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OS VEREADORES DE GASPAR NÃO ENTENDERAM A RAZÃO DA ?GREVE DOS CAMINHONEIROS?. DISCURSOS DEMAGÓGICOS E NENHUMA ATITUDE CONCRETA PARA DIMINUIR OS PESADOS IMPOSTOS QUE PAGAMOS EM TUDO - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

OS VEREADORES DE GASPAR NÃO ENTENDERAM A RAZÃO DA 'GREVE DOS CAMINHONEIROS'. DISCURSOS DEMAGÓGICOS E NENHUMA ATITUDE CONCRETA PARA DIMINUIR OS PESADOS IMPOSTOS QUE PAGAMOS EM TUDO - Por Herculano Domício

04/06/2018

Na sessão de terça-feira à noite, não se discutiu e votou um projeto sequer a favor – nem contra - da cidade e do cidadão gasparense. Mas, gastou-se quase três horas da terceira sessão noturna falando a mesma coisa: a “greve dos caminhoneiros” que foi feita por patrões como se prova abundantemente agora e tinha escrito isso várias vezes aqui e por políticos - gente meio sem noção que querem à volta da ditadura militar. Tudo por diesel mais barato e que vai ser pago por mais pesados impostos por todos os brasileiros, fato que resultará na desorganização da economia, retração do PIB, mais desemprego, menos frete, mais inflação...

Esse tema é passado, entretanto, o terrorismo não. Tanto, que todo o final de semana, as redes sociais do pessoal intervencionista - que usou os caminhoneiros - convocaram e afirmaram que haveria novos bloqueios a partir de hoje para reforçar a causa deles. Se aparentemente o lock out é coisa passada, vamos ter que lidar com as consequências dele e suportá-las naquilo que elas exigirão de cada cidadão.

O que fundamentou a greve dos caminhoneiros com a adesão voluntária e verdadeira crença, ou omissa e até por coação de parcelas da sociedade? Os pesados impostos que pagamos em tudo, o alto índice de corrupção, as injustiças da Justiça contra os políticos corruptos, a falta de oportunidade e emprego para trabalhadores qualificados e jovens, bem como a repulsa aos políticos demagogos e que não representam adequadamente à sociedade, mas que quando eleitos têm o mandato popular para a busca coletiva das soluções aos problemas da cidade, do estado e do país e não o fazem, e quando exercem, só eles ganham.

Pois bem. Os vereadores de Gaspar para estarem bem na foto com os grevistas – todos até possuem um caminhoneiro na família nesta hora de solidariedade - resolveram encontrar vários culpados pela desorganização do estado e dos preços dos combustíveis, menos os próprios políticos e que estavam sendo questionados nos bloqueios.

Os impostos estão insuportáveis para o bolso dos brasileiros, porque os políticos, na má gestão, no privilégio e na roubalheira para si e para seus grupos de interesses, amigos e parentes, aumentaram os tributos de todos os tipos, em qualquer coisa, no nosso nome sob a nossa mansidão.

Governo não fabrica dinheiro. Ele, por meio dos políticos no Congresso, Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais, nos impõe impostos, taxas e contribuições de todos os tipos, para sustenta-lo. Ele cobra no feijão, no arroz, na carne, no leite, na água, na luz, no remédio, no pedágio... e no combustível, porque sabe que não temos saída.

Quantos cortes na sua própria carne fizeram como propostas os vereadores de Gaspar – a exceção do líder do MDB Francisco Solano Anahaia - para diminuir a cobrança de algum imposto aos gasparenses? Nenhum!

DISCURSOS BONS AOS OUVIDOS DOS INSATISFEITOS E APLAUSOS DE QUEM PAGA A CONTA

Sobre a necessária redução no tamanho do estado, fim do fundo partidário, cortes de cargos e benefícios em todos os níveis e que toda economia seja para redução dos pesados impostos, nada. Ao contrário. Ouvi, estarrecido, Wilson Luiz Lemfers, PSD, oposição, empregado de uma multinacional onde sempre no refeitório dela e por décadas se alimentou por empresas terceirizadas, manifestar-se contra isso na elaboração, distribuição e controle da merenda escolar em Gaspar e a sustentação de empregos temporários, para uma tarefa que nem mais existe no município, diante dessa terceirização.

E o presidente da casa, Silvio Cleffi, PSC, nada falou sobre a retirada em definitivo da sua proposta para a contratação de um “procurador geral”, comissionado com mais de R$9mil por mês. Quem paga tudo isso? Os pesados impostos dos gasparenses.

Então, enquanto não diminuir a máquina estatal de comer, desperdiçar e roubar dinheiro do povo, os impostos vão sair de um lugar e serem cobrados em outro como é o caso do diesel. E nada vai mudar. Os verdadeiros caminhoneiros vão continuar comendo bolachas, seus filhos políticos continuarão até chorando para cena, apoiando movimentos populares, involuntários e duvidosos, tudo para não perder votos. Entretanto, mudar de verdade e cortar na própria carne para pelo menos dar exemplos, nada.

Outubro está aí. E tudo ficará, pelo jeito que caminha, igual. Pois todos os vereadores que discursaram na terça-feira à noite, são cabos eleitorais de gente que não possui nenhuma proposta concreta para mudar e diminuir a carga tributária pela eficiência do estado e a transparência dos políticos na nossa representação. E nós estamos pagando essa mais essa farra: R$2 bilhões de reais, que custará outra centena de bilhões de reais quando essa gente tomar posse e ficar na função por quatro anos.

Os vereadores de Gaspar – a exceção, repito, foi Anhaia - não entenderam a razão da “greve dos caminhoneiros”, apoiam, discursam, mas, não fazem nada de concreto por uma máquina pública mais enxuta, eficiente, sem cabide de empregos para incapazes, amigos e parentes, com menos impostos e mais retorno para a sociedade.

A GLOBO E OS POLÍTICOS OPORTUNISTAS DE SEMPRE PARA DESQUALIFICAR A IMPRENSA QUE NÃO OS ATENDE NOS SEUS INTERESSES PARTICULARES, PODER OU IDEOLÓGICOS

Eu não estou defendendo a Globo, mas expondo a incoerência permanente dos políticos e dos poderosos de plantão que encontram na imprensa um problema quando ela não é a portavoz das suas verdades ou pior, jogos de interesses. Defendo o jornalismo plural. E pluralismo não é o que está num só veículo líder e que se fez pela competência, mas quando há veículos fortes na sociedade que expõem o mesmo tema sob ângulos diferentes.

O presidente da Câmara, Silvio Cleffi, PSC, cria do irmão de templo, político e prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, traiu ele num pacto que tinha para o então bloco de apoio ao governo. Com os votos oposicionistas de Kleber, PT, PDT e PSD, Silvio virou presidente da Câmara e deu maioria à oposição que encurralar o próprio Kleber. É do jogo. Silvio se queixa quando se lembra isso na tribuna ou aqui, principalmente. É do jogo. É da transparência. É da história. É do risco da atitude que tomou e que é exposta para julgamento que não quer. Então nada se mudará. Revela apenas ensinamentos e principalmente preocupações futuras.

