação Registro Espúrio, realizada nesta quarta-feira pela Policia Federal, cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Em São Paulo, a PF fez buscas na Força Sindical e na União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Em Santa Catarina, um dos alvos é o senador Dalirio Beber, do PSDB.

A operação objetiva desarticular organização criminosa suspeita de fraudes na concessão de registros de sindicatos junto ao Ministério do Trabalho.

Entre os alvos da operação estão os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB). A PF fez buscas nos gabinetes dos parlamentares na Câmara dos Deputados.

De acordo com investigadores, a prisão dos parlamentares chegou a ser pedida pela PF, mas foi rejeitada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda segundo investigadores, um dos objetivos da operação é apurar "loteamento" do Ministério do Trabalho pelo PTB e pelo Solidariedade.

Ao todo, a operação batizada de Registro Espúrio cumpriu 64 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de prisão preventiva (sem prazo determinado) e 15 mandados de prisão temporária (de até cinco dias), além de outras medidas cautelares.

O senador Dalirio Beber não atendeu o celular. Sua assessoria liberou documento da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, de fevereiro, pedindo arquivamento de investigação envolvendo o parlamentar catarinense.

Este documento, contudo, é datado de 19 de fevereiro e a operação acontece mais de três meses depois.

A assessoria informou, ainda que a participação do senador Dalirio Beber refere-se a intermediação para registro de um sindicato do Vale do Itajaí no Ministério do Trabalho.
Herculano
30/05/2018 15:20
De Carlos Andreazza, editor de livros, no Twitter

O brasileiro vive no Brasil, apoia a paralisação criminosa, mas não quer pagar a conta. O brasileiro não sabe onde vive. Nada aprendeu. E daí que apoia a greve? Esse foi o mesmo que elegeu Dilma Rousseff e elegeria um presidiário, se candidato fosse.
vlad
30/05/2018 14:49
O desembargador André Nabarrete Neto, do TRF-3, devolveu ao presidiário da carceragem da PF em Curitiba os seus assessores, seus seguranças, seus carros e suas viagens aéreas, Só não ficou claro se tudo isso vai para dentro da cela ou fica do lado de fora num plantão de doze anos.
Herculano
30/05/2018 10:57
CONCESSõES AOS CAMINHONEIROS SÃO A ESSÊNCIA DO ANTICAPITALISMO NACIONAL, por Alexandre Schwartsman, economista, no jornal Folha de S. Paulo

Fraqueza política do governo permitiu que um grupo conseguisse chantagear o país

Infelizmente (e previsivelmente), a resposta do governo à greve dos caminhoneiros foi lamentável. À redução na marra dos preços do diesel (bancados pela Petrobras e pelo Tesouro Nacional) e ao corte dos impostos somou-se a criação da tabela de frete mínimo, mais uma ideia desastrada cujas consequências haverão de nos assombrar mais à frente.

Samuel Pessôa, com a competência habitual, expôs, no domingo (27), nesta Folha, a comédia de erros que levou ao atual estado das coisas, chamando a atenção para o papel das falhas de governo no processo, do impensado subsídio à aquisição de caminhões ao gasto público crescente, cuja contrapartida mais visível é a pesada carga tributária no país.

Se faltava algum componente dantesco à comédia, a noção de que o governo deve regular o preço em transações privadas deve suprir, com folga, essa ausência.

Concretamente, a fraqueza política da atual administração permitiu que um grupo conseguisse chantagear o país e, seguindo um padrão tristemente conhecido, obter privilégios à custa do restante da sociedade.

Há claramente um excesso de oferta de serviços de frete, seja pelo crescimento da frota, seja pela recuperação ainda modesta da economia. A imposição de um piso para os preços não elimina o excesso de oferta; apenas permite que, se implementado de fato, um grupo mais próximo da liderança do setor ("insiders") usufrua de preços mais altos, enquanto aqueles à margem ("outsiders") se verão em condição ainda pior do que hoje.

Além disso, é uma ilusão acreditar que o custo de frete mais elevado não seja repassado, em alguma medida, para o preço final dos produtos.

Replicando o modelo tão conhecido no Brasil, um enorme, porém pouco articulado, grupo de consumidores transferirá renda para um grupo consideravelmente menor, mas que consegue se organizar para obter as benesses do governo.

Funciona com os setores protegidos por tarifas de comércio internacional, ou com acessos a subsídios, bem como toda espécie de meia-entrada, gênero particularmente abundante no país. Por que não funcionaria nesse caso?

Isto dito, o problema maior não é o butim que esse grupo em particular vai levar para casa, como fizeram (e fazem!) tantos outros.

O cerne da questão, que não vem de hoje, é a forma distorcida de operação da economia brasileira.
O jogo econômico segue visto como uma competição de soma zero, em que o ganho de uns corresponde à perda de outros. Assim, quem pode, pela força (como agora) ou pelo "jeito", convencer o poder moderador a arbitrar em seu favor passa a ter à sua disposição parcela da renda da sociedade.

Enquanto o jogo for esse, não há como ter crescimento rápido, sustentável e inclusivo, dado que implica baixo ritmo de expansão da produtividade, pois o foco da sociedade sai da inovação para a busca de favores governamentais.

Essa é a essência do anticapitalismo nacional, expressa de uma maneira vívida nos últimos dias, que também anunciaram mais sete meses de agonia de uma administração vítima da sua incapacidade de romper com o compadrio.

Ainda assim, isso não é o pior, mas os sinais consistentes de que a sociedade brasileira também não quer o rompimento. Pelo contrário, o quadro eleitoral, com raras e improváveis exceções, é o reflexo de quem reclama dos privilégios alheios, mas se mobiliza como poucos para manter cada um dos seus.
Herculano
30/05/2018 10:55
COMBUSTÍVEL DOLARIZADO SUSTENTA A INEFICIÊNCIA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Para produzir seus 2,7 milhões de barris/dia, a Petrobras mantém 180.258 mil funcionários, entre terceirizados e efetivos, que, vez por outra, ainda inventam greve malandra como a prevista para esta quarta (30), de 72 horas, cujo término coincide com o fim de semana. Já a americana Chevron, que não se beneficia de monopólio, tem 61 mil empregados, um terço da nossa estatal, e produz os mesmos 2,7 milhões de barris/dia.

A GENTE PAGA
Em vez de cortar despesas e modernizar a estatal, Pedro Parente dolarizou os combustíveis para sustentar a ineficiência da Petrobras.

TIRA MÃO DO MEU BOLSO
Explorando os brasileiros, com reajustes diários, a Petrobras registrou lucro de R$7 bilhões somente entre janeiro e março deste ano.

MAL ENTROU
Por sua ineficiência, a Petrobras quase ficou de fora da lista da Forbes com as 25 maiores petroleiras do mundo. Está em penúltimo lugar.

JÁ FOI PIOR
Em 2013, auge do aparelhamento, a Petrobras empregava mais de 360 mil pessoas e tinha quatro terceirizados para cada funcionário próprio.

CADE AJUDA A LIQUIDAR CARTóRIO DOS COMBUSTÍVEIS
Produtores receberam com entusiasmo a recomendação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, há anos reivindicada, para revogar a resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que criou um dos "cartórios" mais desavergonhados do País. Esse "cartório", que proíbe mais de 400 produtores a vender seu etanol diretamente aos postos, promoveu concentração, enriqueceu as distribuidoras (e "parceiros" em órgãos públicos) e empobreceu o setor.

ATRAVESSADOR SE DÁ BEM
Há mais de um ano, distribuidoras pagam R$1,54 por litro de etanol e o revende aos postos até a R$3,20. E custa até R$4,10 ao consumidor.

CARTóRIO FAZENDO ÁGUA
O "cartório" de distribuidoras faz água: em São Paulo, a Justiça Federal autorizou usina de Araçatuba a vender seu etanol aos postos da região.

LEI ENQUADRA A ANP
Projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) garante ao produtor o direito de vender etanol aos postos. O objetivo é derrubar os preços.

MALUCOS NAS RUAS
Aos que pedem "intervenção militar", vale lembrar as palavras do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, em dezembro de 2016, considerando-os apenas "malucos" e "tresloucados".

PARECE ATÉ DE PROPóSITO
A turma de Pedro Parente na Petrobras aumentou 40 vezes o litro do diesel tipo A, entre 8 de fevereiro e 22 de maio. Um aumento criminoso de 30,5%. E ainda se surpreendeu com a revolta dos caminhoneiros.

SACO SEM FUNDO
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), associação privada que administra um fundo setorial público bilionário, entrou no radar dos órgãos de controle e da Aneel. Tem contratado escritórios de advocacia e auditores sem licitação para defender demandas do fundo.

SAIU CARO
Condenado por unanimidade no STF, o deputado Nelson Meurer (PP-PR), desde que foi denunciado em outubro de 2015, custou ao País R$1.182.906,13 somente em ressarcimento de gastos.
8
LUCRO FÁCIL
Nesta terça (29), a gasolina custou às distribuidoras de combustíveis R$1,9526 o litro; aumento de 20% em relação a 8 de fevereiro. No mesmo período de 2018, a Petrobras declarou lucro de R$7 bilhões.

