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Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

01/06/2017

ILHOTA EM CHAMAS I
Na coluna de terça-feira, feita especialmente para os leitores e leitoras do portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado, escrevi como nota despretensiosa no Trapiche: “só para cumprir tabela. O vice-prefeito, Joel José Soares, que responde pela secretaria de Planejamento, convocou para o dia dois de junho, uma reunião extraordinária do Conselho da Cidade, nas dependências da secretaria de Assistência Social. Nela, o ruim é arrumar quórum para dar legitimidade. O que vai ser discutido? Loteamentos. Tudo para que o Ministério Público pare de azucrinar e venha pegar alguém de calças curtas como já testemunhou e documentou”.

ILHOTA EM CHAMAS II
Na audiência desta sexta-feira, as seis da tarde, está a ratificação de alteração do macrozoneamento urbano; apresentação de proposta de alteração de macrozoneamento a partir do perímetro limítrofe Itajaí/Ilhota até o início da zona urbana do município; apresentação da Ata de Audiência Pública constante do EIV do Loteamento Seu Leopoldo, apresentação do termo de compromisso de compensação ambiental com empreendedor; apresentação da Ata de Audiência Pública constante do EIV do Loteamento Harmonia, elaboração do termo de compromisso de compensação ambiental com empreendedor; manifestação de defesa em caso de construção em Área de Preservação Permanente; apresentação de projeto de Loteamento no Bairro Ilhotinha e consequente agendamento de Audiência Pública do EIV; definir data para Audiência Pública de EIV/RIV dos Loteamentos Sant’Ana, Jardim Europeu e Porto. Seguro; apresentação de proposta para alteração de macrozoneamento no Bairro Pedra de Amolar.

ILHOTA EM CHAMAS III
Entenderam? O advogado Aurélio Marcos de Souza, depois de ler a nota, veio até a coluna e esclareceu ainda mais o que estava evidente para todos. Os políticos fazem das leis, da Justiça, da Câmara, da ética, letras mortas. Vejam, além das audiências de fachada para regularizarem a “indústria do loteamento” em Ilhota, elas são montadas com ajuda de gente que entende de fato do assunto como o jornalista, esclarecido no Direito e secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Robson Antônio Dias, bem como o próprio Joel, que é, segundo o doutor Aurélio, notório sócio loteador com outro político, César Floriano; Joel é ainda corretor de imóveis. É prá acabar. Como pode estar no comando disso tudo?

SAÚDE PRECÁRIA
A saúde pública de Gaspar está um caos. Basta ir aos postos, policlínica e nas farmácias básicas. Já escrevi aqui várias vezes sobre isso. Foi mais uma armação deixada pelo governo do PT, PDT e outros sócios ocultos do governo de Pedro Celso Zuchi, como o próprio PP, com José Hilário Melato, e o PMDB, com Jaime Kirchner. E agora na oposição, PT, PDT e PDS estão cobrando na Câmara, a tal saúde para todos e o fim da precariedade (que sempre houve). E têm que cobrar mesmo! Injetam o veneno, que PMDB e PP não tiveram quando eram oposição. Tudo para passarem recibos de “bonzinhos” e para se garantirem na eleição, que ganharam. O governo de Kleber e os seus, caíram na armadilha bem armada do Hospital, que é um sugadouro de recursos municipais, os quais deveriam estar prioritariamente nos postinhos, policlínica e farmácias para gente humilde. Arrumaram mais um bem pago administrador para o Hospital. Ele não vai dar conta do assunto, porque é complexo, porque terá que arrumar encrencas com médicos e porque tudo exige muita grana. Estão se enrolando no próprio rabo e fritando a secretária de Saúde, a estranha no ninho de cobras. Quem é mesmo que orienta Kleber Edson Wan Dall nesse assunto?

TRAPICHE


Depois de ler a coluna e para que o entroncamento da ponte do Vale com a BR 470 não vire um local de manchetes estadual e até nacional de acidentes com mortes, como foi com a Hercílio Fides Zimmermann, até a implantação das lombadas eletrônicas, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, procurou o DNIT.

Pesou o movimento do pessoal do Sertão Verde, há duas semanas contra o DNIT e que o deixou exposto. Pesou a maré de estagnação que virou o atual governo de Gaspar, onde mesmo com chuva abundante, as flores estão murchando.

Kleber ao menos procurou o DNIT. Fez cena? Mas, fez a cena certa. Ou seja, terá argumentos para cobrar do DNIT quando algo de errado acontecer. Pedro Celso Zuchi, PT, esperou o pior para depois fazer cena, posar de vítima e criar cenário para se sair como herói, enquanto as famílias choravam os mortos e dilacerados.

Na quarta-feira terminou o prazo original do 11º aditivo que Gaspar fez com a Artepa Martins para terminar a ponte do Vale. Havia uma cláusula de prorrogação por mais 30 dias. Ou seja, já estamos no tempo extra para a reabertura dela.

A Câmara de Gaspar gastou de maio do ano passado a abril deste ano com pessoal ativo R$3.150.272,20 e R$256.176,46 inativos.

Tema do Dia do Desafio, na quarta-feira. “Você se mexe e o mundo se mexe junto”. Entendido. Como ninguém se mexe de forma coordenada na administração de Gaspar, o resto não funciona; assiste. Acorda, Gaspar!

Samae inundado I - É incrível como sob a administração do superexecutivo - como se autodenomina aos seus subordinados -, o mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP, o Samae, se tornou uma fonte permanente de problemas para a cidade e para os que trabalham lá. Faltou água mais uma vez por erro de manutenção no Belchior Baixo ao Gaspar Grande, Gasparinho e Bela Vista.

Samae inundado II – Também pudera. A autarquia mais parece especializada em macadame e areia do que água, canos, bombas, reservatórios, registros. Aliás, foram os bombeiros de Gaspar que esta semana livraram a captação no Rio Itajaí, das plantas aquáticas que ameaçam sufocá-la. A foto da prova está no site da Defesa Civil.

Ilhota em chamas I - Falta de água tratada é um problema grave que afeta também os moradores de Ilhota. Detalhei isso, na coluna inédita feita especialmente nas terças para os leitores e leitoras do portal Cruzeiro do Vale.

Ilhota em Chamas II – Lá, detalhei que o ex-prefeito Ademar Felisky, PMDB, foi a Justiça e tomou o sistema da Casan. O sucessor e ex-prefeito, Daniel Christian Bosi, PSD, não soube o que fazer. Érico de Oliveira, PMDB, acaba de se queimar naquilo que o PMDB projetou para ser uma máquina de empregos públicos para amigos.

Cabideiro I- Há anos escrevo aqui que as tais secretarias e hoje Agências de Desenvolvimento Regionais são um criminoso arranjo político criado pelo então candidato e governador Luiz Henrique da Silveira, PMDB, e permitido pelo prefeito de Lages, que se acha governador, Raimundo Colombo, PSD. Elas sugam os pesados impostos dos catarinenses e que faltam à saúde, segurança, educação e obras.

Cabideiro II- O custo de manter esse escárnio é maior do que os recursos que aplicam em favor do povo. É um cabideiro de empregos para cabos eleitorais de luxo e políticos derrotados e sem votos.

Cabideiro III - O Diário Catarinense, na terça-feira, e só depois que deixou pertencer a central de negócios disfarçada de jornalismo da RBS e foi embora para o Rio Grande do Sul, desnudou o que sempre escrevi e que toda Santa Catarina – incluindo os jornalistas - sabia há anos.

Cabideiro IV- E os políticos não perderam a cara de pau. Justificaram. Como na Lava Jato, “outro lado”, é a confirmação desmoralizante perante à sociedade do envolvido. Só ele, pensa que a sua versão é passível de alguma verdade e convencimento.

 

Edição 1803

Comentários

Sidnei Luis Reinert
05/06/2017 13:05
Que tal renunciar ao autoengano?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O autoengano é um dos mais perigosos problemas brasileiros. Em 2014, metade dos brasileiros achava que Aécio Neves seria uma solução para tirar o PT do poder. Em 2016, a maioria também ficou convicta de que Michel Temer, embora tenha sido vice da Dilma Rousseff desde o primeiro mandato dela, seria um substituto melhor que a desgraça anterior, que sofreu impeachment. Agora, a mesma maioria se convence de que Temer não presta e tem de ser "saído" do Palácio do Planalto.

Deseja outro autoengano bem comum? "As instituições brasileiras estão funcionando normalmente"... Sim, muitos se iludem que algo pode ser "normal" sob regime hegemônico do Crime Institucionalizado. Quer outro autoengano espetacular? "Tudo vai se resolver com a prisão de Lula, porque ele é o chefe da organização criminosa"... Mais uma variação de um inocente ou estúpido autoengano: "Vamos prender mais corruptos" (e tudo vai melhorar?!). Ou outra autoenganação mais grave: "Na próxima eleição, vamos eleger gente melhor ou um "salvador da Pátria"...

Engana-se (e autoengana-se) também quem pensa que esta semana será decisiva para Michel Temer com o julgamento da chapa dele com a Dilma marcado para ser retomado nesta terça-feira. Os analistas temerários, com bola de cristal turbinada por informação privilegiada de bastidor, calculam que o Tribunal Superior Eleitoral decidirá, por 4 a 3, que o resultado reeleitoral de 2014 não deve ser alterado. Tudo pode acontecer no TSE, com chance até de pedido de vista protelatório, para dar um tempinho e ver se a situação de Temer ainda tem salvação.

Apesar do desgaste de Temer atingir o limite do insuportável, os magistrados decidirão que é melhor insistir na tal "normalidade institucional", evitando uma confusão por eleição indireta ou pelo casuísmo de uma "direta, já" que só interessa à turma de canhota do Foro de São Paulo. Michel Temer não deseja renunciar. Ele só não sabe bem como conseguirá resistir. Conta com o milagroso silêncio forçado do amigo Rodrigo Rocha Loures ?" o famoso "Homem da Mala" ?" preso preventivamente no sábado passado.

O melhor negócio para o Brasil, agora, seria renunciar ao entoengano promovido pela maioria dos brasileiros. Sem mudança estrutural no Estado e nos seus "mecanismos", continuaremos como sempre estivemos: sob regime de exceção, ora disfarçados de pseudodemocracia ou com autoritarismo explícito, graças ao nosso regramento excessivo, no qual uma lei anula a outra, forçando a judicialização de tudo, inclusive da política.

O segundo semestre seguirá complicado. A galinha da economia não quer alçar vôo. O Judiciário ainda é muito lento para punir tanto bandido no regime de Corrupção Institucionalizada. A Petelândia e afins preparam lances radicais para acabar com Temer e retomar o poder. Até quando o povo continuará seu entoengano, de que tudo vai se resolver "naturalmente"?

Parece celebração de torcedor sem-noção do Flamengo no Campeonato Brasileiro: "O time segue invicto"... Maravilha: não perde, muito empata, porém não ganha... Contentar-se com a ilusão é uma tragicomédia...

A volta da Luta Armada?



Militares analisam com apreensão o recado criminoso captado no vídeo de apenas 1 minuto no evento "Estado de Direito ou Estado de Exceção?" ?" promovido pela turma do Foro de São Paulo, na Universidade de Brasília, na última semana de maio. Destacam-se os discursos radicalóides do senador Roberto Requião (PMDB-PR) e da deputada federal petista Benedita da Silva (PT-RJ), muito aplaudidos pela nova presidente do PT, Gleisi Hoffmann, com elas na mesa de "debates".

Requião radicalizou: "O que estamos esperando para atravessar o Rio? Não há mais espaços para conversas e para os bons modos". Os fanáticos presentes gritaram: "Se cuida, se cuida imperialista! A América Latina vai ser socialista!" Benedita seguiu no embalo da defesa covarde de uma luta armada: "Quem sabe faz a hora e faz a luta. A gente sabe disso: sem derramamento de sangue não haverá redenção".

A senadora Gleisi Hoffmann, no discurso de celebração de sua vitória na conquista da presidência do PT, deixou claro que o partido de Lula não deseja fazer autocrítica e ainda pode radicalizar no plano bolivariano de retomada do poder no Brasil: "Não vamos ficar enumerando os erros que achamos para que a burguesia e a direita explorem nossa imagem".
Miguel José Teixeira
05/06/2017 09:54
Senhores,

A saga Tucanalhas X Petralhas, prossegue:

citado como réu na lavajato, aécio foi defenestrado da presidência do PSDB.

Já o PT, escolhe como presidentA à ré, gleisi.

Há muito que o PT adere à ré. . .

Portanto, coxinhas 1 X 0 mortadelas. .
Herculano
05/06/2017 08:19
AMANHÃ É DIA DE COLUNA INÉDITA OLHANDO A MARÉ, ESPECIALMENTE PARA OS LEITORES E LEITORAS DO PORTAL CRUZEIRO DO VALE. FAÇA CHUVA, FAÇA SOL, TENHA OU NÃO ATÉ ENCHENTE DO RIO ITAJAÍ E COM OS ÍNDIOS DE JOSÉ BOITEUX TIRANDO SARRO DA NOSSA CARA E DOS NOSSOS POLÍTICOS INERTES DIANTE DO NOSSO SEQUESTRO
Herculano
05/06/2017 08:15
A INDEFESA CIVIL

Há uma nova ameaça de enchente. O primeiro teste da "nova" Defesa Civil de Gaspar, pareceu tão velha quando nada se tinha por aqui. Se há uma nova ameaça de enchentes, há também uma nova oportunidade. Então...

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, vai colocar novamente o coletinho da Defesa Civil para em vídeo fazer o papel de abafar aquilo que não funciona?
Herculano
05/06/2017 08:12
J&F EXPõE RACHA NO STF E MOSTRA FACHIN SOB ATAQUE

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Beatriz Bulla e Breno Pires,da sucursal de Brasília. A delação do Grupo J&F, que estremeceu o governo de Michel Temer, teve duas implicações diretas no Supremo Tribunal Federal. Responsável pela homologação do acordo do Ministério Público Federal com os irmãos Joesley e Wesley Batista, o ministro Edson Fachin virou alvo de ataques que partem do Planalto e do Congresso e questionamentos dos próprios colegas de Tribunal. Na Corte, as críticas à homologação mostraram um STF dividido.

A prisão ontem do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor de Temer, tende a acirrar o clima no STF e sobre o relator.

O consenso formado em torno do nome de Fachin na época em que a Lava Jato caiu em seu colo, por meio de um sorteio feito após a morte de Teori Zavascki, se diluiu. De um lado estão ministros que questionam os limites da investigação. De outro, um grupo que avalia que a confirmação das decisões do relator serve para dar força ao combate à corrupção em um dos momentos mais sensíveis da investigação.

Fachin segue de forma mais rigorosa em sua habitual discrição. Ele, que costuma ter diálogos com ministros antes e depois das sessões, tem optado por deixar o plenário sozinho nos dias de sessão. Eventualmente, puxa pelo braço um ou outro colega reservadamente ?" como fez com Ricardo Lewandowski após sessão da Segunda Turma na terça-feira passada. E depois de assumir a Lava Jato, passou a ter a segurança reforçada.

O ministro não se queixa para os colegas. Mas seus colegas de Corte avaliam que é "nítido o peso" que ele está sentindo. Desde que a homologação do acordo veio à tona, circularam informações sobre a ligação de Fachin com um dos delatores. Ele teria sido acompanhado pelo executivo Ricardo Saud, da JBS, na época em que fez um périplo por gabinetes de senadores que iriam sabatiná-lo quando seu nome foi indicado para vaga na Corte. Fontes ligadas a Fachin mapearam que as informações têm saído de dentro do Planalto, por pessoas próximas ao presidente.

Um ministro afirmou, reservadamente, que todos eles ocuparam importantes posições na Justiça ou advocacia antes de chegarem ao Tribunal e, para assumirem a vaga, mantiveram relações políticas, o que é absolutamente normal. O ministro Gilmar Mendes fez um comentário nesse sentido em plenário, na quinta-feira passada: "Eu não sei quem daqui foi nomeado e não participou de algum périplo político".

Na Câmara, aliados de Temer trabalham em um requerimento para que Fachin preste esclarecimentos sobre o acordo da J&F, que homologou.

Apesar de internamente uma maioria se formar em torno do apoio a Fachin, o único que saiu a público para defender o relator da Lava Jato foi Luís Roberto Barroso, que disse, em entrevista recente, ver um "cerco" sobre o colega. Fachin tem boa relação com outros colegas, como o vizinho de gabinete, Lewandowski, e com a presidente, Cármen Lúcia. Mas, no Supremo, em vez de vozes em sua defesa, predomina o silêncio.

De outro lado, Gilmar encampa publicamente a defesa de que o acordo da J&F passe por discussão no plenário. Para investigadores da Lava Jato, rever uma decisão do relator pode colocar em xeque toda a operação. Em discurso na quarta-feira passada, Gilmar disse que defende o combate à corrupção, mas que este não pode ser o "único projeto" da sociedade.

O discurso foi visto como uma "vacina" do que ainda virá pela frente em termos de críticas ao trabalho dos investigadores. Há ministros, críticos a Gilmar, que afirmam que, na época dos governos do PT, o ministro usava discursos e informações públicas sobre as delações da Lava Jato para acusar o "governo cleptocrata".

Atenção. No Supremo, uma questão envolvendo o acordo da J&F foi vista como um erro: a divulgação de áudio interceptado do jornalista Reinaldo Azevedo com Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), mesmo sem conexão direta com as investigações. Não passaram despercebidos também entre os comentários no STF a conversa de Gilmar com Aécio na interceptação telefônica da Polícia Federal, e a menção ao nome de Alexandre de Moraes em uma conversa de Joesley com o tucano.
Herculano
05/06/2017 06:43
LÚCIO FUNARO JÁ ESTÁ 'NA SALA DE ESPERA' DA DELAÇÃO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Dono de uma das línguas mais temidas do País, o doleiro Lúcio Funaro "está na sala de espera da delação", de acordo com definição de um criminalista que participa do caso, tentando livrar seu cliente da vida dura do cárcere no presídio da Papuda, em Brasília. A força-tarefa da Operação Lava Jato em princípio tem interesse em negociar acordo de colaboração por reconhecer o poder de fogo devastador de Funaro.

MESADA
Preso na Lava-Jato, Funaro aparece nos grampos de Joesley Batista como recebedor de mesada para não fazer delação premiada.

OPERADOR
Há a expectativa de que Lúcio Bolonha Funaro delate o ex-deputado Eduardo Cunha, de quem seria "operador".

SEM RELAÇÕES
Eduardo Cunha, que ainda não cogita delação, já declarou não ter "relações comerciais" com ele.

UM Só PACOTE
A dificuldade inicial para delação era que Funaro deseja colocar no mesmo pacote as operações Sépsis e Lava Jato.

INMETRO: 40% DOS POSTOS FRAUDAM O CONSUMIDOR
Cerca de 40% dos postos de gasolina de todo o País tem dispositivo em que, após 20 litros contabilizados, a bomba passa a injetar menos combustível. Os golpistas descobriram que a fiscalização utiliza galões de 20 litros para checar as medições, por isso desenvolveram um chip que frauda a contagem apenas a partir do 20º litro. "É apenas uma das modalidades dos atos fraudulentos em postos de gasolina", explica o responsável pela metrologia do Inmetro, Raimundo Rezende.

CONFIRMADO
O diretor do setor que controla as medições do Inmetro confirmou a existência da atividade ilegal em postos: "Já constatamos", disse.

GOLPE PERFEITO
O golpe não deixa pistas. Para se proteger da fraude, o consumidor precisa abastecer em "lotes" de 20 litros.

FRAUDOU, PAGOU
Nem sequer existe uma lei que permite ao poder público fechar a empresa cujo posto seja flagrado cometendo a fraude metrológica.

RUIM DE REFINARIA
Chegou a US$800 milhões o prejuízo da Petrobras na compra da refinaria de Pasadena (EUA), no governo Dilma, segundo o Tribunal de Contas da União. Em 2006, a Bolívia invadiu e tomou do Brasil duas refinarias. Depois pagou US$112 milhões, mas valiam US$1 bilhão.

ESTRATÉGIA
A defesa de Dilma sustentará neste terça no TSE que há contradições nos depoimentos dos marqueteiros João Santana e Monica Moura, sobre o "caixa 2" na campanha. O PT quer anular essas delações.

CONTRA O FORO
A Câmara começa a analisar esta semana a proposta que acaba com o foro privilegiado, mas o caminho será longo. E os deputados não parecem tão motivados assim para garantir um mínimo de 308 votos.

LÁ E CÁ
A China inaugurou a maior usina flutuante de energia solar do mundo, que reduz a evaporação e produz 20% mais de energia elétrica do que planta solar no chão ou no telhado. A Eletronorte e a Chesf vão fazer duas plantas, nas hidrelétricas de Balbina (AM) e Sobradinho (BA).

ALIANÇA DEM-PT
Rodrigo Maia toma posição "republicana", dizem aliados, de não ser candidato oficial em caso de eleição indireta. Mas sonha com apoio do mesmo PT que o ajudou a se eleger na presidência da Câmara.

NINGUÉM FICA
Foi de cortar coração: Cassiano Rodrigo de Carli, recém-nomeado consultor jurídico do Ministério da Justiça, tentou várias vezes ser recebido pelo novo ministro da Justiça, em vão. Torquato Jardim já sinalizou que não ficará ninguém da turma de Osmar Serraglio.

QUEM AVISA...
Com o fim do foro privilegiado para 38 mil agentes públicos, voltarão à instância original as ações penais que os envolvem. Mas não tornará o processo necessariamente mais rápido. Muito pelo contrário.

DOIS PAÍSES EM IMPOSTOS
Os R$901 bilhões dos impostos recolhidos em menos de cinco meses, no Brasil, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, é superior à soma dos PIBs de Portugal e Uruguai.

PENSANDO BEM...
...o "don't worry, be happy (não se preocupe, seja feliz)" de Putin sobre a saída dos EUA do Acordo de Paris, é a versão russa do "relaxa e goza" de Marta Suplicy.
Herculano
05/06/2017 06:40
CASSAR CHAPA QUE ABUSOU DO PODER É FORTE SINALIZAÇÃO PARA O FUTURO, por Vinicius Mota, no jornal Folha de S. Paulo

Michel Temer perdeu seu melhor argumento para enfrentar a profusão de provas de abuso de poder praticado pela chapa na qual se elegeu vice em 2014. Sua continuidade no Palácio do Planalto deixou de afiançar estabilidade.

Mesmo diante da sólida peça acusatória, não seria disparate absolver o presidente a menos de 18 meses das eleições diretas em nome de evitar trepidações na condução do governo e de escapar de um indigesto pleito indireto. Cortes superiores devem considerar o impacto de suas decisões no equilíbrio institucional.

Decerto um juízo de absolvição faria exalar odores duradouros de cinismo. Separar presidente e vice numa chapa que a Constituição e o voto popular uniram, admitir formalismos apelatórios para afastar testemunhos e provas importantes ou optar pelo mal menor não é algo que se cometa sem produzir cicatrizes.

Mas eis que o presidente aceita receber, sem cercar-se de mínimas precauções protocolares, um empresário encrencado com a Polícia Federal. É gravado numa conversa ladina e, do pouco que se decifra do áudio, indica a seu interlocutor os serviços de um deputado até então obscuro, que logo depois é flagrado em "sprint" com uma mala de dinheiro.

Por mais que haja muito a explicar e a corrigir na ação da Procuradoria, o episódio deixou o presidente da República pendurado na brocha, como se diz no interior. É óbvio que a única saída para o ex-deputado Loures é jogar a culpa em Temer. A questão é saber quando, não se, o fará.

Aliviou-se de repente o fardo sobre o Tribunal Superior Eleitoral de ter de mobilizar interpretações heterodoxas ou criar precedente a fim de preservar a estabilidade política. Temer tornou-se fator de desequilíbrio.

Essa reviravolta da história pode ter sido boa para o Brasil. Não há nada mais indicado, como sinalização para o futuro, que a cassação de uma chapa presidencial que abusou sistematicamente do poder econômico
Herculano
05/06/2017 06:36
TSE DECIDE NESTA SEMANA EM QUE TRIBUNAL QUER SER, por
Josias de Souza

O Tribunal Superior Eleitoral retomará nesta terça-feira (6) o julgamento sobre as irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer.

Há no processo uma montanha de evidências de que o comitê vitorioso na disputa presidencial de 2014 utilizou verba roubada da Petrobras para se financiar.

A despeito disso, o TSE flerta com a possibilidade de instalar no seu plenário um forno de assar pizzas.

Neste julgamento, o TSE não decidirá apenas contra ou a favor de Temer e Dilma. Decidirá que tribunal deseja ser perante a história.
Herculano
05/06/2017 06:34
MICHEL TEMER DEVE SER CASSADO, por Celso Rocha Barros, sociólogo,no jornal Folha de S. Paulo

Começa nesta semana o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Há evidências sólidas de que a chapa vencedora de 2014 foi financiada com dinheiro sujo. A chapa derrotada era a de Aécio Neves, mas, enfim, lei é lei. Michel Temer, pela lei brasileira, precisa deixar de ser presidente da República.

Ninguém discute que, se Dilma Rousseff ainda fosse presidente, seria condenada. E seria condenada com razão. Se for absolvida agora, o será pelo mesmo motivo pelo qual deixou de ser presidente: as manobras de seu companheiro de chapa.

Contra a absolvição de Temer, toda a lei e toda a lógica.

Se Temer não tinha nada a ver com a candidatura de Dilma Rousseff, é inexplicável que tenha tomado posse quando sua companheira de chapa foi impedida. Se era vice o suficiente para virar presidente em 2016, tem que ser vice o suficiente para deixar de ser presidente em 2017.

Note-se que, para a condenação da chapa, não é necessário que Dilma ou Temer tenham participado pessoalmente da negociação de propinas: basta que tenham obtido uma vantagem indevida na disputa eleitoral graças ao dinheiro sujo. Isso ocorreu. Sim, o adversário era o Aécio, etc., mas, repito, lei é lei.

Agora a defesa do presidente da República tenta argumentar que houve uma ampliação indevida do escopo do caso com a incorporação das delações da Odebrecht. A petição inicial, produzida pelo PSDB para, nas palavras imortais de Aécio Neves, "encher o saco" do PT, foi feita apenas com base no que falaram Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

Ou seja, o que Temer argumenta é que, em um processo para saber se havia dinheiro sujo na campanha vencedora de 2014, não podemos ficar ouvindo todo mundo que aparece de uma hora para outra provando que havia dinheiro sujo na campanha vencedora de 2014.

Seria mais consistente do ponto de vista jurídico, e mais honesto, se Temer declarasse que o processo perdeu seu objeto porque o saco do PT não está mais ali para ser enchido. É um ótimo argumento e, se Temer for absolvido por isso, exijo que me pague honorários. Só não mande o Rocha Loures entregar o dinheiro, porque ele sempre embolsa 7% e, para devolver, é um problema.

Enfim, se o TSE absolver Michel Temer, terá ficado claro que uma de nossas principais cortes foi manipulada do início ao fim por um dos lados da disputa política contra o outro. O processo foi iniciado por irresponsabilidade de mau perdedor do PSDB, ressuscitado por Gilmar Mendes para atingir Dilma e, agora, pode ser enterrado para salvar Temer.

É difícil exagerar o quanto isso seria ruim para a credibilidade de nossas instituições. As condenações do Mensalão, em que um tribunal teve a coragem de condenar o grupo político no poder, seriam explicadas pelos historiadores como um rápido intervalo de Império da Lei que ocorreu porque o Planalto, entre 2003 e 2016, esteve nas mãos de novatos e amadores.

Há pouco a comemorar no Brasil atual além da mobilização institucional para combater a corrupção. O julgamento no TSE é um bom momento para descobrirmos como as instituições vão se sair contra gente muito mais poderosa que os petistas que até outro dia nos governavam. Se a Justiça perder essa briga, pode ser só a primeira derrota de muitas.
Miguel José Teixeira
04/06/2017 20:55
Senhores,

Provavelmente o cunha, nosso ex-malvado favorito, guardado em sua cela, está à cantarolar:
"A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim?"
(Ronnie Von)
Luis Cesar Hening
04/06/2017 20:19
Para a que se diz Maria Luiza Petrowisky
Você é uma comedia mesmo, não defendo o dono da terra e sim os impostos que eu pago, pois o município terá que pagar e caro pelas barbaridades feitas, acuso com provas mostro as que tenho quando você quiser. Outra você fala em bombeiros,que eu fumo e tudo mais, não tem relevância nenhuma com o que escrevo, teu problema é que não tens argumentos para defender o indefensável. como você fala que atendo mau as pessoas, é fácil resolver isso denuncie meu atendimento, mas com provas pois do meu trabalho tenho inúmeras provas que faço com dedicação e presteza. Com certeza este não é seu nome, no minimo você é uma Ptralia que usa este espaço para denegrir mas não tem coragem de se identificar e que no mínimo perdeu sua teta na administração pública
Herculano
04/06/2017 19:16
DELTAN DELLAGNOL: "SER AMIGO DO 'REI' SE TORNOU UM EXCELENTE NEGóCIO NO PAÍS"

Conteúdo de O Antagonista. Deltan Dallagnol resumiu a corrupção brasileira neste trecho de seu artigo na Folha:

"Grande parte da elite política e boa parte da elite econômica se uniram para lucrar e manter o poder por meio da corrupção.

Fazer política e ser amigo do 'rei' se tornou um excelente negócio no país. Além de enriquecerem juntos, os grandes corruptos sempre se protegeram, desde que o Brasil é Brasil, e não se deixaram punir.

