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Os resultados do governo e das eleições vão obrigar Kleber arrumar a casa. Está atrasado e num jogo perigoso de interesses e mudanças o qual compromete a sua reeleição - Jornal Cruzeiro do Vale

Os resultados do governo e das eleições vão obrigar Kleber arrumar a casa. Está atrasado e num jogo perigoso de interesses e mudanças o qual compromete a sua reeleição

01/11/2018

A DANÇA DOS POLÍTICOS I

Nunca duvide dos políticos. Muitos deles, como gatos, têm sete vidas. Outros são camelões. Exóticos. Estamos experimentando um novo ciclo. Muitos chamam de mudanças. Nelas a velha política recebeu uma reprimenda daquelas nas urnas. Cuidado! Os espertos de sempre já perceberam esse novo ciclo – que já tivemos com a ditadura militar, com a Arena, com o PFL, com o MDB gigolô, com Plano Real de FHC, com o PT de Lula. E os políticos surpreendidos pelos resultados das urnas deste outubro já estão agarrados na nova bananeira chamada Direita – que não é nova -, igreja evangélica – que não é nova -, no PSL e Bolsonaro - que são novos, mas ainda são apostas. Todos à espera de cachos e frutos dessa nova colheita. Vão mudar de partido, vão se fingir amigos de infância dos novos e vão até acusar seus antigos parceiros pelos erros, dúvidas e incompetência dos quais foram ou são sócios.

A DANÇA DOS POLÍTICOS II

Em Gaspar, dependendo do jogo que se desenvolver daqui para frente, Kleber Edson Wan Dall, MDB, poderá ficar isolado no seu próprio governo, ter um novo partido ou um puxadinho para chamar de seu. Não é segredo na cidade que o prefeito de fato e secretário de Saúde, Carlos Roberto Pereira, presidente licenciado do MDB local, está vestido de candidato. Dentro do próprio governo correm por fora ainda, o espaçoso Ciro André Quintino e o cauteloso Francisco Hostins Júnior, sempre na bica da oportunidade, ambos vereadores do MDB. Já o PP esconde na manga, não o vice Luiz Carlos Spengler Filho, cada vez mais apagado, e sim o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen. Entenderam o tamanho da encrenca num governo que deveria estar unido, com um líder e um projeto de continuação? Em dois anos, nem conseguiu ter uma marca de realização, além de cambalear na imagem pelas escolhas erráticas que fez em áreas essenciais de resultados políticos ou às ditas técnicas?

A DANÇA DOS POLÍTICOS III

Mas, a encrenca ainda se aparenta maior. O PSL está disposto assumir o seu protagonismo na cidade depois que o puxadinho das pentecostais e do MDB, o PSC, dividiu-se com advento de Silvio Cleffi e o enfraquecimento do presidente do partido no governo Kleber, o ex-secretário de Assistência Social, Ernesto Hostin. O PSL já mostrou a cara aqui sob o comando do deputado mais votado de Santa Catarina, Ricardo Alba, de Blumenau. Na foto da mesa encontro da tal “junta executiva”, político antigo, sindicalista viajante e até quem esteve recentemente na delegacia para explicações sobre os negócios. Então não se trata bem de uma mudança como pregam Jair Messias Bolsonaro e Carlos Moisés da Silva. Monta-se um ninho. E os agregados já se aproximaram dele. Os políticos tradicionais que dizem possuírem votos, entretanto escassos nas urnas estão olhando essa maré. Mudança e renovação se fazem com caras novas sim. Antes, porém com gente de atitudes e práticas. E necessariamente não apenas jovens.

A DANÇA DOS POLÍTICOS IV

A sorte do governo Kleber já começou a ser jogada. Está na articulação para retomar à maioria na Câmara. Perdeu-a por incompetência na articulação e arrogância insuperável. Foi anunciada a derrota aqui. Desdenharam-na. Agora, Kleber já cooptou para isso, num fato surpreendente, o oposicionista Roberto Procópio de Souza, PDT. Ele já fez parte do governo de Pedro Celso Zuchi, PT. Entretanto, esse jogo de Kleber e Pereira – principalmente - para retomar à maioria no Legislativo, falta combinar com pelo menos um vereador da sua base atual. Ele já estabeleceu o preço para ficar e sofrer os desgastes nesta reta final do governo Kleber. Mesmo com Procópio, Kleber e Pereira correm altos riscos de ficarem em minoria mais uma vez na Câmara. Pior, dependente de negociações difíceis, com gente independente. Vai ser desgastante e caro. Dividido internamente, com as mudanças externas feitas pelas urnas, com uma Câmara mais articulada e somada à falta de resultados prometidos na campanha, Kleber começará a ficar sem opções. Está, na verdade, sem tempo para se recuperar ao embate de outubro de 2020. É o que dá ouvir o genitor, a dona Leila, refém de um “articulador”... Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Pelo menos quatro vereadores podem mudar de partido até o final do ano para estar no “novo” ambiente de mudanças, ou salvarem seus mandatos: Francisco Hostins Júnior e Ciro André Quintino, ambos do MDB; Silvio Cleffi, PSC e Rui Carlos Deschamps, PT.

A mais jovem vereadora de Gaspar, Franciele Daiane Back, PSDB, do Distrito do Belchior, que vota com Kleber contrariando o partido, está cada vez mais incomodada a quem vem emprestando aval quase incondicional.

Ela tem uma única bala de prata, a reurbanização da Rua Bonifácio Haendchen. A obra era para sair no governo do PT de Pedro Celso Zuchi. Nada, e o dinheiro disponível na Caixa. Era para sair logo no início do mandato de Kleber. Nada. Enrolado.

Há dias Franciele resolveu “peitar” o governo Kleber num requerimento sobre o assunto para pelo menos dar “satisfações” ao povo dela lá no Distrito e lavar as mãos. Quer um pezinho para não ser mais tão incondicional como está, desde que prometeram para ela, a presidência da Câmara e levou um não da maioria dos vereadores, igualmente nos testes das urnas que fez com seu candidato no dia sete de outubro.

Perguntou Franciele a Kleber: “considerando que o referido projeto foi entregue na Caixa no dia 20 de julho de 2018: as primeiras alterações solicitadas pela equipe de avaliação da Caixa, já foram feitas pela Secretaria de Planejamento? No dia cinco de outubro foram feitas, novamente, as sondagens no solo da referida rua. Quantas análises ainda serão realizadas? Ai, ai, ai!

E Franciele coloca o dedo na ferida sobre o óbvio de quem está sendo enrolada: “considerando que o projeto está sendo analisado pela Secretaria competente desde 2017, quanto tempo ainda será preciso para dar início à parte licitatória? Especificar mês e ano; há previsão de início das obras? (mês e ano). Será que a adolescente acordou?”

Se a vereadora não abrir o olho, a pavimentação e urbanização da Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo – área de domínio de Rui Carlos Deschamps, PT, vai ser concluída bem antes e no tal “Avança Gaspar”. A pressão dos empresários que estão dispostos a bancar parte da obra, parece ser determinante. Dança, Franciele!

Por outro lado, e para finalizar sobre o Distrito, Franciele se comprometeu a cada ano dar a sua vaga por um mês aos suplentes da coligação PSDB/DEM. Só três, pois um ano reservou para ela ser presidente da Casa (?). Até agora, só um suplente teve essa chance: Welligton Carlos Laurentino, o Lelo Piava, DEM.

Quem chupará o dedo este ano é o outro suplente Paulo Filippus, DEM, do reduto da vereadora no Distrito do Belchior.

É que Franciele alega precisar estar na Câmara para votar “projetos importantes” e Filippus faria oposição por oposição. Como assim? O Executivo não está em minoria nas votações polêmicas? Filippus, em tese, não vai fazer diferença a não ser marketing. Isso sim é que poderá não ser bom para ela.

Quem também ficou pelo caminho foi a terceira suplente, a tucana Alyne Serafim, mulher do ex-presidente do partido, o advogado Renato Nicoletti. Franciele, prometeu que no ano que vem abre dois meses de vagas para Filippus e Alyne. A conferir!

Depois de aumentar a taxa em 40% no ano passado, as reclamações da má iluminação na cidade continuam nas redes sociais e na Câmara. Um anônimo sintetizou: “Não precisamos de lâmpada LED. Precisamos de iluminação. Mutirão para tirar Gaspar do escuro: Ilumina, Gaspar”

Registro. O proprietário e editor do portal e jornal Cruzeiro, católico fervoroso (ex-seminarista), Gilberto Schmitt, é o novo presidente da comunidade Santa Clara, no Poço Grande. Na disputa de terça-feira, dos 134 votantes, levou 104. Índice maior que o Bolsonaro e o Comandante Moisés. Então...

 

Edição 1875

Comentários

Herculano
05/11/2018 07:06
HOJE É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA
Herculano
04/11/2018 07:50
NARRATIVAS, por Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) e sócio da consultoria Reliance, doutor em economia pela USP, para o jornal Folha de S. Paulo.

A vitória de Bolsonaro representa o desejo de diversos grupos de reescrever nossa história

A democracia requer a distinção de fatos das narrativas. E requer reconhecer erros e corrigi-los.

A vitória de Bolsonaro representa o desejo de diversos grupos de reescrever nossa história. Construir uma nova narrativa. Certamente esse desejo não é compartilhado por todos os eleitores do capitão no segundo turno. Mas existe.

A narrativa que se deseja construir é que não houve ditadura militar, que não houve tortura e que a corrupção resulta da redemocratização. Essa narrativa fere fatos conhecidos de nossa história. E fatos são fatos, narrativas são narrativas.

A corrupção é perene na nossa história. Não há forma de combater a corrupção que não seja com independência do Judiciário e imprensa livre e vigilante. Ou seja, com democracia.

Mas, para diferenciar narrativas de fatos, será necessário reconhecer também que a narrativa de que a guerrilha defendia a democracia está factualmente errada.

Ou seja, se é fato que a ditadura torturou Dilma Rousseff, também é fato que toda a guerrilha lutou para instituir a ditadura que considerava correta.

Gente muito jovem, movida por paixões igualitárias e por uma ideologia não democrática, cometeu o erro de pegar em armas. Pagaram caro.

Não há simetria entre os crimes. Os guerrilheiros atuaram por conta e risco seus, enquanto a ditadura praticava seus crimes com o anteparo do Estado.

Também parece ser exagerada, e aqui ainda temos que esperar o juízo dos historiadores, a narrativa de que mensalão e petrolão sempre existiram, da forma e intensidade da de agora.

Analogamente, se é verdade que o Escola sem Partido pretende instituir práticas em sala de aula incompatíveis com a liberdade de expressão, é forçoso reconhecer que esse movimento reage a um processo de doutrinação nas disciplinas de história e geografia que constrói inúmeras narrativas factualmente erradas.

Não é verdade que a Inglaterra lutou contra o tráfico negreiro para vender tecidos na América, ou que a Guerra do Paraguai foi uma conspiração inglesa para destruir uma potência sul-americana autônoma, ou ainda que os europeus entravam dentro do território africano para aprisionar negros e escravizá-los, ou que os EUA enriqueceram pois exploraram os países pobres, e tantas outras bobagens a que nossos alunos são expostos.

Finalmente, se é verdade que a direita defendeu a ditadura por aqui, é verdade também que partidos de esquerda defendem ditaduras na América Latina ainda hoje. Não é coerente defender a Venezuela, como faz o PT, e achar que Bolsonaro é autoritário por afirmar que não houve ditadura por aqui.

Mesmo porque tanto as ditaduras venezuelana, nicaraguense e cubana quanto as ditaduras chilena, argentina e brasileira violaram, aquelas ainda violam, em massa os direitos humanos.

Ademais, na história do continente, as ditaduras ditas de direita terminaram. Algo acontece que faz com que os milicos retornem aos quartéis. As ditaduras ditas de esquerda não terminam e se mostram dispostas, para se perpetuar no poder, a expor seu povo a sofrimentos imensos na forma de desorganização econômica e perda de bem-estar.

A dita esquerda, se quiser continuar a pertencer ao campo democrático, terá de abandonar suas narrativas mentirosas e buscar os fatos. A democracia agradece
Herculano
04/11/2018 07:33
DESTA ÁGUA BEBEREI, por Carlos Brickmann

Para Bolsonaro, foi ótimo: Sérgio Moro é um homem respeitado, de alto nível, e agrega prestígio a ele - que, embora eleito com esplêndida votação, ainda enfrenta problemas de credibilidade, e bem nos setores em que Moro é totalmente aceito. Para o futuro Governo Bolsonaro, Moro é muito bom: estudioso, eficiente, habituado a trabalhar com a Polícia Federal. E, chefiando um superministério, tem tudo para estender a Lava Jato a setores que nunca pôde investigar. Outra vantagem: com Moro ministro, morrem os pesadelos de caça às bruxas (que já incluíram em listas de comunistas a ser boicotados o jornalista Reinaldo Azevedo e até, creia!, Delfim Netto).

Mas, para Sérgio Moro, a coisa não é tão boa. Gente ligada aos alvos da Lava Jato já proclama que ele "perseguia Lula" para evitar que derrotasse Bolsonaro; quer acusá-lo naquele tal conselho da ONU de usar a toga com fins partidários; e o responsabiliza por, em duas ocasiões - a liberação da delação premiada de Palocci, dias antes da eleição, e a famosa gravação de Lula com Dilma, aquela do Bessias, em que ficava claro que seria nomeado ministro para ter foro privilegiado - antes do impeachment, para favorecer Bolsonaro. Quem prendeu Lula foi o TRF-4, mas não faz mal: o pau é nele.

