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Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

10/03/2009

Manchete I

"Cinco mudanças na equipe de Zuchi". Esta foi a manchete do jornal Cruzeiro do Vale na última sexta-feira. Os meus leitores já sabiam disso há duas semanas: ou pelo próprio Cruzeiro, ou pelo meu blog. Quando publiquei as informações e as reconfirmei com detalhes, a administração gasparense as tratou como galhofa; fez discursos desmentido e desqualificando a informação. De quem é a galhofa? Aos meus leitores garanto que têm mais outras. Aguardem. Acorda Gaspar.

 

Tática

Por outro lado, o pessoal do PT de Gaspar diz que o prefeito Pedro Celso Zuchi está até muito satisfeito com as "desnomeações". Zuchi foi eleito com um arco branco de apoios e "alianças". Todos não identificados com o PT ou com a "esquerda". Alguns até, só fizeram isto por vingança a quem eles haviam apoiado anteriormente, o ex-prefeito Adilson Luís Schmitt, PSB.

 

Calculado

Inegavelmente, Zuchi cumpriu todos os acordos. Aceitou quase todas as indicações. Sabia de antemão que algumas delas, chaves, não vingariam por falta de competência, falta de tempo e até incompatibilidade dos preceitos da administração pública. Tudo no esquema e no cálculo de risco. E para alguns deles, nem fogo amigo precisou para expor o estranho no ninho à execração pública para a defenestração. Acorda Gaspar.

 

Recomeçar

Agora, Zuchi está lavando as mãos. Certo ou errado, só o tempo dirá. Se os indicados não deram conta do recado ou não podem continuar por impedimentos legais, chegou a vez de Zuchi e do PT colocarem em campo o time que acham ideal e capaz, inclusive com os estrangeiros que prometeram não trazê-los. Não terão dor na consciência e pensam que ninguém poderá reclamar. Os apoiadores e influenciadores tiveram a vez e a deixaram escapá-la. O verdadeiro governo de Zuchi está prestes a começar, dizem. Então vamos esperar. Acorda Gaspar.

 

Voluntário?

O governo de Pedro Celso Zuchi admitiu publicamente que pelo menos um secretário dele é voluntário. Há quem jure que exista outro que é de fachada e nada entende da pasta. Só assina. Na Lei Orgânica do Município não há figura do secretário voluntário até porque ele precisa ser nomeado em ato público oficial para ter responsabilidade administrativa. Um manda e outro responde juridicamente pelos atos e conseqüências oficiais? Eu, heim! Esta anomalia jurídica não existe no mundo do Direito Administrativo e Constitucional. Tem gente que está se expondo por pouca coisa, por birra e o poder de influenciar. Acorda Gaspar.

 

Manchete II

"Collor derrota Ideli". Está ai um alerta para a senadora Ideli Salvatti, PT, virtualmente candidata ao governo de Santa Catarina nas próximas eleições. Ela foi derrotada no Senado com ajuda do próprio presidente Luís Inácio Lula da Silva, a quem Ideli foi, como líder, sempre um cão feroz de defesa de muitas coisas, inclusive as indefensáveis. Havia uma tradição no Senado e ela tentou "quebrá-la", para no fundo ter o poder. Disfarçadamente justificou que era para "retribuir acordos".

 

Bastidores

Esclarecendo. Os vencedores José Sarney AP, presidente do Senado, e seu articulador o duvidoso Renan Calheiros AL, ambos do PMDB, selaram o ex-presidente da República e de triste memória, o carioca Fernando Afonso Collor de Mello, PTB- AL, na presidência da comissão de Infraestrutura, uma das principais do Senado. Ideli ao ser candidata à presidência da referida Comissão queria, vejam só, "retribuir" ao PSDB os votos de rebeldia de última hora dados ao Tião Vianna, PT do Acre, na disputa que elegeu Sarney. Alguém acredita? Sim: os ingênuos.

Senadora Ideli

Ideli se quiser ser candidata a governadora com reais chances precisa incorporar sabedoria, estratégia e o senso das estadistas. Ela continua sindicalista, ativista, vereadora e com compromissos de curto prazo. Enrola ou não os cumpre. Ela é inteligente, mas centralizadora, sua equipe submissa e ainda não a ajuda neste novo desafio estratégico de enxergar longe. É preciso mudar a percepção. É preciso criar laços e confiança. É preciso construir. Se ela não mudar, a manchete desta semana poderá se de uma outra e semelhante em outubro de 2010. Veja o meu blog www.cruzeirodovale.com.br, clique em blogs e em "olhando a maré".

