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SILVIO CLEFFI, PSC, INTERFERIA NA SAÚDE PÚBLICA GASPAR COMO MÉDICO E POLÍTICO. ELA SE TORNOU UM CAOS NO GOVERNO DO IRMÃO KLEBER, SEU PADRINHO NA POLÍTICA. - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

SILVIO CLEFFI, PSC, INTERFERIA NA SAÚDE PÚBLICA GASPAR COMO MÉDICO E POLÍTICO. ELA SE TORNOU UM CAOS NO GOVERNO DO IRMÃO KLEBER, SEU PADRINHO NA POLÍTICA. - Por Herculano Domício

11/06/2018

COMO FOI PARA A OPOSIÇÃO PARA TER PODER, STATUS E SER PRESIDENTE DA CÂMARA, SILVIO QUER, MAS NÃO PODE MAIS DAR AS CARTAS NA SAÚDE. ENTÃO INVOCA Á ÉTICA MÉDICA, DESQUALIFICA ÀS MUDANÇAS PARA SUGERIR QUE ELAS VÃO PIORAR O QUE AINDA ESTÁ RUIM.

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, bem como o seu novo e terceiro secretário de Saúde em 15 meses de governo, o advogado Carlos Roberto Pereira, anunciaram na semana passada mudanças no sistema de atendimento de urgência e emergência do ambulatório Hospital de Gaspar, o que está em perpétuo socorro há anos.

Como os postinhos funcionam mal, o atual governo o transformou o Hospital num grande ambulatório municipal para justificar o caminhão de dinheiro do povo que despeja lá. Agora, o ambulatório funcionará 24 horas.

E para isso anunciaram a contratação de 11 “novos” médicos, via uma empresa de médicos, fato que foi devidamente escondido e não foi explorado. Além de ampliar o horário de atendimento, promoveram mudanças no tal sistema de sobreaviso dos médicos especialistas. Tudo isso, com uma suposta economia de R$19 mil por mês. O presidente da Câmara, o médico Silvio Cleffi, PSC, condenou essa mudança feita pelos gestores do município para supostamente melhorar o atendimento naquele ambulatório.

Para o médico e político Silvio, mesmo sem testar o modelo, nada do que se mudou vai dar certo. Simples: ele não foi consultado, foi surpreendido e dar aval com os médicos que o cercam e que até agora não deram conta de uma solução para o problema.

O QUE ESTÁ RUIM DO JEITO QUE ESTÁ NÃO PODE FICAR

Primeiro fato registrei na coluna de sexta-feira e feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo e líder em circulação em Gaspar e Ilhota: até a suposta boa notícia, ou seja, mais médicos e ampliação do horário, ela nas redes sociais, foi mal recebida pela população. Esta percepção, por si só, mostra o quanto desgastado está essa área e quanto falha a comunicação do governo, que não é estratégica, mas fazedora de press releases. Não é a toda que também experimentando a terceira titular. Sintomático. Natural.

E uma das principais queixas dos “clientes” do Hospital e que não são tratados como tal, até porque não tem opções por aqui – desmentindo os políticos que furam filas ou levam lá seus parentes e não passaram por esse reiterado perrengue que acomete e testemunham os comuns, seus eleitores e eleitoras, era quanto ao mau humor - e até desprezo - no atendimento dos médicos. Tudo isso depois dos adoentados, sofredores e desesperançados ficarem quase esquecidos por horas seguidas na recepção do hospital. Então a queixa é para coisa simples e óbvia de relacionamento e não apenas clínica.

O segundo fato, registro agora.

Ele, entretanto, é uma repetição de sucessivas observações que já fiz aqui e sempre contestadas, inclusive na sessão passada pelo próprio Silvio. É algo que conheço bem em Gaspar pelo menos desde 1983: a intocável corporação médica. Nada pode mudar em favor do paciente, da gestão dos ambientes de saúde pública e da gestão do dinheiro escasso empregado nessa área mas que não resolve a demanda de atendimento, exames e procedimentos a favor dos doentes.

O Hospital – que ninguém sabe de quem é – está quebrado e endividado – dados desencontrados pela falta de transparência dão conta de um passivo de R$15 milhões - mas todos os médicos, assim como os seus funcionários estão com seus direitos em dia. A população, no outro lado, todavia, está mal atendida e o dinheiro público – que vem dos impostos dessas pessoas - e que se coloca lá, apesar de aumentar exponencialmente nos últimos tempos, é sempre menos – se queixa os gestores e médicos - do que a real necessidade do Hospital.

Resumindo: essa conta não fecha e se agrava, principalmente se nenhuma ação for tomada para interromper esse cilco vicioso. E é preciso, no mínimo, colocá-la sob controle e transparência com os gasparenses. Já escrevi: hospital não é lugar de lucro, mas não é um lugar para jogar os pesados impostos de todos no lixo, usando a doença, as queixas, a urgência e emergência como desculpas.

MUDANÇAS INCOMODAM AINDA MAIS ÀS PODEROSAS CORPORAÇÕES

Então, não tardou o contraponto da classe médica às mudanças propostas pelo governo Kleber que banca o Hospital na semana passada. A maior queixa é que ela foi uma surpresa. Não pode? Ora se a prefeitura banca o ambulatório, se o Hospital está intervenção marota implantada pelo PT de Pedro Celso Zuchi, nada mais natural do que como gestor ter autonomia para fazer as mudanças para melhorá-lo e até errar.

Se o governo de plantão recebe as pedras da comunidade pelo reiterado mal atendimento do Hospital e dos médicos, principalmente no ambulatório de emergência e urgência, é óbvio que esse mesmo governo interfira para colocar sob controle o que não funcionava na percepção da população. Ah, os médicos não querem as mudanças? Então assumam – incluindo as dívidas e as caras obrigações que comem milhões dos cofres públicos sem a real contrapartida – e que o Hospital dirigido e bancado pelos médicos nomeie Silvio Cleffi para diretor clínico ou geral.