A explicação é simples: o mecanismo da punição é a lei. Os donos do poder garantem sua própria impunidade porque influenciam tanto o conteúdo da lei como quem a aplica."

A corrupção sistêmica é incompatível com o desenvolvimento econômico e social.

É o que dizem estudos internacionais citados por Deltan Dallagnol em seu artigo deste domingo na Folha.

"A corrupção suga, por meio de mais e mais impostos, a energia da produção brasileira e, por meio de mais e mais desvios, a qualidade do serviço público."

Para Deltan, o Brasil "está desiludido, mas o problema não está na descoberta da ilusão", "é a realidade que está distorcida".

Ao mesmo tempo, o país "vive uma grande chance de se reconstruir sobre novas bases".

"A lei não precisa se ajoelhar diante dos barões; o país não tem que caminhar sobre uma ponte instável; a população não está condenada a ser governada pela cleptocracia."

Ao mesmo tempo que FHC cobra mais explicações da Lava Jato, Deltan Dallagnol explica o truque dos políticos para chantagear o Brasil.

Segundo o procurador, em troca da "estabilidade política, necessária para a economia prosperar", "o país é chantageado a aceitar a corrupção dos donos do poder".

"A chave para a recuperação econômica é usada como moeda de troca, para garantir a impunidade dos grandes corruptos e a continuidade dos esquemas.

Vende-se uma dupla ilusão. A estabilidade é falsa. Seus pilares estão corroídos, apodrecidos, prontos a desmoronar a cada próximo escândalo."
Herculano
04/06/2017 19:10
"RONAN IA ENTREGAR LULA COMO MENTOR DO ASSASSINATO DE CELSO DANIEL"

Conteúdo de O Antognista. A Veja traz uma reportagem sobre as conversas que a deputada tucana Mara Gabrilli teve com Marcos Valério, no ano passado, sobre a chantagem que Ronan Maria Pinto fez com Lula:

"A primeira conversa de Valério com a deputada foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André, tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato. No dia 3 de abril, Mara enviou um ofício ao procurador de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime.

'Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel', escreveu a deputada."
Sempre lembrando que nenhum dos diretamente envolvidos nessa história é confiável.
Grilo Pernudo
04/06/2017 13:29
Senhor Herculano


O PT é uma m.... mas o PMDB do Temer do peninha e Ciro, qual a diferença estas pragas?
O Temer gravou áudio dizendo que Kleber seria a solução, junto com peninha de Bolsa Naro.
Tudo coisas da marginalidade.Junto com pt
José Antonio
04/06/2017 10:58
Herculano

Tem PETISTA em Gaspar que nas redes sociais cita o Henrique Meirelles nas falcatruas da JBS. Pergunto aos P E T I S T A S de Gaspar quem era o presidente do Banco Central nos dois governos do LULA LADRÃO? Ele mesmo, o Sr Henrique Meirelles. Ai não tinha problema. São de uma contradição de dar nojo.
"Eita" PETEZADA de M...
Herculano
04/06/2017 08:16
A ESQUERDA CAPTUROU A ALMA CRISTÃ MILENARISTA A SERVIÇO DE UMA UTOPIA, por Cristóvão Tezza, crítico literário e escritor, no jornal Folha de S. Paulo

O que significam ainda "esquerda" e "direita"? Desde que, na Convenção da França revolucionária, os jacobinos sentaram-se à esquerda e os girondinos à direita, muita história rolou sobre essa distinção.

Uma definição precisa não existe mais -o que restou, talvez, a partir de extremos brutos, seja um estado de espírito genérico ligado a alguns princípios voláteis. Penso em mim mesmo, quem sabe ecoando um sentimento coletivo. Para colocar algum método nessa nuvem, vejo três campos em que se pode pensar a separação.

O primeiro é o comportamento diante de escolhas pessoais do nosso dia a dia. Descriminalização do aborto e liberação das drogas, por exemplo. Direitos dos negros e dos índios. Casamento gay e direitos dos transgêneros. Movimento feminista e igualdade das mulheres.

Aparentemente, essas seriam pautas quase que exclusivas da esquerda, embora em boa parte venham de movimentos nascidos num certo viés libertário capitalista, em defesa dos direitos individuais.

Descontando-se as muitas variáveis sócio-históricas, econômicas e geográficas que se opõem ou interpenetram na guerrilha político-cultural, há um ponto em comum subjacente: o Estado deve ser laico e o princípio da responsabilidade pessoal é inalienável e intransferível.

O segundo campo, talvez o dominante, está na relação entre Estado e economia -é o que, pela história dos últimos dois séculos, mais marcadamente vem distinguindo, aos olhos do senso comum, esquerda e direita. Nesse sentido, o que define uma coisa e outra seria a concepção de Estado.

Uma das coisas que a ditadura militar instaurada nos golpes sucessivos de 1964 e 1968 me ensinou foi a desconfiar profundamente do Estado. Naqueles anos turbulentos, nutri diariamente um horror pela burocracia estatal, por seus carimbos, por sua violência, por seus generais, por seu controle, por sua censura, e principalmente pela sua opaca e intransponível estupidez.

Ia nisso o anarquismo individualista romântico que estava no coração dos anos 1960 e 1970 em que eu entrei de cabeça e marcou quem quer que vivesse naquele tempo.

Mas, para outra parte da minha geração, o efeito foi inverso, seguindo a esteira tradicional do país -o Estado seria o Xangrilá, a solução definitiva dos nossos problemas. Bastava tomá-lo nas mãos. Feito isso, o país daria um salto em direção ao paraíso. O modo mais simples de entender a questão está na guerra entre privatização e estatização.

Por este ângulo, o ditador Geisel e a presidente Dilma estariam curiosamente do mesmo lado, pranchetas criando estatais gigantescas e maravilhosas. Do ponto de vista econômico, ambos apenas cavalgavam o mesmo irresistível tiranossauro rex com uma cenoura quebrada a balançar-se adiante.

A grande conquista cultural da esquerda, de que decorre o seu resiliente poder político, está em vincular nos corações e nas mentes o primeiro pacote de valores -os direitos inalienáveis do indivíduo- com o segundo: precisamos de um Estado monstro para garantir a nossa liberdade. Assim, o mesmo brasileiro que defende o casamento gay, defende igualmente, no mesmo "combo político", os tentáculos estatais inarredáveis da Petrobras, do Banco do Brasil, dos Correios, mais o controle corporativo-sindical da educação brasileira em bolsões privilegiados, e assim por diante.

E o terceiro campo seria filosófico-religioso. O espírito da esquerda foi o herdeiro direto do espírito do cristianismo em dois aspectos revolucionários.

O primeiro é o conceito fundamental do cristianismo primitivo de que todas as pessoas são iguais perante Deus, o que, apesar da reza milenar de todos os santos, só se tornou de fato um ideário político consistente com o Iluminismo ateu e a Revolução Francesa.

O segundo aspecto é a ideia bizarra de que o mundo e a vida se dirigem inexoravelmente, ou dialeticamente (para os hegelianos), a uma redenção futura que dará um fim à história.

A teleologia cristã, ao criar uma narrativa única com começo, meio e fim, representou uma mudança radical na cosmologia da Antiguidade, fragmentária e circular.

A esquerda capturou integralmente a alma cristã milenarista, pondo-a a serviço de uma utopia estatal terrestre. É delírio, mas move o mundo.
Herculano
04/06/2017 08:11
TREMORES SEGUIDOS, por Miriam Leitão, no jornal O Globo

O evento Joesley foi um terremoto cujos tremores secundários ainda não acabaram. A empresa enfrentará enormes dificuldades, e os bancos ainda não dimensionaram todo o risco JBS. No julgamento do TSE, esse assunto estará presente, mesmo que não oficialmente. Na Lava-Jato, o acordo feito com o empresário dividiu a opinião pública, enfraquecendo o apoio à operação.

Os bancos começam agora a fazer as contas para entender a dimensão do risco JBS. E ele pode ser maior do que o imaginado. Há a exposição de diversas instituições, principalmente as públicas, ao passivo do grupo, mas há também o fato de que a situação está em aberto. Outras multas, processos, eventos podem atingir a empresa. Ela é enorme no mercado interno de carnes. Em algumas áreas do Brasil, o JBS é o único grande comprador da produção local e fornecedor, portanto, uma crise na companhia pode ter reflexos em cadeia. E nem todo esse risco está calculado.

No acordo de leniência que negociou com o Ministério Público, a holding J&F pagará muito mais do que imaginava no início, mas menos do que parece. A conta certa a fazer, segundo um graduado economista, é trazer a valor presente o pagamento que será feito em 25 anos, e não somar o valor nominal das parcelas a pagar. Trazido a valor presente, o custo será de R$ 6 bilhões. O Ministério Público exigiu, contudo, que a conta seja paga pelos controladores do grupo. Do contrário, os minoritários teriam que suportar parte do preço da corrupção dos irmãos Batista. Seria kafkiano se o BNDES tivesse que pagar parte dessa conta. Esse certamente não será o único custo a recair sobre a empresa.

Para a Lava-Jato, o evento Joesley teve duplo efeito. É o momento de maior poder dos investigadores. Nos próximos dias o presidente da República estará respondendo a um interrogatório da Polícia Federal. O simbolismo disso é enorme, ainda que as perguntas tenham que ser por escrito. A escolha do novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, levantou muita suspeita sobre a tentativa de interferir na LavaJato. Ele tem negado.

O que causou mais estrago à operação foi a reação da opinião pública aos termos do acordo de delação que deu aos irmãos Batista a imunidade penal. A operação é uma travessia que estava sendo entendida pela população desta forma: o país está deixando a longa história da impunidade nos crimes dos poderosos e indo para o tempo do "erga omnes", ou seja, aquele no qual a lei vale para todos. As vantagens dadas a Joesley e Wesley, a vida de Joesley em Nova York, consolidam a sensação de que mesmo entre os muito ricos do Brasil existe o "mais igual que os outros". A imprensa publicou a comparação entre o que pesou sobre Marcelo Odebrecht e sobre Joesley Batista. Os dois têm vários pontos em comum. São herdeiros de grandes empresas e as fizeram crescer usando a corrupção, são os maiores financiadores de campanhas em caixa dois e tiveram contato direto com os presidentes do Brasil. Um está na cadeia e o outro na 5ª Avenida.

A semana passada foi boa para o presidente Temer e isso era previsível. Aqui eu escrevi que ele tentaria surfar nas boas notícias econômicas e foi o que ele fez. Nesta que começa ele ficará na berlinda porque será a do julgamento da chapa Dilma-Temer. Se houver algum pedido de vista será uma desmoralização para o TSE. Primeiro porque esse expediente tem sido entendido por todos como manobra do ministro que pede vista para evitar a decisão. Assim foi compreendido o movimento do ministro Alexandre de Moraes sobre a restrição ao foro privilegiado. Segundo, porque no terceiro ano do mandato, o TSE ainda não conseguiu julgar a ação que foi apresentada sobre a campanha de 2014. Neste caso, o tempo pode impedir a ação da Justiça. Apesar de a delação de Joesley Batista não integrar os autos e não poder ser usada como argumento ou prova, ela mudou o ambiente em relação ao presidente Michel Temer, enfraquecendo as articulações para salvá-lo no tribunal.

O evento Joesley continuará tendo efeitos no mundo jurídico, na economia e na política brasileiras. As placas tectônicas ainda estão se mexendo. Nada está garantido, nem mesmo o que o empresário conseguiu com sua esperteza: livrar-se de punições penais.
Herculano
04/06/2017 08:07
ABAIXO PETRALHA E PATRULHA! INCOMPETENTE, MPF NÃO PROVA CULPA DE LULA. ENTÃO FAZ BARULHO, por Reinaldo Azevedo

Que coisa, né? Às vezes, fico com a seguinte impressão: se não sou eu a dizer o óbvio, então será quem? Afinal, como sabem, não temo nem petralha nem patrulha. E também não tenho medo de ir para o confronto aberto de ideias. Os porões da Lava Jato quiseram me calar. O PT passou 13 anos tentando me tirar empregos. Não conseguiu. Os valentes moralistas, ah, estes levaram dois num único dia. O ruim para eles é que o embate me fortaleceu e ampliou a minha voz. Fazer o quê? Hoje, trabalho ainda mais.

Sim, eu estou aqui - e também na RedeTV!, na rádio BandNews e na Folha - para, se preciso, desafinar tanto o coro dos contentes como o coro dos descontentes. Querem ver que mimo?

Na petição final enviada ao juiz Sérgio Moro no processo sobre o tríplex de Guarujá, o Ministério Público Federal pede a "firme punição" de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas calma! Os rapazes querem mais: também defendem que o petista seja condenado a pagar uma multa de R$ 87,6 milhões. E que comece a cumprir pena em regime fechado.

É do balacobaco!

Segundo o MPF, no caso em questão, Lula obteve vantagens indevidas da OAS correspondentes a R$ 3,7 milhões. Registraram? Partamos do pressuposto de que o MPF fala a verdade e tem as provas. Que sentido faz a aplicação de uma multa de R$ 87,6 milhões num processo em que se apuram desvios de R$ 3,7 milhões? Resposta: não faz sentido nenhum! É pura maluquice e mistificação.

E como é que se chega a isso? Ora, é simples: na petição final, o MPF abandonou a questão do apartamento propriamente. Simplesmente não conseguiu reunir as provas de que ele pertença a Lula. Há no documento passagens mimosas como esta: "Dizer que 'não há escritura assinada' pelo réu Lula é confirmar que ele praticou o crime de lavagem de dinheiro".

Entendi. Nessa nova concepção de direito, a maior prova de que algo existe é não haver prova nenhuma de que exista. Lembra a conversa dos malucos que acreditam que a Terra vive sendo visitada por ETs. De onde eles tiram tanta certeza? Do fato de que os ETs não aparecem! E, quando dão pinta entre nós, em vez de se apresentarem a Vladimir Putin ou a Donald Trump, preferem falar com o Seu Zé, de Nheco-Nheco do Sul?

Convicção e prova
A propósito: se vocês querem a minha convicção pessoal, eu a dou: acho, sim, que o imóvel é de Lula. Mas eu não defendo uma justiça pautada pelas minhas convicções.

A verdade é que o Ministério Público Federal foi incompetente para produzir as provas e, então, apela a elementos que não estão no processo para defender a condenação e a aplicação dessa multa pornográfica.

Não tendo como provar que o imóvel é de Lula, então os doutores apontam o papel do petista na "orquestração" do esquema criminoso, o que seria evidenciado pela nomeação de Renato Duque e Paulo Roberto Costa para diretorias na Petrobras.

Estamos de volta ao patético PowerPoint de Deltan Dallagnol. Sim, Lula está sendo processado por sua atuação no esquema, mas essa é outra investigação, é outro processo: trata-se do inquérito-mãe, que está no Supremo. Assim, o que pedem os procuradores? Ora, que o ex-presidente seja condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do apartamento. E a prova estaria no fato de ele ter nomeado diretores da Petrobras, o que evidenciaria ser ele chefe do esquema criminoso.

Com a devida vênia, isso não é exercício do direito. É um amontado de porcarias.

Provas indiciárias
Na petição, os doutores misturam alhos com bugalhos e fazem a defesa das chamadas provas indiciárias, que, de fato, constam do Código de Processo Penal desde 1941. Lá se lê, no artigo 239:
"Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias."

Que parte de texto tão curto os acusadores não entenderam. Quando menos, cumpriria indagar: qual é a "circunstância conhecida e provada"? Alguém precisa dizer aos bravos rapazes que "provas indiciárias" não são sinônimo de "convicções do acusador".

Argumento do alarido
E o texto traz outra coisa detestável que, se tornada um norte conceitual, conduz à tirania judicial. Segundo esses moralistas empedernidos (não com os Joesleys da vida?), "não se pode tratar a presente ação penal sem o cuidado devido, pois o recado para a sociedade pode ser desastroso: impunidade; ou reprimenda insuficiente".

Entendi. Estão pedindo ao juiz Sérgio Moro que ignore os autos do processo e pense na reação da opinião pública. Ou de setores dela.

Moro ainda aguarda as alegações finais da Petrobras, que entra como assistente na acusação, o que é outra aberração.

O que fará o juiz?
Bem, parece ser o segredo mais mal guardado da República. Vai condenar Lula, é claro! Ele não compraria, fazendo o contrário, uma briga de tal vulto com o seu público. Já imaginaram o homem a absolver o petista por falta de provas? O que não diriam os comentadores daquela página administrada por sua "querida esposa" (sic), a "Eu Moro com Ele"? Seria o maior movimento de "descurtida" em massa do Facebook.

O que eu penso de Lula e do PT, no caso de uma condenação, é irrelevante. Não aceito, numa democracia de direito, que alguém seja condenado sem provas ?" ou, como é o caso, contra as provas, já que documentos de fé pública indicam que o imóvel pertence à OAS.

Ponha uma coisa na sua cabeça, leitor! Condescender com esse tipo de coisa corresponde a pôr a corda no próprio pescoço. Hoje é com Lula. Amanhã é com você.

O MPF tem de trabalhar melhor, com mais competência. Não lhe faltam condições e recursos financeiros. E precisa parar de se comportar como animador de torcida.

Encerro
A petição final enviada a Moro é vergonhosa. Vamos ver até onde o juiz se compromete com ela.

"Reinaldo, se Lula não for condenado, ele pode virar presidente de novo?" Eu sei. Mas alguém aí defende que, para evitar que isso aconteça, se joguem as leis no lixo?

Não contem comigo. Quero combater o Babalorixá de Banânia dentro das regras do jogo
Herculano
04/06/2017 07:59
TEMER RESISTE, ENTRE ACORDÃO E DEPRESSÃO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

O Brasil vai passar pelo maior período de regressão econômica desde o início do século 20, "agora é oficial". Além disso, vive uma guerra civil por outros meios, que não são os meios da política, mas do conflito institucional.

Descendo desse panorama depressivo à vulgaridade dos dias que correm, a definição do destino de Michel Temer deve causar repulsa à larga maioria dos brasileiros. Aumentaram as chances de que o presidente resista no cargo. Caso sucumba, a coalizão no poder será reposta por si mesma, por eleição indireta, a não ser talvez em caso de insurreição nas ruas.

Ainda que a solução atenda a desejos pragmáticos da elite de empresas e finança, é quase certo que o programa reformista saia avariado da crise e que o crescimento seja ainda mais rebaixado até 2018.

Pode ser ainda pior caso Temer, o Terrífico, permaneça no Palácio do Planalto sangrando a cada batida da polícia, a cada vazamento de inquérito. Mais: embora tenha votos para evitar um remoto impeachment, o presidente mal controla metade dos votos do Congresso, dizem seus aliados.

O crescimento deste ano vai sendo revisto de quase nada para nulo ou menos que isso. Será de qualquer modo o quarto ano de regressão do PIB per capita, um quadriênio de redução de renda maior que o de 1981-84, que ajudou a dar cabo de uma ditadura: quase 10% de perda, uma situação de guerra.

Talvez o desespero seja menor agora, pois a proteção social é muito mais ampla; a renda média é o dobro da registrada nos 1980. Mas o povo não mede sua revolta por comparações estatísticas, nem existe termômetro que alerte para explosões nas ruas.

A crise política, por sua vez, é apenas parte de convulsão maior, um combate cada vez mais extremado entre parte do sistema de Justiça (juízes, procuradores, polícia) e o sistema político. Isso é óbvio, mas são menos
evidentes as consequências da radicalização do conflito.

O sistema político vai combater pela sua sobrevivência. Vai se tornar mais repulsivo aos olhos do eleitorado quanto maiores o acordão ou a chicana que consiga aprovar. A Procuradoria-Geral se torna mais agressiva. Em semanas, deve denunciar políticos graúdos às carradas e irá à jugular de Temer. Levará o caso ao Supremo, que terá então de decidir se afasta o presidente para o processo.

Até a última flutuação dos humores político-judiciais, os relatos eram que Temer venceria no Tribunal Superior Eleitoral. Quanto aos donos do dinheiro grosso, a revolta com a nova instabilidade político-econômica, que era muda, se tornou gritante atrás das cortinas. Com ou sem Temer, quer-se o fim do tumulto, tanto faz quem seja o regente reformista.

Na política politiqueira, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, se tornou a solução mais provável para uma cada vez mais improvável queda do presidente. O PSDB foi isolado por afoiteza, soberba e rachaduras internas.

A coalizão no poder talvez resista sob o comando de uma aliança dos partidos carcomidos maiores, coadjuvantes nos últimos quase 30 anos: DEM e PMDB.

Em suma, estão dados os motivos de um voto de grande revolta na eleição do ano que vem: repulsa política e sofrimento econômico enormes. Aduba-se o terreno para candidaturas e programas aventureiros.
Herculano
04/06/2017 07:56
PT 'SACRIFICA' DILMA EM 2018 PARA DAR FORÇA A LULA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

Restou uma certeza no 6º Congresso do PT, realizado em Brasília, desde o documento que serviu de base aos debates até as declarações dos lulistas, majoritários no partido: a ex-presidente Dilma Rousseff será "sacrificada", nas eleições de 2018, para que o PT tenha chance de permanecer vivo. Próceres petistas, inclusive ex-integrantes do seu governo, se revezaram nas críticas à gestão desastrosa de Dilma.

NOVA VERSÃO
PT agora acusa a política econômica de Dilma, e não o "golpe" que tanto "denunciou", como principal causa do impeachment.

CEGUEIRA
Se fez "mea culpa" da sua trágica política econômica, o PT acha que petistas condenados por roubar são "vítimas do estado de exceção".

CADAFALSO
Satanizar a política econômica de Dilma cumpre a estratégia de realçar, em contrapartida, os "acertos" da política econômica de Lula.

SOBRAM CRÍTICAS
A falta de talento e sobretudo de paciência de Dilma, no entendimento com a classe política, também foi destacado no Congresso.

EDUARDO CUNHA AINDA RESISTE À DELAÇÃO PREMIADA
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, réu na Lava Jato, ainda resiste à insistência de aliados, amigos e até de familiares para fechar acordo de delação premiada. Eles dizem que Cunha fica calado quando ouve esses apelos, "enigmático". O deputado foi preso em outubro de 2016, pouco mais de um mês após perder o mandato de deputado por ter mentido à CPI da Petrobras sobre contas na Suíça.

CONDENADO
Em março, Cunha foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 15 anos e 4 meses por receber propina num contrato da Petrobras na África.

OUTRAS AÇÕES
Cunha responde a outras duas ações penais; uma em trâmite na 10ª Vara Criminal Federal de Brasília, relativa à Operação Sépsis.

MAIS PROPINA
A outra, que está nas mãos de Sérgio Moro investiga se ele recebeu propina de US$ 5 milhões em contratos de navios-sonda da Petrobras.

INACREDITÁVEL
Para a Procuradoria-Geral da República, a "suspensão temporária" do WhatsApp, impedindo que mais de 100 milhões de brasileiros o utilizem para se comunicar, "não viola direitos", nem a liberdade de expressão.

SIMPLES ASSIM
Punir 100 milhões de usuários porque o Whatsapp não entrega o que não tem (gravação de bilhões de mensagens) é como proibir os Correios de distribuir cartas porque não entregou à Justiça, como solicitado, cópia de correspondência enviada por um suspeito.

DEVASSA NA JBS
A Comissão de Fiscalização da Câmara promete fazer uma verdadeira devassa nas jogadas financeiras do grupo J&F/JBS, dos Batista. A investigação foi proposta pelo deputado Carlos Melles (DEM-MG).

ERA LOROTA
"Balão de ensaio" de deputados de oposição "lançou" o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB) como "vice" de Rodrigo Maia, em eventual eleição indireta para presidente. Aldo negou.

ESCALADA TERRORISTA
Após o badernaço que quase destruiu a Esplanada dos Ministérios, dia 24, a Polícia Federal investiga "receitas" e "guias" compartilhados nas redes sociais ensinando novas táticas de guerrilhas, incluindo a manufatura de bombas com utensílios caseiros, como desodorantes.

CARNE PODRE, NÃO
O Senado discute em audiência pública, nesta terça (6), a MP 772, que altera a lei da inspeção de produtos de origem animal, após a operação da PF que identificou até papelão em carnes da JBS/Friboi. A multa por infração, segundo a MP, passa de R$25 mil para R$ 500 mil.

TRANSPARÊNCIA OPACA
Dos R$151 milhões pagos em diárias a servidores federais até 31 de maio, R$22 milhões estão protegidos por sigilo e o contribuinte otário jamais saberá para quem e por que gastamos essa dinheirama.

BOLSOS CHEIOS
Dos 88.650 beneficiados por diárias, no governo federal, um servidor do INSS e outro do DNIT receberam mais de R$100 mil, além dos salários, só entre janeiro e maio. A dupla embolsou R$252.884,90.

PENSANDO BEM...
...seria até engraçada, não fosse trágica, a tentativa de transformar em notícia negativa o crescimento de 1% do PIB, após dois anos de queda
Herculano
04/06/2017 07:52
AS RESPONSABILIDADES HISTóRICAS, por Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, ex-professor, ex-senador, ex-ministro da Fazenda que implantou o Plano Real, ex-presidente da República por dois mantos pelo PSDB, para o jornal O Estado de S. Paulo

Apoiei a travessia e espero que a pinguela tenha conserto. Mas, e se não?

Há quem pense que a política é como as nuvens, move-se depressa e refaz incessantemente suas configurações. Talvez. Contudo nas democracias, a despeito de o jogo político ser variável, existem regras na Constituição que só se mudam seguindo os preceitos nela definidos. Quanto mais haja agitação e incertezas, menos se devem buscar atalhos e mais seguir a Constituição.

Escrevo este artigo antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir sobre a nulidade da eleição da chapa Dilma-Temer. Qualquer que seja o resultado, provavelmente haverá recursos. Com eles, o tempo de decisão se alongará e também a inquietação da sociedade.

Os políticos responsáveis sabem que qualquer arranjo político deve considerar suas consequências para os 14 milhões de desempregados e, portanto, para o crescimento da economia. Tampouco devem esquecer-se de que a população está indignada com a corrupção sistêmica que atingiu os partidos, o governo e parte das empresas. Portanto, chegou a hora de buscar o mínimo denominador comum que fortaleça a democracia e represente um desafogo para o povo, aflito com a falta de emprego e de renda. E indignado com a roubalheira.

É preciso dar continuidade às reformas em curso no Congresso e às investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário. As reformas são essenciais para que a economia prospere. As investigações, para a moralidade pública.

As reformas não podem visar apenas o equilíbrio fiscal. Há que olhar para as pessoas, avançar com firmeza e com moderação para combater privilégios e atender ao que é justo. Na reforma previdenciária, diante da continuada queda da taxa da fecundidade (já abaixo de dois filhos por mulher) e do aumento da expectativa de vida depois de se aposentar, impõe-se estabelecer idade mínima para a aposentadoria.

Isso é o mínimo para começar a resolver o problema das contas da Previdência. Essa regra deve ser tão mais geral quanto possível, excetuando-se apenas os grupos mais fragilizados da sociedade, a exemplo dos trabalhadores rurais, ou as categorias profissionais que realizam tarefas que, por motivos de saúde, justifiquem idades menores para a aposentadoria.

Também a aprovação da reforma trabalhista é fundamental. Acordos podem ser feitos, e não serão "recuos" do governo, mas ajustes necessários. Melhor que se façam por veto presidencial e/ou de edição de medidas provisórias novas para corrigir o que for considerado desnecessário ou injusto do que com emendas no Senado que levem o projeto de lei para o sem-fim das dilações parlamentares.

O povo e a economia têm pressa. A mesma clareza de posição se exige quanto às investigações e aos processos criminais em curso. Nada de arranjos e medidas casuísticas para beneficiar parlamentares e poderosos. Tampouco, por outro lado, se devem aceitar atos arbitrários que permitam a um Poder anular as prerrogativas de outro.

Prisões preventivas, quando necessárias, devem ter seus motivos mais bem explicados à sociedade e maior reflexão cabe sobre até que ponto se justifica a concessão de prêmios eventualmente excessivos a quem delate crimes de corrupção. É de justiça que se precisa, não de vingança nem de benesses.

Quem porventura pretenda resolver a presente crise por meio de um conchavo encontrará na força das instituições, no ativismo da mídia e na indignação do povo barreira às soluções inventadas, por mais engenhosas que sejam. Na era da internet, o cochicho de bastidores perdeu força. Então, que fazer? - pergunta clássica, de difícil resposta.

Primeiro, não desconhecer a gravidade da crise política e as suas causas de fundo. Depois, por mais penoso que seja diante da irritação vigente, não pôr o carro adiante dos bois. De que vale falar de "sucessores", antecipando-se a decisões que cabem ao Judiciário e ainda não foram tomadas? Propor eleições diretas é tentador, porque traz dividendos políticos, mas inconsequente. Eleições diretas para cumprir um mandato-tampão, para quem? Só para presidente ou também para o Congresso?

Se o TSE julgar improcedente a ação que pede a nulidade das eleições de 2014, uma emenda constitucional para antecipar eleições diretas representaria, nesse caso, sim, um "golpe constitucional". Se a decisão do TSE tornar vaga a Presidência, manda a Constituição que a eleição do novo presidente seja indireta, feita pelo atual Congresso. Se e quando se colocar a questão de um sucessor, a decisão deverá ter apoio nos partidos, mas também na sociedade, posto que esta não aceita silente o que vem "de cima".