Acusa-se também Moro de ter dito que jamais entraria na política. Isso ele disse - mas acha que, como Adib Jatene, é um ministro técnico que não vai disputar votos, ou mudou de ideia. Quem jamais nunca mudou de ideia?

ESTRANHO VINGADOR

Há também quem acuse Moro de mover uma cruzada contra Lula. Mas é esquisito: dentro de dez dias, Lula deve ser ouvido no processo sobre o sítio de Atibaia. Um vingador perderia a chance de condenar seu alvo mais uma vez? Ao aceitar o convite do presidente eleito, deixa de ser juiz. E o caso fica com uma juíza substituta, até que o novo titular seja escolhido.

SEM CHORADEIRA

Ao deixar a Magistratura para ser ministro, Moro não viola lei nenhuma.

RETRATO FUTURO

O perfil do Governo Bolsonaro já começa a ser traçado: três ministros fortes, Sérgio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia) e general Augusto Heleno, que comandou as tropas brasileiras no Haiti (Defesa). Os três controlam totalmente a área e escolhem os auxiliares que quiserem, sem que ninguém, nem Bolsonaro, se intrometa.

Os três são competentes - mas nenhum jamais negociou com políticos profissionais tipo Renan Calheiros.

PRIORIDADES

Outros setores que estão na agenda presidencial: a defesa da propriedade privada, de crítica ao avanço dos costumes, apoio aos inovadores e empreendedores, força ao agronegócio e à exploração (responsável, dizem) das riquezas naturais. Para a Agricultura, estão em pauta duas mulheres notáveis: a senadora Ana Amélia (PP), vice de Alckmin, e a deputada Tereza Cristina (DEM), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

ADEUS

O Ministério do Trabalho, há anos sem função, deve ser extinto ou reduzido a secretaria, subordinada a Guedes. Para, como hoje, exercer só o trabalho de informar uma vez por mês o número de empregos com carteira assinada, ao custo de R$ 2 bilhões por ano, virar secretaria é bom demais.

SEM FANTASIA

É normal que o mercado tenha recebido bem a derrota do PT. É previsível que a escolha de Paulo Guedes, com bom trânsito na área da Economia, estimule estudos sobre investimentos. Mas as notícias que surgem nas redes sociais, sobre bilhões de dólares que virão para o país graças à eleição de Bolsonaro, não são bem assim. Os investimentos foram mesmo anunciados, mas já estavam na pauta ou virão (se vierem) bem mais tarde. Ninguém decide em poucos dias investir milhões de dólares, por mais que goste de Bolsonaro ou tenha apreciado sua vitória. Dilma também escolheu um ministro com prestígio no mercado e os dólares não vieram.

A LITERATA

Dilma, depois de se mudar para Minas acreditando que seria facilmente eleita para o Senado, resolveu ficar no Rio Grande do Sul. Seu plano atual, diz O Globo, é escrever um livro de memórias. Este prestativo colunista sugere um título para o livro de memórias de Dilma: Vaga Lembrança.

LOS HERMANOS

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que é preciso dar novo impulso à ALBA - Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América -, organização regional fundada por Fidel Castro e Hugo Chávez. Quais são as nações que funcionarão como contraponto à derrota do PT no Brasil?

Por ordem alfabética: Antígua y Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Granada, Nicarágua, San Cristóbal y Nevis, Santa Lucia, San Vicente y Granadinas, Suriname, Venezuela.

Ah, agora vai. Es nosotros en la fita!
Herculano
04/11/2018 07:14
QUAIS SÃO OS SUPERPODERES DE MORO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Ministro terá poder de investigação do governo e informação sobre crimes financeiros

O ministério que Sergio Moro deve assumir não seria mais do que a velha pasta da Justiça não fosse a incorporação de duas instituições importantes: a CGU (Controladoria-Geral da União) e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Com a CGU, Moro passaria a comandar uma espécie de polícia administrativa e a inspetoria do governo.

Com o Coaf, terá algum controle sobre uma agência de inteligência que recebe, analisa e encaminha ao Ministério Público e à polícia denúncias de lavagem de dinheiro e uso de recursos para fins criminosos, terrorismo inclusive.

Desde que foi criada, em 2003, a CGU teve ligação direta com o presidente da República - ora é um ministério. O Coaf é filho da lei de lavagem de dinheiro, de 1998, desde sempre abrigado no Ministério da Fazenda.

No mais, a Justiça de Moro vai reabsorver as polícias federais, deslocadas neste ano para o breve Ministério da Segurança.

Moro não será o xerife absoluto de CGU e Coaf, regulados por leis até bem estritas. Mas instituições podem ter sua atuação reforçada, ampliada ou até laceada, a depender de quem as comande e componha.

Além do mais, CGU e Coaf devem mudar, até porque serão necessárias leis para transferi-las para a Justiça e redefinir seus comandantes, pelo menos.

Não foi possível confirmar se Moro reivindicou a CGU, mas próximos de Jair Bolsonaro dizem que o futuro ministro pediu para ficar com o Coaf. Lê-se por aí que Moro levará apenas "parte do Coaf", o que ora não faz sentido.

A CGU avalia, audita, controla e pode investigar procedimentos, programas e servidores do governo inteiro.

É uma espécie de promotoria de defesa contra ineficiências, corrupção e outras irregularidades no Executivo. Agora, será subordinada a um ministro.

Quem vai comandá-la, com qual autonomia? Seja como for, um órgão de controle supraministerial estará sob Moro ?"como inspetor-geral, digamos, terá mais poder.

A lei de lavagem de dinheiro de 1998 obriga pessoas e instituições a prestar informações de transações suspeitas.

A lista de obrigados é aqui impublicável, de tão grande, mas o setor financeiro, seus órgãos de fiscalização e todos os envolvidos em transações de bens e serviços de grande valor estão obrigados a registrar ou notificar negócios a partir de certa monta ou suspeitos. Incluem-se aí transações financeiras, com imóveis, joias, arte e outros bens de luxo, produtos do agronegócio ou passe de atletas.

Tais informações devem ser enviadas ao Coaf, que pode requisitar dados cadastrais de pessoas, analisa o caso e reporta possíveis rolos ao Ministério Público ou à polícia. ?"rgãos muito parecidos existem em vários países civilizados. Gente graúda do Ministério Público diz que o Coaf funciona de modo razoável.

O Coaf não tem poder de investigação autônomo e no máximo aplica penas administrativas. É comandado por 11 conselheiros, funcionários de carreira indicados por vários ministérios e agências de Estado, com presidente nomeado pelo ministro da Fazenda. Vai mudar, claro. Mas como?

Em sua carreira, Moro trabalhou essencialmente com lavagem de dinheiro. Escreveu um livro sobre o assunto ("Crime de Lavagem de Dinheiro", Saraiva). Quer que as informações do Coaf sejam utilizadas para orientar sistematicamente a polícia e inquéritos.

No mais, sabemos apenas que os poderes e os inimigos de Moro não serão poucos.
Herculano
04/11/2018 07:11
SE TUDO DER CERTO, MORO SERÁ INEVITÁVEL EM 2022, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

A indicação de Sérgio Moro para o cargo de super-xerife, como titular do Ministério da Justiça, permite antever sua candidatura à presidência da República em 2022. Ainda que o presidente eleito Jair Bolsonaro cumpra a promessa de não se candidatar até porque é contra a reeleição, o fato é que ele certamente terá um candidato à própria sucessão. E Sérgio Moro reúne as melhores condições para o papel.

DEPENDE DELE
Caso a atuação de Sérgio Moro como ministro seja exitosa, como promete, ele logo passará a ser considerado candidato á sucessão.

NA CABEÇA DO POVO
O juiz federal sempre foi bem citado nas pesquisas para presidente, mesmo afirmando que não tinha essa pretensão.

PRESTÍGIO IMBATÍVEL
Favorece a eventual candidatura de Moro em 2022 o fato de não haver quem rivalize com ele em prestígio, no entorno de Bolsonaro.

FIM DA REELEIÇÃO
O presidente Bolsonaro sente genuína repulsa pela reeleição. Até prometeu agir para revogar essa regra.

AGORA NA MODA, PELOTENSES LANÇAM 'DICIONÁRIO'
O livro A Língua de Pelotas e Outras Barbaridades está sendo lançado na Feira do Livro de Pelotas esta semana. Seu grande destaque é o primeiro e único "Dicionário de Pelotês", idioma que, dizem os autores, nasceu da mescla do francês renascentista, do português arcaico e do gauchês mais tosco... O livro é a sequência do 50 Tons de Rosa-Pelotas no tempo da ditadura, tem como mote a fama centenária da cidade. Entre os autores estão os cantores Kleiton e Kledir Ramil.

MUTIRÃO DE AFETOS
A Língua de Pelotas resulta de mutirão de pelotenses que, na maioria, vivem distantes há anos mas mantém relação afetuosa com a origem.

O INVENTOR
Um dos autores, Luiz Lanzetta, conta a saga de João Antônio Mascarenhas, "o pelotense que inventou o movimento gay no Brasil".

PELOTENSE RAIZ
Pelotas está na moda. Pela primeira vez na História do Rio Grande do Sul elegeu governador: Eduardo Leite (PSDB), um pelotense raiz.

REEDUCANDO INGRATO
Lula está preso desde 7 de abril, em tese longe de celulares, mas na noite de quinta (1º), em seu "perfil oficial" no Twitter, ironizou Sérgio Moro. É um ingrato: foi de Moro a decisão de alojá-lo no resort da PF em Curitiba, com direito a TV e banho quente. E não na penitenciária.

FUNDO PARA QUÊ?
Bolsonaro declarou gastos de pouco mais de R$535 mil com internet e redes sociais, o seu maior gasto de campanha. Por inútil e criminoso, o fundo eleitoral de R$1,7 bilhão por ano deveria ser extinto de imediato.

DISCUTINDO A RELAÇÃO
A Executiva Nacional do PSB, que virou puxadinho do PT, vai se reunir nesta segunda (5) em Brasília para definir seu papel no cenário político nacional. O partido encolheu, ao perder os governos do DF e de SP.

FRIO NA BARRIGA
Ao contemplar a galeria de ex-ministros da Justiça, o juiz Sérgio Moro vai imaginar sua fotografia ao lado de grandes brasileiros que já ocuparam o mesmo cargo. Vai dar frio na barriga.

TAXIGOV NA TRANSIÇÃO
A Secretaria-Geral da Presidência da República informou ao Diário do Poder que a maior parte da equipe de transição do governo Jair Bolsonaro vai usar o TaxiGov, o "Uber" do governo federal. Apenas ministros têm direitos a carros oficiais com motoristas.

TRABALHO VOLTA AOS POUCOS
A Câmara dos Deputados garante que a agenda parlamentar da próxima semana está confirmada e que os deputados devem trabalhar normalmente. Mas compromisso mesmo, só tem até quarta (7).

DIVISÃO AMERICANA
Segundo o site FiveThirtyEight, Republicanos têm 85% de chance de manter o controle do Senado na eleição americana de terça. Na Câmara (House of Representatives), Democratas devem fazer maioria.

NOVEMBRO AZUL
Começou o "novembro Azul", campanha de prevenção ao câncer de próstata, alertando para a necessidade de exames. O câncer de próstata é o segundo mais comum, e é o que mais mata, entre homens.

PENSANDO BEM...
...o combustível caiu, a bolsa subiu, o dólar caiu e Bolsonaro nem assumiu.
Herculano
04/11/2018 07:04
EM ENTREVISTA AO PORTAL UOL, MOURÃO DIZ UMA PORÇÃO DE COISAS CERTAS, MAS É BOM NOTAR QUE NÃO SE TRATA DE FALA DE VICE, MAS DE PRESIDENTE, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, afirma que é preciso acabar com o "antiamericanismo infantil" e fazer pressão sobre a Venezuela para que a democracia seja restabelecida no país. Segundo ele, o futuro governo de Jair Bolsonaro deseja que o Brasil tenha uma relação "estratégica e não só algo puramente comercial" com parceiros globais como Estados Unidos, China e União Europeia. Mourão destacou a necessidade de criar parcerias não só políticas com essas nações, mas também na área de tecnologia, com ênfase em inteligência artificial e tecnologia da informação, que têm aplicações na área da Defesa. Em entrevista ao portal UOL, no Clube Militar, no centro do Rio, o vice-presidente, que chegou a ser adido militar na Embaixada do Brasil na Venezuela, disse que o governo Bolsonaro não deve aplicar sanções econômicas ao país vizinho, mas que a diplomacia brasileira fará pressão por alternância de poder.

Pois é... Eis um vice que fala como presidente, certo? Sim, Mourão já falou algumas asneiras. No que vai acima, não há erro, é preciso admitir. Mas não é fala de vice, reconheça-se também
Herculano
04/11/2018 06:59
MORO NO GOVERNO DOS "HUMANOS DIREITOS", por Élio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Ele conhecerá outro lado da corrupção nacional, aquele em que se desrespeitam as prerrogativas dos cidadãos

Sergio Moro lustrou a biografia de Jair Bolsonaro e de seu futuro governo ao aceitar o superministério da Justiça. Foi um tiro na mosca, pois seu trabalho à frente da Lava Jato tornou-se um marco na história da política nacional, faxinando a corrupção do andar de cima.

Ao sentar na cadeira, será apresentado a outro tipo de corrupção sistêmica, aquela que ofende os direitos dos cidadãos. Ele entrará num governo em que o futuro ministro da Defesa, general da reserva Augusto Heleno, disse que "direitos humanos são basicamente para humanos direitos".

Desfolhando as mazelas da criminalidade nacional, acrescentou: "É um absurdo tratar isso como uma situação normal. É situação de exceção que merece tratamento de exceção".

Quais tratamentos de exceção Moro sancionará, ninguém sabe.