Errado ou certo, o doutor Pereira, que não é médico, e o prefeito que não é médico, e depende da boa imagem das coisas funcionando para a sobrevivência política, decidiram mudar o que não funcionava. Era a voz do povo pedindo. Kleber e o doutor Pereira correm mais uma vez o sério risco de errar e se deve dar o espaço para que isso aconteça. E acontecendo, quem arcará com os prejuízos financeiros, mais uma vez, será a população e os prejuízos de imagem, os políticos Kleber e o Pereira. É do jogo.

Mas, não! O contraponto veio pela veia torta dos interesses políticos da oposição e na voz do médico Silvio Cleffi, PSC, que é presidente da Câmara. E se travestiu de técnica. Veio antes de qualquer resultado que as mudanças pudessem produzir ao sentido pelas quais foram feitas: melhorar o atendimento ambulatorial de urgência e emergência no Hospital.

Nem se testou o novo sistema e Silvio já insinuou que não vai funcionar, que estão desprezando os atuais médicos e que o fato de alguém estar trabalhando lá há 15 anos teria uma suposta imunidade e uma vaga cativa por isso, mesmo que não queira a subordinação e não tenha resultado. E pior, invocou a ética médica para tudo ficar como está. E como está, não interessa aos pacientes ou doentes e na esbórnia, a pior imagem só interessa a oposição onde está Silvio hoje, aquela de quanto pior, melhor.

O DIREITO DE INTERFERIR, MUDAR, ERRAR E SER JULGADO POR ISSO

Quem paga a conta do Hospital – repito, que ninguém sabe de quem ele é? A prefeitura com os pesados impostos dos gasparenses. Quem precisa do hospital funcionando bem? Os doentes, pacientes, a população que o deseja confiável e os políticos no poder. Quem vai pagar se a mudança não der certo? Em primeiro lugar o governo Kleber, Luiz Carlos Spengler Filho e o supersecretário vestido de candidato a prefeito, Carlos Roberto Pereira, o alvo da ira da oposição.

Quem vai perder se a mudança de Kleber e do doutor Pereira não der certo? Mais uma vez os doentes, pacientes, gasparenses pagadores de pesados impostos e a oposição que perderá o discurso. Este parece ser agora o ponto central da discussão. Meu Deus!

Ora se quem paga a conta do Hospital que não funciona são os gasparenses com os pesados impostos, se foram os gasparenses que elegeram Kleber para gerir o município, se o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, jogou essa bomba nas mãos da prefeitura, natural é que Kleber tenha autonomia mínima para mudar o que não está funcionando em favor da sociedade – e dele próprio.

Mas, não, como escrevi, na sexta-feira, a oposição ao que parece, quer que o caos que ela instalou na saúde pública e no Hospital continue. Nem chances para se implantar um novo padrão no Hospital permite. Acha que vai dar errado. Gente estranha. Quer ser babá daquilo que não é seu cuidar, mas o de fiscalizar no resultado, no errado. E se não há resultado da mudança à avaliar – a mudança foi na semana passada -, não há o que desqualificar. Ou estão com medo de que pode dar certo? Estranha gente.

AFINAL DE QUEM É O HOSPITAL DE GASPAR

Notem leitoras e leitores que nada foi mexido no corpo clínico do Hospital que é algo apartado e seus médicos estão lá, todos intocáveis, apenas na área ambulatorial. Entretanto, o temor dos médicos é que esse vespeiro tem data marcada para ser tocado. Para Silvio Cleffi, os “novos” médicos que foram contratados não possuem nenhum compromisso com a comunidade. E daí? Eles devem ter compromissos com os resultados para os nossos doentes e a comunidade vem avaliando que isso está crítico – mesmo com “gente comprometida com a comunidade”. E a cobrança está forte contra quem os empregam, os que pagam com o dinheiro dos gasparenses: a prefeitura.

Silvio acha que se deve pedir referência deles. E está certo! Será que isso não foi feito? Era só o que faltava e aí dou completa razão a ele. Por outro lado, Silvio espanta todos quando diz que nunca lhe pediram provas de seus títulos. Irracional. Perigoso. Irresponsabilidade do empregador num ambiente tão sensível e técnico. Diz ele que precisa até, pedir atestado de bons antecedentes aos médicos. Também concordo. E aí gente que estava no ambulatório e no Hospital, por exemplo, teria dificuldades para continuar lá por causa disso e do passado, apesar de “comprometido com a comunidade”.

“Compromissos com a comunidade”, sabe o que é isso que o médico e político quer dizer quando o invoca? É para esconder as deficiências de produtividade, pontualidade e doação. É o passar a mão na cabeça, relevar os erros numa área técnica, evitar cobranças e melhorias, e deixar tudo como está, resistindo às mudanças. Só isso.

Depois que o principal secretário de Kleber que nem de longe é identificado com a área foi emergencialmente para a Saúde, a corporação médica com Silvio Cleffi, PSC, o que traiu Kleber, irmão de templo e sua cria política, não deu mais sossego na tentativa de continuar a interferir, errar, mas colocar a culpa nos outros e usar isso a seu favor no campo político. Incrível!

UM PACTO MANCO PARA UMA DISPUTA POLÍTICA

A primeira do médico, do presidente da Câmara e do PT, PDT e PSD foi o de inventar um “pacto pela saúde”. Seria da Câmara, mas só reuniu os sete vereadores da oposição. Negou-se a participação dos demais. E até agora, Silvio não disse quanto a Câmara vai economizar e contribuir com o Hospital, por exemplo.

Ao contrário, como presidente da Câmara, Silvio está tentando inchar com cargos comissionados de altos vencimentos para assessorá-lo que vai tomar o grosso dinheiro que poderia ser devolvido para o Orçamento do município. Esse pacto da Câmara na área de saúde se mostrou oportunista por tudo que se desnudou dele até agora. Silvio percebeu a fragilidade de Kleber nessa área e quis ocupar esse espaço mesmo se bandeando para a oposição onde ele deu a maioria para ela.

A segunda, foi trazer para si eventuais pequenas conquistas feitas exclusivamente pelo Executivo e sem a sua participação, mesmo que indireta. No discurso aproveitou os tímidos avanços ou mudanças e os atrelou ao seu “pacto” ou “unida” oposição para não perder o discurso e o bonde. Esse vai e vem, é contraditório. O que avança e lhe serve é crédito do seu pacto. O que atinge às suas ideias ou aos interesses da corporação médica no conforto, é ruim ou é do prefeito?

