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Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

14/06/2017

UMA PONTE PELA METADE I
A ponte do Vale está reaberta. E o bom reflexo dela no trânsito em Gaspar já é visível em alguns gargalos tradicionais de anos, principalmente nos horários de pico da manhã e à tarde. A cidade está mais “aliviada”. Isto mostra que a mobilidade urbana é um fator crucial para a cidade se comunicar, se integrar, atrair e se expandir com qualidade. Em compensação, por conta da mudança, já começam a aparecer outros pontos críticos, um deles é a própria entrada e saída com a BR 470 da ponte do Vale e na rótula no ginásio de esportes prefeito João dos Santos. Por outro lado, estampou-se o perfeito retrato de como a administração de Kleber Edson Wan Dall, PMDB, anda a reboque dos fatos e necessidades. Ou seja, foi uma oportunidade perdida para impactar outra mudança essencial à cidade: à retirada dos caminhões de longo percurso do Centro de Gaspar pela ponte Hercílio Deecke. E olha que prefeito Kleber e a sua equipe tiveram seis meses para estudar o assunto, discutir com a cidade e os técnicos, programarem-se e mudar. Quem mesmo cuida da estratégia, imagem e comunicação do atual governo daqui?

UMA PONTE PELA METADE II
Resumindo: a ponte do Vale é usada pela metade na real utilidade para a mobilidade urbana. É apenas uma ponte. Nada mais. Inacreditável. Primeiro fato: transformar a ponte do Vale como a principal entrada e saída de Gaspar pela BR 470. O que foi feito para que isso ficasse claro na mobilidade urbana regional? Segundo fato: impedir à entrada e à saída de caminhões (limitar o peso) pela ponte Hercílio Deecke, para diminuir os perigos e os congestionamentos que eles provocam na passagem no contorno do pequeno trecho da Rua Aristiliano Ramos para alcançar a Avenida das Comunidades e ir a Brusque ou o inverso, por exemplo? Este segundo fato também está relacionado à preservação da própria ponte Hercílio Deecke, contra o excesso de carga – cada vez mais altas ou extensão das carrocerias dos caminhões –, bem como na estreita e antiga ponte do ribeirão Gaspar Grande. E olha que Gaspar possui como secretário de Planejamento, Meio Ambiente e Defesa Civil, Alexandre Gevaerd, oriundo do PT, e que entre as suas especialidades, está exatamente à mobilidade urbana. Neste assunto, Gevaerd deixou marcas reconhecidas em Blumenau e Brusque. Em Gaspar, por enquanto, nada. Como se vê, a mobilidade urbana ainda não parece ser a prioridade do chefe, o governo de Kleber. Acorda, Gaspar!

ILHOTA EM CHAMAS
Escrever o quê? Esta é a Estrada Geral do Baú (entre o Baixo e o Central. Ela foi calçada há pouco mais de um ano no governo do ex-prefeito Daniel Christian Bosi, PSD. Dinheiro federal e do PAC, de Dilma Vana Roussef, PT. Nosso na verdade! Tudo posto na lama. Vergonha. As pedras estão sumindo e sendo tomadas pelo barro onde foram assentadas. O atual prefeito, Érico de Oliveira, PMDB, está torcendo para o circo se enlamear ainda mais naquilo que já é um atoleiro, o ex-prefeito Daniel. Enquanto isso, o povo do Baú, pelo mal feito e o irresponsavelmente descuidado, sofre. E o dinheiro dos pesados impostos dos brasileiros no barro.

TRAPICHE


Correndo atrás. Divulguei aqui que era impossível saber no site oficial de Gaspar, e que trata da Transparência, o quanto ganham alguns comissionados do governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB.

Pior, há uma determinação judicial para que isso não aconteça, promovida a partir do Ministério Público, o que cuida da Moralidade Pública.

Pois bem! A prefeitura abriu licitação na modalidade de inexigibilidade para corrigir esse “defeito”, até então, “não notado” pela área de comunicação e a que cuida da Transparência.

Ou seja, uma amostra clara da falta eficácia, competência e respeito ao pagador de pesados impostos. A licitação 43. O servicinho no módulo “Consulta de Salário dos Servidores” vai custar R$ 10.920,00.

Já o site da Transparência da Câmara de Gaspar é um exemplo de abuso e afronta. Abuso, pois nada se acha lá. É confuso. De difícil navegação. Nada amigável. E é proposital: tudo tem que ser pedido por escrito e deve ter anuência do presidente da Câmara, Ciro André Quintino, PMDB. Vergonha.

É mais: uma afronta. Existe determinação judicial exatamente no sentido contrário. O Ministério Público sabedor do problema não tomou até agora nenhuma medida coercitiva via o Judiciário para fazer valer a sentença que já foi exarada.

Pior: Ciro está enganando o povo, o judiciário e o Ministério Público. Ele vai melhorar o site da Câmara para em duplicidade (com o da prefeitura) colocar leis já aprovadas. Enquanto que o site da Transparência...

Você sabe quanto o governo de Raimundo Colombo, PSD, deve na Saúde Pública e principalmente aos hospitais? R$768 milhões.

Pior que isso: o governo não sabia desse montante. Meu Deus! Flanava num número que era a metade disso. Imagina-se o que se esconde num governo que não conhece os seus próprios números e isso depois de sete anos administrando-os.

Poço sem fundo. Quem está na UTI é o Hospital de Gaspar. A prefeitura acaba de liberar R$ 1.373.248,58 só para bancar as contas de maio e junho. O repasse está sob a rubrica “contratação de serviços hospitalares”.

O que a prefeitura vai “pagar”? A “prestação de serviços de assistência à saúde para atendimento ambulatorial (urgência/emergência, diagnóstico e tratamento) e para internações hospitalares ao usuário do Sistema Único de Saúde”.

Não faz muito tempo, e foi isso que motivou a intervenção, a prefeitura repassava ao Hospital em torno de R$200 mil por mês, comprando os mesmos serviços.

Na época, os políticos do PT e Pedro Celso Zuchi achavam aquele valor era exagerado e chegaram sugerir que alguém roubada. Nunca provaram. Experimentaram do próprio veneno.

Nada como um dia após o outro e desmentir os jogos dos políticos e que se dizem administradores públicos para o povo analfabeto. Kleber prova e alimenta o mesmo veneno.

Para encerrar. Quem está sem fundos é o próprio Orçamento da Saúde de Gaspar. Até maio, 44% dele já tinham ido para o saco.

 

Edição 1805

Comentários

Sidnei Luis Reinert
19/06/2017 12:22
Vale muito relembrar o tal "mecanismo" ?" muito bem destrinchado em 27 pontos pelo cineasta e livre-pensador José Padilha, em artigo publicado no distante fevereiro deste ano de 2017, em O Globo. O argumento, de tão relevante e didático, tem sido viralizado nas redes sociais e sempre evocado pelo Procurador Federal Deltan Dallagnol coordenador da Força Tarefa da Lava Jato. Recordemos Padilha:

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do Estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como "o mecanismo".)

2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.

4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.

10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.

11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

12) A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.

15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.

20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos de ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...

21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)

22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes, rígida, competente e com bastante sorte.

23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.

24) O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

26) Sem forte mobilização popular, é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo."

O grande e poderoso bandido é o Estado. Temos de mudá-lo. Não basta "reformá-lo". Os brasileiros precisam se convencer depressa que só uma Intervenção Institucional (Cívica, Militar e Constitucional), promovendo uma repactuação legal e ética, tem condições efetivas de mudar o Brasil, neutralizando a ação do Crime Institucionalizado ?" que é transnacional, e não apenas "local" ou "regional".

"O inimigo é o sistema" ?" já ensinou o famoso Capitão Nascimento, no "Tropa de Elite". Se o sistema e seus mecanismos criminosos não forem mudados, a corrupção sistêmica permanecerá vigorando como padrão de conduta e negócios. Junto com o redesenho estatal, e da própria federação brasileira, temos de abandonar o modelo rentista e ingressar na economia de mercado produtiva, livre ao máximo dos cartorialismos estatais.

Mudando tudo, os juros baixam naturalmente, porque se acabará com a fonte geradora de gastança e roubalheira: O Estado ladrão e vacilão...

http://www.alertatotal.net/
mario pera
19/06/2017 10:42
Sobre citação de meu nome por alguém (sem coragem de aparecer), se nominando "EX-PSDBISTA", requer uns bons reparos.
1 - Não há de minha parte "bandido preferido", pelo fato de ser ou ter sido filiado ao partido que sou filiado há 28 anos e do qual não me envergonho, pela sua base de formação e princípios que defende. E fiz sim muitas filiações quando militei no partido em Gaspar, os quais nunca envergonhei nas minhas posturas;
2 - Quanto ao Senador Aécio Neves - fiz parte de um conjunto de mais de 70% de catarinenses que o escolheram no segundo turno em 2014, como opção ao caos que já se verificava no Brasil, instalado desde o começo de 2003, com reflexos claros e objetivos nos dias de hoje. E uma vez trazidos os fatos a respeito do senador Aécio, cabe como convém todos os meios existentes no país o investigarem e punirem. Cabe ao PSDB tomar suas medidas cabíveis, como de imediato já fez o afastando do posto que ocupava de presidente e naturalmente acompanhar os fatos e aplicar a punição que está prevista no estatutos. As defesas que fiz foram em tempo antes de surgirem as denuncias que vieram à tona em 17 de maio, portando há pouco mais de 30 dias atrás e eu como muitos brasileiros desconhecia as supostas ações escusas praticadas pelo senador Aécio até então, e divulgadas pelo dono da JBS. Portanto há 45 dias atrás nem mesmo sr. "EX-PSDBISTA", sabia, tanto que não se manifestara;sobre Temer primeiro quem o levou ao poder foram os mesmos que elegeram e reelegeram Dilma; e se o PSDB o apoio paga o preço pela decisão tomada isto é fato;
3 - Alega que me "debandiei" pra Bombinhas ( o que alguém pode fazer é DEBANDAR no bom português). E debandar pode ser cair fora, abandonar o barco...enfim. Bem, sai de Gaspar para trabalhar e morar em Bombinhas. Nao me debandei de qualquer lugar. Pelo contrário, fui convidado a administrar uma empresa que gera mais de 130 empregos diretos (forma um conjunto de três dos melhores hoteis de Bombinhas), tenho endereços fixos de moradia e trabalho há 16 anos. Vivo com minha e recebo frequentemente amigos de Gaspar de forma social e até negócios, já que muitas empresas gasparenses foram trazidas a Bombinhas pra prestar serviços ou vender seus produtos pra empresas que administro. E isto me orgulha muito.
4 - Aqui em Bombinhas as pessoas me encontram em qualquer lugar - ou nos meus endereços que não escondo de ninguém nem me omito. Nunca me escondi em pseudônimos ou rótulo de "ex". Quando fiz ou faço qualquer alusão a fatos ou pessoas ajo declinando meu nome e se precisar dizendo meus contados.
5 - Vergonha na cara tenho, quem me conhece bem sabe. Tanto tenho que venho a público me expressar com meu nome e pondo meu ponto de vista. Repito não me escondo sob uso de "vulgo" qualquer coisa, protegido pela oportuna desnecessidade de ser identificado ao público leitor que merece respeito.
6 - Vou a todas as festas de São Pedro e não para engrossar grupos políticos, mas porque considero a mais organizada e tradicional festa religiosa da região e tenho a alegria e o prazer de levar vários amigos daqui para curtir todos os momentos com os tantos amigos que tenho em Gaspar.
Sidnei Luis Reinert
18/06/2017 19:55
Estado ladrão e vacilão tem solução?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A semana promete... O juiz Sérgio Moro começa a decidir, a partir de terça-feira, o destino de Luiz Inácio Lula da Silva: será inocentado? Condenado? Ou pode acabar preso? Na terça-feira, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal também define o destino imediato de Aécio Neves: são grandes as chances de que seja acatado o pedido de prisão preventiva do neto de Tancredo Neves. Por que será que ele queria ser julgado pelo plenário do STF? ?" o que foi negado...

Tão ou mais preocupado que Lula e Aécio só Michel Temer. O maridão da bela Marcela foi horrivelmente definido por Joesley Batista como "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil". Temer tem mesmo de processar o cara, para ele provar o que falou... Independentemente do resultado, ficou muito na cara que está em pleno vigor (marca da JBS) uma ação sistemática para o imediato assassinato da reputação do Michel. A quem interessa a queda imediata dele, merecendo ou não? Eis a pergunta relevante...

Joesley poupou sequer o amigo Lula na entrevista exclusiva dada à revista Época, do Grupo Globo. Pregou que o ex-Presidente e seus aliados consolidaram a corrupção no Brasil. O controlador das empresas J&F (a sigla ganhou um significado atualizado: "Joesley é fodástico") espancou Temer, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Cunha. Contou que a Presidenta, sentadinha na cadeira do Palácio do Planalto, lhe pediu R$ 30 milhões para ajudar a campanha do amigo Fernando Pimentel. Aécinho pediu R$ 35 milhões para comprar o PR (porém o PT chegou antes). Cunha pediu R$ 5 milhões para abafar uma CPI na Câmara dos De-puta-dos.

A corrupção enoja a maioria dos brasileiros. Muitos políticos bem que mereciam uma tatuagem na testa: "Eu sou ladrão e vacilão". A boa nova é que, além de conhecer os corruptos, as pessoas começam a perceber como funcionam os mecanismos da Corrupção Institucional. Já ficou evidente que não basta caçar e punir os bandidos, se verdadeiro inimigo, o sistema estatal, continua viabilizando a roubalheira. Assim, para conter a ladroagem, é preciso secar sua fonte: o excesso de leis e impostos que viabilizam as propinas para os "jeitinhos" na extorsão sistemática contra empresas ?" que são corrompidas e corrompem (a ordem dos fatores não altera a sacanagem).

Os brasileiros precisam exigir mudanças na estrutura estatal brasileira. A arquitetura das regras e dos tributos excessivos é montada para a roubalheira. Assim, temos de debater exaustivamente e definir qual modelo de Brasil queremos e é possível. Tal discussão e definição nunca ocorreram ao longo de nossa História. A partir daí se redefine a Constituição (o tal Contrato Social), se reduz a quantidade absurda e conflitante de regras, simplifica a quantidade de impostos (hoje noventa e tantos, quando precisamos de quatro ou cinco, no máximo) e se toma a corajosa e imprescindível medida de enxugar a máquina estatal ?" o monstro voraz que é a essência da corrupção sistêmica e institucionalizada.

Já sabemos o que é preciso e imprescindível fazer. Agora, é preciso convencer a maioria de que mudar é urgente. É aí que nosso problema brasileiro fica mais grave e inquietante. O poder de reação das pessoas comuns ?" e do eleitorado ?" é lento e ainda fraco demais para gerar mudanças estruturais. A boa notícia é que, mesmo devagar, quase parando, as coisas começam a mudar, a partir da indignação da esmagadora maioria.

O que não se pode subestimar é a capacidade que o Crime Institucionalizado tem para se reinventar e se readaptar. Por isso, só uma Intervenção Institucional tem plena capacidade de mudar a coisas. Só é preciso ficar claro que não basta promover um mero golpe. As mudanças efetivas só serão possíveis depois de muito debate capaz de gerar, primeiro, uma mudança de consciência e de cultura.

Outro problema: As pessoas ainda reclamam, se ferram, mas ainda ficam na cômoda postura "estadodependente". Muita gente fica aguardando que o "salvador da Pátria" virá resolver tudo na próxima eleição. Tal "ingenuidade" é imperdoável. Trocar apenas de corrupto não resolve. O inimigo verdadeiro ?" o Estado Ladrão e Vacilão ?" continua intocável, agindo e se readaptando aos ataques que sofre das Lava Jatos da vida...

Não há espaço para ingenuidades "iluministas" ou para a babaquice canalha que prega a "normalidade institucional". Por aqui, o "normal" é a sacanagem organizada e criminosa. Além disso, a maior dificuldade de vencer o inimigo é que ele conta com apoio transnacional para manter, subdesenvolvido e dependente, o Brasil historicamente subjugado pelo Crime Institucionalizado e pela cancerosa mentalidade rentista ?" pretensamente produtiva. É por isso que a prioridade das prioridades é debater e conceber o Projeto Estratégico para o Brasil e rompa com o Capimunismo Rentista e Corrupto.

Resumindo: a missão imediata dos segmentos esclarecidos da sociedade brasileira (rezemos para eles realmente existirem) é neutralizar e acabar com o Estado Ladrão e Vacilão. Fechar a "fábrica do crime" depende de inteligência e atitude. É melhor a gente encarar, ou, então, a bandidagem vai tatuar na nossa testa: "Escravo Otário"...
Herculano
18/06/2017 19:42
J.R. Guzzo: O PAÍS SEM COMANDO, por J. R. Guzzo, na revista Exame

? A "Justiça eleitoral" (despropósito de fabricação 100% nacional; deveria dar ao Brasil as eleições mais limpas do planeta, mas jamais conseguiu impedir que a política brasileira seja controlada por essa massa de escroques que está sempre aí) julgou em seu Tribunal Superior Eleitoral, a mais alta de suas instâncias, a seguinte questão: houve irregularidades, especialmente na parte financeira da campanha do PT e de Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2014?

Por exemplo: correu tudo direitinho, conforme a lei, com a recepção e o dispêndio dos 300 milhões de reais que a candidata vencedora declarou ter gasto para ser eleita? A dúvida colocada em julgamento jamais teve a mais remota semelhança com uma dúvida. Há quase três anos há certeza praticamente científica de que a campanha eleitoral que levou Dilma à Presidência da República foi um dos mais prodigiosos episódios de roubalheira jamais vistos na história universal da política.

Ainda assim, nossos juristas e demais guardiães da majestade das leis brasileiras passaram esse tempo todo meditando sobre o caso ?" será que alguém realmente meteu a mão em alguma coisa? ?" e só agora conseguiram levar o caso a julgamento. A infração era gravíssima: a pena prevista consistia na perda do mandato para a presidente eleita em 2014 caso tivesse acontecido alguma coisa de errado com aquele oceano de dinheiro mencionado acima. Dá para levar a sério? Além do mais, Dilma, deposta pelo impeachment, já perdeu o mandato há mais de um ano; não era possível tirar-lhe a mesma Presidência pela segunda vez. É óbvio, em tais condições, que a esta altura chegamos ao avesso do avesso do avesso em matéria de disparate.

? Se não há mais Dilma Rousseff, é preciso se contentar com Michel Temer. O processo contra ela, por essa sequência de aberrações, passou a ser o processo contra ele. É sensacional. O autor da ação contra a eleição de Dilma é o PSDB, na época o partido de oposição mais indignado com a ex e com o PT ?" mas hoje, desgraçadamente, enfiado até o talo no governo de Temer, seu sucessor constitucional.

O PT e o ex-presidente Lula, de seu lado, gritam e mandam gritar todo santo dia "Fora Temer". Mas seus advogados no processo do TSE, agindo em defesa de Dilma e da perfeita lisura da campanha de 2014, ficaram obrigatoriamente contra a cassação da chapa ?" e, por via de consequência, como diria o falecido vice-presidente Aureliano Chaves, a favor de Temer e de sua permanência no cargo. Ficamos, então, diante de um xeque-mate que diz tudo sobre como o Brasil é governado hoje: o TSE conseguiu o feito de condenar-se a escolher entre duas decisões erradas.

? A história toda é acompanhada de algum lugar seguro, provavelmente às gargalhadas e com champanhe, pelos irmãos Wesley e Joesley Batista ?" possivelmente os maiores corruptores confessos que já apareceram no Brasil nos últimos 500 anos. Receberam, em troca de suas confissões, um inédito perdão da Procuradoria-Geral da República e de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Não uma redução de pena ou algum benefício compreensível; foi uma absolvição sem julgamento. Talvez aguardem, agora, a medalha da Ordem do Rio Branco.

? O quadro se completa, até agora, com a constatação de que ninguém governa. Na verdade, desde que a maioria dos eleitores brasileiros tomou a funesta decisão de dar um segundo mandato à ex-presidente Dilma, o país vive sem governo. Dilma não governou de 2014 para cá, e Temer não governa desde seu primeiro dia no Palácio do Planalto, ou governa apenas um bazar de trocas.

Além disso, saiu de uma costela do PT e só chegou aonde está porque serviu em tudo a Lula e aos companheiros. Não poderia ser diferente do que está sendo, pois não apagou seu passado quando subiu de cargo; ninguém consegue. Toma, agora, o mesmo remédio que viu Lula e o PT aplicar em todos os adversários.
Herculano
18/06/2017 19:37
Da série: como funciona os esquemas do poder e poderosos de plantão contra a mídia livre, profissional e investigativa. Você acha que é só contra os grandes nos grandes centros? No grotões é pior ainda. Eu sou testemunha. E não é de hoje.

SOMOS O OPOSTO DE LULA (SEMPRE)

Conteúdo de O Antagonista. Dois anos atrás, O Antagonista foi bombardeado porque denunciou o esquema de propinas de Eduardo Cunha.

O site, na época, foi acusado de estar sendo manipulado pela PGR petista para barrar o impeachment.

Como se sabe, o impeachment ocorreu e Eduardo Cunha foi preso.

A Lava Jato continuou seu trabalho e Lula está prestes a ser condenado pela primeira vez.

A guerrilha virtual financiada pela ORCRIM atrapalha o funcionamento do site, emporcalhando nossa caixa de comentários, mas nunca deixaremos de ser o oposto de Lula.

A "GUERRILHA VIRTUAL" DE PT, PSDB E PMDB CONTRA O ANTAGONISTA

Uma das medidas para verificar a influência - e a independência - de um meio de comunicação é a intensidade dos ataques que ele recebe de todos os lados. Ataque é diferente de crítica, bem entendido. Ataque significa caluniar e difamar quem incomoda porque é independente e influente.

O Antagonista vem sendo atacado por três lados. O primeiro é o dos petistas. Eles inventam que somos pagos por Aécio Neves para atacar Lula. O segundo é o dos tucanos. Eles inventam que a Empiricus é uma corretora e nós queremos desestabilizar o país para que a nossa sócia especule com as más notícias. O terceiro lado é o dos peemedebistas. Eles inventam que nos aliamos ao PT e à Rede Globo, para derrubar Michel Temer e eleger Lula.

Para além de blogueiros sujos, essas três frentes lançam mão da "guerrilha virtual" nas redes sociais e na área de comentários de O Antagonista - "guerrilha" paga com dinheiro público, para variar. Na área de comentários, os três lados utilizam simultaneamente três táticas: a) calúnia e difamação do site e dos jornalistas que o fazem. É a maneira mais tradicional, por assim dizer; b) textos pretensamente equilibrados que nos esculhambam. É uma forma mais civilizada de tentar convencer os leitores de que somos imbecis; c) disparos incessantes de parágrafos sobre sexo, ou com repetições de sinais gráficos, ou com linhas non sense em inglês. É um meio desesperado de tentar desestimular o acesso aos comentários.

Visto que nascemos com a intenção de dar voz aos leitores, não estabelecemos barreiras. Isso, evidentemente, torna tudo fácil para os mercenários dos três partidos que infestam a área reservada à opinião dos leitores. O problema de estabelecer barreiras num site de política é que muitos cidadãos de bem não querem fornecer os seus dados, por medo de serem patrulhados ou mesmo retaliados no trabalho, principalmente. Num país feroz como o Brasil, trata-se de receio compreensível.

É preciso ter paciência até que encontremos um caminho para diminuir a quantidade de lixo produzido pela "guerrilha virtual", sem afugentar comentaristas de verdade. Sugerimos que se sintam lisonjeados por incomodarmos tanto. Sim, lisonjeados, porque só existimos graças a vocês, leitores. Vocês é que nos fazem influentes. Sem vocês, não seríamos nada. Se não tivéssemos tantos leitores, ninguém estaria preocupado em nos atacar. Os influentes são vocês.

Muito obrigado.
Herculano
18/06/2017 17:22
O DEBATE RACIONAL FOI PARA O BREJO

Conteúdo de O Antagonista. "Já não há mais possibilidade de um debate racional sobre a situação do país."

É o que escreve Merval Pereira no Globo.

Cita, de um lado, as intimidações de militantes petistas a Miriam Leitão e Alexandre Garcia dentro de aviões; e, do outro, as "explicações conspiratórias para a denúncia jornalística de uma gravação do diálogo entre o presidente da República e um empresário, onde diversos crimes são descritos e abordados".

Para Merval, "cada grupo político vê os acontecimentos da maneira que lhe convém, e o debate vai para o brejo".

Ele defende o interesse público da entrevista de Joesley Batista à Época, "já que o empresário que gravou o presidente da República não falara ainda para um órgão jornalístico".

"Se não houvesse nada a ser delatado, Joesley Batista não teria importância para as investigações da Procuradoria-Geral da República. A conversa, em tom de sussurros, mesmo àquela hora da noite no subsolo do Palácio Jaburu, revelou os bastidores do submundo político e só pode ser considerada uma banalidade num país que já se perdeu."
Ex PSDEBISTA
18/06/2017 16:40
Herculano,

Gostaria de saber de dois psdbistas históricos de Gaspar Elsio de Oliveira e Mário Pera, o primeiro e o tucano mais petista de Gaspar, onde levou muitos a se filiarem no tucanato. O outro se debandiou pra Bombinhas e até uns 45 dias atrás continuava dizendo que Aecio Neves seria a solução para Brasil, parece até ser um pt defendendo seus bsndidos de estimação.
O que dizem eles a respeito deste conchavo tucano em prol Temer?
E a terceira vez que pergunto e nada se responde.
Falta de vergonha na cara dessa gente também.
Chegando a festa de São Pedro e juntam tudo, pmdb pp psdb e até o pt.
Herculano
18/06/2017 13:47
FEITIÇOS DE LOURES E AÉCIO VIRAM URUCUBACAS, por Josias de Souza

No Supremo Tribunal Federal, pequenas mandracarias advocatícias podem resultar em grandes urucubacas. Voltaram-se contra os defendidos, por exemplo, as últimas petições dos defensores de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de Michel Temer, e Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB.

Sob o pretexto de que Rocha Loures corria risco de vida na cadeia da Papuda, seus advogados pediram que ele passasse a arrastar uma tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, transferiu o preso. Não para casa, como desejavam os doutores, mas para uma sala na Polícia Federal, em Brasília.

Na Papuda, Loures tinha banho de Sol, tevê e companhia. Na PF, foi isolado numa sala sem banheiro e sem tevê. Perdeu também o acesso ao Sol. Em nova petição, os defensores do ex-assessor de Temer pedem sua transferência para um quartel da PM de Brasília. No limite, informam que Loures prefere voltar para a Papuda. De repente, as supostas ameaças e o alegado medo de morrer ficaram em segundo plano.

No caso de Aécio, Fachin aceitou a tese de que a mordida de R$ 2 milhões que o grão-tucano deu em Joesley Batista, da JBS, não tem nada a ver com Lava Jato. Por sorteio, os autos foram parar na mesa de Marco Aurélio Mello. Com a troca, Aécio saiu do purgatório da Segunda Turma do Supremo, generosa na concessão de habeas corpus, para o inferno da Primeira Turma, que administra com parcimônia a chave da cadeia.

Na semana passada, por 3 votos a 2, a Primeira Turma manteve atrás das grades Andrea Neves, a irmã de Aécio. Nesta terça-feita (20), o colegiado apreciará pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot para que o próprio Aécio seja passado na chave. Os doutores que defendem o tucano pediram que o julgamento fosse transferido da turma, com cinco ministros, para o plenário do Supremo, onde se reúnem as 11 togas da Corte. O relator Marco Aurélio disse "não".

Considerando-se o resultado dos últimos feitiços, os encrencados do escândalo JBS deveriam recomendar aos respectivos advogados mais parcimônia na administração dos feitiços
nhe nhe nhe
18/06/2017 10:42
Herculano, ontem foi o café tucano?
Senador Delírio Beber já colocou ontem mesmo na sua rede social.
A presidente do Psdb de Gaspar, a que tem o marido mais democrático de todos, não se pronunciou. Aliás não se pronuncia p nada em relaçao a dar uma posição sobre sua opinião ou do partido em Gaspar, referente a seus quadros envolvidos em delacao da lava jato. Vivia a tiracolo com o senador Delírio Beber, depois de ser citado p delator na lava jato, ela sumiu do seu lado em público. Aliás o povo está esperando além de um posicionamento um segundo vídeo com senador Aécio Neves, como fez quando veio p Psdb.
É, nada melhor que o tempo p mostrar as boas intenções das novas lideranças, ou os velhos "modus operandis" disfarçado.
E segue a vida a tiracolo na sucupira.
Herculano
18/06/2017 10:37
VOCÊ PENSA QUE ISSO Só ACONTECE EM BRASÍLIA, NAS CAPITAIS, GRANDES CIDADES. É AI QUE MORA O PERIGO. ACONTECEU EXATAMENTE AQUI NO GROTÃO DEBAIXO DO SEU NARIZ

A VERGONHA. ELEGEMOS ELES COM O VOTO LIVRE E DEMOCRÁTICO PARA NOS ROUBAREM NOS PESADOS IMPOSTOS QUE PAGAMOS, ISTO SEM FALAR NOS ALTOS VENCIMENTOS E ESTRUTURAS DE NABABOS IMPOSSÍVEIS NA INICIATIVA PRIVADA, NOS EMPREGOS NORMAIS NOSSO DO DIA-A-DIA

ORGANIZAÇõES CRIMINOSAS DEIXAM UM ROMBO DE R$ 123 BILHÕES. COM ESSE DINHEIRO ROUBADO O BRASIL SERIA OUTRO. MENOS PESSOAS MORRERIAM DE FOME, NA FILA DO SUS E TERIAM MAIS ACESSO A SANEAMENTO BÁSICO E EDUCAÇÃO.