O futuro governador do Rio de Janeiro, oficial da reserva da Marinha, singra um discurso apocalíptico e anuncia que "não vai faltar lugar para colocar bandido, cova a gente cava e presídio, se precisar, a gente bota em navio em alto mar".

Pura demagogia, e Witzel conhece a história dessas cadeias flutuantes. Elas se chamavam presigangas e eram usadas na Colônia e no Império. A última presiganga de que se tem notícia funcionou no navio Raul Soares, onde puseram presos políticos em 1964.

Os discursos repressivos de hoje têm amplo apoio popular, o que os torna mais perigosos, pois quando ficar demonstrada a vacuidade do palavrório, os demagogos mudarão de assunto.

Sergio Moro diz que a sua prioridade será o combate à corrupção e ao crime organizado. Por falta de experiência na área criminal do andar de baixo, descobrirá isso quando cair sobre sua mesa o caso de alguma roubalheira que usava um posto de gasolina da Baixada Fluminense para lavar dinheiro da corrupção e do tráfico.

Puxando os fios, como ele fez em Curitiba, será fácil descobrir poderes que se instalaram no século passado, sobreviveram à ditadura, aninhados nos desvãos dos DOI e ressurgiram com a redemocratização, sambando na avenida e negociando nos palácios.

Hoje, como sempre, os ferrabrazes ganham desenvoltura quando sentem-se amparados pela opinião pública. Alguns ministros da Justiça, como Seabra Fagundes e Milton Campos, sentiram o cheiro de queimado e foram-se embora. Outros, como o professor Luís Antônio da Gama e Silva, redator do AI-5, inebriaram-se. Cada um escolhe seu caminho e Moro escolherá o seu.

Pode-lhe ser útil a lembrança do que ocorreu com Carlos Medeiros Silva quando sentou naquela cadeira, em 1966. Um coronel que servia no gabinete apresentou-se: "Ministro, vim conhecê-lo. Sou o representante da linha dura aqui no ministério".

Medeiros era um mineiro miúdo e discreto. Cioso da autoridade, sobretudo da sua, respondeu: "Coronel, agradeço muito seus relevantes serviços, mas o senhor está dispensado. Agora, o representante da linha dura aqui sou eu".

O 'POSTO IPIRANGA' CONTATOU MORO

"Isso já faz tempo, durante a campanha foi feito um contato", disse o general da reserva Hamilton Mourão na quarta-feira.

O vice-presidente eleito referia-se à primeira sondagem da equipe do candidato Jair Bolsonaro para atrair o juiz Sergio Moro. O intermediário, segundo o general, foi Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga" do capitão.

Segundo Moro, "isso não tem uma semana". Portanto, teria acontecido depois do dia 27 de outubro. Mourão falou em "semanas". Quantas?

Moro e Guedes prestariam um grande serviço à moralidade pública se esclarecessem a data precisa desse contato, até porque o próprio presidente eleito mostrou-se confuso ao tratar do episódio.

O esclarecimento seria desnecessário para qualquer outra pessoa, mas Moro interferiu no processo eleitoral no dia 1º de outubro, quando liberou um trecho da colaboração do ex-ministro petista Antonio Palocci. Foram 11 páginas de parolagem que ganharam a previsível repercussão, pois faltavam seis dias para o primeiro turno.

O "contato" teria ocorrido "durante a campanha", o que é esquisito, mas seria jogo limpo. Se ele aconteceu antes da liberação do depoimento de Palocci, teriam sujado o jogo e a conduta de Moro deveria ser analisada pelo Ministério Público e pelo Conselho Nacional de Justiça.

A ação do Judiciário está contaminada pela onipotência. Felizmente o Supremo Tribunal Federal derrubou todos os atos relacionados com o arrastão realizado em 17 universidades de nove estados nas últimas semanas. Todas as ações foram determinadas por juízes.

No início de outubro completou-se um ano do suicídio de Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, mandado para a cadeia por uma magistrada e proibido de entrar na instituição.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota, pretendia votar em Bolsonaro, mas digitou 13. Resolveu fazer uma assinatura da Folha de S.Paulo para entender como o presidente eleito acabará com o jornal de Octavio Frias de Oliveira e de seus filhos.

Lendo o que disseram Jair Bolsonaro e seus oráculos, o governo pretende cortar a publicidade oficial de jornais e emissoras que mentem. Por cretino, Eremildo teme que acabem aqueles que recebem publicidade oficial para mentir.

MERCADO E 'MERCADO'
Paul Volcker acaba de publicar nos Estados Unidos um livro de memórias. Nele conta a sua épica batalha para derrubar a inflação de dois dígitos no final do século passado. É uma ode ao serviço público, escrita por um funcionário que, aos 91 anos, ainda usa o roupão que comprou em 1953.

Com 2,01 metros, Volcker foi para a direção do Fed em 1979. Ganhava US$ 110 mil anuais e mudou-se para Washington com US$ 57.500. Alugou uma quitinete de estudante e, uma vez por semana, levava para a casa da filha suas roupas sujas. A mulher do homem mais poderoso da finança mundial, diabética e sofrendo de artrite reumática, ficou em Nova York, teve que arrumar um emprego e alugou um dos quartos do apartamento do casal.

Para a turma do papelório:

Volcker refere-se dezenas de vezes ao mercado. Num trecho, lidando com o que seria a credibilidade do presidente do Fed na praça, escreveu "mercado", entre aspas. Quem vive no Brasil sabe como são diferentes o mercado e o "mercado".

Para quem está de olho em um cargo na ekipekonômica de Bolsonaro:

Um dia Volcker foi chamado à Casa Branca e levado para a biblioteca (onde não haveria grampo, acredita). Lá, diante de um silencioso presidente Ronald Reagan, o chefe da Casa Civil, James Baker, disse-lhe: "O presidente ordena que você não suba os juros antes da eleição".

Volcker conta: "O que fazer? O que dizer? Fui-me embora, sem abrir a boca".

Reagan já morreu, mas o chefe da Casa Civil, Baker, que está vivo, contestou apenas o fraseado e a palavra "ordena". De qualquer forma, os juros ficaram onde estavam.
Herculano
04/11/2018 06:47
BOLSONARO FARÁ DO PLANALTO PUXADINHO DAS "REDES", por Josias de Souza

Jair Bolsonaro não dispõe de porta-voz ou de assessor de imprensa. Sondaram-se alguns profissionais do ramo. Mas ainda não houve acerto. Quando for contratado, o assessor terá dificuldade para demonstrar relevância, pois o novo presidente está enfeitiçado pela ideia de manter, durante o mandato, a mesma "comunicação direta" que o conectou com seus eleitores. Na expressão de um membro do seu staff, Bolsonaro presidirá o país "em tempo real" pelas redes sociais.

Já se sabia que qualquer um com um computador e dois neurônios podia editar seus próprios livros ou gravar seus próprios CDs sem sair de casa. Bolsonaro demonstrou que, assim como qualquer um pode dispensar a indústria editorial para publicar sua obra ou a indústria fonográfica para gravar sua banda, qualquer um também pode virar presidente da República sem precisar de uma superestrutura partidária ou de um aparato de comunicação.

Os partidos e a mídia tradicional são as grandes estruturas que Bolsonaro acredita ter tornado desnecessárias. "Eu cheguei aqui graças às mídias sociais", disse o presidente eleito aos repórteres na semana passada. Antes, como que decidido a realçar a condição de porta-voz de si mesmo, ele avisara pelo Twitter: "Anunciarei os nomes (dos ministros) em minhas redes. Qualquer informação além é mera especulação maldosa e sem credibilidade."

Neste sábado, mantendo o ritmo regular de postagens, Bolsonaro voltou ao Twitter para realçar que sua Presidência será diferente das anteriores: "Minutos após a vitória nas eleições iniciamos uma intensa agenda com propostas para fazermos diferente de tudo que governos anteriores fizeram, desde planos para fomentar a economia, mas principalmente, resgatar a confiança do brasileiro e do estrangeiro em nosso Brasil."

Num instante em que deputados e senadores começam a pôr em dúvida a disposição do tuiteiro de acabar com o toma-lá-dá-cá, foi como se Bolsonaro avisasse: "Não vem que não tem, tá Ok? Comigo será diferente." Numa hora em que investidores hesitam em migrar do papelório para o investimento de risco, foi como se o capitão anunciasse: "Podem acreditar na plataforma ultraliberal do meu Posto Ipiranga porque eu vou manter isso daí. Comigo é capitalismo, não comunismo."

Bolsonaro segue nas redes sociais e nos grupos de WhatsUp as pegadas de Donald Trump. A exemplo do seu ídolo norte-americano, o novo presidente brasileiro já sinalizou o desejo de tratar a mídia como algo irrelevante. Gruda na imprensa que o imprensa o selo de fake news Aproveita-se da fragilidade da indústria da informação, sobretudo a impressa, com a circulação estagnada - ou em declínio.

Suprema ironia: na época em que o país estava submetido a três poderes efetivos ?"Exército, Marinha e Aeronáutica?" costumava-se atribuir à imprensa importância capital na cruzada da resistência que levou à redemocratização. Ao ecoar as ruas na campanha das Diretas-já, jornais ajudaram a empurrar a farda de volta para os quartéis. Hoje, um capitão sente-se à vontade para pregar o fechamento de um jornal como a Folha, que puxou o coro. O último a adotar comportamento semelhante foi Fernando Collor. Sofreu impeachment.

A internet revelou-se uma extraordinária ferramenta. Bolsonaro, com o auxilio de Carlos, o filho que ele chama de "Zero Dois", encontrou na web o seu caminho das pedras. Seria um desperdício fechar a vitrine eletrônica na fase pós-eleitoral. Mas a vitamina pode virar veneno se Bolsonaro não perceber que chegará o momento em que a plateia desejará ver em exposição algo além do lero-lero.

Tornou-se imperioso fechar o balcão que transformou o Congresso numa instituição meio entreposto, meio bordel. Entretanto, Bolsonaro precisa demonstrar que seus 28 anos de Câmara serviram para alguma coisa. Ou percebe que não se constrói uma base congressual distribuindo bordoadas nas redes sociais ou se arrisca a ser engolido pelo pedaço da oligarquia que sobreviveu ao tufão das urnas.

Em entrevista veiculada na edição mais recente de Veja, a repórter Ana Clara Costa perguntou a Renan Calheiros: As redes sociais mudaram o eixo da velha política? E a veneranda raposa do MDB, já de olho na Presidência do Senado: "Elas introduziram novos elementos, mas não se governa com mandatários virtuais. Por isso, é necessário que se tenha uma interlocução competente, que se construa uma convergência. Passada essa aridez da eleição, é preciso menos Twitter e menos palpite em Brasília e mais deputado e senador de carne e osso, que entendam a complexidade do processo."

Está entendido que Bolsonaro fará do Planalto um puxadinho daquilo que passou a chamar, com enorme intimidade, de "minhas redes." Faz muito bem. Entretanto, deveria esquecer Donald Trump. Os Estados Unidos oferecem melhores contrapontos. Harry Truman, por exemplo, deixou gravado na história um precioso ensinamento.

Presidente americano de uma época em que as pessoas, sem internet, tinham dificuldades para entender como funcionavam os palitos de fósforos, Harry Truman declarou o seguinte: "Há provavelmente 1 milhão de pessoas neste país que poderiam desempenhar melhor estas funções. Mas eu é que estou encarregado de executá-las, e o faço da melhor maneira que posso."

Embora seu sobrenome sugira o contrário, Jair Messias Bolsonaro não é uma reedição do Salvador. Receberá a faixa das mãos de Michel Temer, derradeira herança de Dilma Rousseff. Temer não é senão uma evidência de que as mesmas redes sociais que elegem um presidente podem convocar o asfalto para derrubá-lo.

Até bem pouco, as "redes" eram dominadas pelo PT. Se o destino de Dilma serviu para alguma coisa foi para mostrar o seguinte: poderosos que navegam no cristal líquido do computador ou do celular equilibrando-se apenas em cima da empáfia arriscam-se a confundir jacaré com tronco na hora do naufrágio.
Herculano
04/11/2018 06:35
PAUTA EVANGÉLICA SERÁ CHAVE DE BOLSONARO NO CONGRESSO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Eleito quer driblar líderes e partidos, mas negociação fluida pode ser custosa

O próximo ministro da Fazenda não gostou de ver um deputado dando palpite em sua área. "É um político falando de economia", reclamou Paulo Guedes ao desautorizar Onyx Lorenzoni, articulador do futuro governo.

Guedes terá que se acostumar. As medidas que propõe para colocar as contas do país em ordem dependerão de 513 Lorenzonis na Câmara e outros 81 no Senado.

A capacidade de formar maioria no Congresso para aprovar propostas impopulares como a reforma da Previdência será uma das principais provas para Jair Bolsonaro. Sob a promessa de romper a tradição de distribuir cargos aos partidos aliados, o presidente eleito usará sua popularidade como chave para uma lua de mel com o Legislativo.

A plataforma conservadora que teve êxito nas urnas deve ser uma das peças centrais desse jogo. Ainda em campanha, Bolsonaro sugeriu que aproveitaria a pauta de costumes para adoçar a boca dos parlamentares e convencê-los a engolir a pílula amarga do aperto fiscal.

"Se nós tipificarmos ações do MST como terrorismo, será que a bancada ruralista não vai estar conosco?", perguntou o então candidato em uma palestra a empresários, em julho. "Se nós buscarmos resgatar os valores familiares, não vamos ter simpatia dos evangélicos?"

O apoio do governo aos interesses do agronegócio, das igrejas e da bancada da bala seria um torrão de açúcar barato. "Não estou falando em construir uma ponte até Fernando de Noronha", disse Bolsonaro.

