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O outro lado da cidade onde as obras não chegam ou se enrolam por anos - Jornal Cruzeiro do Vale

O outro lado da cidade onde as obras não chegam ou se enrolam por anos

09/01/2019

O prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB, diz que possui R$150 milhões para transformar a cidade em um canteiro de obras nestes últimos 15 meses de governo até a eleição de outubro de 2020. E já começou. Esse dinheiro, que não é pouco, vem de empréstimos já aprovados pela Câmara e da suposta sobra de caixa pelo aumento da arrecadação e economia que fez. Olhando o balanço de 2018, viu-se, num artigo que escrevi na primeira coluna do ano, que a história não é bem assim.

Entretanto, enquanto Kleber ataca o sistema viário do Centro, velhos problemas continuam expostos. Esta semana, depois de dois anos do seu governo, repito, dois anos, o prefeito anunciou na sua rede social como um fato inusitado, a retomada da pavimentação da Rua Madre Paulina, cujo projeto estava parado desde o governo de Pedro Celso Zuchi, PT.

Outra ferida, onde os mais pobres são os que pagam a conta das teimosias e vinganças dos políticos, está no loteamento das Casinhas de Plástico, na BR 470. A maioria daquela gente, teve o azar de ser afetada pela catástrofe ambiental severa de 2009. O poder público desapropriou uma área inapropriada para um assentamento. Ele os expunha ao perigo da rodovia, estava em solo instável e para completar, pagou-se menos do avaliado e por isso, todos possuem posse precária. A compra do terreno por Zuchi deu-se à massa falida da Sulfabril, por vingança ideológica contra empresários, pagou-se menos do acordado. Ou seja: governo populista que propaga ser para os pobres, é contra os pobres pois os quer eternamente dependentes para serem eles massa de cabala de votos.

Tudo deu errado ali. A Bunge, por sua Fundação prometeu tornar aquela área um modelo de conjunto habitacional humanizado e com práticas sustentáveis. Outra birra do PT contra empresários: preferiu receber a doação de casas de plásticos da Arábia Saudita que foram montadas ali e a infraestrutura não nunca se chegou ao fim do mínimo necessário. A escola veio somente há cinco anos e o posto de saúde no final do ano passado. E a ligação a ligação da Rua Carlos Roberto Schramm com a Luiz de Franzoi para livrar o povo de lá da perigosa BR 470, um calvário.

Exagero? Então leia este texto de Ricardo Planca, na mesma rede social que o prefeito usa para ser repórter dos seus feitos, que arma os seus para constranger comentários que aponte falhas do seu governo. E as fotos, falam por si só.

“Abandono de obra e de compromisso, quase meio ano parado ou se arrastando as obras de pavimentação da Rua Carlos Roberto Schramm e loteamento Margem Esquerda, só desculpas... Primeiro ‘o tempo não ajuda’; segundo... ‘o pessoal do gás natural complica’; terceiro... ‘demora porque estaca prancha está vindo de Minas Gerais’; quarto... ‘precisa resultado do laudo de solos; tudo balela sem compromisso... Inaceitável tantas desculpas...as vias do loteamento uma porcaria, intransitável na entrada, no interior e na saída. Só passando de trator e caminhão. O mato tomando conta do passeio, falta de sinalização viária para segurança de veículos e pedestres em uma via liberada ao tráfego; obstáculos no meio da via sem definição.

Que tristeza governo municipal... Mas no centrão, trabalham até no reveillon para ter que ficar lindão. Empresa Ramos refere que não tem nada para fazer enquanto prefeitura não se posicionar, onde está o compromisso”.

O governo Kleber se concentrou em grandes e novas obras. Os problemas antigos, continuam pendentes e exatamente nas áreas mais carentes, que eram redutos petistas e onde deveria mostrar que é diferente. Kleber reclama desta coluna. Ele está lendo, vendo e ouvindo muito pouco as redes sociais em que ele quer ser a única estrela. Acorda, Gaspar!


A comunicação falha.

Sinalização torta e improvisada

O Centro de Gaspar estava em obras para a refação do asfalto na Rua Aristiliano Ramos no trecho que vai da ponte Hercílio Deecke até a ponte do Ribeirão Gaspar Grande com a Nereu Ramos e a Mário Vanzuita. Começou cedo no dia dois de janeiro, para aproveitar o suposto menor movimento no Centro de Gaspar, apesar de na sexta-feira e no sábado, as redes de lojas, principalmente, terem as tradicionais promoções de início de ano.

Quem chegou a Gaspar pela BR 470 e tomou a Hercílio Fides Zimmermann, só descobriu que a ponte Hercílio Deecke está interditada, devido ao recapeamento de parte da Aristiliano Ramos, quando chegou na rótula dela com as ruas Pedro Simon e Luiz de Franzoi. E aí teve que voltar para a BR 470 ou tomar a Pedro Simon, se conhece Gaspar, para alcançar a ponte do Vale e chegar ao Centro.

Custava colocar uma sinalização no Posto dos Pioneiros?

O mesmo aconteceu para quem vinha da Lagoa e do Arraial pela Pedro Simon, ou seja, morador de Gaspar. Também só soube da necessária interdição da ponte Hercílio Deecke quando chegou a mesma rótula e diante de numa sinalização precária.

Custava colocar uma sinalização da interdição bem antes, por exemplo, na Vitório Anacleto Cardoso para se evitar esse “bate e volta” pela Pedro Simon? E no sábado? Ninguém passava motorizado pela ponte Hercílio Deecke. E ninguém foi avisado disso. Confusão. Aborrecimentos. Dê uma olhada na qualidade da sinalização improvisada para interromper ou desviar o trânsito em Gaspar na ponte Hercílio Deecke. E depois sou eu quem implico. Inventam complicações onde elas não existem. O bom vira ruim. Acorda, Gaspar!

Um exemplo de como a tal ‘burocracia’ atrapalha o discurso dos burocratas.

Prefeitura de Gaspar anuncia o reinício de uma obra com 24 meses de atraso

Na semana passada, prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi à sua rede social comemorar com os seus, os mesmos, que fazem espuma e lhe falsa dão audiência. “Nesta manhã retomamos as obras da Rua Madre Paulina. Após meses de muito trabalho, vencemos a burocracia e rescindimos o contrato com a empresa. Chamamos a segunda colocada na licitação, que assumiu a obra”.

Kleber está na função de prefeito desde janeiro de 2017. E desde antes da eleição conhecia o problema desta rua tanto que a prometeu na campanha várias vezes, indignado com o vai-e-vem neste assunto do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT.

Kleber precisou de 24 meses, ou seja, dois anos, a metade do seu mandato, para resolver um problema aparentemente tão simples, numa rua tão curta e cujos erros de projetos nasceram dentro da própria prefeitura. E na rede social, recebeu um “toque” do funcionário do Samae, que a Madre Paulina não tem rede de água e que por isso, vai se gastar dinheiro para fazer uma obra incompleta. Kleber respondeu a Marcelo de que iria se inteirar desse assunto.

Então veja como funciona este tipo de assunto na prefeitura. Faz-se um projeto de pavimentação de uma rua. Enrola-se por anos e ao fim se descobre que não contempla sequer a rede de água tratada? Vai se gastar mais para rasgar a nova pavimentação para implantar a rede que deveria vir, em tese, antes, se houvesse um planto?

Primeiro isento parcialmente o prefeito. Ele não deve saber de tudo. Ele construiu uma equipe para ser os múltiplos olhos dele. Segundo eu culpo o prefeito parcialmente: foi ele quem escolheu esta equipe e está permitindo que ela falhe seguidamente não apenas com a cidade, mas com ele. Terceiro. Culpo diretamente os seus gestores nas secretarias de Planejamento Territorial e a de Obras e Serviços Urbanos. Quarto está claro a falta de comunicação entre a prefeitura e o Samae. É isto que chamam de eficiência do governo? É isso que avança em Gaspar?

