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OS NÚMEROS DOS POLÍTICOS E GESTORES QUE ENGANAM OS CIDADÃOS, OS ELEITORES E PIORAM O PLANEJAMENTO SÉRIO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. - Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

OS NÚMEROS DOS POLÍTICOS E GESTORES QUE ENGANAM OS CIDADÃOS, OS ELEITORES E PIORAM O PLANEJAMENTO SÉRIO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. - Herculano Domício

09/07/2018

TUDO É UM JOGO PARA CULPAR UM E ENDEUSAR O OUTRO. COMO NUM PASSE DE MÁGICA, “DESCOBRIU-SE” AGORA QUE HÁ POUCAS CRIANÇAS ESPERANDO VAGAS NAS CRECHES EM GASPAR. INACREDITÁVEL!

Na campanha eleitoral de outubro de 2016, o PT admitia – a contragosto e contestando a propaganda adversária - que havia aproximadamente 500 crianças nas filas esperando uma vaga nas creches de Gaspar. Os candidatos concorrentes, principalmente os do MDB e os do PSD afirmavam que isso beirava a 800 e provavam com seus levantamentos particulares – e agora parecem furados – que tinham soluções para os pais e os pobres, incluindo a tradicional construção de novos CDIs, como também, paliativamente, à compra de vagas em creches particulares.

Blá, blá, blá!

Quem não se lembra desses discursos e desses números na propaganda eleitoral, nos comícios, nos debates, nos discursos, na indignação, nas prioridades e nos planos de governo dos candidatos?

Pois, é: apaga tudo! Quem manda você dar ouvidos a políticos quando estão no vale tudo da campanha eleitoral.

Passados dois anos, apesar de continuarem desencontrados esses números, não se ter construído uma só creche e criado uma só vaga nova, a fila de espera se reduziu para menos de 400 crianças nas vagas de meio período nas creches de Gaspar.

Incrível! Se não for mágica, se não for falta de controle dos efetivos números no governo petista, pode estar havendo manipulação de números para o discurso da hora, pode estar se encontrando o número certo ou então, Gaspar pode estar diminuindo o número de crianças que precisam de creche, ao invés de crescer e que seria natural.

Daqui a pouco vamos ter que fechar creches? Resumindo: com tantas dúvidas, pode-se tudo.

Provavelmente, houve e há manipulação de números, intenções e realidade. E isso é ruim para qualquer gestor e para o bom planejamento das políticas públicas em Gaspar. Revela o improviso, o amadorismo e valoriza o chutômetro. E é aí que tudo começa e beira à irresponsabilidade. Então vejamos.

Quando ganhou as eleições, descobriu-se que o MDB só tinha discurso para esse assunto e não exatamente soluções. Pior: prefeito, vice, vereadores e comissionados tinham filhos nas creches enquanto os dos trabalhadores e desempregados estavam na tal fila à espera por uma vaga nas creches municipais.

Levou-se tempo para se dar um jeito nesta situação de privilégios para poucos. E só a exposição, cobrança e o desgaste públicos fizeram com que políticos e seus apadrinhados de bons salários se coçarem minimamente e começassem a dar vagas para os eleitores empregados e desempregados.

Zilma Mônica Sansão Benvenutti ao mesmo tempo que assumiu à secretaria de Educação, sumiu do mapa. São frequentes, ainda hoje, as queixas dos professores e dos vereadores sobre à forma como administra a sua secretaria. E lá pelas tantas, cobrado por soluções, o próprio governo de Kleber, do MDB e PP – e há discurso na Câmara - admitiu que a fila de 800 na espera por vagas nas creches daqui, poderia estar subindo para 1.200.

E por que se deixou fluir esse número que se presumia ser correto, pois dava a impressão dele ser oficial e que prejudicava à imagem do próprio governo?

Tudo para justificar a aplicação de uma lei federal. Ela obriga os municípios a darem creche para as crianças apenas em meio período e não em período integral, como se vinha praticando parcialmente em Gaspar.

O anunciado possível caos nessa área, ele tinha como objetivo o de calar a boca da então minoritária oposição integrada pelo PT, PDT e PSD. Esperteza! Anunciou-se uma dificuldade para implantar a facilidade.

A própria berçarista, ex-vice-prefeita e agora novamente vereadora, Mariluci Deschamps Rosa, PT, teve que enfiar a viola no saco na reação que ensaiou de ser contra o meio-período. Além de conhecer bem a lei, o governo de Pedro Celso Zuchi já vinha praticando, seletivamente, esta exigência do meio turno como uma forma de “criar” mais vagas e diminuir as cobranças da sociedade.

NÃO PRECISAMOS DE MAIS CRECHES?

O que aconteceu na semana passada e passou quase batido se não fosse o líder do MDB, Francisco Solano Anhaia, parabenizar a secretária Zilma por supostamente ter “diminuído” a fila de espera de vagas nas creches em Gaspar? É que ela resolveu aparecer na Câmara – fora do expediente, saliente-se - para “prestigiar” à primeira sessão de um parente dela, suplente de vereador do PT.

Anhaia, estava com a memória e os números frescos do dia anterior. Resolveu então tirar uma casquinha com a correligionária emedebista. Ele, presencialmente, havia tomado conhecimento de uma exposição e prestação de contas de Zilma para o MDB sobre o assunto.

Quais foram os números apresentados por Zilma aos que estão no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP? Aquilo que em meados de 2017 para pressão era algo que poderia chegar a 1.200 falta de vagas nas creches de Gaspar, em outubro se tornou apenas, oficialmente, repito, oficialmente, 1009 “intenções” de vagas. E vejam à mágica: depois do recadastramento e das matrículas de 2017 para 2018 viraram, oficialmente, apenas 258 crianças fora das creches em Gaspar. Uau!

Apesar de ser esse um número tão baixo, espetacular, na minha avaliação, todos na administração de Kleber ficaram quietos por sete meses enquanto apanhavam (menos do que na Saúde, é claro). A pergunta que não quer calar é: por quê?

Estes são números oficiais. São os da secretaria Educação, são para gestão e planejamento dela, do governo e da secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa.

E neste julho de 2018 quantas crianças estão fora das creches em Gaspar? Exatamente 384. Elas estão cadastradas e os pais estão esperando as matrículas e vagas para seus filhos. O site da secretaria Educação, para não deixar dúvida alguma, num processo de transparência, exibe a qualquer um o nome dessas crianças e em que creches elas querem ser aceitas.

Melhor: segundo a própria secretaria, dos 14 CDIs de Gaspar, o Irmã Cecília Venturi, o Deputado Francisco Mastella, o Mercedes Melato Beduschi e o Thereza Beduschi, estão com as filas “zeradas” na espera

Na terça-feira à noite, a oposição foi surpreendida pelos números e imediatamente reagiu ao discurso de Anhaia. Entretanto, vai ser difícil desmentir esses números e nomes. E se conseguir a majoritária oposição, e prova-los, será fato grave e desmoralizará o governo, a secretaria e a bancada minoritária governista na Câmara.

E por que relato isso, que mais uma vez passa despercebido da imprensa local, e mostra o quanto falha estrategicamente a comunicação do poder de plantão, o qual prefere empregar curiosos, amigos, parentes nos jogos der interesses para lhes garantir apenas salários e não mede ou cobra resultados – até porque não pode?

Primeiro, mostra como os políticos são irresponsáveis. Eles fabricam números contra a cidade, os cidadãos, à lógica e à verdade.  Até mesmo quando estão no poder.

Afinal, como puderam apontar e até admitir que havia falta de vagas para 500, 600, 800 e até 1.200 crianças nas creches em Gaspar, quando um levantamento oficial, feito um ou dois anos depois desses números públicos que permearam embates e discursos, mostrar um relatório oficial de 384?

Se não contestaram é porque não tinham levantamentos confiáveis, não havia controles ou se tinham, faziam jogos e criavam vantagens. Quais? E por que?

