Bairros de Gaspar enfrentam a dura rotina da poeira - Jornal Cruzeiro do Vale

Bairros de Gaspar enfrentam a dura rotina da poeira

16/03/2012

Por Ana Carolina Bernardes

Janelas e portas fechadas, vassouras e panos molhados nas mãos. É dessa maneira que o dia começa para muitos moradores do interior de Gaspar. Sem pavimentação, muitas ruas acumulam pó nestes dias secos e a poeira invade as casas e causa transtornos para a comunidade.

Sem papas na língua, os moradores destas localidades afirmam que as ruas de barro são um descaso do Poder Público e que somente a pavimentação, seja com asfalto ou lajotas, poderá dar fim ao problema que há anos atinge as comunidades do interior.
Estender as roupas no varal e logo depois ter que lavá-las novamente, pois já estão impregnadas de poeira, é uma triste realidade de quem vive nestas localidades. Para esses moradores, o verão não é nem de perto a melhor estação do ano. Eles têm que manter as janelas e portas fechadas, mesmo em dias de extremo calor, como os últimos dias.

E como se não bastassem essas dificuldades, os móveis ficam, na maior parte do tempo, completamente sujos, por mais que a casa esteja fechada.  A poeira aumenta ainda mais quando os carros passam em alta velocidade, o que acontece com muita frequência. Segundo alguns moradores, o caminhão pipa passa algumas vezes por dia em algumas ruas, porém nem sempre o serviço ajuda. Como está muito quente, a água seca rapidamente e a poeira volta a tomar conta da rua.

Com a chuva que finalmente deu o ar da graça no final da tarde desta quarta-feira, a situação melhorou um pouco, porém é apenas uma solução momentânea, já que o barro sempre volta a gerar poeira. As bocas de lobo que estão localizadas nessas ruas também enfrentam problemas, pois entopem com mais facilidade, alagando as vias nos dias de chuva.

João Manoel do Nascimento, de 56 anos, morador do bairro Figueira, Osvino Martins, de 57 anos, morador do bairro Coloninha, e Iria Kilpp, de 74 anos, moradora do bairro Gasparinho, deram sua opinião sobre o assunto e contam um pouco dos problemas que enfrentam no dia-a-dia devido à grande quantidade de poeira que se acumula nas ruas em que vivem.

COLONINHA

Osvino Martins é morador da rua Frei Canísio, no bairro Coloninha. O senhor de 57 anos fala que verão e poeira não combinam. A casa dele fica fechada a maior parte do tempo, para que a poeira não invada, e por isso o calor é intenso. ?A nossa casa e o carro ficam muito sujos. Assim que acordamos, vamos limpar a casa e a parte de fora, que está toda empoeirada. Às vezes, também temos que tirar a roupa do varal e já lavar de novo. É complicado viver assim?, relata. Osvino conta também que quando a família vai comer, a porta tem que ser fechada, pois a comida pode encher de pó. ?Não dá pra ficar molhando a rua todos os dias, porque a gente gasta muita água e não adianta por muito tempo?. Para finalizar, Osvino diz que o caminhão pipa geralmente passa em frente à sua casa, porém somente à noite quando o tráfego de veículos é muito menor.

FIGUEIRA

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João Manoel do Nascimento mora na rua Cerena Dellandrea, no bairro Figueira, há muitos anos e conta que teve que aprender a conviver com a poeira, mas nem por isso se acostumou. ?Não posso abrir a casa quase nunca. A poeira é tanta que se limpamos os móveis à noite, pela manhã já está tudo sujo novamente?, explica. João também diz que já foi no rádio pedir que passassem a patrola na rua, porém nada foi feito. ?Quando a gente vai usar alguma roupa, tem que olhar antes, para ver se não está toda suja de pó. Como a casa fica fechada na maior parte do tempo, tivemos que instalar um ar condicionado aqui, senão o calor fica insuportável?. O aposentado fala ainda que molha um pedaço da rua para evitar que a casa fique tão suja. ?Tenho que molhar, pois não passa caminhão pipa por aqui. Querendo ou não, poeira é poeira e a gente tem que respirar isso, o que é não é nada bom?, finaliza.

GASPARINHO

Iria Kilpp sofre muito com a poeira. A senhora de 74 anos mora na rua Frei Solano, no bairro Gasparinho, há 25 anos, e diz que a promessa de asfaltarem toda a via existe desde a sua chegada no bairro. Iria sofre de bronquite e por isso precisa tomar bastante ar fresco, mas é quase impossível. ?Eu abro muito pouco a casa, e quando abro, a poeira toma conta. Se a casa está fechada, fico com falta de ar, mas se está aberta fico mal também?, destaca. Iria e o marido plantaram árvores em frente à casa para diminuir um pouco a sujeira. ?As árvores ajudaram um pouco, mas já morreram muitas plantas nossas por causa da poeira também?.  Iria comenta que o caminhão pipa passa algumas vezes na rua, mas passa tão rápido que a estrada logo já está seca novamente. ?Se eu começo a limpar a minha casa lá no início, quando chego aqui no fim preciso ficar com o pano na mão para começar tudo de novo?, conclui.