A terceira foi a de “descobrir”, acertadamente, que o regulador do município e diretor clínico do Hospital, era um médico suspenso e que exercia irregularmente por essa penalização, as funções quando deveria estar afastado. Mesmo acertando, sabe-se que foi um recado de fiscalização permanente e uma retaliação ao governo de Kleber.

A quarta foi apontar ao Conselho Federal de Medicina à falta de um diretor clínico na secretaria de Saúde, exigência de 1932, repito, de 1932 e não cumprida, por ninguém até hoje e à vista de todos os médicos. Incrível. Então, ingenuidade é pouca. Isso, os médicos e Silvio sabiam há anos.

E enquanto não sofreram contestação do poder de plantão, os médicos e incluindo Silvio, foram coniventes com essa irregularidade. Todos calados. A denúncia só veio quando mexeram no calo de todos e Silvio se bandeou para a oposição e resolveu fazer a sua parte.

E por derradeiro, nesse mesmo caso, Silvio Cleffi abriu um novo flanco de divergência e embate na Câmara e em nome da classe médica a qual representa para dar recados, negociar e interferir: quer que essa função seja ocupada, já que se é obrigado a cria-la no organograma funcional, por um efetivo, concursado e não um comissionado como quer Kleber e o doutor Pereira, pois além de custar menos, entende a prefeitura que o médico vai exercer uma função de confiança do governo de plantão. Hoje é Kleber. Amanhã poderá ser da oposição.

Resumindo: os doentes sofrem, enquanto os políticos – pagos com os pesados impostos de todos para supostamente servir à sociedade - defendem os seus nacos de interesses partidários e corporativos. É uma vergonha!

COMUNICAÇÃO ZERO

Se é uma coisa que o governo de Kleber, Luiz Carlos e Pereira falha é a comunicação. E não escrevo da “diretoria” específica, onde ela é feita por curiosos com diplomas. E mesmo que houvesse alguém capaz, com viés estratégico, seria inútil, pois é obrigado a se subordinar à gente que não entende do riscado e obrigado a fazer press releases. Como diz o proprietário e editor deste Cruzeiro do Vale, Gilberto Schmitt, “algumas vezes dá vergonha lê-los”.

Até nisso dão chance à vitimização de Silvio Cleffi, PSC, que na verdade é mais que um médico cardiologista ou vereador, é presidente de um poder, o Legislativo, e como tal deve ser respeitado pelo outro poder, o Executivo.

Picuinhas à parte, agora convidá-lo, por whattsapp, às 22h27min do domingo para um evento da magnitude que foi o anúncio da mudança, para a segunda-feira pela manhã cedo, é algo que beira o crime, porque é intencional, e faz parte do jogo que se nega à transparência do Executivo não só com o Legislativo, mas com a cidade e os cidadãos.

E aí, os vereadores da situação, em coro, na sessão, confirmam que eles também foram “surpreendidos” pelo mesmo tipo de convite, às pressas e no mesmo horário noturno? Ou seja, ratificam que estão sendo feitos de bobos e desrespeitados pelo próprio prefeito, vice, secretário de saúde e o chefe de Gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, o que em tese é o responsável por essa comunicação e articulação política? E não é a primeira vez que isso acontece. Meu Deus!

Primeiro. Esse tipo de mudança anunciada no Hospital não se faz do dia para a noite. Ela é pensada e negociada, pois se contratou uma empresa, que está trazendo esses médicos para promover a mudança no ambulatório. Há uma previsibilidade mínima e não é de um dia para o outro. O próprio Silvio, disse na tribuna que os médicos do Hospital “sabiam” desse assunto há pelo menos um mês. Então ele não foi tão surpreendido assim.

Segundo. Que se queira “surpreender” para evitar embaraços e boicotes por parte da corporação médica ao projeto de mudanças – e que fica bem explicito neste artigo -, é sensato, prudente e natural.

O que não é sensato, prudente e natural é esconder tudo até a última hora, algo feito no ambiente público, a tal ponto de humilhar até à sua própria base com convites à última hora, como se ninguém tivesse agenda, nada para fazer em Gaspar a não ser estar disponível para esperar convites surpresas e de última hora do Executiva. E depois o governo de Kleber, Luiz Carlos e do doutor Pereira, na arrogância e deselegância, diz que não sabe a razão pela qual é surpreendido e malhado pelos próprios que os cercam. Acorda, Gaspar!

 

Edição 1855 - segunda-feira

Comentários

Herculano
12/06/2018 06:16
HOJE É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA E ESPECIAL PARA OS LEITORES E LEITORAS DO PORTAL CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ANTIGO, ATUALIZADO E ACESSADO DE GASPAR E ILHOTA
Herculano
11/06/2018 20:55
FERNANDO MORAIS FAZ PROPAGANDA DO PRESIDIÁRIO NO TRIBUNAL

Conteúdo de O Antagonista.Ao prestar depoimento em defesa de Lula, Fernando Morais atribuiu a seguinte frase a Bono Vox:

"Depois da morte de Mandela, só existe no mundo uma pessoa capaz de juntar ricos e pobres, pretos e brancos, magros e gordos, e essa pessoa se chama Luiz Inácio Lula da Silva".

Sergio Moro cortou:

"O processo não deve ser usado para esse tipo de propaganda".

Fernando Morais perguntou:

"Posso fazer uso da palavra?"

Sergio Moro respondeu:

"Não, o senhor pode responder as perguntas que forem feitas".

Fernando Morais acompanhou Lula em sua viagem a Cuba, em jatinho fretado pela Odebrecht. Enquanto o lobista negociava contratos para a empreiteira, Fernando Morais apresentava seu livro.

A Companhia das Letras encomendou-lhe a biografia do presidiário.