Na sessão de terça-feira, Silvio confessou que há pelo menos cinco anos que na casa dele não se assiste a Rede Globo, cuja recomendação expressa, também ele a deu aos seus. Absolutamente normal e deve ser respeitada. É do jogo. Lá em casa, assiste-se muitas coisas, até a Globo. E a minha cabeça e a do meu pessoal, por assistir coisas diferentes, é capaz de produzir julgamentos e discernimentos com mais pluralidade. Também é normal. São escolhas. E devemos responder por elas.

O que não é normal? É que para justificar que a Globo teve um lado na “greve dos caminhoneiros” na opinião dele, é que de “raspão”, em algum lugar público, Silvio Cleffi, sem querer, assistiu a uma reportagem da Globo com esse viés que não lhe agradou, julgou parcial e contra as reinvindicações dos que ele diz agora defender. Ai, ai, ai. É sempre assim: “eu não assisto novelas, mas às vezes a minha empregada está lá na cozinha assistindo-as e aí eu passo ...”

NÃO ASSISTE, MAS NA INCOERÊNCIA A USA PARA PROPAGAR A SUA VERSÃO

O que não é normal e é mais grave? Quando o novo grupo de vereadores que Silvio apoia quis expor o prefeito Kleber, agora seu adversário, no caso da falta de respostas aos requerimentos dos vereadores, obrigando-o por um mandado de segurança, quem esse grupo identificado ideologicamente com as redações que minguam nos empregos foi buscar para fazer uma entrada ao vivo da própria Câmara no Jornal do Almoço? A afiliada da Globo, a NSC, de Blumenau.

O que não é normal e mostra a face do “engana que eu gosto”? Quando o próprio Silvio, médico, no seu dever, competência e da qual não se deve questionar nesse procedimento, descobriu que o médico regulador e diretor técnico do Hospital de Gaspar, o anestesista José Alberto Dantas, estava trabalhando apesar da suspensão do Conselho Federal de Medicina. Quem Silvio e seu assessoramento bem acionaram para o circo? A afiliada da Globo em Blumenau, a NSC, a que ele não assiste, a que tem um lado, a que é parcial, a que manipula a mente dos brasileiros, a que deve ser banida para o bem do jornalismo e da sociedade.

E por que os vereadores do grupo onde está Silvio Cleffi fizeram isso várias vezes e farão muito mais? Para ter a audiência da líder, para falar e sensibilizar mais pessoas, para com essa amplitude ter sucesso na empreitada que não a queriam limitada a Gaspar, e até tinham medo de que não prosperasse, pois conhecem bem como agem de todas as formas e meios os políticos, como eles, contra a imprensa local, para abafar ou propagar seus interesses.

Ao procurar a Globo, penso, fizeram o certo. Era notícia. Havia erros, provas e pauta de interesse público. Tudo devia ser exposto, como foi, para ser corrigido em favor da sociedade, do gasparense pagador de pesados impostos e não para apenas medir forças com adversários, como também foi e é parte do jogo jogado.

Resumindo nos dois exemplos, mas há mais: facilitou-se a propagação da notícia, ela ganhou credibilidade e os implicados, sentiram-na a força do jornalismo da Globo. Para isso, a Globo serviu? Ora se a Globo é esse perigo, tem um lado danoso à sociedade, e por coerência de discurso, ela deveria ser evitada nestes casos citado onde ela foi pautada pelos vereadores de Gaspar. Isso é coerência. Mas, pedir isso a políticos é utópico, é demais.

Se há cincos anos o presidente da Câmara de Gaspar, pessoa letrada, capaz ao discernimento, não assiste a Globo por puro preconceito ao acha-la “um perigo” e com isso ela falsear e fazer a cabeça como se ninguém tivesse hoje em dia, no mundo digital, inundado de fakes news e boas fontes - à opção de se informar por outros meios – incluindo as redes sociais – também é perigoso e falso o que se noticiou nos dois casos que ilustrei. E não era.

UM ESTIGMA QUE ESCONDE O MEDO DE SER DESNUDADO NA FALCATRUA

Até o PT – que demoniza a imprensa livre, investigativa, a que não está a seu serviço das ladroagens da Lava Jato, e principalmente a Globo pois o defeito é ser a líder - quando quis desmoralizar uma juíza, a Ana Paula Amaro da Silveira, só porque ela sentenciava contra a administração de Pedro Celso Zuchi, por provocação e provas do Ministério Público nas ACPs e ADIs, procurou a Globo. E não foi aqui, foi lá no Rio de Janeiro, para a repercussão ser nacional no caso das falsas adoções nacionais e tráfico internacional de crianças. E logo o PT e a esquerda do atraso, que olham a Globo como demônio. Mas, serviu para a aventura com dados falsos e que está custando à emissora e aos políticos daqui dores de cabeça na Justiça.

Ninguém chuta cachorro morto.

O toureiro precisa do miúra bem bravo para ser herói diante da sua plateia que paga o espetáculo para ver alguém morrer ou vencer, sob pena de ser avaliado como fraco. É assim com os peões na vida dura dos rodeios. Ele é reconhecido e qualificado só pela difícil montaria que a supera no sorteio. Essa gente – falo dos políticos – que tenta desqualificar os meios de comunicação – incluindo principalmente esta coluna - que não está a seu servilismo só engana mesmo os analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos com suas incoerências. Na hora que precisam, eles, mansos, sabem a quem recorrer, como qualquer doente procurará sempre o melhor médico, o melhor ambiente de diagnóstico e recuperação para se salvar.

E para encerrar, vou repetir: a imprensa sempre será um problema aos autoritários, aos que se negam à transparência, aos corruptos e aos políticos que possuem interesses muitos próprios e falta de discursos com atitudes e resultados. A imprensa é um pilar da democracia e a falta dela, forte, plural, só é sentida aos que possuem ideias, opiniões e divergências quando são oprimidos e não conseguem sequer viver para defende-las.

Já estou achando que a Globo é a melhor coisa que nós temos: não serve à esquerda do atraso, não serve ao MDB no poder, não serve aos evangélicos, não serve aos que estão na Lava-Jato, não serve aos que aumentaram os preços abusivamente contra a população para servi-los na ganância, não serve a Jair Bolsonaro, não serve aos que defendem a intervenção militar.... mas todos a querem divulgando e mancheteando as suas causas para encurralar, enfraquecer ou desmoralizar os adversários e com isso se estabelecer no poder. Estranhíssimo. Acorda, Gaspar!