EXPLORAR NÃO PODE
O Uber não pode se aproveitar da crise de desabastecimento para explorar a clientela. Em São Paulo, a viagem entre Congonhas e Alphaville, que custava R$73 virou R$155 de um dia para o outro.

INVESTIGAR É PRECISO
Causou estranheza não apenas ao apresentador Marcelo Torres (SBT) o descarrilamento do trem que levava 650 mil litros de diesel a Bauru (SP), 24h após reportagem mostrar que a cidade não sofria tanto com a greve dos caminhoneiros porque o abastecimentos é por trem.

GREVE DÁ RESULTADO
Após a redução do preço do diesel conquistado por caminhoneiros em todo o País, o aumento total para esse tipo de combustível passou de 30% para apenas 15%. A gasolina aumentou 28%.

PERGUNTA NO BLOQUEIO
Por que os caminhoneiros não incluíram entre as reivindicações a melhoria das estradas brasileiras? Muito estranho...
Herculano
30/05/2018 10:50
A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A TAL IMPARCIALIDADE

O PT e a esquerda do atraso acusam a Rede Globo (e outros veículos tradicionais de comunicação, apesar de se utilizarem deles para suas propostas) de estar a serviço dos conservadores, direitistas e do poder de plantão, leia-se Michel Temer,MDB.

O poder de plantão, leria-se Michel Temer, MDB e catrefa, acusa a Rede Globo (e outros veículos tracionais de comunicação os quais usam e abusam para defender o governo) de estar a serviço da esquerda do atraso, de qualquer tipo de oposição, justiça, ministério público e da instabilização do governo.

Os bolsonaristas, os intervencionistas e os que organizaram o bloqueio das estradas (e outros veículos tradicionais de comunicação) acusam - e até agridem com truculência e intimidação - a Rede Globo de estar a serviço do governo, dos da esquerda do atraso...

Já estou achando que a Globo é o melhor veículo de comunicação do Brasil.

As queixas dos três segmentos da sociedade política fazem pensar que a Globo é mesmo imparcial, e todos os lados estão incomodados com isso.

Quem diria que a esquerda do atraso, governo corrupto e a direita xucra dariam esse atestado público de isenção à Rede Globo. Rir de nós mesmos, é pouco uma massa ampla de analfabetos, ignorantes e desinformados
Herculano
30/05/2018 10:37
A QUADRATURA DO CÍRCULO: 87% APOIAM A PARALISAÇÃO, MAS REJEITAM PAGAR A CONTA, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Manchete desta quarta na Folha de São Paulo traz resultado de pesquisa Datafolha com a opinião da população sobre a paralisação dos caminhoneiros, que hoje entra no seu décimo dia, ainda que com a adesão diminuída. Trata-se de um enigma do qual tratarei mais tarde:

O brasileiro apoia maciçamente a paralisação dos caminhoneiros e defende sua continuidade, apesar de não estar disposto a pagar a conta que o governo federal aceitou receber dos manifestantes para tentar encerrá-la.

A conclusão é de pesquisa telefônica feita pelo Datafolha com 1.500 pessoas na terça (29). A margem de erro do levantamento é de três pontos para mais ou para menos.

Aprovam o movimento, que chega a esta quarta (30) ao décimo dia arrefecido mas ainda com bloqueios de estradas, 87% dos entrevistados. São contrários 10%, enquanto 2% se dizem indiferentes e 1% não souberam opinar.

Já 56% dos entrevistados acham que a paralisação deve seguir, contra 42% que são a favor de seu fim.

O apoio aos caminhoneiros é bastante homogêneo levando em conta as regiões do país, baixando um pouco entre os mais ricos e os mais velhos. (...)
Ildo Duathi
30/05/2018 09:42
Bom dia Herculano.

Sobre a paralisação dos caminhoneiros e praticamente todas os outros setores desse país.
Com certeza o prejuízo causado será sentido no bolso de todos nós, seja empresários, funcionários, autônomos, etc.. Eu coloco nesse texto paralisação e não greve, porque greve remete a Sindicato, sem prestígio e que não ajuda em nada o desenvolvimento e crescimento de um país, aliás, é só ver aonde chegamos com tantos sindicatos que temos nesse Brasil.
Mas voltando sobre a paralisação, muitos até chamam de caos, eu faço a seguinte leitura de tudo isso: Com o aumento sucessivo dos preços dos combustíveis e principalmente do diesel, o que já estava no limite dos custos ficou negativo, o frete está com custo mais caro do que estão recebendo para fazê-lo, a indústria que também já está no limite da margem entre zero e negativo não tem como absorver o aumento do frete, e a ponta disso tudo que somos nós consumidores não tem mais o que tirar, portanto foi o estopim para se tornar não só a paralisação dos caminhoneiros, mas sim de praticamente todos da sociedade, uma revolta profunda de tudo que está acontecendo nesse Brasil. Por isso não tem pauta para negociar, são muitas coisas erradas que estamos vendo a anos e que nossos representantes "Políticos" literalmente não fazem nada para mudar. Você colocou muito bem nesses dias atrás alguns pontos que estão sendo muito comentados nessa manifestação como: Alto custo para produção nas estatais por não serem administradas com foco em resultados, eficiência, produtividade, altos impostos para bancar a regalia dos nossos políticos e seus assessores, coisa fora do normal, sem contar com a roubalheira, então a briga e o descontentamento já não é mais com a alta do combustível, é a falta de alguma mudança nesses pontos, que aí sim permitiriam a redução do custo para todos os setores e consequentemente poderíamos ter maior poder de consumo e qualidade de vida. A coisa é muito maior e mais complexa, mas o texto ficaria muito longo.
Só para provocar, "Enquanto não mudarmos nossa política de impostos, leis trabalhistas, reforma política, vai ser difícil sermos competitivos mundo a fora". E não sendo competitivo não há crescimento significativo e nem melhora significativa na qualidade de vida.

Herculano
30/05/2018 08:22
PAÍS SE REVOLTA CONTRA SI E NÃO SABE, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Como em Junho de 2013, maioria crê na ilusão de que, matando o bode expiatório, crise acaba

Um tanto como no Junho de 2013, no Maio de 2018 há uma revolta quase geral dos brasileiros contra si mesmos, mas os revoltados não sabem disso.

Acreditam que a culpa de "tudo que está aí" é do bode expiatório de duas cabeças, a corrupta e a política, que nos impede de chegar até o fim do arco-íris, onde está o pote de ouro a ser aberto e dividido para benefício geral, sem conflitos.

Pesquisa Datafolha mostra que 87% dos brasileiros são a favor da paralisação dos caminhões. Também 87% recusam a solução de aumentar impostos ou cortar gastos a fim de pagar a conta do diesel.

Caso os caminhões continuem parados, 88% acham que o governo deve continuar a negociar uma solução, sem recorrer à força.

Mais da metade dos brasileiros, 56%, acha que o paradão caminhoneiro deve continuar, sem mais.
Quase nove em dez brasileiros estão em revolta desnorteada, uma escassa explicação restante para o apoio quase irrestrito a um protesto que está ou esteve à beira de levar economia e relações sociais ao colapso.

Como se escrevia nestas colunas na semana passada, anos de recessão, de escândalos corruptos e a nova revolta nova contra impostos e governantes em geral acabaram com a paciência.

Uma elite política quase toda desprezível e que sequestrou o país acabou com a esperança.

A classe dirigente toda, elites de variada espécie, não são muito melhores, pois tolera essa escória, quando não é cúmplice.

Mas o povo que se revolta contra a mão pesada dos impostos é o mesmo que quer a mão do governo a balançar o berço, subsídios para todos.

O neopopulismo diz que não há conflito social e político na disputa por recursos públicos e privados. O inimigo é o governante malvado, o corrupto.

As principais lideranças políticas, em uma combinação de ignorância, irresponsabilidade e oportunismo demagógico, deixa circular por aí a ideia de que há maná para todos, que não há apropriação excessiva ou indevida de recursos públicos ou injustiças outras.

Essa fantasia está para acabar, de um modo ou de outro. Os recursos públicos chegarão ao limite no ano que vem ou em 2020.

Sem cortes e rediscussão da divisão do bolo, a disputa será feroz e nenhuma saída será indolor.

Candidatos a presidente ratificam a ilusão geral de que "combater a corrupção" ou "cortar cargos comissionados" pode dar conta do problema (há um idiota candidato a governador de São Paulo que veio com essa dos "cargos comissionados"). Líderes do Congresso dizem que há "sobras orçamentárias".

Como também se escrevia nestas colunas, o paradão caminhoneiro e suas repercussões são um ensaio geral para a crise fiscal que virá.

Pode ser uma explosão, se tentarem resolvê-la por meio de mais endividamento. Pode ser uma agonia crônica, morte nacional lenta, se for resolvida apenas no corte de gastos, sem mudanças estruturais. Pode ser uma inflação, com o que a vida será um inferno, mas um tanto mais fresco para os ricos e a miséria para os mais pobres.

Mas a crise virá. Como se escrevia nestas colunas em julho de 2013: "O povo das ruas vai descobrir que o pote de ouro é pequeno; que redividi-lo vai exigir conversa ou conflito. Talvez descubra que boa parte do ouro não está no castelo estatal. No fundo desse castelo do 'tudo que está aí', enfim, tem um espelho".
Herculano
30/05/2018 08:15
URGENTE: PAULO PRETO É PRESO NOVAMENTE

Conteúdo de O Antagonista. O ex-diretor do Dersa Paulo Viera de Souza, o Paulo Preto, acaba de ser preso novamente por descumprir ordem judicial.