É vergonhoso.
LEO
11/06/2018 17:37
HOJE A PREFEITURA APRESENTOU O NOVO ADMINISTRADOR DO HOSPITAL ELSON MARSON JUNIOR.ESPERO QUE ESTE ADMINISTRADOR DO HOSPITAL.DESCUBRA E FALE QUAL É A REAL DIVIDA DO HOSPITAL DE GASPAR.
Herculano
11/06/2018 11:44
"TUCANOS FICAM MUITO EM CIMA DO MURO, MAS EU NÃO", DIZ DORIA

Conteúdo de O Antagonista.Em sabatina de Folha, UOL e SBT, João Doria foi questionado sobre o posicionamento de mais de dez tucanos que votaram a favor da "bomba fiscal" aprovada pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) na semana passada, com aumento no teto do funcionalismo público e forte impacto nas contas do estado, a ser eventualmente gerido pelo ex-prefeito.

"A iniciativa não foi do PSDB", alegou Doria. "É importante só registrar: a iniciativa foi de um deputado do PTB, partido aliado do governador Márcio França."

Uma entrevistadora lembrou que o PTB também é aliado de Geraldo Alckmin na campanha presidencial e que o deputado Campos Machado, autor da proposta, chamou o ex-governador até de "irmão".

"Pois é, quem tem irmãos assim não precisa ter inimigos", alfinetou Doria, entre risos, registrando em seguida que, apesar dos votos a favor, alguns deputados do PSDB votaram contra a bomba fiscal, orientados pelo presidente do diretório estadual, Pedro Tobias.

O ex-prefeito tentou sair da questão de fundo pela tangente.

"Se eleito governador, nós teremos que rever essa posição e olhar novamente isso, principalmente face à questão orçamentária."

"Rever como?", insistiu uma entrevistadora.

"Nós temos que estudar. Eu não quero aqui ser tucano e ficar em cima do muro, porque não é meu jeito, não é meu estilo", disparou Doria.

"Tucanos ficam em cima do muro?", perguntou a entrevistadora.

"Tucanos ficam muito em cima do muro. Mas eu não fico em cima do muro. E essa nova etapa da tucanagem não vai ficar em cima do muro. Eu prefiro ser julgado por ter uma atitude, ainda que [venha a ser] condenado por ela do que não sofrer o julgamento pela covardia de não tomar nenhuma atitude. Então, neste tema específico, nós vamos estudar, analisar, face à questão fiscal."
Herculano
11/06/2018 11:37
A BANALIDADE DO ARBÍTRIO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Parece livre de obstáculos o caminho de arbitrariedades trilhado por alguns membros da Polícia Federal (PF), do Ministério Público (MP) e do Poder Judiciário em uma autoatribuída cruzada anticorrupção. Ela não raro vem carregada de um ar messiânico na fala e nas ações de seus integrantes, mais preocupados com a opinião pública do que com o respeito às leis. Uma cruzada que seria por demais importante para ter de lidar com "óbices" como a Constituição.

O pedido de quebra do sigilo telefônico do presidente da República é exemplar destes tempos esquisitos, em que a banalidade do arbítrio se instalou justamente entre alguns dos que deveriam ser os primeiros a venerar a lei.

A quebra do sigilo telefônico do presidente Michel Temer foi requerida pela PF ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura o suposto pagamento de R$ 10 milhões ao MDB pela Odebrecht. Em troca do financiamento ilegal de campanhas eleitorais do partido, a empresa teria sido favorecida em contratos com o governo federal.

De acordo com o inquérito - que, pasme o leitor, tramita em segredo de justiça -, a negociação para o repasse do dinheiro teria ocorrido em 2014 no Palácio do Jaburu, envolvendo Michel Temer, então vice-presidente de Dilma Rousseff; Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira; Moreira Franco, atual ministro de Minas e Energia; e Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil. A PF também requereu a quebra do sigilo telefônico dos dois ministros de Estado.

À luz do que está escrito no artigo 86, parágrafo 4.º, da Lei Maior, o pedido de quebra do sigilo telefônico do presidente da República feito pela PF ao STF é mais um caso de audacioso abuso. Fosse respeitado o texto constitucional, um inquérito para apurar supostos crimes cometidos por Michel Temer em 2014 nem sequer deveria ter sido instaurado enquanto ele exercer seu mandato como presidente da República.

Isto acontece, primeiro, por conta de uma ferrenha campanha de desmoralização da atividade política que parece animar setores da PF, do MP e do Judiciário com o objetivo de nivelar por baixo todos os políticos. Desta forma, os gratos olhos da Nação se voltariam para aqueles empenhados em expurgar os malfeitores da vida nacional, malgrado as graves consequências de um hipotético estado de negação da política.

Segundo, porque uma leitura enviesada do texto constitucional dá azo a interpretações convenientes aos interesses daqueles que desejam atingir o político que tem maior expressão entre todos: o presidente da República.

A Constituição diz que o "Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções". A artimanha está na interpretação da palavra "responsabilizado". Há quem diga que impedir que o presidente seja responsabilizado por crime anterior ao mandato não impede a sua investigação.

É evidente que tal forma de ler o comando constitucional se presta tão somente a legitimar a ação daqueles que têm por intento instalar um clima de instabilidade política no País ao enfraquecer o chefe do Poder Executivo. E aqui não se trata apenas do atual presidente, mas de todos os outros que lhe sucederem.

Uma investigação criminal já é, por si só, uma forma de responsabilização. Ela traz consequências sérias para a vida do investigado; em se tratando do presidente da República, implicações diretas nos rumos do País. Ao impedir a responsabilização do presidente por atos anteriores ao mandato, a Constituição visa justamente a proteger o País de aventureiros que, desestabilizando o chefe de Estado e de governo, ponham em risco os interesses da Nação.

O ministro Edson Fachin fez valer a Constituição e negou o pedido de quebra do sigilo telefônico do presidente Michel Temer, deferindo-o apenas em relação aos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Não é certo dizer que isso impedirá novos abusos, mas foi um sinal claro dado pelo STF de que eles não podem ser tolerados.
Herculano
11/06/2018 11:35
PF SE APROXIMA DO XEQUE-MATE NO PRESIDENTE MAIS IMPOPULAR DA HISTóRIA, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo

Polícia fecha pontas sobre reforma na casa de filha de Temer e deve concluir inquérito

A Polícia Federal avança na investigação que envolve o presidente mais impopular da história e uma reforma da casa de sua filha.

