Jhon Stiehler acorda cedo todos os dias para ir ao trabalho. O jovem de 20 anos trabalha como auxiliar de produção em uma empresa da cidade e com o salário que ganha paga o aluguel que divide com um amigo e as despesas gerais da casa. Ex-morador do abrigo para menores abandonados pela família, Jhon é um exemplo de superação. Ao completar 18 anos precisou deixar o abrigo e, sem família e nem lugar para ficar, teve o apoio de uma pedagoga que o ajudou a encontrar uma casa para morar e poder sonhar com um futuro.
Para ajudar garotos como Jhon é que a juíza da 1º Vara da Comarca de Gaspar, Ana Paula Amaro da Silveira e representantes do Tribunal de Justiça de Santa Catarina sugeriram aos administradores do Município a criação de uma República em Gaspar. O local serviria como moradia para os meninos e meninas que perderam os laços familiares e durante toda a vida moraram em abrigos, porém, quando completam 18 anos precisam deixar a instituição e muitas vezes não têm para onde ir.
A sugestão foi apresentada ao prefeito Pedro Celso Zuchi e à secretária de Desenvolvimento Social, Maristela Cizeski, durante reunião realizada no Fórum de Gaspar na última segunda-feira, 2. Conforme o corregedor-geral da justiça Vanderlei Romer, a República seria mantida em parte pelo Município e em parte pelos jovens moradores, que trabalham e pagariam para viver no local e bancar as despesas como alimentação. ?Em Gaspar, estes menores que até hoje deixaram os abrigos após os 18 anos estão bem encaminhados, nenhum virou delinquente depois, mas precisamos cuidar deles. Ou cuidamos bem dos menores hoje ou seremos responsáveis amanha pela sociedade que deixamos para as gerações futuras?, afirmou o corregedor em entrevista à rádio Sentinela do Vale.
A secretária de Desenvolvimento Social aprova a ideia e afirma que, em maio deste ano já esteve estudando a possibilidade de instalar uma República na cidade. ?Bem antes mesmo dessa reunião, já havíamos feito contato com uma entidade que trabalha exclusivamente com república e que é referência no Brasil e já está marcada uma visita à esta entidade. Após esta etapa, eles virão ao município?, revela.
Convênios
No mesmo encontro realizado na última segunda-feira representantes do Tribunal de Justiça, da Vara da Infância e da Prefeitura de Gaspar discutiram a renovação dos convênios firmados entre o Município e as entidades que administram os três abrigos municipais ? Casa Lar Semente do Amanhã, Lar dos Meninos e Lar das Meninas.
Segundo a juíza Ana Paula Amaro da Silveira, o TJ pediu para que a Prefeitura mantenha os convênios pois entende que este tipo de trabalho vem sendo favorável às crianças e adolescentes da cidade. ?O prefeito manifestou que fará a renovação dos convênios e repasses e estabelecemos um prazo para a renovação?, explica a juíza.
Apesar da afirmação da juíza, a secretária Maristela afirma que até esta quarta-feira, quando foi entrevistada pela equipe do Jornal Cruzeiro via email, não tinha conhecimento da renovação e do valor a ser repassado às entidades administradoras do abrigo.

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