 

Cobrança I

Na sexta-feira, na sede da AMMVI, em Blumenau, reuniu-se extraordinariamente em audiência pública para prestar contas a Comissão Externa da Câmara para Acompanhamento das Calamidades em Santa Catarina. Ela é presidida pelo deputado Paulinho Bornhausen, DEM. Um teatro. O prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, de Gaspar, estava lá. Ele cobrou direto, firme e forte as verbas e as ações. Fez bem. Parabéns. Todavia, faria melhor ainda se cobrasse com tanta intensidade e em público a senadora Ideli Salvatti, PT, sua madrinha de palanque, que dizia ter as chaves das portas do Palácio; o canal direto com Lula e os caminhos dos "cofres" do governo Federal para Zuchi e os gasparenses. Gaspar agradeceria. O resto é jogar para platéia. É partidarizar ou arrumar desculpas com o sofrimento de milhares. Acorda Gaspar.

 

Cobrança II

Na época da catástrofe a Senadora passou por aqui e prometeu em palavras, mundos e fundos sobre este assunto. Nem falo da campanha política, que de prático até agora, parece que vem o Ifet, prometido há dois anos. Hospital, ponte do Vale e o Anel de Contorno, por exemplo, nada. Neste final de semana, Ideli esteve mais uma vez o tempo todo em Joinville que aniversariou e é um dos maiores redutos eleitorais de Santa Catarina. Gaspar é pouca coisa comparada com Joinville. Está na hora de se tirar a política partidária deste assunto catástrofe ambiental ou ficar usando a desgraça alheia para cabalar simpatias e apontar culpados. Todos nós precisamos de soluções urgentes e não de culpados. Pois culpados, todos nós já somos. Acorda Gaspar.

 

Adilson I

Na coluna da semana passada registrei a vinda do governador Luíz Henrique da Silveira, PMDB por aqui. E na nota "Gaspar III", eu observei que "com o gesto, o governador no mínimo deu três recados e um deles era: que o seu afastamento de Gaspar teve uma origem inconciliável, o ex-correligionário e prefeito, Adilson Luís Schmitt, hoje no PSB". Adilson não concordou e me fez chegar fotos do ato e um documento escrito de próprio punho e assinado pelo governador no dia 26.06.2005. Ele foi testemunhado pelo vice, Clarindo Fantoni PP, pelo secretário regional Paulo França, PMDB e por então por dez vereadores. Nele estava os compromissos bilaterais do asfaltamento da Francisco Flávio Dias. Isto não se concretizou e teria sido o início da discórdia, das acusações e do inconciliável. Gaspar, os gasparenses e blumenauenses perderam.

 

Adilson II

A outra teria sido a promessa de investimentos do governo do Estado aqui. Como contrapartida, o prefeito e seu vice teriam que buscar investidores para o Fundo Social estadual. Adilson diz que conseguiu mais de R$5 milhões. Quando foi cobrar a fatura, ouviu um sonoro não dos técnicos da secretaria da Fazenda. E a coisa teria piorado quando além de ouvir um não por falta de recursos no Fundo, viu logo em seguida semelhante quantia ser liberada pelo Fundo para Blumenau à construção da Vila Germânica. Resultado: Adilson virou bicho. Perdeu-se o rumo de tudo. E a história é bem conhecida de todos. Trato deste assunto no meu blog. Acesse-o.

 

Memória

A casa do ex-prefeito Pedro Krauss (1961-1966) está, finalmente, sendo demolida. Aos poucos o Centro vai perdendo a memória, a história e a identidade para os especuladores. A cidade vai sendo sufocada por prédios, carros e a falta de vias para se circular. A qualidade de vida piora. Estamos engarrafados. O Plano Diretor é peça morta ou de negociação. O decreto 1.971/07, eixo da discórdia no governo passado foi revogado. Houve comemorações. Só o futuro julgará o erro quando chegar a desvalorização do Centro da cidade para quem pensava ser um bom negócio. Acorda Gaspar.

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