A expectativa é que a PF conclua nas próximas semanas o inquérito apontando que propina bancou a obra feita no imóvel de Maristela, filha de Michel Temer.

O dinheiro teria saído dos cofres da JBS e da Engevix para o coronel João Baptista Lima Filho, suspeito de intermediar recursos escusos para o emedebista. Três fornecedores da reforma relataram que receberam os pagamentos em espécie da empresa do coronel, a Argeplan, e de sua mulher, a arquiteta Maria Rita Fratezi.

Os valores em dinheiro vivo somam R$ 1,1 milhão. Mais R$ 100 mil, de acordo com depoimentos, foram repassados por vias bancárias.

Maristela disse à PF que gastou em torno de R$ 700 mil. Afirmou que não guardou comprovantes e contratos. Segundo ela, o coronel e sua mulher deram uma ajuda por causa da relação de amizade com Temer.

Maristela pode não ter contratos, mas um deles apareceu. E foi assinado por ela, conforme mostrou a Folha no sábado (9). Dos R$ 120 mil para comprar portas e janelas, R$ 56.500,00 foram depositados em dinheiro vivo na conta da empresa que vendeu o material. Maristela chancelou por escrito o modo de quitação. Um extrato confirma que esse valor caiu no dia combinado.

Segundo o dono da empresa, Antonio Carlos Pinto Júnior, foi a mulher do coronel quem pediu para que essa parcela fosse paga em espécie.

O empresário afirmou que não é normal essa prática no mercado. Não é normal em nenhum lugar. Em um país tão inseguro como o Brasil, quem carrega R$ 56.500,00 na carteira para comprar portas e janelas?

O xadrez da obra está cada vez mais perto do xeque-mate da PF. Caberá a Raquel Dodge (PGR) decidir por uma terceira denúncia contra Temer. O Datafolha mostrou que 82% dos brasileiros desaprovam seu governo. O povo já o abandonou e o Congresso não dá nenhum sinal de fidelidade para salvar sua pele.
Herculano
11/06/2018 11:31
A MENOS DE QUATRO MESES DA ELEIÇÃO, ESQUERDAS TERÃO DE ERRAR MUITO PARA NÃO RETOMAR O PODER MENOS DE 3 ANOS DEPOIS DA DEPOSIÇÃO DE DILMA, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

A menos de quatro meses da eleição presidencial, um liberal, como sou, olha com desalento o quadro eleitoral. A cada dia, aumenta a aposta de alguns otimistas nos poderes milagrosos da campanha. Tomara que seja assim. Dados os números, as esquerdas, o PT em particular, terão de errar muito para não chegar ao poder. Por que o desalento? Porque elas quebraram o país e o conduziram a maior recessão de sua história. Não é opinião. É fato. E, no entanto, tudo o mais constante e sem um erro brutal no manejo da política, elas estarão de volta ao trono.

O quadro eleitoral, quando Lula está na disputa segue inalterado, com oscilações na margem de erro: 30% para ele; 17% para Jair Bolsonaro (PSL), 10% para Marina Silva (Rede) e 6% para Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). Sim, o petista continuaria a bater com folga todos os adversários no segundo turno, e ainda com uma tendência de aumento da diferença. O que cresceu em qualquer cenário, com ou sem o líder petista, inclusive no confronto de segundo turno, são os eleitores órfãos, sem candidato. Mas esse é o tipo de coisa que não beneficia ninguém. Marina segue vencendo todo mundo, menos Lula, num embate final, e Bolsonaro continua a empatar com Ciro e Alckmin.

Destaque-se ainda que o levantamento de agora não traz Joaquim Barbosa, que cravou oito pontos em abril. Sem o ex-ministro e sem Lula no cardápio, Marina salta de 10% para até 15%, em empate com Bolsonaro, e Ciro, de 5% para até 11%.

Acontece, meus caros, que esses números podem ter pouca relevância. E não porque a eleição esteja longe. Ela está muito perto. Ocorre que o pleito se dará segundo um filtro inédito na nossa história e, se querem saber, na história das democracias: um presidiário vai definir o resultado: Lula. E não adianta tentar dourar a pílula. Vamos ver.

O PT diz não arredar pé da candidatura de sua liderança máxima. As pesquisas podem alimentar os sonhos de quem leva a sério essa quimera. Mas os realistas sabem muito bem tratar-se de uma impossibilidade. Se o partido mantiver, por estratégia, tal determinação, EM consciência de que ela tem prazo: setembro. O TSE vai declarar a inelegibilidade de Lula, o que será referendado pelo STF. Por mais que seja alto o potencial de transferência de votos de Lula, seria temerário para o partido indicar um nome. Nas simulações em que aparecem Fernando Haddad ou Jaques Wagner, o desempenho é pífio. Falta-lhes um atributo ?" em caso de eleição - fundamental. São desconhecidos da esmagadora maioria da população brasileira.

Mantida a candidatura de Lula até o limite, conhecidos não se tornarão, certo? Afinal, não poderão participar de debates, sabatinas, botar a cara na janela como postulantes. Desconhecidos continuarão, certo?

Lula vai fazer o quê? Pois é. O jogo me parece bastante claro, mas não quer dizer que não os jogadores não possam seguir outro roteiro. Marina e Ciro Gomes têm crescimento significativo no cenário sem Lula. Ela empata com Jair Bolsonaro (17% a 19%), hipótese em que os sem-candidato podem chegar a escandalosos 34%, um número inédito a menos de quatro meses da disputa. Marina mal terá tempo de dizer um "oi" no horário eleitoral. A candidatura de Ciro tem, desde já, uma estrutura mais robusta.

Caberá a Lula a decisão sobre o que fazer quando a sua inelegibilidade for sacramentada. Ele já avisou à companheirada: Ciro não é inimigo. Não é nem mesmo adversário. Entre o PT ficar fora do segundo turno e optar pela possibilidade muito plausível de vencer com Ciro, a escolha me parece evidente.