Não são questões banais. Por isso é preciso dar uma oportunidade de reflexão e, quem sabe, de revigoramento a quem está no governo. O PSDB não apelou "ao muro", mas à prudência de um tempo maior para que todos, pondo interesses partidários e pessoais em segundo plano, possamos responder com desprendimento: o que é melhor para o Brasil? O tempo urge, porém, pois o País exige respostas. Se houver manobras dilatórias no TSE, o PSDB correrá o risco de coonestar o que o povo não quer e a economia não suporta, ajudando o governo a empurrar a situação com a barriga?

Não desejo nem prevejo que seja esse o curso dos acontecimentos. Disse no início do atual governo que ele atravessaria uma pinguela, como o governo Itamar atravessou, com minha ativa participação. O governo Temer tem feito um esforço, até maior do que se imaginaria possível, para rearranjar uma situação institucional e financeira desoladora, essa, sim, uma "herança maldita". Apoiei a travessia e espero que a pinguela tenha conserto.

E se não? E se as bases institucionais e morais da pinguela ruírem? Então caberá dizer: até aqui cheguei. Daqui não passo. Torçamos para que não sejamos obrigados a tal. Se o formos, e o tempo corre, assumamos nossas responsabilidades históricas com clareza diante do povo e das instituições.
Herculano
04/06/2017 07:49
DELAÇÕES À VISTA, por Merval Pereira, no jornal O Globo

Não é preciso ter uma informação privilegiada para apostar na possibilidade de o ex-assessor do Palácio do Planalto Rodrigo Rocha Loures, preso ontem pela manhã em Brasília, fazer uma delação premiada, denunciando o presidente Michel Temer.

Assim como também são consequências naturais das investigações as delações dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega. Rocha Loures com mais razão ainda, pois não parece desses militantes convictos que se calam para ajudar o partido, como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari ou José Dirceu, que, condenado várias vezes por corrupção, tenta preservar artificialmente a narrativa do "guerreiro do povo brasileiro".

Nem Palocci nem Mantega são desse tipo, embora petistas de raiz. Pelo que já se sabe, no esquema de corrupção implantado pelo PT, ajudaram o partido e se ajudaram, assim como Dirceu, mas não têm, mesmo falsa, uma biografia heroica a preservar.

Entre ficar na cadeia por muitos anos para proteger Lula e safar-se, escolherão a segunda hipótese, assim como Rocha Loures. O cerco parece estar se fechando em torno dos chefes da organização criminosa montada nos últimos anos no país.

A denúncia, também ontem, contra o ex-presidente Lula no processo do tríplex do Guarujá é uma antecipação do processo do quadrilhão, que está sendo organizado pela Procuradoria Geral da República. Como no famoso PowerPoint do procurador Deltan Dallagnol, Lula é apontado como o chefe da organização criminosa, que montou todo o esquema de corrupção nas estatais do país, a começar pela Petrobras, para preparar um esquema de permanência no poder do PT.

O presidente Temer, por sua vez, terá mais um teste pela frente: o Supremo Tribunal Federal (STF) só poderá analisar o recebimento de uma eventual denúncia contra ele, que parece estar a caminho, com apoio de pelo menos dois terços (342 de 513) da Câmara dos Deputados.

Mais votos que para aprovar a emenda constitucional de reforma da Previdência, por exemplo, que precisa de três quintos dos membros de cada uma das Casas do Congresso, isto é, 308 deputados e 49 senadores.

Está difícil aprovar a reforma, mas, ao contrário, é possível que Temer escape de um processo por falta de quórum para condená-lo, por um corporativismo que domina a atuação dos parlamentares.

Se antes os estrategistas do governo, à frente o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, considerado um especialista em medir a pressão da Câmara, faziam contas para aprovar as reformas, agora as fazem para evitar um processo contra o presidente Temer.

O governo precisa apenas de 171 votos a seu favor para impedir a continuidade de um eventual processo, e por enquanto parece que ainda tem esse apoio. Mas, a depender do impacto das revelações de Rocha Loures, se acontecerem, é possível que esse apoio a Michel Temer desapareça.

À medida que a Operação Lava-Jato vai desvendando as tramas de corrupção acontecidas no país nos últimos anos, vai também revelando de que maneira os partidos políticos montaram seus esquemas de poder. E a autoproteção acaba prevalecendo.

Só que a cada delação, a cada revelação de detalhes das tramoias, vai ficando insustentável essa situação. Um governo que luta para sobreviver, cujo principal objetivo passa a ser salvar-se da guilhotina em vez de aprovar projetos no Congresso, está fadado ao fracasso.

A qualquer momento chegará à exaustão e não encontrará mais caminhos para superar os obstáculos pela frente. O julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que começa na terça-feira, é apenas mais um deles. Difícil sobreviver.
Herculano
04/06/2017 07:47
SURUBA, TROCA-TROCA, VALE TUDO, por Carlos Brickmann

Um político que está no poder faz tanto tempo sabe das coisas. E foi o senador Romero Jucá (PMDB-Roraima), que deu o nome à festa: suruba. É suruba, mas também pode chamar de troca-troca. Todos com todos, todos amigos. Afinal, as turmas de Dilma e Temer são as mesmas.

Na terça, entra em julgamento a chapa Dilma-Temer, por abuso de poder na campanha presidencial. Dilma e Temer são adversários. Mas, se a Justiça cassar a chapa, é ruim para Dilma (impedida de sair para o Senado em 2018); para Temer, que perde o mandato; para o PSDB, que fez a denúncia, porque Aécio depende dos dois para salvar-se das delações. Uma mão lava a outra, as duas lavam a cara e cada uma pega o que pode.

A Comissão de Ética da Presidência livrou o petista Aloízio Mercadante da acusação de tentar impedir a delação de Delcídio do Amaral.

Rede e PSOL pediram a cassação de Aécio. O PT não assinou o pedido.

Temer e Lula, delatados por Joesley do JBS, defendem-se da mesma maneira, desacreditando a investigação e acusando o delator. Para Lula, a Lava Jato "é uma palhaçada" e Joesley é "canalha" e "bandido". Temer chama Joesley de "o menino, o grampeador". E, sobre uma possível delação de seu amigo Rocha Loures, diz que só crê numa hipótese: "Nunca posso prever se ele tiver um problema maior, e as pessoas disserem para ele: 'olha, você terá as vantagens tais e tais se disser isso e aquilo'".

JOGO DURO

Ambos dizem, com palavras diferentes, que a delação ganharia valor (e os benefício da Joesley e seu irmão Wesley seriam prova disso) se fossem eles os delatados. Sem as acusações contra eles, teriam tantos benefícios?

FALA DEFESA

O respeitado advogado José Roberto Batocchio, que defende Lula e Dirceu, vem há tempos criticando (muito antes da Lava Jato) o instituto da delação premiada. Batocchio sustenta a tese de que a delação premiada abre caminho para a "delação a la carte": o acusado não precisa contar a verdade inteira, mas apenas a parte que interessa à acusação, para obter os benefícios oferecidos - como a liberdade, apesar dos crimes cometidos.

VOTO...

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral deve ser apertada, para um lado ou outro. PT e Temer jogam juntos - primeiro, na possibilidade de um dos ministros pedir vistas do processo por 30 dias, o que, graças às peculiaridades do sistema jurídico nacional, fará com que o julgamento demore tanto que o mandato de Temer já esteja encerrado, ou se encerrando (e, ao mesmo tempo, que a possível candidatura de Dilma ao Senado, pelo Rio Grande do Sul, já esteja consolidada). E 30 dias são apenas o começo: frequentemente algum ministro demora mais tempo com o processo em suas mãos - prazo que pode ultrapassar um ano.

...A VOTO

Se nenhum ministro pedir vistas, há um pedido do PT que pode mexer na votação: o pedido para que as delações da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura sejam retirados do processo, que deve limitar-se à denúncia formulada pelo PSDB no final de 2014. Esta é uma questão que os ministros devem decidir antes de iniciar o julgamento. Se a tese for aceita, o relator Herman Benjamin terá de retirar de seu voto tudo o que se refira à delação - que deve ser a parte mais contundente. Dilma é a mais beneficiada, porque a delação dos marqueteiros não atinge Temer. Mas a da Odebrecht atinge. De qualquer forma, para Temer é boa qualquer solução que adie e tumultue o processo, o que o beneficiará indiretamente.

CHEGANDO JUNTO

E se o Tribunal Superior Eleitoral decidir cassar a chapa Dilma-Temer, levando a novas eleições (indiretas) para a Presidência? Existe um grupo de trabalho cuidando disso na Câmara Federal: Orlando Silva, do PCdoB, que foi ministro de Lula, Andrés Sanchez, do PT, ex-presidente do Corinthians, e Vicente Cândido, do PT, representam a esquerda na negociação com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, do DEM fluminense. O objetivo é colocar Maia na Presidência da República, tendo Aldo Rebelo, do PCdoB, ex-ministro de Lula, como vice. DEM, PT e PCdoB - hoje, tudo a ver.

DIRETAS, MAS NÃO JÁ

O PT faz campanha pela convocação de eleições diretas, caso Temer seja afastado? Faz, no grande palco público, e desfaz no mundo real. Fora a negociação com o DEM, fora a luta para adiar o voto do TSE que poderia derrubar Temer, há uma atitude simbólica de grande efeito: mudou as normas internas do partido, trocando a eleição direta por indireta para presidente da sigla. Isso leva ao comando do PT a senadora Gleisi Hoffmann, do Paraná, que foi ministra de Dilma e é investigada, com autorização do Supremo, por desvio de recursos da Petrobras
Herculano
04/06/2017 07:42
CHANCELER ALOYSIO NUNES TENTA USAR A OEA CONTRA A VENEZUELA E É DERROTADO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Pena que Joesley Batista não tenha discutido questões de política externa com Michel Temer. Seria uma oportunidade para se conhecer a raiz da desastrosa diplomacia de seu governo. O centro desse desastre está na encrenca que seus dois chanceleres meteram-se com o governo bolivariano da Venezuela.

Depois que os Estados Unidos cansaram-se de brigar com o coronel Hugo Chávez, um secretário de Estado assistente explicou por que Washington decidiu se afastar da briga com os bolivarianos: "Se você entra num chiqueiro para brigar com um porco, é certo que você vai sair perdendo". Os Estados Unidos querem que os bolivarianos se danem.

Durante o mandarinato dos comissários, o PT e as empreiteiras acasalaram-se com Hugo Chávez. Temer decidiu quebrar essa escrita. Poderia ter feito isso em silêncio, como os americanos, mas seus chanceleres resolveram pular no chiqueiro. Na semana passada o chanceler Aloysio Nunes Ferreira participou de uma ridícula reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos durante a qual tentou-se aprovar uma declaração condenatória da proposta de constituinte avacalhada do presidente Nicolás Maduro.

A relevância das decisões da Organização dos Estados Americanos é menor que a dos anéis de Saturno. Se isso fosse pouco, a Venezuela já anunciou que abandonará o organismo. Temer e o chanceler Nunes Ferreira viram alguma utilidade numa votação que condenasse a constituinte de Maduro e resolveram investir numa irrelevância. O conselho da OEA reuniu-se e os sábios descobriram que não tinham os votos necessários para aprovar a condenação. Foram batidos pelos países da Comunidade Caribenha e da Aliança Bolivariana. Resolveram esperar pela assembleia da Organização.

O chanceler Nunes Ferreira fez um emocionado discurso, denunciou a violência da ditadura bolivariana e disse que "lembro dos companheiros que morreram nos cárceres, que morreram no exílio sem poder voltar à sua terra". Bonitas palavras para quem foi o guerrilheiro "Mateus" da ALN, obrigado a viver no exílio, na França. Para um chanceler, coisa de amador.

A OEA é uma irrelevância, brigar com o bolivarianos no seu Conselho Permanente é uma inutilidade e jogar o governo brasileiro num confronto de batucada com a Venezuela é uma irresponsabilidade.

Os dois países têm 2.200 quilômetros de fronteiras, podem divergir, mas não devem perder a calma.

Um dia os bolivarianos vão embora e ficará nos vizinhos o gosto amargo da desabrida interferência em seus assuntos.

Em 1972, quando o jovem Nunes Ferreira era um exilado em Paris, o chanceler brasileiro Mario Gibson Barbosa aborreceu-se com a OEA porque não conseguiu os votos necessários para aprovar um plano conjunto de ação contra o terrorismo. Ele queria impedir que pessoas acusadas de serem terroristas recebessem asilo político.

PSDB CAIU NA ARMADILHA DO MURO AO NÃO DECIDIR SE SAI OU SE FICA NO GOVERNO

Se o TSE cassar Michel Temer pelas malfeitorias de sua chapa com Dilma Rousseff, o fim do filme parece combinado: num gesto teatral, ele renuncia e o Congresso elege um novo presidente. E se isso não acontecer?

O PSDB deixou circular a ideia de que com a condenação, abandonaria o governo. Donde, sem ela, continuaria nele. Dos 46 deputados da bancada tucana, 26 querem ir embora de qualquer maneira e 12 estão indecisos. Cinco dos onze senadores também gostariam de abandonar Temer.

Apesar da indicação de que a maioria quer saltar, o tucanato caiu na armadilha do muro. Se ficar, perde eleitores. Se sair, perde banqueiros.

JOGO PODE MUDAR NO TSE PODE VIRAR CONTRA TEMER, MAS DEPENDE DE FATO NOVO

Um veterano frequentador de manifestações que estava na esplanada dos Ministérios no dia 24 de maio garante que havia dois tipos de black blocs barbarizando a cena. Um, o mais aguerrido, podia ser reconhecido por duas características: estava na faixa dos trinta anos (enquanto o outro grupo estava nos vinte) e sua máscara era nova.

TEMPO SUPREMO

Na sessão em que teve a palavra para dar seu voto no julgamento do fim do foro privilegiado, o ministro Alexandre de Moraes falou por hora e meia, a duração de uma partida de futebol.

Ao fim, pediu vistas, coisa que era sabida e esperada.

Três ministros anteciparam seus votos, acompanhando Luís Roberto Barroso, que defende a morte do privilégio. A antecipação foi uma clara demonstração de desconforto dos colegas.

É sabido que Moraes ama o Direito e a própria voz. Resta saber se honrará seus aliados com um longo silêncio.

COMANDO MILITAR

Desde março, quando gravou oficialmente um vídeo revelando que padece de uma "doença neuromotora de caráter degenerativo", sabe-se que o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, caminha com dificuldade, apoiado numa bengala.

Deve-se registrar que Villas Bôas pediu ao presidente Michel Temer que o dispensasse do comando. Temer disse-lhe que ficasse.

NOME AOS BOIS

Quando o deputado Osmar Serraglio disse que foi retirado do ministério da Justiça por "trôpegos estrategistas" referia-se a dois marqueses do Planalto: Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Resta saber até que ponto eles foram responsáveis por sua desastrosa indicação.

PLACAR

Na segunda-feira da semana passada, era certo que Dilma Rousseff e Michel Temer seriam cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na quarta o placar virara. Dilma e Temer seriam absolvidos, por 5x2 ou 6x1.

Na noite de quinta esse resultado continuava de pé.

Até terça-feira o jogo pode virar, mas seria necessário um fato novo. Por exemplo: uma entrevista de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala.

FHC E DE GAULLE

Fernando Henrique Cardoso jura que não tem interesse em substituir Michel Temer, caso ele deixe a Presidência.

Nos anos 50, durante as crises da república francesa, o general Charles De Gaulle manteve-se na sua casa da cidadezinha de Colombey-les-Deux-Églises. Se precisassem dele, deveriam vir chamá-lo. Pelo movimento da rua Formosa, onde funciona o Instituto Fernando Henrique Cardoso, se houver um impasse e um apelo multipartidário, FHC pode repensar a questão, voltando ao poder, como De Gaulle.

Uma alma viperina lembra que, completando 86 anos no próximo dia 18, FHC está cronologicamente afastado de De Gaulle, que regressou ao palácio aos 67 anos.

Numericamente, assemelha-se mais a outro general francês, levado ao poder em 1940 pelo que restava da França depois da invasão alemã. O marechal Philippe Pétain, herói da primeira guerra, tinha 84 anos. Assumiu a república de Vichy como Pai da Pátria, apoiado por um pedaço do conservadorismo francês.

Com o fim da guerra, Petain foi trancafiado numa fortaleza e lá morreu, em 1951.
Herculano
04/06/2017 07:31
TEMOR DE DELAÇÃO EXPÕE A FRAGILIDADE DE TEMER, por Josias de Souza

A prisão de Rodrigo Rocha Loures potencializou um fenômeno surgido há duas semanas em Brasília. Tomados por uma espécie de Loresfobia, Michel Temer, seus ministros e apoiadores políticos mais próximos vivem o temor de uma delação que está por vir. O presidente poderia imunizar-se contra o risco de intoxicação. Bastaria romper com o amigo e ex-assessor, desqualificando-o. Mas Temer faz o oposto. Elogia publicamente um personagem que foi preso por traficar influência e receber do Grupo JBS uma mala com propina de R$ 500 mil. Temer soa como refém do potencial delator. É como se o adulasse em troca de proteção.

Temer e seus operadores esboçam o discurso que pretendem esgrimir na hipótese de Rocha Loures se tornar um colaborador da Justiça. Dirão que ele foi vítima de uma cilada urdida por um empresário desonesto, Joesley Batista, em parceria com uma Procuradoria que conspira contra a estabilidade do governo. Afirmarão, de resto, que não há na atual gestão nenhum vestígio de favores que o governo possa ter prestado à JBS em troca da mala de dinheiro que Rocha Loures, num misto de confissão e arrepemento, devolveu depois de ter sido filmado.

A versão do procurador-geral Rodrigo Janot é mais simples. Para ele, Rocha Loures agiu como um "verdadeiro longa manus" do presidente. Quer dizer: indicado por Temer como a pessoa de sua "estrita confiança" a quem Joesley deveria encaminhar as pendências da JBS no governo, Rocha Loures representa um prolongamento da mão do próprio presidente. Nessa versão da Procuradoria, as digitais que aparecem na mala são do preposto de Temer. Mas o dinheiro destinava-se ao próprio presidente ?"exatamente como informaram os delatores da JBS em seus depoimentos.

Temer pode espernear como quiser. Pode repetir que o áudio em que soou indicando Rocha Loures a Joesley foi editado. Pode afirmar que os delatores da JBS foram tratados a pão de ló por Janot. Pode insistir na tese de que o ministro Edson Fachin, que mandou prender Rocha Loures, não é o juiz natural do caso. Mas nada vai apagar a impressão de que falta alguma coisa à reação oficial. Há no discurso do governo como um todo e nas palavras do presidente em particular um déficit de indignação.

Ao referir-se a Rocha Loures numa entrevista com pessoa "de boa índole, de muito boa índole", Temer abusou da paciência da plateia. Ao sustentar noutra entrevista que o ex-assessor, não é senão "vítima de uma armação", o presidente ofendeu a inteligência alheia. É como se a autoridade máxima da República pedisse ao brasileiro para fazer o papel de bobo. É como se rogasse aos patrícios que, pelo bem da nação, fingissem não notar a fragilidade do presidente
Herculano
04/06/2017 07:29
SEM TEMER, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Deve começar na terça-feira (6) o julgamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral, da chapa que uniu Dilma Rousseff (PT) a Michel Temer (PMDB), acusada de delitos no financiamento da campanha na qual se reelegeu, em 2014.

A decisão é crucial, pois poderá implicar o afastamento do presidente Temer do cargo que exerce desde maio de 2016. Sendo provável que ao menos um dos sete integrantes da corte peça vista do processo, o julgamento talvez se estenda pelas próximas semanas.

A expectativa é que o relator, ministro Herman Benjamin, vote pela cassação da chapa. Há uma avalanche de evidências, sustentada em documentos e dezenas de testemunhos, a incriminá-la.

Os depoimentos de donos e funcionários de empreiteiras atestam que somas milionárias, originadas da rede de propinas e caixa dois descrita por ex-executivos da Petrobras, custearam parte substancial das despesas da chapa. Dos fabulosos R$ 300 milhões declarados, ao menos R$ 50 milhões são apontados como contrapartida pela prestação criminosa de favores.

Embora não exista prova de que Temer tenha participado desse esquema, a legislação eleitoral é clara ao vincular o vice ao presidente. Resta fora de dúvida que tanto Dilma Rousseff como Michel Temer se beneficiaram de ilicitudes que abalam a própria validade do pleito.

Ao mesmo tempo, desde a divulgação da delação premiada do delinquente confesso Joesley Batista, há duas semanas, a credibilidade do presidente se viu comprometida de forma dramática e, tudo indica, irremediável.

É verdade que a gravação da conversa do delator com o presidente é inconclusiva: contém trechos ambíguos ou inaudíveis e está sob suspeita de edição. Mas é preciso demasiada credulidade para considerar inocente aquele tipo de diálogo, naquela circunstância; parece óbvio que o teor ali é indecoroso.

Todo julgamento que implica um presidente da República tem um aspecto jurídico e outro político. A iminência do juízo no TSE surge como fórmula legal para remover um chefe de Estado cuja situação se afigura indefensável, até porque sujeita à aparição de revelações que convertam as fortes suspeitas em certezas.

É com desalento que esta Folha, portanto, considera recomendável a cassação da chapa e o afastamento do presidente. Seria a segunda interrupção de mandato em pouco mais de um ano.

No ano passado, este jornal exortou à renúncia da presidente Dilma Rousseff ao constatar que ela perdera condições de governar. Mas evitou apoiar seu impeachment.

Não por faltar fundamento jurídico (pedaladas fiscais, sobretudo naquela escala, configuram fraude orçamentária, razão estipulada na Constituição entre as que autorizam impedir um presidente). Mas por se tratar de motivo técnico, obscuro para a maioria, e de medida extrema, que deixaria um rastro de ressentimento.

Agora, como então, o ideal seria que o substituto fosse eleito pelo voto direto. A crise moral que corrói o sistema político é tão grave e profunda que somente um retorno à fonte de toda legitimidade -a soberania popular- pode restaurar a autoridade presidencial.

A Folha já declarou simpatia pelas emendas constitucionais que convertem a eleição indireta em direta nos casos de vacância verificada até seis meses ou um ano antes de o mandato expirar.

Não seria casuísmo, dado que mudanças constitucionais são comuns na vida política brasileira. Além disso, trata-se de universalizar, não de restringir, prerrogativas, devolvendo-se acesso a um direito democrático exercido pelo povo -a quem, diz a Constituição, o poder pertence.

Não há como negar, entretanto, que seriam imensos os obstáculos à aprovação de diretas já.

Desde logo, gigantesca pressão da sociedade, expressa em manifestações de rua comparáveis às de junho de 2013 ou março de 2016, teria de compelir três quintos dos parlamentares a aprovar a medida, talvez no bojo da reforma política em análise na Câmara.

O processo deveria, ademais, ocorrer em tempo recorde, que mesmo assim consumiria meses. Por outro lado, é indiscutível que a Constituição exige do Congresso a escolha do sucessor em 30 dias, desfecho a ser acatado como legítimo.

O governo Temer vem implantando um audacioso elenco de reformas estruturais que estão no rumo certo. Sua capacidade de seguir adiante com esse programa parece seriamente prejudicada.

Em algum momento, decerto nas eleições gerais de 2018, o caminho adotado será submetido ao escrutínio popular. Por ora, o mais importante, com ou sem Temer, é que governo e Congresso persistam nesse rumo, único capaz de nos livrar da recessão e preparar um futuro mais próspero e promissor
Herculano
04/06/2017 07:23
A quem se diz se chamar Maria Luiza

Primeiro, não tenho procuração e nem vou defender Luiz César Henning.

Segundo, o fato do proprietário ser um devedor de impostos, não dá o direito de ninguém de tomar a sua propriedade, como vingança, mas sim pelos meios normais e legais da Jurisdição

Terceiro, o seu posicionamento, só mostra que esta "desapropriação", bem como aquela do loteamento das "casinhas de plástico" foram feitas com esta única intenção: vingança. Vingança, aliás, que o PT sempre fez para chantagear, amedrontar e constranger com aqueles que julgou ser um problema para os seus interesses de poder eterno, mesmo que não houvesse dívida nenhuma de impostos.

E por fim: a Lava Jato o eletrolão e o pior de todos que não foi desvendado, o BNDEStão, mostram que o PT, seus sócios entre eles o PMDB, a esquerda do atraso e até o PSDB são máquinas de lavagem de dinheiro e roubalheiras contra os pesados impostos pagos não pelos empresários, mas pelos 206 milhões de brasileiros. Então de que honestidade, você que se diz ser Maria Luiza, está falando? Acorda, Gaspar!
Maria Luiza Petrowisky
03/06/2017 14:56
Ao Luis Cesar

O senhor acusa sem provas, o senhor defende os devedores do município, os antigos proprietários das terras que nunca pagaram suas obrigações com o município.

O senhor como funcionario publico não é um bom exemplo, atende mau, fuma na cara das pessoas, voce odeia o ex prefeito pq te tirou da mamata dos bombeiros, hoje agradecem pir não estares lá.

Tu és uma comédia, um cara bom de urna.
Quantos votos você conquistou distribuindo remédio para necessitados do SUS? Quantos?
Herculano
03/06/2017 14:03
AMIGOS DE TEMER SÃO SEUS MAIORES ADVERSÁRIOS, por Josias de Souza

Movido à base de verdades próprias, Michel Temer acredita que a recessão acabou e que seu governo é vítima de um complô de gente impatriota que não quer ver o Brasil de volta aos trilhos. Decidiu se defender atacando. Transformou o Planalto num bunker e, cercado de generais investigados, passou a fabricar crises a partir do nada. A última grande ideia do alto comando governamental foi escalar o doutor Torquato Jardim para assumir o controle da Polícia Federal. Neste sábado, agentes da PF, já sob nova direção, prenderam em Brasília Rodrigo Rocha Loures, símbolo da fase de autocombustão do governo Temer.

Sob influência dos seus malfeitores de estimação, Temer foi convencido de que a transferência de Torquato do Ministério da Transparência para a pasta da Justiça era uma grande ideia. Imaginando-se invulnerável, o presidente humilhou Osmar Serraglio. Desalojou-o da Justiça sem aviso prévio. Estava certo de que o deputado licenciado aceitaria sem titubeios o rebaixamento para a pasta da Transparência. Serraglio limpou as gavetas, escreveu uma carta com ataques aos "estrategistas trôpegos" do Planalto e reassumiu seu mandato de deputado. Deixou o suplente Rocha Loures ao relento. E levou os glúteos de Temer à vitrine.

A essa altura, a infantaria da Procuradoria já havia preparado o bote. A idéia de que seria possível manter solto, sem o escudo das imunidades parlamentares, um sujeito que fora filmado recebendo uma mala com propina de R$ 500 mil só passa pela cabeça dos malucos de palácio ?"uma gente desconectada da realidade, que tem dificuldade para perceber o que se passa na vida real.

Quando enviou para o Supremo Tribunal Federal a renovação do pedido de prisão do homem da mala, o procurador-geral da República Rodrigo Janot já sabia qual seria a decisão do ministro Edson Fachin. Ao negar o primeiro pedido, o relator da Lava Jato reconhecera que havia razões objetivas para encarcerar Rocha Loures. Mas alegara que um deputado não poderia ser preso senão em flagrante delito. Ao empurrar o ex-assessor para fora da Câmara, Michel Temer fez o favor de remover o único obstáculo que impedia o seu envio para o xilindró: o mandato parlamentar.

Alçado ao trono nas pegadas da deposição de Dilma Rousseff, uma presidente que também se considerava vítima de conspiração, Temer já deveria ter notado que vive um momento inédito da história brasileira. Nesse instante especial, não convém a um governante conversar com empresário corrupto, na calada da noite, no porão do palácio residencial. Na fase atual, a corrupção tornou-se um ofício perigoso. O medo da cadeia transforma corruptores em colaboradores da Justiça. E a colaboração fortalece a investigação.

Impossível saber quais serão os próximos passos de Temer na sua guerra contra a lógica e o bom senso. Mas a simples revelação de que o bunker imaginou que um Torquato teria o condão de transformar pântano em jardim não deixa dúvidas: os grandes amigos do presidente são seus principais adversários.
Herculano
03/06/2017 14:00
UMA AGONIA DOLOROSA, por J. R. Guzzo, na revista Veja.

O Brasil está mais uma vez à procura de um governo, situação em que vem vivendo desde a reeleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República no final de 2014. A presidente entrou em seu segundo mandato já em estado de morte clínica, e assim permaneceu até ser despejada do Palácio do Planalto pelo impeachment, enquanto se procurava um governo para tocar o país. Encontrou-se o único possível - o do vice-presidente Michel Temer, conforme manda a Constituição. Agora, pela segunda vez em menos de três anos, temos de novo a mesma anomalia. Há um presidente no Palácio do Planalto, mas não há. Com pouco mais de um ano no cargo, Temer bateu numa mina de TNT e passou a se desmanchar, como sua antecessora se desmanchou. Acontecerá de novo, mais adiante, com praticamente qualquer político brasileiro hoje em atuação. É gente que só sabe participar da vida pública de uma maneira ?"? a maneira errada. E isso fica muito difícil quando não se pode mais contar com o tapete que cobria tudo o que essa gente sempre fez.

