Lista telefônica

Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

18/05/2017

PROPAGANDA DA DOR I
O que apareceu na última na sessão da Câmara de Gaspar, uma semana depois de ser manchete na imprensa de Gaspar, menos aqui? A indicação 279/2017 do presidente Ciro André Quintino, PMDB. O que ele pede ao prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, PMDB? “Providenciar a criação de uma ‘lei’ para um ‘Programa Fila Zero’ no atendimento de pessoas diagnosticadas com câncer nas unidades de saúde do Município”. E para que? Para a “priorização do atendimento de consultas ou exames a esses pacientes num tempo máximo de 72 horas”. Ciro, Ciro, Ciro! Depois de colocar o Legislativo institucionalmente de joelhos ao Executivo por várias vezes, agora, Ciro quer operar milagres com a dor e a esperança alheias. Se não combinou, colocou Kleber refém da sua propaganda enganosa para analfabetos, ignorantes, desinformados, gente pobre, usada e sofrida pela doença.

PROPAGANDA DA DOR II
Primeiro, Ciro, é preciso diminuir a zero as filas de diagnósticos, para qualquer doença, as mais simples, por exemplo, na policlínica ou nas especialidades. Elas levam meses. É nelas que estão esses doentes de câncer sem diagnósticos me se agravando na doença que possuem e nem sabem, porque não são atendidos. Este é o básico, vereador. Nem mamógrafo, Gaspar possui! Segundo, diagnosticado numa dessas eternas filas de suplícios, um doente com câncer, onde ele vai se tratar? Em Gaspar? Qual o centro de oncologia ou de especialidade públicos que possuímos, a não ser a heroica Rede Feminina de Combate ao Câncer? Terá que ser encaminhado à outra cidade como Blumenau, Florianópolis, Curitiba... E lá começa a via crucis de verdade, a fila do SUS, onde a “lei” que o vereador Ciro pede para ser inventada aqui, não vale nada. Gaspar não possuirá mais jurisdição sobre o doente, à fila e à prioridade de atendimento. O máximo que Gaspar poderá oferecer é o transporte, assistência social, psicológica ao paciente e à sua família. Ah, Herculano, você exagera! Gaspar pode oferecer os remédios. Sim! Concordo. E nesses casos, só se for à Justiça, pois nas farmácias básicas é rotina faltar até os mais simples, para doenças comuns. Então o que falar de doenças complexas como as do câncer?

PROPAGANDA DA DOR III
Essa de políticos se meterem em assuntos que não conhecem, mas dominam bem, o marketing para jogar o emocional de gente desinformada, levou-os até a defenderem, em plena campanha eleitoral do ano passado, pílulas contra o câncer, sem comprovação científica, e que não curavam nada. Lembram-se? E para não ir longe mais neste assunto que beira a crime: quem deve dar prioridade num atendimento médico, é o médico, o técnico e não o político ou o gestor público atrás de manchetes e votos fáceis. Se atenderem prioritariamente um tipo de doença como o câncer, isso significará que os outros doentes, com outras doenças, tão graves quanto um câncer, padecerão ou morrerão? Mais. Por que Ciro ao invés de pedir ao prefeito, Ciro já não oferece um exemplo de projeto de lei? E se fosse sério, Ciro teria primeiro feito a “indicação” e depois a propaganda para a sua auto-promoção na imprensa local. Agora sobre um urgente e necessário programa para o “Fila Zero” nos postinhos e policlínica de Gaspar, Ciro ficou bem quietinho. Por que? Porque por enquanto é impossível. Acorda, Gaspar!

EVITANDO O PIOR
Na manhã do sábado de três de setembro de 2011, uma van de Nova Erechim, Oeste do Estado, com 13 estudantes adolescentes, motorista e uma professora, chocou-se com um caminhão no trevo da Fides Zimmermann com a BR 470. Todos, com outros iam ao Beto Carrero. Cinco morreram. Precisou das mortes, da comoção nacional e o espetáculo da equipe do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, para a imprensa, que queria fazer lombadas físicas na marra lá onde não tinha jurisdição (por ser federal), para o Dnit se mexer e colocar as lombadas eletrônicas que funcionam até hoje. Desta vez, pouco metros acima em direção a Blumenau, a comunidade do Sertão Verde, não esperou as mortes das suas pessoas. Fechou preventivamente, o desvio que se improvisou por ali para duplicar a BR. Deu certo. Negociou-se os cuidados preventivos mínimos entre moradores, Dnit, empreiteira e o governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB. Com a reabertura da ponte do Vale, entretanto, as pessoas continuam expostos como naquele três de setembro de 2011, a nova principal intersecção de Gaspar com a BR 470. Todos calados. Estão esperando o pior? Acorda, Gaspar!

TRAPICHE


Lembram-se daquela encenação, improvisação e propaganda, para levar a sede do governo de Gaspar no dia seis de abril para comemorar um ano da instalação do distrito do Belchior?

Já tem um resultado concreto anunciado pela própria vereadora do distrito, Franciele: Daine Bach, PSDB, porta voz ao alcaide de Gaspar: a emissão de quatro carteiras de identidade e que ficaram prontas 40 dias depois.

Perguntar não ofende. O que concretamente foi feito pelos políticos para dar mais segurança moradores do Belchior Baixo em função da instalação da Penitenciária de Blumenau nos limites de lá? Houve só circo naquela audiência pública em que a administração de Kleber Edson Wan Dall, PMDB, se omitiu e deixou a oposição tomar conta?

As fotos feitas na Praça Getúlio Vargas, para simbolizar o ato da criação do Conselho Municipal da Mulher em Gaspar, são retratos preocupantes e recorrentes na administração de Kleber Edson Wan Dall, PMDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP.

Nelas, parecem que o Conselho foi feito para apenas servir às mulheres do poder de plantão. Faltou representatividade e pluralidade da sociedade gasparense no ato. Na rarefeita plateia, a maioria de homens desse mesmo poder batendo palmas.

Ciro André Quintino, PMDB, não quer discutir se a Câmara pode ou não construir a sua sede própria. Depois de comprar 11 frigobares para suas excelências dar água gelada ao povo nos gabinetes, resolveu, com aval da mesa diretora, comprar móveis novos (armários e mesas), além de cadeiras para o plenário. Ulalalá.

Esse dinheiro, Ciro, nem a mesa diretora, nem a Câmara devolveram para a prefeitura.

Jornalismo manco. Joelson dos Santos, apresentador do novo micro Jornal do Almoço da NSC de Blumenau, ficou “surpreso”. É que sua reportagem descobriu que a ponte do Vale sequer tinha passado pelo teste de carga (feito na quarta-feira), apesar de liberada pelo ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT.

Joelson questionou como isso aconteceu. Fez escada para Valther Ostermann rechear um comentário com o mesmo tom. Mas, espera aí! A então RBS, hoje NSC, veio aqui, com seus repórteres, fez várias reportagens sobre a abertura e fechamento da ponte e não sabia disso?

Os leitores e leitores desta coluna sempre souberam disso, inclusive sobre a omissão do jornalismo da RBS. Relatei isso em pelo menos em duas oportunidades. Então estão passando recibo. Cara de paisagem e surpresa? Hum!

Outra. Apesar da prefeitura “sugerir” que poderia se dar em abril, escrevi há semanas que a reabertura da ponte do Vale estava sinalizada no aditivo que a prefeitura fez com a empreiteira Artepa Martins.

Ele vence no dia 31 de maio, prorrogável até dia 30 de junho. A entrega do laudo do teste de carga está prometida para em 15 dias. Coincidência? Não. Óbvio se não houver outro aditivo.

 

Edição 1801

Comentários

Ana Amélia que não é Lemos
22/05/2017 13:57
Sr. Herculano:

Não nutro nenhuma simpatia pelo deputado Peninha.
Mas, ao trazer o deputado Jair Bolsonaro para discursar aqui, já posso ao menos pronunciar seu nome.
Belchior do Meio
22/05/2017 13:52
Sidnei,

"Nenhum 'vermelho' compareceu... e pelo jeito fui o único belchiorense que saiu na foto com ele! FFAA já!"

Estou com uma invejinha danada.
Não fui porque não sabia.
Por que não divulgar aqui nesta coluna que é a mais lida e acessada na internet?
O Peninha deu uma de vacilão!


Herculano
22/05/2017 13:00
ADVOGADO DE TEMER QUER AFASTAMENTO DE MORO

Conteúdo de O Antagonista. No jantar organizado pelo advogado de Aécio Neves para homenagear o advogado de Lula, os ataques mais violentos foram feitos pelo advogado de Michel Temer.

De acordo com a Folha de S. Paulo, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira disse que o juiz Sergio Moro tem de ser afastado da Lava Jato:

"Questiono suas condições para o nobre mister de julgar. Porque falta-lhe algo que não é condição intelectual, mas imparcialidade. Estou com muito medo do avanço do autoritarismo do judiciário".

Em seguida, ele atacou o ministro Edson Fachin:

"O açodamento do relator para apurar acusações baseadas em gravação por hora contestada e com prova capenga é inexplicável. N?o se teve nenhum cuidado nem atenção com estabilidade do país, que está se recuperando na área econômica e social".

Advogados unidos jamais serão vencidos

Os advogados de Michel Temer, Dilma Rousseff e Aécio Neves se reuniram ontem à noite na churrascaria Rubayat, para homenagear os advogados de Lula.

O defensor de Michel Temer era Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.
O defensor de Dilma Rousseff era José Eduardo Cardozo.

O defensor de Aécio Neves era Alberto Toron.

Os defensores de Lula eram Cristiano Zanin e Valeska Teixeira.

Os advogados da ORCRIM estão unidos em seus ataques contra a Lava Jato.

JEC defende o Estado de Direito

O Estadão fez o melhor relato sobre o jantar em homenagem aos advogados de Lula.

"Em campos opostos nos tribunais, advogados de Michel Temer, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Luiz Inácio Lula da Silva se juntaram neste domingo em uma só causa: criticar a Lava Jato".

Durante o jantar, o advogado de Michel Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, disse que já ouviu do juiz Sergio Moro que "advogado atrapalha".

O advogado de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, reagiu:

"Se alguém acha que nós atrapalhamos, atrapalhamos o arbítrio e a desonra do Estado de Direito".

Sabe o que é pior?

Um monte de gente na imprensa, comprometida com o PT ou com o PSDB, repete essas mentiras.

O advogado de Aécio Neves, Alberto Toron, organizou o jantar em homenagem aos advogados de Lula.

Segundo o Estadão, ele deu o tom do encontro dizendo:
"Mexeu com um, mexeu com todos".

Sabe como é: a Lava Jato não pediu permissão para apalpar os corruptos.
Herculano
22/05/2017 12:49
O CASTELO DE CARTAS MARCADAS SE ESFACELA NO GOVERNO DE SANTA CATARINA.DEPOIS DE SEGUNDA DELAÇÃO PEGAR O GOLPE DA PRIVATIZAÇÃO DA CASAN, O HOMEM FORTE DO GOVERNADOR RAIMUNDO COLOMBO, O SECRETÁRIO DA FAZENDA, ANT?"NIO GAVAZZONI, AMBOS PSD, PEDE PARA SAIR. COLOMBO FICA IRRITADO COM AS PERGUNTAS DA IMPRENSA QUE NÃO AS TINHA QUANDO A RBS GAÚCHA MANDAVA NA IMPRENSA DE SANTA CATARINA

Conteúdo do jornal Diário Catarinense. O secretário do Estado da Fazenda de Santa Catarina desde 2013, Antonio Gavazzoni deixou o governo do Estado nesta segunda-feira. A decisão ocorreu após uma conversa com o governador Raimundo Colombo (PSD) e o agora ex-secretário deve falar sobre a saída do cargo à tarde, em uma entrevista marcada com jornalistas catarinenses.

Gavazzoni deve anunciar que foi uma decisão pessoal, com apoio de Colombo e do presidente estadual do PSD, Gelson Merisio. Formado em Direito, ele deve atuar como advogado a partir de agora.

A saída do até então homem forte de Colombo no governo ocorre em meio à crise política nacional que também chegou a SC, com as citações do governador e do próprio secretário em delação premiada de diretores da JBS. As acusações são de recebimento de propina no valor de R$ 10 milhões e os dois negam participação em qualquer crime.
vlad
22/05/2017 09:21
E em uma eleição indireta, temos 160 candidatos no congresso sendo processados. Não vejo luz no fim do túnel
Miguel José Teixeira
22/05/2017 09:17
Senhores,

Câmara aprova título de Capital Nacional da Maçã ao município de São Joaquim (SC)

+ em:
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/CIDADES/534877-CAMARA-APROVA-TITULO-DE-CAPITAL-NACIONAL-DA-MACA-AO-MUNICIPIO-DE-SAO-JOAQUIM-(SC).html?utm_campaign=boletim&utm_source=agencia&utm_medium=email
Herculano
22/05/2017 07:51
"SE QUISEREM, ME DERRUBEM", AFIRMA TEMER AO NEGAR DE NOVO A RENÚNCIA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto e entrevista de Fábio Zanini (editor de Poder), Daniela Lima (editoria da coluna Painel) e Marina Dias, da sucursal de Basília. Enfrentando a mais grave crise de seu governo, o presidente Michel Temer (PMDB) diz que renunciar seria uma admissão de culpa e desafia seus opositores: "Se quiserem, me derrubem".

Em entrevista à Folha no Palácio da Alvorada, Temer afirma que não sabia que Joesley Batista, que o gravou de forma escondida, era investigado quando o recebeu fora da agenda em sua residência em março - embora, naquele momento, o dono da JBS já fosse alvo de três operações.

Sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado correndo com uma mala de dinheiro, Temer diz que mantinha com ele apenas "relação institucional". A atitude de Loures, para o presidente, não foi "aprovável". Mas ele defende o caráter do ex-assessor. "Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole."

*

Folha - O sr. estabeleceu que ministro denunciado será afastado e, se virar réu, exonerado. Caso o procurador-geral da República o denuncie, o sr. vai se submeter a essa regra?

Michel Temer - Não, porque eu sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente não será a linha de corte para o presidente.

Folha - Mas o sr. voluntariamente poderia se afastar.

Temer - Não vou fazer isso, tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita. Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: "Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha".

[E eu disse]: "Mantenha isso". Além do quê, ontem mesmo o Eduardo Cunha lançou uma carta em que diz que jamais pediu [dinheiro] a ele [Joesley] e muito menos a mim. E até o contrário. Na verdade, ele me contestou algumas vezes. Como eu poderia comprar o silêncio, se naquele processo que ele sofre em Curitiba, fez 42 perguntas, 21 tentando me incriminar?

Folha - O Joesley fala em zerar, liquidar pendências. Não sendo dinheiro, seria o quê?

Temer - Não sei. Não dei a menor atenção a isso. Aliás, ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador. Conheço o Joesley de antes desse episódio. Sei que ele é um falastrão, uma pessoa que se jacta de eventuais influências. E logo depois ele diz que estava mentindo.

Folha - Não é prevaricação se o sr. ouve um empresário dentro da sua casa relatando crimes?

Temer - Você sabe que não? Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Confesso que não levei essa bobagem em conta. O objetivo central da conversa não era esse. Ele foi levando a conversa para um ponto, as minhas respostas eram monossilábicas...

Folha -Quando o sr. fala "ótimo, ótimo", o que o sr. queria dizer?

Temer - Não sei, quando ele estava contando que estava se livrando das coisas etc.

Folha - Era nesse contexto da suposta compra de juízes.

Temer - Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca. Eu disse: "Venha quando for possível, eu atendo todo mundo". [Joesley disse] "Mas eu tenho muitos interesses no governo, tenho empregados, dou muito emprego". Daí ele me disse que tinha contato com Geddel [V. Lima, ex-ministro], falou do Rodrigo [Rocha Loures], falei: "Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo."

Folha - Ele buscou o sr. diretamente?

Temer - Ele tentou três vezes me procurar. Ligou uma vez para a minha secretária, depois ligou aquele rapaz, o [Ricardo] Saud, eu não quis atendê-lo. Houve um dia que ele me pegou, conseguiu o meu telefone, e eu fiquei sem graça de não atendê-lo. Eu acho que ele ligou ou mandou alguém falar comigo, agora confesso que não me recordo bem.

Folha - Por que não estava na agenda? A lei manda.

Temer - Você sabe que muitas vezes eu marco cinco audiências e recebo 15 pessoas. Às vezes à noite, portanto inteiramente fora da agenda. Eu começo recebendo às vezes no café da manhã e vou para casa às 22h, tem alguém que quer conversar comigo. Até pode-se dizer, rigorosamente, deveria constar da agenda. Você tem razão.

Folha - Foi uma falha?

Temer - Foi, digamos, um hábito.

Folha - Um hábito ilegal, não?

Temer - Não é ilegal porque não é da minha postura ao longo do tempo [na verdade, está na lei 12.813/13]. Talvez eu tenha de tomar mais cuidado. Bastava ter um detector de metal para saber se ele tinha alguma coisa ou não, e não me gravaria.

Folha - É moralmente defensável receber tarde da noite, fora da agenda, um empresário que estava sendo investigado?

Temer - Eu nem sabia que ele estava sendo investigado.

Folha - O sr. não sabia?

Temer - No primeiro momento não.

Folha - Estava no noticiário o tempo todo, presidente [Joesley naquele momento era investigado nas operações Sepsis, Cui Bono? e Greenfield].

Temer - Ele disse na fala comigo que as pessoas estavam tentando apanhá-lo, investigá-lo.

Folha - Um assessor muito próximo do sr. [Rocha Loures] foi filmado correndo com uma mala pela rua. Qual sua avaliação?

Temer - Vou esclarecer direitinho. Primeiro, tudo foi montado. Ele [Joesley] teve treinamento de 15 dias, vocês que deram [refere-se à Folha], para gravar, fazer a delação, como encaminhar a conversa.

Folha - A imagem dele correndo com dinheiro não é montagem.

Temer - [Irritado] Não, peraí, eu vou chegar lá, né, se você me permitir... O que ele [Joesley] fez? A primeira coisa, o orientaram ou ele tomou a deliberação: "Grave alguém graúdo".

Depois, como foi mencionado o nome do Rodrigo, certamente disseram: "Vá atrás do Rodrigo". E aí o Rodrigo certamente foi induzido, foi seduzido por ofertas mirabolantes e irreais.

Agora, a pergunta que se impõe é a seguinte: a questão do Cade foi resolvida? Não foi. A questão do BNDES foi resolvida? Não foi.

Folha - O Rocha Loures errou?

Temer - Errou, evidentemente.

Folha - O sr. se sente traído?

Temer - Não vou dizer isso, porque ele é um homem, coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole. Eu o conheci como deputado, depois foi para o meu gabinete na Vice-Presidência, depois me acompanhou na Presidência, mas um homem de muito boa índole.

Folha - Ele foi filmado com R$ 500 mil, que boa índole é essa?

Temer - Sempre tive a convicção de que ele tem muito boa índole. Agora, que esse gesto não é aprovável.

Folha - O sr. falou com ele desde o episódio?

Temer - Não.

Folha - O sr. rompeu com ele?

Temer - Não se trata de romper ou não romper, não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional [com ele].

Folha - Quando o sr. diz para o Joesley que ele poderia tratar de "tudo" com o Rodrigo Rocha Loures, o que o sr. quer dizer?

Temer - Esse tudo são as matérias administrativas. Não é tuuudo [alongando o "u"]. Eu sei a insinuação que fizeram: "Se você tiver dinheiro para dar para ele, você entregue para ele". Evidentemente que não é isso. Seria uma imbecilidade, da minha parte, terrível.

Folha -O sr. o conheceu há quantos anos?

Temer - Quando ele era deputado, portanto, há uns dez anos.

Folha - E mesmo o conhecendo há dez anos, ele tendo sido seu assessor...

Temer - Mas espera aí, eu conheço 513 deputados há dez anos.

Folha - Mas apenas ele foi seu assessor próximo.

Temer - Como são próximos todos os meus assessores.

Folha - E mesmo próximo era apenas uma relação institucional?

Temer - Institucional, sem dúvida.

Folha - Nos últimos dias, o sr. veio numa escalada nas declarações. Acha que a Procuradoria-Geral armou para o sr.?

Temer - Eu percebo que você é muito calma [risos]. Espero que você jamais sofra as imputações morais que eu sofri. Eu estava apenas retrucando as imprecações de natureza moral gravíssimas, nada mais do que isso. Agora, mantenho a serenidade, especialmente na medida em que eu disse: eu não vou renunciar. Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa.

Folha - No pronunciamento o sr. foi muito duro com o acordo de delação.

Temer - Não faço nenhuma observação em relação à Procuradoria. Agora, chamou a atenção de todos a tranquilidade com que ele [Joesley] saiu do país, quando muitos estão na prisão. Ou, quando saem, saem com tornozeleira. Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagaz como é, que no momento em que ele entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam. Ele comprou US$ 1 bilhão e vendeu as ações antes da queda.

Folha - Se permanecer no cargo, em setembro tem de escolher um novo procurador. O sr. acha que tem condição de conduzir esse processo sem estar contaminado depois de tudo isso que está acontecendo?

Temer - Contaminado por esses fatos? Não me contamina, não. Aliás, eu tiro o "se". Porque eu vou continuar.

Folha - É preciso alguma mudança na maneira como esses acordos são feitos? Mudança na lei?

Temer - Acho que é preciso muita tranquilidade, serenidade, adequação dos atos praticados. Não podem se transformar em atos espetaculosos. E não estou dizendo que a Procuradoria faça isso, ou o Judiciário. Mas é que a naturalidade com que se leva adiante as delações... Você veja, as delações estão sob sigilo. O que acontece? No dia seguinte, são públicas. A melhor maneira de fazer com que eles estejam no dia seguinte em todas as redes de comunicação é colocar uma tarja na capa dizendo: sigiloso.

Folha - Esse processo dá novo impulso ao projeto de lei de abuso de autoridade?

Temer - É claro que ninguém é a favor do abuso de autoridade. Se é preciso aprimorar toda a legislação referente a abuso de autoridade, eu não saberia dizer. Abusar da autoridade é ultrapassar os limites legais.

Folha - O sr. falou muito do Joesley. Mas qual a culpa que o sr. tem?

Temer - Ingenuidade. Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento.

Folha - Além dos áudios, há depoimentos em que os executivos da JBS fazem outras acusações. Por exemplo, que o sr. pediu caixa dois em 2010, 2012 e 2016. Inclusive para o [marqueteiro] Elsinho Mouco, para uma campanha da internet.

Temer - No caso do Elsinho, ele fez a campanha do irmão do Joesley, e por isso recebeu aquelas verbas. Fez trabalhos para a empresa. Diz que até recentemente, esse empresário grampeador pediu se o Elsinho poderia ajudá-lo na questão da Carne Fraca.

Folha - Empresário grampeador?

Temer - Mas qual é o título que ele tem de ter? Coitadinho, ele tem de ter vergonha disso. Ele vai carregar isso pelo resto da vida. E vai transmitir uma herança muito desagradável para os filhos.

Folha - Nos depoimentos, há conversa do Loures com o Joesley sobre a suposta compra do Cunha que é muito explícita.

Temer - Por que é explícita?

Folha - Porque eles conversam sobre pagamentos.

Temer - Você está falando de uma conversa do Joesley com o Rodrigo. De repente, você vai me trazer uma conversa do Joesley com o João da Silva.

Folha - O Rocha Loures não é um João da Silva.

Temer - [Irritado] Eu sei, você está insistindo nisso, mas eu reitero que o Rodrigo era uma relação institucional que eu tinha, de muito apreço até, de muita proximidade. Era uma conversa deles, não é uma conversa minha.

Temer - Um desembarque do PSDB e do DEM deixaria o sr. em uma situação muito difícil. O sr. já perdeu PSB e PPS.

Temer - O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência. No PPS, o Roberto Freire veio me explicar que tinha dificuldades. Eu agradeci, mas o Raul Jungmann, que é do PPS, está conosco.

Temer - Até onde o sr. acha que vai a fidelidade do PSDB?

Temer - Até 31/12 de 2018.

Folha - Até que ponto vale a pena continuar sem força política para aprovar reformas e com a economia debilitada?

Temer - [Irritado] Isso é você quem está dizendo. Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas semanas com a votação de matérias importantes.

Folha - O sr. acha que consegue?

Temer - Tenho absoluta convicção de que consigo. É que criou-se um clima que permeia a entrevista do senhor e das senhoras de que vai ser um desastre, de que o Temer está perdido. Eu não estou perdido.

Folha - O julgamento da chapa Dilma-Temer recomeça no TSE em 6 de junho. Essa crise pode influenciar a decisão?

Temer - Acho que não. Os ministros se pautam não pelo que acontece na política, mas pelo que passa na vida jurídica.

Folha - Se o TSE cassar a chapa, o sr. pretende recorrer ao STF?

Temer - Usarei os meios que a legislação me autoriza a usar. Agora, evidentemente que, se um dia, houver uma decisão transitada e julgada eu sou o primeiro a obedecer.

Temer - O sr. colocou ênfase no fato de a gravação ter sido adulterada. Se a perícia concluir que não há problemas, o sr. não fica em situação complicada?

Folha - Não. Quem falou que o áudio estava adulterado foram os senhores, foi a Folha [com base em análise de um perito feita a pedido do jornal]. E depois eu verifiquei que o "Estadão" também levantou o mesmo problema. Se disserem que não tem modificação nenhuma eu direi: a Folha e o "Estadão" erraram.

Folha - Como o sr. vê o fato de a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] ter decidido pedir o seu impeachment?

Temer - Lamento pelos colegas advogados. Eu já fui muito saudado, recebi homenagens da OAB. Tem uma certa surpresa minha, porque eles que me deram espada de ouro, aqueles títulos fundamentais da ordem, agora se comportam dessa maneira. Mas reconheço que é legítimo.

Folha - Em quanto tempo o sr. acha que reaglutina a base?

Temer - Não sei se preciso reaglutinar. Todos os partidos vêm dizer que estão comigo. É natural que, entre os deputados... Com aquele bombardeio, né? Há uma emissora de televisão [TV Globo] que fica o dia inteiro bombardeando.

Folha - Essa crise atrasou quanto a retomada da economia?

