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Dia da Mulher: a eterna busca pela igualdade - Jornal Cruzeiro do Vale

Dia da Mulher: a eterna busca pela igualdade

08/03/2018

Por Raquel Tamara Bauer

No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher e, mais do que receber homenagens e flores, a cada ano que passa a data é utilizada ainda mais para reforçar a luta feminista por igualdade. Mas afinal, você sabe do que se trata o tão falado feminismo? Nós conversamos com algumas mulheres de Gaspar e elas contaram o que sabem ou entendem sobre o assunto.

Profissão: motorista

Solange Machado dos Santos tem 44 anos e é motorista. Ela diz que acha o movimento interessante pelo fato das mulheres irem atrás dos seus direitos. “Eu concordo plenamente com o que a mulherada tá indo atrás. Tem que ser igual, tanto no fato do salário como no serviço, porque cada mulher gosta de fazer um tipo de coisa e eu acho isso interessante. Cada uma tem que se encaixar no que gosta mesmo”.

Quando o assunto é a profissão, Solange afirma que muitos homens acreditam que ela não vai dar conta do recado. Justamente por ser mulher. “Como eu levo e busco serviço para as facções, e é um serviço mais pesado, muitos homens acham que só por ser mulher a gente não é capaz. Mas eu faço meu trabalho muito bem feito”, garante.

Auxiliar de serviços gerais

Já para Vilma Terezinha França, 52 anos, auxiliar de serviços gerais, o movimento tem lados positivos e negativos. “Eu não concordo e nem discordo com o movimento feminista. Eu acho que sou de ambas as partes, porque tem alguns assuntos que eu apoio e outros não”, diz, exemplificando: “Esse negócio de aborto eu não concordo, porque é uma vida, é um ser humano, e essa criança não tem culpa de como foi concebida, não tem culpa se foi estupro se não foi. É um ser vivo. A não ser que a criança vai nascer com um problema, aí eu concordo”.

Esporte preferido: futebol

A estudante de 16 anos, Andrieli Mariano de Souza, conta que desde pequena joga futebol e que já sofreu muito preconceito por causa do esporte que escolheu. “Pessoas dizendo que jogar bola é coisa de menino, que menina tem que brincar de boneca ou fazer dança. Eu já me senti ofendida, já cheguei a parar de jogar por causa disso. No Brasil, pra mulher se tornar uma jogadora de futebol é muito mais difícil do que um menino”, constata. Mas, quando se trata do movimento feminista, Andrieli tem dúvidas e diz que o assunto tem muitos detalhes que precisam ser conversados. “É algo que mexe muito com as pessoas e com as opiniões, então não posso dizer que sou a favor do feminismo em tudo, porque são muitos detalhes, muita coisa que tem que pensar sobre o assunto e ser debatido”, conclui.

Professora

A professora de Sociologia Lindair Maria Lanz, de 44 anos, traz uma visão mais ampla sobre a questão. Ela afirma que a sociedade brasileira é culturalmente machista e que historicamente as mulheres são colocadas em posição de inferioridade. “O feminismo é extremamente importante. Ele assusta tanto a sociedade porque ele fala sobre a liberdade feminina”, destaca. Para ela, o machismo surge dentro de casa. “Tanto as meninas quanto os meninos geralmente aprendem a ser machistas com a mãe. Desde a divisão das tarefas em casa, se tiver uma mãe muito tradicional em casa, como eu tive, então essa visão vai ficar mais forte. Aquela coisa de achar que a menina deve fazer tudo e os meninos podem usar seu tempo livre pro ócio, pra aquilo que dá pra fazer a ele. A menina não, ela tem que estar relacionada ao trabalho doméstico”, explica. A professora ainda diz que se considera feminista. “Eu particularmente sou feminista, sou adepta do movimento só que também tem uma outra questão, nós temos vários tipos de feministas, então tem aquela que é a favor do aborto, a feminista que é contra... eu particularmente jamais faria um aborto, mas eu não consigo intervir na mulher que vai fazer, porque o corpo é dela, a liberdade tem que ser dada a ela, então ela que tem que saber. Tem feminista que não se depila, tem as que se depilam. As pessoas acham que a mulher feminista não vai conseguir ser uma boa esposa, não vai conseguir ter um companheiro, ser carinhosa com ele, é como se ela quisesse mandar o tempo todo no homem e não é nesse sentido, eu posso ser feminista e me dar muito bem no meu relacionamento, como é comigo”, complementa. 

Bombeira voluntária

Para a Bombeiro Maria Fernanda Costa, o feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, filosóficos e ideológicos que visam a igualdade entre homens e mulheres. “Nós, mulheres, viemos lutando desde a antiguidade até os dias atuais para podermos chegar aonde nós chegamos, como poder frequentar escolas, votar e exercer alguns cargos que só homens podiam”.

Movimento feminista

No ano de 2015, quando o movimento feminista voltou à tona através das redes sociais, a jornalista Rafaela Marques fez uma matéria no site “Me Explica” explicando alguns pontos sobre o assunto. De acordo com o texto “feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a diretos iguais entre homens e mulheres”. O movimento existe desde o século XIX, mas na atualidade tornou-se mais popular entre 2014 e 2015 depois que o assunto ressurgiu nas redes sociais e o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) usou o assunto como tema da redação de 2015. O texto diz ainda que feminismo não é o contrário de machismo, uma vez que machismo é um comportamento que coloca a mulher em situação de inferioridade, e nem contra os homens. O movimento feminista tem algumas vertentes, como lembrou a professora Lindair, mas entre o que todas as mulheres pedem está o fim da violência contra a mulher, já que os números no Brasil são alarmantes.

De acordo com dados do Instituto Patrícia Galvão, que apresenta um dossiê completo sobre o assunto, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no Brasil; a cada duas horas uma mulher é assassinada; 503 mulheres são vítimas de agressão a cada hora e cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos. Em Santa Catarina e em Gaspar a situação não é diferentes. Os números foram contabilizados entre janeiro e dezembro de 2017 pela Secretaria de Segurança Pública do estado.

 

Crime contra a mulher

Santa Catarina

Gaspar

Estupros consumados

3.624

27

Estupros tentados

742

10

Homicídio doloso* tentado

296

1

Lesão corporal dolosa*

21.246

181

Homicídio doloso*

110

1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: SSP/SC  / * doloso: quando há a intenção de matar

Que este dia da mulher seja de mais conscientização e debate entre homens e mulheres, para que os números de violências contra a mulher diminuam e possamos ter uma sociedade mais igualitária.

Como surgiu o Dia da Mulher?

No dia 8 de março de 1857, 129 operárias de uma empresa têxtil dos Estados Unidos foram queimadas vivas pelos patrões por reivindicarem redução na carga horário de trabalho, que era de 14 horas, e pedir direito à licença-maternidade.  Apesar disso, a data foi oficialmente criada mais de 50 anos depois, em 1910, no 2º Congresso Internacional de Mulheres, que aconteceu na Dinamarca.

Feminicídio

Desde 2015 o Código Penal brasileiro prevê o crime de Feminicídio, ou seja, o assassinato de uma mulher cometido em razão do sexo ser feminino. Além disso, o crime faz parte dos crimes considerados hediondos. A pena prevista para o homicídio qualificado é de 12 a 30 anos de reclusão.

Violência doméstica

Já a violência doméstica contra a mulher continua sendo punida pela Lei Maria da Penha, criada em 2006. Encaixa-se na Lei Maria da Penha qualquer ação ou omissão baseada no gênero e que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. 

 

Edição 1841

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