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Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

25/05/2017

TRANSPARÊNCIA ZERO I
O governo do estado de Raimundo Colombo, PSD, mesmo enrolado e se contradizendo nas atitudes e discursos, fez da transparência aos cidadãos pagadores de pesados impostos no seu segundo mandato, a sua arma de propaganda. Errou no timming e no foco. Prova-se hoje, que a falta de transparência é um erro original seu, e começa na campanha, como sempre foram as daqui de Gaspar e Ilhota. Voltando. E realmente o “novo” portal do governo do estado é uma boa ferramenta para se pesquisar e se assustar. Na semana passada a administração de Blumenau fez o mesmo, reclamando inclusive da nota dada ao que já tinha e que não era tão ruim como classificavam os órgãos de monitoramentos das contas públicas. Estão certos. É preciso ser rigoroso e exigir sempre mais com essa gente. E na mesma toada, a de se expor, a Câmara de vereadores de lá, também apresentou o avanço no portal da transparência dos seus números, ações e acessibilidade dos cidadãos.

TRANSPARÊNCIA ZERO II
E aqui em Gaspar? Continuamos perto do zero. Pior, há decisões judiciais, com prazos e punições, por iniciativa do Ministério Público e que cuida da Moralidade Pública, para resolver este assunto. Os espertos mascararam, zombam, tripudiam no escárnio. E ficou por isso mesmo. Os problemas são tantos que a Justiça e o MP relaxaram. E os políticos e gestores públicos já acostumados aos desfechos, sabem que é sempre será assim. Birra. Jogo do cansaço e esquecimento. Desafiam e mandam bananas, na verdade não ao MP, ao Judiciário ou eventualmente a esta coluna, mas para os eleitores de quem escondem o que fazem, o que não fazem, o que fazem à margem da lei e à forma como gastam e desperdiçam os pesados impostos de todos os gasparenses. Vivem de desculpas. O site da Câmara de Gaspar é uma piada: na navegação confusa e dados incompletos quando acessáveis. É um conluio de interesses políticos e corporativos. O site confunde até especialistas. Proposital.

TRANSPARÊNCIA ZERO III
A laranja nunca cai longe do pé, diz o dito popular. Há quantos meses Kleber Edson Wan Dall, PMDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, assumiram a prefeitura de Gaspar? Quase seis meses. Quanto tempo faz que o mais longevo dos vereadores daqui, - ex-presidente da Câmara e que sempre foi contra essa bobajada de transparência, o vereador José Hilário Melato, PP-, é o presidente do Samae? O mesmo tempo! Pois é. Até o fechamento da coluna não era possível acessar a folha de pagamento dele no Portal da Transparência; nem da primeira assessora de sempre Janete da Silva, nem da assessora de comunicação, Ana Caroline Morello (belo exemplo!); nem de um simples motorista como Otocar Albanaes, nem demais servidores comissionados da autarquia. Transparência é tudo. E foi à falta dela é o que faz o cidadão ser enganado e roubado com o que se desmascara entre outros, na Lava Jato. Afinal, quem paga essa gente toda com aquela estrutura inchada de reis? Nós, com os nossos pesados impostos. Então qual a dificuldade de nos prestar contas? Essa gente, é servidora, nós o patrão. Simples assim! Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Depois de afirmar que teria por ordem expressa do governador uma gerência no cabideiro de empregos de políticos sem votos e competência, a ADR de Blumenau – sugadouro de recursos públicos; depois de ensaiar entre os seus uma assessoria de “alto escalão” no governo do estado; depois de pedir emprego em qualquer teta, inclusive na prefeitura de Gaspar à qual se declara “opositor”, o ex-vereador, ex-presidente da Câmara, ex-presidente do partido e ex-candidato a prefeito pelo PSD de Gaspar, Marcelo de Souza Brick, com seguiu uma colocação.

Ele se “empregou” como secretário parlamentar no gabinete do deputado Jean Jackson Kuhlmann, PSD, seu padrinho político, o que também perdeu pela segunda vez a corrida à prefeitura de Blumenau.

O vencimento bruto mensal de Marcelo é de R$4.714,63, e que com os descontos baixa para uns R$3.900,00. O que não está explicado é se ele dá expediente lá, porque por aqui Brick trabalha numa atividade para angariar clientes à causas judiciais. Acorda, Gaspar!

Do leitor Roberto Sombrio. “Herculano. Estão criticando que não falas de Gaspar. Tem alguma coisa para falar? Aconteceu alguma coisa? Fizeram algo novo? A esta altura as flores já murcharam. Onde foram plantadas mesmo? Naquele barranco de capim nos fundos do Samae? Nas duas rotatórias não vi. Ao redor da figueira na prefeitura? Ali cabem uma dúzia de vasos. O prefeito usou luvas para não ficar com calos? Sei não!”

Este assunto é complexo, mas o pedido de compensação da Viação do Vale, da família de políticos Berger, de R$8.615.079,29, para os gasparenses pagarem para ela, é um escárnio.

Primeiro A Viação do Vale venceu uma concorrência e não cumpriu o edital. Está em dívida. Foi protegida pelo PT de Pedro Celso Zuchi. Sobreviveu discutindo o caso na Justiça até poucos meses de encerrar o contrato. Expertos. Ou seja, explorou até o osso.

Segundo, esse mesmo PT, enrolou, não cortou o mal pela raiz o erro. Agora, depois que saiu do poder, deixou mais uma alta conta para os pagadores de pesados impostos de Gaspar se virarem.

Mas, o PT é o único culpado no que armou. O PMDB de Kleber Edson Wan Dall, e o PP, de Luiz Carlos Spengler Filho, a Câmara são tão culpados quanto. “Usam” a imprensa agora para se colocarem de vítimas. Nada mais.

Choram lágrimas de crocodilos. A cidade inteira sabia desse problema. Só eu publiquei inúmeras informações e comentários sobre este assunto. Tudo está na Justiça. Havia uma Ação popular e o Ministério Público agiu.

Mas a comunidade, os vereadores, os políticos, a oposição que poderia ser poder e o poder plantão, ignoravam. Taí o resultado. Há muitas outras armadilhas que o PT fez para encher o município com problemas, dívidas e ser ingovernável. E tudo sob a complacência da comunidade.

Voltarei ao tema com detalhes. Não há inocentes nesta história como quer fazer crer Kleber e o que manda nele, Carlos Roberto Pereira. Acorda, Gaspar!

Ilhota em chamas. O advogado Aurélio Marcos de Souza, faz um paralelo ao que está acontecendo com o presidente Michel Temer, PMDB (no governo), e o que aconteceu com o prefeito Érico Oliveira, PMDB (na campanha e depois se desdobrou no governo), que foram gravados (esta coluna já deu e rola no MP) atestando-se como crimes de responsabilidade e prevaricação. Isso não vai terminar bem para ambos.

Os políticos – incluindo os do Vale de Itajaí com atuação em Gaspar e Ilhota - negam o que receberam por fora, mas candidamente, admitem que receberam legalmente verbas da JBS, a quem nunca pediram, nunca negociaram e nem sabiam o porquê do mimo.

A JBS sabia muito bem quem eram os políticos que ela comprava e o que eles deveriam fazer por ela quando no poder Executivo e no Legislativo. Está na gravado e escrito nas delações. Os políticos – alguns que se dizem religiosos - tinham donos e cabrestos e não eram os seus eleitores que lhes garantiram à diplomação.

Mais comissionados: a servidora Larissa Stefany Cruz Lopes passou a responder pela coordenação do Procon de Gaspar; Karine Alves Ribeiro e Beatriz Pamplona Rainert, como encarregada de atendimento, nível III, da Secretaria da Fazenda; Solange da Silva, encarregada-geral de regiões de Saúde, nível II, da Secretaria de Saúde.

 

Edição 1802

Comentários

Herculano
29/05/2017 10:47
COMO RESTAURAR A PINGUELA, por Ricardo Noblat, para o jornal O Globo

Embora estrebuche na maca e negue que renunciará ao mandato, Michel Temer ainda não teve a má ideia de dizer que só sairá do Palácio do Planalto amarrado à cadeira presidencial. Era assim que Delfim Netto, ministro da Fazenda da ditadura militar de 64, prometia fazer se um dia o derrubassem. Depois de sete anos como o todo-poderoso xerife da economia, Delfim acabou demitido, mas a cadeira ficou.

A CADEIRA PRESIDENCIAL continuará sendo ocupada por Temer até que se entendam em torno de um nome para substituí-lo os protagonistas de sempre da cena política nacional ?" partidos, ministros de tribunais superiores, empresários e banqueiros. Fracassou quem havia se oferecido para unificar o país. A pinguela caiu. Mas quem irá restaurá-la para que o país consiga chegar em paz às eleições diretas de 2018?

NO PR?"XIMO DIA 6, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começará a julgar a ação do PSDB que pede a impugnação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico nas eleições de 2014. O placar, ali, estava 5 a 2 para inocentar Temer e condenar Dilma antes que o empresário Joesley Batista delatasse Temer. Hoje seria de 4 a 3. O futuro a Deus pertence, e também ao ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE.

GILMAR É AMIGO de Temer e um dos seus conselheiros mais influentes. Para escapar de grampos, os dois só se comunicam por meio de emissários. Mas Gilmar tem amigos em toda parte e não se nega a ajudá-los. Provou-o ao atender pedido de Aécio Neves para que convencesse o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a aprovar o projeto de lei sobre abuso de autoridade. Por ora, Aécio expia seus pecados em prisão domiciliar voluntária.

A IMPUGNAÇÃO da chapa pelo TSE atenderia a uma das condições de Temer para deixar o poder: preservar a sua biografia. Foi Dilma que cuidou das contas da campanha. Logo, a culpa fora dela. Outras condições: não ser punido; alguma proteção para os amigos encrencados na Lava-Jato; não recondução de Rodrigo Janot ao cargo de procurador-geral da República; e ser ouvido para a escolha do seu sucessor.

TEMER IMAGINA que ganhará uma sobrevida se a perícia da Polícia Federal concluir que foi adulterada a gravação de sua conversa com Batista. Quando nada, isso serviria para livrá-lo da acusação de que tentou obstruir a Justiça ao incentivar Batista a seguir pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha. Das outras acusações ?" corrupção passiva e organização criminosa ?", acha que se livrará facilmente. A ver.

OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA foi o que levou o ex-senador Delcídio Amaral para a cadeia. Por encomenda de Lula, Delcídio pagou para que Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, ficasse calado em Curitiba. Diante da Justiça, a situação de Temer é pior que a de Delcídio. Esse, pelo menos, amenizou a sua delatando. Temer poderá ser alvo de novas delações e de provas mantidas em sigilo até aqui.

HÁ UM ACORDÃO sendo costurado no Congresso capaz de beneficiar Temer, mas concebido para estancar a Lava-Jato. Um dos seus pontos é rever a posição do Supremo Tribunal Federal que, por 6 a 5, decidiu que condenado em segunda instância da Justiça será preso. Delação só para quem estivesse solto. E perdão para suspeito de ter feito caixa dois. Por esse ralo escaparia muita gente.

ESCAPARIA LULA, que mesmo se condenado em segunda instância estaria livre e à vontade para disputar as eleições de 2018.
Herculano
29/05/2017 07:55
POLÍTICOS PODEROSOS ENVOLVIDOS ATÉ O PESCOÇO COM A CORRUPÇÃO E LADROAGEM DO DINHEIRO PÚBLICO SE ORGANIZAM PARA SE SALVAREM. NOVO MINISTRO DA JUSTIÇA MANDA RECADO AO STF: PREOCUPAÇÃO COM TEMPO DE PRISÃO TEMPORÁRIAS É DO STF (QUE QUER REVISÁ-LO, POR INICIATIVA DE GILMAR MENDES)

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto e entrevista de Daniela Lima, editora da coluna Painel. Alçado ao Ministério da Justiça no auge da tensão entre o presidente Michel Temer e os operadores da Lava Jato em Brasília, Torquato Jardim não esconde a que veio. Horas após sua indicação, em entrevista à Folha, disse que "vai avaliar" mudanças no comando da Polícia Federal.

O novo ministro também defendeu que outras associações do Ministério Público Federal, além da ANPR (Associação Nacional de Procuradores da República), façam listas para disputar o comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), hoje nas mãos de Rodrigo Janot.

Torquato falou à reportagem neste domingo (28), por telefone, de dentro da van com a comitiva presidencial após viagem para vistoriar áreas de enchentes em Alagoas. Prometeu ouvir Michel Temer em tudo.

Ele é ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), corte que julga daqui oito dias ação que pode levar à cassação do presidente. Em resposta enviada por sua assessoria, disse que o julgamento "será técnico".

Folha - O sr. assume o Ministério da Justiça no momento de maior tensão na relação entre Michel Temer e a PGR. Como pretende atuar?

Torquato Jardim - Primeiro eu vou ouvir o presidente, saber a avaliação que ele faz desse quadro e descobrir qual será o papel do ministro da Justiça. De minha parte, sempre tive uma relação muito boa com a Procuradoria-Geral da República, um diálogo muito franco, já no Ministério da Transparência. Tenho amigos, ex-alunos e ex-professores lá. O diálogo é sempre o melhor caminho.

Folha - O sr. pretende mexer no comando da Polícia Federal?

Jardim - Eu vou avaliar. Vou ouvir a recomendação do presidente, de outras personalidades que conhecem o assunto, fazer o meu próprio juízo de valor e decidir. Não vou me precipitar nem antecipar nada.

Folha - Que avaliação o sr. faz hoje do trabalho da PF?

Jardim - Eu não tenho nenhuma avaliação.

Folha - Como o sr. recebe as críticas de entidades, como a associação de delegados da PF, à sua nomeação?

Jardim - Não li nada, não sei.

Folha - Divulgaram nota dizendo receber as notícias de troca no ministério com preocupação.

Jardim - Estou em Maceió, vim com o presidente vistoriar a área de enchentes. Não li nada. Preciso conhecer as notas para poder falar.

Folha - O sr. foi nomeado para melhorar a interlocução do governo com os tribunais superiores?

Jardim - Historicamente o Ministério da Justiça sempre foi o canal de comunicação do Executivo com o Judiciário. De modo que esse papel dentre todos os que tenho que desempenhar é o que menos me preocupa. Tenho 40 anos de experiência, advoguei em todos os tribunais. Fui assessor do STF, ministro do TSE. Eu conheço a lógica da magistratura.

Folha - Mesmo em meio à essa grave crise política?

Jardim - O que interessa, em primeiro lugar, é a economia. A crise não é política ?"a mídia transformou em crise política?", mas econômica.

Em segundo lugar, a parceria do Executivo com o Congresso está intocada. Serão votadas todas as reformas, trabalhista, da Previdência, o financiamento das dívidas dos municípios.

Isso passando, a agenda econômica avança. A questão é econômica e essa é uma área que está muito bem conduzida.

Folha - Há um temor de que o sr. esteja sendo nomeado para interferir na Lava Jato?

Jardim - Em absoluto. Não tem nada a ver com isso.

Folha - O sr. já fez diversas críticas à operação. Sobre as prisões provisórias, por exemplo.

Lancei dúvidas clássicas de um advogado. As prisões são legais, isso é certo. O que me preocupa é a fundamentação correta e precisa do tempo de prisão temporária, quanto ela deve se alongar. E essa preocupação não é só minha. É do Supremo [Tribunal Federal]. Mais de um ministro já falou sobre isso.

Folha - Como o sr. espera que se desenrole a disputa pela sucessão de Rodrigo Janot no comando da PGR?

Jardim - Temos oito colegas que se candidataram, vão fazer debates, percorrerão o Brasil e receberão votos para compor a lista [tríplice, encaminhada ao presidente]. Diante disso, nós vamos estudar a melhor solução. Não sei também se outros ramos do Ministério Público não farão listas para o comando da PGR.

O Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Militar? Eles farão listas? O que se tem hoje é o processo feito por uma associação.

Folha - O sr. espera que outras entidades apresentem nomes para esse processo, é isso?

Jardim - É provável. Há movimentos nesse sentido.

Folha - E isso seria bom?

Jardim - Sim. Muito salutar. Quanto mais pessoas mais pessoas interessadas em participar, melhor.

Folha - O sr. não teme tratar desses assuntos em meio a uma crise tão aguda entre o governo e o Judiciário?

Eu discordo das premissas da sua pergunta. Não conheço tensão entre o Executivo e o Judiciário.

É a primeira vez que temos um presidente alvo de inquérito no STF.

Então vamos esperar a decisão do Supremo.

Folha - Como jurista, a situação de Michel Temer não o preocupa?

Jardim - Não, não.

Folha - O sr. vê risco de o presidente não conseguir concluir o mandato?

Jardim - De jeito nenhum. A questão é econômica, não é política. Se passam as reformas no Congresso, nas próximas quatro ou cinco semanas, tudo será resolvido.

Folha - O sr. foi ministro do TSE. A corte está sob forte pressão. Temer será cassado?

Jardim - O julgamento no TSE será técnico. Os ministros decidirão com base no que está nos autos. Tem a acusação e a defesa, a inicial e a contestação, como em qualquer ação. No mais, é especulação. A inicial é referente à 2014 e o que será observado são os fatos e provas que ali estão.

Folha - Como foi o convite?

Jardim - Tranquilo. Eu e o presidente nos conhecemos há mais de 30 anos. Ele disse da necessidade de uma otimização administrativa no ministério. Em seguida, fez o convite para que o [Osmar] Serraglio vá para a Transparência.

Ele é mestre em direito público, professor... Tem a formação básica [pausa]... Tem a formação clássica para ocupar o ministério. E eu recebo essa responsabilidade com muita tranquilidade. Sei que a tarefa é enorme, mas nada me assusta
Herculano
29/05/2017 07:42
AMANHÃ, É DIA DE COLUNA INÉDITA OLHANDO A MARÉ, AQUI NO PORTAL DO CRUZEIRO DO VALE
Herculano
29/05/2017 07:40
OPERAÇÃO CARNE MUITO FRACA, por Guilherme Fiuza, na revista Época

O Brasil viu o PT criar o monstro JBS e ficou calado. O Brasil viu o monstro emboscar um presidente e depois voar livre para Nova York. Cadeia para o Brasil.

O que os companheiros Janot e Fachin consideraram suficiente para abrir investigação contra Michel Temer é um soluço diante daquilo que, durante dois anos, acharam insuficiente para abrir investigação contra Dilma Rousseff ?" a presidente do petrolão. A incrível rapidez dessa operação (que poderia se chamar Carne Muito Fraca) fez surgir nas redes sociais os codinomes de Rodrigo Enganot e Edson Facinho. Que gente má.

Antes dessa mão de areia jogada nos olhos da plateia, o espetáculo verdadeiro chegava ao coração do escândalo com as revelações de João Santana e Mônica Moura. Ali ficava claro ?" mais do que nunca ?" que o proverbial assalto exposto pela Lava Jato fora regido de dentro do palácio petista, sem intermediários.

O marqueteiro e sua esposa mostraram como o governo (repetindo: o governo, não o partido) agia para embaraçar as investigações da força-tarefa ?" inclusive tentando preveni-los da prisão e, consequentemente, evitar sua delação. Coisa de máfia. Acusado de atuar nesses vazamentos está o ex-ministro da Justiça ?" o mesmo que triangulava com o procurador-geral e o STF no longo período em que Dilma, a idônea, era tornada imune a investigações.

Como até os pedalinhos de Atibaia estão cansados de saber, Lula e sua revolução redentora inventaram os irmãos Batista como potência empresarial. Os subterrâneos do BNDES têm muito a revelar sobre essa história de sucesso, mas a Operação Carne Muito Fraca chegou bem na hora para embaçar a cena. O que se viu foi uma homologação tipo fast-food da espionagem de Joesley e da conclusão quase mediúnica sobre uma suposta autorização do presidente da República para a compra do silêncio de Eduardo Cunha.

Tudo muito grave. Ou o presidente tem de ser afastado e preso ?" e essa investigação não pode parar antes do fim ?" ou terá sido um erro de psicografia. Aí quem psicografou vai ter de pagar. Na mesma moeda.

Existirá psicografia seletiva? Fica a dúvida. Porque as mesmas mentes que detectaram crime do presidente na conversa com o campeão do Lula parecem não ter notado os crimes do campeão. Na mesma conversa, ele diz ter subornado meio mundo. Mas aí deu um tchau para os supremos companheiros e foi pousar livre como um pássaro na Quinta Avenida. Será que é normal? Ou seria paranormal?

Deixem os irmãos Batista curtir sua fortuna tranquilos em Nova York. O mais indicado mesmo, neste momento, é o Brasil se entregar e negociar uma delação premiada. Conte tudo, Brasil. Confesse que você viu o monstro sendo criado pelo PT e engordando na sua cara. Admita que desde o mensalão você viu (ninguém te contou) Lula e seu Estado-Maior transformando grandes empresas nacionais em anexos do PT para comprar seus melhores sonhos totalitários. E, por favor, não venha agora fingir surpresa com o fato de a política nacional estar contaminada por esses tubarões. Dizem que quem não recebia PC Farias na era Collor caía em desgraça. PC era uma criança perto dos seus sucessores na era Lula.

O Brasil acordou invocado na semana passada, olhou-se no espelho e se descobriu virtuoso. Decidido terminantemente a ser a virgem do bordel. Tudo bem. O que acontecia antes disso era que um presidente antiquado, de um partido fisiológico, abrira as portas do Estado brasileiro para que as melhores cabeças pudessem saneá-lo, salvá-lo do desastre petista. Por que Temer fez isso? Não interessa. O que interessa é que o seu time de ouro iniciou um milagre e virou todos os indicadores na direção certa ?" a única que interessa à sua vida real, Brasil.

Mas você estava com saudade de ver heróis da resistência como Lindbergh Farias sabotando as reformas, não é verdade? Bem, então está dando tudo certo para você. O lobista de José Dirceu, condenado a 20 anos de prisão na Lava Jato, também já está solto. Siga apoiando o processo de depuração das instituições deflagrado pelos irmãos Batista. Quem sabe eles não se comovem e criam uma Bolsa Brasil? Aí talvez você possa até largar essa vida corrida e ir descansar para sempre no Guarujá.
Herculano
29/05/2017 07:35
CONTRA A CRISE, ALIADOS DE TEMER AVALIAM LICENÇA, por Reinaldo Azevedo, de Veja.

O presidente Michel Temer tem uma opção para tentar solucionar a crise, segundo segredaram políticos a ele ligados: licença temporária para se dedicar à defesa. A Constituição proíbe o afastamento do cargo por mais de 15 dias, exceto sob autorização do Congresso. A autorização pode ser feita, por exemplo, com Lei Complementar prevista na Constituição e até hoje não-regulamentada, que transfere temporariamente os poderes para o vice-presidente.

SUBSTITUTO TEMPORÁRIO
No caso de licença, assumiria a presidência o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, caso isso venha a ser definido no plenário.

NEM DIRETA, NEM INDIRETA
A licença temporária não configura "vacância do cargo", dispensando a convocação de eleições indiretas, como prevê a Constituição.

RESISTÊNCIA
Há resistência no governo à opção da licença de Temer: opositor das reformas, Fábio Ramalho (PMDB-MG) passaria a presidir a Câmara.

DESCONFIANÇA
Entre 2005 e 2015, Ramalho foi do PV e integrou a base de apoio dos governos do PT. Entrou no PMDB em 2016, durante o governo Temer.

PEC LEVA DECISÃO SOBRE IMPEACHMENT A PLENÁRIO
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do líder do PDT, deputado Wéverton Rocha (MA), pode retirar o poder do presidente da Câmara de decidir monocraticamente sobre a aceitação ou rejeição dos pedidos de impeachment de presidente da República. A ideia é que a decisão seja referendada em caso de aceitação ou seja revertida em caso de rejeição por quórum de emenda constitucional, 308 votos.

PLENÁRIO JULGA
Pelo projeto, caso o presidente da Câmara aceite o impeachment, o processo será iniciado só com apoio explícito de três quintos dos votos.

RECURSO
Se o pedido for rejeitado, mas houver 308 parlamentares favoráveis ao afastamento, a decisão é revertida e o processo segue adiante.

PRAZO
Ponto em discussão, o prazo de decisão sobre os pedidos ainda não foi definido. "Não pode ficar nas mãos do presidente", insiste Wéverton.

SILÊNCIO CONSTRANGEDOR
Nenhum dos 5 governadores eleitos pelo Partido dos Trabalhadores defendeu enfática e publicamente o movimento "fora Temer". É que o governo federal se empenhou na renegociação de dívidas dos estados.

DILMA IMBATÍVEL
O presidente Michel Temer tem 17 pedidos de impeachment, mas fica longe dos 41 apresentados contra Dilma, só no 2º mandato. A petista recebeu 40% dos pedidos contra presidentes de 1990 até sua saída.

AUSÊNCIA NOTADA
Na apresentação das críticas de 17 ministros do TST à reforma trabalhista, foi ruidosa a ausência do próprio presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o aclamado Ives Gandra Martins Filho.

APOSTA NO TRABALHO
Os governistas vão se concentrar na reforma trabalhista. A avaliação de deputados e senadores, fiéis ao Palácio, é de que se a matéria for aprovada Michel Temer vai dar sua maior demonstração de força.

ANUÁRIO DA JUSTIÇA
A Fundação Armando Alvares Penteado e a revista Consultor Jurídico vão lançar o aguardado Anuário da Justiça 2017. Será dia 31, 18h30, no foyer do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1º subsolo.

O PREJUÍZO É NOSSO
A depredação e as invasões aos prédios dos ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Planejamento e Ciência, Tecnologia e Inovação e Cultura chegam a R$ 2,3 milhão. Só na Agricultura foi R$ 1,1 milhão.

AVANTE
O cineasta João Batista de Andrade esteve no Palácio do Planalto, na última quarta, e recebeu sinal verde para continuar os projetos iniciados por Roberto Freire no Ministério da Cultura. Andrade é ministro interino.

INTERCÂMBIO
Após a prisão do ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell, Romário (PSB-RJ) prometeu enviar ao MP da Espanha relatório paralelo da CPI do Futebol com mais de mil páginas, que cita Rossel diversas vezes.

PENSANDO BEM...
...comprar um poço seco de petróleo na África, que aconteceu à Petrobras no governo Lula, é como comprar terreno na lua
Herculano
29/05/2017 07:29
CASSAÇÃO PELO TSE NÃO É SAÍDA "HONROSA" PARA TEMER, por Leandro Colon, para o jornal Folha de S. Paulo.

Aliados de Michel Temer têm disseminado nos bastidores o discurso de que a cassação pelo TSE seria a "saída honrosa" para o presidente encurralado pela JBS.

Se vingar, a condenação da chapa Dilma-Temer se dará por abuso político e econômico em razão do uso de verba ilícita na eleição de 2014.

O tribunal, no caso, terá julgado que o atual presidente se elegeu vice de Dilma Rousseff por meio de um esquema de caixa dois e desvio de recursos públicos pela Odebrecht.

O marqueteiro João Santana afirmou ao TSE que Temer "gerou prova" contra si mesmo ao participar de gravações daquela campanha.

Segundo Santana, o programa foi pago com dinheiro "contaminado". "Então, ele (Temer) participou desses programas também", afirmou.

O relator da ação contra Dilma-Temer, ministro Herman Benjamin, passou os últimos dias escrevendo seu voto pela cassação da chapa. Será um relatório duro ?"sustentado em provas e confissões?" de combate à utilização de dinheiro sujo nas campanhas. Um voto que certamente causará constrangimento a Temer.

Advogados do presidente querem protelar o julgamento, marcado para começar dia 6. Torcem para que algum ministro peça vista e adie a votação. Quem topará o desgaste de segurar o que virou o processo eleitoral mais importante do país?

Se sentir cheiro de manobra, Herman Benjamin dirá em plenário, com razão, que os colegas tiveram tempo para analisar os autos. Não haveria motivos para postergação.

É compreensível a interpretação de que a cassação da chapa seria politicamente um caminho menos traumático para o presidente sair. Afinal, ele teria a desculpa institucional de que foi obrigado a deixar o cargo por causa de decisão judicial.

Mas não manipulemos a história. A condenação por um tribunal eleitoral ?"inclusive diante das provas de crimes no caso em questão?" não pode ter a narrativa de que é uma solução "honrosa" para um presidente
Herculano
29/05/2017 07:26
TEMER ESTÁ CADA VEZ MAIS PARECIDO COM DILMA, por Josias de Souza

Michel Temer está confuso com esse negócio de ter que passar a impressão de que ainda preside o Brasil e, ao mesmo tempo, assumir sua nova condição de suspeito da prática dos crimes de corrupção, obstrução da Justiça e formação de organização criminosa. É possível que a própria Marcela Temer tenha dificuldades para saber quando está falando com o suposto presidente ou com o investigado. Neste domingo, ganhou as manchetes a notícia de que o presidente decidiu trocar o ministro da Justiça. Engano. A decisão foi tomada pelo investigado, não pelo presidente.

Foi para atender às suas prioridades processuais que Temer transferiu do Ministério da Transparência para a pasta da Justiça o jurista Torquato Jardim, um PhD em TSE com ótimo trânsito no STF. Foi para aplacar suas aflições de alvo de investigação criminal que Temer convenceu Osmar Serraglio a aceitar ser rebaixado da Justiça para a Transparência, em vez de retomar sua cadeira na Câmara - o assento está momentaneamente ocupado por Rodrigo Rocha Loures, um ex-assessor de Temer que cogita migrar da condição de homem da mala para a de delator.

