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SOMOS TODOS CAMINHONEIROS OU PASSAGEIROS DE UMA NOVA AGONIA? - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

SOMOS TODOS CAMINHONEIROS OU PASSAGEIROS DE UMA NOVA AGONIA? - Por Herculano Domício

04/07/2018

Quando do lock out – greve de patrões tanto que se enrolam em multas pesadas aplicadas pelo Supremo – das grandes empresas transportadoras usando os caminhoneiros autônomos de bucha de canhão, com amparo político dos que querem a volta da ditadura militar ou de um presidente autoritário vindo da caserna para facilitar o autoritarismo bandido já estava desenhado. Acha-se que tudo se poderá resolver por milagre. Sumiriam as nossas mazelas

Escrevi, na época, que essa farsa e os danos colaterais graves daquela “greve” trariam efeitos para a economia brasileira, à democracia e os próprios caminhoneiros autônomos, os usados na sua maioria e a parte mais fraca desse movimento.

Fui massacrado nas redes sociais. Houve explícita desmoralização como se eu tivesse traído alguma causa, que nunca defendi, aliás. Coisa de gente organizada (e cada vez mais perigosa). Nem original são. Repetem o que se retrata na série americana “Sobrevivente designado”, disponível na Netflix, onde se retrata na ficção a tal “Pax americana” de uma direita doentia de lá. Na linha de tiro não estive sozinho. Ainda bem que tudo isso – a greve, o desmascaramento e as graves consequências para a sociedade - aconteceu para que ainda se tivesse tempo para ser entendida e avaliada antes das eleições gerais de outubro.

Os resultados reais estão aí. Está no seu e no meu bolso. Pior: os que organizam tudo isso, estão pedindo mais sacrifícios a você, para as causas deles e que beiram ao crime. Querem o poder na marra, sem instituições, ou com elas submissas aos seus projetos e ideias, pois no convencimento, na razoabilidade e até no voto, se negam a tal caminho.

UM FUTURO INCERTO

Hoje não se sabe o que é mais danoso para o país, as pessoas e o futuro: a esquerda do atraso, os petistas e outros que delapidam o país e os brasileiros sem pudor algum, ou a direita xucra que destrói as instituições e até mesmo o Brasil, usando para seus objetivos os cansados de tantas sacanagens dos políticos e poderosos, os analfabetos, os ignorantes, os desinformados e os mansos (ou medrosos) para manobras e o seu jogo de poder pelo poder, onde o voto é algo desprezível.

A maioria dos políticos fingem que nada de grave está acontecendo há muito. A poeira daqueles dias da greve baixou. Entretanto, ela é tóxica e paira sobre todos nós e não se dissipará tão cedo.

Veja o que está acontecendo com o agronegócio de Santa Catarina (para não enumerar dezenas de outros), onde produtores rurais apoiaram esse movimento irresponsável como se nada tivesse nada com o resultado dele e agora amargam tempos difíceis que perdurarão por meses e até anos afio, na melhor hipótese. Pois poderá ser pior no final de tudo.

Algumas leitoras e leitores desta coluna se foram por conta disso; vieram, muitos outros. É do jogo. Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, muito menos concordar comigo. É apenas uma opinião, que exponho. Não trato de verdades.

Houve quem cobrasse para que eu fizesse a escolha de um lado. Vergonhoso! O lado que tenho e já escrevi várias vezes aqui é o dos pagadores de pesados impostos, o lado dos que não conseguem o retorno do estado para aquilo que despejam nos cofres do governo, péssimo gestor. Mesmo assim, a proposta é a do debate e não do assalto, da mordaça... Santa Catarina é o sétimo estado arrecadador, mas é o quarto menos que recebe de volta naquilo que a União distribui...

Vejam esta.

Em Gaspar foram duas semanas de pura demagogia e chororô na tribuna da Câmara e até entrevistas nas rádios sem às devidas perguntas e contrapontos. Não houve uma só voz discordante: “todos somos caminhoneiros”, estufavam o peito os vereadores daqui. Teve gente que até acampou, fez festa, sustentou o movimento como informou nos discursos do heroísmo tosco.

Na verdade, essa gente esperta contava os votos para si. Não tinha causa, tinha oportunismo. Estava na carona, na onda. Todos tinham parentes caminhoneiros, sofridos. Alguns até tinham como a adolescente Franciele Daiane Back, PSDB, mas preferiram colocar outros bodes da sala para os radicais de direita nas suas causas, ao invés de serem estadistas e enfrentar o problema de frente que não nasceu naqueles dias, mas se criou por anos pela omissão dos próprios políticos, governo do PT e MDB, bem como e grave, das entidades de classe na defesa da livre iniciativa.

QUAL É O RESULTADO DA GREVE?

O que aconteceu de lá para cá? O Brasil piorou, naquilo que já não ia bem, por conta de um governo fraco que herdou numa economia feita por populistas, por políticos chantagistas em vender falsas maiorias no parlamento, pela volúpia e loteamento para ocupar cabides de empregos para seus cabos eleitorais na cara máquina estatal, na corrupção desenfreada contra os pesados impostos que pagamos.

Enfim, somos herdeiros do caos, de partidos e governo cheio de manchas, coisa própria não apenas do presidente de plantão Michel Temer, mas do MDB, que até trocou de nome, para tentar se limpar, como se isso fosse possível nos dias de hoje onde a Lava Jato expõe as mazelas dos poderosos de todos os tipos no ambiente público e privado.

No Brasil, somente 30 por cento dos caminhoneiros são autônomos. E desses, 70 por cento são “empresas” individuais, ou seja, “funcionários” disfarçados das grandes empresas transportadores. Elas, sim, ludibriam o governo (e os caminhoneiros “autônomos”) para não lhes pagar os direitos trabalhistas e tributos decorrentes dessa prática permitida na lei.

São elas, com o lobby, caminhos, organização, relacionamento e poderio que conseguem os contratos de transportes e os sublocam, lucrando em cima dos autônomos – a parte mais frágil desse processo. São elas que fazem, ou leiloam o preço do frete para lhes garantir esse lucro. Está na cara de todo mundo. E não é de hoje. Conheço desse assunto há pelo menos 40 anos. E os motoristas, caminhoneiros de Gaspar, também. Eles daqui, povoaram o Centro-Oeste.

Numa economia de mercado, tudo se equilibra. Primeiro, o PT enganou os caminhoneiros: com a crise econômica criada exclusivamente no desastrado governo de Dilma Vana Rousseff; com a crise, a disponibilidade de frete diminuiu e isso fez aumentar, naturalmente, a concorrência e por consequência, os preços do frete cairam.

Segundo. Com a crise econômica e para dar emprego aos metalúrgicos – o nicho do populismo de resultado sindical no Sudeste -, o PT inventou e incentivou à venda de caminhões novos. Tudo com financiamentos a juros subsidiados por todos os brasileiros via o Tesouro e de longo prazo pelo BNDEs. E os caminhoneiros, e até empresas caíram em mais essa armadilha, de quem não governa, mas engana.

Terceiro. Sem fretes, os caminhoneiros, ficaram com as prestações dos seus caminhões novos E para não perder o caminhão, tiveram que trabalhar por longas e desumanas jornadas, com margens mais apertadas ou até prejuízos.

Quarto e para complicar tudo. Nesse ambiente de desalinho logístico e macroeconômico, aumentou-se ainda mais à disponibilidade de caminhões e à concorrência onde os fretes já estavam escassos. E aí, a conjuntura no livre comércio não perdoa quem não é previdente e comeu a isca de político malandro (Dilma e PT).

O aumento internacional do preço do petróleo e a desvalorização do Real (melhoria da economia dos Estados Unidos, associadas com as políticas protecionistas de Donald Trump), fez de uma situação que já era ruim, mais explosiva ainda. Somou-se à omissão de governo fraco sob forte questionamento de legitimidade e o lava-mãos dos próprios políticos – de todos os partidos, incluindo os do PSDB - na busca de soluções pós desastre PT para a economia no Congresso Nacional. Vergonhoso.

