Enamorados em 12 de junho
Entidades gregas. Deuses da fertilidade. Padres renegados. Empresários e comerciantes tentando obter lucro. Muitas são as versões que tentam explicar a origem do Dia dos Namorados, cada uma delas com sua peculiaridade, mas todas com o mesmo objetivo, celebrar os casais.
Uma prática comum neste dia 12 de junho, é a troca de presentes, o que exige, por muitas vezes, grande criatividade por parte dos enamorados. Remanescentes de um romance romântico, ainda preparam um jantar especial, mandam flores, cestas de café da manhã, mensagens por telefone, serenatas, ou fazem uma pequena viagem, tudo para agradecer o companheirismo e a dedicação entre ambos.
Origem controversa
Ao contrário daquilo que muitos possam pensar, o Dia dos Namorados não está relacionado diretamente com Santo Antônio, o santo casamenteiro do Brasil. A história refere-se ao Padre Valentino, mais tarde conhecido como São Valentin, como um servidor da igreja que casava jovens sem o conhecimento da sociedade. A prática do padre romano, quando descoberta, tornou-se razão de sua morte.
Embora as versões sobre as circunstâncias em que Valentin morreu sejam divergentes, as datas coincidem, o tendo como morto em um 14 de fevereiro, quando se comemora o Dia dos Namorados, Valentine?s Day, na Europa e nos Estados Unidos.
A comemoração no Brasil no dia 12 de junho deve-se a ?importação? da data. Por ser um dia que movimenta muito o comércio, foi uma comemoração instaurada no país por interesses comerciais apropriadamente na véspera do dia de Santo Antônio, o padroeiro dos casais. A data atualmente perde apenas para Natal e Dia das Mães na movimentação do comércio no Brasil.
Comércio acredita nas vendas este ano
Ocupando o terceiro lugar nas datas que mais movimenta o comércio no Brasil, o Dia dos Namorados aquece os setores de perfumaria, vestimentas, e cosméticos. Em Gaspar, o aumento nas vendas deve chegar aos 6%.
O comércio em Santa Catarina tem boas projeções para as vendas do Dia dos Namorados neste ano. Segundo estimativa da Federação das CDLs de Santa Catarina, FCDL SC, o esperado é que o comércio fature 5,5% a mais do que em relação ao ano passado.
No estado, as datas comemorativas de 2012, Páscoa e Dia das Mães, já apresentaram resultados superiores às expectativas da Federação. O vestuário continua como o setor mais aquecido no Dia dos Namorados, mas este ano destacam-se também os setores de cosméticos e bijuterias. O valor médio nas compras deve ficar em R$ 120, mesmo valor registrado em 2011.
Aposta do comércio está nos setores de vestimenta e perfumaria
Para Gaspar, o aumento também é esperado, segundo a secretária executiva da Câmara de Dirigentes Lojistas, CDL, Thainá Oliveria, a variação fica entre 5% e 6% de um ano para o outro. ?Não é uma data que movimente a cidade tanto quanto o Natal ou o Dia das Mães, mas mesmo assim sempre registramos um aumento?.
A alta nas vendas de 5% é registrada já nos últimos três anos, tendo como maior destaque nos setores de vestimenta e perfumaria. O comércio no município ainda atenderá em horário especial nesta terça-feira, 12, mantendo as portas abertas até as 19 horas, no sábado o atendimento já havia sido prolongado até as 16 horas.
Mesmo com cidades turísticas e especializadas ao redor, como Ilhota, Blumenau e Balneário Camboriú, Thainá Oliveira acredita que o comércio gasparense supre a demanda e oferece aos enamorados tudo aquilo que a data exige. ?Temo um comércio diversificado, acredito que atendamos a demanda?, conclui.
Ainda nos dados da Federação das CDLs, se estima que com o Dia dos Namorados o primeiro semestre de 2012 feche com alta de 4,5% nas vendas em relação a 2011. O período de julho a dezembro deve ser ainda melhor por causa de datas como Dia das Crianças e Natal.
S.O.S. Último dia!!! O que fazer?
Jantar
Não se deve subestimar o valor de um jantar a dois. Sim, está entre um dos clichês do Dia dos Namorados (e aniversários), mas ainda assim o momento cria um clima importante para a relação. Lembre-se: é melhor fazer apenas o jantar do que não fazer nada especial da noite do dia 12.