Mal comparando, Temer repetiu o movimento de Dilma Rousseff que, ao sentir que migrava da condição de presidente para a de suspeita, retirou o petista light José Eduardo Cardozo do ministério que carrega a Polícia Federal no organograma. Substituiu-o pelo procurador Eugênio Aragão, que chegou avisando que o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, estava com os dias contados: ''Quero evidentemente na PF pessoas que tenham alguma liderança interna", disse à época. Caiu antes de entregar o escalpo de Daiello, agora às voltas com Torquato, que analisará com Temer a conveniência de trocá-lo.

Na definição de Aécio Neves, que também tenta adaptar sua rotina de senador à de investigado, Osmar Serraglio revelou-se na Justiça "um bosta do caralho". Sem saber que estava sendo gravado pelo delator Joesley Batista, do grupo JBS, Aécio contou que conversara com Temer sobre o erro "de nomear essa porra" para um ministério tão estratégico. O sonho de Aécio era a troca de comando na Justiça. "Porque aí mexia na PF", recitou para o gravador do dedo-duro.

?" O que que vai acontecer agora? Vai vim inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não? O cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, dois mil delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né? Do Moreira [Franco], que interessa a ele, vai pro João, disse Aécio a certa altura.

?" Pro o João, respondeu Joesley.

- É. O Aécio vai pro Zé, prosseguiu o senador tucano, agora afastado de suas funções parlamentares.

Torquato Jardim é mais sofisticado do que gostaria Aécio. Mas ajusta-se com perfeição às prioridades de Temer. Na sua rápida passagem pela Justiça, Serraglio dedicou-se a brigar com índios. Tomado pelo conteúdo de uma entrevista que concedeu ao Correio Braziliense, Torquato terá atuação mais ajustada às necessidades de Temer.

O novo ministro justifica o encontro de Temer com o delator Joesley Batista na calada da noite. "O presidente é um parlamentar há 24 anos e tem uma conduta de informalidade que é própria de quem é do Congresso", diz Toquato. "Ele tem uma descontração ao encontrar as pessoas, doadores de campanha, empresários? Nesse âmbito é que eu compreendo ele ter recebido o empresário."

Torquato joga água fria na fervura dos que imaginam que a cassação de Temer pelo TSE virá no dia 6 de junho: "A coisa mais natural que existe, em um processo de 6 mil páginas, com 1.250 páginas de relatório e um voto que terá 400 ou 600 páginas, é que um juiz peça vista. Acontece isso em qualquer julgamento."

De resto, o novo titular da Justiça ecoa os advogados de Temer. Faz isso ao questionar a "validade tecno-processual" do áudio do delator Joesley. Ou ao realçar que "um procurador da República que atuava na Lava-Jato aposentou-se e, no dia seguinte, tornou-se advogado" do delator da JBS. Ou ainda ao pôr em dúvida "a validade da extensão do benefício" judicial concedido aos delatores de Temer.
Herculano
29/05/2017 07:24
da série: finalmente, este assunto vem à pauta. Uma mesma consulta ou exame, particularmente, sai por R$300, por exemplo (e as vezes negando-se à Nota Fiscal ou recibos oficiais). E não há choro. Pior,, sem inflação, vem aumentando a taxas que em média superaram os 20%. O mesmo médico, o mesmo exame, o mesmo laboratório de um plano de Saúde recebe apenas, em média, R$80 e do SUS, menos de 20 (uma vergonha), e sem reajustes, e quando há, estão regulados pela ANS. Como pode haver esta disparidade? Poque os médicos, clínicas e laboratórios exploram doenças e doentes diante do péssimo ou impossibilidade de tê-lo, restrições ou demora proposital de atendimentos dos planos de saúde.

INFLAÇÃO MÉDICA CHEGA A RECORDE, E OPERADORAS PEDE "LAVA JATO" NA SAÚDE, por Maria Cristina Frias, no jornal Folha de S. Paulo

A inflação médico-hospitalar, que em 2016 atingiu seu maior patamar da série histórica, deverá se manter entre 18% e 20% neste ano, segundo o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar).

O aumento de custos - que inclui internações, exames, consultas, terapias etc- foi de 19,4% no acumulado de 12 meses até setembro, dado mais recente da instituição.

Além da mudança no modelo de cobrança de hospitais - que recebem por procedimento, o que estimula desperdícios -, o combate a fraudes será importante para controlar a inflação, diz Luiz Carneiro, superintendente do IESS.

"Hoje, a fraude médica não é um crime. Assim como a Lava Jato teve como apoio leis de anticorrupção, é preciso uma legislação antifraude."

Os gastos das operadoras com desperdícios e fraudes respondem por 20% das despesas totais do setor. Em 2015, isso representou R$ 22,5 milhões, segundo o instituto.

A taxa estimada pela Abramge (associação de planos de saúde) é de 30%, afirma o diretor Pedro Ramos.

Nesta segunda (29), o executivo se reúne com a senadora Ana Amélia (PP-RS), autora de um dos projetos de lei que tramitam no Congresso para penalizar fraudes.

A associação quer incluir no texto punições para propinas a médicos, além de pedir mais celeridade na tramitação - parada desde 2016.

As operadoras também têm ampliado investimentos em sistemas para identificar profissionais com indícios de superfaturamento, diz Solange Mendes, presidente da FenaSaúde (entidade do setor).
Herculano
29/05/2017 06:58
ILHOTA EM CHAMAS

A água tratada e encanada está faltando em Ilhota. Isso é decorrente da política errática e sem planejamento levada adiante pelo atual prefeito Érico de Oliveira, PMDB.

Depois de desdenhar o problema, de mandar bananas para os munícipes que reclamavam insistentemente do problema, depois de culpar a imprensa que não ficou diante do fato, incluindo o filhe dele Jean, uma espécie de assessor sombra do governo de Ilhota ( e isso preciso ser investigado), finalmente, neste domingo, de muita chuva, o prefeito Érico veio a público pela sua rede social onde estava sumido, reconhecer que o problema é grave, que pode ficar pior, mas que ele está tentando resolver.

Contratou, está gastando dinheiro que não precisava, e mandou vir carros pipas com água de outros municípios para abastecimento de urgência na cidade.
Herculano
29/05/2017 06:51
óTICA DO TUDO OU NADA NÃO SERVE PARA ENXERGAR A CRISE BRASILEIRA, por Vinicius Mota, para o jornal Folha de S. Paulo

Poucas aberturas de romance são tão trovejantes como a de "Um Conto de Duas Cidades", de Charles Dickens. "Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos; (...) era a estação das Luzes, era a estação das Trevas; era a primavera da esperança, era o inverno do desespero."

A Paris revolucionária do final do século 18, onde os personagens londrinos Darnay e Carton vivem a sua agonia, torna verossímil a imagética apocalíptica contida naquelas sentenças iniciais. O Brasil em transe desde 2013 não é para tanto.

A violência ao final do último protesto em Brasília não destoou da habitual. Células neoanarquistas abrigadas nas marchas da esquerda botaram para quebrar.

Não há multidões a guerrear contra o statu quo. Tampouco há tropas do czar patrocinando banhos de sangue em reação. As PMs são mal preparadas para a repressão, mas não deixaram rastro de cadáveres ao atuarem nos protestos, alguns bem violentos, dos últimos quatro anos.

O "Exército nas ruas" era uma piada das redes esquerdistas que às vezes gostam de alegorias como as de Dickens. Um punhado de soldados a resguardar prédios da União após as depredações em nada remete a autoritarismo ou ditadura.

O chamado mercado também tem seus momentos barrocos. O "tudo ou nada" associado à realização breve da reforma da Previdência é um exagero. Vamos logo observar indicadores e expectativas se acomodarem, com prejuízo modesto, à perspectiva de que esse importante acerto de contas aconteça apenas em 2019.

E o que dizer das propostas que brotam no noticiário de punição coletiva aos políticos com atropelo de regras constitucionais? Antecipar eleições gerais? Com que poder revolucionário o faríamos? Quem lideraria a cruzada? Os templários do Ministério Público e do Poder Judiciário?

Um pouco de ceticismo nos faria bem. O Brasil não vai acabar nem se salvar amanhã.
Herculano
28/05/2017 21:03
AS RUIDOSAS GALERIAS E OS RUINOSOS SUSSURROS DOS PEREGRINOS ENGRAVATADOS, por Percival Puggina.

De todos os lados entram nos meus grupos de whatsapp e na caixa de e-mails cópias de um vídeo contendo discurso do deputado federal Pedro Cunha Lima, filho do senador Cassio Cunha Lima e campeão de votos em seu Estado. Praticamente desconhecido fora da Paraíba, com uma fala de poucos minutos virou celebridade nacional.

Com voz calma, sem excessos retóricos, listou obviedades. Fez afirmações que frequentam cada mesa de família, boteco, programa de rádio ou carta de leitor aos jornais. Há tal sintonia entre suas afirmações e o sentimento dos cidadãos de todas as classes sociais, inclinações políticas, níveis intelectuais e faixas etárias, que todos, ao ouvi-lo, se percebem representados. E se põem a repassar o discurso aos seus círculos de relação.

Um representante que representa virou fenômeno! Um deputado de presença discreta na Câmara ganha justa notoriedade em cinco minutos, apenas com afirmações sensatas e verdades incontestáveis, mas raramente condensadas e proferidas por nossos políticos.

O jovem Cunha Lima simplesmente disse:

1. que é preciso reformar a máquina pública;
2. que não se pode fazer ao trabalhador rural exigências das quais se isenta a elite política do país;
3. que não é o povo que tem que obedecer aos políticos, mas os políticos que devem obediência ao povo;
4. que está enganado quem pensa que o povo continuará tolerando isso e que todos se acalmarão com o simples escoar dos dias;
5. que auxílio moradia deve ser para quem não tem casa e auxílio alimentação para quem não tem alimento, jamais para quem recebe bons vencimentos e subsídios;
6. que haver um servidor com a tarefa de ajeitar a cadeira onde cada ministro do STF senta é símbolo de um tempo que passou;
7. que é populista, dissimulada e enganadora a atitude dos deputados contrários à reforma trabalhista que silenciam diante da necessária reforma da máquina pública;
8. que o Congresso deveria parar por 15 dias, se necessário, e tratar dessa reforma, em regime de urgência e votação de urgência;
9. que só então terá o Congresso apoio popular e legitimidade para fazer as demais reformas tão importantes para a vida nacional.

Aí está, esquematicamente, 100% do conteúdo abordado pelo deputado. Há algo muito errado num país em que semelhantes obviedades ganham brilho, arrancam aplausos nacionais e "viralizam" nas redes sociais.

É preciso afirmar e voltar a afirmar às lideranças políticas que a nação clama por exemplos que venham de cima. Num país com pretensões de justiça e democracia, nem mesmo em período de abundância (coisa que nunca houve fora do Brasil ficcional e dos discursos demagógicos) se justificam demasias como as que são reservadas a setores muito bem identificados nas instituições do Estado. Menos ainda é possível admiti-las em momentos como este, de grave crise fiscal. No entanto, quando se trata de privilégios, o Congresso Nacional só ouve as ruidosas galerias e os peregrinos engravatados que sussurram nos gabinetes, dizendo-se portadores dos mais legítimos anseios e direitos. Estranha democracia, essa, em que as minorias comandam o show e se sobrepõem à nação, destinatária compulsória de todas as contas.

Os que se omitem ante a reforma da máquina pública (e das instituições) estão a serviço dos inimigos da democracia e de todas as reformas porque o Estado que lhes convém é exatamente esse que está aí, destrambelhado e injusto. Tão óbvio quanto o importante discurso do deputado paraibano: a reforma da máquina pública equivale a um contrato social com a justiça e com o direito. Vale, também, por uma faxina. Casa bem higienizada não abriga formigas, ratos e baratas.
Herculano
28/05/2017 20:58
TEMER QUER SER UM OSSO DURO DE ROER, por Ilimar Franco, em Os Divergentes

A demissão de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça é a primeira reação do presidente Michel Temer à Força Tarefa da Lava Jato. A decisão tem o aval de seu principal aliado, o PSDB. Não será surpresa se o próximo a cair seja o Diretor-Geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

Nem será surpresa se as investigações da Lava Jato forem destinadas a delegados selecionados, como defende o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves. Temer e seus aliados podem estar querendo dar um cavalo de pau nas investigações. Mas será mantido o discurso de apoio à Lava Jato.

Temer e seu time não se conformam com o uso da gravação que Joesley Friboi fez de conversa com o presidente da República. O novo ministro, Torquato Jardim, é homem de confiança de Temer. Aliados de Temer vão intensificar as pressões contra o ministro do STF Edson Fachin e o PGR, Rodrigo Janot.
Herculano
28/05/2017 20:55
OS MAMADORES DE COPACABANA

Conteúdo de O Antagonista. "Quando nossos netos perguntarem onde estávamos, diremos que estávamos na praia, ouvindo música boa e lutando pela democracia do nosso país".

Foi o que disse o ator Wagner Moura no protesto da esquerda em Copacabana, neste domingo, pela renúncia de Michel Temer e pela convocação de eleições diretas, ao contrário do que manda a Constituição.

Enquanto os internautas zombam nas redes sociais das "viúvas da Lei Rouanet", a matéria da Folha sobre o ato inclui um vídeo emblemático da música boa.

Em carro de som na orla, diante das bandeiras da CUT e demais entidades petistas, uma banda de marchinha toca:
"Quem não chora não mama / segura, meu bem / a chupeta..."
Herculano
28/05/2017 20:50
O DESESPERO DE TEMER

Conteúdo de O Antagonista. O Antagonista apurou que, ao tirar Osmar Serraglio da Justiça e, assim, deixar Rocha Loures sem mandato parlamentar, Michel Temer fez com que o homem da mala percebesse que poderia ficar umbilicalmente atrelado a ele no STF ou ser despachado a Sérgio Moro. Como está relacionado à investigação sobre o presidente, o caso de Rocha Loures poderá permanecer no Supremo, mesmo que ele deixe de ser deputado no lugar de Serraglio,ao contrário do que a imprensa vem noticiando, inclusive este site.
Com isso, Temer tenta garantir algum controle sobre o seu homem da mala, que estaria negociando um acordo de delação com a PGR.

É um gesto desesperado.

"Minha lealdade ao presidente é inequívoca".

Foi o que disse Torquato Jardim no meio de uma entrevista à IstoÉ na sexta-feira, dois dias antes de ser anunciado como novo ministro da Justiça.

De fato, Jardim defendeu Temer da primeira à última resposta.

Sobre a conversa do presidente com Joesley Batista, alegou até "descontração":

"O presidente é um parlamentar há 24 anos e tem uma conduta de informalidade que é própria de quem é do Congresso. Ele tem uma descontração ao encontrar as pessoas, doadores de campanha, empresários..."

O Antagonista reproduz dois trechos ainda mais emblemáticos:

"IstoÉ - Mas e a explicação que o presidente deu foi que o encontro com Joesley era para falar da Operação Carne Fraca, que ocorreu 10 dias depois...

Jardim - Aquilo foi um lapso de tempo.

IstoÉ - Ele não caiu em contradição?

Jardim - Acho que não. É tensão do momento, a pressão. Foi um lapso emocional.
(...)

IstoÉ - Como o senhor resume os próximos dias?
Muito vento. Vai precisar de um bom timoneiro e de um navio muito forte, mas nada que não possa chegar do outro lado. Os portugueses chegaram ao Brasil em três casquinhas de nozes."

A Folha apresenta duas razões para a saída de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça:

1) Sua gestão "vinha sendo criticada por auxiliares e assessores presidenciais pela falta de pulso firme e de resposta rápida diante do aumento de episódios de violência pelo país".

2) Havia "o receio de que ele fosse citado em delação premiada que tem sido negociada com o Ministério Público Federal pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, apontado como o líder do esquema de corrupção descoberto pela Operação Carne Fraca. Em grampo divulgado em abril, Serraglio chamava Daniel de 'grande chefe'. Ele telefonou em fevereiro ao fiscal, quando ainda era deputado federal, para obter informações sobre o frigorífico Larissa, de Iporã (PR)".

Um ministro da Transparência delatado seria melhor do que um da Justiça delatado?

Esse governo acabou

Moreira Franco disse que Osmar Serraglio vai para o Ministério da Transparência ?" que já foi comandado pelo seu agora substituto no da Justiça, Torquato Jardim.

Com isso, Serraglio não volta para a Câmara, e sua vaga de deputado continua sendo ocupada pelo suplente Rocha Loures, ex-assessor de Temer flagrado recebendo mala de dinheiro da JBS.

O governo garante assim a manutenção do foro privilegiado de Loures como deputado.

Seu caso no STF está relacionado à investigação sobre o presidente, mas a jurisprudência do Supremo na Lava Jato tem sido desmembrar esses casos e mandar para a primeira instância quem não tem foro.

Temer preferiu não correr esse risco, mas mostrou a Loures que está disposto a tudo.

Repetindo a pergunta: vai adiantar?
Saulo Borges
28/05/2017 20:03
Herculano,


Quem foi, foi, que. Não foi se ferrou.
Este é o último ano de ARENA SIMPLEZ USO. Klber vai atender pedido di pka. Vai entregar meio milhão de m2 psra o devedor de impostos e aceitar terras doadas pelo patrocínio recebido. o. isso suas terras valorizarão.
É GASPAR
a corda
Herculano
28/05/2017 18:09
DOMINGO PARA SE BLINDAR. TEMER TRANSFERE SERRAGLIO PARA A CGU E EVITA NOVA DELAÇÃO. PRESIDENTE MANTÉM VAGA PARA MINISTRO E GARANTE FORO PARA LOURES. TORQUATO JARDIM COMO NOVO MINISTRO DA JUSTIÇA

Conteúdo das agências de notícias. Texto do Diário do Poder. Demitido neste domingo (28) do Ministério da Justiça, Osmar Serraglio vai assumir o Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU). A pasta ficou vaga com a decisão do presidente Michel Temer (PMDB) de transferir Torquato Jardim para a pasta da Justiça. Ao manter Serraglio como ministro, o presidente Michel Temer garante que o deputado afastado Rocha Loures (PMDB-PR) continue com prerrogativa de foro. Ex-assessor de Temer, Loures ameaça fazer delação premiada. Ele é investigado pelo STF acusado de receber propina de Joesley Batista, dono do grupo J&F/JBS.

Loures pegou o dinheiro com um emissário de Joesley. O empresário chegou a ele por indicação do presidente Temer. Em conversa gravada por Joesley, o presidente Temer cita Loures como alguém que poderia resolver as demandas de empresas do grupo J&F no Cade. Temer nega que tenha avalizado qualquer recebimento de propina.

Partiu da bancada do PMDB na Câmara o pedido para que Serraglio fosse transferido para a pasta da Transparência. É esse ministério que faz os acordos de leniência com empresas investigadas pela Lava Jato. Se Serraglio não aceitasse o ministério a outra opção seria voltar para a Câmara. Neste caso, como é suplente de Loures, tiraria o deputado do mandato.

Segue a íntegra da nota divulgada pelo Planalto à imprensa:

"O Presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o Ministério da Justiça e Segurança Pública o Professor Torquato Jardim. Ao anunciar o nome do novo Ministro, o Presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo Deputado Osmar Serraglio à frente do Ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil".

FIDELIDADE A TEMER

Torquato é ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) e muda de posto no governo em um momento decisivo para a permanência de Temer no Planalto, em meio a denúncias de delatores da JBS e uma ação no Tribunal Superior Eleitoral. Com 40 anos de experiência na Justiça Eleitoral, o novo ministro da Justiça concedeu entrevista ao jornal Correio Braziliense, publicada neste domingo, e opinou sobre o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), previsto para o próximo dia 6 de junho.

Ao garantir que ficará ao lado Temer até o fim de seu mandato, Toquatro Jardim avalia que será inevitável um pedido de vista no processo do TSE. Mas o resultado sairá ainda em junho. "Nunca vi tantos especialistas em TSE, e sem entender nada", afirma.

Para quem o vê como provável sucessor em eventual eleição indireta, o novo ministro da Justiça afirmou que "do ponto de vista acadêmico", sem lei complementar, a possibilidade é nula para ministro do Executivo ou magistrado, de acordo com a legislação atual.
Roberto Sombrio
28/05/2017 09:19
TEMER OFENDEU SUA BIOGRAFIA E SEU ESTILO AO CHAMAR A TROPA, por Elio Gaspari.

Deviam ter soltado um rojão no rabo do Gaspari e ele ia mudar de ideia rapidinho.

Fez bem Temer. Para acabar com essa corja do PT só o exército correndo com eles. Eles estão em minoria de armas. Só tem um canhão que é a Dilma e uma bomba que é o Lula. O resto é uma centena de biribas.
Anita
28/05/2017 09:16
Enquanto isso,

o prefeito de Gaspar junto com a indefesa civil mata rango no Hotel Fazenda e faz treinamento numa lagoa.
Faz propaganda com filminhos nas redes sociais.
Faltou o peninha e o Bolsonaro, para completar o o time.
Herculano
28/05/2017 09:04
da série: os protestos violentos em Brasília, os sindicalistas estavam defendendo o roubo compulsório - e não o desconto opcional como prevê a nova lei -de um dia de trabalho dos trabalhadores. Quem protesta contra a reforma da previdência, é uma casta de servidores estatais privilegiados, que se aposenta precocemente, com altos vencimentos, enquanto já 63% dos brasileiros só conseguem se aposentar aos 66 anos (e não aos 65 como quer a nova lei) e com apenas um salário mínimo.

APOSENTADORIA DE SERVIDOR FEDERAL CONCENTRA RENDA, editorial do jornal O Globo

Debate sobre a Previdência tem permitido a revelação de vários mecanismos de injustiça social, como são os sistemas de benefícios do funcionalismo

Este período conturbado em que se somam crises econômica e política tem servido para expor várias das mazelas brasileiras, enquanto partidos, corporações de diversos tipos e organizações variadas se mobilizam na defesa de respectivos interesses. Já a maioria desorganizada, de renda baixa, apenas lembrada em discursos políticos em favor do "povo", observa. Ela é que costuma pagar o preço dos acertos feitos entre poder político e categorias influentes no Congresso - servidores públicos, sindicatos fortes do setor privado -, para a criação e aumento de vantagens pecuniárias.

A própria característica desta crise econômica, sem inflação elevada, rara no Brasil, aumenta muito a percepção pela sociedade da proporção da renda que pode ganhar ou perder, em função do imprescindível ajuste fiscal a ser feito. De forma benigna, por reformas justas aprovadas no Congresso; ou por mal, via hiperinflação e recessão, caso nada seja feito. Novamente, a maioria desorganizada pagará a conta.

A capacidade de corporações agirem em interesse próprio sob o disfarce de paladinos da sociedade tem ficado muito visível, por exemplo, em manifestações de rua e depredações criminosas, contra a democracia. Não é o povo que participa desses ataques.

Nas negociações em torno da proposta de reforma da Previdência, tudo fica muito claro. Corporações sindicais e de servidores públicos se movimentam, pressionam, para manter privilégios.

Os do funcionalismo público federal são gritantes: manter o último salário como aposentadoria, sendo reajustada na mesma proporção dos aumentos dados ao servidor na ativa. Ao lado disso, a grande maioria dos trabalhadores, segurados junto ao INSS, tem como teto de benefício cinco salários mínimos (R$ 5.531). Reforma iniciada na gestão de Lula e concluída por Dilma Rousseff estabeleceu, ao menos, que servidor com a carreira iniciada a partir de 2003 está limitado ao mesmo teto do INSS, e, se quiser complementar a aposentadoria, deve contribuir para um fundo de pensão.

Muito justo. Mas quem é servidor desde antes continua com a mesma vantagem, e ainda luta para não ter de seguir uma regra de transição razoável proposta pela reforma atual para se subordinar à regra do limite de 65 anos de idade.

Porque o Tesouro foi subjugado por fortes grupos de interesse, a distribuição de renda brasileira é das mais injustas. Em artigo publicado no GLOBO, os economistas José Márcio Camargo, André Gamerman e Rodrigo Adão calculam em R$ 1,3 trilhão, em valores não atualizados, a transferência feita pelo Tesouro para cobrir o déficit do sistema de previdência do servidor federal, entre 2001 e 2015. Ou seja, R$ 1,3 milhão para cada servidor aposentado ou R$ 86 mil anuais. Esta dinheirama do contribuinte, destinada a pouco menos de um milhão de servidores inativos, equivale a três vezes a despesa com os 4,5 milhões de idosos e deficientes enquadrados no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e cinco vezes o orçamento do Bolsa Família, de que dependem 13,5 milhões de famílias, cerca de 50 milhões de pessoas ao todo. Parte desses recursos poderia ir para saúde e educação, por exemplo.

Está explicado por que os servidores federais aposentados incluem-se entre os 2% mais ricos do país. A situação fica mais disparatada quando se inclui o aposentado do Judiciário, do Ministério Público e do Legislativo. O mesmo padrão se repete no funcionalismo estadual e municipal. A reforma da Previdência, portanto, também precisa servir para reduzir as desigualdades sociais. Conhecer esses números ajuda a saber quem de fato está nas ruas contra as mudanças, em nome de quem protesta.
Herculano
28/05/2017 08:55
ATALHOS INSTITUCIONAIS, por Vera Magalhães, no jornal O Estado de S.Paulo

O mais 'popular' desses puxadinhos legais atende pelo slogan de 'diretas-já'

Diante da crise generalizada e da falta de saídas fáceis, vários atores aos quais caberia a responsabilidade de conduzir o País para uma transição minimamente racional flertam perigosamente com saídas fáceis ou atalhos institucionais. É o ingrediente que falta para o Brasil descambar de vez para situações que assistimos num passado recente ?" ou mesmo hoje ?" nos nossos vizinhos de continente.

O mais "popular" desses puxadinhos legais atende pelo aparentemente libertário slogan de "diretas já!", como se vivêssemos um período de hiato democrático e não tivéssemos um ciclo ininterrupto de eleições diretas a cada dois anos desde a década de 80. Como se a malfadada dupla Dilma Rousseff & Michel Temer não tivesse sido eleita e reeleita por voto popular.

Diretas em 2017 significa, vejam só, o tal golpe que seus defensores adoram apontar no impeachment. Seja porque não é o caminho previsto pela Constituição ?" esta, vale lembrar, redigida e aprovada por uma Constituinte eleita diretamente ?", seja porque servirá, no atual cenário, apenas de salvo-conduto para candidatos enrolados com a Justiça e/ou salvadores da pátria que flertam perigosamente com o desalento com a política.

Por pior que seja ter um presidente eleito por um Congresso sem respaldo popular e igualmente atingido pelas denúncias de corrupção, é o que nos resta para hoje. Qualquer um, independentemente da "fé ideológica" que professe, que tenha um mínimo de compromisso com a legalidade tem de aceitar este caminho caso Michel Temer caia, o que parece cada dia mais provável.

O segundo jeitinho brasileiro para problemas graves vem na forma da utilização do julgamento da chapa Dilma-Temer para abreviar o calvário do País com o presidente que se recusa a aceitar a hipótese de renúncia. Esta ação diz respeito à campanha de 2014. Deveria ser redundante dizer que as ilegalidades ?" e elas foram muitas ?" cometidas para reeleger a malfadada dupla não valem para retirar o ex-vice por eventuais crimes cometidos em março de 2017.

Mas no Brasil da gambiarra esta saída é vista como a mais "indolor". Pode não doer agora, mas abre uma avenida para que se subvertam as leis para resolver nós que são antes de tudo políticos. É claro que, se o caminho acordado pelos caciques for este, vai-se tentar dar um verniz de normalidade e dizer que apenas foi cumprida a jurisprudência do TSE que manda responsabilizar a chapa toda em caso de irregularidade. Mas todo mundo que acompanhou esse tortuoso julgamento que se arrasta há dois anos, sabe que, há duas semanas, a tendência era justamente a oposta: responsabilizar Dilma.

Por fim, no Brasil das jabuticabas institucionais, tem-se evidências de sobra de que o Ministério Público Federal foi, no mínimo, condescendente ao oferecer um acordo de delação premiada nunca antes visto aos irmãos Batista e demais colaboradores da JBS. Nada, nem a tal ação controlada, justifica a benevolência.

Ademais, o fato de um dos braçosdireitos de Rodrigo Janot, que até outro dia estava à frente da condução das delações da Lava Jato, atuar no escritório de advocacia que negocia a leniência do grupo é outra dessas aberrações que só ocorrem no Brasil. Que não venham os representantes da banca e os antigos colegas de Marcelo Miller dizer que ele não atuou na delação. Só essa nítida incompatibilidade já seria razão para anular o acordo em um País sério.

Ou se excluem das graves decisões que o Brasil tem pela frente todos esses exotismos institucionais ou não haverá saída virtuosa, com ou sem Lava Jato. O caminho legal pode ser mais longo e tortuoso, mas é o único possível para um País que almeje a civilização e a democracia.
Herculano
28/05/2017 08:54
CANSAÇO E DESENCANTO, por Roberto Pompeu de Toledo, na revista Veja

De Collor aos Anões do Orça­mento, dos Anões do Orçamento ao mensalão, e do mensalão ao petrolão, foram 25 anos (bodas de prata!) em que escândalos de corrupção deceparam presidentes, cassaram parlamentares, arruinaram reputações - mas também fizeram luzir no horizonte um raio de esperança. O Brasil, que com Collor foi ao fundo do poço, mais para baixo não poderia ir. E no entanto vieram os Anões do Orçamento. Chega, indicava a seguir a esperança, essa teimosa; agora a política brasileira há de se emendar. E no entanto veio o mensalão. Depois do mensalão, ao qual nada, de mais amplo e profundo, poderia suceder, veio o petrolão, mais amplo e profundo. E no transcurso do petrolão, desdobramento após desdobramento, vem agora, sucedendo ao assombro das delações da Odebrecht, que nada podia superar, a delação de Joesley Batista, dono da tentacular JBS, e põe por um fio a sobrevivência do governo Temer.