E os intervencionistas enxergaram a oportunidade nesse caos. E contra o país.

OS APROVEITADORES DE SEMPRE NÃO PERDOARAM

Resumo desse quadro de desastre: de um lado a esquerda do atraso querendo ver o circo pegar fogo para levar vantagem eleitoral sobre Temer e a própria direita. Do outro, a direta xucra, querendo mostrar serviço com a sua peculiar truculência física, amparada numa suposta moral para “varrer” a esquerda do atraso, como se isso fosse bom e possível. E para tal, mostrou a pior forma possível.

Resultado: assustou a todos, antes mesmo de ser poder.

Ainda bem. Que tudo está mais claro. Estou de alma lavada, mais uma vez. E há tempo para tudo se esclarecer até outubro para uma parcela ponderável que estão sendo levado ao erro, por outra parcela de fanáticos, até então não bem conhecidos nestes tempos de democracia, mas que aparecem com suas loucuras que hipnotizam milhares, como por exemplo ao que se diz ter sido médico em Blumenau, Benjamim Farias, e hoje alega ser empresário no Nordeste.

Resultado: a economia se desorganizou. Se o diesel baixou de preço na marra e estamos subsidiando para se ter esse valor menor valor nas bombas brasileiras com o que não temos no nosso bolso, a gasolina aumentou.

As passagens de ônibus para os trabalhadores com diesel mais barato continuaram no mesmo preço de ontem.

Houve o desabastecimento de produtos, aumentou a inflação, o PIB e o consumo caíram, diminuiu-se a arrecadação de impostos para a máquina voraz do estado e então piorou os serviços, o desemprego aumentou e tenderá crescer ainda mais. Tempos piores virão, quando havia a previsão de estabilidade mínima. Incrível!

Os investidores correram do perigo chamado Brasil com a esquerda e agora com a direita irresponsável, que não respeita regras, acordos e instituições. Os investidores estrangeiros e nacionais entenderam que a direta é tão perigosa quanto a esquerda para a economia e principalmente o futuro.

E a tabela do frete não se sabe se existe – ou ao menos é praticada de tão impraticável que é -, e quando exigida e aplicada, fez com que os caminhoneiros, razão da greve, ficassem sem cargas, sem trabalho, sem ganhos para pagar os prejuízos dos dias parados à força e desses dias em que estão parados porque o mercado piorou e se desregulou. Parece uma praga.

Agora há diesel mais barato, na marra, tabelado, subsidiado pelos brasileiros que para subsidiá-lo, o governo para isso retirou as verbas da saúde, segurança, obras e educação que atingem os mais vulneráveis, os mais pobres. Inacreditável. E os políticos caladinhos.

Os que manobraram os cansados de tantas injustiças aos longos dos anos, os analfabetos, ignorantes e desinformados continuam aí, mas diante do que deu tanto errado, estão mudando o discurso. E para enganar ainda mais a favor das suas causas radicais. Os “novos” líderes desses movimentos irresponsáveis, agora, diante de tantos erros, culpam a imprensa. O que eles temem mesmo, são as redes sociais que usaram a seu favor e começam a desnudá-los. E isso não tem e terá controle.

O mesmo efeito manada que alimentou falsamente a “greve” aos interesses de poderosos e intervencionistas, está de forma contrária, desnudando esse movimento.

O SILÊNCIO, A OMISSÃO, A NEGAÇÃO DO DEBATE SÃO TÃO PERIGOSOS QUANTO A DITADURA.

Naquele e nestes dias ainda, nas redes sociais circularam argumentações, impossíveis de serem compreendidas num mundo civilizado ocidental do século 21 e dito como democrático.

Escolhi uma entre centenas de mensagens que coletei naqueles dias sombrios e que teimam se prolongar. Ela abre este artigo. Impressionante, como alguém que se diz esclarecido pode conduzir uma manada sem que essa manada questione à razão pela qual e para quem está sendo usada e encalacrada no brete a espera do abate?

Como alguém quer ser governo e diz ter solução, se prega a “desobediência civil?” Ora, negar-se à negociação, é coisa de totalitário, ditador. Como pode-se negar a voz a quem possui o direito ao mínimo, que é o de discordar? Como essa gente vai ser governo, se prega a desobediência em qualquer circunstância? Os adversários terão o mesmo direito e então está feita a guerra do vale tudo, inclusive a vida.

O medo e a fragilidade de argumentos são tão grandes nesse tipo de gente e movimento, que o perigo nem é mesmo os supostos adversários, mas, segundo eles, é a mídia que poderá de alguma forma esclarecer o que querem sob as trevas permanente. Vou repetir: a mídia um esteio da liberdade expressão e da democracia. As redes sociais, que os intervencionistas usaram exaustivamente, são o verdadeiro perigo de hoje.

Engraçado, que neste item, tanto a esquerda do atraso quanto a direita xucra são iguais. Não querem imprensa. Essa unanimidade dá a verdadeira dimensão do perigo, censura e totalitarismo de ambos. Todas as ditaduras, a primeira coisa que faz é calar a imprensa e ter os seus jornalistas para a propaganda e esconder seus erros, incompetência e crimes.

“Resista, até com a falta de alimentos”, pedem.

Ou seja, para essa nova elite intelectual e retrógada que quer o poder na marra, pede e quer o sacrifício dos outros, não fazem a parte deles, tanto que, com o movimento grevista dos caminhoneiros, deixaram um legado que atrasou ainda mais o país que já estava no fundo do poço, deixado por gente da esquerda tão parecida nos métodos com os que dizem ser a nova direita.

Vamos viver, segundo essa gente por milagre, com orações e missas públicas, ao invés de trabalho, obediência às leis, aos poderes instituídos da República (que devem ser depurados, sim. Nunca extintos). Incrível!

E essa gente diz ter candidato. Mas, deve ser blefe. Pois pelo que prega, eleição não faz parte do vocabulário dela. Estamos prestes a embarcar num bonde chamado agonia. Wake up, Brazil!

 

Edição 1858

Comentários

Herculano
05/07/2018 10:21
Do filósofo (e professor na USP) Luiz Felipe Pondé, no Twitter

Claro que a educação no Brasil é um lixo. Mas a politização dos estudantes e dos professores é uma das causas para ela ser um lixo. Um modo chique de torná-la um lixo, dizendo que a está salvando. Como violentar alguém dizendo que está fazendo aquilo porque ela gosta.
Herculano
05/07/2018 10:19
EMBRAER E BOEING ANUNCIAM ACORDO PARA JOINT VENTURE DE US$ 4,75 BILHõES

A operação compreenderá a criação de joint venture entre Embraer e Boeing, na forma de uma companhia fechada brasileira

Conteúdo do Infomoney. A Embraer (EMBR3 +3,73%) e a Boeing anunciaram nesta quinta-feira (5) que assinaram acordo para a formação de uma joint venture, estabelecendo premissas básicas para potencial combinação de certos negócios.

Nos termos do acordo, a Boeing deterá 80% da propriedade da joint venture e a Embraer (EMBR3 +3,73%), os 20% restantes. Com isso, a Boeing propôs pagar US$ 3,8 bilhões à Embraer para ter 80% da nova empresa que deve ser criada caso o acordo entre as duas companhias seja aprovado. A joint venture é avaliada em US$ 4,75 bilhões, diz o comunicado.

A operação compreenderá a criação de joint venture entre Embraer e Boeing, na forma de uma companhia fechada brasileira, a qual passará a desenvolver os negócios de aviação comercial atualmente desenvolvidos pela empresa brasileira.

"O acordo não-vinculante propõe a formação de uma joint venture que contempla os negócios e serviços de aviação comercial da Embraer, estrategicamente alinhada com as operações de desenvolvimento comercial, produção, marketing e serviços de suporte da Boeing".

Espera-se que a parceria proposta seja contabilizada nos resultados da Boeing por ação, no início de 2020, gerando sinergia anual de custos estimada de cerca de US$ 150 milhões - antes de impostos - até o terceiro ano.