Segundo, este novo número baixo mostra que a falta de números reais, sem manipulações políticas, emocionais e partidárias, é danosa a qualquer planejamento sério para a verdadeira solução dos problemas no ambiente público tão carente de recursos de todos os tipos.

Ora, com números reais, é possível saber onde criar novas creches – percebendo uma tendência de procura ou de crescimento ordenado da cidade; onde fechar, onde realocar unidades ou vagas de crianças e pessoas para o cuidado delas etc. E não só no presente, mas principalmente no futuro.

Afinal, qual é o gestor que consegue trabalhar com números falsos, falhos e com uma margem tão ampla entre o que se supõe e à realidade que se constata de fato? A quem interessa essa confusão?

Certamente não é aos pais necessitados desse serviço, às crianças desassistidas e aos pagadores de pesados impostos que sustentam gente tão irresponsável na gestão pública quanto na busca de soluções para a cidade e os cidadãos. Acorda, Gaspar!

 

NÃO HOUVE OFENSA. VENCEU MAIS UMA VEZ A IMPRENSA LIVRE, A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E OPINIÃO

Quem leu a edição impressa de sexta-feira do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo e o de maior circulação em Gaspar e Ilhota, leu na coluna “Chumbo”, do proprietário e editor do jornal, Gilberto Schmitt, as quatro notas abaixo. Elas são auto-explicativas. Desde que me tornei colunista do jornal, tenho sido intimidado pelo poder de plantão a não expor as mazelas dos políticos ou as minhas opiniões sobre elas. Em algumas delas, sem que me seja pedido o contraditório, elas vão parar na Justiça para julgamento como punição. Passei por mais uma.

“Gabriela Sofia Dalsochio, do PT Jovem de Gaspar, e filha do ex-vereador Antonio Carlos Dalsochio, PT, teve negada na Justiça de Gaspar o pedido de indenização que pediu contra a editora jornal Cruzeiro do Vale e o colunista Herculano Domício, da ‘Olhando a Maré’. Da sentença do juiz Raphael de Oliveira e Silva Borges, da 1ª Vara da Comarca, não cabe mais recursos.

 

NÃO HOUVE OFENSA II

O caso se refere a um comentário do colunista na republicação que ele fez de uma foto obtida livremente na rede social. Nela, em 2014, Gabriela num cartaz, pedia à presidente da República e então candidata à reeleição, Dilma Vana Rousseff, PT, uma selfie. O comício partidário e público foi em Florianópolis. Gabriela queria ser indenizada pelo comentário e o uso supostamente indevido da foto, em R$20 mil.

 

NÃO HOUVE OFENSA III

‘Fica evidente nos dizeres da crônica que a crítica ali apontada se refere ao partido político do qual aquela [Gabriela] é filiada e à pessoa por ela prestigiada [Dilma] no ato público do qual participou. Isto porque, tirante a alusão ao cartaz erguido pela reclamante [Gabriela] na foto e da menção aos seus familiares, que também fazem parte da referida agremiação partidária, não há qualquer elemento depreciativo na fala do jornalista que tenha a suplicante como alvo ou a sua família, ou mesmo que traga algum comentário pejorativo a sua honra e a sua imagem’, sublinhou o juiz Raphael na sua sentença. Ela já transitou em julgado.

 

NÃO HOUVE OFENSA IV
O Cruzeiro mais uma vez foi defendido pelos advogados Maria Salete da Silva Schmitt e Paulo Schmitt. Já Herculano, por Amilton de Souza Filho e Cláudio César Miglioli. Para Herculano, a Ação é a parte orquestrada e intimidatória dos poderosos de plantão contra a imprensa livre e opinativa. ‘Venceu a liberdade responsável de expressão’”.

 

TRAPICHE

Sem rato. Ele morreu e não foi encontrado na semana passada. Mas deve ter outros. E tudo se repetirá se não for tomada providências preventivas como a desratização. O mau cheio no térreo do prédio locado pela prefeitura de Gaspar fedia como carniça. Por três dias foi difícil trabalhar lá. Os visitantes ficaram impressionados.

Dois dias depois, de tanta reclamação, Ana Karina Schramm Matuchaki, secretária adjunta da Fazenda e Gestão Administrativa, apareceu para cheirar. Nada se resolveu. Foram afetados os que trabalham na Secretaria do Meio Ambiente, Setor de Cadastro Imobiliário e Habitação, além da Fiscalização.

O que se esconde na prefeitura é revelador e mostra como se falha no mínimo e no básico, na rotina administrativa, apesar de tanta gente efetiva e contratada como comissionada para dar conta do recado, além dos inúmeros e caros softwares de controle disponíveis.

Um carro locado pela prefeitura de Gaspar foi pego na blitz da Polícia Militar. Resultado, o veículo foi guinchado e Raphael de Gaspari Xavier da Silva, diretor da secretaria de Meio Ambiente, a contragosto, teve que voltar a pé para a prefeitura.

A causa? Os carros locados, fruto de uma licitação com a argumentação de economia, não foram licenciados pela prefeitura e não podiam estar circulando. De onde deveria vir o bom exemplo para a cidade e os cidadãos, vem o pior deles. E fica por isso mesmo. Vira até zoação entre todos, como se tudo fosse uma grande brincadeira.

Quando o próprio vice-prefeito, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, que é agente de trânsito, também deixa o seu próprio veículo em situação bem irregular sob a desculpa que é velho, transmite aos demais cidadãos que este procedimento é algo aceitável e até correto. Incrível!

Resultado da blitz e da apreensão do carro locado? Desde quinta-feira nenhum pode sair do pátio até que uma força tarefa se dispôs a regularizá-los. Então vários serviços ficaram prejudicados. Falta controle, falta responsabilidade, falta gestão, falta punição. Acorda, Gaspar!

Silvio Cleffi, PSC, que é médico e pertencia à base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, - seu padrinho político -  mas se bandeou para a oposição (PT, PDT e PSD) para apenas ser presidente da Câmara, está incomodado com os supostos bons resultados dos primeiros relatórios da Horus, a empresa contratada pela prefeitura para administrar o Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar.

Silvio defende a corporação médica. É notório. Enfadonho. Silvio insiste que tudo na área ainda passe por ele e os seus, como nos tempos em que ele era do governo Kleber e mesmo assim, com a sua interferência, a saúde pública permanecia num caos permanente.

Enquanto Silvio insistir em defender o seu jeito médico de governar – o que deu errado, do qual não pode mais pressionar politicamente, e que não está mais sob a sua área de autoridade e “gestão” - Silvio vai ficar cada vez mais exposto e os médicos que ele defende por corporativismo e compromissos, ilesos.

É isso que mostram as redes sociais. O dia em que Silvio focar nos números, nos “negócios” e no mau uso dos recursos – de todos os tipos - na Saúde e no Hospital, Silvio terá mais sorte e vai se surpreender.

Mas, até isso poderá ser perigoso pois nem tudo pode ser feito por políticos e gestores públicos sem a participação de médicos, como foi o caso do diretor Clínico e anestesista do hospital e regulador da Policlínica, José Alberto Dantas, pego trabalhando com uma suspensão do CRM em vigor.

Antes, Silvio precisa entender que perdeu a primeira quebra de braço; que precisa mudar a tática para encontrar os defeitos que realmente existem; que precisa mudar a música do disco que embala os seus discursos e intenções nem sempre claras para os doentes, pobres e desassistidos na área da saúde público, entretanto, clara para a corporação médica. A música que ele toca há semanas na Câmara já saiu do “hit parade”!

Por último, Silvio e os médicos que durante 15 anos não inovaram, mudaram ou deram solução ao fluxo comprometido de atendimento do plantão no Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar, precisam entender que há uma mudança em curso, que se deve esperar um tempo mínimo para se avaliar os resultados de forma concreta em não em suposições.

Isso não impede, todavia, a fiscalização contra os erros e os novos vícios. Mas, o que se vê é que o sistema antigo não quer nem saber em testar o novo sistema. Vai que dá certo... Pior mesmo, é ver que se há avanços como alardeiam na prefeitura e pela Horus, nos números que divulgam, os cidadãos, quando leem a notícia nas redes sociais, não conseguem perceber tal melhoria. E o pau continua grande.