TODOS BANDIDOS. FAZEM ISSO PORQUE TUDO ESTÁ CONTAMINADO: OS TRIBUNAIS DE FISCALIZAÇÃO, O PARLAMENTO E A JUSTIÇA.E A POPULAÇÃO MANSA PREFERE PAGAR ESTE PREÇO CARO QUE INCLUI SACRIFÍCIOS E ATÉ A MORTE.

AO MENOS RESTA A IMPRENSA PLURAL, LIVRE E INVESTIGATIVA, BEM COMO AS REDES SOCIAIS A QUEM OS POLÍTICOS E LADRõES DE TODOS OS TIPOS AMALDIÇOAM

Desvios. Dados da PF revelam prejuízo causado em 4 anos por grupos investigados em 2.056 operações; quase metade do valor está ligado a fraudes nos fundos de pensão, mostra o conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Alexa Salomão, Daniel Bramatti e Marcelo Godoy.

Em quatro anos, a Polícia Federal deflagrou 2.056 operações contra organizações criminosas que provocaram prejuízos estimados em R$ 123 bilhões ao País. Os números revelam que o maior rombo não é o apurado pela Lava Jato, mas o causado pelas fraudes nos fundos de pensão investigadas na Operação Greenfield, que alcançam R$ 53,8 bilhões ou quatro vezes o valor de R$ 13,8 bilhões desviados pelo esquema que agiu na Petrobrás.

Esse quadro é o resultado da conta feita pelos investigadores federais com base em valores de contratos fraudulentos, impostos sonegados, crimes financeiros e cibernéticos, verbas públicas desviadas e até mesmo danos ambientais causados por empresas, madeireiras e garimpos. Tudo misturado ao pagamento de propina a agentes públicos e políticos.

Os dados são da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), da PF, e foram obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Segundo especialistas em máfias e grupos criminosos, a análise dos números mostra a mudança do perfil do trabalho da PF, priorizando a investigação patrimonial das organizações. "Há uma tendência das investigações em se preocupar mais com os aspectos patrimoniais do que acontecia há 5 anos, quando se pensava só em autoria e materialidade", afirmou o procurador da República Andrey Borges de Mendonça.

De fato, nos últimos três anos, esse montante cresceu ano a ano, partindo de R$ 6,8 bilhões em 2014 até atingir R$ 80 bilhões em 2016, um aumento de 1.068%. Os valores sequestrados ou recuperados com as operações também aumentaram ano a ano. Em 2013, a Dicor listou R$ 6 milhões. Já no seguinte ?" início da Lava Jato ?" esse número subiu para R$ 2,6 bilhões e, em 2016, atingiu R$ 12,4 bilhões.

"Isso também mostra as prioridades adotadas pela Polícia Federal", disse o juiz aposentado e ex-secretário nacional antidrogas Wálter Maierovitch, que participou como perito convidado da Convenção de Palermo. Organizada pelas Nações Unidas em 2000, a convenção, da qual o Brasil é signatário, definiu as regras de combate ao crime organizado.

Escalada semelhante de valores pode ainda ser observada naquilo que os agentes federais chamam de "prejuízos evitados", quando a operação interrompe a prática de crimes, antes que eles se consumem. Nesse caso, os valores subiram de R$ 2,8 bilhões em 2014 para chegar a R$ 59,1 bilhões em 2016 - e já teriam atingido R$ 12,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano. "O objetivo é asfixiar essas organizações, pois não adianta nada investigar autoria e materialidade se não se consegue recuperar o patrimônio", disse Mendonça.

Além do enfoque na descoberta e no sequestro dos bens das organizações criminosas, os números também mostrariam o efeito da disseminação do estilo de investigação adotado pela Lava Jato, em Curitiba, com a criação de forças-tarefa envolvendo diversos órgãos.

"O que a força-tarefa de Curitiba trouxe é essa forma nova de investigar", disse Mendonça, que participa da forças-tarefa da Lava Jato e hoje atua nas Operações Greenfield e Custo Brasil, que investiga fraudes e corrupção no Ministério do Planejamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, a PF tem de cumprir seu papel e sua missão em todos os aspectos e espectros onde tem criminalidade dentro de sua competência. "É isso o que a sociedade espera da corporação."

E são muito os afetados. Quase 2 milhão de beneficiários de fundos de pensão investigados na Greenfield tiveram de arcar com parte dos prejuízos gerados. "A gente se sente impotente diante de tudo o que aconteceu e é preciso botar a boca no trombone para não ocorrer outra vez", disse Suzy Cristiny Costa, da Fentect, federação do servidores dos Correios.

Ranking. Entre os dez maiores prejuízos investigados pela PF, além dos apurados pela Greenfield e Lava Jato, estão os causados pelas organizações criminosas que são alvo das Operações Acrônimo, que apura o desvio de verbas e financiamento ilícito de campanhas eleitorais, e Zelotes, que averigua crimes tributários e corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda.

Há ainda os casos envolvendo as Operações Enredados ?" R$ 5,1 bilhões de prejuízo ?" em que os agentes federais apuraram crimes ambientais e pagamento de propinas no extinto Ministério da Pesca, e esquemas de fraudes tributárias, contrabando e evasão de divisas apurados nas Operações Celeno, Valeta e Huno. A lista é completada pela Janus, que verifica supostas fraudes no financiamento do BNDES para obras da Odebrecht em Angola.
Herculano
18/06/2017 10:17
O BRASIL FICA PEQUENO NO G20, por Clóvis Rossi, no jornal Folha de S. Paulo

O Brasil passa mais uma vez vergonha ao ser divulgada, pelo governo alemão, uma série de dados estatísticos relativos aos países do G20, o clubão das maiores economias do planeta, cuja cúpula anual será em julho, na Alemanha.

Sei que os conformistas e os "patrioteiros" de plantão dirão que é covardia comparar o pobre Brasil com os grandes do planeta. Pode até ser, mas quem, se não os grandes, deve servir de paradigma? A Venezuela? A Síria? O Afeganistão?

O problema brasileiro é que o país sai mal na foto até quando a comparação é com os dois outros países latino-americanos que fazem parte do G20 (Argentina e México).

Tome-se o crescimento da economia, por exemplo, entre 2010 e 2016, o que inclui, portanto, anos anteriores à catástrofe gerada pela gestão Dilma Rousseff: o Brasil (crescimento de 2%) só ganha da Itália entre os 20. Perde da Argentina (5%) e do México (18%).

Mas há comparações que são ainda mais eloquentes a respeito da precariedade do Brasil.

Uma é com a Coreia do Sul, no item "expectativa de vida ao nascer". Nesse capítulo, a tabela cobre mais de meio século, de 1960 a 2015.

O ponto de partida da Coreia do Sul é inferior ao do Brasil, até porque se tratava nos anos 1950 de uma lamacenta nação de camponeses. Cada coreano tinha 53 anos de expectativa de vida ao nascer, contra um tico mais do Brasil (54).

Em 2015, no entanto, os coreanos chegam aos 82 anos, bem mais que os 75 esperados para o Brasil.

Se se quiser a China como comparação, outro país pobre até faz pouco, é igualmente devastador para o Brasil. Cada chinês esperava viver 43 anos em 1960; agora, 76.

Fica claro que o Brasil tem um desenvolvimento social lento.

Outro item importante na área social: distribuição de renda. O Brasil só é menos desigual, entre os 20, do que a África do Sul. Quarenta por cento da renda nacional era apropriada pelos 10% mais ricos em 2014 (último ano para o qual há dados comparáveis).

Na África do Sul (dados de 2011), 50% iam para os mais ricos.

Detalhe fundamental: a África do Sul só eliminou o apartheid ?"equivalente local da escravidão dos negros?" em 1994. No Brasil, a escravidão foi abolida mais de um século antes (1888), mas o apartheid social continua de pé.

À margem das vergonhas nacionais, há uma comparação que sugere argumentos para os fanáticos tanto contra ou a favor da reforma da Previdência.

No Brasil, havia 13 pessoas sobre 100 com mais de 65 anos (portanto candidatos à aposentadoria ou já aposentados). Número que pulará para 40 em 2050.

Ponto, portanto, para os pró-reforma da Previdência. Mas o Brasil fica hoje em 14º lugar, junto com a Turquia, nessa relação idosos/mais jovens. Mesmo em 2050, ainda estará em 10º lugar.

Como os que ficam à frente do Brasil não demonstram tanta pressa assim em reformar a Previdência, a comparação sugere que a reforma é, sim, necessária, mas que talvez haja tempo para discuti-la mais profundamente com uma sociedade majoritariamente contra
Herculano
18/06/2017 10:15
RESPEITO COM A POLÍTICA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

É cada vez mais comum ouvir sobre o esgotamento do sistema político brasileiro. Às vezes, parece até que essa afirmação se tornou um consenso nacional, não requerendo maiores provas ou argumentos. As causas do suposto esgotamento estariam mais que evidentes aos olhos de todos, a começar pela falta de representatividade dos políticos atuais e, principalmente, pela generalizada corrupção instalada nos usos e costumes políticos. A realidade, no entanto, é mais complexa do que essa afirmação ou, melhor dizendo, generalização. Há muita coisa errada no sistema político, mas nem tudo é inservível - e fazer essa distinção entre o joio e o trigo é essencial para levar o País a algo mais que a um estado de indignação ou de letargia.

É certo que os escândalos de corrupção causam um profundo mal-estar na população e põem à prova a confiança nas instituições. O descompasso entre as cifras da corrupção e as graves carências que uma parcela significativa dos brasileiros ainda padece não pode ser ignorado. Os serviços públicos, especialmente saúde e educação, não aguentam tamanho desaforo imposto pelos corruptos, sejam eles funcionários públicos, políticos ou empresários. A revelação de tantos casos de roubalheira induz ao sentimento de revolta contra tudo o que está aí. Mas esse sentimento não é construtivo e o que o País mais precisa, neste momento, é de ideias novas e firme disposição para o trabalho de reconstrução.

O ponto que se levanta é que a indignação deve, em última análise, transformar-se em motor propulsor de mudanças efetivas, e não destruir o que restou em pé. Uma terra devastada não é o melhor ponto de partida para uma plena recuperação ambiental. Antes de dar vazão a uma ira desenfreada, que dizima tudo o que está pela frente, os brasileiros prestantes devem resgatar, fortalecer e renovar os elementos fundadores da vida nacional.

Ao contrário do que às vezes se tenta impor como verdade inconteste, nem tudo está errado no País. Os brasileiros foram capazes, nas últimas décadas, de levar sua sociedade aos umbrais da modernidade, de igualar o País àqueles mais avançados do mundo. Podem, portanto, refazer aquilo que o populismo lulopetista destruiu com tanto empenho. Afinal, há gente competente e honesta em todos os setores da vida pública e as instituições, ainda que falhas e necessitando de reformas, não são o descalabro apocalíptico que alguns pintam.

Nestes tempos revoltos, faz-se imperioso olhar a vida nacional com um pouco de serenidade, reflexo de uma atitude madura de quem deseja uma sociedade melhor. Uma coisa é reconhecer a gravidade dos casos de corrupção e os defeitos da representação política. Outra coisa é achar que essas deficiências conduzem necessariamente à conclusão de que todas as instituições estão podres e de que o sistema político está irremediavelmente falido.

Nestes tempos estranhos, inverteu-se o ônus da prova. Dá-se por condenado, sem julgamento, qualquer acusado. Da mesma forma, postula-se que o País está podre e condenado sem que se apresente a prova indiscutível de tão cabal sentença.

Pois o País não está acabado. Passa por uma crise e a crise é grave. Mas sua população dispõe de vitalidade suficiente não apenas para superar a crise ?" como já começou a fazer com a economia ?", mas também para promover a regeneração moral da política e dos negócios.

Essa tarefa, ao contrário do que dizem os derrotistas, se fará não a despeito da política, mas por meio da política. Da boa política. Abandoná-la como coisa impura e nefasta é um tremendo equívoco, que não conduzirá o País a lugar nenhum. Longe de significar um empoderamento da sociedade, como os falsos profetas querem vender, a devastação da política só deixará a população refém dos aproveitadores de plantão. Um pouco de cuidado, e também de respeito, com a política não é simples manifestação de bons modos sociais. É antes medida de sobrevivência da nossa sociedade, livre e democrática.
Herculano
18/06/2017 10:11
COMUNISTA ALDO REBELO TEM FÃ-CLUBE NA CASERNA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

Aldo Rebelo saiu do Ministério da Defesa, ao final do governo Dilma, mas deixou muitos admiradores nas Forças Armadas. Seu fã-clube impressiona porque o seu Partido Comunista do Brasil (PCdoB) protagonizou a Guerrilha do Araguaia, um dos principais conflitos armados nos tempos de chumbo do regime militar. A filiação partidária foi usada para mantê-lo longe do cargo para o qual parecia destinado.

ESTUDIOSO DA HISTóRIA
Aldo Rebelo ampliou o número de admiradores nas Forças Armas ao se revelar grande conhecedor História Militar do Brasil.

CINCO ELEIÇõES
Alagoano de Viçosa como Teotônio Viela, jeito de mineiro, o jornalista Aldo foi eleito cinco vezes deputado federal pelo PCdoB de São Paulo.

SOMENTE ELOGIOS
No Comando do Exército são frequentes os elogios a Aldo Rebelo, do comandante aos oficiais que conviveram com ele quando ministro.

BYE, BYE, CAMARADAS
Já sem motivação para disputar mandatos, Aldo Rebelo deverá deixar o PCdoB, que ajudou a tornar relevante em décadas de militância.

GOVERNADOR DO PT TORCE PARA TEMER FICAR NO CARGO
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, não menciona isso publicamente, mas torce pela permanência do presidente Michel Temer no cargo. A torcida já foi manifestada em conversas reservadas com políticos mineiros e reflete um pouco a solidariedade de um político que nos últimos anos tem enfrentado pressões e incerteza idênticas, em razão de investigações da Operação Acrônimo, da Polícia Federal.

RECADOS CHEGARAM
Temer recebeu diversos recados de Fernando Pimentel desejando-lhe boa sorte e recomendando serenidade, no enfrentamento da crise.

AGRADECIMENTO
Na reunião-jantar com os governadores, na terça, o presidente fez questão de agradecer a Pimentel e conversar com ele reservadamente.

DIÁLOGO FÁCIL
O governador de Minas sempre manteve diálogo com adversários, até com Aécio Neves, com quem chegou a fazer aliança eleitoral.

PREVISõES
Experiente cientista político de Brasília aposta em três previsões para o governo Temer, após o julgamento no TSE: o acirramento de choques entre Poderes e nos conflitos na base de apoio ao governo; fatos novos da Lava Jato; e o avanço das reformas econômicas no Congresso.

FHC, 86
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completa 86 anos neste domingo (18). Atualmente ele preside o Instituto FHC, e também é um dos 'imortais' da Academia Brasileira de Letras.

TAMANHO DA BASE
Apesar de toda a crise política e as promessas de novas denúncias contra o presidente Michel Temer, aliados do governo no Congresso garantem que o peemedebista tem ao menos 238 votos na Câmara.

CUSTO DO EXECUTIVO
O Poder Executivo, o maior e mais caro dos Três Poderes, custa - apenas com a folha de pessoal e aposentadorias e benefícios de servidores - R$ 211,4 bilhões por ano ao contribuinte brasileiro.

CUSTO DA PRESIDÊNCIA
A Presidência da República - que inclui a Vice-Presidência e também outras secretarias e agências reguladoras - custa ao contribuinte R$ 5,45 bilhões/ano apenas com a folha de pessoal. Dados são do Siape.

JUSTIÇA ELEITORAL
Agora que o TSE contrariou a vontade de muita gente, discute-se até o que era considerado 'absurdo' meses atrás: o fim da Justiça Eleitoral. Há abaixo-assinado com 33 mil assinaturas na plataforma Change.org.

MALANDRAGEM CRIMINOSA
As comissões de Fiscalização Financeira e de Finanças e Tributação da Câmara realizam audiência pública na terça (20) para analisar operações do BNDES na aquisição de ações do grupo JBS e o ganho de R$ 700 milhões com o uso de informações privilegiadas de delação.

LULA PARA MAIS VELHOS
Apesar de aliados do ex-presidente comemorarem resultados recentes em pesquisas, a maior parte dos votos de Lula vem do público mais velho. Em RS, PR e MG, Lula lidera apenas público acima de 45 anos.

PERGUNTA NA OPOSIÇÃO
A semana em que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vai governar o país interinamente vai servir de "teste" para PT e oposição?
Herculano
18/06/2017 10:07
A POLÍTICA QUE NOS FALTA, por Marcos Lisboa, economista, presidnte do Insper, para o jornal Folha de S. Paulo

O ciclo vicioso da crise política e da crise econômica parece não ter fim e resulta nesse sentimento difuso de desesperança e de apreensão.

As dificuldades recentes, porém, não devem levar a ignorar os avanços dos últimos anos. Nenhum dos problemas econômicos é recente. Todos já estavam presentes, incubados e latentes, antes da última eleição. Preferiu-se ignorá-los.

Há duas décadas se sabia que os gastos com previdência do setor privado e dos servidores se tornariam insustentáveis. Alguns Estados já estavam a caminho da insolvência no começo desta década.

Desde o governo anterior se alertava que as políticas de proteção setorial adotadas em vários setores, como óleo e gás, construção civil, indústria automobilística e naval, além da disseminação do crédito subsidiado, eram tecnicamente mal desenhadas e deveriam fracassar.

Houve um imenso avanço na aceitação dos problemas nos últimos dois anos, o que resultou nesse começo de debate sobre as possíveis reformas para que retomemos a normalidade.

Ocorreram, também, avanços importantes em diversas áreas, como a revisão de algumas das políticas fracassadas dos últimos anos.

Alguns analistas e, aparentemente, o próprio governo, porém, subestimaram a extensão do problema. Imaginaram que a crise seria apenas cíclica e que, com rumo novo, a economia já estaria crescendo no fim do ano passado. Infelizmente, estavam errados.

De qualquer forma, os avanços reduziram o risco-país e colaboraram para a rápida queda dos juros de mercado, que tem permitido ao Banco Central reduzir a Selic em meio a uma rápida queda da inflação.

Para além da maior severidade dos problemas do que o esperado por muitos, há também a surpreendente resistência das corporações com a necessária revisão dos benefícios concedidos na última década.

Diversas empresas dependem de subsídios públicos para garantir seus resultados. Alguns grupos de servidores públicos resistem à revisão de regras muito mais benéficas do que é acessível ao resto do setor privado que, afinal, é quem paga a conta.

A crise que vivemos decorre de um país que prometeu mais do que pode oferecer. Além do mais, na última década, a expansão do poder público e da sua capacidade em conceder benefícios discricionariamente resultou em políticas fracassadas e em desvios inaceitáveis.

Continuar a agenda de reformas passa pela negociação dos benefícios que serão revistos e por novas regras de governança para a relação entre o setor público e o setor privado. Não se trata apenas de uma agenda técnica ou de problema de gestão. Requer negociação e arbitragem de conflitos. Trata-se da Política que nos faz falta.
Herculano
18/06/2017 10:04
A GLOBO TENTAR DEPOR TEMER NÃO AFETA A HONRADEZ DE PROFISSIONAIS SÉRIOS E INDEPENDENTES, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

Fiz aqui, e mantenho, uma crítica muito dura à linha editorial que todos os veículos das Organizações Globo adotaram desde aquele vazamento do que não estava lá, a saber: não havia, na gravação que se encontra na raiz desta crise, a tal anuência do presidente Michel Temer com a suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha.

A coisa toda tem a cara de uma Blitzkrieg. Era para derrubar o presidente na primeira semana. Ele não caiu. Agora, estamos na fase de acelerar o falatório. Depois da delação, que importância tem a entrevista do bandido Joesley Batista, o autor de 245 crimes? O que a sua verborragia acusatória acrescenta ao conjunto da obra? Nada! Um veículo do grupo, a "Época", serve para esquentar o noticiário do outro, a TV. E há as rádios, os jornais, o portal? Neste domingo, haverá mais Joesley no Fantástico.

Michel Temer é o primeiro presidente que a Globo quer derrubar desde João Goulart. Todos os outros, convenham, ela se esforçou para manter. Demorou para desembarcar de Collor. Foi uma pouco mais rápida com Dilma, mas nada, assim, tão fulminante como se vê com Temer.

Bem, meus caros, que fique claro: fiz uma crítica genérica a essa espécie de ordem unida que se percebe nos veículos do grupo.

É evidente que essa generalização não se traduz numa crítica a todos os profissionais que trabalham nos diversos veículos e programas jornalísticos. Reconheço a existência de profissionais independentes, de primeira linha. Não vou aqui nominá-los para não parecer que me outorgo o direito de dizer quem é bom e quem não é; quem é sério e quem não é; quem é respeitável e quem não é. Ou que faço uma seleção que tem como filtro relações de amizade.

E notem: parto do princípio de que existam, sim, pessoas com a mais genuína e clara convicção de que Michel Temer deve cair. E têm todo o direito de ter essa opinião. O que me estranha, sobretudo naqueles programas, vamos dizer, colegiados, de debates, é a ausência de contradição. O que me causa espécie é ver comentaristas a ancorar o "fora Temer", ainda que dito de maneira mais delicada, nesta lei ou naquela, mas ignorando as espantosas agressões à legalidade que esse processo carrega desde a origem.

A gravação, senhores, o elemento primitivo dessa conversa, é uma afronta a uma cláusula pétrea da Constituição. Rodrigo Janot e Edson Fachin, sob o olhar complacente (ou concupiscente?) de Cármen Lúcia, violaram o fundamento, também constitucional, do juiz legal. Mais: sem nenhuma investigação, toma-se uma delação como critério de verdade absoluta. E isso vindo de um homem que passou boa parte da vida trapaceando, cometendo crimes, violando todos os fundamentos da decência.

Não, senhores! Para derrubar um presidente, é preciso um pouco mais do que isso. Mas essa já é conversa para outro post.

Quero aqui deixar claro que não pretendi nem pretendo atacar a independência e a honradez dos jornalistas que trabalham para as empresas do grupo. Eu mesmo conheço alguns que estão entre o que essa profissão pode produzir de melhor, inclusive no caráter. O que fiz foi apontar a inclinação editorial do grupo, que não esconde - ao contrário: defende a posição - a sua vontade: quer a deposição do presidente.

Noto, no entanto, que uma posição editorial é diferente de uma campanha em ordem unida. A primeira pertence ao terreno jornalístico; a outra, ao da guerra.

Minha deferência e meu abraço àqueles todos que seguem a divisa que sigo: posso não falar tudo o que quero, mas só falo o que quero.
Rádio Corredor.
18/06/2017 08:43
Sr. Maicon Oneda não esta sobrando tempo para nossos administradores carpir as flores.Escuta-se pelos corredores já está existindo dificuldades com a folha então???
Herculano
18/06/2017 08:40
FHC, TEMER E A ELEIÇÃO ANTECIPADA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

A ideia foi a mesma: eleições já. Ela apareceu há cerca de três semanas, num momento reservado de desabafo do presidente Michel Temer. Voltou pela voz do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa nota com trechos critícos que recomendam sua transcrição:

"A ordem vigente é legal e constitucional (...) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto".

FHC afastou-se da liturgia constitucional da escolha do novo presidente pelo Congresso. Isso não é pouca coisa. Nas palavras dele, se a pinguela "continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular".

Essa manobra requer emendas constitucionais e mudanças profundas na ordem política. Temer poderia fazer um "gesto de grandeza" renunciando ao mandato, mas "eleições gerais" exigiriam a renúncia de todos os governadores e parlamentares. Os interessados em recuperar seus mandatos estariam obrigados a disputar uma eleição suicida.

Os prazos legais para tamanhas novidades tornam a ideia inviável, mas FHC colocou na mesa o ingrediente do tamanho da crise. A confusão que ele antevê ainda não chegou, mas será capaz de comer detalhes e prazos.

A abolição da escravatura foi discutida por mais de 50 anos, mas a tramitação do projeto que liquidou a fatura durou apenas 64 dias. A ideia de instituição do parlamentarismo rondou o Congresso por décadas, mas durante a crise de 1961, com o país à beira da guerra civil, a emenda constitucional que instituiu a nova forma de governo foi aprovada em 48 horas.

O "gesto de grandeza" de Temer resolveria muitos problemas. De saída, o dele, que poderia sair do palácio de cabeça erguida. Resolveria também o dilema do PSDB, que não consegue decidir se fica ou sai do governo.

Com uma eleição antecipada, o governo sairia do PSDB.

Uma eleição livre, sem regras de incompatibilização ou exigências de filiação partidária, daria um banho de detergente no cenário político nacional.

óBVIO

Se a proposta de eleições gerais de FHC for adiante, graças a um agravamento da crise que aplaine seus obstáculos, o candidato com maior aceitação nas pesquisas chama-se Lula.

Quem não gosta do risco de ter Lula no Planalto deve começar a pensar numa forma de militância para impedir que ele se materialize.

O RIO DOS ISENTOS

É possível que o Rio não tenha vivido um período de tão baixo astral desde 1711, quando a cidade foi saqueada e sequestrada pelo corsário francês Duguay Troin. Cabral está na cadeia, Pezão vive a ruína que ajudou a criar e abundam os bodes.

Para que se entenda melhor a raiz dos problemas da cidade, vale a pena transcrever um pedaço da entrevista que o prefeito Marcelo Crivella deu ao repórter Luiz Ernesto Magalhães:

"O Rio tem hoje cerca de 1,9 milhão de imóveis. Desses, 1,1 milhão não pagam IPTU. Em qual cidade do mundo isso acontece? Em média, as pessoas vão passar a contribuir com R$ 1 por dia. Mas há extremos a serem revistos. Há apartamentos na avenida Vieira Souto (Ipanema) que valem R$ 9 milhões e pagam R$ 6.000 de imposto".

NOTÍCIAS DO BUNKER

Talvez Michel Temer e os grão-duques do bunker que se montou no Planalto não saibam. Há gente de alta qualidade que prefere não passar por lá.

TUNGA

Não deu outra. O deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator do projeto de reforma política, desistiu do voto de lista, que já foi derrubado duas vezes pelo plenário, e veio com uma tunga.

Segundo o comissário, como estão proibidas as doações de empresas, será necessário engordar um fundo partidário. Calcula-se que ele comerá até R$ 3 bilhões. Isso resulta num avanço de R$ 15 no bolso de cada brasileiro.

O PSDB TEM DE TUDO, MENOS O NOVO

Dá pena a encalacrada em que se meteu o PSDB. Não é capaz de decidir se fica ou sai do governo de Michel Temer e também não sabe o que fazer com Aécio Neves, seu presidente e candidato derrotado na eleição de 2014. Se o PSDB tivesse algo de novo a oferecer, já teria aparecido alguém pedindo a defenestração de Aécio.

Segundo FHC, o prefeito João Doria seria um exemplo desse novo. Diante dos grampos de Joesley Batista, Doria condenou Aécio: "Quem usa esse tipo de linguagem não tem condição de proceder com equilíbrio as suas funções." Tudo bem, o senador pede R$ 2 milhões ao empresário e o problema estava em meia dúzia de palavrões.

O PSDB não mostra nada de novo porque nada de novo há no PSDB.

Em 1999, a União Democrata Cristã da Alemanha foi apanhada num escândalo de caixa dois (nada a ver com propina). A caciquia, comandada pelo ex-chanceler Helmut Kohl, empurrava o caso com a barriga, até que apareceu um artigo da secretária-geral do partido, a quem Kohl chamava de "a menina". Era Angela Merkel e pedia que o partido passasse por uma faxina, sem Kohl.

Ele fora chanceler por 16 anos e reunificara a Alemanha. Deixou a política e, até sua morte, raramente falava da "menina". Há poucos anos Kohl contou que, quando lhe ensinou as manhas da política, a moça não sabia comer com garfo e faca. Angela Merkel, o novo de 1999, é a chanceler da Alemanha desde 2005.

O ACORDO DE JANOT

A argumentação do ministro Luís Roberto Barroso em defesa da intocabilidade do acordo feito pela Procuradoria-Geral da República com os irmãos Batista parece irretocável.

Mesmo assim, um conhecedor das leis, que concorda com Barroso, acredita que há seis ministros do Supremo Tribunal Federal dispostos a mexer na caixinha de presentes que a PGR deu aos donos da JBS.

POUSO PARA CAXIAS

Não são só os drogados que se abrigam na praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, que precisam de novos abrigos. A imensa estátua equestre do Duque de Caxias que fica no centro do praça também merece lugar mais adequado.

O monumento tem a altura de um prédio de 12 andares e a estátua do cavaleiro brandindo uma imensa espada tem um espalhafato que mostra o talento do escultor Victor Brecheret, mas contradiz o temperamento reservado de Caxias, que nem honras fúnebres quis. O monumento é uma amostra da estética oficial dos anos 40.

A peça deveria ficar no amplo espaço do vale do Anhangabaú. Em 1960, decidiu-se que ela ficaria na praça Princesa Isabel e lá ficou, entalada, onde mal pode ser admirada.

