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Jairzinho Furacão e a torcida do Botafogo em Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Jairzinho Furacão e a torcida do Botafogo em Gaspar

17/11/2017
Jairzinho Furacão e a torcida do Botafogo em Gaspar

Se enganou quem achava que as emoções do jogo entre o Botafogo e o Atlético Goianiense se restringiriam ao Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Em Gaspar, a torcida foi à loucura ao lado de uma das maiores personalidades esportivas de todos os tempos: o Jairzinho Furacão, destaque na Copa de 70.

Jairzinho esteve no Coração do Vale para torcer pelo Botafogo ao lado de toda a torcida que se concentrou na Churrascaria Toni. O evento reuniu cerca de 300 pessoas, que assistiram ao jogo em que o Botafogo perdeu de 1 a 2. Homens, mulheres, crianças e idosos vestiram o uniforme e voltaram seus pensamentos positivos ao resultado da disputa. Ao lado do eterno craque da Seleção Brasileira, Jairzinho, o encontro se tornou ainda melhor.

Entrevista

Cruzeiro do Vale: Por que você é conhecido como ‘Furacão’?
Jairzinho: Nesse anos que me dediquei ao esporte, acumulei muitos títulos. Jogos Pan-Americanos, torneios internacionais, taças, campeonatos e copas do mundo. Meu nome se tornou forte e se levantou por meio de muito esforço. No Botafogo, claro, comecei a ser conhecido. Foi por meio deste time que obtive destaque e pude crescer ainda mais. O apelido ‘Furacão’ começou a pegar depois da Copa de 70, quando me tornei o único jogador a fazer gol em todos os jogos em que entrei em campo. Fiz gols velozes, de transição, de defesa-meio-ataque. Me orgulho muito desse título, pois foi quando alcancei o auge do meu condicionamento físico e dei tudo de mim.

CV: Como o senhor administra essa identidade com a torcida do Botafogo?
J: Sou muito grato pelo reconhecimento. A torcida sempre me deu força, pois queriam o meu bem, pediam o meu sucesso frente ao time do coração. Eles vibram junto. Fico feliz, inclusive, de vir a Gaspar e ser tão bem recepcionado. Aqui, as pessoas são bastante educadas, simpáticas, solícitas e passam bons sentimentos. É um prazer tirar fotos, dar autógrafos. Edifiquei minha carreira seguindo minhas virtudes, que hoje resultam em momentos como este, que venho de outro estado assistir ao Botafogo junto dos torcedores.

CV: De que forma o senhor vê a carreira do seu filho, atual treinador do Botafogo?
J: Ele é um homem muito inteligente, dedicado. Se preparou para estar onde está. Não entrou por causa do pai ou por baixo dos panos, como existe muito no Brasil... Ele também é ex-jogador, passou pelas divisões de base do próprio Botafogo, se profissionalizou no Bangu. Profissionalmente, jogou na França e no Gabão. A vida como atleta, meu filho encerrou depois de uma inflamação muito grave, aos 19 anos. Depois disso, nós conversamos muito e eu aconselhei que ele continuasse no meio esportivo. Então, ele decidiu estudar para ser preparador físico. Eu, claro, fiquei muito orgulhoso e sigo assim, pois admiro sua conduta.

CV: Você acredita que o Botafogo terá novos títulos em breve?
J: Comparando a situação de um ano atrás com a de hoje, vejo avanços. Mas, é claro, acredito muito nesse time, tão especial para mim. Agora com o novo Centro de Treinamento, os jogadores terão mais oportunidades de melhorar seus condicionamentos. Consequentemente, melhores resultados virão. É importante destacar que a qualidade de cada atleta conta muito, o que eu considero um dos pontos fracos do time. Atualmente, o Botafogo não tem um caixa a altura do que o futebol requer na contratação de outros atletas.

CV: O Furacão atuou ao lado de grandes nomes e lendas do futebol, como o Rei Pelé, por exemplo. Como o senhor avalia a preparação da nossa seleção para a Copa de 2018?
J: Eu só tenho que parabenizar a atual comissão, por intermédio do Tite. Também parabenizo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por estar dando tal condição de trabalho para esta comissão, que já classificou o Brasil com antecedência, assim como aconteceu em 1969, para a Copa de 70. Vejo um trabalho de muita seriedade, dedicação e criatividade. O treinador dessa nova geração é um profissional de diálogo, que joga abertamente e que trata todo mundo com igualdade.

CV: Concordas que, hoje, nós brasileiros estamos carentes de ídolos no futebol?
J: Concordo plenamente. Todos vimos o Brasil perder de 7 a 1 para a Alemanha com a saída do Neymar na última Copa. Acho que o problema do futebol brasileiro é o excesso de exportação. Hoje temos quase dois mil jogadores de destaque, nascidos aqui, que estão lá fora jogando. Isso nos dá um prejuízo monstruoso no que diz respeito a formação de uma equipe. Não desmerecendo os nossos atletas, mas é difícil acharmos alguém hoje em dia que acompanhe o sucesso do Neymar. Na minha época, quando fui tricampeão do mundo, tínhamos na seleção Carlos Alberto, Piazza, Clodoaldo, Rivelino, Pelé, etc.

CV: Deixe um recado ao povo gasparenses
J: Muitos nunca me viram pessoalmente, nem mesmo pela televisão. Pois, quando eu estava no auge da minha carreira, era a rádio que trazia o futebol com mais frequência. Hoje estou aqui nesta cidade tão bonita, pequena e acolhedora, com muito prazer. Esta integração entre torcedores é muito gratificante. Torço que o povo daqui siga gostando do futebol, siga se unindo pelo esporte e não deixe o amor pelo futebol acabar, seja torcendo para o Botafogo ou para qualquer outro time que vocês tenham no coração.

Quem é Jairzinho?

Jair Ventura Filho, conhecido popularmente como Jairzinho, conquistou o Brasil e o mundo com o seu talento no futebol. Nascido em 25 de dezembro de 1944, no Rio de Janeiro e considerado o herói da Copa de 70, foi peça fundamental para a conquista do tricampeonato. Ainda carrega consigo o apelido de ‘Furacão’, por ter marcado gols em todas as partidas da Copa, fato nunca igualado.

Foi pelo Botafogo que Jairzinho iniciou sua carreira. No time, ele vestia a camisa de número 7, a mesma que defendeu a Seleção Brasileira, onde jogou 107 partidas e marcou 44 gols entre as Copas de 1966, 1970 e 1974. Seu filho, Jair Ventura, é o atual treinador do Botafogo.

 

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Edição 1827
 

 

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