O solta e deixa preso de ontem no Habeas Corpus para o paciente petista Luiz Inácio Lula da Silva, não restou nenhuma dúvida de como o Judiciário está fragilizado para o cidadão comum e aparelhado a favor de ideologias, dos poderosos de todos os tipos bem como para as espertezas processuais.

Tristemente constata-se que a lei pode ser um mero detalhe para justificar os fins. Quando a Justiça falha, falha a cidadania, a democracia e a mínima segurança jurídica à sociedade. A reflexão é necessária e urgente não apenas no Judiciário, mas por todos nós e os que representam no parlamento, onde nascem e se aperfeiçoam as leis.

Do leitor brasiliense da coluna, Miguel José Teixeira: “lembrem-se que petistas não trabalham. Muito menos aos domingos. Os petralhas apenas praticam ilícitos “diuturna e noturnamente...”

Miguel respondia a uma observação que postei no domingo à noite na área de comentários da coluna sobre o solta-prende-solta-prende-solta e finalmente deixa ainda preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT. “Petista também trabalha aos domingos. É raro, mas foi isso que se constatou na batalha que se trava para retirar na marra o ex-presidente da cadeia”.

 

Edição 1859

Comentários

Miguel José Teixeira
10/07/2018 11:25
Senhores,

Da série "PeTralha não trabalha":

"Habeas corpus de Lula foi 'armação' para desgastar Justiça e obter ganho político (Diário do Poder)"

Trote. Ou molecagem do tipo: ligar para os Bombeiros alegando incêndio em determinado local. . .quando nada há. . .

PaTifaria de senhores que deveriam dar bons exemplos. Todos pagos com recursos públicos.

em 2018, não perca a peleja: n~]ao reeleja. . .

Herculano
10/07/2018 08:19
JOGO MELADO, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Como Neymar, integrantes do Judiciário estão se atirando e fazendo cena

Bastou o Brasil ser eliminado da Copa para o Judiciário tomar o lugar do futebol na cota de circo fornecida à população. Tudo não passaria de palhaçada sem maiores consequências, se as estripulias de parlamentares e juízes não colocassem as instituições sob forte e desnecessário desgaste.

A primeira bufonaria veio dos parlamentares do PT, que escolheram o plantão de um magistrado simpático à causa para ingressar com um discutível pedido de habeas corpus em favor de Lula.

Obviamente, os deputados têm o direito de recorrer à Justiça sempre que acharem conveniente. É difícil, contudo, afastar aqui a sensação de que eles atuaram com o propósito de melar o jogo. Não é ilegal, mas é lamentável que parlamentares de um dos principais partidos do país brinquem assim com o Judiciário.

O desembargador plantonista que concedeu a liminar não se saiu melhor. Sua fundamentação era fragilíssima e ele deu a impressão de que fez o que fez mais na condição de militante político do que de magistrado. Não pega bem para as instituições.

Outro a marcar um gol contra foi o juiz Sergio Moro. O caso simplesmente já não lhe dizia respeito e era mínima a chance de o habeas corpus prosperar por mais do que alguns dias. Moro deveria ter ficado quieto. Ao reagir com destempero à ordem de soltura, apenas deu força à versão dos que dizem que ele tem um problema pessoal com Lula. Mais desmoralização para o Judiciário.

Diga-se em favor das autoridades envolvidas que não foram elas que inventaram esse jogo melado. Apenas reproduzem estratégias que vêm sendo usadas pelos ministros do Supremo, incapazes de colocar sua missão institucional à frente de preferências pessoais e políticas.

Como Neymar, integrantes do Judiciário estão se atirando e fazendo cena. O problema é que estamos todos vendo e cada vez menos acreditamos neles. A diferença é que isso é ruim não só para a imagem pessoal deles, mas para o país.
Herculano
10/07/2018 08:07
A IMPRENSA SEM TORNOZELEIRA

Conteúdo de O Antagonista. A defesa de Lula está alinhada com alguns ministros do STF e com uma parte da imprensa.

Um passa a bola para o outro.

Leia esta nota da Folha de S. Paulo:

"Ministros do STF e do STJ acreditam que Sergio Moro deu mais um pretexto aos que defendem algum tipo de punição a ele quando, no domingo, atuou estando de férias e anunciou em despacho que descumpriria a decisão judicial de Favreto.

Segundo esses magistrados, a atitude vem na sequência de outra, em que Moro queria obrigar José Dirceu, libertado pelo STF, a usar tornozeleira. Também aquela foi vista como uma rebelião a uma decisão que o deixou contrariado."
Herculano
10/07/2018 08:03
SINALIZADOR. A CONTA VIRÁ MAIS PESADA PARA OS PAGADORES DE PESADOS IMPOSTOS

O Rio de Janeiro está quebrado. A Previdência da cidade do Rio falida e não há dinheiro para pagar os aposentados de altos e mínimos vencimentos que lhes é de direito.

Esta é a mensagem do vereador Flávio Bolsonaro, no twitter:

"Atenção servidores públicos e militares do Rio, acabamos de derrubar o aumento do Rioprevidência no TJ/RJ. Vitoria!"

Um dos comentários sobre o populismo irresponsável de Flávio Bolsonaro no twitter, simplifica tudo

"Família Bolsonaro e PSOL unidos: defender com unhas e dentes os servidores e danem-se o ajuste fiscal, o Estado quebrado e os 95% da população que não são funcionários da prefeitura".
Herculano
10/07/2018 07:52
AMEAÇAS DE MORTE A MORO VOLTAM ÀS REDES SOCIAIS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A armação petista para tentar a soltura do ex-presidente Lula, domingo, fez ressurgir com força ameaças de morte ao juiz federal Sérgio Moro nas redes sociais. "Gente, temos que mandar matar o Moro", diz um dos posts no Twitter, associando-se a outros como o que exorta os adoradores curitibanos de Lula a "ir ali e matar o Moro", outro pediu um "assassino de aluguel" uma mulher promete: "Eu vou matar o Moro". Outra promete festa e cerveja de graça no dia quem matarem o juiz.

PENDURADO NA BROCHA
A coluna procurou o Conselho Nacional de Justiça, a Justiça Federal do Paraná e a Polícia Federal. Ninguém quis falar sobre as ameaças.

PROTEÇÃO FEDERAL
No Brasil costumam subestimar ameaças públicas de morte, mas, pelo sim, pelo não, o juiz Sérgio Moro tem proteção federal 24 horas por dia.

TWITTER SE OMITE
São dezenas de mensagens de ódio. O Twitter diz ter "política rigorosa" contra isso, mas não respondeu aos questionamentos sobre o assunto.

NADA A DECLARAR
A Ajufe, entidade de juízes federais, curiosamente não se impressiona. Sua assessoria informou que "não há indicativo de posicionamento".

PETISTAS FALTAM ATÉ 25% DAS SESSÕES PARA BAJULAR LULA
A peregrinação de parlamentares do PT e partidos satélites a Curitiba para bajular o ex-presidente Lula, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, levou deputados do PT a faltar a mais de 25% das sessões da Câmara. É o caso do deputado Paulo Pimenta (RS), um dos autores da vexatória manobra de tentar soltar Lula no plantão do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, domingo.

JUSTA CAUSA
Desde a prisão de Lula, Pimenta contabiliza 13 faltas. Em 2018, faltou um a cada quatro dias e se fosse trabalhador normal, daria justa causa.

NA NOSSA CONTA
Além das faltas, parlamentares têm sido reembolsados pelas viagens a Curitiba. Paulo Teixeira (PT-SP) já recebeu mais de R$ 1,5 mil de volta.

OPORTUNIDADE
O pedido de habeas corpus foi feito após às 19h de sexta, justamente para coincidir com o plantão de Favreto, filiado ao PT por 20 anos.

