Acordar cedo, ir para a roça, trabalhar arduamente durante todo o dia e no fim de cada jornada saber que o alimento de muitas famílias está garantido faz parte da rotina de João Paulo Rampelotti, 32 anos, e também de vários outros agricultores, que comemoram seu dia neste sábado, 28.
Independente das adversidades enfrentadas, sejam climáticas, políticas, econômicas ou estruturais, esses trabalhadores não desanimam de seguir a profissão. Porém, conforme o tempo passa, mais dificuldades surgem para as famílias que vivem do campo. De acordo com Ivanilde Rampelotti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar, Sitrug, a maior dificuldade enfrentada hoje por todos os agricultores é em relação ao preço do produto. ?O Governo Federal não estabelece uma real política do preço mínimo de determinado produto. Dessa maneira, os agricultores não podem vender seu alimento com dignidade?, esclarece a presidente, que diz ser este o principal motivo de tantas desistências de trabalhadores no setor.
Em consequência desta situação, muitos trabalhadores do campo não conseguem pagar suas dívidas e deixam de exercer a profissão. ?Hoje, o maquinário que é muito importante já pode ser adquirido de forma mais fácil, porém, com a dificuldade de preços, as dívidas parecem não ter fim?, destaca. Ainda de acordo com Ivanilde, muitos agricultores ainda permanecem exercendo este trabalho somente por ter uma idade mais avançada e não saber como começar uma nova fase. ?Eles sempre têm a esperança de que no próximo ano os preços serão melhores?.
As tecnologias atuais substituíram muito o trabalho do homem no campo, porém há ainda muitas famílias que sobrevivem da agricultura e utilizam as novas tecnologias a seu favor. ?As máquinas ajudam muito os trabalhadores, mas, embora haja desistências, este trabalho nunca poderá ser totalmente substituído, afinal, eles são responsáveis por trazer até nós grande parte dos alimentos?, opina a presidente do Sitrug.
Apaixonados pela profissão
João Paulo Rampelotti trabalha no campo desde criança, e há quatro anos decidiu começar sua própria plantação de brócolis, repolho, couve-flor e pepino para conserva no bairro Gasparinho. A rotina do agricultor começa cedo, às 7h, e segue até o fim do dia. No verão, quando ele planta pepinos para conserva, os trabalhos no campo começam ainda mais cedo e podem continuar até a noite.
João concorda que a maior dificuldade enfrentada por todos os agricultores é quanto ao valor dos produtos, que dificilmente está estabilizado. ?Desde que comecei este trabalho, esta é a primeira vez que vendo com um preço bom?, diz. Entretanto, o jovem agricultor afirma que a profissão é maravilhosa, e que dificilmente desistiria dela. ?Apenas se acontecesse algo muito inesperado, o que acho difícil?.
Pecuária leiteira e plantações de alguns alimentos fazem parte da rotina de Milton Gamborgi, 65 anos, e de sua família há cerca de 40 anos. Segundo Milton, a agricultura foi beneficiada com a vinda de muitas máquinas modernas, mas elas nunca conseguirão substituir totalmente o homem neste trabalho. ?Elas facilitaram e muito o nosso trabalho, mas, mesmo com o passar dos anos, continuaremos sendo indispensáveis?, fala.
Milton lembra ainda que toda a sua família está envolvida neste trabalho, e por este motivo a agricultura sempre fará parte do seu dia a dia. ?São 365 dias por ano trabalhando com isso, durante o tempo necessário. Embora haja dificuldades, fazemos porque gostamos muito?, comenta. Para o agricultor do bairro Lagoa, a vida no campo é muito prazerosa, apaixonante e não pode ser deixada de lado.
Edição 1409
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