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Violência contra mulher tem números alarmantes - Jornal Cruzeiro do Vale

Violência contra mulher tem números alarmantes

10/08/2018

“Foi só um tapinha”. “Isso não vai se repetir”. “Ele estava nervoso”. Esses são três simples exemplos de frases que saem da boca de grande parte das mulheres que sofrem agressão. O medo, a vergonha ou a esperança de que os hematomas logo desapareçam, geralmente, são fatores que fazem com que uma denúncia não seja concretizada. Na maioria das vezes, porém, não demora muito para que uma nova agressão seja registrada.

Com a criação da Lei Maria da Penha, em 7 de agosto de 2006, esperava-se que o número de casos de agressão diminuísse significativamente. Porém, passados 12 anos, os dados ainda são assustadores. Apesar de muitas mulheres ainda terem receito de efetivar uma denúncia, um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em 2017, o Brasil registrou a morte de 12 mulheres por dia vítimas de violência. E mais: foram registrados 135 estupros diários. Ao que tudo indica, os números deste ano vão ficar na mesma proporção. Nos primeiros sete meses de 2018, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o 180, recebeu mais de 79 mil ligações. Isso significa uma média de um relato a cada três minutos.

Em Santa Catarina, a situação também é alarmante. O caso mais recente aconteceu em Jaraguá do Sul. No dia 5 de agosto, Andréia Campos de Araújo, de 28 anos, que estava grávida de três meses, foi morta pelo marido, Marcelo Kroin. Ela é uma das 22 mulheres mortas este ano, no estado, vítima do feminicídio (assassinato de mulheres). De 1º de janeiro até 31 de julho deste ano, o estado catarinense registrou 10 mil chamados por violência doméstica, lavrou quase nove mil boletins de ocorrência e fez mais de três mil prisões em flagrante.

Números em Gaspar

De acordo com dados do portal oficial da secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, quando fala-se de violência contra a mulher, Gaspar registrou, este ano, 13 casos de estupros e 85 casos de lesão corporal dolosa. Quando os relatórios se restringem à violência doméstica (que é quando vítima e agressor têm alguma relação amorosa), dados da Polícia Civil de Gaspar apontam que a cidade teve, em 2018, 78 casos de agressão física e 115 ameaças.

Segundo o delegado Paulo Koerich, todos os casos que chegam à delegacia são analisados com atenção. “Todos os casos que chegam ao nosso conhecimento e que constituam crime estão sendo apurados. Além disso, quando há a possibilidade estamos lavrando o auto de prisão em flagrante”. Ele também alerta: agressão não é apenas quando o homem agride fisicamente a mulher. Ela pode ser física, psicológica, sexual ou patrimonial. “Quando fala-se em agressão, a primeira imagem que vem à mente é agressão física. Mas essa agressão pode ser também moral ou psicológica”, detalha o Dr. Paulo Koerich, reforçando a importância de se fazer a denúncia e registrar o Boletim de Ocorrência. “Nós só podemos agir no momento que temos o conhecimento formal, que é quando os fatos são trazidos ao conhecimento da Polícia Civil. A mulher precisa ter a consciência que ela tem uma legislação específica e muito forte para protegê-la de toda e qualquer agressão”.

Atendimento psicológico 

O delegado Paulo Koerich destaca que, além do efetivo ser majoritariamente feminino, o que já confere mais conforto às mulheres que querem relatar um caso de violência, a delegacia conta com serviço de atendimento psicológico. “Uma psicóloga policial trabalha na Delegacia de Gaspar. Então, dependendo da natureza da agressão, realizamos o encaminhamento da vítima para que ela receba tratamento diferenciado”, garante.

Denuncie

Se você está sendo vítima de qualquer tipo de violência ou conhece alguém que está passando por essa situação, denuncie! As denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia e também de forma anônima e gratuita, 24 horas, em todo o país, pelos números 180 (Central de Atendimento à Mulher); 181 (Polícia Civil) e 190 (Polícia Militar). A partir do momento em que a denúncia é feita, a vítima tem o direito de requerer a concessão de medidas protetivas contra o agressor.

 

Edição 1863

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