'MERECIA CAMBURÃO'
O senador José Medeiros (Pode-MT) não economiza adjetivos quando se refere à presepada do desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, tentando soltar Lula. O senador acha que o magistrado ligado ao PT vai ser aposentado, "mas ele tinha de sair de lá de camburão".

DISCO QUEBRADO
Sindicatos de servidores convocaram protesto para às 8h, em Brasília. Têm ótimos salários e aposentadoria integral, mas querem aumento, enquanto 13,2 milhões de brasileiros nem sequer têm empregos.

'DEBATE' ARMADO
Será nesta quarta (11) o "debate", nas comissões de Minas e Energia e de Agricultura, na Câmara, sobre venda direta de etanol aos postos. O "debate" é armado por distribuidores/atravessadores, que não querem perder o cartório. Não foram convidadas quem defende a venda direta.

DESPRESTÍGIO INTERNACIONAL
A decisão do desembargador Rogério Favreto, TRF4, não foi, digamos, bem aceita no Supremo Tribunal Federal. Quatro ministros, todos em viagem ao exterior, disseram ser contrários à presepada de domingo.

APENAS OPORTUNISTAS
À exceção de dois vinculados à esquerda, os demais governadores nordestinos que atacam a Justiça, a pretexto de defender Lula, são apenas políticos oportunistas pretendendo bajular eleitores do detento.

INSULTO DO BARBALHO
O vereador Mateus Almeida (Novo), revoltado, atacou na Câmara de BH, jatinho para o ex-ministro Helder Barbalho por conta da prefeitura, e ainda insultou o pai dele, Jader. "Por que o prefeito Kalil transporta "esse tipo de escória política por ai?", perguntou. Ficou sem resposta.

HORA DE MUDAR
Pré-candidato a presidente da República, o senador Alvaro Dias (Pode-PR) disse que tentativa de "anarquizar o Judiciário", do desembargador Rogério Favreto, foi um tiro no pé. "A população não se conforma mais".

VANTAGEM DO MANDATO
Deputados e senadores largam na frente na disputa eleitoral. Gastaram mais de R$ 28,5 milhões em "divulgação da atividade parlamentar" este ano e foram reembolsados por cada centavo com grana do contribuinte.

PENSANDO BEM..
...apesar de não haver folga hoje, a Copa do Mundo continua.
Herculano
10/07/2018 07:39
O FUTEBOL COMO ELE É, por João Pereira Coutinho, sociólogo e escritor português, no jornal Folha de S. Paulo

Copa 2018 ensina que esse esporte precisa de caos, injustiça e muita falsidade

Toda a gente conhece a piada: o beisebol só é suportável porque existe a cerveja.

Concordo. Já tive a experiência. Pena que os chatos, que dominam o mundo, em geral, e o esporte, em particular, queiram fazer o mesmo com o futebol.

Um exemplo: Simon Jenkins, uma das vozes lúcidas do The Guardian, sugere que os pênaltis devem ser abandonados. O futebol é um jogo de equipe?

Então é injusto fazer repousar a decisão de um jogo na sorte (ou no azar) de um indivíduo.

Jenkings não pretende regressar ao mundo pré-1978 quando os empates eram decididos por uma moeda lançada ao ar. É possível olhar para as estatísticas (a equipe que chutou mais no gol; a equipe que teve mais posse de bola; a equipa que cometeu menos faltas etc.) e decidir o vencedor. Embora a opção do colunista seja outra: alargar o tamanho do gol, por exemplo; ou, então, remover do campo o goleiro no tempo da prorrogação.

Sou contra. Frontalmente. Eu gosto dos pênaltis. Eu gosto da injustiça do momento. Eu gosto da dimensão trágica que desce ao gramado. Eu gosto da angústia dos jogadores, dos falhanços épicos, do choro e da ruína.

Nesses momentos, o futebol consegue atingir o patamar da grande arte. E a grande arte é sempre uma metáfora da vida ?"da beleza, do desastre, da imperfeição que a define.

E quem fala em tragédia, fala em comédia. Nunca entendi a hostilidade a Neymar. O jogador gosta de fingir? Gosta de simular dores homéricas quando alguém sopra para cima dele?

Pois gosta ?"e ainda bem: todos os gênios têm sempre algo de farsante. Só cabeças quadradas não entendem. Uma delas, aliás, publicou um artigo ridículo no Wall Street Journal sobre as "estatísticas" de Neymar.

Na Copa, e antes do jogo fatídico com a Bélgica, o craque teve 43 quedas; esteve no chão 8 minutos e 15 segundos; o maior período de abstinência (tradução: sem fingimento) durou 34 minutos e 16 segundos (contra o México).

E parece que Neymar caiu mais quando o Brasil estava empatado (média de 9 segundos no gramado) embora tenha demorado mais tempo a recuperar quando o Brasil estava vencendo (média de 15 segundos).

Terminei o artigo com uma pergunta: que tipo de mente perturbada compila esses números?

Eu sei que tipo de mente: a mesma que recebe de braços abertos o lamentável juiz de vídeo. A esse respeito, um pouco de nostalgia: comecei a gostar de futebol por causa de um jogador português que, normalmente, não figura nos grandes livros de história. Não é um Eusébio, um Figo, um Cristiano Ronaldo. Para mim, é maior que esses todos.

O nome é Paulo Futre e lembro-me de o ver jogar, vestindo a camiseta da minha equipa (o FC Porto), com o meu saudoso pai ao lado. Teria uns 10 anos.

Recordo a velocidade. Os dribles. Os gols. Mas recordo, sobretudo e acima de tudo, o seu talento para cair na grande área. "Cair" não é o verbo; é "morrer" mesmo. Quando o defesa da equipe adversária se aproximava dele, Futre conseguia contorcer o corpo de uma forma tão agonizante que o público gritava: "Mataram-no!"

Havia choro. Havia luto. Mas, subitamente, como nos filmes de Carl Theodor Dreyer, Futre erguia-se e regressava ao mundo dos vivos. Era um milagre ?"e as bancadas desabavam em hossanas.

Houvesse juiz de vídeo em 1986 e esses momentos de pura cinefilia seriam impensáveis. E Futre, o primeiro Lázaro que conheci, não teria espalhado a sua arte pela Europa, onde o vi morrer mil vezes. E mil vezes ressuscitar.

Se essa Copa ensina alguma coisa é que a salvação do futebol não passa por "rigor", "justiça" ou "verdade". Precisa de caos, injustiça e muita falsidade. Como proceder? Três medidas urgentes.

Primeira: abandonar o juiz de vídeo. Na vida, não podemos recuar no tempo para rever e corrigir os piores momentos. Vivemos com eles porque isso é um imperativo de caráter. O mesmo vale para o futebol.

Segunda: no empate, manter os pênaltis. Ou, preferência minha, promover confrontos individuais: o jogador, radicalmente só, avança com a bola a partir do meio do campo. À sua frente, um adversário, igualmente só, da outra equipe. Manter o goleiro. No fundo, uma reatualização dos duelos medievais.