Uma vez consumada, a joint venture na aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e CEO. Enquanto isso, a Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa. A Embraer fará teleconferência sobre acordo às 11h (horário de Brasília).

"Ao formarmos essa parceria estratégica, estaremos muito bem preparados para gerar valor significativo para os clientes, empregados e acionistas de ambas as empresas - e para o Brasil e os Estados Unidos", disse Dennis Muilenburg, presidente, chairman e CEO da Boeing. "Esta importante parceria está claramente alinhada à estratégia de longo prazo da Boeing de investir em crescimento orgânico e retorno de valor aos acionistas, complementada por acordos estratégicos que aprimoram e aceleram nossos planos de crescimento", disse Muilenburg.
Herculano
05/07/2018 10:14
LULA NEGOCIA COM O STF

Conteúdo de O Antagonista. Caiu a ficha de Lula, diz Ricardo Noblat.

"Lula já perdeu a esperança de que possa ser libertado antes das eleições de outubro. E que agora será só uma questão de tempo para ter rejeitado pela Justiça o pedido de registro de sua candidatura.

Não desistirá do pedido. Nem de adiar ao máximo o anúncio do seu apoio a outro candidato do PT à sucessão do presidente Michel Temer. O que lhe interessa é ir o mais cedo possível para casa, e ponto."

O recado é claro: o presidiário vai autorizar Sepúlveda Pertence a negociar com o STF seu encarceramento domiciliar.
Herculano
05/07/2018 10:11
NÃO TEM JEITO

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, no jornal O Estado de S. Paulo criticou à falta de convite a Lula em evento da CNI com pré-candidatos em Brasília.

1. Ele está preso

2. Ele é inelegível pela Lei da Ficha Limpa

3. O PT insiste num condenado, porque não preparou outras lideranças para enfrentar situações como esta
Herculano
05/07/2018 10:06
De Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, no Twitter

Há 28 anos, Jair Bolsonaro é pago para elaborar leis e fiscalizar o Orçamento. O deputado está no 7º mandato, mas ainda não encontrou tempo para estudar o básico sobre contas públicas. É o que ele mesmo tem repetido quando comparece a debates e sabatinas
Renato
05/07/2018 09:36
Herculano,

Tem gente graúda enrolada com a justiça.
Já tomou conhecimento do inquérito policial 0001130-77.2018.8.24.0025???
Tem gente que ainda não se resolveu com as contas eleitorais.
Herculano
05/07/2018 08:20
MINISTRO DO TRABALHO É AFASTADO PELO STF EM NOVA FASE DE INVESTIGAÇõES SOBRE FRAUDES DE REGISTROS SINDICAIS

Conteúdo do portal G1. Textos de Camila Bomfim e Ana Paula Andreolla, TV Globo, Brasília

O Ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi suspenso do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (5), que apura supostas fraudes em registros sindicais. A PF também cumpre nesta manhã mandado de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Além da suspensão do cargo, Yomura está impedido de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com demais investigados ou servidores da pasta.

Marquezelli também foi proibido de frequentar o ministério e de manter contato com outros investigados e servidores da pasta, exceto quando for imprescindível ao exercício do mandato de deputado.

Ministro do Trabalho e deputado do PTB são alvos da PF
A ação desta quinta é um desdobramento da Operação Registro Espúrio, que desarticulou suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

Ao todo, são cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília e Rio de Janeiro.

Além das buscas, autorizadas pelos STF a pedido da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), serão impostas aos investigados medidas cautelares para proibir que os políticos frequentem o Ministério do Trabalho e mantenham contato com os demais investigados ou servidores da pasta.

Segundo a PF, as investigações e o material coletado nas primeiras fases da Operação Registro Espúrio indicam a participação de novos atores e apontam que cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com pessoas comprometidas com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas.

'Testa de ferro'
De acordo com a Polícia Federal, Helton Yomura foi lançado no cargo de ministro do Trabalho para dar continuidade às irregularidades investigadas na operação. A Polícia apontou que ele é um "testa de ferro" de caciques do PTB, partido que indica ministros do Trabalho no governo Michel Temer.

Operação Registro Espúrio
Em maio deste ano, a polícia fez buscas nos gabinetes dos deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB), cujas prisões chegaram a ser pedidas pela PF, mas o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) não autorizou.

De acordo com as investigações da Polícia Federal,os registros de entidades sindicais no ministério eram obtidos mediante pagamento de vantagens indevidas;
não era respeitada a ordem de chegada dos pedidos ao ministério;a prioridade era dada a pedidos intermediados por políticos; a operação apontou um "loteamento" de cargos do Ministério do Trabalho entre os partidos PTB e Solidariedade.

Na época, Wilson Filho disse, por meio de nota, não ter participação na concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho. Paulinho da Força afirmou que desconhece os fatos investigados. Jovair Arantes diz que se posiciona "em consonância" com nota emitida pelo PTB, segundo a qual a direção do partido "jamais participou de quaisquer negociações espúrias"

Segundo as investigações, o "núcleo político" do suposto esquema teria como participantes, além dos deputados, o presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson; o suplente de deputado Ademir Camilo Prates Rodrigues (MDB-MG); e os senadores Dalírio Beber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), atualmente licenciado do mandato.

A PF também pediu a prisão de Roberto Jefferson, mas Fachin não atendeu. Segundo o ministro, há indícios de que ele sabia do esquema, mas não que tenha se beneficiado. Segundo nota a direção nacional do PTB "jamais participou de quaisquer negociações espúrias no Ministério do Trabalho".

Em São Paulo, os agentes fizeram buscas na Força Sindical e na União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Outros alvos da operação, para os quais havia mandados de prisão expedidos, são Leonardo José Arantes e Rogério Papalardo Arantes, sobrinhos do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).
Herculano
05/07/2018 08:14
O JORNALISMO QUE PERGUNTA

O senador Dalírio Beber, PSDB, e relator da LDO, ia muito bem na entrevista que concedia sobre esse assunto na CBN nesta quinta-feira pela manhã, até que o âncora Milton Jung e o analista político, Gérson Camarotti, resolveram perguntar sobre a ida dele no ano passado ao Ministério do Trabalho para intervir na criação de um sindicato daqui pedido em 2009 e que estaria envolvido na tal Operação Espúrio.

Surpreendido, Dalírio foi monossilábico, econômico nas explicações, apesar da oportunidade para dá-las com clareza e rebater o que ele diz ser um ato de rotina do mandato. Achou que estava dando entrevista para os daqui, que abrem os microfones para discursos, sem os devidos esclarecimentos.
Herculano
05/07/2018 08:04
O BRASIL QUER IR PARA OS PENALTIS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Economia será essa lerdeza até 2019, raiva popular cresce e flertamos com um desastre político

O estado da economia até a eleição será mais ou menos este que podemos ver por agora, pouco mais do que uma estagnação manchada de horrores.

Quer dizer, será isso caso não sobrevenha tumulto financeiro causado por Donald "Nero" Trump ou pela possível vitória de um programa de governo demente na eleição presidencial de outubro.

Poderia ter sido um pouco melhor, mesmo com as expectativas reduzidas pela mediocridade do início do ano. Mesmo a sensação térmica, a experiência do povo comum, poderia vir a mais agradável no terceiro trimestre, que pareceria mais animado do que indicaria o crescimento de apenas.

Os efeitos diretos do caminhonaço e o choque político causado pelo surto nacional de insensatez de maio enterraram o restante das esperanças de crescimento melhorzinho e acelerando. Vamos crescer 1,6%, se tanto, sem tendência de alta relevante até meados do ano que vem. Dá cerca de 0,8% per capita, o que quase ninguém vai perceber.

CAMINHONAÇO
A produção da indústria afundou 11%, soubemos nesta quarta-feira (4) pelo IBGE. Não foi tão ruim quanto se estimava, na média. Assim, aumenta a chance de que tenhamos escapado de uma regressão do PIB neste segundo trimestre.

