Família comprou jazigos há 22 anos e espaço foi ocupado - Jornal Cruzeiro do Vale

Família comprou jazigos há 22 anos e espaço foi ocupado

19/06/2012

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O fim de semana foi de surpresas e decepções para a família de Olívia Bottcher, 58 anos. A mulher levou um grande susto ao ver que os dois jazigos que a família mantém no Cemitério Municipal de Gaspar, no bairro Santa Terezinha, foram utilizados por outras famílias.

Olívia comprou os espaços há 21 anos, em novembro de 1990, e desde então realizava a manutenção e limpeza do local. ?Minha mãe teve um infarto e faleceu naquela época. Ela sempre quis um jazigo, por este motivo decidimos comprá-los?, diz a mulher de 58 anos. Na ocasião, Olívia adquiriu o jazigo da mãe e mais dois espaços, por meio da empresa Marmoraria Granivale e até hoje possui o contrato, o qual traz a informação de que ela realmente pagou pelos espaços.

Além de sua mãe, outros quatro familiares estão enterrados ao lado dos jazigos. ?Eles estavam lacrados. Ninguém tem o direito de mexer na nossa propriedade, nem mesmo a Prefeitura. É inaceitável?, destaca Olívia. Segundo Sônia Regina Pereira, 38 anos, filha de Olívia, um homem foi enterrado no local no sábado, 16, e uma mulher no domingo, 17. ?Chegamos a falar com essas famílias, e elas nos disseram que até acharam estranho o lugar estar limpo e organizado. Agora, é ruim para nós e pior ainda para essas famílias, que terão que tirar seus familiares de lá de qualquer maneira?, aponta.

Os dois espaços já foram concretados, mas mãe e filha avisaram às duas famílias para não colocar granito. ?Vamos lutar para tirá-los de lá o quanto antes, é claro. Os espaços são nossos e estamos no direito?, lembra Olívia. O que mais preocupa as duas mulheres é incômodo pelo qual elas terão que passar, já que um advogado precisará ser contratado. ?Minha mãe sofre de hipertensão e já está bastante nervosa com essa situação?, fala Sônia.

Falsas Negociações

Em maio deste ano, uma reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale revelou diversas irregularidades por parte da empresa Say Muller, até então administradora dos Cemitérios Municipais do Santa Terezinha e Barracão, no contrato assinado para a prestação dos serviços de zeladoria, limpeza, portaria e sepultamento. As denúncias apontam que a empresa estaria cobrando valores de R$1.000 a R$1.500 para a aquisição de túmulos nos cemitérios municipais, porém, a comercialização de espaços no cemitério não é permitida por lei, pois o espaço pertence à Prefeitura e é cedido gratuitamente para a comunidade.

O fato chamou a atenção das autoridades policiais e políticas da cidade. Uma CPI foi instalada na Câmara de Vereadores para investigar as denúncias da comunidade e a Polícia Civil e Ministério Público também investigam o caso, em sigilo. A CPI vai se reunir nesta quarta-feira, 20, para definir como serão feitas as apurações do caso.

Os documentos de Olívia Bottcher, que comprovam o pagamento pelos jazigos há mais de 22 anos, revelam que a venda dos espaços nos cemitérios municipais é uma prática antiga na cidade. Segundo o atual administrador dos cemitérios, Natalino José da Silva, nunca foi permitido vender ou alugar uma propriedade que é de poder do órgão público. ?Hoje, estamos vendo que este fato aconteceu em diversas administrações, e infelizmente quem precisa pagar é a própria comunidade. Eles não têm identificação alguma dizendo que pertencem a tal pessoa e isso é proibido?, destaca. Sobre o caso da família de Olívia, Natalino diz que não será possível retirar os dois corpos sepultados neste fim de semana, pois o túmulo só poderá ser aberto, se necessário, daqui a cinco anos.

De acordo com o administrador, todas essas pessoas que dizem possuir um espaço nos cemitérios municipais foram enganadas, e a Prefeitura ainda não tem como reverter essa situação. ?Se precisarmos enterrar alguém, seremos obrigados a pegar os espaços livres dos cemitérios, pois a lei é clara ao dizer que o município deve oferecer sepultamento gratuito a todos?.

Natalino reforça ainda que as reservas não existem, mas que o poder público está procurando uma solução cabível para não prejudicar ainda mais aqueles que foram enganados pelas empresas em todos estes anos.

Edição 1398

Comentários

Isabel
23/06/2012 17:05
A prefeitura sabia sim das cobranças feitas pela empresa que trabalhava no cemitério, tanto que se você fosse na prefeitura eles davam um desconto de 300,00 dos 1500,00 pagos pelo jazido foi assim quando compramos o do meu sogro a 3 anos. São lamentáveis essas desculpas que dão agora que não sabiam.....Não sabiam uma ova!!!!
Renato da Costa Brambilla
19/06/2012 16:28
Lendo a reportagem onde dizem: "não saber das práticas do cemitério" será que não sabiam mesmo? teríamos que ver se ninguém da prefeitura nunca comprou um terreno la no cemitério...

Para variar, mais uma vez o povo que leva a culpa das canalhices de outros, nessas horas não foi ninguém, nunca é ninguém. Quando, e reforço quando vai ter um responsável? Sempre será assim?
Marcio
19/06/2012 16:17
Esse negocio de vender espaços/reservas no cemitério não é nem uma novidade. Meu tio já tem 2 espaços reservados nesse cemitério desde a década de 80. O que não falta nesse cemitério são Carneiras vazias e reservadas, com certeza, os ditos donos pagaram por elas. Se vc caminhar pela parte "nova" do cemitério, poderá ver que existem várias carneiras reservadas.
Tá na hora do poder público tomar esses espaços e repassar a quem realmente precisa, quem comprou, infelizmente, deve cobrar seus direitos de quem vendeu.
Sonia
19/06/2012 13:26
Sinceramente, não sei dizer se é vergonha, nojo, desprezo, qual o sentimento que sentimos com o que vemos em Gaspar...
O cidadão gasparense está sendo tratado com tão pouco respeito em todos os segmentos do setor público.......Lamentável!!!!!


Jonas Silva
19/06/2012 12:11
Mas como "fede" esse cemitério de Gaspar. Cada dia aparece mais um podre. Onde vamos parar se nem os mortos sao respeitados??

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