Terceira: não permitir que os jogos sejam narrados por "eruditos". Você entende: jornalistas sem paixão que confundem futebol com física quântica. Em caso de dúvida, escutar no YouTube o jornalista da TV argentina que festejou o gol de Maradona frente a Inglaterra na Copa do México em 1986. Falo do segundo gol, quando Maradona driblou uma equipa inteira (goleiro incluso). Ali está a Maria Callas do futebol como ele é.
Herculano
10/07/2018 07:34
Upiara Boschi, do Diário Catarinense, da NSC Florianópolis, escreve que o presidente do MDB e pré-candidato a governador de Santa Catarina, pediu ao diretório cheque em branco do diretório e ganhou um cartão de crédito para as composições com os demais partidos no seu possível chapão

Sobre isso eu escrevi no twitter

1. Mariani está sendo engolido pela sua própria esperteza e q ñ é d hoje,devidamente abafada pela mídia líder.

2. Se o MDB fosse um partido sério, inclusive em SC,Paulo Afonso q colocou o estado no cartório, já teria sido banido.A pesada conta da Invesc está chegando p ser paga pelos catarinenses.
Herculano
10/07/2018 07:30
CAÇADA

De Diogo Rigenberg, promotor catarinense e atuando no Tribunal de Contas, no twitter

Aberta temporada d caça a juízes e membros do MP q criticam ministros do STF. Na constituição d alguns dos ministros daquela Corte liberdade d expressão existe p/ lhes assegurar o direito d xingar interlocutores e debochar da população c/decisões bizarras.
Herculano
10/07/2018 07:28
CÁRMEN FOGE DO PAPEL DE LÍDER ENQUANTO JUSTIÇA VAI PARA O ABISMO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Quem tem razão nas decisões sobre Lula? Não pergunte à presidente do Supremo

Enquanto magistrados guerreavam em praça pública, a chefe do Judiciário se limitou a agitar, de longe, uma tímida bandeira branca. Cármen Lúcia se esquivou do papel de comandante no momento em que o país exigia disciplina de seus juízes para contornar uma sucessão de decisões desajuizadas.

Afinal, quem tinha razão na história? O desembargador que aproveitou um plantão para mandar soltar o ex-presidente Lula, o juiz de primeira instância que se negou a cumprir esta ordem ou o relator que retomou a relatoria do caso, atropelando o primeiro personagem? Não pergunte à presidente do STF.

Cármen levou sete horas para emitir uma nota que nada dizia. Reafirmava obviedades sobre o papel da Justiça e deixava uma mensagem ambígua. "Os órgãos judiciários competentes de cada região devem atuar para garantir que a resposta judicial seja oferecida com rapidez e sem quebra da hierarquia", declarou.

A crise aberta pela decisão do juiz Rogério Favreto e acentuada pela recusa de Sergio Moro em cumpri-la é o prenúncio de um desfecho amargo para o mandato de Cármen no Supremo, que termina em setembro.

A chefe do Judiciário viu o plenário do tribunal se deteriorar sob seus pés e contribuiu para seu colapso. Ao barrar o julgamento de ações sobre a legalidade de prisões após condenação em segunda instância, a presidente do STF alimentou a insegurança de casos criminais no auge da tensão da corte diante da Lava Jato.

Ao recusar a inclusão do tema na pauta, Cármen argumentou que não havia motivos para rever a posição do Supremo, mas deixou uma pendência. Abriu um vácuo que permitiu que seus próprios colegas desrespeitassem o entendimento vigente.

A presidente do STF não conseguiu liderar o tribunal e apontar o rumo certo quando o Judiciário caminhava para um abismo. Ao buscar um distanciamento do episódio do último domingo (8) e interditar um julgamento considerado crucial, Cármen não desempenhou o papel de juíza neutra, mas de árbitra ausente.
Herculano
10/07/2018 07:25
De Roberto Freire,PPS, no Twitter sobre a perigosa e indecente proposta de Jair Bolsonaro, PSL.

Já que estamos falando do Judiciário aqui vão duas notas sobre um único tema. A ditadura militar de 64 com menos de um ano ampliou - após cassar 3 dos seus ministros - o número de ministros do STF de 11 para 16. Chaves na Venezuela ampliou de 20 para 32 os ministros da Corte
Herculano
10/07/2018 07:17
JUÍZES LEGISLADORES

"Quando os juízes se tornam legisladores, e defendem não o que a lei diz mas o que eles gostariam que ela dissesse, a própria ideia de um governo do povo e para o povo é ameaçada e toda a segurança jurídica é destruída." - Neil Gorsuch, juiz da Suprema Corte Americana
Herculano
10/07/2018 06:59
VÁRZEA JURÍDICA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Intervenção descabida de magistrado desencadeia confronto de decisões em torno da soltura de Lula

Difícil entender como um servidor público da importância do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, possa colocar sua reputação em risco para participar de uma empreitada canhestra como a testemunhada pelo país no domingo (8).

O magistrado encarregava-se do plantão na corte durante o fim de semana quando caiu em suas mãos um pedido para a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 12 anos e um mês de prisão.

Nem se considere, por ora, o mérito da demanda. As circunstâncias de Favreto - um ex-auxiliar de governos petistas e ex-membro do partido por quase duas décadas, diante de um caso já deliberado pelo tribunal - eram mais que suficientes para recomendar uma atitude de autocontenção.

Ele, entretanto, optou por agir de imediato, dando origem a uma sequência de atropelos judiciais digna do folclore do futebol de várzea.

O juiz determinou a soltura de Lula, acatando o argumento deveras questionável, apresentado por três deputados do PT, de que o ex-mandatário, na condição de pré-candidato ao Planalto, vê-se impedido de participar de entrevistas, sabatinas e outros eventos relacionados a sua pretensão.

Em questão de horas, outros três magistrados se envolveriam no assunto. De suas férias, Sergio Moro, que condenou Lula em primeira instância, publicou despacho para contestar a decisão de Favreto; este reiterou a ordem de soltura, sendo contraditado em seguida por João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4.

Por fim, uma terceira determinação em favor do líder petista levou o presidente da corte, Carlos Thompson Flores, a proferir a negativa final no início da noite.

Com a operação, o PT decerto conseguiu elementos para reforçar sua tese de que membros da Lava Jato, Moro em particular, dedicam atenção anormal a Lula - o que em nada contribui, todavia, para suas alegações de inocência.

Tivesse a libertação sido consumada, mesmo que por pouco tempo, haveria a chance de promover imagens e declarações para o eleitorado cativo ou simpatizante.

Não o sendo, o partido ainda colhe benefícios difusos com o desgaste da credibilidade do Judiciário como um todo - para o qual concorre de modo decisivo, como muito se apontou desde domingo, o ativismo personalista dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Salvo algum casuísmo jurídico extremo, a estratégia não tornará Lula elegível, esteja preso ou solto. A postulação momentânea busca manter a coesão de aliados e militantes, à custa de insuflar conflitos e postergar a discussão programática. Pode ser eficaz para ganhar votos, mas não para governar.
João Silva
09/07/2018 20:01
Herculano, preciso te enviar uma bomba, manda seu email.
LEO
09/07/2018 18:11
SOBRE O COMENTÁRIO DO SR HERCULANO.DOS CARROS LOCADOS PELA PREFEITURA DE GASPAR ,ESTAREM COM OS DOCUMENTOS VENCIDOS.COM UM DOS CARROS SER PEGO EM UMA BLITZ DA PM.É MUITA FALTA DE RESPONSABILIDADE.MAIS NÃO VAI ACONTECER NADA COM ELE.É AMIGO DO PREFEITO DE FATO ROBERTO PERREIRA.
LEO
09/07/2018 17:24
TUDO INDICA QUE VAMOS TER UM NOVO SECRETARIO,NO GOVERNO DO KLEBER, LÚ E PREFEITO DE FATO ROBERTO PEREIRA.ACHO QUE AGORA A ASSISTÊNCIA SOCIAL VAI FUNCIONAR.
Herculano
09/07/2018 10:54
O FRACASSO DO JUIZ QUE Só APITA EM FATOR DE LULA, por Augusto Nunes, de Veja

A tentativa de tirar o chefão da cadeia ampliou o prontuário de Favreto e confirmou o que aqui se publicou em outubro passado

Em 31 de outubro de 2017, esta coluna publicou a biografia resumida de Rogério Favreto. Militante do PT desde a década de 90, foi premiado em 2011 por serviços prestados ao partido que virou bando. Graças à presidente Dilma Rousseff, o advogado tornou-se desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, baseado em Porto Alegre.

Favreto não gostou do que leu, e decidiu reagir com um processo judicial. Neste domingo, ao tentar resgatar da cadeia o ex-presidente Lula, o doutor afrontou o Estado Democrático de Direito, debochou do Poder Judiciário e reafirmou que não perde nenhuma chance de mostrar que é devoto fervoroso da seita que tem como único deus um presidiário condenado a 12 anos e 1 mês de cadeia.

