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UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA - Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA - Por Herculano Domício

29/03/2018

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA I

A Gaspar antiga está em campanha eleitoral. Como sempre, e cedo, a esquerda do atraso está domesticando e engando sua massa eleitoral: os analfabetos, ignorantes, desinformados e os fanáticos. Ao mesmo tempo, está enxovalhando, constrangendo e acuando os poucos esclarecidos que tentam o contraditório ou se estabelecem na opinião divergente e não possuem o couro duro. Coisa manjada. Vamos a um fato da semana, exatamente a da via crucis, da traição, da morte e da ressurreição de Cristo para os de fé cristã. Fábio Venhorst, gasparense de raiz, excelente fotógrafo, já passou pelo Cruzeiro do Vale, gente do bem, cabeça feita, filho do combativo jornalista Fábio Geraldo, o Coruja, sem meias palavras e atitudes, com que dividi redações na década de 1970 e com uma tia que tinha laços na área de comunicação por aqui, foi o alvo. Na sua rede social, o jovem, escreveu apenas esta singela frase: “A rotatória da Havan é um exemplo de que o viaduto da Avenida foi um simples golpe”.

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA II

Prá que? A petezada e especialmente a que vive ao redor do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, hoje candidato a qualquer coisa, saiu na jugular de Fábio, ou de quem o apoiou na rede social como se o mundo fosse acabar e Fabio fosse um adversário influenciador político em Gaspar. Criou-se, do nada, uma celeuma onde cidade é bem retratada como grotão. O viaduto é aquela “rampa de lançamento” (por cima) e “piscinão” (por baixo) cuja a engenharia para discursos políticos já produziu inúmeros acidentes e até mortes na ligação da Avenida das Comunidades com a Nereu Ramos. Foi uma “invenção” do PT de Zuchi e Décio Neri de Lima. Apesar de defeituosa, tem sim a sua utilidade, deve-se reconhecer. A rótula no Bela Vista é “coisa”nova. E provocou “ciúmes” políticos. E por que? É simples e de engenharia rodoviária óbvia, de menor custo, mais segura aos que passam pela Rua Anfilóquio Nunes Pires (ex-Rodovia Jorge Lacerda) e aos que entram e saem do pátio de estacionamento da Havan, recém-inaugurada. O que o PT e a esquerda do atraso de Gaspar queriam? Um viaduto, caro, demorado, com verbas dos pesados impostos do povo e com dúvidas? O que se queria? A inviabilização da rótula e dos acessos, para com isso gerar acidentes, manchetes, culpados, escárnio na imagem da Havan? Gente inocente pagando com suas vidas para atender o discurso partidário e dos políticos em véspera de campanha eleitoral? Ai, ai, ai!

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA III

Retirei da página social do Fábio apenas este (de muitos de todos os matizes) comentário por ser emblemático. É de Silvio Rangel de Figueiredo, jornalista, ex-dono do Gazeta do Vale que já circulou por aqui, gaúcho, brizolista, filiado ao PDT, que deixou tudo isso para atuar na área sindical e bem se aposentar como um vogal na Justiça do Trabalho, depois se dedicar politicamente à causa dos pequenos e microempreendedores. Foi ex-secretário de Zuchi exatamente na área de atração de empresas e promoção do desenvolvimento. Entenderam a simbologia do contexto e a mágoa? “Me pareceu um privilégio, além de ser de péssimo gosto o traçado da rotatória. Quase obriga todos veículos a entrarem no pátio da loja que tem como propaganda a estátua símbolo dos Estados Unidos. Aquela que veio para colher o que não plantou por aqui. Levando toda sua receita aqui recolhida, para fora do município. Ficando para traz, a quebra de centenas de Micro e Pequenas Empresas que aqui nasceram sustentando suas famílias, fazendo circular no município todo dinheiro que arrecadava. Dando emprego e segurando a barra nas horas boas e ruis do mercado”.

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA IV

Privilégio? Qual a solução de Silvio Rangel, o engenheiro de palanque? Péssimo gosto? Rotatória agora tem sabor? Quase obriga? Como assim, o consumidor não possui mais a opção de escolha como prega a esquerda? Ou a rótula facilita o entrar e sair para quem, livremente, tiver a intenção de negócio lá na loja? Isso é ruim? Devia dificultar para não gerar impostos, empregos de gasparenses e falir o investidor? Onde isso é ensinado aos micros e pequenos, por exemplo? Xenofobia? Nada do mundo capitalista é possível ao discurso do atraso? Se tivesse lá um símbolo da Venezuela ou Cuba, valeria? É isso? O que a Havan não plantou aqui que não satisfez a esquerda do atraso? Esta sinalização do discurso torto já tinha sido dada há meses na Câmara pelo suplente, Joaquim Araldi, PRB, que a ocupou na vaga do PDT de Rangel. Recuou diante da pisada na bola. Agora, voltou?

UMA RÓTULA DE MÁGOAS. COMEÇOU A TRETA V

Empregos, impostos e a cadeia de riquezas geradas não são suficientes? O que o defensor dos micro e pequenos está fazendo para fortalecê-los na cadeia de oportunidades com a vinda da Havan para cá, além de pregar a extinção do avanço no comércio e da cidade? Protecionismo? Ah, então, para o discurso de hoje, o próprio Rangel, em contradição permanente, reconhece que o governo de Dilma Vana Rousseff, PT, onde o seu PDT era o “dono eterno” do ministério do Trabalho, desempregou 14 milhões de trabalhadores? E diferente do que afirma o jornalista partidário na defesa do atraso, estudos têm mostrado que os que mais sofreram na grave crise econômica foram os micros e pequenos que quando não desapareceram e faliram, endividaram-se, ou rumaram para a informalidade. Começou a treta! Quanto pior melhor; quanto menor, mais fraco e dependente, mais fácil à submissão dos que manipulam os jogos, os discursos e os atos de poder político. Fábio, em homenagem a seu pai, obrigado pelo mote desta coluna! Acorda, Gaspar!


TRAPICHE

Mais um cabide de alto salário na Câmara de Gaspar. O Projeto de Lei 20/2018 vai criar o cargo de “procurador-geral” com R$8.884,00 por mês. E poderá ser mais. Autores: o presidente Silvio Cleffi, PSC, e os membros da mesa diretora: Mariluci Deschamps Rosa, PT; Roberto Procópio de Souza, PDT e Evandro Carlos Andrietti, MDB.

Mas, a Câmara já não possui um assessor jurídico efetivo que supre essa demanda? Tem! E daí? Na imprensa é a mesma coisa. Um é efetivo. O outro é de “confiança” de quem está no poder e faz o seu jogo. E quem paga isso duplamente? O povo!

E qual a justificativa de Cleffi para mais este cabide político, disfarçado de técnico? “Presidência sente a necessidade de ter um servidor com conhecimento jurídico notório, de sua confiança para livre nomeação, exoneração ou dispensa, que possa tratar diretamente e em tempo integral com o servidor”. O efetivo não possui condições técnicas num cargo técnico? Vergonha. Acorda, Gaspar!

O trevo da Havan de Gaspar nasceu da noite para o dia. Sensacional! E qual foi o “Mecanismo”, para se ater a série polêmica e de sucesso do José Padilha, na Neteflix? Quem assinou como responsável técnico pela Havan Gaspar, naquilo que se aprovou, Nilberto Gessi Wan-Dall, Crea SC 147183-4.

Ou seja, Luciano Hang, rápido, não quis correr riscos na nossa burocracia e arrumou o “Seu João”. A loja foi erguida no terreno que a Challenger Fundo de Investimento Imobiliário adquiriu da Bela Vista Serviços Administrativos.

Para encerrar esse assunto. A administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB, tropeça nas próprias pernas e depois reclama da oposição, da imprensa, dos fantasmas. Quem mesmo orienta essa gente?

As coisas se iniciam na inocência como ter a namorada “nomeada” rainha de um evento da prefeitura, ao invés de se fazer um concurso; a irmã da namorada nomeada para cuidar do transporte coletivo sem nunca ter se especializada no assunto, ainda mais num ambiente de dúvidas. É o tal “O Mecanismo”, de José Padilha. Experimenta-se o mel; descuida-se das ferroadas. E Silvio Rangel preocupado com a estética do trevo? Acorda, Gaspar!

 

Edição 1844

Comentários

Herculano
01/04/2018 19:37
NESTA SEGUNDA É DIA DE COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA. ESPECIAL PARA OS LEITORES E LEITORAS DO PORTAL CRUZEIRO DO VALE, O MAIS ANTIGO, ATUALIZADO E ACESSADO DE GASPAR E ILHOTA
Herculano
01/04/2018 14:53
da série: quando o presidente da Câmara de Gaspar se orgulha de ter tido 12 mil visualizações num artigo que propôs fake pacto da Saúde por Gaspar...

A COMPRA DE CURTIDAS NAS REDES SOCIAIS

Conteúdo de O Antagonista. O Globo pesquisou dezenas de sites brasileiros e estrangeiros que oferecem venda de seguidores no Twitter ou Instagram, visualizações de vídeos no YouTube, curtidas em páginas ou publicações no Facebook e até comentários em postagens.

"Por trás da operação, estão estruturas conhecidas como farms - fazendas, em inglês, referência à criação e cultivo de milhões de perfis falsos."

O jornal testou o funcionamento de um desses sites e criou perfis no Twitter e no Facebook.

"Por R$ 109,90, um pacote que dá direito a 2 mil curtidas em um post no Facebook foi comprado. (...) Com mais R$ 239,90, foi possível 'investir' num lote de 10 mil seguidores no Twitter."

Uma publicação no Facebook com a mensagem "Vote em José Silva 2018" alcançou 256 curtidas - um número alto para a insignificância do conteúdo, mas pouco acima de 10% do que foi prometido. "No Twitter, nenhum dos dez mil seguidores foi entregue."

"As contas que curtiram a publicação no Facebook tinham características diversas. Algumas pareciam pertencer a pessoas reais, com postagens sobre assuntos variados e fotos com amigos e familiares. Outras claramente eram falsas: sem foto de perfil, amigos e nomes como 'Habbig Htl', 'Henr Mathias'. A maior parte parecia pertencer a crianças e adolescentes, indicando que, em algum momento, podem ter autorizado de forma involuntária o uso automático do perfil para esse tipo de serviço. Foram enviadas mensagens para perfis escolhidos aleatoriamente, mas não houve respostas.

Em outro ramo do mercado, também é possível comprar no Instagram perfis já prontos e com muitos seguidores. Depois, basta trocar o nome e a foto para construir uma conta que já surge com uma base ampla. A reportagem identificou um perfil com 57 mil seguidores à venda por R$ 500 ?" havia também um anúncio no Mercado Livre, em outro exemplo da busca por influência nas redes a qualquer custo."
Herculano
01/04/2018 14:47
"HÁ NO STF QUEM SEJA NOTóRIO PELO POUCO SABER JURÍDICO E QUE TENHA, IMPUNEMENTE, TRANSGREDIDO A LEI"

Conteúdo de O Antagonista. A mesma Constituição que deu ao STF um caráter excepcional - sem qualquer forma de controle efetivo por parte dos demais Poderes - é aquela que concede aos representantes do povo o poder de interferir na qualidade da Corte, registra o Estadão em editorial.

"Basta que o Senado exerça bem sua função de aprovar ou recusar os candidatos apresentados pelo presidente da República para as vagas no Supremo, exigindo deles notório saber jurídico e reputação ilibada. E isso, simplesmente, não tem sido feito.

Pode-se atribuir parte da atual crise institucional, portanto, ao desleixo do Congresso, que deixa de fazer sua parte quando permite que as vagas do Supremo sejam preenchidas por candidatos que simplesmente não satisfazem os requisitos mínimos para integrar o principal tribunal do País. Há lá quem seja notório pelo pouco saber jurídico, da mesma forma como há quem tenha, impunemente, transgredido a lei até dizer chega. O resultado está à vista de todos."

De fato, todos vimos Ricardo Lewandowski, por exemplo, salvar os direitos políticos de Dilma Roussef, mesmo com a perda do mandato, contrariando a lei e até gabarito de prova da OAB.

E em artigo no mesmo jornal neste domingo, Eliane Catanhêde lembra que, por trás das recentes decisões a favor de Demóstenes Torres, Jorge Picciani e Paulo Maluf, está José Antonio Dias Toffoli, "que não tinha doutorado nem mestrado, tinha levado duas bombas para juiz e só virou ministro da mais alta corte porque Lula quis. Ex-advogado do PT e advogado geral da União no governo Lula, ele pode até ser uma boa figura, mas lhe faltavam predicados para o Supremo."

Boa figura, só se for para os condenados.
Herculano
01/04/2018 07:58
AOS CRISTÃOS E AOS QUE ACREDITAM NELA COMO UM ATO DE RENOVAÇÃO, FELIZ PÁSCOA

A Páscoa, antes do significado da ressurreição de Cristo, um Judeu, ela tem outro significado na origem do próprio povo judeu, o da libertação.

Retoma-se à vida após a morte, segundo os ensinamentos da fé cristã.

Já a Páscoa instituída entre os judeus - Pessach - é comemorada pela conquista da liberdade dos hebreus. Eles viviam como escravos no Egito. Foram quase 400 anos.

Essa libertação coincidiu com a Primavera (no hemisfério Norte, e outono, naturalmente, para nós no Hemisfério Sul), e ocorreu no mês hebraico (nissan) que corresponde mais ou menos aos últimos dias de março e meados de abril de hoje.

Para os cristãos, a Páscoa é comemorada na primeira Lua Cheia da Primavera, quando se sai de um tempo sombrio, o Inverno. Ontem dia 31, tivemos, coincidentemente, a segunda lua cheia de março, a primeira do nosso Outono no Sul, e Primavera no Norte.

De acordo com o calendário cristão, a Páscoa consiste no encerramento da chamada Semana Santa. As comemorações referentes à Páscoa começam na "Sexta Feira Santa", onde é celebrada a crucificação de Jesus, terminando no "Domingo de Páscoa", que celebra a sua ressurreição e o primeiro aparecimento aos seus discípulos, teologicamente fundamental para o cristianismo.

Mas o dia da Páscoa só foi estabelecido como ele é conhecido hoje, inclusive na data de comemoração a primeira lua cheia da Primavera, por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C),

No judaísmo, por outro lado, as festividades da Pessach ou Pesach, são feitas um jantar especial de comemoração chamado "Sêder de Pessach", que tem o objetivo de reunir toda a família. O Pessach judeu é dura sete dias.
Herculano
01/04/2018 07:15
O MECANISMO AGRADECE, por José Padilha, cineasta, diretor de Tropa de Elite 1 e 2, Robocop, das séries Narcos e O Mecanismo, entre outros,e um cidadão de claras ideias de esquerda, mas que a esquerda ao ser retratada por sua arte de ficção,o tem agora como um traidor da causa, pois para os políticos de todos os matizes, o mecanismo não pode desvendado aos aos analfabetos, ignorantes e desinformados, e parar. Escrito para o jornal Folha de S. Paulo

Esperava que formadores de opinião da esquerda fossem sair do estupor ideológico e combater o mecanismo de corrupção do mundo real, em vez de se associar a ele para lutar contra o mecanismo exposto na Netflix

A série "O Mecanismo" é uma dramatização inspirada em um conjunto de acontecimentos reais, apresentada de forma a ilustrar uma tese. Eis a tese, em cinco enunciados:

a) No Brasil, a corrupção não ocorre esporadicamente; ela é o mecanismo estruturante da política e da administração pública, um mecanismo que opera nos municípios, nos estados e no governo federal; no Executivo e no Legislativo, e também nas cortes judiciais constituídas por indicações políticas.

b) As campanhas de todos os grandes partidos do Brasil são financiadas por empresas que trabalham para o Estado. Uma vez eleitos, políticos desses partidos montam coalizões com base na distribuição de cargos que auferem controle sobre o orçamento público. Quanto mais poderoso for um político, maior o quinhão que lhe cabe.

c) O Estado, assim loteado, contrata as mesmas empresas que financiam as campanhas políticas dos grandes partidos, superfaturando orçamentos.

d) Parte da fatura se transforma em financiamento de campanha para o próximo ciclo eleitoral, e parte vira caixa dois e propina.

e) O mecanismo não tem ideologia; ele opera nos governos de esquerda e de direita.

Na série "O Mecanismo", assumimos que esses enunciados são verdadeiros. Isso é fato ou ficção? O que aconteceria em um país onde o mecanismo operasse de fato?

No mínimo, três coisas:

1) A polícia e a Procuradoria se deparariam constantemente com casos de corrupção sistêmica.

2) A classe política criaria legislação específica para impedir que as investigações desses casos gerassem punições para seus membros, pois, na ausência de legislação assim, o mecanismo não sobreviveria.

3) Se alguma contingência histórica permitisse que uma investigação de corrupção fosse levada a cabo nesse país, em uma área de orçamento público significativo, a política como um todo seria implicada na investigação.

O Brasil satisfaz essas condições?