AS MANCHETES NO DOMINGO DO UOL, FOLHA DE S. PAULO E OUTROS GRANDES JORNAIS CONFIRMAM MEUS ESCRITOS DA SEGUNDA-FEIRA PASSADA E LAVAM A MINHA ALMA

Estampou o portal Uol: “greve de caminhoneiros vai piorar emprego, inflação e PIB, dizem analistas”. A principal manchete da capa da edição de domingo do jornal Folha de S. Paulo: “Sobra caminhão e falta carga no Brasil da crise”

Pinço, algumas informações da reportagem da Folha, escrita por Érica Fraga. “O movimento dos caminhões nas estradas brasileiras é, hoje, 26% inferior ao registrado entre 2003 e 2007, segundo cálculos da consultoria A.C.Pastore & Associados.

A queda se deveu ao impacto do colapso da demanda por frete, em meio à recessão, sobre uma frota inflada após anos de empréstimos subsidiados pelo governo ao segmento de transporte de carga. [ a minha observação: falta de planejamento e demagogia dos políticos em busca de votos fáceis: o preço está ai. Esse discurso o PT esconde]

A ociosidade do setor causada pela combinação desses dois fatores explica, segundo analistas, a crise que culminou no recente movimento que paralisou o país e gera dúvidas sobre a eficácia das medidas negociadas com o governo para aliviar o setor.

“A recessão acentuou o problema de ‘sobreoferta’ que havia sido criado pelo excesso de financiamentos”, diz Caio Carbone, economista da A.C.Pastore & Associados.

“O maior problema dos caminhoneiros é falta de demanda por frete. Parte deles vive uma situação praticamente de desemprego”, diz Armando Castelar Pinheiro, coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Para especialistas, isso ajuda a explicar a grande adesão de motoristas às paralisações contrárias à prática de reajustes diários no preço do diesel pela Petrobras, ainda que empresários do setor tenham ajudado a organizar o movimento, como afirma o governo.

“Era importante alterar a política intervencionista da administração anterior, mas não migrar de um extremo ao outro”, afirma Carbone.

Volto e concluo com algo óbvio que se esconde nos discursos demagógicos e ações irresponsáveis dos governantes, políticos no governo, na oposição e aos aproveitadores que querem até a volta da ditadura: o problema vai continuar. Se a economia não recuperar, faltará fretes, haverá sobra de caminhões, mesmo com diesel mais baixo pago por todos os brasileiros nos outros impostos e sacrifícios que terão que fazer, inclusive menos saúde.

A MAIORIA DOS VEREADORES DE GASPAR SE PERDEU O DISCURSO PARA TIRAR UMA LASQUINHA PARA SI NA “GREVE DOS CAMINHONEIROS”

Na terça-feira da semana passada, nos discursos que fez, a maioria dos 13 vereadores presentes à sessão e onde se tinham apenas dois reeleitos – um deles na condição de suplente - vários contorcionismos foram realizados para não “desagradar” os que participavam ou lideravam o movimento em Gaspar a favor da paralisação dos caminhoneiros, que serviram de bucha de canhão para os grandes empresários.

O primeiro contorcionismo foi o de minimizar a participação ostensiva dos que defendem a Intervenção Militar. Não era. Pior: era radical. E se não bastasse, havia farta prova nas redes sociais.

Ora, um movimento grevista é totalmente contraditório ao intervencionista. Ele é a negação da democracia, do voto, da escolha, do parlamento e do respeito. A intervenção é o um ato unilateral, de força e autoritário. Então, numa ditadura – seja ela de direita, ou até a do proletariado na esquerda – não há gente eleita, mas indicada, imposta, observada, calada e obediente. Muito menos haverá “greves”, que é a manifestação organizada para se estabelecer numa negociação coletiva entre as partes. O governo ou melhor, o poder, tem dono, o Legislativo tem dono, o Judiciário tem dono e as redes sociais bem como a imprensa são dispensáveis, perigosas e subversivas aos donos da ordem em vigor.

O segundo contorcionismo foi o de provar o discurso que todos os brasileiros ganhariam com a greve dos caminhoneiros. Desde quinta-feira, a realidade está desmontando os demagogos e mostrando claramente quem verdadeiramente está pagando a conta da paralisação. Basta ir aos postos e ver o preço da gasolina; basta ir ao supermercado e ver como sumiram as promoções e como os preços de quase tudo – sob a desculpa da escassez e até mesmo do frete mais caro, aumentaram; basta ver pelo anúncio do próprio governo que para cobrir o subsídio do diesel, até orçamento para o SUS foi cortado em parte.

O terceiro contorcionismo foi o de descaracterizar o movimento como sendo político e majoritariamente a favor do ex-capitão do exército, Jair Bolsonaro, PSL, o que prometeu fechar o Congresso se eleito e matar uns 30 mil. Quando se viu que o tiro saiu pela culatra, tentou se desmanchar a ligação. Ora, se houver a tal intervenção militar, não haverá eleição, não haverá Bolsonaro presidente, que até agora não disse que vai resolver esse problema sem passar a conta para todos os brasileiros.

O quarto contorcionismo foi o de diminuir a violência havia em alguns pontos contra os próprios caminhoneiros, autônomos, autênticos, sem fretes cativos das grandes transportadoras que os têm como empregados de luxo, onde o risco e o prejuízo são sempre deles, os fracos. Um disque denúncia disponibilizado pelo governo na quinta-feira, em minutos recebeu mais de dois mil pedidos de socorro de motoristas autônomos que estavam sendo usado como bucha de canhão dos organizadores dos bloqueios. O movimento foi pacífico, mas houve truculência e excessos repetidos em alguns pontos aos que queriam exercer o direito de ir e vir.

O quinto contorcionismo foi o de louvar jovens – que nem idade ainda tem para votar. Eles lideraram algumas manifestações urbanas paralelas do movimento em Gaspar em favor da paralisação do país, não só dos caminhoneiros. Essa galera está certa, certíssima. Parece ser ela mais decidida do que os nossos políticos. Ficou claro, que os nossos políticos, pagos com os nossos pesados impostos, não conseguem inspirar, transparecer confiança e representa-los. Aí os nossos “políticos” preferiram serem liderados pelas crianças para não se indispor com elas, não perder tempo na dialética e principalmente não perder votos pela influência delas nas redes sociais.

Não é por nada não. Mas, para encerrar, perguntar não ofende: não é melhor colocar no lugar dos nossos vereadores essa rapaziada? Como eles não cobrariam nada da Câmara – suponho -, haveria uma economia danada, dinheiro que poderia ir para a saúde, educação, creches, assistência social e obras. Acorda, Gaspar!

 

Edição 1854 - Segunda-feira

Comentários

Herculano
04/06/2018 13:01
reeditado das 11.02
REGISTRO

O ex-vereador de Gaspar Luiz Roberto Schmitt, o Bebeto, eleito pelo MDB e depois foi parar no PSDB (1997-2000), está internado em Blumenau em recuperação. Foi diagnosticado neste final de semana no Hospital de Gaspar com um infarte. Bebeto é taxista; era caminhoneiro.
Herculano
04/06/2018 11:06
SINDICATOS PERDEM 88% DE SUA RECEITA

Conteúdo de O Antagonista. O fim do imposto sindical compulsório derrubou a receita dos pelegos.