O desembargador trapalhão quebrou a cara. Além de não conseguir livrar da cadeia o chefão, a bandalheira que protagonizou neste 8 de julho confirmou, da primeira linha ao ponto final, tudo o que afirma o artigo de outubro passado. Favreto acabou de me absolver. Confira:

O advogado Rogério Favreto filiou-se ao PT em 1991. Meses mais tarde, quando Tarso Genro se elegeu prefeito de Porto Alegre, foi premiado com o emprego de procurador-geral da prefeitura da capital gaúcha. Em 2005, ganhou um cargo de assessor na Casa Civil do governo Lula. Em 2007, de novo convocado pelo companheiro Tarso Genro, assumiu o comando da Secretaria da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça. E ali ficou até 2010, quando deixou o cargo e o PT.

Deixou a sigla para continuar a serviço do partido no Judiciário. Em 2011, beneficiado por uma dessas espertezas brasileiríssimas, o advogado foi promovido a magistrado por Dilma Rousseff. Foi ela quem fez de Favreto um dos juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Fantasiado de desembargador, há mais de três anos o doutor não perde nenhuma chance de mostrar que é muito grato aos padrinhos e exemplarmente leal à seita que vive celebrando missas negras em louvor do mestre bandido.

Como cabe ao Tribunal da 4ª Região revisar as decisões da Justiça Federal em Curitiba, Rogério Favreto atira em tudo que ameace o PT e seu chefe supremo. Foi ele, por exemplo, o único a votar pela abertura de um processo disciplinar contra Sergio Moro, acusado de agir por "índole política". É ele o único a discordar sistematicamente de tudo o que o juiz da Lava Jato faz, diz ou pensa. É ele também o único a desaprovar todos os procedimentos adotados pela força-tarefa do Ministério Público Federal que age na Lava Jato.

"Isso sim é que é juiz!", certamente murmuram Lula, Dilma e demais admiradores da justiça bolivariana inaugurada na Venezuela. Se o povo brasileiro não tivesse reagido a tempo, se a seita lulopetista continuasse no poder, um desses favretos da vida já estaria reinando no Judiciário como presidente perpétuo do Supremo Tribunal Federal.
Herculano
09/07/2018 10:39
NÃO HÁ MOCINHO NO BANGUE-BANGUE JUDICIAL SOBRE LULA, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Guerra de decisões no domingo mostra que Brasil virou algazarra jurídica

O Brasil virou uma algazarra jurídica. Um juiz federal do TRF-4, que foi filiado ao PT por quase 20 anos, aproveitou o plantão no fim de semana para soltar o preso mais ilustre do país. Estimulada por um juiz de primeira instância em período de férias, a PF ignorou a decisão.

Outro magistrado do TRF-4 resolveu dar pitaco na liminar do colega para pedir o seu não cumprimento. No fim do dia, prevaleceu a manutenção da prisão do ex-presidente Lula.

Não há a figura do mocinho nesse bangue-bangue entre juízes. Parece evidente a estratégia oportunista dos aliados de Lula de esperar o ex-correligionário e desembargador Rogério Favreto assumir o plantão para obter de sopetão (em um domingo) a liberdade do ex-presidente.

Logo na segunda das dez páginas de seu despacho, Favreto diz que há um "fato novo" ocorrido durante a execução da pena do petista. Qual seria esse fato novo? Na opinião do desembargador, as demandas de veículos de comunicação para entrevistar o ex-presidente, que se diz pré-candidato ao Planalto em outubro.

"É notório que o próprio presidente já se colocou nessa condição de pré-candidatura", diz o juiz. Pelo entendimento dele, basta então que um preso diga que é "pré-candidato" (figura inexistente na ordem eleitoral) para tentar sair da cadeia.

E a intromissão de Sergio Moro em um caso que não pertence mais a ele? Em despacho, Moro, durante as próprias férias, diz que Favreto é "autoridade incompetente" para decidir sobre Lula. Tem algo de errado no sistema jurídico quando um juiz de primeira instância tenta impedir determinação do andar superior.

Mas esses personagens não bailam sozinhos na folia da Justiça. O exemplo vem de cima, de Brasília, com a bagunça instalada à luz do dia pelas decisões monocráticas e de Turmas do STF sobre assuntos ainda não pacificados pelo plenário do tribunal.

O CNJ, órgão de controle do Judiciário, é corporativista. Não age nem incomoda. A categoria mandou para a gaveta o debate sobre o fim do imoral auxílio-moradia pago aos juízes.
Herculano
09/07/2018 10:34
LIVRO DESMONTA 'DELAÇÃO' DE GENOÍNO NO ARAGUAIA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O ex-guerrilheiro José Genuíno, que virou Genoíno, codinome "Geraldo", não delatou os companheiros do Araguaia, nos anos 1970, ao contrário do que se diz repetidamente. É o que conclui a exaustiva pesquisa reunida em livro pelo jornalista investigativo Hugo Studart, "Borboletas e Lobisomens", a ser lançado no dia 17. Foram ouvidos os personagens da guerrilha, inclusive militares que a combateram, e não há registro ou evidência de que Genoíno entregou seus companheiros.

ROLANDO O LERO
Genoíno falava muito, até levou os militares aos locais indicados nos depoimentos, mas não ajudou a repressão em capturas ou execuções.

NÃO COLABORAVA
O coronel Gilberto Zenkner, da operação que liquidou a guerrilha, disse que a avaliação geral era a de que Genoíno "não estava colaborando".

TÉCNICA FRANCESA
Genoíno se utilizou da "técnica francesa" de falar muito sem dizer nada, a retórica que o levaria depois a vários mandatos de deputado pelo PT.

PISTAS TARDIAS
"Quando i?amos checar suas informac?o?es, ja? na?o havia mais ningue?m no local", contou a Hugo Studart um militar envolvido na repressão.

ATÉ NA PROPAGANDA ANS FAVORECE PLANOS DE SAÚDE
A Agência Nacional de Saúde (ANS) promove licitação para contratar agência de propaganda. Vai gastar R$7 milhões para tentar convencer as vítimas que é para o bem delas as decisões que favorecem planos de saúde. No briefing para as licitantes, a ANS explicou que o objetivo é estimular o "bom relacionamento" do usuário com planos de saúde, mas não explicou por que as operadoras, que devem faturar mais de R$180 bilhões somente em 2018, não bancam essas despesas.

PROPAGANDA ENGANOSA
Na prática, o dinheiro público vai custear campanha publicitária para limpar barra de algozes bilionários junto às vítimas dos seus abusos.

REPETECO PREVISÍVEL
O mercado aposta que a agência Pop Corn, que já atua na ANS, é a favorita para novamente ganhar o contrato.

'É BOM PRA VOCÊ'
A ANS defende aumento dos planos quatro vezes maior que a inflação, idoso pagar o dobro e outras sacanices contra o cliente indefeso.

QUEM ESTÁ NO COMANDO
O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, Marcelo Squassoni (PRB-SP), e Simão Sessim (PP-RJ) definiram os que vão participar da audiência pública sobre venda direta de etanol aos postos. Só chamaram quem é contra. O lobby dos atravessadores é fortíssimo.

NOTÍCIAS DA UTI
Bolsonaro tem um buraco negro à frente: apenas mortais 46 segundos na TV, no horário gratuito. Já o tucano Geraldo Alckmin já soma 7 minutos na TV, mas, agonizante, não consegue dar sinais de vida.

MAIS UMA INUTILIDADE
A CPI dos Cartões de Crédito caminha para a galeria das inutilidades. Os parlamentares caíram na conversa dos banqueiros e não vão tocar no tema central: os juros criminosos cobrados pelas administradoras.

APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Seguranças do Senado apreendem crachás de quem não é servidor, único autorizado a entrar no Legislativo, o "poder do povo". Ato da Mesa datado de 2017 barrou o acesso de entidades representativas.