Brecheret é famoso por outras peças, como o Monumento às Bandeiras. É pena que se fale pouco de seu grandiloquente Caxias.

COTAÇÕES

Um caso de colaboração premiada de um infrator de médio porte custou um pouco mais de R$ 1 milhão em honorários para o advogado. Só a discussão da colaboração, nada a ver com outras questões.

O único consolo é que o advogado está no primeiro time.
Herculano
18/06/2017 08:34
TIRA, PõE, DEIXA FICAR, por Carlos Brickmann

Tira: Fernando Henrique, em notável artigo, pôs gasolina na fogueira: sugeriu que o seu PSDB deixe o Governo e que o presidente Michel Temer proponha eleições diretas antecipadas para a sucessão.

Põe: mas Temer já estava preparado para neutralizar a proposta. Seus emissários no Congresso lembraram que mais de 150 deputados enfrentam ações penais ou inquéritos; o mesmo ocorre com cerca de 30 senadores. Quem vai querer que o precedente seja aberto, justo com Temer?

Tira: Joesley Batista, em depoimento à Polícia Federal, reafirmou que entregou uma mala com R$ 500 mil ao então deputado Rocha Loures, da estrita confiança de Temer e por ele indicado para receber o dinheiro, uma propina para retribuir ao presidente benefícios recebidos do Governo. Seria mais uma bomba num Governo cuja base política se derrete.

Põe: mas Temer liberou R$ 50 bilhões do velho e bom BNDES para os Estados. Os governadores, encalacrados em dívidas, sabem que, se Temer cair, caem junto suas promessas. Trabalharão por ele (e, a propósito, agora já se sabe por que Maria Sílvia deixou o comando do BNDES).

Deixa ficar: para que a Câmara autorize uma ação penal contra Temer (investigado por organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da Justiça), são necessários 342 votos. Se 341 deputados votarem contra Temer, a ação não poderá ser proposta. Se 172 deputados não comparecerem à sessão, Temer estará salvo. Quem tem de se esforçar para reunir votos, portanto, não é Temer: é o procurador-geral Rodrigo Janot.

VIDA QUE SEGUE

Agora, para Temer, o importante é mostrar que o Governo continua vivo. Escreveu um artigo sobre sua próxima viagem à Noruega e à Rússia (http://wp.me/p6GVg3-3vH), articula a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, ou do que sobrou delas depois da negociação política. A menos que haja manifestações de rua ou delações que o atinjam diretamente, vai conseguir aprová-las. Os sindicatos tentam ir às ruas, não para garantir direitos, mas manter de pé o imposto sindical que os financia.

PALAVRAS AO VENTO

A propósito, Fernando Henrique sabe que, a menos que o improvável aconteça, sua proposta não é realizável. Sabe que reformar a Constituição para convocar eleições diretas exige mais tempo do que o disponível até o fim do mandato de Temer. Sabe que conseguir 2/3 dos votos é difícil. E, apesar de seu prestigio, Aécio Neves e outros parlamentares de seu partido têm um compromisso maior do que com ele: com a própria sobrevivência.

PASSANDO A LIMPO

Enquanto a Lava Jato e outras investigações atingiram um dos lados do espectro político, receberam apoio do outro lado. Enquanto atingiram, fora do alvo principal, pessoas dificilmente defensáveis, tudo bem. Mas agora, que estão em risco políticos das mais diversas tendências e empresários, há uma união contra as investigações. Oficialmente, todos são favoráveis à Lava Jato e congêneres, "aguardando serenamente a decisão a Justiça". Na prática, é guerra: quando mais de 1/3 dos deputados e senadores estão ameaçados, não apenas politicamente, mas até de prisão, eles vão reagir.

A primeira iniciativa é suspender as ações penais contra senadores e deputados federais, medida prevista no artigo 53 da Constituição. Para que esta prerrogativa seja exercida, deve ser aprovada por maioria absoluta de deputados e senadores. Os parlamentares já atingidos, 1/3, são votos certos; quem não foi atingido mas sabe que pode ser deve votar também a favor.

GUERRA TOTAL

A medida é impopular, todos sabem, mas é melhor se arriscar a perder uma eleição do que passar algum tempo hospedado em Curitiba. Ficar sem mandato a partir de 2019 é ruim, mas pelo menos será em liberdade, A medida, em princípio, só não entrará na pauta em duas circunstâncias:

1 - Se houver possibilidade de derrota. Nesse caso, os parlamentares que votassem a favor perderiam a popularidade sem vantagem alguma;

2 - Se surgir outra ideia eficiente, de menor custo político. Porque todos sabem que a grande maioria dos eleitores se revoltará com a sujeirada.

A VOZ DO PLANALTO

Os articuladores da Presidência estão trabalhando para garantir mais votos contra as investigações. O jornalista Josias de Souza, em seu bom blog (https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/), conta que testemunhou o telefonema de um ministro de Temer a um parlamentar do PP, partido com 21 deputados atingidos pela Lava Jato. Cita: "Se a Procuradoria e o Supremo querem derrubar o presidente da República, imagine o que não farão com os parlamentares!"

É a batalha dos mandatos contra as togas

AS INVESTIGAÇÕES

Atenção ao depoimento de Antônio Palocci. Tem novidades explosivas.
Herculano
18/06/2017 08:27
BRIGA DE TEMER E JOESLEY NÃO PODE SER APARTADA, por Josias de Souza

O presidente da República e o dono da JBS decidiram trocar insultos na frente das crianças. Joesley Batista disse que Temer é "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil". Em resposta, Temer declarou que Joesley é "o bandido notório de maior sucesso na história brasileira." Atônita, a platéia observa o espetáculo em silêncio. Não convém discutir com peritos no assunto, pois ambos podem ter razão.

Muita gente está preocupada em Brasília com com os desdobramentos políticos do arranca-rabo. A turma do deixa-disso ameaça entrar em cena. A interrupção da desavença é o pior que poderia acontecer. A multidão vaiaria. E talvez gritasse, em uníssono: "Tem que manter isso, viu?"

Arranca-rabo nascido de um encontro fraternal do "chefe da quadrilha" com o "bandido notório" no escurindo do Palácio do Jaburu é um tipo de briga que pede para não ser apartada. Há um enorme interesse dos brasileiros pela continuidade do rififi. Estão todos ávidos para saber até onde os contendores permitirão que o melado escorra.

O espetáculo ficaria muito melhor se Lula e Aécio Neves ?"que Joesley acusa, respectivamente, de ter "institucionalizado a corrupção" e de ser "tão corrupto quanto os outros"?" entrassem na confusão com a mesma disposição de cuspir fogo exibida por Temer.

As crianças na faixa etária de 5 a 90 anos ficariam escandalizadas. Mas uma briga generalizada talvez ajudasse a esclarecer esse estranho período da história brasileira em que um governo em decomposição do PT foi substituído por uma administração podre do PMDB e a alternativa a ambos, representada pelo PSDB, não consegue demonstrar a diferença entre tucanos e protozoários.
Herculano
18/06/2017 08:24
UM ERRO POR OUTRO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

A política brasileira vive, nestes dias, um paradoxo de difícil solução. Ao mesmo tempo em que se torna consensual a percepção quanto aos vícios do sistema, as tentativas de reformá-lo se veem paralisadas, pela força mesma da crise que o acomete.

Com a Câmara dos Deputados prestes a examinar um pedido de investigação criminal sobre o presidente da República, já se compromete a agenda legislativa de Michel Temer (PMDB).

Se as iniciativas no campo econômico, apesar de suscitarem controvérsia, garantiam ao Planalto o respaldo de setores do empresariado e da academia, parece já ter nascido órfã ?"embora corresponda a uma expectativa difusa da sociedade?" a reforma política.

Espinhosa e complexa, a discussão tende a perder a pouca prioridade que tinha no Legislativo.

É assim que a comissão especial voltada a discutir o assunto na Câmara completa 15 dias sem se reunir. O relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP) decide-se por abandonar o que era o principal ponto de seu texto.

Não obtém mínimo apoio, com efeito, sua ideia de uma lista fechada de candidatos a deputado, elaborada previamente pelos partidos e submetida como um pacote ao eleitor. Seria, sem dúvida, uma imposição indesejável à liberdade de escolha dos cidadãos.

O risco é trocar-se, entretanto, um erro por outro. Como a lista fechada representaria, segundo seus defensores, um fator a diminuir sensivelmente os gastos de campanha, ressurge o problema de como financiar o pleito. Desde 2015, por decisão do Supremo Tribunal Federal, proibiram-se doações de pessoas jurídicas.

O ambiente configurado pelas revelações da Lava Jato inviabiliza iniciativas que visem a reexaminar, com racionalidade e sem tabus, uma fonte de financiamento legítima, desde que regulada com austeridade e transparência.

Resta aos políticos ?"que parecem rejeitar limites rígidos de gastos e debates alheios às pirotecnias do marketing?" a opção automática, e abominável, que sempre conheceram: aumentar o financiamento público das campanhas.

A proposta é elevar para R$ 3 bilhões ?"mais R$ 820 milhões do fundo partidário e R$ 580 milhões de renúncia fiscal correspondente ao chamado horário gratuito na TV?" o custo, para o conjunto da sociedade, das campanhas eleitorais.

Espoliado pelos escândalos de corrupção sem fim, o cidadão se vê constrangido a pagar mais pela farra das promessas, dos jatinhos, dos efeitos especiais e da mendacidade de seus políticos. A crise não os corrige; tratam de garantir, com mais dinheiro, sua reeleição.
Sidnei Luis Reinert
17/06/2017 19:59
"Consciência ética de político é medo da Polícia"


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Qualquer um com um pouquinho de discernimento já verificou a gravidade da situação brasileira, no curtíssimo prazo. Novamente, a Nova República nos "brinda" com um Presidente da República totalmente desmoralizado, impopular, investigado por crimes ligados à corrupção. Tão ou mais grave que isto é que a Procuradoria Geral da República está prestes a denunciá-lo, porém a maioria corrupta e clientelista da Câmara dos Deputados não dará autorização para que o Supremo Tribunal Federal processe o titular do Palácio do Planalto (ou da cama da bela Marcela).

Tal situação é pra lá de surreal. Atingimos o resultado mais desastroso daquela tal de "Nova República" ?" que já nasceu esclerosada em 1985, com a posse espúria de José Sarney, em função da morte do Presidente (eleito indiretamente) Tancredo Neves que nem conseguiu tomar posse. Sarney, que continua mandando no pedaço até hoje, fez um governo desastroso e ajudou a promulgar uma Constituição que ele mesmo classificou de problemática. Foi sucedido por Collor ?" que acabou impedido.

O vice que o sucedeu, Itamar Franco, nos deu uma ilusão de melhora com o Plano Real, que fez um serviço incompleto, sem as mudanças estruturais necessárias. Seu legado foi a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que negociou com o Diabo para conseguir uma reeleição, fracassou no segundo mandato, e abriu caminho para o desastre de 13 anos de nazicomunopetralhismo, com Lula (duas vezes) e Dilma Rousseff (também em dobro), até ser derrubada, para a entrada temerária de quem está hoje por um fio.

A escrota Nova República (1985 até quando mais vai durar?) é uma sucessão de escândalos derivados da corrupção sistêmica gerada e reproduzida pelo Crime Institucionalizado, fruto podre de um modelo estatal Capimunista Rentista. Anos atrás, tivemos a ilusão de que chegamos ao máximo da vergonha nacional com escândalo do Mensalão, com punições meia-boca impostas pelo Supremo Tribunal Federal para julgamento de políticos corruptos. Como não se mudou a estrutura, o Mensalão não morreu, se sofisticou e acabou expondo a Lava Jato ?" descoberta acidentalmente em uma investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A Lava Jato é motivo de orgulho nacional. Produziu heróis nacionais a partir do modelo Sérgio Moro e dos jovens (ou nem tão novos) procuradores da Força Tarefa do Ministério Público Federal. Obrigou um Procurador Geral da República a não ser um "Engavetador-Geral". Popularizou o Supremo Tribunal Federal, embora tenha ajudado a produzir uma falsa noção de que todos os problemas brasileiros podem se resolver pela via judicial. Talvez a mais perigosa ilusão seja a crescente judicialização da política (ou da politicagem). No entanto, a Lava Jato não produziu mudanças. Até porque nem era o papel originário dela. No entanto, chamou a atenção para a necessidade de mudarmos o Brasil, de verdade.

O cineasta, jornalista e livre pensador Arnaldo Jabor, na "opinião do Jornal da Globo" na noite sexta para este sábado, tocou em vários gargalos e paradoxos do momento político brasileiro. Na verdade, Jabor fez um rápido resumo de nossa deficiência histórico-cultural e apontou qual o nosso grande e verdadeiro problema a ser resolvido o mais urgentemente possível. Resumindo: a sociedade brasileira e seus segmentos esclarecidos ainda não levaram a sério sua missão de definir um Projeto Estratégico para o Brasil. Falhamos em não formular planos com soluções reais e efetivas para mudar o Brasil para melhor, e não apenas ficar enxugando gelo. Vale pensar seriamente sobre o recado de Jabor ?" que, não por mera coincidência, é a maior preocupação atual dos militares brasileiros.

Jabor: "A luta contra corrupção não pode nos cegar para o principal: Quais são os planos para mudar a velha estrutura histórica que nos formou? Não temos... Estamos vidrados nessa história policial, querendo saber se o Temer sai, se o Temer fica... Digamos que o Temer saia. Eleição direta, indireta, não resolvem o terrível vazio teórico e programático que nos ameaça. Não há reflexão sobre reformas profundas, muito além da previdência e do trabalho, aliás já aguadas pelo oportunismo do Temer. Sem dúvida, uma nova consciência ética se forma com a Lava Jato. Ou melhor: há um crescimento do medo. Como diria Nelson Rodrigues, 'consciência ética de político é medo da polícia'. E todos dizemos que, se as reformas não forem aprovadas, o Brasil vai para o brejo. Mas como será esse brejo? Será o seguinte: a desorganização maior do Estado falido, a falta de grana para pagar funcionários e aposentados, a degradação da infraestrutura, o aumento brutal da criminalidade, o desemprego em massa, mais miséria para os já miseráveis, a classe média desorientada, pairando acima de todos a desesperança sobre o presente e o futuro. Tem de haver uma grande reforma do patrimonialismo que nos formou, em que o Estado é dominado pelas oligarquias. A Lava Jato é o primeiro passo para sairmos da barbárie. Mas conseguiremos chegar a uma civilização?"

Por tudo isso, ficamos diante do paradoxo que deixa tanta gente bestificada, desanimada ou muito pt da vida. A questão pode ser bem resumida pela indagação (com três pontos de interrogação) feita pela cidadã carioca Eliane Cantini, em um comentário na página da cientista política Celina Vargas do Amaral Peixoto, no Facebook: "Os internautas clamam por mudanças, mas estão realmente dispostos a mudar???".

Eis o megaparadoxo tupiniquim. As mudanças estão ocorrendo, mas em velocidade aquém do ideal ou do necessário. A pista para a uma resposta à dúvida da internauta esteja no comentário do Jabor (vale reler ou rever). Sem querer ou querendo, as pessoas se tornam reféns da estrutura estatal. Ainda mais no Brasil onde a maioria se acostumou ou foi adestrada a ser "estadodependente"...

Assim, voltamos à tragicomédia institucional (que alguns insistem estar dentro da "normalidade"). Temer viaja para Rússia e Noruega, deixando Rodrigo Maia uma semana como Presidente Interino da República, para alegria do Papai César Maia e do Sogrão Moreira Franco. Ironia é que Temer "sai fora", mas a coisa por aqui segue russa e muito, mas muito longe da realidade norueguesa... Temer teme ser defenestrado, mas segue fingindo que é corajoso, em um show de autoengano ou cinismo...

A nossa sorte, repetindo o flamenguista enrustido Nelson Rodrigues, é que: "Consciência ética de político é medo da Polícia"... Mas o chefe da Polícia só não manda avisar isto, porque o telefone dele, certamente, está grampeado...
Herculano
17/06/2017 17:44
OS POLÍTICOS BRASILEIROS ESTÃO SENDO PASSADOS A LIMPO.

ISSO É BOM PARA SE CONHECER O GRAU DE BANDITISMO DELES CONTRA OS PAGADORES DE PESADOS IMPOSTOS QUE SUSTENTAM AS ELEIÇÕES, OS POLÍTICOS, OS ALTOS SALÁRIOS E DIÁRIAS, A ROUBALHEIRA DESENFREADA DELES E A GUERRA QUE TRAVAM PELA PERPETUAÇÃO NO PODER USANDO OS ELEITORES ANALFABETOS, IGNORANTES, DESINFORMADOS E FANÁTICOS.

MICHEL TEMER DECIDE PROCESSAR JOESLEY APóS ACUSAÇÃO QUE FEZ EM ENTREVISTA À REVISTA ÉPOCA

Conteúdo do jornal Folha de S.Paulo. Texto de Marina Dias, Rainer Bragon e Rubens Valente, da sucursal de Brasília.O presidente Michel Temer decidiu processar Joesley Batista, sócio do grupo J&F, após o empresário afirmar, em entrevista à revista "Época", que o peemedebista lidera a "maior organização criminosa do país".

Temer divulgou uma longa nota neste sábado (17) para dizer que entrará, na segunda-feira (19), com ações civil e penal contra o empresário, como antecipou a Folha, e que o governo "não será impedido de apurar" crimes praticados por Joesley.

"Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação", diz o texto.

Segundo a Folha apurou, o presidente acredita que o Ministério Público Federal vai utilizar as novas declarações do empresário para "reconstruir" a base da denúncia que deve apresentar contra Temer na próxima semana.

Na nota, o presidente acusa Joesley de "desfiar mentiras em série", proteger "estrategicamente" o PT e critica a impunidade conferida ao empresário, em uma referência indireta à PGR (Procuradoria-Geral da República) e seu comandante, Rodrigo Janot.

À "Época", Joesley diz que o ex-presidente Lula "institucionalizou" a corrupção no país, mas que nunca teve uma conversa não republicana com o petista.

Segundo a nota de Temer, porém, a relação da JBS com o governo começou na gestão petista, na qual estavam "os verdadeiros contatos do submundo" do empresário e "as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam".

"Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios", diz a nota.

E segue: "[Joesley] obtém perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores".

Integrantes do governo admitem, em caráter reservado, que o discurso do empresário cria um novo abalo político para o Planalto, que está mergulhado em uma grave crise há um mês, desde que vieram a público os detalhes da delação da JBS.

A ordem de Temer, portanto, é manter a ofensiva contra a JBS e contra a PGR que, segundo assessores do presidente, claramente investe em uma "escalada" contra o governo, cujo próximo passo, acreditam, deve ser a prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Na entrevista, Joesley afirma que Geddel era o "mensageiro" responsável por informar Temer sobre pagamentos feitos pelo empresário ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde o ano passado em Curitiba.

Ainda de acordo com Joesley, Geddel o procurava quinzenalmente para se atualizar sobre a compra do silêncio de Cunha e repassar as notícias ao presidente. "Era uma agonia terrível", diz o empresário.

Em suas novas declarações, o sócio da J&F confirma o que disse em seu depoimento à PGR sobre pagar Cunha e o operador Lúcio Bolonha Funaro, também preso, para que ambos não o delatassem.

Para Joesley, Temer é o chefe de uma organização criminosa que contava com Cunha, Geddel, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preso há dez dias, e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Um dos principais auxiliares de Temer, Moreira nega qualquer irregularidade e diz que as declarações do empresário são uma "suspeição afrontosa".

"Politicamente, dentro do PMDB, eu militei no grupo liderado pelo presidente Michel Temer mas jamais participei ou vi práticas ilícitas. É uma suspeição afrontosa o que esse senhor levanta", declarou Moreira à Folha.

"É surpreendente a ousadia e a desenvoltura em mentir do contraventor Joesley Batista. Estive com ele uma única vez, em um grupo de brasileiros, numa viagem de trabalho em Pequim, ocasião em que me foi apresentado. E nunca mais nos encontramos. Seu juízo a meu respeito é o de quem quer prestar serviço e para tal, aparenta um relacionamento que nunca existiu."

BASE ALIADA

Auxiliares de Temer avaliavam como "frágeis" os elementos que seriam utilizados para sustentar as acusações contra o presidente ?"baseadas na gravação de uma conversa entre Temer e Joesley?" mas agora admitem, em caráter reservado, que o novo discurso do empresário pode corroborar as suspeitas por corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa e robustecer a denúncia.

No Congresso, o plano da coalizão governista é partir para o ataque contra Joesley e o Ministério Público por meio da CPI criada, mas ainda não instalada, para tratar da delação da JBS.

Um dos aliados de Temer, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) diz que o presidente é o primeiro a defender que tudo seja investigado e esclarecido: "Esse sujeito [Joesley] é réu confesso e tem um acordo de delação que o livrou desse monte de sujeira. Do outro lado, tem pessoas que negam as acusações. Tem que se investigar tudo."

A oposição, por sua vez, aposta nas novas declarações como mais uma fato que pode "antecipar" a saída de Temer do cargo.

O líder da bancada do PT na Câmara, Carlos Zarattini (PT-SP), afirmou que a entrevista de Joesley diz que "a denúncia é muito grave, colocou Temer como líder de uma quadrilha". "À medida em que a denúncia de Janot for chegando ao Congresso, a maioria que o governo diz que tem agora vai acabar se esfarelando. Vai se acabando essa maioria. É insustentável esse governo. O PSDB vai desembarcar do governo. Se ainda fosse um governo com popularidade, mas nem isso ele tem", afirma o petista.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:

"Em 2005, o Grupo JBS obteve seu primeiro financiamento no BNDES. Dois anos depois, alcançou um faturamento de R$ 4 bilhões. Em 2016, o faturamento das empresas da família Batista chegou a R$ 183 bilhões. Relação construída com governos do passado, muito antes que o presidente Michel Temer chegasse ao Palácio do Planalto. Toda essa história de "sucesso" é preservada nos depoimentos e nas entrevistas do senhor Joesley Batista. Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos.

Ao bater às portas do Palácio do Jaburu depois de 10 meses do governo Michel Temer, o senhor Joesley Batista disse que não se encontrava havia mais de 10 meses com o presidente. Reclamou do Ministério da Fazenda, do Cade, da Receita Federal, da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central e do BNDES. Tinha, segundo seu próprio relato, as portas fechadas na administração federal para seus intentos. Qualquer pessoa pode ouvir a gravação da conversa na internet para comprová-lo.

Em relação ao BNDES, é preciso lembrar que o banco impediu, em outubro de 2016, a transferência de domicílio fiscal do grupo para a Irlanda, um excelente negócio para ele, mas péssimo para o contribuinte brasileiro. Por causa dessa decisão, a família Batista teve substanciais perdas acionárias na Bolsa de Valores e continuava ao alcance das autoridades brasileiras. Havia milhões de razões para terem ódio do presidente e de seu governo.

Este fim de semana, em entrevista à revista "Época", esse senhor desfia mentiras em série.

A maior prova das inverdades desse é a própria gravação que ele apresentou como documento para conseguir o perdão da Justiça e do Ministério Público Federal por crimes que somariam mais de 2000 mil anos de detenção. Em entrevista, ele diz que o presidente sempre pede algo a ele nas conversas que tiveram. Não é do feitio do presidente tal comportamento mendicante. Quando se encontraram, não se ouve ou se registra nenhum pedido do presidente a ele. E, sim, o contrário. Era Joesley quem queria resolver seus problemas no governo, e pede seguidamente. Não foi atendido antes, muito menos depois.

Ao delatar o presidente, em gravação que confessa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes. Em seguida, cometeu ilegalidades em série no mercado de câmbio brasileiro comprando US$ 1 bilhão e jogando contra o real, moeda que financiou seu enriquecimento. Vendeu ações em alta, dando prejuízo aos acionistas que acreditaram nas suas empresas. Proporcionou ao país um prejuízo estimado em quase R$ 300 bilhões logo após vazar o conteúdo de sua delação para obter ganhos milionários com suas especulações.

Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios. Obtém perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores.

O presidente tomará todas medidas cabíveis contra esse senhor. Na segunda-feira, serão protocoladas ações civil e penal contra ele. Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República"
Herculano
17/06/2017 12:48
MARCO AURÉLIO NEGA RECURSO DE AÉCIO PARA PLENÁRIO DO STF ANALISAR PEDIDO DE PRISÃO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Julia Lindner. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou recurso da defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para que o pedido de prisão contra ele, apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), seja apreciado pelo plenário da Corte e não pela Primeira Turma.

O advogado de Aécio, Alberto Toron, alegava que a análise do pedido de prisão é uma questão "da mais alta relevância e gravidade" e, portanto, deveria ser remetida ao plenário. Já Marco Aurélio entendeu que "o desfecho desfavorável a uma das defesas é insuficiente" para este deslocamento e manteve sua decisão anterior.

Na semana passada, Marco Aurélio afirmou que o recurso da PGR reforçando o pedido de prisão de Aécio será analisado na próxima terça-feira, 20, pela Primeira Turma - formada pelos ministros Marco Aurélio, Luiz Fux, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Há menos de uma semana, esta mesma composição negou o pedido de liberdade de Andrea Neves, irmã do senador, presa desde o dia 18 de maio pela Operação Patmos. O placar foi apertado e terminou em 3 a 2. Barroso, Rosa e Fux votaram pela manutenção da prisão, enquanto Marco Aurélio e Alexandre se manifestaram pela revogação da medida.

Relator da Lava Jato na Corte, o ministro Edson Fachin inicialmente negou o pedido de prisão feito pela PGR e determinou apenas o afastamento de Aécio do mandato parlamentar. O tucano é acusado de ter acertado e recebido por meio de assessores vantagem indevida no valor de R$ 2 milhões JBS. A PGR, no entanto, insistiu no pedido e o recurso foi sorteado para análise de Marco Aurélio.

Para a PGR, mais do que afastado, Aécio deveria ser preso. Segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, "o senador teria tentado organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem, por meio da escolha dos delegados que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições, mas isso não teria sido finalizado entre ele, o Michel Temer e o ministro da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Janot defende que, devido à alta gravidade do delito e o risco de reiteração, a prisão preventiva é "imprescindível para a garantia da ordem pública". Segundo ele, "são muitos os precedentes do Supremo Tribunal Federal que chancelam o uso excepcional da prisão preventiva para impedir que o investigado, acusado ou sentenciado torne a praticar certos delitos enquanto responde a inquérito ou processo criminal, desde que haja prova concreta do risco correspondente".

A defesa do senador afastado, no entanto, alegou inexistência de crime inafiançável por parte do tucano, ao rebater o segundo pedido de prisão feito pela PGR. "A menos que rompamos de vez com os princípios constitucionais mais caros da nossa República, a decretação de prisão do Senador Aécio Neves é uma verdadeira aberração", diz a defesa de Aécio.

Mandato. A Primeira Turma do STF também deve examinar na próxima semana recurso da defesa de Aécio para que ele retorne ao exercício do mandato de senador. A defesa também solicitou mais dez dias de prazo para se defender do pedido de prisão, já que a PGR apresentou "fato novo" na justificativa do pleito enviado ao Supremo.

No documento, Janot utilizou uma postagem de Aécio em rede social na qual ele aparece ao lado dos senadores do PSDB Tasso Jereissati (CE), Antonio Anastasia (MG), Cássio Cunha Lima (PB) e José Serra (SP) e diz, na legenda, que a "pauta" da reunião são as "votações no Congresso e a agenda política". Para Janot, o encontro mostra que Aécio continua exercendo suas atividades político-partidárias, mesmo não comparecendo mais às sessões no Senado.
Herculano
17/06/2017 12:44
JOESLEY NA "ÉPOCA": ESFORÇO DESESPERADO DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO PARA DEPOR TEMER, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV.

Em entrevista, o maior bandido da história do país (245 crimes confessados) diz que Michel Temer é chefe de uma organização criminosa. É mesmo? Então vamos pensar.

Não é pouca coisa. Desde 1º de abril de 1964, está no poder um governo que não conta com o apoio das, como posso chamar?, "Organizações Globo". Ao contrário: elas atuam para derrubá-lo. E, para tanto, não medem esforços. Há procedimentos que até podem ser confundidos com jornalismo.

Estamos falando dos últimos 53 anos. Notem: o próprio Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, um homem acostumado a ser independente, não se se sente à vontade para endossar institucionalmente o governo. Sabe que estaria na contramão de aliados históricos. Afinal, os Marinhos nunca lhe faltaram, e ele não pode lhes faltar numa hora como esta: os veículos da família apostaram tudo no sucesso da blitzkrieg. Era para Michel Temer cair em suma semana. Mas ele não caiu.

E agora?

E agora? Na semana em que a revista "IstoÉ" evidencia o clima de terror que vigora no Ministério Público Federal, eis que Joesley Bastista, anti-Macunaíma das Organizações Globo, o herói cheio de caráter ?" ele confessou apenas 245 crimes -, concede uma entrevista à revista "Época" que tem o claro objetivo de constranger o Supremo Tribunal Federal.

Esse monumento moral que é Joesley decide acusar o presidente Michel Temer de ser o "chefe da maior e mais perigosa organização criminosa" que há no país. Que coincidência! Será justamente essa a acusação a ser feita por Rodrigo Janot, procurador-geral da República. É desse princípio que partiu Edson Fachin, relator auto-outorgado do caso, para tomar suas decisões. Nos veículos da "Organização" - TVS (aberta e a cabo), rádios e jornais -, não há uma só crítica, nem a mais remota, às ações ilegais ou autoritárias que buscam depor Michel Temer. Ao contrário: editorial do jornal "O Globo" pregou a deposição.