A desgraça do governo Temer poderia ser até esperada, como uma questão de tempo, levando-se em conta as ligações que teve durante toda uma vida na política, seu entendimento do que é "governo" e seus anos a fio de participação na máquina pública. Mas sua agonia está sendo duplamente dolorosa. Nem tanto pelas consequências imediatas, pois é bastante provável, felizmente, que a orientação econômica de seu governo ?"? um acerto acima de discussão ?"? permaneça basicamente como está. O que incomoda, em primeiro lugar,é a constatação da incapacidade terminal dos homens públicos brasileiros, de "direita", "esquerda" ou do raio que for, para gerir o país com um mínimo de responsabilidade, aptidão gerencial e valores morais. Isso está presente no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Não é uma questão de ideologia errada, pois quase ninguém aí tem uma ideia - não o que se possa realmente chamar de ideia. Trata-se, desastrosamente, de uma questão de hábito, de apego fanático a um sistema de exploração criminosa do Estado em proveito próprio e da recusa absoluta em mudar. Em segundo lugar, incomoda a maneira abusiva, oculta e cada vez mais suspeita, do ponto de vista legal, com que está sendo conduzida a guerra contra o presidente.

Foi estranhíssima, desde o início, a conduta do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e de sua equipe no Ministério Público nas acusações feitas contra Temer. Depois, foi ficando mais estranha ainda. No aspecto mais alarmante de seu conjunto de ações, continua incompreensível o fato de os donos da maior empresa privada do Brasil, a JBS, que confessaram uma massa de crimes capaz de lhes render dezenas de anos de prisão, caso condenados, ter sido presenteados pelo procurador-Geral com um extraordinário perdão em relação a tudo que fizeram. Se as coisas continuarem assim, jamais serão julgados perante a Justiça brasileira pelos crimes que confessaram - jamais usarão, nem sequer por um dia, a tornozeleira da da prisão domiciliar. Em troca, ofereceram ao MP denúncias até agora contaminadas por todo tipo de dúvida ?"? a começar por uma fita gravada de uma conversa entre Temer e um dos donos da JBS tecnicamente arruinada como prova e considerada imprestável. O ex-braço direito de Janot na PGR, até março último, trabalha hoje no escritório de advocacia que defende os empresários. Filmagens constantes da denúncia não foram feitas pela Polícia Federal, e sim por "uma equipe" da PGR. Não se sabe, também, por que os procuradores não fizeram nenhuma perícia das fitas gravadas, por que deixaram sob controle do delator uma parte crucial da operação e por que fecharam em menos de um mês, com a aprovação do ministro Edson Fachin, do STF, um acordo explosivo como esse. Não se sabe, na verdade, mais uma montanha de coisas. Resultado: a história toda encontra-se no momento debaixo de uma nuvem tóxica com a pior das aparências. Qui custodiet custodes? Quem vigia quem nos vigia?
Herculano
03/06/2017 13:55
A DUPLA JANOT-FACHIN DÁ PENÚLTIMA CARTADA PARA GOLPEAR TEMER: LOURES ESTÁ PRESO, Por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Bem, qualquer observador da cena política de Brasília sabe, a esta altura, que o ministro Edson Fachin se tornou uma espécie de braço armado de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. O ministro - que, absurdamente, não abriu mão da relatoria de um caso que nada tem a ver com o petrolão - autorizou a prisão do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) na manhã deste sábado, em Brasília. É a penúltima cartada da dupla para derrubar o presidente Michel Temer. Explico.

Janot já havia feito tal pedido antes, mas Fachin houve por bem lembrar que um parlamentar só pode ser preso em flagrante, por crime inafiançável. Loures, no entanto, não é mais deputado desde que Osmar Serraglio (PMDB-PR) reassumiu a vaga. O procurador-geral não perdeu tempo: refez o pedido na quinta-feira. Nesta sexta, a defesa apresentou os argumentos contra a prisão. Será que Fachin, ao menos, os leu? Acho que não.

Vamos lá. Loures é citado na tal gravação - editada - que Joesley Batista fez da sua conversa com o presidente. É o empresário quem pergunta se uma determinada demanda pode ser tratada com Loures. O presidente assente, sem que haja evidência de irregularidade.

Ocorre que Loures é flagrado depois recebendo R$ 500 mil das mãos de um emissário de Joesley. Segundo o afortunado corruptor, que hoje flana em Nova York, esse dinheiro corresponde a pagamento de propina, e o próprio presidente seria sócio na empreitada.

Muito bem! Não há ainda investigação, só a delação. Que aquele dinheiro não cheire bem, qualquer que seja o propósito, isso é evidente. Mas é preciso que se tenha definido ao menos qual crime pode ter sido cometido. A decretação da prisão preventiva, também nesse caso, torna-se óbvio instrumento de pressão.

Aliás, vamos ser claros: a decretação a esmo de prisões se transformou no principal ativo do Ministério Público Federal. Em vez de a investigação conduzir à eventual prisão, é a prisão que condiciona depois os passos da investigação. Ou, na verdade, de investigação nenhuma! O que se tem mesmo são delações em penca.

Blitzkrieg

A verdade é que Janot, Fachin e Cármen Lúcia participaram de uma, como posso dizer?, Blizkrieg contra Temer. Considerando a avalanche que se seguiu - incluindo a de notícias falsas -, o presidente deveria ter caído em uma semana. Mas demonstrou resiliência. A guerra-relâmpago não surtiu os efeitos desejados.

E, como diria o poeta, esse tipo de coisa costuma excitar a fúria dos algozes, não é mesmo?

Não é preciso muita sagacidade para perceber que o Ministério Público Federal espera por uma delação premiada de Loures. E, por óbvio, o ex-deputado sabe que só tem uma chance de a turma deixá-lo em paz: denunciar Temer. Há quem veja nestes procedimentos heterodoxos o estado da arte do combate à impunidade: prende-se alguém que sabe que só será solto se denunciar "a pessoa certa"; garante-se ficha limpa a um empresário bandido só se ele denunciar "as pessoas certas"; recorre-se a expedientes não-convencionais de investigação, como admitiu Rodrigo Janot, em nome da sociedade! Tais práticas são típicas de um Estado de exceção.

Questão política
Loures vai ou não denunciar Temer? Sei lá. Nessas horas, sempre se deve considerar a oferta, não é? Vejam o caso de Joesley. Seus crimes deveriam somar uns 300 anos de cadeia, por baixo. Não teve dúvida: trocou o xilindró por uma conspirata contra o presidente. Janot agora tem mais uma arma.

Do ponto de vista legal, não basta uma acusação do ex-assessor para derrubar Temer. Ocorre que a questão é política. Um eventual petardo disparado por ele, pouco importa a sua veracidade, aumentará a pressão na base aliada em favor do desembarque.

O Ministério Público Federal tinha como propósito o aniquilamento da classe política. Circunspecto, o ministro Teori Zavascki contribuiu para fazer avançar as investigações, mas sem condescender com ilegalidades. Fachin, como se nota, não tem os mesmos pruridos. Dedica-se, com vocação missionária, ao extermínio.

Não deixa de ser fabuloso que esse ministro, quando ainda candidato, tenha percorrido gabinetes de senadores em companhia de Ricardo Saud, o número na hierarquia criminosa dos Batistas. E mais fabuloso ainda é perceber a dedicação à causa da virtude de um eleitor entusiasmado de Dilma Rousseff.

Anotem aí: a esquerda está no comando. Mas trato disso em outro post.
João Paulo
03/06/2017 13:35
Sr, Herculano somente para REGISTRO:
O senhor PEDRO PAULO DOMINGOS é PINTOR e não agente de transito como o jornal informou.

Informações coletadas no PORTAL da TRANSPARENCIA

Cadastro: 4922
Nome: PEDRO PAULO DOMINGOS
Cargo: PINTOR
Vínculo: Reg.Jur.Unico/Milit.
Carga Horária: 40:00
Local de Trabalho: Diretoria-Geral de Trânsito
Sidnei Luis Reinert
03/06/2017 12:25
Lula, Aécio, Cabral, Cunha, Temer... Quais serão os bodes expiatórios para preservar o Estado Corrupto?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

"#prontofalei" é um método fácil de escapar da armadilha da autoenganação em vigor no Brasil. Em meio a uma crise institucional marcada pela guerra de todos contra todos, vivenciamos uma onda moralizadora de caça a corruptos. Só é preciso ficar claro que o combate aos corruptos é uma etapa importante do processo. Ela não basta. O fundamental é mudar a estrutura que cria, viabiliza, sustenta e emplia a corrupção. Detalhe grave: Mudar o modelo estatal não é o foco da maioria dos brasileiros, e muito menos da maioria dos ocupantes da máquina estatal, incluindo muitos daqueles agentes responsáveis por combater a corrupção. "#prontofalei...

A intenção real não é mudar... Intervenção, não... O discurso oficial, por aqui, é "reformar"... Michel Temer, que roubou o lugarzinho da companheira Dilma, apenas se comprometeu a ser um "tocador de reformas". Novamente, temos um dilema perigoso: de pouco ou nada adianta reformar algo que está estruturalmente estragado, degradado. A tragédia continua no vício permanente. O Estado perdulário gasta muito e mal. Precisa arrecadar cada vez mais para se manter. O jeito é tomar cada vez mais da sociedade. Para isso, precisa sempre de mais gente para fazer o serviço (sujo). Também necessita de um excesso de regras que legitimem a tungada sobre as pessoas e empresas.

Perdão pelo sincericídio, mas não temos mais o direito de ficar nos autoenganando: O círculo vicioso brasileiro está longe de mudar pela vontade daqueles que ocupam a máquina pública, sejam servidores públicos ou políticos a quem delegamos, pelo voto, o papel de nos representar neste jogo desleal em que a máquina estatal engole vida a sociedade. É por tal motivo que não se pode incorrer na inocência de comemorar, feito torcedor de futebol ou galera nervosa de um coliseu romano, a "punição seletiva" a alguns personagens do esquema estrutural de corrupção sistêmica.

Muitos vibram com a desgraça de Lula... Os seguidores fanáticos dele lamentam, porém vibram com a desgraça do Aécio Neves... Muitos também deliram com a derrocada do Temer... O deputado afastado e ex-assessor próximo do Presidente da República, o famoso homem da mala Rodrigo Rocha Loures, acabou até preso preventivamente neste sábado... Só não é recomendável que lhe alimentem com barrinha de cereal, pois pode deprimir o herdeiro de uma indústria do setor... Temer agora terá de torcer para que se cumpra seu desejo mais íntimo: que Loures não vire delator...

Outros festejam a desgraça do Eduardo Cunha ou do Serginho Cabral... Eles competem para ver quem responderá a mais processos judiciais... Muita gente até já esqueceu que José Dirceu está "preso" em casa (o sonho dourado de muito vagabundo, do mais pobre ao mais rico). Tem gente até lembrando que quase todos os mensaleiros foram "anistiados", enquanto o publicitário Marcos Valério segue puxando cadeia, porque não abriu o bico na hora certa. Brevemente, seus colegas marketeiros João Santana e Mônica Moura estarão no regime de "home-prision" (na língua de Trump fica mais chique o benefício legal)...

É gigantesca a expectativa por uma condenação de Lula ?" que acabe gerando a prisão dele... Curiosamente, como o cara é um mito (mesmo que decadente) é enorme a expectativa contrária: que ele seja transformado em mártir e consiga retornar à Presidência da República, a fim de se tornar a versão atualizada de um Hugo Chavez... De casa, Zé Dirceu já faz o planejamento para o retorno triunfal do $talinácio... Dilma já lançou a candidatura dele... Aposta-se que Lula, se não for encarcerado, possa disputar a eleição e vencer, porém com chance de terminar apeado do poder por um tardio impeachment...

Vale Tudo... E um pouco mais... A Petelândia agora entra na campanha pela isonomia... Os primos tucanalhas são o alvo preferencial... Os comparsas peemedebostas, idem... Vide a corrente de ódio contra Eduardo Cunha, candidatíssimo a delator premiado junto com o doleiro de todos (Lúcio Bolonha Funaro)... No entanto, a cereja do bolinho de maldades dos petralhas é o netinho do Tancredo Neves... Aécio Neves já era... Talvez até acabe preso antes do Lula... A disputa é enorme...

Novamente: "#prontofalei"... As estorinhas de corrupção não chegam a um fim... Até porque este não é o objetivo do sistema. O mecanismo estatal corrupto e corruptor continua operando a pleno vapor... Continuamos pagando uma carga tributária (noventa e tantos impostos, taxas, contribuições, multas e por aí vai) para sustentar o esquema que explora a sociedade ?" as pessoas e as empresas. Ainda falta uma plena vontade (sobretudo política) de romper com a sacanagem hegemônica.

Por sorte, tem um outro lado positivo, bacana e feliz do "#prontofalei"... No Brasil, temos grandes heróis da resistência. Existem pessoas comuns dando belíssimos exemplos de inovação para a sociedade se superar a se reinventar em meio a esta conjuntura dominada pela corrupção sistêmica. A turma das Lava Jatos é uma delas... Outros focos de resistência são as Forças Armadas, apesar da derrota na batalha ideológica de comunicação. As pessoas de bem e do bem nunca estiveram tão vivas... Elas farão a diferença na hora da verdadeira mudança ?" um processo inevitável depois que o caos se aprofundar...

De imediato, vamos assistir à punição aos bodes expiatórios... O importante é ter fé que tal processo, mesmo que incompleto, possa criar pré-condições históricas (culturais e materiais) para que a maioria dos brasileiros entenda que é preciso dar uma parada para elaborar e discutir um grande e inédito Projeto Democrático de Nação que reinvente o modelo estatal, neutralize e supera o Estado Criminoso.

A ignorância ainda joga contra tal processo. A esperança é que tamanha estupidez perca força e não reine para sempre. Cada pessoa de bem e do bem precisa fazer sua parte, unido-se a outras com as mesmas boas intenções. Quando isto será viável? Não se sabe...

O que não dá mais para aguentar é a gente sobreviver em um Brasil com extremo potencial de riqueza, porém com a menor taxa de crescimento mundial, enquanto lamenta os índices de mais corrupto do mundo.

A solução mais rápida e efetiva seria uma Intervenção Institucional. As condições amadurecem para isto ocorrer. Temos muitos baldes a chutar...
Herculano
03/06/2017 11:49
Ao Luiz

Concordo em número, grau e gênero.

Mas, quero fazer duas ressalvas: onde estava a imprensa quando isso aconteceu? Gaspar sabe dessa história através desse espaço. E pago caro por isso,

Mas, a pergunta que não quer calar? Onde estava o PMDB e o PP quando se deu esse roubo, esses investimentos com dinheiro público? Calados. Então são sócios da sacanagem e agora estão pagando pelo silêncio tão criminoso como foi o de perseguir o donos das terras para favorecer amigos e com isso ter votos e poder.

Acorda, Gaspar!
Luis Cesar Hening
03/06/2017 10:26
NOVELA DA ARENA
É inegável que a área da Arena Multiuso é importante para o município de Gaspar, local amplo bem situado e poderia, digo poderia ser muito bem aproveitado pelo município. O problema maior esta na forma como foi roubada dos donos, sim roubada pois o valor pago em desapropriação, nem pelo menor e mais distante terreno no município seria pago tal valor, cerca de 1 real o metro quadrado.
isso só mostrou o desrespeito de um Ptralia para ajudar seus amigos. Celso Zuchi ja sabia que isso iria acontecer, mas porem sabia que se isso acontecesse, não seria em seu governo e sim no seu sucessor, onde vai acabar para proteger o dinheiro público sendo criticado. Hora esta dizendo hoje em reportagem que investiu do dinheiro público cerca de 1,5 milhão na área, onde esta este investimento??? No galpão que sem paredes e com quase nenhuma estrutura custou 800 mil reais? Conversando com especialistas na área os mesmo afirmam que não custaria nem 300 mil. Portanto concluo que a Arena Multiuso foi feita para poucos e idealizada apenas para prejudicar a população que agora se o município ficar com a área vai ter que pagar mesmo o que ela vale e todas as multas possiveis. Em tempo cade a prestação de contas do CTG, pois como uma entidade sem fins lucrativos já deveria ter exposto sua prestação como fazem outra no município. Aguardem pois ainda vai vir mais um terreno a tona o do Loteamento daas Arabias que até o presente momento não tem a estrutura que as famílias merecem, e este sim o governo municipal vai ter que arcar com os prejuizos , pois diferente da Arena não podera ser devolvido.
Para quem defende este Ptralia mor meus sentimentos, pois para mim ele deveria ser preso.
Herculano
03/06/2017 09:24
HOJE É DIA DE JUVENTUS E REAL MADRI PELA FINAL DA LIGA DOS CAMPEÕES. ANTES VOCÊ PRECISA LER A CARTA QUE DANIEL ALVES PUBLICOU NO SITE "THE PLAYERS TRIBUNE QUE REÚNE DEPOIMENTOS DE ARTISTAS DE VÁRIOS ESPORTES


O Segredo

Eu vou começar contando um segredo. Na verdade, você pode tomar conhecimento de alguns segredos nesta história, porque sinto que sou incompreendido por muita gente. Mas vamos começar com esse primeiro segredo.

Três meses atrás, quando o Barcelona fez sua incrível remontada contra o Paris St-Germain pela Champions League, eu estava assistindo a cada lance sentado no meu sofá. Você podia pensar a partir da leitura dos jornais que eu esperava que meu antigo clube perdesse.

Mas e quando meu irmão Neymar marcou aquele lindo gol de falta? Eu pulei do sofá e estava gritando para televisão.

"Vamooooooos!"

Quando o Sergi Roberto operou aquele milagre aos 50 minutos do segundo tempo?

Como todos os demais torcedores do Barça ao redor do mundo, eu estava ficando completamente maluco. Porque a verdade é que o Barcelona ainda está no meu sangue.

Fui desrespeitado pela cúpula dos dirigentes quando eu saí do clube no verão passado? Certamente que sim. É simplesmente a maneira como eu me sinto a respeito, e você jamais pode dizer algo diferente a esse respeito para mim. Mas não é possível jogar por um clube ao longo de oito anos, e alcançar tudo o que nós alcançamos, e não ter esse mesmo clube no coração para sempre. Dirigentes, jogadores e membros do conselho vêm e vão. Mas o Barça nunca vai desaparecer.

Quando eu fui para a Juventus, eu fiz uma promessa final para a cúpula do Barcelona. Eu disse, "Vocês vão sentir saudades de mim".

Eu não quis dizer como jogador. O Barça tem muitos jogadores incríveis. O que eu quis dizer foi que eles iriam sentir saudade do meu espírito. Eles iriam sentir saudade de alguém que prezava tanto pelo ambiente e pelo clube. Eles iriam sentir saudade do sangue que eu derramei todas as vezes que eu coloquei a camisa do Barcelona.

Quando eu tive de jogar contra o Barcelona na rodada seguinte, pelas quartas-de-final da Champions League, havia um sentimento bastante estranho no ar.

Especialmente no segundo jogo, no Camp Nou, a sensação era a de que eu estava em casa de novo. Pouco antes do jogo começar, eu fui até o banco de reservas do Barcelona e cumprimentei meus colegas, e eles diziam: "Dani, venha e sente aqui conosco. Nós guardamos o seu lugar, irmão".

Eu estava dando a mão para todos de costas para o árbitro. De repente, eu ouvi um apito. Eu me virei e o árbitro já iniciara a partida. Saí correndo para o campo, e eu pude ouvir meu antigo treinador, Luís Henrique, se matando de rir.

É engraçado, não? Mas aquele jogo não era uma piada, especialmente para mim. As pessoas me veem e dizem: "O Dani está sempre brincando. Ele está sempre sorrindo. Ele não é sério."

Preste atenção, vou te contar outro segredo. Antes de eu enfrentar os melhores atacantes do mundo - Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo - eu estudo as suas forças e as suas fraquezas como uma obsessão, e então eu planejo como vou atacar. Meu objetivo é mostrar ao mundo que Dani Alves está no mesmo nível. Talvez eles me driblem uma ou duas vezes. Certo, tudo bem. Mas eu irei para cima deles, também. Eu não quero ser invisível. Eu quero o palco. Mesmo aos 34 anos, depois de 34 troféus, eu sinto que tenho de provar isso todas as vezes.

Mas ainda é mais profundo do que isso.

Pouco antes de cada partida, eu sigo a mesma rotina. Eu fico de frente ao espelho por cinco minutos e bloqueio todo o resto. Então um filme começa a rodar na minha cabeça. É o filme da minha vida.

Na primeira cena, eu tenho 10 anos de idade. Eu estou dormindo numa cama de concreto na pequenina casa da minha família em Juazeiro (BA), Brasil. O colchão é tão fininho quanto o seu dedo mindinho. A casa cheira a terra molhada, e ainda está escuro lá fora. São 5 da manhã, e o sol ainda não nasceu, mas eu tenho de ajudar a meu pai na nossa fazenda antes de ir à escola.

Meu irmão e eu vamos para o campo, e nosso pai já está lá, trabalhando. Ele está carregando um tanque grande e pesado nas costas, ele está pulverizando as plantas e as frutas para matar as pragas de uma colheita.

Meu irmão e eu provavelmente somos muito novos para manipular, mas ainda assim nós ajudamos. Esta é a nossa forma de comer? de sobreviver. Por horas, eu fico competindo com meu irmão para ver quem é o trabalhador mais dedicado. Porque aquele que mais ajudar a nosso pai vai ter mais direito ao uso da nossa única bicicleta.

Se eu não ganhar a bicicleta, eu terei de caminhar 20 quilômetros da nossa fazenda até a escola. A volta da escola é ainda pior, porque eu tinha de voltar correndo para conseguir chegar a tempo de jogar a pelada.

Mas e se eu ganhar a bicicleta? Então eu posso ficar com as meninas. Eu posso escolher uma delas no caminho e oferecer uma carona até a escola. Por 20 quilômetros, eu sou o cara.

Então eu trabalho duro para caramba.

Eu olho para o meu pai enquanto eu saio para a escola, e ele ainda está com o mesmo tanque grande e pesado nas costas. Ele tem ainda um dia inteiro pela frente, e então à noite ainda há o pequeno bar que ele administra para ganhar um dinheiro extra. Meu pai foi um jogador incrível quando ele era mais jovem, mas ele não teve dinheiro para ir até a cidade grande e ser notado pelos olheiros. Então ele faz questão de que eu tenha essa oportunidade, mesmo que isso custe a vida dele.

A tela escurece.

Agora, é domingo, e nós estamos assistindo aos jogos de futebol na TV preto-e-branca. Há um bombril amarrado na antena para que nós possamos pegar o sinal da cidade, que está muito distante. Para nós, esse é o melhor dia da semana. Há muita alegria em nossa casa.

A tela escurece.

Agora meu pai está me levando para a cidade com seu carro velho para que alguns olheiros possam me ver jogar. O carro tem transmissão manual, só com duas marchas ?" devagar e muito devagar. Eu posso sentir o cheiro da fumaça.

Meu pai é um lutador. Eu tenho de ser um lutador, também.

A tela escurece.

Agora, eu tenho 13 anos, e eu estou numa academia de futebol para jovens jogadores numa cidade maior, longe da minha família. Há 100 garotos reunidos num dormitório pequeno. É como se fosse uma prisão. No dia antes de eu sair de casa, meu pai me comprou um conjunto novo para jogar. Com isso, ele dobrou meu guarda roupa. Até então, eu só tinha um conjunto.

Depois do primeiro dia de treinamento, eu pendurei meu conjunto novo no varal. Na manhã seguinte, tinha sumido. Alguém levou. É quando eu percebo que esta já não é mais a fazenda. Este é o mundo real, e a razão para chama-lo de mundo real é porque a coisa é pra valer aqui fora.

Voltei para o quarto, e eu estava morrendo de fome. Nós treinávamos o dia inteiro, e não havia comida no suficiente no campo. Alguém tinha roubado as minhas roupas. Eu sinto saudades da minha família, e definitivamente eu não sou o melhor jogador por aqui. De 100, talvez eu seja o número 51 em termos de habilidade. Então eu faço para mim mesmo uma promessa.

Eu digo a mim mesmo: "Você não vai voltar para a fazenda até você deixar seu pai orgulhoso. Você pode ser o número 51 em habilidade. Mas você será o número 1 ou 2 em força de vontade. Você será um lutador. Você não vai voltar para casa, não importa o que aconteça".

A tela escurece.

Agora, eu tenho 18 anos de idade, e eu estou contando uma das únicas mentiras que eu já disse no futebol.

Estou jogando pelo Bahia no Campeonato Brasileiro quando um importante olheiro vem até mim e diz: "O Sevilla está interessado em te contratar".

Eu digo: "Sevilha, maravilhoso"

O olheiro diz: Você sabe onde fica?"

Eu digo: "Claro que eu sei onde Sevilha fica. Sev-iiiiiilha. Eu amo."

Só que eu não faço a menor ideia onde fica Sevilha. Pelo que eu sabia podia ser na Lua. Mas do jeito que ele diz o nome parece importante, então eu minto.

Alguns dias depois, eu começo a perguntar por aí, e eu descubro que o Sevilha joga contra o Barcelona e o Real Madrid.

Eu digo para mim mesmo: "Agora"

Só se for agora! Vamos!

A tela escurece.

Agora em Sevilha, e estou tão mal nutrido que os técnicos e os outros jogadores olham para mim como se eu tivesse de jogar pela equipe mais jovem. Eu estou no meio dos seis meses mais difíceis da minha vida. Eu não falo o idioma. O treinador não está me colocando para jogar, e pela primeira vez eu penso em voltar para casa.

Mas então, por alguma razão, eu penso no conjunto que meu pai tinha comprado quando eu tinha 13 anos de idade. Aquele que levaram. E eu penso no meu pai novamente com o tanque grudado nas costas, espalhando veneno. E eu decido que vou ficar e aprender o idioma e tentar fazer alguns amigos, assim ao menos eu posso voltar ao Brasil com uma experiência nova para compartilhar.

Quando começa a nova temporada, nosso diretor passa a instrução a todos: "Aqui no Sevilha nossa defesa não ultrapassa a linha do meio campo. Nunca".

Eu jogo alguns jogos, chuto a bola por aí, olhando sempre para aquela linha. Somente olhando para ela, como um cachorro que está com medo de ultrapassar alguma linha invisível no quintal. Então, num jogo, por alguma razão, eu apenas me solto. Eu tenho que ser eu mesmo.

Eu digo, "Agora"

Eu simplesmente vou. Ataque, ataque, ataque.

Funciona como se fosse mágica. Depois disso, o técnico diz: "OK, Dani. Nova estratégia. No Sevilha, você ataca."

Em poucos anos, nós vamos de um clube que ficava na zona do rebaixamento para levantar a taça da Copa da UEFA duas vezes.

A tela escurece.

Meu telefone está tocando. É meu agente.

"Dani, o Barcelona está interessado em te contratar"

Eu não tenho que mentir desta vez. Eu sei onde fica Barcelona.
Herculano
03/06/2017 09:03
IMPERÍCIAS GERAIS E IRRESTRITAS, por Bolívar Lamounier, sociólogo, para o jornal O Estado de S. Paulo

FHC é o único capaz de produzir uma resposta positiva imediata entre os agentes econômicos

Mais uma crise política se arrasta em Brasília, acompanhada de longe por 14 milhões de desempregados e suas famílias. Crise produzida e turbinada por uma inacreditável comédia de erros. Com o elenco de que hoje dispomos, a propalada "robustez" do nosso script institucional mais parece uma profunda anemia.

Nesse festival de imperícias, o primeiro ponto a destacar é o inacreditável indulto concedido pelo ministro Luís Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aos irmãos Joesley e Wesley Batista. Como compreender que Marcelo Odebrecht esteja preso há quase dois anos em Curitiba enquanto os dois irmãos gozam as delícias de Nova York? A disparidade de tratamento é gritante, escandalosa, inexplicável. Lépida e fagueira, a dupla levou tudo. Até o barquinho se foi. Na perversa trama da crise que estamos vivendo, o que a Justiça sofre não é só um arranhão. É um dano considerável em sua imagem, uma perigosa perda de altitude, justamente quando o País mais precisa de sua autoridade arbitral.

Outro erro crasso de Fachin e Janot foi trazer a público o conteúdo da gravação de Michel Temer feita por Joesley sem antes submetê-la à perícia policial. Esse erro, agravado pela má qualidade da gravação e pela possibilidade de ter ela sofrido adulterações, passou a ser a viga mestra da linha de defesa do presidente Temer. Daí a avaliação aparentemente consensual de que ele, Temer, tenha ganho uma sobrevida. Para isso também contribuem, a julgar pelo noticiário, os indícios (tênues) de recuperação da economia e, com mais força, a falta de um nome de consenso ?" um candidato natural ?" para a eventualidade de a sucessão vir a ser decidida pelo Congresso, nos termos do artigo 81 da Constituição.

A questão, entretanto, é mais complexa. Desta vez, a nunca assaz louvada perspicácia política do presidente Temer parece havê-lo abandonado. Como explicar que um presidente da República receba na residência oficial, numa hora já avançada, sem testemunhas, um empresário de tão discutível reputação? Sem esquecer que Joesley Batista não se identificou na portaria nem passou pelos controles fotográficos ou eletrônicos atualmente rotineiros nas mais variadas organizações. Esses fatos tisnam em certa medida o estrito legalismo da defesa, ou seja, seu apego aos defeitos da gravação e à não realização da indispensável perícia. Essa contraposição entre a árvore (a fita não periciada) e o bosque (as circunstâncias do encontro no Palácio do Jaburu) poderá pesar na decisão sobre a chapa Dilma-Temer que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começará a discutir no dia 6 de junho.

