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"Meu coração pulsa mais forte por Gaspar, mas agora tenho um compromisso com SC" - delegado Paulo Koerich - Jornal Cruzeiro do Vale

"Meu coração pulsa mais forte por Gaspar, mas agora tenho um compromisso com SC" - delegado Paulo Koerich

30/11/2018
Por Raquel Tamara Bauer

Com 53 anos de idade e 32 de trabalho, Paulo Koerich nasceu em Blumenau, mas pode ser considerado gasparense de coração e por convivência. Sua família é da cidade e é aqui que ele sempre morou. Na infância, frequentou o jardim do Colégio Madre Francisca Lampel. Mais tarde, estudou na escola Honório Miranda. Seus avós maternos eram proprietários da casa de esquina, onde atualmente é a sede da CDL de Gaspar.

Na adolescência, estudou em Blumenau, nas escolas Santo Antônio e Barão do Rio Branco. Quando se formou, serviu o exército do 23º Batalhão de Infantaria. Depois, trabalhou na prefeitura de Gaspar, foi estagiário no City Bank, em Blumenau e, depois, contratado do Banco do Brasil. Nesse período, Koerich já cursava direito na Universidade Regional de Blumenau – Furb, onde se formou. Trabalhou durante três anos como advogado até que ingressou na carreira policial.

Como delegado, atuou em cidades como Joinville, Blumenau e Gaspar. Além disso, trabalhou no Grupo de Atuação Especial de Combate a Organizações Criminosas, o Gaeco, e foi Chefe de Gabinete da secretaria de Estado de Segurança.

Na quinta-feira, dia 29 de novembro, o delegado esteve na redação do Cruzeiro do Vale e, em uma conversa de quase uma hora, falou sobre o convite vindo do novo governador do Estado, a carreira de mais de 30 anos e seus planos à frente da Delegacia Geral. Confira a entrevista:

"Eu não esperava um convite dessa natureza e dessa magnitude"

“Findada as eleições, eu recebi um telefonema para saber se eu tinha disponibilidade para ir a Florianópolis conversar com o governador eleito. Até me causou surpresa, porque eu não fiz campanha política e não tenho filiação política partidária. Entendo que o gestor de um órgão público, principalmente na minha atividade, pode até ter afinidade, identidade ou simpatia política, mas ele não pode levantar bandeira, porque em determinado momento as decisões que nós tomamos influencia diretamente na vida do cidadão e isso pode se confundir e trazer prejuízo para alguém e para o serviço público. Nós conversamos por 1h40min, falamos sobre assuntos gerais relacionados ao Brasil, sobre Santa Catarina no que tange a segurança pública e, em especial, a Polícia Civil. Ao final dessa conversa, ele me estendeu a mão, olhou nos olhos e disse que estava me convidando para ser Delegado Geral. Eu não esperava um convite dessa natureza e dessa magnitude. Respondi que um convite vindo diretamente dele não tinha como ser negado. Entendi como uma convocação. Uma missão. E eu aceitei e vou honrar a responsabilidade que ele está depositando sobre os meus ombros”.

"O que eu fiz até hoje e sei fazer bem é trabalhar, trabalhar e trabalhar"

“O governador deu liberdade para eu escolher minha equipe de staff. Então, eu tenho que começar a fechar o quebra-cabeça pra escolher as pessoas que vão trabalhar comigo. Já disse para ele como é a minha forma de trabalho. O que eu fiz até hoje e sei fazer bem é trabalhar, trabalhar e trabalhar. Eu delego autoridade, dou liberdade, mas, ao mesmo tempo, cobro. A minha delegada geral-adjunta eu já escolhi, será a Dra. Ester Fernanda Coelho, uma delegada muito respeitada em Florianópolis e que tem história na Polícia Civil”.

“Eu vou aliar a experiência com a tenacidade, sempre procurando valorizar os mais novos, mas respeitando a experiência e a história dos mais velhos”

“Nós temos hoje no Estado um efetivo previsto de 5.900 homens. Estamos com pouco mais de três mil. Temos um orçamento que ultrapassa R$500 milhões e esse orçamento é enxuto. Quando a gente fala em termos de dinheiro, é um monte. Um valor respeitável. Mas nós temos o custeio da máquina, folha de pagamento e investimentos.

Então, a partir disso, estou buscando e vou brigar por aliar a experiência dos delegados mais velhos com a tenacidade dos novos. Eu tenho que preparar esse pessoal pra continuar a trabalhar, porque a máquina não pode parar. A polícia não pode parar. Eu vou aliar a experiência com a tenacidade, sempre procurando valorizar os mais novos, mas respeitando a experiência e a história dos mais velhos.