Temer - Tenho que verificar o que vai acontecer nas próximas semanas. [Henrique] Meirelles [Fazenda] me contou que se não tivesse acontecido aquele episódio na quarta [dia da divulgação do caso], ele teria um encontro com 200 empresários, todos animadíssimos. causam um mal para o país.

Folha - Como o sr. está sentindo a repercussão de seus dois pronunciamentos, mais incisivo?

Temer - Olha, acho que eles gostaram desse novo modelito [risos]. As pessoas acharam que "enfim, temos presidente".
Herculano
22/05/2017 07:20
TEMER SINALIZA A ALIADOS DESEJO DE SE ENTRINCHEIRAR E AGE CONTRA DESERÇÕES, por Josias de Souza

Num instante em que os fatos parecem ter jurado seu governo de morte, Michel Temer atravessou o domingo tentando demonstrar aos aliados que continua cheio de vida. Em encontros que começaram pela manhã e entraram pela noite, o presidente sinalizou a ministros e congressistas a intenção de se entrincheirar no cargo. Esforça-se para evitar a deserção de partidos que hesitam em permanecer na infantaria legislativa que dá suporte ao governo. Pretendia oferecer um jantar à sua tropa. Mas a baixa adesão levou ao cancelamento do repasto. E evidenciou o tamanho do desafio.

Temer preocupa-se especialmente com PSDB e DEM. As legendas ameaçaram um desembarque conjunto. Discutiriam o tema numa reunião neste domingo. Idealizado para ser secreto, o encontro vazou para a imprensa. E foi cancelado. Temer soltou fogos. Conversou com os senadores Tasso Jereissati (CE) e Agripino Maia (RN), presidentes das duas legendas. Pediu-lhes que evitem movimentos precipitados. Obteve de ministros dos dois partidos o compromisso de ficar nos cargos. Pendurado ao telefone, contactou governadores tucanos em busca de solidariedade.

A estratégia esboçada por Temer divide-se em duas frentes. Numa, jurídica, o presidente aposta suas fichas no trancamento da investigação criminal aberta contra ele no Supremo. A decisão será tomada pelo plenário da Suprema Corte na quarta-feira. Noutro front, político, Temer tenta reconstruir o ambiente congressual que desmoronou depois da delação do Grupo JBS. Deseja retomar o debate sobre reformas trabalhista e previdenciária. Nos dois casos, a margem de manobra de Temer é estreita. Ele já não governa os acontecimentos. É governado pelos fatos.

Para obter a pretendida interrupção do processo que corre no Supremo, Temer se agarra à versão segundo a qual a gravação em que foi pilhado em diálogos antirrepublicanos foi adulterada pelo delator Joesley Batista. Na arena política, Temer desenvolve com seus aliados um raciocínio do tipo "ruim comigo, pior sem mim." Em privado, ele sustenta que a Procuradoria atropela leis e procedimentos para desmoralizar toda a classe política. Nessa versão, sua permanência no cargo interessaria a todos os que estão na fila do cadafalso. Uma fila suprapartidária. Até a semana passada, Temer tinha a pretensão de salvar o país aprovando reformas no Congresso. Hoje, sua prioridade é outra: salvar o próprio pescoço.
Herculano
22/05/2017 06:56
SUPREMO TERÁ A CHANCE DE COMBATER ESTADO POLICIAL

Armou-se um bote para nocautear o presidente da República. Uma acusação grave foi veiculada como se verdade fosse, sem que os meios para avaliá-la estivessem disponíveis. Michel Temer foi à lona, mas ergueu-se, sequelado, pouco antes do final da contagem.

Em organizações institucionais relativamente complexas como a brasileira, seria improvável a queda instantânea do chefe do Executivo, mesmo no caso de um político arqui-impopular como Temer.

A sobrevida do governo deu ao país a oportunidade de discutir não apenas o destino do presidente, mas também as anomalias da ação investigatória, do acordo de delação que a ensejou e das conclusões iniciais do ministro Fachin.

O Brasil rumará para um arremedo de Estado policial, conferindo poderes políticos extraordinários ao procurador-geral da República e ao chefe da Polícia Federal, se o Supremo não impuser, no julgamento marcado para esta quarta (24), alguns limites ao descomedimento da acusação.

O direito inspirado no calvinismo ou no marxismo pode dar carta branca para pessoas incriminarem terceiros em gravações clandestinas. O direito que prevalece nas nações civilizadas não pode.

Agride a cidadania presentear com imunidade penal empresários que, após encherem-se de dinheiro estatal, confessaram aos risos ter subornado a República. Ou esse acordo é revisto, ou ficará maculado o legado de equidade da Lava Jato.

A assinatura de um único juiz não pode bastar para suspender o exercício de mandatos concedidos pela soberania popular. Tais decisões gravíssimas deveriam ser submetidas ao plenário da corte.

Quanto a Temer, seu destino parece agora selado no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Esse processo, amadurecido e bem instruído, tem toda a legitimidade para cassar um mandato obtido mediante ostensivo abuso do poder econômico.
Herculano
21/05/2017 17:15
DELAÇÃO DE JOESLEY E IRMÃO TEM DE SER ANULADA EM RAZÃO DE CONLUIO, por Reinaldo Azevedo, de Veja

Reportagem da Folha prova o "entrapment" contra Temer: advogado de confiança dos irmãos recebeu aula de delação de procurador e de delegada da PF

Agora está comprovado. O presidente Michel Temer foi mesmo vítima de uma conspirata. Mais grave: agentes do Ministério Público e da Polícia Federal participaram do enredo. Um empresário gravou uma fala com o presidente da República com o objetivo de incriminá-lo. O produto dessa gravação, do ponto de vista jurídico, é imprestável, mas o sr. Rodrigo Janot o utilizou para embasar o pedido de abertura de inquérito contra Michel Temer. E, pior, o ministro Edson Fachin, do Supremo, aceitou.

Fatos que vêm à luz agora evidenciam que não é apenas a gravação que é imprestável. Também tem de ser declarada sem efeito a delação premiada dos Irmãos Batista (Joesley e Wesley - pena que não tenham se dedicado à música sertaneja?). Por quê? Houve, claramente, um conluio. Vamos ver.

Nesta sexta, publiquei um texto com o seguinte título: "Temer foi vítima de atos ilegais; democracia rejeita 'entrapment'". Escrevi então:

É um absurdo que tantos advogados silenciem a respeito da barbaridade que se urdiu contra Temer. Aquilo nada tem de "ação controlada", prevista no Artigo 9º da Lei 12.850. Retardar um flagrante em benefício da prova é diferente de preparar, de forma deliberada, as circunstâncias para o cometimento de um crime.
Precisamos, isto sim, é saber se não estamos diante daquilo que, nos EUA, é chamado de "entrapment", que é uma cilada legal. Usa-se o aparato de estado para induzir um flagrante. Por lá, é um procedimento ilegal. Por aqui, também. Assim é em todo o mundo democrático. Só as ditaduras consagram tal meio.

Caso se investigasse a investigação, chegar-se-ia ao óbvio.

Segundo a versão da carochinha, espalhada por Joesley Batista com a ajuda do MP e da PF - e na qual a maior parte da imprensa cai por uma série de motivos, que merecerão post exclusivo -, o empresário decidiu ele próprio fazer a gravação. Não teria acertado isso nem com Ministério Público nem com Polícia Federal, que só teriam entrado em cena depois.

Pois é? A Folha de S. Paulo publicou as duas reportagens mais importantes da crise em curso. Na sexta, revelou que a gravação que serviu de pretexto para Edson Fachin mandar abrir um inquérito contra o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 intervenções.

Neste sábado, a maior de todas as bombas: um advogado e homem de confiança de Joesley Batista teve "aula de delação" 15 dias antes de o empresário fazer uma gravação ilegal da conversa com o presidente Michel Temer. Os professores: um procurador da República e uma delegada da Polícia Federal.

Reproduzo trecho da reportagem:
No dia 19 de fevereiro, um domingo, às 12 horas, Anselmo Lopes, procurador da República no DF, recebeu uma ligação inesperada. Do outro lado da linha, Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, comunicou uma decisão que abalaria o país: Joesley e Wesley Batista iriam confessar seus crimes e colaborar com a Justiça.

A conversa durou só 19 minutos e eles agendaram um encontro para o dia seguinte. Na segunda-feira, Lopes e a delegada Rubia Pinheiro, que lideram a Operação Greenfield, da PF, deram uma "aula de delação": explicaram em detalhes ao advogado, profissional da estrita confiança dos Batista, como funcionaria a colaboração premiada.

Duas semanas depois, Joesley entrou no Palácio do Jaburu dirigindo o próprio carro, com um gravador escondido no bolso, para um encontro com o presidente Michel Temer. Durante 40 minutos, arrancou diálogos constrangedores, que, ao serem revelados, deixaram o mandato de Temer por um fio.

Retomo
Eis aí. Resta evidenciado o "entrapment", a armação, o conluio. A delação dos açougueiros-banqueiros, em condições ineditamente vantajosas, tinha uma contrapartida da pesada: produzir "provas" contra o presidente da República e contra o senador que comandava o PSDB. Sim, vieram à luz acusações contra outros políticos. Dilma e Lula não saem exatamente como heróis da narrativa. Mas não foi isso que garantiu aos Irmãos Batista a vida boa que ora gozam em Nova York. Eles só receberam o presentão porque entregaram o presidente.

Mas entregaram exatamente o quê? Nada!

A gravação não evidencia a tal anuência de Temer com a compra do silêncio de Cunha. Isso é falso. Mais: nota-se em Joesley a intenção deliberada de expor seus próprios crimes (disse depois que blefava ao falar da compra de dois juízes e um procurador), tentando fazer do outro uma espécie de cúmplice por omissão.

Um texto do jornal "O Globo", equivocado de A a Z, resolveu expor os "sete pecados" - nem seis nem oito - do presidente no caso. Todos eles estariam ligados, no fundo, à sua omissão. Teria ouvido a confissão de crimes e nada teria feito.

Com a devida vênia, trata-se apenas de uma tentativa de encontrar motivos laterais para defender a deposição do presidente, uma vez que o motivo central era falso. A coisa toda tem um pecado insanável: foi uma armação. Esperavam o quê? Que o presidente desse voz de prisão ao empresário, que chamasse a Polícia Federal? Ora, há um limite para o ridículo.

Anular delação
A delação premiada dessa corja tem de ser anulada. E é preciso apurar a responsabilidade do Ministério Público e da Polícia Federal na conspirata. Que se investigue tudo o que denunciaram. Mas os benefícios têm de ser cassados. Que paguem a pena por seus crimes.
Sidnei Luis Reinert
21/05/2017 12:42
O Crime não pode compensar no Brasil


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Batman sempre pregou para Robin, seu menino prodígio, que "o crime não compensa". O morcegão de Gotham City seria obrigado a rever seu conceito ético-moral no Brasil. São um deboche com a sociedade brasileira as delações dos irmãos Batista e seus "colaboradores". As deduragens foram premiadas com impunidade, e multas cinicamente pagas com um pedacinho da grana fruto de corrupção bilionária.

Coringa, Pingüim, Mulher Gato, Charada, Senhor Gelo, Chapeleiro Louco (e suas versões tupiniquins mais rasteiras) vão querer isonomia com a turma da JBS. Nem a Gestapo de Adolf Hitler praticaria tamanha caridade em favor de corruptos e corruptores confessos. A JBS (Jogou o Brasil na Sujeira) e seus operadores ficarão impunes? É muita sacanagem conosco - as vítimas reais da corrupção (conscientes ou coniventes)...

A semana promete agravamento da crise gerada pela ação do Crime Institucional. O supremo ministro Luiz Edson Fachin decidiu levar para a próxima sessão plenária do Supremo Tribunal Federal a decisão sobre o pedido de suspensão do inquérito aberto contra o Presidente da República. Além de reafirmar ontem que não renuncia ?" apesar da cobrança do Grupo Globo para que jogue a toalha -, Temer partiu para a ofensiva para tentar desmoralizar a jogada gestapiana de Joesley Batista. Curioso foi que o Presidente discursou como se promovesse um bate-boca com um interlocutor invisível:

"Ele [Joesley] é um conhecido falastrão, exagerado. Depois, em depoimento, podem conferir, disse que havia inventado essa história, que não era verdadeira. Era fanfarrosnice que ele utilizava naquele momento. O autor do grampo está livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York [...]. Não passou nenhum dia na cadeia, não foi preso, não foi julgado nem punido. E pelo visto não será."

Temer frisou outra grande jogada do delator premiado: "Antes de entregar a gravação, [Joesley] comprou US$ 1 milhão porque sabia que isso provocaria caos no câmbio. Sabendo que a gravação também reduziria o valor das ações de sua empresa, as vendeu antes da queda da bolsa. Não são palavras minhas apenas. Os fatos estão sendo investigados pela Comissão de Valores Mobiliários. A JBS lucrou milhões e milhões de dólares em menos de 24 horas".

Antes, no pronunciamento de ataque, Temer tentou desqualificar o roteiro da gravação armada por Joesley: "As incoerências entre o áudio e o seu depoimento [Joesley] comprometem a lisura do processo por ele desencadeado. Quero lembrar da acusação de que eu dei aval para a compra de um deputado. Não existe isso na gravação, mesmo tendo sido adulterada. E não existe porque eu não comprei o silêncio de ninguém. Tenho crença nas instituições brasileiras e nos seus integrantes. Devo registrar que é interessante quando os senhores examinam os depoimentos, os senhores verificam que a conexão de uma sentença a outra diz: 'Estou comprando o silêncio de um deputado e estou dando dinheiro a ele'. A frase é 'Estou me dando bem', e eu digo: 'Mantenha isso, viu?'. Por isso, devo dizer que não acreditei na narrativa do empresário de que teria segurado juizes etc".

Temer foi detonado e desmoralizado. O impacto imediato foi a destruição de sua imagem ?" que já era desgastada perante a opinião pública, porque nem o brasileiro com mais amnésia consegue esquecer que ele foi vice da Dilma Rousseff, e parceiro do PT, em dois mandatos presidenciais. Por isso, após a delação da JBS, cabe indagar: Será que Temer realmente perdeu a capacidade de presidir o Brasil? A resposta certa não pode ser precipitada pela repercussão das denúncias contra ele feitas pela gravação clandestina do Joesley Batista. Tudo vai depender do pragmatismo cínico dos nossos políticos e dos "deuses" do mercado. Até recentemente, a ampla maioria de parlamentares e rentistas apoiava as reformas de Temer... E agora? A resposta vale bilhões...

Já se arma outro golpe. Um tirou a Dilma ?" e a estrutrura estatal criminosa não se alterou. O outro quer tirar o Temer ?" sem que a mesma estrutura bandida seja afetada. Deputados articulam, na terça-feira, a votação urgente (e sem debate) de uma Proposta de Emenda Constitucional que alteraria a obrigatoriedade de eleição indireta prevista na Lei Complementar 64. A intenção seria emplacar a tese petista das "Diretas, já", para a escolha do substituto de Temer (e também de um novo Congresso).

A armação não deve prosperar. Até porque a maioria do povo brasileiro sabe que é temerária (sem trocadilho) fazer uma eleição agora, com voto eletrônico sem direito a conferência por voto impresso. Facilmente, o crime elegeria seus representantes. Além disso, apesar do imenso desgaste e desmoralização, a base de Temer ainda não tem certeza de que ele deva deixar o Palácio do Planalto imediatamente. Assim, Temer ganhará uma forcinha para resistir e, se possível, contratacar seus inimigos e adversários do modo mais implacável que conseguir. Tudo dependerá da reação do mercado e dos infiéis comparsas (ops, aliados)... A tal "saída negociada" será complicadíssima...

A bola, infelizmente, continua com a bandidagem... Vale repetir e insistir: A corrupção brasileira é sistêmica, culturalmente enraizada, comandada por um sistema organizado do Crime Institucionalizado e seus mecanismos. Justamente por isto, só uma cirúrgica e profunda mudança estrutural no modelo de Estado brasileiro tem condições reais de reduzir e, praticamente, neutralizar a sacanagem hegemônica. Tal processo, que leva tempo, depende, de imediato, de uma corajosa e estratégica Intervenção Institucional. Qualquer outra medida é paliativa.

Até quando assistiremos a um patético e perigoso conflito de interesses entre as diversas organizações criminosas que usurpam todos os poderes estatais e promovem a corrupção que arruína a economia, desmoraliza a política e inviabiliza qualquer chance de implantação de um regime realmente democrático no Brasil. Na guerra de todos contra todos, os bandidos institucionalizados tiram proveito da Lei para tentar salvar a própria pele (e a maior parte da grana obtida ilicitamente nas relações com a máquina estatal).

Os bandidos não estão arrependidos. Os "premiados", alguns soltos e outros quase (de tornozeleira em casa), tem plenas condições ?" e provavelmente muita grana malocada ?" para praticar novas ações criminosas. O crime se reinventa... Por isso, se a gente não mexer na estrutura estatal, eles voltarão a delinqüir. Ou as novas crias criminosas o farão... Por isso, Intervenção, já...

O papel de prática da honestidade tem de ser da sociedade. Assim, o combate à corrupção depende de colaboração e integração de informações entre aqueles éticos e honestos que atuam em instituições que precisam ser aprimoradas, com cada vez mais controle social, para não participar dos mecanismos criminosos e ainda ter fôlego para combatê-los, neutralizá-los e, quem sabe, derrotá-los. Intervenção, já!

Cada um, do jeito que puder e souber, tem de aumentar e tornar insuportável a pressão direta contra os corruptos. O medo e erro deles é que os conduzirá à derrocada. A sociedade tem de exigir a implantação imediata de transparência e um sistema de fiscalização direta do que fazem os poderes públicos.

Essa pressão legítima vai criar as pré-condições, rapidamente, para a Intervenção Institucional, sem golpismos, para implantar a Segurança do Direito e a Consciência dos Deveres ?" a verdadeira Democracia.

Resumindo e insistindo, para não deixar dúvidas: Pouco ou nada adianta tirar Temer e manter a mesma estrutura. Na verdade, ele nem devia ter assumido. Tinha de ter caído junto com a companheira Dilma... Não caiu, agora vai resistir e a gente pagará a conta...
José Antonio
21/05/2017 11:41
Herculano

Onde estão os abobados petistas que ontem divulgaram nas redes sociais uma lista de politicos catarinenses que receberam doações da JBS e sorrateiramente retiraram os do PT. Então vamos completar a lista correta: Claudio Vignatti, Altemir Gregolim, Luci Choinacki, seus hipócritas, petistas safados...
Herculano
21/05/2017 09:22
OS NOVOS CENÁRIOS, por Míriam Leitão, de O Globo

Temer acerta os defeitos de Joesley, mas não se explica. O que o presidente Michel Temer falou do empresário Joesley Batista é verdade. E sempre foi. Curioso é que só agora ele viu os defeitos da pessoa. O caminho escolhido por Temer é o de praxe na defesa em processos criminais, tentar desqualificar as provas. Ele só não explicou por que seu visitante noturno usou codinome para entrar no Jaburu, e sua preocupação foi de que ninguém o visse.

Foi inteligente somar-se ao sentimento do país que reclama do acordo que deu ao corruptor a vantagem de espiar de Nova York o país em chamas. O que não está claro é como isso vai ajudar o presidente politicamente. Se ele não renunciar, pode ser atingido por sentença do TSE.

Em três dias, a partir do dia 6 de junho, o TSE pode concluir o julgamento da chapa Dilma-Temer. Mas haverá recurso ao STF e não há rito sumário. A política está em escombros e mesmo a renúncia abre uma enorme interrogação sobre os rumos do país.

- Vão tirar o presidente sem haver plano B - lamentou uma autoridade com poder de influenciar os rumos políticos.

Já estavam marcadas três sessões extraordinárias para o julgamento da chapa Dilma-Temer nos dias 6, 7 e 8 de junho. Se ninguém pedir vistas, diz um especialista, esse prazo será o suficiente para a leitura do voto do ministro Herman Benjamin, o debate e a conclusão do julgamento. Temer, se for condenado, pode recorrer ao STF. Os prazos são longos e ainda há o recesso de julho.

- Se o recurso começar a ser avaliado em agosto a decisão pode sair só em dezembro. E o presidente, que já era um pato manco, governará com as duas pernas quebradas e a hemorragia do país continuará - avalia uma autoridade do Judiciário.

A democracia terá que recorrer a uma lei de 7 de abril de 1964, do início da ditadura militar, para fazer a eleição indireta ou regulamentar às pressas o previsto no artigo 81 da Constituição para o caso de dupla vacância. A eleição direta exige que os parlamentares tirem de si a prerrogativa da escolha.

O presidente Temer deixou comandantes militares esperando na primeira reunião da sexta-feira porque havia outra emergência. Os oficiais generais estavam lá para dizer que deve ser seguida a Constituição. ?"timo, ótimo. A emergência que assaltou a agenda de Temer foi a conversa com o jurista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, convocado de São Paulo.

Mariz deu o caminho que o presidente anunciou no pronunciamento, o de pedir a suspensão do inquérito e por em dúvida a autenticidade da gravação da conversa que teve. Em dado ponto, o presidente completa uma frase de Joesley e diz: "Lucio Funaro". Vem a ser um notório criminoso, hoje preso, que foi alvo no Banestado, Mensalão, Satiagraha, Lava-Jato. Está em todas, não deveria estar numa conversa presidencial.

Na economia há uma boa notícia: o que houve de melhora no último ano pode dar algum fôlego para suportar o impacto do colapso político. A inflação está abaixo do centro da meta e os juros já haviam caído três pontos. Isso permite absorver choques de curto prazo.

Um pouco antes do atual agravamento da crise, o BC fez uma série de testes de estresse nos bancos levando em conta o alto endividamento das empresas, principalmente das grandes empreiteiras que estão com problemas na Lava-Jato. O resultado foi que, no pior cenário, os bancos continuavam líquidos e solventes. Os créditos às empreiteiras já estão provisionados. Resta saber se os da JBS também estão. A empresa ficará num limbo sem o acordo de leniência. Não foi fechado acordo com o Ministério Público.

O país tem reservas de US$ 377 bilhões e o BC havia reduzido o volume de oferta de seguro em dólar. Por isso, pode repetir novos leilões de swap cambial, como fez na última quinta-feira. Podemos atravessar esse pântano sem crises cambial, bancária e inflacionária.

Porém, já houve a reversão do frágil otimismo que havia surgido no primeiro respiro da economia. A recessão pode se prolongar. O pior perigo está na dívida pública, que sustenta toda a poupança e o investimento dos brasileiros. Ela subiu de 50% para 70% do PIB e continua aumentando. Com a reforma da Previdência e outros ajustes, cresceria até 80%. Sem ela, irá a 100% ou mais. Em caso de não haver mudança na estrutura do gasto público, o cenário futuro é apocalíptico. Esse é o ponto mais frágil da economia.
Herculano
21/05/2017 09:19
CANSAÇO E DESALENTO, por Roberto Pompeu de Toledo, na revista Veja

DE COLLOR aos Anões do Orçamento, dos Anões do Orçamento ao mensalão, e do mensalão ao petrolão, foram 25 anos (bodas de prata!) em que escândalos de corrupção deceparam presidentes, cassaram parlamentares, arruinaram reputações ?" mas também fizeram luzir no horizonte um raio de esperança. O Brasil, que com Collor foi ao fundo do poço, mais para baixo não poderia ir. E no entanto vieram os Anões do Orçamento. Chega, indicava a seguir a esperança, essa teimosa; agora a política brasileira há de se emendar. E no entanto veio o mensalão. Depois do mensalão, ao qual nada, de mais amplo e profundo, poderia suceder, veio o petrolão, mais amplo e profundo. E no transcurso do petrolão, desdobramento após desdobramento, vem agora, sucedendo ao assombro das delações da Odebrecht, que nada podia superar, a delação de Joesley Batista, dono da tentacular JBS, e põe por um fio a sobrevivência do governo Temer.

Na campanha presidencial de 2002,o marqueteiro Duda Mendonça, a serviço do PT, inventou um comercial que, sob o mote "X?", corrupção!", mostrava um bando de ratos roendo a bandeira nacional. "Ou a gente acaba com eles ou eles acabam com o Brasil", dizia o texto. Pois naquele momento mesmo, enquanto esconjurava a corrupção, o marqueteiro a praticava, aceitando que seus serviços fossem pagos em paraísos fiscais do Caribe. O Brasil se notabiliza, no concerto das nações, por sucessivos recordes no campo da corrupção: por sua onipresença, em todos os níveis do governo, por seus montantes bilionários, por sua extensão no tempo. Mais notável ainda, a corrupção brasileira consegue perpetrar o milagre da simultaneidade, um elaborado esquema que desponta atropelando e se sobrepondo ao anterior. Enquanto se esconjurava o mensalão, em julgamento do Supremo Tribunal Federal, engendrava-se o petrolão. A trama da corrupção, a exemplo dos espetáculos de circo, quando o trapezista despenca no tablado, não pode parar.

A delação de Joesley Batista mostra que o ex-deputado Eduardo Cunha, mesmo preso, continuava a cobrar, exigir e se beneficiar de grossas propinas. O senador Aécio Neves, por seu lado, mesmo acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois, insistia em buscar junto a Joesley mais dinheiro oriundo de corrupção, lavagem e caixa dois, para pagar advogados que o defendessem desses crimes. Num terceiro caso, o mais vital, porque situado no centro do poder, o presidente Temer, não bastasse já chefiar um governo que mal e mal suporta o peso das muitas suspeitas contra seus membros, não se vexou de receber um empresário encrencado, para uma conversa suspeita, na calada da noite.

A conversa de Temer com Joesley Batista, que entrou escondido no PaIácio do Jaburu, o empresário com um gravador no bolso, produziu duas falas que, fosse uma peça de teatro, deixariam a plateia de respiração suspensa. A primeira, dita em tom baixo, foi: "Tem que manter isso, viu?". Cinco humildes palavrinhas, terminadas num "viu?" que era a reiteração singela de uma ordem, um alerta para prestar bem atenção porque isso é importante. Joesley acabava de lhe dar conta das propinas com que continuava a alimentar a ganância de Eduardo Cunha. De acordo com o promotor Rodrigo Janot, o presidente enfatizava a necessidade de não interromper os pagamentos a Cunha para mantê-lo calado. A segunda fala foi quando Joesley afirmou que precisava resolver pendências junto a órgãos do governo como o Cade, a CVM e a Receita Federal, e Temer retrucou: "Fale com o Rodrigo". Joesley explorou o terreno: "Posso falar sobre tudo com o Rodrigo?", e Temer respondeu: "Tudo".

