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DEFICIENTES: o autismo e a luta pela inclusão - Jornal Cruzeiro do Vale

DEFICIENTES: o autismo e a luta pela inclusão

28/12/2015
DEFICIENTES: o autismo e a luta pela inclusão

O ano de 2015 foi de experiências totalmente novas para Nicoly Paulo, 7 anos, diagnosticada com autismo logo aos nove meses de vida. Após frequentar por três anos o CDI Thereza Beduschi, no Barracão, e a Apae de Gaspar, a pequena foi matriculada na escola Luiz Franzói para cursar o 1º ano do ensino fundamental.

Por trás de Nicoly está Maria Aparecida da Silva, 41 anos, moradora do bairro Bateias. Mais que uma mãe, uma fiel protetora. Após a surpresa do diagnóstico de autismo de Nicoly e também dos dois filhos mais novos, que hoje frequentam uma creche no Bateias, Maria Aparecida se transformou em uma constante pesquisadora do assunto e defensora do acompanhamento especial às crianças com autismo.

A primeira experiência de Nicoly com o ensino regular não saiu exatamente como o esperado. Foram três trocas de professoras suporte, três afastamentos e alguns sintomas antes controlados na saúde da filha de Maria Aparecida que se agravaram, como convulsões e problemas cardíacos. O número de sessões de fisioterapia também aumentou. O motivo, segundo a mãe, seria o alto nível de estresse que a pequena teve em algumas situações.

Representatividade contra o preconceito


Além da inclusão, outra luta de Maria Aparecida e Nicolly é para combater o preconceito contra os autistas. “Ela já foi impedida de ir a um brinquedo em um parque por simples discriminação e às vezes é alvo da falta de informação das pessoas”, ressalta a mãe.

É para trazer luz a esse tipo de situação que Maria Aparecida trabalha em um plano audacioso para 2016: fundar uma associação de pais e amigos em defesa dos autistas de Gaspar. “Já conversei com políticos e ninguém se interessou, mas o apoio que eu realmente preciso é o das mães dos autistas. Converso muito com elas e sei que muitas enfrentam as mesmas dificuldades que eu. A necessidade de informações é cada vez maior. Nesta época de Natal, que é sempre de muita reflexão e pedidos, meu desejo é de que a inclusão nas escolas e em toda a sociedade seja cada vez maior”, afirma.

“As funcionárias da escola se esforçaram muito, as ewxigências como carteira especial foram cumpridas, mas o que senti é que não havia capacitação adequada para lidar com crianças com o grau de autismo de Nicoly. Sempre defendi a inclusão dela no ensino regular, mas não adianta mantê-la na escola e depois ter que isolá-la em casa por causa do estresse. Isso não é exatamente inclusão”, pressiona.

Em 2016, Nicoly deve voltar a frequentar as aulas em meio período na Apae de Gaspar, onde já estava habituada, mas futuramente a mãe não descarta levá-la novamente à escola regular.


"A cidade é que tem deficiência"


Deficiente físico há oito anos, o morador do bairro Coloninha Carlos Barbosa trabalha desde setembro na criação da Associação Somos Todos Iguais, Asti, que buscará melhorias na locomoção em Gaspar. Atualmente, os líderes da entidade trabalham na conclusão do estatuto, que até fevereiro deve estar pronto para ser aprovado, dando início oficialmente à Asti.

Barbosa conta que a acessibilidade é hoje um problema muito maior do que a discriminação para os deficientes físicos de Gaspar. “A maioria das pessoas tem preconceito contra deficientes, como tem contra homossexuais, negros, mas como existem leis contra o preconceito, eles não expressam, fica ali, escondido. Já a falta de acessibilidade no comércio e nas calçadas nos causa prejuízos a todo momento. Em 90% das lojas de Gaspar eu preciso de ajuda para entrar, por exemplo”, denuncia.

Segundo o Censo de 2010 do IBGE, Gaspar possui cerca de 3 mil pessoas somente com deficiências motoras. “O espaço público precisa se adaptar a todos, deficientes ou não. As pessoas nos chamam de deficientes, mas na minha visão, é a cidade que hoje tem uma deficiência, que queremos ajudar a superar”, ressalta.


Bandeiras iniciais da Associação Somos Todos Iguais

- Adequação das calçadas existentes e construção de novas
- Retirada de postes instalados no meio dos passeios de pedestres
- Melhorias na acessibilidade do comércio, com rampas e cardápios em braile para deficientes visuais
- Busca por semáforos com sonorização para deficientes visuais
- Oferta de atividades esportivas para deficientes físicos, com apoio inicial de projetos de Blumenau

 

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Especial de Natal
Edição 1730 

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