Há indícios de que em junho as fábricas tenham ao menos compensado as perdas de maio. É um alívio para quem gosta de ver o copo meio limpo.

"Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, licenciamento de veículos, entre outros) sinalizam alta de 10,9% dessazonalizada em junho (avanço de 0,9% na comparação anual)", escreveram os economistas do Itaú em relatório sobre o desempenho da indústria.

Para quem vê o copo meio sujo, e lama costuma ser o nosso caso, quer dizer que a indústria terá ficado estagnada por um bimestre inteiro. O impacto do caminhonaço nos negócios de serviços pode até ter sido menor, mas as perdas do setor não se recuperam como na indústria.

O povo estaria de qualquer modo em revolta em outubro, com alguns atenuantes, em particular para o terço mais rico da população.

No que interessa ao cotidiano do cidadão comum, a situação que deve perdurar até fins do ano é a de trabalho precário, contas de energia e combustíveis mais caras e fim do alívio sentido com a baixa rápida da inflação.

O número de pessoas ocupadas cresce mais lentamente. Em relação ao maio do ano passado, o número de empregados com carteira assinada baixou 500 mil. Em relação a 2015, são quase 3,2 milhões a menos.

Tanta gente largada na precariedade ou no desemprego absoluto, além de seus parentes, vizinhos e amigos que temem ter o mesmo destino, é insultada ainda de outras maneiras. Passados mais de quatro anos de Lava Jato, entre outras operações, os casos de corrupção jorram como o esgoto da maioria das cidades brasileiras. Não há trégua no morticínio e noutras violências.

A elite política, o governo, a cúpula do Poder Judiciário e o Congresso estão entretidos nos seus jogos, mumunhas e chicanas. Não se ouve dos candidatos a presidente nada que possa vacinar o povo contra a sedução da peste política.

O país está dando moleza para novo desastre. Já mostrou que é capaz disso, a vez mais recente sendo o paradão de maio. Talvez possamos escapar, mas vai ser nos pênaltis. Alto risco.
Herculano
05/07/2018 08:00
PROCURADORES DEMITIDOS TERÃO REBORDOSA PENAL, por Claudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A demissão dos procuradores federais José Weber Holanda, Glauco Alves Moreira e Jefferson Carús Guedes, da Advocacia-Geral da União (AGU), por improbidade administrativa e por valerem-se do cargo para obter proveito pessoal ou "em detrimento da dignidade da função pública", encerra a questão administrativamente, mas a dupla ainda enfrentará a rebordosa na área criminal. Eles foram alvos da operação Porto Seguro, da Polícia Federal, por venderem pareceres técnicos.

ALTO ESCALÃO
José Weber Holanda foi o nº 2 da Advocacia Geral da União e Moreira era procurador-geral da Agência de Transportes Aquaviários (Antaq).

CASO ESPECÍFICO
Os procuradores teriam recebido vantagens para liberar a construção de terminal portuário de interesse do ex-senador Gilberto Miranda.

USO DA MOROSIDADE
As intermináveis contestações judiciais fizeram o processo durar cinco anos, enquanto o trio recebia salários mesmo afastado das funções.

PÁGINA VIRADA
Na AGU, o sentimento entre os servidores é de alívio com o fim de um caso que envergonhou os advogados públicos brasileiros.

ALIADO DE RENAN TENTA PUNIR A TURMA DA LAVA JATO
O autor de iniciativa que busca punir no CNMP, órgão de controle do Ministério Público, procuradores que atacaram ministros do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fernando Bandeira de Melo Filho foi escolhido por Renan Calheiros para representar o Senado naquele organismo e tem fama de não abrir a boca sem autorização do político alagoano. O STF defendido pelo burocrata vai julgar 17 ações contra o chefe dele.

PAPAGAIO DE PIRATA
Luiz Fernando é bem conhecido. É ele quem fica em pé, atrás da mesa principal, orientando a presidência das sessões do Senado.

AUTORIA INTELECTUAL
Cabe ao secretário-geral da Mesa, cargo de Luiz Fernando, apontar saídas regimentais para impasses, durante as sessões do Senado.

A FACA QUE FATIOU
Senadores atribuem a Luiz Fernando a presepada que fatiou artigo da Constituição para amenizar o impeachment de Dilma Rousseff.

TÁ TUDO DOMINADO
O aumento de 15% na conta de luz dos paulistas, as torpezas contra clientes de planos de saúde, a proibição de venda direta de etanol aos postos e os golpes da aviação comercial demonstram que, no Brasil, "agências reguladoras" foram "aparelhadas" pelas empresas.

GOTA D'ÁGUA NO DESERTO
Levantamento Paraná Pesquisas revelou que os eleitores que acham o governo Michel Temer regular superou quem o acha ruim com 16,6% e 16,4%, respectivamente. O problema é que, para 61,7% ele é péssimo.

MEDINHO TUCANO
Após não honrar o acerto de apoiar sua reeleição em São Paulo, o PSDB enfureceu de vez governador Márcio França (PSB) ao tentar calar sua boca a pretexto de impedir ações de "autopromoção". Ele disse que é "medinho" dos tucanos de perder o poder, no Estado.

A VIDA COMO ELA É
Sem o apoio tucano prometido por Geraldo Alckmin, em retribuição a sua adesão em 2014, Márcio França teve um encontro com a realidade: seu desempenho nas pesquisas é modestíssimo.

LÍNGUAS DE TRAPO
Os pré-candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) só têm a perder com os debates e sabatinas que se multiplicam com a proximidade das eleições. Quando eles abrem a boca, perdem votos.

Xô, COVARDES
Pega fogo a pré-campanha pela presidência da OAB-DF. A advogada Daniela Teixeira rompeu com a atual gestão, que traiu as próprias convicções, e escreveu um artigo para o site Diário do Poder cujo título diz tudo: "OAB não é lugar para covardes".

ESTABILIDADE NO MANDATO
Mais de um mês após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 13 anos e 9 meses de prisão, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) só teve o processo de cassação iniciado esta semana, na Câmara.

BORBOLETAS E LOBISOMENS
Referência no jornalismo investigativo, Hugo Studart lança dia 17, em Brasília, um livro definitivo sobre a repressão nos tempos de chumbo: "Borboletas e lobisomens" (ed. Francisco Alves). No restaurante Carpe Diem, a partir das 18h30.
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PENSANDO BEM...
...a má notícia antes do jogo desta sexta é que Dunga resolveu dar um pulinho na Rússia.
Herculano
05/07/2018 07:54
INFLADOS INFLUENCIADORES, por Roberto Dias, secretário de redação do jornal Folha de S. Paulo

Caldo crítico atinge os comunicadores criados pelo ambiente das redes sociais

Era inevitável: cedo ou tarde, o caldo crítico que se formou sobre as redes sociais iria arrastar os chamados influenciadores digitais.

Essa visão "pé atrás" com as redes já vinha sendo aplicada às próprias empresas (pela utilização obscura dos dados pessoais), aos algoritmos (mais e mais gente entende que está confinada em bolhas de interesses) e às informações que por ali circulam (por causa das fake news).

Chegou a vez das pessoas que esse ambiente criou - sim, o verbo é esse, pois a maioria inexistiria como figura pública não fossem as plataformas sociais. Em geral, não é gente com atuação destacada em alguma atividade fora dali. Não são atletas, artistas, ativistas, nada disso. Sua vida profissional gira em torno de fazer qualquer coisa que lhes dê seguidores e likes, então oferecidos ao mercado publicitário.

O personagem que desencadeou a discussão da vez é Júlio Cocielo, 25. Ao comentar as arrancadas de Mbappé, atacante negro da França, escreveu que ele "conseguiria fazer uns arrastão [sic] top na praia".

Foi a senha para acusações de ofensa racial pulularem pela internet e o influenciador perder patrocínios de marcas do calibre de Adidas, Itaú, Submarino e Embratur. Essas empresas viam nele um canal com jovens, que consomem muito conteúdo fora da mídia dita tradicional. Quem decide o destino da verba publicitária só se esqueceu de olhar direito o que comprava, pois havia postagens antigas ainda piores no nome dele.