"Depois da entrada em vigor da reforma trabalhista que acabou com o imposto sindical", diz o Estadão, "as entidades viram sua arrecadação despencar 88% nos quatro primeiros meses do ano".

Esse é um dos raros sucessos de Michel Temer. Vão ver se dura até o último dia de seu mandato.
Herculano
04/06/2018 10:56
A PETROBRÁS "SOCIAL" E "POLÍTICA" DO SENADOR EUNÍCIO OLIVEIRA, por Maílson da Nóbrega, economista, ex-ministro da Fazenda, no governo de José Sarney, MDB, para a revista Veja

Nenhuma empresa estatal de país sério tem tais características

"Presidente de uma empresa como a Petrobras precisa de visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política. Parente demonstrou apenas a primeira". Assim falou Eunício Oliveira, presidente do Senado, após a renúncia do presidente da Petrobras, Pedro Parente. Nenhuma empresa estatal de país sério tem tais características.

Empresas estatais são um fenômeno relativamente recente. Elas surgiram basicamente no século XIX em países inspirados na Revolução Industrial da Inglaterra. Como não dispunham das mesmas condições, França, Bélgica, Itália, Japão e outros criaram empresas estatais em áreas como as de bancos e ferrovias. Mais tarde, suprida a falha, praticamente todas as estatais foram privatizadas.

Depois da II Guerra, apareceu um novo argumento: o caráter estratégico. Empresas foram criadas ou estatizadas: bancos, petróleo, aviação, ferrovias, mineração, siderurgia e outras. O argumento era ultrapassado. O Japão entrou no conflito, entre outras razões, para garantir o suprimento de petróleo de ilhas do Pacífico. O significado de "estratégico" mudou para áreas como educação e tecnologia. As empresas foram privatizadas.

No Brasil, como na América Latina, as empresas estatais nasceram desses dois argumentos. Aqui, no entanto, dada a matriz cultural contrária ao lucro privado e à força dos grupos de interesse formados em torno dessas empresas, as estatais se enraizaram no imaginário da sociedade em nível dificilmente encontrável em outras regiões. Segundo o DataFolha, mais de 70% dos brasileiros se opõem à privatização de estatais.

Desenvolveu-se, além disso, a ideia de que as estatais deviam vender bens e serviços abaixo dos custos de produção. Os bancos deveriam cobrar juros camaradas. Ações para controlar preços e forçar a queda dos juros resultaram na quebra e no salvamento dessas empresas pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelos contribuintes. Exemplos abundam.

Nos países desenvolvidos, quase não mais existem empresas estatais. No petróleo, há a State Oil da Noruega. É Petrobras deles, mas regida por governança norueguesa. Seus dirigentes são escolhidos por head hunters. Muitos executivos são estrangeiros. A empresa privilegia a gestão responsável, incluindo o lucro, e constitui fonte de receitas para o governo. A State Oil não exerce qualquer função "social" ou política".

O senador não está sozinho na visão equivocada sobre a Petrobras. Na recente greve dos caminhoneiros, foi grande o apoio à queda artificial do óleo diesel e a outras medidas que prejudicarão a empresa e o Tesouro (perdas de R$ 13,5 bilhões). Para alguns, a Petrobras deveria cobrar apenas os custos de refino, pois obtém o petróleo de graça. Por aí, esse também deveria ser o caso da Vale e das empresas de saneamento que vendem água.

Visões como essas estão na raiz do nosso atraso e no prejuízo monumental que as administrações petistas infligiram à Petrobras. E são as mesmas que levaram ao colapso da PDVSA da Venezuela.

Triste Brasil.
Herculano
04/06/2018 10:53
DA GREVE AO TERRORISMO SOCIAL, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S.Paulo

A política odeia o vácuo: ou há representação ou a violência preenche esse vácuo

Se há uma patologia endêmica no Brasil é a imaturidade política. Talvez seja no mundo inteiro ou tenha sido sempre assim, mas hoje essa hipótese mais generalizada não me interessa. Assistimos, nos últimos dias, ao surgimento do caos no país. Evidente que o governo é ruim e a classe política, quase na totalidade, um lixo. Mas isso tampouco me interessa hoje.

Talvez uma das características mais difíceis do amadurecimento seja o fato dele exigir uma certa "paciência do conceito". Esta paciência significa a capacidade de resistir ao desespero diante da lentidão da construção versus a rapidez da destruição. Tudo demora a ser construído (às vezes 2.000 anos ou mais), enquanto a destruição atinge a velocidade da luz em segundos. Assim é no amor, na vida em família, no trabalho, na economia, em sociedade, na política.

Ter raiva do governo e dos políticos brasileiros é um clássico e não há dúvida que a lida do governo com os bens derivados do petróleo tem sido da pior espécie. Deviam vender a Petrobras e pronto. O governo Temer foi de uma irresponsabilidade nesse tema dos caminhoneiros que merecia receber o troféu Canalha do Ano. Todos que pensam minimamente sabem que chegamos à beira de uma ruptura institucional. E aí chegamos ao ponto que me parece importante hoje.

Gostaria de analisar três frases ditas por vários tipos de pessoas nesses dias, em reuniões de amigos, no trabalho, nas redes, na mídia em geral. Antes de tudo, esclareçamos algo.

Em política, quando fazemos uma crítica sem oferecer uma solução, estamos no âmbito da "metafísica delirante". Não adianta dizer "vamos acabar com esses ladrões do país" sem dizer como.

E a política odeia o vácuo: ou você oferece representatividade institucionalizada ou a violência preenche esse vácuo. A política é o campo da violência. Quando se brinca com a ruptura institucional, brinca-se com a violência livre.

Todo regime político é um sistema que busca conter essa violência (seja para o bem ou para o mal, tanto a contenção quanto a violência). No meu entender, aqueles que tentam dar uma conotação política "revolucionária" positiva ao movimento dos caminhoneiros flertam com o vácuo político e, portanto, com a violência. Da greve fomos ao terrorismo social.

Portanto, a pergunta que nós brasileiros devemos fazer é: quanto estamos dispostos a pagar pela violência que movimentos como o dos caminhoneiros e similares podem trazer para o nosso cotidiano? Porque política é violência sempre, depende apenas das formas em que se materializa. Acho que muita gente aqui quer brincar de Oriente Médio ou Venezuela. Ou África.

Mas, vamos a mais duas dessas frases que, ao meu ver, demonstram uma certa imaturidade política que beira o retardo mental. Os idiotas da política tomaram conta do Brasil nesses dias.

"Vamos devolver o Brasil ao povo brasileiro". Quem vai devolver? O que é exatamente "o Brasil" que esse sujeito quer devolver? E o povo brasileiro é o quê? O imaturo deve pensar nele, no seu tio e no seu cachorro, mas, quem é esse "povo brasileiro"? A pátria de chuteiras? Como esse "povo" vai governar "esse Brasil"? Uma frase como essa carrega toda a imaturidade travestida de consciência política que se pode imaginar em poucas palavras.