Formados por deputados e senadores de várias siglas, os grupos temáticos do Congresso são os canais que o presidente eleito quer usar para driblar os caciques partidários. Pode até funcionar, mas essa articulação fluida deve se tornar custosa.

Bancadas informais não têm mecanismos para disciplinar traidores ou negociar detalhes dos projetos em votação. Quando estiverem em pauta mudanças nas aposentadorias ou a criação de tributos, não haverá economista capaz de acomodar os palpites de centenas de políticos.
Eleitor atendo
03/11/2018 21:37
Herculado! vc trás à discussão a dança das cadeiras devido os acordos políticos após eleição. Mas aqui em Gaspar essa dança ocorre quase que direto na Gestão: "Gaspar Eficiente" Se olharmos pra uma única instituição, o SAMAE, em dois anos já passaram quatro comissionados pela diretoria operacional, o último pediu pra sair nesta última quinta (01/11). Mas pq não para ninguém? 1. Colocam comissionados (cabide de emprego) sem conhecimento nenhum da área para comandar um setor que requer muito conhecimento; 2. Melato não dá autonomia nenhuma para o diretor comandar sua equipe; 3. As exigência/cobranças são muitas e nenhum reconhecimento pelo esforço; 4. As constantes situações de humilhação que esses diretores sofrem por parte do Melato e também de sua equipe, pois um diretor tem a função de vigiar o outro e contar tudo pro Melato. Essas e outras situações mais fazem com que não só os comissionados queiram fugir do SAMAE, mas acredito que os efetivos tbem. Melato está fazendo um péssimo trabalho no SAMAE e pra sociedade e só ele não enxerga isso. Eita ego grande! Melato, É vc quem deve sair e leva contigo esse bando de puxa saco que não fazem nada o dia inteiro.
Herculano
03/11/2018 11:48
QUEM ESTÁ PREOCUPADO COM A NOMEAÇÃO DE MORO COMO MINISTRO

De Augusto Nunes, de Veja no twitter
?
Efeitos imediatos da nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça: os homens de bem estão felizes, o Brasil que presta está otimista, o PT está em pânico e políticos bandidos estão sem dormir há três dias
Herculano
03/11/2018 10:02
TESE PARA TUDO DAR ERRADO AO QUE ANTECIPADAMENTE PARECE SER ACERTADO

De Mário Sabino, editor da revista eletrônica Cruzoé, no twitter

Sobre Moro ser ministro da Justiça, o argumento contrário mais espantoso que li foi o seguinte: porque fez tudo certo como juiz, ele não poderia ter tomado a decisão que julgou mais acertada para si próprio. Espantoso e hilário.
Herculano
03/11/2018 08:08
DEFESA DA RESISTÊNCIA PODE DAR A BOLSONARO TRIUNFO NÃO TEVE NA CAMPANHA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Um presidente autoritário não é o mesmo que um regime autoritário. O primeiro pode até levar ao segundo, mas o percurso exige ingredientes especiais. Na Turquia, demandou anos de uma insurgência separatista. Não somos a Turquia. As vozes que, em nome do espantalho do "fascismo", desceram às trincheiras da "resistência" evidenciam profunda ignorância do significado da democracia.

"A tristeza tem que se transformar em resistência", tuitou Manuela D'Ávila na hora da proclamação do resultado, pronunciando a senha clássica da política sectária.

Em 2010, batido por Dilma, Serra falou em "resistência". Mas resistir a um governo escolhido em eleições livres equivale a negar a soberania popular. Haddad quase seguiu pela mesma trilha, negando o telefonema simbólico de congratulações que o derrotado deve ao vitorioso, mas corrigiu-se num tuíte, no dia seguinte.

Na direção oposta, Guilherme Boulos, ícone de um PSOL que retorna ao berço lulista, conclamou à "resistência" - e foi imitado pelo pobre Eduardo Suplicy. Serra falava só para emitir sons. Ele não pretendia "resistir", mas apenas reativar sua crônica guerra interna pela legenda do PSDB na eleição seguinte.

Já o lulismo e seus satélites parecem decididos a cavar trincheiras. Gleisi Hoffmann atribuiu a Haddad a função de articulador de uma "frente de resistência" e chegou perto de negar a legitimidade do eleito. Ela classificou os resultados eleitorais como um "fato" (alguém duvida disso?), mas qualificou as eleições como "processo eivado de vícios e de fraudes" que "consolidam" o "golpe" do impeachment. Daí ao "Fora Bolsonaro!", o passo é curto.

Ao lado de "resistência", a palavra "fascismo" risca o céu. Fascismo, porém, é um fenômeno definido por traços políticos que não estão presentes no bolsonarismo: um partido fascista, a organização de milícias, um modelo de Estado corporativo. O abuso do termo, dirigido como insulto aos que não se alinham com o PT, esgarça o tecido do debate público. A polarização resultante forma o ambiente propício para a coesão da maioria em torno de Bolsonaro.

A pulsão autoritária do novo presidente testará nossas instituições e leis. A vigilância é um dever democrático de parlamentares, partidos, procuradores, magistrados, bem como da imprensa e das organizações da sociedade civil. Face a ameaças definidas às garantias, direitos e liberdades, será o caso de exercitar topicamente a resistência. Mas a "resistência" em geral e a tal "frente de resistência" em particular não passam de versão atualizada da narrativa do "golpe parlamentar" que tanto impulsionou a candidatura de Bolsonaro. Não é casual, nem sem motivo, que partidos como o PDT, o PSB e o PPS resolveram excluir o PT da articulação de um bloco parlamentar oposicionista.

Gleisi, Boulos e as demais vozes histéricas das trincheiras candidatam-se, involuntariamente, ao cargo de ministro da Propaganda do governo Bolsonaro. O chamado à "resistência" ao "fascismo", antes ainda da posse, só comove os bolsões fanatizados da militância de esquerda. Fora desse círculo de ferro, até mesmo os eleitores que votaram contra Bolsonaro sentem nisso o gosto acre da ruptura da regra do jogo. A farsa da candidatura de Lula cartografou o caminho de Bolsonaro à Presidência. A campanha da "resistência", um imprevisto terceiro turno, pode proporcionar a Bolsonaro o triunfo ideológico que a campanha eleitoral não lhe deu.

Parlamentares falam o que lhes dá na telha. Candidatos tendem a explodir as mais elementares barreiras éticas. Nas duas condições, Bolsonaro destacou-se como caso extremo de violência retórica. Agora, no Planalto, terá que se acostumar com a caixinha da democracia. Se tudo der certo, ele sofrerá mais que nós. Se der errado, hipótese que nunca deve ser descartada, restará a resistência. Sem aspas e sem demagogia.
Herculano
03/11/2018 07:10
FUTURO MINISTRO DEFENDE USO DE 'SNIPERS' NO RIO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros neste sábado

A exemplo do juiz federal Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, o general Augusto Heleno, futuro ministro da Defesa, também está entre os que defendem o uso de atiradores de elite (ou "snipers") contra bandidos que circulam em favelas cariocas exibindo fuzis e outros armamentos pesados. Heleno até sugeriu a medida quando se deu a intervenção federal no Estado, como forma de enfrentar o crime.

NO HAITI FUNCIONOU
Augusto Heleno relatou que snipers foram usados com êxito na Missão da ONU no Haiti em situação semelhante, contra bandidos armados.

SOB MIRA DE SNIPERS
Para o futuro ministro, após um prazo para entregar as armas, os bandidos seriam advertidos de que estariam sob a mira de snipers.

PROTEÇÃO AOS INOCENTES
Procurador do MPRJ, Marcelo Rocha Monteiro também defende o uso de snipers como maneira de proteger inocentes dos criminosos.

A LEI PREVÊ E PROTEGE
Marcelo Rocha Monteiro, que é professor de Processo Penal da UERJ, disse que a lei prevê essa ação do Estado e protege seus snipers.

GASTO PÚBLICO NA ELEIÇÃO PASSOU DE R$4,5 BILHõES
Gastos públicos com a campanha eleitoral deste ano já superaram a marca de R$4,5 bilhões e garantiram o 2º lugar na lista das mais caras da História. MDB e PT, que perderam a eleição, são os que faturaram mais dos fundões eleitoral e partidário: R$293 milhões e R$290 milhões, respectivamente. A Justiça Eleitoral disponibilizou ao PSL de Jair Bolsonaro apenas R$15,4 milhões, que elegeu o presidente da República, três governadores, 52 deputados federais e 4 senadores.

PARA INGLÊS VER
O controle da Justiça Eleitoral será testado no exame da prestação de contas dos partidos, em geral meramente contábil.

HORS CONCOURS
As eleições deste ano só não foram mais caras que as de 2014, auge da corrupção envolvendo empreiteiras, que custaram R$5,1 bilhões.

INVESTIMENTO
Doações de pessoas físicas somaram R$470,5 milhões, enquanto os candidatos tiraram R$398,8 milhões do próprio bolso na campanha.

VIÉS DE ALTA
O ex-ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU) no governo Dilma Roussef, Luiz Inácio Adams fez uma frase divertida para definir o quadro político do Brasil. "Estou pessimista, com viés de alta".

ADVOGADOS COM MEDO
Criminalistas importantes reagiram mal a Sérgio Moro no Ministério da Justiça, só para agradar a vasta clientela que o juiz meteu na cadeia. Deveriam ser gratos a Moro, com a fortuna que acumularam.

SEM REFRESCO
A saída de Sérgio Moro da Lava Jato provocou alívio momentâneo na bandidagem, incluindo o presidiário Lula, mas eles não perdem por esperar: a juíza substituta Gabriela Hardt é tão rigorosa quanto Moro.

PROVAS INCONTESTADAS
Aos que ainda repetem a mentira de que "Lula foi condenado sem provas", continua sem refutação o que observou o ministro João Otavio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "A defesa de Lula nunca contestou as provas do processo".

E A REFORMA?
Este ano, Saúde (R$ 121,5 bilhões) é a função do governo federal que custou mais ao contribuinte, superada apenas dos encargos sociais (R$ 1,09 trilhão) e da Previdência Social (R$ 648 bilhões).

NÚMEROS GRANDIOSOS
O Enem será aplicado neste (4) e no próximo domingo (11), em 1.725 municípios. É um dos maiores exames do mundo: o Ministério da Educação preparou provas para 5,5 milhões de alunos.

EM ALTA
No domingo (7) e no domingo (28) o tema "eleições" teve 5,38 milhões e 4,50 milhões de menções no Twitter, respectivamente. No dia 1º de novembro, ainda era o assunto mais comentado da rede social.

MORO É O CARA
O Fórum de Juízes Criminais (Fonajuc) apoiou a indicação de Sérgio Moro para ministro da Justiça. Para a entidade, ele "destacou-se pela coragem, independência, serenidade e imparcialidade".

PENSANDO BEM...
...o anúncio de Sérgio Moro no Ministério da Justiça fez explodir a frequência cardíaca da Praça dos Três Poderes.
Herculano
03/11/2018 07:04
da série: meter religião em política é deixá-la (e seus seguidores) exposta e igualar o sagrado ao crime (por seus políticos criminosos nos mais diversos interesses) coisa dos mortais que vivem da compreensão e perdão de Deus

DEUS ACIMA DE TODOS, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

É interesse das religiões que Deus seja mantido longe das engrenagens do Estado

"Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" foi o lema da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), que ele continua utilizando em seus pronunciamentos pós-eleitorais. O "Deus acima de todos" me incomoda mais do que o "Brasil acima de tudo", do qual já não gosto muito (nacionalismos têm se mostrado uma força mais destrutiva do que construtiva).

É evidente que, numa democracia como é o Brasil, as pessoas, incluindo o presidente eleito, têm o direito de professar a fé religiosa que preferirem, privada ou publicamente. Não me parece inteligente, porém, trazer Deus para a política. Ele até pode ser um bom cabo eleitoral, mas é do interesse das próprias religiões que seja mantido tão longe quanto possível das engrenagens do Estado.

O laicismo, afinal, embora seja do agrado de ateus e agnósticos, é um princípio que visa primordialmente a proteger as religiões. É só quando o Estado se mantém neutro em relação a todas as fés que os grupos minoritários podem estar seguros de que não sofrerão nenhum tipo de perseguição nem verão seus concorrentes sendo favorecidos pelas autoridades.

Outro problema de colocar o Criador na arena política é que fazê-lo pode estimular a radicalização. Com efeito, religiões operam amiúde com absolutos morais. Se as Escrituras dizem que o aborto e o homossexualismo são pecado, como podem simples mortais duvidar da palavra imutável de Deus? Assim, já nem haveria o que discutir num eventual projeto de lei sobre a matéria. Seguir a lógica espiritual acaba sendo a negação da política, compreendida como a construção de consensos através de negociações.

Esse aspecto mais absolutista da invocação a Deus está em linha com as declarações de cunho profano e pouco tolerante que Bolsonaro já deu sobre gays, negros, bandidos etc. É triste quando o que de melhor se espera de um presidente eleito é que suas afirmações e lemas não passem de palavras vazias.
Herculano
03/11/2018 06:54
da série: até então não era bem assim... é só rever várias opiniões paralelas expressas pelos ministros em vários votos no Supremo

A SINCERIDADE DE GILMAR

Conteúdo de O Antagonista. Gilmar Mendes disse para o Estadão:

"Sem dúvida o juiz Moro dispõe de toda a qualificação para exercer o cargo e certamente cumprirá bem as missões que lhe forem confiadas, essa é minha expectativa".

Sem dúvida o ministro Gilmar Mendes foi perfeitamente sincero.
Herculano
03/11/2018 06:47
da série: os políticos não entenderam que comunicação estruturada e profissional é tudo depois de eleitos e ai...

