A estelionatária Francelize Kurz, 33 anos, foi presa na última sexta-feira, 13, no município de Rio Negrinho. A mulher natural de Curitiba estava sendo investigada desde o início deste ano. Ela publicava anúncios em jornais de diversas cidades, inclusive nos de Gaspar, informando que adquiria veículos financiados e transferia a dívida para o seu nome.
A mulher fornecia seu nome verdadeiro e também seus documentos. Quando era procurada pelas vítimas, formalizava um contrato com informações falsas e fugia com o veículo.
Conforme informações da equipe de investigação da Polícia Civil, o golpe teria sido praticado nas cidades de Joinville, Guaramirim, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Mafra, Papanduva e Canoinhas. Porém, vítimas de outras cidades já estão procurando a polícia, o que indica a possível existência de uma quadrilha especializada neste tipo de golpe no Estado.
Francelize foi presa em flagrante pelo crime de estelionato. As investigações continuam para apurar a dimensão de atuação da quadrilha e recuperar os veículos.
Estelionato em Gaspar

Gilmar José Schmitt, 50 anos, morador do bairro Coloninha, foi uma das vítimas da estelionatária Francelize Kurz. Gilmar conseguiu comprar seu primeiro carro 0km em outubro do ano passado, um Corsa Classic Sedan de cor prata. O homem financiou o veículo em 60 vezes de R$852,00, porém, após pagar a primeira parcela em novembro, percebeu que não conseguiria quitar as outras 59, pois estava em uma situação financeira difícil.
Aflito e tentando encontrar alguma solução para o problema, o morador do bairro Coloninha encontrou em um jornal, em novembro de 2011, um anúncio que dizia que Francelize adquiria veículos e transferia o resto da dívida para seu nome.
Gilmar entrou em contato com ela para negociarem a troca e foi a partir daí que problemas muito maiores surgiram em sua vida. ?Ela veio a minha casa no dia 23 de dezembro. Conversamos e ela me passou confiança. Como eu já havia pagado uma parcela e instalado também o alarme, Francelize me pagou R$1.150 e disse que voltaria para pegar o carro com os documentos em um outro dia?, explica.
Após três dias, ela foi novamente à casa dele, juntamente com um homem. Eles estavam em um Celta preto com placas de Itajaí. Inocente e ansioso por quitar suas dívidas, Gilmar entregou todos os documentos do veículo, inclusive o recibo de compra e venda, e autenticou os documentos necessários no cartório. ?Eu acreditei em sua palavra, e não consegui imaginar que isso poderia acontecer comigo. Ela me disse que voltaria depois de alguns dias para acertarmos?, recorda.
Depois daquele dia, a estelionatária sumiu com o veículo. Quando Gilmar ligava para Francelize seu celular estava desligado. Apenas em janeiro, ele percebeu que tinha caído em um golpe. ?Desde então, minha vida mudou completamente. A tristeza é tamanha, e penso nisso 24 horas por dia?, afirma, dizendo ainda que o que mais lhe incomoda é saber que seu nome está no Serasa e no SPC, pois foi orientado por seu advogado a não pagar mais nenhuma das parcelas do veículo.
Hoje, o homem de 50 anos não tem mais esperanças de que seu carro seja encontrado, principalmente porque o crime não pode ser registrado como roubo, já que ele foi enganado para dar, literalmente, o veículo a ela. ?Agora, estamos esperando que o banco dê a ordem de busca e apreensão do carro pela falta de pagamento. Mas mesmo assim, já não acredito na possibilidade de encontrá-lo?, conclui Gilmar.
Edição 1407
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