O questionamento atual aos influenciadores vai além do conteúdo. Na semana passada, a BBC mostrou que grandes empresas estão abandonando o investimento neles por temerem que os seguidores estejam sendo inflados artificialmente.

O crescimento desses comunicadores deu-se, em certa medida, sobre um vazio. Isso só está ficando mais claro agora. Pois só se sabe quem está nadando pelado quando a maré baixa, como resume a máxima de Warren Buffett -esse sim um influenciador que faz jus à palavra.
Herculano
04/07/2018 15:24
UM DESASTRE ANUNCIADO NA MANCHETE DESTA QUARTA-FEIRA. GREVE DOS CAMINHONEIROS FAZ PRODUÇÃO INDUSTRIAL RECUAR 10,9% EM MAIO, DIZ IBGE

Conteúdo do G1. Texto de Daniel silveira e Laís Laporta. Foi o maior tombo da indústria desde dezembro de 2008; desabastecimento de matérias-primas e bloqueio no escoamento afetaram o setor durante a paralisação que durou 11 dias.

Afetada pela greve dos caminhoneiros, a indústria brasileira recuou 10,9% no mês de maio frente a abril, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quarta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A paralisação que durou 11 dias afetou o processo de produção de várias unidades produtivas no país.

"A greve desarticulou o processo de produção em si, seja pelo abastecimento de matérias-primas, seja pela questão da logística na distribuição", disse o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Vários fatores relacionados à paralisação impactaram de alguma forma a produção da indústria. Além da falta de insumos que não chegavam às fábricas, Macedo citou a dificuldade de escoamento da produção e, também, a limitação dos trabalhadores para se deslocarem até o trabalho.

Na comparação com o mês de maio de 2017, o setor industrial recuou 6,6%.

Com o resultado de maio, o patamar da produção industrial do país retornou a um nível próximo ao registrado em dezembro de 2013, ficando assim 23,8% abaixo do pico mais alto da série, alcançado em maio de 2011, segundo o pesquisador do IBGE.

Automóveis e alimentos pressionaram a queda
"As quedas [na produção] dos bens duráveis de 27,4% e de semi e não duráveis são as mais intensas desde o início da série histórica para a comparação mensal", destacou o pesquisador.

Segundo Macedo, o declínio nos bens duráveis e não duráveis está relacionado, respectivamente, a automóveis e alimentos, que exerceram as maiores pressões negativas na paralisação dos caminhoneiros.
A categoria de veículos automotores, reboques e carrocerias retrocedeu 29,8% em maio, enquanto produtos alimentícios encolheu 17,1% em maio frente a abril, segundo os dados do IBGE.

O segmento de bebidas caiu 18,1% e também exerceu pressão negativa. Celulose, papel e produtos de papel tiveram queda de 13,0%. A confecção de artigos do vestuário e acessórios, por sua vez, retrocedeu 15,4%. Já a produção de produtos químicos ficou 5,6% menor, e a de produtos de metal caiu 10,5%.

Dos 26 ramos industriais pesquisados, apenas dois não tiveram redução na produção: o de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis subiram 6,3%, e o de indústrias extrativas avançou 2,3%.

"Os dois são, relativamente, menos dependentes dessa paralisação. No caso dos derivados do petróleo, por exemplo, a matéria-prima muitas vezes chega por dutos, não por caminhões. Isso pode ser uma explicação para algum tipo de comportamento positivo que esses segmentos tiveram mesmo em meio a greve", explicou Macedo.

Questionado, Macedo acenou para a possibilidade de que a greve dos caminhoneiros tenha reflexos na produção industrial de junho "na medida em que pode ter desarticulado determinadas cadeias produtivas". Ele ressaltou, ainda, que o resultado de junho pode ter impacto negativo também da Copa do Mundo, em função do menor número de horas trabalhadas.

Alta da indústria desacelera no ano
Nos cinco primeiros meses do ano, o setor industrial acumulou expansão de 2%, ritmo abaixo do resultado registrado até abril, que ficou em 4,5%.

Nos últimos 12 meses, ao passar de 3,9% em abril para 3% em maio, a alta também desacelerou e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016, quando o indicador caía 9,7%.
Herculano
04/07/2018 15:08
QUEM GANHOU COM A GREVE DOS CAMINHONEIROS ARMADA POR CANIDATOS? A FRANÇA, ESTADOS UNIDOS E OS PAÍSES ASIÁTICOS PRODUTORES DE CARNES BRANCAS. BRASILEIROS PERDERAM ALGO QUE VÃO LEVAR GOVERNOS PARA RECUPERAREM

MANCHETE DESTA QUARTA-FEIRA. EXPORTAÇõES DE FRANGO E CARNE SUÍNA DESPENCAM EM JUNHO, DIZ ASSOCIAÇÃO DO SETOR

Recuo de 40% para carne de frango e de 25% para a suína aconteceu em meio à greve dos caminhoneiros, escreveu Karina Trevizan,para o portal G1

Em meio aos efeitos da greve dos caminhoneiros, o volume de exportações brasileiras de carne suína e de franco despencaram em junho. É o que aponta balanço divulgado nesta quarta-feira (4) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A quantidade de carne de franco exportada caiu 36,9% em junho, para 234 mil toneladas, considerando produtos processados e in natura. A comparação é com o mesmo mês do ano passado. Em relação com o mês anterior, o recuo foi de 30%.

Com o volume menor, os ganhos com as vendas para outros países também caíram. Em junho, as receitas foram de US$ 358 milhões, um recuo de 41,9% na comparação com 2017 e de 20,8% em relação a maio.

Já o volume de exportações de carne suína teve queda de 44,9% na comparação com junho de 2017, para 29,7 mil toneladas. Na comparação com maio, o recuo foi de 27%.

A queda nas receitas com vendas de carne suína para outros países em junho foi de 29% na comparação com 2017, para US$ 57,9 milhões. Na comparação com maio, a diminuição é de 30,5%.

"É resultado direto dos bloqueios nas estradas e da paralisação dos portos ocorridos durante a greve dos caminhoneiros. Houve uma queda generalizada nos volumes embarcados para todos os mercados importadores", disse em nota Francisco Turra, presidente da ABPA.

Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA, afirma que "a expectativa é que o desempenho mensal seja normalizado em julho".
Herculano
04/07/2018 14:58
De Guilherme Fiuza, no Twitter

Chegando a conta (pesada) da greve criminosa que parou o país graças a todos vocês que a fantasiaram de revolução contra os corruptos. Parabéns. Agora caiam no chão se contorcendo, gritando contra a piora da economia e torcendo para a plateia continuar acreditando no seu truque.
Herculano
04/07/2018 11:50
De Augusto Nunes, de Veja, no Twitter

O Primeiro Comando da Capital deveria inspirar-se no precedente aberto por Lula e reivindicar o direito de publicar cartas de Marcola sobre a situação brasileira e o desempenho da Seleção. É certo que o presidente do PCC conseguirá se expressar bem melhor que o chefão do PT
Herculano
04/07/2018 11:49
DIAS TOFFOLI À SOMBRA DO PT

Conteúdo de O Anagonista. Dias Toffoli, quando trabalhava para o PT, era fonte de jornalistas, porque denunciava a roubalheira de tucanos e seus aliados.

Agora ele mudou de lado, mas ainda é fonte dos mesmos jornalistas.

Diz o Estadão:

"Um dos grandes fatores a unir a esquerda, capitaneada pelo PT, à classe média urbana e permitir a ascensão de líderes como Lula, José Genoino, Aloizio Mercadante e José Dirceu era o discurso impiedoso de combate à corrupção.