Cabe, aqui, uma referência à chamada "sociedade civil", e em particular aos empresários, grandes e pequenos. O saudoso Nelson Rodrigues certamente descreveria a manifestação deles sobre a tragicomédia que se desenrola em Brasília como "um silêncio de estourar os tímpanos". Em 2010, como se recorda, quando a sra. Dilma Rousseff foi alçada à Presidência, a eleição foi decidida por três grandes eleitores, Lula, Marcelo Odebrecht e João Santana, donos da popularidade, do dinheiro e de uma notável capacidade de mentir por meio do que se conhece como marketing eleitoral. Embora os destinos da economia estejam em suas mãos, tudo leva a crer que os empresários se comportarão como em tantas outras oportunidades em nossa História: passarão pela cena sem dizer palavra.

Se Temer ganhar "limpamente" no TSE, a crise terá uma solução rápida, como é desejo de todos, e a recuperação econômica não será prejudicada. Mas se, para ganhar, o presidente tiver de recorrer a meios protelatórios (pedido de vista, recursos e mais recursos ao STF), o quadro será outro. A crise poderá estender-se por vários meses e o número de desempregados poderá bater em 15 milhões no começo de 2018, um ano eleitoral, e Temer terá sobre seus ombros uma parte da responsabilidade por tal desfecho.

Suponhamos, porém, que a decisão do TSE seja desfavorável ao presidente e ele aceite se afastar de imediato, abstendo-se de toda procrastinação. Iremos, então, para a eleição do sucessor pelo Congresso, como sabiamente estipula o artigo 81 da Constituição. Menciono, por dever de ofício, os artistas de esquerda que têm ido às ruas bradar por "diretas já"; esses estão em seu papel. São como os "suspeitos habituais" a que o capitão Renault, interpretado pelo ator Claude Rains, se referiu no filme Casablanca. Sem esquecer Lula e o 6.º Congresso do PT, imersos, como sempre, em seu característico ambiente de diretório acadêmico. Triste é constatar que políticos experientes como o senador Ronaldo Caiado e o deputado Miro Teixeira tenham emprestado seu prestígio a uma tese tão manifestamente extemporânea.

Ainda na hipótese de o TSE decidir contra Temer, chegamos, finalmente, ao Congresso Nacional. Uma das dificuldades desse insólito processo sucessório será, como assinalei, a inexistência de um "ungido" ?" um nome de consenso. Esse é outro aspecto patentemente surrealista da presente crise brasileira. Deve estar muito bem de líderes este Brasil que liminarmente descarta o nome de Fernando Henrique Cardoso. Que credenciais lhe faltam? Experiência, conhecimento dos problemas? Se os integrantes da presente legislatura tiverem ainda algum discernimento, haverão de concluir que o ex-presidente é o único nome capaz de produzir uma resposta positiva imediata entre os agentes econômicos, dentro e fora do País. Não sendo candidato em 2018 e tendo feito em 2002, quando da primeira eleição de Lula, uma transição de governo absolutamente exemplar, quem como ele poderá contribuir para a distensão dos ânimos e a normalização do processo político? Farol alto, senhores! Farol alto!
Herculano
03/06/2017 09:01
REGISTRO

O agente de trânsito da Ditran de Gaspar, Pedro Paulo Domingos ferido após ser atropelado quando pedalava a sua bicicleta, por um Honda Civic, de Gaspar, no final da tarde desta sexta-feira, no Poço Grande, é irmão do presidente da Câmara de Ilhota, o Chico Caroço (Francisco Domingos, PMDB)
Herculano
03/06/2017 08:54
"CRACOLÂNDIA VIROU UM FLA-FLU IDEOLóGICO" DIZ ATOR E ESCRITOR EX-USUÁRIO DE CRACK, por Eline Trindade, editoria do Prêmio Empreendedor Social, no jornal Folha de S. Paulo

O ator e escritor Márcio Américo, viveu três dos seus 53 anos na cracolândia. Em 2000, começou a frequentar as ruas do centro de São Paulo onde se reúnem usuários e traficantes de crack. "Limpo" há mais de uma década, ele relata como o apoio da mulher e uma internação foram a chave para sair da dependência.

Com o olhar de quem já foi visto como um "zumbi", ele critica o discurso do prefeito de SP, João Doria (PSDB), e a "desastrosa" operação policial e de "limpeza da área", mas também bate em ativistas que usam a hashtag #resistecraco. "A cracolândia virou combustível para o flá-flu ideológico", afirma.

Autor do livro "Meninos de Kichute", o escritor e dramaturgo acaba de estrelar o longa "Magal e os Formigas" (2016) e exerce a veia de comediante em seu canal no YouTube, com o personagem Pastor Adélio. Em um vídeo recente, o ator faz um desabafo a sério sobre as polêmicas que envolvem a cracolândia.

A seguir, o relato em primeira pessoa do artista multimídia que estreia neste sábado (3) o espetáculo interativo "Deus É humor" que fica em cartaz no Teatro Commune até 8 de julho, sempre aos sábados, às 16h.

*

"Frequentei a cracolândia por três anos. Comecei em 2000, quando passava uns dias, depois voltava para casa. Mas sempre retornava. Há dez anos, estou limpo, superei essa desgraça.

Dizer que todos ali são zumbis é reducionismo que leva à exclusão. Não se trata de uma massa de gente. Dentro da cracolândia tem individualidades e especificidades.

Na minha época, conheci professores, atores, bailarinos, médico, advogado, patrão e até vereador. Há também os 'homeless' (sem-teto), aqueles que não têm família, estão sozinhos, um problema social enorme.

Há os frequentadores habituais e os eventuais. É preciso entender que o atrativo maior da cracolândia é o ritual quase religioso que caracteriza o uso do crack e vai além da dependência.

Não é só o crack que vicia; a cracolândia, também. Cria-se uma comunidade de malucos, que ficam horas limpando seus cachimbos, fumando as cinzas, numa noia coletiva. Os que olham de fora só veem droga e dependentes. Mas a cracolândia é uma comunidade pulsante, viva.

É preconceito dizer que é formada de zumbis sem atitude. Os usuários de crack são ativos, mas as atividades deles são restritas à compra e ao consumo da droga. Não ficam o dia inteiro na cracolândia. Saem em busca de dinheiro para comprar a droga, armam esquemas.

Por isso, a última operação policial para desocupação da área foi desastrosa. Não se despejam viciados, pois eles não têm casa. Não há despejo para quem já mora na rua. Dessa forma, ficou muito claro a falta de planejamento. A cracolândia levou 20 anos para ser o que é hoje e não se acaba com ela em um dia, como declarou o prefeito.

Ela só fez mudar de lugar. Faltou colocar uma placa: 'Estamos atendendo em novo endereço na praça ao lado'. Acabar com a cracolândia é um trabalho lento, de cadastrar as pessoas, ver quem tem família e quem não tem.

BATALHA IDEOLóGICA

A recente operação na área despertou nas pessoas o que elas têm de mais egoísta. É combustível para discursos ideológicos à esquerda e à direita. Ninguém está interessado em resolver de fato o problema do dependente químico, que acaba ficando no meio do flá-flu ideológico.

Também é absurdo esse ativismo de colocar hashtag #resistecraco. Resistir o quê? A cracolândia só é boa para traficante. Quem ganha com a manutenção daquela situação é o tráfico. O que o ativista faz efetivamente pelo dependente? Nada.

Defendo que temos que limpar a área, mas isso não é do dia para a noite. É preciso liberar os espaços públicos, que são áreas de convívio. Mas não se pode tirar os dependente de lá como se fossem lixo, debaixo de tiro de polícia e muito menos derrubar casas sem verificar antes que não há gente dentro.

No entanto, eu acho a internação de dependentes necessária por três motivos. Primeiro, para ajudar o cara que está na rua, perdendo a sua saúde. Segundo, para dar segurança, tranquilidade e mobilidade para quem mora na região e também para dar paz à família do dependente, que adoece junto com ele.

Em terceiro lugar, a internação é uma esperança para o dependente. Pode representar uma tomada de consciência. Eu só consegui sair dessa porque minha mulher, Renata, acreditou e viu que existia saída. Foi ela que me encaminhou para um tratamento numa fazenda no Paraná.

Com o apoio da família e bons métodos terapêuticos, comecei a receber informações e a entender que eu não era um filho da puta, um irresponsável. Eu tinha uma doença.

ALCOOLISMO

Ninguém começa com drogas usando crack. É a última, normalmente. A primeira é o álcool. Comecei aos 4 anos tomando medicamentos fortificantes que já continham álcool.

A Organização Mundial da Saúde diz que há predisposição genética para alcoolismo e dependência química. Na adolescência, tinha os desafios auto afirmativos e eu acabava caindo como um pato e bebendo muito.

Depois, veio a influência da literatura dos Anos 80, dos poetas e escritores. Para mim, eles eram talentosos por usar drogas. Achei que este era o caminho para ganhar o Nobel de Literatura e acabei na cracolândia.

O crack é a droga mais cara do planeta. O sujeito toma uma dose de heroína e fica quatro horas sem usar, pois se usar mais tem overdose e morre. Com a cocaína é o mesmo. Já o crack, que é o lixo da cocaína, não tem overdose, mata aos poucos. O cara usa todos os dias, toda hora. Não tem fim.

O efeito é muito rápido. É um curto-circuito no cérebro que dura três segundos. É ir ao céu e voltar. Por isso, falo para meus filhos: 'Droga é muito bom'. É viciante.

É a primeira coisa que temos de admitir quando queremos alertar os jovens sobre os riscos. Depois fica ruim, pode matar. É só síndrome persecutória.

Já passei por clínicas de recuperação, salas de auto ajuda, Narcóticos Anônimos e posso dizer que é impossível tratar e recuperar dependentes sem apoio familiar.

Muitos perderam emprego, precisam de requalificação profissional e resignificar a própria vida, ampliar o repertório pessoal e a autoestima.

RECUPERAÇÃO

A taxa de recuperação nas clínicas e fazendas terapêuticas mais reconhecidas, entre aqueles que se internam voluntariamente ou foram convencidos por familiares, é bem baixa, em torno de 7%, 8%. Imagina para quem é levado à força. A taxa é zero por cento. Já vi muitos dizerem que querem morrer usando crack.

Em vários casos, tem de haver internação coercitiva mesmo. Mas o bom de toda essa polêmica foi ter colocado o problema em discussão. Agora, todo mundo fala da cracolândia.
Herculano
03/06/2017 08:46
DIRETAS JÁ (MODO VENEZUELA), por Guilherme Fiuza,
no jornal O Globo

Os gladiadores da democracia tomaram uma dose redobrada da porção de mortadela e quebraram tudo.

Essa sessão nostalgia da política brasileira foi uma grande sacada. O episódio das Diretas Já em Copacabana foi emocionante. Você se sente realmente no túnel do tempo, é muito bem feito.

Dizem que estão preparando o do comício da Central do Brasil, o da passeata contra a Guerra do Vietnã e um especial sobre o choro de Maria da Conceição Tavares no Plano Cruzado. Só épicos. Vamos aguardar.

O remake das Diretas foi lindo, só houve um mal-estar. Ao final do episódio - que teve o mesmo elenco das manifestações em defesa da quadrilha simpática de Dilma Rousseff - o cenário estava impecável. Isso não foi legal. Vitrines intactas, ônibus e orelhões idem. Falha elementar de produção, que precisará ser corrigida no próximo capítulo. A família revolucionária brasileira não aceitará essa afronta novamente.

Vida de black bloc não é fácil. Você passa uma existência sendo atiçado por freixos e caetanos, e na hora da festa deles não te deixam soltar um mísero rojão na cara de ninguém. Não é justo.

E não é só isso. A parte mais bacana, que é fustigar a boçalidade da polícia para descolar umas bombas de gás e brincar de "Os dias eram assim", também foi cortada.

É duro ter o seu talento dramático cerceado a esse ponto, e terminar na praia dançando música de protesto. Mas um guerreiro tem que estar preparado para as provações mais duras. Caminhando e cantando e seguindo o cifrão.

O que ninguém pode negar é que, antes dessa genial sacada dramatúrgica, a vida nacional estava caminhando para o marasmo. Inflação e juros caindo, níveis de risco idem, Petrobras saindo das emocionantes páginas policiais para a entediante seção de economia, reformas sendo tocadas por aqueles nerds que fazem tudo certinho e não são candidatos a nada. Uma chatice.

Graças a Deus surgiram roteiros decentes, como a escapada espetacular dos bilionários irmãos Batista para Nova York, depois de uma conversa franca e patriótica com o companheiro Janot. A emoção está de volta.

Morreu mais um pintinho esta noite. A mensagem cheia de compaixão pode parecer linguagem cifrada, neste mundo mau. Mas é verdadeira, porque ainda existe gente com sentimentos, capaz de se importar com os animais. O mensageiro da dor, no caso, é o caseiro do sítio de Atibaia, que não é do Lula. Essas coisas o fascista Moro não vê.

A mensagem sobre a morte no galinheiro foi enviada ao Instituto Lula ?" e aí as lágrimas brotam: um homem que foi presidente da República se importar com a vida de um pintinho, num sítio que nem é dele... É de cortar o coração.

Hoje sabemos que Lula não se importava só com os pintinhos. Preocupava-se muito com as vaquinhas. Foi por isso que ele mandou o BNDES - um banco até então sem a mínima sensibilidade para com os animais - ajudar na causa, depositando alguns bilhões de reais nas boiadas certas.

Não se pode confiar na Justiça terrena (como se vê pela perseguição implacável a este homem bom), mas a justiça divina não falha: mesmo após a delação demolidora de João Santana (quem se lembra disso?), Lula e Dilma estão em paz, assistindo de camarote ao bombardeio ao inimigo. Deus ajuda quem ajuda os animais.

A falha imperdoável de produção no remake das Diretas Já em Copacabana, felizmente, não ocorreu em Brasília. Ali sim, o episódio da série foi perfeito.

Aqueles ministérios que passaram 13 anos emocionando o Brasil - num enredo eletrizante protagonizado por Erenice Guerra, José Dirceu, Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann e grande elenco - andavam às moscas. Ultimamente, viam-se servidores públicos administrando e até obtendo resultados socioeconômicos - praticamente uma morte em vida.

Aí os revolucionários do povo perderam a paciência que tiveram nesses 13 anos dourados e cercaram a Esplanada. A direção de cena dessa vez foi impecável: os gladiadores da democracia tomaram uma dose redobrada da porção de mortadela e quebraram tudo. Foi bonito de se ver.

O Verissimo até falou que o Exército na rua lembrou a vida em 64! Viram como não é difícil produzir direito?

Dizem que no sensacional episódio "Brasília em chamas" a técnica de produção foi toda venezuelana. É possível, sabendo-se que a junta democrática que está tentando tomar o poder na mão grande (mas sem perder a ternura) inclui simpatizantes de Nicolás Maduro, conhecido como Senhor Diretas (no queixo).

Aliás, se no próximo episódio o pessoal substituir a MPB pela guarda chavista, as Diretas Já passam na hora - não precisa nem de voto.

O Brasil está mudando para melhor. Na época da Dilma era um drama para o Supremo autorizar investigação dos mandatários - mesmo com as obras completas da Lava-Jato transbordando sobre as divinas togas. A denúncia já vinha amortecida, ficava lá estacionada na sombra, e o Brasil ainda tinha que ouvir o despachante Cardozo chorando inocência. Agora, não: Janot mandou, Fachin homologou. Primeiro mundo.

Vai nessa, Brasil. Sem medo de ser feliz. Mas anda logo, que agora o país saiu da recessão (volta, Dilma!) e daqui a pouco vai ficar mais difícil ganhar no grito
Herculano
03/06/2017 08:35
BANCO SUÍÇO DE LULA E DILMA É O MESMO DE CUNHA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O banco suíço Julius Bar, escolhido por Joesley Batista para abrir a conta nº 06384985, que segundo ele bancou Lula e Dilma, é o mesmo onde o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha mantinha a famosa conta da qual era "usufrutuário", segundo alegou. A conta, cujo saldo chegou a US$150 milhões (R$486 milhões) em 2014, foi revelada pelo próprio Joesley Batista, dono da JBS, ao Ministério Público Federal.

CONTA CORRENTE
O relato de Joesley sobre "conta corrente" para bancar Lula e Dilma é semelhante à "conta conjunta" revelada por Marcelo Odebrecht.

CONTA CONJUNTA
A "conta conjunta" do PT com a Odebrecht, para financiar "projetos políticos", teria movimentado R$324 milhões entre 2009 e 2014.

CADÊ O DINHEIRO?
Em 2010, fim do governo Lula, a conta na Suíça tinha R$226,1 milhões (US$70 milhões), diz Joesley. Em 2014, caiu para R$30 milhões.

NÃO TINHA CONTA...
Dilma alfinetou Cunha, em diversas ocasiões, até em pronunciamentos oficiais, afirmando que, ao contrário dele, não tinha conta na Suíça.

PORTA DE AVIÃO COM EX-MINISTRO ABRE EM PLENO VOO
O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão levou ontem um grande susto, já no primeiro dia como aposentado do Ministério Público Federal. Ele e outros 124 passageiros estavam no voo 6342 da Avianca, que saiu às 11h30 de Brasília para João Pessoa, e retornou às pressas após uma das portas se abrir em pleno voo. O ex-ministro não foi encontrado para comentar, mas passageiros relataram que ele permaneceu calmo.

RETORNO SEGURO
A Avianca confirmou o incidente, mas destacou que o comandante fez opção por retornar a Brasília, e os passageiros viajaram às 14h30.

DESPRESSURIZAÇÃO
A abertura da porta durante o voo provoca despressurização da cabine, o que inviabiliza a respiração, por isso caem máscaras de oxigênio.

SEM PÂNICO
Em casos de despressurização, o piloto desce para um nível de voo mais baixo, onde a respiração é possível. Foi o que aconteceu.

O ANO COMEÇA AGORA
Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação revelou que 41,8% de todo o esforço dos brasileiros, até 31 de maio, sumiu no ralo dos impostos. Só a partir de junho o brasileiro trabalha para si próprio.

GRAVANDO, PRESIDENTE
Os jornalistas Carlos José Marques, Débora Bergamasco e Sérgio Pardellas já estavam diante de Michel Temer, para iniciar entrevista à revista IstoÉ, quando um deles brincou:"Presidente, estamos gravando, ok?" Ele sorriu: "Mas gravando às vistas, né? Não como o outro lá..."

PGR TEM CERTEZA
A convicção da Procuradoria Geral da República na culpa de Aécio Neves (PSDB-MG) explica por que a denúncia foi apresentada apenas duas semanas depois da operação que o revelou como suspeito.

SEM MALETAS
Pela primeira vez na Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca na casa de um senador, Aécio Neves, sem a Polícia Legislativa entrar em seguida para fazer varredura à caça de escutas ambientais. É que as maletas de varredura seguem apreendidas no Supremo.

MULHER DE MALANDRO
O Brasil não aprende: mesmo depois de a Bolívia nos surrupiar uma refinaria inteira, em 2006, a Petrobras vai investir US$1,2 bilhão para exploração dos campos de gás San Telmo e Astilleros, na Bolívia.

MELHOR USO
O governo federal pagou R$ 151 milhões em diárias a servidores, fora o salário, nos primeiros cinco meses do ano. Esse valor extra poderia tirar do desemprego, com salário mínimo, mais de 32 mil pessoas.

PALAVRA DA EMPRESA
A Tecsis, que tem o BNDES como acionista, informa que não foi à falência, mas admite "redução de operações". O BNDES investiu R$174,5 milhões, garante, e não R$ 1,3 bilhão.

AUDITORES NA CÂMARA
Servidores denunciam "movimentação" na Diretoria Geral da Câmara dos Deputados para transferir a Auditoria Interna para fora do prédio principal da Casa. Funcionários temem o enfraquecimento do órgão.

NEM PENSAR
No caso vacância da presidência, alguém acha mesmo que senadores e deputados elegeriam alguém "de fora" para o lugar de Michel Temer?
Herculano
03/06/2017 08:19
PESQUISA DESMONTA DEFESA DE INTELECTUAIS, JORNALISTAS, ARTISTAS, PT E POLÍTICOS DA ESQUERDA E PRINCIPALMENTE TRAFICANTES QUE DEFENDEM A CRACOLÂNDIA E REJEITAM QUALQUER INTERFERÊNCIA PARA TRATAMENTOS FORÇADOS DOS VICIADOS

QUATRO EM CADA CINCO EM SÃO PAULO DEFENDEM INTERNAÇÃO A FORÇA DE USUÁRIOS DE CRACK COMO PROPÕE O PREFEITO JOÃO DORIA E FOI EXECUTADA PELO GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. O texto, estranhamente, não traz a assinatura do autor, talvez para não se comprometer com o o resultado da pesquisa que contrariava as sucessivas reportagens sobre o assunto, sem base em pesquisa, mas em entrevista de "especialistas" A maioria dos moradores de São Paulo defende a internação à força para tratamento de usuários de crack, enquanto metade deles aprova o desempenho do prefeito João Doria (PSDB) nas recentes ações na cracolândia e acredita que não é possível solucionar esse problema na capital paulista.

O cenário acima aparece em pesquisa Datafolha realizada nesta quinta (1º). Foram ouvidas 1.125 pessoas na cidade, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento ocorre 11 dias após ação policial, sob o comando do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que prendeu traficantes e desobstruiu vias onde havia uma feira de drogas a céu aberto.

O "fluxo" de viciados que vivia ali se mudou nos dias seguintes para a praça Princesa Isabel, a cerca de 400 metros do antigo ponto, e criou a nova cracolândia da região central, com quase mil pessoas.

A ação policial é aprovada por 59% dos entrevistados, mas 53% viram uso de violência contra os usuários.

A operação ocorreu por iniciativa do Estado e pegou a prefeitura desprevenida. Naquele dia, o programa anticrack de Doria não estava pronto, mais isso não impediu que o prefeito comemorasse o sucesso da "parceria" com o governo estadual e decretasse o fim da cracolândia.

Naquele dia, o prefeito visitou o local da ação com sua equipe ?"o que colou para os moradores da cidade.

Segundo o Datafolha, 60% apontam Doria como o principal responsável por aquela ação no centro de SP. Apenas 9% citam Alckmin, ante 18% que apontam os dois tucanos.

PRESSA E POLÊMICA

Nos dias seguintes à operação, o que se viu foram discursos dissonantes entre integrantes do Estado e do município e a pressa da gestão Doria em adotar medidas para conter a movimentação de usuários ?"em determinado momento da semana passada, havia ao menos 23 pontos com dependentes químicos apenas na região central.

Uma dessas medidas foi o início da demolição de imóveis que eram utilizados pelo tráfico, como pensões e hotéis, na região da cracolândia. A primeira demolição, no entanto, deixou três pessoas feridas, e a prática acabou vetada pela Justiça ?"de forma geral, a iniciativa é aprovada por 55% e rejeitada por 41%.

Apesar desses entraves, para 48% o desempenho de Doria tem sido ótimo ou bom nesse tema. Outros 25% acham regular e 23%, ruim ou péssimo. No caso de Alckmin, a aprovação é de 29%.

A decisão mais controversa de Doria foi procurar a Justiça para obter uma espécie de carta branca para recolher usuários à força das ruas e levá-los a atendimento médico.

A medida encontrou resistência na Promotoria e na Defensoria Pública e foi derrubada pelo Tribunal de Justiça de SP. Ainda cabe recurso.

Segundo o Datafolha, 80% defendem a internação de usuários de crack mesmo contra a vontade deles ?"pode ser tanto a involuntária (com aval médico) e a compulsória (após decisão também de um juiz).

O instituto também perguntou aos moradores: se um dependente não demonstra capacidade para tomar decisões por conta própria e a família se mostrar a favor de sua internação para o tratar o vício, ele deveria ou não ser internado mesmo assim? 95% responderam sim, e 5%, não.

Diante de situação em que a família do usuário não é localizada, a resposta foi parecida ?"88% sim, 11% não, e 1% não soube responder.

Derrotada na Justiça, a gestão Doria aposta suas fichas em um trabalho em parceria com o Estado para que agentes de saúde e assistentes sociais convençam os dependentes a passar por avaliação médica. A eventual internação involuntária ou compulsória viria depois desse passo.

CONSUMO

A maioria (71%) concorda que a recente operação provocará uma temporária redução do consumo, mas não necessariamente uma busca pelo abandono do vício, enquanto 74% acreditam que os usuários precisam de mais força de vontade do que de tratamento médico para abandonar o vício.

Segundo os entrevistados, o problema do crack na cidade é de responsabilidade de traficantes (29%) e dos próprios usuários (22%). Metade acredita ser possível acabar com o tráfico e o uso de crack em SP, e a outra metade não
Herculano
03/06/2017 08:07
CORROSÃO DO PSDB VIROU FEN?"MENO IRREVERSÍVEL, por Josias de Souza

O PSDB escreve um melancólico capítulo de sua história. O partido saiu da eleição presidencial de 2014 como maior força política da oposição. Aécio Neves parecia fadado a virar presidente na sucessão seguinte, em 2018. Hoje, o PSDB é coadjuvante do PMDB num governo apodrecido, chefiado por um presidente cujo futuro está condicionado, entre outros fatores, à delação de um ex-assessor filmado recebendo uma mala com propina de R$ 500 mil reais da JBS.

A política brasileira atingiu um estágio em que todo processo de aliança é um ritual de emporcalhamento. No Brasil, uma coalizão governamental serve basicamente para assegurar a fidelidade dos participantes ao grupo pela cumplicidade. A plateia já não consegue distinguir PT, PSDB, PMDB e todo o resto.

Desde que explodiu a delação da JBS, do empresário Joesley Batista, o PSDB ensaia um rompimento com o governo. Agora, os deputados tucanos cobram um desenlace. Mas a decisão do PSDB, seja qual for, não conseguirá deter o desgaste do partido.

Os nomes dos presidenciáveis da legenda - Alckmin, Aécio e Serra - já haviam saltado dos lábios dos delatores da Odebrecht como pulgas no dorso de vira-latas. Agora, a presença de Aécio no epicentro do novo escândalo eliminou até a presunção de superioridade moral que o PSDB imaginava ter.
Herculano
02/06/2017 19:28
POR QUE JANOT INSISTE NA PRISÃO DO "HOMEM DE CONFIANÇA" DE TEMER
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Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Isadora Peron e Breno Pires, da sucursal de Brasília, e Luiz Vassallo, de São Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, usou a 'influência política' do ex-deputado Rocha Loures (PMDB/PR) como um dos argumentos do seu novo pedido de prisão contra o ex-assessor do presidente Michel Temer. O pedido, protocolado nesta quinta, 1, está nas mãos do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Janot sustenta que a 'influência política' de Loures impede a adoção de medidas diversas da prisão que, em sua avaliação, 'revelam-se insuficientes às tentativas de neutralização de suas ações'.

Loures foi flagrado em abril correndo por uma rua de São Paulo carregando uma mala estufada de propinas da JBS ?" R$ 500 mil divididos em 10 mil notas de R$ 50.

Para Janot, como Loures perdeu a prerrogativa de foro privilegiado, já que o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) voltou à Câmara, não há mais motivo para que a medida cautelar deixe de ser executada.

O procurador-geral aponta para 'a gravidade concreta das condutas, igualmente, elemento indicativo da necessidade da prisão preventiva para assegurar a ordem publica'.

Em áudio gravado por Joesley Batista, acionista da JBS, durante visita ao Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março, Temer indica Loures para ser seu interlocutor junto à JBS. Na conversa, o presidente sugeriu que o empresário poderia tratar de qualquer assunto com seu então assessor e na época deputado.
Herculano
02/06/2017 19:15
JANOT SE PREPARA PARA DENUNCIAR O QUADRILHÃO

Conteúdo de O Antagonista. Rodrigo Janot vai denunciar os membros do quadrilhão nas próximas semanas.

Diz a IstoÉ:
"Políticos apontados como principais chefes da 'organização criminosa' incrustada dentro de três partidos ?" PT, PMDB e PP ?" devem sofrer um novo revés nas próximas semanas.

Antes de deixar o cargo em 17 de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a maior parte das denúncias contra os 23 integrantes do chamado 'quadrilhão' da Lava Jato.
Serão denunciados políticos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, pelo PT, e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá pelo PMDB do Senado (...)
A acusação contra eles será a de crime de organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de cadeia".

"Cercado por cooptados que eram gente da sua confiança, e com o mundo político que quer destruí-lo, só restou a Janot apertar o detonador", disse uma fonte ao O Antagonista.

Que a explosão seja atômica.

Rodrigo Janot, nas próximas semanas, vai desengavetar todos os processos contra a ORCRIM.

Leia a reportagem de Malu Gaspar:

"O mandato de Janot termina em 17 de setembro e, embora ele tenha afinidades com alguns dos oito postulantes ao cargo, nenhum deles é considerado seu substituto natural. Por isso, o núcleo duro de Janot na força-tarefa da Lava Jato está seguindo à risca uma estratégia estabelecida desde o início do ano: acelerar ao máximo os trabalhos para concluir tudo o que for considerado importante antes do início do reinado do próximo mandatário.

Por tudo, entenda-se tudo mesmo. Os acordos possíveis de delação serão fechados; inquéritos serão encaminhados para abertura imediata; e investigações de denúncias ainda pendentes serão concluídas. Janot não quer deixar para trás nada que for relevante. O sprint deve fazer eclodir novos abalos no mundo político e econômico.

A delação mais importante dessa reta final é a de Antonio Palocci, cérebro financeiro das campanhas de Lula e o ministro petista mais querido do empresariado - um carinho que, sabe-se hoje, não era apenas fruto de suas habilidades como gestor e político. A colaboração da OAS - acusada de presentear o ex-presidente Lula com um triplex no Guarujá - também está no forno".