Chocolates
Cuidado. Chocolates são deliciosos e muitas mulheres irão adorar. Mas o momento é difícil. Primeiramente o dia dos namorados deve mostrar o quanto você conhece de seu parceiro, isso envolve acertar qual marca de chocolate ele (a) mais gosta. Casais juntos há pouco tempo podem errar na escolha, e um chocolate dado a alguém de dieta, por exemplo, é um risco a correr. Claro que, se der certo, vai contar pontos.
Shows
Assistir a um show é bacana, e pode contar ainda com a companhia de casais amigos. A diversão é garantida, mas o conselho é evitar lugares muito cheios e barulhentos. A noite do dia dos namorados é para ser curtida pelo casal, o que envolve momentos de carinho e conversas, às vezes um pub ou barzinho pode ser a melhor escolha.
Flores
Este é um gesto indispensável para o homem. Apesar de parecer piegas, mandar flores pode o fazer parecer bobo e sem criatividade, mas não mandar flores pode criar a imagem de um namorado que não se importa. Claro, é importante ressaltar que mandar flores não deve ser o único gesto no dia dos namorados.
Mix Tape
A época da Mix Tape já passou faz tempo, mas a intenção é bacana. A sugestão é fazer uma seleção com as músicas favoritas dele (a), ou mesmo do casal. Dificilmente conseguirá fazer uma fita cassete, mas um CD, ou mesmo uma seleção de MP3 já mostram um grande esforço. Se quiser ser ainda mais ousada (o), toque a música em um instrumento que conheça, irá contar ainda mais pontos.
Carta
Isso exige mais cuidado e um bom talento com a palavras. Uma pequena carta, com algo importante a ser dito ou simplesmente com o quanto a pessoa amada significa para você, é um gesto de grande carinho. A carta serve como uma lembrança permanente de suas palavras, uma forma de eternizar os sentimentos, o que é um grande benefício, e um risco, dependendo do casal.
Cinema
O cinema já é (geralmente) um programa próprio do casal. Ir ao cinema no dia dos namorados é um programa bacana, e ainda pode contar com a presença de casais de amigos. A dica é assistir a um romance. Mesmo que a preferência do homem (como geralmente é) seja filmes com explosões ou alienígenas, o filme romântico ajuda a criar o clima para a noite. Importante dizer que não deve ser a única programação para a noite, um cinema combinado com um jantar é uma boa pedida, basta conciliar os horários.
Perfumes
Aqui há duas opções: pode-se montar um kit com diversos produtos, ou comprar um único perfume. Na primeira opção torna-se um presente mais útil, contará com cremes, sabonetes, hidratantes, xampu, condicionador, e outras coisas mais baratinhas. Na segunda opção, geralmente compra-se um perfume de maior destaque, algo que ela (e) há tempo deseja, ou um lançamento especial. As escolhas devem ser feitas com cuidado, pois onde este presente ganha em sua qualidade, perde na originalidade.
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Nelson Madrid, 73 anos, descendente de família espanhola. Maria Rosa Madrid, 68 anos, descendente de família italiana. Juntos há 52 anos. Patronos de uma família de 17 membros e conhecedores dos segredos de uma vida a dois, concedem ao Cruzeiro do Vale uma entrevista descontraída, com a presença dos filhos, noras e até mesmo do cachorrinho Flash, na qual relembram os primeiros momentos juntos, a trajetória de formar uma família e o segredo para manter um casamento por mais de meio século.
Maria Rosa Madrid - Nos conhecemos no dia 13 de março de 1960.
Dona Maria começou a contar a história ainda antes da primeira pergunta. Foi a memória dela e do senhor Nelson, ao lembrarem exatamente o dia em que se conheceram, que mais surpreendeu.
Maria Rosa - E lembramos mais. Foi em um cinema, e que filme estava passando?
A pergunta dela é direcionada ao parceiro, que inicialmente faz uma cara de espanto, mas mesmo assim dá a resposta correta.
Nelson Madrid - Aí você está pedindo demais. [Não, você lembra. - ela o encoraja, ele ri]. Era o Incrível homem que encolheu.
Maria Rosa - E o que eu estava vestindo?