Rodrigo Rocha Loures, o homem com quem se podia falar de "tudo" é hoje um deputado pelo Paraná. Na época, era assessor de Temer na Presidência. Procurado nos dias seguintes por Joesley, ele se dispôs a ajudá-lo em múltiplas frentes, a começar pelo Cade, o órgão regulador da concorrência entre as empresas. Joesley reivindicava que a termelétrica de sua propriedade, em Mato Grosso, pudesse comprar gás diretamente da Bolivia, e não da Petrobras, cujos preços são mais altos. Loures pôs mãos à obra, e Joesley lhe prometeu que, do beneficio obtido com a operação, 5% seriam dele.

Temer é, no elenco dos peemedebistas no comando do pais, o responsável pela pose. Isso vem de longe. Os Jucás, Renan, Cunhas e Geddeis ficam com o escracho, ele segura a turma na pose. O nó da gravata Temer não cansa de ajustar, o paletó nunca largará aberto com desleixo; as mãos, ora espalmadas, ora juntas ao peito, ora em acrobáticos rodopios, descrevem estudadas evoluções; o lábio inferior se mete entre os dentes, e a testa se contrai em sinal de que o cérebro se ocupa de graves reflexões. Os outros representam a esbórnia ou a cafajestada, ele é o homem sem dúvida sério, apresentável nos melhores salões. A seu auxiliar Loures, com quem se pode falar de tudo, coube receber 500 000 reais, em dinheiro vivo, de Joesley ?" primeira parcela pelo serviço a ser prestado.

O sério Temer, desde quando foram reveladas as gravações de Joesley Batista, passou, com pose e tudo, a protagonista do mais novo clássico da corrupção brasileira. Acompanhará doravante sua biografia ilustrada o ato da entrega do dinheiro a Rodrigo Loures, documentado em fotos e vídeos. Sobra a pergunta: caindo Temer, o que virá depois? No panorama devastado da política brasileira não se vislumbra saída, e o vício reiterado da corrupção, escândalo após escândalo, só promete desencanto. Até a esperança, tida como a última que morre, está cansada. No exato momento em que o leitor lê estas linhas, algum politico estará recebendo propina, e algum empresário estará combinando uma trapaça.
Herculano
21/05/2017 09:17
CONTEÚDO INALTERADO, por Merval Pereira, no jornal O Globo

O empresário Joesley Batista utilizou uma tática para marcar o dia e a hora em que teve a conversa no Palácio Jaburu com o presidente Michel Temer, e essa estratégia foi definitiva para dar credibilidade a seu relato. Ele começou a gravação ao chegar à residência presidencial com o som do carro sintonizado na rádio CBN às 22h32m e terminou às 23h08m, mais uma vez ouvindo a CBN.

Tudo indica que Joesley utilizou uma técnica de identificação que era muito usada em sequestros, quando o sequestrado posava para fotos com um jornal do dia para indicar que estava vivo. O presidente da JBS marcou sua gravação clandestina com os programas da CBN do dia 7 de março.

A tentativa de reverter a situação política de fragilidade do presidente Michel Temer, denunciando supostas manipulações do áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, só demonstra que não há condições de questionar o conteúdo da conversa, que é o que realmente importa.

A delação do dono da JBS não foi feita apenas com o áudio, mas este era uma complementação dos detalhes que deu aos procuradores, antes e depois da conversa, sobre os temas abordados, o que completa e dá sentido à sua delação.

A polêmica sobre o áudio não tem apoio técnico consensual. Há peritos que garantem que não houve manipulação alguma, demonstrando que há uma frágil busca de anulação das gravações, o que não parece provável, mas também não resolveria o caso do presidente da República, que manteve uma conversa desclassificante com um empresário que está sob investigação.

Os dois pontos determinantes que dão gravidade à conversa não estão impugnados por nenhum perito: quando falam sobre a necessidade de manter o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha tranquilo na cadeia e quando Joesley revela que está "controlando" o juiz e o juiz substituto que tratam de seu processo, além de ter um procurador infiltrado na força-tarefa que o investiga.

O presidente não apenas não reagiu a essas revelações de obstrução da Justiça como, nos dois momentos, fez comentários que levam a crer que estava de acordo com as providências. No primeiro caso, disse que era preciso "manter isso", depois de ouvir Joesley relatar que havia "zerado as pendências" com Cunha.

No outro, interrompeu Joesley para confirmar a situação dos juízes: "Está controlando os dois?". É claro que Temer, como político experiente, utilizou bem em sua fala de ontem os pontos fracos de seu acusador. Criticou o STF e a Procuradoria-Geral da República por terem aceitado a fita sem uma verificação técnica, e também o acordo de delação premiada que permitiu que Joesley e Wesley Batista escapassem ilesos para viver nos Estados Unidos.

Os crimes que cometeram foram anistiados pela gravidade da delação feita, mas parece claro que houve uma condescendência excessiva com eles, que precisa ser revista. Os inquéritos que a Comissão de Valores Mobiliário (CVM) está abrindo sobre especulação financeira com dólar e ações do grupo em consequência da crise econômica que sabiam que as revelações provocariam pode ser um bom motivo para rever os benefícios concedidos.

Correção

Na coluna de domingo, passado escrevi que o sistema de troca de informações de e-mails montado por João Santana e Monica Moura para se comunicarem com Dilma sem serem rastreados "é denominado de Dead Drop ou, mais frequentemente, Dead Letter Box. Muito utilizado na espionagem internacional, ganhou notoriedade nos anos 1930 com o caso dos Cinco de Cambridge (Cambridge-Five) assim denominados os participantes de uma célula de espiões britânicos a serviço da URSS (Anthony Blunt, Kim Philby, Donald MacLean, Guy Burgess e John Cairncross) durante a chamada Guerra Fria. E popularizou-se através dos livros de espionagem do escritor britânico John Le Carré". Na verdade, o ano foi 1950
Herculano
21/05/2017 09:15
MORRENDO PELA BOCA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Após sair incólume do escândalo do mensalão, a ponto de reeleger-se em 2006, Lula sentia-se à vontade para bravatas de que hoje certamente se arrepende

"Se, em algum momento, um dos 204 milhões de brasileiros chegasse ao presidente da República e dissesse 'tem um esquema de propina na Petrobrás', seria mandada embora a diretoria inteira da Petrobrás." Essa declaração de Lula em seu depoimento ao juiz Sergio Moro dá bem a medida do nível da hipocrisia que lhe é própria. Na verdade, em 2009 o então presidente foi oficialmente informado, não por "um dos 204 milhões de brasileiros", mas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso, sobre graves irregularidades, principalmente superfaturamento, em quatro obras da Petrobrás. A Comissão Mista votou pela exclusão daqueles quatro projetos do Orçamento da União até que se apurassem as irregularidades. Lula vetou a decisão do Congresso. Três das quatro obras ?" Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e Refinaria Presidente Vargas (Repar), no Paraná ?" acabaram se tornando objetos de investigação e denúncias na Operação Lava Jato.

Como recorda o jornal O Globo, as obras da Refinaria Abreu e Lima estavam começando naquele ano e o TCU analisou apenas quatro dos contratos, relativos a R$ 347 milhões de um total de R$ 2,77 bilhões já então contratados, nos quais constatou superfaturamento de R$ 121,6 milhões. Entre os responsáveis pelas licitações figuravam diretores e gerentes da Petrobrás que viriam a se tornar protagonistas de denúncias de corrupção pela Lava Jato: Renato Duque, já condenado a quase 41 anos de prisão; Pedro Barusco, também condenado; e Paulo Roberto Costa, pioneiro da delação premiada, condenado a 12 anos de cadeia. Os dois primeiros trabalhavam na "captação de recursos" para o PT.

Em 2010, na solenidade de batismo da plataforma P-57 da Petrobrás, em Angra dos Reis, Lula discursou, em tom de campanha eleitoral: "Houve um tempo em que a diretoria da Petrobrás achava que o Brasil pertencia à Petrobrás e não a Petrobrás ao Brasil. (...) No nosso governo é uma caixa branca e transparente, nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer". Após sair incólume do escândalo do mensalão, a ponto de reeleger-se em 2006, Lula sentia-se à vontade para bravatas de que hoje certamente se arrepende, pois para se defender das suspeitas levantadas pela Lava Jato agora jura de pés juntos que nunca soube nada sobre o bilionário escândalo do petrolão.

Além de pura e simplesmente mentir, Lula passou a adotar o argumento de que todos os depoimentos que levantam suspeitas a seu respeito são, eles sim, mentirosos, porque prestados por delatores capazes de qualquer vilania para reduzir suas penas, no mais das vezes vítimas de pressão de investigadores interessados em condená-lo. Lula só não transforma suas acusações em libelo contra o próprio instituto da delação premiada porque tem todo o interesse em explorar politicamente a transformação em réus também de seus adversários políticos. Nesse caso, delatar pode.

Este espaço tem sido frequentemente aberto à defesa da tese de que a Operação Lava Jato presta relevante serviço à moralização das práticas de gestão pública no País e que uma condição indispensável para que esse objetivo seja plenamente alcançado é que as investigações se desenvolvam rigorosamente dentro da lei, a salvo dos assomos messiânicos de um discurso moralista tão enganado e enganoso quanto a impostura político-eleitoral de dividir o País entre "nós" e "eles". As delações não têm sido feitas por "eles", mas por antigos cúmplices que não as fazem, obviamente, por arrependimento ou escrúpulos que nunca tiveram, mas para terem suas punições amenizadas. A validade dessas delações fica a critério daqueles a quem cabe julgar o peso das evidências e provas apresentadas. É responsabilidade não apenas de um juiz, mas de todo o aparato judiciário.

Acusar acusadores de mentirosos é vezo de quem julga os outros por si.
Herculano
21/05/2017 09:14
VOCÊS ENTENDERAM A RAZÃO PELA QUAL OS GOVERNANTES TEMEM A IMPRENSA LIVRE, PROFISSIONAL E NÃO IDEOLóGICA, PREGUIÇOSA OU COMPRADA?

PORQUE ENTRE ELES POLÍTICOS MESMO ADVERSÁRIOS MAS AMIGOS DA MESMA SACANAGEM, NO ESCURINHO, ENTRE QUATRO PAREDES, ACERTAM-SE E SE COMPÕEM NA LADROAGEM COM OS NOSSOS PESADOS IMPOSTOS QUE FALTAM PARA OS QUE SOFREM E MORREM NA FILA DO SUS, QUE NÃO TENHA ACESSO AS ESCOLAS PLURAIS, À ASSISTÊNCIA, DIREITO À SEGURANÇA E OBRAS ESTRUTURAIS.
herculano
21/05/2017 09:08
DONOS DA JBS FORAM PARA O COLORADO, E NÃO NY, por Cláudio Humberto na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O clã Batista, que controla o Grupo JBS, não está e talvez nunca tenha estado em Nova York, após deixar o Brasil às vésperas da divulgação da delação-bomba, que pode derrubar o governo de Michel Temer. Após sair do País, segundo amigos, os Batista seguiram para uma propriedade da família em Greeley, no estado do Colorado, pertinho da sede da JBS nos EUA, onde fatura US$20 bi (R$66 bilhões) ao ano.

NOVOS HÁBITOS
Em princípio, o clã Batista vai viver entre o Colorado, novo local de residência, e Miami (Flórida), para compras e passeios de iate.

FESTA DE BOIADEIRO
Dias antes de explodir a delação-bomba, a família fez festa de despedida em um churrasco regado a champanhe. Só para rapazes.

DEZ ANOS DE EUA
A JBS iniciou a operação nos Estados Unidos em 2007, após a compra da Swift & Company, financiada pelo BNDES. Custou US$1,5 bilhão.

BASE NOVAIORQUINA
Joesley tem apartamento no Olympic Tower, em Nova York, que foi do publicitário Nizan Guanaes. Estaria avaliado hoje em US$30 milhões.

FUNDOS DA CAIXA E PETROBRAS BANCARAM PROPINA
O "rei do gado" Joesley Batista detalhou, em delação, o acordo para repassar 1% do valor investido pelos fundos de pensão da Petrobras (Petros) e da Caixa (Funcef) aos seus presidentes. Em depoimento, Joesley explica que tudo começou com o PROT, fundo de US$ 1 bilhão criado para aquisição de empresas nos EUA e Austrália com US$ 250 milhões de cada um dos fundos e outros US$ 500 milhões do BNDES.

ALô, CPI
O fundo para garantir a aposentadoria dos funcionários da Caixa teve prejuízo de R$ 534 milhões com a parceria na aventura junto à JBS.

TUDO ANOTADO
O ex-presidente do Petros Wagner Pinheiro recebeu R$ 2,7 milhões. O sucessor, Luís Afonso, US$ 1,5 milhão e mais um apartamento em NY.

SEMPRE ELE
Para viabilizar investimentos, a JBS dava 1% a João Vaccari para atuar nos sindicatos, que têm 50% do conselho de administração nos fundos.

VERGONHA NA CARA
Com centenas de políticos denunciados nos diversos assaltos aos cofres públicos, não houve nenhum suicídio até agora. No Japão, um escândalo nas proporções da Lava Jato geraria uma onda de harakiris equivalente a uma terceira bomba atômica.

O GOVERNO ENCOLHE
A base de apoio ao governo Temer no Congresso passa por rápida lipoaspiração. Se não renunciar, a tendência é sobrar apenas o PMDB em torno do presidente, mesmo assim parcialmente.

SEM IMPEACHMENT
O vice-líder do governo, Darcisio Perondi (PMDB-RS), disse à coluna que é "zero" a chance de Rodrigo Maia aceitar um dos oito pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer".

CADA DIA SUA AGONIA
Michel Temer tenta tocar a vida priorizando uma máxima que acompanha sua carreira política: "cada dia sua agonia", amanhecendo no cargo sem saber se nele anoitecerá.

A VIDA COMO ELA É
Pesou na decisão de Raul Jungmann, de permanecer no Ministério da Defesa, o fato de sua vaga na Câmara não estar garantida. Jungmann é suplente de deputado federal e ficaria ao léu, sem mandato.

REFORMA SECUNDÁRIA
Tinha razão o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), relator da reforma trabalhista, quando anunciou a suspensão dos debates. "Todo o resto agora é secundário", disse ele, com a delação-bomba. Era mesmo.

É ELE MESMO
O Sindipetro-RJ atribuiu a Renato Duque, em 2010, o prejuízo de US$1 bilhão no afundamento da plataforma P-36, que matou 11 pessoas, e ainda apontou os negócios do ex-diretor da Petrobras, nomeado no governo Lula supostamente com a missão de roubar para petistas.

BARREIRA AOS MILHÕES
O PCdoB não vê problema na PEC da reforma política, cuja a cláusula de barreira prevê o mínimo de 1,5% dos votos válidos, em todo o País, para o partido continuar a receber fundo partidário e outras benesses.

MESMO SACO
Joesley superou a extensão da corrupção confessada por Marcelo Odebrecht. Mas, ao contrário dono da JBS, este continua preso.
Herculano
21/05/2017 09:02
EH BOI, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

Estava no meio de um artigo sobre a conversa com Deltan Dallagnol no Teatro do Leblon, a respeito dos livros que publicamos. Mandei o artigo para o espaço. Durante muitos anos trabalhei, no Congresso, para proibir bombas de fragmentação. Elas ficam no terreno, às vezes parecem um brinquedo e, de repente, bum: explodem. Nesse terreno minado, no entanto, a JBS nunca me enganou. Faz alguns anos que a menciono em artigos. Ela recebia muito dinheiro do BNDES. E doava também muito dinheiro para as campanhas políticas. O PT levava a maior parte, mas não era o único.

A Polícia Federal já estava no rastro, investigando suas fontes de renda, BNDES, FGTS, todos esses lugares onde o dinheiro público flui para o bolso dos empresários. Assim como no caso da Odebrecht, as relações com o mundo político eram muito amplas. Elas são suficientes para nos jogar, pelo menos agora, numa rota de incertezas.

Temer foi para o espaço, Aécio foi para o espaço, embora este já estivesse incandescente, como aqueles mísseis da Coreia do Norte no momento do voo. O PT e Lula já sobrevoam o mar do Japão. Tudo isso acontece num momento em que há sinais de uma tímida recuperação econômica. Como navegar nesses mares em que é preciso desmantelar o grande esquema de corrupção e não se pode perder o foco nos 14 milhões de desempregados?

Escrevo de noite, num quarto de hotel, não me sinto capaz de formular todos os passos da saída. Mantenho apenas o que disse no Teatro do Leblon: a história não recomeça do zero, haverá mortos, fraturas expostas, ferimentos leves, algo deve restar para receber a renovação que, acredito, virá em 2018. E até lá? Não creio que se deva inventar nada fora da Constituição. Mas será tudo muito difícil. Mesmo porque, em caso de necessidade, a Constituição pode ser legalmente emendada.

No Teatro do Leblon, ainda no meio da semana, não quis fazer considerações finais. Não há ponto final, dizia. As coisas ainda estão se desenrolando num ritmo alucinante. O sistema político no Brasil entrou em colapso. Isso já era uma realidade para muitos, agora deve se tornar um consenso nacional. A sociedade terá um papel decisivo, pois deve preparar uma renovação e simultaneamente monitorar os ritos fúnebres do velho sistema. A grande questão: que caminho será o menos traumático para uma economia combalida?

No meio dos anos 1980 já existia uma forte discussão a respeito de partidos políticos. Não seriam uma forma de organização condenada? Discutia-se isso também em outros países. Partido ou movimento, o que é melhor para reunir as pessoas?

A discussão na França, creio, deve ter influenciado, anos depois, a eleição de Macron, agora em 2017. Ele estava à frente de um movimento, mas precisará dos partidos para governar. As fórmulas da renovação política trazem inúmeras possibilidades. Talvez seja difícil falar delas com tantos obstáculos a curto prazo no universo político.

No momento em que escrevo há surpresas, eletricidade, sensação. Só há clima talvez para se discutirem as medidas mais imediatas. O processo de redemocratização no Brasil chegou a um impasse. Precisa de um novo fôlego, algo que, guardadas as proporções, traga de novo as esperanças despertadas pelo fim do longo período ditatorial.

Foi um longo processo de degradação. As últimas bombas que ainda estão espalhadas pelo terreno ainda podem explodir. Mas a explosão de cada uma delas deve ser celebrada.

A corrupção, apesar das recusas da esquerda em reconhecer sua importância, tornou-se o grande obstáculo para o crescimento do país. Não vamos nos livrar totalmente dela. Há um longo caminho para fortalecer a estrutura das leis, desenvolver uma luta no campo cultural ?" onde as transformações são mais lentas ?" e sinceramente mostrar às pessoas que é razoável que estejam surpresas com tantas revelações escabrosas. Mas um pouco mais de atenção já teria detectado o escândalo na fonte, nas relações da JBS com o BNDES, na sua ampla influência nas eleições. Até que ponto tanta surpresa seria possível num universo não só com um pouco mais de transparência, mas também com menos ingenuidade?

O tom de prosperidade, crescimento, projeção internacional ajudou a JBS a dourar a pílula, mesma fórmula de Cabral para encobrir seus crimes.

Nos dias anteriores ao escândalo da JBS, a presidente do BNDES ainda achava estranhas as notícias de corrupção no banco e anunciava que iria apurar as irregularidades na gestão anterior.

E falamos delas há anos. Se essa gente insiste tanto em nos infantilizar é porque, ao longo desse tempo, a tática se mostrou eficaz.

A vigilância pode nos libertar dela, embora sempre vá existir um grupo numeroso que vê nas denúncias contra seus líderes uma conspiração diabólica. Esses, entregamos a Deus, sua viagem é basicamente religiosa
Herculano
21/05/2017 08:57
É HORA DE TIRAR O CóDIGO DE BARRAS DA DEMOCRACIA, por Josias de Souza

Antigamente, o Brasil era um país de corruptos sem corruptores. Hoje, com o advento da delação premiada, virou uma nação de corruptores sem corruptos. Roçando as grades de Curitiba, Lula não sabia de nada. Recém-chegada ao pântano, Dilma continua estalando de pureza moral. Com a reputação reduzida à soma de palavrões que inspira nos botecos, Aécio é a virtude que terceirizou o xadrez à irmã. Ao jurar que não fez nada, Temer tornou-se um revolucionário do léxico, provando que nada é uma palavra que ultrapassa tudo.

Tanta inocência eliminou até o benefício da dúvida. Aos olhos da opinião pública, os políticos agora são culpados até prova em contrário. Se perdem o mandato e o foro privilegiado, como Eduardo Cunha, vão em cana como prova em contrário. Desde março de 2014, quando a Operação Lava Jato começou, a banda dinheirista da política cultiva a ilusão de que a sangria será estancada. Para o bem da nação, deu-se o oposto. A política virou uma atividade hemorrágica.

A má notícia é que o sistema político morreu. O comportamento de risco e a tendência à autodesmoralização levaram o modelo ao suicídio. A boa notícia é que a morte pode ser um enorme despertar. Num instante em que a faxina invade os salões do Palácio do Jaburu, fica claro que o país necessita de um movimento que acabe com o suborno, o acobertamento, o compadrio, o patrimonialismo? Em suma, precisa-se de uma articulação qualquer que acabe com os valores mais tradicionais da política brasileira.

O primeiro passo é eliminar dos costumes nacionais a praga do quase. A higienização quase foi alcançada quando as ruas escorraçaram Collor do poder. A assepsia quase foi obtida quando cassaram-se os mandatos de meia dúzia de anões do Orçamento. A purificação quase chegou quando o Supremo Tribunal Federal mandou para a cadeia a turma do mensalão. Temer é uma evidência de que o impeachment de Dilma não eliminou a síndrome do quase. Chegou a hora de levar a faxina às últimas consequências.

Neste sábado, Temer discursou por 12 minutos para informar ao país que Joesley Batista, seu ex-amigo do Grupo JBS, não vale nada. Depois de limpar os cofres do BNDES nos governos Lula e Dilma, armou uma delação fraudulenta para produzir turbulência econômica capaz de lhe propiciar lucros extraordinários comprando dólares na baixa e vendendo ações na alta. Quer dizer: para Temer, Joesley é um patife. E não será a plateia que irá discutir com um especialista. Melhor passar a Presidência de Temer no detergente e seguir em frente.

A honestidade é como a gravidez. Nenhuma mulher pode estar um pouquinho grávida, como não pode haver governo um pouco honesto, com oito ministros investigados e um presidente que confraterniza com corruptos no palácio residencial. A esse ponto chegamos: o Brasil terá de cair para que Temer se mantenha no cargo de presidente. Só a desmoralização nacional salva Temer.

A velha sacada do Churchill ensina que a democracia é o pior regime possível com exceção de todos os outros. Mas no Brasil os políticos parecem eternamente engajados num esforço para implementar as alternativas piores. De erro em erro, chegou-se à cleptocracia atual. É chegada a hora de arrancar o código de barras da democracia brasileira. A entrada do processo é a saída de Temer. O limite é a Constituição. O desafio é encontrar um nome capaz de gerir um programa mínimo e zelar pelo calendário eleitoral de 2018.
Herculano
21/05/2017 08:55
PENSANDO BEM. RAIMUNDO COLOMBO APLICOU O GOLPE DO BILHETE PREMIADO E ESTÁ FULO DA VIDA PORQUE AS VÍTIMAS REVELARAM A SACANAGEM, LOGO ELE, QUE SEMPRE POSOU DE SANTO E POUCO GOVERNOU PARA OS CATARINENSES

O noticiário policial nas rádios, e até com menos frequência em tevês e jornais, relatam-nos que pessoas ingênuas, mas mesmo muitas vezes esclarecidas, são levadas ao golpe do bilhete premiado.

Eu mesmo já presenciei um jovem empreendedor, esclarecido, com fama de esperto, trocar reais bons, por igual volume de dólares todos falsos.

Volto. O grupo do bilhete premiado é feito por grupos de estelionatários, de forma articulada, que só obtém sucesso, diante da ganância do engando, que se arrisca em perder o pouco possui ou a economia que fez por longo tempo de sacrifício.

O governador Raimundo Colombo, PSD, e seu grupo de apoio no governo e nos partidos que lhe apoiam fizeram o mesmo em pelo menos três ocasiões: duas vezes na extorsão com a Odebrechet e vejam só, uma vez com a JBS.

Ofereceram uma das jóias da coroa pública catarinense e passível de ser privatizada, a Casan. A Casan é dos catarinenses, que a sustentam, a capitalizaram, a pagam no seu serviço.

Colombo, para obter dinheiro lícitio, e principalmente ilícito para a sua cam panha a governador, ofereceu ou acenou a pedido, com a possibilidade de privatização dela. E estabeleceu um pedágio para favorecer no leilão que montaria.

Recebeu o sinal, a doação legal e a propina, mas nada vez. No caso da Odebrechet, teve o desplante, a cara de pau, de aplicar o golpe pela segunda vez. E a esperta Odebrechet, assinou o recibo de otária.

Agora, o PSD, os do poder e Colombo estão brabos e negam, mesmo diante de tantas evidências e provas. Parte da culpa é da imprensa, que no tempo da RBS, fechou os olhos para o jornalismo investigativo, para sobreviver das polpudas verbas públicas do governo do estado.

Agora, depois de raspar o tacho e com as descobertas, a RBS se retirou da terra arrasada, onde nunca teve compromisso social com os catarinenses.
Herculano
21/05/2017 08:36
FORA, TEMER. OK, MAS PARA COLOCAR QUEM? por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Há um ano, quando a rua gritava "Fora, Dilma", sabia-se que para o seu lugar iria o vice-presidente, Michel Temer. Ele apresentou-se ao país propondo um governo de união nacional e tornou-se um campeão de impopularidade. Prometeu um ministério de notáveis, cercou-se de suspeitos e perdeu dois ministros (Romero Jucá e Geddel Vieira Lima) por flagrantes malfeitorias.