Na campanha presidencial de 2002, o marqueteiro Duda Mendonça, a serviço do PT, inventou um comercial que, sob o mote "Xô, corrupção!", mostrava um bando de ratos roendo a bandeira nacional. "Ou a gente acaba com eles ou eles acabam com o Brasil", dizia o texto. Pois naquele momento mesmo, enquanto esconjurava a corrupção, o marqueteiro a praticava, aceitando que seus serviços fossem pagos em paraísos fiscais do Caribe. O Brasil se notabiliza, no concerto das nações, por sucessivos recordes no campo da corrupção: por sua onipresença, em todos os níveis do governo, por seus montantes bilionários, por sua extensão no tempo. Mais notável ainda, a corrupção brasileira consegue perpetrar o milagre da simultaneidade, um elaborado esquema que desponta atropelando e se sobrepondo ao anterior. Enquanto se esconjurava o mensalão, em julgamento do Supremo Tribunal Federal, engendrava-se o petrolão. A trama da corrupção, a exemplo dos espetáculos de circo, quando o trapezista despenca no tablado, não pode parar.

A delação de Joesley Batista mostra que o ex-deputado Eduardo Cunha, mesmo preso, continuava a cobrar, exigir e se beneficiar de grossas propinas. O senador Aécio Neves, por seu lado, mesmo acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois, insistia em buscar junto a Joesley mais dinheiro oriundo de corrupção, lavagem e caixa dois, para pagar advogados que o defendessem desses crimes. Num terceiro caso, o mais vital, porque situado no centro do poder, o presidente Temer, não bastasse já chefiar um governo que mal e mal suporta o peso das muitas suspeitas contra seus membros, não se vexou de receber um empresário encrencado, para uma conversa suspeita, na calada da noite.

A conversa de Temer com Joesley Batista, que entrou escondido no Palácio do Jaburu, o empresário com um gravador no bolso, produziu duas falas que, fosse uma peça de teatro, deixariam a plateia de respiração suspensa. A primeira, dita em tom baixo, foi: "Tem que manter isso, viu?". Cinco humildes palavrinhas, terminadas num "viu?" que era a reiteração singela de uma ordem, um alerta para prestar bem atenção porque isso é importante. Joesley acabava de lhe dar conta das propinas com que continuava a alimentar a ganância de Eduardo Cunha. De acordo com o promotor Rodrigo Janot, o presidente enfatizava a necessidade de não interromper os pagamentos a Cunha para mantê-lo calado. A segunda fala foi quando Joesley afirmou que precisava resolver pendências junto a órgãos do governo como o Cade, a CVM e a Receita Federal, e Temer retrucou: "Fale com o Rodrigo". Joes­ley explorou o terreno: "Posso falar sobre tudo com o Rodrigo?", e Temer respondeu: "Tudo".

Rodrigo Rocha Loures, o homem com quem se podia falar de "tudo", é hoje um deputado pelo Paraná. Na época, era assessor de Temer na Presidência. Procurado nos dias seguintes por Joesley, ele se dispôs a ajudá-lo em múltiplas frentes, a começar pelo Cade, o órgão regulador da concorrência entre as empresas. Joesley reivindicava que a termelétrica de sua propriedade, em Mato Grosso, pudesse comprar gás diretamente da Bolívia, e não da Petrobras, cujos preços são mais altos. Loures pôs mãos à obra, e Joes­ley lhe prometeu que, do benefício obtido com a operação, 5% seriam dele.

Temer é, no elenco dos peemedebistas no comando do país, o responsável pela pose. Isso vem de longe. Os Jucás, Renans, Cunhas e Geddeis ficam com o escracho, ele segura a turma na pose. O nó da gravata Temer não cansa de ajustar, o paletó nunca largará aberto com desleixo; as mãos, ora espalmadas, ora juntas ao peito, ora em acrobáticos rodopios, descrevem estudadas evoluções; o lábio inferior se mete entre os dentes, e a testa se contrai em sinal de que o cérebro se ocupa de graves reflexões. Os outros representam a esbórnia ou a cafajestada, ele é o homem sem dúvida sério, apresentável nos melhores salões. A seu auxiliar Loures, com quem se pode falar de tudo, coube receber 500 000 reais, em dinheiro vivo, de Joesley ?"? primeira parcela pelo serviço a ser prestado.

O sério Temer, desde quando foram reveladas as gravações de Joesley Batista, passou, com pose e tudo, a protagonista do mais novo clássico da corrupção brasileira. Acompanhará doravante sua biografia ilustrada o ato da entrega do dinheiro a Rodrigo Loures, documentado em fotos e vídeos. Sobra a pergunta: caindo Temer, o que virá depois? No panorama devastado da política brasileira não se vislumbra saída, e o vício reiterado da corrupção, escândalo após escândalo, só promete desencanto. Até a esperança, tida como a última que morre, está cansada. No exato momento em que o leitor lê estas linhas, algum político estará recebendo propina, e algum empresário estará combinando uma trapaça.
Herculano
28/05/2017 08:51
A FALTA QUE UM LÍDER FAZ, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Se Congresso armar indulto para ex-presidentes, sucessor de Temer vira picadinho

O principal embate na definição de um eventual substituto de Michel Temer é da "senioridade", o PSDB, o PMDB e o Senado contra a "junioridade", a massa e os partidos médios da Câmara. O ponto em comum é que todos, do PSDB ao PT, aderiram ao "voto de desconfiança construtivo", do Direito alemão, que consagra o que vem sendo dito aqui desde o início da crise JBS: Temer só cai quando houver um sucessor virtualmente ungido.

Alckmin e Doria lançam Fernando Henrique, o top da senioridade. FHC e Serra preferem Nelson Jobim, que se finge de morto, mas está bem vivo. Tasso Jereissati faz o meio de campo, mas, se o ângulo ajudar, chuta em gol. As conversas entre eles decantam para a base governista e se ampliam em ondas pelos cafezinhos do Congresso.

É ali que o deputado "júnior" Rodrigo Maia (DEM-RJ) concentra trunfos. Como presidente da Câmara, já é o segundo na linha sucessória de Temer, terá o próprio cargo atual para negociar, é um peixe dentro d'água na Casa que detém a esmagadora maioria dos votos indiretos e nada de braçada com partidos médios, como o próprio DEM, o PTB, o PP, o PSD... De quebra, não é de PT, PSDB nem PMDB, o que alivia as resistências.


Num colégio eleitoral de 594 votos, a Câmara tem 513 e não assimila um senador. Por isso, o Senado, com seus 81, trabalha firmemente a tese de duas votações: Câmara primeiro e o Senado depois, para homologar. Cola? Não se sabe, mas Maia mais Eunício Oliveira dá chapa zero. Aliás, todos os listados têm méritos e deméritos e cada um que puser a cabeça de fora entrará na linha de fogo.

FHC tem 85 anos e usa marca-passo. Jobim circula no Judiciário, no Legislativo e no Executivo com igual desenvoltura ?" e assertividade ?", além de dialogar de FHC a Lula, de militares a militantes, mas é consultor de advogados da Lava Jato e sócio do BTG. E Tasso, senador e ex-governador do Ceará, é cardiopata e praticamente um ilustre desconhecido da Câmara.

Quanto a Rodrigo Maia: longe de ser um intelectual como FHC, ter a estatura de Jobim e ser um político majoritário como Tasso, ele é considerado júnior e de horizonte curto: seu mundo é o Congresso, quando a crise brasileira extrapola em léguas esse limite. A questão é se esses argumentos afastam os colegas deputados e são suficientes para uma sublevação no Senado.

Pairando sobre essas considerações, há um fato e dois personagens chaves. Fato: o governo está por um fio, mas atravessou mais uma semana, reza para não explodirem mais bombas, gravadores e delatores e avalia que o derretimento da economia pesa a favor de sua manutenção, não da troca de comando. E os personagens são Temer e Gilmar Mendes.

Gravemente ferido, Temer é do PMDB e tem a condescendência dos tucanos, que o descrevem como um professor de Direito Constitucional que não ostenta riqueza e merece um "tratamento digno", mesmo na possível queda. Quanto ao ministro: se a eleição indireta passa pelo PSDB, o destino de Temer passa por Gilmar, que preside o TSE e foi decisivo para a nomeação de dois novos ministros, no total de sete. Antes da JBS, dava-se de barato que Temer escaparia. Agora, o TSE subiu no muro. Inclusive Gilmar, que prefere observar melhor.

O PT se informa desses movimentos e pode falar, ouvir e opinar, mas sem votar num colégio indireto, que seria heresia para suas bases. Mais: onde encaixar Lula, réu seis vezes e suspeito de ter institucionalizado a corrupção? Aliás, se Suas Excelências querem aproveitar para livrar a cara dos alvos da Lava Jato e exigir do eleito indiretamente um indulto para todos os ex-presidentes, eis um aviso: isso explodiria de vez o País. A sociedade e as instituições fariam picadinho do sucessor de Temer.
Herculano
28/05/2017 08:49
NOSSOS MALVADOS PREFERIDOS, por Merval Pereira, para o jornal O Globo

Corruptores se valem da lassidão moral. A Operação Lava-Jato está nos revelando um país que suspeitávamos existir, mas nos recusávamos a enfrentar de maneira rigorosa. Explicitações desmoralizantes de um modo de ser nada republicano revelam uma ética pública que reflete a moral privada, não apenas de corruptos e corruptores, mas de todos nós, cidadãos, que afinal de contas somos os responsáveis por colocar no Congresso e no Executivo figuras que necessariamente nos representam como sociedade.

Tão chocante quanto ver e ouvir delações de executivos da Odebrecht, especialmente de seu patriarca Emílio, explicando as relações promíscuas com parlamentares e governantes com um ar de superioridade de quem está nessa vida subterrânea há muitos anos, foi ver e ouvir o dono da JBS descrever um leilão de deputados contra e a favor do impeachment da ex-presidente Dilma, como se fossem os bois que compra para seu abatedouro.

Em consequência, revela-se outro defeito de nossa formação: temos malvados preferidos. Os nossos, quando denunciados, são perseguidos por conspirações subterrâneas, em alguns casos guiados até mesmo do exterior. Os outros, nossos inimigos, mais que adversários, são culpados de tudo e muito mais. O Ministério Público e a Polícia Federal têm o estranho dom de descobrir todas as safadezas de nossos inimigos e de perseguir implacável e injustamente nossos preferidos.

E é nessa dicotomia moral que está a raiz de nossos problemas. Enquanto perdoarmos nossos companheiros, encontrando as mais bizarras explicações para situações indefensáveis, e quisermos a letra dura da lei, ou mesmo aceitarmos ignorar a lei para punir nossos adversários, o país não sairá desse lamaçal.

A situação é tão esdrúxula que os mesmos procuradores, a mesma Polícia Federal, são instituições respeitáveis quando descobrem as falcatruas em que um figurão tucano está metido, e passam a ser vendidos, com atuação política enviesada, quando anunciam os atos corruptos de um figurão do PT. E vice-versa.

Aproveitando essa lassidão moral, os corruptores agem nos dois lados, sem partidarização, oferecendo os mesmos préstimos a tucanos, petistas, peemedebistas e a outras siglas menores, da mesma maneira que as raízes do mensalão estavam no empresário mineiro que ajudara o PSDB a testar sua tecnologia de corrupção com o dinheiro público.

Deu tão certo que o PT importou o método, mais aperfeiçoado até, e ampliando seu escopo, recém-chegado ao poder e carente de tecnologia mais avançada. Tinham experiência municipal, logo acostumaram-se aos novos ares federais, institucionalizando a roubalheira como método de governo.

A impunidade que campeava no país em relação aos criminosos do colarinho branco, fossem empresários ou políticos, permitia que esses esquemas se disseminassem na política partidária, assim como é apartidária a maioria parlamentar que hoje sustenta um governo do PMDB, PSDB, DEM e ontem sustentava um governo petista, e se prepara para novamente apoiar outro governo.

Hay governo? Soy a favor parece ser o lema desses nossos representantes, que continuam a agir da mesma maneira, sem se dar conta de que o país, aos trancos e barrancos, vai mudando e exigindo uma nova postura diante dos escândalos. E qual é a solução que está sendo tramada por baixo dos panos em Brasília?

Uma anistia ampla, geral e irrestrita que permita que ex-presidentes não vão para a cadeia, que atuais e antigos parlamentares sejam perdoados pelos financiamentos de caixas 1, 2 e quantas mais apareçam nas investigações criminais.

Não há uma alma que inclua nessa negociação um mea culpa generalizado, não há quem imagine que é preciso colocar limitações às falcatruas, limitações apenas à atuação dos que os investigam. Mas há esperanças à vista. Assim como o esquema de corrupção nacional parece ser o maior já registrado na política internacional, justamente por isso nenhum país teve que realizar uma crítica tão drástica de suas práticas políticas, tendo os valores éticos como objetivo.

As instituições brasileiras resistem à crise, mesmo quando parecem consumidas pelas mazelas que estão sendo combatidas. Mas a sociedade precisa permanecer em estado de alerta para impedir que se perca essa oportunidade de avanços democráticos.

Porque ainda há quem considere que é preciso fechar os olhos a certos desvios éticos escancarados, para permitir que as reformas avancem. Ou que a suposta melhoria da desigualdade social justifica um ou outro desvio do líder populista. Sem compreender que todos os avanços conseguidos através de métodos corruptos são um atentado à democracia e têm bases falsas, que logo ruirão.
Herculano
28/05/2017 08:45
GOVERNO VÊ 'TORCIDAS ORGANIZADAS' NO BADERNAÇO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste nos jornais brasileiros.

Chegou ao governo federal e a autoridades de segurança do governo do DF informações sobre a suposta participação de integrantes de torcidas organizadas do Corinthians nos atos violentos do badernaço de quarta (24), em Brasília. Conhecidos pelo estilo "briga de rua" que levam aos estádios, os grupos teriam sido recrutados por ex-dirigentes do clube ligados ao PT. Também tem sido atribuído a sindicalistas e "mortadelas" ligados à Força Sindical parte significativa da brutalidade.

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA
Líder da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) se credenciou junto a Lula, em sua tentativa de reaproximação.

CACHÊ INFLACIONADO
Sindicalistas ligados à CUT atribuem à Força Sindical cachê de R$360 a cada "mortadela" levado a Brasília em ônibus. A CUT pagaria R$50.

FORÇA DO DINHEIRO
Foi de R$49,6 milhões em 2016 a receita da Força só com contribuição sindical, em vias de extinção na reforma que, claro, a entidade deplora.

PEDIDO SUSPEITO
No dia 23, senadores do PT pediram ao governador do DF para a PM não revistar ônibus que chegavam a Brasília para o protesto do dia 24.

AÇÃO DE TEMER NO TSE NÃO TEM PRAZO PARA ACABAR
O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral do pedido de cassação do registro da chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), nas eleições de 2014, tem início marcado para 6 de junho, mas não tem data para acabar. Cada um dos sete ministros da Corte Eleitoral tem direito a pedido de vista, para analisar melhor os fundamentos da ação. As defesas de Dilma e Temer também têm direito a recursos.

PODE DEMORAR
O ex-governador do Amazonas José Melo (Pros) foi julgado por 9 meses somente no TRE. No final, acabou condenado.

PODE SER RÁPIDO
No TSE, José Melo foi julgado em menos de 45 dias: o julgamento teve início em 23 de março, pedido de vistas, e foi encerrado em 4 de maio.

CABEÇA PARA BAIXO
Antes da delação-bomba da JBS, pouco acreditavam na cassação de registro da chapa Dilma-Temer. Depois disso, a expectativa inverteu.

AGENDA DE REFORMAS
A base de apoio de Temer, incluindo o PSDB, não confia que o vice da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), dará seguimento à agenda de reformas caso assumisse a Casa, com Rodrigo Maia presidente.

PREVIDÊNCIA NO SACO
Aliados do governo perderam o otimismo da aprovação da reforma previdenciária, tão necessária ao País. O próprio relator Arthur Maia (PPS-BA) não esconde que a delação de Joesley foi um tiro mortal.

TRABALHADOR AGRADECE
Comissão do Senado aprovou mudar a correção do FGTS dos míseros 3%, atuais, para a Selic. O senador Anastasia (PSDB-MG) não quer "novos usos", além dos atuais compra de imóvel e saque na demissão.

COINCIDÊNCIAS
Bemvindo Sequeira, que interpretará Itamar Franco no filme "Real - O Plano por Trás da História" é inimigo de Roberto Freire desde que o presidente do PPS rompeu com Lula, após o mensalão. O deputado, no entanto, sempre foi respeitado e querido por Itamar.

DEVOTOS DE SÃO JOÃO
Se antes eram os servidores que reclamavam de Eduardo Cunha por não dar folga para as festas de São João, agora são os deputados que sonham com a semana a mais de folga, para evitar a poeira da JBS.

PUNIÇÃO AUTOMÁTICA
O projeto do deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) pune o acusado beneficiado de informação privilegiada da própria delação, como no caso JBS. Prevê multa de 50 vezes o valor recebido. E não precisaria ser identificado o dolo, apenas a mera transação já geraria a punição.

ALÍVIO TUCANO
O PSDB da Câmara comemorou a exclusão do deputado Betinho Gomes (PE), pelo ministro Edson Fachin, do rol de inquéritos da Lava Jato. Delatores da Odebrecht o acusam de receber doações no caixa 2.

COINCIDÊNCIA
A saída de Maria Silvia Bastos do comando do BNDES ocorreu 24h após o Senado autorizar a instalação de CPI Mista para investigar a empréstimos concedidos, na gestão do PT, pelo BNDES à JBS/J&F.

TRADIÇÕES TUCANAS
O senador Tasso Jereissati diz que o PSDB fica no governo até Michel Temer ser cassado. Ou seja, só desce do muro se este cair.
Herculano
28/05/2017 08:40
O SIGILO DA FONTE E A FONTE DO SIGILO, por Paula Cesarino Costa, Ombudsman do jornal Folha de S. Paulo

A divulgação indevida de conversas de um jornalista com sua fonte criou momento raro de unanimidade num país cada vez mais dividido. Não houve voz - de esquerda ou de direita, independente ou tradicional, conservadora ou liberal - que não condenasse o que se caracterizou como uma quebra do sigilo de fonte dos jornalistas, sendo este garantido pela Constituição.

A Polícia Federal realizou escutas telefônicas em conversas de Andrea Neves, irmã do senador tucano Aécio Neves, investigado por operações suspeitas com o grupo JBS.

Em um dos telefonemas grampeados, Andrea falava com o jornalista Reinaldo Azevedo ?"colunista da Folha e até então blogueiro da "Veja". Ela queixava-se de texto da revista sobre o irmão. Azevedo chamava a reportagem de "nojenta" e repetia críticas, que costuma fazer em seus escritos, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A conversa veio à tona em 23 de maio por meio do site BuzzFeed. O grampo foi retirado de lote de mais de 2.000 áudios anexados ao inquérito originado nas delações da cúpula do grupo JBS, tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao ser informado da gravação, o jornalista pediu demissão da revista e afirmou que o foco da divulgação da conversa era ele, não Andrea. A PF disse que não incluiu o áudio; a PGR disse o mesmo. O STF repôs o sigilo em parte dos áudios e determinou uma investigação sobre as responsabilidades no episódio.

O editor de notícias do BuzzFeed Brasil, Graciliano Rocha, diz que os repórteres, ao tomarem conhecimento da gravação, identificaram ali indevida quebra do sigilo da fonte. Rocha afirmou que, a partir desse momento, havia interesse jornalístico em revelar a existência do grampo e de seu conteúdo.

Não parece decisão fácil. Não havia na conversa entre Andrea e Reinaldo nada relacionado à investigação em curso. Era a típica conversa de jornalista com fonte conhecida. Ao divulgá-la amplificou informação que não deveria ser conhecida. Por outro lado chamou a atenção para divulgação absurda.

O que mais haverá nos milhares de gravações, muitas das quais consideradas sem relevância pela PF? Pessoas comuns tiveram a vida devassada? Outros jornalistas tiveram conversas interceptadas? São perguntas que rondam as Redações, que têm a responsabilidade de publicar ou não
Herculano
28/05/2017 08:21
COMO MENTEM ESSAS VERDADES, por Carlos Brickmann

Joesley Batista deu pistas do que iria fazer: por exemplo, batizou seu iate (modelo Leonardo, cem pés, ou 30 metros, de comprimento, três andares, o mais caro do estaleiro italiano Azimut) com nome em inglês, Why Not?, e mandou transportá-lo para Miami. O iate vale uns nove, dez milhões de dólares, mas os organismos oficiais que cuidam de exportações não o perceberam, ou não acharam necessário relatar nada, ou a relataram e, como no Governo ninguém conhece Joesley, tudo passou despercebido.

Joesley teve sorte de ser pouco conhecido. Isso lhe permitiu, embora com ordem do presidente Temer, algo difícil: atravessar numa boa as cercas eletrônicas do Palácio do Jaburu, livre de câmeras indiscretas, sem sequer um guarda para pedir-lhe que deixasse na portaria objetos que não deveria levar para uma conversa com o presidente, como celular ou um gravador (que usou para gravar e delatar o amigo). Dá para controlá-los de longe, Joesley sabe. Já comprou em Nova York um vibrador com wi-fi. Ou poderia ter uma arma. Amigo? Tiro de amigo é igual a tiro de inimigo. Uma pistola moderna é leve, silenciosa e faz um tremendo estrago.

Joesley é corajoso: encontrou-se com Temer altas horas da noite, nos porões do palácio. Este colunista só iria a uma reunião assim com alho no bolso. Pense em encontrar Temer no porão, à noite, de terno escuro.

Achou graça nesses absurdos? Não deveria: eles acabam de acontecer.

VERDADE É...

Sindicalistas vociferantes, e seus amigos desordeiros mascarados, atacam ministérios, depredam o que podem, incendeiam um deles, fazem o que querem com equipamentos eletrônicos que armazenam a rotina de todo o país. Talvez haja algum serviço interno de combate a incêndios, mas na TV não apareceu. Seguranças? Procure nos orçamentos ministeriais, está lá: empresas terceirizadas de prestação de serviços de segurança (e portaria, e limpeza, etc.). Procure na porta, nos filmes dos tumultos em Brasília, e não encontrará ninguém.


O jornalista Luis Mir, em seu livro Guerra Civil - Estado e Trauma, mostra os dados oficiais: proporcionalmente ao número de habitantes, Brasília tem o triplo dos policiais de Berlim. Mas, diante dos vândalos comandados por pelegos, é preciso chamar o Exército.

...A MENTIRA...

A Polícia Militar não sabia de nada. Deveria saber: a data estava marcada. Na véspera das manifestações, a PM interceptou vários ônibus fretados, revistou-os e encontrou armas brancas, porretes, socos ingleses. Parlamentares do PT pediram ao governador de Brasília que as revistas fossem suspensas. O pedido foi negado. Mesmo assim, surgiram na manifestação bombas caseiras, escudos, muito material de ataque.

Como o PT e as centrais sindicais garantiram, depois do tumulto e dos prejuízos, que nada tinham a ver com os vândalos, por que os parlamentares pediram que os ônibus - eram 900, que levaram de 35 a 40 mil pessoas à manifestação - não fossem revistados, isso num momento em que já se sabia que transportavam material para o quebra-quebra?

...QUE ACONTECEU

Para o leitor que não está entendendo nada do que acontece (o que é muito justo, já que é complicado mesmo), aqui vai um pequeno resumo:

O Brasil estava indo muito bem, com crescimento sustentável, terra para quem quisesse plantar, terrenos à vontade, bem situados, para construir moradias; agricultura forte, preservação ambiental, qualidade de vida, habitantes orgulhosos do povo e do país.

Então, uma caravela atracou em Porto Seguro e tudo desandou.

CULPA...

A Associação Brasileira de Imprensa acusou a Procuradoria Geral da República por violação do segredo da fonte. Pelo artigo 5º da Constituição, a fonte do jornalista é sigilosa. Se houver processo, ele é que responde. Pois o ministro Edson Facchin liberou o sigilo da delação premiada que atingiu Andréa, irmã do senador Aécio Neves, PSDB. Legalmente, o material que não se referisse ao caso teria de ser destruído.

Mas não foi: alguém separou das horas de grampo do telefone de Andréa o trecho em que conversava com o jornalista Reinaldo Azevedo, de Veja e da Rádio Jovem Pan. Justo ele, que vinha criticando a forma das investigações!

...SEM CULPADOS

Tanto a PGR quanto a PF concordam: houve quebra do sigilo. Ambas negam ser culpadas. Mas bem que poderiam contar a verdade, mesmo que seja difícil de acreditar. As gravações referentes a Reinaldo Azevedo são espertíssimas e saíram sozinhas do material a ser destruído. Enviaram-se a jornalistas, fingindo que a remessa era de alguma autoridade. Foi assim que tudo aconteceu: ninguém é culpado pela ilegalidade, nem mesmo as gravações desobedientes - pois quem vai julgar a culpa de uma gravação?
Herculano
28/05/2017 08:15
ROMBO NA PREVIDÊNCIA É PROBLEMA GLOBAL; NO BRASIL, REFORMA PATINA, por Clóvis Rossi

O buraco na Previdência não é uma invenção do governo Michel Temer. É uma bomba de tempo global, exposta em números alarmantes por estudo do Fórum Econômico Mundial que acaba de ser divulgado.

O estudo não trata do Brasil e, sim, dos seis países que têm os maiores sistemas de aposentadoria do planeta (Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Holanda, Canadá e Austrália) e dos dois com as maiores populações (China e Índia).

O buraco nesses oito países chegaria, até 2050, a apocalípticos US$ 400 trilhões, "cinco vezes o tamanho atual da economia mundial", segundo o relatório do fórum.

Embora não faça parte do estudo, é óbvio que também no Brasil há um buraco que precisa ser coberto mais cedo do que tarde. É, talvez, a única coisa com a qual estão de acordo críticos e defensores da reforma proposta pelo governo Temer.

Vale, pois, examinar até que ponto as medidas sugeridas no estudo do fórum coincidem ou não com as que o Congresso está examinando.

A filosofia básica do estudo está completamente fora de cogitação no Brasil: garantir aposentadoria para cada pessoa equivalente a 70% de sua renda pré-aposentadoria. É coisa de outro planeta.

Uma das cinco prioridades elencadas, contudo, coincide com o projeto brasileiro (aumento da idade de aposentadoria). O estudo diz que "em países nos quais as futuras gerações terão expectativa de vida acima dos 100 anos, como EUA, Reino Unido, Canadá e Japão, uma idade de aposentadoria de ao menos 70 deveria ser a norma até 2050".

Não parece ser um despropósito, portanto, aumentar a idade no Brasil para algo em torno dos 65 anos.
Herculano
28/05/2017 08:13
PARA BARROSO, RELATOR DA LAVA JATO SOBRE "CERCO", por Josias de Souza

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, afirma que seu colega Edson Fachin, relator da Lava Jato, está envolto em pressões. "Que há um cerco, há", declarou, em entrevista ao colunista. Barroso sustenta que Fachin "precisa de proteção institucional" para lidar com as reações de personagens poderosos que se encontram sob investigação.

"Ninguém poderia achar que um processo criminal desta magnitude, envolvendo autoridades com a estatura das autoridades que estão tendo que se defender e se explicar, não produzisse reação - tanto dos seus advogados quanto dos seus porta-vozes e dos seus aliados", disse Barroso, antes de sair em defesa de Fachin: "Uma pessoa de integridade, absoluta seriedade e dedicação ao trabalho."

FACHIN, RELATOR DA LAVA JATO, 'PRECISA DE PROTEÇÃO INSTITUCIONAL'

As observações de Barroso chegam num instante em que várias posições de Fachin estão sob questionamento. A defesa de Michel Temer, por exemplo, tenta retirar de suas mãos o processo sobre a colaboração judicial do grupo JBS, do delator Joesley Batista. Alega-se que o caso não teria relação com a Lava Jato. De resto, o ministro Gilmar Mendes, amigo de Temer e do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), outro alvo da delação de Joesley, defende que o acordo firmado com a JBS, já homologado por Fachin, seja submetido à apreciação do plenário da Suprema Corte.

Abstendo-se de comentar a posição de Gilmar, Barroso se opõe à hipótese de revisão do acordo: "Seria uma deslealdade do Estado, uma vez obtida a informação, não honrar o compromisso que assumiu", declarou Barroso, evocando comentário que extraiu de um voto de Ayres Britto, ex-presidente do Supremo, já aposentado. "Penso que nós destruiríamos a figura da colaboração premiada, que foi decisiva no Brasil para romper o pacto de silêncio que havia nesse tipo de criminalidade", acrescentou.

REVISÃO DO ACORDO COM A JBS SERIA UMA 'DESLEALDADE DO ESTADO'

Na próxima quarta-feira (31), o plenário do Supremo julgará o processo que pode levar à redução do alcance da prerrogativa de foro de congressistas e ministros. Relator da causa, Barroso quer restringir o foro privilegiado a casos que envolvam crimes cometidos durante e em razão do exercício do cargo. Se prevalecer esse entendimento, o grosso dos processos, incluindo vários da Lava Jato, descerão para as mesas de juízes de primeira instância, como Sergio Moro.