Nelson - Uma saia justa amarela, um sapato vermelho. [risos]
Maria Rosa - Isso... ele estava com um terno verde e com gravata.
Nelson - Nós morávamos em Santo André, São Paulo, e naquela época a gente usava muita gravata, era costume usar terno para tudo.
Cruzeiro do Vale - E como foi este conhecimento? Foi no cinema mesmo.
Maria Rosa - Naquela época era diferente de hoje. Eu tinha 15 anos, a gente sentava e os rapazes ficavam em volta das meninas. E a gente, lógico, ficava de olho nos bonitinhos [risos].
CV - E tinha alguma técnica, algum sinal para mostrar que havia interesse?
Maria Rosa - Tinha sim, a gente olhava, piscava, dava um tchauzinho. E se não houvesse interesse simplesmente ficava séria. Aí a gente dava um sorrisinho e pedia para quem estivesse do lado, uma amiga, irmã, já que nunca saíamos sozinhas, para que mudasse de lugar, e o rapaz podia sentar.
CV - E seu Nelson, depois desse sinal, não dava um friozinho na barriga?
Nelson - Dava! Dava sim, muito frio na barriga.
CV - E depois, o que acontecia?
Maria Rosa - Aí ele sentava, pedia se podia pegar na mão. Aí a gente dava as mãos e começava a conversar.
Nelson - Eram outros tempos né. Naquela época era preciso se conhecer muito bem, para depois então se entrar em alguma intimidade.
Maria Rosa - Sim, antes de qualquer beijo na boca, por exemplo, o rapaz tinha de conhecer a menina. Aí ele pedia autorização para namorar no portão.
CV - O namoro evoluía aos poucos também então?
Maria Rosa - Sim, primeiro ele ficava lá fora no portão. Depois ele podia entrar e ficar na sala, depois na cozinha, conhecia aos poucos [risos]. Hoje em dia não. Hoje em dia é primeiro o beijo na boca.
Constituir uma família
CV - Em quantos são na família hoje?
Maria Rosa - Somos em 17, sete netos, e dois filhos.
CV - E os outros?
Nelson - Os outros são agregados. [risos] Genros e noras quando chegam a gente chama de agregados né.
CV - No início, foi difícil ir para a própria casa, montar a família, se tornar independente?
Maria Rosa - Era hábito, em São Paulo era natural. Não havia esse hábito de as pessoas ficarem morando com os pais e nem de depender dos pais para alguma coisa. A partir do momento em que você casava a vida era tua. Aí nós alugamos uma casinha, fomos morar e trabalhar, começar a nossa vida.
CV - E a vinda para Gaspar? Como isso aconteceu.
Nelson - Ah isso foi muita coisa. Nós éramos aventureiros. Quando nós saímos de São Paulo, nossos amigos nos consideraram muito corajosos. Mas acontece que São Paulo já era violenta em 1984, ruim de emprego. Então eu tive uma proposta para trabalhar no Mato Grosso, onde moramos quatro anos e meio. Fui gerente em um frigorífico lá. Depois tive uma proposta irrecusável ali para Maringá, no Paraná. Na época já tínhamos três filhos, aí depois de Maringá é que viemos para cá.
Maria Rosa - É que ele é administrador de empresas. [Era né, não sou mais. - acrescenta Nelson].
CV - E os filhos, entraram no mesmo negócio, seguiram os passos do pai?
Maria Rosa - Não, na verdade eles entraram em um ramo totalmente diferente. O mais velho faz desenhos técnicos de pneumática, e o filho mais novo fazia ferramentaria. E depois, mais tarde, eles entraram no campo de estamparia.
Nelson - E isso é o que eles fazem até hoje. E na época Gaspar já era muito reconhecida nesse mercado têxtil, foi uma das coisas que motivou nossa vinda para cá. Agora dia 3 de junho fez 17 anos que estamos aqui.
Maria Rosa - E com o tempo a gente acaba se envolvendo na comunidade. Eu faço parte da Rede Feminina de Combate ao Câncer, sou catequista na Matriz. Agora estou afastada, mas já fui 16 anos catequista na Matriz.
Após um tempo de conversa, dona Rosa interveio, ?Mas e o segredo de todos esses anos juntos? Você não perguntar??.
CV - Então Dona Rosa, qual o segredo para tantos anos juntos?