O operador do PSDB havia sido liberado dias atrás por decisão de Gilmar Mendes.
Herculano
30/05/2018 08:12
BOLSONARO E MILITARES MUDAM DISCURSO PARA BUSCAR PODER NAS URNAS, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Bancada da farda quer evitar ruptura que pode prejudicar pretensões eleitorais

A cobrança de Jair Bolsonaro (PSL) pelo fim da paralisação dos caminhoneiros e a reação de militares aos pedidos de golpe para derrubar Michel Temer refletem uma guinada estratégica. Os políticos alinhados à farda querem assumir o poder pela porta da frente. Para isso, precisam manter o ambiente de crise até a eleição, mas no limite da ruptura.

O sucesso de Bolsonaro nas pesquisas presidenciais e a multiplicação de candidatos com origem nas Forças Armadas elevou a expectativa de sucesso desses grupos nas urnas.

"Na minha opinião, dos meus amigos generais, se tiver de voltar um dia, que volte pelo voto. Aí chega com legitimidade", disse o presidenciável do PSL, em sua entrevista à Folha.

A preocupação é evidente. Uma fissura a cinco meses da eleição ?"com a renúncia de Temer ou um golpe militar?" provocaria uma desordem institucional e abriria um portal de incertezas. Nessas duas hipóteses, Bolsonaro e seus amigos provavelmente não herdariam o poder.

Para evitar uma ebulição fora de controle, os militaristas decidiram modular o discurso em relação à crise dos caminhões. Na contramão de sua base eleitoral, passaram a defender o fim da paralisação e se posicionaram contra o discurso intervencionista que surgiu nas estradas.

"Tem gente que quer as Forças Armadas incendiando tudo. E a coisa não pode ser assim", afirmou o general da reserva Antônio Mourão.

Já Paulo Chagas, também general da reserva, tenta convencer seus seguidores nas redes sociais de que a ascensão deve ocorrer pelo voto. "A mudança começa agora, quando temos oportunidade de escolher outros e melhores políticos", escreveu.

A pregação costuma vir acompanhada de uma ressalva: o questionamento da segurança das urnas brasileiras. Trata-se de uma válvula de escape que os permitirá alegar fraude em caso de fracasso eleitoral.

"Temos que ir às urnas. Se houver falcatrua, os caminhoneiros já nos ensinaram o que temos que fazer!", publicou Chagas. Foi chamado de traidor por um defensor do golpe.
Herculano
30/05/2018 08:09
De João Borges, no Twitter

A quatro meses da eleição querem intervenção militar? Não querem a eleição? Querem acabar com o direito ao voto?
Herculano
30/05/2018 08:06
De Mário Sabino, ex-veja e editor da Cruzoé (O Antagonista), no Twitter

O governo ainda não disse de onde vai tirar o dinheiro para subsidiar caminhoneiros e Petrobras. Nem precisa. De um jeito ou de outro, será do nosso bolso, visto que o governo continuará do mesmo tamanho - e aumentando.
Herculano
30/05/2018 08:04
CUSTOS DO DESGOVERNO

Apoio popular a demandas dos caminhoneiros não justifica abusos da paralisação

Após oito dias do mais intenso boicote ao abastecimento de gêneros de primeira necessidade já registrado no Brasil, a paralisação dos caminhoneiros deu nesta terça (29) o primeiro sinal de arrefecimento. Combustível, embora em pouca quantidade, começou a chegar aos postos em várias cidades do país.

É preciso acompanhar com cautela os desdobramentos dessa crise pelos próximos dias, mas não é improvável que o impasse se dissolva paulatinamente.

Justifica-se o alívio com essa expectativa de desfecho, pois a asfixia progressiva de bens e serviços indispensáveis à manutenção da vida e da paz nas cidades é uma perspectiva realista e em marcha.

Mas seja para evitar que o espectro do colapso urbano volte a avultar-se, seja para distribuir com mais justiça a conta a ser paga, não deveriam ser esquecidos os papéis censuráveis desempenhados pelos principais atores desse drama.

Os caminhoneiros e os empresários de transportes têm um problema de custos crescentes, causado pelo surto de alta internacional do petróleo e pela desvalorização do real em relação ao dólar. A retomada macambúzia da atividade econômica dificulta o repasse dessa carestia ao preço final do frete.

Não são, nem de longe, a única categoria a enfrentar a realidade áspera do Brasil estropiado pela grande recessão. Nem por isso estão desprovidos do direito de organizar-se para pleitear do poder público o que julgam ser seu direito.

Ao fazê-lo nesta hora, o movimento galvaniza um sentimento popular difuso - alicerçado na dureza generalizada que se tornou a tarefa de ganhar o pão e na avalanche de flagrantes de desabrida corrupção na política - de repulsa ao poder estabelecido; de oposição a "tudo o que está aí".

O Datafolha confirma essa hipótese, ao revelar apoio quase universal, atingindo 87% dos brasileiros, à paralisação nas estradas.

É preciso respeitar as leis, entretanto. Empresários que estimulam o boicote cometem crime. Caminhoneiros que sufocam o abastecimento de alimentos e combustíveis sem respeitar o atendimento às necessidades básicas infringem a Lei de Greve e levam sofrimento desnecessário a dezenas de milhões de brasileiros indefesos.

Esse cerco selvagem às cidades, sem controle nem lideranças representativas, mostra-se uma abominação a ser combatida.

As autoridades de que o Brasil dispõe para defender o interesse público diante da minoria rebelada e poderosa mostraram-se incompetentes e mal informadas. Agiram tarde e pessimamente.

Os três ministros - Eliseu Padilha (Casa Civil), Raul Jungmann (Segurança Pública) e Carlos Marun (Secretaria de Governo)?" encarregados de gerir a crise falaram bem mais que agiram, negociaram com quem não podia cumprir o assinado, porque não comandava a massa parada nas rodovias, e torraram uma dinheirama dos contribuintes em acordos fracassados.

O Brasil tem 13,4 milhões de desempregados, entre outros desafios sociais dessa magnitude. Não parece fazer sentido gastar bilhões, que o Tesouro terá de tomar emprestados a juros de mercado, com centenas de milhares de caminhoneiros em dificuldade, mas empregados.

Se o governo não consegue fazer frente a forças que chantageiam os consumidores e impor um mínimo de racionalidade às negociações, o governo é desnecessário.

A mesma fatia assoberbante de brasileiros que apoia a paralisação dos caminhoneiros, no Datafolha, rejeita pagar a conta das concessões, que virá sob a forma de mais impostos ou com o corte de gastos.

Essa aparente contradição na opinião pública só se resolve com a sóbria diligência dos representantes ao decidir como obter e gastar o dinheiro do cidadão.

Outro aspecto deplorável é a falta de energia das autoridades, federais e estaduais, para o emprego eficiente da força policial em situações de flagrante ilegalidade.

Quem bloqueia vias, impede o acesso a recursos de primeira necessidade e intimida os que não querem participar da greve precisa ser reprimido imediatamente e levado às barras dos tribunais.

A docilidade com que abusadores do direito à paralisação foram tratados abre precedente para arruaceiros de todo gênero, que já ameaçam seguir o exemplo.

Essa doença autoimune que atiça os sentidos de atropeladores da ordem e parasitas das rendas nacionais está também associada ao aviltamento da Presidência da República. Michel Temer, que na opinião desta Folha há muito tempo deveria estar fora do cargo se defendendo de graves acusações, tornou-se um cadáver entronado.

Toda a energia política de que dispunha, consumiu-a nas lutas intestinas para a preservação de seu cada vez mais inútil mandato. É uma pena que as eleições não possam ser antecipadas. Apenas elas poderão revestir o núcleo do poder federal da fortaleza necessária para enfrentar a longa travessia à frente.
Herculano
30/05/2018 08:00
da série: alguém já viu algum movimento grevista respeitar a Justiça no Brasil?

PETROLEIROS IGNORAM A JUSTIÇA E DEFLAGRAM GREVE, por Josias de Souza

Desafiando uma ordem judicial, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) deflagrou no início da madrugada desta quarta-feira uma greve de três dias. Horas antes, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia considerado ilegal a paralisação nas instalações da Petrobras. A FUP recorrerá contra a decisão.

O sindicalista José Maria Rangel, coordenador geral da FUP, deu de ombros para a proibição: "A Justiça do trabalho está agindo como a justiça do capital. Esse é o papel que ela tem cumprido ao longo dos últimos anos", disse, numa reunião com movimentos sociais e sindicais na sede da CUT do Rio de Janeiro.

A FUP abriu no seu site uma página para o acompanhamento "minuto a minuto" da adesão à greve. Em sua página no Facebook, a federação noticiou à 1h da madrugada: "Greve dos petroleiros começa por refinarias, terminais e plataformas."

O texto anotou: "A greve nacional dos petroleiros contra a política de preços de derivados da Petrobras começou aos primeiros minutos desta quarta-feira, 30, em diversas refinarias e terminais da empresa."