Se nada for feito, admitiu Barroso, o escudo do foro privilegiado pode resultar na generalização da impunidade nos casos que envolvem detentores de mandato na Lava Jato. "Se isso acontecer seria muito ruim", afirmou o ministro. "Portanto, é importante encontrar mecanismos que impeçam." Existe o risco?, perguntou o repórter. E Barroso: "Certamente." Cerca de duas centenas de autoridades pilhadas na Lava Jato respondem a processos no Supremo.

FORO PRIVILEGIADO 'CERTAMENTE' INJETARÁ IMPUNIDADE NA LAVA JATO

Num instante em que Michel Temer balança no cargo e os parlamentares se equipam para a eventualidade de ter que escolher um novo presidente, Barroso informa que a encrenca pode passar pelo Supremo. O Congresso aprovou em 2015 uma modificação no Código Eleitoral. Prevê a realização de eleições diretas em casos de cassação de chefes de Executivo. A eleição seria indireta apenas quando faltasse menos de seis meses para o término do mandato.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao Supremo que declare que a nova regra não vale para presidente e vice-presidente da República. Relator do processo, Barroso explica: "Como há esta aparente incongruência - eu não posso opinar sobre o mérito porque isso ainda vai ser julgado - eu, logo que o procurador-geral propôs esta ação, estudei o processo, em outubro do ano passado. Pedi pauta para este julgamento. E a matéria aguarda a inclusão em pauta. O Supremo vai decidir se é [eleição] direta ou indireta." Quando?, quis saber o repórter. "O ideal teria sido decidir isso fora de uma situação concreta. Mas acho que se deve decidir. Há uma frase boa do Martin Luther King. Ele diz: 'É sempre a hora certa de fazer a coisa certa'."

'SUPREMO VAI DECIDIR SE É ELEIÇÃO DIRETA OU INDIRETA', DIZ BARROSO

Numa decisão histórica, o Supremo abriu a porta da cadeia para pessoas condenadas na primeira e na segunda instância. O placar foi apertado: 6 a 5. E o ministro Gilmar Mendes, que votara com a maioria, cogita mudar de posição, invertendo o resultado. Barroso negou-se a comentar as declarações do colega. Mas posicionou-se contra a volta ao passado. Insinuou que os partidários da meia-volta estão mais preocupados com os nomes que aparecem nas capas dos processos.

"A verdade é que um país não pode ir mudando o Direito conforme o réu. Isso não é um Estado de direito, é um Estado de compadrio", disse o ministro. Instado a explicar as razões da dificuldade de punir criminosos do colarinho branco no Brasil, Barroso respondeu: "Acho que é cultural. É uma parceria histórica e ideológica das elites brasileiras, inclusive as do Poder Judiciário, uma certa dificuldade de prender os iguais. O Brasil ainda não é um país verdadeiramente igualitário."
Herculano
28/05/2017 08:02
TEMER OFENDEU SUA BIOGRAFIA E SEU ESTILO AO CHAMAR A TROPA, por Eio Gaspari, para os jornais O Globo e Folha de S. Paulo

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, teve toda razão quando disse que havia uma "baderna" na Esplanada dos Ministérios, com a vandalização de prédios públicos. Infelizmente, não era a única. Era a mais visível e predatória, mas nem era mais perigosa.

A baderna de um governo sitiado foi pior, indicando que o palácio de Temer começa a funcionar com a lógica do bunker. Isso aconteceu com o de Dilma e deu no que deu. O maior bunker de todos os tempos foi o de Hitler. Em maio de 1945, com os russos a poucos quarteirões, a cúpula nazista lutava pelo poder, até que Martin Bormann triunfou, recebeu o testamento do Führer e foi para a rua. Andou um pouco e tomou um tiro.

Na tarde de quarta-feira (24), o presidente Michel Temer assinou um decreto autorizando o uso das Forças Armadas para manter a ordem na capital. Jungmann disse que a medida havia sido pedida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Falso, retrucou Maia. Ele pedira o uso da Força Nacional de Segurança. Baderna nº 1, o Legislativo pede uma coisa e o Executivo entrega outra.

Jungmann explicou que chamara a tropa do Exército porque só havia 150 homens da Força Nacional em Brasília. Baderna nº 2, não havia a tropa especifica na capital, apesar da tensão em que estava o país. Jungmann disse que botou a tropa na rua porque a Polícia Militar de Brasília perdeu o controle da situação diante da ação de mascarados. Eram 250. Baderna nº 3, pois o efetivo da PM é de 13 mil homens, a capital tem um dos melhores índices de policiamento, a Esplanada dos Ministérios é a vitrine da cidade e o governador não foi consultado. No dia seguinte, o decreto foi revogado.

Em março de 2016, quando o deputado Raul Jungmann estava na oposição a Dilma Rousseff e integrava o "estado-maior informal do impeachment", ele comentou as informações de que havia conversas de militares com políticos, advertindo que "se a política não resolver a crise, a crise vai resolver a política". Sabe-se lá o que isso queria dizer.

Sempre que se mexe com tropa, vale a pena lembrar o que disse o marechal Castello Branco em agosto de 1964. Ele reclamava dos civis a quem chamava de "vivandeiras alvoroçadas [que] vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar".

BRANCOS E NEGROS
É fato sabido que 60% da população carcerária brasileira é composta por negros. Em 2012, para cada grupo de 100 mil brancos havia 191 encarcerados. Para cada 100 mil negros havia 292 trancados. O Brasil mudou.

A Lava Jato não prendeu um único negro. Mais: trancou brancos de sobrenomes poderosos. No século passado, a política mineira girava em torno de dois patriarcas, Tancredo Neves e José de Magalhães Pinto. A Lava Jato pegou seus netos ilustres.

SEM GRAMPO
Para quem quer se proteger dos grampos, aqui vão duas lições. Nursultan Nazarbayev, presidente do Cazaquistão, a terra de Borat, conversa coisa importante com dignitário estrangeiro na sauna. Fez isso nos anos 90 com o secretário de Estado americano.

O doutor tem 76 anos e está no poder desde 1984, quando se tornou dono do partido comunista. Sua base de apoio quer trocar o nome da capital (Astana), batizando-a com seu nome. No Brasil, conta a lenda que no século passado o governador de Mato Grosso, Julio Campos, recebeu na piscina uma ex-namorada do senador Roberto Campos. Ela de biquíni e ele de calção, teriam conversado dentro d'água.

CADÊ?
Em dezembro passado, depois que o ministro Geddel Vieira Lima foi abatido por um grampo, Temer anunciou que instalaria equipamentos capazes de de evitar que as conversas em seu gabinete fossem gravadas. Informou-se que dois sistemas estavam sendo testados e nunca mais se falou no assunto. Nenhuma geringonça eletrônica salvaria Temer de Joesley Batista, porque ele o recebeu no escurinho do Jaburu.

CASOS PARA A OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil, que se mete em tudo, poderia ser mais ágil diante das malfeitorias dos seus associados. No acervo da colaboração da JBS está o depoimento de Ricardo Saud, o caixeiro da empresa. Descrevendo o metabolismo das propinas, ele informou: "No final, nós vamos ter tratado com mais de cem escritórios de advocacia, todas notas falsas".

Essa modalidade de disfarce para os capilés vem do século passado, mas Saud listou e documentou transações com dezenas de escritórios. Num caso, mencionou um mimo de R$ 1,2 milhão lavado com notas frias do escritório Erick Pereira Advogados.

Erick Wilson Pereira esteve na lista tríplice de candidatos ao Superior Tribunal de Justiça e até a última quinta-feira seu escritório tinha página na rede, com direito a foto colorida do ex-ministro do STF Cezar Peluso intitulando-o "consultor". Crocodilagem.

6 DE JUNHO
O início do julgamento da cassação da chapa de Dilma e Temer para o dia 6 de junho foi marcado pelas almas dos velhos anarquistas e socialistas do movimento operário de São Paulo.

No dia 6 de junho de 1917, começou uma greve no Cotonificio Crespi. Ninguém dava nada por ela e em poucas semanas parou 40 mil trabalhadores. Há cem anos, uma das reivindicações dos grevistas era o fim das contribuições compulsórias para um Comitê Pró-Patria, da colônia italiana.

Um século depois, os trabalhadores e empresários brasileiros sustentam compulsoriamente o Sistema S (R$ 16 bilhões em 2016) e a máquina dos sindicatos (R$ 3,5 bilhões).

A PGR INVESTIGOU A INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Eremildo é um idiota e acha que sabe por que foi grampeada a conversa de Andrea Neves com o jornalista Reinaldo Azevedo. A Procuradoria-Geral da República quer investigar negócios da magistratura de uma região metida em contrabando de ouro e sua conexão angolana.

Eremildo chegou a essa conclusão quando viu que numa das conversas grampeadas o principal assunto foi o perigoso poeta Alvarenga Peixoto (1744-1792), e Andrea chegou a recitar um de seus versos. Ele foi
ouvidor da comarca de Rio das Mortes, meteu-se na conspiração dos mineiros e foi degredado para Angola, onde morreu. O idiota acha que a PGR pode ter visto alguma conexão entre o magistrado e os negócios angolanos das empreiteiras.

Mesmo sendo um cretino, Eremildo sabe que a divulgação dos dois grampos deve ir para a conta do ministro Edson Fachin. A polícia gravou e a Procuradoria anexou a transcrição ao inquérito. Cada uma fez o seu serviço. Era Fachin quem devia cuidar da seleção e do embargo do material que não tivesse relação com o caso. Dá trabalho e toma tempo, mas o serviço deveria ter sido feito pelo seu gabinete.

Esse tipo de ligeireza vem ocorrendo há tempo. Em março do ano passado, o juiz Sergio Moro divulgou uma conversa de Lula com sua filha Lurian combinando que tomariam juntos o café da manhã do dia seguinte. (Telefonema 80829474, de 9 de março de 2016.)
Herculano
27/05/2017 13:26
ILHOTA EM CHAMAS

Sempre escrevi aqui, que quem não conseguiu sequer cuidar de uma balsa e que afundava a toa hora e deixava o pessoal do Bau isolado, agora quer captar, tratar e distribuir água potável em Ilhota.

Quer na verdade, é criar empregos, com polpudos salários, para poucos e os seus. Ninguém está pensando na população.

Água, de verdade, já está faltando nas torneiras dos ilhotenses. É uma reclamação geral. E o prefeito Érico de Oliveira, PMDB, bem quietinho.

A prefeitura tomou o patrimônio da Casan, que não ia bem, mas que um dia vai ter que pagar com os pesados impostos dos ilhotenses, sacrificando ainda mais saúde, educação e outras prioridades. Tomou e deu para uma empresa terceira administrar. Enquanto isso, prepara uma lista de empregos. Mas, água que é bom, nada.

E vai piorar, com o monte de loteamentos que estão aprovados, alguns deles, verdadeiras favelas regularizadas pelo Executivo, com lotes 140m2, em audiências públicas montadas e sem a participação popular.

Até a legislação para dar validade a isso, esconderam parte dos parágrafos quando publicaram no Diário Oficial dos Municípios - aquele que se esconde na internet e não tem hora para ser publicado.

Agora, o Corpo de bombeiros de Ilhota, diz que não tem água para atender em caso de incêndio. Ele, tomava água por gravidade do reservatório da Casan. Como lá não tem água...

É um fato, mas um exagero.

O bombeiros podia ter uma bomba de sucção, para tirar água do rio em casos de emergência. Não é preciso água tratada para combater incêndios.

Mas, o caso mostra como a situação é grave. E por politicagem, por poder, por emprego para cabos eleitorais e políticos sem função. E na prefeitura, todos em silêncio.
Mardição
27/05/2017 13:14
BOLSONARO é meu amigo, vai separar o joio do trigo.
vlad
27/05/2017 10:54
É impressionante como os marginais continuam roubando, apesar da Lava Jato e das prisões já efetuadas. Eles não têm medo de nada, nem da polícia e nem do judiciário. Eles têm certeza da impunidade. A culpa é do STF que não funciona, não julga, procura brechas nas leis para beneficiar os amigos conforme os interesses do momento, não prende ninguém e deixa os crimes prescreverem.
Herculano
27/05/2017 10:20
PRESIDENTE PERFEITO É UM MONSTRENGO IMPROVÁVEL, por Josias de Souza

No momento em que um Congresso Nacional sujo não consegue encontrar um personagem mal lavado para colocar no lugar de Michel Temer, surgiu o candidato perfeito à Presidência do Brasil. Foi criado num processo de fusão de imagens a frio.

É diferente de tudo o que se conhecia em matéria de presidenciável fora dos manuais de marketing: careca, olhar triste, orelhas miúdas, narigudo e boca desproporcional. Um monstrengo improvável.

O presidente perfeito jamais venceria um concurso de beleza. Em compensação, nunca seria deposto nem receberia voz de prisão. Sua estética é a ética.

Ou seja: em tempos de Lava Jato, o presidente perfeito não teria a menor chance de prevalecer numa eleição indireta no Legislativo. Conheça no vídeo acima o presidente que a República não terá.
Herculano
27/05/2017 10:17
SAÍDA DA ELEIÇÃO INDIRETA Só NÃO É MAIS DESASTROSA QUE A DIRETA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo.

Temer provavelmente descerá a rampa até o solstício de inverno. A saída constitucional da eleição indireta só não é mais desastrosa que a alternativa inconstitucional da eleição direta, pela qual clamam os demagogos.

No Planalto e na Paulista, acalenta-se a ilusão de uma substituição indolor de comando, com a retomada da agenda reformista. Mas, no mundo real, a eleição indireta, por um Congresso desmoralizado, acentuaria a carência de legitimidade popular que envenenou o governo Temer. Sobre os escombros do sistema político, emergiria o Poder Moderador do sistema de justiça (STF, Ministério Público).

O presidente escolhido pelo colégio eleitoral restrito pagaria o voto por um acordo de conciliação da elite política assentado na diluição das reformas econômicas e na sabotagem da Lava Jato. Os contragolpes do sistema de justiça devastariam o pouco que ainda resta do equilíbrio institucional. Atolado em prolongada recessão, o país assistiria ao espetáculo de uma campanha eleitoral permanente, sem reforma política relevante, dominada por pretensos salvadores da pátria.

Já a aprovação de emenda (in)constitucional de eleições diretas antecipadas significaria a ruptura das regras do jogo político, conduzindo-nos de volta aos tempos da "república do jeitinho", vigente no intervalo entre o Estado Novo e o golpe de 1964. Nunca mais, no horizonte previsível, recuperaríamos a crença na estabilidade das regras. Uma prova antecipada do caos resultante é oferecida pela facção dos arautos das diretas que clamam pela eleição imediata de um presidente com mandato de cinco anos.

O presidente escolhido nas urnas, em eleição solteira, numa paisagem de ruínas institucionais e agravamento da crise econômica, só teria duas opções, dependentes de seu perfil: o populismo ou a conciliação. Na primeira hipótese, o Eleito apelaria ao Povo, por cima das instituições, para avançar um programa salvacionista (de "esquerda" ou de "direita"). Na segunda, reunificaria a elite política em desespero e descartaria as reformas para, em nome da Ordem, barrar o caminho à Lava Jato.

Nas circunstâncias atuais, a eleição indireta equivale à transferência do poder real para o sistema de justiça, enquanto a eleição direta abre caminho à aventura da tirania eletiva. A troca do presidente, pela via constitucional ou pela inconstitucional, preserva um Congresso ferido de morte, que se reduziria a uma câmara de conspiração de delinquentes.

Nenhuma delas oferece solução ao problema de fundo: a implosão da Nova República proclamada por Tancredo Neves e consagrada na Constituição de 1988.

Há, porém, um terceiro caminho, que cumpre a regra constitucional (continuidade) e propicia o surgimento de um novo contrato político nacional (ruptura).

O ponto de partida é eleição indireta de um presidente interino, como reza a lei. O ponto de chegada é a eleição direta, em poucos meses, de uma Assembleia Constituinte soberana. Os arautos da eleição presidencial direta argumentam que a devolução do poder ao povo é, sempre, uma ruptura legítima.

A falácia, aí, está no sinal de igualdade que colocam entre poder e presidente, algo típico do autoritarismo populista. Mas o argumento adquire validade quando se trata de uma Constituinte soberana.

O poder emana do povo, não da Odebrecht ou da JBS ?"e nem mesmo do Supremo, de Janot ou de Moro. Uma Constituinte soberana, originária, não é uma "Constituinte exclusiva" para a reforma política, essa aberração inventada pelo PT. A representação do povo nomearia um governo provisório, enquanto redige o novo contrato nacional, que abrange a ordem política (inclusive o sistema de governo) e a ordem social (inclusive as regras previdenciárias). No lugar de um longo e traumático velório, o caminho da Constituinte promoveria o enterro organizado da Nova República.

*
Juízes estão acima da lei? Quem pune Fachin, que rasgou a Constituição, violando os direitos à privacidade e ao sigilo da fonte de Reinaldo Azevedo?
Herculano
27/05/2017 10:13
UM PAÍS INVIÁVEL, por J.R. Guzzo, na revista Veja

O presidente Michel Temer, no fim das contas, não conseguiu atravessar nem mesmo a miserável pinguela que tinha pela frente para usar a faixa presidencial até o último dia oficial de seu mandato. Era o seu sonho, ou seu único objetivo real - cumprir o curtíssimo prazo que a lei lhe deu para despachar no Palácio do Planalto. Chegou até mesmo a montar um bom ministério, e não só na área econômica. Estava começando, enfim, a anotar bons resultados. Mas não deu, e nem poderia dar. Temer assumiu a Presidência da República em situação de D.O.A., como dizem os relatórios hospitalares e policiais nos Estados Unidos - dead on arrival, ou morto na chegada. Chegou morto porque só sabe fazer política, agir e pensar para um Brasil em processo de extinção, onde presidentes da República recebem em palácio indivíduos à beira do xadrez, discutem com eles coisas que jamais deveriam ouvir e não chamam a polícia para levar ninguém preso. Desde a semana passada, com uma colossal denúncia criminal nas costas de Michel Temer, as datas oficiais da sua certidão de óbito como presidente deixaram de fazer diferença. Seu governo não existe mais. A atual oposição (até ontem governo) do PT-esquerda não existe mais; eles estão rindo, mas riem no próprio velório. Os políticos, como classe, não existem mais. Querem viver de um jeito inviável e manter de pé um país inviável. Acabaram por tornar-se incompreensíveis.

Na verdade, como já ficou claro há um bom tempo, não se poderia mesmo esperar algo diferente do que está acontecendo. É simples. O Brasil de hoje é governado como uma usina de reprocessar lixo. Entra lixo de um lado, sai lixo do outro. O que mais poderia sair? Entre a porta de entrada, que é aberta nas eleições, e a porta de saída, quando se muda de governo, o produto fica com outra aparência, altera o nome, recebe nova embalagem ?"? mas continua sendo lixo. Reprocessou-se o governo do ex-presidente Lula; deu no governo Dilma Rousseff; reprocessou-se o governo Dilma; deu no governo Michel Temer. Não houve, de 2003 para cá, troca no material processado pela usina. Não houve alternância de poder, e isso inclui o finado governo Temer. Continuou igual, nos três, a compostagem de políticos "do ramo", empreiteiras de obras públicas, escroques de todas as especialidades, fornecedores do governo, parasitas ideológicos, empresários declarados "campeões nacionais" por Lula, por Dilma e pelos cofres do BNDES. É esse baixo mundo que governa o Brasil.

Michel Temer, na verdade, faz parte integral da herança que Lula deixou para os brasileiros. Tanto quanto Dilma Rousseff, é pura criação do ex-presidente ?"? só chegou lá porque o PT o colocou na Vice-Presidência. Ou alguém acha que Temer foi incluído como vice na chapa petista contra a vontade de Lula? Ninguém votou nele, não se cansam de dizer desde que Temer assumiu o cargo, no impeachment de Dilma. Com certeza: quem fez a escolha foi Lula, ninguém mais. Foi dele o único voto que Temer teve ?"? e o único de que precisava. É tudo parte, no fim das contas, da "política de alianças". A respeito do assunto, ainda outro dia tivemos direito a uma aula de ciência política dada pelo próprio ex-­presidente da República, durante seu interrogatório pelo juiz Sérgio Moro. Lula explicou ao juiz, e a todos nós, que é impossível governar sem "aliados". E o que isso tem a ver com a corrupção em massa durante seu governo? Tudo a ver, segundo o que deu para entender: você precisa dar cargos públicos aos partidos que apoiam o governo, e aí eles vão roubar tudo o que virem pela frente. No seu caso, o PMDB foi a principal aliança que fez ?"? na verdade, o alicerce da coisa toda, uma obra-prima de "engenharia política" que seria depois completada com a aquisição do PP, do PR e de outras gangues partidárias.

Com o PMDB veio Michel Temer ?"? mais Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e família, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Geddel Vieira Lima, e daí para pior. Hoje são odiados nos discursos de Lula e do PT. Ontem eram os melhores amigos e, principalmente, sócios. A isso aí vieram juntar-se os empresários "nacionalistas" de Lula e Dilma: os Joesley e Wesley Batista, que ocupam agora o centro do palco, os Marcelo Odebrecht, os Eike Batista e tantos outros capitães de indústria que já foram, continuam sendo e em breve serão inquilinos do sistema penitenciário nacional. Juntos construíram a calamidade moral, econômica e administrativa que está aí. E com certeza vão tentar, de algum jeito, beneficiar-se da gosma constitucional hoje formada em torno do pós-Temer.

Essa gente toda, com Lula e o PT à frente e bilhões de reais atrás, nos deixou o seguinte país: um dos maiores empresários do Brasil, e também um dos mais investigados por crimes cometidos em suas empresas, entra na residência presidencial e, numa ação nos limites da bandidagem, grava pessoalmente uma conversa do pior nível com o presidente. Com isso, ao menos até agora, protege-se da cadeia, ganha uma soma não calculada de milhões e vira um herói da Rede Globo, no papel de "justiceiro". O ex-presidente Lula oscila entre duas possibilidades: ir para o xadrez ou para o Palácio do Planalto. Sua sucessora é trazida, por denúncia de pessoas íntimas, para o centro do lodaçal. Seu adversário nas últimas eleições, Aécio Neves, recebe malas de dinheiro vivo desses Joesley e Wesley que atiram para todo lado. O governo do Brasil, e o conjunto da vida política, passou a depender inteiramente de delegados de polícia, procuradores públicos e juízes criminais. O voto popular nunca valeu tão pouco: o político eleito talvez esteja no próximo camburão da Polícia Federal. Os sucessores mais diretos de Temer podem estar em breve, eles próprios, a caminho do pelotão de fuzilamento; fazem parte da caçamba de detritos que há na política brasileira de hoje. Um país assim não pode funcionar ?"? não o tempo inteiro, como tem sido nos últimos anos. Trata-se de uma realidade que está evidente há mais de três anos, quando a Operação Lava Jato passou a enterrar o Brasil Velho. Era um país que, enfim, começava a agonizar: pela primeira vez na história, seus donos tinham encontrado pela frente a aplicação da Justiça ?"? ou, mais exatamente, o princípio de que a lei tem de valer por igual para todos. Não acreditaram, e tentam não acreditar até hoje, que aquilo tudo estava mesmo acontecendo. O único Brasil possível, para eles, é o Brasil que tem como única função colocar a máquina pública a serviço de seus bolsos. Gente como Lula, Odebrecht, Joesley, empresários campeões etc. simplesmente não entende a existência de pessoas como Sérgio Moro; eles têm certeza de que não há seres humanos que não possam ser comprados ou intimidados. O resultado está aí ?"? um país que não consegue mais ser governado, porque os governantes não conseguem mais esconder o que fazem, nem controlar a Justiça e a Lava Jato, que a qualquer momento pode bater à sua porta.
Herculano
27/05/2017 10:06
PARA QUE O CRIME NÃO COMPENSE, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo.

Sabe criança quando ganha um brinquedo novo e faz questão de usá-lo em todas as ocasiões, incluindo aquelas em que fazê-lo é inadequado? Pois é, minha sensação é a de que os procuradores estão agindo da mesma forma com as delações premiadas.

A introdução desse instituto foi fundamental para a desarticulação dos esquemas de corrupção enquistados no poder. Ao permitir que integrantes das quadrilhas negociem uma redução de pena em troca de informações e provas sobre atividades ilícitas, a legislação põe a matemática, mais especificamente a teoria dos jogos, a serviço do combate ao crime.

A própria ideia de negociação entre MP e acusados poderia ser mais bem explorada em nosso sistema. Se o réu admite culpa em troca de uma sentença mais branda, não há necessidade de levá-lo a julgamento, o que contribuiria para desafogar a Justiça. O Judiciário dos litigiosos norte-americanos só é viável porque de 90% a 95% dos casos são resolvidos nessas negociações (o "plea bargain") sem nem passar pelo juiz ou pelo júri.

É preciso, porém, que nos cerquemos de cuidados básicos, pois é fácil errar a mão nas negociações e passar tanto para criminosos como para a sociedade os incentivos errados. Salvo melhor juízo, é o que os procuradores fizeram ao acertar as delações e acordos de leniência envolvendo Odebrecht e, principalmente, a JBS.

Até para que os procuradores tenham referências para negociar, seria importante fixar alguns parâmetros, como o de que o benefício máximo concedido a delatores corresponda a, digamos, metade da pena mínima prevista para o crime principal. É preciso também limitar o acesso à delação a menos delinquentes e que ocupavam posições hierarquicamente inferiores. Por fim, é necessário cassar as vantagens de delatores que tenham mentido ou omitido fatos importantes. Sem isso, corremos o risco de o sistema estimular novos tipos de comportamento criminoso.
Herculano
27/05/2017 10:02
BRASIL GOSTA TANTO DE PIADA QUE O TSE VIROU UMA, por Josias de Souza

A relação incestuosa de Michel Temer com um pedaço do plenário do Tribunal Superior Eleitoral transformou a apreciação das contas da campanha vitoriosa em 2014 numa casa da Mãe Joana. A pretexto de contribuir para a salvação do PIB, a veneranda senhora vinha usando as provas que incriminam a chapa Dilma?"Temer como gordura na fritura do próprio TSE. Subitamente, a conjuntura virou. E a Corte Eleitoral promoteu para o dia 6 de junho um espetáculo inédito: vai desfritar um ovo.

As páginas do processo expõem uma inacreditável realidade. Nela, um mar de dinheiro roubado da Petrobras escorreu para o caixa do comitê eleitoral de Dilma. Mas quando o processo ganhou corpo uma outra realidade se apresentou, mais inacreditável do que a anterior. Magistrados tarimbados, de aparência respeitável, aceitaram a tese de que a lama era de responsabilidade de Dilma. E Temer não tinha nada a explicar. Como Dilma já fora deposta, o assunto estava encerrado.

A lama escorreu pelos escaninhos do TSE por um ano. Algumas togas conviveram com as provas fingindo que elas não se avolumavam no processo e no site do tribunal. Os julgadores pisavam nas evidências distraídos quando a delação da JBS transformou Temer num morto-vivo investigado no Supremo Tribunal Federal por corrupção, obstrução da Justiça e formação de organização criminosa.

Nada a ver com crimes eleitorais demonstrados nos autos do TSE. Mas o governo que prometia recolocar a economia nos trilhos descarrilou. E tudo o que o TSE fingia que não aconteceu passou a merecer explicação. Temer ainda não sabe o que dizer. Mas já esboçou uma rota de fuga. Sonha com um pedido de vista que adie o julgamento indefinidamente. Se um dos sete ministros do TSE se prestar a desempenhar esse papel não restará dúvida: o Brasil gosta tanto de piadas que o Tribunal Superior Eleitoral se transformou em uma.
Herculano
27/05/2017 09:58
SUSPEITA É QUE CÚPULA PETISTA PLANEJOU BADERNAÇO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Cresce a suspeita de que a cúpula do PT planejou o badernaço em Brasília, com violência e vandalismo, incluindo a tentativa de incendiar ministérios. O caso foi entregue à Polícia Federal. O presidente do PT, Rui Falcão, e outros dirigentes chegaram a Brasília no início da semana para o protesto do dia 24. Na véspera, 23, senadores do PT pediram ao governador de Brasília que a Polícia Militar não revistasse ônibus chegando com manifestantes. Ele se negou a atender o pedido.

ARSENAL NOS ôNIBUS
O governo acha que ônibus de sindicalistas e "mortadelas" transportava "apetrechos de combate" como bombas, porretes e coquetéis molotov.

INDO 'PRO CACETE'
Desde março de 2016, Lula exorta seguidores a "ir pro cacete", como em telefonema com Lindbergh Farias (PT-RJ) gravado pela Justiça.

SEM Dó, NEM PIEDADE
"Não tem mais jeito, não tem nem dó, nem piedade", diz o ex-presidente naquela conversa telefônica com o senador fluminense.

COMO O PROMETIDO
Na gravação, Lindbergh promete "ir pro pau". Ele foi um dos petistas que pediram para a PM de Brasília não revistar ônibus de militantes.

CÂMARA PAGA R$ 2,5 MILHõES AO SÍRIO-LIBANÊS
A Câmara dos Deputados renovou sem licitação, por R$2,5 milhões, o contrato de serviços com o hospital Sírio-Libanês, famoso por atender os políticos e celebridades. Além disso, a Câmara ainda gasta R$100 milhões por ano para manter um autêntico hospital de ponta, com equipamentos como tomógrafo, raros no SUS. Os deputados não querem nem ouvir falar em extinguir seu serviço médico, como fez o Senado nos tempos em que era presidido por Renan Calheiros.

