Medo, insegurança, fragilidade. Estas três palavras fazem parte da rotina diária dos comerciantes vítimas da ação de bandidos. Encapuzados ou não, eles entram, em plena luz do dia, apontam suas armas e anunciam o assalto. A ação audaciosa destes infratores está causando indignação nos comerciantes dos bairros mais distantes de Gaspar. Sem ter como reagir, eles perdem produtos e muitas vezes todo o dinheiro arrecadado com as vendas da semana.
A facilidade de fuga somada à rapidez com que os bandidos realizam o assalto aumenta a sensação de insegurança não apenas destes empresários, mas de seus funcionários e da própria comunidade que vive nestes locais mais distantes, como o bairro Gaspar Grande, que somente neste ano já registrou diversos assaltos em bares, mercados e padarias.
Lodegário Sansão, 48 anos, já passou por momentos de terror por três vezes, duas apenas neste ano. Para o proprietário do Mercado e Açougue do Mano, localizado na rua Prefeito Leopoldo Schramm, as marcas deixadas pelos assaltantes são dificilmente esquecidas. ?É realmente um grande susto, e o problema é que eles ficam cada vez mais perigosos e sem medo algum?, destaca. O último assalto ao mercado de Lodegário aconteceu na noite do dia 3 de julho, quando dois homens em uma motocicleta invadiram o local armados, usando apenas o capacete para não serem identificados. ?Em todos os três assaltos, eles levaram cigarros e o dinheiro do caixa e não foram encontrados pela polícia?, lembra.
No mesmo dia em que Lodegário sofreu o assalto, o Mercado Borderes, que fica a apenas alguns metros do Mercado e Açougue do Mano, também foi alvo dos mesmos assaltantes. Segundo o proprietário do estabelecimento, Davi Borderes, os homens estavam armados e com muita pressa, por este motivo levaram apenas R$20 de um cliente e vários maços de cigarro. ?O pior é o susto mesmo. Chegamos a ficar muito traumatizados com toda essa situação?, diz o comerciante.
O Mercado Borderes já foi alvo de bandidos por três vezes, sendo que todos aconteceram recentemente. Segundo Davi, que já possui o empreendimento há 19 anos, os assaltantes ficam cada vez mais violentos e sem medo das consequências que poderão ser tomadas se forem pegos. ?Acredito que esses furtos ficam cada vez mais frequentes em todos os bairros do município, não apenas aqui. Infelizmente, não estamos totalmente protegidos?, aponta.
Assim como os estabelecimentos de Lodegário e Davi, o Comercial Elói Porcínio, também localizado na rua Prefeito Leopoldo Schramm, foi invadido três vezes, sendo que a última foi em 2011. ?Desanima bastante e é muito assustador. Eles chegam tão rápido que você fica sem ação alguma?, diz Márcio Lúcio da Silva, 45 anos, proprietário do comercial. Segundo ele, já não existe mais segurança alguma no bairro. ?Eles não se importam, se querem vir eles vêm e pronto, e quem sai muito prejudicado somos nós, pessoas inocentes?. No último assalto, no fim de 2011, dois homens armados invadiram o comercial levando o dinheiro que estava no caixa. Ainda de acordo com Márcio, apenas em um dos assaltos os bandidos foram encontrados e presos.
Insegurança diária
Trânsito lento, dificuldade em conseguir ligar para a Polícia Militar e falta de policiamento em certos horários são, para Davi, os fatores responsáveis pela grande quantidade de assaltos no Gaspar Grande. ?Acredito que deveria ter, pelo menos, uma viatura na entrada de cada bairro, já que após uma invasão é muito difícil os policias chegarem a tempo?, aponta.
Além de o Gaspar Grande ser mais afastado do bairro Central, Márcio lembra de um outro grande problema para os comerciantes: a facilidade de fuga. ?Por aqui, os bandidos têm acesso para outros bairros e municípios facilmente, e isso nos prejudica ainda mais?, diz.
Para Lodegário os bairros mais afastados do Centro da cidade sofrem muito com a falta de segurança, pois os policiais ficam por mais tempo nessa área e acabam se esquecendo dos locais mais distantes da cidade. ?Além disso, temos que esperar muito tempo pela chegada da guarnição após um assalto e nisso os bandidos já estão longe?, fala. Para o comerciante, que possui um mercado há mais de 20 anos, os policiais deveriam intensificar as rondas nos bairros do interior, pois somente agora os assaltos começaram a acontecer. ?É necessário que haja mais policiamento no Gaspar Grande urgentemente?.
Cuidados podem ajudar a evitar a ação dos bandidos
Embora seja impossível saber o dia e a hora exata que o um estabelecimento poderá sofrer com a ação de criminosos, existem algumas dicas que devem estar na lista de prioridades de todos os comerciantes.
O comandante da Polícia Militar, capitão Adair Alexandre Pimentel, lembra que é essencial informar a ocorrência para a Polícia Militar e registrá-la também na Delegacia de Polícia Civil. Dessa maneira, os policiais poderão ter mais pistas e também direcionar viaturas para fazerem rondas no local. ?As pessoas precisam acreditar que faremos o possível para ajudá-las, e por este motivo não podem, em hipótese alguma, esquecerem-se de nos informar a ocorrência?, destaca o capitão.
Prova de que muitos não estão obedecendo à recomendação do policial são os números de roubos e furtos registrados no Gaspar Grande neste ano: apenas dois. Sendo que nenhum suspeito havia sido preso até esta semana. Conforme o comandante, é um número pequeno e que, com certeza, deve ser muito superior. ?Sabemos que a facilidade de fuga neste bairro chama a atenção de pessoas interessadas no furto ou roubo, mas infelizmente não é apenas no Gaspar Grande?, afirma o capitão Pimentel, lembrando também que o município possui várias outras rotas de fuga que dificultam a captura dos assaltantes. Hoje, a PM precisa atender mais de 75 mil habitantes dos municípios de Gaspar e de Ilhota, e por este motivo precisa também do apoio da comunidade.
O comandante da Polícia Militar diz ainda que o número de assaltos e furtos cresce devido à facilidade que os bandidos encontram para conseguir armas de fogo, desejo de conseguir dinheiro de forma rápida e fácil, e devido ao fato de os responsáveis não terem medo das consequências. ?Além disso, existe a facilidade de conseguir informações dos próprios funcionários sobre a quantidade de dinheiro em determinado estabelecimento comercial. Eles não chegam em certo local sem saber de nada, pelo contrário, planejam muito bem todo o assalto?, aponta.
Fique ligado
Como evitar um assalto?
É necessário ter muito cuidado ao passar qualquer tipo de informação a clientes e funcionários, principalmente sobre dinheiro, a respeito do estabelecimento comercial, explica Pimentel. ?Os proprietários também devem conhecer muito bem seus colaboradores?. A instalação de câmeras de vigilância e a contratação de uma empresa especializada, quando possível, também podem ajudar em situações emergenciais. ?Ficar atento à movimentação na rua e de olho em motociclistas que não tiram o capacete para adentrar ao local também é uma forma de se prevenir?, sugere.
E quando estiver acontecendo o roubo?
Procure manter a calma, demonstrar confiança e não discutir, em momento algum, com os criminosos ou reagir. ?Lembre-se de memorizar as características físicas, roupas e o veículo utilizado, sem que percebam que você está olhando?, completa o comandante. E, claro, ligar para a Polícia Militar, através do telefone 190, para o registro da ocorrência.
Edição 1305
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).