MÃE JOANA COORDENA A TRANSIÇÃO DE BOLSONARO, por Josias de Souza

O time escalado por Jair Bolsonaro para cuidar da transição de governo é coordenado por uma conhecida senhora: Mãe Joana. Articulador político de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni meteu-se na área econômica para descartar o aproveitamento da proposta de reforma previdenciária de Michel Temer. Czar econômico do novo governo, Paulo Guedes invadiu a pequena área da política no papel de articulador do convite a Sergio Moro para ocupar o Ministério da Justiça.

Interessado em aprovar ainda neste ano nacos da reforma da Previdência sugerida por Temer, Paulo Guedes ralhou com Onyx Lorenzoni: "É um político falando de economia", disse ele aos repórteres. "É a mesma coisa que eu sair falando de política. Não dá certo!" Menos de 24 horas depois, já circulava a informação de que Guedes saiu falando de política na operação que resultou na transferência de Moro da Lava Jato para a pasta da Justiça.

Para complicar, o general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito, camuflou-se de assessor de imprensa para esclarecer que o flerte de Guedes com Moro não é de hoje. O contato foi feito durante a campanha, informou Mourão. "Mas isso daí não tem nada a ver. Se foi umas semanas antes, um dia antes da eleição, não tem nada a ver", reagiu Bolsonaro. Como se vê, antes mesmo da posse, a gestão Bolsonaro vai se convertendo numa espécie de sucursal da Casa da Mãe Joana.
Herculano
03/11/2018 06:41
COMPETIÇÃO NO CRÉDITO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Governo simplifica processo para que fintechs recebam capital internacional

Em boa hora o governo decidiu, por meio de decreto, simplificar o processo de autorização para que investidores estrangeiros possam participar de plataformas eletrônicas de concessão de crédito. A mudança se insere numa necessária e extensa agenda de fomento à competição no setor, que tem sido uma prioridade do Banco Central.

?A partir de agora, as chamadas fintechs - empresas de tecnologia aplicada ao setor financeiro - que atuem em financiamento poderão receber capital internacional sem que seja necessária a anuência específica da Presidência.

A mudança vale apenas para as pessoas jurídicas constituídas como Sociedades de Crédito Direto, que atuam com recursos próprios, ou Sociedades de Empréstimo entre Pessoas, aquelas que fazem a intermediação entre poupadores e tomadores de crédito.

Ambas as modalidades são classificadas como instituições financeiras, estando, portanto, sob a regulação do BC, mas diferem dos bancos por não captarem recursos de terceiros.

O requisito de autorização do Planalto vem dos tempos em que participantes externos eram analisados sob a ótica do interesse nacional, em especial quanto à estabilidade financeira. Tal premissa continua válida para bancos, sobretudo os de grande porte, mas pode ser flexibilizada no caso de pequenos provedores de serviços.

A consequência será facilitar o aporte de recursos às fintechs e o desenvolvimento de alternativas aos bancos, dado que a manifestação do Poder Executivo costumava levar até dois anos - prazo excessivo no mundo da tecnologia.

Se até a década passada o foco do BC era assegurar a solidez do sistema contra crises, o que o levou a facilitar e mesmo encorajar a concentração bancária, agora o contexto é diferente.

Já se vão muitos anos de debates sobre os níveis anômalos dos juros bancários no Brasil, que destoam em qualquer comparação global.

Não é aceitável que as taxas cobradas de consumidores e empresas continuem a se situar entre as mais altas do mundo ?"e que o aparato regulatório privilegie o statu quo. Nesse sentido, há um amplo rol de medidas a considerar.

Além de facilitar a entrada de novos participantes no mercado de crédito e em serviços como cartões, urge disseminar os dados de bons pagadores por meio do aperfeiçoamento do cadastro positivo (em tramitação no Congresso), reforçar a qualidade das garantias e promover a educação financeira.

Felizmente, essas melhorias têm sido apoiadas pelo BC no período mais recente. O novo governo deveria dar continuidade a tal agenda.
Herculano
02/11/2018 18:34
da série: jornalista de verdade, possui olfato apuradíssimo, independente da formatura genérica e teórica na faculdade.Experiência de quem viveu os dois lados por mais de 40 anos. Outra: a mídia social que endeusa, sabe-se já que ela enterra sem piedade também. Ou seja, é preciso descobrir o tamanho e a força desse bicho que leva alguém ao trono em minutos e em segundos também o tira de lá, sem tempo de se entender o que está acontecendo...

BOLSONARO SE IGUALA A LULA NO DESPREZO À MÍDIA, por Josias de Souza

Em 'A Prisioneira', Marcel Proust (1871-1922) anotou: "Habitualmente detestamos o que nos é semelhante e nossos próprios defeitos vistos de fora nos exasperam." Jair Bolsonaro detesta Lula - e vice-versa. Pelo menos num ponto, porém, os dois são muito semelhantes: o desapreço pela imprensa. Para um, a mídia é golpista. Para outro, é uma usina de fake news.

Bolsonaro já manifestou o desejo de exterminar a Folha. Depois, insinuou que cortará os anúncios federais em veículos de comunicação que não o tratarem de "maneira digna". Na era petista, recorria-se a esse mesmo tipo de ameaça publicitária.

Nesta quinta-feira, perguntou-se ao capitão o que acha da tese do seu vice Hamilton Mourão segundo a qual jornalistas não deveriam ser vistos como "inimigos." E Bolsonaro: "Eu cheguei aqui graças às mídias sociais."

Em entrevista na qual os representantes de jornais não foram autorizados a entrar, Bolsonaro disse aos repórteres de TV e de portais: "Quem vai fazer a seleção de qual imprensa vai sobreviver ou não é a própria população. A imprensa que não entrega a verdade nos seus jornais, nas televisões e no alto-falante das rádios, vai ficar para trás."

Preso em Curitiba, Lula já aprendeu algo que a rotina do poder ensinará também a Bolsonaro: é inútil tomar distância de certos jornalistas. Eles não chegam aos fatos pela visão, mas pelo olfato. Quando sentem algo fedendo, vão atrás. E acabam se transformando na vista da nação, mostrando coisas que as mídias sociais escondem.
Herculano
02/11/2018 13:20
Ao Mário Pera, e outros leitores e leitoras da coluna e deste espaço plural de comentários.

1. O PT e a esquerda do atraso, estão no papel histórico deles (repito, é história e quem for alfabetizado, pesquise por favor) que é a de destruir, para na terra arrasada, montar o palanque e prometer o impossível de todos serem iguais nas oportunidades; a única coisa que eles não dizem claramente, que este igual é ser pobre, dependente do estado burocrático, onde os mandatários sempre permanentes, são ricos e corruptos.

2. A imprensa no Brasil, passou ser única no pensamento a partir da década de 1960, com dois adventos: a resistência natural à ditadura militar de direita que impunha a censura nas redações - únicos canais de comunicação e opinião da e para a sociedade (hoje há redes sociais, aplicativos de mensagens e internet) -, bem como a proliferação das faculdades de jornalismo, na área de humanas das universidades, locais naturais de resistência da esquerda. Antes, a maioria dos jornalistas eram formados nas redações...

3. As escolas de jornalismo no Brasil não mudaram ao novo tempo ideológico pós abertura dos anos 1980, na necessária dialética. Continuaram a ser antros de resistências "democráticas" da esquerda do atraso, até certo ponto também resistentes nas novas tecnologias. Viraram madrassas e infestaram às redações - como únicas fontes produtoras de jornalistas - e como uma corporação da verdade comum, encurralaram até os próprios donos dos veículos.A história é longa. A realidade contradita à teoria. Vive isso. Sei o que escrevo.

4. Hoje nos anos 2018, ao menos, há uma luz mínima de contradição na imprensa brasileira cansada do pensamento único que se estatelou com mensalão, petrolão, roubalheiras, planos econômicos desastrosos, diminuição de oportunidades neste mercado de comunicação.... Mas, a majoritária esquerda do atraso que a infesta as redações dos grandes veículos, está entrincheirada, nervosa, desafiando, constrangendo e enfrentando.

5. Para finalizar. É aceitável que o PT e a esquerda do atraso tentem diminuir à importância das indicações, pois para eles, quando menos qualificado, vulneráveis na integridade e incapazes tecnicamente e nos resultados melhor, pois diminui o fator de sucesso do novo governo que não simpatizam, que não é a bandeira que sempre acreditaram como solução para o povo. Mas, a "imprensa" querer antecipadamente julgar um governo que nem começou, ai já é se estabelecer numa barraca de vidência e quiromancia barata e de charlatães.

6. Deixa o novo governo ao menos começar e então errar, se errar. Ou o medo é de que ele vai acertar e tirar a razão das redações ideológicas, fruto das madrassas do jornalismo brasileiro ? Wake up, Brazil!
Herculano
02/11/2018 12:06
NO FUNDO DO POÇO, por J.R.Guzzo, na revista Veja

Deve ser extraordinariamente pesado para Lula convencer o público de que é um "preso político" após a sentença que recebeu do eleitorado brasileiro

Quatro anos atrás, apenas quatro anos atrás, - ex­presidente Lula estava no topo do mundo - ou, pelo menos, acreditava que não havia ninguém acima dele no resto do planeta. Tinha sido presidente da República, eleito e reeleito, por oito anos seguidos. Nesse período, por uma razão ou outra, convenceu os grandes colossos do pensamento político brasileiro e internacional de que seu governo havia sido um fabuloso sucesso, e de que ele, pessoalmente, era um novo Stupor Mundi, o "Espanto do Mundo" neste despertar do século XXI. "He's the man",disse dele Barack Obama - ele é "o cara". Outros altos lordes da cena mundial, do secretário-geral da ONU ao Santo Padre o Papa, lhe prestavam homenagem. Economistas, sociólogos e filósofos acreditavam que Lula conseguira "avanços sociais" inéditos para o Brasil - uma combinação rara de distribuição de renda, eliminação da pobreza e progresso econômico. Tinha eleito sua sucessora Dilma Rousseff, uma nulidade da qual ninguém jamais ouvira falar ?" e, mais ainda, conseguira o quase milagre da sua reeleição, em 2014. Tinha sobrevivido a pelo menos um escândalo gigante, o da corrupção em massa de parlamentares do mensalão. Tinha descoberto o pré-sal e ia fazer o Brasil entrar na Opep. Tinha construído um estádio bilionário para o Sport Club Corinthians Paulista.

Neste domingo, ao se encerrar a apuração do segundo turno da eleição presidencial de 2018, Lula estava na lona ?" ou, se quiserem, continuava na sua viagem rumo ao fundo do poço, que ele iniciou dois ou três anos atrás e imaginou que fosse capaz de interromper com uma vitória eleitoral milagrosa. Seu candidato, Fernando Haddad, foi derrotado por um adversário que até seis meses atrás não existia na política brasileira. Confirmou-se, no segundo turno, o que foi anunciado no primeiro: Lula, hoje, é uma garantia de derrota para tudo o que aparece ligado ao seu nome. Quer ganhar uma eleição? Mostre ao eleitorado, como fez Jair Bolsonaro, que você é 100% contra Lula. Seu partido virou picadinho. Sua reputação continua em ruínas, e só afundou mais com a ação arruaceira do PT para tumultuar o pleito. Pior que tudo, Lula sai das eleições no mesmo lugar onde estava quando entrou nelas: na cadeia, cumprindo há sete meses uma pena de doze anos por corrupção e lavagem de dinheiro. Após mais de trinta anos no centro das decisões, pode estar a caminho de ser eliminado como uma força ativa na vida política do Brasil.

O que aconteceu com Lula e com o PT em tão pouco tempo? É extraordinariamente pesado para Lula, depois de usar um maciço sistema de forças, pressões e dinheiro para convencer o público de que é um "preso político" condenado sem "provas", receber a sentença que ele recebeu do eleitorado brasileiro: não, não queremos mais que você seja presidente; queremos, isto sim, que você continue na cadeia. Está na cara que em algum momento, entre as alturas de 2014 e o desastre da eleição de 2018, alguma coisa deu horrivelmente errado. O que foi? Na verdade, muitas coisas deram errado ?" ou, mais exatamente, quase nada mais deu certo desde o momento em que, já no segundo governo Dilma, a Justiça brasileira começou a investigar de verdade a corrupção no governo. A Operação Lava-Jato foi um terremoto em câmera lenta. Continua até hoje a mandar gente para a penitenciária, mas no início praticamente ninguém acreditava que aquilo fosse dar em alguma coisa. Nunca tinha dado. Por que iria dar agora?

Pior que estar errado é continuar errando, e nisso Lula tem se mostrado insuperável ao longo de seus anos de desmanche. Não é tão complicado assim entender o porquê. Um dos problemas do ex-presidente é essa coisa de dizerem o tempo todo que ele é um gênio da política, um cérebro com capacidade sobrenatural para sair ganhando de qualquer desastre em que se mete. Falam assim os devotos, os admiradores liberais, a mídia, o mundo e os adversários. A complicação é que o ex-presidente acredita nisso tudo. Parece não compreender que, quando os entendidos em política anunciam que Lula é capaz de voar, quem tem de acreditar é a plateia, não ele. Mas Lula acredita - e, como não voa, só pode mesmo acabar despencando no chão. Talvez ninguém tenha resumido a situação tão bem quanto o senador eleito Cid Gomes, do Ceará, ao ser confrontado com um pelotão de fiéis que gritavam "Lula, Lula", logo após o naufrágio no primeiro turno. "O Lula está na cadeia, babaca". Acontece que a Lava-Jato e o trabalho do juiz Sergio Moro, mais o Ministério Público, a Polícia Federal e o TRF-4 de Porto Alegre, acabaram, sim, dando em muita coisa ?" na verdade, jamais uma ação do Judiciário brasileiro deu em tanta coisa. Eventualmente, com o tempo, mostraram que o rei estava nu, ao provar que nos governos de Lula e de Dilma a prática da corrupção superou a roubalheira de qualquer outra época, talvez em qualquer lugar do mundo. Lula esteve entre os que não acreditaram que a terra começava a tremer. Estava errado.