Não vou perder tempo analisando as duas primeiras. Sabemos que sim. No que tange à terceira, olhemos para a Lava Jato e a Petrobras.

Que contingencia histórica permitiu que a Lava Jato acontecesse? Claramente, foi o fato de uma pessoa sem nenhuma experiência política ter chegado à Presidência. Só pode ter sido por falta de traquejo que Dilma Rousseff sancionou, em 2013, uma emenda à lei de delações premiadas que permitiu que acordos de delação fossem celebrados com doleiros, empreiteiros e administradores públicos.

Foram acordos desse tipo que revelaram um extenso esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo as maiores lideranças políticas do país, inclusive o patrono político de Dilma, Lula da Silva.

Hoje, a Lava Jato tem US$ 11,5 bilhões em recuperação judicial, sendo R$ 3,2 bilhões já bloqueados. Se não há corrupção sistêmica, de onde veio esse volume de dinheiro?

Ora, é inegável que o mecanismo opera no Brasil, e é inegável que os grupos políticos de Temer e de Lula se beneficiaram dele. Sendo esse o caso, qual o motivo para os violentos e desonestos posts que alguns formadores de opinião de esquerda dispararam contra os atores e autores da série "O Mecanismo"?

Para entender sua natureza, precisamos olhar o que ocorreu com a opinião pública pós-Lava Jato.

Sabendo que O Mecanismo existe, podemos afirmar que:

a) Se a nova lei de delações premiadas tivesse sido sancionada com o PSDB no poder, os políticos denunciados teriam sido Aécio, Serra e FHC. Mas, como a lei foi sancionada com PT e PMDB no poder, os políticos denunciados foram Palocci, Lula, Cunha, Cabral e Temer.

b) A mídia de direita usou essa contingência histórica para atacar a esquerda, como se a direita não fosse corrupta.

c) O PT usou essa contingência para acusar a Lava Jato de partidarismo, como se não fosse inevitável que petistas fossem pegos primeiro, dado que estavam no poder.

Criou-se, assim, um ambiente irracional e polarizado, em que o dogmatismo ideológico da esquerda radical e o cinismo pragmático da direita fisiológica passaram a trabalhar juntos para negar o inegável, o fato de que todas as lideranças políticas dos grandes partidos brasileiros são corruptas.

Hoje, vemos os formadores de opinião de esquerda e os membros da direita fisiológica de mãos dadas, pressionando o STF para cancelar a prisão após condenação em segunda instância. Afinal, para a esquerda isso garantiria a impunidade de Lula; para a direita, a de Aécio, de Temer, de Jucá... O mecanismo, é claro, agradece.

Confesso que esperava mais dos formadores de opinião da esquerda. Pensei que em algum momento da história fossem acordar do estupor ideológico e ajudar pessoas de bem na luta contra o mecanismo que opera no mundo real, em vez de se associar a ele para lutar contra o mecanismo exposto na Netflix.
Herculano
01/04/2018 07:01
BRASIL, 1º DE ABRIL, por 1º de Abril

Ao contrário da História, que acontece como tragédia e se repete como farsa, a mentira acontece e se repete como farsa trágica. A história da prisão dos amigos de Temer (que, pelo jeito, logo não terá nem com quem comentar A Família Adams) é exemplar: foi detida uma das donas da empresa portuária Libra; foi detido o advogado José Yunes, suspeito de fazer a ponte entre as portuárias e seu amigo Temer; foi detido um dos donos da Rodrimar, outra portuária. Há investigações sobre eles, mas há uns vinte anos se ouvem histórias sobre as boas relações entre Temer e o porto. O alvo não é só Temer, em fim de carreira. Há a Odebrecht, sempre ela. E quem assinou a lei que beneficia a Odebrecht, Dilma Rousseff.

A história real começa lá por 2003, quando a Coimex comprou uma área fora do porto para erguer um terminal. Era ilegal: terminal, só em área de portos. A Coimex, com problemas, vendeu o terreno à Odebrecht, que não deu bola para a ilegalidade. Construiu um terminal de contêineres, o Embraport, sem investir um centavo: o financiamento foi do FI-FGTS, estatal, com os menores juros do país, no máximo 3% ao ano, e do BID, internacional, com garantia do Governo. Total, como levantou o repórter Cláudio Tognolli: R$ 1,8 bilhão, mais US$ 768 milhões, numa obra que não podia ser usada. Inaugurou o terminal em julho de 2013. E só em setembro Dilma assinou a lei que autorizava portos em terrenos privados.

OS FRACOS E OS FORTES

Os envolvidos no enredo atual, parte dos últimos amigos ainda soltos do presidente Temer, são uma parte do alvo. A outra parte, bem mais interessante, é saber como a Odebrecht conseguiu dinheiro oficial, a juros de amigo, para construir uma obra fora da lei: e como é que o Governo, sabendo que a obra estava fora da lei, garantiu o empréstimo internacional. E quem foi o gênio da bola de cristal que adivinhou que a lei regularizando terminais em terrenos fora do porto sairia tão pouco tempo depois que aquele terminal ficasse pronto. Mãe Dinah perde de 7? - 1!

A Operação Lava Jato mostrou que a Odebrecht tinha pago, por favores na área em que estava interessada, propinas de R$ 137 milhões. Mas seria maldade atribuir a isso a coincidência na assinatura da lei por Dilma com a data da conclusão do terminal. Tudo não deve ter passado de coincidência.

COINCIDÊNCIA, DE NOVO

O advogado José Yunes, 80, a quem Temer considera tão amigo que o guarda do lado esquerdo do peito, escreveu um livro contra Paulo Maluf no início do Governo do PMDB em São Paulo. Chamava-se "Uma lufada que abalou São Paulo", editado pela Paz e Terra. Por coincidência, Yunes foi detido pela Polícia no mesmo dia em que Maluf obteve a prisão domiciliar.

CARGO E FUNÇÃO

Em abril de 2016, José Yunes deixou vazar que, se Dilma caísse, ele seria assessor especial de seu amigo Michel Temer. "Serei aquele assessor com liberdade para fazer considerações positivas e negativas. Não levarei apenas notícias boas". Durou três meses no cargo e levou a Temer muitas notícias ruins. A primeira: a delação premiada de Cláudio Mello Filho, da Odebrecht, segundo a qual o dinheiro para financiar as campanhas do PMDB paulista era entregue, em notas, no escritório de Yunes.

DESRESPEITO AO VOTO

A população paulistana elegeu, em primeiro turno, a chapa João Doria - Bruno Covas para prefeito e vice-prefeito. É uma chapa puro-sangue, escolhida apenas entre tucanos. Deveriam compartilhar suas ideias.

Muita gente se escandalizou com a decisão de João Dória de deixar a Prefeitura para disputar o Governo do Estado. É verdade que Doria prometeu cumprir todo o mandato, e o está abandonando antes de completar dois anos no cargo. Mas é verdade, também, que o eleitor terá uma excelente oportunidade de dar sua opinião sobre a atitude de Doria: se a desaprovar, é só mudar de candidato. Escandalosa mesmo é a posição de Bruno Covas, cuja principal força é ser neto do falecido governador Mário Covas.

Ele disse que, ao assumir no lugar de Doria, vai mudar sua política para algo mais semelhante ao que seu avô fazia. Pergunta-se: se Covas não concordava com as ideias de Doria, por que aceitou ser seu vice? Ninguém votou em seu nome: foi eleito como integrante da chapa do outro. Mudar aquilo em que o eleitor votou é desrespeitar o voto. Esta é sua posição?

SEMPRE GANHA

Desemprego, crise, recessão? Isso é para os fracos; o lucro dos bancos do país subiu mais uma vez, como de hábito. Sete dos dez maiores bancos tiveram receitas crescentes; no total, os dez bancos somaram R$ 86 bilhões em lucros, 20,2% mais que os ganhos de 2016.

Os bancos que mais ganharam, segundo o site Poder 360°, foram Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Santander, Safra e Votorantim.
Herculano
01/04/2018 06:54
O MINISTRO BARROSO FLECHOU TEMER, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

?Michel Temer está convencido de que, se não tivesse sido bombardeado pelo grampo de Joesley Batista, teria aprovado a reforma da Previdência e o destino de seu governo seria outro. O problema é que foi ele quem abriu a porta do Jaburu para o empresário.

Temer parece ser uma reencarnação do sujeito que estava em Hiroshima, tomou um trem e foi para Nagasaki, sobrevivendo a duas bombas atômicas. Com o escândalo de suas relações perigosas e da MP dos Portos na vitrine, seu governo continua, mas acabou.

O ministro Luís Roberto Barroso teria achado o mapa da Ilha do Tesouro e não haverá "jogada de mestre" capaz de recolocá-lo de pé. Apesar disso, resta a Temer a oportunidade de presidir a campanha eleitoral como o presidente que gostaria de ter sido.

A campanha parece apenas radicalizada, mas está acima de tudo desorientada. O candidato que lidera as pesquisas está mais perto da cadeia do que do Planalto. Sonha-se com um nome que una o centro, mas ninguém sabe o que vem a ser esse centro, além de um disfarce do "mais do mesmo" que produziu as geleias dos plenários do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Temer não é responsável por essa confusão, mas ajudaria a clarear as águas se fechasse sua agência de marquetagens.

Havendo uma denúncia da procuradora-geral, ela corroerá a imaginação dos çábios do palácio, mas é improvável que essa iniciativa leve à sua deposição. Afinal, não há um vice conspirando contra ele e o tempo corre a seu favor, pois faltam só seis meses para e eleição.

J.CRISTO@GOV

Estimado Ministro Marco Aurélio Mello,
Eu também fui crucificado, mas, como o senhor sabe, foi por outro motivo.
Com minha bênção,
Jesus, filho de Maria

ALCKMIN NO GUINNESS

Geraldo Alckmin, candidato pela segunda vez à Presidência da República, entrou para o livro dos recordes na eleição de 2006, quando conseguiu ter menos votos no segundo turno do que no primeiro. Ao dizer que o PT "colhe o que planta" quando a caravana de Lula é alvejada por três tiros, o doutor desafia sua marca.

Ninguém seria capaz de supor que o candidato do partido de Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e Franco Montoro dissesse um disparate desse tamanho.

BRADESCO

Ficou difícil a vida de um cliente do Bradesco que paga seu seguro de vida há 31 anos.

O banco informou, eletronicamente, que seu contrato foi cancelado porque deixou de pagar duas mensalidades. Para reverter a ordem, ele deveria remeter cópias digitalizadas dos boletos e da apólice, com o CPF e um número de telefone para eventual contato.

Feito isso, o banco informou, sempre eletronicamente, que a "área resolvedora" precisaria de 15 dias úteis para tratar do caso, lembrando que não deveria responder a essa comunicação. Assim, nada restou ao cliente senão esperar.

A diretoria do Bradesco deveria avisar ao pessoal da "área resolvedora" que Amador Aguiar, o fundador da casa, transformou seu pequeno banco na maior instituição privada do país em apenas oito anos porque colocou as mesas do gerentes na entrada das agências e instruiu seus funcionários para que ensinassem os clientes a preencher cheques.

"O MECANISMO"

A série "O Mecanismo", de José Padilha, tem duas imprecisões, uma de natureza estética, a outra, demográfica.

A figura de "O Mago", inspirada no advogado Márcio Thomaz Bastos, mostra um senhor pessimamente vestido, que trabalha num escritório pernóstico, enfeitado com um enorme retrato seu.

Márcio vestia-se impecavelmente, seus ternos não tinham dobras e suas salas não tinham retratos.

A segunda imprecisão, demográfica, mostra um negro entre os poderosos empreiteiros capturados pela Lava Jato. Pena. Ao contrário do que acontece com as estatísticas prisionais de Pindorama, nunca houve negro preso pelo juiz Sergio Moro.

Em compensação, o Marcelo Odebrecht de Padilha é irretocável, e será um dos principais personagens da nova série.

MARUN E RAQUEL

Com um pitbull como o ministro Carlos Marun, Michel Temer não precisa de inimigos.

O doutor disse que, se a procuradora-geral Raquel Dodge "der uma de maluca", denunciando seu chefe à Câmara dos Deputados, ele ganhará no plenário.

Não há lembrança de comentário semelhante de Marun dedicado a um homem.

ÁFRICA E CHINA

Os chineses substituíram as empreiteiras nacionais em Angola. Sintomaticamente, as empresas americanas continuam fora desse mercado.

CANCELLIER

Hoje completam-se seis meses do suicídio do reitor Luiz Carlos Cancellier, da Federal de Santa Catarina, e ainda não se sabe o que havia de concreto contra ele. O professor foi encarcerado e, solto, estava proibido de pôr os pés no campus da universidade.

A CASA LONDRINA MAGGS ESTÁ NUMA SINUCA

Em 2004, Laéssio Rodrigues Oliveira, finório gatuno de obras raras, roubou da Biblioteca Nacional oito gravuras do Recife, pintadas em 1852 pelo alemão Emil Bauch. Ele sustenta que as vendeu ao colecionador paulista Ruy Souza e Silva. Laéssio está na cadeia e Souza e Silva, ex-marido de Neca Setubal, filha do criador do banco Itaú, nega que tenha comprado as peças, acusando o ladrão de tentar chantageá-lo.

O maior golpe de Laéssio foi a rapina da mapoteca do Itamaraty, descoberta em 2003. Nesse episódio ele deixou sua marca de conhecedor. No butim estava um mapa de 1631, peça única, de difícil comercialização. Ele a empacotou num canudo e mandou-a por Sedex para a casa do embaixador que dirigia o museu do ministério. O endereço do remetente era o do cemitério São João Batista.

O caso das gravuras já tinha os ingredientes de uma boa história policial quando a ela foi acrescentada por Souza e Silva a informação de que comprou as peças na tradicional casa londrina Maggs, fundada em 1853, famosa por ter vendido o pênis de Napoleão.

O Itaú Cultural forneceu à Folha de S.Paulo dois recibos. Um mostra que no dia 9 de novembro de 2014 Souza e Silva comprou na Maggs um "álbum de gravuras do Brasil" por £ 11 mil, equivalentes a R$ 58 mil. Outro informa que 69 dias depois ele vendeu as obras ao Itaú Cultural por R$ 654 mil.

Diante da denúncia de Laéssio, o Itaú Cultural prontamente entregou as gravuras à Biblioteca Nacional e lá elas foram examinadas por um perito judicial. Um rasgo existente numa delas e vestígios de uma caligrafia existente no verso das peças conferem com imagens arquivadas na Biblioteca.

Do jeito que estão as coisas, a Maggs teria vendido a Souza e Silva gravuras roubadas por Laéssio. O recibo da casa londrina fala em "álbum". Um antiquário de sua linhagem mantém inventários e poderá especificar melhor o que vendeu, dizendo também como a mercadoria oferecida ao colecionador paulista chegou ao seu acervo.
Herculano
01/04/2018 06:37
AVESSO A POLÍTICOS, GUARDIA DESAGRADA LÍDERES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo nos jornais brasileiros

A possível escolha de Eduardo Guardia para substituir a Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda desagradou os líderes aliados do governo Michel Temer. Atual secretário-executivo, o "vice-ministro", Guardia é conhecido por não dar a menor pelota para os políticos, por isso é tão detestado por deputados como Baleia Rossi (SP), líder do MDB na Câmara, e Arthur Lira (AL), líder do PP e do "blocão".

BANCADA DO CONTRA
Os líderes André Moura (PSC), Aguinaldo Ribeiro (PP), Jovair Arantes (PTB) e Celso Russomano (PRB) também torcem o nariz para Guardia.

MÃOS DE TESOURA
Guardia é detestado pelos políticos em razão de suas qualidades, principalmente impedindo a liberação de recursos públicos.

FOCO NOS NÚMEROS
Outro traço de Eduardo Guardia, detestada pelos líderes aliados, é a aversão ao diálogo com o Congresso. Ele só dialoga com os números.

DYOGO NA PARADA
Há outro forte candidato ao lugar de Meirelles, até já foi sondado para isso: o atual ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira.

CANDIDATURA DE FLÁVIO ROCHA UNE GLOBO E RECORD
Engana-se quem imagina haver desagradado à Globo a filiação do ex-deputado Flávio Rocha ao PRB, para disputar o Planalto, em razão das ligações do partido à Igreja Universal liderada pelo bispo Edir Macedo, controlador da Rede Record. Políticos ligados a Rocha afirmam que a Globo entendeu a necessidade de o dono das lojas Riachuelo filiar-se a partido minimamente estruturado para ser um candidato levado a sério.

CONCóRDIA POSSÍVEL
Flávio Rocha estaria disposto a ser instrumento de concórdia entre os grupos Globo e Record, segundo seus entusiastas.

LONGE DA POLÍTICA
Ex-deputado federal que nos anos 1990 se celebrizou com a proposta do imposto único, Flávio Rocha estava afastado da política.

DESABAFO FEZ SUCESSO
Dono das lojas Riachuelo, Rocha empolgou apoiantes após desabafo contundente em vídeo, na internet, contra abusos da justiça trabalhista.