LIMPANDO TUDO
Os equipamentos modernos e até os profissionais do serviço médico do Senado foram disponibilizados ao SUS, após sua extinção.

SALVO PELA CÂMARA
A UTI móvel da Câmara socorreu o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) quando ele passou mal, há dias. No Senado já não há ambulância.

GASTOS GERAIS
Apesar de alto, o contrato do Sírio-Libanês é irrisório perto dos R$104 milhões gastos na Câmara sem licitação, entre janeiro e abril.

REFORMAS EM 1º LUGAR
Aliados do governo, como PSDB, decidiram priorizar as reformas, sem as quais o Brasil desanda. "Se tiver de ser, será", deu de ombros um senador tucano, sobre a eventual saída de Michel Temer do cargo.

RECORDE BRASILEIRO
Até agora, a maior multa nos Estados Unidos com base na Lei de Práticas Corruptas no Exterior (FCPA, sigla em inglês), da qual a JBS tenta fugir, foi aplicada à Siemens, de US$800 milhões (R$2,5 bilhões). A expectativa é que a multa à JBS USA será novo recorde.

KIT OBSTRUÇÃO
A oposição no Senado promete "todos os recursos de obstrução" para tentar impedir, terça (30), a votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos. Semana passada não deu certo.

ALTERNATIVA
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), não descarta levar requerimento de urgência para que a reforma trabalhista seja votada no plenário. Dessa forma, a obstrução da oposição seria inútil.

PEC DA AUTONOMIA EMPERROU
No próximo dia 15 de junho a PEC que dá autonomia à Polícia Federal faz aniversário. Parecer favorável foi lido na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, mas, depois disso, nenhuma movimentação.

SEGUE O JOGO
Será novamente posto à prova na Câmara, terça (30), o protesto juvenil da oposição, que deixou o plenário, quarta (24), e permitiu ao governo aprovar 6 medidas provisórias. Serão votadas três MPs e 17 vetos.

ESTÍMULO AO CRIME
O governo federal trabalha com um dado preocupante, que atribui à lei penal fato comum de presídios como o potiguar Alcaçuz, onde houve uma sangrenta rebelião: 100% dos presos são reincidentes.

O DONO DA MÃO
O rapaz que, coitado, perdeu três dedos na explosão de rojão (quando se preparava para lançar contra policiais) estuda na UFSC. Matou aulas pagas pelo contribuintes para ajudar a tocar o terror em Brasília.

PENSANDO BEM...
...o juiz Sérgio Moro inocentou a mulher, mas prendeu o dinheiro.
Herculano
27/05/2017 09:53
A FALÁCIA DAS "DIRETAS JÁ", editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Aproveitar-se da convulsão política no País para promover alterações constitucionais com vista a favorecer um grupo político viola escandalosamente a democracia

Os defensores da antecipação da eleição direta para presidente querem fazer acreditar que somente assim teremos um governo com legitimidade e, portanto, capaz de tirar o País da crise. Essa concepção do voto direto como panaceia dos problemas nacionais se presta a vários propósitos, a maioria inconfessáveis, e nenhum deles efetivamente democrático. Quem apregoa a eleição direta para presidente agora, de afogadilho, ou defende interesses turvos ou é apenas oportunista.

Em primeiro lugar, basta observar quais partidos lideram o esforço para colocar o tema na pauta do Congresso. São em sua maioria siglas que desde sempre se dedicam a questionar a legitimidade e a sabotar qualquer governo democraticamente eleito que não seja integrado por um dos seus. Os notórios PT, PSOL, Rede e PCdoB, entre outros, informaram que vão se reunir na semana que vem para discutir a formação de uma "frente nacional" para defender a antecipação da eleição presidencial direta. A memória nacional está repleta de exemplos de como os petistas e seus filhotes mais radicais jamais aceitaram o resultado das eleições presidenciais que perderam, e provavelmente continuarão a não aceitar caso o vencedor do próximo pleito não seja Lula da Silva ou alguém da patota.

Com Michel Temer na Presidência, a estratégia antidemocrática consiste em infernizar a vida do presidente para que ele renuncie e, ato contínuo, sejam convocadas eleições diretas. Para tanto, apostam na aprovação de alguma das propostas que estão no Congresso com vista a alterar o artigo 81 da Constituição, que determina que, em caso de vacância da Presidência e da Vice-Presidência nos últimos dois anos do mandato, haverá eleição para ambos os cargos "trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei". Na proposta que está no Senado, torna-se direta a eleição quando ocorrer a vacância nos três primeiros anos.

O casuísmo é tão evidente que custa acreditar que esse tipo de proposta esteja sendo levado a sério e eventualmente avance. Os parlamentares envolvidos nesse esforço usam o especioso argumento, expresso no projeto, de que é preciso "devolver à população brasileira o direito de escolher o presidente da República, por meio de eleições diretas". Para eles, o atual Congresso, engolfado em escândalos de corrupção, não tem "legitimidade" para fazer essa escolha.

Ora, os atuais congressistas foram eleitos pelo voto direto, o mesmo voto direto que os defensores da antecipação da eleição presidencial direta consideram essencial para conferir legitimidade ao eleito. Michel Temer também foi escolhido em eleições diretas. Estava, como vice, na chapa de Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e em 2014. Por quatro vezes ?" os dois turnos de cada eleição ?", cada um de seus eleitores visualizou sua foto e seu nome na urna eletrônica e confirmou o voto. Hoje se encontra no exercício da Presidência em decorrência do estrito cumprimento dos preceitos constitucionais. E, se tiver de deixar o cargo, a Constituição diz claramente como substituí-lo.

Mas os inimigos da democracia só apreciam a Constituição quando esta lhes dá alguma vantagem. Se for um entrave para suas pretensões políticas, então que seja rasgada, sob a alegação aparentemente democrática de que a antecipação da eleição direta "atende aos anseios da sociedade brasileira, sob o eco do histórico grito das ruas a clamar 'Diretas Já', nos idos da década de 1980", como diz o texto da PEC no Senado. A justificativa omite, marotamente, que aquele era um dos componentes do processo de restabelecimento da democracia, na saída do regime militar, ao passo que hoje a democracia está em pleno vigor.

Finalmente, não são apenas eleições diretas que definem um regime democrático, muito menos conferem legitimidade automática aos eleitos. A democracia, em primeiro lugar, se realiza pelo respeito à Constituição, expressão máxima do pacto entre os cidadãos. Aproveitar-se da convulsão política para promover alterações constitucionais com vista a favorecer um grupo político viola escandalosamente esse pacto e, portanto, a própria democracia.
Herculano
27/05/2017 09:51
da série: não adianta, os intelectuais da esquerda do atraso, consideram, sempre, que os brasileiros são idiotas, a seu serviço para sustentar com os pesados impostos, o poder em que ele sempre vencem, roubam e destroem tudo o que já foi construído com muito dinheiro e sacrifício de gerações. Impressionante. O mesmo crime que comente aos milhões não é nada ao que cometem os adversários, que corretamente, devem ir para a guilhotina, e de preferência sem o devido processo legal. Defende a Constituição só para eles, para os outros, é preciso mudá-la e fora da lei. Não é a toa, que na falta de argumentos e razão, colocam fogo nas manifestações que fazem. A mais apurada dialética que pregam e praticam.

A HORA DAS DIRETAS, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, no jornal Folha de S. Paulo

Uma semana após a gravação entre Michel Temer e Joesley Batista ter se tornado pública, os fatos, pouco claros em um primeiro momento, começam a apontar na direção de que o presidente deva ser impedido. Embora o áudio não tenha apresentado o que se anunciava nas notícias divulgadas, em primeira mão, pelo maior grupo comunicacional do país, o que ele revela é, provavelmente, suficiente para que o prócer peemedebista sofra impeachment.

Comprovadas, por exemplo, as denúncias da OAB - encontro às escondidas com empresário processado, promessa de ajudá-lo em pleitos relativos à Fazenda, anuência a relato de obstrução da Justiça, indicação de assessor de confiança para contatos permanentes?" haveria crime de responsabilidade. Até aqui os pronunciamentos e entrevistas presidenciais, no exercício pleno do direito de defesa perante a opinião pública, não conseguiram desfazer as suspeitas. Em alguns itens, ao contrário, funcionaram como confissão espontânea.

Em caso de vacância da Presidência e da vice nos últimos dois anos de mandato, como se sabe, a regra constitucional prevê a eleição pelo Congresso, destinada a completar o tempo dos que foram eleitos em 2014. Trata-se de cláusula pouco democrática em uma Carta, de modo geral, avançada.

Além disso, prevista originalmente para um sistema de mandato único de cinco anos sem reeleição, tal norma deveria ter sido regulamentada por alguma lei que especificasse as condições de candidatura, o que nunca ocorreu. Quem sabe seja sinal de que o legislador percebeu a inadequação da eleição indireta para preencher o mais importante cargo do sistema político brasileiro por um tempo maior.

A proposta de emenda constitucional (PEC) 227, do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), resolve bem o problema. Ela altera a redação da Carta de 1988, fazendo prever eleições diretas até seis meses do fim do mandato, quando o papel do presidente passa a ser apenas o de conduzir o pleito seguinte. Torna também a Constituição compatível com o previsto no Código Eleitoral.

Pode-se argumentar que alterar regras no meio do jogo constitui equívoco a ser evitado pelos que desejam defender o Estado de Direito. Mas não é disso que se trata, pois não há eleição em curso. Existe, sim, uma situação de emergência, causada por grave crise institucional, que depara com norma inadequada na Constituição.

Respeitar a Constituição não significa a impossibilidade absoluta de mudá-la. A Cidadã foi emendada 95 vezes. Algumas das mudanças foram ruins, como a PEC dos Gastos, mas nada impede que desta vez possamos acertar. Ampliar a participação dos cidadãos é o melhor meio de sair da crise. Se não for o único.
Herculano
27/05/2017 09:43
QUAL A DIFERENÇA ENTRE O PT E O PMDB?

Sempre perguntei aqui, e as respostas não vêm.

E não vêm por que são óbvias.

Ambos - PT e PMDB - são gigolôs dos pagadores de pesados impostos, ambos destroem a economia e o futuro das pessoas, do país, dos estados e municípios; ambos lideram a corrupção nas suas mais diversas modalidade; ambos são mestres na propaganda enganosa; ambos quando no poder são incompetentes e pior, culpam os outros, os adversários pelos males que prometem resolver se eleitos e eleitos, tendo a oportunidade para resolvê-los pioram tudo. Aacorda Gaspar!
Herculano
27/05/2017 09:39
O CORRUPTO E O CORRUPTOR, por Rui Castro, no jornal Folha de S. Paulo

Agora que estávamos nos acostumando à figura do corrupto - afinal, há séculos convivemos com ele -, eis que surge um novo animal na floresta: o corruptor. E em alto estilo: enorme, viscoso, tentacular, falando de cifras com que nunca sonhamos e com uma naturalidade que escancara para nós, de repente, toda a nossa inocência.

Com que, então, os milhões e bilhões que só conhecíamos por ouvir falar existem de verdade e não como papéis simbólicos, trocados por bancos e governos. Apesar do volume, são moeda corrente entre pessoas reais e circulam em malas, mochilas, meias e depósitos no Exterior, ou na forma de barcos, joias, sítios, tríplexes, aeroportos. A cada denúncia, os montantes têm sido de tal ordem que nos arriscamos a ficar blasés: "Mas como, tanto barulho por R$ 5 milhões? Ainda se fossem dólares...".

Enfim, se o corrupto não é novidade, nada mais fascinante nos últimos tempos do que nos defrontarmos com o corruptor - o que nos tem sido oferecido à larga pelas gravações da Lava Jato. Desse espetáculo, que supera qualquer reality show, pode-se inferir algo sobre a personalidade de ambos.

O corruptor tem desprezo pelo corrupto. Olha-o de cima para baixo, trata-o pelo primeiro nome ou pelo diminutivo, ignora a liturgia, marca local, dia e hora da visita ou chega sem avisar - claro, se é ele quem paga as contas, presta-se gostosamente aos achaques e compra políticos como se fossem bananas. O corruptor vai às compras com uma longa lista: transferências de fundos públicos, medidas provisórias, primazia em concorrências, isenção de impostos, empréstimos em bancos oficiais. O corrupto avia esses pedidos e, em troca, leva o seu. Mas o ganho do corrupto é pinto se comparado ao do corruptor.

Desprezado pelo corruptor, só resta ao corrupto, em troca, nos desprezar.
Herculano
27/05/2017 08:42
FREIO À JUDICIALIAÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou decisão drástica para estancar a chamada judicialização da saúde: suspendeu todas as ações de fornecimento pelo poder público de medicamentos que não se encontram na lista oficial do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os pedidos com decisão favorável se multiplicam, e o ônus para as três esferas de governo já monta a R$ 7 bilhões por ano.

Verdade que as decisões individuais dos magistrados podem estar apoiadas em razão humanitária -minorar o sofrimento de doentes e seus familiares.

O efeito sistêmico do agregado de sentenças, entretanto, introduz uma injustiça com o conjunto dos usuários do SUS, mais de 70% dos brasileiros. Com a despesa adicional criada pela judicialização, restringe-se a verba disponível para melhorar um atendimento que está muito longe de ser ideal.

Mais ainda, há indicações de que várias decisões carecem de embasamento técnico e até de bom senso. Há juízes, por exemplo, que mandam prover itens como fraldas e outros artigos de higiene.

Ainda mais graves são as sentenças que determinam a distribuição de remédios que não contam com licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aqui, o magistrado atropela a própria ordem jurídica, ao referendar drogas de venda ilegal, e solapa a autoridade de um órgão crucial para a segurança do cidadão.

Não se trata de presumir que as instâncias burocráticas do SUS e a própria Anvisa não cometam falhas. Há queixas contra a morosidade de todas na incorporação de medicamentos inovadores na relação dos distribuídos de graça.

A solução para o mau desempenho dos gestores de saúde, todavia, não cabe ao Judiciário. A algaravia de decisões isoladas jamais comporá uma política responsável para o dispêndio dos recursos finitos do contribuinte.

A suspensão determinada pelo STJ, de maneira prudente, mantém uma porta aberta para casos de real gravidade. Exige, contudo, que o paciente comprove a urgência da demanda e especifique a eficácia e a segurança do medicamento.

Falta agora o tribunal dar uma decisão definitiva, de maneira a uniformizar as situações em que juízes podem desconsiderar as normas do SUS. O dever do serviço público é atender todos os brasileiros necessitados, da melhor maneira possível, e não cada particular, em detrimento da coletividade
Herculano
27/05/2017 08:37
ILHOTA EM CHAMAS

E Esse fogo quem ascendeu, Cristiane, foi o todo poderoso e teimoso prefeito Erico de Oliveira.

Ele afirmava que a Casan não era competente para fazer esse serviço. E tomou na Justiça os bens e investimentos da Casan

Como também não tem competência para produzir, tratar, distribuir e ampliar o sistema de água portável, deu a um terceiro e está pagando caro.

Resultado, está faltando água aos nas torneiras dos ilhotenses. Mas, emprego para os seus e dinheiro pelo ralo, continua tanto quanto antes.

Qual a solução? É ir para frente da prefeitura e da casa do prefeito, dos vereadores que aprovaram tudo isso e estão apoiando os ilhotenses no banho de canequinha.

Quem quis e fez o problema é que precisa dar a solução, pois no mínimo, se fosse administrador, teria previsto este resultado.
CRISTIANE PEREIRA
26/05/2017 23:29
Ilhota continua em chamas, pois não tem água para apagá-las. Pois é amigo Herculano, mais um dia sem água em nossa cidade chamada Ilhota. Você pode me dar uma ideia do que podemos fazer para procurarmos nossos direitos? Pois pagar quase R$200,00 por um serviço que não nos é prestado, digo que no mínimo é injusto e ilegal. Já pensou, estamos voltando aos tempos de antigamente, tomando banho de canequinha e escovando os dentes com auxílio de copinhos. Parabéns a todos os envolvidos que não conseguem solucionar o problema de seus munícipes.
Herculano
26/05/2017 20:28
VÃO LAMBER SABÃO, por Lílian Vitte Fibe

Abuso de autoridade, né?

Deixa ver se eu entendi. Segundo alguns dos mais recentes pronunciamentos do Supremo Tribunal Federal, as prisões preventivas dos criminosos do colarinho branco, em particular as de Curitiba e do Rio de Janeiro, vinham sendo estendidas demais.

Andaram soltando Eike Batista e José Dirceu.
Ontem, o Brasil soube que a propina corre solta.

Há poucos dias, soubemos também que, de dentro da cadeia, tinha gente se articulando pra destruir provas.
Cadê mesmo os erros ou alegados excessos da força tarefa da Lava Jato.

Ou dos valentes juízes de primeira instância, cujas famílias são ameaçadas de morte?

Pra ser franca, usando uma expressão bem antiga: vão lamber sabão.
Herculano
26/05/2017 20:20
URGENTE:PF APREENDE NA CASA DE AÉCIO ANOTAÇÕES IDENTIFICADAS COMO "CX 2"

Conteúdo de O Globo. Texto de Carlolina Brígido.Polícia Federal apreendeu no apartamento do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) uma série de papéis e objetos, dentre eles uma anotação manuscrita com a inscrição "cx 2", conforme indica o relatório dos investigadores enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A operação foi realizada em 18 de maio no apartamento que o parlamentar mantém na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro. Na ocasião, também foram levados 15 quadros e uma escultura, classificados pela PF como obras de arte.

No relatório, consta a apreensão de "diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição 'cx 2' ".

Também foi apreendido na residência do senador um aparelho bloqueador de sinal telefônico, um telefone celular e um pen drive. No mesmo dia, outra operação de busca e apreensão foi realizada no gabinete de Aécio no Senado, onde foram encontrados outros documentos. Foi apreendida "uma pasta transparente contendo cópias da agenda de 2016 onde verifica-se agendamento com Joesley Batista". Também foram retiradas do local "folhas impressas contendo planilhas com indicações para cargos federais, com remuneração e direcionamento em qual partido político pertence ou foi indicado".

No gabinete de Aécio, também foram encontradas "folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Norbert Muller". De acordo com outras investigações, Muller era um doleiro especializado em abrir contas no exterior para políticos.

A PF encontrou ainda uma "folha manuscrita contendo dados de CNO (Construtora Norberto Odebrecht)" e um "caderno utilizado para realizar agendamentos, tendo presente Joesley Batista", também de acordo com o relatório produzido pelos investigadores. Num outro papel manuscrito, havia anotações citando "ministro Marcelo Dantas", em possível alusão ao ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), investigado no STF por tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato. Havia no gabinete também "folhas manuscritas contendo correlação entre inquérito e termos de colaboração".

DEFESA NEGA ILEGALIDADE

Em nota, o advogado do senador, Alberto Zacharias Toron, afirmou que "uma eventual referência a CX 2 não significa qualquer indício de ilegalidade".

Toron ainda lamentou que "citações sem qualquer informação real sobre a que se referem ou mesmo alguma contextualização que permitam o seu devido esclarecimento estejam sendo divulgadas para a imprensa".

A nota ainda diz que "Aécio reitera que em toda sua vida pública, nas campanhas de que participou, agiu de acordo com o que determina a lei", e informa que o senador está à disposição da Justiça para ser ouvido".
Herculano
26/05/2017 20:11
Defesa Civil SC? @defesacivilsc 4 minHá 4 minutos
Mais
ALERTA - 26/05 20:01 - Alerta de VENDAVAL E GRANIZO para ILHOTA. Fique longe de placas, árvores e postes. Ligue... http://fb.me/8h6LIeD8g
Lucimara
26/05/2017 19:27
Eu só queria mesmo era saber quando irão resolver a situação dos Auxiliares de Professores...afinal, que cargo é esse? Não se sabe, não fazemos parte do quadro do magistério, mas de que quadro fazemos parte afinal? Segundo o auxiliar Administrativo Diogo, minha função é apenas auxiliar o professor, por isso não nos enquadramos no magistério, então tá eu só irei auxiliar, assim como auxiliar de consultório dentário, que não é dentista por isso não pode atuar como profissional. Nós também não, não recebemos regência, mas temos que ficar sozinhas com as crianças, responder por questões de responsabilidade caso aconteça algo com a criança sob a nossa supervisão. Mas e ai? aonde eu procuro meus direitos? Porque Deveres temos bastante. Fui em novembro de 2016 pedir para que nos enviassem um documento sobre o cargo de auxiliar de professor, que não seja o da nossa função que está no edital de 2015. Mas acho que estão procurando ainda. O sindicato também não se mexeu pra nada sobre isso. Enfim, desassistidos, ganhamos muito pouco e trabalhamos demais...até quando vamos ter que esperar???
Herculano
26/05/2017 17:50
OS DELINQUENTES NÃO PODEM PREVALECER, por Eliziário Goulart Rocha

Os brasileiros que prestam estão desiludidos, assustados, desanimados. A desilusão e o medo são naturais, não teria como ser de outra forma diante do apavorante noticiário de cada dia. Precisam, no entanto, revogar o desânimo para não permitir que delinquentes com ou sem causa, vagabundos contumazes, militantes a soldo de fontes pagadoras atoladas até o pescoço no pântano da corrupção, vítimas de lavagens cerebrais irreversíveis e bestas quadradas em geral tomem o país de assalto.

O primeiro ataque foi o aparelhamento das instituições, o loteamento dos órgãos públicos com apaniguados de diferentes graus de incompetência, mas unidos de primeira hora em tenebrosas transações, além da doutrinação sistemática em todas as fontes possíveis, incluindo universidades que já foram modelo de excelência e motivo de orgulho da nação. O segundo, a pilhagem do butim, a subtração descarada do que os trabalhadores de verdade suam muito para ganhar.

Flagrados com a mão na massa, sempre à espera da batida na porta da Polícia Federal às seis da manhã, acuados pela vontade da maioria de brasileiros decentes, resta aos protagonistas do maior escândalo de corrupção da história mundial ?" e talvez nem seja preciso somar todas as pontas da grande ladroagem para se alcançar o recorde ?", resta aos punguistas travestidos de guerreiros do povo brasileiro insuflar sua milícia para espalhar o caos. Sabem que no civilizado universo das leis, da razão, do bom senso e da vergonha na cara não têm mais chance de escapar das algemas. Os brasileiros do bem vão precisar de muita paciência e firmeza nos próximos tempos.
Herculano
26/05/2017 17:00
PRESIDENTE DO BNDES, MARIA SILVIA PEDE DEMISSÃO

Conteúdo do jornal O Globo. Texto de Letícia Fernandes, Eduardo Barretto e Danielle Nogueira, da sucursal de Brasília. Maria Silvia Bastos Marques pediu demissão da presidência do BNDES nesta sexta-feira, conforme antecipou o colunista do GLOBO Ancelmo Gois. Ela se encontrou com o presidente Michel Temer na tarde de hoje, no Palácio do Planalto, e decidiu deixar o cargo, alegando razões pessoais.

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na reunião com investidores na manhã após vazamento para reforçar foco nas reformas se mostrou contrariado. O Planalto receia perder estrelas da equipe econômica em meio à crise

A executiva mandou uma carta agora há pouco aos funcionários do banco alegando que deixou a presidência do BNDES por "razões pessoais". Funcionários do banco relataram ao GLOBO que foram pegos de surpresa pela decisão, já que não havia nenhum indicativo nesse sentido.

A reunião com Temer não estava marcada, e foi combinada apenas nesta sexta-feira. A assessoria de imprensa do governo confirmou a informação, mas disse que não soltará nota para explicar a saída.

Maria Silvia vinha sendo alvo de pressão de empresários, insatisfeitos porque o banco vinha dificultando a liberação de empréstimos. Nos bastidores circulava a informação de que o presidente Michel Temer teria escalado o ministro Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência, para encontrar um substituto.

Apesar disso, Moreira Franco sempre negou a possibilidade de demitir a agora ex-presidente do BNDES.

Maria Silvia foi indicada para o cargo pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Leia abaixo a íntegra da carta enviada pela agora ex-presidente:

"Prezados benedenses,

Nesta sexta-feira, 26 de maio, informei pessoalmente ao presidente Michel Temer a minha decisão de deixar a presidência do BNDES.

Todos os diretores permanecem no cargo e o diretor Ricardo Ramos, pertencente ao quadro de carreira do BNDES, responderá interinamente pela presidência do Banco.

Deixo a presidência do BNDES por razões pessoais, com orgulho de ter feito parte da história dessa instituição tão importante para o desenvolvimento do país. Nas duas passagens que tive pelo Banco, como diretora, nos anos 90, e agora, como presidente, vivi experiências desafiadoras e de grande importância para a minha vida profissional e pessoal.

Neste ano à frente da diretoria do BNDES busquei olhar para o futuro, estabelecendo novos modelos de negócios e estratégias para o Banco, sem descuidar do passado e do presente, sempre tendo em mente preservar e fortalecer a instituição e seu corpo funcional.

Desejo boa sorte a todos, esperando que sigam trabalhando para que o BNDES continue sendo o Banco que há 65 anos faz diferença na vida dos brasileiros.

Um grande abraço,

Maria Silvia".
Sidnei Luis Reinert
26/05/2017 12:15
Temer merece perdão Supremo? Meirelles será fritado? Nelson Jobim pode virar Presidente?


Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A derrocada de Michel Temer parece inevitável. Os deuses do mercado, que lhe davam sustentação, agora estão divididos. Uns acham melhor que ele fique do jeito que der, desde que as reformas sejam aprovadas da maneira que for possível. Outros, bem mais cínicos pragmáticos, querem que ele saia logo, por renúncia ou cassação da chapa com a Dilma, para resolver a crise política e retomar o rumo da economia. Estes últimos já rifam até o então queridinho Henrique Meirelles. Situação política mais instável é impossível. E, para animar a sexta-feira, tem mais Lava Jato na rua...

Agora, circula um factóide que merecia ser classificado como uma piada de extremo mau gosto. Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal estariam estudando uma negócio muito esquisito: um perdão a Michel Temer, caso ele tenha a grandeza de renunciar ao cargo imediatamente. Temer não estaria a fim disto. Seu plano é resistir até onde e quando puder, e a canalhice tupiniquim permitir. Foi com este espírito que Temer tenta adiar o fatal julgamento da chapa reeleitoral de 2014 no Tribunal Superior Eleitoral presidido por Gilmar Mendes ?" inimigo do Rodrigo Janot e vice-versa.

Estrategistas de Michel Temer apostam em um mágico pedido de vista para empurrar com a barriga uma decisão final que tende a ser desfavorável. A previsível aposta é que algum ministro pedirá vistas, sob a desculpa esfarrapada de melhor analisar o caso. A tática do adiamento pode apenas prolongar o inferno de Temer, gerando ainda mais instabilidade política. O destino de Temer depende muito das próximas delações premiadas. A eventual alcaguetagem judicial do deputado afastado Rodrigo Loures tende a ser fatal para o Presidente. Loures ameaça denunciar como funciona o poder de influência de Temer em negócios no Porto de Santos.

Temer já sofre o desgaste direto de 13 pedidos de impeachment (até agora). Tais denúncias, se forem aceitas pela Câmara, podem iniciar uma agonia que pode se prolongar por um mínimo de 8 a 10 meses de tramitação, até uma decisão final em julgamento espetaculoso presidido pela presidente do STF. Por isso, a forçada de barra é para que Temer renuncie ?" com a promessa canalha de perdão judicial futuro ?" ou então que seja detonado com a cassação da chapa com Dilma ?" o que, em tese, seria mais rápido. Pode não ser pela infindável permissividade das chicanas jurídicas em um sistema processual que aceita infindáveis recursos.

A desgastante novidade de agora é o começo de uma operação de fritura contra o poderoso Henrique Meirelles ?" um dos cotados para uma eventual substituição temerária pela via da eleição indireta no Congresso Nacional. O sinal de que a batata do Meirelles está assando é que cardeais do desgastado PSDB, em conluio com deuses do mercado que abandonaram Temer, desejam que o economista Armínio Fraga possa entrar na lista de presidenciáveis pela via indireta. Na verdade, a intenção é emplacar Fraga como titular da Fazenda na quase certa e próxima gestão presidencial temporária.

Uma maioria parlamentar entende que Temer perdeu a governabilidade com a revelação da conversinha nada republicana captada pela gravação ilegal do empresário Joesley Batista. No entanto, por uma questão de sobrevivência, e para articular futuros "perdões judiciais" que já são negociados escancaradamente, lideranças parlamentares desejam que Temer renuncie ou seja afastado apenas depois de participar da escolha de seu sucessor. O plano depende que a Lava Jato não produza estragos ainda mais graves no cenário de criminalidade da politicagem.

O nome favorito é o de Nelson Jobim ?" hoje banqueiro (sócio do BTG Pactual de André Esteves e Pérsio Arida), mas que já foi deputado constituinte, ministro da Justiça, ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro da Defesa (com direito até a vestir farda de selva no modelito de General de quatro estrelas). Nelson Jobim é um nome consensual articulado nas conversinhas secretas entre Fernando Henrique Cardoso, o super-réu Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio Michel Temer. Detalhe importante é que Jobim, eminência parda do PMDB, teria o apoio de muitos generais do alto comando das Forças Armadas... E a Oligarquia Financeira Transnacional o adora. Jobim deu entrevista negando que seja candidato. Você acredita?