Sua principal conquista, hoje, se resume a sair um dia da prisão ?" pouca coisa para quem já esteve na primeiríssima classe da vida. O fato é que o ex-presidente não soube reagir quando começou a sofrer derrotas, e a melhor demonstração disso é que não quis, em nenhum momento, admitir que tinha sido derrotado em alguma coisa. Em vez disso, e de pensar com seriedade nas causas de seus problemas, resolveu embarcar num cruzeiro de ilusões. Problema? Que problema? No primeiro tombo complicado, no episódio do Mensalão, começou dizendo que tinha sido "apunhalado pelas costas" e que o povo merecia "desculpas" - mas, um minuto depois de ver que ia escapar do desastre a preço de custo, voltou atrás e passou a jurar que não havia acontecido nada de errado, imaginem só que absurdo. Daí em diante, nunca mais acertou o passo. Como se livrou do primeiro desastre, achou que iria se livrar de todos - só que, na vida real, não estava se livrando de nada. Estava apenas aumentando o tamanho do buraco em que tinha se enfiado.

A sequência é bem conhecida. Lula errou horrendamente quando escolheu Dilma para guardar sua cadeira de presidente por quatro anos. Errou de novo quando ela não quis sair e inventou de ser reeleita; em vez de exigir que o "poste" fosse embora para que ele próprio se lançasse candidato à Presidência, como planejava, fez de conta que estava tudo bem. Seguiu-se, daí, a maior calamidade que Lula e o PT poderiam esperar - Dilma foi um desastre ainda pior depois da reeleição, e tanto ele como o partido ficaram olhando, sem fazer nada, enquanto a grande "gerente" mandava tudo para o espaço. Quando o povo foi para a rua, em multidões cada vez maiores, Lula e o PT decidiram que não estava acontecendo nada; era só um bando de "coxinhas" fazendo barulho no domingão. Quando perceberam, enfim, que aquilo tudo estava simplesmente levando ao impeachment de Dilma, perderam de novo. Lula tentou ser ministro - foi barrado pela Justiça, que a essa altura já estava roncando à sua volta. Mudou-se para Brasília, imaginando que tinha poder para virar a votação no Congresso a favor de Dilma. A sucessora acabou deposta por quase três quartos dos votos.

Não passou pela cabeça de Lula nem pela dos dirigentes do PT, a essa altura, que a situação toda estava indo para o saco. Ao contrário: acharam que a grande ideia era "ir para cima" e balançar ainda mais o barco. Inventou-se a lenda do golpe - não colou. Partiram para uma briga com a opinião pública, do tipo "ou eu ou ele", entre Lula e Sergio Moro, o "juizinho do interior" - deu Moro, disparado. Em vez de montar uma defesa jurídica profissional, técnica e voltada para a eficácia, Lula decidiu transformar seu processo numa "causa política", sonhando que "a população" fosse bloquear o trabalho normal da Justiça e salvar o seu couro - apesar de todas as provas de que "a população", já fazia muito tempo, estava pouco ligando para o que lhe acontecia. Ficou apostando em safar-se com trapaças jurídicas miúdas, ou com traficâncias no submundo dos tribunais superiores, ou com acertos secretos na "segunda turma" do STF - capaz, no imaginário petista, de salvar da cadeia não só Lula, mas quem Lula mandasse ser salvo. Não deu em nada. Com ele já trancado em sua cela em Curitiba, montou-se a fantasia de um acampamento gigante em torno da prisão, que ali ficaria "até Lula ser solto". No seu momento de maior esplendor, o cerco reuniu 500 pessoas. Chegou a ficar com setenta. Há muito tempo não existe mais. A "convulsão social" com "derramamento de sangue" prometida pelo alto-comando do PT jamais apareceu. "A ONU" mandou soltar Lula, anunciou-se através do mundo. Ninguém ligou - possivelmente nem a ONU.

A última tentativa de virar o jogo, com a campanha eleitoral, teve o seu desfecho neste domingo, com o resultado que se sabe. Como em quase tudo o que tem acontecido com Lula e o PT no passado recente, foi uma sucessão de erros, cegueira e ilusões. Começou com a alucinação de que Lula, preso e condenado em duas instâncias a doze anos de xadrez, seria o candidato do partido. Daí em diante só piorou. Em nenhum momento o ex-presidente tentou entender por que, afinal de contas, tanta gente estava querendo votar em Jair Bolsonaro. Nem ele nem o seu sistema de apoio se interessaram em pensar um pouco nas propostas do adversário ?" e muito menos em propor alguma alternativa a elas. Ficaram repetindo, do começo ao fim, a mesma lista de acusações a Bolsonaro, apesar do evidente pouco-caso da maioria do eleitorado em relação a todas elas ?" homofobia, racismo, fascismo, elogio à tortura, desprezo à mulher, defesa do porte de armas, intenção de criar uma ditadura no Brasil. Deram a impressão de não ter percebido que nada disso tirou um voto sequer do concorrente. Nem mesmo notaram a realidade básica de que não podiam tratar como "inimigo", ou "ameaça", um candidato que não era nem inimigo nem ameaça para os 50 milhões de brasileiros que votaram nele no primeiro turno. Onde está o "gênio político" que não prestou atenção a nenhuma dessas coisas?

Lula e o PT tiveram uma ilusão fatal, também, com a sua celebradíssima capacidade de "transferir votos" e de transformar "postes" em governantes vitoriosos. Há transferência a favor, claro, mas hoje em dia o problema é que Lula, ao mesmo tempo, transfere voto contra para os seus candidatos; ganha um, perde dois. Já transferiu com sucesso votos para Dilma e para o próprio Fernando Haddad, presenteado com a prefeitura de São Paulo. Mas aí era outro Lula. Já há dois anos, na última vez que se pôde medir seu condão de transferir votos, não transferiu nada ?" não funcionou, aliás, com o mesmo Haddad, que perdeu a prefeitura no primeiro turno para um adversário que nunca tinha disputado uma eleição na vida. O PT, nas eleições municipais de 2016, foi moído nas urnas. Lula, a essa altura, era um Lula a caminho da cadeia; já não conseguia eleger postes, como não elegeu agora. A ficha demorou a cair. A votação do primeiro turno avisou: "Fora, Lula". E qual a primeira coisa que Haddad fez logo depois de ter ouvido esse recado? Foi visitar Lula na cadeia.

Houve uma tentativa aparentemente desesperada, aí, para virar a casaca - mas já era tarde demais. Os cérebros estratégicos do partido acharam melhor, no segundo turno, que Haddad se transformasse num personagem de fic­ção, inexistente até a véspera. Queriam que ele aparecesse, de repente, como um sujeito que não tinha nada a ver com Lula. Tiraram o nome do ex-presidente da campanha, e sumiram as máscaras com o rosto de Lula sobrepondo-se ao de Haddad. O vermelho foi suprimido da paleta de cores do PT ?" tudo ficou subitamente verde-amarelo. O programa do candidato foi mudado: apagaram alguns dos pontos mais claramente suicidas e instruíram o até então Lula-Haddad-Lula-Haddad-Lula-Haddad a fazer uma cara de Fernando Henrique. Perda de tempo. Galinha que anda com pato, como ensina o dito popular, acaba morrendo afogada. Haddad andou tanto com Lula que acabou entrando na água com ele. Entrou vestido de verde-amarelo, mas a roupa a essa altura não adiantava mais nada. Também não adiantou fingir que era Haddad.

Em seu desabamento progressivo, Lula, com a ajuda empolgada do PT, quis representar o papel de mártir. Péssima ideia. Brasileiro, no fundo, não gosta de gente que está na cadeia. Não acha que as penitenciárias estejam cheias de injustiçados. Acha o contrário - que há muita gente culpada do lado de fora. Para a maioria do eleitorado, Lula não é vítima, nem preso político. É só um político ladrão que foi condenado - como deveriam ser nove entre dez dos que continuam soltos. Não é um julgamento sereno, mas é assim que a massa pensa e continuará pensando, e vai apenas perder seu tempo quem quiser convencê-la do contrário. Revela muito da decomposição política de Lula e do PT o fato de terem achado que uma cela de cadeia é um lugar capaz de despertar admiração no povo ou de servir como centro de comando de uma campanha eleitoral.

A vida é cheia de surpresas, como acaba de mostrar a eleição de Bolsonaro, e coisas que nunca aconteceram antes sempre podem acontecer um dia. Lula e seu complexo de forças, mais a quase totalidade dos que se dedicam a explicar o que ocorre na política brasileira, precisariam recomeçar do zero para ter alguma chance de entender, algum dia, o que está havendo com o Brasil de 2018 - e o que pode vir pela frente. Há várias maneiras de fazer isso, mas uma delas, certamente, é admitir que existe neste país uma imensa quantidade de gente inconformada com quase tudo o que o poder público lhe serviu nos últimos trinta anos, de José Sarney a Michel Temer. Os políticos perderam o controle das ruas ?" e para a esquerda, que sempre imaginou que a rua estaria do seu lado, a perda é uma calamidade ainda maior. O fato real é que Lula e seu partido não têm mais nada a ver com a massa, como não tinham nas manifestações de 2015 e 2016. Quem leva gente à praça pública, hoje, é o presidente eleito Jair Bolsonaro. Enquanto essa realidade não for encarada com firmeza, ele continuará sem competição verdadeira.
Mário Pera
02/11/2018 11:57
Não tendo ponto negativo a indicar nas primeiras nomeações para ministérios, feitas por Bolsonaro , setores da imprensa e definidos membros da esquerda atrasada ,puseram a fazer projeções e hilárcoes em torno do festejado futuro ministro Sérgio Moro. O PT até natural porque viu alguns de seus líderes e tesoureiros condenados implacavelmente , porém nada sob a tutela monocrática de Moro. Tudo está ratificado por colegiados , os Triibunais Siperiores . Já a imprensa q passou toda campanha aturando no guru da economia de Bolsonaro ,Paulo Guedes,que ousaram rotula-lo de " posto Ipiranga ", e depois foi surpreendida com seu vasto conhecimento e categoria em tratar todos os assuntos espinhosos. Pior desconheciam muitos , q deveriam saber,as qualificações de Marcos Pontes que irá para Ciência e Tecnólogia, a ponto do imortal da ABL Merval Pereira admitir que soube do currículo de Pontes num vídeo que recebeu no WhatsApp ... Então fazendo hilacoes de toda sorte. E a bola da vez está sendo Moro. Que mais uma vez mostrou coragem abrindo mão da carreira de magistrado pra entrar num espinhoso cargo que vai requerer extrema habilidade . Pior ainda a tese levantada de que a indicação de Moro pro STF não cairia bem em se tratando de juiz de primeiro grau ser levado ao tribunal mais elevado . O quer dizer de Tofolli ? Quem conseguiu passar em concurso pra juiz e seu maior patrimônio jurídico foi de ter sido assessor de José Dirceu na Casa Civil e ter advogado do PT.... A condescendia aos atos dos governos do PT tornando nomeação de ministros balcão de negócios parece que soava melhor a visão da imprensa. A preocupação de quem apostava num governo fechado e não competente evidente que vai se esvairindo. Acusação de facista e pronazista também já que Bolsonaro faz guinada forte de aliança com Israel ,ora ninguém que tenha qualquer apreço por Hitler e Mussolini tenderia a aproximar-se dos judeus e deles receber sinal de reciprocidade . Os intentos do PT e da imprensa atrelada nao se concretizam e ficarão fazendo apologias e devagando suas teses.. A carruagem vai passando .....
Herculano
02/11/2018 11:34
SIGLAS PARTIDÁRIAS DO CRIME

De Augusto Nunes, de Veja, no twitter

Tomara que Moro repita no Ministério da Justiça seu desempenho na condução da Lava Jato. Ele foi exemplar no combate à corrupção. É hora de enfrentar o crime organizado. E reduzir siglas como o PCC a más lembranças de um Brasil governado por bandidos fantasiados de políticos
Herculano
02/11/2018 08:41
NO MINISTÉRIO, BOLSONARO ENTREGA O QUE PROMETEU, por Josias de Souza

Em meio a interrogações e exclamações, Jair Bolsonaro vai entregando, até o momento, o que havia prometido: um ministério sem interferências partidárias. Poderia cercar-se de auxiliares medíocres. Preferiu encostar suas limitações em personalidades fortes. Três se destacam: o general Augusto Heleno, o economista Paulo Guedes e, sobretudo, o juiz Sergio Moro.

Com Heleno, Bolsonaro entregou as Forças Armadas a um estrategista que os militares respeitam muito. Com Guedes, confiou a economia a alguém que pode ser acusado de ultraliberalismo, não de desconhecimento técnico. Com Moro, Bolsonaro impermeabilizou sua futura administração com o verniz da Lava Jato.