"Que é isso, Reinaldo? Vai se comportar como a esquerda agora? Vai gritar palavras de ordem contra pessoas da Globo em aviões?"

Ah, não! A turma da emissora sabe que não sou esse tipo de vagabundo. Sabe que não me perco em pensamentos genéricos. Inclusive quando julguei necessário defender o grupo de ataques que considerei injustos.

Onde estão as evidências de ilegalidade? Pois não! Se seus donos e editores ainda não descobriram, eu digo.

- A gravação, EDITADA, da conversa com o presidente é uma prova ilícita, que fere o Inciso LVI do Artigo 5º da Constituição. Aceito, claro, um contra-argumento. Mas não me tragam "opiniões". Cobro que evidenciem que a letra da Constituição foi suplantada por algum outro título legal;

- Edson Fachin nunca foi o relator natural do caso porque, obviamente, este nada tem a ver com o petrolão. Assim, violou-se o fundamento do juiz natural, triplamente assegurado na Constituição de 1988: Artigo 5º, incisos XXXVII ("Não haverá juízo ou tribunal de exceção"), LIII ("Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente") e LIV ("Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal").

Essas são as duas agressões primitivas ao devido processo legal, das quais outras tantas decorreram, com o beneplácito dos veículos da "Organização", que passaram a atuar como ordem unida. Não se leem, não se veem nem se ouvem em notícias nem no material opinioso:
- críticas aos critérios solipsistas que definem as prisões preventivas;
- críticas a métodos característicos de um Estado policial; ao contrário: os veículos passaram a atuar como colaboradores da agressão sistemática a direitos individuais;
- críticas aos métodos heterodoxos a que recorrem procuradores, inclusive o geral, para provocar alarido na opinião pública. Como definiu Nina Lemos, uma jornalista de esquerda, que não é da minha turma, Deltan Dallagnol, por exemplo, se comporta como uma "blogueira teen", que decide dizer nas redes tudo o que lhe passa pela cabecinha confusa, ornada por duas faces rosadas. Ocorre que ele é coordenador da Força Tarefa da Lava Jato, que deveria colaborar para pôr o Brasil nos trilhos; em vez disso, parece haver um esforço deliberado para afundar o país.

A revista "Época", do grupo, traz uma entrevista com Joesley. Com o devido respeito, juro!, aos profissionais envolvidos na operação, estamos diante de uma das coisas mais vergonhosas que já se fizeram no país sob a chancela de "jornalismo".

Não! Não se trata de defender ou de atacar Michel Temer; de crer ou não crer nas sua honestidade pessoal, de apostar ou não na sobrevivência do seu governo. Trata-se de dar a palavra, sem contestação, a um bandido confesso, beneficiado - a exemplo de outros, mas com ainda mais licenças - por uma delação premiada espúria e por um acordo de leniência idem. Nos dois casos, os lesados são os brasileiros.

Já fiz a conta que as Organizações Globo não querem fazer: o 0,25 ponto percentual a menos na redução de juros custa, em 12 meses, algo em torno de R$ 6,5 bilhões. E a mais recente redução da Selic foi de 1%, não de 1,25%, por causa de Joesley e sua organização criminosa. O Boletim Focus já reduziu em 0,1 ponto percentual a expectativa de crescimento neste ano em razão dessa crise. Parece pouco? Estamos falando de R$ 6,3 bilhões. É o que custa cada 0,1 ponto percentual que deixarmos de crescer. O que está dado hoje: o grupo J&F pagará R$ 10,3 bilhões de multa ao longo de 20 anos, e o país já levou no lombo, até agora, um esperto de quase R$ 13 bilhões em um ano.

E Joesley comparece à revista "Época" como herói da resistência, apto a apontar Michel Temer como chefe da organização criminosa? Quem o faz é o sujeito que confessou 245 crimes e, como garantia da impunidade e da imunidade, só tinha de entregar o presidente da República. Deveria haver um limite para o ridículo. Mas parece que tal limite se perdeu de vista diante do horizonte golpista.

Empreitada irresponsável
O que levou as "Organizações" a adotar essa postura? Não sei. A esquerda fica fantasiando coisas: "Ah, é a publicidade". Besteira! Uma empresa do grupo, a Seara, está entre os 20 maiores anunciantes do país, sim, mas em 16º lugar (dados de 2016). Será a Globo dando sequência a seu mea-culpa pelo apoio do patriarca, Roberto Marinho, ao golpe de 1964? Não sei. Houve, no caso, uma abjuração até exagerada. Seria curioso que os contemporâneos tentassem purgar, com o apoio a um novo golpe, a sua herança culpada em razão de um? golpe! Um amigo, um tanto indignado, recomenda: "Pesquise as apostas cambiais também das organizações, não só da J&F". Se alguém tiver tempo para isso, que o faça. Eu não tenho.

Não sei as razões, mas sei o tamanho da irresponsabilidade da empreitada. Dar apoio objetivo a métodos ilegais de investigação; acatar como verdades absolutas, aptas a depor um governo, as palavras de um criminoso contumaz; apostar todas as fichas nessa deposição quando não se tem claro nem o rito que se seguiria para a ascensão de um presidente eleito pelo Congresso ?" acho que, a esta altura, a Globo já percebeu que Cármen Lúcia não tem fôlego ?", bem, tudo isso é de uma irresponsabilidade gigantesca.

Virulência
A entrevista deste bandido à "Época" é só a expressão do agravamento de uma virulência que parece já ter vislumbrado a própria derrota. Atenção! Para todos os efeitos, o sr. Joesley está à disposição do Ministério Público Federal, que ainda pode denunciá-lo, e da Justiça. Uma entrevista com tal teor não seria concedida sem a prévia concordância de Rodrigo Janot, que está a dias de entregar a sua denúncia.

É um acinte à inteligência que Joesley, o grande amigo de Lula, seja a peça central de uma armação disposta a depor Michel Temer. O açougueiro de instituições, claro!, acusa também o petista, que teria profissionalizado a corrupção no Brasil. Faz parte dos chamados "saludos a la bandera". Sem a admissão de um Lula também corrupto, a entrevista se limitaria apenas ao ridículo. Mas o alvo primeiro é Temer, como se nota. Em seguida, Aécio Neves. A ópera bufa de Janot prosperou até aqui.

E que se note: Joesley veio para enterrar a expressão "petrolão". E também retirou do mercado político o PT como o responsável pelo maior escândalo da história do país. No lugar dessa narrativa, há outra, já vocalizada pela "blogueira teen" de faces rosadas: "o combate à corrupção", assim, de modo genérico, sem atores, o que, obviamente, é uma prática que absolve o PT.

A entrevista de Joesley é uma das últimas cartadas para tentar depor o presidente. Os autores da patuscada já não sabem o que fazer. Contavam com o depoimento bombástico de Eduardo Cunha, que não veio. Não por acaso, Joesley diz o que qualquer pessoa que acompanha política sabe ser falso como nota de R$ 3: o ex-deputado seria um subordinado de Temer. É brincadeira!

Sem saída
A articulação golpista está sem saída. Eis o sentido dessa entrevista. É nesse contexto que entendo o estranho discurso de Fernando Henrique Cardoso, que decidiu apelar à generosidade de Temer, falando até em antecipação das eleições, em consonância, sim, com as Organizações. Não que FHC faça parte do golpe. Claro que não! Mas é fato que ele decidiu não atuar na resistência, daí o apelo àquela que seria uma saída, digamos, "democrática". Nota: nem ao povo, numa democracia, é dado violar a Constituição. Imaginem eleições diretas agora? Lula não quer outra coisa.

E o ex-presidente deveria saber, ou fica sabendo agora, que a Constituição se pronuncia duas vezes sobre o caso: o Parágrafo 1º do Artigo 81 é afirmativo: "Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei." E o Inciso II do Parágrafo 4º do Artigo 60, o das cláusulas pétreas, é proibitivo: "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir (?) o voto direto, secreto, universal e periódico". Esse "periódico" quer dizer que não se muda a data da eleição na vigência do período definido por lei. Se FHC se lembrar bem, a malfadada emenda da reeleição, que seu governo patrocinou, não mudou a periodicidade do voto.

Encerro
Como encerrar este texto? As Organizações Globo, em parceria com as esquerdas - que hostilizam seus profissionais, com a covardia costumeira -, decidiram depor o governo. E, como se vê, optaram pelo vale-tudo. Quem perde a noção dos limites institucionais acaba, fatalmente, apoiando o golpismo e a agressão a direitos e garantias individuais.

"Teoria conspiratória"? Que besteira. A dita-cuja se alimenta da ausência de fatos - é o caso dos ETs, que nunca aprecem em Nova York ou São Paulo -, e eu lido com uma pletora deles.
Luis Cesar Hening
17/06/2017 10:17
para quem reclamou sobre o decimo, bom o problema como muitas vezes aconteceu no passado foi solucionado, o dinheiro ja esta na conta. Foi apenas um problema que ocorreu com arquivos da caixa, pois quem recebia em outros bancos recebeu normalmente ontem.
De Olho
17/06/2017 09:49
Samae - INUNDADA

Tomei conhecimento hoje que um petista ex-braço direito do el bigodon Soly, hoje pessoa de confiança de Melato, mecânico (não entende nada de mecânica), responsável pelis veiculos PASMEM mandou desligar a tração da retro escavadeira porquê tem um "operador" que não sabe e não gosta de operar maquina traçada. Pode isso? Com Melato e Kleber pode. Vergonha, o povo que sofre. Não quem não quiser acreditar vá lá no SAMAE INUNDADA verificar. Falta competência e vergonha na cara, tanto do irresponsável por veiculos, como também do chefe mor.
EXECUTIVO DE QUINTA CATEGORIA - macaco veio...
Herculano
17/06/2017 09:33
MÉDICO PEDE MAIS EXAMES NO BRASIL DO QUE EM PAÍS RICO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Reportagem e texto de Fabiana Cambricoli com Isabela Palhares. Dados inéditos da Agência Nacional de Saúde Suplementar apontam que as solicitações de tomografia e ressonância por convênios particulares cresceram 22% em dois anos; para especialistas e ANS, muitas solicitações podem ser feitas de forma indevida

Eliane Ferreira Santiago, de 37 anos, convive desde criança com dores fortes em todo o corpo e uma fadiga crônica. Foi em diversos médicos e conta que fez, em diferentes faixas etárias, vários exames. Os médicos de planos de saúde brasileiros já pedem mais exames de tomografia e ressonância do que profissionais de países desenvolvidos, segundo dados inéditos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) obtidos pelo Estado.

O número desses procedimentos por pacientes de convênios médicos no País cresceu 22% em apenas dois anos, o que, segundo a ANS e especialistas, indica que muitas solicitações podem estar sendo feitas indevidamente. Entre as principais razões para a realização excessiva dos procedimentos estão falhas na formação médica, interesses financeiros de hospitais e laboratórios e má remuneração por parte das operadoras aos prestadores de serviço. O fenômeno, além de aumentar o desperdício de recursos no sistema privado, ainda traz riscos aos pacientes, como a exposição frequente a radiações comuns em exames de imagem.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são usadas como referência pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para avaliar o acesso aos recursos de saúde na área de tecnologia médica. Enquanto nessas 35 nações - incluindo algumas das mais desenvolvidas do mundo, como Alemanha, França e Estados Unidos -, a média anual de ressonâncias é de 52 por 1 mil habitantes, no sistema suplementar brasileiro o índice foi de 149 por 1 mil beneficiários em 2016, segundo o mais recente Mapa Assistencial da Saúde Suplementar da ANS, que será publicado nesta semana. A média de tomografias realizadas também é superior nos planos de saúde do Brasil em 2016 em comparação com países ricos: 120 exames por 1 mil habitantes nas nações da OCDE ante 149 por 1 mil beneficiários dos convênios médicos brasileiros.

Considerando os números absolutos, o número de ressonâncias feitas por pacientes de convênios passou de 5,7 milhões em 2014 para 7 milhões em 2016, alta de 22%. Já o de tomografias passou de 5,9 milhões para 7 milhões no mesmo período, crescimento de 18%. Mesmo se avaliados todos os tipos de exames feitos por beneficiários de planos, houve aumento de 12% no número de procedimentos entre 2014 e 2016.

Desperdício. Para Karla Coelho, diretora de normas e habilitação de produtos da ANS, a diferença entre os índices do Brasil e de outros países traz um alerta. "É um desperdício de recursos. Enquanto os prestadores de serviço, como hospitais e laboratórios, forem pagos por procedimento e não por qualidade, o número de exames será infinito", diz ela.

Já o professor da Faculdade de Medicina da USP Mario Scheffer destaca que "os convênios não trabalham tanto com prevenção e promoção de saúde, ficam focados na atenção especializada e, muitas vezes, ainda pressionam os médicos a fazerem atendimentos rápidos para que seja possível atender mais pacientes no mesmo dia". "Assim, o tempo que deveria ser gasto com anamnese e conversa com o paciente é substituído pela indicação de exame."

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha ressalta que, além da questão da baixa remuneração pelos planos de saúde, as falhas na formação médica podem estar contribuindo para esse cenário de dependência do uso de tecnologia nos diagnósticos. "O médico que não tem competência suficiente para uma avaliação clínica vai tentar compensar com pedidos de exames."

Exemplo. Eliane foi diagnosticada com reumatismo, mas as dores nunca passavam. "Há uns dez anos, comecei a pesquisar por conta própria e vi que tinha todos os sintomas de fibromialgia. Procurei um médico e depois disso é que ele conseguiu me diagnosticar", diz. Hoje, criou até um grupo sobre a doença nas redes sociais. "Quase todo mundo com a síndrome demorou anos para descobrir porque os médicos não prestam atenção aos sintomas que o paciente descreve. É uma negligência que traz sofrimento."

30% dos resultados nunca chegaram a ser consultados

Diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Pedro Ramos afirma que são os hospitais, laboratórios e até mesmo alguns médicos os responsáveis pelo excesso de exames realizados. "Os tomógrafos no Brasil viraram máquinas de fazer dinheiro. Os prestadores de serviço lucram e há profissionais que chegam a ganhar comissão por prescrever mais procedimentos. Saúde não é isso. Não somos contra a tecnologia, mas ela tem de ser usada quando necessária", comenta.

Ele relata que 30% dos exames de imagem realizados por pacientes de convênios médicos nem sequer têm os resultados retirados (já considerando os que são acessados pela internet). "Isso aumenta gastos das operadoras e, por consequência, as mensalidades dos planos."

Segundo a diretora da ANS Karla Coelho, a agência tem apostado, como principal estratégia para minimizar o problema, na discussão de novos modelos de contrato entre prestadores de serviço e operadoras. O ideal, diz ela, é que o pagamento fosse feito por resolutividade e não por procedimento feito. No formato almejado, os planos deveriam remunerar melhor também os prestadores que investissem em ações de prevenção de doenças. "Há algumas iniciativas de algumas empresas e um grupo de trabalho interno na ANS."
Herculano
17/06/2017 08:56
GUERRA DE BASTIDORES. AS MESMAS GRAVAÇÕES QUE VALEM PARA O INQUÉRITO, NÃO VALEM PARA DESMACARAR AS INTRIGAS.PGR CONSIDERA LEVIANA REPORTAGEM SOBRE PERSEGUIÇÕES A ADVERSÁRIOS DE JANOT. OBJETIVO DA MATÉRIA SERIA TUMULTUAR SUCESSÃO NA PGR, DIZ NOTA.

Conteúdo do Diário do Poder. A Procuradoria-Geral da República divulgou nota criticando reportagem da revista IstoÉ,[deste final de semana e já nas bancas] que divulgou conversa telefônica gravada pela Polícia Federal, sob autorização judicial, mostrando procuradores mencionando "perseguições" do procurador-geral Rodrigo Janot contra colegas que já fizeram opção pelo nome de Raquel Dodge para sucedê-lo. Para a PGR, a reportagem é "leviana" e objetiva tumultuar o processo de elaboração da lista tríplice para a escolha do próximo chefe do Ministério Público da União, além de "desgastar a imagem do Procurador-Geral da República em meio às mais graves investigações sobre corrupção já vistas na história do Brasil."

A PGR também nega "perseguição" ao procurador Ângelo Goulart, um dos interlocutores gravados (por ser investigado). Ele está preso "por grave risco à investigação da operação Greenfield, como comprovado por meio de ação controlada. Os fatos são objeto de denúncia contra ele e o advogado Willer Tomaz de Souza, oferecida pela Procuradoria Regional da República da 3a Região." Também nega perseguição a parlamentares. É que a reportagem menciona suposta retaliação ao senador José Agripino (RN), presidente nacional do DEM, pelo fato de o político haver assumido o compromisso de apoiar Raquel Dodge. "O procurador-geral da República não tem preferências políticas, não atua contra ou a favor de nenhum político ou partido. Deve obediência à Constituição e às leis, normativos que dão norte à sua atuação.

A NOTA
Leia a íntegra a nota da Procuradoria Geral da República:

"A leviana matéria da revista Istoé ("O jogo político de Janot") tem como único objetivo tumultuar o processo de elaboração da lista tríplice para a escolha do próximo chefe do Ministério Público da União e desgastar a imagem do Procurador-Geral da República em meio às mais graves investigações sobre corrupção já vistas na história do Brasil.

A matéria vale-se de ilações fantasiosas, tendenciosas e alimentadas por interesses espúrios, de deplorável conteúdo difamatório, muito distanciado da boa prática jornalística. É, sobretudo, um vil ataque à autonomia do Ministério Público, com a clara intenção de interferir na escolha a ser feita nos próximos dias sobre quem será responsável pelo destino do MPU nos próximos dois anos.

Esclarece a PGR que a divulgada conversa entre os membros do MPF não está mencionada no auto circunstanciado (relatório) da PF, juntado ao processo que hoje se encontra no Tribunal Federal da 3ª Região. Trata-se de conversa privada, irrelevante para a apuração dos graves crimes revelados nos autos.

Deliberadamente, a revista omitiu as informações da PGR acerca dos fatos que estavam em apuração, apesar de a resposta ter sido enviada dentro dos prazos jornalísticos estipulados pelo veículo de comunicação.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pauta-se por uma atuação técnica, no estrito rigor da lei, tanto na esfera judicial quanto na administrativa. Espera ser sucedido por qualquer um dos três integrantes da lista tríplice a ser enviada ao presidente da República, conforme anseio dos membros do MPF de todo o país.

É descabida a afirmação de que houve perseguição ao procurador Ângelo Villela. O membro do MPF teve prisão decretada pelo STF por grave risco à investigação da operação Greenfield, como comprovado por meio de ação controlada. Os fatos são objeto de denúncia contra ele e o advogado Willer Tomaz de Souza, oferecida pela Procuradoria Regional da República da 3a Região.

Da mesma forma, não há perseguição a parlamentares. O procurador-geral da República não tem preferências políticas, não atua contra ou a favor de nenhum político ou partido. Deve obediência à Constituição e às leis, normativos que dão norte à sua atuação. O STF, pelo seu Ministro Relator ou pelo Colegiado, avalia todas medidas requeridas pelo PGR, na forma constitucional vigente.

A Procuradoria-Geral da República, repudia, por fim, a impressionante e não menos leviana versão de que sua atuação tenha sido motivada por suposto apoio de políticos a candidatos à sucessão do PGR. Os indícios de fatos criminosos é que orientam as investigações do Ministério Público Federal. A Instituição não dá e nem dará tratamento diferenciado para investigados por estes terem ou deixarem de ter ligação de qualquer espécie com membros da Instituição."
Herculano
17/06/2017 08:52
GOVERNADORES SE SENTIRAM USADOS POR TEMER, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A reunião-jantar com governadores, terça (13), cumpriu o objetivo do Planalto de mostrar que o presidente Michel Temer está no comando, governando, apesar dos escândalos que o atormentam, mas o fato é que os convidados se sentiram usados. É que tudo já havia sido discutido em outros encontros, e Temer feito as mesmas promessas. Incluindo o compromisso de solucionar as pendências do BNDES.

RUA DA AMARGURA
No fundo, os 16 governadores e 4 vices presentes esperavam sair da rua da amargura de mãos dadas com o presidente. Mas não rolou.

DESAPONTAMENTO
O governador de Sergipe, Jackson Barreto, que sofre o pão que Dilma amassou, mal conseguindo pagar salários, esperava mais da reunião.

ALGUM ÂNIMO
A única novidade no jantar foi o novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, que conseguiu devolver ânimo aos convidados.

MALDADE TUCANA
"Ele é muito educado, gentil, não merecia que a gente saísse falando mal do cardápio", ironizou um tucano pedindo para não ser citado.

PETISTAS LEMBRAM 'CAMISAS NEGRAS' DE MUSSOLINI
Não são mera coincidência as agressões e insultos contra Mirian Leitão e poucos dias depois contra o jornalista Alexandre Garcia, no aeroporto de Brasília. Os pistoleiros de aluguel da era petista, de inspiração fascista, lembram os "camisas negras" que perseguiam e intimidavam críticos do líder fascista italiano Benito Mussolini. O capanga que agrediu Alexandre Garcia é o mesmo que em 2014 insultou o ministro Joaquim Barbosa (STF), pela atuação no mensalão. Isso não é casual.

BANDIDOS AGEM ASSIM
Impunes, os "camisas negras" (que incluíam criminosos e oportunistas em busca de fortuna fácil) passaram depois a assassinar opositores.

'INTELIGÊNCIA' FASCISTA
Contratantes agora usam simpatizantes para monitorar viagens de jornalistas da Globo, "plantando" seus camisas negras no mesmo voo.

ATENÇÃO ÀS CÂMERAS
Os paus mandados gravam a selvageria com celulares, tentando obter reação descontrolada das vítimas para expor nas redes sociais.

OS ENROLADOS DE SEMPRE
"Homem da mala" da JBS, Ricardo Saud disse que pagava ao secretário de Portos, mas a propina era para o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA). O grupo de Joesley foi o maior financiador da milionária campanha derrotada do filhote Helder Barbalho ao governo do Pará.

DUAS 'CERTEZAS'
Especialistas e cientistas políticos em Brasília têm só duas certezas para os próximos meses: a continuidade das atividades da Lava Jato, STF e Procuradoria, e a manutenção da equipe econômica.

LIVRE, LEVE, SOLTO
Fotógrafo muito querido em Brasília, Oswaldo Rocha, o "Osvaldinho", celebrava o aniversário no restaurante Rosário, há dias, quando um velho amigo apareceu e se juntou ao grupo: o ex-ministro Jose Dirceu.

IMPEACHMENT DISTANTE
O tamanho da base de apoio ao governo Temer na Câmara, estimado em mais de 238, impediria qualquer tentativa de emplacar um processo de impeachment contra Temer a tempo de cassá-lo antes de 2018.

WATERGATE, 45
Completam 45 anos hoje (17) as primeiras prisões oriundas do mais famoso escândalo de corrupção do século 20 ?" o notório 'Watergate' ?" que culminou com a renúncia do presidente americano Richard Nixon.

ARREPENDIMENTO
A PEC do Recall do presidente funcionaria assim; após o 1º ano do mandato presidencial, se 10% dos eleitores quiserem tirar o presidente do cargo e a proposta for aprovada no Congresso, será feito referendo popular para saber se o presidente permaneceria ou o vice assumiria.

CONTA DILMA
A fatura dos cartões corporativos da Presidência subiu 46,3% enquanto Dilma chefiou o País, em relação a Lula. A média de gastos foi de R$13 milhões/ano até 2010, e pulou para R$18 milhões até maio de 2016.

GASTO DILMA-TEMER
No governo Temer, a média de gastos com cartões corporativos do governo caiu, mas já atingiu em 2017 R$ 16,3 milhões, até maio. Em 2015, último ano inteiro de Dilma, o gasto foi de R$ 56 milhões.

PENSANDO BEM...
...o déficit previsto para o estado do Rio de Janeiro para 2017 é de mais de R$ 20 bilhões; rombo menor que o custo das Olimpíadas
Herculano
17/06/2017 08:46
COM TEMER OU PRESIDENTE BIôNICO, CRISE VAI PIORAR, po Ronaldo Caiado, médico, pecuarista e senador pelo DEM de Goiás, para o jornal Folha de S. Paulo

A crise brasileira, mesmo diante de todos os paliativos que lhe tentam ministrar -acordos, reformas, articulações envolvendo o Judiciário-, continua avançando. E o único remédio eficaz para as enfermidades da democracia é a renovação do ambiente político, mediante eleições gerais.

O Reino Unido acaba de ministrá-lo para superar a crise do "brexit". Aqui procede-se de maneira inversa. Defende-se a rigidez do calendário eleitoral, sob o argumento de que se trata de cláusula pétrea constitucional.

Ora, nenhuma cláusula constitucional é mais pétrea que a própria democracia -e é ela que está em risco. Aguardar um ano e meio para salvá-la é uma temeridade. O quadro clínico da política brasileira é terminal. Ou o renovamos imediatamente ou descambaremos para o imponderável da desobediência civil.

Nenhum legislador -e o constituinte de 1988 não é exceção- poderia prever um quadro convulsivo como o que vive neste momento o Brasil, com o conjunto das instituições do Estado, os três Poderes, sob total descrédito perante a sociedade.

Uma conjuntura em que as maiores autoridades da República, incluindo o próprio chefe do governo, estão sendo investigadas, acusadas de graves infrações.

Alguns já estão presos, outros o serão a qualquer momento; outros ainda, já na condição de réus, se empenham em manter-se sob a proteção do foro privilegiado, na expectativa de acordos que os inocentem.

Nesse ambiente de salve-se quem puder, viola-se, sem qualquer cerimônia, outra cláusula pétrea constitucional, a que determina que os três Poderes sejam independentes e harmônicos entre si (artigo 2º). Não têm sido, muito pelo contrário.

Jamais assistiu-se tamanho embate entre eles, a que se associa o Ministério Público, ao qual a Carta de 1988, sem formalizá-lo, conferiu status de verdadeiro quarto Poder.

Esses conflitos, que não raro se manifestam em linguagem nada protocolar, aumentam a insegurança jurídica, que, por sua vez, inibe os investimentos, aprofundando o ambiente recessivo, que hoje, com a falência de milhares de empresas,
já contabiliza mais de 14 milhões de desempregados.

E o Estado não vê saída porque ele próprio é a crise.

Há 14 pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer protocolados na Câmara dos Deputados. No Senado, há pedidos idênticos contra ministros do STF.

A Lava Jato, indiferente às aflições do meio político, prossegue implacável sua missão saneadora. Como operar, em tal ambiente, reformas como a trabalhista e a previdenciária, que, por sua abrangência e profundidade, assustam o contribuinte?

São necessárias, mas com que autoridade os agentes do Estado, desmoralizados e sob investigação, irão convencê-lo de sua urgência? Economia não é ciência exata. Tem forte componente psicossocial. Sem credibilidade, nenhuma medida, por mais engenhosa, funciona.

Não se questiona a competência e o acerto da equipe econômica, mas as condições de temperatura e pressão do governo e de sua base política são as de um moribundo.

O temor de que a antecipação das eleições gerais proporcione o retorno do PT ao poder é falso. PT e Temer são faces de uma mesma moeda, e respondem por crimes de que foram parceiros.

Lula e Temer estão irmanados no propósito de não antecipar as eleições. Temer porque precisa das prerrogativas do cargo para socorrer-se no foro privilegiado; Lula para transfigurar-se de criminoso comum em perseguido político.

Não será com presidentes biônicos, trapaças de bastidores, duelos entre os Poderes e lances teatrais que o Brasil sairá da crise. Eleições gerais já.
Herculano
17/06/2017 08:43
JOESLEY BATISTA: "TEMER É O CHEFE DA QUADRILHA MAIS PERIGOSA DO BRASIL"

Em entrevista exclusiva a revista Época (grupo Globo) deste final de semana, disponível nas bancas e para os assinantes físicos e digitais, o empresário diz que o presidente não tinha "cerimônia" para pedir dinheiro e que Eduardo Cunha cobrava propina em nome de Temer


Texto e entrevista do editor Diego Escosteguy. Na manhã da quinta-feira (15), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, recebeu Época para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato. Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar "a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil" ?" e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula "institucionalizou" a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014. O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.

A seguir, os principais trechos da entrevista publicada na edição de Época desta semana. A entrevista completa tem 12 páginas

ÉPOCA - Quando o senhor conheceu Temer?
Joesley Batista - Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório da Praça Pan-Americana, fui várias vezes ao escritório no Itaim, fui várias vezes à casa dele em São Paulo, fui alguma vezes ao Jaburu, ele já esteve aqui em casa, ele foi ao meu casamento. Foi inaugurar a fábrica da Eldorado.

ÉPOCA - Qual, afinal, a natureza da relação do senhor com o presidente Temer?
Joesley - Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele ?" e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, e eu ia lá.

ÉPOCA - Conversar sobre política?
Joesley - Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que me chamava, eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.

ÉPOCA ?" Segundo a colaboração, Temer pediu dinheiro ao senhor já em 2010. É isso?
Joesley ?" Isso. Logo no início. Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.

ÉPOCA ?" Ele sempre pediu sem algo em troca?
Joesley ?" Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes.

ÉPOCA ?" E ajudou?
Joesley ?" Não chegamos a contratar. Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça [Pan-Americana, em São Paulo]. Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.