A ilegalidade da greve foi declarada pelo TST a pedido da Advocacia-Geral da União e da Petrobras. Coube à ministra Maria de Assis Calsing relatar o caso. Ela tachou a greve de "política", proibindo-a. Foi à canela: "Beira o oportunismo a greve anunciada?" Fixou multa diária R$ 500 mil para a hipótese de descumprimento.

José Maria Rangel, o mandachuva da FUP, admitiu que a greve dos petroleiros tem mesmo um DNA político. E ele não parece enxergar nenhum problema nisso. Avalia que, para fazer política basta respirar.

"...A primeira coisa que os ministros do TST tinham que se perguntar é como que eles chegaram ao Tribunal", disse o sindicalista. "Foi através de indicação política. O fim da Justiça do Trabalho, imposta pelo golpe, também é uma decisão política. O fato de Pedro Parente estar destruindo a Petrobrás é uma decisão política. Tudo em nossa vida gira em torno da política."
Herculano
30/05/2018 07:56
KIM KATAGUIRI: A FALSA IMPARCIALIDADE DA IMPRENSA MILITANTE, por Kim Kataguiri, coordenador nacional do MBL, pra o jornal Folha de S. Paulo

Protege-se quem oculta ideias de esquerda nos textos

?A militância esquerdista na imprensa tem se apropriado de elementos do jornalismo isento para parecer mais crível. Para isso, declarações fascistas, totalitárias, retrógradas, preconceituosas, entre outros absurdos, aparecem em forma de "jornalismo" (atividade que visa reportar fatos, buscando a verdade e a objetividade) ou de análises de especialistas, de modo que pareçam plausíveis ao público sensato.

A opinião é de Joseph Goebbels, doutor em filosofia pela Universidade de Heidelberg e ministro da Propaganda da Alemanha.

No último dia 20, durante painel do Festival da Verdade, que discutia a infiltração de discurso ideológico a partir da imprensa tradicional, ele contou ter apresentado em vídeo frases da colunista Mônica Bergamo que considerava exemplificar a disseminação de ideias totalitárias travestidas de conteúdo jornalístico isento. No fim da apresentação, os alunos aplaudiram a jornalista, por considerá-la rebelde, bacana, contou Goebbels.

Segundo ele, a grande imprensa protege quem oculta ideias de esquerda em textos jornalísticos, pois, assim, evita conflito entre as opiniões nas Redações.

Além disso, o especialista criticou o fato de muitos estarem se informando por meio da imprensa não contaminada por discurso de esquerda, como a internet. Na rede, em vez de ter um discurso que fortalece o socialismo, o usuário se fecha em guetos, interagindo apenas com pessoas que resistem ao discurso uníssono da imprensa e olhando os outros com ceticismo.

Para Goebbels, a esquerda também vem ganhando espaço por ter sequestrado o que chama de "minorias" - mulheres, negros e o público LGBT: "A pessoa que demoniza a direita é aquela que tem saudades de um passado em que era crime discordar da esquerda."

No mesmo debate, exemplos de militância política travestida de jornalismo foram apresentados no vídeo "Lacrosfera". Tendo como pano de fundo sons captados na rua Augusta (zona de consumo de socialismo no centro de São Paulo), a obra apresenta durante cinco minutos frases do tipo "Stálin matou foi pouco!" ou "Diálogo com liberal é na ponta do fuzil".

O autor do vídeo diz que o volume de sincericídio cometido pelos jornalistas em seu momento de descontração era tão grande que sua primeira versão do vídeo tinha uma hora e meia de duração e poderia, inclusive, ser maior: "O material era interminável".

Em sua opinião, bolhas como as da rua Augusta e do Leblon refletem o modo real como os jornalistas militantes são, em vez de funcionar como um ambiente descontraído, como seria com qualquer pessoa normal.

Este texto é uma sátira. Porém, ele se baseou numa notícia verdadeira, que, de tão absurda, parece ficção. Trata-se da reportagem "?"dio na internet tem assumido estilo de meme para atrair jovens" (20/5), assinada pelo jornalista Filipe Oliveira.

No corpo do texto, o jornalista colocou nove memes do MBL, que, de acordo com o teor da reportagem, seriam exemplo da disseminação de ódio por meio de memes.

No primeiro deles, o movimento se posicionava contra o fascismo, o nazismo e o comunismo. No segundo, divulgava o livro "13 razões para votar no PT", que traz 73 páginas em branco. Curiosidade: o livro foi escrito por um colunista desta Folha e divulgado pelo próprio jornal.

A cereja do bolo foi o meme '7', em que o MBL criticava o populismo fiscal na energia. Ora, essa é uma posição que a própria Folha defende editorialmente. O jornal dissemina ódio em seus editoriais?

Pois é, parece que, para Filipe Oliveira - e vários de seus colegas -, disseminação de ódio é discordar da esquerda. Tempos sombrios para o jornalismo brasileiro.
Roberto Sombrio
30/05/2018 00:41
Oi, Herculano.

TEMER, EUNÍCIO E MAIA CONCLAMAM CAMINHONEIROS A RETORNAREM AO TRABALHO.

O que o Brasil quer saber é, quando esses 3 vão começar a trabalhar. Já que não trabalham, podiam fazer o bem imenso de devolver o que ganham de regalias além do salário e que obrigassem os demais que fazem parte dessa corja a fizerem o mesmo.
Ainda colocam na Petrobrás um parente seu para continuar a roubar.
Paty Farias
29/05/2018 19:36
Oi, Herculano

Esta do Blog do Políbio é para baixar a tua pressão arterial e saborear um bom vinho importado do jeito que gostas:

"Eis o que disse, hoje, em Porto Alegre, o general Hamilton Mourão, ao falar sobre a paralisação dos caminhoneiros:

- A campanha dos caminhoneiros pela intervenção militar é um desserviço que eles prestam à Nação.

O general acha que depois de fechado o acordo com o governo, não há mais espaço para paralisações.

Em entrevista exclusiva a VEJA, Mourão disse que intervenção militar não é 'solução imediata' e que não é 'varinha de condão' que faz 'plim, plim' e 'está tudo resolvido'. 'O país não tem que ser tutelado pelas Forças Armadas', afirmou.

Mourão participou de almoço de militares da reserva no Grêmio Sargento Expedicionário Geraldo Santana."

Resumindo: não haverá ditadura no país!
Herculano
29/05/2018 19:00
TEMER DESLIGOU-SE PERIGOSAMENTE DA REALIDADE, por Josias de Souza

Michel Temer trabalha com uma verdade paralela. Diz o que lhe convém, mesmo que os fatos o desmintam. Nesta terça-feira, porém, exagerou. Discursando para investidores estrangeiros, o presidente disse: "Atingimos esse que era o nosso objetivo número um: recolocar o Brasil nos trilhos." A metáfora ferroviária, utilizada num instante em que os caminhoneiros empurraram o governo para o acostamento, desrespeita a inteligência alheia. Temer ainda não notou. Mas foi arrastado para uma situação dramática. Trafega a poucos milímetros do desfiladeiro.

Para Temer, seu governo enfrenta "dificuldades naturais em um processo de desenvolvimento sustentado." Mas tudo continua bem porque "temos um projeto" reformista. Nenhuma palavra franca e direta sobre o caminhonaço que transtorna o país há nove dias. O orador não pronunciou palavras como "caminhão" ou "pararalisação". Sobre a encrenca que monopoliza o noticiário, fez apenas referências indiretas e autoelogios. Temer é o negociador mais habilidoso que Temer já conheceu

"Aqueles que rejeitam o diálogo e tentam parar o Brasil, nós exercemos autoridade para preservar a ordem e os direitos da população", disse Temer, para espanto de um país que, semiparalisado, enxerga o vácuo na cadeira presidencial. "Antes disso, o diálogo é fundamental para o exercício do que a constituição determina. Ou seja, a democracia plena no nosso país."

Temer teve a oportunidade de dialogar com os caminhoneiros e o baronato do setor de transporte de cargas. Desde outubro de 2017, negligenciou três avisos que chegaram ao Planalto por escrito. Deu-se, então, o bloqueio sem precedentes de estradas, num movimento que sequestrou a paz dos brasileiros. Zonzo, Temer pagou o resgate com um pacote 100% feito de déficit público.

Embora esteja imprensado contra a parede, o presidente acha que é protagonista de um processo de negociação. Com a credibilidade rente ao piso, ele se considera um portento. Para Temer, o único problema existente no país é a cegueira alheia: "Alguns confundem - quero dizer isso em letras garrafais - a vocação para o diálogo com eventual leniência política ou fraqueza política. Na verdade, é o contrário. O diálogo é a essência da boa política e da democracia, é, aliás, a sua fortaleza."