Kleber está a menos de 18 meses da nova eleição, onde tentará, diz ele, a reeleição. Se tudo for no ritmo da Rua Madre Paulina, muita obra ficará pelo caminho. E este é o temor dos que estão do seu lado. Este é um exemplo. Há muito mais. Foi isso, também que animou a oposição na Câmara à aprovação dos financiamentos para a maioria das obras pensadas ou projetadas.

Vai que Kleber não inicie ou não termine, o futuro governo, seja qual for, terá ao menos parte do dinheiro garantido para continuar o canteiro de obras. Acorda, Gaspar!


TRAPICHE

Ilhota em chamas I. O prefeito Érico de Oliveira, MDB, começou a fazer a limpa no pessoal do partido na prefeitura de Ilhota e oriundo de Luiz Alves. É que lá o deputado Federal Rogério Peninha Mendonça, MDB, eleito na rabeira do MDB com 76.925 votos e candidato de Érico, foi apenas o 11º mais votado, com 181 votos. Em Ilhota ele “lavou” a égua.

Ilhota em chamas II. Só para comparar: o mais votado em Luiz Alves e que não se elegeu, foi César Souza Júnior, PSD, com 1035 votos. No próprio MDB Carlos Chiodini, eleito, Celso Maldaner, eleito e Ericson Henrique Luef, não eleitos, receberam mais votos do que Peninha, respectivamente, 692, 198 e 192 votos.

Ilhota em chamas III. Foram para a marca do penalti em portarias sequenciadas de um a dez de 2019, Diogo Wagner, secretário de transportes; Silvana Simon, chefe de divisão; Ariane Silva, chefe de divisão; Yasmin Laís Merlini, diretora de divisão; Clóvis Hostins, coordenador de contabilidade de recrutamento amplo; Kamila Azevedo, chefe de divisão; Sidney Agostinho, diretor de departamento. Luciana Aparecida Gonçalves da Silva, diretor de departamento; Jéssica Taina Batista, chefe de divisão e Rosimar Terezinha Rodrigues, chefe de divisão.

Comentários

Bernardo Koerich
10/01/2019 11:12
Bom dia seu Herculano

Apropriada a matéria que abordar a respeito da ineficiência da administração pública de Gaspar.

Eu concordo contigo e ressalto a falta de planejamento e desperdicio de dinheiro público, sito apenas dois fatos: a)Prefeito garante que vai construir passarela subterrânea na círculo, no entanto já asfaltou e terá que refazer o trabalho, caso realmente faça cumprir sua promessa. este caso dinheiro pelo ralo e b) Trevo alemão da Olga John, já construído e será refeito. Por que não pensou nisso antes?
Sim importantes obras, mas é jeito do MDB governar, LHS apreciava que investiria milhões na recuperação da Rod Ivo Silveira e que não precisaria de investir décadas. De fato décadas o Estado não investiu, mas a calamidade foi instalada na referida Rodovia.
Mais um desserviço do MDB com Gaspar, municipalizaram parte da Ivo Silveira e Anfiloquio Nunes Pires. É mole?
Herculano
10/01/2019 08:33
O CRIME SOB PROTEÇÃO

De Deltan Dallagnol, do Ministério Público, no twitter:

"Se Renan for presidente do Senado, dificilmente veremos reforma contra corrupção aprovada. Tem contra si várias investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. Muitos senadores podem votar nele escondido, mas não terão coragem de votar na luz do dia".

Volto.

Deltan está certo, mas errado ao mesmo tempo. A procuradoria onde Deltan está, possui regras próprias. O Legislativo, também. O Judiciário que vai decidir a questão, igualmente. Aliás, na Câmara já está decidido. Falta o Senado, que por analogia, terá o mesmo destino. Dai à apreensão fundada de Deltan, e da maioria dos brasileiros.

É preciso mudá-las? É preciso. Em ambos.

Entretanto, enquanto elas vigorarem, devem ser respeitadas. É a tal independência dos poderes, inclusive do Ministério Público onde está Deltan.

Qual o desafio da sociedade sobre os legislativos e os novos eleitos? Exigir transparência de seus representantes para que não se tenha nesse ambiente, votos secretos em nenhuma circunstância, inclusive em decisões internas da Câmara, Senado, Assembleias e Câmaras municipais.

É que os votos dos "nossos representantes" nos dizem respeito e não às negociações entre eles, no escurinho. Veja o que aconteceu aqui em Gaspar nas eleições da presidência da Câmara em dezembro de 2017 e 2018.
Herculano
10/01/2019 08:00
MAIORIA DOS AMERICANOS É CONTRA MURO NA FRONTEIRA COM O MÉXICO, por Freddy Freitas, de Nova Iorque, em Os Divergentes

A maioria dos americanos, que pagam impostos e cumprem à lei, rejeitam a caracterização do presidente Donald Trump sobre a situação dos imigrantes na fronteira mexicana como uma crise nacional. Cinquenta e nove por cento dos americanos acreditam que a verdadeira emergência nacional é "o morador principal da Avenida Pennsylvania, Número 1600".

A maioria dos veículo de comunicação concordam que o presidente está fora da realidade.

Há uma ameaça no ar de Washington (DC) que Trump vai declarar uma emergência nacional na fronteira com o México para poder construir, sem aprovação do Congresso, o tão sonhado muro.

O jornal "The New York Times" vem disparando em seus editoriais "que Trump não está exercendo o cargo de presidente com responsabilidade".

A maioria dos juristas frisam que Trump não pode construir o muro sem o apoio do Congresso.

Sob todos os aspectos, olhando-se o problema de uma maneira geral, o muro de Trump - que pode custar $ 25 bilhões ( R$ 92 bilhões) aos incautos cidadãos americanos, representa uma desastrosa e incompetente tentativa de colocar um ponto final na imigração clandestina nos Estados Unidos. Tecnicamente, parece que o muro não conterá o fluxo de imigrantes ilegais. Politicamente, percebe-se, que Trump está querendo cumprir a sua principal promessa eleitoral.

Cinquenta e cinco por cento dos ilegais entraram legalmente no território americano. Portanto, o muro é um desperdício de dinheiro público.

É uma questão partidária, no entanto. A grande maioria dos republicanos apoia o muro : 79%. A maioria dos independentes ?" 66% ?" opõe-se ao muro, e 84% dos democratas também são contra.

Mais de dois terços dos americanos não acham que o muro deve ser uma prioridade do governo federal, de acordo com uma nova pesquisa da NPR, da PBS News Hour e Marista.

Nada irrita mais ao cidadão que assistir ao governo federal agir contra a direção do bem comum.
Herculano
10/01/2019 07:50
POBRES SE APOSENTAM SIM, por Alexandre Schwartsman, economista, ex-diretor do Banco Central, no jornal Folha

Oded Grajew caiu em erro comum ao confundiu a idade média ao morrer com a expectativa de vida

Oded Grajew cometeu artigo na semana passada afirmando que a fixação de idade mínima de 65 anos, conforme proposta formulada ainda no governo Temer, não permitiria que os pobres se aposentassem.

Justifica a conclusão afirmando que a idade média ao morrer nos bairros mais pobres de São Paulo é inferior a 65 anos, enquanto nos mais ricos supera 75 anos, situação que seria ainda pior no resto do país, mais pobre que São Paulo.

Há, porém, 20,4 milhões de aposentados recebendo do INSS (outros 15 milhões recebem benefícios diversos: assistenciais, acidentários etc.), dos quais 10,8 milhões por idade, 3,4 milhões por invalidez e 6,2 milhões por tempo de contribuição.

