Primeiro parto na maternidade de Gaspar aconteceu há 42 anos - Jornal Cruzeiro do Vale

Primeiro parto na maternidade de Gaspar aconteceu há 42 anos

03/08/2012

mariaMD.jpgEla inaugurou a maternidade de Gaspar

Por Ana Carolina Bernardes

A emoção de Margarida Sansão, já falecida há cerca de 20 anos, teve início no ano de 1970, quando descobriu que estava grávida de uma menina. Ela e o marido, Arthur Sansão, moradores do bairro Macuco, acharam que a filha nasceria em um hospital de alguma cidade próxima a Gaspar, porém, receberam a boa notícia de que o primeiro hospital de Gaspar seria inaugurado naquele mesmo ano.
Foi então que no dia 16 de agosto de 1970, ao sentir fortes contrações, Margarida foi encaminhada ao recém inaugurado Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para dar a luz ao primeiro bebê gasparense nascido na cidade. Maria Teresinha Sansão Lessa, hoje com 41 anos de idade, é a filha de Margarida e Arthur, e também a primeira criança a nascer na maternidade do hospital de Gaspar, que neste mês de agosto comemora, juntamente com ela, 42 anos.

?Me sinto muito feliz por fazer parte dessa história e privilegiada por ser a primeira a nascer no Hospital de Gaspar?. Esta é a frase que Maria Teresinha utiliza ao ser questionada sobre o fato de ser a primeira pessoa a nascer na maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. ?É mesmo um grande orgulho?.

Maria ainda lembra de alguns fatos que sua mãe lhe contava sobre o dia do seu nascimento, principalmente porque grande parte dessa história é levada consigo diariamente. Isto porque seu nome, Maria Teresinha, foi dado por causa de uma das enfermeiras que estava trabalhando na maternidade naquela época. ?Minha mãe me contou que ao chegar ao hospital, as duas enfermeiras, Maria Teresinha e Maria Gorete, ficaram com ela o tempo todo até meu pai chegar. Durante este tempo, elas pediram para que minha mãe me desse o nome de uma delas, e foi o que ela fez?, relata.

Porém, este não foi o único pedido das enfermeiras. Conforme Maria, elas queriam ainda que o médico responsável pelo primeiro parto, doutor João Spengler, fosse também o padrinho de batismo da criança. ?A princípio, minha mãe não queria aceitar, mas depois ela e meu pai decidiram fazer isso, afinal ele foi muito importante para todos nós?, afirma. Maria e o doutor João mantêm contato até hoje e, segundo ela, o médico é uma pessoa muito importante em sua vida.

Os dois pedidos feitos pelas enfermeiras foram atendidos e, além deles, Margarida realizou outro, apenas por entender a importância das enfermeiras no momento do seu parto. ?Seis anos depois que nasci, ela batizou a minha irmã com o nome de Maria Gorete, em homenagem à outra enfermeira?, diz Maria Teresinha.

Homenagem

Para comemorar os 42 anos de criação da maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro haverá uma programação especial na próxima quarta-feira, dia 8 de agosto. O evento está sendo preparado pelo Conselho de Administração do Hospital em parceria com a Acig, Secretaria Municipal de Saúde e Pastoral da Criança. O evento promoverá uma homenagem à Maria Teresinha Sansão por ser a primeira criança nascida no local, e ao médico João Spengler, que realizou o primeiro parto.

Após as homenagens, o conselho pretende promover uma interação entre parturientes e a obstetrícia do hospital. Palestras e orientações com profissionais da saúde estão sendo organizadas para o evento, bem como visitas à unidade de saúde para que as gestantes conheçam o ambiente físico da maternidade.

O grupo de gestantes será organizado pela Secretaria Municipal de Saúde e Pastoral da Criança, mas as gestantes que não estiverem inseridas nos grupos e quiserem participar podem efetuar a inscrição no próprio hospital, no dia 8. As interações acontecem de manhã, das 9h às 11h, e a tarde, das 14h às 16h.