ÉPOCA ?" Ele explicava a razão desses pedidos? Por que o senhor deveria pagar?
Joesley ?" O Temer tem esse jeito calmo, esse jeito dócil de tratar e coisa. Não falava.

ÉPOCA ?" Ele não deu nenhuma razão?
Joesley ?" Não, não ele. Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.

ÉPOCA ?" O empréstimo do jatinho da JBS ao presidente também ocorreu dessa maneira?
Joesley ?" Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: "Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí". Acha que o cargo já o habilita. Sempre pedindo dinheiro. Pediu para o Chalita em 2012, pediu para o grupo dele em 2014.

ÉPOCA ?" Houve uma briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, segundo o lobista Ricardo Saud, que está na colaboração da JBS.
Joesley ?" Ricardinho falava direto com Temer, além de mim. O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.

ÉPOCA ?" Como era a relação entre Temer e Eduardo Cunha?
Joesley ?" A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.

ÉPOCA ?" Segundo as provas da delação da JBS e de outras investigações, o senhor pagava constantemente tanto para Eduardo Cunha quanto para Lúcio Funaro, seja por acertos na Câmara, seja por acertos na Caixa, entre outros. Quem ficava com o dinheiro?
Joesley ?" Em grande parte do período que convivemos, meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo. "Presidente, o negócio do Ministério da Agricultura, o negócio dos acertos?" Ele dizia: "Joesley, essa parte financeira toca com o Eduardo e se acerta com o Eduardo". Ele se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

ÉPOCA ?" O senhor realmente precisava tanto assim desse grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer?
Joesley ?" Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura ?" todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram. O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.

ÉPOCA ?" Pode dar um exemplo?
Joesley ?" O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: "Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI". Falei: "Eduardo, pode abrir, não tem problema". "Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês." Falei: "Não, não tem problema". "Você tá louco?" Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: "É sério que não tem problema?". Eu: "É sério". Ele: "Não vai te prejudicar em nada?". "Não, Eduardo." Ele imediatamente falou assim: "Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema? Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões". "Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor." Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim.

ÉPOCA ?" Algum outro?
Joesley ?" Lúcio fazia a mesma coisa. Virava para mim e dizia: "Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro". Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. É uma coisa de louco.

ÉPOCA ?" O senhor não pagou?
Joesley ?" Nesse tipo de coisa, não. Tinha alguns limites. Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente.

ÉPOCA ?" O chefe é o presidente Temer?
Joesley ?" O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.

ÉPOCA ?" No decorrer de 2016, o senhor, segundo admite e as provas corroboram, estava pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos já presos na Lava Jato, com quem o senhor tivera acertos na Caixa e na Câmara. O custo de manter esse silêncio ficou alto demais? Muito arriscado?
Joesley ?" Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: "Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?". Ele disse: "O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda". Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.

ÉPOCA ?" E o Lúcio Funaro?
Joesley ?" Foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: "Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família". Lúcio era a mesma coisa: "Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato".

ÉPOCA ?" E eles cumpriram o acerto, não?
Joesley ?" Sim. Sempre me mandando recados: "Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você". Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema.

ÉPOCA ?" Quem era o mensageiro?
Joesley ?" Geddel. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.

ÉPOCA - O ministro Geddel falava em nome do presidente Temer?
Joesley - Sem dúvida. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução.
Herculano
17/06/2017 07:57
DIANTE DA VINGANÇA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo.

A Venezuela entra, rapidamente, na lista de Estados falidos, em meio a sinais de uma guerra civil de baixa intensidade. Uma maioria esmagadora pede o fim do regime violento, mafioso, de Maduro. A camarilha chavista, porém, engaja-se no golpe da "Constituinte comunal", a desvairada tentativa de implantar um poder absoluto. Por que, face à catástrofe, Maduro recusa uma transição constitucional, por meio do referendo revogatório ou da antecipação de eleições presidenciais? A resposta não tem mistério: os chavistas temem o espectro da vingança.

O sistema democrático assegura a alternância pacífica de poder porque elimina da cena o medo da vingança. Contados os votos, o perdedor congratula o vencedor, reconhece publicamente o resultado e transita para a oposição. Mesmo em episódios de crise aguda, como o impeachment, a lei é cumprida: a presença de um Judiciário independente garante que o novo governo não ameaçará a liberdade, ou a vida, dos derrotados. No Brasil, o PT gritou "golpe!", mas circunscreveu sua irresponsabilidade ao palco do teatro político: Dilma, afinal, não chamou os militares para proteger um governo legal ameaçado, nem (ufa!) acorrentou-se ao Planalto, em gesto dramático de resistência cívica.

Nas tiranias, o medo da vingança complica as transições políticas. Hitler só adotou a "Solução Final" quando concluiu que rumava para a derrota militar. O extermínio de todos os judeus do Reich aparecia, aos olhos dos nazistas, como a realização de um objetivo nacional supremo e como uma apólice de seguro contra a retaliação. Longe desse caso extremo, regimes autoritários só cedem pacificamente o poder mediante acordos de transição capazes de dissolver a sombra da revanche. Da "anistia irrestrita" brasileira à "comissão da verdade" sul-africana, contratos de impunidade total ou condicional persuadiram os ditadores a renunciar ao Palácio. O chavismo jamais abdicará sem algo assim.

Circula, na Europa e América Latina, um inédito manifesto de "intelectuais de esquerda" que denuncia, com anos de atraso, o "caráter autoritário" do regime de Maduro. O texto destina-se a sanitizar as preciosas biografias dos signatários, entre os quais encontram-se antigos adoradores da "revolução bolivariana", como o português Boaventura de Sousa Santos, o brasileiro Chico Whitaker e o peruano Anibal Quijano. Contudo, cumpre involuntariamente uma função útil, acelerando a divisão nas fileiras chavistas. Nicmer Evans, líder da Maré Socialista, corrente dissidente desde a morte do caudilho, assina o manifesto internacional. A procuradora-geral Luisa Ortega, uma fiel histórica, rompeu com o regime. Olly Millán, Hector Navarro e Ana Osorio, ex-ministros de Hugo Chávez, saltaram para a dissidência. A cisão interna é um elemento crucial na transição, pois dela emergem interlocutores viáveis para um acordo.

Maduro descreve seu regime como um "movimento cívico-militar". A cúpula das Forças Armadas, componente vital do chavismo, mantém-se leal porque extrai rendas milionárias do negócio da distribuição de alimentos importados e, especialmente, pelo temor da vindita. Mas, refletindo a inquietação na oficialidade e entre os soldados, o general Alexis Ramírez renunciou à chefia do Conselho de Defesa Nacional. Sair agora é uma forma de comprar segurança no mercado futuro.

Desenham-se as condições para a negociação da transição. De fato, ao conservar encarcerados líderes relevantes da oposição, o regime opera sob a lógica da troca de reféns, visualizando a hipótese de um intercâmbio político. A saída, que depende de um acordo entre os atores venezuelanos, não prescinde da mediação diplomática. É hora de dissipar o espectro da vingança, garantindo aos chavistas um lugar seguro no jogo da democracia. Se o Brasil tivesse um governo, não seria missão impossível
Herculano
17/06/2017 07:51
O QUE ESTÁ CLARO? QUE JOESLEY BATISTA, O AÇOUGUEIRO QUE VIROU MEGA EMPRESÁRIO MUNDIAL DA NOITE PARA O DIA EMPRESTOU O NOME DELE E DA EMPRESA PARA O PT ROUBAR DINHEIRO DOS PESADOS IMPOSTOS DOS BRASILEIROS PARA ELES E COMPRAR UMA BASE POLÍTICA PARA O PODER DE PLANTÃO.

O QUE ESTÁ CLARO? QUE JOESLEY, O MEGA EMPRESÁRIO QUE NÃO SE SUSTENTA MAIS COM DINHEIRO FÁCIL, E A SERVIÇO DO PT, RESOLVEU DELATAR Só UMA PARTE DA QUADRILHA, O PMDB E O PODER DE PLANTÃO QUE TOMOU O PODER DO PT. VINGANÇA.

O QUE ESTÁ CLARO? QUE E O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLVEU ADOTAR UM LADO NESSA HISTóRIA DE TERROR E SACANAGEM COM OS PESADOS IMPOSTOS E DEIXAR UMA QUADRILHA PARA JOGAR A CULPA NA OUTRA. Wake up, Brazil!
Herculano
17/06/2017 07:44
JOESLEY SOA COMO VIRGEM DE SODOMA E GOMORRA, por Josias de Souza

De passagem pelo Brasil, o corruptor confesso Joesley Batista falou à revista Época. Apresentou-se na conversa como uma vítima de políticos achacadores. Nessa versão, se não distribuísse mimos e propinas os interesses do seu grupo empresarial seriam prejudicados. A tese da extorsão é cansativa e ofensiva. Ela cansa porque já foi usada à exaustão pelas empreiteiras pilhadas na Lava Jato. Ofende porque supõe que a plateia é feita de imbecis.

Na definição do dono da JBS, "Temer é o chefe de uma organização criminosa" que inclui Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha e Moreira Franco. "Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles." Por quê? "Para não armarem alguma coisa contra mim." Há, hã? O problema dessa formulação é que, guiando-se por autocritérios, Joesley participa do enredo da rapinagem no papel de um anjo cercado de demônios.

As asas angelicais do entrevistado abriram-se com maior entusiasmo no instante em que ele explicou por que pagava pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, que estão atrás das grades. "Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso."

O anjo prosseguiu: "Eu tinha perguntado para ele: 'Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?'. Ele disse: 'O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda'. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados."

Que a política virou apenas mais um ramo do crime organizado, ninguém ignora. Nessa matéria, a Lava Jato eliminou até o benefício da dúvida. Mas Joesley só está solto para dar entrevistas porque sua delação foi superpremiada pela Procuradoria-Geral da República. O delator faria um favor aos brasileiros se não exagerasse na pose.

O que há de novo no país que a força-tarefa de Curitiba desencavou é que, pela primeira vez desde as caravelas, a polícia, a Procuradoria e a Justiça invadiram os salões do clube dos corruptores, do qual Joesley Batista é sócio-atleta. O barão da carne ainda não se deu conta da aversão que sua despudorada figura passou a despertar.

Hoje, só há dois tipos de brasileiros: os desinformados e os que torcem para que os lucros que a JBS obteve no mercado financeiro manipulando a própria delação resultem em nova ação judicial. Coisa séria o bastante para levar gente como Joesley à cadeia sem prejuízo da utilização de tudo o que foi delatado para fins criminais.

Até lá, convém a Joesley não diminuir sua importância como corruptor no maior esquema de rapinagem sob investigação no planeta. Do contrário, sua voz soará nos depoimentos e nas entrevistas como ladainha de uma virgem de Sodoma e Gomorra.
Herculano
17/06/2017 07:38
BANCOS E DELAÇÕES, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Causou burburinho, nos meios jurídico e financeiro, a edição de medida provisória que reforça os poderes de fiscalização do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, ampliando ainda punições para condutas irregulares de instituições financeiras.

Em particular, chamou a atenção a possibilidade, aberta pelo texto, de o BC vir a celebrar acordos de leniência com bancos ?"pelos quais infratores obterão abatimento de punições se ajudarem na investigação. Nessa hipótese, ficarão em sigilo informações que, no entender do órgão, possam acarretar risco sistêmico para a economia.

Conforme se noticiou, a medida foi recebida com desconfiança no Ministério Público, para o qual haveria risco de invasão de suas prerrogativas e de falta de transparência nos acordos celebrados.

Mais que isso, a forma e o momento da mudança promovida suscitaram uma série de especulações.

Medidas provisórias, em geral, destinam-se a situações de urgência ?"embora o governo federal não raro desvirtue o instrumento. A edição, ademais, aconteceu enquanto se aguarda uma possível delação premiada do ex-ministro petista Antonio Palocci (Casa Civil e Fazenda), com potencial de atingir o setor financeiro.

Esclarecimentos importantes, entretanto, devem ser levados em conta. Os acertos previstos pela medida do Executivo dizem respeito apenas a infrações administrativas; a esfera penal permanece na alçada do Ministério Público.

Há previsão de publicidade dos termos negociados, a não ser nos casos em que se considere haver prejuízo para as investigações e o processo administrativo.

Corretamente, elevaram-se de forma substantiva as multas aplicáveis, para níveis mais condizentes com a realidade do setor. No caso do BC, o valor máximo subiu de R$ 250 mil para R$ 2 bilhões (ou 0,5% da receita de serviços); na CVM, o limite passou de R$ 500 mil para R$ 500 milhões.

Ainda assim, cabem alguns aperfeiçoamentos. Será necessário, sobretudo, assegurar além de qualquer dúvida que o Ministério Público tenha acesso a todas as informações que julgar pertinentes ?"e os procuradores deverão se comprometer a manter o sigilo, quando assim for decidido.

Cumpre também atentar para o risco de insegurança jurídica que pode advir da proliferação de instituições com capacidade de fechar acordos de leniência.

A coordenação de todos esses órgãos - Ministério Público, Controladoria Geral da União, Tribunais de Contas e, agora, BC e CVM em suas esferas regulatórias - deve ser reforçada para assegurar a legitimidade dos entendimentos.
Jocinda
16/06/2017 19:49
Herculano

Não votei no Kleba, mas essa gente da prefeitura vou te falar.
13o salário, só depois do 12o ou seja em dezembro.
Vão trabalhar seus cacos. Nem conheço a tal raquel, mas ela não pode ficar adoecida?
Herculano
16/06/2017 15:23
SERVIDORES DE GASPAR SEM A PRIMEIRA PARTE DO DÉCIMO TERCEIRO. AS RECLAMAÇÕES ABUNDAM

Veja uma delas, de uma funcionária efetiva, que me pediu o anonimato.

É de conhecimento de todos nós que a população não vê com bons olhos o ponto facultativo dos servidores públicos do município de Gaspar e que por esse motivo nosso "digníssimo" senhor Prefeito Kleber não nos concedeu nenhum deles ao longo do ano de 2017.
Porém, no dia de hoje, pós feriado de Corpus Christi, quase 90% dos comissionados de gestão estão de folga....
Inclusive a Rachel, diretora do RH não esta presente, justo hoje, que seria o pagamento da 1ª parcela do 13º e o que acontece? Metade dos servidores não recebeu, não há programação no banco e os que la estão trabalhando não sabem resolver nada sem a presença da Rachel!

Parabéns, Gaspar Eficiente uma ova!
Herculano
16/06/2017 14:13
A SOBERBA DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Ao se descortinar os fatos graves contra o ex-presidente, ficou demonstrado que o mito do herói petista serve melhor à literatura do que à política

O oportunismo que marcou a trajetória política do ex-presidente Lula da Silva, desde sua ascensão como líder sindical, foi tomado durante muito tempo como uma das virtudes capazes de levar um ex-metalúrgico a ocupar a Presidência da República. A realidade dos fatos, sobejamente documentada nos autos de um número constrangedor de processos judiciais a que responde, encarregou-se de demonstrar que o mito do herói serve melhor à literatura do que à política. Ao descortinar aos olhos dos cidadãos minimamente informados fatos graves que só a fé cega em um demiurgo é capaz de obliterar, as investigações sobre a conduta do ex-presidente revelaram que de virtuoso o oportunismo não tem nada.

Em evento de posse da nova direção do Partido dos Trabalhadores (PT) no sábado passado, na Assembleia Legislativa de São Paulo, Lula se apresentou como o único cidadão capaz de tirar o País da crise. Trata-se da imodéstia de quem se vê acima de qualquer responsabilidade que possa recair sobre seus atos, alguém ungido por um especial desígnio que justificaria qualquer desvario político. "Se o PT deixar, serei candidato para voltar a ver uma sociedade mais igual", disse o ex-presidente. Poucas vezes uma afirmação de Lula soou tão embusteira. O PT é Lula, o rumo do partido é a expressão máxima de sua vontade. Portanto, o PT não tem qualquer ingerência sobre sua eventual candidatura à Presidência em 2018. Aliás, ainda que tivesse, esta prerrogativa, hoje, é exclusiva do Poder Judiciário, que pode torná-lo inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Durante o discurso, Lula mostrou que além de soberbo é incapaz de compreender a grandeza do cargo que ocupou e que sonha em voltar a ocupar. Afirmando que para voltar à Presidência "não precisa convencer os não convencíveis", pois lhe bastariam "50% mais um" dos eleitores, Lula deixou clara a visão mesquinha que tem da Presidência da República, como se uma vez eleito estivesse comprometido apenas com o destino daqueles que o apoiam, e não com o de todos os brasileiros.

Ao arvorar-se em único capitão habilidoso o bastante para conduzir um navio à deriva, Lula esconde o papel determinante que teve na construção da pior crise política, econômica e moral da história recente, o mais eloquente atestado do desastre que o lulopetismo representou para o País. Em um misto de vaidade e desfaçatez, o ex-presidente afirmou em seu discurso na Assembleia Legislativa que "a melhor experiência de governança neste país foi do PT". Para ele, a profunda recessão econômica e os 14 milhões de brasileiros desempregados são "fatos alternativos".

Citado na delação superpremiada do empresário Joesley Batista como beneficiário de uma conta milionária abastecida com dinheiro de propina, Lula não se deu por constrangido e lançou mão de seu conhecido senso de humor rasteiro. "Estou quase fazendo delação para pegar os meus US$ 82 milhões", ironizou. O problema seria encontrar um possível delatado, já que as investigações realizadas até agora colocam Lula no topo do esquema de corrupção engendrado para pilhar os recursos do Estado.

Mas não foi só a soberba, a imodéstia e a desfaçatez que marcaram o discurso de Lula na posse da nova direção de seu partido. O cinismo também deu as caras quando o ex-presidente afirmou que "o País nunca precisou tanto do PT como agora". Prometendo resgatar o "Lulinha Paz e Amor", o ex-presidente disse que "o PT é o único capaz de devolver a alegria ao povo brasileiro". Lula é o grande artífice da grave crise por que passa o Brasil e por meio de seu discurso agressivo e excludente disseminou a cizânia e implodiu todas as pontes para uma reconciliação nacional em torno de um projeto de retomada do crescimento econômico, do desenvolvimento social e do debate de ideias próprio da democracia em um ambiente menos anuviado.

Se em meio à crise paira a incerteza sobre qual caminho o País deverá seguir em 2018, o lulopetismo já apresentou razões mais do que suficientes para a Nação saber qual deve ser evitado
Herculano
16/06/2017 14:10
REGISTRO
Amanhã, sábado, as quatro da tarde, o diretório do PSDB de Gaspar se reúne para debater temas internos e locais. Será na Associação do Samae, no morro da Igreja Matriz.
Sidnei Luis Reinert
16/06/2017 12:07
Temer fica, e Lula não vai preso?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Ventos recebidos de um vivido analista com acesso direto aos Gabinetes de Inteligência em Brasília: "Já está tudo combinado e dominado. PMDB/PSDB já acertaram com o arco dos partidos de situação e oposição ao governo que Temer permaneça, sob "prestígio" do Judiciário. Daí é certo que Mister da Silva não seja preso e, se não perder os direitos políticos (e tiver saúde), será um forte candidato à Presidência em 2018. Assim, as reformas passarão a gosto de Temer e Meirelles. Observemos e confirmemos".

O cenário é perfeitamente previsível. Se depender da grande maioria da Câmara, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal não receberão autorização para processar Michel Temer pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. Se Rodrigo Janot enviar a denúncia contra Temer até sexta-feira, dia 23, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, filho de César Maia e genro de Moreira Franco, fará de tudo para que Temer seja salvo dentro de 10 ou 15 dias. Rodrigo Maia cogita até atrasar ou suspender o recesso do legislativo em julho, para garantir rapidez na salvação temerária. Depois, o foco volta a ser "reforma".

Semana que vem, Rodrigo assume a Presidência da República, de segunda a sexta, em função da viagem de Temer à Rússia e Noruega. Rodrigo é um dos 64 deputados investigados pela Lava Jato. Eles formam o grupo que fará o que puder para salvar Temer ?" que precisa apenas de 172 votos para não ser processado. O governo calcula que teria uns 300 votos para escapar das garras da PGR e do STF. O Palácio do Planalto tem certeza de que várias broncas contra Temer vão estourar na imprensa. A onda de desmoralização, no entanto, não altera a disposição dos deputados em votarem a favor dele.

A guerra real de Temer é para aprovar a Reforma da Previdência. Garantidos, o governo teria 278 votos. São insuficientes. O mínimo necessário é 308. Correr atrás dos 40 é a prioridade. Ainda tem muito parlamentar "jogando para a galera". Quem não tem coragem de saltar do barco do governo, deixa no ar a dúvida sobre como votar o remendo previdenciário. Não será fácil enganar o eleitorado. No entanto, é facinho obter vantagens de um presidente desesperado e com vários assessores próximos com a Lava Jato fungando no cangote. A torcida é para que alguém fala besteira e permita vir à tona alguma operação de compras de voto.

Novidade contra Temer? Só a de que Eduardo Cunha volta a cogitar uma temerária delação premiada. O criminalista Délio Lins e Silva já foi escalado para cuidar da missão que interessa ao Procurador-Geral Rodrigo Janot na ofensiva pessoal contra Michel Temer. Cunha tem a preocupação concreta de que, se demorar a delatar, o Ministério Público não precisará mais do que ele tem a revelar. O doleiro Lúcio Funaro ?" que operava para ele e para todos ?" pode contar tudo antes, sem deixar fato novo para Cunha, cuja única moeda valiosa de troca é dedurar peixes grandes, maiores que ele.

Fatos concretos? É gigantesca a quantidade de políticos agindo, nos bastidores, para sabotar a Lava Jato. Se vão conseguir? Provavelmente, não. No entanto, as conspirações favorecem a pizza a favor de Temer. O plano imediato da politicagem ?" incluindo o réu-Lula, é ganhar tempo. A sorte deles é que, no Brasil da impunidade, tudo pode acontecer na normalidade institucional da corrupção sistêmica.
Herculano
16/06/2017 09:18
O RETRATO DE HOJE

As fotos de capa dos jornais de São Paulo mostram quase dois milhões de evangélicos nas ruas "por Jesus". O evento foi ontem.

Primeiro: isso deu uma inveja aos da esquerda do atraso, PT, PSOL, PSTU, PCO, Rede, PSB, PDT, PCdoB entre outros. Ela não consegue reunir mais do que dezenas para as suas causas da desordem. Ou então, centenas, com uma trupe de artistas engajado nas suas causas e dando "canja" para os seus entre as palavras de ordem a favor da ladroagem, do desemprego, da volta de Lula, o que destruiu o país.

Segundo: é uma clara amostra de como a minoria faz barulho, sufoca, engana e rouba os impostos pagos por uma maioria de gente pacífica voltada para o bem coletivo e o trabalho (que não o possui até, diante do desastre criado por essa minoria que insiste em ser poder a qualquer custo, inclusive com o sacrifício - e morte nas filas do SUS - dos outros).

Terceiro:Também fica claro, que se houver eleições gerais, não só para Presidente da República, pois a chantagem e o roubo são dos políticos unidos pelo poder eterno em bandos no parlamento (Senado, Câmara, Assembleias - e Câmara municipais, mas que estariam fora dessas eleições gerais) contra os eleitores, eleitoras, o povo enfim, as tantas cagadas, mentiras, incompetência e ladroagem da esquerda do atraso farão renascer o conservadorismo e consolida-lo por anos. A experiência que a esquerda deu ao país foi mais uma vez desastrosa.

Quarto: a Igreja Católica, mãe do PT e nas suas eclesiais de base ou pastorais, onde ontem houve até registros de tapetes na procissão de Corpus Christi com "Fora Temer" e louvações aos partidos de esquerda, encomendou há tempos o seu próprio caixão. Preferiu a política partidária usando os seus pobres financeiros, de conhecimento e fé, ao evangelho a mola mestra de uma igreja cristã. Então vai e está pagando caro. E isso não é só no Brasil: na Venezuela primeiro apoiou, agora, está no silêncio sepulcral por Nicolas Maduro, o ditador, que já matou 80 pessoas que protestavam nas ruas contra a miséria social, econômica e humana incorporada pelo bolivarianismo, o principal agente ideológico da esquerda do atraso na América do Sul.
Herculano
16/06/2017 08:53
MANCHETE DA VERGONHA. ENQUANTO ELES LEGISLAM EM CAUSA PRóPRIA O POVO QUE OS ELEGEU, PAGA E FICA NA MISÉRIA

Principal manchete de capa desta sexta-feira no jornal O Estado de S. Paulo: "Políticos de oitos estados têm aposentadoria especial"
Herculano
16/06/2017 08:50
NOVO ATAQUE AO TESOURO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Projeto que refinancia dívida das empresas pode ser deformado pelo Legislativo e se tornar uma fonte de ganhos escandalosos para os devedores do Fisco

Um novo cerco ao Tesouro está sendo preparado, no Congresso Nacional, por parlamentares empenhados em lucrar o máximo com as dificuldades financeiras do governo. Com enormes problemas em suas contas, uma herança dos desmandos cometidos no período petista, o Executivo continua tentando arrecadar algum dinheiro extra por meio de um esquema de refinanciamento de dívidas tributárias.

A troca é simples e mutuamente benéfica. Os devedores podem regularizar sua situação, livrando-se de cobranças acompanhadas de punições. Mas devem liquidar de imediato uma parcela do tributo devido, proporcionando ao governo, a curto prazo, um reforço de caixa. A proposta, contida na Medida Provisória (MP) 783, atende ao interesse público e ao mesmo tempo confere um benefício a empresas em situação hoje irregular. Mas um grupo de parlamentares parece incapaz de entender a noção de interesse público. Esse grupo, tudo indica, mais uma vez se dispõe a deformar, em benefício exclusivo de grupos privados, um importante projeto formulado pela equipe econômica e enviado ao Legislativo pelo presidente da República.

A nova MP substitui a de número 766, apresentada há meses pelo Executivo e desfigurada por seu relator, deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG), supostamente integrante da base parlamentar do governo. A tramitação do primeiro texto foi interrompida, representantes do Executivo rediscutiram o assunto com parlamentares e uma versão nova foi preparada, com base nessas conversações. Mas a busca do entendimento parece ter sido inútil. Em outras palavras: o presidente Michel Temer e seus auxiliares parecem ter cometido um sério engano ao confiar nos interlocutores.

Para espanto das pessoas menos prevenidas, o deputado Newton Cardoso Jr. foi eleito, de novo, para a função de relator. Apenas confirmada sua eleição, ele já deixou claro o propósito de mais uma vez deformar a proposta do Executivo, convertendo o novo Refis, o esquema de refinanciamento, numa fonte de ganhos escandalosos para empresas devedoras do Fisco.

Mais uma vez a ideia é mexer nas condições do acerto entre o governo e os contribuintes em atraso, reduzindo os juros e multas e diminuindo o valor da parcela inicial. A nova MP estabelece um prazo máximo de 180 meses para o pagamento, com entrada de 20% para os grandes devedores e de 7,5% para aqueles com débitos de até R$ 15 milhões. Como noticiou o Estado, o relator já indicou a intenção de elevar o limite de R$ 15 milhões, para mais devedores poderem pagar a menor entrada. Além disso, esses beneficiários também poderiam valer-se ao mesmo tempo do uso de créditos tributários e dos descontos propostos para juros e multas. Pelo texto do governo, eles só poderiam usar uma das facilidades ?" reduzir a dívida com créditos tributários ou aproveitar o abatimento de multas e juros.

É preciso, disse o relator, definir um porcentual de entrada "que atenda o governo e a sociedade ao mesmo tempo". O uso da palavra "sociedade" é obviamente abusivo. As mudanças em estudo, se aprovadas, atenderão a interesses de grupos em situação irregular e pouco empenhados, na maior parte dos casos, no acerto com o Fisco. Parlamentares interessados em favorecer esses devedores agirão, em muitos casos, para beneficiar a si mesmos, como apontou a reportagem.

O interesse da sociedade é muito diferente daquele defendido por esses políticos. Objetivamente, a maior parte dos brasileiros será tanto mais favorecida quanto mais pronta e seguramente o governo consiga reconstruir suas finanças. Um dos objetivos da MP 783 é proporcionar ao Tesouro uma receita adicional de R$ 13,3 bilhões neste ano. Ao deformar o texto, o relator e seus companheiros de cerco ao Tesouro impedirão esse resultado.

Um legislativo deveria ser "um retrato exato, em miniatura, do povo", escreveu John Adams, segundo presidente dos Estados Unidos. Legisladores como os desse grupo só poderiam ser o retrato de um povo muito feio e debochado. Nenhum brasileiro deveria reconhecer-se nessa imagem.
Herculano
16/06/2017 08:48
FHC PROCURA UMA SAÍDA

Conteúdo de O Antagonista.FHC continua falando.

Nesta sexta-feira, há mais duas entrevistas com ele: no Estadão e na Veja.

Ele acha que Michel Temer será esmagado pelos fatos e está procurando uma saída.
Herculano
16/06/2017 08:20
ESTAMOS NOS AFASTANDO NÃO Só DO DESENVOLVIMENTO, MAS CIVILIZAÇÃO, por Pedro Luiz Passos, empresário, conselheiro da Natura, para o jornal Folha de S. Paulo

De país do futuro a país outra vez desarvorado quando a economia parecia parar de piorar, as únicas certezas são de que a regressão continua a passos firmes e a saída da crise, que já seria difícil e arrastada sem nenhum novo escândalo, se distancia cada vez mais.