Mas, o que pode ser lido nessa frase que signifique algo para além da imaturidade crua? Há nela a expectativa de que um milagre aconteça e o "Brasil seja devolvido ao povo brasileiro". Esse milagre se chama intervenção militar, o que significa um episódio de gestão da violência de forma que a violência fique mais ameaçadora e explícita. De novo, imaturidade. E aqui nada vai contra a importância ou a dignidade das Forças Armadas no país.

Outra pérola: "Quero que falte comida na sua casa pra você se juntar a nós e derrubarmos os três Poderes". O que essa frase quer dizer por "falte comida na sua casa"? Por acaso quem diz uma pérola dessa tem ideia do que é uma ordem social dissolvida no cotidiano? Sei, inteligentinhos dirão que há fome no país. Mas, esses mesmos inteligentinhos enchem os restaurantes gourmets com seus menus saudáveis.

Quando as pessoas passam fome e passam à violência, o cotidiano se desmancha em todos os níveis. Da ida à escola ao supermercado, da dissolução dos mecanismos de contenção da violência à instauração de mecanismos mais violentos ainda de contenção dessa mesma violência.

E "derrubar os três Poderes"? Vamos colocar um tanque de guerra no lugar?
Herculano
04/06/2018 10:50
STF VOTARÁ NO DIA 20 AÇÃO QUE RECOLOCA EM DEBATE O PARLAMENTARISMO. ENTENDA A QUESTÃO. É REMÉDIO PARA LONGA INSTABILIDADE, MAS..., por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo, pautou para o dia 20 deste mês o julgamento de uma ação que está na Corte, ora vejam, há imodestos 21 anos. Seu autor é o petista Jaques Wagner, então deputado federal. À época, ele entrou com um mandado de segurança contra decisão da Mesa da Câmara que pôs em tramitação uma emenda que propunha a instituição do parlamentarismo no país. Pois é... Bem que se poderia abrir uma janela para o futuro aí. Mas, suponho, vamos bater a dita cuja na cara da sorte. Explico.

De saída, note-se que o Artigo 60 da Constituição, que define quais são as cláusulas pétreas da Carta, aquilo que não pode ser mudado nem por emenda, nada diz sobre sistema de governo. Logo, se não proíbe, então permite a tramitação. A questão está na extensão que se vai dar ao Artigo 2º das Disposições Transitórias. Lá está escrito que o país realizaria, em 1993, como realizou, um plebiscito para decidir a forma de governo (república ou monarquia) e o sistema (presidencialismo ou parlamentarismo). O resultado é conhecido. Em votos validos, a república venceu por 86,6% a 13,4%, e o presidencialismo, por 69,2% a 30,8%.

Bem, o fato de o país ter feito essa escolha em plebiscito implica, então, que estamos condenados ao presidencialismo para sempre? Obviamente, não! Tampouco a Carta condiciona à consulta direta futuras iniciativas propondo mudança no sistema de governo. O instrumento, contido numa disposição transitória, vale para a consulta de 1993. O que teria custado ao constituinte, fosse essa a vontade, especificar que uma mudança dessa natureza deveria ser submetida ao escrutínio direto?

Antes que continue, uma observação: digamos que o Supremo entenda descabido o mandado de segurança. Isso não significa que se estará aprovando uma emenda parlamentarista. Apenas vai se dizer que ela é possível. Já fiz aqui meu ato de contrição. Meu único arrependimento em política, até hoje, é ter votado no presidencialismo. Mais do que isso: escrevi em favor dele. Cometi um erro há 25 anos.

As crises, o tempo, os desaires por que passou o país, tudo isso me converteu num parlamentarista convicto. Se querem a evidência da superioridade do modelo, vejam o que se dá na Itália e na Espanha. Governos caem - e, às vezes, mal se formam -, e o país não entra em pane. "Ah, mas são países mais desenvolvidos..." É verdade! Ocorre que, se Donald Trump se enroscar a valer nos EUA, mesmo a nação mais rica da Terra entra em parafuso.

Já expressei aqui e em toda parte, dada a crise institucional que considero de longa duração, que há o risco efetivo de o sucessor de Michel Temer também não concluir o mandato. Ademais, as ambições cesaristas, de esquerda e de direita, andam expostas por aí...

A esquerda não quer nem ouvir falar no assunto porque não vê a hora de voltar ao poder para dar o seu murro na mesa.

A extrema-direita não quer nem ouvir falar no assunto porque não vê a hora de chegar ao poder para dar o seu murro na mesa.

Opostas, mas combinadas no autoritarismo.

Vamos ver o que dirá o Supremo. Ninguém pode se dizer "já eleito presidente". O único com números para isso, Lula, não será candidato. E ele próprio sabe disso. A eventual aprovação de uma emenda parlamentarista - com eleição direta para presidente da República, que seguiria sendo chefe de Estado, mas não de governo - poderia ser uma espécie de garantia contra a desordem.

Sim, sei que é difícil. Até porque o país anda querendo problemas adicionais, não soluções. "Já se tentou antes o parlamentarismo para remendar as coisas e não deu certo". A história instrui, mas não condena. As circunstâncias de 2018 em nada lembram as de 1963.

Não apostem, no entanto, no bom desfecho.
Herculano
04/06/2018 10:42
DEPENDÊNCIA DO ESTADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Por mentalidade estatista entenda-se a presunção de que o Estado tem de ter a capacidade de oferecer tudo a todos, como se os recursos à sua disposição fossem infinitos

O apoio popular à greve dos caminhoneiros, particularmente à demanda por redução do preço do óleo diesel - o que necessariamente tem de ser bancado com recursos do Estado, por meio de subsídio -, mostra a persistência de uma mentalidade estatista em grande parte da sociedade brasileira.

Por mentalidade estatista entenda-se a presunção de que o Estado tem de ter a capacidade de oferecer tudo a todos, como se os recursos à sua disposição fossem infinitos. A Constituição de 1988 reflete claramente essa visão, pois, a título de restabelecer direitos sociais depois da ditadura militar, onerou o Estado de tal maneira que hoje a única solução para manter sua solvência é por meio de profundas reformas constitucionais - das quais muito pouca gente quer ouvir falar.

Têm prevalecido até aqui, às vezes com mais vigor, como agora, os interesses das corporações e dos grupos organizados da sociedade, sempre em detrimento da maioria desorganizada - que tem sido incapaz de perceber o quanto tal estado de coisas lhe custa. É como se o dinheiro administrado pelo Estado, fruto da arrecadação de impostos de todos os brasileiros, não fosse público, mas sim do governo - que, conforme esse raciocínio, distribui os recursos segundo critérios misteriosos, incompreensíveis ou, quase sempre, suspeitos. Nesse contexto, a muitos cidadãos, para os quais a política é uma atividade insondável e distante - quando não intrinsecamente corrupta -, não parece restar alternativa senão esperar que o governo também lhes premie com alguma benesse, quando o certo seria inteirar-se de como o dinheiro público é arrecadado e distribuído para, assim, ter condições de opinar sobre sua melhor destinação. Se o vigor de uma democracia se mede, entre outras coisas, pela capacidade que a sociedade tem de determinar como o Orçamento público é gerenciado, então vai mesmo mal a democracia brasileira.