À sombra desses caciques, assessores parlamentares do PT, como foi um dia o jovem José Antonio Dias Toffoli - que começou sua carreira no petismo na CUT, passou pela Assembleia Legislativa de São Paulo, pela Câmara e chegou ao Planalto com a eleição de Lula -, eram fontes disputadas pela imprensa pelo que levantavam de irregularidades em governos aos quais o partido fazia oposição."
Herculano
04/07/2018 11:44
VEM CONFUSÃO POR AI.APADRINHADOS E PRIVILÉGIOS CORPORATIVOS VÃO CONFRONTAR À LóGICA. NOVA REGRA PERMITE REMANEJAMENTO OBRIGATóRIO DE 1,18 MILHÃO DE SERVIDORES FEDERAIS

Ministérios, IBGE, Ipea, Conab são afetados diretamente; BB Petrobras e BNDES, indiretamente

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Laís Alegretti, da sucursal de Brasília. Com a promessa de que vai atacar feudos ineficientes na administração pública e racionalizar a gestão de pessoal, o Ministério do Planejamento publica nesta quarta-feira (4) uma portaria com regras que permitem a realocação obrigatória de pessoal e tira o poder de veto dos órgãos à mudanças.

Na prática, dá mais poder ao Planejamento.

A medida tem potencial para atingir 1,18 milhão de servidores federais.

QUEM É AFETADO PELA NOVA MEDIDA
1,18 MILHÃO DE SERVIDORES FEDERAIS
DE MANEIRA COMPULS?"RIA:

679 MIL SERVIDORES DO EXECUTIVO FEDERAL, ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA, COMO MINISTÉRIOS, IPEA, IBGE
75 MIL FUNCIONÁRIOS DE ESTATAIS DEPENDENTES, COMO EBC, CONAB E EPL

SOB CONSULTA DE SUPERIORES:

428 MIL FUNCIONÁRIOS DE ESTATAIS NÃO-DEPENDENTES, COMO BANCO DO BRASIL, BNDES, INFRAERO E PETROBRAS

Pelas regras atuais, o funcionário público muda de local de trabalho quando tem proposta para assumir cargo comissionado, e a transferência depende de anuência do órgão original.

O novo texto prevê que órgãos da administração direta, como os ministérios, e empresas que dependem de repasses do Tesouro Nacional, como a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), não terão poder de veto às transferências determinadas pelo Planejamento.

Empresas que pela estrutura jurídica são autônomas em relação ao Tesouro, como o Banco do Brasil, têm tratamento diferente. Será necessária a concordância para liberar o funcionário e também haverá ressarcimento da remuneração à empresa.

Nessa categoria, porém, também se enquadram estatais como a Infraero. Juridicamente, ela é autônoma, mas vem recebendo ajuda financeira da União.

Os remanejamentos, de acordo com o governo, serão feitos caso a caso, mediante uma justificativa, que pode ser "necessidade ou interesse público" ou "motivos de ordem técnica ou operacional".

O ministro substituto do Planejamento e secretário-executivo da pasta, Gleisson Rubin, disse à Folha que os servidores serão deslocados para atuar nas mesmas áreas em que estão lotados no órgão de origem. Terão, ainda, os mesmos benefícios.

"A portaria prevê que a pessoa seja movimentada com todos os direitos e vantagens, como se no efetivo exercício do cargo estivesse no seu órgão de origem", disse.

Essa é uma forma, segundo Rubin, de não ocorrer o chamado desvio de função: "Muito antes de se pensar numa requisição compulsória, a ideia é o inverso: é identificar servidores que tenham interesse de migrar."

Caberá ao secretário de gestão de pessoas promover a movimentação por meio de portaria publicada no Diário Oficial. A medida vale apenas para os servidores civis. Não afeta os militares.

O Planejamento estima que a maior parte das migrações de servidores ocorrerá nas chamadas áreas meio, que existem em diversos órgãos, como recursos humanos, gestão orçamentária, tecnologia da informação, área jurídica.

Ainda nesta semana o governo lançará o banco de talentos, que é uma plataforma para que os servidores disponibilizem seus currículos para os órgãos governamentais.

A facilitação do remanejamento de servidores vai ajudar o Planejamento a criar uma nova área para fazer a gestão centralizada da folha de 697 mil inativos --ou seja, aposentados e pensionistas.

Hoje há 21 mil funcionários, em mais de 200 órgãos, para cuidar de ativos e inativos.

A intenção, segundo Rubin, é liberar cerca de 9.500 funcionários até 2020 - que devem ser realocados. São pessoas que, nas palavras dele, hoje fazem "gestão de papel".

Isso será possível, segundo ele, com o processo de digitalização de 1 milhão de pastas com dados de funcionários.

O governo prevê um investimento de R$ 67 milhões. Esse é o valor de referência da licitação, prevista para agosto.

Hoje, segundo o Planejamento, um servidor do governo leva uma média de 45 minutos para localizar uma pasta com dado de servidor.

Após a digitalização, um servidor da área de recursos humanos vai deixar de gerir, em média, 65 pessoas e passará a cuidar de 600 cadastros.

Foi encaminhado à Casa Civil o decreto que cria a central de gestão da folha dos inativos , vinculada ao Ministério do Planejamento.

Rubin prevê resistência de órgãos que deixarão de ter poder de veto na movimentação de servidores e aponta que é necessária uma conscientização sobre o papel dos funcionários públicos.

"Estamos lembrando que ele é servidor do órgão, sim, mas é servidor do estado. A necessidade do estado se sobrepõe à necessidade específica do órgão", afirmou.

O governo hoje tem dificuldade de gerir as 300 carreiras existentes.

"A pulverização da força de trabalho em uma grande quantidade de órgãos, cargos e carreiras faz com que você não consiga aproveitar força de trabalho", disse Rubin. "A administração é dinâmica, órgão deixa de ter sentido e atribuições deixam de existir."

O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, afirmou em entrevista à Folha que a situação da máquina administrativa "não está gerenciável" e que o tema é "briga de cachorro grande".
Herculano
04/07/2018 11:35
A PRIMEIRA AÇÃO DE BOLSONARO

Conteúdo de o Antagonista. Jair Bolsonaro, aos industriais em Brasília, diz que a primeira coisa que fará, se eleito presidente, será "pedir a benção de Deus para o Brasil".

O pré-candidato cita a Bíblia e diz que não esperava chegar onde chegou.

Afirma que é de um partido pequeno e que apanha muito da mídia.
Herculano
04/07/2018 11:33
O MÉXICO DE ESQUERDA E O BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Novo governo tentará reerguer a esquerda e um país de economia tão fracassada quanto a nossa

O México elegeu um inédito presidente de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, o AMLO. Há quem compare seu sucesso à vitória de Lula em 2002. Trata-se de um disparate sociológico e político que, no entanto, pode ficar certo por linhas tortas.

Quão esquerdista será o governo de AMLO? Pouco, tanto quanto o de Lula 1? É uma hipótese plausível.

Os temas da eleição foram corrupção e violência. O pano de fundo, porém, foi o cansaço com mais uma onda das ditas reformas estruturais (o "Pacto pelo México") em um país que cresce pouco faz décadas.

As economias de Brasil e México são as mais fracassadas entre as grandes da América Latina (excluídos países centro-americanos e a falecida Venezuela).

Em 2012, o governo do recém-eleito Penã Nieto (PRI, direita) assinou um acordo reformista amplo com o PAN (direita) e o PRD (algo mais à esquerda, ex-partido de AMLO). O programa era imenso, de reformas em educação, trabalho, tributos, da seguridade social, saúde, Justiça e economia, entre outras.

Houve mais avanço na liberalização econômica: abertura no setor de petróleo, na finança, nas telecomunicações e na eletricidade, além de alguma ampliação do serviço público de saúde e na educação. Parece um programa tucano, esgotado por vários motivos em 2002? Sim.

O governo prometia loucamente dobrar a taxa de crescimento, que permaneceu em 2,5% ao ano, perto da média desde 1990. A desigualdade cresceu um pouco, ficando parecida com a do Brasil, um horror. O nível de renda e consumo per capita são similares aos nossos.