As denúncias se acumulam, e não há surpresa diante de um sistema político em que o governante de turno forma maioria parlamentar mediante o loteamento da gestão pública entre partidos com os quais não tem a mais remota afinidade programática e se compensa carências e lacunas da economia subsidiando a atividade privada em vez de corrigi-las.

A agenda de reformas, parte aprovada no Congresso, como a revisão de regulações anacrônicas, entre elas, as regras de conteúdo nacional e o teto do gasto público, além das reformas da Previdência e da CLT, que vem, ou vinha, tramitando até com celeridade, já não é mais tão segura. Sem elas, os agouros para o Brasil são inquietantes, medonhos, pode-se dizer.

O empresário é otimista de ofício, e reconheço que as condições estruturais do Brasil são ímpares e até superiores às das novas potências que despontam nos rankings de expansão econômica, redução da pobreza e desenvolvimento tecnológico, como China e Índia.

Mas é preciso reconhecer que a crise política seriada nos afastou mais uma vez do que vinha razoavelmente em evolução, mesmo considerando algo reducionista achar que com duas a três reformas tudo se resolve.

Nossos descompassos estão em toda parte, e não só na economia, como revelam as estatísticas sobre os assassinatos no país (60 mil por ano!), sobretudo da população mais jovem. Atrasos na educação, na saúde e na tecnologia não são menos gritantes.

O tamanho da encrenca é enorme. É como se estivéssemos nos afastando não só do desenvolvimento, mas da civilização e do mundo em transformação tecnológica aguda, condenados à mediocridade pela falta de conscientização da sociedade sobre o que se faz necessário e de lideranças capazes de convencê-la.

Tome-se a Previdência. Sua reforma não é contingente, mas crucial, num mundo em que, segundo estudo do World Economic Forum, metade dos jovens nascidos em 2007, ao menos na porção mais rica, já tem a expectativa de viver até 2110, 103 anos em média!

Não há dinheiro para prover aposentadoria a tanta gente. O estudo estima um furo de US$ 400 trilhões de poupança adicional para tais aposentadorias até 2050, o triplo do PIB global. Isso só em oito países pesquisados (EUA, China, Índia, Japão, Reino Unido, Canadá, Austrália e Holanda). Por tamanho do PIB, população e demografia, o Brasil está no mesmo cenário, que será pior se não enfrentado.

Mas o nível dos debates é pífio, estamos todos ligados na próxima denúncia, olhando se Temer fica ou sai. Não há formulação para os desafios que já se colocam quanto mais para os que se avistam. Ao contrário: a agenda sofre interdições políticas, enquanto o país anda para trás nas principais dimensões.

Em 1980, nosso PIB equivalia a 28% do dos EUA e era 26% maior que o da Coreia do Sul, segundo dados do economista Armando Castelar. Já em 2020, diz o FMI, nosso PIB per capita será menos de 20% do dos EUA e 36% do coreano. E vai agravar-se, com o PIB acumulando retração de 7,5% no ultimo biênio e tendendo à estagnação neste ano. A renda per capita murchou 9,2% em dois anos. Como virar esse jogo?

O que está à frente é uma tarefa altamente complexa e muito pouco percebida pelas lideranças políticas e empresariais. Sempre é possível contar com o imponderável.

Por ora, à luz do que sabemos, é mais prudente apertar o cinto porque a crise vai demorar
Herculano
16/06/2017 08:11
CÂMARA FAZ SONDAGENS PARA SUSPENDER AÇÕES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

Sondado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não gostou da ideia em gestação na Câmara e no Senado de aprovar no plenário a suspensão de ações penais contra deputados federais e senadores no Supremo Tribunal Federal, inclusive da Lava Jato. Parlamentares segredaram a impressão de que Maia teme a "patrulha da mídia", mas não conseguirá resistir à pressão dos colegas para aprovar a medida.

INTERESSE COMUM
Na Câmara, ao menos 160 dos 513 deputados são investigações na Lava Jato e outras operações. No Senado, são mais de um terço de 81.

PODER, ELES PODEM
Suspender ações penais é prerrogativa de deputados e senadores, segundo o artigo 53, parágrafo 3º da Constituição.

ESTÁ NA CARTA
O art. 53, que tornou parlamentares invioláveis e prevê a suspensão de ações penais contra eles, foi alterado pela emenda nº 35, de 2001.

PRAZO IMPRORROGÁVEL
O presidente da Câmara teria 45 dias para levar ao plenário da Casa qualquer requerimento de partido político para suspender ação penal.

MAIS MÉDICOS: OPAS LEVOU R$1,3 BILHÃO ESTE ANO
Responsável por intermediar a cessão de médicos, junto ao governo de Cuba, para trabalhar no programa Mais Médicos, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já recebeu R$ 1,3 bilhão do governo brasileiro este ano. O dinheiro, como sempre, vai para o governo do ditador Raúl Castro, irmão de Fidel, que repassa menos de um terço do valor (só R$3 mil dos R$11,5 mil) para o profissional médico no Brasil.

SUBEMPREGO
Ao contrário de médicos de qualquer outro país, no Brasil profissionais cubanos recebem menos de 30% do salário pago pelo governo.

FONTE SECOU
Em abril, o Ministério da Saúde abriu 2,4 mil vagas com prioridade para brasileiros no Mais Médicos. A ideia é reduzir a participação da Opas.

CUSTO DA LIBERDADE
Médicos que se livraram das amarras da ditadura devem ficar oito anos sem pisar em Cuba. "É o preço da escolha de ser livre", diz um deles.

PARLAMENTARES SE ARTICULAM
O Congresso articula com - muito - segredo uma forma de suspender as ações penais movidas contra senadores e deputados, incluindo aquelas da Lava Jato. A iniciativa, prevista no artigo 53 da Constituição, parágrafo 3º, exige somente a maioria absoluta para ser aprovada.

TRABALHAR PARA QUÊ?
Tem previsão para ser aprovada em primeiro turno a PEC que autoriza o Congresso Nacional a entrar em recesso mesmo sem aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), como prevê a Constituição.

SEM MEDO
Aliados do presidente Temer têm dito no Congresso que o Planalto não teme o impacto de duas CPIs do BNDES. E ainda faltam as indicações dos nomes da base para compor o colegiado misto.

AUTORIDADE INTOCÁVEL
Na saída do elevador do Senado há um banco onde sentam repórteres à espera do presidente da Casa. Há também segurança que pede às pessoas que o utilizam para se levantarem, à passagem de senadores.

REFORMA AVANÇA
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado marcou a votação do relatório favorável ao texto da reforma trabalhista para a próxima terça-feira (20). Só quatro senadores se opõem às mudanças propostas.

SALÁRIOS, SEMPRE
A maior parte do custo da Justiça do Trabalho é com os seus 60.200 servidores, entre eles 3,6 mil são magistrados. O custo de R$21 bilhões da Justiça do Trabalho é, de longe, o maior do Judiciário do Brasil.

TRAGICôMICO
Comissão da Câmara rejeitou criar 'teste de integridade' para agentes públicos, que averiguaria a honestidade e a "predisposição do servidor para crimes"; espécie de versão pública do famoso 'teste de fidelidade'.

ARRECADAÇÃO VAI SOFRER
A MP da renegociação de débitos tributários vai caducar e o governo enviará novo texto com descontos baixos. Erro grave, diz o tributarista Marcelo Prado: "É o inverso. Quanto mais desconto, maior a adesão".

PERGUNTA DO LEITOR
Via Facebook, Alex Ferreira pergunta, bem-humorado: sobre a possível prisão de Aécio Neves, "o Ibama permite tucanos na gaiola?"
Herculano
16/06/2017 08:05
DOPAR, NO BRASIL, PODE. O QUE NÃO PODE É DESCOBRIR O DOPING, por Juca Kfouri, no jornal Folha de S. Paulo

ABCD é a sigla da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem.

Criada em 2011 para o país se habilitar na área durante a Copa do Mundo de 2014 e para Rio-2016.

O Ladetec, o laboratório até então usado, teve problemas de conformidade e foi suspenso pela Wada, a organização mundial antidopagem, em 2013.

Como o laboratório não conseguiu ser credenciado em tempo, os exames da Copa foram feitos na Suíça.

Em maio de 2015, depois de um investimento de mais de 180 milhões de reais, o Brasil recebeu o credenciamento e fez os exames na Olimpíada.

Mas, no fim de 2016, aconteceu nova suspensão.

A ABCD nunca teve vida fácil entre a cartolagem nacional, avessa aos exames de surpresa, prática internacional.

Basta dizer que o nadador Michael Phelps, cinco ouros no Rio, fez nada menos de 30 exames fora de competições nos dois anos anteriores à Olimpíada e, em 2013, a ABCD fez levantamento entre 4.995 participantes do Bolsa Atleta, os melhores do país: 83% jamais haviam sido testados no país.

No último sábado (10), a TV alemã ARD, a mesma que denunciou amplo esquema de dopagem na Rússia e que redundou na exclusão dos atletas russos na Rio-2016, levou ao ar uma reportagem de 42 minutos que revela como o doping corre solto no Brasil. O documentário pode ser visto em meu blog no UOL, do Grupo Folha.

O médico Júlio César Alves, de Piracicaba, reaparece, agora para o mundo, como o responsável por atender dezenas de atletas que, sob sua orientação, se valem de métodos proibidos para ganhar mais força e para ludibriar os exames.

Reaparece porque, em 2013, em reportagem de Roberto Salim, a ESPN Brasil já o havia apresentado ao país, quando ele denunciou a hipocrisia das autoridades esportivas nacionais no trato do tema, algumas delas assalariadas de federações e confederações, expediente proibido pela Wada e um dos motivos para os descredenciamentos.

Para não falar da permanente influência política, em assunto que deveria ser apenas técnico, de cartolas como o médico gaúcho Eduardo de Rose, desligado do Wada.

Em 2015, a ABCD apresentou relatório ao Ministério Público paulista onde, com confissões de atletas clientes de Alves, fica evidente a prática irregular. Nada aconteceu.

A reportagem da TV alemã mostra como são feitos os exames em nosso futebol ao filmar a presença de estranhos na sala de antidopagem, com a sigla da CBF, depois do jogo Palmeiras e Novorizontino, no Pacaembu. Até pizza é servida no recinto.

Ouve ainda o especialista português, ex-consultor da ONU e durante dois anos a serviço da ABCD, Luís Horta, que diz, textualmente: "O COB se preocupa em ganhar medalhas, medalhas e mais medalhas e não se interessa se elas serão medalhas limpas".

A TV alemã suspeita até da lisura do pentacampeonato de futebol porque, segundo o médico Alves, o então lateral-esquerdo Roberto Carlos, foi seu cliente, coisa que o ex-atleta nega com veemência, embora haja ao menos uma testemunha que diga tê-lo visto no consultório.

Tanto ele, como o COB, a CBF e o Ministério do Esporte se recusaram a falar com a equipe de reportagem germânica.

Ficará por isso mesmo?
Herculano
16/06/2017 08:00
MINHA FILHA, MINHA SOGRA

Conteúdo de O Antagonista. Michel Temer é igual a Lula.

Um será condenado pelas reformas no triplex e no sítio, o outro será condenado pelas reformas nos apartamentos da filha e da sogra.

Esse é o motivo da guinada de FHC, segundo Eliane Cantanhêde, do Estadão:

"Como parecia claro desde o início, o que vai se configurando como mais grave e concreto contra o presidente Michel Temer é a relação dele com o coronel PM João Baptista Lima, o 'coronel Lima' das delações da JBS (?).

Tudo parece indicar que foi a JBS quem pagou a reforma da casa de uma das filhas de Temer, em São Paulo. O dinheiro sairia da empresa sob pretexto de doação de campanha, iria parar na empresa do coronel Lima e dali sairia para o pagamento de arquitetos e fornecedores de material para a obra (?).

Dinheiro de empresa privada em campanha era legal. No bolso dos candidatos, não.

Assim como as obras no sítio e no triplex criam um link direto entre Odebrecht e OAS e o ex-presidente Lula, a da casa da filha é considerada o link entre a JBS e Temer (?).

Com o coronel Lima entrando em cena como protagonista, as reações são contundentes. Temer quer pressa na votação do pedido da PGR na Câmara, Maia acena até com o cancelamento do recesso de julho e o ex-presidente Fernando Henrique dá uma guinada importante, que pode mudar a disposição do PSDB e do Congresso.

Entre a reunião do 'fico' e a defesa de eleições antecipadas, o que houve? Certamente, o avanço das investigações sobre os vínculos entre Temer, o coronel Lima e papéis rasgados na casa deste. Quem tem provas a destruir é porque tem culpa no cartório. A culpa de um coronel aposentado é uma coisa, a de um presidente da República é outra. Ainda mais com crise, tensão e futuro incerto".
Herculano
16/06/2017 07:37
O GAROTO DA TESTA TATUADA É SÍMBOLO DE UM TEMPO EM QUE PRIMEIRO SE PUNE E DEPOIS SE INVESTIGA, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo.

"Eu sou ladrão e vacilão".

O adolescente que teve a testa marcada por homens comuns, que se querem - e devem ser - honrados, traduz aquilo que, como sociedade, fizemos do que fizeram de nós.

Nem a vítima nem seus algozes sabiam que ali estava um emblema destes dias. Quando um historiador decidir esmiuçar o Zeitgeist, o espírito deste tempo, há de se debruçar sobre esse evento aparentemente irrelevante para concluir que ele revela uma mentalidade, plasmada, sim, pelas vicissitudes do cotidiano, pela vida e seu ofício, pelas dificuldades que todos experimentamos, afinal, na própria pele. Mas não só isso. Todos temos também um juízo de valor sobre o poder, seus agentes e o bem ou mal que nos fazem.

Aquele historiador há de proceder como o norte-americano Robert Darnton no excelente "O Grande Massacre de Gatos e Outros Episódios da História Cultural Francesa". Em seis capítulos, ele expõe o modo de pensar da França do Século 18, na passagem do Antigo para o Novo Regime, por intermédio da análise de narrativas populares. Uma delas trata de um episódio ocorrido ali por 1730. Operários de uma tipografia da rua Saint-Séverin, em Paris, resolvem matar todos os gatos da vizinhança. Na origem do massacre, a revolta contra o patrão e as aviltantes condições de trabalho. A matança começou por "La Grise", a gata predileta da mulher do seu algoz.

Seria então o massacre mera metáfora da revolta do trabalho contra o capital? Darnton vai além dessa facilidade. Os gatos já não gozavam de boa reputação - trariam algo de maligno. Havia a tradição de torturá-los no Carnaval e outras festividades. O ódio episódico desencadeou a matança, mas esta não teria acontecido sem um lastro cultural.

Aquele acusado de ser um "ladrão de bicicleta" teve, segundo rosnou a extrema-direita nas redes sociais, o merecido tratamento. A extrema-esquerda não chegou a transformá-lo num herói, mas ensaiou o discurso das iniquidades sociais, o que é factualmente falso.

Notem que o rapaz não foi espancado, linchado ou submetido a barbaridades típicas dessas situações. Ele foi "marcado". O que interessa é submetê-lo ao opróbrio. A questão concerne à política. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, manipulava o instrumento que gravou a testa do garoto. Exagero retórico? Estamos no terreno de simbolismos reveladores.

Então não é isso o que vem fazendo dia após dia, com a nossa - da imprensa - diligente colaboração, o MPF? Todos os políticos, de todas as tendências e matizes, trazem na testa "Eu sou ladrão e vacilão". É um truísmo: as pessoas fazem justiça com as próprias mãos quando não confiam naquela que lhes oferece o Estado. Sentem que precisam se proteger e purgar os pecados do mundo. E então se têm os bodes expiatórios, os gatos expiatórios, os homens expiatórios. E serão brutais segundo suas tradições e superstições.

A miséria moral é ainda maior: juízes estão a fazer justiça com a própria toga. Procuradores estão a fazer justiça com a própria página no Facebook. Especuladores disfarçados de jornalistas estão a fazer justiça com suas próprias apostas na variação cambial.

Um amigo, de um tempo extinto, está lendo "Dos Delitos e das Penas", que Cesare Beccaria escreveu aos 26 anos. Deveria ser obrigatório a todos os jornalistas, mais aos investigativos. Destaca um trecho e me manda por WhatsApp: "O verdadeiro tirano começa sempre reinando sobre a opinião; quando é senhor dela, apressa-se a comprimir as almas corajosas, das quais tem tudo que temer porque só se apresentam com o archote da verdade, quer no fogo das paixões, quer na ignorância dos perigos."

Entendi. O "janotismo" tentou me marcar e busca gravar o seu emblema, como tatuagem, na testa de qualquer um que rejeite o fascismo de esquerda como consequência natural da caça aos ladrões
Herculano
16/06/2017 07:34
FUNARO DIZ A PF QUE TEMER TINHA PLENO CONHECIMENTO DA CORRUPÇÃO DO PMDB, por Josias de Souza

Interessado em firmar um acordo de colaboração com a Justiça, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga Michel Temer. Ele admitiu ter atuado como operador de esquemas que abasteceram o caixa dois do PMDB com verbas de corrupção. Declarou que Temer tinha pleno conhecimento de que as campanhas da legenda eram vitaminadas com recursos provenientes de propinas.

O depoimento de Funaro ocorreu na última quarta-feira. O conteúdo foi noticiado no site da revista Veja e no Globo. Presidente licenciado do PMDB, Temer comandou a legenda por 15 anos, até 2016. Procurado, mandou dizer que não teve conhecimento senão das doações oficiais ao partido. Funaro disse que chegou a conversar com o próprio Temer sobre o dinheiro que azeitava as arcas do PMDB. Mas o presidente da República assegura que nem conhece o doleiro.

Preso há 11 meses na penitenciária da Papuda, em Brasília, Funaro foi ouvido por cerca de quatro horas. Já se sabia que ele havia atuado como operador de esquemas de corrupção encabeçados por Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Interessado em se tornar delator, ele jogou o PMDB na fogueira. Negou, porém, que tivesse recebido dinheiro do Grupo JBS para se manter calado.

Funaro não teve como negar, porque está filmado, o repasse de R$ 400 mil em dinheiro vivo para sua irmã , Roberta Funaro. O doleiro alegou que se trata de pagamento por serviços que ele teria prestado licitamente à empresa. Difícil será explicar por que sua irmã recebeu a verba não por meio de transferência bancária, mas num encontro sorrateiro com executivo da JBS, num estacionamento.
Herculano
16/06/2017 07:32
da série:o empreguismo, benesses, aumentos sem limites do poder público é algo pior que a corrupção e a ladroagem em si.

ALÉM DA CORRUPÇÃO, editorial do jornal Folha de S.Paulo

Fora do universo das discussões técnicas das contas públicas, não raro se culpa a corrupção pela situação orçamentária calamitosa de governos brasileiros. Na sentença em que condenou o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, o juiz Sergio Moro resvalou nessa tentação.

Em estimativas recentes, os investigadores da Lava Jato atribuem a Cabral e a seu grupo desvios na casa das centenas de milhões ao longo de dois mandatos.

O balanço parcial é, decerto, assombroso. Tal monta de recursos poderia mesmo atenuar parte do sofrimento dos habitantes do Rio, que assistem à ruína de serviços básicos e à falta de pagamento aos servidores estaduais.

Ainda assim, as ordens de grandeza da corrupção e do despautério administrativo são diferentes. Basta dizer que a receita do governo fluminense aproximou-se dos R$ 50 bilhões no ano passado.

O problema central das contas, ao que tudo indica, foi o rápido e agudo aumento da despesa com pessoal ?"de espantosos 70% de 2009 a 2015, quando chegou a R$ 31,7 bilhões. Nenhum Estado inflou tanto sua folha de pagamentos no período, conforme levantamento do Tesouro Nacional.

No ano passado, os encargos com servidores ativos e inativos consumiram nada menos de 72% da receita do Rio, bem acima do limite legal de 60%. O endividamento, aliás, também extrapolou o teto, de 200% pela legislação.

A administração do peemedebista elevou despesas permanentes fiando-se, de maneira irresponsável, no excelente momento das receitas voláteis do petróleo ?"em vez de criar fundos ou abater dívidas, como seria recomendável. A queda posterior dos preços apenas evidenciou o desatino.

Por meia dúzia de anos, viveu-se a ilusão de riqueza; em valores corrigidos, a arrecadação disponível passou dos R$ 60 bilhões em 2013. Montado em tal bonança, o governo empenhou-se na concessão de benefícios fiscais sem racionalidade econômica, instalando empresas que seriam apenas sustentáveis por meio de subsídios.

Enfim, o Estado exemplificou, na plenitude, o que estudiosos chamam de "maldição dos recursos naturais" ?"a combinação de desperdício, pilhagem de verbas e regressão econômica verificada em países de instituições rudimentares, temporariamente beneficiados pela alta dos preços de produtos primários agrícolas ou minerais.

Por assombroso que seja o custo da corrupção, o Rio de Janeiro foi levado ao desastre, sobretudo, pela tolerância geral com uma gestão evidentemente perdulária. Haveria ruína mesmo que o Estado não fosse comandado por bucaneiros.
Sidnei Luis Reinert
15/06/2017 21:48
Para que servem as universidades federais brasileiras? Faltou Hitler, Stalin, Chaves...!

UFSC Blumenau oferece especialização gratuita em educação escolar contemporânea
Público-alvo são professores da rede básica de ensino, coordenadores e supervisores pedagógicos, servidores das secretarias de educação e demais?

Teorias da educação e do currículo escolar: conceitos e fundamentos.
A raiz filosófica e as características das diversas racionalidades
teórico-metodológicas da educação e do currículo escolar, a saber:
Jean-Jacques Rousseau (Suíça, 1712 ?" França, 1778); Auguste
Comte (França, 1798 ?" 1857); Karl Marx (Alemanha, 1818 ?" Inglaterra,
1883); Friedrich Nietzsche (Alemanha, 1844 ?" 1900); Émile
Durkheim (França, 1858 ?" 1917); John Dewey (Estados Unidos, 1859
?" 1952); Ludwig Wittgenstein (Áustria, 1889 ?" Inglaterra, 1951); Antonio
Gramsci (Itália, 1891 ?" 1937); Lev Vygotsky (Rússia, 1896
?" 1934); Jean Piaget (Suíça, 1896 ?" 1980); Michel Foucault (França,
1926 ?" 1984).

http://especializacao.blumenau.ufsc.br/files/2017/06/Ementas_Esp-EEC.pdf
Roberto Sombrio
15/06/2017 20:52
Oi, Herculano.

Conteúdo do jornal O Globo. Texto de Silvia Amorim, da sucursal de São Paulo.

MAIS UM QUE PARECE DESCONHECER A CONSTITUIÇÃO EM VIGO.O TUCANO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO SUGERE QUE ANTECIPAÇÃO DE ELEIÇÕES SERIA 'UM GESTO DE GRANDEZA' DE TEMER".

Desde quando os políticos conhecem a Constituição? Quando assumem juram seguir e respeitar a Constituição, no entanto cometem atos e criam leis que são sempre inconstitucionais.
A Constituição é para os brasileiros, o Executivo, Legislativo e Judiciário são outro país. Existem leis para eles e leis para o Brasil.
Herculano
15/06/2017 20:19
JBS ENCOMENDOU LAUDO DE GRAVAÇÃO A EX-FBI

Conteúdo de O Antagonista.O Antagonista apurou que a defesa de Joesley Batista encomendou dois laudos da gravação da conversa clandestina com Michel Temer...

Nada de laudo de bolinha de papel. Um dos peritos contratados é ex-FBI (que também foi procurado por Temer). Outro é um reconhecido perito alemã.

TAMANHO DA MALA

Essa é sensacional: a defesa de Antônio Palocci quer usar o caso da mala de Rocha Loures para absolver o petista.

Diz que o delator Fernando Migliaccio mentiu ao afirmar que Branislav Kontic, assessor de Palocci, levava "nunca menos de um milhão de reais" ou "até 2 milhões, 3 milhões numa mochila", porque esse dinheiro não cabe numa mochila, como demonstraria o episódio do homem da mala de Michel Temer:

"O colaborador Fernando Migliaccio foi desmascarado pelos recentes fatos (?). No episódio envolvendo o deputado, havia uma mala contendo R$ 500 mil. Ora, como se sabe agora, R$ 500 mil ocupam o volume de uma mala média. Mas, de acordo com o delator, Branislav Kontic fazia caber em uma mochila - com aproximadamente um terço ou pouco mais da capacidade da mala carregada pelo deputado paranaense ?" nunca menos do que o dobro do valor contido em uma mala média. A falácia contada pelo réu colaborador salta aos olhos. Esse fato demonstra, por si só, a inconsistência das alegações feitas pelo correu delator."
Mariazinha Beata
15/06/2017 20:10
Seu Herculano;

O texto das 08:32hs., não duvido que o Brasil já não esteja vivendo esta situação.
Com o petê no poder por 13 anos, tudo é possível.

Bye, bye!
Sidnei Luis Reinert
15/06/2017 19:06
BREAKING: Obama BUSTED após Trump Finds Dispositivo "ilegal" no escritório oval

Regra geral: se um liberal acusa você de qualquer coisa, suponha que eles são os que estão realmente fazendo isso. É assim que desviam a atenção de seus crimes. Então, não é surpreendente que Obama seja culpado pelo que os democratas estão tentando apontar no Trump.

Não há uma única prova de uma "colusão" Trump-Rússia ou de qualquer comunicação "back channel". Mas acontece que Barack Obama realmente teve um "telefone vermelho" de canal de volta, dando-lhe uma comunicação discreta com a Rússia (via The Daily Caller ) . A ironia é incrível!

O escritório oval de Obama tinha um dispositivo secreto para conversar com o Kremlin. O "telefone vermelho", como está sendo chamado, não era realmente um telefone. Em vez disso, era um canal de mensagens para troca de correspondência e documentos. Obama pensou que ninguém jamais descobriria!

No entanto, deixou-o para trás depois de deixar a Casa Branca. Agora que foi descoberto, temos evidências de que Barack Obama estava realizando acordos clandestinos com líderes estrangeiros. Ele estava em conluio com eles para ter sua agenda de esquerda passada sob o nariz!

Por exemplo, Obama usou seu telefone vermelho para dizer ao presidente russo Dmitri Medvedev em 2010 que ele teria mais flexibilidade após a eleição (via World Net Daily ).

Obama e a então secretária de Estado, Hillary Clinton, também usaram esse canal para discutir relações "reajustando" com a Rússia. Quão interessante eles queriam redefinir as relações com esse poder mundial. Mas quando Trump fala sobre "se dar bem" com Putin, a esquerda transforma isso em uma teoria da conspiração louca. HIPOCRISIA!

Mas as verdadeiras feridas foram com o Irã. Foi com este canal de trás que Obama arranjou seu desastroso acordo com o Irã, segundo o qual os EUA lhes deram bilhões de dólares para facilitar seu programa nuclear praticamente sem supervisão.

É verdade, estamos pagando um país que nos odeia (e um que patrocina o terrorismo) para finalmente criar armas nucleares que usarão contra nós. Realmente inteligente, Obama! Mas é claro, é o que ele queria - tudo o que Obama fez foi com o objetivo de enfraquecer os Estados Unidos da América.

Obama também usou este canal para organizar o resgate que pagou pelos nossos militares que foram mantidos em cativeiro pelo Irã. Obama cansou de manter o seu pagamento em dinheiro secreto. Ele finalmente foi exposto. Agora, sabemos exatamente como ele trabalhou com os iranianos. É por isso que Obama fugiu com sua terrível política externa - ele estava tendo conversas secretas com seus cúmplices estrangeiros sobre como minar nosso país!

Enquanto isso, a mídia liberal não abrangerá nada disso. A última coisa que eles querem é admitir que Obama fez exatamente o que acusam Trump de fazer. Esta informação é suficiente para fazer explodir suas cabeças! Agora, eles ainda falam sobre Trump e Rússia. Eles querem fixar nosso presidente com acusações de "obstrução da justiça", mesmo que ele nunca tenha feito nada fora de sua autoridade constitucional.

O povo americano está farto. Sabemos que James Comey atravessou os dentes durante suas audiências no Senado. E ele está cavando seu próprio túmulo através de seu próprio comportamento ilegal. A caça às bruxas fica cada vez mais ridícula.

É hora de o presidente Trump ir atrás desses criminosos. Obama e seu povo foram sem dúvida a administração de MOST CORRUPT para sempre segurar a Casa Branca. Hora de enviá-los para a prisão e restaurar a justiça para a AméricA

http://www.angrypatriotmovement.com/obama-busted-trump-finds-device/?utm_source=Boomtrain&utm_medium=morning&utm_campaign=20170615-1
Herculano
15/06/2017 19:02
RODRIGO MAIA DIZ QUE PODE SUSPENDER RECESSO PARA VOTAR DENÚNCIA CONTRA TEMER

Conteúdo O Estado de S. Paulo. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta quinta-feira (15)ao Broadcast que existe a possibilidade de o Congresso Nacional suspender o recesso parlamentar para analisar um eventual pedido de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Em resposta à reportagem do Grupo Estado, Maia afirmou que, em sua opinião, essa questão pode, sim, justificar uma suspensão do recesso. Ele explicou que isso seria definido numa consulta ao Plenário.

"É meio óbvio. Se tem uma denúncia contra o presidente que precisa ser votada? Aí, de repente, tem o recesso e para a eventual votação por 15 dias. Vamos voltar a tratar disso depois de 15 dias? Parar no meio do recesso, é claro que não tem condição. Tem que começar uma eventual discussão sobre esse assunto, tendo início meio e fim. Para o Brasil, isso é fundamental", disse.