Não se constrói esse estado de coisas da noite para o dia. Trata-se de um longo processo de controle da política por grupos de interesse muito distantes dos cidadãos comuns, para os quais somente os privilegiados e os corruptos parecem ter acesso garantido aos recursos estatais. Não à toa, há uma sensação generalizada de descrença na política - sendo que o vigor do populismo, à esquerda e à direita, é seu natural corolário.

Assim, a mentalidade estatista - a dependência desmedida do Estado e de seus agentes - que hoje parece predominar no País não resulta apenas, nem principalmente, de ignorância, mas sim da sensação de que os recursos estatais foram monopolizados por uma corte de corruptos e parasitas, restando ao cidadão comum esperar que lhe caiba ao menos alguma migalha - na forma, por exemplo, de subsídios e dos chamados "direitos sociais".

Recorde-se que, nos grandes protestos de 2013, se reivindicava o barateamento da tarifa de ônibus, e, ao mesmo tempo, exigiam-se serviços públicos "padrão Fifa" - em alusão à excelência dos serviços da Copa do Mundo que se avizinhava. Pouco adiantou argumentar que o subsídio para manter baixa a tarifa tiraria recursos de outros setores, tornando o atendimento estatal ainda mais precário. Passados cinco anos, tal situação persiste: a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, anunciou que o subsídio da tarifa de ônibus - sem o qual a passagem saltaria de R$ 4,00 para R$ 6,66 - aumentará para R$ 2 bilhões e sacrificará outras áreas, como zeladoria. É provável que o paulistano que hoje exige preço baixo para a tarifa de ônibus acabe mais tarde se queixando das ruas sujas e esburacadas, como se uma coisa nada tivesse a ver com outra.

Mas muitos cidadãos têm dificuldade de enxergar essa relação porque, para eles, o dinheiro existe sim - dá em árvores e só não aparece porque é roubado por políticos corruptos ou engorda funcionários públicos privilegiados. E como condenar tal opinião, quando a Câmara Municipal de São Paulo, no momento em que se apertam os cintos, resolve dar gratificação de até R$ 16 mil para servidores daquela Casa? Ao ver funcionários municipais ganhando até R$ 40 mil de salário, muito acima do teto constitucional do funcionalismo e a despeito da crise, o contribuinte dificilmente deixará de concluir que os governantes que pedem mais sacrifícios ao povo só podem estar de brincadeira.
Herculano
04/06/2018 10:39
CONVERSANDO COM OS BOLSONARISTAS, por Celso Rocha de Barros, sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Nenhum flerte com ditadura, censura ou coisa que o valha é aceitável

Alguns leitores reclamaram que minha coluna da semana passada foi ofensiva aos eleitores de Bolsonaro. Bom, foi mesmo.

Foi uma coluna sobre o apoio de Bolsonaro à greve dos caminhoneiros, um movimento em que claramente havia infiltração de fascistas pedindo golpe militar, atirando em grevistas que queriam voltar ao trabalho e, suspeita-se, descarrilhando trens.

No dia seguinte, Bolsonaro deu para trás, largou a greve e fez um discurso com cara de conciliador. Mas já estava ali a senha para a próxima onda de atentados: se perder a eleição, Bolsonaro pretende contestar a legitimidade do pleito alegando fraude nas urnas eletrônicas.

É razoável supor que os terroristas de Bolsonaro tentarão matar quem se opuser ao seu golpe. Eu farei isso. Logo, no plano de Bolsonaro, eu morro.

E eu tenho essa implicância, que é uma coisa minha, pessoal, vocês me desculpem, mas eu às vezes esqueço a delicadeza quando estou falando com sujeito que quer me pendurar no pau de arara ou amarrar minha boca no escapamento do carro. Acho vacilo.

Mas vamos esquecer por um momento essa questão de um matar o outro, bolsonaristas.

Juntem aqui a turma inteligente entre vocês: oficiais e engenheiros das Forças Armadas (meu avô era um), pastores evangélicos que olham para Magno Malta e pensam "Quantas teses do Lutero eu tenho que renegar para o papa aceitar esse cara de volta?", enfim, a turma aí que pensa como adulto.

Jair, Carlos, Eduardo, lá fora tem uns carrinhos para vocês brincarem, tem mágico, palhaço, Olavo de Carvalho.

Pronto. Bem, amigos destro-brasileiros, é óbvio que o conservadorismo tem o que acrescentar ao debate nacional.

Por exemplo, parece razoável que autores de crimes graves passem mais tempo na cadeia do que hoje em dia passam.

Seria ridículo dizer que os conservadores não têm nada a dizer sobre educação: a pedagogia moderna é boa para um monte de coisas excelentes, mas filho de rico normalmente complementa isso com decoreba e repetição de exercícios com o professor particular. Seria ótimo se algo nessa linha se tornasse disponível para os alunos pobres como complemento à sala de aula.

Sobre todas essas coisas, pode apostar, há espaço para discutir com os moderados de direita e de esquerda.

E mesmo quando a esquerda tiver razão, provavelmente será bom que haja um conservador qualquer dizendo "ó, vai dar m* isso aí, vai devagar" e evitando excessos e fanatismos.

Agora, se for para conversar sério, é preciso desistir de usar a violência de Estado contra o amiguinho. Nenhum flerte com ditadura, censura ou coisa que o valha é aceitável. Usar o poder do Estado para proibir gays e lésbicas de se casarem é obviamente errado, mesmo se você continuar achando que o projeto de Deus era só Adão e Eva.

(Pessoalmente, acho que um projeto que começou com os participantes vivendo no paraíso e terminou com toda a espécie humana condenada à fome, à doença e à morte talvez mereça alguns aperfeiçoamentos. Mas você não é obrigado a concordar comigo sobre isso.)

Enfim, se os conservadores brasileiros quiserem entrar no debate, maravilha. Mas deixem a arma do lado de fora.

Até porque centristas e esquerdistas também pagaram os impostos que compraram essa arma, e quem usá-la para mais do que a lei prevê será, além de desertor, ladrão.
Herculano
04/06/2018 10:29
ENROLADA NA PF AGORA CONTROLA PETROBRAS ARGENTINA, por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A Pampa Energia, que comprou ativos da Petrobras Argentina por uma ninharia no último dia do governo Dilma, em maio de 2016, foi apenas controlador temporário da empresa. O comprador final é uma empresa enrolada na Lava Jato: a holandesa Trafigura. A Pampa da Petrobras Argentina comprou por apenas R$897 milhões, uma refinaria, uma rede de 250 postos, uma planta de lubrificantes e outra de armazenamento.

NEGóCIO DA CHINA
Os ativos que pertenceram à Petrobras acabariam nas mãos da Trafigura por US$90 milhões, que equivalem hoje a R$270 milhões.