Segundo as regras atuais, a aposentadoria por idade ocorre aos 65 anos para homens e 60 para mulheres, em ambos os casos comprovados 15 anos de contribuição (no caso rural, as idades são de 60 e 55 anos, respectivamente).

O valor médio da aposentadoria por idade se encontra ao redor de R$ 1.500/mês, mas quase 60% dos benefícios previdenciários concedidos pelo INSS equivalem a um salário mínimo.

Quem, portanto, se aposenta hoje por idade são tipicamente os mais pobres, que recebem o equivalente a 40% a 60% da renda per capita. Tais números mostram que, ao contrário do que argumenta Grajew, pobres se aposentam.

Como reconciliar as duas observações?

Na verdade, Grajew caiu em erro comum de quem trata do assunto: confundiu a idade média ao morrer com a expectativa de vida. Aquela depende, entre outras coisas, da idade média dos moradores do bairro; uma vez que se corrige esse elemento, nota-se que em nenhum bairro a expectativa de vida ao nascer é inferior a 70 anos. Além disso, há a distinção entre a expectativa de vida ao nascer e a expectativa condicional à idade.

No Brasil, a primeira é 75 anos; já a expectativa de vida de quem atinge 55 anos supera 80 anos. A diferença se deve a males como mortalidade infantil e violência, esta última particularmente cruel com homens (cuja expectativa de vida aos 20 anos é 73 anos, ante 80 anos no caso de mulheres na mesma faixa etária).

Não é preciso um esforço enorme para concluir que a idade média ao morrer nas regiões mais pobres é menor precisamente por força também desses dois fatores.

Não é, pois, correto afirmar que pobres jamais se aposentarão e que, dessa forma, o estabelecimento da idade mínima deveria ser diferente conforme a renda. É correto, contudo, direcionar recursos públicos para a redução da mortalidade infantil (saneamento e saúde) e da violência (policiamento).

Dado, porém, que as despesas previdenciárias representam não só a maior parcela do gasto público mas também a que cresce mais rápido, não é difícil concluir que, a fim de liberar recursos para atacar os problemas que reduzem a expectativa de vida para os pobres, é necessário reformar a Previdência.

A conclusão é óbvia, claro, mas só para quem está disposto a sair do bom-mocismo, segundo o qual as conclusões justificam os argumentos, para um olhar analítico que percorra o caminho inverso, qual seja, argumentos, de preferência ancorados em sólidas bases estatísticas, que justifiquem as decisões de políticas públicas.

Quando (e se) os autodenominados cruzados de desigualdade fizerem essa travessia, não tenho dúvida de que a qualidade do debate melhorará. Até lá, contudo, permanecerá a pobreza, tanto de argumentos como de grande parcela da população.
Herculano
10/01/2019 07:44
da série: não tá fácil a patrulha dos novos no poder. Em Santa Catarina, em uma semana, dois indicados do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, tiverem que pedir o boné depois que suas cabeças foram a prêmio pelos do PSL.

"O CARA É UM ANALFABETO POLÍTICO"

Conteúdo de O Antagonista. Integrantes do PSL procuraram Jair Bolsonaro para pedir a demissão do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, diz a Crusoé.

A reportagem ouviu uma mensagem gravada em que um membro do partido diz:

"O cara é um analfabeto político, não é do ramo, não tem um hotel, não tem pousada, não trabalha com isso, não tem nível superior e nem inglês sabe falar."
Herculano
10/01/2019 07:33
LUGAR DE INTELECTUAL É NA UNIVERSIDADE E NÃO NOS GOVERNOS. DÁ MERDA

De João Pereira Coutinho, escritor e sociólogo português

"As universidades são ótimas prisões pra que os intelectuais não venham cá pra fora fazer merda"
Herculano
10/01/2019 07:25
BRIEFING NO EDITOR DO PORTAL GAZETA DO POVO AOS ASSINANTES

Ascensão meteórica

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) tentou se explicar a respeito da inusitada promoção do filho ao cargo de assessor especial do novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes. Segundo o general, Antonio Hamilton Rossell Mourão só não chegou ao posto antes porque teria sido "duramente perseguido" nas gestões anteriores. "Em governos anteriores, honestidade e competência não eram valorizados", tuitou o paizão.

No entanto, uma investigação criteriosa de Madeleine Lackso, do blog A Protagonista, mostra que a história não é bem assim. O filho "perseguido" de Mourão foi promovido oito vezes durante governos petistas e nunca mais se candidatou a outra promoção depois que se tornou assessor empresarial de diretoria. Entre as diretrizes que preenchem as 21 páginas do documento "Política de indicação e sucessão do Banco do Brasil", prescreve-se que para chegar ao cargo de assessor especial da presidência Rossell Mourão deveria ter galgado ainda duas outras promoções, candidatar-se ao "Bolsa Executivo", passar na seleção e então ficar na listagem de espera. Madeleine questiona:

Rubem Novaes tem direito de indicar o filho do general Mourão para o cargo que indicou, mesmo pulando os 3 degraus hierárquicos e ignorando os que se candidataram e passaram nos processos seletivos internos. Pode, não é ilegal. Mas tem de explicar quais as razões o levaram a fazer isso. [...] Nenhum daqueles aprovados pela Bolsa Executivo feita durante o governo Temer, que já estão na lista de espera, é digno da confiança do novo presidente do Banco do Brasil. Quais os motivos? De onde Novaes conhece Rossell Mourão para concluir que ele é tão brilhante que foi necessário ignorar os processos seletivos internos e fazê-lo saltar 3 degraus para servir o Brasil?

Haja sorte

Enquanto Mourão justifica a promoção do filho com base no mérito, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) parece ser um cara de sorte: a Advocacia-Geral da União (AGU) ordenou no dia 20 de dezembro, ainda no governo Temer, que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anulasse a decisão de multar Bolsonaro em R$ 10 mil por ter sido flagrado pescando irregularmente em Angra dos Reis (RJ) em 2012. O superintendente-substituto do Ibama, Adilson Gil, comunicou a limpa do nome ao presidente na sexta (4).
Herculano
10/01/2019 07:17
da série: não brinco mais

"NÃO PROCURO MAIS O PT"

Rodrigo Maia disse a Andréia Sadi que não vai mais procurar o PT:

"A Gleisi diz que não vai me apoiar. Então, enquanto o PT não se resolver, eu não procuro mais o partido. Eu não posso tratar do apoio com a presidente de um partido que não quer meu apoio."

Gleisi Hoffmann só apoia Nicolás Maduro.
Herculano
10/01/2019 07:14
CANAL DE ROUBALHEIRAS

De José Nêumanne Pinto, de O Estado de S. Paulo, no twitter:

Furto e fascismo: Decisão de Toffoli de negar interdição da extinção do Ministério do Trabalho, pedida pelo PDT, é correta, pois o órgão nunca passou de uma herança fascista sem mais sentido e tornou-se um antro de roubalheira impune
Herculano
10/01/2019 07:12
da série: em Gaspar não seria diferente para quem discordar do poder de plantão

de Ana Paula do Volei, moradora nos Estados Unidos, no twitter:

Eu podia estar curtindo minha vida e não me aporrinhar com política. "Ain, medinho da esquerda..." Há anos convivo com ameaças de morte, invasão de computador, listas negras, boicote com patrocínios! E mostrando a minha cara! Quer mesmo falar de coragem? Hold my beer, darling.
Herculano
10/01/2019 07:07
PROMOÇÃO NÃO É ABSURDA; ABSURDO É MANTÊ-LA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A promoção mais parece ter prejudicado que ajudado a carreira do filho do vice-presidente Hamilton Mourão no Banco do Brasil. Ainda não está claro se o "upgrade" foi produto de carteirada, de puxa-saquismo ou se a ideia era desgastar o novo governo. Rossel Mourão trabalha do BB há 19 anos. Era Assessor Empresarial e pulou para Assessor Especial da presidência do banco. A promoção não é exatamente absurda. Absurdo é mantê-la, desgastando o governo. Bolsonaro não foi eleito para isso.

