Faça chuva ou faça sol, o trabalho é feito com a mesma dedicação e força de vontade. A rotina é intensa, pesada, mas nada impede que a alegria e o bom humor estejam estampados em seus rostos. São muitas ruas percorridas diariamente e em uma delas há sempre alguém disposto a oferecer um copo d?água, um lanchinho ou um simples sorriso, que já contribui muito para continuar o trabalho. Profissão satisfatória, que rende lições e aprendizados todos os dias e possibilita muitas amizades. É assim que os garis Luciano Klaar, 30 anos, José Maurício da Luz, 45 anos, e o motorista Ademir Ankler, 42 anos, classificam a rotina de trabalho nas ruas de Gaspar.
Embora o esforço seja necessário a qualquer momento do dia, a equipe formada por eles trabalha com dedicação e muito bom humor. O trio inicia a jornada às 13h30 e segue até as 22h, coletando o lixo orgânico dos bairros Sete de Setembro ao Bela Vista. Há mais de um ano, Luciano, José e Ademir trabalham juntos nesta rota e, desde então, além de colegas de trabalho, acabaram se tornando grandes amigos. ?É preciso ter harmonia entre uma equipe, já que um precisa do outro. Isso com certeza nós temos. A gente se entende, aceita o jeito de cada um e assim nos damos bem?, revela Luciano.
Mas durante este tempo não foi apenas a amizade um do outro que eles acabaram conquistando. O trio é muito conhecido pelas ruas em que passa porque sempre leva um pouco de energia e alegria à comunidade. ?Não tem tempo ruim. Precisamos enfrentar algumas situações desagradáveis em nossa rotina, mas isso não é motivo para nos entristecermos. Estamos sempre brincando e sorrindo para todos?, afirma José, mais conhecido na cidade como tio Bili.
O jeito brincalhão e divertido com que a equipe faz a coleta de lixo é facilmente identificado e já conhecido pelos moradores. Além da alegria e do sorriso no rosto, os garis procuram inovar bastante durante o horário de trabalho. Ouvir pedidos das crianças, brincar com os cachorros, utilizar fantasias encontradas em meio ao lixo e arremessar sacolas no caminhão no melhor estilo jogador de basquete são apenas algumas das estratégias dos coletores para cativar dezenas de pessoas diariamente.
Dificuldades
O amor pelo trabalho é visível nos olhos de Luciano, tio Bili e Ademir, mas é inevitável que a equipe se lembre das dificuldades encontradas todos os dias. ?É um serviço sofrido. A gente sofre discriminação, encontra dificuldades, precisa enfrentar o mau tempo. Mas é preciso superar, erguer a cabeça e colocar um sorriso no rosto?, ressalta Luciano. Para eles, os dias de sol forte ou de muita chuva são os mais difíceis. As bombonas de coleta muito cheias e pesadas também dificultam o trabalho dos garis, que às vezes sofrem para erguê-las. ?Às vezes há falta de respeito por parte do morador. Muitas vezes, eles misturam vidros e peças cortantes em meio ao lixo. Por causa disso já nos machucamos bastante?, conta tio Bili. O motorista Ademir, que também já trabalhou como gari, reconhece as dificuldades enfrentadas pelos companheiros de trabalho. ?São coisas que precisamos superar?, ameniza.
Luciano: autodidata em inglês
Luciano Klaar, 30 anos, tem alegria e disposição de sobra pra exercer a função de gari. Já trabalhou em outras áreas, mas preferiu a liberdade que o serviço nas ruas concede. A experiência na área de coleta de lixo vem desde os 18 anos, quando encontrou um emprego em Blumenau. Morador do bairro Bateias, ele trabalha há pouco mais de um ano na Say Muller, que opera o serviço de coleta de lixo em Gaspar. O sorridente gari estudou até a oitava série e, mais tarde, encontrou no lixo uma nova forma de aprendizado. Sozinho, aprendeu a falar inglês com os livros que encontrava no lixo. Luciano é casado e tem três filhos. Para ele, ser gari é algo que o alegra muito, principalmente por poder conhecer tantas pessoas e transmitir a elas um pouco de alegria.
Ademir: responsabilidade ao volante
Ademir Ankler, 42 anos, nasceu em Xaxim, mas mora em Gaspar há 16 anos. Antes de trabalhar em empresas de coleta de lixo, já havia sido motorista em empresas de outros setores. Há muitos anos, porém, decidiu trocar a função de motorista para ser gari em uma empresa de Blumenau. Mais tarde, nesta mesma empresa, conseguiu uma vaga para motorista de caminhão de lixo. Em Gaspar, seguiu a mesma trajetória. ?É bom trabalhar em uma equipe mais animada como essa?, admite. Morador do bairro Gaspar Mirim, casado e pai de sete filhos, Ademir também afirma gostar muito do que faz.
Tio Bili: amor pelo que faz
José Maurício da Luz, 45 anos, o tio Bili, nasceu em Gaspar e hoje vive no bairro Gasparinho com a esposa. Antes de ser gari, também já havia trabalhado em outros lugares. A oportunidade de trabalhar com coleta de lixo surgiu há cerca de 15 anos e, desde então, tio Bili já pôde trabalhar em vários municípios. Tio Bili não esconde o amor que sente pela profissão e acredita que quando se faz aquilo que gosta a alegria passa a fazer parte da rotina.
Edição 1462
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