Em audiência, motorista admite que bebeu, mas diz não lembrar do acidente - Jornal Cruzeiro do Vale

Em audiência, motorista admite que bebeu, mas diz não lembrar do acidente

24/05/2019
Em audiência, motorista admite que  bebeu, mas diz não lembrar do acidente

Aos gritos de ‘justiça’ e ‘júri popular’, familiares e amigos das duas jovens mortas em um grave acidente na BR-470, em Gaspar, envolvendo um Jaguar em fevereiro deste ano, comemoraram a volta do motorista Evânio Prestini para o Presídio Regional de Blumenau. Após exatos três meses do acidente que matou Amanda Grabner Zimmermann, 18 anos; e Suelen Hedler da Silveira, de 21; e feriu outras três, Prestini foi ouvido pela primeira vez em audiência que aconteceu na tarde de quinta-feira, dia 22 de maio, no Fórum de Gaspar e durou pouco mais de 30 minutos. Ele foi ouvido pelo juiz Lenoar Bendini Madalena, que afirmou em entrevista que o acusado confirmou ter ingerido bebida alcóolica, mas que afirma não se lembrar do acidente.

Uma nova audiência foi marcada para a próxima quarta-feira, dia 29, data em que o futuro de Prestini será anunciado. O Ministério Público tem prazo até segunda-feira, dia 27, para apresentar as alegações finais. Na terça-feira, dia 28, é vez da defesa do acusado e na quarta, dia 29, o juiz deve tomar uma decisão a respeito da situação do réu: se vai pra júri popular ou não e se ele permanece preso ou ele é solto.

Caso o réu seja solto, a promotora Andreza Borinelli já afirmou que o Ministério Público irá recorrer da decisão. “Na opinião do Ministério Público, as qualificadoras estão configuradas, principalmente a questão do perigo comum, uma vez que ele veio dirigindo em zigue-zague já bem antes do ponto do acidente e ele mesmo confirma que não lembra. Então, caso o entendimento for diferente do nosso vamos recorrer, como em todo processo”.

O que diz o juiz

Após a audiência, o juiz Lenoar Bendini Madalena atendeu a imprensa e falou sobre a audiência. Disse que Evânio pediu para gravar um segundo depoimento e que neste, na visão do juiz, se mostrou arrependido. “Na segunda versão ele deu a entender que estava arrependido de toda a situação. Ele estava constrangido com toda aquela situação. Duas pessoas faleceram. Ele está preso, tem família e eles também está com uma situação delicada”.

Além disso, o magistrado falou sobre a possibilidade Prestini ser solto na próxima quarta-feira, quando uma nova audiência vai acontecer. “Serão decididas duas coisas: primeiro, se ele vai a júri popular ou não. Depois, se ele fica preso ou se é solto. Se ele ficar preso não significa que é uma pessoa condenada e se ele for solto não significa que ele vai ser absolvido. É só a analise na prisão cautelar, se é necessária ou não”, explica.

Mesmo se for a júri popular, o réu pode aguardar em liberdade. “A regra no sistema processual penal é o réu responder ao processo em liberdade. Só em casos excepcionais que mantemos a prisão. Se ele reiterar na conduta criminosa, se ele estiver atrapalhando a produção de provas, enfim... existem requisitos legais pra manter ele preso cautelarmente”.

O que diz o advogado das vítimas 

Advogados das vítimas, Honório Nichelatti Jr. destacou que a grande surpresa da audiência foi a falta de demonstração de arrependimento por parte do réu. “Arrependimento é o mínimo que a gente pode esperar dessa audiência. A situação está nesse sentido: não estão pagando as despesas, as famílias têm dificuldades e isso é o que mais choca. A preocupação maior sempre foram as roupas que se utilizaria em uma audiência e a liberação do próprio veículo. Mas, estamos convictos que ele será pronunciado, levado ao tribunal de júri popular e ao final a responsabilização, não só penal, mas civil também”.

O advogado falou também sobre a inocência da motorista do Pálio, Thainara Schwartz, afirmando que no dia do acidente as amigas a escolheram como ‘motorista da rodada’ e que ela não ingeriu bebida alcóolica. “A culpa não foi das meninas e isso precisa ficar muito claro. Querem imputar a responsabilidade do acidente para as vítimas, mas isso não aconteceu. Querer desvirtuar essa culpa é uma falta de respeito para com as memórias das vítimas”.

O que diz o advogado de Evanio

O advogado de Evânio Prestino, Nilton Macedo Machado, afirmou que Evânio se sente constrangido. “Não vejo porque ele pedir desculpas. O que ele disse é que sentiu que está envolvido em um turbilhão, em uma tragédia múltipla”.

 

Edição: 1902/ Fotos: Cruzeiro do Vale 

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