Essa possibilidade já havia sido informada pelo Estado na edição desta quinta-feira. A reportagem apurou que, anteontem, em almoço com deputados do PSB, Rodrigo Maia afirmou que, se necessário, pedirá a suspensão do recesso.

Hoje, o presidente da Câmara afirmou, no entanto, que essa decisão não depende apenas dele. "Isso não depende do presidente da Câmara, mas do Plenário. Vamos aguardar. Estamos ainda na fase das hipóteses. Quando acontecer tratamos do resto", explicou.

Assim que for apresentada pela PGR, a denúncia deve ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Segundo o regimento interno da Casa, o colegiado terá 15 sessões para analisar o caso, sendo dez para a apresentação da defesa do presidente e, após isso, mais cinco para o relator apresentar seu parecer. Após ser votada no colegiado, a denúncia tem de ser apreciada no plenário

Todos esses procedimentos levariam, em condições normais, ao menos um mês e meio. A recomendação do Palácio do Planalto, porém, é não usar todo o período permitido para a defesa. Maia negou que pretenda fazer qualquer tipo de alteração na tramitação do pedido.

"Minha opinião é que, se a denúncia chegar, vai tramitar na base regimental, não vamos suprimir nada até porque não pode: 10 sessões para a defesa do presidente e cinco sessões para o relator. Vota na comissão e depois de duas sessões pode votar em Plenário", afirmou.

Como o Estadão informou, líderes governistas dizem, porém, que há forte resistência dos parlamentares a suspender o recesso de julho, mês de férias escolares. Já o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que o período de férias está mantido entre os dias 18 e 31 de julho.

Para que o Congresso Nacional seja convocado extraordinariamente no mês de julho há dois caminhos regimentais. O primeiro deles é a convocação conjunta dos presidentes da Câmara e do Senado. O segundo é a aprovação de requerimento nesse sentido pela maioria absoluta dos integrantes das duas Casas, ou seja, por pelo menos 257 deputados e 42 senadores.

Interlocutores do governo lembram, porém, que há ainda uma terceira via, considerada ainda mais fácil. Oficialmente, o Congresso só pode entrar em recesso em julho se aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso não aprove, Câmara e Senado entram no chamado "recesso branco", quando oficialmente parlamentares não estão em recesso, mas não há sessões no plenário e nas comissões.
Herculano
15/06/2017 18:52
A REPÚBLICA DA VERGONHA, por Paulo Briguet,para a Folha de Londrina

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
(Rui Barbosa, 1914)

Se existe algo que foi distribuído amplamente em nosso país, é o sentimento de vergonha. Entre a elite que nos governa e escraviza, a vergonha tornou-se rara, quase inexistente. Todavia, entre a imensa maioria do povo ?" esse povo que não faz política, mas a sofre ?" a vergonha é ubíqua e soberana. Somos uma nação envergonhada. Somos a República da Vergonha. Face aos últimos acontecimentos em Brasília, gostaria de declarar aos meus sete leitores:

Eu tenho vergonha do Brasil.

Eu tenho vergonha dos políticos do Brasil.

Eu tenho vergonha do acordão para salvar os políticos do Brasil.

Eu tenho vergonha da Dilma.

Eu tenho vergonha do Temer.

Eu tenho vergonha da chapa Dilma-Temer.

Eu tenho vergonha da absolvição da chapa Dilma-Temer.

Eu tenho vergonha do Joesley.

Eu tenho vergonha da Odebrecht, da OAS, do BNDES, da Petrobras.

Eu tenho vergonha da Smartmatic. Eu tenho vergonha das urnas eletrônicas. Eu tenho vergonha da apuração eleitoral secreta. Eu tenho vergonha das "diretas já".

Eu tenho vergonha do Lula.

Eu tenho vergonha do FHC.

Eu tenho vergonha do Supremo ?" suprema vergonha.

Eu tenho vergonha do TSE ?" superior vergonha.

Eu tenho vergonha do Executivo, do Legislativo, do Judiciário.

Eu tenho vergonha do Gilmar Mendes. Do Barroso, do Marco Aurélio, do Tóffoli, do Lewandowski, do Fachin, do Janot. Eu tenho vergonha, sim senhor.

Eu tenho vergonha do Aécio, do Rocha Loures, do Zé Dirceu, do Moreira Franco, do Cunha, do Palocci, do Mantega, do Edinho.

Eu tenho vergonha do PT, do PSDB, do PMDB.

Eu tenho vergonha da Rede, do PSOL, do PC do B.

Eu tenho vergonha dos Filhos da CUT, dos caras da UNE, dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-vergonha.

Eu tenho vergonha do showzão obsceno no tribunal de Brasília, eu tenho vergonha do showzinho erótico na universidade de Maringá: vergonha é o que há.

Vergonha da esquerda mortadela, vergonha da direita moderna, a vergonha em grupo, a vergonha sozinha. Não é vergonha alheia, não: a vergonha é toda minha.

Vergonha do Jaburu, do Planalto, da Alvorada. Tenho vergonha, não tenho mais nada.

Vem ter vergonha também: a vergonha que eles não têm.
Herculano
15/06/2017 18:49
1989 O ANO QUE PODE VOLTAR PARA OS BRASILEIROS, por Adolfo Sachsida, economista, no Instituto Liberal

O Brasil teima não apenas em repetir seus erros, mas também desafia a ciência e volta constantemente no tempo. Tal como alertei diversas vezes os anos Dilma se assemelhavam perigosamente com os anos Geisel. Agora é a vez de 2018 se assemelhar cada vez mais com o ano de 1989. No lado político, tal como [?]

O Brasil teima não apenas em repetir seus erros, mas também desafia a ciência e volta constantemente no tempo. Tal como alertei diversas vezes os anos Dilma se assemelhavam perigosamente com os anos Geisel.

Agora é a vez de 2018 se assemelhar cada vez mais com o ano de 1989. No lado político, tal como em 1989 teremos um monte de candidatos disputando a presidência da República com chances. Em 1989, tínhamos Collor, Ulysses, Covas, Afif, Freire, Lula, Brizola, Affonso Camargo, Aureliano Chaves, entre outros. Em 2018 teremos igualmente um cenário político fragmentado e com vários políticos sem grande apoio partidário correndo por fora na eleição.

Ainda no lado político, em 1989 o presidente Sarney não contava nem com apoio no Congresso e nem com apoio popular. Os meses finais de seu governo foram um verdadeiro suplício, caracterizados por um imobilismo crônico, um verdadeiro empurrando com a barriga. Notem que destino semelhante parece aguardar o presidente Temer em 2018.

No lado econômico, 1989 foi um ano interminável. Inflação alta, caos econômico, confusão completa. Só para dar ao leitor uma ideia do caos, em 1989 a inflação (medida pelo INPC) atingiu incríveis 1.863%. Para 2018 NÃO ACREDITO num descontrole inflacionário. Contudo, outros indicadores são assustadores, em especial a taxa de desemprego e a péssima situação das contas públicas federais, estaduais, e municipais.

O lado político fraco e os sérios problemas econômicos que nos esperam em 2018 me fazem lembrar daquele fatídico ano de 1989. Hoje, em minha opinião, a principal missão desse governo (ou de outro que o substitua) é entregar um país minimamente governável para o próximo presidente eleito em 2019. Creio que a manutenção do governo Temer, além de escandalosamente imoral, tende a tornar a transição para 2019 mais difícil e sujeita a maiores problemas. Um novo governo eleito indiretamente pelo Congresso Nacional, além de ser o correto do ponto de vista legal, tenderia ao menos a garantir um apoio político mínimo para, com uma agenda econômica centrada nas reformas microeconômicas, entregar um país governável para que o próximo presidente eleito pelo povo faça as reformas macroeconômicas necessárias
Herculano
15/06/2017 18:30
MAIS UM QUE PARECE DESCONHECER A CONSTITUIÇÃO EM VIGO.O TUCANO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO SUGERE QUE ANTECIPAÇÃO DE ELEIÇÕES SERIA 'UM GESTO DE GRANDEZA' DE TEMER"

Conteúdo do jornal O Globo. Texto de Silvia Amorim, da sucursal de São Paulo. Com o PSDB rachado e sob o risco de não ser uma alternativa eleitoral competitiva para 2018, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende agora que um gesto de grandeza do presidente Michel Temer seria pedir antecipação de eleições gerais. A posição de FH consta em uma nota encaminhada ao GLOBO na manhã desta quinta-feira.

No texto, que também foi enviado à agência Lupa, FH começa dizendo que sua percepção sobre a situação política do Brasil tem sofrido "abalos fortes". Para ele, falta "legitimidade" a Temer para governar e o país vive um tipo de "anomia" (falta de regras, desorganização). Diante desse cenário, o ex-presidente diz ter mudado de opinião de que seria um golpe a convocação de eleições antes do término do mandato de

"A ordem vigente é legal e constitucional (daí ter mencionado como 'golpe' uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto", escreveu o tucano na nota.

A tese de eleições antecipadas para interromper o governo Temer é bandeira dos partidos de esquerda, liderados pelo PT. Essa possibilidade não havia encontrado abrigo no PSDB até então, inclusive FH se manifestou anteriormente classificando-a como golpe.

Para que haja eleições antecipadas, é preciso alterar a Constituição por meio de uma proposta de emenda constitucional no Congresso (PEC). Ao GLOBO, FH disse na tarde desta quinta-feira que não é possível saber se a medida seria capaz de manter Temer no poder até a aprovação de uma PEC.

- A volatilidade da conjuntura política é de tal ordem que qualquer prognóstico se torna precário. Vivemos, como diria o dr. Ulysses (Guimarães), sob os impulsos de sua excelência O Fato - afirmou.

O tucano também defendeu que uma eventual antecipação das eleições gerais de 2018 seja precedida de mudanças na legislação eleitoral. Mas não mencionou qual seriam elas.

- Não obstante e ainda mais por isso, devemos obedecer estritamente a Constituição. Novas eleições requerem emenda constitucional que, a meu ver, deveria ser antecedida por mudanças na legislação eleitoral. Portanto, tudo ocorreria mais facilmente com a anuência do presidente.

O novo posicionamento do ex-presidente surge na mesma semana em que o PSDB sofreu novo desgaste político ao decidir que continuará no governo Temer, apesar de parte do partido pressionar pelo desembarque. A decisão expôs um racha na legenda. O ex-ministro de FH Miguel Reale Junior, autor o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, anunciou sua desfiliação, acusando o PSDB de estar se "peemedebizando".

Fernando Henrique diz na nota que os partidos precisam pensar no país e não em interesses partidários neste momento. "Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido", escreveu.

Duas razões levaram o PSDB a permanecer no governo: evitar que o PMDB apoie uma cassação do mandato do senador Aécio Neves no Conselho de Ética do Senado e o risco de que, numa queda de Temer, o deputado Rodrigo Maia assuma a Presidência. Lideranças do partido temem que ele se torne um adversário de peso na eleição presidencial de 2018.

O tucano, entretanto, evita se posicionar de forma clara sobre que atitude deveria tomar o PSDB imediatamente. Ele ainda condiciona uma tomada de decisão a uma deterioração maior das condições políticas. "A responsabilidade maior é a do presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país. Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo."

Para resumir o cenário, o tucano retoma a metáfora da "pinguela", que usou ainda no início do governo Temer para resumir o papel do peemedebista naquele momento político brasileiro. "Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular", diz a nota.

Leia a íntegra da nota de Fernando Henrique Cardoso:

"A conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também. Se eu me pusesse na posição de presidente e olhasse em volta reconheceria que estamos vivendo uma quase anomia. Falta o que os políticólogos chamam de 'legitimidade', ou seja, reconhecendo que a autoridade é legítima consentir em obedecer.

A ordem vigente é legal e constitucional (dai o ter mencionado como "golpe" uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto.

É diante desta perspectiva que os partidos, pensando no Brasil, nas suas chances econômicas e nos 14 milhões de desempregados, devem decidir o que fazer.

A chance e a cautela a que me refiro derivam de minha percepção da gravidade da situação. Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido.

A responsabilidade maior é a do Presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país.

Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o Psdb possa continuar no governo.

Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular.

É este o sentimento que motiva minhas tentativas de entender o que acontece e de agir apropriadamente, embora nem sempre no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas tenha sido claro nem sem hesitações.
Herculano
15/06/2017 14:27
A AFRONTA BOÇAL SOFRIDA POR MIRIAM LEITÃO É OBRA DE LULA, por Augusto Nunes, de Veja

Devem ser debitadas no prontuário de Lula as violências sofridas neste 3 de junho pela jornalista Míriam Leitão, que voava de Brasília para o Rio a bordo de um avião infestado de fanáticos que haviam participado do congresso nacional do PT. Dois dias antes, durante o sermão da missa negra que encerrou a reunião, o único deus da seita atiçou as centenas de devotos com ataques ao Grupo Globo em geral e a Míriam em particular. A colunista e comentarista da empresa, segundo o cinco vezes réu da Lava Jato, sempre erra em desfavor da organização criminosa que, disfarçada de entidade política, por pouco não destruiu o país.

Ao toparem com a jornalista no aeroporto da capital, pit bulls que só esbanjam valentia quando agrupados em matilhas começaram a rosnar em coro. A sequência de afrontas ganhou dimensões mais repulsivas a bordo da aeronave da Avianca, cuja tripulação testemunhou passivamente o berreiro covarde sublinhado por gestos obscenos. Míriam suportou com altivez o constrangimento absurdo, relatado em sua coluna no Globo desta terça-feira, 13 de junho. Um trecho do artigo sugeriu a Lula que deixasse de citá-la nominalmente nas discurseiras que invariavelmente incluem incitações à selvageria.

A jornalista poderia ter incorporado à recomendação um fato relevante: neste 11 de junho, oito dias depois do espetáculo da boçalidade encenado acima das nuvens, o chefão recomeçou a ofensiva por terra na festa de posse de Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo rebaixado a presidente do diretório paulista do PT. "Por mais que determinados setores da imprensa tentem vender de manhã, à tarde e à noite que tá tudo maravilhoso, eu sinceramente não sei", começa o torturador da verdade e do idioma. "Eu se um dia? eu não posso nem falar de candidatura porque o Ministério Público já quer me processar por antecipação de campanha".

E então a cabeça baldia recoloca na alça de mira a inimiga do Pai dos Pobres que virou Mãe dos Ricos: "Mas eu quero dizer que, se um dia, se Deus quiser e o povo brasileiro assim desejar e eu voltar, eu vou chamar a Míriam Leitão para ser minha ministra da Fazenda, porque eu nunca vi ninguém dar mais palpite errado do que essa mulher", ironiza o homem fustigado por pesadelos em que aparecem celas, grades e placas com o nome da capital do Paraná. "Eu, sinceramente, não sei como é que a Globo mantém uma pessoa que não acerta uma. Quando a gente tava no governo, a crítica era pela desgraça, agora é tentando achar um jeito de vender alguma coisa que não existe. Então, me parece que eu preciso dar uma chance a essa moça".

Caso se consumasse o convite, estaria configurada uma ofensa gravíssima à jornalista sem contas a acertar com a Justiça. Em seus dois mandatos presidenciais, o sitiante sem escritura teve apenas dois ministros da Fazenda. Ambos viraram casos de polícia. O primeiro foi Antonio Palocci, codinome Italiano, preso em Curitiba desde setembro passado. O segundo foi Guido Mantega, codinome Pós-Itália, ainda desfrutando da liberdade que perderá a qualquer momento. Como Lula.
Herculano
15/06/2017 14:22
PROVOCAÇÃO

Passam-me. De Maicon Oneda, na sua rede social: "dia lindo pra reunir aqueles 'voluntários' pra carpir as flores".
Herculano
15/06/2017 14:18
O "DIA D" DE AÉCIO É 20 DE JUNHO. O QUE FARÁ MARCO AURÉLIO? E O "ESQUERDO-POPULISMO", por Reinaldo Azevedo, na Rede TV.

Mas como contornar a questão incontornável de que um parlamentar, antes do trânsito em julgado, só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável? Ora, apela-se a um tal "Princípio do Republicanismo" para meter as pessoas em cana. E que diabo é isso?

O Supremo decide duas coisas no próximo dia 20. Ou, a rigor, uma, já que, por óbvio, um extremo exclui o outro. A defesa do senador pede que ele retome o seu mandato, já que não vê motivos que justifiquem o afastamento. E, ora vejam, a Procuradoria-Geral da República - leia-se: Rodrigo Janot - quer nada menos do que a prisão do senador.

Que coisa!

Em meio a alguns acertos da operação, a eventual prisão de Aécio seria um emblema e tanto dos vícios da Lava Jato e de sua real natureza. Depois da investigação que ajudou a evidenciar a máquina de assalto ao erário e ao estado de direito em que se transformou o PT, seria o chefe da antiga oposição a ir primeiro para a cadeia. Desde o começo, é o que queriam Janot e o MPF: evidenciar que todos são iguais e se irmanam na fogueira dos corruptos. Vocês ainda verão quanto isso vai nos custar.

Quem, afinal, vai decidir uma coisa e outra? Eis uma boa questão. Quem determinou o afastamento foi o antigo relator, autonomeado!, do caso, Edson Fachin. Ele apelou ao Artigo 319 do Código de Processo Penal e impôs o afastamento como medida cautelar alternativa à prisão - a questão é saber se isso precede; já chego lá.

Fachin abriu mão da relatoria do caso - que nada tem a ver com petrolão, como não tem a franja que toca no presidente Michel Temer -, e, por sorteio, o processo caiu no gabinete de Marco Aurélio. Entendo que as decisões - que, na verdade, acabam sendo uma só - têm de ser do colegiado. Mas de qual colegiado?

O relator anterior se negou a levar o caso ao pleno - embora devesse fazê-lo, vamos convir. Mas deixou claro que, havendo recurso da Procuradoria-Geral da República, como houve, ele o faria. Ora, Marco Aurélio deixou claro que não vê razões para alterar procedimentos de seu antecessor no caso. Logo, entendo eu, por coerência, cabe-lhe enviar as questões para o pleno. Por óbvio, a primeira a ser tratada é a da prisão. Não havendo razão para ela, e não há, então o afastamento como medida alternativa à prisão também não faz sentido.

Vamos convir: bem faria o ministro se, diante de um caso de tal gravidade, contasse com a participação de toda Casa. Mais: é o que estão pedindo tanto a defesa de Aécio como a própria Procuradoria-Geral da República.

Por que o pleno?
Dada a absurda decisão da Primeira Turma, que manteve a prisão a preventiva de Andrea Neves por 3 a 2 (de um lado, Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux; de outro, Marco Aurélio e Alexandre de Moraes), é grande a chance de que o mesmo grupo atue de forma destrambelhada no que respeita Aécio. Mas não é por isso que defendo que seja o pleno a tomá-la: essa era a decisão do relator anterior em caso de recurso, é isso o que pede a PGR e é o que quer a defesa.

Absurdos
Como evidencio no post anterior, a medida cautelar do afastamento só faria sentido em face de um delito com pena de prisão. Exceção feita a uma condenação com trânsito em julgado, um parlamentar só pode ser preso por flagrante de crime inafiançável. E, ora vejam, ainda que Aécio tivesse feito tudo o que lhe imputa Rodrigo Janot, não se caracterizaram nem flagrante nem crime inafiançável. Por descabida a prisão, é igualmente imprópria a medida cautelar do afastamento.

Li as 80 páginas da denúncia que Janot ofereceu contra Aécio. Sugiro que vocês também o façam. Não está lá caracterizada nem mesmo a corrupção passiva - uma vez que não há a evidência da contrapartida do senador para os tais R$ 2 milhões que ele pediu a Joesley Batista. De todo modo, não é o suposto crime de corrupção passiva a justificar o pedido de prisão.

Janot acusa Aécio de obstruir a investigação. E o senador o teria feito quando debateu com seus pares o projeto de lei que combate abuso de autoridade e quando tratou de uma saída para a questão do caixa dois. No auge da provocação barata, o procurador-geral aponta como evidência de tal obstrução até uma conversa do parlamentar com o ministro Gilmar Mendes, do STF.

O AI-5 do esquerdo-populismo jurídico
Mas como contornar a questão incontornável de que um parlamentar, antes do trânsito em julgado, só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável? Ora, apela-se a um tal "Princípio do Republicanismo" para meter as pessoas em cana. E que diabo é isso? Ah, é algo como "interesse público", esse pau para toda obra.

Trata-se do AI-5 do esquerdo-populismo jurídico. Assim, se um juiz quiser ignorar as garantias legais e constitucionais de um acusado, basta evocar o dito-cujo, assim como se evocava o AI-5 para violar direitos fundamentais.

Concluo
Bem, não custa lembrar uma coisa: Aécio e Andrea Neves nem réus são ainda. Ela está em prisão preventiva. E a Procuradoria-Geral da República quer o mesmo para ele. De fato, uma pessoa pode ser alvo de prisão cautelar antes mesmo de ser indiciada. Mas, para tanto, é preciso que existam motivos.

Chamo a atenção para tal fato para destacar a celeridade que Janot impôs à investigação do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves ?" está tentando ser mais fulminante do que foi com Eduardo Cunha ?" em contraste com a lerdeza em muitos outros casos. Isso é coisa de quem tem uma agenda política. E Janot tem uma: no curto prazo, quer o terceiro mandato; no prazo um pouco mais longo, parece-me evidente que ele mira as urnas.

A política brasileira hoje é refém de novos projetos de poder ?" já houve o petista ?", agora os de Janot e do Ministério Público Federal. O homem ainda será candidato. E o MPF, que nem Poder é, pretende ser o Poder dos Poderes.

Que Marco Aurélio faça a coisa certa e atue para distanciar o país um tantinho do abismo.
Herculano
15/06/2017 13:20
PRIMEIRA PARCELA DE JUNHO DO FPM É 13,18% MAIOR DO QUE EM 2016


Conteúdo da Federação Catarinense dos Município. Pouco se falou. Mas, na sexta-feira passada os municípios catarinenses receberam recursos referentes a primeira parcela do Fundo de Participação dos Municípios - FPM de junho. São R$ 123.306.994,53 em valores brutos. De acordo com cálculos da Federação Catarinense de Municípios - FECAM, houve um crescimento nominal de 17,80%, em relação a primeira parcela de junho de 2016. Considerando-se a inflação do período, o aumento foi de 13,18%.


No acumulado do ano, há uma recuperação frente ao ano anterior. Até aqui os municípios do estado já receberam R$ 1.654.631.277,45 em 2017, frente ao montante de R$ 1.521.534.362,54 do mesmo período do ano passado. Isso representa um acréscimo real de 4,48%.
Herculano
15/06/2017 13:17
PARA QUE SERVE, AFINAL, O ENSINO DE HISTóRIA, por Daniel Medeiros, doutor em Educação Histórica e professor no Positivo

Para entender.

Entender por que tivemos habitantes nesse território há milhares de anos e só termos sido "descobertos" em 1500; entender por que havia milhões de habitantes nas primeiras décadas após o tal "descobrimento" e depois disso ficaram restritos a algumas dezenas de milhares; entender por que é comum falar em "descobrimento do Brasil" se não havia um "Brasil"; entender por que os negros e os índios "contribuíram" na formação da sociedade brasileira se, em boa parte da história após o "descobrimento", essas populações formavam a maior parte da população; entender por que Domingos Calabar foi o primeiro "traidor" da pátria se ele viveu em uma época na qual o território que hoje é parte do Brasil pertencia à Espanha e estava sob domínio holandês.

Entender por que D. Pedro I era português e nobre e foi a pessoa que trouxe a "independência" ao Brasil; entender por que, logo depois, ele fecha a constituinte e impõe um texto feito sob encomenda, manda matar seus desafetos, envolve o país em uma guerra inútil com a Argentina, arruína a economia nacional, é praticamente expulso e , até hoje, seu nome é lembrado em um feriado nacional; entender por que seu filho, D. Pedro II, manteve a escravidão por 48 dos 49 anos que governou e, mesmo assim, é conhecido como um sábio; entender por que a República não teve participação popular; por que uma das primeiras medidas do governo de Deodoro foi censurar a imprensa; por que, durante a República Velha, a questão social "era um caso de polícia"; por que Getúlio Vargas é lembrado e homenageado mesmo tendo sido um ditador sombrio e violento na maior parte de seu governo; entender por que, na primeira experiência democrática do país, entre 1946 e 1964, dos cinco presidentes, um se matou, outro renunciou e outro foi derrubado.

Entender por que Castelo Branco assumiu prometendo uma transição rápida e os militares ficaram 21 anos no poder; entender por que a lei de anistia passou, apagando também os crimes dos torturadores; entender por que as Diretas Já não foram nem para votação, depois de milhões de pessoas terem dito "queremos votar pra presidente"; entender por que os planos econômicos de Sarney e Collor não deram certo e ninguém foi responsabilizado por isso; entender por que os preços pagos pelas estatais vendidas no governo Fernando Henrique foram tão baixos; entender por que o PT prometeu um governo ético e caiu na vala comum das transações mesquinhas.

O entendimento é a razão de se ensinar e aprender História. Entendimento que passa a funcionar como orientador em relação ao futuro. Chave de compreensão e definição de posturas. Afinal, estamos no mundo para mante-lo e para transforma-lo. E, para isso, precisamos entender o que se passou até aqui. Como quem chega a um filme começado. Como quem chega atrasado em uma reunião. Como quem não estava prestando atenção e por isso perdeu uma oportunidade importante. A História é esse resgate e, ao mesmo tempo, esse roteiro. Entender o que se passou para compreender a bagunça do presente e balizar as ações. Por que o agir é a razão de existir no espaço público. E o agir é a Política. E para agir é preciso entender. E por isso é que é tão importante o ensino da História. Simples assim
Herculano
15/06/2017 13:14
O DESEJO DOS IDOSOS, por Contardo Caligaris, no jornal Folha de S. Paulo

Fui convidado pelo Sesc de São Paulo a abrir, com uma palestra, a Campanha de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Por que precisamos de um esforço para ter consciência da violência que é exercida contra os idosos?

No Brasil, tornou-se frequente que as famílias aceitem que um filho ou uma filha menores durmam em casa com seus namorados. A gente racionaliza: melhor em casa do que no carro, ou em outros lugares perigosos.

Obviamente, essa tolerância esconde uma vontade de controlar e domesticar o desejo dos adolescentes. Se acontecer em casa, saberemos o que é, certo?

Mesmo assim, imaginemos que exista hoje uma aceitação da ideia de que filhos adolescentes têm desejos próprios e, além disso, estão vivendo agora - não estão apenas se preparando para a vida futura.

Agora, imagine que um de seus pais ou de seus sogros seja viúvo, separado ou divorciado, digamos, aos 75 anos. Ele tem uma aposentadoria modesta, e, se ele morasse com você, seria bom para ele e para você (ele poderia ajudar com as crianças, que o adoram).

O idoso tem seu quarto, sua televisão, seus livros, poupa o aluguel e, "sobretudo", evita a solidão, enquanto você tem a melhor baby-sitter possível.

Pergunta: você aceita que seus filhos levem namorados e namoradas para casa, mas, caso seu pai ou sua mãe ou sogro ou sogra, divorciados, separados ou viúvos, morem com você, você topa que eles tragam um "namorado ou namorada" para casa e para cama? Você encara um velho ou uma velha desconhecidos na mesa do café da manhã?

O século 20 começou admitindo a existência da sexualidade infantil, continuou reconhecendo (um pouco) a sexualidade feminina e admitindo (um pouco) a variedade das orientações sexuais; mas o desejo sexual do idoso continua obsceno: uma aberração fora de época. O próprio amor entre idosos, para ser aceito, deve nos parecer "fofo".

Negar a vida sexual do idoso permite que a indústria farmacêutica e o médico proponham tratamentos que condenam o idoso à impotência, como se esse efeito "secundário" não fosse relevante na velhice.

Da mesma forma, os efeitos colaterais da testosterona na menopausa são tolerados pelos sintomas que ela melhora (irritabilidade, calores repentinos etc.), mas é raro que seja considerado o efeito de manter o desejo e a vida sexual da mulher.

A atitude diante de alguém de 40 anos seria totalmente diferente: em matéria de desejo, espera-se do idoso a resignação.

E, se você acha que o desejo sexual no idoso é uma quimera, considere o seguinte: entre os lugares onde as doenças sexualmente transmissíveis mais crescem, estão os asilos para idosos"¦

Ouço com frequência filhos preocupados com o medo de que o pai ou a mãe idosos caiam nas mãos de parceiros "aproveitadores", que "certamente" esperam herdar algo depois da morte do velho ou da velha. Fico perplexo: por que os amantes no fim da vida seriam aproveitadores? Porque permitem um prazer carnal do qual os filhos se envergonham? E será que os tais amantes seriam menos interesseiros do que os filhos, tão preocupados que os pais acabem com "as reservas"?

Nascemos prematuros: para vingar, precisamos ser criados numa família, que é um caldeirão de necessidades, desejos e primeiros afetos fundamentais (prazer, desamparo, gratidão, ódios, frustrações, gratificações). Ser normal, para um humano, significa ter constituído, nessa experiência familiar, um complexo de afetos que moldará o resto de sua vida.

Entre esses afetos, seria ingênuo não contabilizar a vontade de vingança. Vocês foram os que me impediram de desejar, de me masturbar, de comprar aquele carrinho vermelho etc., tudo "pelo meu bem", claro. Vocês diziam que eu não podia ainda; agora vou dizer que vocês não podem mais.