A VEZ DO Nº 2
Persistindo a dificuldade de preencher os cargos de ministro até o dia 7, o presidente Michel Temer deverá efetivar os atuais secretários executivos até que encontre a solução definitiva.

DIGA AO POVO
O "núcleo duro" de Temer no Planalto decidiu abandonar eventuais projetos políticos para permanecerem nos cargos: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral) e Carlos Marun (Governo).

REFORMA SERÁ DIFÍCIL
Michel Temer aproveitou a folga de Páscoa para articular a reforma. Além da certeza de permanência do seu "núcleo duro" nos cargos, ele vai contar até o fim com o ministro Blairo Maggi (Agricultura).

O PT FAZ ÁGUA
O PT diminuiu (e muito) desde 2014, quando elegeu 68 deputados federais. Agora são 56. Mas dois pediram para sair este ano: Givaldo Vieira (ES) foi para o PCdoB e Chico D'Angelo (RJ) para o PDT.

NAMORO DE SETE MESES
Apesar de rumores da filiação de Joaquim Barbosa em 2014, quando se aposentou do Supremo Tribunal Federal, Carlos Siqueira, presidente do PSB, disse que as tratativas com ele acontecem "há sete meses".

DIÁRIA NO CARTÃO
As faturas dos cartões corporativos do governo federal, apenas no mês de janeiro, superaram os R$5 milhões. O maior gasto foi de Fernanda Pomperek Camilo, que pagou R$ 38,8 mil em diárias de dois hotéis.

NA REDE SERÃO MUITOS
O "Vem Pra Rua" quer mobilizar milhares de pessoas para pressionar o Supremo Tribunal Federal a negar o habeas corpus a Lula, condenado por corrupção. Mas a participação é maior nas redes sociais.

BOLADA DESATUALIZADA
O mês de abril começou e o Portal da Transparência tem apenas os valores pagos pelo Bolsa Família em janeiro. Foram pagos R$ 2,5 bilhões e, se mantiver a média mensal, serão R$ 30 bilhões este ano.

PENSANDO BEM...
...no País em que a mentira ganha a eleição, se reelege e continua fingindo, apesar de desmascarada, é pouco só um 1º de abril por ano.
Herculano
01/04/2018 06:31
FLA-FLU DA TOGA, por Bruno Bogossian, no jornal Folha de S. Paulo

A folga da Páscoa poupou o STF de um novo bate-boca em plenário, mas a última semana aprofundou as divergências no tribunal. Instados a estabelecer normas para a aplicação da lei, os ministros têm respondido, cada vez mais, com soluções exóticas e decisões contraditórias, ampliando as incertezas sobre os rumos da corte.

Na quarta-feira (28), Dias Toffoli decidiu, por conta própria, mandar para o regime domiciliar a figura política mais emblemática a frequentar a cadeia nos últimos anos. O ministro revisou uma decisão do colega Edson Fachin e determinou que Paulo Maluf cumprisse pena em casa.

No dia seguinte, Luís Roberto Barroso foi severo: driblou a proibição a conduções coercitivas imposta por Gilmar Mendes e decretou a prisão temporária de 13 alvos da Operação Skala para que eles fossem obrigados a prestar depoimento. Foi uma medida "excepcional e invasiva", como escreveu o próprio Barroso, e uma cotovelada em seu arquirrival.

No momento mais crítico do esforço de combate à corrupção no país, o Supremo emite sinais trocados e segue um caminho acidentado. Com frequência, ministros parecem tomar decisões atípicas simplesmente para enfrentar colegas, sustar despachos e impor seus entendimentos.

A Lava Jato, em especial, ampliou o abismo entre alas que estão há anos em franco conflito no tribunal. Um grupo defende a aplicação rigorosa da lei para combater crimes de maneira eficiente; outro prega uma interpretação mais branda, a fim de preservar direitos individuais.

A distância crescente entre os dois times exacerba discórdias e torna imprevisível a linha seguida pelo STF.

Há alguns dias, um leitor sugeriu que o Supremo fosse substituído por um algoritmo ?"código com instruções para que um computador execute uma ação. "De vez em quando, um inocente seria atropelado, como aconteceu com o carro automático da Uber nos EUA. Na média, não acho que estaríamos pior",escreveu.
Herculano
31/03/2018 19:08
PEGA A NETFLIX, por J.R.Guzzo, na revista Veja

Lula e o PT exigem, cada vez mais abertamente, a censura no Brasil

Poucas coisas estão criando tanta irritação hoje em dia no condomínio político e mental ao qual se dá o nome de "esquerda brasileira" quanto a liberdade de expressão. O ex?"presidente Lula, o PT e seu entorno se preocupam cada vez menos em disfarçar isso - na verdade, do jeito que vão as coisas, daqui a pouco vão acabar incluindo a censura entre as promessas do governo que pretendem iniciar no dia 1º de janeiro de 2019. (Será preciso primeiro que o Supremo Tribunal Federal declare extinta para sempre a punição dos crimes de corrupção quando cometidos por políticos tamanho "extra-large" e que estejam na frente nas "pesquisas eleitorais" ?" de preferência se já estiverem condenados em segunda instância a cumprir doze anos de cadeia. Mas isso, pelo que indica o comportamento atual dos sócios-proprietários do STF, dá a impressão de ser coisa que já está resolvida.) O problema, cada vez mais, parece ser o seguinte: como é que o "novo governo" vai calar a boca de quem quer dizer o que pensa? Lula e o PT já reconheceram que o principal erro da sua primeira estadia no poder (salvo, possivelmente, a ideia de transformar Dilma Rousseff em presidente da República), foi não ter criado a censura no Brasil. Não falam "censura", claro. Falam em "controle social dos meios de comunicação". Tanto faz, podem falar o que quiserem ?" é exatamente a mesma coisa. Agora, com a esperança de chegar lá outra vez, e com um horror à liberdade que vai se colocando entre a histeria e o ódio, parecem dispostos a não cometer o erro outra vez.

No momento, o que está deixando a esquerda em estado avançado de cólera é a série "O Mecanismo", uma produção internacional do diretor José Padilha, que está sendo exibida pela Netflix e cujo enredo se inspira no ambiente de ladroagem sem limites criado no Brasil a partir, principalmente, da chegada do PT ao governo do país. Não é um documentário. É uma obra de ficção. Não tem obrigação nenhuma, portanto, de reproduzir os fatos exatamente da maneira como aconteceram - da mesma forma como não se pode cobrar de Machado de Assis, por exemplo, uma descrição precisa, com estatísticas, atas, biografias autênticas e comprovação fotográfica dos episódios de Dom Casmurro. Mas a história de Padilha é tão parecida com a vida real, e tão parecida com a roubalheira comandada pelo complexo Lula-PT, que o ex-presidente e sua turma saem muito mal na foto - saem horríveis, na verdade. Tiveram então, mais uma vez, a reação automática que têm diante de qualquer obra que não gostam: apelam para a repressão. Lula prometeu "processar a Netflix"; disse que não vai "aceitar isso". Eis aí o mundo petista em seu estado mais puro. Lula não tem de "aceitar" ou "não aceitar" coisa nenhuma. Não cabe a ele permitir ou proibir nada, nem selecionar para a exibição pública apenas os filmes que aprovar. Mas é exatamente assim que a esquerda pensa e age no Brasil. Para filmes, músicas, exposições, páginas do Facebook, imprensa em geral ?" eles estão convencidos de que só deve ser publicado aquilo que autorizarem. Não podem impor essa censura agora. Mas dão a impressão exata de que vão fazer isso assim que puderem. É o tal "controle social da mídia".

A ira diante de "O Mecanismo" foi especialmente neurótica. Até Dilma Rousseff, em mais uma convulsão no túmulo mental onde jaz desde que foi despejada da presidência, imaginou que poderia contribuir com o esforço para calar o filme ?" disse que sairá "pelo mundo", imaginem só, avisando "os governos" que eles devem banir a Netflix dos seus territórios. "Eles não sabem com quem foram se meter", disse Dilma. Não sabem mesmo; ninguém sabe. Qual seria a primeira potência a ser advertida? Em que dia? A quais governos do mundo ela vai dar as suas instruções? O de Sua Majestade Britânica? O do presidente Putin? A China? Quem? Dilma não vai falar nem com o governo companheiro da Venezuela, mas fazer o que? Nessas horas o complexo petista tem uma atração irresistível pela palhaçada. Não é apenas a reação totalitária de vetar, e proibir, e punir ?" é, também, a ânsia de não perder nenhuma oportunidade de dizer coisas particularmente idiotas. Quanto ao "processo" de Lula, é melhor esperar. Os cemitérios estão lotados de "processos" que Lula jurou abrir, contra o mundo e o resto do Sistema Solar, e dos quais nunca mais se ouve falar. Ele sempre pode pedir que um ministro Toffoli, por exemplo, baixe um "salve" proibindo o filme. Ou o ministro Lewandovski, talvez? Quem sabe um Marco Aurélio, ou mesmo um Barroso? Não custaria nada tentar. Mas talvez seja melhor deixar quieto; os ministros já estão ocupados demais em arrumar sua vida, neste momento.

A série da Netflix, no fundo, é um choque para Lula. Ele e a esquerda estão viciados, há anos, em ser tratados da maneira mais servil que se possa imaginar pela maioria da "classe artística" do Brasil. Foram quase quinze anos de puxação de saco desesperada, contínua e remunerada com dinheiro do Erário. Valeu tudo, aí. Filme, livro, música, festival, show, e até documentário que fingia ser documentário ?" tudo, no fundo, apenas propaganda. Mas agora, quando aparece um cineasta de talento real, possivelmente o único diretor de cinema brasileiro verdadeiramente respeitado no mercado internacional, onde só faz sucesso quem é bom e os críticos dos "cadernos culturais" do Brasil não servem para nada - bem, quando aparece alguém como Padilha, que ainda por cima é um sujeito independente, a turma entra em estado de coma no aparelho cerebral. Como assim? Um filme falando mal da nossa luta? O que "está por trás" disso? É a direita, claro. É um plano da CIA, via Netflix, para não deixar que Lula seja de novo presidente do país e salve os milhões de pobres criados por Michel Temer neste ano e pouco em que o PT ficou fora do governo.

Chama a atenção, neste momento, a circunstância de que uma boa parte dos jornalistas e dos meios de comunicação tenham se colocado, com maior ou menor clareza, contra o filme de Padilha e a favor da censura petista. É o que fizeram na prática e na vida real. Claro, claro; falam no direito de crítica e nos méritos do jornalismo investigativo - e de fato se lançaram à busca e apreensão de falhas em "O Mecanismo" com a aplicação de quem estivesse apurando a verdade sobre o Terceiro Segredo de Nossa Senhora de Fátima. Muito justo. Mas não houve nenhum esforço parecido para fazer jornalismo investigativo sobre o filme "Lula, o Filho do Brasil", uma produção da Globofilmes e do diretor Luis Carlos Barreto, financiada por empreiteiras de obras e fornecedores do governo, que se apresentava como uma biografia do ex-presidente. A mídia noticiou, discretamente, que o filme foi um fiasco de público. Mas nenhum órgão de imprensa se animou a investigar nada sobre os fatos e detalhes narrados pelo cineasta. No caso de "O Mecanismo" foi o contrário ?" o filme passou por um interrogatório completo e acabou sendo severamente condenado por suas "falhas históricas". Mas é uma peça de ficção, como está dito e escrito da maneira mais clara possível; não tem nenhum cabimento exigir da obra a reprodução exata disso ou daquilo, porque o autor tem o direito de fazer seu filme do jeito que achar melhor. Não se trata de "fake news", como a esquerda diz, porque a série jamais se comprometeu a dar nenhuma "news". Isso se chama liberdade de expressão. E é isso que provoca tanta revolta. (Um jornalista, na ânsia de apontar os crimes da série, se atrapalhou e a chamou de "obra fictícia", em vez de obra de ficção. Um outro, um pouco antes, tinha garantido que um recurso jurídico, desses que vivem por aí, não tinha "efeito suspensório". Vasos comunicantes, talvez, nos circuitos mentais da imprensa contemporânea.)

"Essa discussão é como se o sujeito entrasse na sua casa, estuprasse sua esposa, amarrasse seu filho, roubasse um isqueiro", comentou José Padilha a respeito das críticas. "A esquerda quer discutir o isqueiro, porque, se ela olhar para o macro, para o que aconteceu, não vai ter o que falar". Não vai mesmo. Fim de conversa. Nessas horas, quando não há mais nada para conversar, aparecem as soluções de ditadura: processo, ameaça, censura. Até hoje Lula e sua esquerda não descobriram nenhuma outra maneira de lidar com pessoas livres.
Herculano
31/03/2018 12:41
A "ESCALADA DE ABSURDOS" DO STF
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Conteúdo de O Antagonista. Foi-se o tempo em que o STF era a ermida da Constituição e das leis, a intransponível barreira contra o arbítrio, os arranjos de ocasião e todas as demais ameaças à democracia.

É o que diz o Estadão, em editorial, neste sábado.

"Na escalada de absurdos que têm marcado o comportamento da atual composição da Corte Suprema, o mais novo degrau foi superado pelo ministro Dias Toffoli. Com apenas um despacho, o ministro realizou a proeza de derrubar uma decisão soberana do Senado e, ao mesmo tempo, enxovalhar a Lei da Ficha Limpa. Como se trata de uma lei de iniciativa popular, não é exagero dizer que Dias Toffoli zombou de um legítimo anseio da sociedade que, democraticamente, foi acolhido pelo Congresso Nacional."

O jornal se refere à suspensão da inelegibilidade do ex-senador Demóstenes Torres, ainda procurador do MP de Goiás, que havia perdido em 2012 os direitos políticos até 2027, sob acusação de ter usado o cargo para defender os interesses do empresário Carlinhos Cachoeira.

"Talvez inspirado pela decisão esdrúxula de seu colega de Corte Ricardo Lewandowski, que ao presidir o processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff a julgou indigna de permanecer no cargo, mas não a impediu de tentar obter outros mandatos eletivos, mantendo seus direitos políticos ao arrepio do que diz a Constituição, Dias Toffoli negou o pedido de Demóstenes Torres para voltar ao Senado, mas suspendeu sua inelegibilidade. Assim, o ex-senador não é mais considerado um 'ficha-suja' e pode concorrer nas eleições de outubro, quando pretende obter nova vaga no Senado."

Toffoli "ignorou solenemente o fato de que a cassação de um mandato eletivo é acompanhada pela perda dos direitos políticos do parlamentar cassado.

"Diante de mais um flagrante desrespeito à lei, a pergunta se impõe: que Supremo é este? Ao decidirem assim, os ministros transmitem à sociedade a mensagem de que a lei são eles, que decidem desta ou daquela forma porque podem e porque querem."
Herculano
31/03/2018 12:39
STF É PARTE DE "CORPO EM DECOMPOSIÇÃO"

Conteúdo de O Antagonista. Em artigo no Globo, Fernando Gabeira diz se sentir como imigrante no Brasil ao assistir a uma sessão do STF.

"O Brasil que habitava desde a redemocratização pelo menos tinha esperanças. O que se vê hoje é o declínio de toda a experiência democrática das três últimas décadas. O sistema político foi engolfado pelos custos de campanha, corrompeu-se e perdeu o contato com a sociedade.

O Supremo mostrou-se uma parte apenas desse corpo em decomposição. Não apenas pelo mérito de sua discussão, mas também pela forma. Quem iria supor que num momento histórico um ministro iria alegar, ao vivo, uma viagem para interromper a decisão? Ou que, também num momento histórico, era necessário respeitar o horário regimental?

Levamos o Brasil mais a sério. É impensável que, numa grande questão nacional, se reunissem por duas horas, fizessem uma hora de lanche e voltassem cansados, sem condições de raciocínio."

O bilhete de check-in de Marco Aurélio Mello e a alegação de Ricardo Lewandowski de eventual cansaço na sessão de suposto julgamento do HC de Lula são cenas que jamais deixarão de indignar os brasileiros de bem.
Roberto Sombrio
31/03/2018 10:23
Oi, Herculano.

Do blog do Políbio Braga.

Artigo, Oscar Bessi, Correio do Povo - A heroína de Chapecó.

Se alguém contar que ladrões covardes assaltaram uma senhora e sua neta na rua, roubando tudo o que tinham, eu contarei que uma mulher apareceu e capturou esses bandidos. E se contarem que delinquentes arrombaram um escritório, invadiram uma residência e quebraram o dente da moradora para que ela não pedisse socorro, eu diria que a mesma mulher, outra vez, prendeu os caras e libertou a vítima. E que esta mulher encarou tiroteios, traficantes, assaltantes e muito mais, pois era o seu cotidiano. Então alguém talvez pergunte se ela é a Mulher Maravilha. Infelizmente não, pois num filme a gente escreve o final que quiser e o bem pode vencer. Mas é vida real. E eu falo de Caroline Pletsch, soldado do 2º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina, heroína de carne e osso. Eu falo de uma jovem, linda e humilde, de uma mulher brasileira que escolheu ser policial e, por esta escolha, foi brutalmente executada num assalto em Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Conversei com a Tenente Débora, que servia com Carol. É palpável a comoção que tomou conta de todos por lá. Orgulhosa e emocionada, a oficial me contou as diversas ocorrências, mostrou fotos da soldado em ações sociais, com crianças, com colegas de farda, em treinamentos e no seu grupo de defesa pessoal. Em operações. Com o marido.