Bolsonaro deu a Heleno, Guedes e Moro poder e estrutura de superministros. A partir de janeiro, haverá uma pulverização de atribuições e decisões que tende a fortalecer a entidade chamada "ministério" em detrimento da instituição presidencial. A atuação dos superministros da Defesa, da Economia e da Justiça pode passar a impressão de que há no Planalto um minipresidente. É nessa hora que o país vai saber se Bolsonaro é um sábio que delega poderes ou apenas uma crise esperando para acontecer.
Herculano
02/11/2018 08:39
ACENOS DE BOLSONARO NA ECONOMIA TÊM DE VIRAR RAPIDAMENTE AÇõES CONCRETAS, por Pedro Luiz Passos, empresário, conselheiro da Natura, para o jornal Folha de S. Paulo

É preciso evitar o risco de abreviar o voto de confiança digitado nas urnas pela maioria

As primeiras palavras de Jair Bolsonaro já na condição de presidente eleito, na noite de domingo (28), começaram a delinear as diretrizes de seu governo, depois de uma campanha raquítica em discussão programática por todos os candidatos, sem exceção, e em que a maioria votou mais com o fígado que com a razão.

Bons sinais foram emitidos em seu discurso de vitória, com a manifestação de respeito à Constituição e às instituições, em contraponto à retórica truculenta que pontuou seus sete mandatos de deputado federal.

Igualmente tranquilizadoras foram as manifestações de que falava a "todos os brasileiros", e não apenas aos seus eleitores, numa atitude necessária para começar a desarmar a tensão acirrada no segundo turno.

É um primeiro passo para criar um ambiente mais favorável ao encaminhamento dos graves problemas das contas públicas, da ineficiência do Estado e da baixa produtividade da economia.

Pela primeira vez, ele abordou de frente tais questões, de modo a tentar influenciar positivamente as expectativas, gerar confiança e balizar as decisões empresariais, virtualmente estagnadas há quase uma década.

Tais problemas, antigos e nunca resolvidos com firmeza, ganharam espaço relevante em suas falas e nas do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Aguarda-se o roteiro completo, especialmente quanto à encruada e essencial reforma da Previdência, já que, como se diz, o diabo mora nos detalhes.

Fortalecido pelo anúncio de que vai dirigir um megaministério, englobando Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior, Guedes listou, entre suas prioridades, a independência formal do Banco Central e um agressivo programa de privatizações, para abater dívida pública e dar agilidade à estrutura do Estado.

Tais intenções reforçam o viés liberal do novo governo, conforme sinalizado pelo presidente eleito. Nesse contexto, Guedes minimizou a importância do Mercosul em favor de um movimento de integração ampla do Brasil à economia global, com a derrubada gradual do protecionismo tarifário e de subsídios.

Para que tais iniciativas não hibernem indefinidamente no campo das boas intenções, esperam-se habilidade e perseverança do novo presidente para enfrentar uma quantidade infindável de lobbies tão ativos quanto retrógrados.

A revoada de missões rumo a Brasília com "sugestões ao novo governo" se intensificou nesta semana. Todo cuidado é pouco, uma vez que são estes que se opõem à modernização da economia, entre corporações de funcionários, ameaçadas de perder seus privilégios, e grupos empresariais interessados em retardar o processo de abertura da economia.

Além disso, Bolsonaro terá de conciliar a visão liberal e internacionalista que parece predominar na orientação econômica do futuro governo com o histórico de nacionalismo do estamento militar. Já houve discordâncias, por exemplo, quanto à amplitude das privatizações, insinuando que podem existir fontes de conflito entre as duas correntes.

Tais desafios e contradições não são inéditos às coalizões de forças que dominam a política nas últimas décadas. A incapacidade de superá-los levou ao colapso dos partidos políticos e à estagnação econômica, formando o pano de fundo da enorme insatisfação social refletida nas eleições.

Os acenos de Jair Bolsonaro, por tudo isso, precisam transformar-se rapidamente em ações concretas, sob o risco de abreviar o voto de confiança digitado nas urnas pela maioria dos eleitores.
Herculano
02/11/2018 08:34
herculano53@hotmail.com
DESAUTORIZADO

A edição desta sexta-feira, requenta uma informação citando fontes da equipe econômica do futuro presidente, da volta do imposto único, para substituir parcialmente a contribuição patronal da previdência

No twiter, Jair Bolsonaro acaba de escrever

Desautorizo informações prestadas junto a mídia por qualquer grupo intitulado "equipe de Bolsonaro" especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência, etc.

Volto: desautorizar é bem diferente do que negar. Bolsonaro não negou, apenas sonegou algo que está em gestação na equipe e que não deveria vazar. Jornalismo é isso, fuçar, investigar, antecipar...
Herculano
02/11/2018 08:27
O SISTEMA ATACA O ANTISSISTEMA

Conteúdo de O Antagonista. O Estadão desaprovou a escolha de Sergio Moro para o superministério de Jair Bolsonaro e, em editorial, aproveitou para atacar a Lava Jato:

"Há muito tempo a Lava Jato vem extrapolando seus limites e objetivos, exercendo influência direta na política ao criminalizar políticos de praticamente todos os partidos - o que, de certa forma, abriu caminho para a ascensão de Jair Bolsonaro, um deputado do baixo clero que construiu sua candidatura com base num violento discurso antissistema.

A nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, com a promessa de concentrar imensos poderes, atende plenamente aos objetivos imediatos de Jair Bolsonaro, materializando suas promessas palanqueiras de combate à corrupção; já para o futuro ministro e para o País, a médio e longo prazos, a manobra oferece substanciais riscos - que oxalá não se concretizem. A ânsia nacional de moralização dos hábitos políticos e administrativos não pode ser frustrada."
Herculano
02/11/2018 08:16
MINISTÉRIO DO TRABALHO PODE VIRAR Só SECRETARIA
Transformada em repartição praticamente sem utilidade, o Ministério do Trabalho pode estar com os dias contados. Estudos sobre a mesa da equipe que assessora o presidente eleito Jair Bolsonaro recomendam, senão a extinção, ao menos a perda de status do ministério que virou antro de escândalos de corrupção. A tendência seria sua redução a Secretaria do Trabalho, subordinada ao ministério de Paulo Guedes.

SEMPRE CABE MAIS UM
Além de Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento Industrial, o futuro ministro Paulo Guedes também responderia pela área do Trabalho.

MINISTRO PARA QUÊ?
Há anos o ministro do Trabalho apenas divulga a cada mês o Caged, levantamento sobre queda ou alta de empregos de carteira assinada.

MINISTÉRIO PARA QUÊ?
O Ministério do Trabalho custa quase R$2 bilhões por ano e apenas favorece negociatas como a venda de cartas de criação de sindicatos.

REFORÇO NAS DELEGACIAS
O novo governo deve reforçar fiscalização, a cargo de auditores do trabalho lotados nas delegacias regionais do trabalho (DRTs).

ALA DO STF RESISTIA A MORO: 'JUIZ DE PRIMEIRO GRAU'
Parte do Supremo Tribunal Federal (STF) torcia o nariz, de quase asco, à eventual indicação de Sérgio Moro como ministro da corte em razão de um velho preconceito: ele é "apenas juiz de primeiro grau". Mas esses mesmos ministros não se opõem à nomeação de Moro após uma temporada no Ministério da Justiça. Isso funcionaria como forma de "limpar" a biografia de Moro. Quanta bobagem. Até porque a maioria dos ministros do STF não tem experiência anterior na magistratura.

RITO DE PASSAGEM
A aceitação do convite de Bolsonaro, confirmada ontem, "pavimenta" seu eventual ingresso no STF, quando surgirem as primeiras vagas.

VAGA Só EM 2020
A próxima vaga no STF surgirá com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que atingirá os 75 anos em 1º de novembro de 2020.

MINISTÉRIO REFORÇADO
Sob Moro, o Ministério da Justiça ganhará o Coaf e CGU e ele teria autonomia para reformular a Polícia Federal, por exemplo.

SELFIE COM MORO
O general da reserva Augusto Heleno, futuro ministro da Defesa, ficou tão feliz com Sérgio Moro no governo Jair Bolsonaro, que já sabe o que fazer quando for apresentado a ele: "Vou fazer uma selfie".

MEMóRIA CURTA
Críticos de Sérgio Moro no Ministério da Justiça mal escondem a militância e demonstram conveniente memória curta. Ele deu a primeira sentença de Lula, mas depois todos os demais tribunais do País, do TRF-4 ao STF, passando pelo STJ, confirmaram a condenação.

MORO NÃO ESTAVA Só
Sérgio Moro certamente fará falta à Lava Jato, mas ele não estava só na luta conta os ladrões de dinheiro público. Além dele próprio e de um exército de procuradores e policiais, 14 juízes participam da operação.

GUERRA É GUERRA
Era tão positiva a notícia sobre Sérgio Moro no governo Bolsonaro que alguns coleguinhas, revoltados, deram um jeito de tumultuar a coletiva do juiz federal à saída do condomínio onde mora o presidente eleito.

QUOCIENTE
A expectativa dentro do PV é que o partido pode deixar de existir a partir já das próximas as eleições. Segundo contas próprias, o PV só cumpriu o número mínimo do quociente eleitoral por 501 votos.

LAVA JATO AMPLIFICADA
O senador Roberto Rocha (PSB-MA) acredita que Sérgio Moro vai "alargar os avanços no combate à corrupção" no Ministério da Justiça: "Demonstra desprendimento e amplificará os efeitos da Lava Jato".

O JOGO CONTINUA
Apesar de o 2º turno ter se encerrado há menos de uma semana, políticos, marqueteiros e estrategistas já estão com a cabeça no ano que vem. Já tem pesquisa eleitoral marcada para março e abril.

PENSANDO BEM...
...só no País que admitiu eleger um ladrão presidente a imprensa abre espaço generoso a quem ataca a nomeação de um juiz honrado, herói da luta contra a corrupção, para o cargo de ministro da Justiça.

SENADOR DENUNCIADO POR SER LOBISTA DOS CARTóRIOS
O projeto aumentando em 747% valores cobrados pelos cartórios do DF para carimbar papéis, para reconhecer firmas ou autenticar fotocópias, lançou luz sobre o milionário lobby dos donos de cartórios, que há anos atua no Congresso. Em acalorada discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador José Pimentel (PT-CE) apresentou voto em separado, apontou para o colega Hélio José (Pros-DF), em fim de mandato, e o acusou de ser "lobista de cartório".
Herculano
02/11/2018 07:49
CONTRATO POLÍTICO TORNA MORO SóCIO DO PROJETO DE PODER DE BOLSONARO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Juiz se beneficia de suas ações e passa a viver na arena que trabalhou para moldar

Sergio Moro assinou um contrato político. Ao entrar no primeiro escalão do próximo governo, o juiz da Lava Jato se torna sócio inquestionável de um projeto de poder.

Embora não fosse um jogador inscrito no torneio, o futuro ministro da Justiça reconfigurou o tabuleiro da eleição. Ao longo dos últimos anos, autorizou operações contra caciques políticos, condenou dirigentes partidários e mandou prender o candidato que liderava as pesquisas antes de ir para a cadeia.

É difícil ignorar a influência de Moro sobre o resultado das urnas. O presidente eleito reconhece. "Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando", disse Jair Bolsonaro, horas depois de confirmar a nomeação do juiz.

Quando aceita um cargo com superpoderes no novo governo, Moro se beneficia diretamente de suas ações. O juiz passa a ser um personagem da arena política e eleitoral que ele mesmo trabalhou para moldar.

Moro tenta pegar um atalho para evitar a repetição do que ocorreu com a Operação Mãos Limpas. Estudiosos do caso italiano dizem que a corrupção sobreviveu porque políticos eleitos na esteira das investigações minaram os mecanismos de combate ao crime. No centro do poder, o juiz quer blindar a Lava Jato.

O preço da migração é alto. Moro agora se confunde com o projeto Bolsonaro e passa a viver na engrenagem central do mecanismo da política. Por um lado, passa a ser citado como nome forte para a sucessão presidencial em 2022 ou 2026. Por outro, estará sujeito a pressões (como todo ministro) e será julgado na história pelos sucessos ou fracassos do governo que vai integrar.

Na mesma entrevista em que disse que jamais entraria na política, em 2016, Moro argumentou que o apoio da opinião pública foi fundamental para a Lava Jato. E emendou: "Mas tudo é passageiro, não é? Tem um velho ditado em latim que diz 'sic transit gloria mundi'. Basicamente, 'a glória mundana é passageira'".
Herculano
02/11/2018 07:41
AS REGRAS DAS ESCOLHAS DOS ASSESSORES PELOS POLÍTICOS

No Twitter, Maria Paula Lauffer me responde a um tuite do @olhandoamare

"Nas eleições do mês passado o povo já começou a demitir os políticos da velha República!"

Volto.

E qual era o tuíte do @olhandoamare que motivou tal resposta?

"César Maia,pai d Rodrigo,ensina a razão pela qual os políticos matreiros nunca indicam gente acima d qualquer suspeita p a gestão pública e assim preferem os identificados com o bando, p coagi-los na esbórnia,incompetência e corrupção continuada contra o patrimônio do povo"

E o que César Maia, DEM, que já foi vereador e prefeito da falida sob todos os aspectos do Rio de Janeiro e agora se elegeu senador pelo estado fluminense, escreveu?

"Máxima dos políticos sêniores: nunca nomeie quem você não pode demitir."

Referia-se a quem: a escolha do Juiz Sérgio Fernando Moro, um técnico, de ilibada reputação, uma imagem institucional forte e reconhecida até aqui - o futuro de todos nós sempre é incerto - pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, para ser ministro da Justiça e Segurança Pública.

Entenderam a razão pela qual em Gaspar e Ilhota as escolhas são feitas premiando os fracos, os políticos cabos eleitorais, os curiosos, os familiares e não técnicos nos cargos de comissão e confiança sem antes prestigiar a própria carreira interna?

Entenderam a razão pela qual não houve mudança alguma na eleição de prefeito e vereadores em 2016, apesar de em Gaspar, o eleito ser um jovem, evangélico, que tinha sido vereador e se preparado para tal por oito anos, sem nada ter administrado antes?

