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A luta para frear o aquecimento global é de todos nós

Por Marcelo Penna, presidente do Cadeg

O relatório do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC) da ONU abriu os olhos do mundo para a urgência do aquecimento global. Se nada for feito, a temperatura do planeta poderá subir 1,5°C uma década antes do previsto, levando a efeitos climáticos extemos.

O alerta mostra que a elevação da temperatura ocorre em um ritmo mais acelerado do que o esperado. O aumento médio já chega a 1,1ºC desde a era pré-industrial, em virtude apenas das ações do homem no mundo, com o uso de combustíveis fósseis na mobilidade urbana e no setor industrial. O recado é claro: devemos agir agora para limitar o aquecimento abaixo dos 2°C como estabelecido em 2015, no Acordo de Paris, assinado por quase todos os países.

As consequências do aumento da temperatura não aparecem somente no relatório. Já podemos sentir, no dia a dia, as alterações climáticas, com enchentes, frio extremo, calor no hemisfério Norte, incêndios, entre outras ocorrências. Tais alterações climáticas afetam o setor produtivo, e nos trazem a responsabilidade de não apenas depender dos governos, mas agir como empresas e individualmente.

No Cadeg, o Mercado Municipal do Rio de Janeiro, abrimos diversas frentes para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO²) e outros gases do efeito estufa. No último mês, inauguramos um posto de recarga público para veículos elétricos. O eletroposto foi instalado dois anos após colocarmos em circulação o primeiro caminhão elétrico da cidade, responsável pela coleta e transporte dos resíduos do mercado. Neste período, o veículo evitou a emissão de 336 toneladas de CO² na atmosfera. Um similar a diesel iria emitir aproximadamente 14 toneladas de CO² por mês.

Desde 2019, contamos ainda com a maior usina de energia solar do estado. São 5 mil placas fotovoltaicas que, somadas, ocupam uma área de 10 mil m². A produção de energia em um ano é de 2040 MWh, o equivalente ao consumo de médio de 1 mil residências/ano. Em 25 anos, tempo de vida útil das placas, serão 15 mil toneladas de CO² a menos na atmosfera, equivalente ao plantio de 107.500 árvores.

Nosso próximo passo será a instalação de um biodigestor. Diariamente, são oito toneladas de resíduos orgânicos, que serão utilizados para a produção de biogás que, por sua vez, vai alimentar nossos geradores. Além de contar com uma fonte de energia renovável, ainda vamos implementar a economia circular, reaproveitando os resíduos de forma inteligente.

Como um dos principais centros de abastecimento da cidade, queremos mostrar que é possível, sim, reduzir os níveis de emissão e manter nossas atividades econômicas com sustentabilidade. Os esforços para reduzir o aquecimento global devem vir de todos os setores da sociedade. É uma luta de todos nós, afinal, o que está em jogo é o futuro do nosso planeta e a sobrevivência das próximas gerações.

 

Edição 2022

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