O problema de políticos habituados a operar com a meia-verdade é que, nos momentos mais críticos, privilegia-se sempre a metade que é mentirosa. Sempre que não sabe o que dizer, Temer recorre à empulhação. O truque perdeu a serventia. O inquilino do Planalto deveria firmar consigo mesmo um pacto básico: o de não dizer asneiras. O silêncio não resolve o problema. Mas evita que a plateia fique chocada com a constatação de que o presidente da República desligou-se perigosamente da realidade.
Herculano
29/05/2018 18:56
da série: mais um faz de conta. Um humilha a Justiça o outro finge que cumpre a lei. No fundo, ambos sabem que essas multas serão perdoadas num grande acordo

JUSTIÇA MULTA PT E CUT EM R$ 5,5 MILHõES CADA UM POR VIGÍLIA EM FRENTE À PF

Conteúdo de O Antagonista. O Tribunal de Justiça do Paraná determinou nesta segunda-feira uma multa de R$ 5,5 milhões para a CUT e para o PT (cada um), publica a Folha.

O juiz Jailton Tontini entendeu que as entidades descumpriram liminar que determinava a desocupação do entorno da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso.

"No dia 19 de maio, um oficial de Justiça foi ao local e constatou que manifestantes ainda ocupavam a região. O juiz determinou, então, uma multa diária de R$ 500 mil, a partir da visita do oficial.

O juiz também solicitou o auxílio de força policial para cumprir a liminar, oficiando a governadora Cida Borghetti, o secretário de Segurança Pública Julio Reis e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Audilene Dias Rocha."
Herculano
29/05/2018 18:51
UMA PERCEPÇÃO DOS FATOS, SEGUNDO WILLIAN WAAKC. VALE A PENA VER E OUVIR

https://twitter.com/PainelWWcerto/status/1001321558189756416
Herculano
29/05/2018 17:36
TEMER, EUNÍCIO E MAIA CONCLAMAM CAMINHONEIROS A RETORNAREM AO TRABALHO

Conteúdo de O Antagonista. Michel Temer, Eunício Oliveira e Rodrigo Maia acabam de divulgar a seguinte nota conjunta:

"Em face do acordo firmado para por fim à greve dos caminhoneiros, que tiveram as suas reivindicações acolhidas, os presidentes da República, Michel Temer, do Senado Federal, Eunício Oliveira, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, conclamam todos os envolvidos nas manifestações a retornarem ao trabalho e propiciar normalidade à vida de todos os brasileiros.

Há necessidade indispensável de abastecer todos os setores da economia nacional, particularmente aos que dizem respeito a alimentação, medicamentos e combustíveis.
Herculano
29/05/2018 17:23
DEPOIS DA PRIMEIRA INSTÂNCIA TER CONDENADO DEZENAS DE RÉUS, QUE TIVERAM SUAS PENAS CONFIRMADAS E ATÉ AUMENTADAS PELO TRIBUNAL REGIONAL, Só AGORA, O SUPREMO CONDENA O PRIMEIRO POLÍTICO NA LAVA JATO AMPARADO PELO TAL FORO PRIVILEGIADO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, na tarde desta terça-feira, por unanimidade, o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema de desvios na Petrobras. Este é o primeiro julgamento de uma ação penal da Lava Jato no STF, mais de quatro depois do início da operação.

O julgamento de Meurer foi retomado nesta tarde com o voto do ministro Dias Toffoli. Além de Toffoli, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski acompanharam parcialmente os votos de Luiz Edson Fachin e Celso de Mello. Os cinco ainda discutem a pena a ser cumprida pelo deputado. Dois filhos do parlamentar, Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer, foram condenados por corrupção passiva, mas absolvidos da acusação de lavagem de dinheiro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Meurer de uma série de irregularidades, entre elas de ter recebido pelo menos 29,7 milhões de reais, correspondentes a 99 repasses de 300 mil reais mensais oriundos de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro estabelecido na diretoria de abastecimento da Petrobras.

A PGR também acusava o parlamentar de receber "vantagem indevida", de 500 mil reais da construtora Queiroz Galvão, disfarçada de doação eleitoral oficial, mediante a utilização do sistema eleitoral para ocultar e dissimular a natureza e origem dos valores ilícitos. No julgamento, porém, a maioria dos ministros considerou que não havia provas de que a doação foi corrupção.

"No caso concreto não estou convencido de que a doação eleitoral recebida pelo acusado na campanha de 2010 no valor de 500 mil reais fracionada em duas parcelas, tenha representado pagamento de alguma vantagem indevida", comentou Toffoli.

"Tratou-se de doação oficial, contabilizada pela empresa doadora. O acusado Nelson Meurer não tratou diretamente dessa doação com a empresa. Nelson Meurer nunca teve contato com o presidente da Queiroz Galvão, detentor da última palavra das doações", observou o ministro.

Na avaliação de Toffoli, ainda que o valor doado fosse fruto de crime contra a administração pública, "não há provas de que Nelson Meurer tivesse ciência" disso ou tenha agido com dolo.
Herculano
29/05/2018 17:05
TREM CARREGADO DE DIESEL DESCARRILA EM BAURU; HÁ SUSPEITA DE SABOTAGEM

Conteúdo de O Antagonista. Um trem carregado com 650 mil litros de óleo diesel que seriam entregues a distribuidoras em Bauru descarrilou hoje pela manhã, informa o G1 Bauru.

Funcionários da concessionária responsável pela ferrovia disseram à TV TEM, afiliada da Globo na região, que por volta das 8h30 uma pessoa não identificada usou uma chave-mestra para tirar os parafusos das talas de ferro que unem um trilho a outro.

Sem os parafusos, os trilhos ficaram instáveis, provocando o descarrilamento dos dez vagões. A previsão é que o trem saia ainda hoje à tarde, depois dos reparos na linha.

A polícia já está investigando o caso.
Herculano
29/05/2018 16:47
AO JOEL REINERT

Alguma dúvida a respeito sobre o movimento que move o bloqueio das estadas? Por quem ele é patrocinado? É diferente do que escrevi? Entende-se a razão da patrulha e intimidação que sofri e todos da mídia sofrerão? Intervenção Militar para se instalar uma ditadura novamente com censura explicita e perseguições?

Os caminhoneiros estão sendo usados. Quando se derem conta disso, estarão quebrados e com dívidas, sem frete porque a economia vai desandar.

Os cidadãos estão sendo usados, pois eles vão pagar essa conta da quebradeira, que já experimentamos com o PT de Dilma Vana Rousseff.

É preciso quebrar o Brasil e os brasileiros antes da ditadura para tomar o poder? Ora quem defende a Intervenção Militar para seus projetos pessoais de poder, defende a intervenção que Fidel e Maduro fizeram em seus países contra seus cidadãos.

Intervenção de direita ou de esquerda é o ato unilateral e anti-democrático. Com a Intervenção Militar não haverá bloqueio, nem greve, nem opinião contrária porque ela não permite contestações. Wake up, Brazil!
Mariazinha Beata
29/05/2018 16:24
Seu Herculano;

Não preciso vir aqui inundar de comentários que sou bolsomito, todos já sabem.
É melhor o Sr. já ir se acostumando porque o novo Presidente será BOLSONARO.

E falando em inundar, me lembrei do SAMAE INUNDADO.

O macaco velho sabe como o Sr. Carlos Bornhausen está construindo a casa da filha?

O macaco velho sabe como a Dª Frida Muller faz para oferecer uma refeição digna para as visitas?

O macaco velho sabe como os filhos do Sr. Álvaro Spengler tomam banho?

É bom já ir se acostumando, macaco velho, BOLSONARO não perdoa partido enrolado na Lava Jato.
JOEL REINERT
29/05/2018 14:57
https://m.facebook.com/evandro.loes/posts/1896698560340241?comment_id=1896714160338681¬if_id=1527608109204853¬if_t=feed_comment
vlad
29/05/2018 13:50
Greve dos caminhoneiros provoca cena rara em Brasília
Senadores reunidos na capital federal numa segunda-feira
Herculano
29/05/2018 12:20
da série: gente democrática

"NóS VAMOS DERRUBAR ESSE GOVERNO ILEGÍTIMO, NóS VAMOS DERRUBAR A REDE GLOBO"

Conteúdo de O Antagonista. A Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre dois desconhecidos que tentam usar os caminhoneiros para derrubar Michel Temer.

O primeiro é Chorão, um caminhoneiro goiano filiado ao Podemos, e o segundo é André Janones, um advogado mineiro que passou do PT para o PSC.

Janones disse à Folha que preside "um novo movimento" cujo objetivo é derrubar o presidente da República.

"Desde o início da greve, os seguidores da sua página no Facebook passaram de 75 mil para 661 mil. Um dos vídeos, no qual ele chama Temer de 'vagabundo' e 'safado', foi visto por 14 milhões de internautas e compartilhado 1 milhão de vezes.

Em outro vídeo, visto 4,4 milhões de vezes, Janones afirma, ao lado de Chorão: 'Nós vamos derrubar esse governo ilegítimo, nós vamos derrubar a Rede Globo. Nós vamos mostrar que não tem ninguém mais forte que um povo, não'".
Herculano
29/05/2018 11:31
ESTAMOS LONGE DE ALGUÉM SÉRIO. NEM FALO DA CAPACIDADE

De Rodrigo Batalha, no Twitter

No Roda Viva de ontem, Ciro 22 Gomes fez Winston Churchill se debater na tumba ao afirmar ser seu fã. Logo depois defendeu Maduro, e fechou com chave de ouro citando Che Guevara. Só faltou falar sobre sua coleção de camisas de força.
Herculano
29/05/2018 11:28
UÉ! NÃO É GREVE? ADERE QUEM QUER? AINDA MAIS OS VERDADEIROS AUTôNOMOS QUE PRECISAM PAGAR SUAS CONTAS JÁ COMPROMETIDAS PELA ESCASSEZ DE FRETE E ALTA DO COMBUSTÍVEL?