E o candidato do "centro"? E Geraldo Alckmin (PSDB)? Segue empacado nas pesquisas. Seus aliados dizem que a eleição ainda não está no radar dos brasileiros? Desconfio dessa análise. Acho que está, sim. Mas com o desalento em crescimento, daí o número absurdo de eleitores sem candidato. Apostar todas as fichas no horário eleitoral, quando há migrações relevantes ocorrendo no eleitorado, me parece estratégia de alto risco. Mas torço para estar errado.
Herculano
11/06/2018 11:28
Claudio Weber Abramo: À MERCÊ DE MELIANTES, por Cláudio Weber Abramo, ex-diretor da ONG Transparência Brasil, para o jornal Folha de S. Paulo.

Esquerda organizada morreu; direita nada de braçada

Uma peculiaridade do grau de despolitização brasileiro é a timidez de quem se considera de esquerda em declará-lo. Fascistas e protofascistas sentem-se à vontade para usar o termo "esquerdista" como epíteto acusatório. Isso se deve, é claro, à derrocada do Partido dos Trabalhadores - que, ironicamente, nunca foi de esquerda, mas da centro-esquerda católica.

Os partidos que seriam de esquerda são uma piada: o Partido Comunista do Brasil (PC do B) transformou-se em mamífero dos cofres públicos na área de esportes; o Partido Socialista Brasileiro (PSB) é em boa parte composto por insalubre contingente de ruralistas.

Em passagem digna de pastelão, há alguns anos o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, candidatou-se a cargo executivo pelo PSB - o qual, como resultado, deveria passar a se denominar Partido Social-Capitalista.

Sobram micropartidos (PSOL, PSTU, PCO) com doutrinas às vezes bizarras e que, obedientes à sina da esquerda, digladiam-se entre si.

Estamos imersos numa atmosfera em que a esquerda organizada morreu e a direita nada de braçada, impulsionada por instituições armadas, evangélicos, sonegadores de impostos, militares antidemocráticos, executivos de nível ginasial aspirantes a CEO e mais um montão de jovens boçalizados pela ignorância e pela falta de perspectivas de vida.

A direita reivindica intervenção militar, pena de morte, execuções sumárias, prisão perpétua para menores delinquentes, Estado mínimo num lugar em que o poder público é todo privatizado por interesses empresariais, criminosos ou ambos.

Quando não propaga, cala-se sobre o preconceito antipobre, antimulher, antigay, sobre a xenofobia, o racismo e o antissemitismo; força o fechamento de mostras de artes plásticas e por aí vai. Nada existe nessa gente que a redima.

Até o liberalismo que propõe é um embuste. Não se trata do liberalismo herdeiro do iluminismo, mas a subjugação de todos à exploração escravista do capitalismo selvagem.

É verdade que a extinção da esquerda organizada e a ascensão da extrema direita pululam ao redor do mundo. A esquerda sumiu faz tempo mesmo num país como a Itália, em que todo mundo sabe de cor as letras de "Bandiera rossa" e de "Bella ciao" (não a paródia indecente que anda por aí, mas o canto dos partigiani antifascistas).

O desaparecimento da esquerda partidária não significa a extinção das pessoas de esquerda. Muitas parecem acuadas pela agressividade dos fascistas, algo que também afeta os liberais de verdade. Isso faz muito mal, pois transmite a impressão de que a cantilena fascista seria predominante na sociedade.

Confunde-se a descrença (justificada) nas instituições da democracia representativa com saudades do totalitarismo.

Tomando as eleições deste ano, a direita rapidamente se organiza em torno de uma candidatura presidencial, enquanto os antifascistas parecem relutar - quando deveriam unir-se em torno de uma única candidatura viável, que se comprometa com certas plataformas políticas (outro assunto, para outra ocasião).

A despolitização sempre tem como corolário o predomínio da direita. Para quem pensa que a extrema direita brasileira trará algum benefício à vida pública, saibam que o resultado serão recuos ainda maiores dos que já se verificam na salvaguarda dos direitos humanos e o agravamento da obscena disparidade de renda do país.

Beneficiados serão os bancos, os financistas, os ruralistas, as grandes fortunas, as oligarquias, que oprimem não apenas os pobres, mas todos vocês que, sem saber o porquê, brandem bandeirinhas do Brasil enquanto seguem meliantes ideológicos.
Herculano
11/06/2018 11:20
CRIMINALIDADE ATESTA O FRACASSO DA INTERVENÇÃO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

Nem parece que a segurança do Rio de Janeiro está sob intervenção federal. A sensação na cidade é de fracasso. Rezando para não se surpreender em meio a arrastões ou tiroteios, hoje, como antes, a população conta apenas com os policiais militares e civis na linha de frente na guerra contra os bandidos. Como sempre, são mortos quase diariamente. Só este ano, já são 60 os policiais mortos, 47 baleados.

DENÚNCIA ESQUECIDA
O ministro Torquato Jardim (Justiça) denunciou em outubro que "os comandantes da PM são sócios do crime". Não se fala mais nisso.

O CRIME NO COMANDO
Na rotina do crime, bandidos bloqueiam túneis para fazer arrastão, fecham o aeroporto e até o bondinho do Pão de Açúcar. Que vexame.

MÉDIA ASSUSTADORA
Em 2017 foram registradas 134 mortes de policiais militares no Estado do Rio, 71 deles assassinados na capital.
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QUEDA PARA O ALTO
Com a sensação de insegurança confirmada nos relatos das vítimas, perdem sentido as estatísticas cor-de-rosa de "queda" na criminalidade.

LIQUIDAÇÃO
Antes da crise, a Petrobras valia R$357,2 bilhões, mas as quedas nas ações fizeram o valor de mercado da estatal cair a R$ 215,7 bilhões.

SALÁRIOS DO GOVERNO CUSTAM UMA PETROBRAS E MEIA
A previsão de gastos para pagar salários, auxílios e penduricalhos dos mais de 633 mil funcionários públicos federais dos três Poderes supera R$320 bilhões este ano, fortuna grande o suficiente para se comprar outra Petrobras, passando troco. Com queda no valor de mercado da estatal devido à greve de caminhoneiros e à queda de Pedro Parente no comando da estatal, seria possível para comprar 1,5 Petrobras.

TETO IMAGINÁRIO
A Constituição limita o salário no serviço público a R$ 33,7 mil, mas os penduricalhos ficam de fora do teto, que é sempre desrespeitado.

