
Santa Catarina enfrenta uma semana de tempo instável, com chuva que se alterna em intensidade e região ao longo dos dias. Segundo os meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, essas condições já refletem o aumento do volume de chuva esperado para o próximo mês.
As chuvas começaram na segunda-feira, dia 29, nas áreas do norte do estado. Mas instabilidade ganha força nesta terça-feira, dia 30, com temporais previstos em todas as partes do estado.
Entre quarta e quinta-feira, dia 1º e 2 de julho, a chuva perde força no norte do estado e se concentra nas áreas próximas ao Rio Grande do Sul, especialmente no Oeste, Extremo-Oeste, Meio-Oeste, Planalto Sul e Litoral Sul, onde o risco de alagamentos e enxurradas permanece. Entre a noite de quinta e a manhã de sexta-feira, a formação de um ciclone extratropical em alto mar deve trazer uma massa de ar frio e seco para o estado. O encontro dessa massa com o ambiente ainda úmido provoca queda nas temperaturas, mantém o tempo firme e fortalece o vento sul na costa, deixando o mar agitado em todo o litoral catarinense. São esperadas ondas acima de 3 metros no Litoral Sul e na Grande Florianópolis, e entre 2 e 3 metros no Litoral Norte, aumentando a condição para alagamentos costeiros nas áreas suscetíveis.
Com a chegada da chuva, as temperaturas no amanhecer não devem ser tão baixas quanto as registradas na última semana. A Defesa Civil Estadual ressalta, porém, que a tendência é de queda gradual ao longo dos próximos dias.
De forma geral, as mínimas ficam entre 10°C e 15°C, enquanto as máximas, na maior parte do estado, não passam dos 20°C. A combinação entre chuva e ventos mais intensos contribui para manter a sensação de frio. A exceção fica para a tarde de quarta-feira, quando as máximas podem chegar a 25°C.
Na noite de quinta-feira, o avanço de uma massa de ar frio sobre o estado derruba as temperaturas. No amanhecer de sexta-feira, os termômetros devem ficar abaixo de 5°C em grande parte do estado, com valores negativos nos pontos mais altos da Serra. Nessa região, há possibilidade de precipitação invernal, como chuva congelada ou eventuais flocos de neve. O fenômeno, entretanto, depende da combinação entre a umidade ainda presente na atmosfera e a intensidade do ar frio que chega.
As condições previstas para esta semana fazem parte de uma tendência mais ampla discutida no 243º Fórum Climático Catarinense. No encontro, meteorologistas e analisaram os cenários climáticos previstos para o restante do inverno e o início da primavera deste ano.
Os modelos indicam que o El Niño deve persistir pelo menos até o início do outono de 2027, com cerca de 60% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão. A partir do início de julho, mês historicamente pouco chuvoso em Santa Catarina, a influência do El Niño já deve mudar o padrão, tornando as chuvas mais frequentes e elevando os acumulados mensais acima da média climatológica. O fenômeno também pode antecipar os temporais típicos da primavera para ainda durante o inverno, já que favorece uma atmosfera mais quente e úmida, propícia a tempestades com chuva intensa, granizo e rajadas de vento.
Em setembro, com o início da primavera, a tendência de chuva acima da média se torna mais acentuada. Isso acontece porque a intensificação do fenômeno coincide com um período do ano que, naturalmente, já apresenta maior frequência de chuva e tempestades no estado. Como consequência, aumenta também a probabilidade de ocorrências associadas, como enxurradas, inundações e deslizamentos.
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