BOLSONARO vencerá em 2018 e honrará Caroline e demais crianças, jovens, mulheres, homens e idosos assassinados pelo PT que semeou o ódio e a insegurança num país que não lhes pertence.

PT = Pedra e Tiro
31/03/2018 09:57
Parece mais 80.000.000 de imbecilidades que alguém quer impor sobre um povo que já não é mais imbecil. Em 2018 o povo não é mais PT, só os malandros são.
Herculano
31/03/2018 08:40
da série: candidato a qualquer custo. Se não for doença, é um perigo. Santa Catarina está sem sorte ou nas mãos de gente que joga com a sorte?

MERÍSIO ARMA ALIANÇA DE MÉDIOS E PEQUENOS PARTIDOS, por Upiara Boschi, no jornal Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

É uma estratégia incomum que mantém em pé a pré-candidatura de Gelson Merisio ao governo do Estado. Ao contrário das articulações que resultaram nas vitórias de Esperidião Amin, Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo nas últimas cinco eleições, a articulação principal do pessedista é reunir um bloco de médios e pequenos partidos.

O que tem funcionado nos últimos 20 anos são os acordos entre os grandes partidos, trazendo as demais siglas a reboque, em nome da sobrevivência. Agora, em um cenário que - por enquanto - indica fragmentação da antiga tríplice aliança, Merisio aproveita as indefinições das cúpulas do PMDB e do PSDB e a composição acertada com o PP para montar uma coligação que independa da presença dos antigos parceiros.

?Na terça-feira, Merisio colocou mais um tijolo nessa construção ao acertar o apoio do PDT ao projeto. O anúncio foi celebrado com a presença do presidente nacional do partido, o ex-ministro Carlos Lupi, e do ex-ministro catarinense Manoel Dias, secretário-geral do partido. O presidenciável Ciro Gomes vem conversando com Merisio desde o ano passado sobre um projeto em comum.

O acerto traz os pedetistas para um barco que já conta com o PSB de Paulo Bornhausen e que aglutina outras siglas de médio e pequeno porte. Já seriam 10 partidos acertados, incluindo PRB, PSC, Pros, Solidariedade, Podemos e PRP. O PCdoB estuda com carinho entrar nesse barco.

O diferencial de Merisio para juntar grupos díspares ideologicamente é a viabilidade eleitoral para as eleições de deputado federal e estadual, especialmente a última. Uma ampla coligação de legendas de médio porte viabiliza eleição de parlamentares com votações abaixo das alcançadas pelos candidatos dos grandes partidos.

Nesta eleição, será a última vez que será permitida a coligação entre partidos nas eleições parlamentares. São elas que garantiram a proliferação de legendas no Congresso, criando condições para que seja superado o quociente eleitoral. Como distorção, os votos de um candidato socialista podem ajudar a eleger um liberal, e vice-versa, dependendo da amplitude - para usar um termo bonito - ideológica da coligação.

É a regra do jogo, pela última vez. Por isso, os partidos se agarram a essa chance de manter ou conquistar vagas na Alesc e na Câmara e, assim, não desaparecerem do cenário político. Quem ficar fora do jogo nesta última rodadas de coligações, não vai conseguir montar chapas competitivas para a eleição de vereador e acaba morrendo de inanição a partir daí.

Ainda enfrentando resistências e desconfianças no PSD, Merisio constrói um projeto que vai se consolidando diante da falta de planos B no partido. A resistência de seu projeto é uma das surpresas do momento pré-eleitoral.
Herculano
31/03/2018 08:29
CAUSA COMUM, conteúdo da coluna Painel (Daniela Lima), do jornal Folha de S. Paulo.

Causa comum Dirigentes do PT trataram com cautela a recente ofensiva sobre Michel Temer. Avaliam que o momento não é de comemoração, mas de tentar entender "o que está por trás" do novo cerco. Eventual queda do emedebista, creem, ampliaria a crise e a hipertrofia do Judiciário. Coincidência ou não, nota emitida pelo Planalto para rebater a operação Skala sustenta que "querem impedir candidatura" e barrar a livre escolha pelo povo. O trecho se encaixa no discurso Temer, mas também no de Lula.

Teoria...
A avaliação feita por petistas nos bastidores não vai aliviar os ataques a Temer no plenário do Congresso. Parlamentares e quadros da legenda apostam que, se o presidente cair, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não conseguirá governar.

...e prática
Crítico aguerrido do emedebista, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) diz, por exemplo, que obviamente seu partido votará pela aceitação de uma nova denúncia, mas pondera: "Acho que tem muita gente querendo colocar a Cármen Lúcia na Presidência da República".

Toca de lado
Os desdobramentos da operação Skala serão determinantes para o destino de Temer. Se nenhum fato contundente surgir, a tendência da base aliada é tentar acomodar o assunto. Caciques de partidos do centrão já dizem que uma nova denúncia jogaria o país no escuro e, por isso, só deveria ser apreciada após a eleição.


Estamos juntos
Henrique Meirelles (Fazenda) foi ao Alvorada nesta sexta (30) falar sobre a nova equipe econômica, mas fez questão de se mostrar solidário a Temer. Seus gestos foram tão enfáticos que impressionaram. Ele precisa que o presidente desista de ser candidato para se tornar o nome do MDB.
Herculano
31/03/2018 08:25
TEMER ATINGIU O ESTÁGIO DA AMORALIDADE IMPERIAL, por Josias de Souza

Danem-se as evidências. Michel Temer ancorou sua biografia política no porto de Santos há duas décadas. Em 1999, ACM já o fustigava: "Se abrirem um inquérito sobre o porto de Santos, Temer ficará péssimo." Finalmente, abriram o inquérito. Reuniram-se indícios para justificar a prisão provisória de 13 pessoas. Entre os presos há um "faz-tudo" de Temer. Tem nome de laranha: Coronel Lima. Esquiva-se há nove meses de prestar depoimento à PF. Há fundadas suspeitas de que recolheu propinas de empresas portuárias. Deixou digitais na reforma da casa de uma filha de Temer.

Diante do risco de amargar uma terceira denúncia criminal, Temer mandou soltar uma nota. Nela, justificou-se dizendo que "bastou a simples menção à possível candidatura para que forças obscuras surgissem para tecer novas tramas sobre velhos enredos maledicentes." Falso. A candidatura à reeleição só existe na cebeça de Temer e de seus apologistas. A prisão dos amigos e empresários de estimação não é obra de desconhecidos obscuros. Nasceu de um pedido de Raquel Dodge, indicada pelo investigado para a chefia do Ministério Público Federal. Há na investigação interesse público, não maledicência.

Numa segunda linha de argumentação, a nota oficial disse que "tentam mais uma vez destruir a reputação do presidente Michel Temer. Usam métodos totalitários, com cerceamento dos direitos mais básicos para obter, forçadamente, testemunhos que possam ser usados em peças de acusação." Engano. Depois do grampo do Jaburu, Temer tornou-se frequês de caderneta da Lava Jato. Coleciona duas denúnicas e dois inquéritos por corrupção. Reputação é como virgindade. Não dá segunda safra. E a de Temer está sub judici. Quanto ao inquérito, segue o manual. De resto, não há delações forçadas, mas depoimentos sonegados.

Na nota, Temer deu-se ao luxo de fazer pose de icomodado: "Repetem o enredo de 2017, quando ofereceram os maiores benefícios aos irmãos Batista para criar falsa acusação que envolvesse o presidente. Não conseguiram e repetem a trama, que, no passado, pareceu tragédia, agora soa a farsa." Lorota. A imunidade penal concedida ao bando da JBS foi para o beleléu. Os irmãos Batista puxam prisão domiciliar. As provas que forneceram estão de pé porque a lei manda que seja assim. O fio da meada não teria sido puxado se a voz de Temer não houvesse soado no grampo que captou seu diálogo vadio com um criminoso.

O avanço do inquérito dos portos sobrecarregou o processador de Temer. Quem esteve com o presidente nas últimas 48 horas notou que ele está impaciente. Foi assim também no ano passado, quando foi obrigado a trocar o triunfalismo reformista pelo fisiologismo que remunerou o congelamento de duas denúncias na Câmara. Engolfado pelo novo inquérito, Temer faz cara de nojo e escreve na nota que querem "impedi-lo de continuar a prestar relevantes serviços ao país."

Temer atingiu o perigoso estágio da amoralidade imperial. Acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações. E lamenta que não permitam que ele continue fazendo o favor de salvar o país. Décadas de depravação impregnaram no sistema político brasileiro um fascínio antroplógico pela cleptocracia. Mas Temer exagera no cinismo. A essa altura dos acontecimentos, trocar valores éticos por ajustes na economia equivaleria à atualização do velho 'rouba, mas faz'. O Brasil merece um destino diferente.
Herculano
31/03/2018 08:20
LULA E BOLSONARO SUJEITARAM O DISCURSO TUCANO À SUA LóGICA POLÍTICA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, para o jornal Folha de S. Paulo.

"O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!", gritavam os partidários de Bolsonaro no Paraná, plagiando o antigo bordão dos fiéis lulistas para expressar sua repulsa ao jornalismo, em geral, e à Globo, em especial. Mais surpreendente, talvez, foi outro paralelismo registrado em meio aos ataques à caravana de Lula no Sul. "Lula quis transformar o Brasil num galinheiro; agora está colhendo os ovos", declarou Bolsonaro. "Estão colhendo o que plantaram", declarou Alckmin. Por que eles não articulam uma chapa única - a coligação "Pau, Pedra, Ovo e Tiro"?

Nas emboscadas à caravana eleitoral lulista, queimaram-se pneus. Quantas vezes os movimentos que orbitam ao redor do PT incendiaram pneus para atingir objetivos partidários simulando protestar em nome de reivindicações sociais? Enquanto, no Sul, a baderna envolvia os militantes lulistas, no Nordeste o MST invadia uma fábrica de Flávio Rocha, recém-declarado candidato presidencial. As milícias que se coordenaram contra a caravana evidenciam a força da pedagogia da intimidação. "Petistas da direita", eis uma alcunha apropriada para os arruaceiros que perseguiram Lula. Quando Alckmin pronuncia seu elogio implícito da violência política, está dizendo que, ganhando ou perdendo as eleições, o PT venceu - isto é, que não há mais espaço para a divergência democrática no Brasil.

A política da intimidação nasce da pulsão totalitária. "As ruas são nossas" - a ideia de expulsar os rivais da praça pública sempre foi um traço comum aos partidos fascistas e comunistas. O PT não é uma coisa nem a outra, mas assimilou as práticas do castrismo, fonte mítica de inspiração para suas principais correntes. Daí, os "atos de repúdio" contra "inimigos do povo", a vandalização de debates acadêmicos ou eventos de lançamento de livros, as invasões políticas de propriedades patrocinadas pelo MST (o "exército do Stédile", que opera como milícia de Lula), as agressões a concorrentes em atos eleitorais. O Alckmin que justifica os petistas da direita está, de fato, celebrando os petistas do PT.

O pilar central da democracia é o princípio do pluralismo: a crença compartilhada de que nenhum partido singular tem o monopólio da verdade. A política da intimidação equivale a uma insurreição contra a democracia. É essa a chave para interpretar o cerco dos milicianos à caravana de Lula.

Na hora do impeachment, um clamor pela cassação do registro do PT escorreu dos arautos de uma "nova direita" avessa ao pluralismo. A causa da abolição do PT fracassou, assim como se desvaneceram as esperanças na simples desaparição do partido. O projeto liberticida mudou de alvo: trilhando um longo desvio para atingir a mesma meta, eles empenham-se em forçar a prisão de Lula. Os ovos, pedras, paus e tiros desferidos contra a caravana devem ser entendidos como instrumentos de persuasão dos ministros do STF. No Sul, mirava-se o julgamento de 4 de abril.

João Doria entendeu isso, explicitando a demanda dos milicianos. Depois de repetir Alckmin ("o PT sempre utilizou da violência; agora sofreu da própria violência"), Doria esclareceu o que se pretende: "Não recomendo ovos, e sim prisão para ele". As lideranças petistas habituaram-se a ameaçar juízes com o espectro da convulsão social, na hipótese da prisão de Lula. O porta-voz voluntário dos petistas da direita produziu uma ameaça simétrica: a convulsão social seria o fruto do habeas corpus para Lula. A política da intimidação eleva-se a um patamar inédito quando aderem a ela os candidatos tucanos ao Planalto e ao Bandeirantes.

Fogueiras de pneus pertencem ao universo dos petistas -os de esquerda ou os de direita. Lula e Bolsonaro triunfaram, juntos, na Batalha do Sul. Eles configuraram o noticiário e sujeitaram o discurso tucano à sua lógica política. Aos vencedores, irmãos-inimigos, uma chuva de ovos.
Herculano
31/03/2018 08:12
PREOCUPAÇÃO DE FACHIN É PROTEGER FILHAS E NETOS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A maior preocupação do ministro Edson Fachin é com a segurança da sua família, por isso ele não hesitou em denunciar as ameaças que vem sofrendo. Ele é um pouco mais tranquilo em relação à sua esposa, desembargadora, que dispõe de aparato mínimo de segurança próprio do cargo, mas o que lhe tira o sono é imaginar que as duas filhas, a neta e o neto, seus xodós, sejam vulneráveis a facínoras covardes.

AGORA É MAIS SÉRIO
Discreto e reservado, Fachin não é de se apavorar com ameaças, aliás rotineiras na relatoria da Lava Jato, mas desta vez extrapolaram.

FALTA DE RESPOSTAS
As ameaças foram informadas por Fachin à polícia e à Secretaria de Segurança do STF, mas se sentiu frustrado com as respostas.

SOLIDARIEDADE
Tornadas públicas, as ameaças geraram uma onda de solidariedade poucas vezes vista. Serviu para verificar como Fachin é admirado.

OS AMEAÇADOS
Bandidos ameaçam porque se sentem ameaçados pelo desassombro de juízes como Fachin, os desembargadores do TRF-4 e Sérgio Moro.

'ATENTADO': NADA PODE SER DESCARTADO, DIZ PERITO
O presidente da Associação dos Peritos Criminais Federais, Marcos Camargo, não comentou as suspeitas de armação no suposto atentado à caravana de Lula, no Paraná, mas "analisando apenas as fotos disponíveis, nenhuma das possibilidades já levantadas pode ser descartada". Ele explica que o formato dos buracos das balas depende, entre outros fatores, da velocidade do veículo, da distância e da posição do atirador em relação ao veículo e do calibre da arma usada.

TODOS OS DETALHES
"É necessário verificar os resíduos de pólvora na carroceria, identificar os estojos e projéteis resultantes dos disparos", afirma Camargo.

ANÁLISE CIENTÍFICA
A APCF, presidida por Marcos Camargo, representa a carreira da Polícia Federal incumbida de fazer a análise científica das provas.

TUDO DOMINADO
O suposto atentado ocorreu em região dominada pelo MST, mais de 10 mil militantes. Quedas do Iguaçu é também reduto de Gleisi Hoffmann.

VALE APURAR
O ministro Luís Barroso negou que vá receber R$46,8 mil pela palestra de uma hora no Tribunal de Contas de Rondônia, mas o "aviso de inexigibilidade de licitação" foi publicado no Diário Oficial do Estado, apontando contrato com uma Supercia Capacitação e Marketing Ltda.

PSB AGUARDA JOAQUIM
Ficou para dia 6 ou 7 a definição do ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa sobre sua filiação ao PSB. O presidente do partido, Carlos Siqueira, confirmou que "as conversas estão mais avançadas".

O CRIME COMPENSA?
A revista IstoÉ publica na capa a ficha dos principais condenados e réus na Lava Jato, para lembrar que o julgamento do habeas corpus de Lula no STF, dia 4, "decidirá se o crime compensa ou não no Brasil".

CADÊ O DINHEIRO?
Fundos de telecomunicações do tipo Fistel tomam anualmente R$13,42 de cada um dos 236 milhões chips de celulares em operação no Brasil, faturando R$3,1 bilhões. Quase nada é aplicado em telecomunicações.

DEVOLVE, DILMA
Dilma se aposentou pela Previdência Social sem agendamento, sem a presença dela na agência do INSS e em menos de 24 horas após seu afastamento da Presidência. E ainda recebe os R$ 5 mil por mês. O MDS ainda cobra de Dilma a devolução de R$ 6.188 (valor corrigido).