Pode-se não gostar de Temer, mas o doutor chegou à cadeira pelas regras do livrinho. Agora grita-se "Fora, Temer", mas não se pode saber quem irá para o lugar. Pela Constituição, o novo doutor seria eleito indiretamente pelos senadores e deputados. Basta que se ouçam as conversas de Temer, Aécio Neves (presidente do PSDB) e Romero Jucá (presidente do PMDB), grampeadas por Joesley Batista e Sérgio Machado, para ver que, sem a influência da opinião pública, daquele mato não sai coisa boa.

Por isso é útil que se exponham logo nomes de doutores e doutoras que poderiam substituí-lo. Todos dirão que não querem, mas, olhando-se para trás, só houve um caso de cidadão que chegou ao poder sem ter pedido apoio a quem quer que seja. Foi o general Emilio Garrastazu Médici, em 1969. Ele chegou a afrontar o sacro colégio de generais, abandonando a sala do consistório, mas essa é outra história. Todos queriam, cabalando com maior ou menor intensidade. Estão frescas na memória nacional as maquinações de Temer para desalojar Dilma Rousseff.

Se Temer desistir, se o Tribunal Superior Eleitoral resolver dispensá-lo ou se um doloroso processo de impedimento vier a defenestrá-lo, a pergunta essencial ficará no mesmo lugar: Quem? E para quê?

A principal obrigação do governo Temer e de seu eventual sucessor será o respeito ao calendário eleitoral que manda escolher um novo presidente em 2018. Itamar Franco foi o único presidente que assumiu depois de um impedimento e honrou o calendário. Café Filho tentou melar a eleição de 1955 e foi mandado embora. No dia 11 de abril de 1964, quando o marechal Castello Branco foi eleito pelo Congresso, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, os principais candidatos, acreditavam que disputariam a eleição de 1965. O próprio Castello também acreditava. Nada feito. Os brasileiros só escolheram um presidente pelo voto direto 25 anos depois.

A maluquice do salto em direção ao nada já arruinou a vida nacional duas vezes. Em 1961 e em 1969 os ministros militares, nas versões 1.0 e 2.0 dos Três Patetas, decidiram impedir as posses do vice-presidente João Goulart e de Pedro Aleixo. Nos dois casos havia o motor da anarquia dos quartéis. Hoje essa carta está fora do baralho, mas a anarquia civil está de bom tamanho. A pergunta essencial é a mesma: Quem?

Vale a pena colocar na vitrine cinco nomes que já estão na roda. Aqui vão eles, por ordem alfabética.

Cármen Lúcia

A presidente do Supremo Tribunal Federal ecoa, com diferenças substanciais, o modelo de José Linhares. Ele presidia o STF em 1945 quando os generais derrubaram Getúlio Vargas e colocaram-no no palácio do Catete. Ficou três meses no poder, tempo suficiente para realizar eleições que já estavam marcadas e empossar o presidente eleito, marechal Eurico Dutra. De sua passagem pelo cargo ficou apenas a lembrança da nomeação de extensa parentela.

Chamada de "Madre Superiora" pelos admiradores da Lava Jato, Cármen Lúcia é vista como bruxa pelas vítimas da faxina.

Gilmar Mendes

Outro ministro do STF e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, faz contraponto com Cármen Lúcia. É o magistrado com maior rede de amigos no Congresso e maior desenvoltura no meio político. Sua decisão monocrática revogando a prisão preventiva do empresário Eike Batista levou-o a um choque frontal com o Procurador-Geral da República.

Nelson Jobim

Ministro da Defesa de Lula e da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, Jobim passou nove anos no Supremo Tribunal Federal e dez no Congresso. É o híbrido perfeito. Em 2016 tornou-se sócio e conselheiro do banco BTG Pactual, cujo controlador foi preso pela Lava Jato. Seu nome está na roda desde o final do ano passado.

Rodrigo Maia

Caso Temer seja afastado pelo TSE ou resolva ir embora, o presidente da Câmara dos Deputados assumiria por algumas semanas, até a realização da eleição indireta. Os grampos de Joesley deram impulso ao seu nome, na hipótese da eleição, como um dos expoentes da vontade parlamentar. Está arrolado num inquérito da Lava Jato que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Tasso Jereissati

Com o afastamento de Aécio Neves, o senador assumiu pela segunda vez a presidência do PSDB. Por três vezes foi governador do Ceará e é um expoente do tucanato. Está na difícil situação de presidir um partido que se equilibra no muro, com uma facção defendendo um voo para longe de Michel Temer.


PERIQUITO

Há sinais de que um advogado do banqueiro André Esteves (BTG Pactual) está conversando com representantes do Ministério Público. Coisa preliminar.

OSCAR WILDE AVISOU

Henrique Meirelles é um frio administrador da própria audácia. Quando diversos barões da economia recusaram convites para colaborar com o governo de Lula, ele arriscou e aceitou a presidência do Banco Central. Deu-se bem e hoje é o sonho de consumo do mercado para a sucessão de Temer.

Em 2012, aos 67 anos, tendo amealhado um patrimônio pessoal e profissional, aceitou convite de Joesley Batista e assumiu a presidência do conselho da holding que controla a JBS. Desligou-se do grupo em 2016. Numa conversa com Temer, Batista refere-se a ele como se falasse de um vaqueiro de suas fazendas.

Meirelles esqueceu-se do famoso conselho de Oscar Wilde: "As primeiras impressões estão sempre certas".

BOLSA 5ª AVENIDA

Joesley Batista aperfeiçoou a Bolsa Angra. Acertou-se com o Ministério Público e está em Nova York.

IOLANDA

O uso do nome de Iolanda nas mensagens de Dilma Rousseff para a marqueteira Mônica Moura foi associado à lembrança da mulher do marechal Costa e Silva, que presidiu Pindorama de 1967 a 1969.

Iolanda Costa e Silva gostava de um luxo, era meio brega e pegou má fama.

As coisas nem sempre são como parecem. Durante o governo de José Sarney, morando no Rio, ela lhe telefonou, pedindo para ser recebida no Planalto. Sarney, solícito, perguntou-lhe a que horas ela desembarcaria, para que alguém fosse buscá-la no aeroporto.

Iolanda respondeu que não sabia, pois viajaria de ônibus.

TRÊS MOSQUETEIROS

Pela frequência com que conversam, formou-se um trio no Supremo Tribunal Federal: a presidente Cármen Lúcia, o ministro Edson Fachin e o procurador-geral Rodrigo Janot.

ATLÂNTICA 2.016

Na quinta-feira, a Polícia Federal foi buscar Andrea Neves no apartamento 801 do número 2.016 da avenida Atlântica. Ela não estava, mas a cena contou um pedaço da história do Brasil.

Hoje o prédio chama-se "Tancredo Neves", em homenagem ao avô de Andrea, primeiro morador do imóvel.

Antes, o edifício chamava-se "Golden State" ou "São Dimas" para as víboras. Dimas foi o Bom Ladrão, crucificado no monte Calvário.

Os apartamentos, com 650 metros quadrados, foram financiados pela Caixa Econômica, numa época em que as dívidas não eram corrigidas pela inflação.

Em tempo: Tancredo sabia viver, mas era um homem frugal.

BÁLSAMO

Para quem está desconfortável com a ferocidade das antipatias políticas por Temers e Trumps, chegou às livrarias um conforto para a alma. É "O Amigo Alemão" e conta uma história de galanteria no maior e mais legítimo cenário para os ódios: a Segunda Guerra Mundial.

Em 1943, o piloto americano Charlie Brown bombardeou a região alemã de Bremen e foi atingido e perseguido por Franz Stigler, que pilotava um caça. O B-17 de Brown ficou em petição de miséria e, para sua surpresa, em vez de derrubá-lo, o caça alemão escoltou-o durante dez minutos até as proximidades da costa inglesa, balançou as asas e foi-se embora.

O americano não contou o que aconteceu, pois não havia alemão bom, e o alemão ficou em copas porque não se poupa bombardeiro inimigo.

Anos depois, descobriram-se, encontraram-se e ficaram amigos. Ambos morreram em 2008.
Herculano
21/05/2017 08:15
PSDB, DEM E PPS OPTAM: OU GOVERNO OU SUICÍDIO COM APOIO DA GLOBO, por Reinaldo Azevedo, de Veja.

Representantes do PSDB, do DEM e do PPS se reúnem neste domingo para definir se as legendas continuam ou não no governo. Na verdade, leio de outro modo: esses partidos vão decidir se merecem existir ou não. O PPS, na prática, já caiu fora. Roberto Freire entregou o Ministério da Cultura antes mesmo de saber que diabos havia na fita. Ironia: às vezes, sinto certa nostalgia dos tempos em que esquerdistas não acreditavam em tudo "o que sai na mídia"?

Caso decidam desembarcar, devem, em seguida, perguntar às Organizações Globo que rumo tomar. Hão de aderir imediatamente à tese da deposição do presidente ?" o golpe de Janot -, com a outorga do cargo a Cármen Lúcia, ou há espaço para algum fingimento antes de cair na farra?

Tomo por indecente, por imoral, por asquerosa a defesa da saída de Temer depois de tudo o que se sabe. Um ex-braço-direito de Rodrigo Janot é hoje um dos homens dos Irmãos Batista (ainda volto ao ponto). Está na cara que a operação toda é ilegal, uma vez que foi urdida nos porões do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Retomo o assunto nos próximos posts.

Gosto de Roberto Freire, mas seu PPS, volta e meia, sofre de chiliques moralistas. Pode estar aí a sua dificuldade de crescer. O DEM, que quase foi levado à extinção pelo PT, vai dizer se aprendeu alguma coisa ou se merece mesmo chegar ao fim. Quanto ao PSDB? Bem, meus caros, não é exatamente uma legenda, hoje em dia, cuja reputação seja tisnada por Michel Temer. É bom que se pergunte, convenham, se não tem sua parcela de responsabilidade na baixa popularidade do governo.

Confesso que fiquei um tanto chocado com a rapidez com que Bruno Araújo resolveu entregar a pasta das Cidades. Sabem por quê? O tucano de Pernambuco é acusado pelo Ministério Público Federal, e o inquérito já foi aceito, de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Não obstante, dois delatores da Odebrecht deixaram claro que lhe repassaram, sim, dinheiro pelo caixa dois, mas que não houve contrapartida. Bruno deveria ser mais cuidadoso e menos ligeiro nessas matérias. Se pensa que abandonar o governo contribui para a sua reputação, está cometendo um erro adicional. Isso vale, aliás, para o conjunto dos tucanos.

Que decisão essas legendas vão tomar? Depois de tudo o que se sabe sobre a tramoia envolvendo os irmãos Batista, é indecente a simples reunião para saber se ficam no governo ou se dão no pé.

Caso escolham a segunda opção, não merecem existir como legenda porque a covardia não pode ser um norte de ninguém sob o pretexto de defender a moralidade.
Herculano
21/05/2017 08:11
TENSÃO ENTRE PODERES É NORMAL NOS REGIMES CONSTITUCIONAIS, por Oscar Vilhena Vieira, no jornal Folha de S. Paulo

É da natureza dos regimes constitucionais uma certa tensão entre os Poderes. Afinal, se a principal função da separação de Poderes é estabelecer um sistema de controle recíproco entre as esferas, a tensão é antes a regra do que a exceção.

Em tempo de crise, no entanto, essa tensão pode degenerar em conflitos e cruas disputas institucionais.

A decisão de afastar o senador Aécio Neves, tomada pelo ministro Edson Fachin, poderá gerar um novo embate entre o Supremo e o Senado. Juridicamente o afastamento de um senador pelo STF não é uma questão trivial, pois não há um dispositivo claro na Constituição a autorizar essa medida.

No caso de Eduardo Cunha, o Supremo decidiu, pela unanimidade de seus ministros, que estava dentro de sua competência cautelar afastar o parlamentar, pois ele não apenas estava obstruindo a Justiça como também estava impedindo o adequado funcionamento da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, que o investigava.

Essa competência de tomar medidas cautelares, que visam proteger o bom andamento do processo judicial, seria uma consequência necessária da competência do Supremo de processar os membros do Legislativo, sem a necessidade de prévia autorização do Parlamento, conforme disposto pelo artigo 53, parágrafo 1º da Constituição.

A única limitação imposta ao poder cautelar do Supremo seria a decretação da prisão. Essa somente poderia ser imposta em caso de flagrante delito de crimes inafiançáveis. Mesmo nesses casos, os autos devem ser enviados à Casa à qual pertencer o parlamentar preso, para que ele decida se mantém ou não a prisão.

Em parte, foi o que ocorreu com o senador Delcídio do Amaral, preso em flagrante por determinação do Supremo. O calcanhar de Aquiles desse precedente é que não se tratava de crime inafiançável.

Aécio certamente irá contestar a suspensão do mandato imposta pelo STF. Há espaço argumentativo para isso. Poderá, também, questionar o ato de Fachin junto ao próprio Supremo. Distintamente do caso de Cunha, a medida de afastamento não foi referendada pelo pleno do Tribunal. Isso pode fragilizá-la. Até porque nada garante que, se submetida ao plenário, irá prevalecer.

O Senado certamente irá avaliar politicamente se o caso de Aécio constitui a melhor ocasião para tentar lutar por suas prerrogativas. Se resolver enfrentar a decisão de Fachin, é garantido que teremos mais turbulência nos próximos dias.
Herculano
21/05/2017 08:07
SURGE UM CANDIDATO BANDIDO DE EXTENSO CURRICULO E CONTROVÉRSIAS PARA SUPERAR A CRISE RAPIDAMENTE NO BRASIL: RENAN CALHEIROS, PMDB AL. ELE DESAFIA, COMO OUTROS, OS BRASILEIROS PORQUE SABE QUE A MAIORIA É ANALFABETA, IGNORANTE, DESINFORMADA E AMEDRONTADA.

CRIMINOSOS SUGADORES DOS PESADOS IMPOSTOS QUE FALTAM À SAÚDE, SEGURANÇA, ASSISTÊNCIA, OBRAS E SOBRAM AO MUNDO DA CORRUPÇÃO DOS MESMOS POLÍTICOS QUE ROUBAM A ESPERANÇA DOS BRASILEIROS E DO O PAÍS HÁ SÉCULOS

Conteúdo Gazetaweb, de Alagoas, da família Calheiros. Texto de Lívia Leão. Líder do PMDB no Senado afirma que a nação brasileira não pode pagar pelos pecados de seus dirigentes

O senador Renan Calheiros (PMDB) utilizou o perfil nas redes sociais para afirmar que a nação brasileira não pode pagar pelos pecados dos dirigentes. O país vive um cenário preocupante após, segundo o jornal "O Globo", um dos donos do grupo JBS, Joesley Batista, afirmar em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que, em março deste ano, gravou o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O líder da bancada do PMDB no Senado defende que nada poderá comprometer os esforços na busca de alternativas para que o país mantenha as instituições funcionando e defende que o Brasil precisa superar a crise política que atravessa. Além disso, o senador diz que é preciso respeitar a Constituição Federal e buscar saídas "para o grave impasse que imobiliza e ameaça o país há 3 anos".?

Confira na íntegra a publicação de Renan Calheiros:

O Brasil mantem solidez democrática e as instituições estão funcionando. As crises (a atual é política e muito grave) são pedagógicas. Elas forçam o engenho na busca de alternativas para que a Nação não purgue pelos pecados de seus dirigentes. Mas ela não pode - e não irá - comprometer os esforços para superar nossos problemas.

?Ninguém está acima da lei e todos estão sujeitos a investigações. Mas, em tempos assinalados pela instabilidade e excessos, só encontraremos estabilidade se nos devotarmos à Constituição Federal em todos seus artigos.

Nos últimos tempos, em nome de interesses (muito confessos), usurparam-se competências do Congresso com anistias indefensáveis; afastaram-se integrantes do Parlamento com liminares; lavou-se dinheiro público roubado; prendeu-se para delatar; sugeriram-se advogados para conduzir narrativas inverossímeis; procederam-se coercitivas desnecessárias; generalizaram-se culpas e julgou-se sem crime.

O que a sociedade quer de todos nós é a construção de um novo consenso. Uma agenda alternativa mais ampla, que reverta as expectativas negativas tanto na economia quanto na política.

No presidencialismo, o chefe do Executivo precisa exercer esse protagonismo enquanto há tempo.

Não bastam cobranças. O silêncio complacente de vários atores da vida nacional ( instituições, trabalhadores, empresários, políticos, veículos de comunicação) não ajuda.

O erro dos governos recentes - e por isso se desgastaram rapidamente - foi não ter exercido protagonismo na solução de saídas para o grave impasse que imobiliza e ameaça o país há 3 anos.? Precisamos superar essa crise rapidamente em nome da esperança e do futuro.

Renan Calheiros, Líder do PMDB no Senado
Herculano
21/05/2017 07:54
IDEAIS LUCRATIVOS, por Carlos Brickmann

Primeiro, Michel Temer errou ao dar conversa demais a um cavalheiro que sempre usou a política para abrir portas. Segundo, erramos nós, jornalistas, que demos crédito a uma transcrição de gravação que não era fiel à gravação, mas lhe atribuía um viés (inexistente) anti-Temer. Com a sucessão de erros, o país mergulhou numa crise em que não se vê saída.

E, já que falamos de quem errou, falemos também de quem acertou e lucrou com a crise. A gravação da conversa de Joesley Batista com Temer foi feita uma semana depois que a Operação Carne Fraca revelou que o império JBS era investigado. O império contra-atacou, armando a delação premiada. Ainda aproveitou para lucrar com isso: vendeu pouco mais de R$ 300 milhões em ações, sabendo que o preço desabaria com a confissão de irregularidades - na quinta-feira, 18, a queda foi de 9,68%. E comprou grande quantidade de dólares (algo como US$ 1 bilhão, segundo o jornal Valor Econômico). Com o presidente da República em xeque, o dólar subiria. Subiu 17% - ampliando o lucro da delação em US$ 170 milhões.

Como ensinou um intelectual de gênio, Millôr Fernandes, "desconfie de todo idealista que lucre com seu ideal". Mas o lucro não parou por aí: com a delação premiada, Joesley Batista ganhou o direito de morar nos Estados Unidos, num excelente apartamento, sem tornozeleiras, sem nada. Multa? Foram R$ 250 milhões, menos que o lucro com a compra dos dólares. E só.

MAL COMPRADO

Nas operações conduzidas por Curitiba, quem confessou seus crimes em delação premiada foi menos beneficiado. Marcelo Odebrecht, que acusou tanta gente, pegou dois anos e meio de prisão em regime fechado (que terminam no fim deste ano), e cumprirá o restante dos dez anos da pena em regime semiaberto e aberto. Joesley e seus principais executivos, morando nos EUA, simplesmente transferem o comando do grupo para lá.

Fernando Albrecht, ótimo colunista gaúcho, lembra que o primeiro delator premiado da História do Brasil foi Joaquim Silvério dos Reis, que entregou Tiradentes e demais companheiros de Inconfidência Mineira, recebeu em troca o perdão das dívidas com a Coroa. E ficou 11 anos e meio em regime fechado, na Ilha das Cobras, Rio.

SOBRA PARA TODOS

O primeiro a ser atingido pela delação premiada da JBS foi Temer (que, entretanto, tem margem para se defender, já que na gravação não há nada explícito recomendando atos fora da lei); o mesmo tiro acertou Aécio Neves, que logo renunciou à presidência nacional do PSDB, e sua irmã Andréia Neves, que foi presa. Fala-se que é a maior das delações, superando a da Odebrecht, e atinge gente importante da maioria dos partidos. Pois é: citando de novo o ótimo Millôr Fernandes, "os corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil".

ONDE ESTÁ A SAÍDA? FICAR

Agora, que é que pode acontecer? Com o Governo, duas possibilidades: sai ou fica. Fica em uma de duas situações: ou convence boa parte do eleitorado de que as frases de Temer não tiveram o significado que lhes foi atribuído inicialmente e consegue arrostar a fúria da oposição, até hoje sedenta de vingança pela expulsão de Dilma, ou não é convincente, mas se mantém na base do "falta pouco tempo", ou "neste Congresso em que há tantos suspeitos, quem elegerá o novo presidente", tudo acompanhado de generosa oferta de cargos e privilégios. Nesse caso, será o que nos EUA chamam de "lame duck", um pato manco, que preside mas não governa.

ONDE ESTÁ A SAÍDA? CAIR

Temer pode se sentir fragilizado, ou ser abandonado por seus colegas de Governo, e renunciar. Mas há um problema: perde o foro privilegiado e exposto ao juiz Sérgio Moro. Ou o TSE pode cassar o registro da chapa Dilma-Temer, por abuso de poder econômico e político. Nos dois casos, como não há vice, o Congresso tem 30 dias para eleger indiretamente o substituto. Nesse prazo, assumiria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; ou, em sua ausência, o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Ambos, porém, têm problemas no Supremo, e podem ser impedidos de assumir. Assumiria então a presidente do Supremo, Carmen Lúcia. Temer também pode sair por impeachment, mas isso levaria praticamente um ano: o eleito governaria por seis meses, ou pouco mais. A ideia da eleição direta é inviável: aprovar uma emenda à Constituição, realizar a campanha e finalmente colher os votos é muita coisa para o prazo disponível.

TODO LADO!

Lembra do procurador da República Ângelo Goulart Vilela, que falou na Câmara sobre as virtudes das Dez Medidas Contra a Corrupção, propostas pelo Ministério Público Federal? Foi preso no dia 18, por suspeita de passar a Joesley Batista, do JBS, informações a respeito da investigação sobre ele.
Herculano
21/05/2017 07:45
TRÊS HOMENS E UM DESTINO, por Bernardo Mello Franco, no jornal Folha de S. Paulo.

"O presidente Michel sempre acreditou, e eu acho que o Eduardo e o Lúcio também sempre acreditou [sic], que eu era meio que obrigado a sustentá-los."

A queixa é de Joesley Batista, em depoimento à Lava Jato. Acostumado a pagar as contas de políticos de múltiplos partidos, ele admitiu ter se espantado com a gula do trio.

A delação do dono da JBS expôs as entranhas do grupo que tomou de assalto a Presidência da República. Está tudo lá: da roubalheira no Porto de Santos, antigo feudo de Temer, até a compra de deputados para instalar Cunha no comando da Câmara.

O terceiro elemento do grupo é o doleiro Lúcio Funaro. Ele escapou da cadeia no mensalão e permaneceu na ativa até o ano passado.

Joesley relatou que esteve com Temer "não menos de 20 vezes". Disse que os pedidos de propina se estenderam de 2010 até dois meses atrás. Num episódio, afirmou que o então vice-presidente pediu R$ 300 mil para recauchutar a imagem às vésperas do impeachment. Temer era chamado de "golpista" e queria se defender com vídeos na internet.

O dono da JBS disse que entregou o dinheiro ao marqueteiro Elsinho Mouco. Ele confirmou o encontro, mas se esqueceu de mencionar o repasse. Virou candidato a uma delação capaz de fazer com o PMDB o que João Santana fez com o PT.

Na conversa gravada no Jaburu, Temer instrui Joesley a tratar de seus interesses no governo com Rodrigo Rocha Loures, que tinha acesso livre ao gabinete presidencial. Depois da reunião, a PF filmou o aspone recebendo R$ 500 mil em propina.

Os três personagens citados no início da coluna foram obrigados a se separar. Hoje Cunha está preso na região metropolitana de Curitiba. Funaro foi recolhido a uma cela da Papuda, em Brasília. Temer é investigado no STF por suspeita de corrupção, organização criminosa (antigo crime de quadrilha) e obstrução da Justiça. No fim da semana, ainda podia ser encontrado no Palácio do Planalto.
Herculano
21/05/2017 07:39
OU O PAÍS CEDE A TERROR JURÍDICO OU SE SUBMETE AO ESTADO DE DIREITO, por Reinaldo Azevedo, de Veja

Não estamos diante de nada fabuloso, que não possa ser interpretado. A questão, no fim das contas, é simples: ou o Brasil cede ao terror jurídico, podendo pedir música no "Fantástico", ou se subordina ao estado de direito, que é e será sempre a minha opção.

A Cármen Lúcia candidata indireta, que se move nas sombras, não me interessa. Nem à democracia. Até porque sei como são essas coisas. Depois ela tentaria ser a candidata das diretas? Mas nem me perco, agora (e não que não volte a ele), nesse mundo do "torresmin com Vade Mecum". Quero tratar de outro assunto.

A gravação clandestina que Joesley (desculpo-me pelas vezes em que meu otimismo grafou "JoeslAy) fez da conversa com o presidente, como alertei aqui desde o começo, era, no mínimo, criminosa. A Justiça brasileira, no que é sábia, aceita que tal procedimento sirva para evidenciar a inocência de alguém ou preservar um direito sob ataque. E só. Não pode ser instrumento de acusação.

Assim, Edson Fachin, ministro do Supremo, deveria ter descartado tal elemento desde sempre, em vez de se ancorar nele para determinar a abertura de inquérito, acrescentando a argumentação infame de que os depoimentos da delação o endossavam.

Insista-se: a gravação seria ilegal ainda que não fizesse parte de um ardil envolvendo membros do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Sendo como é, não resta dúvida: um crime grave foi cometido, sim. Mas não por Michel Temer.
Sidnei Luis Reinert
20/05/2017 20:33
Nenhum "vermelho" compareceu... e pelo jeito fui o único belchiorense que saiu na foto com ele! FFAA já!



Assista ao discurso de Jair Bolsonaro em Blumenau -

Cerca de três mil pessoas compareceram a Vila Germânica nesta sexta-feira (19) para ouvir um possível candidato a presidência comentar política?


http://farolblumenau.com/2017/05/assista-ao-discurso-de-jair-bolsonaro-em-blumenau/
Herculano
20/05/2017 17:55
JBS DIZ QUE "NÃO HÁ CHANCE" DE EDIÇÃO EM GRAVAÇÃO DE TEMER

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo.Texto de Camila Turtelli. A J&F (holding que controla a JBS) afirmou em nota neste sábado, 20, que o empresário Joesley Batista entregou para a Procuradoria-Geral da República a íntegra da gravação da conversa do executivo com o presidente Michel Temer (PMDB) e 'todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado'. O Grupo reitera que 'não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção'.

A J&F afirmou que seria impossível expor corrupção sem que pessoas que cometeram ilícitos admitissem os fatos e informassem como e com quem agiram, fornecendo indícios e provas. Em nota divulgada após o pronunciamento do presidente Michel Temer, a holding presidida por Joesley Batista afirmou que considera fundamental ressaltar a importância do mecanismo da colaboração premiada, "que está permitindo que o Brasil mude para melhor". O texto é uma respostas às notícias e comentários que questionam o grau de punição aos irmãos Batistas e aqueles que também contestam a veracidade dos áudios divulgados.