A decadência da produção da Pemex (a Petrobras deles) e o colapso dos preços do petróleo abriram um buraco na arrecadação do governo (20% da receita ainda depende de petróleo). O governo fez então um corte de gastos pesado. O investimento público caiu. A liberação dos preços de combustíveis bateu ainda mais na inflação. Os juros subiram.

O governo administrou de modo correto problemas econômicos. O país cresceu pouco, mas não passou nem de longe pelo colapso brasileiro. Mas o povo pôs para fora o corrupto e conservador PRI.

Os economistas de AMLO não são tidos como esquisitos pelo establishment, fora do país ou no México. São formados por ótimas universidades americanas, têm carreiras acadêmicas respeitáveis e alguns trabalharam no FMI e no Banco Mundial.

Carlos Urzúa, chefe da equipe econômica, foi secretário de finanças de AMLO no governo da Cidade do México no começo do século. Manteve contas em ordem. Desde a eleição, Urzúa e turma dizem ao "mercado" que a gestão macroeconômica não deve mudar: superávits primários a fim de abater dívida, Banco Central autônomo e câmbio flutuante, o "tripé", como se diz no Brasil. Lula em 2002? Quase: a finança não teve pânico com a vitória de AMLO.

O México faz reformas desde o final dos 1980. Tem economia aberta (muito comércio externo) e juros baixos faz tempo. Carga tributária, proteção social e dívida pública são bem menores que no Brasil; o investimento, maior. É outra prova de que clichês apenas não promovem crescimento.

Como o México depende muito dos EUA, AMLO deve ter problemas sérios com Donald Trump. Mas tem a vantagem de pegar uma economia em ordem e algo reformada. Gente da elite e da finança acredita que AMLO fará um governo "de centro", com mais gasto social e em infraestrutura no sul pobre do país. Não parece um revertério.
Herculano
04/07/2018 11:26
De Ricardo Noblat, de Veja, no Twitter

O PT marcou para o próximo dia 4 de agosto o lançamento de uma candidatura fantasma - a de Lula à presidência da República. Estranho país, este. Tão estranho que um ministro da mais alta corte de Justiça não se declara suspeito para julgar seu ex-chefe.
Herculano
04/07/2018 11:25
EUNÍCIO OLIVEIRA PRESSIONADO A CRIAR CPI DA ANS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O novo aumento abusivo nas mensalidades dos planos de saúde e a invenção perversa de "franquias" e "coparticipação", autorizados pela Agência Nacional de Saúde (ANS), aumentaram a pressão sobre o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), para instalar a CPI para investigar a situação. Assinado por quase metade dos senadores, o requerimento de criação foi entregue há 20 dias e pode ser lido hoje.

É PARA JÁ
Autora do pedido, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) pede urgência na leitura do requerimento e a instalação da CPI antes do recesso.

O TEMPO URGE
A comissão investigará em 180 dias, prorrogáveis, as decisões camaradas da ANS sempre favoráveis aos planos de saúde.

ABUSO CHANCELADO
A ANS autorizou aumento de 10% nas mensalidades, retroativo a maio. Corresponde a quase quatro vezes a inflação desde o último aumento.

O DINHEIRO OU A VIDA
A ANS também criou as franquias. Com isso, apesar das mensalidades nas alturas, o usuário terá de pagar parte do tratamento.

TELEBRÁS SERÁ PROCESSADA POR ENTREGAR SATÉLITE
A diretoria da estatal Telebrás deverá responder ações do Ministério Público Federal (MPF), nos âmbitos cível e criminal, por improbidade administrativa, em razão da entrega do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) brasileiro a uma empresa americana, Viasat Inc, sem licitação. O satélite, lançado com sucesso em maio do ano passado, custou R$2,8 bilhões ao Brasil.

AINDA NÃO LEVOU
Apesar da entrega, os americanos não podem usar o satélite: várias decisões da Justiça, inclusive do Supremo, suspenderam o contrato.

RAPOSA NA GESTÃO
É até chocante: comunicações secretas e estratégicas do governo e das Forças Armadas passarão pelo satélite entregue a outro país.

FICOU MAIS FÁCIL
O Wikileaks acusou o serviço secreto dos EUA de espionar a então presidente Dilma. Com o satélite, a espionagem será facilitada.

PSD RESISTE A ALCKMIN
Geraldo Alckmin tem o tempo de TV do PSD, mas sua bancada, que tem votos na Câmara e nas urnas, deixou claro em reunião nesta terça, na liderança do PSD, que não quer apoiar o tucano para presidente.

DEPUTADOS QUEREM AFIF
Os deputados federais do PSD pediram reunião com seu presidente, ministro Gilberto Kassab, para reavaliar a posição do PSD na disputa presidencial. A tendência deles é apoiar Guilherme Afif, e não Alckmin.

ESTRATÉGIA ESTRANHA
Apesar das derrotas, a defesa de Lula continua hostilizando quem vai julgar o ex-presidente. Após inúmeras ofensas ao juiz Sérgio Moro, agora ataca o ministro Edson Fachin (STF). Estratégia brilhante.

DELINQUÊNCIA RICA PODE
A mesma imprensa que expôs nome e local de trabalho dos torcedores que fizeram brincadeira de mau gosto com mulheres russas, tratou ontem de esconder os rostos dos criminosos e as placas dos carrões e motos que disputavam racha a 300 km/h, em rodovia de Ribeirão Preto.

QUASE PARANDO
O presidente Michel Temer disse que reformar a Previdência será uma tarefa do sucessor, e garantiu que seu governo não ficará parado nesta reta final. O problema é que está devagar demais, quase parando.

PROTEÇÃO SELETIVA
O Senado deve votar nesta quarta as regras para proteção de dados pessoais nas redes sociais. Faltou incluir punição para funcionários de empresas fora da internet que vendem "cadastros" para telemarketing.

ACIDENTES FATAIS
Boletim do Ministério da Saúde mostra que o número de acidentes fatais em transportes relacionados ao trabalho é o menor desde 2008: 1.393. Em 2012 foram 1.937 mortes.

PARECE QUE FOI ONTEM
Em julho de 2014, explosão da Lava Jato, políticos petistas apostavam no desinteresse dos partidos em tocar a CPI da Petrobras. O problema, especialmente para o PT, é que a Lava Jato nunca precisou da CPI.

PENSANDO BEM...
...o mundo viverá nestas quarta e quinta uma crise coletiva de abstinência de Copa do Mundo.
Herculano
04/07/2018 11:19
50 MILHõES VIVEM EM "DESERTO" DE RÁDIO E TV LOCAIS NO BRASIL

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Nelson de Sá. Para 50 milhões de brasileiros, ter rádio ou televisor em casa não significa ter acesso a conteúdo local, principalmente de informação.

Levantamento do Atlas da Notícia mostra que 25% da população do país vive em municípios sem emissoras locais de radiodifusão (rádio e televisão).

Quando muito, têm retransmissoras do conteúdo de rede nacional ou regional. O resultado é semelhante ao levantamento do Atlas em novembro, que apontou um "deserto" de jornais impressos e sites para 70 milhões.

O Atlas da Notícia é um estudo do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo) com a agência de jornalismo de dados Volt Data Lab.

É inspirado no projeto de "desertos de notícias" americanos da Columbia Journalism Review, veículo ligado à Universidade Columbia.

Para Angela Pimenta, presidente do Projor, "quanto menor a cidade, maior a tendência de que não haja jornalismo, e é claro que isso é preocupante".

Sérgio Spagnuolo, editor da Volt, chama a atenção para o impacto concreto: "Quem está cobrindo a vida cívica local? E o buraco na rua?".

O estudo de radiodifusão cruzou dados obtidos através de contribuição online (crowdsourcing) com os registros do Ministério das Comunicações.

Uma edição ampliada e revisada do Atlas, tanto para jornais e sites como para rádio e televisão, já está programada para o final deste ano.

Além do levantamento quantitativo, foi prevista também uma série de reportagens, para um estudo qualitativo das cinco regiões do país.

O projeto, que é apoiado pelo Facebook, contratou para tanto a jornalista Elvira Lobato --que cobriu o setor até 2011 na Folha, onde trabalhou por 27 anos.