No pedido de prisão preventiva de Rodrigo Rocha Loures, o PGR escreveu:

"Em suma, Rodrigo Loures aceitou e recebeu com naturalidade, em nome de Michel Temer, a oferta de propina (5% sobre o benefício econômico a ser auferido) feita pelo empresário Joesley Batista, em troca de interceder a favor do Grupo J&F, mais especificamente em favor da EPE Cuiabá, em processo administrativo que tramita no Cade.
Herculano
02/06/2017 19:09
QUEM TOLERA AÉCIO NÃO PODE GRITAR "FORA TEMER", por Josias de Souza

A denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Aécio Neves transformou a realidade do PSDB em algo inacreditável. O partido vinha se comportando como um ente superior, que fazia ao país o favor de sustentar um presidente precário, em franca deterioração moral. No exato instante em que o tucanato eriça as plumas num debate interno sobre a conveniência de tomar distância de Michel Temer, o procurador-geral Rodrigo Janot informa que a corrupção não diferencia o PSDB do PMDB ou de Temer. Ao contrário, ela os associa.

Nada de novo no ninho. O tucanato repete com Aécio todos os erros que cometeu com outro político mineiro: Eduardo Azeredo. Em 1998, a coligação de Azeredo pleiteou a reeleição financiada por um empréstimo de fancaria obtido pelo operador Marcos Valério no Banco Rural.

Quando as manchetes estamparam a notícia de que o mensalão do PT tinha um DNA tucano, o PSDB se fingiu de morto. Azeredo foi denunciado. E o tucanato não tomou conhecimento. Azeredo renunciou ao mandato de deputado para fugir de uma condenação no Supremo. E nada. Azeredo foi condenado na primeira instância. Nem sinal de uma reprimenda partidária. Expulsão? Nem pensar!

Flagrado em diálogos inadmissíveis com o delator Joesley Batista, da JBS, Aécio foi afastado do exercício do mandato de senador pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Viu-se compelido, então, a tirar uma licença da presidência do PSDB. Mas não se deu por achado. Há dois dias, divulgou na internet a foto sui generis (veja lá no alto). Escreveu na legenda: "Reuni-me na noite desta terça-feira, 30/05, com os senadores Tasso Jereissati, Antonio Anastasia, Cássio Cunha Lima e José Serra. Na pauta, votações no Congresso e a agenda política."

Quer dizer: Aécio continua sendo o personagem mais limpinho que Aécio já conheceu. Ele avalia que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações. Por mal dos pecados, a denúncia contra o presidente informal do PSDB encontra-se nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello, um magistrado que se vangloria de não julgar pelo nome estampado na capa, mas pelo conteúdo do processo.

A denúncia do procurador-geral será julgada na Segunda Turma, a mais draconiana do Supremo. São grandes as chances de Aécio ser convertido em réu numa ação penal. Quanto ao PSDB, o partido faria um enorme bem a si mesmo se parasse de enganar a plateia. Quem suportou Eduardo Azeredo e tolera Aécio Neves e otras cositas más não pode gritar 'fora, Temer.'
Herculano
02/06/2017 19:07
JANOT DENUNCIA AÉCIO POR CORRUPÇÃO E OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo, Breno Pires e Isadora Peron, da sucursal de Brasília. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu nesta sexta-feira, 2, denúncia contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) no Supremo Tribunal Federal (STF) com base na delação dos empresários do Grupo J&F.

O tucano é acusado de corrupção passiva pelo suposto recebimento de R$ 2 milhões em propina da JBS e por obstrução de Justiça por tentar impedir os avanços da Operação Lava Jato. Janot também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar o crime de lavagem de dinheiro.

A irmã de Aécio, Andrea Neves, o primo Frederico Pacheco e o advogado Mendherson Souza Lima também foram denunciados, mas apenas por corrupção passiva. Os três foram presos na Operação Patmos, deflagrada em 18 de maio.

Essa é a primeira denúncia oferecida contra Aécio, que responde a outros sete inquéritos no Supremo, cinco em decorrência da delação de executivos da Odebrecht e outros dois sobre o esquema de corrupção em Furnas e de intervenção durante a CPI dos Correios, em 2005.

Após o oferecimento da denúncia, o ministro relator do caso, Marco Aurélio Mello, terá que levar o pedido para análise na Primeira Turma do Supremo. Se os ministros aceitarem o pedido de Janot, Aécio se tornará réu e passará a responder a uma ação penal no STF.

Suspeita. Entre as acusações que pesam sobre Aécio no âmbito da delação dos empresários do grupos J&F, está a gravação na qual o tucano pede R$ 2 milhões a Joesley Batista, um dos donos da JBS. Em uma conversa, o tucano aparece pedindo o dinheiro ao empresário sob a justificativa de que precisava pagar despesas com sua defesa na Lava Jato.

A irmã de Aécio, Andrea Neves, teria feito o primeiro contato com o empresário. O tucano indicou seu primo Frederico para receber o dinheiro. Mendherson também teria participado. O dinheiro foi entregue pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Ao todo, foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma.

COM A PALAVRA, AÉCIO

"A defesa do senador Aécio Neves recebe com surpresa a notícia de que, na data de hoje, foi oferecida denúncia contra ele em relação aos fatos envolvendo o sr. Joesley Batista. Diversas diligências de fundamental importância não foram realizadas, como a oitiva do senador e a perícia nas gravações. Assim, a defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta do senador Aécio Neves."
Herculano
02/06/2017 12:53
Só O PT ENALTECE SEUS BANDIDOS COMO "HERóIS DO POVO": TRATA-SE DE UMA QUADRILHA ASSUMIDA!, por Rodrigo Constantino, do Instituto Liberal

O Partido dos Trabalhadores está me processando. Há poucas coisas que merecem tanto respeito num currículo como esta. É motivo de muito orgulho para mim. A razão? Eu chamei o PT de "quadrilha". Sério: parece que os bandidos não gostaram! Mas tenho ao meu lado o decano do STF, aquele que não foi apontado pelo próprio PT, e que já se referiu à turma como "quadrilha" também. Eles vão perder, querem só encher o saco mesmo.

Pois bem: que outro "partido" por aí enaltece corruptos e bandidos? Que outro "partido" chama de "heróis do povo brasileiro" safados já condenados pela Justiça? Resposta: nenhum! A tese de que "todos são iguais" ?" música para os ouvidos petistas, que saíram do "nunca antes na história" para o "sempre antes na história" ?" não se sustenta por um segundo.

Sim, todos têm corruptos, muitos corruptos. Mas atenção: só o PT idolatra os seus corruptos, e só o PT tem um projeto totalitário de poder, o que tem tudo a ver com o primeiro ponto. Por ser totalitário e marxista em sua essência, o PT acredita que seus "nobres" fins (transformar o Brasil numa Venezuela) justificam quaisquer meios. É essa crença que explica a postura de defender seus marginais. Vejam essa notícia:

O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta-feira (1) que o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenados no âmbito da Operação Lava Jato, são "heróis do povo". "Quero prestar solidariedade aos nossos companheiros perseguidos e injustiçados, não só ao Zé Dirceu, mas também ao João Vaccari Neto", afirmou, durante o 6.º Congresso Nacional do PT, em Brasília.

Falcão, que vai deixar a Presidência do partido, acusou a Operação Lava Jato de ser um "mecanismo de exceção" para beneficiar empresários corruptos. "É preciso nos voltarmos contra os mecanismos de exceção, que também estão na Lava Jato. A pretexto de combater a corrupção, beneficiam corruptos que vão para o exterior e colocam nossos companheiros na prisão", disse, sem citar Joesley Batista, da JBS, responsável pela delação contra Michel Temer e que se estabeleceu nos EUA após acordo de delação premiada.

Vaccari Neto ganhou espaço em um mural no Congresso, que começou nesta quinta-feira em Brasília. A foto do petista aparece em um painel colocado na recepção do hotel onde está sendo realizado o evento.

A imagem de Vaccari está entre as fotos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, formando uma espécie de mosaico com retratos de outros momentos históricos do partido. Além de Vaccari, Dirceu é outro envolvido em acusações que ganhou espaço no painel. Há uma foto de Dirceu discursando com o logo do PT ao fundo.

Dirceu foi condenado em março deste ano a 11 anos de prisão no âmbito da Operação Lava Jato ?" ele já havia sido condenado no ano passado a 20 anos e dez meses de prisão. Vaccari foi condenado a 41 anos de prisão na mesma operação. Recentemente, o ex-tesoureiro do PT tornou-se réu em mais uma ação penal, por corrupção passiva.

Alguém imagina o PSDB fazendo o mesmo? O PMDB? Só dá para imaginar o PSOL fazendo o mesmo, mas como ainda não foi poder de fato, só como linha-auxiliar do próprio PT, não teve a oportunidade para chegar lá ainda. Mas é o único que compartilha com o PT do mesmo DNA.

Diante disso, pergunto: o PT é ou não uma quadrilha assumida? Quem tem orgulho de seus bandidos é o PCC e o CV. E o PT, claro. Quem ainda defende o PT hoje, depois de tudo, só pode ser cúmplice da quadrilha, ou seja, está atestando que não liga para a corrupção.

Se o Comando Vermelho me processasse por acusá-lo de quadrilha, eu acharia graça, e ficaria orgulhoso, sem dúvida (preocupado eu ficaria se o CV passasse a me elogiar, viu, Reinaldo?). Quando o PT resolveu me processar pelo mesmo motivo, o que o leitor acha que senti?
Herculano
02/06/2017 12:44
Ridículo

Conteúdo de O Antagonista. Sim, você leu exatamente isso: Eliseu Padilha quer nos convencer de que Rocha Loures foi obrigado a pegar uma mala com 500 mil reais e dar aquela corridinha até o táxi, para ser filmado pela PF.

É ridículo
carolinna
02/06/2017 12:10
Boa tarde!!!

Geeeente por favor, estávamos quase passando por mais uma enchente e nosso PREFEITO só pensa em aparecer fazendo videos e fotos, sera que ele acha que as pessoas tiveram tempo pra isso? as pessoas estavam com medo, estavam tentando se proteger e não ficar no celular vendo videio!!!
Outra coisa... Marcelo Poffo PARABÉNS!!! Samae esta uma vergonha, pessoal não aguenta mais essa palhaçada, pk não colocam alguém que entenda pra trabalhar la?
Gaspar esta voltando pra trás É UMA PENA!!!
Herculano
02/06/2017 10:50
da série: todos sabem que as reformas são necessárias, menos os congressistas eleitos e pagos pelo povo, mas que fazem da atividade um reduto de defesa de seus negócios, de ganhos duvidosos, ou interesses particulares e a proteção de uma minoria dos servidores estáveis organizados de altos vencimentos e precoces aposentadorias integrais, todos pagos também pelo povo.

PIB E JUROS PRESSIONAM PELAS REFORMAS, editorial de O Globo

Congresso tem de voltar a esta agenda, para que o crescimento ganhe sustentação e o Banco Central possa fazer cortes mais amplos das taxas

É mesmo para ser comemorado o resultado positivo do PIB, obtido no trimestre inicial deste ano, o primeiro neste tipo de comparação desde 2014. O 1% de expansão de janeiro a março, sobre o trimestre anterior, o último de 2016, é relevante porque pode representar uma inflexão na enorme recessão de aproximadamente 8%, em dois anos, com um saldo, até agora, de 14 milhões de desempregados, e uma esteira de dramas pessoais.

O presidente Michel Temer exaltou o fim da recessão. As circunstâncias, porém, não estimulam excesso de otimismo. Há questões objetivas que aconselham pés no chão. Uma delas é que este bom resultado trimestral se deve, em grande medida, à excelente safra, responsável por elevar o PIB da agropecuária em 13,4%. ?"tima notícia, mas que não se repetirá até o final do ano, por viver o setor de ciclos.

Colhida e comercializada a safra, os efeitos positivos sobre o PIB, ainda mais nesta dimensão, cessam. Ao lado disso, o consumo das famílias continua fraco ?" queda de 1,9% no trimestre ?", dado coerente com o enorme desemprego. E um importante fator de estímulo à expansão, o investimento, está na mesma situação (queda de 3,7%). Neste sentido, o dado positivo da indústria (mais 0,9%) deve ser relativizado, pois baixos investimentos não ajudam o setor.

Indiscutível que, diante da herança recebida de Dilma Rousseff e suas heterodoxias lulopetistas ?" foi tão forte a recessão provocada por ela e "desenvolvimentistas" que o PIB retrocedeu e patina no nível de 2010 ?", o crescimento do primeiro trimestre pode sinalizar alguma luz no fim do túnel, mas não se sabe a extensão dele, em função do quadro político.

Diante deste mesmo pano de fundo, a diretoria do Banco Central, reunida no Conselho de Política Monetária (Copom), anunciou anteontem mais um corte na taxa básica de juros (Selic), a sexta consecutiva, de um ponto percentual, reduzindo-a de 11,25% para 10,25%. Antes de a crise deflagrada a partir da conversa nada protocolar entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS, revelada pelo GLOBO, e seus desdobramentos, apostava-se em um corte maior. A cautela do BC foi justificada em nota pelo uso, cinco vezes, da palavra "incerteza". Pois a incerteza política atingiu as estratégicas reformas da Previdência e trabalhista, em diversos estágios de tramitação no Congresso. É crucial que a base do governo, independentemente de Temer, se reorganize para aprová-las em definitivo.

Pode parecer ingênuo, a esta altura, clamar para que se comece a votar na Câmara a PEC da Previdência e se finalize no Senado a reforma trabalhista. Mas esta é uma questão de Estado e da sociedade, não do governo. Estão em jogo a consolidação da retomada do crescimento e a volta do emprego.
Herculano
02/06/2017 10:45
PóS-VERDADE, FACTóIDES E ELEIÇõES, por Murilo Aragão, advogado, jornalista e sociólogo, no jornal O Estado de S. Paulo

Urgem medidas para reduzir o efeito negativo das notícias falsas no pleito de 2018

A disseminação de notícias falsas com fins políticos não é um fenômeno novo. A antiga "imprensa marrom" já tratava de denegrir a imagem de uns e outros em jornais e revistas. O poder de denegrir ou incensar imagens sempre foi valorizado, daí sempre ter existido uma associação íntima entre poder constituído e imprensa.

Não à toa, no Brasil muitos donos de veículos de comunicação viraram políticos e muitos políticos viraram donos de veículos de comunicação. Era o poder da mídia alavancando candidaturas e/ou a serviço da verdade personalizada de seu político-dono.

Assim, ao abordar o tema nos dias de hoje, devemos olhar o passado e ver o que ele tem a nos ensinar. E considerar que o problema agora é mais sério porque mais intenso, uma vez que a internet e as redes sociais expandiram o horizonte de circulação das informações a níveis impensáveis décadas atrás.

Indo direto ao ponto, sabemos que o Facebook, por exemplo, foi essencial para a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a do Brexit, no Reino Unido. Sabemos também que as redes sociais impulsionaram boatos, factoides, mentiras e pós-verdades de forma avassaladora em ambas as campanhas.

Sabemos, ainda, que serviços como Google, Amazon, Spotify, Netflix e YouTube, entre outros, têm como descobrir nossos gostos e preferências. Sabem onde moramos e sabem como personalizar os anúncios que vemos quando vamos aos sites de notícias ou de compras. Assim, podem saber o que queremos ler ou escutar. E até mesmo deduzir a tendência do nosso voto.

Imaginem uma ação coordenada por hackers destinada a poluir as redes sociais de inverdades de cunho político devidamente personalizadas... Dizem que aconteceu nos Estados Unidos. Pode acontecer aqui também. Estamos preparados, no Brasil, para lidar com tal situação? Claro que não.

Recentemente, sites oficiais de governos e empresas, inclusive no Brasil, foram alvo de um mega-ataque cibernético. Imaginem se isso ocorre durante o nosso processo eleitoral, que será excepcionalmente curto e durante o qual as inverdades terão pouco tempo para serem digeridas...

O problema é gravíssimo pela crescente importância das mídias sociais no cotidiano. Dizem que o Facebook tem mais de 100 milhões de usuários no Brasil e que o Google fatura 10% de sua receita mundial por aqui. O sucesso do Google como veículo reside em sua capacidade de segmentar a mensagem publicitária. Tamanha precisão pode ser, de algum modo, utilizada a favor da viralização de notícias falsas. Mas o problema não está, apenas, na capacidade de as redes sociais multiplicarem inverdades.

O problema, numa dimensão maior, deve abranger as notícias propositalmente imprecisas, as notícias falsas e a sua difusão. Como tratar? Não há solução fácil. Nem única. Até mesmo pelo fato inconteste de que o tema trafega no campo da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.

Por outro lado, as notícias falsas impactam as verdadeiras e, sobretudo, as decisões reais de cidadãos. Além do mais, a mescla de notícias falsas com verdadeiras cria o que chamo de uma espécie de dimensão da "para-realidade", em que não se sabe o que é verdadeiro e o que não é.

O que proponho para o tratamento da questão? A meu ver, três tipos de providências deveriam despertar a atenção dos Poderes Legislativo e Judiciário, dos veículos de comunicação, dos megassites e das redes sociais. Refiro-me a providências de natureza autorregulatória, de natureza legislativa e de natureza processual.

No âmbito da questão autorregulatória, os principais vetores das redes sociais devem estimular comportamentos que limitem os efeitos das notícias falsas e até mesmo reparem o dando causado. Recentemente o Facebook anunciou que vai contratar 3 mil moderadores com o objetivo de evitar o uso da rede para disseminar crimes, imagens pornográficas ou violentas e a apologia ao terrorismo. É um início.

As demais redes sociais deveriam fazer o mesmo, adotando comportamentos e processos que minimizem a circulação de notícias mentirosas e permitam a pronta identificação dos sites que as propagam. O Google deveria investigar sites que tradicionalmente divulgam inverdades, ao invés de financiá-los por meio de pagamento por anúncios vistos.

Os grandes grupos de mídia também precisam estar atentos. Na França, no recente período pré-eleitoral os principais sites de notícias atuaram coordenados para combater a difusão de informações falsas. Deveriam ir além, visando a educar sobre o dano que a imprecisão e a manipulação das meias-verdades podem causar ao processo eleitoral.

No âmbito legislativo, deve ser considerada a aprovação de um projeto de lei que reforce o marco legal da responsabilização pela divulgação de notícias inverídicas e permita que as autoridades policiais e judiciais identifiquem e punam os autores rapidamente. Há de se cogitar, também, de um procedimento diferenciado para o direito de resposta no caso das inverdades difundidas pelas redes sociais. Não sei como fazer. Mas sei que a mentira vulnera a democracia.

Por fim, deveria ser criada uma força-tarefa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a participação da Polícia Federal tendo em vista, desde já, se preparar para enfrentar o problema ao longo do processo eleitoral de 2018.

Sabemos que existem leis e resoluções, inclusive do TSE, que trataram do tema nas eleições passadas. Devemos, porém, ir além e, ao lado da legislação existente, incentivar uma atitude proativa das autoridades competentes, da mídia tradicional e das grandes operadores das redes sociais a fim de reduzir o efeito negativo que as notícias falsas vão provocar em nosso processo eleitoral e em nossa nascente democracia.
Herculano
02/06/2017 10:42
PERDAS E GANHO, por Míriam Leitão, no jornal O Globo

Foram seis anos perdidos, os do governo Dilma e o começo do período Temer. O PIB, ao voltar ao positivo, no dado divulgado ontem, está com o tamanho que tinha ao fim de 2010, quando Lula deixou o governo. Tecnicamente, é o fim da recessão, o número é bom, como se esperava, mas a alta de 1% no primeiro trimestre não elimina o ambiente recessivo.

Há várias contas que iluminam essa aparente contradição. Sem a agricultura, o país teria crescido apenas 0,3% no primeiro trimestre em comparação com o trimestre anterior, segundo cálculos da economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. Na comparação interanual, do primeiro trimestre de 2017 com o de 2016, que é a melhor conta a fazer, o país permanece com queda do crescimento em 0,4%. Mas se os outros setores não tivessem puxado para baixo e fosse apenas a agricultura, teria acontecido uma alta de 0,8%, calcula a pesquisadora Rebeca Palis, do IBGE.

O governo comemorou, com razão, porque está no seu papel. O Ministério da Fazenda falou em "momento histórico". Mas é preciso relativizar a comemoração para ficar mais próximo da realidade. Oficialmente, se há um trimestre positivo, é de fato o fim da recessão. Mas nem tudo é assim binário. Mesmo com o positivo no 1% de ontem, há muitos sinais negativos na economia brasileira. O crescimento sustentado ainda não começou e ficou mais distante a partir daquela noite em que o empresário investigado Joesley Batista entrou, sem apresentar documentos, na garagem do Jaburu e usando o codinome de Rodrigo. Aquele encontro jogou o país em mais uma rodada de incerteza política e ela afeta diretamente a economia.

No número positivo, tem uma parte que é resultado dos acertos do governo Temer na economia, principalmente na escolha da equipe da Fazenda, Banco Central, Petrobras e, até a semana passada, o BNDES. Um fato concreto que tanto Rebeca Palis quanto Alessandra Ribeiro ressaltam é que a queda da inflação já teve efeito positivo. É assim, conforme explicou a técnica do IBGE: o desemprego aumentou, mas a massa salarial ficou estável, porque, com a inflação caindo, os trabalhadores tiveram reajustes de acordo com a inflação passada, que era maior. Isso eleva a renda. O consumo das famílias não subiu. A economista da Tendências acha que já é possível ver alguns sinais de alta da renda média real, o que pode levar a um dado positivo no consumo. O efeito dos juros como estímulo econômico leva de seis a nove meses, portanto a maior parte da queda de quatro pontos percentuais na Selic ainda será sentida. Haverá também o impacto dos bilhões do FGTS que ainda serão liberados.

A agricultura deu um salto ornamental no primeiro trimestre, principalmente quando comparado à base baixa do primeiro trimestre de 2016. O volume de exportação de grãos compensou até o fato de os preços não estarem muito bons. A indústria extrativa mineral contou com alta de exportação de petróleo e minério de ferro, em ambiente de preços melhores.

O clima político, contudo, é um ingrediente tóxico na economia. Investimentos que seriam feitos voltaram para as gavetas. Consumo que pode ser deixado para depois foi postergado. O resultado é o que se vê agora: a economia saiu da recessão, oficialmente, mas permanece em clima recessivo. Hoje vai ser divulgado o dado da indústria de abril, e não há expectativa de crescimento. No mês de março, a indústria caiu e agora, no melhor cenário, fica parada. A economia ainda não entrou em um novo momento de recuperação da economia. O crescimento não voltou.

Os dados não deixam dúvidas. Erros de política econômica cobram um preço elevado. Toda a alta do PIB que houve no governo Dilma foi anulada pelos erros da própria ex-presidente. O IBGE disse ontem que a economia voltou aos níveis do fim de 2010. Ao manipular índices de preços, que levou a um tarifaço, maquiar contas públicas, fazer escolhas de investimento erradas, aumentar a dívida pública, seu governo jogou o Brasil na mais longa e penosa recessão da nossa história. Este momento de saída da recessão poderia ser hora de comemoração se o país não tivesse sido jogado em mais uma espiral da crise pelo erro do presidente Temer.
Herculano
02/06/2017 10:35
O herói da ORCRIM

Conteúdo de O Antagonista. O PT perdeu o medo de enxovalhar a Lava Jato.

Até algum tempo atrás, para acalentar os colunistas da Folha de S. Paulo, o partido ainda admitia a possibilidade de expulsar José Dirceu.

Agora isso mudou: José Dirceu voltou a ser visto como o herói da esquerda.

É melhor assim. O PT é José Dirceu e José Dirceu é o PT.

Gleisi Hoffmann, a nova presidente do PT, eleita indiretamente, aproveitou seu discurso no VI Congresso do partido para saudar José Dirceu.

A plateia se entusiasmou, berrando: "guerreiro do povo brasileiro".

José Dirceu e João Vaccari Neto são "heróis do povo brasileiro".

Foi o que disse o presidente do PT, Rui Falcão, no discurso inaugural do VI Congresso do partido:

"Quero renovar a solidariedade aos nossos companheiros que estão presos e condenados injustamente. Não só José Dirceu, mas também João Vaccari. Dirceu e Vaccari, heróis do povo brasileiro".

O PT aclamou José Dirceu e João Vaccari Neto como "heróis do povo brasileiro".

Antonio Palocci, por outro lado, foi desprezado.
Porque ele está delatando Lula para a Lava Jato.

Se contar tudo o que sabe, Antonio Palocci vai se transformar no verdadeiro herói do povo brasileiro.
Miguel José Teixeira
02/06/2017 09:15
Senhores,

Na mídia:

"Após delação da JBS, qual o futuro político de Aécio Neves?"

Ora, considerando o produto já defecado no 6º Congresso Nacional do PT e o perfil revelado do Aécio da Cunha, vulgo Aécio Neves, temos:

1) de imediato assumir a tesouraria da quadrilha PeTralha.

2) e como plano B, dos PeTralhas, com lula na cadeia, disputar a presidência pela corja vermelha. . .
Herculano
02/06/2017 08:09
PIB FOI BOM, ENQUANTO DUROU, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

A REPULSA a Michel Temer e hipocrisias fizeram muito comentarista econômico bater no resultado do PIB do primeiro trimestre, que foi bastante bom enquanto durou, no entanto. Dada a imundície política, não sabemos mais o que virá.

Alguns outros, como se tivessem desembarcado ontem no Brasil, vindos de Andrômeda ou do Planeta Mongo, diziam que é "preciso cautela", ou outro clichê, pois a economia cresceu "apenas" com o impulso de agricultura e exportações (e estoques, aliás).

Poderia ter crescido com base no impulso da venda de pão de queijo para a Mongólia ou da construção de pirâmides, tanto faz. Certamente o impulso não viria agora de consumo privado, gasto do governo ou investimento privado. Era óbvio.

Esta nossa situação é o resultado do desastre Dilma Rousseff combinado à política econômica de Michel Temer e seus amigos de Patópolis, os empresários do Pato Amarelo, inimigos de um plano que contasse com aumento de impostos, por exemplo.

Isto posto, o resultado do primeiro trimestre foi bom, no âmbito do que seria possível esperar com realismo para este 2017.

Ou seja, um crescimento no máximo equivalente ao do aumento da população, 0,8%: estagnação do PIB per capita. Com resultados melhorzinhos ao longo do ano, seria possível esperar uma aceleração em 2018, quem sabe para 3%.

Esta seria uma recuperação baseada apenas na redução da taxa de juros e das dívidas de famílias, empresas e governo (sem imposto, a contenção de deficit e dívida fica mais lerda).

Levaria tempo, pois. A maioria dos economistas, que aceitou o plano, não poderia esperar outra coisa, afora milagres.

"Seria", "levaria": futuro do passado. O tumulto político pode estancar o único impulso macroeconômico maior, taxas de juros em baixa rápida.

Além do mais, um choque de confiança pode reforçar a retranca de consumidores, empresas e bancos ?"até julho, pouco vamos saber disso.

Enfim, ainda bem que a agricultura é capaz. Sim, fazendo estritamente menos de 6% do PIB, não pode carregar a economia nas costas. Mas o aumento da renda agropecuária se disseminava por fabricação de insumos, mesmo máquinas; auxiliou o setor de serviços, como transportes.

A safra ajudou a derrubar a inflação, com o que a massa de rendimentos do trabalho e o consumo das famílias pelo menos pararam de cair, na prática, apesar do desemprego brutal.

A partir daqui, o piparote nos gastos com o dinheirinho do FGTS e a queda de juros poderia manter a economia à tona, embora com água pelo nariz.

O sucesso do plano de estabilização econômica e outros reparos permitiria alguma retomada de consumo e investimento no fim do ano.

Goste-se ou não do plano (há muita crítica razoável), fazia sentido e, até agora, funcionava, em seus limites óbvios. Quais?

O investimento do governo "em obras" vai à míngua, efeito combinado de pindaíba do governo e aversão a imposto novo.

O investimento privado não vem porque há capacidade ociosa e receio; porque o programa de concessões de obras e infraestrutura pública à iniciativa privada não anda.

O desemprego e o medo de demissão contêm o consumo e ajudam a manter bancos na retranca.

Tudo isso era vento contra o crescimento. Caso o choque político perdure, pode virar ventania
Herculano
02/06/2017 08:06
OS LEõES VÃO RUGIR, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo.

Palocci e Mantega inovaram: operavam para Lula, Dilma e o PT dentro da Fazenda

Além do tucano Aécio Neves e de Rocha Loures, assessor de Temer, as duas bolas da vez são Antonio Palocci e Guido Mantega, que agregam grande dose de suspeição sobre os governos do PT. Não bastassem os ex-presidentes da República enrolados e os ex-presidentes e ex-tesoureiros do partido condenados e presos, agora são os ex-ministros da Fazenda (da Fazenda!) que têm muito o que explicar ?" e contar.

Pela delação de Marcelo Odebrecht, Palocci era o único com poderes para definir quando, de quanto e para quem eram os saques na conta "Amigo" que a empreiteira mantinha para Lula. Pela de Joesley Batista, Mantega era o administrador das contas de US$ 150 milhões da JBS para Lula e Dilma Rousseff no exterior. Eram US$ 70 milhões para ele e US$ 80 milhões para ela, ou o contrário? Joesley não lembra. Afinal, o que são "só" US$ 10 milhões?