A empresa diz ainda que a colaboração de Joesley Batista e mais seis pessoas é "muito diferente de todas que já foram feitas até aqui". Ela afirma, que além da utilização de ação controlada, com autorização judicial, houve vastos depoimentos, subsidiados por documentos, que esclarecem o modus operandi do cerne do sistema político brasileiro.

"Quanto mais sólida e forte uma delação, maiores os graus de exposição e desgaste dos delatores. No caso dos sete executivos, eles assumiram e ainda assumem um enorme risco pessoal, com ameaças à sua vida e à segurança da sua família", afirma a J&F. "A possibilidade de premiação excepcional para uma colaboração igualmente excepcional é de grande importância para o êxito do mecanismo da colaboração premiada".
Herculano
20/05/2017 17:45
UM JOGADOR QUE, ATÉ AGORA, GANHOU TODAS AS APOSTAS, por José Casado, no jornal O Globo.

Michel Temer passou o dia no Palácio do Planalto dando vazão à sua incredulidade diante da rápida desintegração do seu governo. Estava a milhares de quilômetros de distância do seu algoz, Joesley Batista, principal acionista do conglomerado agroindustrial JBS, maior exportador mundial de proteína animal.

Temer, um político que atravessou mais da metade dos 71 anos de vida escapando de armadilhas, acabou emboscado pelo empresário bilionário de 45 anos de idade numa noite de março, em Brasília. O teor da conversa nada republicana sobre a Lava Jato, gravada por Batista na residência oficial, expôs Temer no centro de uma trama suspeita para obstrução da Justiça, levando o Supremo Tribunal Federal a determinar uma investigação criminal contra o presidente da República.

Temer não sabe como será o amanhã no poder, mas Batista encerrou a jornada com bons motivos para celebrar nos Estados Unidos, para onde migrou com permissão do Ministério Público Federal: multiplicou sua fortuna desde que grampeou o presidente, e aplainou o caminho para um acordo de leniência empresarial com plena imunidade para si e sua família. Ele e o irmão são protagonistas de cinco inquéritos criminais derivados da Lava Jato.

Joesley, como é conhecido, é essencialmente um apostador do mercado financeiro. Jogou e lucrou com a crise nas últimas dez semanas. Ganhou cerca de US$ 500 milhões no período em negócios de câmbio no mercado futuro, contam empresários, enquanto negociava um acordo com o Ministério Público.

Lucrou, também, cerca de US$ 100 milhões com discretas operações de venda de ações da JBS para a JBS, empresa sob controle da sua família (44% do capital) e que tem o BNDES e a Caixa Econômica Federal como acionistas minoritários. Juntos, os bancos estatais detêm um terço conglomerado agro-industrial.

Da sede de negócios em Nova York, no antigo edifício Seagram, joia da arquitetura que serviu de cenário para Audrey Hepburn no filme "Tiffany", Joesley vendeu ações na alta, compradas pelos acionistas minoritários da JBS ?" entre eles BNDES e Caixa ?", antes de detonar a crise institucional que está aí. Na última semana também intensificou operações de hedge (espécie de seguro cambial), como revelou ontem a coluna "Poder em Jogo", do GLOBO.

O apostador Joesley fez fama, no período 2006 a 2014, quando chegou a acumular lucros financeiros na proporção de cinco dólares para cada dólar de rentabilidade nas atividades agro-industriais da JBS. Sua principal "alavanca" era o dinheiro barato obtido nos bancos públicos a partir de estranhas transações com a oligarquia partidária do PT e ndo PMDB que atravessou os governos Lula, Dilma e Temer.

Ele ganhou todas as apostas. Por enquanto. Porque a ira de acionistas minoritários, que se julgam perdedores, tende a ser revertida em pressão sobre a Justiça, a comissão de valores, o BNDES e a Caixa para punir os acionistas, e não a empresa JBS, obrigando a família Batista a se retirar do controle do grupo.

Joesley mandou divulgar uma nota em que a JBS "pede desculpas aos brasileiros" e lembra que em outros países, como os EUA, onde vive, seus negócios continuam - "sem transgredir valores éticos", garante.
Herculano
20/05/2017 17:41
OLHANDO O PASSADO. ESTE COMENTÁRIO FOI PUBLICADO HÁ EXATAMENTE UM ANO: 20.05.2016. REFLITA

A DEMOCRACIA SONHADA PELO PT, por Ricardo Noblat, de O Globo

Nada muito diferente do que acontece em outros países latino-americanos. A Venezuela é um bom exemplo. Por sinal, uma vez Lula afirmou que preferia propaganda a notícias

O trecho que segue, extraído de uma das mais recentes resoluções aprovadas pelo comando nacional do PT, deixou perplexos chefes militares e políticos minimamente responsáveis (sim, eles existem, mas são poucos no Congresso):

"Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação".

É a confissão de um projeto golpista. Ou não é? Vejamos.

Onde se leu: "impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal", pode-se muito bem ler: controlar as ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que não são órgãos do governo, mas do Estado, dotados de autonomia garantida pela Constituição.

Onde se leu: "modificar os currículos das academias militares" e "promover oficiais com compromisso democrático e nacional", pode-se muito bem ler: adequar os currículos das academias militares à ideologia do PT, interferindo no sistema de promoção das Forças Armadas para beneficiar oficiais comprometidos com tal ideologia.

O mesmo tipo de interferência serviria no Itamaraty para "fortalecer" sua "ala mais avançada". Avançada no quê? Avançada em qual direção? Só poderia ser na direção julgada mais acertada pelo PT.

Por fim, onde se leu: "redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação", pode-se muito bem ler: reduzir os gastos do governo com propaganda nos chamados grandes veículos de comunicação, priorizando aqueles alinhados com o projeto do PT de se eternizar no poder. De certa forma, isso já vinha sendo feito.

Diga-se a favor do PT que ele jamais escondeu sua pretensão de "regular os meios comunicação", ou seja: de domesticá-los e de, com isso, limitar sua liberdade de informar e de criticar. Nada muito diferente do que acontece em outros países latino-americanos. A Venezuela "bolivariana" é um bom exemplo. Por sinal, uma vez Lula afirmou que preferia propaganda a notícias.

Mais uma vez a favor do PT, diga-se que o tratamento transparente conferido por ele a objetivos que se frustraram fará bem aos eleitores dispostos a conceder-lhe seu voto e àqueles igualmente dispostos a negar-lhe o seu. De resto, fará bem aos eleitores que votaram no PT apenas encantados com sua pregação por mais justiça social e mais democracia, sem se indagar sobre a natureza de tal democracia ao fim e ao cabo.
Herculano
20/05/2017 17:36
ALGUÉM TEM DÚVIDAS DE QUE O QUE ACONTECE NO CENÁRIO NACIONAL, NÃO ACONTECE NO CENÁRIO DE GASPAR E ILHOTA?

Não vou longe. Cito Blumenau.Raimundo Colombo, PSD, aquele que continua prefeito de Lages, mas conseguiu "vender" duas vezes a Casan para a Odebrechet, e não entregá-la, e uma fez para a JBS, e também não entregá-la.

Fez estelionato clássico, segundo contam os delatores a Polícia Federal, ao Ministério Público, à Justiça.

O governador Colombo, seu secretário Antonio Gavazoni e outros que o rodeiam, aplicaram o clássico golpe do bilhete premiado, em gente endinheirada, gananciosa, esperta e bandida, acostumada a levar vantagem com o dinheiro dos pesados impostos que pagamos ao estado, aos governos.

Explica-se a razão pela qual, Colombo se livrou do seu melhor amigo, que queria transformar o seu governo num governo estratégico, limpo e de resultados, Ubiratan Rezende, que acabou voltando para os Estados Unidos.

Santa Catarina, está envergonhada dos seus homens públicos. E eles estão em campanha. Fora todos.
Herculano
20/05/2017 17:23
EX-BRAÇO-DIREITO DE JANOT ATUA EM ESCRITóRIO QUE NEGOCIOU A LENIÊNCIA DA JBS, por Vera Magalhães, no jornal O Estado de S. Paulo

O ex-procurador da República Marcelo Miller, um dos principais braços-direitos de Rodrigo Janot no Grupo de Trabalho da Lava Jato até março deste ano, passou a atuar neste ano no escritório que negocia com a Procuradoria Geral da República os termos da leniência do grupo JBS, que fechou acordo de delação premiada na operação.

A decisão de Miller de deixar o Ministério Público Federal para migrar para a área privada, que pegou a todos no MPF de surpresa, veio a público em 6 de março, véspera da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer, gravada pelo empresário, no Palácio do Jaburu, que deu origem à delação.

Miller passou a atuar no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados, do Rio de Janeiro, contratado pela JBS para negociar a leniência, acordo na área cível complementar à delação.

O acordo de delação de Joesley e dos demais colaboradores da JBS é considerado inédito, seja pelo fato de ser a primeira vez que foi utilizado o instituto da ação controlada na Lava Jato, seja pelos termos vantajosos negociados pelos delatores ?" que não precisarão ficar presos, não usarão tornozeleira eletrônica, poderão continuar atuando nas empresas e teriam, inclusive, anistia nas demais investigações às quais respondem.

A leniência, inclusive os valores que serão pagos pela JBS no Brasil e no exterior, ainda está em negociação.

A íntegra do acordo, com seus termos lavrados e homologados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e as assinaturas, ainda não veio a público, apesar de o ministro Edson Fachin ter levantado o sigilo da delação da JBS.

Marcelo Miller era um dos mais duros procuradores do Grupo de Trabalho do Janot, um núcleo de procuadores especialistas em direito penal recrutado pelo procurador-geral em 2013 para atuar na Lava Jato. Ex-diplomata do Itamaraty e considerado um dos mais especializados membros do MPF em direito internacional e penal, Miller esteve à frente de delações como a do ex-diretor da Transpetro Sergio Machado e do ex-senador Delcidio do Amaral.

Nos dois episódios foi usado o expediente que deflagrou a delação de Joesley: gravação feita sem o conhecimento de quem estava sendo gravado. No caso Delcídio, quem gravou foi Bernardo Cerveró, o filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Sergio Machado gravou vários expoentes do PMDB e ofereceu as fitas à PGR, o mesmo que fez com que Joesley começasse a negociar a colaboração.

A Procuradoria Geral da República, procurada, afirma que Miller não participou da negociação da delação, e que existe inclusive uma cláusula de que ele não pode atuar pelo escritório nos acordos.
Herculano
20/05/2017 17:19
AO DESQUALIFICAR DELATOR, TEMER SE AUTOINCRIMINA, por Josias de Souza

Uma das características fundamentais da dificuldade de julgamento é ter que ouvir uma pessoa durante vários anos para chegar à conclusão de que ela não vale nada. Michel Temer conhece Joesley Batista há coisa de seis anos. Já esteve com o personagem incontáveis vezes. Só agora pecebeu que dava cartaz a um sujeito desonesto e mentiroso. Temer fez hora extra neste sábado para dizer ao país que o dono do Grupo JBS deveria estar preso, não passeando pelas ruas de Nova York. O presidente atacou seu delator a pretexto de se defender. Não conseguiu senão autoincriminar-se.

Temer esteve com o salafrário pela última vez em 7 de março. Recebeu-o no palácio residencial perto de 11 da noite. Sem saber que falava com um grampo a domicílio, tratou-o com rara fidalguia. O inquilino do Jaburu só notou que o visitante tinha traços criminosos depois que virou um delatado. Ao conviver por tanto tempo com um corrupto, Temer revelou-se moralmente ligeiro. Incriminado pelo ex-amigo, mostrou-se intelectualmente lento. Qualquer uma dessas velocidades é um insulto. Nenhuma delas é compatível com o que se espera de um presidente da República.
Herculano
20/05/2017 09:58
SANTA CATARINA POSSUI UM GOVERNO RECHEADO DE JOGADAS, JOGADORES, MUITOS EMPREGOS PARA POLÍTICOS SEM VOTOS, POUCOS RESULTADOS PARA A POPULAÇÃO E EXPLICAÇÕES A RODO SOBRE A GRANA QUE VEIO PARA COLOCÁ-LOS NO PODER MAIS UMA VEZ

Conteúdo do jornal Diário Catarinense. Governador Raimundo Colombo nega ilegalidade no recebimento de verbas para a campanha em 2014

Em nota oficial divulgada na tarde desta sexta-feira, Colombo contesta as declarações feitas pelo delator da JBS à Procuradoria-Geral da República

O governador Raimundo Colombo (PSD) nega que tenha havido ilegalidade no recebimento de verbas para a campanha de reeleição dele em 2014. Em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Operação Lava-Jato, o diretor da empresa JBS, Ricardo Saud, afirmou que R$ 10 milhões foram entregues para apoiar Raimundo Colombo naquela eleição e conseguir "facilidades na licitação" da Casan - a empresa teria intenção de comprar a Casan através de um braço de construção civil da gigante do setor alimentício.

Numa nota oficial divulgada na tarde desta sexta-feira, Colombo contesta as declarações feitas pelo delator da JBS. O texto destaca que a empresa fez doações ao diretório nacional do PSD, conforme a legislação eleitoral vigente. Em uma declaração também divulgada nesta quarta, em áudio e em vídeo, o governador reforça o conteúdo da nota oficial:

- Em relação às doações da campanha, elas foram feitas de forma transparente e legal. Foram depositadas na conta do diretório nacional do PSD, que repassou para o diretório estadual por conta bancária. Está registrado nas contas da campanha, foi entregue ao Tribunal Regional Eleitoral. É de conhecimento público, está lá para quem quiser conhecer. Nada além disto aconteceu, posso garantir a cada um de vocês. Esta é a realidade. Era a legislação vigente, era a forma que se tinha de fazer a campanha e nós cumprimos todos os ritos legais.

Confira a nota oficial:

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, contesta com veemência as declarações feitas pelo delator da JBS sobre doações relativas à campanha eleitoral de 2014.Ressalta que a empresa, conforme a legislação eleitoral vigente, fez doações ao diretório nacional do PSD, que repassou para a campanha do partido em SC. A doação feita pela JBS foi dentro da legislação eleitoral de forma oficial na conta bancária do partido e está registrada na prestação de contas apresentada e aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Herculano
20/05/2017 09:50
MBL RECUA EM PEDIDO DE RENÚNCIA E VEM PARA RUA ADIA ATO CONTRA TEMER

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Angela Boldrini, da sucursal de Brasília. Os movimentos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff (PT) recuaram na posição de convocar manifestações e pedir a renúncia do presidente Michel Temer (PMDB).

O MBL (Movimento Brasil Livre) decidiu recuar na posição de pedir a renúncia de Temer, afirmou à Folha seu coordenador Kim Kataguiri. "Há motivo de sobra para investigar Temer nos áudios, mas eles são inconclusivos", afirmou. "Vamos suspender a posição pró-renúncia até que surjam novas informações."

Já o Vem Pra Rua suspendeu a convocação que havia feito para atos no domingo (21), alegando motivos de segurança. O movimento promete nova data de manifestação, ainda não marcada.

O tema principal, afirmou Rogério Chequer, coordenador do movimento, na quinta-feira (18), seria "fora todos os corruptos", não apenas pela renúncia de Temer. Segundo comunicado enviado pelo grupo nesta sexta (19), "o adiamento não significa recuo; ao contrário, nada abala nossa convicção de que todos, sem exceção e de que partidos forem, devem ser punidos pelos crimes cometidos".

"A decisão foi tomada já que em muitas cidades não houve tempo hábil para planejar a segurança ideal, como sempre aconteceu, mesmo naquelas em que havia mais de um milhão de pessoas nas ruas", diz o texto.

Em São Paulo a decisão foi tomada após reunião de movimentos com a Polícia Militar, que teria orientado a suspensão dos atos por causa da Virada Cultural, que ocorre no mesmo final de semana, dizem coordenadores.

Após a liberação dos áudios, a coordenadora do Nas Ruas Carla Zambelli publicou vídeo nas redes sociais afirmando que é hora de "assentar a poeira, colocar o pé no chão e ver o que está acontecendo". O movimento não participou da convocação de atos. "O que se pintou ali atrás não foi muito bem o que se viu hoje", afirmou.

O Movimento Liberal Acorda Brasil, que também participou das manifestações anti-Dilma de 2016, porém, manteve a posição pedindo a saída de Michel Temer. Nas redes sociais, os coordenadores afirmam que "vai ficar chato se continuarem a dizer que a gravação não é nada demais" e "é tão difícil assim entender que ela é só um pequeno extrato de MUITO mais?". O grupo, porém, não fez convocação para atos
Herculano
20/05/2017 09:43
ESTE NÃO É UM LUGAR DE AUTOAJUDA, MAS REFLEXÕES

Marcelo Gomes, que está em Goiânia, trabalhou comigo, meu afilhado, ao ler esta coluna, , ofereceu isso, de Chico Xavier.

"O mundo não é dos espertos. É das pessoas honestas e verdadeiras. A esperteza um dia é descoberta e vira vergonha. A honestidade se transforma em exemplo para as próximas gerações. Uma corrompe a vida; a outra enobrece a alma"
Herculano
20/05/2017 09:39
UMA PERGUNTA OBJETIVA

Você conhece e acredita que açougueiros que com ajuda da política e o dinheiro de todos nós viram empresários "bem sucedidos" e dali acham-se o donos dos políticos e da política, da cidade, do estado e do país? Com a faca na mão e sabendo manejá-la só podiam cortar a carne dos pagadores de pesados impostos
Herculano
20/05/2017 09:36
MAIS UMA VEZ, UMA NAU SEM RUMO?, por Bolivar Lamounier, sociólogo, no jornalO Estado de S. Paulo

Com uma elite cega à trama urdida por três grandes eleitores, o País não vai a lugar algum

Em 1985 apresentei à Comissão Afonso Arinos, da qual fazia parte, um diagnóstico da estrutura partidária brasileira. No ano seguinte a Editora Brasiliense publicou esse texto como um livrinho, intitulado Partidos Políticos e Consolidação Democrática: o Caso Brasileiro.

Meu argumento era mais enfático, mas no essencial não diferia do antigo entendimento de que o Brasil não chegara a formar um sistema de partidos à altura de suas necessidades. Em perspectiva histórica e comparada ?" escrevi logo na primeira linha ?", o Brasil é um caso notório de subdesenvolvimento partidário. O resultado de nossa descontínua história partidária, com poucas exceções, fora uma sucessão de sistemas frágeis e amorfos. E fui mais longe, afirmando que uma estrutura mais forte dificilmente se constituiria a partir de uma organização institucional que combinava o regime presidencialista com a Federação, um multipartidarismo exacerbado e um sistema eleitoral individualista, frouxo e permissivo. Para que a redemocratização chegasse a bom porto era, pois, imperativo adotar outro conjunto de incentivos, entre os quais o voto distrital misto.

A tese acima exposta não se firmou. Poucos anos mais tarde o meio acadêmico acolheu um entendimento precisamente oposto. Nossos partidos e balizamentos institucionais seriam perfeitamente adequados e não seria exagero dizer que se incluíam entre os melhores do mundo. Não representavam nenhum risco para a estabilidade democrática, muito menos para a governabilidade ?" ou seja, para a desejada eficácia na condução dos programas de governo. A tese da fragilidade partidária não passaria de um mito.

Relembrar essa discussão no momento atual é um exercício surrealista. Quem tem olhos de enxergar sabe que praticamente todos os partidos couberam no bolso de duas empresas, a Odebrecht e a JBS. Sabe que as duas não apenas obtinham quando queriam as leis e medidas provisórias (MPs) de seu interesse, como ?" e isto é muito mais importante ?" fábulas de dinheiro no BNDES, como viria a ocorrer no transcurso dos governos Lula e Dilma. As cifras, que à época o País desconhecia, eram (são) estonteantes. Ou seja, o cartel das empreiteiras, Eike Batista e os irmãos Joesley e Wesley mandavam muito mais do que centenas de deputados eleitos pelo voto popular. Em 2010, três grandes eleitores ?" Lula, Marcelo Odebrecht e o marqueteiro João Santana ?" substituíram-se à grande massa votante e enfiaram Dilma Rousseff pela goela abaixo dos brasileiros. O quadro acima se alterou graças a dois fatores principais: o instituto da delação premiada e a circunstância até certo ponto fortuita de o "mensalão" ter caído nas mãos de Joaquim Barbosa e o "petrolão", nas do juiz Sergio Moro.

Como bem mostrou Fernando Gabeira no Estadão de ontem (19/5), o que ruiu não foi um ou outro partido, mas todo o sistema: "Todo o esquema político-partidário estava envolvido, por intermédio de suas principais siglas. A delação da JBS apenas confirmou o processo de decomposição irreversível" (grifo meu). Mais adiante, Gabeira pergunta se não será o caso de esquecermos a ideia de partido e passarmos a pensar em "movimentos". Não sei o que isso significa, mas aqui já me afasto dele. Como também me afasto de toda cogitação sobre "democracia direta", "conselhos populares" e assemelháveis. A democracia representativa é o único modelo sério e consistente de democracia que a História produziu e os partidos lhe são essenciais.

Admito, porém, que a "decomposição" a que Gabeira se refere já não pode ser resolvida por meio de uma reforminha política qualquer, como essas que o Congresso propõe um ano sim e o outro também, creio que com o saudável intuito de divertir a imprensa. O "povão" ?" aquele sempre acusado de "não saber votar" ?" não tem nada que ver com isso. Se o que lhe dão é o paternalismo do Bolsa Família, ele vota para mostrar gratidão pelo que lhe deram, e interesse em continuar recebendo tais migalhas.

O buraco é mais em cima. É a desorientação mental e política que grassa entre as "elites", ou seja, entre os 20% mais escolarizados, com mais acesso à informação e de renda mais alta. No dia 29 de abril, milhões de brasileiros observaram, pasmos, a vetusta Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apoiar a contrafação de "greve geral" imposta ao País pelas centrais sindicais. Destas, realmente, é pouco o que se pode esperar, mas a CNBB tem o dever de expressar pelo menos os anseios da parcela católica da sociedade. Não creio que uma ação daquela ordem, baseada na supressão violenta do direito de ir e vir e em depredações, esteja entre tais anseios. Nas universidades e até no ensino médio, uma grande parte ?" talvez a maioria ?" dos docentes e discentes parece aferrada a chavões ideológicos decididamente peremptos.

Aí, a meu ver, é que está a raiz do problema. Podemos mudar as regras eleitorais quantas vezes quisermos, mas não sejamos ingênuos: não iremos a lugar algum se as elites dos diversos setores não assumirem suas responsabilidades. A referência que fiz acima à eleição de 2010 ilustra bem o que estou tentando dizer; com uma elite dessa ordem, incapaz de enxergar a trama urdida por três grandes eleitores, o Brasil não reencontrará o caminho do desenvolvimento econômico e político. Permaneceremos na condição de uma nau frágil, açoitada de quando em quando por violentas ventanias, por crises pré-fabricadas, desperdiçando o escasso tempo de que dispomos para aumentar a renda nacional e melhorar nossas condições sociais. Os 14,2 milhões de desempregados decididamente NÃO agradecem.
Herculano
20/05/2017 09:34
GRAVAÇÃO DE TEMER FOI EDITADA - ÁUDIO DE JOESLEY ENTREGUE À PROCURADORIA TEM CORTES, DIZ PERÍCIA. GRAVAÇÃO DE TEMER FOI EDITADA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo e Josias de Souza. Uma perícia contratada pela Folha concluiu que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 edições.

O laudo foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Segundo ele, o áudio divulgado pela Procuradoria-Geral da República tem indícios claros de manipulação, mas "não dá para falar com que propósito".

Afirma ainda que a gravação divulgada tem "vícios, processualmente falando", o que a invalidaria como prova jurídica.

"É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova", disse Santos.

Segundo disse à Folha a Procuradoria, a gravação divulgada é "exatamente a entregue pelo colaborador e sua autenticidade poderá ser verificada no processo".

"Foi feita uma avaliação técnica da gravação que concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente", declarou a Procuradoria na noite desta sexta (19).

A gravação não passou pela Polícia Federal, que só entrou no caso no dia 10 de abril. O áudio, feito pelo empresário na noite de 7 de março, foi entregue diretamente à PGR e é anterior à fase das ações controladas.

Em um dos trechos editados, o empresário pergunta ao peemedebista sobre sua relação naquele momento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. As duas respostas de Temer sofreram cortes.

O trecho na gravação divulgada permite o seguinte entendimento:

"Tá.. Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa.. O Moro indeferiu 21 perguntas dele... que não tem nada a ver com a defesa dele"

"Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]... No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]... aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros"

Em depoimento posterior à PGR, Joesley disse que nesse momento o presidente dizia ter influência sobre ministros do STF.

"Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: 'Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo, poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá'. Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo", afirmou.

Em outro trecho cortado, o empresário, enquanto explica a Temer que "deu conta" de um juiz, um juiz substituto e um procurador da República, declara: "...eu consegui [corte] me ajude dentro da força-tarefa, que tá".

No momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia não encontrou edições. O trecho, no entanto, apresenta dois momentos incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

Em entrevista à Folha, outro perito, Ricardo Molina, que não fez uma análise formal do áudio, declarou que a gravação é de baixa qualidade técnica.

Para ele, uma perícia completa e precisa obrigaria a verificação também do equipamento com que foi feita a gravação.

"Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber."

Para o perito judicial Ricardo Caires dos Santos, não há hipótese de defeito.

Procurada para comentar o assunto, a assessoria da JBS disse que a empresa não vai comentar.

Conforme revelou o Painel nesta sexta-feira (19), o Planalto decidiu enviar a peritos a gravação, desconfiando de edição da conversa.