COMPARATIVO
O acordão entre governo e caminhoneiros gerou uma conta de R$10 bilhões ao contribuinte: quase 5% do valor total da Petrobras.

TRIUNFO DA ESPERTEZA
O projeto que autoriza comerciais em rádios comunitárias é produto da esperteza. Só os tolos acreditaram na lorota de que essas rádios eram para entidades sem fins lucrativos. Logo foram capturadas por políticos.

TAMOS AÍ
O ex-ministro Nelson Jobim anda concedendo entrevistas com a maior pinta de quem lembra, a quem possa interessar, que ele, experiente e articulado, pode ser vice e até o Plano B de Lula em outubro.

REGALIAS SUSPENSAS
O primeiro ato do novo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, suspendeu as regalias de ex-presidente para Lula, o presidiário: dois carros com motoristas e seis servidores pagos por nós.

PREJUÍZO Só AUMENTA
O mercado financeiro teme que a privatização da Eletrobrás tenha subido no telhado. Por isso as ações da Eletrobrás na Bolsa perderam mais de 30% do valor nos últimos 30 dias.

ISAY MANDA BEM
O investidor austríaco Michael Tojner veio ao Brasil para conhecer o arquiteto Isay Weinfeld, que venceu concurso para projetar o seu Hotel Intercontinental Viena. Hospedou-se em duas das mais estonteantes obras de Weinfeld: o Hotel Fasano (São Paulo) e o Hotel B (Brasília).

MODESTO CARVALHOSA
O jurista Modesto Carvalhosa lança novo livro "Da Cleptocracia para a Democracia em 2019 ?" Um Projeto de Governo e de Estado" nesta segunda (11) às 18h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em SP.

SOCO É FALTA DE DECORO?
O PSB pediu ao Conselho de Ética da Câmara a cassação de Laerte Bessa (PR-DF) após suposta agressão, com soco e xingamentos, em um subsecretário do governo do DF, que prestou queixa à polícia.

Ê VIDA BOA
Os gastos de deputados e senadores com ressarcimento de despesas, em 2017, superaram os R$ 252 milhões. Eles têm uma espécie de cheque especial de R$45 mil mensais bancados pelo contribuinte.

PENSANDO BEM...
...faltam menos de 4 meses para a eleição e ninguém sabe quem serão os candidatos.
Herculano
11/06/2018 11:14
da série: coisa de fascista, totalitário e intervencionista. Dos pobres, só trabalho e talvez, votos.

BOLSONARO DEFENDEU A ESTERILIZAÇÃO DE POBRES PARA COMBATER MISÉRIA E CRIME

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ranier Bragon, da sucursal de Brasília. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) apresentou projetos e defendeu em discursos nas últimas décadas a esterilização dos pobres como meio de combater a criminalidade e a miséria.

No último dia 23, ele afirmou na marcha dos prefeitos a Brasília que estuda colocar no seu plano de governo uma proposta de planejamento familiar, mas não a detalhou.

"Não estou autorizado a falar isso, que botei na mesa, mas eu gostaria que o Brasil tivesse um programa de planejamento familiar. Um homem e uma mulher com educação dificilmente vão querer ter um filho a mais para engordar um programa social."

Nas dezenas de discursos que ele proferiu sobre o assunto, na Câmara, nos últimos 25 anos, defendeu a adoção pelo Estado de um rígido programa de controle de natalidade, com foco nos pobres.

Segundo o pensamento que manifestou nesse período, seria o caminho para a redução da criminalidade e da miséria.

No passado, Bolsonaro manifestou que programas como Bolsa Escola e Bolsa Família serviriam apenas para incentivar os pobres a ter mais filhos e, com isso, aumentar a fatia que recebem de benefícios.

"Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo", afirmou em novembro de 2013 no plenário da Câmara.

Em 1992, seu terceiro ano como deputado, ele já falava sobre o tema. "Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação."

No ano seguinte, voltou à carga, também na Câmara: "Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro".

Bolsonaro afirmava em seus discursos não acreditar que a educação pudesse solucionar os problemas do país.

"Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos", disse em julho de 2008.

Segundo ele, a discussão sobre o auxílio governamental à população mais pobre entulharia o Congresso de projetos. "Já está mais do que na hora de discutirmos uma política que venha a conter essa explosão demográfica, caso contrário ficaremos apenas votando nesta Casa matérias do tipo Bolsa Família, empréstimos para pobres, vale-gás etc", disse em 2003.

Em algumas das vezes que abordou o assunto, opinou que os pobres, por ignorância ou na expectativa de receber ajuda do governo, não controlam o número de filhos como os mais ricos.

"Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla [a dele]", afirmou em 2013.

A lei 9.263/96, que trata do planejamento familiar, proíbe qualquer ação com o objetivo de controle demográfico ou a indução individual ou coletiva à prática de esterilização. Ela estabelece como diretrizes ações preventivas e educativas para o livre exercício do planejamento familiar.

A esterilização cirúrgica voluntária - vasectomia ou laqueadura - é permitida apenas aos maiores de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos, observados critérios como prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a cirurgia, informação sobre a irreversibilidade do ato e não realização de laqueadura no período de parto.

Bolsonaro apresentou três projetos retirando praticamente todas essas restrições e reduzindo a idade mínima de esterilização para 21 anos. Dois foram arquivados e um está parado desde 2009.

Um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, manifestou em rede social, em 2014, proposta de dar Bolsa Família só a quem se submetesse a vasectomia ou laqueadura.

A Folha enviou perguntas sobre o tema à assessoria do presidenciável, mas não houve resposta. O vereador Carlos Bolsonaro também não se manifestou.
Herculano
11/06/2018 11:07
PESSIMISMO COM ECONOMIA CARBONIZA MEIRELLES, por Josias de Souza, Josias de Souza

Henrique Meirelles, o presidenciável do MDB, precisa se benzer. No domingo, descobriu que dispõe no máximo de 1% das intenções de voto, que a impopularidade de Michel Temer explodiu para 82% e que 92% dos eleitores jamais votariam num candidato apoiado pelo presidente. Nesta segunda, o Datafolha informa que 72% dos brasileiros avaliam que a situação da economia piorou nos últimos meses. O novo dado cai sobre o projeto presidencial do ex-ministro da Fazenda como uma espécie de pá de cal.

