Como está o estoque de vacinas no município de Gaspar? - Jornal Cruzeiro do Vale

Como está o estoque de vacinas no município de Gaspar?

29/06/2012

Hepatite B, Febre Amarela, Sarampo, Caxumba, Rubéola. Estas são apenas algumas das muitas doenças que atingem a população mundial e podem ser evitadas através da vacinação. Garantir o controle destas doenças através da oferta de vacinas para toda a comunidade é um dever da rede pública de saúde, e para verificar como está o estoque e a distribuição de vacinas em Gaspar a equipe de reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale percorreu algumas Unidades de Saúde nesta quarta-feira, 27.

O raio-X da vacina em Gaspar revelou um cenário bastante positivo. Em todas as unidades visitadas o estoque estava dentro do esperado: não faltavam vacinas para imunizar a população adulta e apenas duas vacinas para imunizar as crianças, a tríplice viral e a tetravalente, haviam acabado, mas estavam sendo enviadas pela rede pública estadual no mesmo dia.  

Como nesta época do ano a demanda de vacinação é baixa, a orientação das equipes de saúde no caso das vacinas em falta é para que as mães retornem no dia seguinte para imunizar os pequenos. Para isso, o estoque é controlado e reabastecido assim que as vacinas chegam a uma quantidade muito baixa.

Controle

Além de garantir um estoque completo, um rigoroso controle é feito todos os dias pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde para fiscalizar a distribuição, transporte, armazenamento e validade de todas as vacinas que são obrigatórias na rede pública. As unidades também contam com vacinadoras especializadas, que possuem curso de qualificação específico para vacinar a população.

A visão de quem já usou o serviço

Como a demanda de vacinação é menor no inverno, os Postos de Saúde de alguns bairros registram baixa procura e a Unidade de Saúde Central é a que recebe um número mais elevado de cidadãos.

Aderlei Baggio, 49 anos, decidiu ir ao CAR tomar a terceira dose da vacina antitetânica, que é obrigatória e gratuita, na última quarta-feira, 27. A mulher de 49 anos toma qualquer vacina nesta unidade há muito tempo e afirma que se preocupa em mantê-las sempre em dia. ?Em todas as vezes que vim até este posto as vacinas que precisei estavam disponíveis, e acredito que isso acontece com todos?, diz. Para Aderlei, as atendentes do CAR são atenciosas e o atendimento de toda a equipe é ótimo.

A preocupação em manter as vacinas das crianças em dia é ainda maior. Por este motivo Elisiane de Oliveira, 36 anos, levou sua filha de apenas um ano e três meses até a unidade central, também na quarta-feira.

?Todas as vacinas que ela já tomou foram aqui, e hoje a minha filha veio tomar a da Gripe A?, destaca a mãe. Assim como para Aderlei, Elisiane lembra que as vacinas tanto para ela quanto para sua filha sempre estiveram disponíveis. ?Além disso, nós somos atendidos muito bem nesse posto?, fala.

Bela Vista

A moradora do bairro Bela Vista, Santina Dacastanheli, 70 anos, e usuária do ESF Jardim Primavera, recebeu a sua última vacina, contra a Gripe A, na semana passada. ?Acho muito importante estar com as vacinas em dia, e por isso sempre venho até este posto. Nunca me faltou nada?, destaca.

Secretaria acompanha o estoque, distribuição e a armazenagem

A preocupação do Município em oferecer vacinas suficientes para toda a população é comprovada não apenas pelos usuários da rede pública de saúde, mas também pela enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Angelita Wisbeck. Segundo a enfermeira, a prioridade é atender todas as cerca de 60 mil pessoas que vivem em Gaspar e manter as carteiras de vacinas da comunidade sempre atualizadas.

Quando faltam vacinas, como nesta semana, Angelita garante que a Secretaria consegue repor o estoque rapidamente. ?Nessa semana, por exemplo, avisamos o órgão responsável logo que percebemos o baixo estoque e as vacinas foram entregues alguns dias depois?, explica a enfermeira. Quando isso acontece, os usuários que vão até uma unidade de saúde são orientados a voltar assim que as vacinas chegam e são avisados através de contato feito pela própria equipe de saúde.

Como funciona

Para manter o estoque de vacinas sempre atualizado, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde está sempre atenta à quantidade disponível na rede e também às que estão nos Postos de Saúde. Segundo a enfermeira da Vigilância, para manter este controle a equipe de cada unidade de saúde informa a Vigilância sobre a reposição das vacinas quando há apenas dois frascos na geladeira. ?Todas essas vacinas são disponibilizadas pelo Ministério da Saúde. Nós levamos até o posto em uma caixa térmica, em uma temperatura que varia de 2 a 8 graus. Se estiverem armazenadas em outra temperatura elas correm o risco de não surtir o efeito esperado?, explica. As vacinas ficam armazenadas em uma geladeira com a temperatura recomendada, que chega de 2 a 8 graus. Na própria Secretaria de Saúde, elas também ficam armazenadas nesta temperatura. ?Nós medimos a temperatura pelo menos duas vezes por dia, para termos certeza de que está tudo certo?, afirma Angelita.

Qualificação

Manter todas as vacinas necessárias não é a única função da Secretaria de Saúde. É preciso que haja pessoas qualificadas em todos os postos de saúde para aplicá-las. Como explica Angelita, essas pessoas são chamadas de vacinadoras. ?Elas são treinadas para isso, passam por um curso de qualificação e ganham um diploma? ressalta. A vacinadora do CAR, Heleni Pazetti, já exerce a profissão há 20 anos. ?Temos que seguir algumas normas, assim como o próprio posto. Não tenho do que reclamar desta unidade, já que mesmo com a grande quantidade de pessoas que vêm se vacinar todas estão disponíveis?, lembra a vacinadora. 

Dentre as vacinas obrigatórias e gratuitas, a contra a Febre Amarela é a única que está disponível apenas na Unidade de Saúde Central. Isto acontece pois há poucas doses e elas duram pouco tempo após abertas, cerca de quatro horas. ?Geralmente, esta vacina é aplicada quando se viaja para algum lugar endêmico?.

Quais vacinas são obrigatórias?

Atualmente, o conjunto de vacinas consideradas de interesse prioritário à saúde pública do país é constituído por 12 produtos recomendados à população, desde o nascimento até a terceira idade e distribuídos gratuitamente nos postos de vacinação da rede pública. A primeira vacina, a BCG que previne contra formas graves de tuberculose, é aplicada logo ao nascer. Sua dose é única.
A vacina contra a Hepatite B também é dada logo ao nascer.  A Hepatite B é uma doença transmitida pelo vírus HBV, que atinge as células do fígado. Durante a vida, várias doses desta vacina deverão ser tomadas.

A vacina contra a Febre Amarela é aplicada pela primeira vez aos nove meses de idade. A pessoa deverá tomar uma dose a cada dez anos. A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por um flavivírus. Os vírus infectam principalmente as células de defesa do corpo.

A vacina dupla tipo adulto é tomada após os dez anos de idade, e sua dose deve ser repetida a cada dez anos. Esta vacina previne contra Difteria e Tétano. A Difteria  é uma doença que provoca inflamação da mucosa da garganta, do nariz e, às vezes, da traqueia e dos brônquios. Já o Tétano é uma doença grave que frequentemente pode levar à morte.

Edição 1401




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