NA MOITA
Faltando menos de dez dias para fechar a janela partidária, deputados articulam a troca de legenda longe dos holofotes. As promessas vão de tempo na TV a R$2,5 milhões para a campanha, limite fixado no TSE.

LADEIRA ABAIXO
O superintendente no Rio Grande do Norte disse na Câmara Municipal de Santana do Matos que foi do presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, a decisão de fechar sua única agência. E é só o começo.

NENHUM NA CABEÇA
Com limite de um voto por computador (IP), o candidato "Nenhum" já é o quarto lugar (7%) na enquete do Diário do Poder. Atrás de Bolsonaro (16%), Álvaro Dias e Geraldo Alckmin (10%) e à frente de Lula (5%).

PENSANDO BEM...
...entre os signos, Libra é leve, cheio de ideias e conceitos. No gabinete presidencial do terceiro andar do Planalto, pesa toneladas.
Herculano
31/03/2018 08:07
ENTRE TIROS E TOGAS, por André Singer, ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no jornal Folha de S. Paulo

Houve época em que a palavra tiroteio era usada na crônica política como metáfora. Após o assassinato da vereadora Marielle Franco e dos três disparos que atingiram a caravana de Lula no Paraná a imagem converteu-se em realidade. Nem por isso, a dimensão figurativa deixou de ser usada: o ministro Carlos Marun afirmou, na quinta, que "os canhões da conspiração" outra vez se dirigiam ao Planalto.

Saber se há conspiração e quem a dirige é uma das indagações frequentes destes dias febris. O calibre do projétil que atingiu o presidente da República, no entanto, justifica a expressão ministerial no que se refere ao instrumento bélico que o detonou.

Ao aprisionar 13 pessoas envolvidas em suposto esquema no setor portuário, algumas muito próximas a Michel Temer, a PF (Polícia Federal) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso arrebentaram outra vez o já danificado casco da nave presidencial.

A autorização do magistrado para as prisões afirma existirem indícios de "concessão de benefícios públicos, em troca de recursos privados", na área, por mais de duas décadas. Segundo a Folha (30/3), desde 2004 investiga-se a suspeita de que Temer tenha recebido propina de empresas dos portos. Diante da potência do tiro, fica mais fácil entender o bate-boca entre Luís Roberto Barroso e o colega Gilmar Mendes uma semana antes dessa Operação Skala, pois o último é sabidamente próximo ao presidente.

Os desdobramentos da ofensiva contra os amigos do Palácio vão depender, agora, da procuradora-geral da República. Raquel Dodge terá que decidir sobre a apresentação de uma denúncia contra Temer. Tendo sido a segunda da lista votada pelos colegas para dirigir o Ministério Público (MP) e aceitado um encontro no Jaburu, fora da agenda e do horário regulamentar, antes da sua posse, com Temer, Dodge se encontra agora sob enorme pressão para demonstrar independência.

Qualquer que seja o alvitre da chefe do MP, o rugido dos canhões que alvejaram a Presidência da República conseguiu esmaecer o barulho em torno do habeas corpus de Lula, a ser votado quarta que vem, e da absurda violência contra a presença do ex-presidente no sul. O Partido da Justiça, no qual Barroso começa a galgar posto de liderança, aprendeu a usar com maestria a arma do escândalo.

O momento exato de colocar as tropas na rua, as acusações objetivamente graves, a ocupação dos espaços noticiosos nos dias politicamente parados da Páscoa, a repercussão em tom de campanha adotada por parcela da mídia. Nada disso ocorre sem extenso planejamento. O problema é descobrir qual a conclusão do roteiro que, entre tiros e despachos, pretendem nos impor
Herculano
31/03/2018 08:02
AS TRAPALHADAS ECONôMICAS DO PT E O AVAL DE ECONOMISTAS DESENVOLVIMENTISTAS, por Juliano Roberto de Oliveira é bacharel em Administração de Empresas pela FAI (Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação), especialista e mestre em Eng. de Produção pela Universidade Federal de Itajubá, no Instituto Liberal.

É sabido que a esquerda adota, em todos os seus discursos falaciosos, um tom de altruísmo capaz de fazer qualquer desavisado acreditar que não há, neste mundo, pessoas tão dedicadas a causas tão nobres como os defensores de ideias estatizantes. Todos os panegíricos que destinam ao intervencionismo ?" o único instituto, dizem eles, capaz de aliviar o sofrimento que acomete os mais pobres - encontram apoio em suas crenças num estado obeso.

Como crianças mimadas que não recebem correção ao seu tempo, reivindicam a si um número cada vez maior de direitos. Esquecem-se, porém, de que os direitos são partes integrantes de uma equação que exige, necessariamente, a presença de deveres. Conforme nos lembra Frédéric Bastiat, "O estado é a grande entidade fictícia por meio da qual todos tentam viver às custas de todos os demais". Tudo isso me veio à mente enquanto, hoje pela manhã, lia a distinta obra de Henry Hazlitt, "Economia numa única lição".

Cada exercício de imaginação proposto pelo autor e cada cenário de ingerência estatal descrito com precisão levaram-me, especificamente, aos anos em que fomos governados pela trupe petista. Incrível como economistas tão brilhantes, que fornecem análises profundas e detalhadas a respeito das consequências calamitosas das intervenções estatais são ignorados pelas nossas universidades (a Unicamp está aí para provar que não minto). Baseando-se no princípio de que praticamente todas as políticas macroeconômicas propaladas pelos nossos políticos, sob aplausos acalorados de uma massa ignara, visam favorecer determinado grupo de interesse em detrimento de outros grupos e explorando as consequências secundárias dessas políticas (tal como fizera Bastiat) Hazlitt elenca em seu livro diversas falácias que são fervorosamente defendidas por homens a quem as pessoas atribuem uma respeitabilidade que encontra respaldo em títulos e prêmios academicistas.

O capítulo 5 do livro, especificamente, fez-me rememorar o uso partidário-ideológico e completamente privado de qualquer interesse nacional que o PT fez do BNDES. Ao discutir como o crédito estatal prejudica a produção e geração de riqueza, o economista destaca que empréstimos bancários realizados por bancos públicos, sob o argumento de oportunizar fontes de renda a famílias pobres que não possuem qualquer meio de subsistência, são sempre ineficientes, já que baseados em abstrações sobre coletividade e justiça social. Há, segundo o autor, uma "decisiva diferença entre os empréstimos fornecidos por particulares e os fornecidos por um órgão governamental. Todo emprestador particular arrisca seus próprios fundos". Hazlitt afirma: "Quando alguém põe em risco seus próprios recursos, comumente é cuidadoso em suas investigações, para determinar a adequação do ativo empenhado, a perspicácia comercial e honestidade do tomador do empréstimo".

Ao longo de sua discussão, o autor expõe as consequências de uma política de estímulo governamental via crédito estatal: 1) como a escassez é a lei fundamental da economia, ao colocar nas mãos de seus apaniguados os ativos resultantes destes créditos, o governo está, na prática, impedindo que empreendedores mais eficientes possam acessar estes mesmos ativos via crédito privado, o qual, ressalte-se, é concedido através de detalhada análise de sua eficiência empreendedorial e de sua idoneidade; 2) o arranjo de crédito estatal acarreta o favoritismo (impossível não nos lembrarmos de Eike e Joesley Batista) e um esquema de subornos e propinas realizado entre grupos de interesse com boas conexões políticas; 3) tudo isso teria como consequência um incentivo adicional a um planejamento centralizado já que, partindo do pressuposto de que o governo está assumindo os riscos dos "investimentos" realizados via dinheiro estatal, nada mais "justo" que assuma também os possíveis lucros auferidos pelas empresas que são beneficiadas com esse dinheiro. Ora, ao colocar dinheiro público (que de público, na prática, não tem nada já que se trata de dinheiro espoliado da iniciativa privada) em projetos duvidosos o governo está, na verdade, subtraindo riqueza da população. Impossível não pensar em Lula, Dilma e todos os apadrinhados políticos que participaram do butim perpetrado contra as nossas estatais.

Ironicamente, ou não, enquanto estava absorto em todo esse modus operandi característico de estados pantagruélicos, recebi, numa mensagem de Whatsapp, uma provocação sutil de um colega, que jura que não é petista, em que declara que TODOS, todos os partidos são iguais e que o PT não deve ser o único a sofrer retaliações por parte dos que exigem a purificação da política. Ora bolas, que não é o único digno de condenação, sabem todos os brasileiros que, cônscios de que trabalham 5 meses ao ano apenas para sustentar a vida nababesca de nossos nobres parlamentares, vêem no Estado, em suas mais diversas esferas, o entrave e o impeditivo de qualquer desenvolvimento que seria comum num sistema de livre mercado.

É verdade. O PT não inventou a corrupção. Concordo. Mas não sem assinalar que, embora não a tenha criado o partido a potencializou e a elevou a um nível jamais visto na história deste país (parafraseando o já condenado Lula). Além disso, foram o PT e seus partidos aliados que destruíram qualquer senso de moralidade que ainda restava ao país. Quem coloca o joio e o trigo no mesmo saco podre está, na prática, defendendo o joio. Comparar a política macroeconômica de Lula-Dilma com a do PSDB (também corrupto, óbvio), por exemplo, é pura desonestidade intelectual. Foi o PT que assaltou a maior empresa deste país, foi o PT que canalizou rios de recursos da Petrobras para a sustentação de seu projeto podre de poder. Foi o PT que relativizou a importância de uma economia ortodoxa e jogou, como consequência, milhões de pessoas na vala do desemprego apenas para privilegiar seus amigos socialistas (Maduro, o ditador venezuelano e amigo pessoal de Lula, já decretou um calote de um empréstimo feito via BNDES nos tempos em que o propinoduto de Lula funcionava a todo vapor. Empréstimo que os brasileiros da iniciativa privada, ressalte-se, terão que pagar).

Comparar partidos socialistas como o PT àqueles que ao menos tiveram a decência de fazer o que é minimamente correto em termos econômicos e dizer que são todos iguais é não só injusto, mas desonesto. Tivéssemos economistas como Hazlitt em nossas universidades, hoje cheias de progressistas-desenvolvimentistas, talvez o óbvio ululante fosse percebido pelos isentões.
Herculano
31/03/2018 07:29
REPÚBLICA DOS VICES, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Nos próximos dias, paulistanos passaremos a ser governados por três vices: Michel Temer no plano federal, Márcio França no estadual e Bruno Covas no municipal. É tolice contestar a legitimidade dos dirigentes.

Democracia é acima de tudo respeito às regras do jogo e elas são claras ao determinar que, quando o titular de um cargo no Executivo deixa o posto, quem assume é o seu vice. Mas também é próprio da democracia que possamos discutir as normas e eventualmente aperfeiçoá-las.

As atuais regras de desincompatibilização são um monumento ao improviso. Descritas na lei complementar n° 64/90, as normas exigem que detentores de cargos com forte influência sobre a administração pública que pretendem disputar outros postos eletivos renunciem seis meses antes do pleito. O objetivo é impedir o uso personalista da máquina.

Em 1997, porém, foi aprovada a reeleição. A lei das desincompatibilizações, escrita sete anos antes e num contexto em que era juridicamente impossível que um governante concorresse ao segundo mandato, não lista aqueles que ocupam o posto de presidente, governador e prefeito entre os que precisam renunciar quando disputam a própria sucessão. Com isso, acabamos ficando com um paradoxo. O presidente que concorre à reeleição pode permanecer no cargo, mas o governador ou prefeito que desafiá-lo precisa renunciar, mesmo tendo domínio sobre uma máquina menor.

E, já que estamos falando em modernizar leis, defendo também acabar com a figura dos vices. Eles são uma relíquia do século 19, que não fazem mais muito sentido. Caso um titular se veja impossibilitado de exercer o cargo, é fácil - e muito mais democrático organizar uma nova eleição para substituí-lo. De resto, a profilática medida nos pouparia das despesas relativas a 5.598 cargos eletivos, acrescidos de secretárias, motoristas e pessoal de gabinete.
Herculano
31/03/2018 07:24
Ao que se intitulou 80.000.000 39%, mas se escondeu na opinião

Realmente "em pesquisas recentes pelos maiores institutos brasileiros,LULA aparece com práticamente 80.000.000 de votos".

Isto por si só soa estranho, pois esses supostos votos serão dados a um réu condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, cujo partido e seus sócios, promoveram o maior roubo dos pesados impostos de todos os brasileiros para poucos e poderosos no poder de plantão, ao contrário da bandeira socialista, levou o país a maior recessão já conhecida após 1929, induziu a um falso crescimento, sem desenvolvimento, por meio do consumo e endividamento dos pobres, fez aumentar a inflação que corroeu os salários dos mais humildes e desempregou mais de 14 milhões de trabalhadores, mesmo sendo um governo de um partido sindical, mas pelego, e dos trabalhadores.

A lista de incoerências e desastres é longa...

Resumindo. Esses eleitores ou são bandidos igual aos que nos roubaram e usufruem dessa roubalheira, coisa cientificamente impossível, ou são sofredores e se dedicam ao ato de imolar-se, ou então são analfabetos, ignorantes e desinformados, manipulados por gente estudada, sabida,intelectual e que sabe o que está fazendo e usado.

Então o ponto da discussão não é exatamente esse como você escreve:"nós vivemos num país democrático por quê não deixar esse povo se manifestá?Ou o Brasil não é um país Democrático,ou é só para intelectúais?"

Sobre a democracia no Brasil, há dúvidas. Mas quanto ao seu posicionamento que insiste em deixar uma maioria de analfabetos, os ignorantes e desinformados no analfabetismo, na ignorância e na desinformação para usá-los, eternamente, para a sua satisfação dos jogos inteligentes de poder, não há a menor dúvida.

Enquanto houver essa pré-disposição de gente sabida, intelectual, esperta em preservar a ignorância a seu favor, como no Mito da Caverna, de Platão, sinceramente, ninguém será liberto, não verá a luz, não saberá distinguir as malandragens de ladrões do povo e gente decente, e o país, verdadeiramente, não poderá ser democrático e seu povo exercer à democracia plena.

Antes precisaremos nos alfabetizar, conhecer, debater para escolher de forma consciente e não acorrentados, olhando a própria sombra, sermos usados por quem já se esclareceu. Wake up, Brazil! Acorda, Gaspar!
80.000.000 39%
30/03/2018 22:29
Em pesquisas recentes pelos maiores institutos brasileiros,LULA aparece com práticamente 80.000.000 de votos.Conforme se divulga devem ser votos de anàlfabetos,ignorantes e pessoas sem instrução.Nós vivemos num país democrático por quê não deixar esse povo se manifestá?Ou o Brasil não é um país Democrático,ou é só para intelectúais?
Roberto Sombrio
30/03/2018 19:15
Oi, Herculano.

A esquerda do PT está criticando o trevo da HAVAN, porque foi feito em tempo recorde. O PT nem com tecnologia de ponta conseguiria fazer tão rápido. Eles nem sabem o que é tecnologia, entendem só de foice e martelo e como dizem por aí, quando conseguem diferenciar um do outro.
Roberto Sombrio
30/03/2018 14:44
Oi, Herculano.

Veja o que recebi.

URGENTE.
Novo atentado à caravana do Lula. Um terrorista jogou uma carteira de trabalho dentro do ônibus. Há vários feridos, que pularam com o veículo em alta velocidade.

Sidnei Luis Reinert
30/03/2018 12:11
Por que a pressa para detonar Temer?



Edição do Alerta Total ?" www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A suprema ilegitimidade para tentar blindar o condenado e condenável Luiz Inácio Lula da Silva popularizou a falência institucional brasileira que muitos preferiam ignorar. Sofremos os efeitos diretos da aceleração do processo de ruptura jurídica, com efeitos políticos, econômicos e (psico)sociais. Dúvidas imediatas: Qual será o curto final da judicialização da politicagem? O Presidente Michel Temer aguanta até a eleição, ou será derrubado antes? A quem interessa o "investimento no caos"?

No mercado, a impressão é que os negócios podem decolar ou naufragar. Tudo depende do que possa acontecer no curto prazo, a partir do dia 4 de abril. O Brasil vive um impasse com o julgamento do ilegítimo habeas corpus (que de preventivo nada mais tem) pedido por Lula ao Supremo Tribunal Federal. A instabilidade é alimentada pela impressão popular - verdadeira ou falsa ?" de que a mais alta Corte do Judiciário se submete ao Mecanismo do Crime Institucionalizado.

A idiotizada esquerda aposta no caos. Seus estrategistas avaliam que o descontrole institucional acelera o processo revolucionário para um golpe no estilo bolivariano. O fictício atentado ao ônibus de Lula foi mais uma manobra desesperada para radicalizar o insano processo de desmoralização do Judiciário. Não é coincidência que a blindagem a Lula acontece ao mesmo tempo em que se acelera a derrubada de Michel Temer. Aliás, ele nem deveria ter assumido o lugar da Dilma. Devia ter caído junto com ela, mas isto não interessou aos "parceiros no crime institucionalizado".