A sucessão precipitada chama atenção para um fenômeno. O lançamento espontâneo de candidaturas sem tradição de ligação com a politicagem, mas que possa contar com apoio de empresários, financistas e o meio jurídico. Ontem, advogados de peso lançaram o nome do jurista Modesto Carvalhosa para disputar a sonhada eleição indireta gerada pela vacância presidencial de Michel Temer. O significado simbólico do lançamento é a prova de que a maioria esmagadora dos brasileiros rejeita nomes diretamente ligados ao PMDB e os primos PSDB/PT. Isto é o fato excelente de um processo democrático em construção.

Outro fato interessante e muito relevante dessa crise institucional é que os chamados "coxinhas" e sua "movimentomania profissonal" estão vivendo uma crise existencial. Eles agora não sabem onde enfiam a cara-de-pau, a canalhice ou a incapacidade de análise real da conjuntura política/econômica, para proteger seus "bandidos de estimação" ou para fazer discursinhos vazios e histéricos que, no fundo, defendem a manutenção de um status quo, apenas com ligeiras modificações dos personagens que protagonizam a sacanagem ampla, geral e irrestrita.

A sorte do Brasil é que as Lava Jatos curitibana e carioca ainda vão denunciar muitos esquemas de corrupção ainda ocultos e que, vindos à luz, permitirão que os cidadãos brasileiros possam trabalhar, objetiva e focadamente, no aprimoramento institucional.

O momento crítico, na guerra institucional de todos contra todos, precisa ser bem aproveitado para que formulemos aquele ainda inédito Projeto de Nação para o Brasil, em bases federalistas, produtivas e na plena segurança legal (bases políticas, econômicas e jurídicas para a verdadeira Democracia).

Resumindo: Coxinhas, tomem vergonha na cara! Parem de fazer um Brasil nas coxas...
Herculano
26/05/2017 11:55
O CELULAR-BOMBA DE JOESLEY BATISTA

Conteúdo de O Antagonista. Joesley Batista entregou à PGR prints de centenas de mensagens de seu celular. Uma delas traz a conversa com Elsinho Mouco, o marqueteiro de Michel Temer, para a contratação de serviço de guerrilha virtual.

O empresário pediu ajuda a Elsinho para enfrentar na internet a onda negativa contra a JBS deflagrada pela Carne Fraca.

Joesley pergunta - Elsinho, lembra aquele serviço na internet que vc fez pro Temer antes dele assumir? Como funciona aquilo? Vc poderia fazer igual pra mim?

Elsinho responde - Lógico. Voltando vamos falar.

Joesley conclui - blza. t mando notícias.

Em sua delação premiada, Joesley conta que pagou R$ 300 mil a Elsinho, a pedido de Temer, para fazer a defesa do peemedebistana internet durante o impeachment.

Na semana passada, Elsinho divulgou nota em que fala do contato com Joesley, mas não admite o pagamento pelo trabalho para Temer.

O STF pode ?" e deve ?" revisar os termos do acordo de Joesley Batista com a PGR.

Mas isso será feito mais tarde.

Como disse o Estadão, a revisão "não é de consenso entre os integrantes Corte, mas tem sido defendida por alguns magistrados e até mesmo pelo relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin (?).

Integrantes do Supremo ouvidos ressaltaram que isso se aplica a qualquer acordo de delação premiada. Se a investigação não confirmar os fatos revelados em razão de problemas na delação, o delator pode ficar sem os benefícios previstos. O que foi dito e produzido em termos de provas continua sendo aproveitado pelo Ministério Público Federal".
Herculano
26/05/2017 11:48
A CAMINHO DO HEXA, LULA QUER ENSINAR A COMBATER A CORRUPÇÃO, por Augusto Nunes, de Veja

Denunciado pela força-tarefa da Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, desta vez cometidos durante as obras no sítio em Atibaia que lhe pertence, mas não é dele, Lula tem tudo para virar réu pela sexta vez. Consumada a façanha do ainda penta, ele vai alcançar o status de hexa com que a Seleção Brasileira de Futebol continua sonhando. Em homenagem à proeza, a coluna recorda algumas façanhas que enfeitam a trajetória campeã:

Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, compraram quase 2 mil políticos e dezenas de partidos durante os governos do PT - graças aos bilhões de reais que ganharam do BNDES por determinação de Lula e Dilma Rousseff.

O Mensalão aconteceu no governo Lula.

O Petrolão aconteceu no governo Dilma.

A corrupção foi institucionalizada durante os governos do PT.

José Dirceu, Antonio Palocci, Guido Mantega, João Santana, Gleisi Hoffmann, Fernando Pimentel e outras celebridades do submundo do crime são coisa do PT.

Michel Temer é coisa do PT.

Em pouco mais de 13 anos no poder, o governo lulopetista teve três ministros da Fazenda. Joaquim Levy caiu fora depois de 11 meses. Antonio Palocci permanece preso em Curitiba. Guido Mantega, graças ao desempenho relatado nos depoimentos colhidos nas delações premiadas da Odebrecht e, agora, nas da JBS, pode em breve fazer companhia ao antecessor. Os sete chefes da Casa Civil estão submersos em bandalheiras. Tudo somado, já são 26 os ex-ministros envolvidos em escândalos de corrupção.

Deve ser por isso que, neste 20 de maio, durante a cerimônia de posse dos novos integrantes do diretório municipal de São Bernardo do Campo, Lula disse que "o PT pode ensinar a combater a corrupção". Sem dúvida. Pelo menos de corrupção ele entende como ninguém. Lula poderia começar a aula inaugural dando voz de prisão a ele mesmo.
Herculano
26/05/2017 11:44
INFLAÇÃO VOLTA A CAIR EM SÃO PAULO

Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na cidade de São Paulo, atingiu variação de 0,11% na terceira quadrissemana de maio, ficando 0,21 ponto percentual abaixo da taxa registrada na prévia anterior (0,3%). Mais uma vez, a descompressão inflacionária foi puxada pelo grupo habitação, que apresentou recuo de 0,43%. Essa queda foi mais expressiva do que na pesquisa passada, quando o índice ficou em 0,29%.
Herculano
26/05/2017 11:21
GATO ARREMESSADO DURANTE "MANIFESTAÇÃO" PODE PERDER A PATA: AGORA A ESQUERDA FOI LONGE DEMAIS!, por Rodrigo Constantino, na Gazeta do Povo, de Curitiba, PR

Uma cena cruel durante a manifestação dessa quarta-feira (24/5) na Esplanada dos Ministérios chocou quem estava perto. Um gato foi arremessado durante o protesto que terminou em confusão. Com a violência, o bichinho fraturou a pata dianteira.

Perplexa com a situação, a jornalista Carla Benevides pegou o animal e o levou com ela. O gatinho foi encaminhado a uma clínica no Lago Norte e corre o risco de ter a pata direita amputada. Segundo a jornalista, ela estava acompanhando a manifestação em frente ao Ministério da Justiça quando um rapaz entregou o animal afirmando que ele foi arremessado por cerca de 10 metros.

"Eu adoro bicho, o peguei na hora, mas não sabia o que fazer porque estava trabalhando. Vi que estava muito assustado. Fiquei com pena porque ele miava muito, dava para ver que estava com dor", afirmou a jornalista.

Segundo o veterinário, o gatinho rompeu os tendões, ligamentos e a pata estava solta. No momento, ele está internado e terá que tomar anti-inflamatório por dois dias. De acordo com a jornalista Sabrina Mancio, que levou o animal para a clínica, o remédio serve para o médico ver como ele reage antes de decidir pela amputação.

Uma corrente se formou para ajudar o gatinho.

Acho que agora a extrema-esquerda passou de todos os limites! Dessa vez ela vai perder o apoio das elites pós-modernas. Um gatinho?! Que tipo de gente faz maldade com um gatinho?!

Sim, é verdade que a extrema-esquerda defende Cuba, regime ditatorial no poder há mais de meio século, que já eliminou milhares de vidas inocentes no paredão; sim, é fato que essa turma apoia a Venezuela, cujo tirano vem matando manifestantes na rua para se manter no poder; sim, é verdade que a história do socialismo é aquela de cem milhões de cadáveres empilhados em nome da ideologia.

Mas eram "apenas" seres humanos. E dessa vez a vítima foi um gato. Um pobre gatinho! E o bichano vai perder uma patinha. Isso será intolerável para muita gente da esquerda, que costuma colocar o ovo da tartaruga acima do ovo humano na hierarquia de valores. Aborto? Pode até o mês que quiser, afinal, "meu corpo, minhas regras". Mas não mexa com bichinhos!

Já disseram por aí que o terrorismo islâmico só vai chocar mesmo, revoltar todos a ponto de gerar finalmente uma reação mais enérgica, no dia em que os alvos forem focas ou baleias. Enquanto os muçulmanos matarem "apenas" pessoas, como a menina de 8 anos que foi explodida durante um show em Manchester, a turma pós-moderna vai continuar mais preocupada com a "islamofobia" do que qualquer outra coisa.

Não me entendam mal: adoro bichos! Mas há algo muito errado com um mundo que tem dado mais valor a eles do que aos próprios seres humanos. Isso é misantropia pura. Vão ser desumanos assim lá na extrema-esquerda!
Herculano
26/05/2017 11:12
CARGO DE CONFIANÇA X CARGO COMISSIONADO

Para que não haja dúvida, nas interpretações de poetas com traços ideológicos. Função de Confiança no serviço Público equivale, a um comissionado. Ambos são indicações exclusivas do poder de mando.

O art. 37, inciso V da Constituição Federal de 1988 dispõe que: "as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, ou a quem for indicado.

Abaixo o decreto que esclarece qualquer dúvida estabelecida pela servidora e o exercício da transparência desta coluna.

Está no Diário Oficial dos Municípios - aquele que se esconde na internet e não tem hora para sair - do dia 19 de maio.

DECRETO Nº 7.474, DE 11 DE MAIO DE 2017. DESIGNA SERVIDORA PARA O EXERCÍCIO DE FUNÇÃO DE CONFIANÇA. KLEBER EDSON WAN-DALL, Prefeito Municipal de Gaspar, Estado de Santa Catarina, no uso das atribuições que lhes são conferidas pelo artigo 72, inciso IV da Lei Orgânica do Município, DECRETA: Art. 1º Fica designada, a partir de 02 de maio de 2017, nos termos do artigo 28 e seguintes da Lei Complementar nº 69, de 22 de dezembro de 2015, a servidora efetiva KARINE ALVES RIBEIRO
Karine Alves Ribeiro
26/05/2017 09:11
Para constar: Fui mencionada nesta coluna como comissionada da prefeitura de Gaspar, mas sou servidora efetiva da Prefeitura Municipal de Gaspar há quase nove anos, nunca fui comissionada. A gratificação para a função de servidores que trabalham diretamente com atendimento é um direito conquistado depois de anos de luta pela valorização desta função que fica na linha de frente dos serviços oferecidos aos cidadãos de Gaspar e tão prestimosamente os atende diariamente.
Miguel José Teixeira
26/05/2017 08:42
Senhores,

"Aluga-se" é uma canção de autoria dos compositores brasileiros Raul Seixas e Cláudio Roberto Andrade de Azevedo. Preconizavam:

A solução pro nosso povo
Eu vou dá
Negócio bom assim
Ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui
É só vim pegar
A solução é alugar o Brasil!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!...

Os estrangeiros
Eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico
Tem vista pro mar
A Amazônia
É o jardim do quintal
E o dólar dele
Paga o nosso mingau...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Pois esse imóvel está prá alugar
Alugar! Ei!
-Grande Solução!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros outro entrar
Pois esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros gringos entrar
Pois esse imóvel
Está prá alugar...

Está Prá Alugar Meu Deus!
Nós não vamo paga nada!
Nós não vamo paga nada!
É tudo free!
Vamo embora!
-----------
Será que ainda poderemos "alugar" o Brasil ou os PeTralhas já o venderam???

Herculano
26/05/2017 08:31
da série: o Brasil não tem jeito mesmo. Ele é refém dos mesmos bandidos e donos das sacanagens que sempre nascem ou tem como sócios o PMDB

IDÉIAS DE RENAN, por Lauro Jardim, de O Globo

Nas conversas sobre a sucessão de Michel Temer, Renan Calheiros (à esquerda) deu sinais de que Eunício Oliveira poderia dar um bom vice de Rodrigo Maia.

Por trás da ideia, um interesse pessoal: com Eunicio fora da Presidência do Senado, Renan poderia tentar retornar à cadeira que ocupava até o início do ano.
Herculano
26/05/2017 08:27
LULA NÃO SERÁ PRESO

Conteúdo de O Antagonista. Lula não será preso.

Gilmar Mendes mudou de ideia sobre a prisão dos condenados em segundo grau.

Há alguns meses o ministro preparava o bote contra a Lava Jato.

Agora chegou a hora.

O Globo citou-o:
"O ministro Toffoli fez um avanço que eu estou a meditar se não devo também seguir, no sentido de exigir pelo menos o exaurimento da matéria no STJ. Nós tínhamos aquele debate sobre a Defensoria Pública, que dizia que muda muitos julgamentos ou consegue uniformizar em sede de STJ. De modo que esse é um tema que nós temos talvez que revisitar"
Herculano
26/05/2017 08:19
SOBRE SELETIVIDADE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo.

Lulopetistas oferecem ao País vergonhosa exibição de hipocrisia quando incendeiam ministérios e plenários do Senado e da Câmara

O PT e seus lambe-botas passaram meses protestando contra a Operação Lava Jato sob o argumento de que se tratava de uma "investigação seletiva" dedicada exclusivamente a "perseguir" Lula e a tigrada. Decepcionaram-se quando a evolução das investigações demonstrou que nenhum partido e nenhuma liderança política está imune à ação da Justiça. Agora, demonstrando que eles próprios também sabem ser seletivos quando lhes convém, os lulopetistas oferecem ao País uma vergonhosa exibição de hipocrisia quando incendeiam ?" em alguns casos, literalmente ?" a Esplanada dos Ministérios e os plenários do Senado e da Câmara dos Deputados com iradas manifestações de indignação diante da profunda crise em que o País está mergulhado, escamoteando o fato de que eles próprios têm enorme responsabilidade por essa crise, pois durante longos 13 anos foram os donos do poder, do qual foram apeados, com apoio maciço dos brasileiros, há apenas 12 meses. Os vândalos que botaram fogo e destruíram o patrimônio público numa "manifestação pacífica" a favor do "Fora Temer" e contra as reformas, bem como os senadores e deputados baderneiros que pelos mesmos motivos promoveram cenas de pugilato dentro do Congresso Nacional, cometeram essas barbaridades movidos por uma seletiva indignação contra a crise que eles próprios provocaram e agora procuram agravar em benefício próprio, pois alimentam a pretensão de voltar ao poder ressuscitando Luiz Inácio Lula da Silva.

Quanto pior a crise, recomenda o bom senso, tanto maior a necessidade de que as lideranças políticas assumam a responsabilidade de serenar os ânimos e manter dentro dos limites da racionalidade o confronto político inerente à vida democrática. É mais fácil compreender as motivações que levam um cidadão comum a realizar atos de vandalismo do que aceitar a atitude de um parlamentar que desrespeita uma Casa de representação popular com um comportamento violento. É péssimo exemplo dado por quem tem obrigação de se comportar com civilidade.

A existência de oposição é uma condição inerente à democracia, pois a complexidade da natureza humana exige consenso na gestão da coisa pública, não unanimidade. A oposição não pode se comportar como única e legítima representante da vontade popular, pretensão implicitamente invocada para justificar, "em nome do povo", o desrespeito às instituições e a agressão a quem ousa dissentir. O dogmatismo messiânico do PT e das facções esquerdistas que navegam em suas águas resultou na redução da questão social à divisão do País entre "nós" e "eles" ?" uma regressão histórica ao princípio da luta de classes ?", como se a política consistisse em dirimir o conflito de interesses por meio da eliminação do "inimigo". Numa democracia, as divergências se resolvem pela conciliação de interesses e não pela potencialização de seu entrechoque.

Essa visão primária que o PT e seus agregados têm, de que os problemas se resolvem pela submissão do opositor e não pela conciliação de interesses, tem sido sistematicamente materializada nos debates parlamentares em torno de questões mais agudas, como foi o caso do impeachment de Dilma Rousseff e, agora, da discussão das reformas propostas pelo governo Temer. Quando os trabalhos são abertos, no Senado ou na Câmara, em comissões ou em plenário, as primeiras fileiras já estão ocupadas por um grupo que pode ser definido como "tropa de choque". São sempre os mesmos, que se distinguem e se identificam pela especial habilidade de tumultuar a discussão com repetidas tentativas de desqualificar a condução dos trabalhos e as posições de "inimigos". Não são senadores ou deputados, mas "guerreiros" dispostos a impor-se "no berro", recorrendo frequentemente à violência de "ocupar" o espaço da mesa diretora dos trabalhos, em flagrante atentado ao decoro parlamentar e desrespeito aos cidadãos que deveriam representar.

Resta esperar que essas lamentáveis demonstrações de falta de compostura e espírito cívico estimulem os eleitores a serem mais seletivos na próxima vez que forem às urnas.
Herculano
26/05/2017 08:17
ELEIÇÃO 2017: MAIS NOMES QUE PROGRAMAS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

POLÍTICA POLITIQUEIRA é discussão de quem vai mandar e quem vai levar o quê. Mas governo não se faz assim, apenas.

Nestes dias de transição transada no caos, ainda sabe-se mais das discussões do arranjo do governo pós-Temer do que dos meios de evitar bagunça econômica que tende a complicar o mandato do presidente de 2019.

Nesta quinta (25), os tucanos maiores discutiram em São Paulo nomes para a chapa das indiretas e conversavam com donos do dinheiro. O tucanato paulista não quer que o presidente indireto dispute as diretas de 2018. Até agora, conversa-se quase nada a respeito de como evitar o esboroamento da economia.

Saiu-se, por exemplo, com a ideia de lançar o senador Tasso Jereissati para presidente, com o homem dos Três Poderes, Nelson Jobim, como vice ou, mais provável, ministro da Justiça.

Jobim foi ministro do STF, deputado e ministro de Lula e FHC. Conversa bem com a elite econômica, com dissidências do PMDB e com o PT.

Muita gente no Congresso, graúda e miúda, vê Jobim como um possível negociador de um acordão que separe os políticos entre podres e recuperáveis, o grande articulador de um arranjo qualquer de anistia, como aquele que alivia a pena para "mero" caixa dois. Não quer dizer que ele seja assim. Mas parte do eleitorado das indiretas o vê dessa maneira.

Sabe-se algo sobre como vai ficar a administração da economia? Henrique Meirelles poderia ficar no cargo, em vez do por ora rumor Armínio Fraga, dizem. Mas o buraco é mais em baixo; os tucanos sabem disso.

Há duas questões essenciais nessa transição transada bananeira.

Primeiro, como fica a reforma previdenciária e a contenção geral de deficit e dívida.

Segundo, o presidenciável das indiretas terá de discutir algum jeitinho para aliviar o futuro penal do núcleo do governo Temer e um jeitão de atenuar as penas dos pendurados na Lava Jato. É quase um quinto do Congresso, fora os que ainda vão rodar; é esse o eleitorado que vai escolher o próximo presidente.

Sem reforma da Previdência, as contas de cobrir o deficit e rolar a dívida do governo vão ficar mais caras. Não arrebenta necessariamente uma recuperação econômica miúda no ano que vem, por exemplo. Mas, sem reforma agora, se coloca na sala da campanha de 2018 ou do governo de 2019 uma manada de rinocerontes.

Primeiro, o país iria para a campanha em crise social feia, com baixo crescimento, depois de quatro anos de recuo do PIB per capita. Segundo, o governo estará em uma pindaíba letal. Será preciso aprovar um pacotão de impostos E reforma previdenciária. Será preciso amargar a pílula.

Caso proponha reformas na campanha eleitoral, o candidato a presidente terá chances reduzidas de vencer.

Caso aceite reformas, mas escamoteie o assunto, haverá estelionato eleitoral em 2019, como em 2015, com os efeitos conhecidos, mais ou menos piores.

Caso se eleja um candidato contrário a mudanças, vamos pelo menos para uma longa estagnação econômica.

Quede o programa para a eleição 2017?

Ah, convém não esquecer: é preciso que Temer caia. As articulações para cassar a chapa Dilma-Temer 2014 no TSE mal começaram. Depois, é preciso que o Supremo seja convencido, digamos, a derrubar os recursos de Temer.
Herculano
26/05/2017 08:14
ACORDO ROMPIDO, José Carlos G. Xavier de Aquino, decano do Tribunal de Justiça de São Paulo, no jornal O Estado de S. Paulo

A delação deve ser balizada em credibilidade. A quebra de confiança é o quanto basta para não validar acordos celebrados

As organizações criminosas tiveram um vertiginoso crescimento neste terceiro milênio. Cognominado pela bargaining nos Estados Unidos, no país peninsular, chamado de pattegiamento, esse sistema de delação premial deu origem à chamada operação italiana Mãos Limpas, que nos idos dos anos 1990 desbaratou uma complexa rede de corrupção.

Posteriormente, exsurgiu entre nós a colaboração premiada baseada no arrependimento, na desistência do criminoso em infringir a lei em troca de diminuição ou remissão da pena, consoante prescreve o artigo 4.º da Lei 12.850/13. Observa-se que a Operação Lava Jato propiciou uma série de delações, sendo considerada, inicialmente, um sucesso.

Todavia, referida operação sofreu um sério abalo por ocasião da imposição do escarmento, notadamente com relação ao delator Sérgio Machado que hoje cumpre a sua pena em uma belíssima casa praiana em Fortaleza. De mais a mais, há o acordo de leniência firmado com os irmãos Batista, em especial com Joesley, do grupo JBS, empresa que se beneficiou dos incentivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aumentando o seu faturamento em 3.400% nos últimos dez anos, na medida em que induziram em erro o Ministério Público Federal (MPF), o Judiciário e, principalmente, o presidente da República, utilizando uma mise-en-scène digna de filme e, ao depois de receberem o salvo-conduto das autoridades brasileiras, com o escândalo. Eles auferiram tamanho lucro que deu para pagar as multas impostas e ainda sobrar uns "trocados" para gastar na Quinta Avenida em Nova York, onde passaram a residir.

Foi um escárnio!

Não tenho dúvidas com relação à validade desses acordos, mormente se ficar positivada a edição da fita de um gravador chinfrim usado para gravar de forma espúria conversa com o presidente. Sucede, porém, que o pormenor de Joesley comparecer ao local com o firme propósito de fabricar prova para servir-lhe como moeda de troca para o fechamento do acordo, deslegitima o elemento de convicção que serviu para esse fim, pois a tanto equivale o cognominado flagrante preparado, figura inaceitável no ordenamento jurídico pátrio, posição consolidada na Súmula 145 do STF. A formalização do acordo deve ser balizada em princípios que autorizam a justiça negociada, tal como o da confiança, de molde que os envolvidos nesse acordo, reciprocamente, devem passar sensações de credibilidade e confiabilidade um para com o outro. A quebra dessa confiança é o quanto basta para não validar acordos celebrados.

Nesse passo, forçoso convir que o modus operandi dos irmãos Batista ?" que, na undécima hora, deram a última cartada para obter o máximo de lucro nessa operação, vendendo suas ações e comprando cerca de US$ 1 bilhão momentos antes da divulgação da delação que fez a moeda americana disparar cometendo, com esse novo agir, delito contra o sistema financeiro nacional, aproveitando-se de informação privilegiada, que, diga-se, só eles tinham ?" faz cair por terra o acordo celebrado, seja pelos ardis empregados ou pelo simples fato de terem cometido novo ilícito horas depois de fecharem o acordo com as autoridades brasileiras; com isso, feriram de morte o consectário da desistência da prática de novos crimes.

Tal situação deixou o povo brasileiro estupefato, ao demonstrar que o crime compensa.

Ledo engano!

Todo o script levado a efeito pelos meliantes deixou evidente que, na espécie, ocorreu inexorável quebra da confiabilidade e, portanto, ao contrário do que se interpreta no caso em comento, os sacripantas pensaram que deram o golpe do século e não mais estariam sujeitos ao cárcere. Equivocaram-se mais uma vez, pois estão sujeitos aos termos do artigo 31 da Lei 7492/86.

Recita o artigo 91, II, "b", do diploma repressivo, que constitui efeito extrapenal da condenação a perda, em favor da União, do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso, abstração feita ao direito do lesado ou terceiro de boa-fé. No mesmo sentido, o artigo 7.º, I, da Lei 9613/98.
Herculano
26/05/2017 08:10
TCHAU, QUERIDO, por Fernanda Torres, atriz

Houve golpe no Brasil. E mais de um.

Houve golpe na eleição de 2014, que retesou tarifas para fingir controle na economia. Houve golpe naquela campanha vergonhosa, com o feijão sumindo do prato. Houve golpe nas pedaladas e no uso deslavado do caixa dois.

Houve golpe em Pasadena, Abreu e Lima e nos favorecimentos do BNDES. Houve golpe na Petrobras e em Furnas. Foi tudo golpe, além, da traição do PMDB.

Os que defendiam a permanência de Dilma Rousseff afirmavam que Temer perpetuaria o roubo e cortaria as asas da Justiça. Ruim com ela, pior sem ela, era o brado dos "Fora, Temer".

De argumento parecido se valeu o ex-vice, ao dizer que era preciso deixá-lo no cargo, para garantir a retomada da economia. Hoje, isolado como está, já deve ter entendido que é justo o contrário.

A Santa Inquisição de Dilma foi lenta e tortuosa, não resistiríamos a outro processo. Pelos solavancos do touro mecânico da Presidência, para citar Fábio Porchat, o Béla Lugosi do Jaburu aguarda apenas o coice honroso do TSE.

O PMDB passou as últimas décadas agindo como eminência parda, a matéria escura da política brasileira. Onipresente e invisível ao olho nu do eleitor, era (e é) em torno dele que gravitava a coalizão partidária.

Graças ao impeachment, a dracolândia abandonou as trevas e foi exposta ao sol abrasador do Planalto Central. Isso sempre me pareceu um dado novo e relevante. Pela primeira vez, desde a redemocratização, conhecemos quem, há muito, nos governa: homens brancos, saídos da Brasília dos anos 1970, afeitos a ternos demodês.

Alheios à sociedade, não tiveram nem o cinismo de incluir mulheres e negros no quadro ministerial. E, em conluio com o tucanato e a bancada BBB, deram de baixar o cacete em índio, promover desmatamento em reserva ambiental, liberar pesticida na lavoura, arranha-céu em zona histórica, meia hora de almoço para trabalhador e aposentadoria para defunto.

No embalo das medidas para deter o desastre econômico da era Dilma, do qual não guardo nenhuma saudade, a Transilvânia se viu livre para botar os dentes de fora.

O problema é que sugar pescoços à luz do dia se mostrou tarefa árdua para aqueles acostumados à discrição dos gabinetes. Geddel Vieira dançou na mão de um ministrinho da Cultura, e o Vincent Price do Alvorada teve o peito cravado por uma estaca grampeada pelo açougueiro do boi sequestro.

O PMDB se tornou frágil no momento em que se fez visível.

A fúria dos Van Helsing da PF e da nova geração de juízes impressiona. A nação de Savonarolas. Demétrio Magnoli diagnostica uma dupla conspiração, entre a Justiça e o Executivo. Os poderes racharam. Perto disso, a disputa entre PT e PSDB virou fichinha.

Se Wesley e Joesley Safadões saírem incólumes dessa mixórdia, proponho a canonização de Marcelo Odebrecht como mártir da Lava Jato. E, se a JBS é modelo de negociações público-privadas, pagando a multa da ladroagem com a valorização do câmbio, sugiro legalizar o comércio de armas e drogas, e transformar o PCC num partido-empresa.

E para ocupar o deserto de homens e ideias de 2018, sugestão de uma amiga, lanço, com base no Mais Médicos, a campanha Mais Presidentes, convidando líderes aposentados do exterior para se alistarem na corrida eleitoral. Mujica e Obama despontam firmes na liderança.

A fila anda.

Tchau, querido.
Herculano
26/05/2017 08:08
O CALOTE DO SÉCULO, Eliane Cantanhede, para o jornal O Estado de S. Paulo

Temer tem muito a explicar, mas perdão a Joesley Batista é premiar a corrupção

Antes que a gente se esqueça, Joesley Batista, da JBS, que já foi um dos "campeões nacionais" do BNDES, é agora campeão internacional do calote, um calote não numa pessoa, numa empresa ou num banco, mas num país inteiro. Um país chamado Brasil, onde não sobra ninguém para contar uma história decente e abrir horizontes.

Enquanto amealhava R$ 9 bilhões do BNDES, mais uns R$ 3 bilhões da CEF, mais sabe-se lá quanto de outros bancos públicos nos anos beneficentes de Lula, Joesley saiu comprando governos, partidos e parlamentares. Quando a coisa ficou feia, explodiu o governo Temer, a recuperação da economia e a aprovação das reformas, fez um acordo de pai para filho homologado pelo STF e foi viver a vida no coração de Nova York.

O BNDES, banco de fomento do desenvolvimento nacional, foi usado para fomento de empregos, fábricas e crescimento nos Estados Unidos, onde Joesley e o irmão, Wesley, usaram o rico e suado dinheirinho dos brasileiros para comprar tudo o que viam pela frente. Detalhe sórdido: os frigoríficos que adquiriram lá competem com os exportadores brasileiros de carne. Uma concorrência para lá de desleal.