NÃO GOSTOU
O presidente Jair Bolsonaro não gostou nada da nomeação. E deixou clara a sua insatisfação no expediente da tarde desta terça, no Planalto.

TODOS SABIAM
Nem mesmo o Palácio do Planalto pode alegar que não sabia da promoção de Rossel: só foi sacramentada apos o "OK" da Casa Civil.

MÃO AMIGA
A promoção de Rossel Mourão foi aprovada no conselho diretor do BB, mas sacramentada pelo seu novo presidente, Rubem Novaes.

NÃO É MOLEZA
A nova posição do filho de Mourão é vistosa, mas não uma moleza: seu ocupante fica sujeito a todo tipo de faniquitos internos e externos do BB.

CONTA EM 2018: CARTõES CUSTARAM R$52 MILHõES
A conta dos cartões de pagamento do governo federal (CPGF), os famosos cartões corporativos, custaram R$ 52,2 milhões ao contribuinte brasileiro em 2018. O valor está longe do recorde histórico de gastos, atingido pelo governo do petista Lula em 2010, com mais de R$ 80 milhões, mas representa uma média de gastos anual de quase R$ 9 mil para cada um dos 5.833 portadores de cartão corporativo do governo.

TEM MAIS
Existem dois tipos diferentes de cartões, além do CPGF. Um para emergências de Defesa Civil e outro para Compras Centralizadas.

TOTAL DOS CARTõES
No total, os três tipos de cartões de crédito do governo federal custaram mais de R$ 235,2 milhões.

CENTRAIS E CARAS
O tipo de cartão do governo que mais custou ao contribuinte em 2018 foi o de Compras Centralizadas; R$ 136,1 milhões.

PRIMEIRO-MINISTRO
O ministro Sérgio Moro (Justiça) chegou ao Palácio do Planalto nesta quarta, às 10h32, e foi direto despachar com aquele que cada vez mais assume papel de um primeiro-ministro: Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

TUDO ESTRANHO
Em nota interna, a direção do Banco do Brasil informou a funcionários que o filho de Mourão é "da confiança" do novo presidente do banco, Rubem Novaes. Para ele "o que é de se estranhar" é Rossel Mourão "não ter alçado postos mais destacados no banco, no passado".

MÃO DE ESQUERDA
Representante do agronegócio, único setor da economia que há décadas só dá boas notícias ao Brasil, a ministra Tereza Cristina (Agricultura) é "de direita". Lorota, ela é canhota desde criancinha.

REFORMA É CONSENSO
Mais de dois terços dos brasileiros (68,6%) acham que o presidente Jair Bolsonaro deve reformar a Previdência, segundo levantamento Paraná Pesquisas. Mas entre os aposentados e aqueles que estão mais próximos de se aposentar (com mais de 45 anos), o apoio vai a 71%.

PELA CULATRA
Não era o intuito, mas o destaque da nota de repúdio contra Jair Bolsonaro por cogitar o fim da Justiça do Trabalho da Frentas (associação de juízes e membros do MP), foi a revelação do número de juízes e procuradores pagos pelo contribuinte brasileiro: mais de 40 mil.

CPP COM MORO
O presidente da comissão especial do novo Código de Processo Penal na Câmara, Danilo Forte (PSDB-CE), e o relator, João Campos (PRB-GO), apresentaram pontos do projeto ao ministro Sérgio Moro (Justiça), incluindo a execução de pena após a condenação em 2ª instância.

NA SAÍDA
Um dos últimos atos do ex-presidente Michel Temer foi o corte gradual, 20% ao ano, de subsídios para irrigação rural, água e esgoto. Em cinco anos, a redução para o consumidor de energia será de R$ 12,6 bilhões.

POVO MAIS FELIZ
Os ares parecem mesmo ter mudado. No Brasil, a 'alegria' se reflete na alta de 60% nos pedidos de autorização para blocos de rua no Carnaval de São Paulo. A previsão é de 570 blocos para 15 milhões de foliões.

PENSANDO BEM...
...quem tem vice, tem medo.
Herculano
10/01/2019 06:58
BOLSONARO E O SALÁRIO MÍNIMO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Logo começa a batalha do reajuste zero para o mínimo e para os servidores

Na economia, o governo parece dedicado a fechar um plano de reforma da Previdência, sem o que a economia ficará desgovernada. Está certo.

Quase nada sabemos desse projeto. O que vaza para a mídia é disparatado ou insuficiente para basear qualquer estimativa razoável de efeitos fiscais ou políticos.

De menos vago, sabemos apenas que se pretende endurecer o projeto de Michel Temer, que passou ainda por uma lipoaspiração no Congresso.

Nos termos vazados por aí, a intenção de encurtar a transição para a idade mínima de aposentadoria deve chocar quarentões e cinquentões.

Não deve ser a única discussão política difícil em economia, claro.

No rumo e no ritmo em que vão as contas do governo, o teto de gastos, o limite para despesas federais, começaria a ruir no ano que vem. O gasto não pode aumentar mais do que a inflação. Isto é, em termos reais, fica na mesma, congelado. Mas despesas obrigatórias gigantes, como a da Previdência, ainda crescerão (a não ser na hipótese de revolução nas aposentadorias).

O gasto crescerá menos, por exemplo, se o governo não der reajuste real (além da inflação) para o salário mínimo, que também é o piso dos benefícios previdenciários.

A regra de reajuste do mínimo venceu no ano passado. A nova fórmula tem de ser definida até abril, quando o governo apresenta uma espécie de pré-projeto de Orçamento de 2020 (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Entre os economistas de Jair Bolsonaro, a ideia é acabar com o reajuste automático do mínimo (pela regra vencida, o mínimo sobe de acordo com o crescimento da economia, do PIB, do penúltimo ano). Para 2020, a ideia é não dar reajuste algum.

É um conflito sério, que afeta diretamente a vida de quase 50 milhões de brasileiros.

O segundo embate diz respeito às fórmulas de reajuste, promoção, contratação e demissão de servidores. A despesa com pessoal é a segunda maior do governo. No limite, não haveria reajustes nem pela inflação.

Haveria alternativas quase tão duras. Uma delas é reduzir ou dar cabo do abono salarial, uma espécie de 14º salário pago a pessoas que ganham menos de dois mínimos.

É possível também voltar a cobrar todas as contribuições patronais que Dilma Rousseff reduziu (na prática, aumento de imposto).

O pessoal do Ministério da Economia está muito animado com alternativas em tese menos duras, mais heroicas e um tanto improváveis, ao menos por enquanto. Estimam que podem reduzir muita despesa com a operação pente-fino nos benefícios sociais, previdenciários inclusive.

O governo de Michel Temer descobriu muito benefício irregular e fez boa economia. Difícil chutar quanto pode render uma nova peneirada, "mutirão", como dizem por lá.

De qualquer modo, não se pode contar com essa possibilidade, sem mais.

Há decisões a serem tomadas logo, como é o caso do salário mínimo e da política para os servidores.

A vida seria difícil para qualquer governo eleito, que não teria como evitar medidas duras a fim de lidar com uma situação fiscal crítica. Haverá prejuízo para muita gente, embora existam meios de distribuir o arrocho de modo socialmente mais justo.

A esse respeito, nada sabemos. Nada sabemos da capacidade do governo de negociar no Congresso, de apresentar as mudanças à sociedade e de tentar articular uma divisão de perdas razoável.