Manchete do jornal O Estado de S. Paulo: "caminhoneiros que tentam voltar ao trabalho são hostilizados"
Herculano
29/05/2018 11:21
da série: quando se protesta, deve-se no mínimo entender o problema e até, se possível, formular soluções que se estabeleçam no equilíbrio orçamentário, afinal há uma Lei de Responsabilidade Fiscal em vigor

UMA MANEIRA VIÁVEL E INTELIGENTE DE RESOLVER A GRAVE DOS CAMINHONEIROS, por Alfredo Sachsida, no Instituto liberal

Vamos partir de uma hipótese simples: a principal demanda dos caminhoneiros pode ser satisfeita com a redução no preço do combustível. Sim, sei que existem outras demandas. Mas vamos assumir que essas outras demandas podem ser financeiramente compensadas pela redução de preço do diesel.

A isenção total de PIS/COFINS sobre o diesel representa um custo anual de R$ 14 bilhões. Além disso, zerar a alíquota da CIDE para o diesel implicaria em outros R$ 2,5 bilhões de perdas. Em resumo, precisamos encontrar R$ 16,5 bilhões para fechar a conta.

OPÇÃO 1:
a) Fim da desoneração sobre a folha de pagamento: economia anual estimada R$ 13,5 bilhões
b) Fim do seguro defeso: economia estimada R$ 3 bilhões
* ambos os programas são constantemente mal avaliados em termos de desempenho. O fim desses dois programas dificilmente gerariam grandes problemas econômico sociais.

OPÇÃO 2:
a) Redução de 50% na desoneração sobre a folha de pagamento: economia estimada R$ 6,75 bilhões.
b) Redução de 50% no seguro defeso: economia anual estimada R$ 1,5 bilhões.
c) Reduzir em 40% os benefícios tributários das entidades sem fins lucrativos: economia R$ 8,4 bi.

OPÇÃO 3:
a) Reduzir em 22% os gastos tributários com o SIMPLES nacional: economia R$ 16,5 bilhões

OPÇÃO 4:
a) Acabar com os benefícios de IR para LCI e LCA: economia estimada R$ 7 bilhões.
b) Reduzir em 25% os benefícios isentos e não-tributáveis do IRPF: economia R$ 7 bilhões.
c) Reduzir em 40% os gastos tributários com desenvolvimento regional: economia R$ 2,5 bi.

OPÇÃO 5:
a) Leia esse excelente documento e proponha você mesmo sua solução.

Opções existem, mas uma coisa deve ficar clara: os benefícios de boas políticas públicas costumam ser difusos (muitos se beneficiam, e cada um se beneficia numa pequena magnitude), mas os custos são concentrados (poucos atores perdem muito). Isso implica que sempre terá alguém reclamando.

Em minha modesta opinião a Opção 1 é a melhor escolha. A desoneração de folha foi um fracasso em termos de geração de empregos, e o seguro defeso é uma mina aparentemente infindável de corrupção e distorções. Trocar esses dois programas por uma redução no preço do óleo diesel (que irá beneficiar toda sociedade) me parece uma escolha óbvia.
Renato
29/05/2018 11:18
Herculano,

Desde a reforma administrativa no ano passado o PMDB não para de inchar a folha de comissionados. Foram R$ 600.000,00 na reforma, mais a criação de cargos comissionados de diretores de escolas, mais R$ 500.000,00, depois a criação dos cargos de diretor adjuntos na escola mais R$ 500 mil, e agora está na Câmara a criação de mais um cargo comissionado na Saúde com salário de R$ 7.000,00 para trabalhar meio periodo, 20 horas, mais R$ 120.000,00 por ano. É só lembrar que o cargo de regulador também recebe 7.000 para trabalhar meio período.
Passa de R$ 1.500.000,00 o inchamento da folha dos comissionados.
Herculano
29/05/2018 11:14
"REVOLTA DIFUSA"

Conteúdo do BR 18. "É ao mesmo tempo um movimento contra a corrupção e contra os políticos, mas não tem uma visão do que colocar no lugar", avalia o jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira em entrevista ao Estadão sobre a greve dos caminhoneiros.

Gabeira diz também acreditar que o movimento pode ajudar a recuperar o "sentimento de nação" dos brasileiros, frente a um governo que não soube se antecipar e negociar.
Herculano
29/05/2018 11:08
da série: como já escrevi e está na cara de todos, ou seja, enquanto não diminuir a máquina estatal e política, não se pode cortar impostos. Se eles saem do diesel, vem para nós em outra coisa.

GOVERNADORES JOGAM A BOMBA NO COLO DO GOVERNO FEDERAL (NO NOSSO)

Conteúdo de O Antagonista. Governadores de 13 unidades da Federação - Minas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Rondônia e Distrito Federal - decidiram não vão abrir mão de um real sequer da arrecadação de ICMS sobre os combustíveis, informa O Globo.

Em busca da reeleição, a turma quer empurrar o problema para o governo federal.

Ou seja, para nós, contribuintes.
Herculano
29/05/2018 11:02
QUEM APLAUDE OS MÉTODOS DOS CAMINHONEIROS NÃO GOSTA DE DEMOCRACIA, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Enfrento abaixo, de modo sucinto, alguns temas que surgiram com a eclosão da grande sabotagem nacional praticada por caminhoneiros e empresários do transporte.

A matriz de transportes dependente de caminhões não favoreceu a crise.

Em qualquer lugar do mundo, o caminhão é o elo mais frequente entre o varejista, que abastece os consumidores, e o seu fornecedor. A gasolina não chega aos postos de trem nem de navio. A batata, o tomate e a carne não viajam de "alimentoduto" até os supermercados. Precisam em geral de veículos de carga que trafegam pelas estradas e pelas ruas. Na França, paraíso ferroviário, greves de caminhoneiros sufocam o abastecimento de combustível e produzem as mesmas imagens de filas nos postos que vimos aqui.

Também não é uma locomotiva que vai buscar o leite nas fazendas ou entregar os insumos para a criação dos frangos nas granjas. São basicamente caminhões em qualquer parte do planeta.

A matriz de transportes brasileira é excessivamente dependente de caminhões nos grandes troncos de escoamento e nas grandes distâncias. Isso cobra um preço em termos de eficiência econômica, mas não torna o consumidor brasileiro mais vulnerável a paralisações.

Na verdade, se essas operações fossem mais concentradas em ferrovias e hidrovias, seria muito mais fácil meia dúzia de sindicatos pararem o Brasil. Trens e navios são poucos e trafegam por poucas vias. Coordenar centenas de milhares de caminhoneiros pelas vias capilarizadas deste país continental é bem mais difícil.

Floresce no Brasil uma espécie de anarquismo de direita.

Há pouca coordenação nessa revolta, que se alimenta do clamor difuso e mal fundamentado pelo restabelecimento de um ideal de ordem e hierarquia. Mas essa restauração só viria pela destruição violenta e súbita de todos os que estão aí exercendo postos de poder.

Não se engane, leitor moderado de centro-esquerda ou centro-direita, este é um movimento da direita autêntica, talvez o maior da história do Brasil urbano e democrático. A leitura apressada do quadro pode levar a atitudes equivocadas como a dos petroleiros, que anunciam uma greve supondo-a favorável ao petismo. Estão apenas colocando azeitona na empada dos brucutus.

Os anarquistas anticapitalistas do passado cultivavam a ideia de que uma greve geral revolucionária, com adesão absoluta, derrubaria o sistema num só golpe. Eis que o seu negativo de direita, no Brasil mal instruído do século 21, aparece aboletado na cabine de um caminhão.


Este presidencialismo e a irresponsabilidade dos poderosos têm-nos custado muito.

Governos fracos, estabelece uma regra universal, são presas doces para grupos que saqueiam as rendas da maioria desorganizada. No contexto brasileiro desde junho de 2013, o presidencialismo, ao dificultar a reciclagem nas urnas de lideranças tornadas inertes, tem exposto carcaças de mandatários aos predadores por tempo demasiado.

Não é razão suficiente para trocar o regime pelo parlamentarismo, por exemplo. Uma transição desse tipo acarretaria mudanças tectônicas talvez contraproducentes. Mas é preciso debater mecanismos que facilitem a resolução democrática de impasses, incluindo na equação o voto popular. As raízes fiscais da instabilidade política são profundas e estão se fortalecendo. Precisamos nos preparar para no mínimo mais uma década de fortes emoções.

A despeito disso, ajudaria se as autoridades evitassem o cinismo e cumprissem o seu papel. Em junho do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral fechou os olhos diante de toneladas de provas de abuso do poder econômico nas eleições de 2014. Manteve o cadáver de Temer no Planalto, a alimentar as hienas.

Ainda longe do cataclismo, a sociedade tem capacidade quase infinita de se adaptar às restrições enquanto combate os chantagistas.

A partir de 5 de setembro de 1940 e por praticamente 76 noites consecutivas, Londres foi maciçamente bombardeada pela Força Aérea alemã. Foi a consequência da opção do premiê Winston Churchill por combater Hitler, em vez de tentar selar um armistício com o ditador.