Os ministros da Fazenda eram ocupadíssimos. Tinham de traçar a política econômica, cuidar dos cofres e contas públicas, definir projetos de lei, emendas constitucionais e medidas provisórias da economia, negociar financiamento de empresas para o PT, achacar os "campeões nacionais" do BNDES e ainda servir de gerentes para as contas dos chefes. Dureza...


Além disso, e de calibrar o fluxo entre o BNDES, empresas aliadas, campanhas e bolsos alheios, cabia aos ministros da Fazenda alimentar o guloso Leão da Receita Federal, que devora nacos importantes da renda de quem produz, vende, compra e trabalha. Mas, tão ocupado com Lula, Dilma, PT e JBS, Mantega se esqueceu de declarar US$ 600 mil.

Se o senhor e a senhora deixarem de declarar uma renda qualquer, ou errarem em R$ 400 o valor de um aluguel, vão ter uma dor de cabeça infernal, mas o domador do Leão pôde se dar ao luxo de esquecer uma bolada dessas. Segundo ele, a origem foi a venda de um imóvel herdado do pai, provavelmente italiano. O dinheiro, porém, não está em bancos da Itália nem do Brasil, mas sim da Suíça, paraíso de recursos duvidosos.

Escândalos com deputados, senadores, prefeitos e governadores já fazem parte do cotidiano no Brasil, mas com ministros da Fazenda?! Soa como se estivessem fazendo negociatas não só com estatais e fundos de pensão, mas com o próprio País, com a economia nacional. Em nome do quê? De uma ideologia, de um projeto de poder? Ou de interesses bem mais comezinhos?

O certo é que Palocci e Mantega sabem das coisas, de muitas coisas do submundo dos governos Lula e Dilma. Sabem, principalmente, como Lula agia e se salvava algum bônus para ele próprio. Daqui e dali, lê-se e ouve-se que Palocci quer entregar o sistema financeiro e duas dezenas de empresas. Tudo bem. E o chefe?

José Dirceu é um quadro político, com uma biografia pujante, e engoliu calado o título de "chefe de quadrilha", o mensalão, o petrolão e a cadeia. Mas Palocci não é Dirceu, e Mantega não chega a ser nem mesmo um Palocci. Palocci vai falar, Mantega está recobrando a memória e ambos vão rugir. O PT acha que já chegou ao fundo do poço, mas a força-tarefa da Lava Jato tem certeza de que não.

Afogados. É constrangedor Aécio forçar reuniões para dar a impressão de que tudo continua como antes e ele ainda manda no PSDB e nas bancadas depois de ser gravado, aos palavrões, pedindo R$ 2 milhões para a JBS.

E o que dizer de Lula, que comanda o PT, define Gleisi Hoffmann para presidir o partido e se prepara para disputar a Presidência da República mesmo depois de virar réu cinco vezes por pedir, não dois, mas muitos milhões para contas, triplex, apartamento, reformas e terreno do seu instituto, além de ajeitar a vida dos filhos? Ninguém se constrange?
Marcelo poffo
02/06/2017 06:40
Bem vou escrever aqui e isso vai custar muito caro pra mim pode ter certeza, vários problemas vem ocorrendo no SAMAE de Gaspar no ano de 2017,motivo pelo qual não posso ficar quieto,nesta quinta feira indignado com a situação do gasparinho e Gaspar grande fui até a sala do nosso engenheiro Ricardo explicar que a situação da falta de água era problema do booster (bomba), falava isso desde segunda feira mas ninguém me dava atenção, só pq trabalhei como diretor na época de Celso Zuchi, so pode ser isso, mas deixa pra depois de muita teimosia concordaram em abriri a bomba, e lá tava o problema, população sofrendo a uma semana,por falta de conhecimento técnico,gastos gerados com servidores e maquinários para encontrar o vazamento, isso é só um dos problemas que o SAMAE passa.
Senhor prefeito o SAMAE é lugar de técnicos e não de cabide de emprego, gente que não entende nada da coisa, isso é só o começo ,se o senhor não tomar providência muitas coisas viram ainda, e o povo pagará o preço,acredito que o senhos ganhou para querer o melhor para a população .
Servidor efetivo a 20 anos no SAMAE ,nunca fomos tão humilhados e isso não é só comigo.
Herculano
02/06/2017 04:43
APOSENTADOS CUSTAM MAIS QUE ATIVOS HÁ 8 ANOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Em meio à discussão da reforma da Previdência, um dado prova o inchaço e a insustentabilidade do modelo atual: desde 2009, fim do governo Lula, a administração direta (Presidência e ministérios) passou a gastar mais com aposentados e pensionistas do que com salários dos servidores da ativa ?" que custaram R$ 234 bilhões, entre 2009 e 2016, contra mais de R$ 252 bilhões com aposentadorias e pensões.

QUESTÃO ARITMÉTICA
Para não quebrar e aplicar calote nos segurados, ameaça que há no Brasil, a previdência precisa ser bancada pela contribuição dos ativos.

EM NÚMEROS
Em 2015, o número de aposentados e pensionistas (395 mil) já era 38,8% maior que os 242 mil servidores da ativa no governo federal.

MADAME ESBANJOU
Nos cinco anos de Dilma, a diferença de custo entre aposentados e servidores ativos foi de R$ 2,87 bilhões ao ano, em média.

SEM COMPARAÇÃO
O rombo da previdência no setor privado brasileiro, que reúne 29 milhões de trabalhadores, já chegou aos R$150 bilhões.

STF QUESTIONA FLÁVIO DINO POR 'APARELHAR' PROCON
O governador Flávio Dino (PCdoB) até tentou, mas a canetada que "aparelhou" o Procon do Maranhão, com a nomeação de 347 pessoas, esbarrou no Supremo Tribunal Federal (STF). Em despacho, o ministro Alexandre de Moraes cobrou explicações do governador pelo descumprimento da lei que criou o órgão e prevê o preenchimento dos cargos por servidores concursados, e não por apadrinhados políticos. A coluna tentou ouvir o governo por e-mail e telefone, mas foi inútil.

MUITOS CACIQUES
Procon do Maranhão tem apenas 76 funcionários, mas são 347 novos chefes, coordenadores e aspones nomeados por Flávio Dino.

FORA APADRINHADOS
A ação no STF pede liminar para exonerar todos os apadrinhados do governador e realização de concurso, como prevê a lei

PRóXIMA ELEIÇÃO
A oposição acusa Dino de usar o Procon-MA para tentar dar visibilidade ao seu candidato à própria sucessão.

DUPLA REVERSÃO
Nos tribunais superiores de Brasília há uma certa expectativa em torno da reversão dos acordos que beneficiaram Joesley e Wesley Batista. Rara unanimidade. A dupla Bilionário e Zé Ricaço não terá vida fácil.

APOSTA NA ABSOLVIÇÃO
Juristas não apostam em condenação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. E esperam julgamento rápido, a depender da leitura do voto sempre caprichado do relator Herman Benjamin.

REDE WILLER
O advogado da JBS Willer Tomaz de Souza, que foi preso, é conhecido no Maranhão como investidor da TV Difusora, afiliada do SBT que pertenceu ao senador Edison Lobão (PMDB-MA).

BOLA PRA FRENTE
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve priorizar nas próximas semanas pautas e projetos de apelo social, segundo aliados do deputado. Parece até estar em franca campanha eleitoral.

óDIO AO LIVRO
No badernaço do dia 24 na Esplanada dos Ministérios, delinquentes destruíram a biblioteca do Ministério da Cultura, mostrando ódio ao que os livros representam. Restam só 11 biblioteca públicas em Brasília.

O ESPETÁCULO NÃO PARA
O ator Stepan Nercessian, que é muito querido entre os colegas, continua presidente da Funarte, apesar da saída de Roberto Freire do ministério da Cultura. A ordem na Cultura é tocar a vida normalmente.

BRONCA DO PAÍS REAL
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anda se queixando do acesso a recursos federais. "O Brasil que funciona está nos estados e nos municípios. O Brasil real está lá. A saúde existe porque estado e município põem dinheiro. A segurança funciona por isso", desabafa.

EXEMPLO RARO
Antônio Reguffe (DF) é o senador que custa menos ao contribuinte. Ele reduziu despesas do seu gabinete em mais de R$ 17 milhões por ano, reduzindo as verbas e o número de assessores de 55 para 12.

PERGUNTA NO STF
Se resolver fazer acordo de colaboração, o procurador preso por espionar para Joesley Batista vai negociar com quem?
Herculano
02/06/2017 04:32
NUNCA HOUVE NEM HAVERÁ CRIMINOSOS COMO OS IRMÃOS JOESLEY E WESLEY, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Nunca houve nem haverá criminosos como os irmãos Joesley e Wesley Batista, os controladores da J&F. Escrevi em meu blog que eles não se fizeram poderosos vendendo boi, frango ou porco. Sua principal mercadoria é gente! Eles se tornaram multibilionários traficando a carne barata dos brasileiros "pobres de tão pretos e pretos de tão pobres", como já cantaram Gilberto Gil e Caetano Veloso, que agora virou animador de comícios golpistas.

O Ministério Público tentou bater bumbo para a maior delação da história, acostumada que está a fazer salivar o rancor dos broncos: R$ 8 bilhões em grana e R$ 2,3 bilhões em projetos sociais. Tudo isso ao longo de 25 anos. Ficou emocionado? Que bom!

Antes da patuscada criminosa que colheu o presidente Michel Temer, vítima da delinquência de Joesley, da conivência com ilegalidades de Rodrigo Janot e Edson Fachin e da condescendência de Cármen Lúcia, dava-se como certo que a taxa Selic teria uma redução 1,25 ponto percentual. O Copom resolveu ser prudente, dado o cenário: apenas 1 ponto. E sinaliza que é hora de prudência.

Sabem quanto esse 0,25 ponto de juro representa para os cofres públicos em 12 meses? R$ 6,5 bilhões! Em um ano, não em 25! O PIB de 2016 foi de R$ 6,266 trilhões. A cada 0,1% a menos que a economia vier a crescer em razão da arquitetura golpista, isso custará aos pobres de tão pretos e pretos de tão pobres R$ 6,266 bilhões.

E os senhores procuradores esperam que as pessoas saiam soltando foguetório? Calma! Conforme apontou esta Folha, a correção da multa se fará pelo IPCA apenas, que está em 4,08% no acumulado de 12 meses. A taxa de retorno da JBS chega a 12,34%. Marcos Piellusch, professor de finanças, sacou a calculadora e descobriu que, para pagar a dita-cuja, bastaria aos irmãos Batista investir hoje R$ 5,3 bilhões no próprio negócio.

A carnificina promovida pela Operação Lava Jato não se limita ao Estado de Direito e à política. Ela também é de natureza moral. Aquela delação premiada indecorosa tem de ser revista.

"Ah, então não se deve promover investigação nenhuma para não prejudicar a economia?" Ora, essa seria a conclusão do néscio. Que se investigue, sim! Mas para punir os culpados, não para lhes garantir impunidade e vida boa, enquanto o país vai à breca. É um escândalo e um acinte que a Lava Jato resolva, porque ancorada no clamor público, aplicar as próprias leis.

E tenho, claro!, de encerrar esta coluna com uma nota quase pessoal. Tentaram me fazer pagar caro, como sabem, por apontar os desmandos e descaminhos da operação.

A extrema-direita que ronca e fuça nunca suportou as minhas críticas às mamatas concedidas a delatores. A esquerda estúpida inventou a falácia, que o histórico desta coluna desmente, de que só me insurgi contra os atos atrabiliários quando estes alcançaram os tucanos.

O PT contribuiu, sim, em 2006, para fechar minha revista. Mas nunca conseguiu me tomar um emprego. A Lava Jato levou dois dos quatro que eu tinha num único dia. O estoque foi reposto no seguinte. Sou filho da classe operária que considerava o trabalho um dever moral. "A vergonha é a herança maior que meu pai me deixou."

Erraram, mais uma vez, os que apostaram que eu teria de depender da boa vontade de estranhos.
Herculano
02/06/2017 04:23
PT AGE COMO BÊBADO SEM RUMO EM NOITE ESCURA, por Josias de Souza

O 6º Congresso Nacional do PT, que começou nesta quinta-feira e vai até sábado, tem como principal objetivo renovar o partido, a fim de prepará-lo para os futuros embates. Na renovação do PT, o novo tem uma cara meio antiga. O partido elegerá como sua presidente uma senadora investigada no Supremo Tribunal Federal: Gleisi Hoffmann, ex-ministra de Dilma Rousseff. De resto, o PT venderá a ideia de que a felicidade do Brasil depende da volta de Lula ao poder. O partido defenderá Lula atacando a Lava Jato.

Num instante em que os petistas clamam por diretas já, o Congresso Nacional do PT alçará Gleisi Hoffmann ao comando da legenda em eleições indiretas. O PT desistiu de realizar o seu PED, Processo de Eleição Direta. Além de perder a coerência, os petistas perderam o nexo.

Em entrevista ao repórter Leandro Prazeres, Rui Falcão, que se despede do comando do PT, disse que a legenda lutará para impedir que Lula seja "interditado". Afirmou: seria "antidemocrático proibir, por meio de uma condenação, que Lula seja candidato" à Presidência.

Réu em cinco ações penais, Lula está sendo julgado. É bastante provável que enfrente sua primeira condenação nas próximas semanas. Não são negligenciáveis as chances de que Lula se torne um ficha-suja. No discurso renovado do PT, cumprir a lei virou algo "antidemocrático." O partido deve sair do seu Congresso com a aparência de um bêbado sem rumo numa noite escura.
Herculano
02/06/2017 04:19
LULA CHAMA JOESLEY DE "CANALHA" E DIZ QUE PT PRECISA DISCURSAR PARA FORA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Marina Dias, Cátia Seabra e Angela Boldrini, da sucursal de Brasília. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu em cinco ações penais, chamou de "canalha" o empresário Joesley Batista, da J&F, que, em delação premiada, disse que pagou propina no valor de US$ 150 milhões para Lula e Dilma Rousseff por meio de contas no exterior. A fala aconteceu na abertura do 6º Congresso Nacional do PT, em Brasília.

"Um canalha de um empresário diz que fez uma conta no exterior pra mim e pra Dilma, mas a conta está no nome dele e ele que mexe na grana [plateia ri]. Tá na hora de parar de palhaçada, que o país não aguenta mais viver nessa situação, nesse achincalhamento", completou o ex-presidente.

Ele repetiu ainda que "já provou" sua inocência e agora quer que "eles provem minha culpa". "Eu não quero que vocês se preocupem com o meu problema pessoal, esse eu quero decidir com o representante do Ministério Público da Lava Jato".

O ex-presidente também criticou o discurso do PT, geralmente focado na própria militância, e disse que o partido deve se reconectar à esquerda, radicalizando posições, se quiser voltar a governar o país a partir de 2018.

Lula admitiu que os últimos seis anos foram "os mais difíceis da história do PT" e pediu que os dirigentes da sigla parem de falar para eles mesmos e discursem para fora, para que a legenda "volte a despertar esperança".

"Não falem para vocês mesmos, falem para os milhões e milhões de brasileiros que não estão aqui e que precisam que o PT tome as decisões certas para voltar a despertar esperança", declarou diante de centenas de dirigentes petistas.

"2018 está longe para quem não tem esperança, mas, para nós, 2018 é logo aí, já começou e não estamos com medo. Vamos voltar a governar esse país a partir de 2018", completou o ex-presidente.

Até sábado (3), dirigentes do PT elegerão o novo presidente da sigla ?"que deve ser a senadora Gleisi Hoffmann (PR)?" e discutirão as diretrizes do partido diante da crise que assola o país e o governo do presidente Michel Temer.

Lula disse que a legenda não pode "perder tempo" avaliando os governo Lula e Dilma, mas fazer um discurso "exequível". Disse ainda que é preciso "transformar o nosso discurso" e "radicalizar o que puder em defesa da liberdade". "Senão, a gente precisa fazer aliança com outros partidos, e não se faz aliança com quem perde, se faz com quem ganha", disse.

DILMA

Em seu discurso, a ex-presidente Dilma Rousseff defendeu as eleições diretas para substituir o presidente Michel Temer, sendo Lula o seu candidato, e disse que o país é "ingovernável" sem reforma política e a democratização dos meios de comunicação. Ela disse que, quando se rompe a Constituição, como no seu processo de impeachment, "tudo é possível".

"Perder eleição não é vergonha, vergonha é tentar ganhar no 'tapetão', sem voto", afirmou Dilma.

Segundo ela, as acusações que apareceram contra Temer eram de conhecimento de "todas as instituições de investigação" e que parte do Judiciário e do Ministério Público usa a lei para "guerra".

"E é isso que nós estamos vendo: o Executivo briga com o Ministério Público, o Ministério Público, com Judiciário e o Judiciário, com Legislativo", disse. "E cria-se um esfacelamento institucional, um esgarçamento dos direitos.
Herculano
01/06/2017 20:19
PROCURADORIA PEDE A FACHIN A PRISÃO DE ROCHA LOURES, EX-ASSESSOR DE TEMER

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Letícia Casado, da sucursal de Brasília. A Procuradoria-Geral da República fez nesta quinta-feira (1º) ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), um novo pedido de prisão de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que perdeu o cargo de deputado federal após o retorno de Osmar Serraglio, exonerado do Ministério da Justiça, à Câmara.

Loures é investigado no STF em inquérito com o presidente Michel Temer, de quem era assessor especial, no âmbito da delação da JBS. Ele é apontado nas investigações como o responsável por receber uma mala com R$ 500 mil da empresa em forma de propina.

Um primeiro pedido de prisão havia sido feito anterioramente, mas foi negado pelo relator da Lava Jato, Edson Fachin, sob a alegação de que Loures era deputado (no caso, é necessário que a prisão seja em flagrante). Loures é suplente da bancada do PMDB na Câmara.

Com a perda do foro privilegiado no Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reiterou o pedido sob a alegação de que não há mais motivos para ele não ser detido.

Nos bastidores, há uma expectativa de que Loures possa negociar um acordo de delação premiada, algo que preocupa o Palácio do Planalto.

Seu advogado, Cezar Roberto Bitencourt, não descarta possibilidade, mas tem dito que estuda outras alternativas, como pedir a anulação da delação da JBS. "Delação está afastada, a priori. Nada se afasta em definitivo, mas em princípio, sim. Não tem sentido começar uma defesa pensando em colaboração", afirmou na segunda-feira (29).

Joesley Batista, sócio da JBS e delator, gravou quatro conversas - duas com Rocha Loures, uma com o presidente Temer e outra com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) - e apresentou o material à PGR a fim de negociar delação.

Depois da gravação, Rocha Loures foi alvo de ação controlada da Polícia Federal e filmado recebendo uma mala de dinheiro com R$ 500 mil. O deputado afastado devolveu os recursos às autoridades na semana passada.

Para Bitencourt, o material produzido na ação da PF é questionável porque foi gerado a partir de um ato ilícito, a gravação secreta: "É uma prova derivada, fruto da árvore envenenada. O resto é ilegal também"
Herculano
01/06/2017 20:16
ESPERTO DEMAIS. JUSTIÇA BLOQUEIA R$ 800 MILHÕES DE JOESLEY POR JOGADA COM D?"LARES. JOESLEY É SUSPEITO DE USAR DELAÇÃO PARA ESPECULAR COM D?"LARES

A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 800 milhões das contas de Joesley Batista, dono da empresa JBS, em julgamento preliminar de ação que o acusa de usar informação privilegiada para comprar cerca de US$ 1 bilhão às vésperas da divulgação da gravação com o presidente Michel Temer. A decisão é do juiz federal Tiago Bitencourt De David, da 5ª Vara Cível em São Paulo, em uma ação popular.
"Dado o protagonismo aparente do demandado Joesley Mendonça Batista e de sua saída do país, a medida cautelar é contra o mesmo dirigida neste momento inicial, ressalvada a hipótese de fato superveniente que imponha reconsideração e modificação da medida, inclusive para alcançar outros demandados na hipótese de insuficiência patrimonial", afirmou o magistrado.

De acordo com os autores da ação, Joesley e seu irmão Wesley Batista, bem como os diretores da JBS S.A. e da J&F teriam praticado o crime de insider trading ao utilizarem informação privilegiada para comprar cerca de US$ 1 bilhão às vésperas da divulgação da gravação do diálogo entre Joesley e o presidente.

Além disso, acusam os irmãos Batista de venderem o equivalente a R$ 327,4 milhões em ações da JBS no mês de abril, época em que já colaboravam com as investigações que culminaram com a Operação Patmos ?" que mira Temer, seu ex-assessor Rocha Loures e o senador Aécio Neves (PSDB/MG).

Os autores da ação popular sustentam que a empresa obteve um acréscimo superior a 4000% em seu faturamento graças a créditos concedidos pelo BNDES.
Herculano
01/06/2017 20:10
O QUE LEVA UM JORNAL A PUBLICAR UM TEXTO DE JOSÉ DIRCEU?, por Rodrigo Constantino, do Instituto Liberal.

Vou confessar ao leitor uma coisa: muitas vezes vejo meu papel como o de "media watch", ou seja, de um vigia da imprensa, para apontar seu viés ideológico, sua quase hegemonia de esquerda. Adoraria usar esse espaço apenas para o debate de ideias, num nível mais elevado. Mas a imprensa não permite isso. Logo após a leitura dos principais jornais, sinto-me na obrigação de apontar as principais falhas, os maiores absurdos.

E hoje [quinta-feira], sem dúvida, um artigo de opinião publicado na Folha de SP é o caso mais bizarro de todos. É assinado por ninguém menos do que José Dirceu, aquele do mensalão, do petrolão, da Lava Jato [ele pode ser lido na íntegra na área de comentários de Olhando a Maré, desta de ontem, quinta]. Quão constrangedor deveria ser para um jornal colocar nos créditos essa descrição: "foi deputado estadual e federal pelo PT e ministro da Casa Civil (governo Lula). Foi condenado em primeira instância na Lava Jato a 32 anos de prisão"?

Há um limite - ou deveria haver - para o que se entende por "pluralidade". Todos sabemos que a Folha pretende ser mesmo um grande saco de gato, abrigar de tudo ali dentro, apesar de ter claramente mais jornalistas de esquerda. Mas Guilherme Boulos, líder do criminoso MTST? José Dirceu? Por que não chamar também nazistas assumidos, saudosistas da KKK ou o Fernandinho Beira-Mar?

Acha que exagero? Ora, mas se é em nome da pluralidade, por que barrar essa turma? Talvez porque sejam extremistas e criminosos? Mas alguém por acaso vai afirmar, sem rir, que o PT não é extremista, que Dirceu não é um criminoso? Em seu texto, ele defende, com eufemismos, uma revolução socialista "democrática". Qual? Sabemos a resposta: o modelo existente na Venezuela, que ele defende, que seu PT apoia!

Chamem logo terroristas islâmicos para ampliar a "pluralidade" do jornal, editores! Eis o que diz Dirceu, na maior cara de pau:

Não há espaço para conciliação. É necessário, para o bem-estar social do país, dar fim à armadilha de uma falsa harmonia nacional e um ludibrioso salvacionismo contra a corrupção.

O horizonte das forças populares e de esquerda deve ir além das próximas eleições presidenciais, agora ou no próximo ano. Podemos até vencer, mas sem ilusões: sob quaisquer circunstâncias, nosso norte é o avanço no rumo de uma revolução política e social, democrática.

A meta é lutar, resistir e preparar um governo de amplas reformas. Sob a proteção de um novo pacto constitucional, originário das urnas, se a casa-grande voltar ao leito da democracia. Pela força rebelde das ruas, se nossas elites continuarem de costas para a nação.

Precisa explicar? Preciso mesmo apertar a tecla SAP? Tomar pelas ruas o poder, fazer uma revolução comunista, enfrentar o "salvacionismo" contra a corrupção, ou seja, declarar guerra a Sergio Moro, às instituições, à própria democracia representativa, e em seu lugar colocar uma ditadura do "proletário", que finge falar em nome do povo, mas obedece a uma cúpula poderosa, liderada pelo próprio Dirceu.

Exatamente aquilo que o PT tentou fazer no Brasil, mas não conseguiu. O propósito final do mensalão, do petrolão, da censura à imprensa, da compra de blogs sujos com dinheiro público, do aparelhamento do estado, do STF etc. Dirceu quer continuar o serviço inacabado, e conta com o espaço do maior jornal do país em tiragem para lhe dar voz. Tudo em nome da "pluralidade", claro!

Leandro Ruschel comentou sobre esse absurdo: "José Dirceu, o grande bandido petista, ao invés de estar recolhido à cadeia, escreve artigo na Folha de São Paulo defendendo a transformação do Brasil numa Venezuela. Tudo graças a Gilmar Mendes e outros integrantes do STF que estão lá para proteger a quadrilha".

Guilherme Macalossi também desabafou com ironia: "A Folha de SP é um colosso. Já teve no seu quadro de colaboradores o miliciano Guilherme Boulos, que faz de sua profissão a bandalha urbana e a depredação contumaz de patrimônio público e privado. Agora publica um artigo de José Dirceu, aquele que foi condenado a 31 anos de prisão pela Lava Jato. É o banditismo com ponto de vista político. O próximo passo é o jornal ceder um espaço na sessão de esportes para uma coluna do goleiro Bruno".

O que leva um jornal desses a um ato abjeto como esse? Será que o "consultor" pagou uma bolada para ter esse espaço? Ou será que os proprietários acreditam mesmo que abrem esse espaço para um declarado inimigo da democracia brasileira em nome da liberdade de expressão? Duvido, pois se fosse o caso, o jornal também teria figuras asquerosas e bandidos ligados ao que se denomina direita, e isso não ocorre.

À direita só temos pensadores sérios, gente como Pondé ou Coutinho, e ponto. Nada radical, nada extremista, nada criminoso. O duplo padrão entrega o viés ideológico. Uma sociedade que tem como maior jornal em circulação a Folha é uma sociedade carente de alternativas à "fake news". Uma sociedade que tem "colunistas" como Dirceu escrevendo para fomentar sua revolução, mesmo depois de tudo que aconteceu, é uma sociedade muito doente.
Herculano
01/06/2017 20:03
TTEMER REVIVE SARNEY, por José Roberto Toledo, no jornal O Estado de S. Paulo

Ter vice é mais arriscado que ser vice. Desde a redemocratização, outros três presidentes chegaram ao nível de impopularidade de Michel Temer. Fernando Collor e Dilma Rousseff caíram. Ambos eram titulares e foram substituídos por seus vices - Itamar Franco e o próprio Temer. O único que não caiu, José Sarney, não tinha vice. Como Temer, era um ex-vice. Sangrou meses, mas segurou-se até o fim, à custa de uma hiperinflação. Coincidência? Provavelmente não. O vice lubrifica a queda.

Ele nem sequer precisa participar diretamente da derrubada, embora alguns não resistam e se tornem ativos no processo. Quando há um substituto automático para o presidente impopular, o "quem" deixa de ser o foco do debate. O sucessor é o vice e ponto. Outros políticos não lançam suas próprias candidaturas nem a de aliados para ocupar o lugar que pretendem tornar vago.

Havendo vice, o conflito fica mais restrito, e isso facilita a construção de um consenso ou de maioria em torno de seu nome. Sem vice, todos sonham em vestir a faixa e sentar na cadeira. Basta ver o que está acontecendo em Brasília nesses dias.

Toda a discussão sobre a permanência ou não de Temer no palácio gira menos em torno dos motivos do que dos meios para apeá-lo do poder e, principalmente, de quem seria o sucessor. Que há razões suficientes para abreviar-lhe o mandato, poucos discordam. Mas se isso é prático, viável e, especialmente, se há um nome óbvio para substituí-lo, tem sido impossível de chegar a acordo.

Pela lei, seria o presidente da Câmara dos Deputados. Mas apenas por pouco tempo. Ele teria que convocar eleições, e aí começa toda a confusão. Nada é líquido e certo: não existe unanimidade sobre quem vota (congressistas ou população), como vota (se senadores e deputados juntos, o que favorece os últimos, ou separados, o que dá enorme poder aos primeiros) e quando vota.

Em política, sempre que houver brecha para uma disputa de poder, haverá disputa. Ela torna-se o único conforto para quem está caindo. O conflito entre os adversários e potenciais ex-aliados vira o salva-vidas do governante ?" que faz tudo para fomentá-lo.

Por isso, nada mais útil para Temer do que os debates sobre sua substituição. Se pela via direta ou indireta, se o presidente-tampão deve ser Rodrigo Maia (DEM) ou Tasso Jereissati (PSDB), se Nelson Jobim (ex-tudo) ou Cármen Lúcia (STF). Enquanto os aspirantes ao poder se engalfinham publicamente ou nos bastidores, o presidente em queda ganha tempo para articular.

Não é coincidência que uma dessas articulações tenha sido justamente com Sarney. No sábado, o ex-vice tornado presidente visitou o colega no Palácio do Jaburu (a casa dos vices, aliás). Fora os dois, ninguém tem certeza do que falaram naquelas duas horas, mas o efeito é conhecido: Temer foi depois aos tucanos repetir que não renunciará. Como escreveu a repórter Cristiane Jungblut, aos 87 anos, Sarney tornou-se um oráculo da crise. A quem se recorre mais pela experiência do que pela sabedoria.

A sarneyzação de Temer tornou-se, assim, literal. O presidente tenta repetir a trajetória do antecessor com o mesmo argumento: o custo da saída é maior que o da permanência ?" o processo de substituição é demorado, desgastante e não há garantia de que o sucessor, especialmente se eleito pelo Congresso, venha a ter mais legitimidade e reconhecimento social do que Temer. É uma argumentação tão poderosa que passa até por verdadeira.