Espaço se modernizou e equipe cresceu

Durante esses 42 anos de trabalhos, a maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já atendeu milhares de gestantes. Com quartos bem equipados, acessórios e instrumentos de alta tecnologia, cinco pediatras e quatro enfermeiras, a maternidade e o centro obstétrico estão bem preparados para atender as mamães e seus bebês que ficarão no local por alguns dias. Porém, no início, esta realidade era bastante diferente.

O clínico geral João Spengler, 70 anos, lembra-se muito bem do hospital no ano em que ele foi aberto, em 1970, pois ele, juntamente com o doutor Maurício Monnerat, foram os primeiros médicos a trabalhar na casa médica. O especialista conta que o hospital foi aberto no dia 18 de maio daquele ano, e a maternidade alguns meses depois, em agosto. Naquela época, a equipe de funcionários do hospital era composta apenas por cinco pessoas. ?Era uma verdadeira correria, já que eu e o doutor Maurício tínhamos que atender todas as pessoas. E ficamos trabalhando sozinhos por dez anos, até que novos médicos chegaram?, recorda.

Quanto à maternidade, o clínico geral fala que foi um grande avanço para o município. ?Naquele tempo, as mulheres que moravam em Gaspar estavam muito acostumadas a terem seus filhos em Blumenau, por este motivo foi uma grande alegria para todos ao saberem que poderiam dar a luz nesta cidade?, diz o médico.

Quando Margarida, a primeira gestante a ter seu bebê no hospital, chegou à maternidade João lembra que foi um momento muito feliz e de muita expectativa. Com a ajuda das duas enfermeiras, o parto correu muito bem e não apresentou nenhuma complicação. A partir daí, diversas crianças por mês tiveram a maternidade do Hospital de Gaspar como seu primeiro lar. Alguns aparelhos e instrumentos não existiam naquele tempo, porém o doutor João afirma que os partos eram realizados com muita segurança e se houvesse alguma complicação eles estavam preparados para resolver.

O primeiro parto no hospital do município foi um momento muito marcante na vida de João Spengler, que até hoje se lembra desde momento com muito orgulho. ?Tenho grande satisfação em ter participado dessa história e de carregá-la até hoje comigo?, afirma o clínico geral, que também virou padrinho de batismo de Maria Teresinha, a primeira criança a nascer no local.

A maternidade hoje

Com o passar dos anos, a maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o centro obstétrico foram se desenvolvendo, ganhando novos equipamentos e aumentando o número de partos. Desde abril deste ano, de acordo com informações repassadas pela administração do hospital, 175 bebês já nasceram no local, sendo que foram 39 em abril, 35 em maio, 41 em junho e 60 no mês de julho. Deste total, foram realizadas 95 cesarianas e 80 partos normais.

Segundo a enfermeira da maternidade e do centro obstétrico, Denise Machado Ferreira, o local conta com sete quartos. ?Todos os materiais e móveis são de ótima qualidade e são necessários para atender tão bem as mulheres?, conta. Ainda de acordo com Denise, as enfermeiras tentam passar às mães o máximo de informações possíveis sobre a amamentação e os primeiros cuidados com a criança.

Juliete de Oliveira, 22 anos, está na maternidade desde quarta-feira, dia 1º, quando deu a luz à sua segunda filha. Para ela, o atendimento e as instalações são ótimos. ?Tive meu primeiro filho em outra cidade, e posso garantir que neste hospital meu parto e os cuidados comigo e com minha filha foram muito melhores?, afirma.

Já Geisebel da Silva Oliveira, 16 anos, teve seu primeiro filho nesta quinta-feira, dia 2, e também aprova os serviços da maternidade. ?Gostei bastante de tudo, principalmente dos funcionários que são muito atenciosos conosco?, comenta. A mamãe de primeira viagem garante ainda que se ficar grávida novamente pretende ter o filho no mesmo local.

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