Parece uma conversa abstrata. Mas vai ficar bem concreta assim que a conta chegar.
Herculano
10/01/2019 06:52
GLEISI NO SUL

Conteúdo de O Antagonista. Cinco chefes de Estado prestigiam a posse de Nicolás Maduro: Miguel Díaz-Canel, de Cuba, Evo Morales, da Bolívia, Daniel Ortega, da Nicarágua, Salvador Sánchez Cerén, de El Salvador, Anatoly Bibilov, da Ossétia do Sul (país não reconhecido pela ONU).

Gleisi Hoffmann, que também não é reconhecida pela ONU, vai estar lá.
Herculano
10/01/2019 06:45
DO QUE O BRASIL ESCAPOU. GLEISI QUE VAI À POSSE DE MADURO "REPRESENTAR" OS BRASILEIROS NUMA VENEZUELA QUEBRADA, COM VENEZUELANOS FUGINDO DA FOME E NUMA ELEIÇÃO ONDE O DITADOR NÃO PERMITIU OS VERDADEIROS ADVERSÁRIOS NA DISPUTA. ESTA É A CARA DO PT E DA ESQUERDA DO ATRASO. PRECISAM DA MISÉRIA, DO ANALFABETISMO, DA IGNORÂNCIA, DA DESINFORMAÇÃO DO POVO E DA CENSURA À IMPRENSA PARA SUBJUGAR UMA NAÇÃO

Conteúdo e texto da Veja. A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), anunciou que viajará para a Venezuela nesta quinta-feira, 10, para comparecer à cerimônia de posse de Nicolás Maduro, em seu segundo mandato como presidente do país, após uma eleição contestada dentro e fora do país.

Gleisi justificou a sua ida ao evento para se opor à "política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários". Na semana passada, o Grupo de Lima, como é conhecido o conjunto de catorze nações que se reúne na capital peruana para discutir a crise venezuelana, aprovou um documento em que decide não reconhecer a vitória do ditador no pleito.

O texto foi assinado por representantes de treze países, incluindo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e não contou apenas com a adesão do México, que se reaproximou com o regime de Maduro após a posse do seu novo presidente, Andrés Manuel López Obrador.
Herculano
10/01/2019 06:36
COBRANÇAS A MORO E DAMARES FAZEM PARTE DA DEMOCRACIA, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Diálogos tensos entre eleitores e ministros de Bolsonaro ajudam a testar nossa coerência de argumentos

"Por que o Queiroz não é pauta? A roubalheira do PT é pauta, mas a do PSL não é pauta do governo? Você quer me censurar por isso também?" É um comprador num supermercado de Brasília dirigindo-se a Marcos Koren, segurança do ministro Sergio Moro (Justiça). Ele tentava amedrontar a dupla de eleitores - no que não teve sucesso.

Moro, que estava na fila do caixa, é um dos dois integrantes do governo já cobrados em vídeos públicos. A outra foi a ministra Damares Alves (Direitos Humanos), criticada em um shopping após postular sobre cores e gênero. É bom toda a Esplanada já ir se acostumando.

As conversas amargas entre eleitores e agentes públicos podem não ser as cenas mais bonitas da democracia, mas são democráticas. Essas duas de agora ajudam, ademais, a testar nossa coerência de argumentos.

No passado, nenhuma reação foi mais absurda do que a de Ricardo Lewandowski. Ao ouvir críticas ao STF em um avião, não mediu o troco: "Você quer ser preso? Chama a PF". E, de fato, a polícia apareceu e levou seu interlocutor. Lewandowski foi logo socorrido pelas vozes do corporativismo e do alinhamento político. Gente que defendia o uso da força do Estado para censurar um eleitor e que agora se cala - ainda bem.

Também protagonizaram involuntariamente vídeos assim personagens como Guido Mantega, Alexandre Padilha e, um campeão, Gilmar Mendes. Alguns ouviram não apenas críticas, mas também ofensas pessoais. Para esses casos, está aí a lei.

Tal situação não é coisa nossa (os senadores americanos Ted Cruz e Mitch McConnell foram duramente cobrados em restaurantes meses atrás) nem é exclusividade da política (se jogador pode ser apupado, por que quem recebe salário público merece proteção da crítica ao vivo?).

Político já é suficientemente descolado da realidade para ter mais uma camada de blindagem. "Você é do superministério, ajuda o Ceará", disse a eleitora a Moro. Quem sabe o diálogo não foi útil para o ministro?
Herculano
09/01/2019 17:17
TENDÊNCIA DE DIAS TOFFOLI É FECHAR VOTO NO SENADO, por Helena Chagas, em Os Divergentes

A expectativa entre interlocutores do Congresso junto ao STF é de que o presidente Dias Toffoli casse nos próximos dias, possivelmente ainda esta semana, a liminar em que o ministro Marco Aurélio determinou que será aberto o voto na eleição para a presidência do

O argumento a ser acolhido por Toffoli seria o da independência institucional e não interferência nos assuntos internos dos poderes, coerente com a postura do novo presidente do STF de retirar a Casa do excessivo protagonismo político dos últimos tempos. O voto secreto nas eleições internas é, aliás, determinado pelos regimentos do Senado e da Câmara- onde já há certa ansiedade em pedir tratamento igual se a moda pega na outra Casa.

Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas as pressões têm sido grandes e haverá barulho. Afinal, a decisão sobre o recurso impetrado pelo Solidariedade contra a liminar de Marco Aurélio terá influência direta no desfecho da eleição no Senado, praticamente assegurando uma vitória do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Favorito na disputa, ele corre risco de derrota no voto aberto, mas certamente terá mais apoios na votação secreta.

Renan, porém, é tudo o que o Planalto não quer - como até já confessaram publicamente integrantes da família Bolsonaro, tensionando ainda mais o ambiente - porque acha que seu DNA, na atual situação, é de oposição. De fato, Renan reelegeu-se na companhia do PT e tem conhecidas ligações com Lula. Mas é um sujeito pragmático, e nos últimos dias vem mandando sinais ao novo governo de que não vai trabalhar contra as reformas.

O destino está na mão de Toffoli, que não teria ainda cassado a liminar para não atropelar Marco Aurélio de novo num prazo de poucos dias. Afinal, a decisão sobre o voto no Senado foi dada no último dia do ano judiciário, junto com aquela que mandou soltar os presos condenados na segunda instância - uma jogada inteligente de Marco Aurélio, possivelmente prevendo que ser cassado duas vezes no mesmo dia seria violência demais.

Agora, porém, o presidente do Supremo não terá como escapar, e nove entre dez conhecedores das manhas da suprema Corte apostam que o voto para presidente do Senado voltará a ser fechado até o início de fevereiro.

Uma terceira alternativa de Toffoli seria não decidir, chutando o assunto para o colo do vice Luiz Fux, que assumirá o plantão do STF a partir da semana que vem. Nesse caso, porém, a interpretação seria de que está jogando para a plateia, com medo de tomar uma decisão, já que os antecedentes de Fux ?" que já interferiu até em tramitação de medidas como o pacote anti-corrupção ?" levam a crer que manterá o voto aberto. Com todas as consequências que isso teria na relação institucional entre os poderes
Angélico da Silva
09/01/2019 16:48
Boa tarde Herculano!

Talvez o Sr. Kleber não esteja acompanhando as redes sociais, pois quem "alimenta" todas as suas mídias sociais não é ele, e sim o diretor de captação de recursos, Sr. Jorge. Não seria isso um desvio de função??

Você acha que o prefeito estaria acordado às 3 da manhã numa obra, e publicando no seu Instagram??