Mantido no poder por cinco anos graças ao é-dando-que-se-recebe e ao apoio empresarial, Sarney iniciou uma crise econômica que ultrapassou o seu mandato. Foi seu legado. Temer imita-o.
Herculano
01/06/2017 19:57
TEMER VIROU UMA AMEAÇA AO SUCESSO DE TEMER, por Josias de Souza

O Brasil saiu da recessão. Esta é a boa nova que partilho hoje com os brasileiros. Estamos crescendo e logo a boa notícia será o emprego

Em meio a um cenário de degradação moral, o IBGE pendurou nas manchetes uma boa notícia econômica: o PIB cresceu 1% no primeiro trimestre, em comparação com o quarto trimestre de 2016. Foi o primeiro dado benfazejo depois de dois anos de resultados negativos. Michel Temer apressou-se em levar os lábios ao trombone: "O Brasil saiu da recessão." O presidente levou à internet um vídeo festivo (assista acima).

Num país em que os desempregados são contados em 14,3 milhões, a notícia do IBGE representa, de fato, uma lufada de ar. Mas Temer talvez devesse moderar a queima de fogos. A própria gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, declarou que é cedo para celebrar o fim da recessão: ''É preciso esperar para ver um pouco o que vai acontecer neste ano. A gente teve crescimento no trimestre, mas foi sobre uma base muito deprimida. E, se olharmos no longo prazo, ainda estamos no mesmo nível de 2010.''

Na véspera, o Banco Central anunciara um novo corte de um ponto percentual na taxa básica de de juros. O relatório que expôs a novidade alertou para a "incerteza" em relação ao que está por vir. O texto referia-se claramente à crise política que submete o país ao risco de queda de um presidente da República cuja antecessora foi deposta há menos de dez meses. Na visão do BC, a conjuntura põe em dúvida a aprovação de reformas como a da Previdência ?"algo que pode envenenar o ambiente econômico e comprometer uma redução dos juros com a rapidez imaginada.

Temer tornou-se uma espécie de personificação do paradoxo. Investigado no Supremo Tribunal Federal sob a suspeita de ter cometido os crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e formação de organização criminosa, o presidente é, no momento, a principal ameaça à recuperação econômica que atribui a si mesmo: é o "resultado das medidas que estamos tomando", afirmou, sem levar em conta as providências que deixou de tomar para evitar que o melado escorresse para dentro dos palácios do Planalto e do Jaburu.
Herculano
01/06/2017 19:55
TEMER FICARÁ NO MÁXIMO MAIS QUATRO MESES NO CARGO, PREVEEM LÍDERES DO CONGRESSO

Conteúdo do Congresso em Foco. Texto de Sylvio Costa. Se a elite do Parlamento estiver certa em suas previsões, Michel Temer será afastado da Presidência da República em no máximo quatro meses. É o que pensam 62% dos principais líderes da Câmara e do Senado, conforme apurou a segunda rodada de pesquisa do Painel do Poder.

Produto criado pelo Congresso em Foco para monitorar de forma sistemática e com fundamentação científica as percepções e os humores daqueles que mandam no Congresso Nacional, o Painel do Poder é composto por 82 deputados federais e 26 senadores.

Tais congressistas foram escolhidos pelo papel relevante que ocupam no Legislativo. Entre eles, há líderes partidários, membros das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, presidentes de comissões e influenciadores das principais bancadas temáticas, como os defensores dos interesses dos produtores rurais, dos direitos humanos, os sindicalistas e evangélicos.

Neste segundo levantamento, realizado na semana passada (entre os dias 23 e 25), também ficou em 62% o total de entrevistados para os quais Temer encerrará o ano como ex-presidente. Veja os resultados:

Perguntados sobre qual seria o cenário mais provável, na hipótese de afastamento do presidente, 60% responderam que Temer deve deixar o governo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa encabeçada por Dilma Rousseff na disputa presidencial de 2014, da qual ele foi vice. Somente 2% veem chances de ele sofrer um processo de impeachment no Congresso.

Em caso de vacância da Presidência da República, acreditam 67% dos líderes, haverá eleição indireta. Para 29%, o sucessor de Temer, se ele for afastado do Palácio do Planalto, será definido em pleito direto. Os demais deixaram sem resposta esta questão.

Questionados sobre o tempo em que o atual presidente se manterá no cargo, 62% disseram que não passará de quatro meses e 69%, que tal período seria inferior a oito meses.

Também piorou a avaliação do governo federal entre os principais líderes do Congresso. Numa escala que varia entre 100 graus negativos e 100 graus positivos, a "temperatura" do Executivo ficou em 22,9.

Na pesquisa feita em março, ela havia ficado em 28,9, patamar já distante da nota positiva máxima (+ 100). As mudanças ocorreram depois de vazar gravação de conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente, na qual o chefe do Executivo demonstra aprovar o relato do seu interlocutor sobre o suborno de autoridades e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso em Curitiba.

Dos parlamentares ouvidos, 69% pertencem a partidos da base governista. Em termos de regiões geográficas, 36% deles representam estados do Sudeste, 29% são do Nordeste, 19% do Sul, 10% do Centro-Oeste e 6% do Norte.

Desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), o Painel do Poder tem caráter inédito tanto pela concepção metodológica quanto pela variedade de aplicações que permite.

Estão entre elas a aferição das tendências predominantes nas duas casas legislativas quanto ao relacionamento com o governo federal, a avaliação de políticas públicas e de temas específicos da pauta parlamentar e a influência de grupos organizados no Congresso Nacional. O Painel do Poder permite ainda atender a demandas específicas de organizações que precisam ter maior clareza quanto a questões em debate no Legislativo que podem impactar seus interesses ou negócios.
Herculano
01/06/2017 19:44
'FOLHA' FAZ 'MEA CULPA' SOBRE ÁUDIO E ATRIBUI À PGR 'INTERPRETAÇÃO' PARA INCRIMINAR TEMER. ADMITE QUE AVALIZOU ACUSAÇÃO A TEMER SEM OUVIR O ÁUDIO

O jornal Folha de S. Paulo publicou importante correção, admitindo que errou ao noticiar como fato apenas uma interpretação da Procuradoria Geral da República, segundo a qual o presidente Michel Temer fora gravado pelo empresário Joesley Batista dando aval à "compra do silêncio" do ex-deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara.

"A tese de aval para a compra de silêncio é uma interpretação da Procuradoria Geral da República, usada para pedir a abertura de inquérito contra Temer", afirma a Folha, revelando, afinal, quem esteve por trás da informação que dava como certo o que o áudio não confirma, ou seja, o aval do presidente à "compra do silêncio" do ex-deputado. O jornal não aponta diretamente a PGR como fonte da informação primária, que tentou incriminar o presidente.

O jornal lembra que após o exame do áudio, divulgado no dia seguinte, 18 de maio, publicou matéria afirmando que o áudio era "inconclusivo".

A publicação da matéria "Folha errou em reportagem sobre áudio de Temer" é fato histórico, ainda que o jornal tenha por hábito publicar correções de seu conteúdo quando constata equívocos. Desta vez, revelou-se algo fundamental: a Folha informa que não teve acesso ao áudio antes da publicação da matéria, tanto o colunista Lauro Jardim, de O Globo, ainda que tenha informado na ocasião, na quarta-feira 17 de maio, que havia confirmado a informação.

Após a divulgação do áudio, a própria Folha contratou um perito para analisá-lo, e este identificou ao menos 50 edições
Herculano
01/06/2017 19:38
TEMER TEM MAIORIA NO TSE.

Conteúdo de O Antagonista. O Antagonista soube que Michel Temer já conseguiu arrebanhar 4 votos no TSE.

Se o Brasil espera que ele seja cassado por causa dos crimes cometidos durante a campanha de 2014, é melhor mudar de estratégia

AS PROVAS DOS 173 MILHÕES DE REAIS DO OPERADOR DE TEMER

A JBS repassou 173 milhões de reais para Lucio Funaro.

Joesley Batista explicou os pagamentos:
"O Lucio Funaro é o operador financeiro do Eduardo do esquema PMDB da Câmara. O esquema PMDB da Câmara é composto pelo presidente Michel (Temer), Eduardo, enfim, e alguns outros membros".

Ele apresentou à PGR um contrato fajuto da empresa de fachada de Lucio Funaro
Herculano
01/06/2017 19:33
Só HÁ VILõES NO FAROESTE A CAMINHO DO FINAL FELIZMENTE INFELIZ, por Augusto Nunes, de Veja.

Na próxima semana, o Tribunal Superior Eleitoral começará a encenar o desfecho da ação movida pelo PSDB contra a chapa formada em 2014 por Dilma Rousseff e Michel Temer - um faroeste à brasileira escrito, produzido, dirigido e protagonizado exclusivamente por vilões. Não há mocinhos nesse filme que começou logo depois da última eleição presidencial, quando o senador Aécio Neves teve a ideia de pedir a cassação da dobradinha vitoriosa, e se aproxima do final felizmente infeliz. Todos os protagonistas sairão perdendo. O país que presta será o vencedor.

Aécio recorreu à Justiça não por sentir-se vítima de práticas ilegais, nem por acreditar que o resultado fora fraudado: como revelou na conversa gravada por Joesley Batista, queria apenas encher o saco daquela gente que não parava de sacaneá-lo. A molecagem que deu no que deu. Neste começo de junho, Aécio está com o mandato de senador suspenso, corre o risco de ser alojado na gaiola e condenou-se à morte política. Descansará num jazigo semelhante ao que abriga Dilma Rousseff, despejada do Planalto pelo impeachment.

Os adversários que duelaram há dois anos e meio logo terão a companhia de Michel Temer. Antes das delações da Odebrecht e da JBS, o presidente hoje agonizante argumentava que não fazia sentido ser castigado pelo que fizera a parceira de chapa. Depois dos espantos deste outono inverossímil, está claro que o prontuário do vice só não superou em quantidade e qualidade a notável folha corrida de Dilma e a imbatível capivara de Lula. Este sim fez o diabo para desfrutar do poder durante 13 anos, cinco dos quais fazendo de conta que o país era governado pelo poste que fabricou.

Temer teima em prorrogar o prazo de validade de um governo que acabou. Todos os brasileiros sabem que trava uma batalha perdida ?"? com exceção dos bebês de colo, das tribos isoladas na selva amazônica, dos doidos de hospício, da família Temer e, claro, do ministro Gilmar Mendes. O Brasil nunca foi para amadores. Começa a tornar-se indecifrável para profissionais.
Herculano
01/06/2017 18:57
JANOT, OS MEIOS E OS FINS, por Demétrio Magnoli, geógrafo ou sociólogo, para o jornal O Globo.

O PGR não tem o direito de atropelar as regras legais de uma investigação em nome de um 'bem maior' de natureza política. Mas, aparentemente, foi o que fez.

Os fins justificam os meios, segundo Rodrigo Janot. Em artigo publicado no UOL, o procurador-geral da República sustenta que seu acordo de delação premiada com Joesley e Wesley Batista, um salvo-conduto judicial absoluto, serve aos "interesses do país". Ele critica os críticos do acordo, que teriam "deturpado" o "foco do debate". O "ponto secundário" seriam "os benefícios concedidos aos colaboradores". A "questão central", porém, seria "o estado de putrefação de nosso sistema de representação política". Ficamos sabendo, então, que o PGR mobiliza meios jurídicos (o acordo de delação) para alcançar fins políticos (expor a ruína do sistema de representação). É uma confissão espontânea de desvio de finalidade e abuso de autoridade.

De fato, nosso sistema político é um material em estado de decomposição. Mas essa é uma interpretação do analista político ?" ou seja, de alguém que não detém as prerrogativas oficiais de investigar e demandar punições. Janot, o PGR, não tem o direito de agir segundo a bússola de uma análise política. E, contudo, a política condicionou cada passo da operação que culminou com a oferta das denúncias contra Michel Temer e Aécio Neves ao STF.

No artigo, Janot oferece, como justificativa para o acordo com os Batista, a sua "certeza de que o sistema de justiça criminal jamais chegaria a todos esses fatos pelos caminhos convencionais de investigação". Se plausível, a alegação equivaleria a um atestado de incompetência da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP). Mas ela não passa de um álibi montado pelo PGR para ocultar suas motivações. A PF e o MP evidenciaram sua competência no caso da Odebrecht: a delação da quadrilha só veio após um ano de cínicas declarações de inocência, forçada pelo peso de provas colhidas através dos "caminhos convencionais de investigação". Agora, depois de tudo, Janot pretende convencer-nos de que a punição dos corruptos depende, exclusivamente, da iniciativa de criminosos em busca de perdão judicial?

São muitas as indagações sobre os "caminhos de investigação" adotados pelo PGR no caso da JBS:

1) Será verdadeira a narrativa oficial de que os Batista só encetaram tratativas com o MP depois de obtida a gravação da conversa com Temer?;

2) Nessa narrativa, como se encaixa a notícia de que um procurador e um policial federal ministraram "aulas de delação premiada" ao advogado de Joesley antes da célebre gravação?;

3) Por que o áudio do cândido diálogo não foi submetido a perícia policial antes da oferta de denúncia ao STF?;

4) Quem vazou à imprensa uma síntese do áudio que estava de posse do PGR e não fora enviado para perícia à PF?;

5) Por que essa síntese estabelecia uma cumplicidade explícita, que é apenas intuída do próprio áudio, de Temer com o suposto pagamento de uma "taxa de silêncio" a Eduardo Cunha?

A definição dos "interesses do país" só é unívoca em regimes totalitários. Lula pensa que o interesse supremo é tê-lo como presidente. Sindicalistas acham que é perpetuar o imposto sindical. Muitos empresários acreditam que é conservar a torrente de financiamentos subsidiados do BNDES. Mas as autoridades são obrigadas a descrevê-lo de acordo com suas competências constitucionais. O PGR não tem o direito de atropelar as regras legais de uma investigação em nome de um "bem maior" de natureza política. Mas, aparentemente, foi o que fez Janot, associando-se com os Batista para "pegar" Temer e Aécio.

Línguas ferinas insinuam que, na visão do PGR, os "interesses do país" envolvem o bloqueio de uma reforma previdenciária capaz de suprimir privilégios de sua corporação. Uma tese mais benevolente reza que o PGR operou por meios heterodoxos para preservar a Lava-Jato, seu "bem maior", desvendando uma conspiração armada no núcleo do poder por Temer e Aécio. Mesmo nessa segunda hipótese, o fim não justifica os meios.

A Lava-Jato ganhou a admiração da maioria dos cidadãos porque, ao contrário de tantas investigações anteriores, segue os meios legais para assegurar sua própria eficácia judicial. Os jovens procuradores empregam, amiúde, retórica missionária ?"mas são contidos por Sergio Moro. Moro excede-se, às vezes ?" mas é contido nas instâncias superiores. O ponto fora da curva é a operação Janot-JBS, deflagrada por um acordo espúrio que fere a credibilidade pública da Lava-Jato.

Roberto Barroso, ministro do STF, comprou a justificativa de Janot para arguir a irreversibilidade do acordo com os Batista ?" e, nesse passo, defender a homologação apressada de seu colega Edson Fachin. O argumento é que uma revisão desmoralizaria o instituto da delação premiada, afugentando potenciais delatores. Contudo, de fato, as concessões escandalosas a Joesley e Wesley só servem para inflacionar a expectativa de impunidade de bandidos de alto coturno, indicando-lhes que o crime compensa.

A lei de delação proíbe a oferta de imunidade judicial completa aos chefes de organização criminosa, como os Batista. O STF tem o dever de cumpri-la, ignorando a cisão janotiana entre meios e fins.
Herculano
01/06/2017 18:53
PT PREGA DIRETAS, MAS ELEGE GLEISI INDIRETAMENTE, por Josias de Souza.

Começa nesta quinta-feira, em Brasília, o 6º Congresso Nacional do PT. Lula será, como de hábito, a estrela. Dilma Rousseff, eternal coadjuvante, fará uma participação especial no papel de vítima. Até sábado, dia do encerramento do encontro, o petismo baterá bumbo pela convocação imediata de eleições presidenciais diretas. No final do Congresso, o partido elegerá a senadora paranaense Gleisi Hoffmann como sua nova presidente, para um mandato de dois anos. A eleição interna será, supremo paradoxo, indireta. Pela primeira vez desde 2001, o PT deixa de escolher seus dirigentes por meio do PED, Processo de Eleição Direta. Avaliou-se que o mecanismo foi infectado por fraudes.

De saída do comando partidário, Rui Falcão veiculou no site do PT seu último artigo como presidente da legenda. A certa altura, resumiu o sentimento que permeia o Congresso partidário: "Durante os 13 anos que o PT governou o Brasil, com Lula e Dilma, o país sofreu transformações profundas, principalmente nas condições de vida do povo. Deixamos um legado histórico incomparável que nos credencia a pleitear, com um novo programa democrático-popular, o retorno ao governo do país através de eleições livres e diretas."

A avaliação é reveladora do grau de alienação que marca a trajetória do PT rumo à desmoralização. As transformações de que se vangloria Falcão foram feitas nos dois mandatos de Lula. E desfeitas nos dois governos incompletos de Dilma. O legado deixado pelo ciclo de poder petista é, de fato, incomparável. Mas não chega a representar boa credencial. Inclui o mensalão e o petrolão, escândalos nunca antes vistos na história do país. A cúpula do PT passou pela cadeia ou ainda está atrás das grades. Lula é uma condenação judicial esperando para acontecer. E Dilma, delatada pelo casal do marketing João Santana e Monica Moura, virou uma biografia sub judice.

A hipótese de o PT aproveitar o seu Congresso para realizar uma autocrítica é inexistente. Gleisi Hoffmann, ungida por Lula como a melhor pessoa para seguir suas orientações na presidência do partido, também é protagonista de inquérito no Supremo Tribunal Federal. Sua eleição é uma garantia de que os dirigentes enlameados continuarão a ser saudados como "guerreiros do povo brasileiro." Lula será aclamado como candidato às eleições presidenciais de 2018. Entretanto, suas pretensões políticas dependem das delações companheiras de Antonio Palocci e Renato Duque. Estão condicionadas também aos veredictos do juiz Sergio Moro e dos desembargadores do TRF-4, que podem fazer de Lula um inelegível ficha-suja.
Herculano
01/06/2017 18:47
ANIMAIS ESTRANHOS?

Segundo reportagem do jornal Cruzeiro do Vale, para os moradores do Arraial, aqui em Gaspar, "existe a presença de um animal um tanto quanto incomum na região".

Isto não é novidade. Na política já se sabia disso. Estamos vivendo, e o noticiário mostra, que estamos diante de seres incomuns, que ficam escondidos e atiçam o nosso imaginário, que só os delatores são capazes de dicas de quem sejam.

A mesma reportagem, registra: "Eles [ os moradores do Arraial] acreditam estar dividindo espaço com onças-pardas". E eu completo: isso, também todos, ou quase todos, sabem ou desconfiam: estamos dividindo espaços com muitos predadores e que evitam deixar pegadas. São os ladrões dos nossos pesados impostos.

Quanto a onça parda, ela está com fome e vai criar uma polêmica danada: tem gente que vai defender o bichano (mas, não vai querer ficar por perto nem doar suas terras para a criatura se fartar) e outros vão quer que ela suma dali, como se intrusa e bandida fosse; ou ao menos deixe a salvo seus bezerros, o parco sustento de muitos.
Herculano
01/06/2017 18:34
O CRIME SOLTO NAS RUAS E NA COMPLACÊNCIA DA AUTORIDADE, por Cláudio Slavieiro, empresário, ex-presidente da Associação Comercial do Paraná, no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba.

O objetivo de desestabilizar um país que quer, e precisa, se recuperar de 13 anos de roubalheira, corrupção e desmando é evidente nas ações dos "movimentos sociais"

Nos últimos dias, o Brasil assistiu, perplexo, ao avanço da irresponsabilidade, do crime, e a constatação, mais uma vez, do despreparo para a democracia, levando o país, como querem esses agentes da baderna, a um beco sem saída não só político, mas econômico e social. Tudo isso acontece porque, há algum tempo, as autoridades revelam cumplicidade, tibieza ou covardia, sem se valer dos mecanismos constitucionais, inclusive o de proteção à propriedade pública ou privada.

Os ditos "movimentos sociais", que escondem por trás de si objetivos espúrios, desrespeitam a ordem, quebram, depredam, espancam, ameaçam pessoas, infernizam, com a complacência das autoridades ?" inclusive das forças policiais, que, na hora do pior, prometem investigar autores da baderna, dos crimes contra o patrimônio público e privado, mas fica tudo por isto mesmo.

Isso tem acontecido cada vez mais nos últimos anos, principalmente depois que os petistas tomaram o poder. É o presente que eles entregam ao país depois de tornarem nosso futuro uma incógnita. O banditismo, sob a capa política ou o disfarce de movimento reivindicatório, deve ser rigorosa e exemplarmente punido, identificando-se culpados e mandantes.

Cidadãos brasileiros têm medo até mesmo de trabalhar, ameaçados por sindicalistas, black blocs e arruaceiros?

O objetivo de desestabilizar um país que quer, e precisa, se recuperar de 13 anos de roubalheira, corrupção e desmando é evidente nessas ações. A bandeira do "quanto pior melhor" é defendida nesses ataques à civilidade tanto nas badernas criminosas de rua quanto em arroubos no parlamento, sempre com as cores do esquerdismo irresponsável. Há deputados e senadores que jogam gasolina na fogueira, sob pretexto de defender direitos dos pobres e carentes.

Os exemplos são inúmeros. E a democracia, que eles dizem tanto defender, está cada vez mais debilitada, assim como a crença das pessoas em um país onde se possa trabalhar, conviver e viver. Eles olham apenas para interesses próprios ou do partido, e não para o Brasil.

O presidente da República, Michel Temer, resiste em deixar o cargo depois de ser pego em flagrante desrespeito às leis. Ao mesmo tempo, demonstra toda a sua fraqueza ao convocar as Forças Armadas em um dia para defender a ordem em uma Brasília atacada e desacatada, e ao revogar seu decreto no outro dia. Esse é o grave problema: aos primeiros berros, as autoridades recuam quando deveriam usar dos meios necessários para conter todos os atos de vandalismo e impor a lei. Fica claro que a impunidade que rói as instituições provoca diarreia nos que estão, de uma forma ou de outra, envolvidos nela.

Mas a descrença em um país democrático cresce em nível ainda maior quando criminosos atentam contra as instituições, ameaçando seriamente, por exemplo, a vida de funcionários que trabalham dentro dos prédios ministeriais. E isso em plena tarde de quarta-feira, quando também os defensores dos tais direitos, grupos dos tais "movimentos sociais", deveriam estar trabalhando.

Ou será que os seus 14 milhões de empregos tirados são o resultado do desastre da administração petista e eles fazem de conta que a culpa é dos outros? Será que não estavam trabalhando porque ficaram desempregados por causa de Lula e Dilma? Por que não criticam seu líder máximo, Lula, e seus seguidores, a começar por Dilma, Guido Mantega, José Dirceu, João Pedro Stédile, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo?

O terror assume diversas formas nos verdadeiros cidadãos brasileiros, que têm medo até mesmo de trabalhar, ameaçados por sindicalistas, black blocs e arruaceiros. A que ponto chegamos! Esses grupos violentos, filhotes do "exército do Stédile" e da cartilha do lulopetismo, que estão fazendo o que querem, inclusive com o endosso de agentes da Justiça e acobertados por tais defensores dos direitos, devem ser coibidos, responsabilizados por suas práticas bandoleiras que atentam criminosamente contra o progresso econômico e social do país, e contra o regime democrático e suas instituições.
Herculano
01/06/2017 18:31
PERGUNTAR NÃO OFENDE

O que de verdade mudou na Defesa Civil de Gaspar do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, e Kleber Edson Wan Dall, PMDB, na hora de uma enchente?

Todos tontos. E bem do lado de Blumenau que é referência neste assunto. Na semana que vem tem promessa de repeteco.

O prefeito Kleber parece que está ainda em campanha, vestido com aquele colete gravando vídeo, quando se sabe de que está vulnerável, inclusive nas informações, não tem tempo e nem aparelho disponível para ver a apresentação do prefeito. Quem mesmo cuida da comunicação do paço? Quem orienta essa gente? Acorda, Gaspar!
Herculano
01/06/2017 18:22
FATOR JOESLEY, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

Se o dólar permanece caro por algum tempo, causa inflação, e isso reduz o espaço para o BC cortar juros

Se você ainda não leu, vai ler: o Banco Central poderia ter reduzido mais ainda a taxa básica de juros se não fosse o Joesley.

E qualquer pessoa tem todo o direito de perguntar: como é que a delação do dono da JBS chega a uma decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central? Aliás, antes disso: é verdade que chega?

Pois a resposta é duas vezes sim. Não é uma questão de achar, trata-se de fatos.

Começando pela taxa de câmbio. Desde fevereiro deste ano e até 17 de maio, quando, à noite, O GLOBO revelou a história da delação, o dólar estava oscilando na casa dos R$ 3,10. Chegou a encostar em R$ 3,05.

No dia 18 de maio, no susto, a cotação saltou para R$ 3,40. Depois voltou um pouco, mas desde então varia na faixa de R$ 3,25 a 3,30. Mudou de patamar, mesmo com o Banco Central colocando no mercado nada menos que US$ 10 bilhões, para segurar a cotação. O estresse e a sensação de crise provocam uma busca de proteção no dólar.

Também houve mudança, mais clara ainda, nos juros de mercado ?" ou seja, nas taxas de juros efetivamente pagas nas negociações com títulos do Tesouro Nacional (papéis da dívida do governo). No dia 17 de maio ?" sempre lembrando que a história da delação saiu depois do fechamento dos mercados ?" a taxa de juros em um título com vencimento em um ano era de 8,7%. No dia seguinte, saltou para 10%.

Como no caso do dólar, também houve uma acomodação, mas os juros seguem quase um ponto acima do nível pré-delação.

Parece pouco? Pois coloque 1% em cima de uma dívida de trilhões.

Mais ainda: quando os operadores negociam títulos do governo ?" ou títulos privados ?" tratam de estimar de quanto será a taxa básica de juros, a Selic, aquela fixada pelo BC e mais ou menos a taxa que o Tesouro (o governo) paga quando toma emprestado.

Pois então: no dia 17 de maio, esses negócios indicavam que o mercado esperava uma Selic abaixo de 8% para o fim deste ano. Nas operações feitas ontem à tarde, antes de conhecida a decisão do BC, se embutia uma Selic mais perto de 9%, também para dezembro.

Portanto, é fato que a crise política pós-Joesley afetou câmbio e juros. A questão seguinte: como isso chega à mesa de reuniões do Copom?

Com a taxa de câmbio é mais fácil de entender. Dólar caro é fator inflacionário. Aumenta os preços do que é importado, do que tem componente importado e do produto de negociação internacional (soja, por exemplo). Ora, no regime de metas de inflação, a regra básica é assim: inflação em alta, juros para cima, e inversamente.

Assim, se o dólar permanece caro por algum tempo, causa inflação, e isso reduz o espaço para o BC cortar juros.

E por que os juros de mercado sobem direto na crise?

Ocorre que o maior problema da economia brasileira está no déficit anual e na dívida acumulada do governo federal. Resumindo, a coisa está assim: o governo recolhe os impostos e começa a gastar; paga aposentadorias e salários (as duas maiores despesas); o funcionamento da máquina (de remédios a cafezinho do pessoal); e investe algo. No final das contas, o governo gasta tudo o que arrecadou e ainda fica faltando ?" algo como R$ 140 bilhões é o déficit esperado para este ano.

Vai daí, o governo precisa, primeiro, tomar dinheiro emprestado para cobrir aqueles gastos do ano e, segundo, mais dinheiro para pagar os juros da dívida já formada. Resultado: a dívida fica cada vez maior. O governo aparece como um mau devedor, que tem de pagar juros maiores para se financiar. E a taxa mais alta se espalha pela economia.

Qual seria o correto? O governo gastar menos do que arrecada, fazer um superávit e usar esses recursos para amortizar parte da conta de juros. Com isso, a dívida entraria em "trajetória de queda", essa expectativa derrubando juros.

Ora, como os impostos já são elevados, o governo federal precisa reduzir gastos. E aqui caímos na reforma da Previdência e na política.

A rubrica Previdência é a maior despesa. Não haverá equilíbrio financeiro sem uma reforma que contenha o crescimento hoje explosivo desses gastos. A reforma, impopular, tem que ser aprovada no Congresso, sob liderança do presidente da República. Um presidente pós-Joesley consegue fazer isso?

Eis como se fecha o círculo. Antes da delação, o consenso era o seguinte: será aprovada uma reforma previdenciária que permitirá uma efetiva economia. Com isso e mais outras medidas de controle de gastos, o governo conseguiria voltar ao superávit e reduzir o endividamento.

Isso aconteceria lá na frente, mas a economia trabalha por antecipação, por expectativa. Se está claro que o problema será resolvido, opera-se como se já estivesse resolvido.

Agora, no pós-Joesley, a discussão não é sobre o tamanho da reforma, mas se haverá ou não. E isso piorou as expectativas de equilíbrio das contas públicas. Sobem dólar e juros de mercado, o BC tem menos espaço para cortar a taxa básica. Como disse o Copom ontem: o fator de risco principal é "o aumento da incerteza sobre a velocidade do processo de reformas e ajustes na economia".

O fator Joesley.

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