Os londrinos se adaptaram à rotina dos massacres aéreos não como ato de resignação diante de um destino cruel e inevitável. Aceitaram pagar esse custo altíssimo em nome da luta contra a tirania e a opressão. Deu certo, e a virtude demonstrada pelos britânicos não seria menor em caso de derrota.

O exemplo extremo, muito distante do nosso aqui, serve para nos lembrar de duas coisas: é imensa a capacidade de adaptação das sociedades em situação de cerco; privar-se de bens e serviços habituais pode mobilizar a população contra aqueles que a estão fazendo sofrer.

Caminhoneiros e empresários de transporte adotaram a via dos piratas e dos saqueadores do passado. Sitiam cidades e estrangulam o fornecimento de bens essenciais. Provocam sofrimento em dezenas de milhões de pessoas para arrancar delas mesmas, por meio do resgate bilionário chancelado pelo governo, a solução para seus problemas.

Se você gosta disso, se simpatiza com os meios empregados pelos bucaneiros sobre rodas, então está flertando com a tirania. Bate palmas para a lógica do torturador. Você não gosta da democracia.

Se você, como eu, detesta truculência e chantagem, então talvez devesse exigir de seus representantes que resistam às investidas do protofascismo.

É uma luta vã, em larga medida. Não temos Churchill. Nossas tristes lideranças, os chefes do Planalto, da Câmara e do Senado, já entregaram tudo para os alemães. E os alemães, como todos os tiranetes sádicos, ainda não ficaram satisfeitos.
Herculano
29/05/2018 10:56
CONFIRME PREVI, BOLSONARO PREGA O FIM DA GREVE: "AGORA NÃO ME INTERESSA", DIZ. E SAIBA O QUE É O ÍNDICE BALANÇA O PERU DE SAUDADE DA DITADURA, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Jair Bolsonaro, pré-candidato de um tal PSL à Presidência, só prospera nestes dias porque o lava-jatismo alimenta o discurso, o som e a fúria da extrema-direita mais abjeta, e os demais candidatos, exceção feita aos de esquerda, também se sentem obrigados a pagar tributo à dita-cuja, que, ao esmagar a política, alimenta um candidato como... Jair Bolsonaro.

Há, em suma, uma equação da qual os candidatos não-esquerdistas e não-fascistoides não conseguem sair. O mesmo ocorre com os movimentos que dizem se identificar com o liberalismo - uma espécie de falsidade ideológica em sentido... ideológico! Liberais, na democracia, respeitam o Estado de Direito. Apoio a exceções profiláticas é coisa de liberal eventual, que pode ser eventualmente fascistoide. Pfui...

Mas sigamos. Bolsonaro parece a mulher vista pelos olhos de Oscar Wilde, um gay: é uma esfinge sem segredos. Sem querer ofendê-lo, claro, ao colocá-lo entre seres que não tem, assim, aquela grandeza masculina e, bem, hétera...

Bolsonaro dá passos absolutamente óbvios. Escrevi ontem às 16h16:

Estou contando as horas para Jair Bolsonaro emitir uma "palavra de conciliação" aos irmãos caminhoneiros. O general da reserva Antonio Mourão, aquele..., já resolveu entrar no debate.

Como não é doido, embora aparente, repudia, claro!, a deposição do governo por um golpe militar, como pedem alguns que interditam a estrada. Não se faz de rogado, claro!, e trata o governo aos chutes e pontapés.

Leio na Folha a seguinte fala do general:

"Eu não defendo que o país entre no caos. O país não pode entrar no caos. Não podemos aceitar o caos. Vai ser prejudicial para todos. A partir do momento em que começar o caos, aí entra a violência. E não sabemos como vai terminar isso. Tem que garantir os serviços essenciais. Você [greve] está tornando a população refém. Tem pessoas com filhos em colégios que amanhã não sabem se vão para a escola. É uma situação muito ruim".

É um bolsonarista de primeira hora. Com o peso de quem envergou a farda, está amaciando o terreno para a fala do suposto pacificador.

A reação

Bem, não deu outra coisa que não o ululante. Em entrevista à Folha de hoje, Bolsonaro afirma: "A paralisação tem de acabar; não interessa a mim, ao país". Entendi. Interessasse a ele, então, talvez fosse o caso de pensar.

Já havia uns espíritos de porco da dita "elite brasileira" - quase sempre uma contradição em termos - que estavam a flertar com o rapaz... Pois é. Como costumo dizer, uma pessoa ou uma proposta não se esgotam em si. É preciso ver quais sentimentos mobilizam e quais valores prodigalizam. Esses tais da "elite" viram bem do que Bolsonaro, que apoiou o locaute, e seus seguidores são capazes. Gustavo Bebbiano, seu braço direito, fez comício em piquete de caminhoneiro.

Com a sua notável capacidade de entender o processo econômico, o pré-candidato reflete sobre o ovo e a galinha:

Eles [caminhoneiros] estão sabendo que, se morrerem centenas de milhares de galinhas por falta de ração, para aquela granja voltar a ter galinha, são seis meses. Isso vai encarecer o ovo. A coisa chegou num ponto que precisa refluir. Aí entra o aspecto político. Não interessa, acredito eu, para mim, para o Brasil, para quem quer a democracia, o caos agora.

A fala do gênio vai deixando pistas. "Agora", o caos não interessa para ele. Está certo. Agora!

Um notório defensor de golpes se diz avesso à intervenção militar. Agora...

Isso vem de um grupo pequeno. No desespero, cara, você pede qualquer coisa. Na minha opinião, dos meus amigos generais, se tiver de voltar um dia, que volte pelo voto. Aí chega com legitimidade, não dá essa bandeira para o PT dizer "Abaixo a ditadura" ou "Foi golpe", porque aí foi golpe mesmo. Não passa pela minha cabeça e eu não vi isso passar pela cabeça de nenhum general.

Bolsonaro tenta ser, como se nota, a voz do Exército, o que não é.

Convidado a refletir sobre política, economia, golpismo, greve, a conversa acabou redundando em "balançar o peru no banheiro".

Ao dizer por que as pessoas teriam saudade do regime militar, afirmou:

"O que o pessoal tem saudade é dos valores, era uma época diferente. Hoje tem um desgaste de valores. Aí o [ex-governador paulista e presidenciável tucano Geraldo] Alckmin aceitou a questão de que qualquer pessoa que se sinta mulher vai para banheiro feminino [resolução de 2014 garante o uso de sanitários em escolas públicas baseado na declaração de gênero].
Que porra é essa, pô? Eu tenho uma filha, ela vai no banheiro e vai ter um cara balançando o peru lá dentro? Querem que eu aceite? A mulher que se sente homem não vai no banheiro dos homens. Duvido que uma mulher gay, bonita, vá no banheiro dos homens na rodoviária."

Perfeito! Caso o sujeito do peru decida não balançar a estrovenga, cai a saudade.

Ocorre-me que a gente poderia criar o IBP da Saudade da Ditadura: o "índice Balança o Peru".

Oscar Wilde estava errado sobre as mulheres - na verdade, uma tirada literária. Mas não sobre Bolsonaro se o conhecesse. Essa esfinge, definitivamente, não tem segredos. Qualquer que seja o tema, a conversa termina em gay ou em peru.
Herculano
29/05/2018 10:45
COBRAR O ACORDO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Abusos dos caminhoneiros acabaram premiados por concessões generosas do governo

Está claro que o governo Michel Temer (MDB) ainda não sabe como vai pagar - com o dinheiro dos contribuintes - as promessas feitas para pôr fim à paralisação dos caminhoneiros. Resta descobrir se as autoridades federais têm ao menos ideia de com quem negociam.

De nada adiantaram, afinal, os generosos termos do suposto acordo, anunciado na quinta-feira (24), com o que seriam 8 das 11 entidades envolvidas nas tratativas. O bloqueio criminoso de estradas e o desabastecimento das cidades persistiram, até novo e mais perdulário entendimento, no domingo (27).

Entre um e outro, houve a ameaça de usar força policial e militar para desobstruir as rodovias - o que, como se nota, surtiu efeito modesto, para dizer o de menos.

De novo o país se encontra na expectativa de que chegue ao fim, de modo organizado, uma ofensiva que há muito ultrapassou os limites do razoável. A sociedade não pode continuar refém de uma categoria cuja truculência já foi, infelizmente, premiada.

Assegurou-se uma redução de R$ 0,46 no preço do litro do óleo diesel, a vigorar por 60 dias. Depois, haverá prazo de um mês entre os eventuais reajustes, qualquer que seja a valorização do petróleo no mercado internacional.

Para tanto, o Tesouro Nacional compensará a Petrobras pelas perdas esperadas com o mecanismo, a um custo de, pela estimativa mais recente, R$ 9,5 bilhões neste ano.

Reconheça-se de saída que esse subsídio explícito tem a vantagem da transparência, se comparado a políticas anteriores de controle político de preços cujos impactos eram absorvidos pela estatal e, assim, escondidos do público.

Entretanto isso não basta para tornar virtuosa a despesa. É no mínimo questionável se estamos diante da destinação mais adequada para um montante equivalente a um terço da verba anual do Bolsa Família, ou o suficiente para elevar em 3% o salário mínimo.