Cheque isso por favor...
Herculano
09/01/2019 10:34
OS GOLPISTAS DE ONTEM E DE HOJE

De Madeleine Lackso,[ que não é esquerdista, ao contrário] no blog A Protagonista, pega o gancho da confusão com uma fala de Faustão em um programa gravado exibido nessa semana e questiona: qual seria o problema se, de fato, o apresentador tivesse falado de Bolsonaro? Madeleine cutuca:

Tem dias em que me sinto de volta a 2003, quando o governo Lula assumiu. Ai do jornalista que falasse um "A" contra, era imediatamente catapultado para o seleto grupo da Imprensa Golpista, depois apelidado de PIG pelos militantes. Hoje, os militantes repetem a toada, com muito mais força devido ao florescimento das redes sociais. Política messiânica é um dos males mais antigos do Brasil.
Herculano
09/01/2019 10:27
CADA UMA

De Carlos Andreazza, editor livros, no twitter:

Li - e custo a crer que seja verdade - que um dos itens, talvez contrapartida, do decreto que flexibilizará a posse de arma exigiria que o cidadão mantivesse um cofre em casa. Seria assim: para ser livre (a ter arma), o sujeito será obrigado (a ter cofre).
Herculano
09/01/2019 10:24
A GUERRA ACABOU, por Carlos Brickmann

É preciso pôr fim à propaganda eleitoral e trabalhar

Está difícil perceber, mas a campanha eleitoral já terminou. O PT está na oposição; Bolsonaro é o presidente. Os dois lados fariam bem se, agora, se dedicassem à tarefa que os eleitores lhes indicaram.

Nossa bandeira é um símbolo da pátria e não deve ser banalizada. Não façamos com nossa bandeira o que o futebol fez com nosso hino: de tão repetido, o público já não canta junto, não se emociona, nem sequer faz silêncio.

Campanha é campanha, e os candidatos tentam provar que são gente como a gente. Não são: têm diferenças que nos levam a escolhê-los. O lema "um brasileiro igualzinho a você" não funcionou por esse motivo: se é para escolher alguém igualzinho a mim, voto em mim, e a eleição fica empatada.

Foi bonito ver a esposa de Bolsonaro discursando em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, para os surdos? Sim - emocionante. Mas não é tema para debater dias e dias. Bolsonaro assina documentos com caneta Bic? Não tem importância: importa, isso sim, o conteúdo dos documentos. São medidas boas, corretas? Beleza -assinadas com Bic, Parker ou Montblanc.

.... Se o caro leitor acha absurda a sobrevivência do comunismo após a queda do Muro de Berlim, lembre-se de que há até hoje adeptos da tese de que d. Sebastião, rei de Portugal derrotado e morto em batalha na África, em 1578, na verdade não morreu e voltará em triunfo para reassumir o trono de Portugal, extinto há 108 anos.

Michele tem costureira boa, não gasta com grifes? Seu marido gosta de arroz, feijão e pastel? Eu também - e daí? Isso nada diz sobre sua competência. E alguém acredita que Bolsonaro lave roupa?

A propaganda (de ambos os lados) já encheu. Chega de notícias que surgem só para gerar fotos e manchetes. O governador do Rio, Wilson Witzel, disse que Bolsonaro vai propor lei que iguale terroristas e traficantes e autorize alvejá-los se portarem armas de guerra.

É falso: como terrorismo não está definido em lei, não adianta igualar traficantes a terroristas. Seria preciso antes definir o crime de terrorismo e suas penas. E atirar em quem porta publicamente armas de combate não será a implantação da pena de morte, vedada por nossas leis?

Por melhor que seja o governo Bolsonaro, terá oposição. Faz parte da democracia. O comunismo não deu certo em potências como União Soviética e Alemanha Oriental, mas ainda existe. No Brasil continuará havendo comunismo e comunistas, mesmo que todos os projetos do atual governo deem certo.

É demais. A guerra acabou. Poupem-nos, senhores políticos. Que nos permitam um tempo de descanso de propaganda eleitoral...

Se o caro leitor acha absurda a sobrevivência do comunismo após a queda do Muro de Berlim, lembre-se de que há até hoje adeptos da tese de que d. Sebastião, rei de Portugal derrotado e morto em batalha na África, em 1578, na verdade não morreu e voltará em triunfo para reassumir o trono de Portugal, extinto há 108 anos.

Há um filme, "A Facada no Mito", que lança dúvidas sobre o atentado a Bolsonaro. De quem é o filme? Não se sabe. Qual a produtora? Não se sabe. Há indícios de que um canal de YouTube foi criado só para divulgá-lo. E há quem o recomende.

Um parlamentar quer inserir no ensino público a biografia elogiosa de um torturador, Brilhante Ustra. O que pretende, além de provar que não sabe o que é ensinar sem doutrinar? Eliminar os livros que, a seu ver, inoculam o veneno do comunismo nos estudantes, e trocá-los por outros que fazem a mesma coisa, mas louvando bárbaros do outro lado?

É demais. A guerra acabou. Poupem-nos, senhores políticos. Que nos permitam um tempo de descanso de propaganda eleitoral.

Vamos trabalhar - se houver suficientes empregos. E vamos viver.
Herculano
09/01/2019 10:17
MAIA DEVE SER MAIS LONGEVO PRESIDENTE DA CÂMARA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Rodrigo Maia (DEM-RJ) segue favorito para a reeleição na Presidência da Câmara e deve se tornar o deputado no cargo por mais tempo, de forma ininterrupta, desde a redemocratização. Deputados não podem comandar a Câmara por mais de dois anos numa mesma legislatura, mas Maia assumiu em julho de 2016, após a cassação de Eduardo Cunha e foi eleito em 2017 para mais dois anos. A eleição de 2019 conta como outra legislatura e Maia pode continuar no cargo até 2021.

É ISSO
Cada mandato de deputados é considerado uma legislatura e, por isso, Maia pode se reeleger presidente. Em fevereiro começa outro mandato.

FORA DA NORMALIDADE
A menos que outro acontecimento de força maior, como a cassação de Cunha, ocorra novamente, Maia não poderá ser ultrapassado no futuro.

QUEM FICA PARA TRÁS
Apenas dois deputados tiveram quatro anos na presidência da Câmara: Ulysses Guimarães (85 a 89) e Michel Temer (97 a 2001).

QUADRO GERAL
Temer foi presidente entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2010 e é recordista da Nova República. Ulysses presidiu a Câmara de 56 a 58.

MAIORIA É CONTRA ADIANTAR APOSENTADORIA NO STF
Levantamento do Paraná Pesquisa mostra que 53,1% é contra reduzir a idade de aposentadoria de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de 75 para 70 anos. Em meados de 2015 o Congresso fez o contrário: aprovou a Proposta de Emenda Constitucional nº 88/15 e adiou a idade da aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores de 70 para 75 anos. A redução é defendida por muitos deputados do PSL.

TÊM MAIS DE 70 ANOS
Sem a PEC, os ministros Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber seriam aposentados compulsoriamente.

A FAVOR DA REDUÇÃO
Para 42,2% dos pesquisados, ministros de tribunais superiores devem voltar a ter aposentadoria aos 70 anos, e na?o mais aos 75 anos.

ENTREVISTADOS
O Paraná Pesquisa ouviu 2.006 brasileiros de 16 anos ou mais em 148 municípios dos 26 Estados e DF, entre 12 e 15 de dezembro de 2018.

SE HOUVER UNIÃO...
Após a adesão do PR a DEM, PSD, PPS, PRB, PROS, PSDB e PSL são 8 os partidos que apoiam Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Câmara. Juntos somam 223 deputados, incluindo o DEM de Maia, mas não há orientação de bancada e parlamentares têm voto secreto.

