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Piscicultura: do ganha pão ao lazer - Jornal Cruzeiro do Vale

Piscicultura: do ganha pão ao lazer

17/04/2018
Piscicultura: do ganha pão ao lazer

A pesca sempre fez parte da vida do gasparenses, seja como o ganha pão de muitas famílias ou como uma opção de lazer para tantas outras. Uma amostra disso é que o município possuí 20 piscicultores comerciais e 200 amadores. Entre os produtores comerciais, a área alagada chegava a quase 44 hectares e uma produção que ultrapassa as 500 toneladas por ano. Já na piscicultura amadora são produzidos mais de 400 mil quilos de peixe ao ano.

O Engenheiro Agrônomo Henrique da Silva Pires afirma que a piscicultura vem ocupando destacado lugar na economia local. Hoje, Gaspar já conta com nove pesque-pague e uma procura que gira em torno de 30 mil pessoas por ano. A prática da piscicultura vem se destacando em Gaspar desde 1989, quando a primeira Feira do Peixe Vivo foi realizada. A partir daí, a capacitação profissional dos agricultores deste ramo tornou a pisicultura ainda mais promissora.

Aquipar

Para incentivar e capacitar ainda mais o desenvolvimento da atividade, há quase 20 anos Gaspar conta com as atividades Associação dos Aquicultores do Município de Gaspar. O objetivo da associação é apoiar e estimular o ensino, pesquisa, extensão e trabalhos técnicos e científicos de interesse da aquicultura e piscicultura. A presidente da associação, Ofélia Maria Campigotto, diz que atualmente contam com 35 associados focados na produção de tilápias e também em outras espécies. “Temos um associado com truta e o IFSC, com peixe orgânico e camarão de água doce”, acrescenta.

Trutas

A família de Dionísio Luiz Bertoldi é a única que cria de trutas em Gaspar. A história com o peixe começou em 1995, quando ele ainda era proprietário de uma serraria. Após ler uma matéria que falava sobre o peixe, ele resolveu apostar na área e, junto com a esposa Vera, o irmão Nivaldo e a cunhada Maria Terezinha Bertoldi, instalaram em sua propriedade, no bairro Alto Gasparinho, um tanque com cinco mil trutas.

Hoje, a Truticultura Bertoldi possui cinco tanques de truta, sendo um para pesque-pague e quatro para engorda, e um restaurante em que serve, por semana, uma média de 400 pratos do pescado.

A truta é um peixe de água doce que mede, em fase adulta, cerca de 60 centímetros. A criação da espécie exige alguns cuidados, como água abundante, cristalina e sem aditivos químicos, e temperatura que não ultrapasse 23 graus.

Entre as opções servidas no estabelecimento estão a truta defumada, frita e filé de truta com nove opções de molho: alcaparra, amêndoas, alho e olho, creme de leite com vinho branco, mostarda, vinagrete e agridoce de abacaxi, maracujá e prestígio. Dionísio diz que não imaginava que o negócio funcionaria tão bem e crescesse tanto. “Em 2005, nós começamos uma produção em Botuverá, porque faltava peixe e tínhamos sempre que ir atrás de outros produtores”.
Atualmente, a família Bertoldi cria 10 mil truta em Gaspar e 80 mil trutas em Botuverá.

 

Tilápia

 

Subindo uma estreita estrada de barro no bairro Belchior Baixo, se chega à propriedade de quase 700 mil metros quadrados do senhor Gelásio Klein, sogro do piscicultor Ivanir Sandrin, que produz por ano, cerca de 70 toneladas de tilápias. A produção é totalmente vendida para pesque pagues de Gaspar e Brusque.

As oito lagoas do terreno foram construídas em 1963. Conforme lembra Ivanir, naquela época, a estrutura era muito diferente “Com o tempo, fomos mudando e adequando mais pra piscicultura, deixando mais profissional. Antes era mais simples, se fazia um buraco no chão e enchia de água”.

Inicialmente, o foco principal das lagoas era atender uma serraria próxima que era movida a água e uma turbina de energia. Com a existência das lagos, os peixes foram colocados apenas para consumo da casa. Ivanir conta que, quando resolveram profissionalizar o negócio, optaram por trabalhar apenas com a tilápia porque a carpa tem pouca demanda na região.

A piscicultura tornou-se um negócio profissional entre 2004 e 2005, mas foi apenas há cinco anos que Ivanir deixou a fábrica onde trabalhava para tocar somente a criação de peixes. “Eu acho que me encontrei aqui. Eu trabalhava em fábrica, tinha um salário bom, já era supervisor, mas não sei se é por causa da raiz da gente, mas eu gosto muito disso aqui”.

 

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