NA CONTA DO TESOURO
O prejuízo causado à estatal brasileira, somente na primeira venda de ativos, é estimado em mais de US$1 bilhão.

PAPEL DOS BANCOS
Há dez meses, a Pampa ofereceu os ativos da Petrobras Argentina para a Trafigura através do banco Citibank, que procurou o mercado.

CONEXÃO TRAFIGURA
A Trafigura se enrolou na Lava Jato com Mariano Ferraz, condenado a 10 anos de prisão por pagar propina em contrato no porto de Suape.

FRANQUIA DEVE DOBRAR VALOR DE PLANOS DE SAÚDE
O sistema de "franquia e coparticipação", nova armadilha da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) contra clientes de planos de saúde, não tornará os contratos mais baratos. Ao contrário, pode fazê-los dobrar de preço. É o que preveem deputados que convocaram a ANS e operadoras do setor para discutir a proposta. O consumidor será obrigado a pagar franquia no mesmo valor do plano, por isso a despesa com o plano pode dobrar e sair de R$12 mil ao ano para R$24 mil.

REAJUSTES ABUSIVOS
A audiência será nesta terça, na Comissão de Defesa do Consumidor, com objetivo de discutir "reajustes abusivos dos planos de saúde"

CONVOCAÇÃO
A convocação foi pedido dos deputados Celso Russomano (PRB-SP), JHC (PSB-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e José Stédile (PSB-RS).

PARCERIA PROVEITOSA
Assim como as demais agências reguladoras, a ANS atua mais como parceira de operadoras que em favor dos usuários de planos de saúde.

MONOPóLIO DE LUCRO FÁCIL
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) citou estudo do consultor legislativo Paulo César Lima, da Câmara dos Deputados, segundo o qual a Petrobras lucrou 150% sobre o diesel, gasolina e gás.

REFORMAR É PRECISO
A greve dos caminheiros deu uma "pedalada" na Câmara: o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), promete priorizar o projeto da reforma tributária, em tramitação há mais de uma década.

HONRARIA PARA PRESIDIÁRIO
Lula recebeu do Superior Tribunal Militar em 1º de abril de 2003, logo após assumir a presidência da República, a Ordem do Mérito Judiciário Militar. Mesmo condenado por corrupção, ainda não perdeu a honraria.

ELOGIO ITALIANO
O italiano Antonio Filosa, presidente da FCA (Fiat, Crysler e Jeep) para a América Latina, derramou-se em elogios à qualidade do etanol brasileiro, durante visita a Brasília. Ele estranha que no Brasil se enfatize mais os veículos híbridos elétricos do que os movidos a etanol.

DIÁRIAS SECRETAS
Há uma modalidade de "diárias secretas" pagas sem alarde pelo governo federal a servidores que viajam até ao exterior. Só este ano já foram pagas mais de R$37 milhões em diárias. No maior segredo.

PRIVILÉGIOS IRREGULARES
Documentos do Ministério do Planejamento e do Tribunal de Contas da União mostram que empresas aéreas e obtiveram no governo Dilma dispensa de retenção de impostos na venda de passagens para mais de 600 órgãos federais sem licitação, pagas com cartão corporativo.

DETRAN ESCAFEDEU
Pais e funcionários da escola JK Júnior, em Brasília, não sabem mais o que fazer para proteger os filhos de motoqueiros que usam calçadas e ciclovias como pista. O Detran não aparece nem quando chamado.

79 ANOS DE TELEVISÃO
Em 4 de junho, há 79 anos, eram realizados os primeiros testes para a primeira emissora de TV do País. Hoje é o veículo nº 1: 90% assistem e 63% priorizam a TV, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia.

PENSANDO BEM...
...faz todo o sentido os Correios, atrasados em tudo, serem o único órgão a pedir mais tempo para retomar a normalidade, após a greve.
Herculano
04/06/2018 10:22
PROPINA SINDICAL É PRATICA ANTIGA E MUDOU Só DE DONO NO GOVERNO TEMER, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

PF pode até ser capaz de interromper negociatas no Trabalho, mas não impedir que outras surjam

Na manhã de quarta-feira (30), enquanto o Palácio do Planalto buscava uma solução para a crise do diesel, a Polícia Federal desmantelava um esquema de venda de registro sindical no Ministério do Trabalho, a um quilômetro do gabinete do presidente Michel Temer (MDB).

O episódio teve uma repercussão política tímida em meio à crise nas estradas. Vários fatores podem explicar a inércia. Um deles é a tranquilidade com que partidos, sob uma bandeira fajuta do trabalhismo, controlam esse nicho lucrativo há vários anos sem serem importunados.

Outro é a banalização da corrupção. Perdemos referências diante de escândalos impensáveis tempos atrás. Qual a relevância política de um registro sindical fraudado perto de um assessor presidencial carregando uma mala com R$ 500 mil?

A resposta é que ambos deveriam ter o mesmo peso. O fato de o Planalto e o Congresso terem rasgado a fantasia nos últimos anos não liberou a prática do achaque no segundo escalão.

A autorização para um sindicato funcionar pode custar, nos porões mal frequentados de Brasília, muito mais que os R$ 500 mil levados pelas rodinhas de Rocha Loures.

E quem age de forma espúria no andar de baixo o faz a mando dos velhos caciques que estão no de cima.
Preso, Leonardo Arantes, ex-secretário-executivo do Trabalho, número 2 da pasta, é sobrinho do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), cujo gabinete foi vasculhado pela PF. Outro investigado é Paulinho da Força (SD).

A farra sindical não é um privilégio do governo Temer. O PDT fez a festa na era petista. Em 2011, assessores de Carlos Lupi, então ministro do Trabalho, foram pegos.

Desmoralizado, Lupi, hoje fiador da campanha de Ciro Gomes, se mandou - e o esquema só mudou de dono.

Na UTI política, Temer não quer confusão com PTB e SD. Presidenciáveis ignoram o passado e o presente dessas siglas. Flertam com elas sem pudor em busca de tempo de TV.

A PF, sozinha, pode até ser capaz de interromper negociatas em curso, mas não impedir que outras surjam.
Herculano
04/06/2018 10:19
SEM CITAR ALCKMIN, FHC PREGA FRENTE PROGRESSISTA, por Josias de Souza

Em artigo veiculado neste domingo, o grão-mestre do tucanato Fernando Henrique Cardoso anotou que o Brasil só sairá da "enrascada" em que se encontra se a "nova liderança" a ser eleita na sucessão de 2018 "for capaz de apelar para o que possa unir a nação: finanças públicas saudáveis e políticas adequadas, taxas razoáveis de crescimento que gerem emprego, confiança e decência na vida na vida pública." Defendeu a formação de uma "união de setores progressistas" composta de políticos "que tenham inclinação popular". Não há no texto vestígio de menção ao nome de Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB.