Como os idosos não morrem tão cedo, a demência e o Alzheimer são providenciais. Os adultos adoram decretar a "incapacidade" de seus velhos. Os filhos sonham com uma curatela dos pais, que é quase sempre abusiva ou desnecessária (apesar da cautela do Judiciário).

Cuidado, a violência física e a tentativa de se apoderar dos bens do idoso são apenas a ponta de um iceberg. A verdadeira violência contra o idoso consiste em negar a ele a possibilidade de desejar. É nessa negação que se manifesta o prazer escuso dos filhos quando eles podem regular a vida de quem já regulou a deles
Herculano
15/06/2017 09:11
FACHIN PODE ATRASAR ENVIO DE DENÚNCIA CONTRA TEMER

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Betariz Bulla, Tânia Monteiro, Igor Gadelha e Júlia Lidner, da sucursal de Brasília. Entendimento no Supremo é de que ministro-relator do inquérito que investiga presidente deve pedir novas manifestações das partes antes de encaminhar acusação para a Câmara

A estratégia do governo de tentar acelerar na Câmara a análise da denúncia que será oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer esbarra numa questão jurídica. Antes de ser encaminhada ao Congresso, a acusação formal pode ficar ao menos 20 dias no Supremo Tribunal Federal (STF).

Há um entendimento na Corte de que o ministro-relator do caso, Edson Fachin, deve, antes de enviar a denúncia para o Congresso, pedir a manifestação das partes para "aparelhar" a acusação ?" como se a discussão fosse ser levada ao plenário. Pela Constituição, a Câmara precisa admitir a denúncia contra o presidente antes de o Supremo julgar se abre ou não uma ação penal.

Aliados do governo na Câmara articulam para que a votação seja analisada em, no máximo, 10 dias, antes do início do recesso parlamentar. O recesso está previsto para começar em 18 de julho. Em regime normal, essa tramitação duraria pelo menos 30 dias. "Tem que votar antes do recesso", afirmou Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo na Casa.

O Palácio do Planalto quer acelerar a tramitação da denúncia na Câmara com a confiança de que o plenário vai recusar a autorização para o Supremo julgar a acusação contra o presidente. A avaliação no governo é de que a demora pode aumentar o risco de surgirem fatos novos relativos ao inquérito. Temer é investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa com base na delação de Joesley Batista, dono da JBS.

Outro temor no governo é de que a demora passe uma sensação de paralisia da gestão. O Palácio do Planalto avalia que as discussões sobre a reforma da Previdência no Congresso só poderão ser retomadas após a tramitação da acusação formal da Procuradoria-Geral da República na Câmara.

Prazos. Se Fachin decidir abrir prazo para defesa prévia dos acusados e depois solicitar resposta do Ministério Público, a denúncia poderá ser encaminhada para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após o início do recesso.

A expectativa é de que Janot envie a acusação ao Supremo no dia 23 de junho, uma sexta-feira, pouco mais de 20 dias corridos antes do recesso.

A adoção desse procedimento, admitido nos bastidores por ministros do Supremo, vai depender da decisão de Fachin. Há ainda jurisprudência no STF que admite prazo em dobro nos casos de acusação contra mais de um investigado com advogados diferentes. Assim, no lugar de 15 dias para defesa, o presidente e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que também deve ser denunciado, teriam 30 dias.

No momento, no Palácio do Planalto, a avaliação é de que não há clima nem interesse em se falar em suspensão de recesso dos trabalhos no Congresso.

Auxiliares de Temer lembram que mesmo durante o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff não foi possível manter deputados e senadores trabalhando.

Suspensão. Em almoço com deputados do PSB nesta segunda-feira, 12, Maia afirmou que, se necessário, pedirá a suspensão do recesso. Procurado, o parlamentar fluminense evitou comentar o assunto e disse que só tratará do tema quando a denúncia for enviada pela Procuradoria-Geral da República.

Líderes governistas dizem, porém, que há forte resistência dos parlamentares a suspender o recesso de julho, mês de férias escolares. Já o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que o período de férias está mantido entre os dias 18 e 31 de julho.

Para que o Congresso Nacional seja convocado extraordinariamente no mês de julho há dois caminhos regimentais. O primeiro deles é a convocação conjunta dos presidentes da Câmara e do Senado. O segundo é a aprovação de requerimento nesse sentido pela maioria absoluta dos integrantes das duas Casas, ou seja, por pelo menos 257 deputados e 42 senadores.

Interlocutores do governo lembram, porém, que há ainda uma terceira via, considerada ainda mais fácil. Oficialmente, o Congresso só pode entrar em recesso em julho se aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso não aprove, Câmara e Senado entram no chamado "recesso branco", quando oficialmente parlamentares não estão em recesso, mas não há sessões no plenário e nas comissões.
Herculano
15/06/2017 09:07
AS CONTAS NÃO DÃO TRÉGUAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

A aprovação de um projeto razoável de mudança previdenciária será insuficiente para garantir a eficácia do teto de gastos criado em 2016.

O governo terá de podar R$ 300 bilhões das despesas obrigatórias, até 2030, para evitar o rompimento do limite de gastos, mesmo com a aprovação da reforma da Previdência. Esse é o cenário central de um novo relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão de assessoria do Senado. No melhor cenário será preciso um corte de R$ 100 bilhões. No pior, de R$ 500 bilhões. A mensagem é tão clara quanto inquietante: a aprovação de um projeto razoável de mudança previdenciária será insuficiente para garantir a eficácia do teto de gastos criado em 2016 por emenda à Constituição. Especialistas poderão discutir detalhes e pressupostos desses cálculos, mas nenhuma pessoa responsável e razoavelmente informada poderá menosprezar o alerta lançado por uma equipe respeitada.

O conserto das finanças públicas, devastadas pela mistura de incompetência e irresponsabilidade na gestão petista, ainda vai tomar muito tempo e será mais complicado, provavelmente, do que hoje supõe a maior parte das pessoas. Além disso, hoje o desafio é maior do que há pouco tempo.

Enquanto a crise política se prolonga, aumenta a insegurança quanto ao desempenho da economia, decisões são adiadas, tempo é desperdiçado e cresce o risco de entraves ao programa de arrumação das contas governamentais. Conflitos em Brasília podem até paralisar ações importantes para a recuperação do País, mas nenhuma palavra mágica imobilizará o relógio e imporá uma pausa às necessidades do País.

Economistas do mercado continuam projetando para este ano um resultado primário ?" sem a conta de juros, portanto ?" pouco pior que o programado oficialmente. O Ministério da Fazenda publicou na terça-feira passada as estimativas coletadas até dia 5. A mediana das projeções aponta um déficit primário de R$ 142,05 bilhões em 2017 e de R$ 127,45 bilhões em 2018. O buraco previsto para este ano é maior que o fixado na lei orçamentária, de R$ 139 bilhões. O calculado para o ano seguinte continua abaixo do limite, estabelecido em R$ 129 bilhões.

O primeiro valor é menor que o publicado em maio (R$ 148,04 bilhões). Em relação ao próximo ano a previsão piorou. Em maio, a mediana para o déficit ainda estava em R$ 125,12 bilhões. Para os dois anos houve ligeiro aumento da arrecadação prevista e diminuição da despesa total esperada.

Apesar do quadro muito complicado tanto em 2017 como em 2018, o conjunto de problemas ainda parece administrável, se o governo puder manter o rumo da política orçamentária e, naturalmente, se o Brasil escapar de uma recaída na recessão. Uma semana depois da coleta desses números, economistas de instituições financeiras e de grandes consultorias baixaram suas previsões de crescimento econômico. A mediana das estimativas para 2017 passou de 0,50% para 0,41%. O ritmo de expansão esperado para 2018 caiu de 2,40% para 2,30%.

Técnicos de alguns dos maiores bancos, segundo se informou nos últimos dias, passaram a trabalhar com números piores que esses e já há quem estime crescimento zero neste ano, como consequência da insegurança política. Menor avanço da atividade comprometerá a arrecadação de tributos, mas o governo continuará forçado a realizar a maior parte da despesa prevista.

Pelas projeções coletadas no começo do mês pelo Ministério da Fazenda, a dívida bruta do governo geral, isto é, dos três níveis da administração, continuará a crescer neste e no ano seguinte como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Os números de junho são piores que os de maio para os dois períodos. A mediana das estimativas para 2017 passou de 75,44% para 75,47% do PIB. O número esperado para 2018 subiu de 78,50% para 78,60%. Já está bem assentada, de toda forma, a tendência de crescimento dessa relação pelo menos até 2020. Esse endividamento, é sempre útil sublinhar, é bem maior que o da maioria dos governos dos países emergentes.

Pode-se esquecer esses problemas enquanto se cuida de interesses partidários. Mas os problemas continuarão existindo e, quanto mais negligenciados, tanto mais graves se tornarão. Pior para o País.
Herculano
15/06/2017 09:03
RELATóRIO 'B' DE CPI DO FUTEBOL JÁ RENDEU PRISÕES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Em seu relatório alternativo, a CPI do Futebol no Senado sugeriu à Procuradoria-Geral indiciamento de 9 figuras ligadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), incluindo ex-presidentes (Ricardo Teixeira e J.Maria Marin) e o atual presidente, Marco Polo del Nero. O "relatório B" já rendeu a prisão do vice-presidente da CBF e prefeito de Boca da Mata (AL), Gustavo Feijó, na operação Bola Fora, da Polícia Federal.

TRINCA NO ALVO
Os três presidentes da CBF acusados de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, devem ficar com as barbas de molho.

CPI DO FUTEBOL
Romário (PSB-RJ), que presidiu a CPI, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentaram o relatório alternativo que pede os indiciamentos.

PF DE OLHO
Antônio Osório, apontado como homem forte de Ricardo Teixeira e ex-diretor financeiro da CBF, é acusado de estelionato e crime eleitoral.

EM ATIVIDADE
O vice-presidente da CBF, Marcos Antonio Vicente e o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, são acusados de falsidade ideológica.

TSE TROCARÁ HERMAN BENJAMIN POR OG FERNANDES
Pernambucano de Recife e um dos ministros mais admirados do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes assume em outubro a titularidade da segunda vaga do STJ no Tribunal Superior Eleitoral. Ele entra na vaga do ministro Herman Benjamin, também do STJ, que atualmente é o corregedor da Justiça Eleitoral e relator do caso Dilma/Temer. Benjamin é natural de Catolé do Rocha, na Paraíba.

DISCRETO E TRABALHADOR
Og Fernandes é do tipo discreto e dedicado ao trabalho. Colegas, servidores do STJ e advogados elogiam a eficiência do seu gabinete.

FOI DO 'BATENTE'
Jornalista, Og Fernandes foi repórter do Diário de Pernambuco. Atuou como criminalista, depois foi juiz e desembargador do TJPE.

NOVO CORREGEDOR
Após a saída de Benjamin, o outro ministro do STJ no TSE, Napoleão Maia, de Limoeiro do Norte (CE), assumirá a corregedoria eleitoral.

MATEMÁTICA BRASIL
São 9 milhões de servidores dentro da população economicamente ativa de 148 milhões; são 2,7 milhões de servidores civis aposentados e 300 mil militares reformados. Aposentados são 29,2 milhões no setor privado. Mas aposentadorias públicas custam o mesmo que privadas.

PEC DO RECALL
Está pronta para votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a PEC que cria o direito ao arrependimento do eleitor para tirar do cargo o presidente que não cumprir o que prometeu na campanha.

NOVOS PROTAGONISTAS
Com empreiteiras encalacradas na Lava Jato, outras surgem no mercado de obras públicas. É o caso da Castilho Engenharia, do Paraná, que recebeu do governo federal R$114 milhões em 2017.

PREVARICAÇÃO
Em roda de conversa de juízes e advogados, em Brasília, a avaliação era consensual: Michel Temer está sujeito a acusação de prevaricação, na gravação com Joesley Batista. Mais que isso seria "forçar a barra".

POR QUE PAROU?
"O Brasil, neste instante, se assemelha a um trem longo, pesado e carregado de oportunidades, cujo maquinista desacelerou porque está preocupado se vai ser substituído", diz o tucano Betinho Gomes (PE).

NOVO PRÉ-REQUISITO
Uma vez aprovada, a PEC que altera processo de escolha e mandatos de ministros do Supremo Tribunal Federal também cria um novo pré-requisito para indicação: comprovação de 15 anos de atividade jurídica

É POUCO
Deve ser aprovada ainda este semestre a emenda à Constituição que transforma em imprescritível o crime de estupro. Também não será admitido ao criminoso fiança para aguardar o julgamento em liberdade.

MEU PIRÃO PRIMEIRO
Os sindicatos inundaram as vias de acesso ao aeroporto de Brasília de outdoors pressionando parlamentares contra as reformas trabalhista e previdenciária. É que, em vez de direitos, as reformas acabam com o imposto sindical que banca mordomias e até essas propagandas.

PENSANDO BEM...
...Minas Gerais é caso único: tem o maior número de municípios do país, mas agora tem apenas dois senadores
Herculano
15/06/2017 08:44
CRISE POLÍTICA NÃO BATEU NA ECONOMIA "REAL", por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

O IMPACTO do novo surto de crise política em vendas, produção e encomendas foi de pequeno a nenhum, passado quase um mês do escândalo.

É o que conta gente de três varejistas grandes, de uma associação comercial paulista, de bancos e de uma consultoria, gente que acompanha a vida "real" da economia.

Sim, são números precários, de dia a dia, ainda mais imprecisos ou instáveis do que as prévias das estatísticas oficiais de produção e consumo.

São observações precoces, pois talvez o impacto da crise ainda não tenha sido digerido. Além do mais, pode ser que tenhamos de engolir muita gororoba política adiante.

Por falar em prévias imprecisas, considere-se o mês de abril. Menos do que fraco, teria sido ruim. Era o que se ouvia no mundo das estimativas econômicas em maio e junho.

Bem, abril não foi ruim. Indústria, comércio e serviços cresceram mais do que o previsto. É possível que maio tenha sido assim também, mesmo depois do "evento do dia 17", como algumas pessoas do "mercado" chamam o estouro do grampo de Michel Temer.

Abril é passado remoto, decerto. Além disso, mesmo antes da crise política a atividade econômica era instável, uma sucessão de melhorazinhas seguidas de tombos, mês a mês.

Por fim, não é razoável supor que "o balança mais não cai" de Temer não venha a afetar o ânimo de consumidores, empresas e, em particular, de bancos.

Feitas as ressalvas, quantas dessas suposições razoáveis são disparatadas? Erradas para o bem ou para o mal? Para começar, considere-se o que aconteceu em abril, segundo os dados do IBGE para variações mês a mês, em relação a março.

Em abril, a indústria cresceu 0,6%, batendo a média de estimativas de alta de só 0,1%. O comércio de varejo cresceu 1%, ao contrário das previsões de queda de 0,7%. Nesta quarta (14), o IBGE informou que o setor de serviços avançou 1%, superando a projeção de 0,4%.

Em maio, ao menos parte da indústria voltou a crescer, como no caso das montadoras; a venda de carros nacionais cresceu 18% no ano em relação a 2017. O impulso maior tem vindo de exportações, mas vinha vindo.

Há quem atribua a surpresa positiva do comércio em abril ao dinheiro das contas inativas do FGTS. Não era bem para ser surpresa, nem chega a ser problema. Esse impulso não vai se dissipar logo, a não ser que apareça uma força na direção contrária.

Pode haver revertério nos juros também. No fim de maio, o Banco Central dizia com todas as letras que retardaria a baixa da Selic. No entanto, a inflação continua a baixar, contrariando as previsões médias do "mercado", como tem acontecido faz quase um ano.

O IPCA deve terminar o ano em 3,5%; em janeiro, a previsão era que a inflação deste 2017 seria de 4,8%. No atacado, os preços estão caindo, no acumulado em 12 meses.

Não se está fazendo festinha para números que indicam apenas uma economia a se arrastar das profundas do inferno da recessão, sob risco de depressão. Mas os dados sugeriam que era razoável acreditar no fim da recessão, naquele crescimento de quase nada de 0,5% em 2017.

Era pouco, mas poderia ou pode ser uma pequena espiral positiva, em vez de um novo ciclo de pessimismo a arrastar também para baixo o ano de 2018
Herculano
15/06/2017 08:41
CUNHA DECEPCIONA A TURMA DA "TRIBUNALADA-PARQUETADA", QUE É A QUARTELADA DE JUÍZES E DO MPF, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV.

Os golpistas vão se decepcionar. Uma peça importante da quartelada togada que estão tentando dar para derrubar Michel Temer - como chamaríamos? "Tribunalada"? "Parquetada" (em referência à palavra "parquet", em francês, que designa Ministério Público)? - faltou ao encontro da conspiração.

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse, nesta quarta, que seu silêncio "nunca esteve à venda", negou que tenha recebido oferta de emissários do presidente Michel Temer para ficar em silêncio ou que tenha negociado algo do gênero.

Um dos terrorismos de bastidores que se fazem contra Temer é o risco de uma eventual delação premiada de Cunha.

Se o fará, não sei. Espero que não tenhamos mais um caso "Leo Pinheiro" pela frente, né? Não custa lembrar que este já fez duas delações premiadas, a segunda está em curso. Na primeira, ele isentava Lula de qualquer atitude espúria em relação à OAS. A delação foi rasgada. Condenado a 26 anos de prisão, fez outra delação. E aí partiu pra cima do ex-presidente. Há coisas que só uma condenação de quase 30 anos podem fazer. Entre elas, está ou contar a verdade ou despertar a memória criativa.

Voltemos.

Naquela conversa com o presidente Michel Temer, gravada de forma clandestina e usada de forma ilegal por Rodrigo Janot e Edson Fachin, Joesley diz que está atuando para manter boas relações com Cunha. Não há menção a dinheiro. Em depoimento, o açougueiro de instituições diz que pagou R$ 400 mil a Lúcio Funaro para que este e Cunha não revelassem irregularidades da JBS e de membros do PMDB, incluindo Temer. Ao todo, o repasse ao ex-deputado teria sido de R$ 5 milhões.

Quem se atém a detalhes e tem uma memória do caso se espanta com a barafunda. Vamos lá: considerando o mercado da safadeza, alguém acha mesmo que bastariam R$ 5 milhões para comprar o silêncio de alguém como Cunha e Funaro? É uma piada.

O deputado, diga-se, negou que tivesse recebido dinheiro da J&F. Lembrou que, em duas circunstâncias, os recursos foram encontrados com a irmã de Funaro, Roberta: numa das vezes, a PF achou em sua casa uma bolada de R$ 1,7 milhão em espécie. Seria um presentinho destinado ao doleiro pela holding dos Batistas para que ficasse calado. Roberta foi filmada ainda recebendo R$ 400 mil de Ricardo Saud, o que pagava as safadezas de Joesley e Wesley e sai da história, como seus patrões, sem nem um processo e ainda como um dos principais acusadores do presidente da República.

Nota: Roberta, flagrada com R$ 400 mil e, a estar certo o MPF, envolvida em obstrução da investigação, foi posta em prisão domiciliar por Fachin. Para Andrea Neves, por muito menos, a prisão preventiva.

Justiça destes tempos. Uma justiça que, por enxergar, seleciona seus alvos.
Herculano
15/06/2017 08:32
IGREJA DO MÉXICO RENDE-SE AO NARCOTRÁFICO, por Clóvis Rossi, no jornal Folha de S. Paulo

O México está vivendo uma situação que, talvez, acabe ocorrendo também no Brasil: uma de suas instituições principais, a Igreja católica, acaba de aceitar o narcotráfico como interlocutor necessário para escapar da violência.

O semanário "Desde la Fe", parte do sistema de comunicação da Arquidiocese do México, publicou editorial no domingo (11) em que respalda a iniciativa do bispo de Chilpancingo-Chilapa, monsenhor Salvador Rangel Mendoza, de revelar "a aproximação que manteve com membros da delinquência para assegurar o que as autoridades já não garantem: segurança".

Os fatos relatados no editorial demonstram cabalmente o estado de insegurança em que vive o país há décadas. Um só dos fatos citados: em apenas um Estado (Veracruz) e só de janeiro até abril passado, ocorreram 620 mortes violentas. Mais: no Estado de Guerrero, todos os dias são relatados assassinatos sem controle.

Como não poderia deixar de fazê-lo, o semanário se queixa de que "o clero (...) não se salva desse horror, que não se viu nem sequer na era do comunismo e nas perseguições religiosas".

Foi essa perseguição, somada à "ausência de autoridade que controle o crime", que provocou o diálogo do bispo com a delinquência. Ou, como prefere o editorial, fez com que "atores com autoridade moral saíssem a mostrar a cara para acordar, pelo menos, algumas cláusulas de paz e segurança para certos setores que, no passado, gozavam de respeito".

A igreja mexicana relata que as autoridades se irritaram com o diálogo aberto por monsenhor Rangel Mendoza com a criminalidade. Mas vai ao ataque para defender essa atitude:

"A realidade é que o México vive na pobreza e na miséria, que são campo fértil para a delinquência e a corrupção. A intervenção do clero para deter estas condições é reação ante o vazio de poder institucional."

Tenho a impressão de que é uma descrição que vale também para o Brasil, exceto pela "intervenção do clero" que aqui não houve, até onde se sabe.

Mas há, sim, a impotência do poder público ante a violência.

O que fazer? A resposta de uma parte da igreja mexicana foi entronizar o narcotráfico como ator político, ao negociar com ele para obter segurança ao menos para os prelados ?"o que é pouco e é egoísta, do meu ponto de vista, além de colocar a lei e a ordem nas mãos dos que violam ambas.

Prevalece, de todo modo, o fato de que a guerra ao tráfico não está funcionando, nem no México nem no Brasil. Mas há uma imensa resistência a pelo menos debater alternativas, quanto mais tentar implantá-las.

A rendição acaba sendo o caminho para alguns.
Herculano
15/06/2017 08:29
MANDATO DE TEMER ESTÁ SALVO, AVALIA PLANALTO, por Josias de Souza

Depois que o Tribunal Superior Eleitoral enterrou o processo contra a chapa Dilma-Temer e o PSDB congelou a ideia de desembarcar do governo, reina no Palácio do Planalto a tranquilidade. A calma do presidente e dos ministros palacianos contrasta com a ebulição do noticiário. Temer e seu staff avaliam que o mandato presidencial já não corre riscos. Um auxiliar do presidente declarou ao blog: "Pode anotar para me cobrar depois: não há a menor hipótese de o Rodrigo Janot [procurador-geral da República] conseguir na Câmara os 342 votos de que precisa para abrir uma ação penal contra o presidente da República no Supremo Tribunal Federal".

Para enterrar a denúncia de Janot na Câmara, os articuladores do Planalto recorrem a uma tática ofídica. Assim como o soro que anula os efeitos da picada de cobra é extraído do veneno da própria serpente, também o antídoto utilizado para livrar Temer da Lava Jato é fornecido pela operação anticorrupção. Há na Câmara cerca de 150 deputados que respondem a inquéritos ou ações penais no Supremo. Destes, 58 foram pilhados na Lava Jato. O governo apela para o instintito de sobrevivência de sua turma.

O repórter testemunhou a conversa telefônica de um ministro de Temer com um congressista do Partido Progressista, campeão no ranking da Lava Jato, com 21 deputados encalacrados. "Se a Procuradoria e o Supremo querem derrubar o presidente da República, imagine o que não farão com os parlamentares!", disse o ministro ao interlocutor. Com esse tipo de abordagem o Planalto transforma a batalha pessoal de Temer numa guerra entre investigados e investigadores. E estimula os deputados a escolherem sua turma.

O esforço de Temer é menor que o de Janot. Para evitar que a denúncia do procurador-geral obtenha 342 votos, como exige a Constituição, o governo só precisa seduzir 172 dos 513 deputados. E eles nem precisam aparecer no plenário. Subtraídos os votos contrários, as abstenções e as ausências, se a acusação do procurador-geral arrastar 341 votos, estará derrotada. Sem novas delações e com as ruas vazias, disse o articulador do presidente, essa encrenca é "página virada".

Nos próximos dias, fingindo não notar que o doleiro Lúcio Funaro, um dos operadores de Eduardo Cunha, negocia sua delação, o governo tentará devolver às manchetes a pauta de reformas. A proposta trabalhista, que mexe na CLT, está avançada no Senado. Mas a emenda constitucional que altera as regras da aposentadoria subiu no telhado e o governo não dispõe de votos para retirá-la de lá. Temer amarga um paradoxo: embora fragilizado, ainda reúne forças para evitar que Janot cave 342 votos na Câmara. Mas não tem musculatura para levar ao painel eletrônico os 308 votos necessários à aprovação da emenda da Previdência.
Herculano
15/06/2017 08:27
da série: a esquerda do atraso, manifesta por seus intelectuais, ou seja, gente bem sabida, regugita na incoerência de suas teses aos analfabetos, ignorantes e desinformados para a casta se manter no poder onde roubam e destroem. Os britânicos deram show porque seguiram a Constituição deles, aqui esses mesmos intelectuais querem que a Constituição em vigor seja jogada no lixo para satisfazê-los nas suas teses. Antes, os brasileiros precisam mudá-la, e no voto.

ENQUANTO TSE AFUNDAVA A REPÚBLICA, BRITÂNICOS DAVAM SHOW DE DEMOCRACIA, por Matias Spektor, sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo

Na semana em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se dedicou a afundar a República, o mundo assistiu a uma democracia em ação: a tungada épica do eleitorado britânico em Theresa May.

Comparar May a Temer é impossível porque eles são como alhos e bugalhos. Mas Londres ajudou a entender por que a podridão contamina tudo em Brasília.

Quando o primeiro-ministro David Cameron convocou o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, esperava ganhar de lavada. Como perdeu, renunciou na manhã seguinte. O sistema eleitoral britânico não comporta a blindagem de um líder sem apoio popular. O político é obrigado a se alinhar à vontade da maioria.

Cameron foi substituído por Theresa May, que não tinha opção a não ser entregar o "Brexit" ao eleitor. Enfrentando resistência dentro de seu partido e na oposição para honrar essa promessa, ela convocou eleições antecipadas.

No sistema britânico, isso é o que um primeiro-ministro faz quando precisa forçar a mão de uma bancada parlamentar arredia - obriga os deputados a enfrentar a fúria popular. Lá, o que dá sustentação ao governo é popularidade, não a distribuição de emendas, cargos públicos ou propina.

A aposta de May fazia todo sentido porque seu opositor era Jeremy Corbyn. Além de ser incapaz de disciplinar a própria bancada, ele estava à esquerda demais para conseguir uma grande maioria eleitoral. No sistema político britânico, radicais ou aventureiros não têm vez.

A partir daí, entretanto, tudo desandou. May conduziu uma campanha desastrosa porque se recusou a explicar ao eleitor os detalhes de sua fórmula para o "Brexit". Enquanto ela se calava, Corbyn transformava a eleição numa disputa não sobre a saída da União Europeia ?"para a qual ele não tem resposta?", mas sobre redistribuição de renda, assunto que domina.

No sistema eleitoral britânico, o político é obrigado a explicar os detalhes das coisas que pretende implementar. Quem vende gato por lebre ou comete estelionato eleitoral sempre perde. Não depois de uma longa batalha no Congresso ou no Judiciário, mas no dia seguinte.

Lá, o sistema pune quem enrola, engana, mente ou tergiversa. Entre May e Corbin, as duas escolhas ruins da semana passada, o eleitor britânico optou por não dar maioria a ninguém.

Valha a diferença. Hoje, em Brasília, o presidente investigado não tem força para governar. Mas, como o sistema eleitoral blinda a classe política da vontade do eleitor, Temer fica. Como ele tem de comprar apoio, o custo é enorme. Regras do jogo perversas sempre produzem uma sociedade rendida.
Herculano
15/06/2017 08:12
Ao que se diz Pedro

Se o comentário tiver o sentido do questionamento, vou repetir, oque já escrevi e já disse pessoalmente a quem já fez esse tipo de observação: não estou disponível para ser um funcionário comissionado em qualquer lugar que seja desse país.

Eu sou útil e me contento em estar "Olhando a Maré" de forma propositiva.

Lugar de religioso é na religião, de juiz exercendo a toga, de promotor defendendo a sociedade, de jornalista, colunista, radialista fazendo o seu papel e não se vestir de político ou de gestor naquilo que lhe compete.

Se o comentário tiver o senso da ironia, não possuo observações adicionais. É apenas uma opinião e a aceito, mesmo na ironia porque sei e reconheço os meus limites na competência, capacidade e ético.
Herculano
15/06/2017 07:56
AOS LEITORES E LEITORAS

Por um erro de programação, a "nova" coluna da edição impressa de sexta-feira da edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, feita antecipadamente, devido ao feriado, foi liberada ontem e não hoje, quinta-feira, à noite como o programado.

Em respeito aos que já leram-na, (e até nela opinaram) não foi retirada do ar.
Pedro Jacob Nizan Goedert
15/06/2017 00:37
Herculano

Eu ainda não entendi o porque estes governantes meia tijelas, não te convidaram pra ser parte do poder.
São cegos, não manjam nada de administração. O próprio prefeito, nunca "dirigio" nada.
Inagina a frente de um município, ouvibdo e obedecendo velha raposas?
Mas ele o prefeito le esta coluna e vai seguir suas orientações,vai colocar um limitador na ponte hercilio deek... Não vai deixsr passar caminhões....peli centro
Acorda Gaspar
Gaspar se. opções

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