Ela deve visitar cidades como a mineira Mariana e as alagoanas Arapiraca e Palmeira dos Índios, para retratar seus jornais, sites e emissoras.

Lobato, que lançou em novembro o livro "Antenas da Floresta" (Objetiva, 360 págs.), sobre TVs na Amazônia, pretende repetir o processo, que mudou sua visão.

Por exemplo, ela hoje vê qualidades no conteúdo de emissoras locais de políticos. "Ele não exerce controle em tempo integral, o ano todo", diz.

"Vi reportagens muito interessantes, por incrível que pareça. E qual é a alternativa que você tem? Só a informação que vem dos grandes centros urbanos."
Herculano
04/07/2018 11:11
O ELEITOR É APENAS UM DETALHE, por Carlos Brickmann

Temos, hoje, 28 pré-candidatos à Presidência da República. Quem tem 28 candidatos não tem nenhum - a menos que ache que os três maiores partidos do país vão disputar o jogo de buraco (o que é melhor do que disputar o rouba-monte, mas também não resolve nada). Um partido quer porque quer registrar um presidiário, que não atende às especificações da Lei da Ficha Limpa; outro insiste num candidato que tem dinheiro para a campanha, mas é pobre de votos; o terceiro gira em torno do cacique que venceu várias eleições em São Paulo, mas não consegue cruzar fronteiras - tanto que o partido que preside só não o substitui por falta de substituto.

Há nomes que despontam bem: Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina. Marina sempre desponta bem e despenca melhor. Bolsonaro não tem tempo de TV nem para dizer "meu nome é Bolsonaro". E Ciro, que negocia com vários partidos, da esquerda à direita, sempre vai bem até falar o que não deve.

O fato é que os partidos ainda não marcaram a data das convenções. E o site Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), que analisou as pesquisas, concluiu que 64,5% dos eleitores não optaram por qualquer dos candidatos. Quase 40% dos eleitores aguardam novos nomes; os restantes parecem decididos a votar nulo. E os eleitores já definidos são apenas 35%.

Qualquer previsão, nesse terreno instável, tende a falhar. Os candidatos tentam articular-se politicamente - mas quem irá cuidar dos eleitores?

ELE É O BOM

O ex-governador Alckmin, que tem intenções de voto expressas em um só algarismo, se diz otimista com o quadro eleitoral: garante que já se aliou a quatro outros partidos que, somados ao seu PSDB, lhe dão 20% do tempo da TV. Quais são esses partidos? Ele não diz. Mas conta vantagem: "Nenhum pré-candidato tem o apoio de dois partidos. Nenhum - exceto eu, que tenho cinco". Diz também que nenhum desses partidos é o DEM - sorte dele, já que o DEM, velho aliado do PSDB, tende a dar apoio a Ciro.

ESQUERDA GERAL

O movimento pró-Ciro é tão forte que um intelectual brizolista, o professor Roberto Mangabeira Unger, já deu entrevista dizendo que o DEM é mais esquerdista que o PSDB - isso, o DEM de Antônio Carlos Magalhães. Mangabeira acha que Ciro, que foi integrante do PDS, dirigido à época por Maluf, é também esquerdista. Ciro tem boas possibilidades de conquistar ainda o apoio do PSB, antes prometido a Alckmin. Mas Alckmin tinha prometido apoiar a candidatura de seu vice, Márcio França, ao Governo paulista; agora age como se nada tivesse a ver com a promessa.

E NÃO É QUE TEM RAZÃO?

O chefe da Casa Civil do presidente Temer, Eliseu Padilha, cacique dos fortes do PMDB, disse que se a convenção nacional do partido se realizasse agora, a candidatura de Henrique Meirelles seria confirmada sem nenhuma dúvida. "Hoje não tem disputa", disse Padilha.

O problema é que, com os raquíticos índices que Meirelles apresenta, não haverá disputa também nas eleições. A propósito, Padilha deve ser lido com atenção: se a convenção do PMDB se realizasse agora, Meirelles seria o candidato. Só que o PMDB não marcou ainda a convenção. Até marcá-la, quem sabe a fila anda?

A FORÇA DO CANDIDATO

Meirelles tem uma proposta que agrada o PMDB: pagar a sua campanha com seu dinheiro. Com isso, os recursos do financiamento público ficam para candidatos a outros cargos, que não precisarão financiar o presidente.

OS BENS DA FAMÍLIA LULA

O patrimônio da família do ex-presidente Lula, revelado por seus advogados no processo de inventário da falecida esposa Marisa Letícia, e divulgado por esta coluna no domingo, dia 1º (em http://www.chumbogordo.com.br/19556-rol-dos-bens-da-familia-lula-da-silva/), soma perto de R$ 13 milhões.

Muito ou pouco? Não dá para dizer: se multiplicarmos o salário do presidente por 104 (oito anos, mais os 13ºs), considerando-se que ele não tenha tido qualquer despesa nesse período, chegaremos a pouco mais de R$ 3 milhões, sem considerar o rendimento das aplicações. Há também possíveis ingressos provenientes de palestras, que Lula informa ter proferido. Em resumo, apenas com os dados disponíveis, não é possível dizer se os rendimentos foram ou não superiores ao habitual. É preciso ainda considerar que o valor venal das propriedades não costuma coincidir com o valor de mercado, normalmente mais elevado.

SALVANDO VIDAS

A partir de agora, o telefone 188 está destinado, em todo o território nacional, a apoiar pessoas que pensam em suicidar-se. Nos moldes do CVV, Centro de Valorização da Vida, há voluntários bem treinados para conversar com possíveis suicidas e estimulá-los a continuar vivendo. É uma experiência muito bem sucedida que se estende ao país inteiro.
Herculano
04/07/2018 09:46
CAMPANHA PRESIDENCIAL SERÁ POR MEDO E FÚRIA DO ELEITOR, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Onda de desencanto com a política mexe com sentimentos e cria conflito emocional

Em 2006, Felipe Calderón se tornou presidente do México ao provocar medo nos eleitores. O publicitário Antonio Sola criou uma campanha que dizia que o esquerdista Andrés Manuel López Obrador era perigoso e levaria o país à ruína. Calderón venceu por 233 mil votos, sob acusações de fraude nas urnas.

O antigo marqueteiro de Calderón passou os últimos cinco meses anunciando que, em 2018, López Obrador seria eleito. "Agora, a emoção predominante é a ira. E a ira é muito mais forte do que o medo", declarou Sola ao jornal The New York Times.

A onda mundial de desencanto com a política mexeu com os sentimentos do eleitorado. Em muitos países, a fúria contra o sistema superou o receio de apostar em propostas que poderiam parecer arriscadas em tempos de serenidade.

Foi assim no "brexit", quando os eleitores britânicos ignoraram o perigo de isolamento, votaram em protesto contra as políticas vigentes e decidiram sair da União Europeia.

O mesmo recado foi dado nos EUA em 2016: os americanos desprezaram Hillary Clinton, que acusava Donald Trump de ser "temperamentalmente inapto" para ser presidente. Os eleitores gostaram mais do discurso do candidato republicano contra o establishment e toparam arriscar.

O Brasil experimentou reações diversas aos apelos emocionais do marketing eleitoral. Em 2002, nem a atriz Regina Duarte conseguiu convencer apoiadores de Lula de que eles deveriam temê-lo. Triunfante, o petista discursou dizendo que a esperança havia vencido o medo.

Doze anos depois, o PT derrubou Marina Silva do segundo turno ao sugerir que sua eleição representaria uma vitória de banqueiros e tiraria comida da mesa dos mais pobres.

Na campanha deste ano, o medo e a fúria parecem estar em conflito. Embora a ira contra a corrupção seja grande, o favorito de 30% dos eleitores ainda é Lula, que foi condenado pela Justiça. Atrás dele vem Jair Bolsonaro (PSL), cujos apoiadores desconsideram os alertas sobre as posições radicais do militar da reserva.

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