NOVA EMBAIXADORA
Diplomata admirada no Itamaraty, Glivânia Maria de Oliveira será embaixadora do Brasil no Panamá. O agrément já foi concedido pelo governo panamenho. Ela é a atual cônsul-geral em Boston, EUA.

DIREITO DE EXPLORAÇÃO
Uma aliança dos shopping centers cariocas, principalmente o Rio-Sul, em Botafogo, consegue bloquear os aplicativos que acionam Uber ou Cabify. Passageiros se queixam das tarifas absurdas dos táxis comuns.

NOBEL NO BRASIL
A mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, vítima de terroristas por persistir no seu direito à educação, participa de um debate sobre direitos da mulher em São Paulo, nesta segunda.

JANELA DE OPORTUNIDADES
O professor Arnaldo Cardoso, da Universidade Mackenzie Alphaville, acha que todos sofrerão com o protecionismo e unilateralismo do governo Trump, mas ele vê também janelas de oportunidades como, no mercado agrícola mundial que o Brasil disputa com os Estados Unidos.

PENSANDO BEM...
...teve brasileiro chorando mais pela perda da folga de terça que pela eliminação do Brasil.
Herculano
09/07/2018 10:29
ÀS FAVAS OS ESCRÚPULOS

Conteúdo de O Antagonista. Eliane Cantanhêde comparou a falta de escrúpulos do plantonista do TRF-4 àquela dos signatários do AI-5.

Ela está certa, é claro.

"O que está ocorrendo no TRF-4, de Porto Alegre, não é uma decisão jurídica, mas uma articulação claramente político-partidária entre deputados e um desembargador que mandaram "às favas os escrúpulos de consciência" (como na edição do AI-5, na ditadura militar) para soltar o ex-presidente Lula."
Herculano
09/07/2018 10:22
DECISõES SOBRE LULA AJUDAM OS QUE APOSTAM NA CONFUSÃO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Tumulto iniciado por juiz que mandou soltar petista contribui para aumentar descrédito do Judiciário

A sequência alucinante de decisões judiciais sobre a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo alimenta o descrédito nos tribunais e abre caminho para quem gosta de jogar na confusão.

Ao mandar soltar o líder petista, o juiz Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, disse que ele não pode ser impedido de participar da eleição presidencial e apontou como "fato novo" o lançamento de sua pré-candidatura pelo PT. Lula iniciou sua campanha meses antes de ser preso, mas talvez Favreto tenha sido o último a notar.

Em férias, o juiz Sergio Moro levou três horas para reagir. Declarou Favreto incompetente para decidir o assunto e mandou a polícia ignorar a ordem dele até que o relator do caso na segunda instância fosse ouvido.

O juiz João Pedro Gebran Neto, colega de Favreto e responsável pelas ações da Lava Jato no tribunal, mandou que Lula ficasse na prisão e pôs a bola no chão. Favreto chutou de novo para o alto. O presidente da corte, Thompson Flores, mandou parar.

Na origem do tumulto, é fácil apontar o dedo para Favreto e suas simpatias políticas. Filiado ao PT por quase duas décadas antes de virar juiz, ele é um crítico dos excessos da Lava Jato e chegou a merecer elogios no livro lançado em defesa de Lula semanas antes de sua prisão, em abril.

Mas a maneira como Moro se insurgiu contra a ordem de um tribunal superior e a rapidez com que ele e Gebran entraram em campo reforçam a sensação de que, hoje em dia, a pressa dos juízes e suas decisões variam com a cor da camisa do réu.

Processos não têm capa, costumam dizer os ministros do Supremo Tribunal Federal para defender sua isenção. Mas o exemplo vem de cima, e nada tem contribuído mais para a desordem do que as divergências no STF sobre prisões e o andamento dos inquéritos da Lava Jato.

Os petistas continuarão explorando as fissuras no Judiciário em favor de Lula, na esperança de assim aumentar as chances eleitorais do partido. Se der errado, a bagunça só servirá para beneficiar seus adversários.
Herculano
09/07/2018 10:19
O CRIME DO PLANTONISTA. OU SEJA NÃO É MAGISTRADO, É ATIVISTA E MILITANTE. TEM CAUSA, POSSUI PATRõES. A LEI GERAL É MORTA OU SERVE PARA A INTERPRETAÇÃO PESSOAL DOS INTERESSES DOS SEUS. UMA COMPLETA DESMORALIZAÇÃO DO JUDICIÁRIO: EXPOSTO, SANGRANDO, DIVIDO E SE EXPLICANDO

Conteúdo de O Antagonista.Maristela Basso, professora da USP, disse à Folha de S. Paulo que o plantonista Rogério Favreto pode ser acusado de crime de usurpação de função pública.

Joaquim Falcão, professor da FGV, acrescentou:

"A questão não é o ativismo do Judiciário, mas a militância do magistrado. E a militância é um subproduto da fragmentação e da individualização da Justiça, cujo exemplo básico vem de cima, do Supremo Tribunal Federal".
Herculano
09/07/2018 10:13
OS TRÊS HEMISFÉRIOS DO CÉREBRO BRASILEIRO, por Bolívar Lamounier, cientista político, para o jornal O Estado de S. Paulo

Inegavelmente, um deles tem um modelo de crescimento e diretrizes de política econômica

A elite pensante brasileira mantém-se firme na convicção de que consegue compreender os problemas do País com base na dicotomia esquerda-direita. Qualquer que seja o assunto em pauta, lá vai ela de volta ao século 19 e de lá retorna com os chavões habituais. Não percebe que comete pelo menos dois graves equívocos.

Primeiro, não percebe que fala apenas de si e para si. Tudo se passa como se fosse formada por duas tribos se insultando mutuamente. A esquerda xinga a direita de direita e a direita xinga a esquerda de esquerda. Sabem por que afirmo isso? Muito simples. Não passa de 20% a parcela da sociedade que tem pelo menos um vago entendimento desses termos. Um pouco mais, um pouco menos. E não em razão do precário nível de instrução em nosso país, assim é por toda parte.

O segundo equívoco é a crença de que todos os desacordos existentes na sociedade podem ser encaixados numa única dimensão. Ora, a dicotomia esquerda-direita sintetiza, mal e parcamente, o conjunto de questões referente à política econômica e às desigualdades de renda e riqueza. Para representá-la graficamente basta-nos traçar uma linha (horizontal, suponhamos), numa ponta teremos a esquerda e na outra, a direita. Ao longo de tal linha temos graus de esquerdismo e direitismo na dimensão econômico-social. Mas onde entram, por exemplo, as dezenas de agudas desavenças que se manifestam no plano dos valores: questões de religião, combate à corrupção, concordâncias e discordâncias referentes à legalização do aborto, política de gênero, etc.? Ora, não entram em nenhum ponto da linha horizontal, uma vez que pertencem a outra dimensão.

Para levá-las também em conta, precisamos de uma representação ortogonal, quer dizer, uma linha vertical, cortando a horizontal. Assim teríamos, vamos dizer, em cima os cidadãos que apoiam a legalização do aborto e em baixo os que dela discordam. E assim, em vez de duas "tribos" ou "campos", passamos a ter pelo menos quatro. Esse raciocínio meio enrolado poderia ser dispensado se nos puséssemos de acordo quanto a uma obviedade verdadeiramente solar: em qualquer sociedade, as linhas de conflito são muito mais numerosas do que julga a vã filosofia. Formam um emaranhado diante do qual a dicotomia esquerda-direita é quase impotente. Imprestável.

Para não complicar em excesso a discussão, vou me manter na dimensão econômico-social e propor, ainda com muita parcimônia, que precisamos de pelo menos três pontos para representar a cabeça dos brasileiros. Nosso cérebro se divide em pelo menos três hemisférios ideológicos. Admitindo-se que apenas 20% são capazes de compreender esse tipo de peroração, digamos que metade deles (10%) se mantém aferrada à velha ideologia nacional-desenvolvimentista (que, a rigor, se deveria chamar nacional-estatista, pois faz tempo que ela se tornou incapaz de promover desenvolvimento...); 5% corresponderiam à esquerda hardcore, ou seja, ao PT e aos partidos comunistas e outros pequenos corpos celestes que gravitam em torno dele. Os restantes 5% correspondem aos liberais (frisando que falo de liberais em economia, a parcela liberal em política é muito maior).