Antes de tomar conhecimento do mau humor do eleitorado com a economia, Meirelles dera de ombros para as informações de domingo. Dissera que a rejeição a Temer não afeta sua candidatura. Como assim? "Minha campanha é baseada em meu histórico e nos resultados específicos do meu trabalho..." De resto, afirmara estar seguro de que seu prestígio pessoal subirá quando puder exibir sua biografia e seu trabalho na propaganda eleitoral no rádio e na TV, que começa em 31 de agosto.

A pior forma de lidar com uma urucubaca é tentar ignorá-la. A verdade é que a situação política de Meirelles, que era ruim, ficou muito pior. Piorou tanto que acabou ficando simples como o ABC. A, Meirelles não tem votos; B, arrasta a bola de ferro do governo Temer; C, quando ficar mais conhecido, todos saberão que, no governo do presidente reprovado por 82%, o candidato comandou a economia que sete em cada dez eleitores dizem ter piorado. Até explicar que a coisa já esteve pior e começou a regredir por culpa de Temer, a campanha já passou.

Milionário, Meirelles faz campanha tirando dinheiro do próprio bolso. A essa altura, o melhor que poderia suceder ao economista seria o MDB desistir da candidatura dele. Do contrário, o ex-ministro da Fazenda descobrirá que, das várias maneiras para se atingir o desastre, o vínculo com o governo Temer é a mais rápida; a traição do PMDB, a mais dolorosa; e o autofinanciamento eleitoral, a mais cara.

Ou Meirelles se dá conta de que sua candidatura, carbonizada pela conjuntura, foi à breca ou vai acabar provando que um bom economista não passa de um ficcionista que venceu na vida.
Herculano
11/06/2018 11:06
FETICHIZANDO O POVO, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

O que é fetichizar o povo? É assumir que cada passo, cada escarro, cada suspiro, cada berro, cada loja quebrada, cada refrão cantado em jogral, cada polarização das mídias sociais significa algo de sublime.

O fetiche começa com a revolução francesa de 1789 (um "massacre sublime") e passa pelos movimentos operários do século 19, que Marx (1818-1883) viu de perto.

Esses movimentos garantiram o estado de bem-estar social europeu, às custas, é claro, do resto do mundo, que os europeus exploram até hoje e que não se constitui, "ainda bem", no mesmo parque temático de direitos que é a Europa ocidental ?"alguém já viu a Europa querer exportar seu modelo de parque temático para o mundo?

O mais ridículo é que os idiotas da política daqui olham para esse parque temático como algo possível sem homogeneidade étnica (olha só o pau que está rolando por conta dos imigrantes), sem riqueza sobrando (se a Europa ficar pobre vira África), sem imobilidade ascendente na estrutura social (ninguém ganha dinheiro, só os mesmos de sempre), sem portas fechadas aos desgraçados que queriam entrar.

Fetichizar o povo é uma forma de mentalidade hegeliano-marxista diluída. Uma espécie de gozo primitivo narcísico. Um tipo de sentimento oceânico, como diria o velho Freud (1856-1839).

Nesta forma degradada de concepção hegeliano-marxista, existem "forças democráticas" latentes no povo ou forças "isso" e "aquilo" prontas a agir a partir de intenções que tendem a uma organização cada vez mais imanente ao objetivo de justiça cósmico-política.

Nesse delírio, essas forças "querem x", para isso se "organizam de forma y". Quando, na verdade, o povo, ou "as massas", age de modo confuso, impulsivo e, quando articulado, o faz a partir de grupos de comando com agendas próprias, movidas pelos interesses de grupos específicos que pretendem tomar o poder e pronto. E para isso usam da linguagem "o povo quer x", as "forças democráticas amadurecem no combate" e por aí vai. Os canalhas da política adoram esse tipo de linguagem.

O povo, sim, é capaz de muito. De ficar puto e quebrar tudo a se manifestar de forma (des)organizada a partir das redes ou de grupos de liderança. As pessoas (unidades reais do povo) se movem pelos mais variados interesses, inclusive pela inércia diante dos conflitos que rasgam a sociedade.

O tempo desgasta todas as formas de organização. Era o povo na Bastilha, era o povo gozando com a guilhotina, era o povo nos comícios nazistas, fascistas e comunistas, era o povo na "noite dos cristais" esmagando judeus, era o povo esmagando gente na Guerra Civil americana, era o povo na Guerra Civil russa pós-Revolução Bolchevique, era o povo gozando nos autos de fé na Inquisição, era o povo nos linchamentos, era o povo pedindo intervenção militar na greve dos caminhoneiros.

O povo é um substantivo abstrato na violência qualitativa das teorias políticas e, ao mesmo tempo, um substantivo concreto na violência quantitativa nas ruas.

O povo é confiável? Não. Se olharmos pra história, a resposta é ambivalente. É confiável se você quiser gerar violência social. O sinal positivo ou negativo dessa violência é decidido por quem narrar essa violência.

Alguns setores mais à esquerda reclamaram que faltou ao Brasil a coragem política de usar a crise dos caminhoneiros para derrubar o governo e, quem sabe, instalar um regime de secessão que preparasse formas mais "democráticas" de participação popular, levando à frente o embrião de um regime mais civilizado, sustentado numa vontade popular (ou soberania popular, tratarei aqui como sinônimos).

Esses setores à esquerda são claramente defensores do que se chama "destruição criadora". "Vontade popular" é outro fetiche nas teorias políticas que veem no povo uma entidade que carrega sobre o si o sinal da graça hegeliano-marxista de evolução política e social.

No meu entendimento primário dessa posição, não a vejo muito distante de meninos esquisitos brincando de Jedis com uma realidade potencialmente violenta, quando o mundo vai às vias do fato. O pecado maior é que são intelectuais públicos irresponsáveis.

Esses Jedis da política projetam sobre a sociedade sua vaidade intelectual.

No primeiro berro, correm para Paris com medo. Dizem que as rupturas políticas podem "ser levadas para o lado do bem". O sentido verdadeiro dessa frase é "matar as pessoas certas". Quem plantar violência colherá violência

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