FHC fez no artigo uma avaliação do caminhonaço que travou o país por dez dias: "A dita 'greve' dos caminhoneiros veio servir uma vez mais para ignição de algo que estava já com gasolina derramada: produziu um contágio com a sociedade, que, sem saber bem das causas e da razoabilidade ou não do protesto, aderiu, caladamente, à paralisação ocorrida. Só quando seus efeitos no abastecimento de combustíveis e de bens essenciais ao consumo e mesmo à vida, no caso dos hospitais, tornaram-se patentes, houve a aceitação, também tácita, da necessidade de uma ação mais enérgica para retomar a normalidade."

Para FHC, a calmaria é enganosa: "...Que ninguém se engane: é uma normalidade aparente. As causas da insatisfação continuam, tanto as econômicas como as políticas, que levam na melhor das hipóteses à abstenção eleitoral e ao repúdio de 'tudo que aí está'. Portanto, o governo e as elites políticas, de esquerda, do centro ou da direita, que se cuidem, a crise é profunda."

O líder supremo do tucanato reconheceu que, diante de uma sociedade politraumatizada, a gestão de Michel Temer ganhou a aparência de um Band-Aid: "Dificilmente o governo atual, dado sua origem e o encrespamento político havido, conseguirá pouco mais do que colocar esparadrapos nas feridas. Nada de significativo será alcançado sem que uma liderança embasada no voto e crente na democracia seja capaz de dar resposta aos atuais desafios econômicos e morais."

Na avaliação de FHC, a cruzada anticorrupção está no DNA da inquietação social: "A Lava Jato, ao desnudar as bases apodrecidas do financiamento partidário pelo uso da máquina estatal em conivência com empresas para extrair dinheiro público em obras sobrefaturadas (além do enriquecimento pessoal), desconectou a sociedade das instituições políticas e desnudou a degenerescência em que o país vivia." O grão-tucano falou do apodrecimento em termos genéricos, abstendo-se de mencionar que a putrefação consome pedaços do seu PSDB.

O único agrupamento partidário que mereceu uma citação depreciativa foi o chamado centrão, composto de legendas que frequentam o Congresso a negócios. Num instante em que o correligionário Geraldo Alckmin e rivais como Ciro Gomes (PDT) flertam com partidos da laia do PP, campeão de enrolados na Lava Jato, FHC anotou o seguinte sobre sua ideia de unir os setores progressistas: "Não se trata de formar uma aliança eleitoral apenas, e muito menos de fortalecer o dito 'centrão', um conjunto de siglas que mais querem o poder para se assenhorarem de vantagens, do que se unir por um programa para o país."

FHC acha "natural" que, numa disputa travada em dois turnos, os partidos divirjam. "Mas é preciso criar um clima que permita convergência", ele acrescentou. "E, uma vez no caminho e no exercício do poder, quem represente este 'bloco' [progressista] precisará ter a sensibilidade necessária para unir os que dele se aproximam e afastar o risco maior: o do populismo, principalmente quando já vem abertamente revestido de um formato autoritário." O nome não está escrito. Mas a referência ao molde autoritário é dirigida à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro.

Pelo modo como conduziu o artigo, FHC revela-se inclinado a incluir o PT no seu bloco "progressista" -ou, pelo menos, políticos vinculados à legenda do presidiário Lula. Suas intenções podem ser depreendidas do seguinte trecho: "Fui ministro de um governo que resultou de um impeachment, o do presidente Itamar Franco. Este, com sabedoria, percebeu logo que precisaria de um ministério representativo do conjunto das forças políticas. Como o PT, que apoiara o impeachment do presidente Collor, se recusava a assumir responsabilidades de governo (com olho eleitoral), Itamar conseguiu a aceitação de uma pasta por Luiza Erundina, então no PT."

FHC acrescentou: "Mesmo eu, eleito presidente por maioria absoluta no primeiro turno sem precisar buscar o apoio do PT, tive como um de meus ministros um ex-secretário-geral do PT." Referia-se ao cientista político Francisco Weffort, que foi seu ministro da Cultura. Fundador do PT, Weffort deixou a legenda em 1995, nas pegadas da decisão de integrar o governo FHC.

O artigo de FHC foi publicado no Estadão e no Globo. Quem atravessa todo o texto chega ao último parágrafo com uma frustração. Embora afirme que o desafio de conduzir o país "requer liderança e fulanização", FHC não brindou seus leitores com a revelação de quem seria, na sua opinião, o fulano diz mais habilitado para executar a tarefa. Saltam do texto duas impressões: 1) FHC parece deplorar a hipótese de vitória de Jair Bolsonaro. 2) o perfil traçado por FHC não orna com a figura de Geraldo Alckmin.

No mais, em vez de "fulanizar" sua prosa, FHC preferiu lançar no ar o velho enigma: "Quem, sem ser caudilho, será capaz de iluminar um caminho comum para os brasileiros? 'Decifra-me ou te devoro', como nos mitos antigos."
Herculano
04/06/2018 10:15
RECAÍDA POPULISTA NOS CAMINHõES LEMBRA O APOGEU DO GOVERNO SARNEY, por Vinicius Mota, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Em 1986, empresários gananciosos eram o problema; hoje, establishment político é o inimigo imaginário

Em língua franca, a maldição rogada por Deus contra o homem enxotado do paraíso foi esta: "Rala, desgraçado, e depois retorna para a lama da qual vieste".

O Brasil remou, remou, remou e voltou para o seu lodaçal arquetípico, localizado na década de 1980. Naquela época, sonhávamos com derrotar a inflação num só golpe.

Os inimigos da pátria eram banqueiros internacionais e empresários locais gananciosos. Porrada neles, ordenou o governo Sarney. Em 1986, o PMDB do presidente maranhense arrebatou respaldo na sociedade, no Congresso e nos estados como nenhum outro partido depois.

Congelem-se os preços, reprimam-se os remarcadores, confisquem-se os bois dos sabotadores. No auge, o Cruzado fez jus ao nome pela cruzada empreendida por políticos, autoridades e população em transe contra os infiéis que lhes negavam acesso à terra santa da estabilidade.

O governo de hoje, premido pelo descrédito, atende de modo parecido ao lobby dos caminhoneiros, embalados no apoio de uma opinião pública que sonha com o Éden. Tabelem-se fretes e quem sabe os combustíveis, multem-se os postos que não derem desconto no diesel.

Voltam as siglas da burocracia do abastecimento. Sob Sarney, fiscais da Sunab levavam consumidores à glória e varejistas ao terror. Agora a Conab dará de bandeja fatia gorda de seus fretes a um grupo rebelado.

Há 32 anos, brasileiros cheios de civismo entoavam o hino pátrio em supermercados rendidos. Na semana passada, grevistas briosos cantavam os versos nas estradas.

Nos dois casos, acreditavam que estavam mudando para melhor o país ao combater um inimigo comum que impedia a realização dos desejos do povo. Empresários nos anos 1980; o establishment político hoje.

Em ambas as ocasiões, estavam apenas repassando a conta do porre nacionalista para a fatia mais desprotegida dos usuários dos serviços públicos e as futuras gerações. Na democracia, o inferno somos nós.

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