Comprovada a existência de montagem, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma "conspiração".
Herculano
20/05/2017 09:25
UMA VEZ CONFIRMADA A EDIÇÃO DA GRAVAÇÃO, JANOT E FACHIN IMPICHADOS, por Reinaldo Azevedo, na revista Veja

Caso se confirme a adulteração, estamos diante de dois crimes: falsidade material, prevista nos Artigos 297 e 298 do Código Penal, e obstrução da Justiça
Se estiverem certos os peritos que asseveram à Folha que o áudio que registra a conversa entre Joesley Batista e Michel Temer sofreu mais de 50 cortes, estamos falando de dois crimes. Nesse caso, o sr. procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem de ser alvo de um processo de impeachment no Senado. E aproveito para pedir também o de Edson Fachin, ministro do Supremo. Sim, explicarei as duas coisas. Até porque há uma diferença entre mim e "eles": nunca me descuido da lei.

Fachin declarou que a gravação de Joesley é legal porque, afinal, seu conteúdo foi "ratificado e elucidado" em depoimento. É mesmo? Belo conceito de direito, que legítima a tortura caso se confirme, depois, que a realidade é compatível com a confissão do seviciado. O sol nas bancas de revista enchia Caetano de alegria e preguiça. Fachin só me enche de preguiça.

Insisto: um ministro do Supremo aceitou em juízo um elemento que ele sabe fatalmente ilegal: ou é ilegal porque gravações clandestinas não são aceitas em juízo (a não ser em circunstâncias que não estão dadas) ou é ilegal porque parte de um flagrante forjado.

Aí, algum recalcitrante do MST, amigo de Fachin, poderia dizer: "Ah, mas ele não decidiu com base na gravação, só na delação?"

É mesmo? Então decidiu que o presidente tem de ser investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça apenas em decorrência de depoimentos que listaram a bagatela de 1.890 políticos? E, pior, o faz asseverando a legalidade de um material que, sem edição, já seria ilegal?

E Janot?

Bem, dizer o quê? A fita foi editada pela Procuradoria Geral da República ou já chegou cheia de cortes às mãos do Ministério Público Federal?

É aceitável que o chefe do Ministério Público Federal peça a investigação de um presidente sem nem se ocupar em saber se existe ou não fraude no material que a justifica?

"Ah, mas o pedido foi feito com base em depoimentos também?" É? Porque será que Temer merece tanta celeridade quando se compara o caso com o de outros famosos? Com tal rapidez, a Lava Jato estaria bem mais adiantada.

Crimes
Caso se confirme a adulteração, estamos diante de dois crimes ?" e aí será preciso saber quem os cometeu: a: Falsidade material, prevista nos Artigos 297 e 298 do Código Penal:

Art. 297 ?" Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:

Pena ?" reclusão, de dois a seis anos, e multa.

Artigo 298 ?" Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:

Pena ?" reclusão, de um a cinco anos, e multa.
b: obstrução da Justiça: eis aí! Esta, sim, é verdadeira caso se confirme a edição do material. Afinal, a coisa foi alterada. Quem o fez pretendia o quê? A resposta é óbvia: derrubar o presidente.

Já seria grave se o presidente tivesse sido alvo só de "Entrapment", de uma cilada armada, de um flagrante forjado? Mas, e isto é espantoso, tudo indica que se trata de algo ainda mais grave.

Afirmei nesta quinta que seria necessário investigar a investigação. Confirmados os cortes, é a hora de um duplo impeachment no Senado: de Janot e de Fachin. As consequências de seus respectivos atos, ignorando o devido processo legal, são muito graves.
Herculano
20/05/2017 09:21
TEMER FOI VÍTIMA DE UMA TRAPAÇA, diz Roberto Jefferson


Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Isadora Peron, da sucursal de Brasília. Pivô do escândalo do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, saiu nesta sexta-feira, 19, em defesa do presidente Michel Temer. Para Jefferson, Temer foi vítima de uma "trapaça" armada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.

No entendimento de Jefferson, o presidente não se comprometeu ao receber o empresário e manteve uma "conversa social" com Joesley. "Não se pode exigir do presidente uma conduta diferente da que ele teve. Ninguém teria uma conduta diferente. Foi uma conduta social adequada para a desagradável visita que recebeu", disse.

Ele afirmou ainda que o PTB vai continuar na base do governo e que só não foi ao Palácio do Planalto dar um abraço em Temer porque está em Portugal.

O que o sr. achou da gravação entre Temer e o dono da JBS?

Uma trapaça. Uma trapaça. Uma coisa do pior gabarito. Não tem nenhum crime, o presidente não pediu para ninguém para fazer nada. Você ouve a gravação, duas, três, quatro, cinco vezes e vê nitidamente que é uma trapaça. Uma trapaça que tem, a meu ver, o objetivo de lucrar no mercado financeiro. Foi um ataque especulativo ao Tesouro nacional, à moeda nacional. Você joga a Bolsa para baixo e lucro US$ 400 milhões na subida de 8% que deu no dólar. Isso é uma trapaça.

Mas o presidente não deveria ter tomado alguma atitude diante da informação de que Joesley tinha relação com juízes e um procurador com o objetivo de obstruir ações da Justiça?

Mas o Temer agora é polícia? O Temer não tem que se meter nisso. Tem muita gente que conversa comigo, e eu digo que está tudo bem, o cara está falando, mas eu não estou entrando na conversa. Eu não vou dizer: "Cala a boca, senão eu mando te prender". Você está ouvindo, está dizendo tudo bem, mas você não concorda, você está dando uma atenção social, mas não está se comprometendo moralmente com a pessoa. Uma coisa é você dar atenção social, outra coisa é você se comprometer moralmente.

Não houve nada de errado na conduta do presidente?

Ele deu uma atenção social, cumpriu uma agenda, aturou um cara, porque um homem desse você atura, você não tem prazer em receber...

O inquérito aberto contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar no processo que pede a cassação da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?

O TSE vai se tornar em um tribunal para punir as conversas do Temer? Todo mundo viu que foi uma trapaça. O cara tenta o tempo todo fazer o presidente falar algo errado, ele jogou o tempo todo. Eu ouvi três vezes a gravação. O cara tenta 40 minutos que o presidente dê uma escorregada, e o presidente não dá nenhuma escorregada.

E a parte em que eles falam do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É certo o presidente dizer para que que o empresário continue ajudando o peemedebista, que está preso?

Cunha é uma cobra venenosa. Pode machucar a qualquer momento. Se sou eu, digo a mesma coisa. "Isso mesmo, ajuda o Cunha lá".

Mas o presidente não vira cúmplice da armação ao fazer isso?

Cúmplice? Isso é uma interpretação que eu divirjo. Vai dizer não ajuda? Aí o Joesley, que é um trapaceiro, intrigueiro, vai lá no Cunha e diz: "Fui lá no presidente e ele falou para eu não te ajudar. E agora, o que nós vamos fazer?"

Então não há nada de errado nesse ponto da conversa?

Não se pode exigir do presidente uma conduta diferente da que ele teve. Ninguém teria uma conduta diferente. Foi uma conduta social adequada para a desagradável visita que recebeu. Ele não estava ali em uma agenda presidencial, foi uma agenda social, então socialmente ele falou o que tinha que falar, aquilo são saídas sociais. E, além disso, gravaram a agenda social do presidente, é um negócio terrível. Quem mandou gravar? O equipamento é oficial? É do Joesley? Ele foi como pau mandado? Ele foi fazer aquela trapaça com o presidente por encomenda judicial? Alguém do Judiciário pediu? É um negócio gravíssimo. É muito grave.

E o dinheiro entregue ao deputado Rodrigo Rocha Lures (PMDB-PR), que é um aliado muito próximo de Temer?

Rocha Lures fez o que ele queria fazer para ele mesmo... E, ao que me consta, ele só levou uma (mala com R$ 500 mil)? E as outras? Não eram semanadas de R$ 500 mil? Interrompeu por quê? Se era para mostrar a continuidade, porque não gravaram outras vezes, porque aí ficava uma prova consistente. Uma só não sustenta a versão.

O PTB continua na base do governo?

Claro. O presidente tem que retomar as reformas, com força. O nosso projeto é com o Brasil, o nosso compromisso é com o Brasil. As reformas precisam avançar, não dá mais para voltar atrás.

Mas a governabilidade não vai ficar comprometida? Já houve manifestações contra o presidente.

A população que quer que o Temer caia é a população do PT, é aquela faixa de eleitores do PT, dos fanáticos pelo Lula, porque a nossa gente, quem pensa o Brasil democraticamente, quer que as reformas avancem.
Herculano
20/05/2017 09:17
PARECE QUE FOI COISA PREPARADA", DIZ ADVOGADO DE TEMER SOBRE DELAÇÃO DA JBS, por Mõnica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

O advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que defende Michel Temer na área criminal, afirma que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista, da JBS, e o presidente da República "parece que foi coisa preparada".

Segundo Mariz, que se reuniu com Temer na noite de quinta (18) e nesta sexta (19), o empresário foi ao Palácio do Jaburu, onde se encontrou com o presidente e gravou a conversa, "para provocar [o presidente] e fazer uma delação premiada".

Por esse raciocínio, Batista teria tentado induzir o diálogo com Temer, usando depois a gravação como moeda de troca para que o Ministério Público Federal aceitasse fazer um acordo de colaboração com os donos da JBS.

"Ele lançou uma infâmia sobre o presidente e foi embora do país", afirma.

Joesley teve permissão das autoridades para viajar a Nova York.

"Quem está examinando essa delação com cuidado chega à conclusão de que os benefícios [que Joesley obteve com a delação] são inusitados e inusuais. Dificilmente um delator porta passaporte. Eles não apenas mantiveram o documento como estão mudando o domicílio fiscal [para os EUA]. Causaram prejuízos institucionais e morais ao Brasil mas tiveram ganhos, comprando dólar na baixa e comprando ações da própria empresa por preços mais baixos", afirma Mariz.

A JBS comprou dólar na véspera do vazamento dos áudios da delação premiada da empresa. No dia seguinte, o preço da moeda explodiu no Brasil. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) está investigando a operação.

"Eles receberam salvo-conduto por todos os crimes e delitos que cometeram. Tiveram como pena a devolução de uma parte irrisório do dinheiro [que dizem ter gastado em propina], tudo isso com o beneplácito das autoridades", diz o advogado.

Mariz afirma que entrará com uma petição no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo cópias do inquérito que foi instaurado para investigar Temer pelos crimes de obstrução a Justiça, corrupção e organização criminosa.

Ele acionará também a OAB e a Procuradoria-Geral da República para tomarem providências contra "um fato grave": a presença de um ex-procurador da Lava Jato na equipe do escritório de advocacia Trench Rossi e Watanabe, que negocia acordo de leniência como DoJ (Departamento de Justiça Americano).

"Ele estava lotado na procuradoria, onde as delações ocorrem. Sai da procuradoria no momento em que a JBS faz a colaboração e vai advogar para a JBS. É normal isso?", questiona Mariz.
Mardição
20/05/2017 09:08
O Brasil precisa de ume Constituição. Essa que tá aí e que cada um faz o que bem entende acaba sempre em JBS.
Herculano
20/05/2017 09:00
CRIME DE CORRUPÇÃO SAIU BARATO PARA DONOS DA JBS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Saiu barato para os donos do Grupo JBS. Após promoverem a maior compra de políticos (1.800, no total) da História mundial, incluindo presidentes da República, após acordo de delação e vão embora, impunes e totalmente imunes. Não serão obrigados nem mesmo a usar tornozeleiras. Apenas pagarão multa de R$225 milhões, cerca de 1,7% dos R$12,8 bilhões que arrancaram do BNDES nos governos do PT.

GANHANDO COM A DELAÇÃO
Operação de câmbio às vésperas da delação-bomba, sob investigação da CVM, rendeu à JBS o dobro do valor da multa de R$225 milhões.

E AINDA TERÃO 'FICHA LIMPA'
Com o acordo, os donos da JBS se livram de 5 investigações criminais, sobre falcatruas diversas. E ainda podem afirmar que são "ficha limpa".

FESTA NO EXÍLIO DOURADO
A JBS valia R$4 bi e passou a valer R$170 bilhões, após subornarem todo mundo. Agora é só usufruir, no exílio dourado, pelo resto da vida.

LENIÊNCIA EMPRESARIAL
A acordo de leniência com o Grupo J&F ainda não foi fechado: o Ministério Público Federal do DF exige ressarcimento de R$11,1 bilhões. Na pessoa física, os donos da empresa só pagaram multa de R$225 milhões.


AÉCIO IGNORA STF E FAZ CONTATO COM INVESTIGADO
O senador Aécio Neves desrespeitou a ordem judicial de não manter contato com investigados, ao receber em sua casa o também investigado José Serra (PSDB-SP). O encontro se deu nesta quinta (18), horas depois da determinação de Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. O ministro impôs a restrição em lugar de prendê-lo, como solicitou o Ministério Público Federal (MPF).

VISITA EM GRUPO
José Serra esteve na residência de Aécio Neves em Brasília, acompanhando um grupo de senadores em visita ao tucano mineiro.

PRISÃO É OPÇÃO
Se o ministro Fachin considerar que sua ordem foi desrespeitada, uma das hipóteses é determinar a prisão de Aécio Neves.

FORA DO SENADO
Delatado pelo presidente do Grupo JBS, Joesley Batista, Aécio também foi afastado do exercício do mandato de senador.

O DESTINO É A CADEIA
O lobista da JBS, Ricardo Raud, vigarista que foi braço direito de Severino Cavalcanti e Eduardo da Fonte (PP-PE), com quem dividiu apartamento em Brasília, aproveitou seu depoimento para se vingar deste colunista, que denunciou sua atividade criminosa. Deveria saber que mentir em delação dá cadeia. E será condenado também por isso.

GUIDO '1%' MANTEGA
A necessidade de liberação constante de empréstimos junto ao BNDES fez Joesley destinar, além dos pagamentos habituais, um bônus de mais 1% para Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma.

TREZE ANOS PARA ESQUECER
O ex-ministro da Cultura Roberto Freire abandonou o governo Temer após a delação-bomba, mas não a crítica contundente ao desgoverno petista: "Foram treze anos de total irresponsabilidade".

GOVERNO AMADOR
Arlindo Chinaglia (PT-SP), que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2007 e 2009, e que não tem muita simpatia por Lula, ironizou o caos no governo Temer: "E eu achava que o governo do PT era amador".

DELEGADOS REPUDIAM AÉCIO
Os delegados de Polícia Federal repudiaram as declarações de Aécio Neves gravadas por Joesley Batista. O senador afastado deixa clara a intenção de articular politicamente para interferir nas ações da PF.

BURRICE
O publicitário brasileiro, morador em Miami há 25 anos, ironizou o que chamou de "burrice" do presidente Michel Temer. "Com uma bela mulher em casa, ele vai receber às 23h um cabra de voz arrastada?"

A VER NAVIOS
Estava tudo pronto para o governo de Pernambuco receber de volta do presidente Michel Temer o controle do Porto de Suape. As gravações do dono da Friboi adiaram a solenidade.

COERÊNCIA
Gabriel de Azevedo, uma das lideranças da chamada turma do chapéu e que participou ativamente dos movimentos pró-impeachment de Dilma, defende que Michel Temer jogue a toalha.

PENSANDO BEM...
...espertos são os executivos da JBS: corromperam durante muitos anos, mas não vão cumprir sequer um ano de cana.
Herculano
20/05/2017 08:57
SEM VALOR LEGAL, GRAVAÇÃO DE JOESLEY MOSTRA DUAS CONSPIRAÇÕES, por Demétrio Magnoli, geógrafo e geólogo , no jornal Folha de S. Paulo

Temer acusa uma conspiração contra a Presidência -urdida, na falta de outra hipótese, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, com amparo de Edson Fachin. Janot acusa uma conspiração contra o sistema de Justiça, urdida por Temer. Quem tem razão? A resposta, deploravelmente, é: os dois.

A gravação clandestina de Joesley não possui valor legal, por não ter sido autorizada por um juiz. Mas foi admitida a priori por Fachin, que colocou Temer sob investigação. Segundo a versão oficial, o empresário-bandido não combinou a operação com a PF ou o MP, mas os termos de sua delação premiada, ainda mais brandos que os concedidos a Marcelo Odebrecht, induzem a uma suspeita razoável.

Se, de fato, a gravação foi uma armadilha montada junto a policiais e procuradores, o áudio converte-se em prova do crime de abuso de autoridade.

O vazamento à imprensa da informação sobre o áudio, obra óbvia de alguém da PF ou do MP, precedeu em um dia inteiro a divulgação, por Fachin, do inteiro teor da conversa. A informação vazada foi convenientemente apimentada, de modo a alcançar os explosivos efeitos políticos desejados.

De acordo com a versão inicial, Temer estimulava Joesley a pagar o silêncio de Eduardo Cunha. Mas o áudio fica longe de evidenciar uma deliberada ação conjunta de obstrução de Justiça. No mundo normal da democracia e do Estado de Direito, Janot deveria se sentar no banco dos investigados.

Qual é a motivação dos conspiradores da PF e do MP? Nutrem eles a ambição messiânica de "limpar o Brasil", por cima da política, erguendo-se à condição de Poder Moderador? Ou, como sugeriu Temer, agem como representantes de corporações dispostas a tudo para proteger seus privilégios ameaçados pela reforma previdenciária? As duas alternativas, não excludentes, indicariam um grau trágico de degeneração institucional do país.

"A montanha pariu um rato", proclamou Temer, revelando o mesmo descolamento da realidade que contamina tantos figurões da nossa república do compadrio e da propina. O diálogo entre o presidente e seu estimado bilionário só não provoca asco terminal em espíritos adormecidos por uma cepa incurável de cinismo político.

Ali está, na residência presidencial, à sombra da noite, em furtivo encontro não agendado, um bandido que narra os seus crimes presentes e anuncia crimes futuros a um interlocutor complacente, docemente enlevado. "Um rato"? Não seria, mais precisamente, uma dupla de ratos?

Se a gravação tivesse valor legal, ela provaria que Temer incorreu em crime de prevaricação, acumpliciando-se passivamente com pelo menos três atos de obstrução de Justiça. O presidente tinha o dever de dar voz de prisão ao bandido que, falando ou não a verdade, confessava a compra de um procurador, de um juiz e do silêncio de um potencial delator. No lugar disso, o que se ouve são murmúrios de aprovação, afagos amigáveis, sutis indícios de cooperação. "Rato", você disse? Sim, a palavra apropriada talvez seja essa mesmo.

Na Justiça, se ela existe, o áudio será descartado. Mas, na esfera da política, tanto quanto no episódio de Dilma e Lula, o áudio permanecerá -junto a seu contexto. A delação da JBS menciona um histórico de propinas. Um certo Loures, célebre porta-valises do presidente, parece envolvido no mesmo tipo de transações com dinheiro vivo às quais se dedica um certo Aécio. Joesley, "rato" premiado com uma vida de prazeres em Nova York, não caiu do vácuo na garagem privativa do presidente. A montanha pariu o colapso do governo.

Temer tinha duas razões de ser: a estabilidade constitucional da transição e as reformas destinadas a salvar a economia das implicações do lulopetismo. Depois de Joesley, ambas dissiparam-se. O presidente, "repito", não renunciará.

Os decentes, dentro e fora do governo, renunciarão a ele. O resto cabe ao TSE.
Herculano
20/05/2017 08:54
ANTES DE REJEITAR RENÚNCIA, TEMER COGITOU DIRETAS, por Josias de Souza

Na tarde da última quinta-feira, Michel Temer achegou-se ao púlpito do Palácio do Planalto para declarar: "Não renunciarei. Repito, não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos." Horas antes, reunido com seus operadores políticos mais leais, o orador não exibia a mesma convicção. Às voltas com uma crise que o converteu no primeiro presidente da história a ser investigado em pleno exercício do cargo pelos crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa, Temer se dispôs a enviar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição antecipando as eleições presidenciais diretas para o próximo mês de novembro.

Participaram da conversa os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Antonio Imbassahy (Relações Institucionais), além do líder do governo no Senado, Romero Jucá. Os quatro manifestaram-se contra a ideia de Temer. Aconselharam o presidente a lutar pelo cargo. Jucá fez uma observação que adicionou à cena uma certa ponderabilidade cômica que acabou por comprometer a seriedade da proposta de Temer. O senador disse que uma eleição direta daqui a seis meses soaria como uma "renúncia a prazo." A ideia foi abandonada. E Temer pegou em lanças.

Nesta sexta-feira, a divulgação dos vídeos da delação do Grupo JBS e do papelório que compõe o inquérito aberto contra Temer no Supremo borrifaram gasolina na crise. O presidente incorporou à sua infantaria o amigo criminalista Antônio Mariz de Oliveira. Além da frente de batalha política, onde tenta evitar a deserção do PSDB, Temer se equipa para guerrear na Suprema Corte.

De saída, a defesa de Temer questiona a validade da gravação que registrou a conversa vadia que ele manteve com o delator Joesley Batista, dono do Grupo JBS, no Palácio do Jaburu, no último dia 7 de março. Alega-se que o diálogo, captado por meio de gravador que o empresário escondia no bolso do paletó, é fruto de ''montagem''. Perícia encomendada pela Folha chegou à mesma conclusão. O problema de Temer é que, a essa altura, o áudio sob questionamento é apenas mais um detrito no monturo de indícios que empurram sua biografia para o mesmo lixão que levou ao apodrecimento do mandato de Dilma Rousseff.
Herculano
20/05/2017 08:51
PUNIÇÕES LEVES SÃO PÉSSIMA SINALIZAÇÃO PARA O FUTURO, por Bruno Carazza, para o jornal Folha de S. Paulo

No já clássico livro "Por que as Nações Fracassam?" (2012), Daron Acemoglu (MIT) e James Robinson (Harvard) analisam diversos países ao longo da História para identificar por que alguns crescem com distribuição de renda e outros só produzem atraso e desigualdade.

A principal conclusão do livro é que sociedades que permitem uma relação umbilical entre sua elite econômica e o grupo que ocupa o poder tendem a produzir políticas públicas concentradoras de renda e antidemocráticas.

O sistema funciona num ciclo vicioso e reiterado em que empresários obtêm benefícios estatais em troca do pagamento de propinas e doações de campanha que permitem aos políticos permanecerem no poder.

A assinatura dos acordos de delação premiada entre a Procuradoria-Geral da República e executivos da Odebrecht e, nesta semana, do grupo JBS, deixaram às claras como o Brasil funciona segundo o modelo de Acemoglu & Robinson.

Negociadas sob o amparo da legislação contra organizações criminosas (Lei nº 12.850/2013), as "colaborações premiadas" da Operação Lava Jato têm o potencial de exterminar praticamente toda a geração de políticos que emergiu com a Nova República. No entanto, as condições oferecidas aos executivos e às suas empresas podem estar poupando uma das engrenagens desse sistema.

De acordo com os termos acordados com a PGR, os irmãos Joesley e Wesley Batista e mais 5 executivos do grupo pagarão uma multa de R$ 225 milhões em troca de perdão judicial pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e seus correlatos.

No caso específico de Joesley Batista, a multa será de R$ 110 milhões. Fazendo jus a sua fama de empresário de sucesso nas negociações com o Estado, o valor será parcelado em 10 prestações anuais corrigidas pelo IPCA - sem juros e com a primeira parcela a ser depositada apenas em 01/06/2018! Um detalhe importante: o patrimônio pessoal declarado de Joesley Batista é de R$ 1,3 bilhões de reais.

Por mais louvável que seja o trabalho da Operação Lava Jato em desnudar a podridão do sistema político brasileiro, as condições oferecidas pela PGR para os executivos parecem muito descalibradas.

Mesmo que a empresa concorde em pagar os R$ 11,2 bilhões pedidos pela PGR para celebrar um acordo de leniência - a "delação premiada" das empresas - estamos tratando de um grupo que teve seu faturamento multiplicado por 40 (!) nos últimos anos à custa de operações do BNDES, benefícios fiscais, crédito público subsidiado e outros incentivos estatais.

É difícil aferir qual seria o desempenho do grupo JBS e a evolução das finanças pessoais de Joesley e Wesley Batista se não houvesse a política de "campeões nacionais" implementadas pelo governo federal desde meados da década passada. Da mesma forma, é praticamente impossível afirmar como estaria hoje a Odebrecht se não tivesse se fartado de contratos de obras públicas obtidos de modo ilícito nas últimas 5 décadas.

De acordo com as regras de funcionamento do nosso capitalismo de compadrio, o sucesso de boa parte de nossas grandes empresas foi construído mediante corrupção, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro. No melhor estilo "rent seeking", nossos empresários investem em "relações institucionais" em vez de bens de capital, tecnologia e produtividade da mão-de-obra.

Ao concordar em oferecer multas baixas (em relação ao seu patrimônio e faturamento), condições favoráveis de pagamento e imunidade judicial para os executivos para obter informações sobre os políticos, a PGR faz uma opção clara pela estratégia de terra arrasada com a classe política.

O problema é que, ao aliviar dessa maneira a punição aos criminosos pertencentes à elite econômica, a PGR oferece uma péssima sinalização para o comportamento empresarial no futuro. Os acordos de colaboração premiada têm transmitido a impressão de que, uma vez pegos praticando crimes contra a Administração Pública, basta aos corruptores confessar e entregar os nomes de agentes políticos ou servidores públicos que deixaram-se corromper para ter a pena aliviada consideravelmente.

E esse pode ser o legado nefasto deixado pela Operação Lava Jato: a de que, do ponto de vista do empresário corruptor, o crime compensa. Independentemente de quais políticos estiverem no poder
Herculano
19/05/2017 20:22
CAPA DA VEJA DESTE FINAL DE SEMANA

1. Uma bandeira do Brasil de fundo

2. Um título: BASTA

3. Um texto:

O país precisa de alguma grandeza. Grandeza dos homens públicos que ocupam os postos centrais do poder. Grandeza para que, nesta hora grave da vida nacional, sejam minimamente capazes de pôr os interesses do Brasil acima dos interesses pessoais, de modo que o país possa seguir em frente, cumprir a caminhada rumo à modernidade, libertar-se da mediocridade econômica e " enfim ?" dar ao povo brasileiro a oportunidade de construir uma vida justa e digna. Os milhões de brasileiros honestos não merecem ser punidos pela desfaçatez e pela ganância dos poderosos.
Periquito Irritante
19/05/2017 20:05
O nome do vereador é Ciro ou Circo?
Herculano
19/05/2017 19:49
PSDB VÊ TERMER NA UTI E DISCUTE DESEMBARQUE, por Josias de Souzar

Principal aliado do governo no Congresso, o PSDB trata Michel Temer como uma espécie de paciente terminal. Numa analogia construída por um dirigente tucano, o presidente passou nesta sexta-feira da enfermaria para a UTI. Longe dos refletores, os tucanos discutem a conveniência de retirar o suprimento de oxigênio que o PSDB fornece ao governo no Legislativo. Temer já foi avisado de que o tucanato analisa a sério a hipótese de desligar sua presidência da tomada.