Eles se negam a pagar os R$ 11 bilhões do acordo de leniência com a PGR, até porque o dinheiro público camarada do Brasil foi usado para sediar 70% dos negócios nos EUA, 10% em dezenas de outros países e só 20% no Brasil. Se esses procuradores encherem muito a paciência, eles jogam esses 20% pra lá, fecham as portas e esquecem a republiqueta de bananas.

Além de sua linda mulher (como nos clássicos sobre gângsteres), Joesley levou para a grande potência seu avião Gulfstream G650, de 20 lugares e US$ 65 milhões. Também despachou num navio para Miami seu iate do estaleiro Azimut, de três andares, 25 lugares e US$ 10 milhões. Quando enjoar de Nova York, vai passar uns tempos nos mares da Flórida.

Enquanto arrumava as malas, Joesley aplicou US$ 1 bilhão no mercado de câmbio, fez megaoperações nas Bolsas e ficou aguardando calmamente o Brasil implodir no dia seguinte, para colher novos milhões de dólares. E deixou para trás sua vidinha de açougueiro no interior de Goiás, uma sociedade pasma e um monte de interrogações.

Por que, raios, Lula e o BNDES jorraram tantos bilhões numa única empresa? Joesley podia usar o dinheiro com juros camaradas e comprar aviões e iates para uso pessoal? Os recursos não teriam de gerar desenvolvimento e emprego para os brasileiros? E, se o seu amigão (como dos Odebrecht) era Lula, a JBS virou uma potência planetária na era Lula e se ele diz que despejou US$ 150 milhões para Lula e Dilma Rousseff no exterior, por que Joesley, em vez de gravar Lula, foi direto gravar Temer?

Mais: como um biliardário, que adora brinquedos caros e sofisticados, partiu para uma empreitada de tal audácia com um gravadorzinho de camelô? Como dar andamento e virar o País de ponta-cabeça sem uma perícia elementar na gravação? Enfim, por que abrir monocraticamente um processo contra o presidente da República? E, enquanto Marcelo Odebrecht conclui seu segundo ano na cadeia, já condenado a mais de 10 anos, os Batista estão livres da prisão, sem tornozeleira e sem restrição para sair do País.

Nada disso, claro, significa livrar Aécio ou Temer, que tem muchas cositas más a explicar, como R$ 1 milhão na casa do coronel amigo, R$ 500 mil da mala do assessor Rocha Loures, um terceiro andar do Planalto onde assessores só produziam escândalos.

A sociedade, porém, reage mal ao final feliz dos Batista. A não ser que não seja final ainda, pois a homologação do STF é uma validação formal, mas cabe ao juiz, na sentença, fixar os benefícios da delação. Em geral, o juiz segue os termos do acordo original, mas não obrigatoriamente, e pode haver, sim, fixação de penas. Oremos, pois!
Herculano
26/05/2017 08:07
PF DEFLAGRA POÇO SECO, FASE 41 DA LAVA JATO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Em nota, a PF informou que estão sendo cumpridos 8 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária e 3 mandados de condução coercitiva nos estados do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira, 26, a Operação Poço Seco, 41ª fase da Operação Lava Jato. Fernanda Luz, ligada ao Lobista Jorge Luz, foi alvo de condução coercitiva.

Em nota, a PF informou que estão sendo cumpridos 8 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária e 3 mandados de condução coercitiva nos estados do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.

A ação policial tem como alvo principal a investigação de complexas operações financeiras realizadas a partir da aquisição pela Petrobrás de direitos de exploração de petróleo em Benin, na África, com o objetivo de disponibilizar recursos para o pagamento de vantagens indevidas a ex-gerente da área de negócios internacionais da empresa.

Em março deste ano, o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) por crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas, a 15 anos e 4 meses de prisão em ação penal sobre propinas na compra do campo petrolífero de Benin, pela Petrobrás, em 2011.

O nome da fase (Poço Seco) é uma referência aos resultados negativos do investimento realizado pela Petrobrás na aquisição de direitos de exploração de poços de petróleo em Benin/África.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro dentre outros.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba quando autorizados pelo juízo competente.

Brasília/DF

01 mandado de busca e apreensão

São Paulo/SP

02 mandados de busca e apreensão

Rio de Janeiro/RJ

05 mandados de busca e apreensão
01 mandado de prisão preventiva
01 mandado de prisão temporária
03 mandados de condução coercitiva
Herculano
26/05/2017 08:01
JBS É SíMBOLO DO CAPITALISMO DE ESTADO ENTRE AMIGOS, editorial do jornal O Globo

A delação dos irmãos Batista ocupa, com razão, o noticiário sobre corrupção, mas também deve ser lembrada a história da expansão da empresa

O grupo JBS se converteu em principal sinônimo de corrupção, desbancando a Odebrecht, com a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista à Procuradoria-Geral da República ?", principalmente com a gravação feita por Joesley de uma conversa comprometedora com o presidente Michel Temer, revelada pelo GLOBO.

Os relatos de Joesley a procuradores, gravados em vídeo, sobre a distribuição farta de dinheiro entre políticos, sem discriminar partidos, são mesmo emblemáticos de tempos de fisiologismo desbragado e descontrole ético refletidos no mensalão e nas investigações da Lava-Jato.

Mas o JBS também tem relação direta com os favores fornecidos a grupos empresariais nos governo Lula e Dilma, dentro da política de criação dos "campeões nacionais", com base no BNDES.

Na realidade, trata-se da reedição de programa semelhante ?" e também fracassado como este do lulopetismo -, na ditadura militar, para a produção interna de máquinas, equipamentos e insumos petroquímicos e outros.

Como naquela época, no JBS o contribuinte arcará com bilionário prejuízo. O grupo se tornou o maior processador de proteína animal do planeta sustentado em bilhões de reais subsidiados pelo Tesouro e despejados na empresa. Foi assim que o BNDESpar ?" braço de participações acionárias do banco ?" tornou-se sócio do JBS, com 31,3% do capital (a Caixa tem 4,9%).

O mergulho do preço das ações da empresa em Bolsa, no vácuo da crise, já causa uma perda contábil. O banco, assim, terá de congelar suas posições acionárias, porque, se vendê-las, concretizará os prejuízos.

Muito dinheiro circulou nesta operação para transformar o JBS num "campeão nacional" com forte projeção internacional. Sem que haja suspeitas sobre a qualidade do corpo técnico do BNDES, investiga-se como transcorreram operações que, entre 2007 e 2011, injetaram R$ 5 bilhões nos cofres do grupo de frigoríficos. Há pelo menos um caso, relatado na Operação Bullish, em que um grande aporte de recursos ao grupo precisaria ser devolvido ao banco, pela não realização da compra de outra empresa, motivo da operação, mas que foi mantido indevidamente no JBS. Evidenciou-se um favorecimento aos irmãos.

Tudo isso é típico do capitalismo de Estado que, pela via da direita e da esquerda, o Brasil tem praticado há décadas. Um capitalismo para compadres, em que empresários próximos ao poder são premiados, sem maiores preocupações com eficiência e produtividade. Por isso, esses ciclos (com Geisel, Lula e Dilma) resultam em grandes prejuízos para o Erário.

O caso JBS se junta ao da Odebrecht, e de outras empreiteiras da Lava-Jato, e revela de maneira clara a contrapartida desses empresários na forma de financiamentos de campanha - caixa 1, com propina, e 2 ?", além da prática ampliada da corrupção. É a outra face deste capitalismo de Estado e de amigos.
Herculano
26/05/2017 07:58
PT QUIS IMPEDIR VISTORIA DE ôNIBUS DE BADERNEIROS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Na véspera do protesto que virou badernaço em Brasília, um grupo de senadores do PT foi ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, pedir ao governador Rodrigo Rollemberg para que a Polícia Militar não vistoriasse ônibus chegando a Brasília com manifestantes. Rollemberg respondeu aos senadores Paulo Rocha (PA), Lindbergh Farias (PE) e Humberto Costa (PE) que não poderia atender o pedido.

O MAIS AFOITO
Segundo fonte do governo do DF, o senador Lindbergh foi o mais "enfático" no pedido para a PM não revistar ônibus de manifestantes.

CAIU A FICHA
Após a destruição em Brasília, a suspeita agora é que a cúpula do PT sabia que haveria o badernaço, marcado para o dia seguinte.

COMO UMA PENEIRA
Apesar da decisão do governador de manter a vistoria, porretes, armas brancas, bombas, escudos etc. passaram pela "peneira" da PM.

SEM COMENTÁRIOS
A assessoria de Lindbergh confirmou a reunião com o governador do DF, e não comentou a acusação de tentar impedir a revista dos ônibus.

EXÉRCITO AINDA MANTÉM HONRARIAS A MENSALEIROS
Depois da cassação pelo Ministério da Defesa das Medalhas da Vitória dos mensaleiros condenados José Genoino e Valdemar da Costa Neto, apenas o Exército mantém as honrarias concedidas. Apesar de condenados, José Dirceu e Roberto Jefferson ainda ostentam a Ordem do Mérito Militar recebida durante os governos Lula, e em grau superior ao que foi concedido por exemplo, em abril, ao juiz federal Sérgio Moro.

AOS AMIGOS TUDO
Do Exército, Jefferson recebeu o grau de Comendador, e Dirceu, condenado na Lava Jato, é Grande Oficial. Moro, apenas Oficial.

FALTA O EXÉRCITO
Aeronáutica e Marinha cassaram as honrarias concedidas a mensaleiros condenados, após esta coluna revelar o assunto.

CASSAÇÃO AUTOMÁTICA
As honrarias reconhecem os serviços às Forças Armadas, e preveem cassação de condenado por crime contra a administração pública.

PASSANDO A LIMPO
O senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) já definiu a primeira iniciativa na CPI do BNDES: convocar para depor os irmãos Batista. Depois, ele quer tirar a limpo como eles conseguiram acordo tão benéfico, livrando-os de qualquer punição. "Não penso em outra coisa", disse ontem.

PRIMEIRO CANDIDATO
O advogado e jurista Modesto Carvalhosa está mesmo disposto a disputar a presidência da República pela via indireta, diante de eventual vacância do cargo ocupado pelo presidente Michel Temer.

AVAL DE JURISTAS
A ideia de lançar Modesto Carvalhosa à presidência da República foi de três juristas igualmente respeitados: Hélio Bicudo, José Carlos Dias e o ministro aposentado do Superior Tribunal Militar Flávio Bierrenbach.

A FIRMA É RICA
Cerca de 900 ônibus levaram 40 mil a Brasília. De Brasília mesmo, apenas 5 mil. "Mortadela" ferido pelos próprios manifestantes contou no Hospital de Base de Brasília haver embolsado cachê de R$360.

NÃO ESTAVA 'ZERADA'?
Quando esteve no governo, o PT chegou a anunciar, com pompa e circunstância, que a dívida externa brasileira havia sido zerada. Lorota. O Banco Central atualizou o montante ontem: US$ 351 bilhões.

DISQUE KAKAY
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é destaque de Sábado, importante revista semanal portuguesa, apresentado como "o 112 dos poderosos". É o número do telefone de emergência de lá.

HUCK JÁ APARECE
A suposta pré-candidatura presidencial do apresentador Luciano Huck deixa de ser piada. Segundo a Paraná Pesquisas, em Sergipe ele já aparece em 4º, com 7,6%. Lula lidera, seguido de Bolsonaro e Marina.

TAXA DO HOMEM DA MALA
O vídeo mostrando o primo de Aécio embolsando parte da propina da JBS e a mala de Rocha Loures faltando R$ 35 mil, fazem parecer que "homem da mala" sempre cobra uma espécie de taxa de "transporte".

PERGUNTA NO PALANQUE
Não está fazendo política um candidato que se apresenta como "não político"?
Herculano
26/05/2017 07:51
PRECISAMOS FALAR SOBRE JOESLEY, por Tati Bernardi, escritora, redatora e roteirista de cinema, para o jornal Folha de S, Paulo

Compra de silêncio com obesas mesadas, superfaturamentos, patrocínio fraudulento de campanhas políticas, contas no exterior, encontro com o presidente na calada da noite, grosserias de um político coxinha narradas por um âncora almofadinha.

Nada disso me soa mais patético e/ou escandaloso do que a história dos irmãos, Joesley e Wesley, que superaram a expectativa nominal de dupla sertaneja e decidiram leiloar o próprio país. Joesley fez mais do que cuspir na louça refinada em que comeu, ele mandou explodir a fábrica de pratos que já alimentou não apenas suas próximas dez gerações, mas os reis na barriga de muitos colegas. Se fosse uma ficção científica (e não é?), veríamos ele e sua família correndo para embarcar num jato particular enquanto destroços e labaredas raivosas não os atingem por meio segundo.

Apaixonado, com a intensidade e o exagero que somente os feiosos rejeitados do colégio podem sentir em vida adulta, celebrou seu casamento em três diferentes países, gastando cifras ainda maiores do que as relatadas (como se nada fossem) à Procuradoria-Geral. Rebento insaciável, mamou num BNDES duvidoso e, no meio da fartura, muito antes de ser o "geniopata" mais famoso do Brasil, tentou mudar a JBS para a Irlanda, paraíso fiscal. Psicopata boa praça, se mostrou sempre calmo e risonho, tanto ao grampear os comparsas quanto ao ser filmado expondo a lama que o encobriu. Maroto e bem assessorado, reza a lenda que espalhava carne barata pelo país, para abaixar o valor do boi. Qualquer semelhança nossa com seus gados não é mera coincidência.

E a sacanagem não para por aí. Foi visto, provavelmente enquanto planejava rifar sua nação como se fôssemos brinquedos vagabundos de quermesse, comprando mimos sexuais em NY com a sua belíssima cônjuge "jornalista premiada" que, em uma entrevista recente, quis falar "nesse meio tempo" e falou "nesse meio termo". A riqueza, pelo visto, traz mais do que a falta de preocupação com a gasolina. Seria seu bolo preferido o de dinheiro?

Lembra na época da ditadura, quando jovens eram violentados porque não entregavam os amiguinhos? Pois é, na delação premiada, tiozinhos são ostentados justamente por expor, grampear e cagar na cabeça dos camaradas. Nossas paredes estão forradas de cartazes "traga-nos a cabeça da República e ganhe uma vida livre e nababesca". Saudade de quando eram grafites. Saudade da época do colégio, quando eu achava que "leniência" tinha a ver com Lênin, o Vladimir. Ao saber do mandado de prisão do Maluf, senti nostalgia. Queria ter um Alf de pelúcia, um Pense Bem e um boneco de pano "Malufinho rouba, mas faz". Vendo em retrospecto, alguns bandidos da nossa infância chegam a ser fofos.

E agora, pós fuga lícita de Joesley, nós, pobres e moídos civis orgulhosos de declarar impostos e misturar uma carninha fraca no arroz, ficamos aqui nos perguntando quem são, onde vivem e do que se alimentam os juízes que mandaram prender os trutas carregadores de malas e não os tubarões que as confeccionaram com o couro arrancado de um país inteiro. A lição que fica, diariamente, é que se você for um merda, mas dedurar o bosta, estará livre para nunca mais voltar pro esgoto. Livre para recarregar dildos de última geração em uma cobertura na Quinta Avenida. Ou para rir com o vídeo desesperado do Aécio que, assim como quase toda atriz pornô ou participante de BBB, só queria comprar (ou vender?) uma casa para a pobre mãe
Herculano
26/05/2017 07:46
ALCKMIN FLERTA COM ELEIÇÃO PRESIDENCIAL INDIRETA, por Josias de Souza

O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) analisa a hipótese de participar da eleição indireta à Presidência da República se Michel Temer for apeado do cargo. Ele ainda não tomou uma decisão. Mas executa uma coreografia de candidato. Após consultar juristas, concluiu que pode entrar na disputa sem renunciar à poltrona de governador. Bastaria pedir licença do cargo. Recebeu estímulos de outros governadores. E trocou ideias com membros do seu grupo político.

A briga pela poltrona de Temer ganhou novos contornos. Alckmin e os apologistas do seu projeto presidencial concluíram que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), tornou-se franco favorito na corrida pelo trono. Perceberam que não está em jogo apenas o mandato-tampão do substituto constitucional de Dilma Rousseff. Na prática, disputa-se uma prévia de 2018. O escolhido do Congresso se converterá num candidato automático à reeleição.

Obcecado pelo Planalto, Alckmin passou a considerar que o melhor protagonista do PSDB nesse enredo talvez seja ele próprio, não o senador Tasso Jereissati (CE), que substituiu Aécio Neves no comando do partido e foi alçado à lista de opções presidenciais. Tasso esteve em São Paulo nesta quinta-feira. Reuniu-se com Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o prefeito João Doria.

Operadores políticos de Alckmin atribuem o favoritismo de Rodrigo Maia a quatro fatores:

1) Como presidente da Câmara, ele leva vantagem no jogo de sedução dos 513 deputados, um "eleitorado" mais de seis vezes maior do que os 81 votos disponíveis no Senado;

2) Além de ter bom trânsito na maioria das bancadas, Rodrigo Maia alarga a banda esquerda do seu cesto de votos atraindo o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para ocupar o posto de vice na sua chapa.

3) Genro do ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Maia desfila nos bastidores como uma espécie de Plano B do próprio Temer, cacifando-se para receber parte dos votos do PMDB.

4) Na hipótese de afastamento de Termer, Rodrigo Maia assumirá a Presidência da República para convocar as eleições indiretas em 30 dias. Nesse intervalo, colocaria a máquina federal a serviço de sua permanência no cargo.

Pelas contas do grupo de Alckmin, Rodrigo Maia estaria muito próximo de colecionar algo como 300 dos 513 votos da Câmara. Alckmin entraria na briga com cerca de 150 votos. E teria de molhar a camisa para alcançar o rival. Imagina que, além dos votos do tucanato, arrastaria o grosso do PSB e do PPS, além de pedaços de legendas como PV, PP, PR, PTB, PSD e assemelhados.

A despeito de todas as dificuldades, os partidários de Alckmin avaliam que sua hipotética candidatura presidencial teria mais chances de êxito do que a de personagens como Tasso e o ex-ministro Nelson Jobim. Resta saber se Alckmin terá disposiçãp para comprar a briga. Alckmin e Rodrigo Maia têm algo em comum além do desejo de sentar na cadeira de presidente: ambos frequentam as planilhas do departamento de propinas da Odebrecht. Na lista de beneficiários da construtora, Maia é o "Botafogo". Alckmin, o "Santo". Mas isso não parece fazer diferença numa eleição que será definida pelos votos dos clientes de caderneta da Lava Jato e de outras encrencas criminais.
Herculano
26/05/2017 07:43
AGÊNCIA LUPA: AFASTADO E COM A IRMÃ PRESA, AÉCIO APRESENTA A SUA DEFESA

Conteúdo publicado no jornal Folha de S. Paulo. Flagrado em gravações da JBS, o Aécio Neves (PSDB-MG) está distanciado do Senado por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) e com pedido de prisão pendente. Sua irmã, Andrea Neves, foi presa na semana passada.

Em sua última coluna na Folha e em vídeo publicado no Facebook, o tucano fala das recentes acusações e chega a dizer que foi vítima de "armação". Veja algumas a defesa do senador:

"Vi minha irmã ser detida sem absolutamente nada que justificasse tamanha arbitrariedade"

FALSO Andrea Neves, irmã de Aécio, foi alvo da operação Patmos no último dia 18, depois de citada na conversa em que o senador tucano pede R$ 2 milhões a Joesley Batista. Na gravação, Joesley conta que havia se encontrado com Andrea e ouvido dela que Aécio precisava de "dois milhões para pagar advogados". Para o procurador-geral, Rodrigo Janot, a detenção dela era necessária porque havia "risco concreto" de "destruição de eventuais provas". Procurado, Aécio não comentou.

"Não sabia que na minha frente estava um criminoso"

CONTRADIT?"RIO Na gravação de Joesley com Aécio, há um trecho em que o empresário fala sobre as investigações da Operação Greenfield da Polícia Federal. Joesley também conta ao senador que tem um informante no Ministério Público: "eu consegui informação lá de dentro. Consegui botar um cara lá também". E Aécio questiona: "Onde?". Joesley revela que é na Procuradoria. Na última quinta-feira, o procurador Ângelo Goulart Villela foi preso por suspeita de vender informações. Procurado pela reportagem, Aécio não comentou.

"Setores da imprensa vêm destacando uma acusação do delator de que, em 2014, eu teria recebido R$ 60 milhões em 'propina'. Mas (...) isso se refere exatamente aos R$ 60 milhões que a JBS doou legalmente às campanhas do PSDB naquele ano"

EXAGERADO Consulta feita no site do TSE com CNPJs da JBS revela que, em 2014, a empresa doou R$ 56,5 milhões ao PSDB. Nesse total, que fica abaixo do citado por Aécio, estão os repasses feitos diretamente ao comitê do então candidato à Presidência da República, ao Diretório Nacional do PSDB e a outras campanhas tucanas. Só o comitê de Aécio Neves recebeu R$ 40,3 milhões. Vale destacar ainda que, na acusação de Joesley, a menção é feita a R$ 60 milhões pagos como propina, por meio de notas frias de empresas indicadas pelo senador. Procurado, o PSDB disse que "as informações citadas pelo senador Aécio Neves têm como fonte as prestações de contas que constam no TSE".

"Não fiz dinheiro na vida pública"

CONTRADIT?"RIO As declarações de bens que Aécio Neves fez à Justiça Eleitoral mostram que seu patrimônio cresce desde 2010. Naquele ano, quando concorria ao Senado, o tucano declarou bens que somavam R$ 617,9 mil. Entre eles estavam três terrenos em Minas Gerais, 50% de um imóvel no município de Cláudio (MG), um apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e um apartamento em Belo Horizonte. Quatro anos depois, quando concorreu à Presidência da República, o tucano apresentou um patrimônio de R$ 2,5 milhões, 305% acima do valor anterior. Em 2014, Aécio tinha todos os bens declarados em 2010 e ainda cotas de uma rádio, no valor de R$ 700 mil, e ações herdadas do pai, no valor de R$ 666.660, além de um veículo Land Rover, avaliado em R$ 166,5 mil. Na época, o senador mantinha duas aplicações de renda fixa, um rendimento de Previdência privada, e saldos em duas contas correntes -valores que somam R$ 364,4 mil. Em nota, Aécio informou que o aumento de seu patrimônio não tem relação com o exercício de seus mandatos, e é resultado da transferência de ações de uma rádio, feita por sua mãe, e de parte da herança de seu pai.

Nenhum de meus atos legislativos e políticos demonstram qualquer intenção de obstruir a Lava Jato ou qualquer outra investigação, tampouco interferir em instituições encarregadas de apurar os fatos"

FALSO Na gravação que foi entregue à PGR, Aécio propõe que Joesley o ajude a pressionar o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, para que ele vote matérias que incluem a anistia ao caixa dois. Diz que trabalha "nisso igual um louco" e sugere que "alguém" de Joesley mande "um recado pro Rodrigo" para "assustar um pouco". Nas palavras de Aécio: "Tem que votar essa merda de qualquer maneira (...) Eu tô assustando ele (Rodrigo Maia). Se a gente conseguir isso (anistia do caixa dois), já dá 80% do problema". Em outro momento, Aécio critica o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e menciona que é preciso escolher os delegados da PF antes de distribuir os inquéritos abertos contra políticos. Procurado, o senador não retornou
Herculano
26/05/2017 07:37
MPSC DENUNCIA SETE PESSOAS POR CRIMES RELACIONADOS À OPERAÇÃO 30 GRAUS

Press release do MPSC. Operação do GAECO apurou a prática dos crimes de associação criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foram denunciados cinco Vereadores, um ex-Vereador e um advogado.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 5ª Promotoria de Justiça da Comarca de Balneário Camboriú, ofereceu, nesta quarta-feira 24/05, denúncia criminal contra sete pessoas pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção passiva, e lavagem de dinheiro apurados pela operação "30 Graus".

Foram denunciados quatro Vereadores, dois ex-Vereadores e um advogado pela barganha e venda de facilidades para o trâmite de emendas no Legislativo Municipal, em especial relacionadas à alterações no Plano Diretor do Município de Balneário Camboriú.

Os crimes foram apurados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em apoio à 5ª Promotoria de Justiça. Na operação, deflagrada no dia 9 de maio deste ano, foram cumpridos onze mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e órgãos públicos.

A operação foi denominada 30º em face de negociação de Projeto de Lei de uso e ocupação do solo que alterou o índice de declividade de 30% para 30º, visando atender exclusivamente interesses relacionados a um único empreendimento particular, pois propiciou aumento de área construída nas cotas altas do terreno.

Para efetivar a aprovação do Projeto de Lei, cinco dos então vereadores - um deles não ocupa mais o cargo - exigiram em troca dois dos terrenos do loteamento que seria beneficiado. Para dissimular a operação, os terrenos seriam colocados em nome do advogado também denunciado, pai de um dos agentes políticos.

O outro caso apurado envolve dois então vereadores, que exigiram R$ 250 mil de um empresário local para aprovar projeto que beneficiaria um empreendimento em um terreno adjacente à Praça da Sereia, na Avenida do Estado. Como o empresário se recusou a pagar, os agentes políticos passaram a colocar empecilhos para a aprovação.

Mais detalhes, como o nome dos denunciados, não podem ser informados neste momento em função da denúncia ainda estar em segredo de justiça. O MPSC já requereu ao Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Balneário Camboriú a publicidade do processo, mas o pedido ainda não foi avaliado
Herculano
26/05/2017 07:34
MINISTRO MANTÉM PRESA CONDENADA POR FURTO DE 19 OVOS DE PÁSCOA E DOIS PEITOS DE FRANGO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Vassallo e Júnia Afonso. O fato de o réu ser reincidente e cometer o crime enquanto cumpre pena em regime aberto não autoriza a aplicação do princípio da insignificância. Com esse fundamento, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Nefi Cordeiro negou liminar a uma mulher condenada pelo furto de 19 ovos de Páscoa, sete barras de chocolate, dois peitos de frango e quatro vidros de perfume em São Paulo.

As informações foram divulgadas no site do STJ.

Na decisão, o ministro ressaltou que o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao julgar a apelação, manteve a fixação da pena-base em três anos e dois meses de reclusão em virtude da reincidência da ré e tendo em vista que ela praticou os furtos durante o cumprimento de pena em regime aberto.

De acordo com a sentença condenatória, logo depois de furtar os chocolates e o frango em um supermercado, a ré e outras duas pessoas também furtaram quatro perfumes em outro estabelecimento. Assim, 'em razão da continuidade delitiva, o juiz elevou a pena-base em um sexto'.

Segundo o ministro, além da necessidade de análise mais aprofundada do mérito das alegações do habeas corpus, inviável em julgamento liminar, não estavam presentes no pedido os requisitos que autorizariam o deferimento da medida cautelar, já que o valor do furto atingia R$ 1.196,00 em 2015 ?" superior a um salário mínimo e meio da época ?" e a ré tinha circunstâncias judiciais desfavoráveis.

O mérito do habeas corpus ainda será julgado pela Sexta Turma da Corte superior
Herculano
26/05/2017 07:30
TEM NOVA OPERAÇÃO LAVA LATO NAS RUAS. É A 41ª
Herculano
26/05/2017 07:15
COMO PROCURADORES E JUÍZES MILITANTES, OS TENENTES NÃO GOSTAVAM DE POLÍTICOS, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

O Brasil se tornou refém do "Tenentismo da Destruição". O país caminha para o abismo político, legal e institucional. Aparecerá alguém com um lume ao menos, a nos dar uma esperança, ainda que bruxuleante? Esse portador de alguma luz contra as trevas, creiam, era Michel Temer. Torço para que chegue ao fim do mandato. Mas não será fácil.

E o futuro? Até agora, o que vejo são pré-candidatos a cronistas das nossas angústias, com suas ligeirezas à direita ou à esquerda. Pergunta rápida, com resposta idem, dois dias depois dos atos terroristas protagonizados pelas esquerdas na Esplanada dos Ministérios: se não se fizer a reforma da Previdência agora, quem terá coragem de levar essa pauta para o palanque?

Salvo engano, foi Luiz Werneck Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, o primeiro cientista político a caracterizar essa era de procuradores e juízes militantes como um "novo tenentismo". Em vez do uniforme militar, a toga. O movimento de jovens oficiais de baixa e média patentes, na década de 20, teve importância capital na história do país. Dali saíram tanto o líder comunista Luiz Carlos Prestes como boa parte da elite fardada de 1964. A Revolução de 30 foi o primeiro golpe bem-sucedido da turma.

Também os tenentes, a exemplo dos procuradores e juízes militantes de hoje em dia, não gostavam de políticos, considerando-os meros agentes da corrupção. Também eles queriam refundar a República ?"tanto é assim que a ascensão de Getúlio Vargas marca o fim da dita "República Velha" e o início da "Nova". Também eles carregavam uma ânsia moralista autoritária. Para registro: três presidentes do ciclo militar tinham sido tenentes "revolucionários": Castello Branco, Emilio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.

Os tenentes de uniforme, no entanto, observou Werneck Vianna, tinham ao menos um ideário, uma pauta, como o voto secreto, o fim das fraudes nas eleições, reforma da educação pública etc. Havia até os que defendiam a liberdade de imprensa. Os tenentes de toga nada têm além do combate à corrupção. É evidente que é necessário. A questão é saber quantos crimes serão cometidos sob tal pretexto.