Ontem, o Ministério Público Federal pediu e o supremo ministro Luis Roberto Barroso autorizou a prisão temporária de amigos íntimos de Michel Temer. Ficou evidente que existe um plano tático para abrir um novo processo contra o Presidente da República. O plano imediato, na verdade, é forçar a substituição dele pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que já é presidenciável e, se derem mole, acaba candidato à reeleição dele mesmo ao Palácio do Planalto...

O coronel João Batista Lima Filho ?" que seria portador de um câncer - presta depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira da Paixão. Ele é o ponto focal para acertar Michel Temer. O advogado José Yunes e o ex-deputado Wagner Rossi são outros alvos da devassa para apurar se um decreto temerário favoreceu empresas no Porto de Santos, em troca de propinas. Investiga-se até uma reforma na casa da filha do Presidente, Maristela Temer, em São Paulo.

Fala sério! As broncas contra Temer e o (P)MDB eram antigas e conhecidas. Sempre se falou, nos bastidores, sobre o poderio de Temer nos negócios em torno do Porto de Santos. A perguntinha óbvia-ululante é: Por que motivo, só agora, pertinho do julgamento de Lula, resolve se investigar o Coronel Lima, Yunes e Rossi por suspeitas de arrecadarem grana para Michel Temer, mascarando a distribuição do dinheiro em doações de campanhas eleitorais?

Outra perguntinha inconveniente: Por que o Grupo Globo ?" cujos controladores foram padrinhos da indicação de seu advogado Luis Barroso para o cargo de supremo magistrado ?" resolveu espancar Michel Temer agora? Por que a Globo deu tanto destaque ao absolutamente falso "atentado" ao condenado Lula? Por que a mesma Globo transformou em mito histórico a figura da inexpressiva vereadora Marielle Franco ?" assassinada bárbara e politicamente?

Nada é por acaso em tempos de ocaso dos inimigos de ocasião. Por que a pressa para detonar Temer, enquanto se articula uma suprema salvação para Lula? Aparentemente, o objetivo imediato é fragilizar o Presidente para facilitar negócios a preço de banana em fim de feira. Qualquer idiota sabe que o grande capital transnacional deseja assimilar o estratégico e lucrativo setor elétrico, de preferência sem pagar um pedágio altíssimo à turma do MDB ?" que sempre controlou o setor em todos os desgovernos da Nova República de 1985...

O complô contra Temer não é por causa da possibilidade dele disputar a reeleição. O líder do governo, Carlos Marun, erra redondamente ao levantar tal hipótese, citando os "canhões da conspiração contra Temer". Evidentemente ?" como lembrou ontem o supremo magistrado Luiz Edson Fachin ?" ninguém está livre de investigações, desde que respeitadas as leis e a estabilidade das instituições. O probleminha é que isso é ficção no Brasil. As interpretações do excesso de leis atendem às conveniências dos donos do poder. As instituições nunca estiveram tão instáveis e em cheque, por sofrerem influência direta do Crime Organizado (aliança delitiva entre bandidos de toda espécie e o "mecanismo" estatal).

Nos bastidores, especula-se escancaradamente que Michel Temer já tem na manga do elegante paletó uma reação ao golpe que tenta derrubá-lo imediatamente ?" ou até impedir sua eventual manobra de reeleição. Alegando o descontrole da violência no País, Temer estaria tentado a decretar Estado de Defesa. Assim, usaria os militares para se manter no poder. O plano parece bacana... O negócio é se as Forças Armadas aceitarão sustentar, explicitamente, um governo já apodrecido antes de começar, um ano e onze meses atrás...

O Alerta Total insiste: O Brasil precisa de atitude do povo para que as mudanças estruturais ocorram da forma mais pacífica e democrática possível! Atitudes imediatas? Não caia no "Conto da Eleição". Elimine parte dos bandidos institucionais no nascedouro. Reeleja ninguém! Vamos aumentar a pressão sobre os governantes e a classe política. O foco é reinventar o Brasil. Sem a Intervenção Institucional (Civil, mas com apoio integral dos militares) nada vai mudar...

Os inimigos do Brasil - e os idiotas que são agentes conscientes ou inconscientes deles ?" não desejam mudanças estruturais. Por isso, investem no ilusório "Conto da Eleição" e em todas as manobras que possam desmoralizar (ainda mais) o Presidente Michel Temer, mereça ou não o marido da bela Marcela.

Para terminar, outra dúvida interestelar: aquela estação espacial chinesa, perdida no espaço, cairá na cabeça do Temer ou do Lula? Cartinhas com a resposta para a sede da Frota Estelar... Até lá, torcemos que STF não signifique Submisso Tribunal Falido... Do jeito que a coisa desanda no Brasil, amanhã vão querer malhar Jesus, torcendo para Lula ressuscitar... Tudo pode acontecer na Nação de chuteiras que confunde Jesus com Genésio...
Herculano
30/03/2018 11:36
O QUE ISSO TEM A VER COM GASPAR E ILHOTA? APARENTEMENTE, NADA! MAS, PODE INTERESSAR AOS LEITORES E LEITORAS

De Ricardo Noblat, de Veja, no Twitter:

"Pobre Temer. Estava cercado por bandidos ou suspeitos de bandidagem e não sabia. Mais uma vítima do destino, assim como Lula."
Herculano
30/03/2018 08:50
da série: só por que hoje é Sexta-Feira Santa para os cristão, um ponto de reflexão aos Católicos.

PAPA FRANCISCO PRIORIZA MISERICóRDIA DIVINA, E NÃO CASTIGO ETERNO


Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Reinaldo José Lopes, de São Carlos SP. O jornalista e escritor italiano Eugenio Scalfari, 93, fundador do jornal La Repubblica, deixou muitos católicos perplexos ao publicar um novo relato de suas conversas com o papa Francisco nesta quinta-feira (29).

Entre outras coisas, o pontífice teria afirmado: "Não existe um inferno em que sofrem as almas dos pecadores por toda a eternidade. Aqueles que não se arrependem e portanto não podem ser perdoados desaparecem.".

É a quinta vez que Scalfari, ligado politicamente à esquerda italiana e ateu, encontra-se a sós com o argentino e escreve a respeito. Francisco também já mandou uma carta longa e cordial ao La Repubblica, respondendo a uma série de perguntas sobre fé e descrença.

Uma frase dessa missiva ficou famosa: segundo o papa, a misericórdia de Deus não teria limites, incluindo até as pessoas que não creem nele, as quais deveriam seguir sua consciência para discernir o bem e o mal.

"Acontece o pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, quando se vai contra a consciência", escreveu ele na carta de setembro de 2013, primeiro ano de seu pontificado.

Scalfari, porém, tem o hábito de não gravar as conversas e tampouco anota na hora o que o papa diz. Prefere "reconstruir" o conteúdo das falas de memória.

Por isso, a assessoria de imprensa do Vaticano já frisou diversas vezes que os textos do escritor não podiam ser tomados como transcrições fidedignas de declarações de Francisco.

O alerta se repetiu após a divulgação do suposto teor da conversa mais recente. O porta-voz da Santa Sé, Greg Burke, afirmou em comunicado que as aspas saíram de um "um encontro privado, não [de] uma entrevista".

CASTIGOS
Ainda de acordo com Scalfari, que perguntou quais eram as punições reservadas aos condenados por Deus e onde eles eram castigados, o papa teria respondido:

"Eles não são punidos. Aqueles que se arrependem obtêm o perdão de Deus e se juntam às almas que o contemplam, mas aqueles que não se arrependem e, portanto, não podem ser perdoados, desaparecem".

O jornalista relata também reflexões de Francisco sobre o papel criador de Deus, que teria dado vida a um universo dinâmico e em constante evolução, e sua preocupação com "o continente agitado e atormentado da África". Para o pontífice, assenta-se ali um dos grandes centros da fé cristã na época atual.

A crença no Inferno é um ponto importante da doutrina católica sobre o destino do ser humano após a morte.

Antonio Socci, escritor e diretor de televisão que é um dos críticos mais severos do papado de Francisco na Itália, declarou em sua página numa rede social que o pontífice estava "sustentando teses heréticas" e que não conseguia entender como o argentino ainda estava à frente da Igreja.

MISERICóRDIA
A crença numa punição para os pecadores que não se arrependem é parte importante da doutrina do catolicismo.

A versão mais recente do Catecismo da Igreja Católica, compêndio doutrinal publicado durante o papado de João Paulo 2º (1920-2005), afirma que, se alguém morre recusando o arrependimento e sem desejar "o amor misericordioso" de Deus, fica separado dele por opção própria.

"É esse estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus que se designa Inferno", diz o texto.

É a pregação de Jesus em viagens por Galileia e Judeia que embasa essa crença, afirma o Catecismo. De fato, frases de Cristo nos Evangelhos citam a Geena, lugar de punição para perversos, bem como o "fogo que não se apaga".

A atual doutrina católica, entretanto, não enfatiza os aspectos físicos do Inferno, mas sim a separação definitiva de Deus e dos "salvos" como a verdadeira punição.

Faz sentido imaginar que Francisco rejeitaria totalmente essa tradição? Provavelmente não. Enfatizar a misericórdia de Deus, no entanto, encaixa-se mais nas pregações do papa.

De qualquer modo, há grupos cristãos que defendem aniquilacionismo (a ideia de que Deus não punirá os pecadores impenitentes, só os destruirá no Juízo Final), mas essa é uma posição teológica minoritária.
Herculano
30/03/2018 08:43
TEMER TROCA A FANTASIA ELEITORAL PELA SOBREVIVÊNCIA, por Josias de Souza

"Será que ele termina o mandato?" A pergunta foi feita por um deputado governista a um dos mais próximos auxiliares de Michel Temer. O aliado do governo acompanhara o noticiário político-policial ao longo de toda a quinta-feira. Telefonou para Brasília à noite, do aeroporto de Cumbica, antes de embarcar para sua "Páscoa em Paris". O blog alcançou o viajante pelo celular, quando já estava dentro do avião. Antes que a comissária de bordo ordenasse o desligamento do aparelho, o repórter quis saber qual foi a resposta do auxiliar do presidente. E o deputado: "Ele me disse que o futuro do Temer depende de nós, que o apoiamos na Câmara. Depois, perguntou: que dia você volta?"

A conversa ajuda a entender os efeitos da prisão de amigos de Temer sobre o ânimo do Planalto. Nas próximas semanas, o presidente será forçado a trocar a fantasia de uma candidatura à reeleição pela dura realidade de uma nova batalha pela sobrevivência. O Planalto vive a síndrome do que está por vir. Numa reunião de Temer com os ministros palacianos, na tarde desta quinta-feira, falou-se às claras sobre a perspectiva de uma terceira denúncia criminal contra o presidente. Escalado para falar com os repórteres, o ministro Carlos Marun, coordenador político de Temer, demonstrou que o governo não tem muito a dizer.

Além de negar o receio de uma nova denúncia, algo que acabara de ser analisado num encontro do qual Marun participara, o articulador político de Temer declarou: "Entendemos que a decisão do presidente de colocar a possibilidade de que venha a disputar a reeleição, colocar como concreta essa possibilidade faz com que novamente se dirijam contra nós os canhões da conspiração." A declaração oscila entre o absurdo e o patético.

A conversa mole de Marun é absurda porque ninguém se daria ao trabalho de apontar canhões contra a candidatura natimorta de um presidente rejeitado por 7 em cada 10 brasileiros e que amealha nas pesquisas 1% de intenções de voto. O lero-lero do ministro é patético porque a procuradora-geral da República Raquel Dodge, indicada por Temer com o endosso do conselheiro supremo Gilmar Mendes, não se parece com uma conspiradora.

Foi Raquel Dodge quem pediu a prisão dos amigos do presidente e dos empresários sob suspeição. Alvo de Marun desde que ordenou a quebra do sigilo bancário de Temer, o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso dos portos no Supremo Tribunal Federal, apenas concordou com os pedidos da procuradora-geral. Para desassossego de Temer, Dodge e Barroso enxergaram no processo indícios graves. Nas palavras do relator, o presidente figura no inquérito como suspeito de "cometimento de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa/organização criminosa."

Mesmo sem denúncia, o estrago político será enorme. Nos próximos dias, ganharão as manchetes, por exemplo, notícias sobre a reforma na casa de uma das filhas de Temer. Coisa de 2014. Assina o projeto a arquiteta Maria Rita Fatezi, mulher de João Baptista Lima. Chamado na intimidade de coronel Lima, ele é um dos presos desta quinta-feira. Amigo de Temer há três décadas, é apontado pela Polícia Federal como operador de propinas do presidente. O coronel e sua mulher são sócios na empresa Projeção e Direção Arquitetônico (PDA).

Sobre a PDA, a Polícia Federal anotou nos autos: "Trata-se de empresa que realizou reforma de alto custo em imóvel da senhora Maristela Temer, filha do excelentíssimo senhor presidente da República. Há informações sobre pagamentos de altos valores em espécie."

Supondo-se que o receio do governo se confirme, uma terceira denúncia será enviada à Câmara num instante em que os aliados de Temer estão mais preocupados com o próprio pescoço. O Supremo depende de autorização dos deputados para julgar uma denúncia contra o presidente. Um pedaço do bloco de apoiadores do governo avalia que o desgaste acumulado nas votações que congelaram duas denúncias já constitui prova suficiente de lealdade a Temer. Por isso, a reforma da Previdência virou um fiasco.

Estima-se que Temer pode realizar o pesadelo da terceira denúncia até junho, a quatro meses da eleição. No início da semana, o presidente tricotava sua reforma ministerial barganhando com os partidos a manutenção de posições na Esplanada em troca do apoio à sua hipotética candidatura. Agora, já se dará por satisfeito se obtiver garantias de apoio legislativo dos seus interlocutores.

Temer negocia ministérios com gente como Ciro 'Petrolão' Nogueira, presidente do PP, e Valdemar 'Mensalão' Costa Neto, dono do PR. São personagens pragmáticos o bastante para colocar seus interesses à frente das conveniências do presidente. Nessa negociação, Temer terá de pagar adiantado, entregando os ministérios até 7 de abril. E não há a mais remota garantia de que receberá a mercadoria de que precisa.

Outra evidência da fragilidade do governo é o novo posicionamento de Rodrigo Maia no tabuleiro. Primeira autoridade na linha de sucessão do Planalto, o presidente da Câmara frequenta a cena como candidato ao Planalto. Antes, foi generoso com Temer ao desestimular maquinações que poderiam abreviar-lhe o mandato. Agora, é improvável que se anime a mover um dedo para socorrer o presidente caso ele volte a estrelar uma denúncia, estimulando a pergunta: "Será que termina o mandato?".
Herculano
30/03/2018 08:41
da série: essa gente da esquerda do atraso defende todo a liberdade para as expressões e artes. Eu também. Desde que não deixem o modo dela pensar, ser e agir, expostos. Mesmo que seja uma obra livre e de ficção. Ai sobra censura, hipocrisia, retaliações e condenações. E ai o que era mais uma peça normal, vira hit

EQUIPE DE LULA NOTIFICOU NETFLIX HÁ UM ANO SOBRE DISTORÇõES EM "O MECANISMO', por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Na ocasião, a série de José Padilha ainda estava em fase de produção

Os advogados de Lula no Brasil e nos EUA notificaram extrajudicialmente a Netflix, há cerca de um ano, sobre a série "O Mecanismo", de José Padilha, então em fase de produção. Na ocasião, apresentaram documentos e alertaram sobre o que já consideravam riscos de distorções na história da Lava Jato envolvendo o ex-presidente.

PRIMEIRO PASSO
As notificações podem servir hoje de base para um eventual processo de Lula contra a Netflix nos EUA. Questionados, os defensores do petista dizem que não comentam.

ALUGUEL
Na série, o personagem que representa Lula tem, por exemplo, diálogos que na vida real são do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que dizia ser necessário "estancar a sangria" da Operação Lava Jato.

ZÍPER
A Netflix não se manifesta sobre "O Mecanismo". Padilha diz que ela é uma série dramática e que misturar os diálogos não tem a menor importância pois são todos parte do sistema.
Herculano
30/03/2018 08:30
A PROCISSÃO DOS PECADORES TROPEÇOU NA FORÇA DE EXPRESSÃO, por Augusto Nunes, de Veja.

Semanas antes do impeachment de Dilma Rousseff, o sindicalista Wagner Freitas avisou que as tropas da CUT ficariam entrincheiradas nas ruas, de armas nas mãos, se a presidente fosse despejada do cargo. Força de expressão, justificou-se logo depois o pelegão da CUT.

Dias antes do julgamento de Lula pelo Tribunal Regional Federal, Gleisi Hoffmann avisou que, caso se consumasse a prisão do deus da seita, "vai ter de prender gente, vai ter de matar gente". Força de expressão, justificou-se logo depois a presidente do PT.