No momento, o que se discute entre os tucanos é o timing. Formado o consenso quanto à conveniência do desembarque, a legenda se divide em duas. Uma parte quer apressar o cortejo fúnebre. Outra ala preocupa-se em encontrar uma saída que inclua Temer no planejamento do próprio funeral. Avalia-se que um desfecho negociado seria menos traumático.

Antes de tratar de Temer, o PSDB cuidou do seu próprio cadáver. Removeu do caminho Aécio Neves, que já respondia a sete inquéritos no Supremo Tribunal Federal antes de ser alvejado pela delação do Grupo JBS. Com a biografia em avançado estágio de decomposição, Aécio foi substituído na presidência do PSDB pelo senador Tasso Jereissati (CE). Auxiliado por colegas como o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB), Tasso conduz as articulações.

Consultado, Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, avalizou o diagnóstico segundo o qual o governo de Michel Temer se aproxima do colapso. Com a experiência de quem já administrou crises sentado na cadeira de presidente, FHC revela preocupação com a economia. Avalia que a falência do sistema político pode contaminar o cenário econômico, revertendo a curva de indicadores que apontavam para uma tímida recuperação do PIB.

Para o tucanato, a presença de Temer no Planalto deixou de ser um fator estabilizador. Consolidando-se o afastamento dos tucanos, o presidente ficará mais próximo da porta de saída. Com o seu PMDB dividido, o PSDB é o principal esteio de Temer no Congresso.
Herculano
19/05/2017 19:37
RICARDO NOBLAT, DE O GLOBO, PENSA

Somente o dono de um frigorífico para dar nome aos bois e fazer a vaca ir pro brejo"
João Barroso
19/05/2017 18:18
Herculano!

Fico imaginando a cara da PETEZADA hoje. Já imaginou a cara do deputado Décio Lima que ontem estava no plenário da Câmara dos deputados empunhando um cartaz de FORA TEMER e dando gargalhadas, nada melhor do que um dia atrás do outro. e o COLOMBO, prometeu vender a CASAN para duas empresas, mordeu as duas. Esse pessoal tem que tomar cuidado ao fazer negócios com o COLOMBO e sua TURMA, os caras são muito ligeiros.
Herculano
19/05/2017 17:57
"ESSA CONTA É DO LULA, ESSA CONTA É DA DILMA"

O primeiro depoimento de Joesley Batista é arrasador.
Ele diz que Guido Mantega cobrava propina dos financiamentos do BNDES para a JBS.

A propina - exatamente como ocorreu no caso da Odebrecht - foi dividida em duas contas correntes: uma de Lula e outra de Dilma Rousseff.

Os depósitos eram feitos no exterior.

A conta de Lula chegou a 70 milhões de dólares; a de Dilma Rousseff chegou a 80 milhões de dólares.
Quando o procurador observou que Lula não estava em campanha eleitoral, Joesley Batista respondeu (minuto 35):

"Ele [Guido] falou assim: esse aqui é do Lula, esse aqui é da Dilma. Eu não me aprofundei se era do presidente Lula, ou do governo Lula, ou do governo Dilma".

Em 2014, Guido Mantega gastou os 150 milhões de dólares
Herculano
19/05/2017 15:55
JBS TAMBÉM BOTOU R$10 MILHÕES DA CAMPANHA DE RAIMUNDO COLOMBO, PSD, AO GOVERNO DO ESTADO.

A EXEMPLO DO QUE ACONTECEU NO CASO DA ODEBRECHET, ONDE ATÉ INOVARAM PROMETENDO PRIVATIZÁ-LA E NÃO O FIZERAM PARA TOMAR MAIS DA EMPRESA CORRUPTA - TODOS - GOVERNADOR E ASSESSORES SEUS ENVOLVIDOS - NEGAM.

Só ADMITEM QUE FORAM A SÃO PAULO AO ENCONTRO DOS DOADORES, QUE FORAM A JANTARES, QUE MANTIVERAM ENCONTROS E QUE O QUE RECEBERAM, FOI TUDO DECLARADO.

GENTE CARA DE PAU.
Sujiro Fuji
19/05/2017 13:09
Se o vereador Ciro é do PMDB, e o prefeito Kleber também é do PMDB, pois que morram abraçado, a mim não farão falta.
Anônimo disse:
19/05/2017 12:47
Herculano, colei este comentário do blog do Políbio:

"Filhos da p...o País começava a dar sinal de recuperação, foi aprovado a ajuda aos estados, coisa que a Dilma além de corrupta nunca fez e não fez por causa da política e incompetência, o Temer começou a ajudar as prefeituras, autorizou a liberação das contas inativas a população...e este desgraçado de um petralha vai com um gravadorzinho lá sem autorização e bota todo o país na desgraça de novo. PTzada do inferno, malditos.
Pena de morte ao PT."

Faço dele as minhas palavras.
Herculano
19/05/2017 12:40
JOESLEY COMPROU DEPUTADOS A PEDIDO DO PT PARA EVITAR IMPEACHMENT DE DILMA

Conteúdo de O Antagonista. O anexo 13, obtido com exclusividade por O Antagonista, Joesley Batista conta que foi procurado pelo deputado João Bacelar - a mando de Guido Mantega - para tentar evitar o impeachment de Dilma Rousseff.

Bacelar apareceu na casa de Joesley, às 22h30, do sábado anterior ao da votação do impeachment, com a missão de convencer o empresário a "comprar alguns deputados para votar em favor da presidente Dilma".
"Que Bacelar apresentou então uma lista de não menos do que 30 deputados dispostos a votar em favor de Dilma, em troca do pagamento de propina solicitada de até 5 milhões de reais para cada qual."

Joesley acabou concordando em comprar 5 deputados federais ao custo de R$ 3 milhões cada. Dos R$ 15 milhões, o dono da JBS diz que já pagou R$ 3,5 milhões, sendo que os últimos R$ 500 mil foram pagos na sua casa, em março de 2017.
Ana Amélia que não é Lemos
19/05/2017 12:37
Sr. Herculano:

Simpático o deboche: "Lady Fran é uma piada".

Iludir doentes com a esperança de uma melhora no atendimento quando não se pode cumprir, também é um deboche com uma pitada de piada de mau gosto. Mostra o mau caráter do vereador querendo se favorecer dos incautos.
Herculano
19/05/2017 11:22
A CRONOLOGIA DA PROPINA DA JBS PARA TEMER

Conteúdo de O Antagonista. O anexo 9 da delação de Joesley Batista, obtido com exclusividade por O Antagonista, traz um relato detalhado das propinas pagas a Michel Temer:

- Em 2010, a pedido de Temer, Joesley pagou R$ 3 milhões em propina, sendo R$ 1 milhão no caixa 1 e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicação. Em agosto do mesmo ano, Joesley pagou mais R$ 240 mil à Ilha Produções, a pedido de Temer.

- Em 2012, Temer pediu a Joesley R$ 3 milhões para a campanha de Gabriel Chalita.

- Durante o impeachment de Dilma, Temer pediu a Joesley mais R$ 300 mil para pagar despesas de marketing digital. O dinheiro foi entregue a Elsinho Mouco.

No anexo 9 de sua delação premiada, revelada com exclusividade no Momento Antagonista, Joesley Batista conta que se reuniu com Michel Temer mais de 20 vezes, desde que se conheceram em 2010.

Joesley conta que Temer lhe foi apresentado por Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura com quem tentou, sem sucesso, federalizar o sistema de inspeção animal no Brasil.

No anexo 9, que publicamos ontem de madrugada, Joesley Batista prova - com planilhas e notas fiscais - que pagou propina a Michel Temer em 2010, 2012, 2014 e 2015.

Ainda mais inacreditável, porém, é a oferta de propina que ele fez dois meses atrás, com o pagamento a Michel Temer de 5% sobre seus negócios no CADE.
Violeiro de Codó
19/05/2017 11:18
Sr. Herculano

"A PROPAGANDA DA DOR"

Ciro André Quintino, com esta cara de cigano nunca me enganou!
Herculano
19/05/2017 11:13
COMO BANDIDOS CRIADOS PELO PT E A ESQUERDA DO ATRASO, AÇOUGUEIROS DISFARÇADOS DE MEGA EMPRESÁRIOS, USAM O JOGO FEITO POR GENTE ESPERTA QUE O ASSESSORA PARA GANHAR PARA SI E PASSAR A CONTA DOS PREJUÍZOS PARA TODOS OS PAGADORES DE PESADOS IMPOSTOS E LUDIBRIAR OS BRASILEIROS, O MINISTÉRIO PÚBLICO E A JUSTIÇA

PINÇO PARTE DESTE TEXTO DE REINALDO AZEVEDO, DE VEJA, EM "A VERDADE É QUE POBRE BRASILEIRO É A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO"

...

Quero agora me ater aos Irmãos Batista - Joesley e Wesley [Friboi]. Se me permitem a graça, com a habilidade de açougueiros experientes, fizeram picadinho das leis, das instituições, da moralidade, da dignidade, da verdade, da decência. E agora estão livres, leves e soltos em Nova York. Ninguém obteve tamanho benefício em negociações de delação premiada.

Como? O grupo vai pagar multa de R$ 225 milhões? Horas antes do vazamento da informação, a CVM ficou sabendo que as empresas ligadas à dupla adquiriram uma posição superior a US$ 1 bilhão no mercado local. Querem ver como é doce a vida dos Batistas?

Quando eles compraram mais de US$ 1 bilhão, a moeda estava cotada a R$ 3,134. Assim, os valentes empenharam um montante de R$ 3,134 bilhões. Ora, eles sabiam que, depois da delação, aconteceria o óbvio: o dólar dispararia. Chegou a R$ 3,40, com uma valorização de 8,48% ontem. Sabem o que isso significa? Que a delação rendeu a Joesley e Wesley, na base da pura especulação, a bagatela de R$ 265.763.200! Caso você decida subtrair daí os R$ 225 milhões da multa, ainda sobram, de saldo positivo, R$ 45,765 milhões.

Só isso? Não! Tanto quando eles sabiam que o dólar iria disparar, tinham clareza de que as ações do grupo iriam despencar. O que eles fizeram? Em abril, depois das conversações para a delação premiada, os Batistas venderam R$ 329 milhões em ações da JBS. Ontem, as ditas cujas sofreram um tombo de 14,84%...
Herculano
19/05/2017 11:02
A PROPAGANDA DA DOR IV

Este é o principal título dos comentários da coluna Olhando a Maré desta sexta-feira. Até às 10h30min, recebi oito whatsapp de gente conhecida minha e a maioria da comunidade (dois são profissionais da saúde, de fora de Gaspar, mas que conhece bem o riscado por aqui) e cinco e.mails de gente conhecida e desconhecida, que presumo serem daqui.

Todos, sem exceção, repito, sem exceção, elogiando e aprovando os comentários.

Então eu deveria estar contente. Mas, não estou.

A todos pedi para tonar pública a opinião (ou informação) deles. Todos, repito, todos, negaram-me. Qual a desculpa? "Não quero me incomodar. São meus amigos, ou, são conhecidos, ou são perigosos e podem me perseguir".

Entenderam a razão pela qual Gaspar continua na mãos de políticos antigos, que metem medo ou compram pessoas? E por isso, elas não reagem! Não podem reagir, ou têm medo de reagir, ou de simplesmente opinar publicamente ou esclarecer fatos óbvios?

Houve um missivista, até, que me trouxe revelações, com documentos e tudo sobre o caos e brigaçadas na nova e velha saúde pública de Gaspar. "Mas, pelo amor de Deus, não dê nada, pois vão logo desconfiar de mim e eu preciso dessa gente para sobreviver. É o meu emprego que está em jogo".

Enquanto isso, as doenças matam quem verdadeiramente precisa dos políticos de Gaspar para fazer a saúde pública funcionar para o público, o mais fraco, o doente de verdade, o fragilizado e vulnerável. Afinal, qual é mesmo a diferença entre o PT e o PMDB? Acorda, Gaspar!
Herculano
19/05/2017 10:47
A HORA DA RESPONSABILIDADE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Nesse clima de fim de mundo, revoam os urubus. Parlamentares e líderes políticos, uns mais criativos que outros, propõem as soluções mais estapafúrdias para uma crise que só existe porque grassa a insensatez entre aqueles que deveriam preservar a estabilidade no País

Este grave momento da vida nacional deverá passar à história como aquele em que a irresponsabilidade e o oportunismo prevaleceram sobre o bom senso e sobre o interesse público. Tudo o que se disser agora sobre os desdobramentos do terremoto gerado pela delação do empresário Joesley Batista, em especial no que diz respeito ao presidente Michel Temer, será mera especulação. Mas pode-se afirmar, sem dúvida, que a crise é resultado de um encadeamento de atitudes imprudentes, tomadas em grande parte por gente que julga ter a missão messiânica de purificar a política nacional. A consequência é a instabilidade permanente, que trava a urgente recuperação do País e joga as instituições no torvelinho das incertezas ?" ambiente propício para aventureiros e salvadores da pátria.

O vazamento de parte da delação do empresário Joesley Batista para a imprensa não foi um acidente. Seguramente há, nos órgãos que têm acesso a esse tipo de documento, quem esteja interessado, sabe-se lá por quais razões, em gerar turbulência no governo exatamente no momento em que o presidente Michel Temer parecia ter arregimentado os votos suficientes para a difícil aprovação da reforma da Previdência. Implicar Temer em uma trama para subornar o deputado cassado Eduardo Cunha a fim de mantê-lo calado, como fez o delator, segundo o pouco que chegou ao conhecimento do público, seria suficiente para justificar seu afastamento e a abertura de um processo contra o presidente ?" o Supremo Tribunal Federal já autorizou a instauração de inquérito.

É preciso destacar, no entanto, o modus operandi do vazamento. A parte da delação que foi divulgada não continha senão fragmentos de frases transcritas de uma gravação clandestina feita por Joesley Batista em uma conversa com Temer. Não se conhecia o contexto em que o diálogo se deu, porque a gravação não foi tornada imediatamente pública. Durante as horas que se seguiram à divulgação da existência do explosivo material, mesmo que não se soubesse o exato teor do que disse Temer, criou-se um fato político gravíssimo. A demora em tornar pública a gravação se prestou, deliberadamente ou não, a prejudicar o acusado, encurralando-o. A versão que certamente interessava ao vazador, portanto, se impôs.

Até mesmo uma conversa informal, na qual Temer teria confidenciado a Joesley Batista que a taxa de juros estava para cair ?" o que qualquer pessoa medianamente inteirada da conjuntura já imaginava ?", está sendo interpretada como tráfico de informação privilegiada. O Banco Central informou o óbvio ?" que não há possibilidade de que Temer tenha tido conhecimento antecipado de uma decisão sobre juros ?", mas, num momento em que o debate político se resume ao disse que disse frívolo das redes sociais, prevalece não a verdade, mas o rumorejo.

Não é de hoje que há vazamentos desse tipo ?" e isso só pode ser feito por quem tem acesso privilegiado a documentos sigilosos. Ao longo de toda a Operação Lava Jato, tornou-se corriqueira a divulgação de trechos de depoimentos de delatores, usados como armas políticas por procuradores. O vazamento a conta-gotas das delações dos executivos da Odebrecht que envolvem quase todo o Congresso Nacional, mantendo o mundo político em pânico em meio a especulações sobre o completo teor dos depoimentos, foi um claro exemplo desse execrável método.

Enquanto isso, fica em segundo plano o fato de que Joesley Batista e outros delatores sairão praticamente livres, pagando multas irrisórias, embora tenham cometido ?" e confessado! ?" cabeludos crimes. Para honrar tão generoso acordo com o Ministério Público, o empresário saiu por Brasília a armar flagrantes, com gravador escondido no bolso, a serviço dos que pretendem reformar a política na marra.

Nesse clima de fim de mundo, revoam os urubus. Parlamentares e líderes políticos, uns mais criativos que outros, propõem as soluções mais estapafúrdias para uma crise que só existe porque grassa a insensatez entre aqueles que deveriam preservar a estabilidade no País.

Resta demandar que a Constituição não seja rasgada ao sabor das conveniências daqueles que lucram com o caos.
Herculano
19/05/2017 08:28
UM DIA NORMAL DE PÂNICO E SUJEIRA, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

O PANIQUITO na feira do mercado de dinheiro foi horrível, mas normal, para não dizer estereotipado. Nem mesmo ainda é possível dizer se a reação da praça financeira foi exagerada ou se tende a ser pior. Esse não é nem de longe o maior problema econômico-financeiro agora.

Os preços e o tamanho do tumulto na economia real dependerão, óbvio, de política e, por tabela, da reação de bancos, empresas e consumidores. Vão depender da dimensão do choque de confiança causado por esse novo despejo de lixo político sobre as nossas cabeças.

Isto posto, é improvável que a crise política não dê um talho neste crescimento que tendia a ser quase estagnação neste 2017: para zero.

Sim, no mercado financeiro houve variações de preços inéditas por vezes em uma década ou mais, desde os meses de pânico com a eleição de Lula, em 2002. Sim, tais saltos podem até quebrar alguém e, no limite, causar problemas em cadeia, em especial se duram mais de um dia e se não houver medidas profiláticas do Banco Central e do Tesouro.

No governo, enquanto dure, o plano é tocar a vida. Em primeiro lugar, "dar liquidez" ao mercado, fazer negócios no lugar de quem correu de medo ou desespero, comprando e vendendo títulos ou dólares de modo que as taxas de juros e o câmbio não disparem por falta de oferta ou procura, remédio normal.

No mais, a ideia é administrar a economia e negociar "reformas" como se um meteorito não estivesse para cair nesta terra já devastada.

No entanto, o problema essencial é o que sobrevirá, pois não se sabe se o governo será moribundo, zumbi ou desconhecido (em caso de nova eleição).

A incerteza da retomada do crescimento por si só já levava bancos, empresas e consumidores ao comedimento ou à retranca. O crédito estava travado, os taxas de juros nos bancos mal caíam; consumidores receosos ou endividados não queriam ou conseguiam tomar empréstimos bastantes. Esperava-se o segundo semestre.

Agora, a reanimação da economia catatônica foi adiada para um depois perdido na névoa, no melhor dos casos. Pode ser bem pior se, por exemplo, o Banco Central também entrar na retranca, se o câmbio explodir ou, mais plausível, não passar reforma alguma.

Até quarta (17), o "mercado" esperava para o fim deste mês queda de mais 1,25 ponto percentual na taxa de juros "do BC", na Selic, o que se pode perceber pelos preços (juros) dos negócios no atacadão de dinheiro. No pior momento do surto desta quinta-feira (18), chegou-se a fazer negócio com a expectativa de queda de apenas 0,25 ponto percentual ?"o dia fechou em meio ponto.

Taxas de juros de um ano aumentaram um ponto percentual, comendo quase um terço da campanha de queda de juros desde o fim do ano passado. Parece pouco, mas é uma variação capaz de causar perdas imensas na praça, no curtíssimo prazo; de travar negócios, se chegar de fato à ponta dos empréstimos.

Não se sabe, porém, se valores de juros, câmbio e ações estavam histéricos devido a um mercado disfuncional ou se já embutem alta de risco mais duradoura.

Pelo menos até o julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer, em 6 de junho, se Temer não cair antes, não será possível dizer grande coisa do futuro imediato da economia brasileira, para o bem ou para o mal.
Herculano
19/05/2017 08:25
PIADA DOS VEREADORES DE GASPAR

Onde parte deles - a maioria da base do governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB - desde ontem? Em Florianópolis. Fazendo o que? Participando do 113º "Seminário Brasileiro de Prefeitos e Vereadores", aquele tipo de encontro caça níquel, com diploma, e ficha de presença fajutas, que já virou até motivo de reportagem no Fantástico e que se realiza em pontos e capitais turísticas.

Qual o objetivo dos nossos edis no evento? Segundo eles próprios, "aprender ainda mais sobre lei orgânica, regime interno, orçamento público, papel do vereador na fiscalização dos atos do executivo..."

Ah, então, até agora, esse vereadores não sabiam qual o papel do vereador na fiscalização dos atos do executivo? Então está explicado a razão pela qual vem rateando para não se ter sessão a noite para o povo acessá-la, para devolver dinheiro que não é da prefeitura e impedir audiências para discutir sobre assunto que são só de interesses dos vereadores e da Câmara de Gaspar. Aprendizes! Mas, não foi isso, que propagaram aos eleitores quando pediram votos. Acorda, Gaspar!
Herculano
19/05/2017 08:13
da série: para o PT e a esquerda do atraso, as leis, as instituições e os julgamentos só servem quando lhes convém. Caso contrário devem ser abolidas e se possível até trocar o povo que não avaliza essa tese, para mante-los confortavelmente nas mordomais e no poder sustentando ignorância e miséria desse povo.

O POVO PODE DESFAZER AS LEIS QUE ELE MESMO FEZ E DESTITUIR INSTITUIÇÕES, por Vladimir Safatle, professor de filosofia na USP, para o jornal Folha de S. Paulo

Devemos obedecer a um governo ilegítimo? Devemos aceitar ordens de quem, de forma explícita, se mostra capaz de servir-se do governo para impedir o funcionamento da Justiça ou para fazer passar leis que contrariam abertamente a vontade da maioria? Essas perguntas devem ser lembradas neste momento. Pois a adesão pontual do povo a seu governo não se dá devido à exigência da lei, mas devido à capacidade dos membros do governo de respeitarem a vontade geral.

Essa capacidade está definitivamente quebrada. Não. Na verdade, ela nunca existiu. Se quisermos ser mais precisos, devemos dizer que apenas se quebrou a última de todas as aparências. O desgoverno Temer não consegue nem sequer sustentar uma aparência de legitimidade. Cada dia a mais desse "governo" é uma afronta ao povo brasileiro. O que nos resta é a desobediência sistemática a todas as ações governamentais até que o "governo" caia.

Temer entrará para a história brasileira não apenas como o primeiro vice-presidente a ter conspirado abertamente contra sua própria presidenta até sua queda final. Ele será lembrado como o primeiro presidente a ser pego operando diretamente casos de tráfico de influência (o caso de seu antigo ministro da Cultura sendo obrigado a liberar uma licença para viabilizar o apartamento de Geddel Vieira) e de pagamento para silenciar presos.

Exatamente no mesmo momento em que esse senhor exigia do povo brasileiro "sacrifícios" ligados à destruição de condições mínimas de trabalho e garantia previdenciária ele pedia ao dono da Friboi que continuasse a dar mesada para presos ficarem calados. O mesmo que entregará o país com 14 milhões de desempregados e mais 3,6 milhões de pobres garantiu lucros recordes para os bancos brasileiros no último trimestre.

Agora, alguns acham que o Brasil deve seguir então "os procedimentos legais" e empossar o investigado Rodrigo Maia para que convoque uma eleição indireta para presidente.

De todos os disparates nesta república oligárquica, este seria o maior de todos. Em um momento como o atual, o país não deve recorrer a leis claramente inaceitáveis, ainda mais se levarmos em conta a situação em que vivemos. Afinal, como admitir que um presidente seja escolhido por um Congresso Nacional de indiciados e réus, fruto de um sistema incestuoso de relações entre casta política e empresariado que agora vem a tona?

Uma das bases da democracia é não submeter a soberania popular nem a decisões equivocadas feitas no passado, nem a instituições aberrantes. O povo não é prisioneiro dos erros do passado, mas sua vontade é sempre atual e soberana. Ele pode desfazer as leis que ele mesmo fez e destituir instituições que se mostram corrompidas.

Por essa razão, o único passo na direção correta seria a convocação extraordinária de eleições gerais, com a possibilidade de apresentação de candidaturas independentes, para que aqueles que não se sentem mais representados por partidos possam também ter presença política.

Que o Brasil entenda de um vez por todas: em situações de crise, não há outra coisa a fazer do que caminhar em direção ao grau zero da representação, convocar diretamente o povo e deixá-lo encontrar suas próprias soluções. Toda democracia é um "kratos" do "demos", ou seja, o exercício de uma força ("kratos") própria ao povo em assembleia. Essa é a única força que pode abrir novos horizontes neste momento.

Pois que não se enganem. Como já dissera anteriormente neste espaço, Temer não existe. Esse operador dos escaninhos do poder, acostumado à sombras e aos negócios escusos, sempre foi politicamente ninguém.

Quem governa efetivamente é uma junta financeira que procura reduzir o Estado brasileiro a mero instrumento de rentabilização de ativos da elite patrimonialista e rentista. A mesma junta que impõe ao país "reformas" que visam destruir até mesmo a possibilidade de se aposentar com uma renda minimamente digna. Ela tentará continuar no governo independentemente de quem seja o manobrista no Palácio do Planalto. Ela tentará o velho mote: "Tudo mudar para que nada mude". Mas, para isso, precisará deixar o povo afastado de toda decisão política.
Herculano
19/05/2017 08:05
DO LULA QUE MANDAVA AO QUE NÃO SABIA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

Dez de maio de 2017, em Curitiba. O juiz Moro, na série de questões sobre a influência de Lula na Petrobras, pergunta a respeito da refinaria do Nordeste, especialmente se o ex-presidente sabia por que custava tão mais caro do que o previsto. Lula: Não sei. Acrescentou que a estatal era independente.

17 de setembro de 2009. Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", Lula conta que a Petrobras lhe apresentara um plano adiando investimento e sem previsão de novas refinarias. E o que fez o então presidente? "Convoquei o Conselho da Petrobras...", responde Lula, direto. Resultado, não uma, mas quatro refinarias projetadas, inclusive aquela do Nordeste, da qual Lula fazia questão.

O PIB do Brasil ainda seria negativo em 2009, mas naquele fim de ano já estava claro que o país deixara a recessão para trás. Lula apresentou-se triunfante na entrevista. A recuperação era coisa dele.

Bem diferente do Lula de hoje, em Curitiba. Se o atual diz que não mandava no governo, que a Petrobras era independente, que o presidente apenas encaminhava nomes indicados para a diretoria, o Lula de 2009 alardeava seu poder sobre o governo e empresas do setor privado.