Haverá sacrifícios para obter a quantia. De acordo com as informações oficiais, serão promovidos cortes de R$ 3,8 bilhões em gastos; impostos também podem ser elevados ?"e isso sem contar o aumento da carga sobre a folha de pagamento das empresas, listada como condição para a queda da tributação sobre os combustíveis.

O Planalto fez essas e outras concessões de afogadilho, movido pela chantagem do desabastecimento e sem conseguir ressuscitar sua articulação política. Nem mesmo as anunciadas e graves suspeitas de locaute inspiraram um endurecimento nas negociações.

Nota-se, pois, que o governo Temer não conseguiu, por falta de convicção ou de credibilidade, esclarecer e convencer a opinião pública, tarefa ainda mais indispensável quando se conduz uma agenda de reequilíbrio do Orçamento.

Sem altivez e equilíbrio na avaliação das demandas, não apenas se alimenta o oportunismo político demagógico que se vê à esquerda e à direita; corre-se também o risco de estimular novos abusos por parte de setores organizados e influentes em busca de privilégios.
Herculano
29/05/2018 10:39
DALSOCHIO VAI À IMPRENSA DIZER QUE ESTAVA AMEAÇADO QUANDO FEZ O QUE FEZ

Emílio Dalsochio, um dos donos da maior transportadora de combustíveis do Brasil e com sede em Itajaí, aquele que incitou o bloqueio, como não pode apagar os vídeos e áudios dos seus discursos e conversas, agora diz que só fez isso, porque foi ameaçado.

Se ele não apontar os ameaçadores, é mais uma farsa de um jogo combinado, onde a empresa da família, de longa história e tradição pode pagar caro.

Agora, Emílio não é mais diretor (no papel não é mesmo) da empresa, mas é dono, ou seja, usufrui da rentabilidade da empresa, do negócio e do resultado do bloqueio. E quando discursou, sempre deu a entender que falava em nome dela, tanto que autorizou incendiar seus caminhões se algum deles estivesse "furando" o bloqueio

Diz quem toca o negócio é o pai com 76 anos, pois ele, filho, bem mais jovem, aposentou-se. Hum!

Chamado à Polícia Federal para se explicar, mostrou que estava até ajudando a Defesa Civil de Santa Catarina a furar os bloqueios para levar combustíveis a hospitais e forças de segurança.

Na hora do vamos ver, pulou fora, posou de vítima. E máscara que agora cai no Brasil inteiro desse movimento patrimonialista, onde os donos de empresas com contratos polpudos com a Petrobrás, tentaram salvar a sua rentabilidade no negócio, parando o país já quebrado pelo desastrado governo petista de Dilma Vana Rousseff.

Ontem escrevi sobre isso e recebi um pau danado dos intervencionistas e simpatizantes da candidatura de Jair Bolsonaro, PSL, como podem ver no comentário que postei hoje sobre o assunto. Quem passou hoje defronte a distribuidora de gás na Jorge Lacerda em Itajaí, viu caminhões com adesivos "Fora Temer". Então...

Hoje, ouvi na CBN, didaticamente, o ministro da Segurança, Raul Jugmann, explicar aos distintos ouvintes, sem meias palavras, como funcionou o jogo dos empresários de um segmento contra os brasileiros. Não houve greve, que é legítima. Houve lockout, com ajuda dos que querem a intervenção militar ignorando a Constituição em vigor.

As transportadoras possuem grandes contratos cativos com a Petrobrás (BR Distribuidora). A frota delas é praticamente toda terceirizada. É feita de "autônomos" para as transportadoras não pagarem, como empresas, encargos trabalhistas e previdenciários dos motoristas. Elas forçaram todos, a pararem, sob ameaças deles perderem o frete cativo, e com muitos deles, com frota renovada pelos financiamentos fáceis da era Dilma, ou seja, com caminhões sobrando na praça. E as prestações dos caminhões novos são descontados parcialmente dos frete. E se não tiver frete... Wake up, Brazil!
Herculano
29/05/2018 10:15
PRESIDENTE ELEITO TERÁ QUE GOVERNAR JÁ NA TRANSIÇÃO, por Josias de Souza

Além dos reflexos econômicos, a crise dos caminhões deixará marcas políticas. O governo já havia entrado em colapso ético em maio de 2017, quando explodiu o grampo do Jaburu. Na crise atual, o que se convencionou chamar de gestão Temer viveu um apagão administrativo. No momento, Temer dispõe de uma equipe inepta, uma base congressual estilhaçada e uma autoridade que cabe numa caixa de fósforos. Tudo isso leva o mercado, a sociedade e os atores políticos a desligarem o presidente da tomada.

Entre o colapso moral de maio de 2017 e o apagão de maio de 2018, o desgoverno de Temer operou em duas velocidades que podem ser consideradas insultuosas. Moralmente, foi ligeiro como um punguista. Gerencialmente, foi lento como uma lesma. A autoridade de Temer ruiu porque a sociedade tem a exata percepção de que honestidade e eficiência são como virgindade. Quem perdeu não recupera.

A crise dos caminhões fez de Temer um presidente terminal. Ele não deixará a Presidência, terá alta. Sairia em 1º de janeiro de 2019. Mas, na prática, seu mandato será encurtado para 28 de outubro. Nesse dia, o brasileiro escolherá, em segundo turno, o próximo presidente da República. A realidade forçará o presidente eleito a iniciar o novo governo já na fase de transição. Temer, que se queixava de ser tratado por Dilma como um vice "decorativo", permanecerá no Planalto até 1º janeiro como um vaso quebrado à espera de ser removido para o entulho da história.
Herculano
29/05/2018 10:12
OBRIGADO, CAMINHONEIROS, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, para o jornal Folha de S. Paulo

Num gesto admirável de sacrifício, eles cortaram nosso combustível, nossos remédios e nossos alimentos

?Em meio ao lamaçal da vida pública brasileira, há momentos em que mesmo o observador mais cínico tem que dar o braço a torcer. O povo unido por um Brasil melhor; foi o que vimos neste episódio heroico da greve dos caminhoneiros. Fiquei tocado com o patriotismo da classe.

Sofrendo, praticamente todos os brasileiros estão. Mas só os caminhoneiros foram capazes de transformar esse sentimento num movimento maior. Quando chegou a hora da decisão difícil, não titubearam: num gesto admirável de sacrifício, eles cortaram nosso combustível, nossos remédios e nossos alimentos.

Há muito mais em jogo do que o preço do diesel. A revolução é contra a classe política enquanto tal, vista como podre até a alma. A corrupção é o mecanismo que a move. Ela existe, hoje, para se perpetuar no poder e proteger os próprios privilégios, pagos pelo resto da sociedade. Contra ela, vale tudo.

Haverá algo mais belo que o povo nas ruas e nas rodovias, sem lei e sem líderes, dando vazão irrestrita à própria vontade e ameaçando não só as instituições, mas o próprio tecido social? Isso só pode dar coisa boa. É por isso que as lideranças mais responsáveis do Brasil competem para surfar essa onda.

No apoio aos caminhoneiros, Bolsonaro e Boulos falaram com uma só voz. Esquerda e direita deram as mãos. Afinal, a greve é #ForaTemer; e é também pela intervenção militar. O caminhoneiro é o manifestante perfeito para todas as nossas ideologias: para a esquerda, é trabalhador; para a direita, cidadão de bem; para os liberais, empreendedor. Não há idealismo que não saia edificado.

Confesso que tive um momento de dúvida: será que colocar milícias armadas em bloqueios na estrada para impedir que comida chegue às cidades é um ato democrático? E propor que o Exército se volte contra o Poder Executivo? Mas é claro que sim; todo poder emana dos caminhoneiros.

Uma revolução pode se dar de muitas formas. Uma é derrubando o Estado e colocando em seu lugar paladinos da Justiça e da ordem. Outra é receber um dinheirinho no bolso, pago pelo resto da sociedade. O governo, como era de se esperar, cedeu.

A conta do patriotismo dos caminhoneiros será de pelo menos R$ 5 bilhões. Se vier também o corte de impostos, serão mais R$ 13,5 bilhões. É um presente do povo para o próprio povo.

Como diz o nome de um dos grupos de WhatsApp dos grevistas, "#somostodoscaminhoneiros", embora alguns sejam mais caminhoneiros do que outros...

Com essa conquista da cidadania e dos direitos, não seria uma boa hora de parar com os bloqueios e deixar combustível e comida voltarem aos mercados, estancar a sangria da agricultura, da indústria e dos serviços? Até seria, mas uma minoria pegou gosto por essa história de salvar o Brasil.

Dizem que não vão sair. Não é mais por R$ 0,46; as pautas agora incluem também ?"além do golpe militar?" baixar o preço da gasolina e do gás de cozinha. O próximo passo é exigir que todos os bens e serviços sejam gratuitos. Estamos às portas da utopia.

Obrigado, caminhoneiros. Obrigado por usar nossas vidas como moeda numa grande chantagem nacional. É assim que se constrói um país melhor. Outros setores aprenderam a lição. Os petroleiros já declaram greve para amanhã. Afinal, eles também merecem salvar o Brasil.

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