Maria Rosa - Quer falar ou quer que eu fale?
Nelson - Pode falar, você é melhor de oratória, pode falar.
Maria Rosa - [risos] Bom,no meu entender, primeiramente é amor. Compreensão, respeito, muitas tolerância. E entender uma coisa: você vê o outro como você veria a si mesmo, então temos que partir do princípio de que você quer fazer o outro feliz. Então isso se torna recíproco. Eu quero fazer ele feliz, e ele quer me fazer feliz.
CV - Mais alguma coisa.
Maria Rosa - É importante também, dar espaço para que o outro viva, sem se sufocar. Viver, sair, estudar, fazer seus projetos, e se o seu parceiro tem essa compreensão de deixar você crescer, a gente vai chegar a uma união quase que perfeita.
Nelson - É preciso ter muito diálogo, muita franqueza, sinceridade, transparência.
Maria Rosa - E claro que a química tem que ter né, é lógico. É preciso, acho que sem química não rola. [risos]
CV - Foram feitos um para o outro então?
Maria Rosa - Foi, Deus fez certinho.
Os filhos do casal, Alexandre, 49 anos, e Anderson, 46 anos, também mantêm casamentos bem sucedidos. Alexandre está junto de Sirlene há 24 anos, e seu irmão mais novo está casado com Edilene há 22.
CV - Eles também possuem essa química que há entre a senhora e o senhor Nelson?
Maria - Sim, herdaram de nós. Copiaram nossa maneira de viver, copiaram o que nós fazemos. É claro, ainda são crianças, você comparar 25 anos com nosso casamento são 25 anos de diferença. Ele têm um toque de modernidade, mas possuem o mesmo conceito: o respeito e a liberdade do outro, o consenso em algumas coisas e lógico, engolir sapo, pois isso faz parte! [risos].
Nelson - Faz parte, mas é preciso confiar no outro. A mulher diz que foi em algum lugar, o homem tem que confiar e acreditar de que ela foi em tal lugar.
Maria - É preciso ter confiança mesmo. A mulher que desonra o marido, desonra a si própria. Já que eu honro meu marido a partir do momento que eu me honro também. Somos de um conceito antigo baseado em fé. Quem tem fé em Deus, fé em nossa senhora, você coloca no coração de que o caminho certo é esse.
Patronos de uma família em que acredita que o mais importante é permanecer unido, o casal ainda tem a guarda dos netos, Augusto, 21 anos, e Beatriz, 16 anos, que perderam a mãe há pouco mais de 10 anos.
Nelson - Depois do falecimento da minha filha, meu genro acabou se envolvendo com outra mulher. E nós, passando por meio judicial, ganhamos a guarda das crianças que estão morando conosco há 11 anos.
CV - Mudou muito a relação ao longo dos 50 anos?
Maria Rosa - Não temos mais aquela paixão que tínhamos quando nos conhecemos, mas a gente ainda se ama. Temos muito carinho um pelo outro, ele por exemplo, faz um monte de coisas para mim, me ajuda nas minhas coisas, e eu ajudo ele nas dele, então nós nos completamos.
CV - Sentem saudades um do outro?
Maria Rosa - [Risos] Às vezes ele diz que vai sair. Pegar as coisas dele, pegar as vara de pesca e diz que vai sair uma semana de casa. Daí chega lá, fica três dias e volta! E eu aqui no segundo dia já estou igual uma barata tonta dentro de casa, não sei o que fazer. A gente fica com saudades.
Nelson - A gente sente falta um do outro, fica com saudades.
Maria Rosa - É isso que faz a vida valer pena.
CV - Alguma mensagem final para os leitores do Cruzeiro do Vale?
Nelson - Queremos que isso influencie um pouco alguma pessoa.
Maria Rosa - Isso, se fizesse a diferença na vida de alguém seria muito bom. E que as pessoas percebessem. O problema das relações mais modernas é que as mulheres estão muito independentes, elas se acham igualis aos homens, mas não são. A mulher não é igual ao homem. E o homem, por sua vez, está ficando apático em relação à mulher. Quer dizer, acaba que não existe mais a cumplicidade. As pessoas estão encarando que estão juntas e cada um tem sua vida, mas essa não é verdade. O fato é que vivem uma vida só, mas à vivem a dois.

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