A linguagem deixava claro. Por exemplo: "Comprei um banco que tinha caixa", referindo?"se à aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Ou: "Quando fui comprar 50% do Banco Votorantim, tive que me lixar para a especulação". Tratava-se de aquisição também feita pelo Banco do Brasil.

Especulação era, na verdade, a objeção de áreas do governo, do pessoal que achava a operação um mau negócio. Também havia resistência à compra da Nossa Caixa, então pertencente ao governo de São Paulo. Lula conta: "Não foi fácil tomar a decisão de fazer o BB comprar a Nossa Caixa".

Repararam? "Fazer o BB comprar..."

No depoimento de Curitiba, os advogados de Lula reclamaram que o juiz Moro estava fazendo perguntas fora do processo, como aquela sobre a refinaria do Nordeste. Moro explicou que a questão era saber a relação entre Lula e seus subordinados, o que faz inteiro sentido. Se muitos dos subordinados roubaram tanto em tão pouco tempo, em tantas áreas do governo, qual o conhecimento que o presidente tinha ou deveria ter?

Pois o Lula de 2009 se apresentava como o dono do governo e com poder, e disposição, para influir no setor privado. Isso o torna responsável por muita coisa, inclusive pelos desastres de gestão, corrupção à parte. É o custo Lula.

A refinaria do Nordeste, pura determinação de Lula, deveria ser uma sociedade meio a meio com a PDVSA venezuelana, que entraria no negócio com dinheiro e óleo. E a coisa custaria em torno dos US$ 4 bilhões. Pois já no governo Dilma, a então presidente da Petrobras, Graça Foster, informava que a refinaria custaria US$ 17 bi, estava atrasada e ficara inteiramente por conta da estatal brasileira.

Como uma empresa como a Petrobras poderia ter cometido um erro desse tamanho? Simples. A estatal não tinha projeto nenhum para isso. "Se dependesse da Petrobras, ela não gostaria de fazer refinarias", disse Lula na célebre entrevista ao "Valor". Pois o então presidente decidiu, a diretoria improvisou umas plantas, chutou 4 bi de dólares, e assim se construiu mais um prejuízo bilionário, mesmo que não tenha sido roubado um centavo.

A compra do Votorantim deu um prejuízo de R$ 1 bilhão para o BB, logo no primeiro ano. O negócio só foi bom para os acionistas do Votorantim.

É interessante que, na mesma entrevista ao "Valor Econômico", os jornalistas observam que isso de o governo mandar os bancos públicos comprar e emprestar já tinha levado instituições à quebradeira. Lula: "Emprestar dinheiro para amigo? Isso acabou".

Terá sido por acaso que os maiores clientes do BNDES, por exemplo, sejam também os maiores financiadores de campanhas.

Lava-Jato à parte, há um custo Lula, que vai do buraco nas contas públicas até os prejuízos das estatais. Lula fez com que a Petrobras projetasse quatro refinarias, todos tipo maior do mundo. Duas, as do Ceará e Maranhão, não saíram do projeto e, mesmo assim, deixaram um prejuízo de R$ 2,5 bilhões. Duas foram construídas, a do Nordeste e a do Rio, o Comperj ?" ambas não terminadas, ambas muito mais caras que o previsto e provavelmente não lucrativas. Estavam certos os técnicos que não gostavam de fazer refinarias. Estavam todos errados ao aceitar a determinação do então presidente. Poderiam ter recusado?

Se o Lula de hoje está certo, a diretoria da Petrobras era independente e poderia ter recusado. Ou seja, o que o Lula de hoje está dizendo é que os culpados são as diretorias da estatal e os políticos que indicaram seus diretores. Mas quem era aquele de 2009?
Herculano
19/05/2017 08:00
PROPINA GIGANTE DE LOURES PODE COMPLICAR TEMER, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Na avaliação dos aliados do governo, o trecho mais grave da conversa de 39 minutos de Michel Temer com Joesley Batista, é quando o presidente destaca um deputado ligado a ele, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), para "ajudar a destravar" problemas do Grupo JBS no Cade, órgão que investiga cartéis. Desse contato com Loures resultou o acerto de propina que é recorde na história da corrupção em todo o mundo: R$500 mil semanais por vinte anos, totalizando R$480 milhões.

PRESO, PASSARINHO PIA
Após a divulgação das imagens do flagrante da PF, a expectativa é que Rocha Loures será [ já foi hoje pela manhã] preso ao desembarcar da viagem a Nova York.

DELAÇÃO PREVISÍVEL
Quem o conhece diz que no primeiro minuto de prisão Loures vai entrar na fila dos acordos de delação. É onde mora o perigo para Temer.

NÃO ERA TUDO ISSO
Para o governo, na gravação, Michel Temer recomenda "tem de manter isso, viu?", após Joesley Batista dizer "tô de bem com o Eduardo".

CONVERSA INDEVIDA
Para os aliados do governo, pior que a conversa foi o fato de Michel Temer tratar de assuntos inapropriados com um investigado.

MENTIRAS NÃO DEVEM RESULTAR EM PUNIÇÃO A LULA
O ex-presidente Lula não será processado pelas mentiras que disse ao juiz Sérgio Moro, no interrogatório sobre o tríplex-propina do Guarujá. Só testemunha não pode mentir no processo, segundo explicou o criminalista Danillo de Oliveira Souza. Lula mentiu ao negar encontro no sítio de Atibaia com Leo Pinheiro (OAS), e jurar que não se reuniu com diretores que roubavam a Petrobras. E ainda contou outra mentira, dizendo: "não há pergunta difícil quando alguém quer falar a verdade".

MENTIRA 1
O Ministério Público anexou ao processo do tríplex-propina fotos de Lula conversando à beira da piscina com Leo Pinheiro no sítio.

MENTIRA 2
O MPF também obteve comprovantes de 27 reuniões de Lula com ladrões confessos da Petrobras, como Renato Duque e Jorge Zelada.

LOROTAS RELEVANTES
As mentiras são relevantes porque Lula é acusado de corrupção passiva por aceitar como propina as reformas no tríplex e no sítio.

BEM ESCONDIDO
Para gravar Michel Temer, Joesley Batista escondeu muito bem o gravador. Há vários anos, a segurança presidencial não permite a visitantes nem mesmo manter celular desligado no bolso.

MOLEZA NA SEGURANÇA
Na gravação, Joesley elogiou a Temer o fácil acesso ao Palácio do Jaburu. "Eu vim chegando e já foram abrindo o portão. Sem nome, sem nada"! Os seguranças foram informados da placa previamente.

TEMER TRANQUILO
Joesley pergunta ao presidente, na conversa, sobre a ação contra a chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Temer não parecia preocupado: "Lá eles têm consciência política".

CADA DIA SUA AGONIA
Assim como Lula no mensalão, cuja renúncia se esperava após o depoimento-bomba do marqueteiro Duda Mendonça na CPI que investigava o mensalão, Temer celebrou outro dia sem renúncia.

NEGATIVA ENFÁTICA
O ex-ministro da Cultura Roberto Freire contou que na conversa em que pediu demissão, Michel Temer afirmou sua inocência de maneira ainda mais eloquente do que em seu pronunciamento oficial.

SENADOR CONECTADO
Após a sessão do Senado onde discursava sobre o "tsunami político que abala o país" ser encerrada, Cristovam Buarque (PPS-DF) fez uma transmissão ao vivo, via Facebook, para continuar seu discurso.

CAFÉ SEM LEITE
O presidente do PSDB paulistano, Mario Covas Neto, foi o primeiro a pedir a saída de Aécio Neves (MG) do comando do partido. "O senhor não tem condições de estar à frente de nosso partido, neste momento".

PRIORIDADE LOCAL
Betinho Gomes (PSDB-PE) esclarece que pediu ao presidente da Petrobras, Pedro Parente, que considere priorizar a contratação de trabalhadores locais nas obras da refinaria de Abreu e Lima.

IDAS E VINDAS
O súbito silêncio do falante senador Renan Calheiros significa que o líder do PMDB foi ou voltou para Temer?
Herculano
19/05/2017 07:54
TEMER É VÍTIMA DE UMA CONSPIRAÇÃO

Pesquisem a etimologia da palavra "conspiração". Lá está o verbo "spiiro", que significa "soprar", "respirar", mas também "emitir um odor". A conspiração, então, é uma teia de sopros, respiros e odores subalternos. Metaforicamente, é o cochicho das sombras. Cecília Meireles soube trabalhar tal origem no seu magnífico "Romanceiro da Inconfidência". Pesquisem a respeito.

É claro que o presidente Michel Temer está sendo vítima de uma conspiração meticulosa e muito bem-sucedida. Todos sabem que os irmãos Joesley e Wesley Batista eram íntimos e grandes beneficiários do regime petista. Aliás, dava-se de barato: querem pegar o PT? Então peguem a JBS. A coisa ganhou até tradução popular. Que jornalista não foi indagado no táxi sobre uma suposta fazenda de Lulinha, em sociedade com a JBS? Que se saiba, tudo conversa mole. Nunca houve.

Mas a dupla caiu na rede da Lava Jato. Os irmãos foram assediados pela força-tarefa. Sabe-se lá com quantas ameaças. Como não devem ter memória muito limpa do que fizeram nos verões passados, resolveram "colaborar". Mas não com uma delação premiada no molde Marcelo Odebrecht. Não!

Empregou-se a tática aplicada no caso Sérgio Machado, aquele que se dispôs a gravar peixões da República. Com a mesma generosidade. Em troca, os filhos de Machado nem processados foram. O criminoso pegou dois anos e três meses de cadeia em sua mansão, em Fortaleza.

Aos irmãos Batista se ofereceu ainda mais: "Entreguem o presidente da República, apelando a uma conversa induzida, gravada de forma clandestina. Façam o mesmo com o principal líder da oposição, e vocês nem precisarão ficar no Brasil, sentindo o odor dessa pobrada, que vai pagar o pato. Nós os condenaremos a morar em apartamento de bilionário em Nova York. Impunidade nunca mais!"

Querem saber?

Sim, sou grato ao Ministério Público Federal e à tal força-tarefa. Oh, sim, também pelos relevantes serviços prestados no combate à corrupção. Lembrando o cineasta Bertolucci, sob o pretexto de caçar tarados, vocês ainda chegam ao fascismo, valentes! Avante, "giovinezza, giovinezza,/ Primavera di bellezza/ (...)/ Per Janot, Dallagnol, la mostra Patria bella".

Sim, sou grato a todos os Torquemadas e Savonarolas da política porque admitem, na prática, agora sem nesga para contestação, que eu estava certo. Os procuradores têm um projeto de poder e estão destinados a refundar a República. E, por óbvio, seu viés é de natureza revolucionária, não reformista. Em recente prefácio que escreveu, o juiz Sergio Moro alcançou voos condoreiros: haverá dor.

Sim, sou grato a esses patriotas porque, quando afirmei, há meses, que a direita xucra estava se juntando a alguns porras-loucas, com poder de polícia, para devolver o poder às esquerdas, alguns tentaram me tachar de maluco. Perdi amigos - não por iniciativa minha. E, no entanto, tudo está aí, claro como a luz do dia.

Então vamos ver. O presidente Michel Temer disse que não renuncia. Sim, ele é um político, é hábil, é consciencioso e certamente saberá avaliar, de forma criteriosa, as circunstâncias. Estas são sempre boas conselheiras dos prudentes. Como ele próprio lembrou, trechos de gravações vêm a público naquele que é o melhor momento do governo.

No breve pronunciamento que fez nesta quinta, Temer subiu um pouco o tom - ou o som - que lhe é habitual. Havia uma irritação extrema, mas contida (como é de seu feitio). A tensão era óbvia.

O Brasil está pronto para ser o território livre do surrealismo jurídico.

Ali falava um presidente da República, ninguém menos, a negar a renúncia, mas sem saber do que era acusado. Tinha consciência, sim, de que o relator do petrolão no STF, Edson Fachin, já havia aceitado o pedido de investigação. Mas ele próprio não tinha ouvido nada. O conteúdo já foi liberado.

Ali falava um presidente da República, ninguém menos, que lutava para não ser refém do Terror Jurídico em curso no país. Sob o pretexto de "cassar tarados".

O Brasil afunda, e a esquerda deita e rola.
Herculano
19/05/2017 07:47
ÁUDIO REPRESENTA O STRIPTEASE MORAL DE TEMER, por Josias de Souza

Corta para a Pizzaria Camelo, no elegante bairro paulistano dos Jardins. Noite do dia 28 de abril de 2017. O deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR) ?"o "Rodrigo" que Temer credenciara como seu intermediário?" foi seguido e fotografado pela Polícia Federal recebendo de Ricardo Saud, diretor do Grupo JBS, o conglomerado de Joesley, uma mala contendo R$ 500 mil. Era propina, informou a Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

Sem saber que Joesley escondia um gravador no bolso do paletó, Temer caiu numa cilada. Recepcionou no Jaburu não o amigo, mas um delator. Manteve com ele uma conversa vadia de 33 minutos. Nela, estimulou o interlocutor a conservar as boas relações monetárias que mantém com o presidiário Eduardo Cunha. Ouviu relatos sobre a compra das consciências de um par de juízes e um procurador da República. Como se fosse pouco, Temer autorizou o visitante a utilizar o seu nome para pressionar o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) a se "alinhar" aos interesses de sua empresa.

A conversa rendeu a Joesley e seu irmão Wesley um acordo de delação cujo prêmio incluiu um exílio dourado em Nova York. Quanto a Temer, o áudio resultou num rebaixamento político que o transportou da posição de presidente da República para a condição de protagonista de um inquérito criminal no Supremo. Ao escutar o áudio, liberado nesta quinta-feira pelo ministro Edson Fachin, da Suprema Corte, Temer celebrou: "A montanha pariu um rato." Ficou demonstrado que, em Brasília, o pior cego é aquele que não quer ouvir.

Com interesses em guichês tão estratégicos quanto Receita Federal, Banco Central e BNDES, Joesley queixou-se a Temer de Henrique Meirelles. Embora estivesse na folha salarial de sua empresa antes de virar ministro da Fazenda, Meirelles vem refugando as demandas do ex-patrão. E o dono do JBS pediu a Temer um "alinhamento" de posições que lhe permitisse ser mais direto com o ministro: "Porra, Meirelles". E Temer: "Pode fazer isso."

Habituada a ouvir as mesóclises que adornam o linguajar rococó do constitucionalista Temer, a plateia ficou autorizada a indagar: Quando se deu a mutação do presidente que dizia estar interessado em passar à história como reformista para o administrador do "pode fazer isso"? Olhando-se ao redor, enxerga-se a presença de oito ministros que Temer insiste em manter no Planalto e na Esplanada como se a Lava Jato não tivesse descoberto nada sobre eles. Fica entendido que pode fazer também aquilo.

O diálogo com Joesley surtiu sobre Temer o efeito de um striptease moral. Em meio à maior investigação contra a corrupção da história, que torna impotentes os ex-poderosos da República, Temer permitiu-se manter, em pleno palácio residencial, uma conversa antirrepublicana. O regime atual no Brasil, agora ficou claro, não é mais o presidencialismo, mas uma versão tapuia da monarquia. Reina a esculhambação.

O monarca está nu. Ao dizer que não renuncia, tenta convencer o reino de que utiliza ternos feitos de um tecido muito resistente, mas completamente invisível a qualquer brasileiro pessimista -do tipo que, obrigado a conviver com a sobra do mês no fim do salário, não pode fazer nem isso nem aquilo.
Herculano
19/05/2017 07:45
O MESMO DIAGNóSTICO ABAIXO, O MESMO COLUNISTA NÃO CONSEGUIU PRODUZIR, EM MOMENTO ALGUM, EM SITUAÇÃO SEMELHANTE OU PIOR, QUANDO DA DERROCADA DE GOVERNABILIDADE E ECONôMICA DO GOVERNO DE DILMA VANA DILMA ROUSSEFF, PT
Herculano
19/05/2017 07:42
UM ZUMBI NO PLANALTO, por Benardo Mello Franco, no jornal Folha de S. Paulo

Michel Temer, o presidente sem votos, agora quer ser presidente sem governo. Flagrado numa trama de corrupção e obstrução da Justiça, ele vê sua autoridade se esfarelar em praça pública. Mesmo assim, insiste em se agarrar à cadeira.

O governo começou a respirar por aparelhos na noite de quarta. Assim que o diálogo com o dono da JBS foi divulgado, aliados passaram a discutir procedimentos para desligar as máquinas. As conversas avançaram pela madrugada de Brasília.

Na residência do presidente da Câmara, quatro ministros discutiram as exéquias do chefe. Todos trataram Temer como um cadáver político. Restaram divergências sobre a forma de removê-lo do palácio: renúncia, impeachment ou cassação no TSE.

A situação se agravaria nas horas seguintes. O Supremo autorizou a abertura de inquérito criminal contra o presidente. A OAB falou em fatos "estarrecedores, repugnantes e gravíssimos". A Bolsa despencou, o dólar disparou e o mercado passou a cobrar um desfecho rápido para a crise.

Temer ouviu de vários aliados que chegou ao fim da linha, mas decidiu resistir, mesmo que seja na condição de zumbi. Seguiu o conselho de aliados que dependem do foro privilegiado para não embarcar no próximo voo da Polícia Federal para Curitiba.

Em vez de demonstrar força, o discurso do "fico" forneceu um atestado de fraqueza política. Em tom irritadiço, o presidente esbravejou e elevou a voz, mas não esclareceu nenhuma das suspeitas que o cercam.

Temer apostou tudo na estratégia do terrorismo econômico. Sugeriu que sem ele o Brasil mergulhará no caos e o esforço pela retomada será jogado no "lixo da história". Quando disse que não iria renunciar, ouviu aplausos tímidos e constrangidos.

Ao prolongar a agonia de um governo cambaleante, o presidente mostrou que está menos preocupado com o país do que com o próprio destino. Talvez não tenha entendido que este pode ser o caminho mais curto para a lata de lixo.
Herculano
18/05/2017 23:16
EM CONVERSA COM DONO DA JBS, AÉCIO REVELOU QUE DESEJAVA IMPEDIR LAVA JATO E ANISTIAR CAIXA 2

Conteúdo do Instituto Liberal de S. Paulo. Texto de Marcelo Faria.Em conversas realizadas com Joesley Batista, dono da JBS, o senador afastado Aécio Neves (PSDB) desejava impedir o avanço da Operação Lava Jato por meio da "lei de abuso de autoridade" e controle dos inquéritos na Polícia Federal, além da anistia ao Caixa 2 com manobras no Congresso. Os diálogos fazem parte da decisão do ministro do STF, Edson Fachin, que afastou Aécio do Senado e decretou as prisões preventivas da irmã dele, Andréa Neves, e de seu primo Frederico Pacheco de Medeiros ?" responsável por receber propina em nome dele. Confira os diálogos abaixo:

Aécio ?" Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade.
Joesley ?" Não vai parar com essa merda?
Aécio ?" Cara, nós tamos vendo (?) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (?) na terça-feira.
Joesley ?" Texto do quê?
Aécio ?" Não? São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (?) de quem doa e de quem recebeu.
Joesley ?" E de quem recebeu.
Aécio ?" Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na? Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez? Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.
Joesley ?" Lógico.
Aécio ?" O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?
Joesley ?" Todo mundo fica com essa. Não?
Aécio ?" E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí? forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade? O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.
Joesley ?" Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.
Aécio ?" Ontem até? Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.
Joesley ?" E aí ele chega lá e amarela.
Aécio ?" Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.

Aécio Neves também criticou o Ministro da Justiça e defendeu mudanças no setor para impedir o avanço da Lava Jato.

Joesley ?" Esse é bom?
Aécio ?" Tá na cadeira (?). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá, Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (?). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.
Joesley ?" Pro João
Aécio ?" É. O Aécio vai pro Zé (?)
[Vozes intercaladas]
Aécio ?" Tem que tirar esse cara.
Joesley ?" É, pô. Esse cara já era. Tá doido.
Aécio ?" E o motivo igual a esse?
Joesley ?" Claro. Criou o clima.
Aécio ?" É ele próprio já estava até preparado para sair.
Joesley ?" Claro. Criou o clima.
Herculano
18/05/2017 23:07
JBS ABATE LULA, DILMA, RENAN E SERRA

O Antagonista. Eliane Catanhêde diz que nesta sexta-feira serão divulgadas delações que "atingem mortalmente" Lula, Dilma Rousseff, Renan Calheiros e José Serra.

"O resultado é considerado devastador e arrasta para o fundo do poço não apenas o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, mas o próprio mundo político."
Herculano
18/05/2017 22:54
O PAÍS QUE PRESTA NÃO TEM BANDIDOS DE ESTIMAÇÃO, por Augusto Nunes, de Veja

Os democratas antipetistas tentados a interromper a agonia política de Aécio Neves, Michel Temer e outras figuras mortalmente atingidas pela devassa nas catacumbas do Brasil precisam livrar-se imediatamente desse surto de esquizofrenia ética. O país que presta não tem bandidos de estimação, reitera esta coluna há mais de oito anos. Quem cumpre a lei e cultiva valores morais permanentes não pode ser cúmplice de corruptos condecorados. Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para os sonham com o fim da operação que desencadeou a dedetização dos porões do Brasil.

Todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela Era da Canalhice devem ser punidos pelos crimes que praticaram, sejam quais forem os partidos que escolheram para homiziar-se. Quem luta contra a roubalheira não pode ser clemente com oportunistas que ou se aliaram ao esquema criminoso montado pelo PT, caso de Michel Temer, ou passaram 13 anos em silêncio obsequioso frente às falcatruas empilhadas durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. Os figurões do PSDB sempre reagiram com miados às bravatas do chefão Lula. Agora se sabe por quê.

A turma que ousou desafiar o renascimento da Justiça e obstruir os avanços da Lava Jato precisa compreender definitivamente que agora todos são iguais perante a lei. Por terem deixado de ser mais iguais que os outros, Michel Temer deveria renunciar à Presidência antes de ser dela despejado, Lula coleciona pesadelos com Curitiba, Aécio Neves antecipou a irreversível aposentadoria da vida pública e Dilma descobriu que não tem votos sequer para eleger-se síndica do prédio onde se refugia em Porto Alegre.

Desmatada por Sérgio Moro, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, a estrada percorrida pelos gatunos cinco estrelas leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para obscenidades de quaisquer partidos. O país do futuro ainda está em trabalhos de parto, mas certamente será muito melhor que o repulsivo Brasil que agoniza neste outono de 2017. Retirados os tumores que restam, a Nação mostrará a si mesma que fez mais do que sobreviver. Ficou mais viva e saudável do que nunca.
Herculano
18/05/2017 22:51
ILHOTA EM CHAMAS

O prefeito Érico de Oliveira, PMDB, só cantou de galo na separação de Ilhota da Casan, depois que o juiz da 2ª Vara da Comarca de Gaspar, Renato Matella, assunou na terça-feira ao Mandado de Imissão de Posse. Autorizou, inclusive, a utilização de força policial, se necessário.

Mais um cabide de empregos para políticos criado no município de Ilhota, sob o argumento de que precisa melhorar o serviço público. E por falar nisso, qual o plano de negócios do novo Samae de Ilhota?


Herculano
18/05/2017 22:43
CONVERSA ENTRE TEMER E JOESLEY Só EVIDENCIA UM CRIMINOSO: JOESLEY, por Reinaldo Azevedo, de Veja

Ainda volto ao assunto. A transcrição está em toda parte. A conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista evidencia que um só está falando de crimes: Joesley. E tenta enrolar Temer.

BATISTA: Eu vou falar assim? Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de uma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá [na cadeia], veio, cobrou, tá, tá, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né? O Geddel sempre tava? TEMER: [inaudível]

BATISTA: Isso, isso. O Geddel é que andava sempre ali, também, com esse negócio, eu perdi o contato, ele virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele.

TEMER: É, cuidado, tá complicado. [Inaudível] não parecer obstrução à Justiça. [inaudível]

BATISTA: Isso. Isso. Esse negócio dos vazamentos, o telefone lá do [inaudível] com Geddel, volta e meia citava uma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu? O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?

TEMER: Tem que manter isso, viu? [inaudível]

BATISTA: [falando mais baixo] Todo mês? TEMER: [inaudível]

BATISTA: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo, assim?

TEMER: [inaudível]

BATISTA: Isso, isso, é, é investigado. Não tenho ainda a denúncia [contra ele]. Aqui eu dei conta de um lado, o juiz, dar uma segurada, do outro lado, o juiz substituto, que é um cara que fica?. [inaudível] Tô segurando os dois. Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. ?", se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê?

TEMER: [inaudível] ajudando.

BATISTA: Tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal? O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar?

TEMER: O que tá? [inaudível].

BATISTA: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.
Herculano
18/05/2017 21:26
TEMER NÃO ERA REFÉM, MAS PARTE DA BANDA PODRE, por Josias de Souza

Sejamos claros e diretos: Michel Temer tornou-se gestor de um governo terminal. Sua voz soou numa conversa vadia gravada por um delator. Aécio Neves, seu principal aliado no Congresso, foi pilhado num pedido de propina. Temer anunciou ao país que não renuncia. Mas seus ministros e apoiadores já começaram a renunciar ao presidente. Temer logo perceberá que há um déficit de apoiadores ao seu redor. Ele também notará que precisa não de aliados políticos, mas de uma boa banca de advogados. Temer migrou da condição de presidente para a posição de investigado em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal.

Por ironia, Temer escolheu o seu próprio caminho para o inferno. Fez isso ao imaginar que poderia governar dando de ombros para a Lava Jato, a maior investigação de corrupção já realizada na história da República. Quis reformar o país abraçado ao entulho. Verificou-se que ele não era apenas refém da banda podre, mas parte da podridão.

Temer assumiu prometendo virar a página. E virou. Só que para trás. As consequências da crise serão duras. As reformas que corriam no Congresso foram ao freezer. A economia, que dava sinais de recuperação, voltará a deslizar. Enquanto Temer finge que ainda preside, o sistema político busca uma porta de incêndio, qualquer coisa que se pareça com uma saída. Seja qual for a solução, sempre parecerá um remendo. A eleição de 2018 será o melhor remédio. Que pode virar um purgante. Depende de você, caro eleitor. As ruas voltaram a ser protagonistas

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.