A mesma desculpa vigarista foi usada por Lindbergh Farias, José Dirceu, Maria do Rosário e outros revolucionários. Nesta semana, a companheirada se indignou com o apoio da senadora Ana à recepção oferecida pelos gaúchos à procissão dos pecadores sem perdão. Força de expressão, ironizou Ana Amélia. Certíssimo, senadora.
Herculano
30/03/2018 08:25
CHEGOU A HORA "DO GRANDE ACORDO NACIONAL COM O SUPREMO, COM TUDO"?

Conteúdo da revista Isto É. Texto Tábata Viapiana. A cena integra um dos episódios da série "O Mecanismo", produzida pela Netflix com base na operação Lava Jato, mas se ajusta com perfeição ao momento atual do País e constitui o retrato mais bem acabado da imagem ostentada hoje pela Suprema Corte brasileira. Nela, investigados atrás das grades vibram, a verter lágrimas de emoção, como se tivessem acertado as seis dezenas da loteria, ao anúncio da mais alvissareira notícia que poderiam receber: a de que seus processos haviam deixado a primeira instância e sido enviados ao Supremo Tribunal Federal. "Foi pro Supremooo, estamos livres, vai todo mundo embora. Foi pro Supremooo", gritam. A ficção, de fato, imitou a vida. Na última semana, o STF cometeu talvez a maior de suas estultices, ao adiar o julgamento do mérito do habeas corpus (HC) de Lula e conceder-lhe a liminar casuística de salvo conduto. Estabeleceu o que se convencionou chamar no meio jurídico de "princípio Lula" por meio do qual foi escancarada a porteira da cadeia a todos que se enquadram em situação igual ou semelhante à do petista, incluindo condenados de todo o naipe, entre criminosos do colarinho branco, traficantes e até pedófilos. Nesta semana, ao examinar o teor do HC do ex-presidente petista, já condenado à prisão pelo TRF-4, o STF terá a oportunidade de reparar o erro. Ou agravá-lo. É da lavra do poeta francês Jean Cocteau a famosa frase que reflete o estágio máximo da coragem e ousadia: "não sabendo que era impossível, foi lá e fez". Pois na quarta-feira 4 o STF terá de ter audácia para ir lá e completar a barbaridade da sessão anterior, mesmo debaixo do escrutínio dos brasileiros, mesmo com todos sabendo que era possível, por mais insensato e contrário aos princípios republicanos que possa parecer. Se o Supremo reverenciar a impunidade e decidir que o crime compensa no País, sobre a Lava Jato não restará pedra sobre pedra. Para sempre restará consagrado o vaticínio de Romero Jucá, segundo o qual era arquitetado "?um grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo" para livrar toda a classe política, sem distinção partidária e preferência ideológica, da prisão...

A REGRA É CLARA

Um dos idealizadores da República brasileira, o jurista Ruy Barbosa dizia que uma "justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta". É o que acontecerá caso o STF revise o entendimento da prisão após condenação em segunda instância: o País terá definitivamente uma justiça atrasada, o que configura, como disse Ruy Barbosa, pura injustiça. E, então, diversos encarcerados responsáveis pelos mais diversos crimes, poderão fazer como os personagens da série dirigida por José Padilha: comemorar efusivamente.

Atualmente, 193 dos 194 países pertencentes à ONU adotam como regra a possibilidade de prisão após condenação em primeira ou segunda instância. Na história recente do Brasil, também foi assim. Desde 1941, o Código de Processo Penal prevê a execução da pena depois de condenação em segundo grau. Somente em 2009, por puro casuísmo, em razão do mensalão, o STF mudou o entendimento. Para alguém ser preso, o caso deveria ter transitado em julgado. Em 2016, o Supremo corrigiu o equívoco e retomou o que sempre foi regra aqui e na maioria do planeta: a prisão após o julgamento na segunda jurisdição. Agora, para livrar da cadeia o ex-presidente Lula, condenado a 12 anos e um mês de prisão, um grupo expressivo de ministros do STF guerreia pelo retrocesso.

PRINCÍPIO LULA

Entre os que podem se beneficiar do "princípio Lula" estão corruptos como o ex-deputado Eduardo Cunha, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque. Cunha já foi condenado por receber propinas de US$ 1,5 milhão. É investigado por irregularidades não só na Petrobras, mas também na Caixa Econômica. Palocci é apontado como interlocutor da Odebrecht junto ao PT. Tinha uma conta de propina em seu nome. Movimentou mais de R$ 128 milhões em recursos ilícitos. Sérgio Cabral é recordista de processos na Lava Jato. São 21 - sendo que em 16 já houve sentença. As penas, somadas, chegam a 100 anos de prisão, por liderar um esquema de corrupção que lesou por anos os cofres do Rio e levou o estado a uma situação de calamidade pública. Ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque também ostenta condenação quase secular: 73 anos e 7 meses de cadeia.

No cenário desolador, o ex-ministro José Dirceu, punido com quase 42 anos de prisão, pode nem voltar à cadeia. Condenado em segunda instância, ele aguarda julgamento de embargos infringentes pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. É o último passo antes da execução da pena ?" o que pode não acontecer se o STF decidir a favor de Lula. Até mesmo quem ainda não foi condenado poderá buscar o mesmo recurso no futuro, como os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves, investigados por crimes de corrupção. Geddel foi preso após a Polícia Federal encontrar mais de R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador, na maior apreensão de dinheiro em espécie da história da PF.

O próprio Lula contabiliza inúmeras pendências jurídicas para além do caso do tríplex do Guarujá. Na Justiça Federal do Paraná, ele responde a outros dois processos, por recebimento de propinas na reforma no sítio de Atibaia, pela compra de um terreno para o Instituto Lula e aluguel de um apartamento em São Bernardo. No Distrito Federal, são mais quatro ações penais por crimes como obstrução à Justiça, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Há ainda duas denúncias pendentes de análise da Justiça. Uma delas é a do "quadrilhão do PT", que aponta Lula como o grande líder de uma organização criminosa que desviou milhões de reais dos cofres públicos.

Mesmo fora da Lava Jato, o "princípio Lula" já deu demonstrações claras de seu alcance deletério. Em Brasília, um homem acusado de ter roubado um automóvel foi solto na terça-feira 27 - um pedido do promotor Valmir Soares Santos. Ele alegou que, se Lula não pode ser preso por um atraso da Justiça, aos demais cabe o mesmo destino. É o efeito erga omnes, que em latim significa "vale para todos". No caso, o homem estava preso aguardando a conclusão de perícias e o promotor entendeu que o suspeito não poderia ser prejudicado por um atraso do Estado, assim como aconteceu com Lula. Abriu-se a porteira. Mais presos se apressam em solicitar a mesma jurisprudência aplicada ao petista. "Do ponto de vista da defesa de outros acusados, o julgamento do habeas corpus vai representar um precedente", disse à ISTOÉ o advogado Pedro Iokoi. A urgência em analisar o habeas corpus de um ex-presidente da República também amplificou o tom das críticas ao Supremo. "Nos sentimos envergonhados", disse o desembargador Antônio Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo ele, uma decisão a favor de Lula será uma afronta aos juízes de segundo grau.

Entre os magistrados, o juiz Sergio Moro é o maior entusiasta da prisão em segunda instância. Para ele, a cadeia após esgotadas todas as possibilidades de recursos gera impunidade, especialmente para criminosos poderosos, um dos poucos brasileiros em condições de contratar os melhores advogados do País para explorar as brechas da lei. "Seria ótimo esperar o julgamento até a última instância, mas no nosso sistema processual, extremamente generoso em recursos, isso representa um desastre. Temos processos que se arrastam por décadas e crimes prescrevendo", afirmou em entrevista ao Roda Viva. Somente na Vara Federal em que atua, a 13ª de Curitiba, há 114 pessoas cumprindo pena após condenações em segunda instância. Não somente condenados por corrupção. Também traficantes e pedófilos. Na Lava Jato, são 12 os condenados em segunda instância cumprindo pena. Diante da perspectiva de reversão do quadro, Moro tem enviado recados ao STF. O posicionamento do juiz incomodou alguns ministros, como Marco Aurélio Mello: "Tempos estranhos em que um juiz de primeiro grau faz apelos a ministros do STF". Tempos estranhos são aqueles em que os mimos e elogios de uma homenagem são mais importantes do que um exame de tamanha repercussão, como o do HC de Lula. Marco Aurélio foi o pivô da manobra protelatória da análise do HC na quinta-feira 22, que a empurrou para 4 de abril. Com viagem marcada para o Rio de Janeiro para receber uma comenda, ele defendeu a interrupção do julgamento. Como ele, mais quatro ministros estavam com passagens aéreas compradas para a mesma noite. Nos últimos dias, o ministro sentiu o pulso das ruas. Foi bombardeado por mensagens de protesto. Resultado: teve que excluir endereços de e-mail e mudar telefones.

Como se nota, todas as atenções estarão voltadas para a sessão de 4 de abril no STF. Por mais inacreditável que pareça ainda cogita-se um pedido de vistas de um ministro companheiro, o que jogaria para as calendas o julgamento definitivo de Lula. Se o petista sagrar-se vitorioso, o Supremo transmitirá uma mensagem negativa aos brasileiros. "No Brasil, o mundo jurídico não reage à altura dos erros do Supremo", disse, certa feita, o ex-presidente do STF, Antonio Cezar Peluso. Não reagia. Hoje não só o mundo jurídico como a sociedade observa o tribunal, e suas decisões, com lupa. E, sim, promovem o contraponto à estatura da Corte. Que o STF não cometa o desatino de conferir um salvo conduto à classe política como um todo. É como diria Martin Luther King: "A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar". Que seja feita Justiça.
Herculano
30/03/2018 08:15
NOVE ANOS NO STJ

Conteúdo de O Antagonista. Os golpistas do STF, ligados a Lula e a Michel Temer, querem empurrar para o STJ a decisão de prender ou não os criminosos.

Um ministro contou para a Veja "que as bancas de advocacia conseguiriam postergar o desfecho de um caso penal no STJ por até nove anos".
Herculano
30/03/2018 08:07
QUANDO CESSA O DIÁLOGO COM AS FORÇAS DE CONSERVAÇÃO, SOBRAM PAUS, PEDRAS, OVOS E TIROS, por Reinaldo Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

Na vida pública, a violência se torna protagonista quando se interditam os caminhos da interlocução política ou quando atores beligerantes não reconhecem a legitimidade do Estado legal e de seus agentes, ainda que se viva num regime democrático. Nos "Anos de Chumbo", na Itália, por exemplo, extrema esquerda e extrema direita mataram a esmo. Não é que o statu quo recusasse o diálogo. Os extremistas é que não admitiam como interlocutores os que falavam em nome da ordem. Ou por outra: cada bando armado, à sua moda, via na democracia a tibieza e a inutilidade de uma força procrastinadora, incapaz de responder aos anseios de sua particularíssima visão de justiça.

Também a França e a então Alemanha Ocidental assistiram ao surgimento dessas virulências, que um porra-louca como Slavoj Zizek, hoje, chama de "disruptivas". Não por acaso, ao cantar em livro as glórias do jacobinismo, a despeito de sua tara homicida, o doutor nos convida a considerar uma tradição da esquerda que remonta, com efeito, ao tempo em que a guilhotina se tornou o melhor argumento: a construção de um novo homem implica a amoralidade da utopia.

Como esquecer o Trótski de "A Nossa Moral e a Deles" a indagar, ainda que de modo oblíquo, se a luta contra o fascismo na Guerra Civil Espanhola poderia poupar mulheres, velhos e crianças. Não lhe ocorreu que se pode enfrentar o inimigo de modo escrupuloso.

Falemos do ambiente nativo. Ainda hoje, boa parte da "intelligentsia" universitária brasileira, de esquerda, entende que o padrão necessariamente conservador de um regime democrático ?"conservador de instituições, não de iniquidades?" trapaceia como elemento de coesão a abrigar as diferenças. Ela o vê como força dissuasiva da disposição de luta dos deserdados, que, na escatologia desses bambas, ainda herdarão a Terra. É uma mistura de marxismo com cristianismo, de Lênin com água benta.

A extrema direita, por sua vez, repudia as forças de coesão, pespegando-lhes a pecha de tolerantes com a desordem, com os bandidos, com os agressores dos "valores da família", com os corruptos.

Apelo a momentos um tanto dramáticos e a alguma literatura política porque a vulgaridade ágrafa ameaça sufocar qualquer pensamento complexo. Estamos, para ainda continuar nas alturas, vivendo dias de sonâmbulos, aqueles de Christopher Clark, à espera de que a morte de um Francisco Ferdinando qualquer, nos recônditos de uma Sarajevo qualquer, nos conduza a uma tragédia catártica. E, depois de tudo, talvez então nos perguntemos: "Como foi que fizemos isso?"

A Lava Jato poderia ter sido a frente saneadora do sistema, combatendo os elementos patogênicos nele infiltrados, de tal sorte que a força coatora do Estado atuasse em favor do que chamo de "elemento de coesão".

Em vez disso, procuradores e policiais federais deixaram de produzir provas - e juízes deixaram de exigi-las?" e passaram a produzir teoria política, ainda que seu projeto de poder não alcance além das cercanias das forças de repressão. E, nessa perspectiva, o Estado de Direito se tornou a sua principal vítima. Os bandidos até podem sobreviver sob a nova ordem que se pretende implementar - sobretudo se fizerem delação -, mas não a presunção de inocência, o habeas corpus e o devido processo legal.

À esquerda, o PT e seus satélites repetem o mantra mentiroso de que está em curso uma conspiração para obstar as tais forças disruptivas. À direita, uma miríade de oportunistas e de grupelhos de pressão - são tão estranhos ao liberalismo como é o carvão ao diamante - reivindicam o Estado Leviatã, pouco importando o direito de defesa e as garantias legais, tomados como atentados aos anseios da maioria e à segurança da sociedade. Temos uma direita impregnada de coletivismo tóxico.

O diálogo com as forças de conservação de instituições e de coesão está interditado, e o único protagonista reconhecido como legítimo, inclusive por amplos setores da imprensa, é o "Partido da Polícia".

Quando isso acontece, desaparecem as categorias políticas. Em seu lugar, entram paus, pedras, ovos. E tiros.
Herculano
30/03/2018 07:58
ROSA WEBER E A IMPUNIDADE DE LULA

Conteúdo de O Antagonista. Em reportagem sobre o voto de Rosa Weber, que pode tirar Lula da cadeia e enterrar a Lava Jato, a Veja reproduz o que ela disse em 2011, ao ser sabatinada para o STF:

"O cumprimento da pena após o trânsito em julgado da sentença condenatória realmente gera a cada dia na sociedade uma sensação de impunidade do sistema, que nós temos de tentar solucionar de alguma forma."

Na quarta-feira, o Brasil vai saber se ela está do lado da sociedade ou do sistema.
Mário Pera
30/03/2018 07:57
No caso da rotatória da HAVAN (que já virou nome, aliás nesta região as empresas e negócios na extensão da Anfilóquio Nunes Pires já deram nome a pontos a Churrascaria Líder - Curva da Líder; a Reta do Paraíso dos Pôneis e até Região do Motel idem Paraíso dos Pôneis; Reta da Turbina , alusão à Metalúrgica Turbina; agora Rotatória da Havan), e bom lembrar que o fotógrafo Fabio Venhorst , seu pai o popular Coruja, era militante do PDT, portanto nem todos pedetistas ensinaram e seguiram à cegueira da esquerda do atraso . Aliás o Coruja era de grande inteligência , seu filho não negou a cepa.
Herculano
30/03/2018 07:55
TEMPOS DE CONTRADIÇÃO E CENSURA

De Ricardo Noblat, de Veja, no Twitter:

"E o PT, hein? Pensa em entrar com ação na Justiça para impedir a manifestação de rua marcada para Brasília no dia do julgamento do habeas corpus de Lula. PT contra manifestação de rua? Inacreditável!"
Herculano
30/03/2018 07:51
AGORA, É PESSOAL por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Michel Temer chegou ao Planalto e se segurou no cargo porque representava um projeto de poder coletivo, com uma agenda econômica que interessava a atores de peso. A operação policial desta quinta (29), porém, atingiu o presidente de maneira tão cirúrgica que ele corre o risco de ficar isolado na luta pela própria sobrevivência.

A prisão de amigos próximos de Temer e o avanço do inquérito de corrupção no setor portuário devem transformar seus planos políticos e a Presidência da República em meros instrumentos de preservação pessoal. O foco está claramente direcionado a seu gabinete e poucos aliados parecem dispostos a assumir a linha de frente para protegê-lo.

De saída, o caso enfraquece ainda mais a já duvidosa candidatura à reeleição de Temer. Ele argumentava que deveria entrar em campanha para ganhar um foro extra de defesa contra o que chama de perseguição à classe política. O cerco, entretanto, se fechou com tal intensidade que até seus auxiliares admitem a dificuldade em obter apoio de outros partidos para essa empreitada.

Seu poder como presidente também sofre um baque imediato. O governo precisará direcionar praticamente todo o seu empenho à blindagem de Temer. Restará pouco capital político para fazer avançar qualquer pauta relevante no Congresso.