Entenderam a razão pela qual o desempenho desse pessoal, incluindo o PT e a esquerda do atraso - adversários do atual governo, mas tão velhos quanto nas práticas políticas foi tão pífio para algo que podia representar o novo, menos em Gaspar, pelos fatos que relatei na coluna desta sexta-feira?

Entenderam a razão da credibilidade do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo e de maior circulação em Gaspar e Ilhota, bem como o portal que é o pioneiro, também é o mais acessado e atualizado? Entenderam o porquê da coluna ser formadora de opinião?

Os tempos mudaram e os políticos resistem. Eles precisam de gente fraca ao seu lado para fazer da forma deles, inclusive a errada, e não dando certo por qualquer motivo ou avaliação própria, demiti-la a qualquer momento e recolocar outra, fraca e do seu melhor interesse, como bem advertiu a velha raposa César Maia, pai de Rodrigo Maia, o que já está contra as mudanças e o protagonismo de Jair Bolsonaro e sua equipe de técnicos.

E por que Rodrigo resiste à transição de governo mandando recados? Simples: a diminuição das boquinhas para a indicação de desempregados, ladrões e incompetentes que podem ser manipulados e demitidos a qualquer momento se não se enquadrarem nos resultados como cabos eleitorais e arrecadadores de propinas dos nossos pesados impostos para as organizações criminosas disfarçadas de políticos, de governo de plantão, de partido político, de amigos dos amigos... Acorda, Gaspar!
Herculano
02/11/2018 07:14
da série: virtuoso diante do óbvio é uma coisa, diante da pressão paroquial de interesses é outra. Neste caso específico, é para o óbvio. Já na maioria dos casos que relato na coluna para Gaspar e Ilhota, é paroquial - sem trocadilhos - e por interesses de todos os tipos, inclusive no meio ambiente.

ESCREVI 6 POSTS CONTRA A FUSÃO DA AGRICULTURA COM O MEIO AMBIENTE. TUDO INDICA QUE BOLSONARO DESISTIU. RECUAR PARA FAZER O CERTO E VIRTUOSO, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Pois é. Nesta quinta, Jair Bolsonaro, presidente eleito, deu um sinal de que os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente não devem mesmo ser fundidos numa única pasta. Escrevi aos menos seis posts no blog contra a fusão. E o argumento principal é escandalosamente óbvio: o agronegócio é o peso principal na balança comercial brasileira. Juntar aquele que é um órgão de fiscalização com a atividade a ser fiscalizada corresponde a lançar no mundo uma sombra de suspeição sobre a produção agropecuária brasileira.

Sim, há muito a fazer no Meio Ambiente para evitar, por exemplo, sobreposição de fiscalizações. Há casos em que o ente municipal não se entende com o estadual, que, por sua vez, não entra em acordo com o federal. Também é possível que haja casos de atuação indevida de fiscais, como acusam alguns produtores. Corrigir desarranjos é uma coisa. Escolher o erro é outra. E a fusão seria um erro. Enquanto escrevo ao menos, vale a palavra de Bolsonaro da quinta: tudo indica que os ministérios seguirão separados.

O presidente eleito diz não querer um xiita no Meio Ambiente. Bem, é preciso que defina o que é isso. No que diz respeito à produção agropecuária e à área destinada à agricultura e à pecuária, a referência é o bom Código Florestal que temos. Bolsonaro, por ora, recuou também da ideia de retirar o Brasil do Acordo de Paris ?" outra proposta que não faz sentido.

Para um presidente que diz que o Brasil não pode ser prejudicado por escolhas ideológicas, essa conversa toda era pura ideologia. Parece que está prevalecendo o bom senso. Não sei o que ele considera um "xiita" na área ambiental. A mim me basta alguém que faça cumprir as leis. Ou, então, para brincar com a palavra: que seja um xiita da legalidade.

Seguem os títulos, para os textos que escrevi. Os bolsonaristas não precisam me mandar dedinhos para cima. Faço o meu trabalho sem depender de aprovação ou reprovação de torcidas organizadas.

- Confusão ainda permanece em Agricultura com Meio Ambiente. Transição mal começou, mas a confusão já é grande. Mourão, o vice, está certo
- PELA ORDEM! A turma de Bolsonaro acerta ao tentar manter equipe econômica se vencer e ao não fundir a Agricultura e o Meio Ambiente
- Fusão de ministérios da Agricultura e Meio Ambiente pode ser revista, diz aliado de Bolsonaro
- Bolsonaro já comprou de antemão confusão que é desnecessária e que só serve à ideologia: a fusão das pastas da Agricultura e Meio Ambiente
- Pesos-pesados do agronegócio acham que fusão de agricultura com meio ambiente vai gerar mais dificuldades para os produtores do que respostas
- Homem de Bolsonaro para agronegócio e meio ambiente está fazendo confusão. Em defesa do agro e da natureza, eu a desfaço. Com leis!
Herculano
02/11/2018 07:06
BOLSONARO É UMA CRIAÇÃO DO PT?, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Erros do partido contribuíram para a ascensão dele, mas outros elementos também intervieram

Para responder à pergunta do título, precisamos explorar um pouco a cadeia da causalidade. Tudo tem causas proximais e distais. Quando eu digo que o vírus provocou a doença no paciente, estou me referindo à causa mais imediata. Mas, se eu quiser ser mais abrangente, poderia mencionar também causas mais remotas, como as comorbidades de que ele padecia e fragilizavam seu sistema imune e até seus péssimos hábitos de higiene, que acabaram facilitando a entrada do vírus.

Para fazer jus ao título de "criador", o agente precisa ser causa imediata ou pode estar um pouco mais afastado na cadeia? É fácil ver que as posições extremas levam a paradoxos. Se eu for muito rigoroso ao exigir que a causa seja imediata, teria de inocentar o pistoleiro que erra o tiro disparado contra a vítima, mas a faz sair em disparada pelas ruas e ela morre atropelada.

Se for excessivamente liberal, teria de responsabilizar o Big Bang por todos os problemas do mundo. Foi, ele, afinal que gerou a matéria - e não há nada que classifiquemos como problema que não envolva átomos.

Voltando a Bolsonaro, dá para dizer que ele é uma criação do PT? O partido de Lula, embora seja um cofator relevante do fenômeno Bolsonaro, não é obviamente sua causa imediata. Eu diria que qualquer um que pretenda fornecer uma explicação minimamente completa da eleição de 2018 terá obrigatoriamente de apontar os muitos erros cometidos pelo PT que contribuíram para a ascensão do futuro presidente, mas me parece um exagero atribuir ao partido a paternidade exclusiva da encrenca. Muitos outros elementos também intervieram, como as hesitações dos tucanos e a competente utilização das redes sociais pela campanha de Bolsonaro.

No final das contas, a causa imediata da eleição do capitão reformado foi o fato de que ele obteve o voto da maioria dos eleitores. É o que acontece nas democracias, para o bem e para o mal
Herculano
01/11/2018 21:00
QUASE TODOS OS MESES, O PREFEITO DE GASPAR, KLEBER EDSON WAN DALL, MDB, VAI A BRASÍLIA E Só SE SABE DISSO E DA AGENDA SURPRESA, QUANDO ELE ESTÁ LÁ, E PELA SUA REDE SOCIAL COM FOTINHOS DE POLÍTICOS QUE DEVERIAM ESTAR POR AQUI.

DA PRóXIMA VEZ, KLEBER DEVERIA IR AO RIO DE JANEIRO PARA DAR ALGUNS CONSELHOS AO PRESIDENTE ELEITO JAIR MESSIAS BOLSONARO, PSL, E PEDIR PARA BOLSONARO PARAR COM AS INDICAÇõES TÉCNICAS, COM GENTE CAPACITADA, PARA OS MINISTÉRIOS E FAZER COMO FOI FEITO EM GASPAR.
Herculano
01/11/2018 20:48
BARRARAM NÃO OS VEÍCULOS, MAS OS LEITORES

De João Amoêdo, do Novo, no twitter

Ao barrar os veículos de imprensa, Bolsonaro barra, na verdade, os leitores desses veículos.
Herculano
01/11/2018 20:46
BOLSONARO BARRA FOLHA E OUTROS JORNAIS EM PRIMEIRA ENTREVISTA COLETIVA COMO PRESIDENTE ELEITO

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Luisa Leite e Talita Fernandes, da sucursal do Rio de Janeiro. Na primeira entrevista coletiva de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente eleito, foram selecionados os veículos que poderiam participar. A Folha ficou de fora da lista de autorizados.

Bolsonaro recebeu a imprensa na tarde desta quinta-feira (1º) em sua casa, no condomínio Vivendas da Barra, zona Oeste do Rio.

Foram autorizados a entrar no local representantes de nove veículos: TV Globo, GloboNews, Band, Jovem Pan, Reuters, SBT, Record TV, UOL, Rede TV! e G1.

A reportagem da Folha, junto de outros veículos, como O Estado de S. Paulo, O Globo, Valor Econômico, CBN e EBC, não entrou.

Na portaria, uma policial federal identificada apenas como Patrícia chamou os nomes que estavam numa lista previamente organizada.

Questionada pela reportagem, ela não soube dizer por que a Folha não constava na lista. "Autorização é de dentro para fora", limitou-se a dizer.

Ela afirmou que tentaria incluir o nome dos veículos que haviam sido barrados e, ao final, alegou limitação de espaço.

Bolsonaro recebeu um grupo de 21 jornalistas e, em alguns casos, um mesmo veículo estava representado por mais de um profissional. O UOL, empresa do Grupo Folha, tinha dois repórteres.

Uma foto mostrada à reportagem revela a existência de espaço livre no local onde a entrevista foi concedida.

Quando o capitão reformado ainda estava em campanha, a Folha presenciou a entrada de grupos grandes, como representantes da indústria, ruralistas e parlamentares da bancada da bala.

Ativo nas redes sociais, Bolsonaro não conta com uma assessoria de imprensa e, portanto, as entrevistas concedidas por ele são avisadas de última hora, muitas vezes por outros jornalistas.

Neste caso, a reportagem soube da possibilidade desta entrevista coletiva e fez o primeiro contato com Tércio Arnaud, assessor do gabinete do filho de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), e não obteve retorno.

Arnaud não atendeu as ligações nem respondeu aos pedidos para inclusão na lista de autorizados.

A primeira tentativa de credenciamento ocorreu por volta das 14h. Após ligações não terem sido atendidas, foram registradas mensagens via WhatsApp.

Após a entrevista, o assessor respondeu. Alegou que a restrição foi necessária por causa do espaço físico do local. "Tem a questão de a segurança PF não dar conta de revistar e fazer a segurança exata com tantos repórteres", disse.

Durante a entrevista, ao ser questionado sobre a restrição da entrada de alguns repórteres, Bolsonaro declarou: "A imprensa está muito diversificada, eu cheguei aqui graças às mídias sociais. Quem vai fazer a seleção de qual imprensa vai sobreviver ou não é a própria população".

"A imprensa que não entrega a verdade vai ficar para trás", disse. "Eu tenho a maior consideração por vocês, eu não mandei restringir ninguém não", afirmou.
Herculano
01/11/2018 20:33
COM MORO, BOLSONARO TRANCAS O PT NA SUA FÁBULA, por Josias de Souza

A campanha eleitoral de 2018 impôs ao PT o desafio de superar sua lulodependência. O partido deveria guindar Lula à condição de totem e iniciar sessões de fisioterapia política para aprender a andar sem a muleta presidiária. Entretanto, num instante em que uma ala do petismo cobrava internamente a abertura de novos caminhos, Jair Bolsonaro trancou os arquirrivais na velha fábula da perseguição política. Fez isso ao tornar Sergio Moro ministro da Justiça.

"...Sergio Moro revelou definitivamente sua parcialidade como juiz e suas verdadeiras opções políticas. Sua máscara caiu", escreveu o PT em nota oficial. "Moro foi um dos mais destacados agentes do processo político e eleitoral. Desde o começo da Operação Lava Jato agiu não para combater a corrupção, mas para destruir a esquerda, o Partido dos Trabalhadores e o governo que dirigia o país." Indagado sobre a reação, Bolsonaro divertiu-se: se eles estão reclamando, é sinal de que acertamos, declarou.

Com um único movimento, o capitão atingiu dois objetivos: impermeabilizou sua futura administração com o verniz da Lava Jato e manteve o PT no círculo vicioso da criminalização da política. Como se sabe, o PT foi criminalizada pelos criminosos petistas que violaram cofres públicos ou autorizaram o roubo, beneficiando-se dele. Lula meteu-se nessa encrenca porque quis.

Ao içar Sergio Moro de Curitiba para Brasília, Bolsonaro ofereceu ao PT um demônio providencial para o qual transferir as culpas por todos os seus fiascos. O tempo que os rivais utilizariam para estruturar a oposição é desperdiçado no esforço para tentar transformar corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em perseguição política.

A nota do PT bateu bumbo: "Moro sempre foi um juiz parcial, sempre agiu com intenções políticas, e isso fica evidenciado aos olhos do Brasil e do mundo, quando ele assume um cargo no governo que ajudou a eleger com suas decisões contra Lula e a campanha de difamação do PT que ele alimentou, em cumplicidade com a maior parte da mídia."

Ao morder a isca de Bolsonaro, o PT revela que não aprendeu muita coisa com o castigo das urnas. Quem elegeu o capitão foi a maior força política da temporada de 2018: o antipetismo. Trancafiado em sua fábula, o PT ainda não notou. Entretanto, perto do maremoto provocado pela aversão do eleitorado ao PT, a influência de Moro e o poder da mídia não passam de chuviscos.

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