A tramoia contra Temer e o esforço para o STF decretar a prisão preventiva do senador Aécio Neves (PSDB-MG) são o epílogo da primeira etapa dessa destruição que consideram saneadora. Na segunda, prometem mais higienismo político. Afinal, como já sugeriu Deltan Dallagnol, a única reforma que realmente interessa é a do... combate à corrupção.

Fui vítima de uma violência, de um crime, que, por enquanto, segue sem criminosos. Conversas minhas, ao telefone, com Andrea Neves foram pinçadas em meio a milhares de gravações. Nada traziam, obviamente, de comprometedor. A PGR diz não ter nada com isso. A PF diz não ter nada com isso. A presidente do STF lembrou a agressão a um direito constitucional: o sigilo da fonte. Também nada com isso!

Então quem tem? Vai ver o culpado sou eu! O ministro Edson Fachin liberou os grampos sem nem saber o que lá iam. Jogou no lixo o Artigo 9º da Lei 9.296, que manda destruir o material que não interessar à investigação. Depois de uma reação de indignação como raramente se viu, pôs de novo parte dos grampos sob sigilo.

Os tenentes de toga acham que as leis brasileiras são garantistas demais e que, como é mesmo?, o "interesse público" deve estar acima de alguns fundamentos do Estado de Direito. Tudo, claro!, para combater a corrupção! É por isso que eles protestam com tanta veemência quando Eike Batista obtém habeas corpus no Supremo.

Afinal, esses paladinos da moral têm como exemplo de rigor um outro Batista, o Joesley!
Periquito Irritante
25/05/2017 22:08
Quantos elefantes brancos foram usados na Ponte do Vale pra fazer o teste de carga?
Roberto Sombrio
25/05/2017 21:54
Oi, Herculano.

OU SEGUIMOS A CONSTITUIÇÃO, OU VAMOS TER MAIS PROBLEMAS, DIZ CÁRMEN LÚCIA.

Os problemas irão continuar senhora CÁRMEN LÚCIA, se seguirmos esta Constituição que dá direitos iguais a todos e ao mesmo tempo não dá direitos a ninguém. Nunca será respeitada essa Constituição "abobrinha".
Herculano
25/05/2017 21:41
ILHOTA EM CHAMAS

Cristiane. A Casan não existe mais em Ilhota. O prefeito Érico de Oliveira, pediu e conseguiu na Justiça, tomar a Casan para ele administrar e principalmente criar um cabide de empregos.

Ela está terceirizada, por enquanto, a uma outra empresa

Escrevi, em coluna anterior, antevendo tudo isso, que Ilhota não tinha sequer condições de cuidar de uma balsa, que vivia afundando, como teria condições, conhecimento e principalmente recursos para manter, sustentar e ampliar o sistema captação, tratamento e distribuição de água.

Está ai a realidade criada pelo prefeito Érico.
Cristiane Pereira
25/05/2017 21:35
Herculano, será que não tem como fazer uma matéria a fundo sobre a Casan, no município de Ilhota? Estamos ficando a semana inteira sem água. E como lavar nossas roupas, nos banharmos, cozinharmos? A conta não tarda a chegar, muito menos a atrasamos. Falta de respeito total.
João Bezerra
25/05/2017 21:35
Sr. Herculano

Leve ao conhecimento do MP SC o absurdo gasto em areia e macadame do SAMAE, pra onde ta indo isso? Não existe obras.
Herculano
25/05/2017 20:39
OU SEGUIMOS A CONSTITUIÇÃO, OU VAMOS TER MAIS PROBLEMAS, DIZ CÁRMEN LÚCIA

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Letícia Casado, da sucursal de Brasília. A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, disse nesta quinta-feira (25) que seguir a Constituição é a única maneira de evitar mais turbulência no país.

"Ou o Brasil se salva com a Constituição, ou vamos ter mais problemas", afirmou a magistrada em reunião com senadores, segundo nota da assessoria do tribunal.

Ela se reuniu com os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), João Capiberibe (PSB-AP), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e com o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ).

Eles pediram a audiência para tratar sobre ação apresentada ao STF contra o decreto do presidente Michel Temer que determinou o uso das Forças Armadas no Distrito Federal.

Mas, quando os parlamentares chegaram à reunião, o decreto já havia sido revogado "e as conversas se voltaram para as questões atuais", informou a assessoria.

O grupo conversou sobre o cenário atual e a ministra destacou "que o Judiciário não é um espaço político", de acordo com a nota. "Se não se acreditar mais nas instituições, poderemos, aí sim, ter crises institucionais sérias", disse a ministra.

A reunião foi fechada, sem acesso à imprensa.
Herculano
25/05/2017 20:35
LOUCURA ATINGE ÁPICE: MANIFESTAÇÃO A FAVOR DA CRACOLÂNDIA, por Vilam Gryzinski, de Veja

Quem anda de metrô, tem conta em banco e assina serviços de internet costuma ser chamado de usuário. Sem saber, todas estas pessoas estão na companhia dos infelizes e perigosos viciados em crack que transformaram um pedaço de São Paulo numa sucursal do inferno.

Existem viciados em praticamente todos os lugares do Brasil, mas só em São Paulo existe uma rede de proteção ao vício, ao tráfico e ao crime. Por isso, a Cracolândia se transformou em território livre de viciados, traficantes e criminosos.

Qualquer iniciativa tomada para acabar com este escândalo a céu aberto é imediatamente contestada por especialistas preocupados com tudo, menos com os cidadãos infernizados por esta aberração.

Consideram que os viciados são doentes - como se estivessem indo ao trabalho ou à escola e tivessem sido picados por algum dos pernilongos assassinos que pululam no nosso meio-ambiente. Mas não doentes comuns, daqueles amontoados nos serviços públicos de saúdes.

Segundo estes especialistas, cada um dos viciados, ou "usuários", teria que ser acompanhado dia e noite por uma equipe multidisciplinar. Psicólogos, psiquiatras, médicos especialistas em todas as inúmeras enfermidades que adquirem através de seu estilo arriscado de vida.

Terapeutas, talvez acupunturistas e massagistas. Também arquitetos que desenhariam as moradias bem planejadas onde ficariam abrigados, com banheiras de hidromassagem para relaxar as tensões.

DROGAS RECREATIVAS

Pelo menos, advogados, juristas e promotores eles já têm. Encostou na Cracolândia e o mundo vem abaixo com um vigor não encontrado em todas as outras inúmeras áreas onde falta praticamente de tudo à população, em especial aos mais pobres.

A última novidade foi uma manifestação a favor da Cracolândia. Repetindo: a favor da Cracolândia. Não era muito grande, mas teve repercussão e cobertura enormes. Só saiu um pouco do noticiário porque um outro pessoal da mesma estirpe estava tocando fogo em ministérios em Brasilia.

Marchas pela legalização da maconha são comuns ?" e redundantes, consideram-se que na prática seu uso é livre. Em geral, jovens de classe média usam drogas recreativas que só causam impacto forte na saúde mental em quem tem predisposição a determinados distúrbios ou for um idiota total.

Marcha pela Cracolândia é uma aberração tão distorcida que até os jornais estrangeiros loucos por um "progressismo" ficaram um pouco fora dessa. A BBC registrou a intervenção e os "críticos" que dizem que ela "vai meramente empurrar o problema para outras partes da cidade".

VERTIGEM NACIONAL

O que foi feito na Cracolândia em São Paulo pode ser discutido e contestado até o fim dos tempos. Mas é impossível não ver a motivação política por trás das reações desequilibradas que provocou.

O titular da prefeitura, evidentemente, tem seus interesses e entende muito bem o repúdio universal ao espetáculo grotesco da Cracolândia. No universo das pessoas comuns, evidentemente.

Os que condenam a ação têm pavor da popularidade gerada por iniciativas como a que tomou. Inclusive entre os que são, nominalmente, correligionários. Na vertigem nacional em que o país está mergulhado, qualquer índice de popularidade pode acabar no Planalto.

O crack destrói cidadãos principalmente das camadas mais pobres. Quem já viu uma pessoa normal se transformar em zumbi, de olhos e alma capturados pelo vício, sabe o que acontece. Família, trabalho, moradia, amigos, dentes, roupas e, por fim, sapatos, tudo é tragado.

"Usuários" passam a exalar um cheiro terrível.Traficam, roubam, assaltam, se prostituem, engravidam e dão à luz crianças devastadas pelo vício. O olhar humilde de quem pede um dinheirinho para o "ônibus" se transforma em ameaçador, movido fissura incontrolável pela pedra maldita.

De que outra forma quem não trabalha pode sustentar um vício avassalador? Muitos alternam períodos de remissão, quando se afastam do vício e conseguem trabalhar. Devem receber todo o apoio. Daí vem a recidiva. De ciclo em ciclo, chegam ao fundo, quando perdem o principal: o poder de tomar decisões.

MUDANÇA DE TURNO

Proteger os mais desprotegidos é uma obrigação das sociedades civilizadas. Ter compaixão e oferecer ajuda aos viciados é um dever moral. Que não pode ser confundido com um laissez-faire ideologizado, com permissividade incondicional e paralisante.

Mas quem está preocupado com moradores, transeuntes, donos de pequenos comércios, todos infernizados pelo território livre de viciados e traficantes? Com os trabalhadores humildes assaltados por um celular que vai virar pedra?

Quem já olhou pelas janelas dos prédios onde as castas superiores trabalham e viu faxineiras sairem em grupo, na hora da mudança de turno, agarrando as bolsas, tentando se proteger mutuamente dos "nóias" ?

Muitas dessas mulheres demonstram bondade com os viciados que, em seus bairros, "não fazem mal a ninguém", exceto pelo tráfico entre si. Têm medo muito maior de que seus filhos sejam "levados" para o mundo dos zumbis.

POLTRONA MOLE

Do alto de seu saber jurídico, os membros das castas não levantam sequer um dedinho humanitário para fazer algo contra o fluxo constante e inalterado de cocaína transformada em crack diante de seus próprios olhos. Quando se dão ao trabalho de olhar, claro.

Em suas ONGs moderninhas, advogados brilhantes e ascendentes são pagos para defender com argumentos bem escritos, que aprenderam nas melhores faculdades, a legalização das drogas.

Convivem com seu benfeitores ricos, aprendem a tomar vinhos cada vez melhores, andam de bicicletas cheias de maiúsculas. Quando realizam o sonho de comprar uma poltrona Mole, objeto de desejo a um nível quase tão absoluto quanto as pedras de crack para os viciados, foram totalmente cooptados. Moralmente, estão mais moles do que a poltrona.

E, ainda por cima, todos se acham paladinos da justiça.
Herculano
25/05/2017 20:24
TEMER AGORA TRAMA ADIAR O JULGAMENTO DO TSE, por Josias de Souza

Michel Temer e seus operadores políticos alteraram a estratégia para lidar com o julgamento que pode resultar na cassação do mandato presidencial no Tribunal Superior Eleitoral. Antes da delação da JBS, o Planalto tinha pressa. Agora, leva o pé ao freio. Trama-se o adiamento da decisão. Para que o plano dê certo, será necessário que um dos sete ministro da Corte Eleitoral se disponha a pedir vista do processo, a pretexto de analisar melhor uma causa já bem conhecida.

O julgamento está marcado para 6 de junho. Questiona-se a utilização de verbas sujas no financiamento da chapa Dilma-Temer. Estima-se que o veredicto sairá em três dias. Prevalecendo a tática de Temer, o desfecho pode ser jogado para as calendas, pois não há prazo para a devolução do processo. Deve-se a tentativa de fuga à reversão do placar. Conforme já noticiado aqui, o Planalto contava com uma vitória apertada: 4 a 3. Passou a recear uma derrota pelo mesmo placar.

Resta saber se haverá no TSE um ministro com disposição para entrar num jogo de empurra que permitirá a Temer voltar a confiar no amanhã, desde que não se descubra mais nada contra ele durante à noite.
Herculano
25/05/2017 19:54
O QUE A IMPRENSA ESCONDE DOS SEUS CLIENTES? POR QUE NÃO ESCLARECEM? TRATAM O VÂNDALO COMO VÍTIMA? ACIDENTE?

ESTUDANTE CATARINENSE DE 21 ANOS ACENDE ROJÃO NA MANIFESTAÇÃO DE BRASÍLIA E TEM A SUA PRóPRIA MÃO MUTILADA.

A CUT CATARINENSE - QUE VIVE DO IMPOSTO SINDICAL COMPULSóRIO TIRADO DO TRABALHADOR PARA PATROCINAR ESSE TIPO DE ATO EM CAUSA PRóPRIA - FOI QUEM PATROCINOU A IDA DO ESTUDANTE QUE SE FERIU E DE OUTROS DE SANTA CATARINA PARA LÁ.

OS ENVOLVIDOS DIZEM QUE ELE FOI VÍTIMA E NÃO AUTOR, APESAR DOS TESTEMUNHOS, DO NOTICIÁRIO LOCAL E DAS REDES SOCIAIS RELATAREM E PRODUZIREM TESTEMUNHOS SOBRE O ASSUNTO QUE DESMENTEM ESSA VERSÃO

Vitor Rodrigues Fregulia é estudante de Física do Instituto Federal de Araranguá e continuava internado em Brasília, sem qualquer risco. Os Institutos Federais em Santa Catarina, incluindo o de Gaspar, tem sido redutos de resistência da esquerda. Tem até assessoria de imprensa plantada para defender os atos de estudantes e professores quando divulgados na imprensa e contrariam o fundamentalismo.

Arrogante, a assessoria sempre exige desmentidos, retratação laudatórias como se a imprensa tivesse que estar à reboque de suas ações ideológicas.

Os que fazem a cabeça desses jovens, deviam pelo menos ensinar aos seus militantes como lidar melhor com os artefatos explosivos para não deixarem provas contra si próprios ou proporcionarem mutilações indignas como aconteceu Vitor.

Aliás, contra quem seria usado esse rojão que explodiu na mão do estudante? E a imprensa bem quietinha sobre este assunto grave. Qual a razão que move um estudantes engrossar um protesto para defender as centrais sindicais tirarem um dia de trabalho por ano dos trabalhadores?
Herculano
25/05/2017 19:40
MIGUEL REALE PREVÊ DUAS ELEIÇÕES NO MESMO ANO

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto e entrevista de Pedro Venceslau. Um dos autores do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse ao Estado que vê motivos para um pedido de impeachment do presidente Michel Temer, mas defende a renúncia dele para evitar que o Brasil pare novamente. Constitucionalista, ele acredita que o processo de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral deve durar seis meses se o presidente decidir lutar pelo mandato.

Estadão - Há motivos para pedir o impeachment do presidente Michel Temer?

O conjunto da obra leva, sem dúvida nenhuma, ao enquadramento nas hipóteses do impeachment. Houve uma lesão à moralidade administrativa. Eu preferia, porém, o caminho da renúncia. O Brasil não aguenta mais um processo de impeachment. O processo é doloroso. Paralisa a Câmara e o Senado. O Brasil não pode parar.

Estadão - O que é mais grave, as pedaladas da ex-presidente Dilma Rousseff ou as denúncias contra Michel Temer?

São fatos completamente diversos e com consequências totalmente diferentes. As pedaladas levaram o Brasil à recessão econômica e à maior crise da sua história. As acusações à Dilma não se restringem às pedaladas. Havia na petição do impeachment a acusação que ela tinha conhecimento de toda a corrupção na Petrobrás e que dava cobertura a diretores da estatal que estavam envolvidos. Nós fazíamos referência à delação do (Alberto) Youssef, mas o Edurado Cunha excluiu isso da apreciação do impeachment. Ele não queria que fatos do mandato passado fossem apreciados porque pegariam ele na Comissão de Ética. Os fatos relacionados ao Temer são da velha política: conchavo, acerto, empresários desonestos e condutas nada republicanas.

Estadão - O mundo político tem trabalhado com um prazo para Temer: 6 de junho, quando o TSE deve julgar a chapa. Mas quanto tempo o presidente pode ganhar recorrendo?

Estão esquecendo que a Justiça Eleitoral tem recebido no julgamento muitos recursos de apelação. Cabem recursos ao STF (Supremo Tribunal Federal) que podem culminar, por meio de liminar, em efeito suspensivo.

Estadão - Quanto tempo os advogados de Michel Temer podem ganhar?

Uns seis meses para ser julgado no Supremo Tribunal Federal. Dilma também vai recorrer. Mas Temer é um animal político. Quando ele perceber que não tem mais apoio político, é possível que negocie sua renúncia.

Estadão - Podemos ter duas eleições no mesmo ano?

Sim, uma indireta e uma direta no mesmo ano.

Estadão - O sr. era muito próximo ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ainda há espaço para ele na política?

Lógico que fiquei frustrado e entristecido. Acho que há pouco espaço de recuperação política para ele. Dificilmente isso será superado.

Estadão - Pode ser mais rápido um processo de impeachment na Câmara que a cassação pelo TSE?

Se a Câmara afastar o presidente Temer, não há nova eleição. Quem assume é o presidente da Câmara.

Estadão - Qual o perfil ideal do candidato em caso de eleição indireta?

Para começar, tem que estar inscrito em partido político. Isso está na Constituição. Dentro da política há nomes como Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Alvaro Dias (PV-PR). Fora da política, tem o Pedro Parente (presidente da Petrobrás).

Estadão - FHC e Rodrigo Maia são bons nomes?

Fernando não vai entrar em mandato-tampão depois de ser duas vezes presidente. O Maia não tem liderança e ainda tem um processo contra ele na LavaJato.
Herculano
25/05/2017 19:34
TEMER NO CAMPO DE BATALHA, por Ilimar Franco, em Os Divergentes

Na vida e na política o que importa são os símbolos. A intervenção das Forças Armadas no protesto de quarta-feira, em Brasília, passou uma imagem de despreparo, fragilidade e truculência. Claro, embora os de sempre digam que é preciso reprimir essa gente.

Na gestão do ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (2005/2007) houve uma tentativa de invasão da Câmara. Ocorreram embates entre manifestantes e a segurança legislativa. Mas tudo foi resolvido e negociado sem chamar as Forças Armadas.

Manifestantes podem ter passado da medida, como os que participaram do quebra quebra contra o então governador do Rio, Sergio Cabral, em 2013. Bombas contra o prédio de Cabral. Depredação em lojas e bancos. Mas foi enfrentado e resolvido pela Polícia Militar.

Acuados, o governo e seus aliados tentam fazer uma defesa envergonhada da intervenção militar. Citam Rio+20, Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos Rio-2016. É como comparar coquetéis molotov com fuzis militares, metralhadoras e bazucas. Cada um na sua. É como comparar dar uma satisfação a estrangeiros com, digamos, a satisfação do Planalto.

Sem falar, como lembram analistas, que o governo Temer deu vida e uniu entidades sindicais que perderam, há muito, sua importância no cenário político e junto aos trabalhadores.

A intervenção militar foi solicitada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Este está empenhado em demonstrar serviço para o mercado e o Palácio do Planalto. Sua bandeira são as reformas da previdência e trabalhista. Sem elas, passa em branco no posto, quanto tantos outros.

Foi executado com regozijo pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann. Aquele que não deixou o governo mesmo após decisão de seu partido, o PPS, EX-PCB. Esta talvez tenha sido a coisa mais importante que fez na sua vida.

E concedida pelo presidente da República, Michel Temer. Ele tem como pretensão ser o presidente das reformas, mas corre o risco de entrar para a história como o presidente SOS Forças Armadas.

FLAGRANTES DA VIDA REAL

1. O presidente Temer pede pressa para tratar dos fatos que o envolvem na Lava Jato. Mas quer que um dos seus retarde o julgamento da cassação da chapa Dilma/Temer no TSE.

2. O PT foi ridicularizado quando denunciava o abuso de autoridade do juiz de PRIMEIRA INSTÂNCIA Sérgio Moro. Agora, PMDB E PSDB adotaram o discurso do autoritarismo judiciário contra o ministro do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, Edson Fachin.

3. O presidente do PSDB, Aécio Neves, não defendia em público a aprovação da anistia para o Caixa 2 e da lei de abuso de autoridade. Mas chamou de "m?" os presidentes do Senado, Eunício Oliveira, e da Câmara, Rodrigo Maia, por não enfrentarem a opinião pública. Queria que eles colocassem a cara a tapa, enquanto ele usava uma máscara.

4. As gravaç?es de Joesley Batista Friboi causam repulsa nos atingidos. Mas onde estavam quando o senador Delcídio Amaral fez as suas?

5. Há uma indignação contra a divulgação de fatos que não seriam necessários à investigação. Mas isso já ocorreram outras vezes, diante do silêncio do distinto público.

6. A presidente Dilma foi denunciada por pretender dar foro privilegiado ao convidar o ex-presidente Lula para assumir a Casa Civil. Dizem que o presidente Temer dá foro privilegiado ao manter em seus cargos ministros investigados pela Lava Jato.

7. Não há nada como um dia depois do outro, diz um ditado popular. Mas nada disso é novidade. Basta ter lido "O Puxa-Saquismo ao Alcance de Todos" do jornalista pernambucano Nestor de Hollanda, publicado em 1963 no Rio. Acho que também é uma boa leitura outro de seus livros: "A Ignorância ao Alcance de Todos".
Herculano
25/05/2017 19:06
QUAL É MESMO A DIFERENÇA ENTRE O PT E O PMDB?

Quem é leitor ou leitora desse espaço sempre leu isso com frequência aqui.

Leu também, que eu penso e ter escrito ser nenhuma essa diferença. O modo de governar, enganar e sugar sempre foi o mesmo

O PMDB é uma federação de gigolôs do poder. Parte ponderável, e coloca ponderável nisso, do caos em que está metido o Brasil é culpa do PMDB, que nasceu MDB, unicamente para "combater" a situação Arena e a ditadura militar. O PMDB não foi feito para governar.

Qual foi o pior governo do Brasil civil pós ditadura militar? O de José Sarney, PMDB, vice de Tancredo Neves, o eleito e que nunca assumiu ou governou.Morreu antes.

Ali o PMDB já aplicou o golpe para ficar no poder, pois o correto, se seguida a Constituição, deveria haver novo pleito ou escolha.

Sarney fez a maior inflação que os brasileiros já conheceram na história antiga e recente; a maior dívida externa, a falta de crédito internacional, atraso tecnológico sob todos os aspectos com o protecionismo desmedido daquilo que já era atrasado, houve falta de alimentos básicos entre eles carne, leite. Um caos. Eu enfrentei filas para comprar alimentos escassos, "tabelados" ou racionados para meus filhos.

Quando Fernando Henrique Cardoso, PSDB, se elegeu, sob a propaganda do sucesso do Plano Real que estabilizou minimamente o país no campo econômico e produtivo, criado por um ex-peemdebista, Itamar Franco, que foi presidente por acaso, após a deposição por impeachment do titular Fernando Collor de Mello, o PMDB, se agarrou no poder, usufruiu, chantageou ao máximo FHC para dar a governabilidade mínima, mas como marca do atraso, impediu várias reformas.

Quando o PT ascendeu ao poder, prometendo liberar a porteira da moralidade e ética, fatos que incomodavam o PMDB, para que pudesse empregar e roubar mais e mais os pesados impostos dos brasileiros via a estatais, o PMDB, mudou de lado.

Abandonou o PSDB, o antigo PFL e virou amante de cama do PT e armou a debandada de protetores de ocasião, incluindo o PP, parte do PFL que virou mais tarde PSD...

O PMDB sempre foi gigolô do poder. Sempre olhou os seus bolsos, nunca o país, o estado, o município onde governa. Há raras, mas há, exceções. O PMDB, como a maioria dos partidos e políticos, vive o presente como se fosse o último e único dia da vida dele. Nunca discute futuro. Nem fala de passado.

Agora, o PMDB é poder do acaso, e descobre-se que é tão bandido quanto o PT do qual foi sócio por 13 anos para destruir o país, as instituições e se locupletar na corrupção desenfreada de bilhões contra os brasileiros, recursos que faltam à saúde, educação, assistência, segurança e obras essenciais à competitividade e desenvolvimento,como aqui a duplicação da BR 470.

O PMDB é uma federação de interesses individuais ou de grupos que usam a sigla. Uma vergonha. Está no poder com Michel Temer, mas já está tramando contra ele, para salvar a pele individualmente e olhando quem será o próximo no poder para se agarrar como gigolôs profissionais que é e extrair vantagens como sempre fez para si e os seus. O próprio PMDB já está dividido esperando o próximo lance que o deixe em posição vantajosa, para pedir mais.

Descobre-se coisas do arco da velha a cada delação. Descobre-se por exemplo que o ex-prefeito e Florianópolis,o senador Dário Berger, PMDB, que é contra a Reforma Trabalhista, contra a Reforma da Previdência, ganhou R$1 milhão da JBS para trair o pai do PMDB catarinense, o ex-governador Luiz Henrique da Silveira, na disputa pela presidência do Senado, em favor de um dos maiores bandidos do país, Renan Calheiros.

Meu Deus. Berger nega. Se nega, e se contradiz nas provas e evidências, traiu a JBS e Renan, o vencedor? Se não traiu por que segue agora, as orientações de Renan contra Temer, contra a estabilidade mínima de um governo do seu próprio PMDB?

Afinal, qual a diferença entre o PT e o PMDB?

Em Gaspar, o PMDB quando foi governo, Bernardo Leonardo Spengler, o Nadinho, foi o único que não conseguiu terminar o seu mandato por dúvidas administrativas. O partido conspirou. Resultado? Elegeu o PT.

Quando foi governo pela segunda vez com Adilson Luiz Schmitt, ele teve que sair do partido, pois a ganância e os jogos de interesses, numa chapa que reuniu o sapo e a cobra para vencer o PT da época, foi tão grande, que tudo se tornou ingovernável, ajudada pela incapacidade de Adilson para manobrar e liderar com inteligência mínima o jogo.

Quem conspirou contra Adilson? O próprio PMDB. Não foram os aliados de chapa. Resultado? O PT voltou outra vez ao poder.

Agora o PMDB está de volta à prefeitura de Gaspar com Kleber Edson Wan Dall. Reclama do estado de desorganização que o PT deixou o município. Talvez seja verdade, porque muito do que reclama, só eu aqui dei, fui perseguido e sob o silêncio aproveitador do PMDB.

Então o PMDB de Gaspar está chorando de barriga cheia, ou está experimentando do veneno que inoculou em si próprio para ver eu entregue as feras.

Primeiro o PMDB não explicita as suas reclamações contra o PT com provas. Segundo, não o acusa por medo, incapacidade ou conluio. Terceiro, o PMDB de Gaspar foi incompetente na oposição ao PT para evitar que esse caos fosse, ao menos, menor. Ou seja, não fez o seu papel que lhe cabia e era obrigação pela cidade e os cidadãos.

Então, qual a diferença entre o PT e o PMDB no plano nacional, estadual e local? Nenhuma. E quem paga esta conta dos abusos, omissões, ações e absurdos? Nós com os votos que legitimamos como governantes (presidente, governadores e prefeitos) ou fiscais (senadores, deputados e vereadores) e com os pesados impostos, que são desviados e aos quais insistem não dar transparência na aplicação deles a favor dos cidadãos e eleitores. Wake up, Brazil! Acorda, Gaspar!
Herculano
25/05/2017 18:00
LULA JOGA A TOALHA DAS DIRETAS

Conteúdo de O Antagonista. A Folha publicou que "Apesar de se pronunciar em público em favor das eleições diretas, o PT já avalia como irá agir no pleito indireto que a Constituição determina caso o presidente Michel Temer (PMDB) perca o cargo.

Segundo a Folha apurou, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o partido a negociar o apoio ao processo indireto".

Isso significa que Lula jogou a toalha para tentar fugir para o Palácio do Planalto ainda este ano. Ele agora se contenta em fugir de Sérgio Moro com a ajuda de políticos do PMDB ou do PSDB.

RENAN SERÁ DESTITUÍDO DA LIDERANÇA

A destituição de Renan Calheiros da função de líder do PMDB deverá ser concretizada na próxima terça-feira, às 15h.

Ontem, no início da noite, 14 senadores do partido se reuniram. Romero Jucá 'falou grosso' com Renan, repetindo o que havia dito a ele momentos antes no plenário: que o colega tem o direito de agir como quiser politicamente, mas não como líder da bancada.

A situação de Renan na liderança se agravou depois que ele teria prometido a centrais sindicais que trocaria os nomes da legenda em comissões para tentar barrar as reformas de Michel Temer.

CORRA PALOCCI; CORRAM TODOS

Andréia Sadi {Globo News} confirmou o que dissemos: a delação da JBS apressou a delação de Antônio Palocci.

É melhor todos correrem, porque não haverá água limpa para todo mundo.
Herculano
25/05/2017 17:43
AMOR À DESORDEM E MEDO DA ORDEM?, por Claudio Humberto, no Diário do Poder.

O Exército na rua excitou a imaginação da esquerda, temendo "ameaça autoritária", e da direita, que sonha com militares no poder. O Exército foi acionado porque não havia número suficiente de soldados da Força Nacional em Brasília. Indagado sobre a diferença entre garantir a ordem com o Exército ou a Força Nacional, o ministro Raul Jungmann (Defesa) de longo histórico de esquerda foi curto e grosso: "Nenhuma".

Além de covardes, os mascarados são burros. Com suas bombas, pedras, e coquetéis molotov, ajudaram o governo que querem derrubar.

Continuam com a cabeça nos anos 1960 os políticos que protestaram contra o Exército nas ruas para restabelecer a ordem. Maior atraso.

Há fartura de fotos e imagens dos delinquentes que tentaram incendiar ministérios, veículos etc. Mas, outra vez, ficarão impunes.

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