Além disso, vou buscar a excelência no trabalho policial através de novos projetos e plataformas de trabalho, principalmente na área de TI e inteligência artificial. O mundo digital está na porta de todos nós. Temos que nos atualizar, estar à frente, buscando ferramentas, formas de trabalho que nos auxiliem e eu vou brigar por isso. Vou buscar a integração com as demais instituições, porque a segurança pública é uma tônica a nível de Brasil e nós temos que resgatar a credibilidade da área”.

"O dinheiro público tem carimbo e esse carimbo chama-se cidadão"

“Nós vamos trabalhar pesado nos crimes contra a administração pública. O dinheiro público tem dono, tem um carimbo e esse carimbo chama-se cidadão. Eu vou, enquanto Delegado Geral, procurar propiciar e melhorar todos os meios possíveis para uma divisão de repressão aos crimes contra a administração pública, para que aqueles que acham que o dinheiro não tem dono vejam e entendam que tem e pensem duas vezes antes de querer usar o dinheiro público pra outro fim”.

"O administrador público tem que ajudar a sociedade, agora ele não pode transformar o bem público num bem particular"

“A polícia é o primeiro para-choque da sociedade e, no momento em que a segurança pública falha ou sucumbi, a sociedade cai por terra. Infelizmente, em determinado momento temos que usar força porque algo fugiu do controle. Ouve um abrandamento da legislação, mas a polícia não é culpada. Muitas vezes se diz que a polícia prende e o juiz solta. O juiz tá lá pra cumprir a lei assim como a polícia. Se a legislação não atende ao reclame da sociedade, nós temos que mudar. E quem é que pode mudar isso? O Congresso Nacional. Agora, como é que nós vamos mudar com o que nós estamos vivenciando? Um congresso altamente comprometido, com congressistas presos, corruptos ou preocupados e comprometidos com tudo, menos com o Estado, com a sociedade ou com o Brasil. O administrador público tem que ajudar a sociedade, tem que servir. Ele não pode transformar o bem público num bem particular, ele não pode administrar favorecendo esse ou aquele”.

"Os policiais que tenho aqui eu asseguro: são de uma linha ímpar"

“Se eu pudesse, eu levaria toda a equipe que está aqui pra continuar me assessorando lá, porque essa equipe, os policiais que tenho aqui, eu asseguro: eles são de uma linha ímpar. Nós temos policiais que tem conhecimento técnico, cultural e uma formação acadêmica que não perde pra nenhum outro a nível de Brasil. Nós temos policias de Gaspar que são instrutores da academia de polícia”.

"Nós realizamos um trabalho despido de estrelismos, demonstramos que o interesse público é que sobressai e prevalece"

“Se eu tivesse só Gaspar ou só Ilhota para olhae, eu estaria muito tranquilo, porque eu já saberia como resolver. Obviamente que meu coração pulsa mais forte por Gaspar, mas eu tenho um compromisso com o Estado de Santa Catarina. Então, eu não posso privilegiar A em detrimento de B, porque vou estar fugindo daquilo que sempre defendi.

Eu agradeço a cada Policial Civil que trabalhou comigo durante esses últimos meses e ao longo desses anos todos que eu tenho de carreira, aqui em Gaspar especialmente. Vocês [Cruzeiro do Vale] acompanharam de perto o meu trabalho com a Polícia Militar, porque quando nós juntamos esforços e realizamos um trabalho despido de estrelismos, demonstramos que o interesse público é que sobressai e prevalece”

Currículo

Com vasta experiência e um currículo extenso, Paulo Koerich assumiu a primeira delegacia em 1994, em Joinville. Confira todo o currículo profissional do delegado

- Delegado Substituto na comarca de Joinville;

- 2ª Delegacia de Blumenau;

-1ª Delegacia de Polícia Civil de Blumenau;

-Assistente pessoal do secretário Luiz Carlos Schmitt de Carvalho e Chefe de Gabinete da secretaria de Estado de Segurança até 2002;

- Delegacia Regional de Blumenau;

- Diretoria de Polícia do Litoral e do Interior, em Florianópolis;

- Coordenação da Divisão de Investigação Criminal, em Blumenau

- Delegacia da comarca de Gaspar, onde atuou por 12 anos;

- Corregedoria, em Itajaí;

- Grupo de Atuação Especial de Combate a Organizações Criminosas, o Gaeco, em Blumenau;

- Retorno à delegacia de Gaspar, em junho deste ano.

 

Edição 1879

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