Os grupos de esquerda geralmente se declaram "socialistas", mas o sentido desse termo não é claro. Nos tempos da União Soviética - do chamado "socialismo realmente existente" - significava que uma casta burocrática controlava toda a economia por meio de um sistema de planificação central; no sistema de partido único, o Partido Comunista zelava para que ninguém contestasse o regime e uma onipresente polícia secreta cuidava dos eventuais recalcitrantes.

No Brasil, se formos julgar pelo governo de Dilma Rousseff, o dinamismo da economia teria de ser assegurado pela exportação de commodities, premissa razoável enquanto a China mantinha taxas de crescimento estratosféricas; internamente, o BNDES turbinava "campeões" empresariais do tipo Eike e Joesley Batista; e a cornucópia governamental jorrava subsídios para a indústria automobilística e crédito para o escoamento dos veículos produzidos. Uma consequência disso, como agora sabemos, foi as estradas ficarem entulhadas de caminhões... Sim, Lula expandiu o Bolsa Família até o limite do possível, objetivo alcançado com... 0,5% do PIB, um programa pífio se analisado em termos de mobilidade social ascendente. O pouco que sobrou a recessão comeu.

O nacional-estatismo, uma vez vencida a fase "fácil" do crescimento, redundou na estagnação em que nos encontramos, aprisionados na chamada "armadilha da renda média", com uma renda anual por habitante estacionada em torno de US$ 11 mil, metade da de Portugal. E quanto à política social? Eis aí um ponto que não cabe nos limites deste artigo. O que podemos afirmar com segurança é que a miríade de grupos corporativos fica com a parte do Leão e o País, evidentemente, não consegue produzir superávits que aguentem sequer uma modesta política social-democrata.

Restam os liberais. O problema com esse grupo é seu medo de pronunciar a palavra maldita: liberais. Os economistas não se assustam com ela, mas os políticos, sim, quase sem exceção. Um modelo de crescimento e diretrizes de política econômica o grupo inegavelmente tem. Começa por uma política fiscal rigorosa, que mantenha a inflação sob controle e assegure uma taxa de juros decente. Redução do papel empresarial do Estado ao mínimo possível. Privatização, criação de um ambiente de confiança para o desenvolvimento do mercado e estímulo ao surgimento de uma classe média empresarial. Concentração dos recursos do Estado no desenvolvimento tecnológico e nas áreas sociais: educação, saúde, saneamento. E abertura da economia ao exterior, estimulando a competição e a competitividade.
Herculano
09/07/2018 10:11
De Vera Magalhães, da Jovem Pan, no Twitter

E se Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Eduardo Azeredo, todos eles presos e filiados a partidos, alegarem que são pré-candidatos, deverão ser soltos sob a alegação de que isso constitui "fato novo"? O que dizem os petistas?
Herculano
09/07/2018 10:10
De Augusto Nunes, de Veja, no Twitter

Rogério Favreto desempenhou neste domingo o papel do bandeirinha que se fantasia de árbitro de vídeo para afastar o juiz de verdade, determinar o recomeço do jogo já encerrado e autorizar a entrada em campo do jogador expulso por faltas graves.
Herculano
09/07/2018 10:09
O TALIBÃ DO TRF-4

Conteúdo de O Antagonista. Um integrante do STJ disse à Folha de S. Paulo que o plantonista Rogério Favreto agiu "como um talibã".

Ele disse também "que há recurso sobre o caso de Lula no STJ e que não caberia ao TRF-4 se manifestar".
Herculano
09/07/2018 10:07
HUMORES OFENDIDOS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

A literatura especializada em política tem falado de "recessão democrática" (o filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, por exemplo), no sentido de que estaríamos vivendo um período de retração das democracias, depois de um crescimento do número de democracias pós-queda do muro de Berlim, em 1989.

Atribui-se essa retração ao desmantelamento dos sistemas de pesos e contrapesos da democracia, como na Venezuela, Turquia e Rússia, ou ao retorno do populismo no seio da maior democracia da história, os EUA; ou por causa da incapacidade da democracia de resolver questões básicas como crime endêmico, desigualdade social crescente ou corrupção sistêmica como na quase totalidade da América Latina e na Índia.

Um outro detalhe importante é a crescente polarização das posições (o que não significa apenas duas posições em conflito), levando a violência do debate. Nesse caso, a "grande vilã" seriam as mídias sociais.

É sempre importante lembrar que a democracia é um regime que aconteceu na história, e, portanto, submetido às contingências. Como surgiu, pode desaparecer, pelo menos na forma que conhecemos.

Mas não quero discutir política propriamente dita. Quero pensar um pouco nos humores, como se dizia nos séculos 17, 18 e 19 na França. "Humores" aqui significam comportamentos, temperamentos, costumes, e humores mesmo, no sentido de bom ou mau humor.

Vivemos na era dos humores ofendidos. E aqui, também, há quem ponha a culpa nas mídias sociais, que trouxeram para perto da superfície da comunicação toda uma gama de pessoas que viviam no silêncio, na irrelevância e na invisibilidade.

Na hora em que esse "contrato de exclusão social da invisibilidade" foi rompido, o ressentimento, o rancor e o ódio mostraram sua face antes escondida. E a democracia pode não sobreviver a essa participação popular aguerrida, cozida no ressentimento, no rancor e no ódio.

O que são os humores ofendidos? Você sabe bem do que falo. Trata-se da destruição crescente da capacidade de discussão de ideias sem que alguém ache que alguém faltou com o respeito com alguém. Tem "alguém" demais nessa frase? Sim, tem. A presença demasiada de "alguém" aqui é a representação da saturação de sentimentos narcísicos que assola o mundo hoje.

Os humores ofendidos podem destruir a democracia porque esta exige pessoas que não se ofendam com tudo que os outros dizem. A democracia é um regime argumentativo, inclusive na dimensão social do debate. E retórico.

É possível sobreviver aos humores ofendidos? Para além de um fato evidente (uma cultura dos ofendidos é um mundo de chatos ressentidos), seria possível voltarmos aos tempos de uma democracia sem ofendidinhos? Por ora, parece que não.

Alguns especialistas, como Steven Levitsky e Daniel ?Ziblatt, entendem que você só pode discutir ideias de forma educada e distanciada se elas, as ideias, não significam, de fato, um risco para as formas de vida dos agentes envolvidos no debate de ideias. Se houver risco concreto, há risco de violência destrutiva da democracia.

Logo, podemos manter um debate elegante se nenhum de nós, de fato, colocar em risco as formas de vida do outro. Exemplo dessas formas de vida seriam patrimônio, cotidiano, futuro, autoestima, crenças religiosas ou quem de fato chega à condição de representantes do povo, com poder político de fato.

Dito de outra forma: só há tolerância quando não há razão de fato para não ser tolerante. Nesse sentido, toda a "ética de respeito ao outro" seria uma noite de queijos e vinhos entre outros que não são outros de fato.

Humores ofendidos ocorrem como decorrência da interação entre agentes na qual um dos lados sente que o outro é melhor do que ele. Se não achasse isso, não se ofendia. Ria, respondia, ia jantar fora, transava com sua mulher, enfim, tocava suas formas de vida.

Humores ofendidos são uma confissão envergonhada de sentimento de inferioridade.

A ofensa hoje nada tem a ver com a noção antiga. Na antiguidade, a ofensa era uma virtude pública. Hoje é uma miséria privada, um sentimento de inferioridade vivido no isolamento de um apartamento de dois quartos, diante da tela do computador ou do celular.

Na antiguidade, a ofensa era signo de força (nietzscheanamente falando), hoje é de ressentimento. Um ofendido se sente humilhado pelo que entende como superioridade do outro. Sensação que destrói sua autoestima, construída no silêncio de sua invisibilidade.

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