PT VOLÁTIL
Presidente do PT, Gleisi Hoffmann "garante" que não apoia Rodrigo Maia na Câmara. Mas após encontrar o governador Wellington Dias (PT-PI), e 8 de 10 deputados federais do estado, Maia se diz otimista.

MEMóRIA CURTA
Em janeiro de 2017, o diretório nacional do PT (com a presença de Lula) aprovou por 45 votos a 30, resolução que permitia os filiados a negociar apoio para Rodrigo Maia (DEM-RJ) na eleição da Câmara e Eunício de Oliveira (PMDB-CE), no Senado. Isso tudo após o tal "golpe" em Dilma.

CABEÇAS CORTADAS
Nem mesmo a cabeça de aliados foi poupada da degola, no Planalto. A Secretaria de Governo demitiu Bruna Fraga, filha do ex-deputado Alberto Fraga (DEM), aliado de primeira hora do presidente Bolsonaro.

SARNEY VAI RECLAMAR
Aliado do ex-presidente José Sarney, o ex-senador Francisco Escórcio também está na lista de dispensas do Palácio do Planalto. Sua demissão deverá ser publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (9).

ROMANCE SOBRE REPRESSÃO
Ganhadora do Prêmio Jabuti de livro-reportagem, com "Operação Araguaia", a jornalista Taís Morais lançará em fevereiro seu primeiro romance. O cenário histórico é a ditadura, com personagens fictícios.

TV BILÍNGUE
Foco do noticiário após discurso da primeira-dama, Michele Bolsonaro, a integração de deficientes auditivos é objetivo da TV INES, na internet, há cinco anos, com a programação exibida em Libras e com legendas.

TANQUE NA RESERVA
A falta de gasolina de aviação (avgas) virou motivo de preocupação em lavouras importantes como soja e arroz. Segundo sindicato da aviação agrícola, no RS, a maioria dos aviões só têm combustível até domingo.

PENSANDO BEM...
... posse de arma para "cidadão de bem" só vai virar lei porque não revogaram a posse daqueles "cidadãos de mal".
Herculano
09/01/2019 10:16
da série: como se perde o discurso e a credibilidade, seja qual a argumentação for para sustentar o insustentável

GOVERNO IGNORA A PRóPRIA PROMESSA AO DAR CARGO A FILHO DE MOURÃO

Bolsonaro quer denunciar abusos passados, mas precisa se adequar a regras rigorosas

A promoção do filho de Hamilton Mourão para um cargo de confiança no Banco do Brasil uma semana depois da posse é, no mínimo, um erro político. Um governo que faz propaganda de devassas no serviço público, expurgos na máquina estatal e supremacia de critérios técnicos deveria pensar mil vezes antes de assinar qualquer nomeação.

Ao tocar as trombetas da "nova era", o time de Jair Bolsonaro achou que denunciaria apenas abusos do passado, mas também passou a se submeter a critérios rigorosos.

Até o pai subir a rampa ao lado do presidente, Antônio Hamilton Rossell Mourão era um funcionário concursado da área de agronegócio do banco, com salário de R$ 12 mil. Nos primeiros dias da nova era, ganhou um cargo de assessor especial, com vencimentos de R$ 36,3 mil por mês.

A nomeação foi criticada até por ministros de Bolsonaro. Não é preciso ser opositor do governo para perceber que triplicar o salário do filho do vice-presidente era péssima ideia.

??Rossell Mourão tem 18 anos de carreira no banco. O pai diz que a promoção se deu por mérito e que seu filho havia sido "duramente perseguido" na instituição em governos anteriores por causa do parentesco.

Se achava que a troca da guarda no Palácio do Planalto resolveria o problema, o vice deixou de levar em conta os simbolismos que o próprio Bolsonaro criou. O governo prometeu ser implacável com a cultura de privilégios. Agora, não pode simplesmente dizer que não é bem assim.

O presidente e seus auxiliares emitem um cheque sem fundos ao anunciar compromissos que não conseguem ou não querem cumprir.

O chefe da Casa Civil anunciou uma demissão em massa para "despetizar" a máquina, mas seus colegas acharam a ideia uma baboseira. O governo ainda alardeou metas ambiciosas para os primeiros cem dias, mas não tratou do assunto até agora.

O general Augusto Heleno até se espantou. "Que história é essa? Tem um livrinho aqui, acho que fala qualquer coisa de cem dias... Não tem nada disso", afirmou o ministro.
Herculano
09/01/2019 10:11
POLÍTICA EXTERNA DO PT FOI DESVIO VOLUNTARISTA. AO DELÍRIO DA ESQUERDA, NÃO SE PODE RESPONDER COM DELÍRIO DA DIREITA, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Outro dia, li uma nota levemente crítica ao ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores. Ele escrevera um artigo afirmando que Deus estava na diplomacia, na política, em todos os lugares.

Embora não seja propriamente um teólogo, considero bastante previsível a crença na onipresença divina. Algumas religiões estendem o dom da ubiquidade a todos os espíritos. Para dizer a verdade, alguns deuses, como o hindu Shiva, têm poderes muito mais ecléticos: dança, destrói, faz um carnaval.

Não temos o dom divino da onipresença porque somos humanos e não toleraríamos a presença na vastidão. No meu caso, dispensaria Bruxelas sob chuva e as noites de Codó, no Maranhão.

O que me intriga no pensamento do ministro Araújo é sua crença na salvação do Ocidente, liderado por Donald Trump. Essa história de salvação, creio que surgiu, pela primeira vez, com Zoroastro, perpassou o cristianismo, reaparece na religião laica que é o marxismo e sobrevive em alguns setores da ecologia que acreditam poder salvar o planeta.

Se a salvação para mim é um conceito duvidoso, o que diria do salvador? De que podemos ser salvos por alguém como Trump, que diz às crianças que Papai Noel não existe e contrata advogados para silenciar mulheres com quem transou?

Se pelo menos Trump usasse o que se diz sempre - errar é humano, a carne é fraca, atire a primeira pedra -, os valores ocidentais estariam em melhores mãos. O problema central é a relação com os Estados Unidos. Ela precisa de equilíbrio, e há quem trabalhe nesse tema desde o século passado.

Afonso Arinos, em 1952, quando ainda esboçava suas ideias sobre uma política externa independente, defendeu o Acordo Militar Brasil-EUA. O governo Vargas queria isso, mas não teve coragem de dar as caras. Resultado, Arinos apanhou sozinho da esquerda.

Acontece que no acordo havia um só tópico que não interessava ao Brasil. Arinos ofereceu uma fórmula diplomática para contornar a dificuldade. Apanhou da direita.

Mesmo nos primórdios do que mais tarde seria uma política externa independente, a proximidade com os Estados Unidos representava um fato decisivo. Mas também era bastante claro que a proximidade não significava uma adesão acrítica a todas as propostas americanas.

No momento, esta questão vai aparecer com muita delicadeza, entre outras, nas relações com a China. Trump espera apoio na sua guerra comercial. Mas tem negociado intensamente com Xi Jiping.

Não está muito claro o papel que teremos nesse triângulo. Por enquanto, estamos ainda em discussões teológicas, ave-maria em tupi, José de Alencar e arroubos nacionalistas.

Tudo isso, para mim, anima um pouco o morno universo político brasileiro. Mas existem algumas contradições. Um forte tom nacionalista quando se trata de organismo multilateral. Uma duvidosa escolha do salvador, quando se trata das ameaças ao Ocidente.

Não imagino que o olhar severo do ministro Araújo esteja voltado contra os jogadores de I Ching ou leitores do Tao. Ele se preocupa com o marxismo chinês, com os grupos islâmicos, com a desaparição de traços culturais do país num mundo globalizado.

Mas é um exagero supor que nossa política externa seja uma medíocre omissão baseada em interesses comerciais. O desejo de defender a paz e solução negociada para os conflitos é um dado da cultura brasileira.