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MACUCO

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LAGOA

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Sem pavimentação, caminhão pipa é a solução 

Enquanto as ruas onde moram João Manoel, Iria e Osvino e todas as outras ruas de barro da cidade não são pavimentadas, os caminhões pipa são os responsáveis por tentar amenizar os problemas causados pela poeira.

Segundo o assessor administrativo da secretaria de Transportes e Obras, Gilberto Goedert, a cidade conta hoje com cinco caminhões pipa, que fazem o mesmo roteiro todos os dias, com algumas alterações apenas quando necessário.

Como o tempo está muito seco, a prefeitura contratou mais um caminhão para auxiliar na molhagem das ruas, que ficará disponível até voltar a chover com mais frequência. ?Estamos evitando passar a patrola nas ruas, neste momento. Não aconselhamos os moradores a molharem a rua, pois é água potável e não queremos desperdiçar. Sabemos que a solução é a pavimentação, mas enquanto ela não sai, fazemos o possível, mesmo que nem sempre resolva totalmente o problema?, explica.
Gilberto diz também que os caminhões estão andando em torno de 200 quilômetros por dia, fazendo cerca de 12 viagens para reabastecimento, e dois deles trabalham das 6h às 21h, todos os dias.

Se a sua rua estiver muito seca e com muita poeira e você quer pedir que um caminhão pipa passe por ela, entre em contato com a Secretaria de Obras, pelo telefone 3332-3502. Porém, Gilberto diz que neste momento os caminhões estão trabalhando muito e apenas se der tempo eles poderão incluir novas ruas no roteiro.

EDIÇÃO 1370

Comentários

jane
18/03/2012 08:54
No alto gasparinho então só se a rua for fechada , nos domingos e sol a gente tem que sair de casa porque são mais de 300 carros por dia que passam aqui por causa da truticultura Betoldi. E ninguém faz nada nem mesmo o caminhão pipa passa. É tanta poeira que ela se estende ao longo do mato.
marilze nicoletti da costa
17/03/2012 13:57
perguntar nao ofende: sera que alguem tem alguma coisa contra o bairro lagoa que nada foi feito nesta gestao para melhorar a vida dos seus moradores?
sergio luiz pereira
17/03/2012 08:57
moro no bairro figueira quando nâo e a poeira são os alagamentos onde esta o veriador do bairro?
Aldair
16/03/2012 23:28
Acordo com a poeira, almoço com a poeira e durmo com a poeira.
Olho pra fora da janela, lá está ela. Olho em cima da mesa, ali está ela.
Aldair
16/03/2012 23:21
Concordo com o comentário do Carlos e sou testemunha desse fato.
Moro na Rua Piracicaba, nos Gaspar Mirim, cuja rua não foi contemplada com a passagem do caminhão pipa até o final. Pois o motorista faz a volta no número 195, e a rua vai até a numeração 490.
Se indagado o motorista vai alegar que não pode molhar a parte da rua que falta, pois no final não tem como manobrar.
Se não tem, porque quando sua filha, Sr. Motorista, morava na última casa da Rua Piracicaba, a gente tinha o prazer de ver o caminhão subir aqui jogando água à vontade na rua? E ainda dava tempo para tomar um cafezinho, pois demorava uma meia hora para descer.
Thiago
16/03/2012 22:21
E a rua Criciúma......Margem Esquerda ...agora com esse caos na ponte virou tentativa de fuga para os motoristas....até quando aquele povo vai comer poeira......
Rodrigo
16/03/2012 20:48
Infelizmente moro em um destes bairros, mas sempre foi assim, se o centro de Gaspar em todas as administração agora que retirarão aquele calçamento todo embruacado imagina no interior de Gaspar.
ronaldo r r
16/03/2012 19:38
O vereador Melato fez indicaçao para pavimentar algumas ruas(tem o nome das ruas em uma matéria que saiu no link chumbo)mas ele esquece que a rua Lagoa Vermelha é muito importante,tanto para nós moradores,como para ele tambem.Ele sabe que o movimento de veículos é intenso,pois essa rua tem ligação com a BR 470.

Desse ano não pode passar,queremos calçamento já.
Veronice
16/03/2012 18:05
Infelismente não é só no interior que esse problema acontece,moro na Rua Lagoa Vermelha na ME,e sofremos muito com esse problema.Casas fechadas,poeira por todo canto um inferno e o pior é que nossa rua nem é tão extença assim e já tentamos de tudo para calçarmos a rua mais nada...falta vontade política e princípalmente de alguns vereadores que inclusive tem propriedades nessa rua e não querem nem participar como cidadãos pagando sua parte no multirão.Enfim só molhar as ruas não resolve queremos calçamento e prá ontem.
LUCIANO DA CUNHA
16/03/2012 17:41
CADE O ZUCHI ASFALTADOR

OU SÓ É NO CENTRO.
Carlos
16/03/2012 16:41
Isso sem contar que o motorista do caminhão pipa só molha a rua que ele quer ou seja rua de parentes dele. Cada vez que ligamos para secretaria de obras, a secretária diz que somente com o diretor poderemos conseguir que o caminhão pipa passe na rua. Já o motorista qdo pedimos a ele que molhe a rua ele diz que é ruim de manobrar o caminhão. Que motorista é esse???

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