Existe ainda o risco de apresentação de uma nova denúncia pela Procuradoria-Geral da República, com o possível afastamento do presidente. O ambiente, agora, é mais desfavorável para Temer: em uma batalha tão pessoal como esta, diminui o espírito de corpo que uniu a base governista em sua defesa em outras ocasiões.

Ainda que o presidente sobreviva, os nove meses finais de seu mandato podem ser cambaleantes. Cargos, verbas e emendas devem ser suficientes apenas para manter o Planalto respirando por aparelhos. O plano de Temer de preservar um legado e exercer influência sobre sua sucessão parece cada vez mais distante.
Herculano
30/03/2018 07:35
JOAQUIM 'SE ENCAMINHA' AO PSB, DIZ PRESIDENTE, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), continua dando canseira no PSB. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, revelou que ainda não foi batido o martelo da filiação, que, segundo ele, "está se encaminhando". Ele confirmou encontro com Barbosa nesta quinta (29). Começou em 2014 o flerte do PSB com o imprevisível ex-relator do processo do mensalão do PT.

AYRES BRITTO RECUOU
Carlos Ayres Britto, outro ministro aposentado do STF que também é cortejado pelo PSB, segundo Siqueira, "recuou".

VAI UM PÃOZINHO?
Siqueira e o deputado Alessandro Molon (RJ), nova "aquisição" do PSB na Câmara, se reuniram com Joaquim em uma padaria de Brasília.

PRAZO NÃO ACABOU
Indagado sobre se ainda espera a filiação de Joaquim Barbosa ao PSB, Siqueira respondeu, bem-humorado: "Até a zero hora do dia 7".

CELEBRIDADE
Barbosa se aposentou precocemente do STF em 2014, após ser o relator da Ação Penal 470, e virou celebridade.

BARROSO PRENDEU A NETA DE EX-MINISTRO DO STF
O ministro Luís Barroso mandou prender nesta quinta-feira (29) a neta de um dos ex-integrantes históricos do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). Celina Torrealba Borges, cuja família é controladora do Grupo Libra, que atua no Porto de Santos, presa pela Polícia Federal por ordem de Barroso, é neta de Hermes de Lima, ex-primeiro-ministro no governo de João Goulart, e aposentado à força do STF pelo AI-5.

CURRÍCULO EXPRESSIVO
Hermes Lima esteve no STF de 1963 a 1969, mas, antes, foi três vezes ministro de Jango: Relações Exteriores, Trabalho e Gabinete Civil.

SóCIA
Celina Torrealba é sócia do Grupo Libra e foi presa sob a suspeita de ter sido beneficiada pelo decreto de Temer sobre a Lei dos Portos.

INVESTIGAÇÃO
Celina e Gonçalo Torrealba são acusados de doar R$250 mil cada ao PMDB-RJ e Rodrigo Torrealba R$500 mil para o PMDB nacional.

DILMA DEU CARTEIRADA
Sindicância do Desenvolvimento Social concluiu no ano passado, que a ex-presidente petista Dilma usou servidores de carreira do INSS para agilizar a burocracia sobre sua aposentaria. Não esperou um só dia.

LOBBY DE MOLHO
Voltou para a gaveta o projeto que regulamenta a profissão de lobby ou Relações Institucionais, marcado para ser votado esta semana. O projeto de Cristiane Brasil (PTB-RJ) já foi retirado da pauta oito vezes.

LUCRO NO MISERÊ
A Caixa, que é banco público, revelou com muita pompa que obteve o "maior lucro da história" em 2017: R$12,5 bilhões. Em comparação com 2016 foi 202,6% maior. O Brasil inteiro conseguiu crescer só 1%.

PIRATARIA OFICIAL
Em 2015, o diretor da série "O Mecanismo", José Padilha, revelou à Trip TV haver confiscado um DVD pirata do seu filme "Tropa de Elite" na casa de Gilberto Gil, na época ministro da Cultura de Lula. O cantor e a mulher Flora fariam a sessão para amigos, em casa. Cancelaram.

TE CUIDA, FACE
Depois da Tesla e do fundador do whatsapp, a Playboy fechou páginas oficiais no Facebook, com mais de 25 milhões de seguidores, devido ao escândalo de utilização dos dados de usuários sem autorização.

COMISSÃO DO HOLOFOTE
A comissão externa da Câmara que acompanha as investigações da morte de Marielle Franco tem deputados do PSOL, cariocas de outros partidos e Maria do Rosário (PT-RS), que não deu um pio sobre o assassinato do vereador Valdonez Anchete, em Tramandaí (RS).

NONATO PRESENTE
Enquanto o Partido Verde procura um candidato presidencial para apoiar, um dos seus filiados mais ilustres, Celso Nonato, oficializou a Luiz Penna, presidente da sigla, para inscrevê-lo como pré-candidato.

ITAMARATY ESNOBA PUTIN
O Itamaraty ainda não divulgou nota oficial sobre aniversário de boneca, mas lamenta acidentes, incidentes, ameaças e até incêndio na Sibéria. Já cumprimentar Vladimir Putin por sua vitória nas urnas...

PENSANDO BEM...
...pode-se dizer que Lula é o Maluf moderno: foram condenados exatamente pelos mesmos crimes: corrupção e lavagem de dinheiro.
Herculano
30/03/2018 07:22
O CERCO AO PRESIDENTE, editorial do jornal Folha de S. Paulo

É imediato e evidente o impacto da prisão, nesta quinta-feira (29), de figuras pertencentes ao círculo íntimo de Michel Temer (MDB).

Não se trata apenas de aliados políticos, mas de nomes apontados como envolvidos diretamente com operações financeiras de seu particular interesse.

Entre eles se destaca o advogado José Yunes, amigo do presidente e ex-assessor especial do Planalto ?"deixou o posto em dezembro de 2016, quando veio à tona a delação premiada de um executivo da Odebrecht que o envolvia numa entrega de dinheiro da empreiteira para campanhas do partido.

Outra pessoa próxima a Temer atingida pela Operação Skala, da Polícia Federal, é o coronel João Baptista Lima Filho, apontado também em delações como destinatário de propinas. O militar vinha evitando prestar depoimentos à PF, alegando razões de saúde.

Somam-se à lista personagens como o emedebista Wagner Rossi, ministro da Agricultura nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), e Antonio Celso Grecco, da empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos e teria sido beneficiada por um decreto presidencial no ano passado.

A operação foi determinada pelo ministro Luís Roberto Barroso, de Supremo Tribunal Federal, sob justificativa de haver risco de destruição de provas caso os envolvidos permanecessem em liberdade.

A possibilidade de uma denúncia formal contra o presidente tem sido, até agora, afastada por decisões da Câmara dos Deputados.

Entretanto o STF considerou possível prosseguir nas investigações, ainda que o mandatário ?"que tem anunciado o intento de se candidatar à reeleição?" só possa ser réu num processo após o término de seu governo.

Parece difícil, politicamente, justificar que mais uma vez Temer se livre de uma acusação criminal. É preciso lembrar, contudo, que o decreto sob suspeita de ter sido editado mediante propinas ?"tratando do prolongamento de concessões portuárias?" não favoreceu diretamente a Rodrimar.

Detalhes da investigação, mantidos em sigilo, talvez desautorizem esse argumento, mais uma vez apresentado pelo ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo. Outras empresas, como a Libra, também do setor portuário, são alvo das apurações.

A única boa notícia, em meio à situação de credibilidade profundamente corroída para o grupo no poder, é a de que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República não mostram embaraços em sua atividade. Cabe redobrá-la, enquanto Michel Temer, novamente, se vê acuado, no persistente declínio de seu futuro político.
Herculano
29/03/2018 21:33
BARROSO FOI, SIM, CONTRATADO POR R$ 46,8 MIL PELO TCE DE RONDôNIA; ELE NEGOU O FATO EM CONVERSA COM JORNALISTA. QUEM MENTE? por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

À diferença do que o ministro Roberto Barroso, do Supremo, afirmou à colunista Mônica Bergamo, da Folha, ele foi, sim contratado por um órgão público - o Tribunal de Contas do Estado - para conferir uma palestra pelo nada módico pagamento de R$ 46.800,00.

À jornalista, ele afirmou:
"Não tenho a menor ideia de que valor é este. É um valor completamente fora do padrão, fora do que eu cobro."

Parece desculpa de mensaleiro e da turma do petrolão: "Eu não sabia".

Ainda voltarei ao tema para demonstrar que se trata de uma resposta bastante precária.

O Tribunal de Contas de Rondônia, oficializou a contratação sem licitação, já que o tribunal acha que Barroso é dotado de "notório saber jurídico".

Não, não se trata de uma página fake. Também não foi a "turma do Temer" que me passou o documento.

Não! Ele é público. está no Diário Oficial.

Alguém está mentindo nessa história?

Será que o TCE publicou uma mentira em seu Diário Oficial? Nesse caso, recomendo a Barroso, um homem sabidamente preocupado com a moralidade, que não vá conferir palestra a mentirosos.

Será que o ministro está mentindo? Nesse caso, recomende ao TCE que o desconvide porque não fica bem a um tribunal de contas contratar a palestra de quem não zela pela transparência nas contas.

Será que a empresa que faz a intermediação está mentindo?

Ah, sim: o ministro até pode conferir palestra remunerada? Uma horinha a quase R$ 50 mil, com dinheiro saído dos cofres públicos para um homem que se mostra um fanático da probidade?
Herculano
29/03/2018 18:55
NA TERÇA-FEIRA HAVERÁ PROTESTO EM BLUMENAU, DEFRONTE A PREFEITURA, CONTRA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, QUE NA QUARTA-FEIRA FARÁ SESSÃO PARA DAR HABEAS CORPUS AO EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, PT, PARA LIVRÁ-LO DA PRISÃO DEPOIS DE SER CONDENADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA NA JUSTIÇA FEDERAL POR CORRUPÇÃO
Herculano
29/03/2018 18:50
PRESIDENTE DO TCE DEFENDE CORTE DO AUXÍLIO-COMBUSTÍVEL, por Renato Igor, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis

O presidente do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), conselheiro Luiz Eduardo Cherem, defendeu, ontem, em entrevista à CBN Diário, a interpretação contábil que retira o imposto de renda do gasto com folha dos poderes para aplicação da lei de responsabilidade fiscal. O assunto foi tratado nesta na coluna de ontem e apontou a preocupação de analistas com a possibilidade de aumento de gastos com pessoal e desrespeito à lei- o que poderia acarretar um descontrole no gasto público e efeito cascata nos 295 municípios catarinenses.

Segundo o conselheiro, em 2004, o pleno do TCE decidiu que pode-se retirar o Imposto de Renda do somatório de gastos em caráter experimental e desde que haja entendimento convergente dos demais poderes - o que nunca houve. A consulta feita atualmente pela presidência do tribunal ao próprio órgão é quanto a necessidade desse acordo com os demais poderes.

O presidente do TCE defendeu o Ministério Público, que já aplica esse cálculo de forma única em Santa Catarina. Afirmou, ainda, que hoje não se consegue ampliar comarcas e contratar novos promotores devido ao teto de gasto com pessoal- e com o novo cálculo isso seria possível.

Ele não acredita que o dinheiro excedente seria utilizado para aumentar salários, mas sim, para ampliar comarcas e beneficiar a população. Muito assertivo na entrevista, Dado, provocou, ainda, o poder executivo.

?" O poder Executivo é contra porque eles precisam certidão negativa da Secretaria do Tesouro Nacional, então eles são contra. Não podem fazer. Eles que não façam, eles tem é que administrar com mais responsabilidade, cortar os gastos desnecessários, como o auxílio-combustível, por exemplo ?" concluiu.

Por falta de quórum, a consulta do presidente do TCE sobre a necessidade de convergência entre os órgãos em adicionar ou não o IR para apontar gasto com pessoal não foi julgada. Mesmo assim, o conselheiro Luiz Roberto Herbst preferiu antecipar o voto. Criticou duramente a interpretação contábil e disse que a mesma acarreta prejuízo aos cofres públicos e é ilegal. Votou contra.
Herculano
29/03/2018 18:46
CENSURAS

J.R. Guzzo, de Veja, no Twitter

"Nada poderia funcionar melhor como um atestado de qualidade para a série "O mecanismo", da Netflix, do que os esforços do PT para censurar a sua exibição. Temos, tanto no enredo como na tentativa de censura, uma bela amostra do Brasil que o STF quer impor a nós todos".
Herculano
29/03/2018 18:43
ESTÁ NO FORNO A TERCEIRA DENÚNCIA CONTRA TEMER, por Josias de Souza

Uma decisão tomada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, influiu na decretação da prisão provisória dos amigos de Michel Temer e de empresários do setor portuário na Operação Skala, deflagrada nesta quinta-feira. A Polícia Federal havia requisitado a condução coercitiva dos suspeitos. Mas Gilmar proibira esse tipo de procedimento num despacho proferido em dezembro do ano passado. A Procuradoria viu-se compelida, então, a requerer a prisão dos alvos da PF por cinco dias.

A má notícia para Temer é que a procuradora-geral da República Raquel Dodge considerou que há no processo indícios da prática de crimes que justificam a adoção da providência drástica. A péssima notícia para o presidente é que o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso dos portos no Supremo, concordou com Raquel Dodge. E como há males que vêm para pior, o cheiro que exala da cozinha do inquérito indica que está no forno uma terceira denúnica criminal contra o presidente da República.

Investiga-se a suspeita de que Temer tenha recebido propinas para editar, no ano passado, decreto que afetou os negócios de empresas portuárias. A Polícia Federal diz ter colecionado evidências de que há um esquema de corrupção funcionando no setor de portos há mais de 20 anos. Nessa versão, o principal operador de Temer é o coronel da reserva da PM paulista João Baptista Lima, amigo do presidente há três décadas. Nas palavras dos investigadores, as propinas tiveram "fins pessoais e eleitorais."

O coronel Lima, como é chamado pelos amigos, é um dos presos desta quinta-feira. Ele é sócio de uma empresa chamada Argeplan. No despacho em que autorizou as prisões e as batidas policiais para busca e apreensão de documentos, valores e equipamentos eletrônicos, o ministro Barroso anotou que a Argeplan "tem se capitalizado por meio do recebimento de recursos provenientes de outras empresas ?" as interessadas na edição do denominado Decreto dos Portos ?" e distribuído tais recursos para os demais investigados".

O ministro prosseguiu: "Desse modo, os sócios dessas empresas devem ser trazidos para prestar esclarecimentos, inclusive sobre se possuem conhecimento quanto à eventual atuação de João Batista no favorecimento de empresas concessionárias do setor portuário e na solicitação de vantagens indevidas a empresários com finalidade de beneficiar agentes políticos, seja por doações de campanha formais, 'caixa 2' ou mesmo sob forma de 'propina' direta, sem relação com campanhas eleitorais".

Instaurado no ano passado, o inquérito sobre portos é um dos filhotes da delação do grupo JBS. A pedido da Polícia Federal, o minstro Barroso autorizou que fossem anexados ao processo documentos de outro inquérito sobre o mesmo tema, arquivado há sete anos.

A investigação que estava na gaveta nascera de denúncias de uma ex-mulher de Marcelo Azeredo. Apadrinhado por Temer, ele presidiu a Companhia das Docas do Estado de São Paulo (Codesp), entre 1995 e 1998. De acordo com a denúncia, recebia propinas junto com Temer. Entre os papeis retirados da gaveta há uma planilha chamada "Parcerias realizadas, concretizadas e a realizar".

O documento anota nomes de empresas que administram áreas no Porto de Santos. Entre elas a Rodrimar, a mesma que está no epicentro da investigação inaugurada no ano passado. Ao lado do nome da empresa, há duas letras: "MT". Suspeita-se que sejam as iniciais de Michel Temer. Na sequência, anotaram-se valores: R$ 300 mil e R$ 200 mil. Noutro trecho, aparecem as inicias "MA" e a letra "L", associada à cifra de R$ 150 mil. Para os investigadores, "MA" é Marcelo Azeredo e "L" refere-se ao coronel Lima.

Há duas semanas, Raquel Dodge recorreu contra a decisão de Gilmar Mendes que proibiu a condução coercitiva de investigados. Para ela, a medida suspensa por liminar do ministro mais próximo a Michel Temer no Supremo se presta a um "fim legítimo'' (possibilitar a identificação e o interrogatório) sem privar "a liberdade do conduzido", que é retido apenas pelo "tempo necessário à realização do interrogatório." Realçou que o procedimento "não ofende os direitos ao silêncio e à vedação da autoincriminação.''

Gilmar, ao contrário, entendera que a condução coercitiva para interrogatório fere a Constituição por restringir dois direitos: a liberdade de locomoção e a presunção de não culpabilidade. De resto, obriga a presença no interrogatório, "um ato ao qual o investigado não é obrigado a comparecer." O resultado prático foi a decretação da prisão dos amigos do presidente. Eles decerto não gostariam de estar na cadeia. Mas nesse caso a presença é compulsória.

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