No século passado, o Peru inaugurou uma avenida com o nome de Afrânio Mello Franco, pai de Afonso Arinos. Os peruanos acham que o velho contribuiu para evitar uma guerra com a Colômbia.

Se isso não basta, lancemos um olhar para o próprio governo Bolsonaro. Dois dos seus ministros são generais destacados na manutenção da paz no mundo: Augusto Heleno, no Haiti; Carlos Alberto dos Santos Cruz, no Congo.

O Brasil não é uma invenção intelectual. A política externa do PT foi um desvio voluntarista. Ao delírio da esquerda, não se pode responder com o delírio da direita.

Política externa é fruto de um consenso nacional. Não adianta forçar a barra. Sofremos com isso, e o preço político que os vencedores do momento pagarão é bem maior que os equívocos domésticos, num país em que nem todos os meninos se vestem de azul, nem todas as meninas de rosa.
Herculano
09/01/2019 09:51
GUEDES ADOTA TESE SIMPLISTA AO CULPAR O ESTADO PELA CORRUPÇÃO, por Ricardo Balthazar, no jornal Folha de S. Paulo

Ao defender reformas e privatizações como antídoto para a roubalheira, ministro tenta se associar a bandeira popular

Paulo Guedes considera o inchaço do Estado o maior responsável pela corrupção no Brasil. A expansão dos gastos públicos levou o país à estagnação e desvirtuou a política, afirmou o novo ministro da Economia ao assumir o posto.

Ele acusou os bancos oficiais de patrocinar um "samba do crioulo doido" ao financiar grupos empresariais poderosos apenas por causa de suas conexões políticas. "Piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político se associaram contra o povo brasileiro", discursou.

Para Guedes, o encolhimento do Estado tornará a economia brasileira mais eficiente e eliminará incentivos à roubalheira. "Quanto maior o grau de intervenção na economia, menor a taxa de de crescimento, maior o grau de corrupção", disse.

A tese talvez angarie apoio para as ambiciosas reformas que o ministro propõe, associando a elas uma bandeira de grande apelo popular como o combate à corrupção. Mas é uma ideia que se sustenta numa visão simplista do problema e ajuda pouco a solucioná-lo.

Países como a Dinamarca, a Finlândia e a Suécia, sempre apontados por investidores entre os menos corruptos do planeta, impõem a seus cidadãos cargas tributárias muito mais elevadas do que a brasileira, que Guedes julga excessiva.

Privatizar estatais pode levar à formação de monopólios no setor privado, com efeitos danosos para a economia em geral, se o processo não for conduzido com zelo e o governo não fizer nada para conter os piores instintos do mercado.

Basta estudar o caso da Braskem, joia da coroa do grupo Odebrecht. Filhote da privatização da indústria petroquímica, iniciada na década de 90, a empresa virou alvo da Lava Jato depois e admitiu ter pago propina a políticos e funcionários públicos para obter vantagens na Petrobras e no Congresso.

A experiência internacional mostra que o combate à corrupção só tem êxito duradouro quando se dá em várias frentes, incluindo reformas institucionais que tornem os governos mais eficientes e transparentes. Vender estatais não adianta se nada mais for feito. Prender corruptos também não basta.

Foi o que o ministro da Justiça, Sergio Moro, reconheceu ao assumir o cargo. "Não se combate a corrupção somente com investigações e condenações criminais", discursou, ao lembrar os anos como juiz à frente da Lava Jato em Curitiba.

Desde que largou a toga para entrar na política, Moro promete um pacote de medidas para preencher essa lacuna. Suas primeiras sugestões apontam como prioridades a aceleração dos processos na Justiça e o aumento do poder do Ministério Público. Moro anunciou que pretende apresentar propostas de caráter mais abrangente após amplo debate com a sociedade. Não custa esperar.
Herculano
09/01/2019 09:45
O ESTILO TEATRAL DE BOLSONARO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Muita gente acha que Trump tem um estilo e isso é verdade, mas ele é acima de tudo um mentiroso

Como diria Lula, nunca na história deste país um presidente trombou tantas vezes com seu próprio governo em tão pouco tempo. Não foram trombadas de conceitos, mas de fatos.

Ao contrário do que dissera, Bolsonaro nunca baixou a alíquota do Imposto de Renda nem subiu a do IOF. Como sempre acontece na história deste país tentou-se remendar o efeito das trombadas com juras de fé e coesão.

Em tese, o presidente vale-se de sua capacidade de comunicação, comprovada na construção de uma candidatura vitoriosa. Na vida real, campanha é uma coisa, governo é outra.

Novamente em tese, ele faz o que fez Donald Trump, dirigindo-se diretamente ao povo que gosta de ouvi-lo. Novamente na vida real, o estilo de Trump é irrelevante porque ele é acima de tudo um mentiroso. Calcula-se que minta cinco vezes por dia.

As curtas mensagens de Trump podem inspirar Bolsonaro, mas o meio não é a mensagem. Jânio Quadros comunicava-se por bilhetinhos que hoje enfeitam o folclore de sua Presidência, Ninguém ri dos adesivos de Winston Churchill ordenando "Ação, hoje". Isso porque as coisas aconteciam.

As trombadas de Bolsonaro parecem-se mais com o "campo de distorção da realidade" do genial Steve Jobs. Misturando carisma e segurança, ele se julgava capaz de convencer as pessoas de qualquer coisa.

Bolsonaro pode ter convencido muita gente de que o Brasil precisa se livrar do socialismo, mas quem acreditou na necessidade de colocar o Ministério do Meio Ambiente dentro da Agricultura enganou-se.

O "campo de distorção da realidade" pode funcionar na iniciativa privada, pois diante de um conflito o gênio prevalece ou vai embora.

Foi isso que aconteceu com Jobs em 1985, quando ele deixou a empresa que fundou. (Ele voltou à Apple em 1997, para um desfecho glorioso.) No exercício de uma Presidência, o negócio é outro. Trump ficou em minoria na Câmara e corroeu boa parte do prestígio internacional de seu país.

O governo de Bolsonaro tem três campos de distorção da realidade. Um está na segurança. A ação do crime organizado no Ceará mostrou que não existe pomada para tratar dessa ferida.

Outro fica no mundo dos costumes e tem funcionado como um grande diversionismo. O terceiro, aquele que parecia demarcado com a delegação de poderes ao posto Ipiranga, foi onde se deram as trombadas.

Isso porque os ministros Sergio Moro e Ricardo Vélez podem dizer o que quiserem. No mundo da economia a sensibilidade é imediata e por isso a primeira trombada teve que ser logo remendada.

A eficácia da teatralidade de Bolsonaro mostrou seu limite em menos de um mês. Isso aconteceu antes mesmo que o Congresso reabrisse seus trabalhos.

Dois presidentes deram carta branca a seus ministros da Fazenda. Num caso, com grande sucesso, Itamar Franco sagrou Fernando Henrique Cardoso.

No outro, com retumbante fracasso, o general João Figueiredo manteve Mário Henrique Simonsen no governo. Com o tempo viu-se que Itamar acreditou no que fez, enquanto Simonsen preferiu ser enganado. Não se sabe o que está escrito na carta branca de Paulo Guedes, mas essas cartas nada têm de brancas.

O simples murmúrio de que o secretário da Receita, Marcos Cintra, está na frigideira é um mau sinal. Ele deveria ter pensado duas vezes antes de botar a cara na vitrine desmentindo o presidente, mas o doutor estava certo, e Bolsonaro, errado.

Era uma questão factual, o decreto do IOF não havia sido assinado. Como ensinou o senador americano Daniel Moynihan, "todo mundo tem direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos"

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